(Julia 1548) Sylvia Day – Antiga Paixão
Inglaterra, 1 770
Marcus Ashford já sobreviveu a várias situações de perigo. Nada,...
sucesso de venda. Elogiada pela crítica como uma escritora “ maravilhosa e
apaixonante”, Sylvia foi indica para o prêmio R...
NOVA CULTURAL
www.romances.com.br
Copyright © 2006 by Sylvia Day Originalmente publicado em 2006
pela Kensington Publishin...
Dilguerían
ARTE Mônica Maldonado
MARKETING/COMERCIAL Andréa Riccelli
PRODUÇÃO GRÁFICA Sônia Sassi
PAGINAÇÃO Ana Beatriz Pá...
que perdeu a vida no cumprimento do dever.
O sorriso provocante foi substituído por um suspiro de contrariedade.
— O fato ...
— Qual a razão de todo esse interesse após tanto tempo? Seria de
esperar que você quisesse manter distância dela.
Havia vá...
Marcus moveu a cabeça afirmativamente. Elizabeth não pediria um
substituto; seu orgulho não permitiria.
— Descobriu-se que...
perguntas que julgar necessárias hoje à noite, no baile de abertura da
temporada que será oferecido pelos Moreland.
Com a ...
Outro golpe. Ele não deveria ter estranhado. O importante era não
sofrer. A ferida profunda de anos antes já estava cicatr...
noite. Elizabeth seria a exceção a essa regra.
Com uma taça de vinho na mão, Marcus se portava como qualquer
outro convida...
segundos e continuaria beijando-a ao longo do pescoço até o decote.
Ofegantes, eles deixariam o salão de baile e procurari...
Uma voz fez Elizabeth voltar ao presente.
— Está se sentindo bem? — perguntou George Stanton, um velho
amigo, com quem est...
(Julia 1548) Sylvia Day – Antiga Paixão
passado em definitivo. O conde não foi importante para mim naquela
época, e me é i...
estômago.
Despreparada para encontrá-lo naquela noite, sem saber como
proceder, ela recorreu novamente ao leque. Era sua p...
cavalheiro aqui presente.
— Não tenho intenção de dançar com nenhum destes cavalheiros,
milady. É com você que eu gostaria...
rosto. No entanto, a pele profundamente beijada pelo sol indicava apenas
um estilo de vida natural, ao ar livre, e não em ...
No passado, ele conseguira convencê-la de cada declaração de amor e
afeto, mas não conseguiria mais. Apesar de que ela se ...
que eu viria a este evento.
— É verdade, Elizabeth. Estou aqui por sua causa.
— Meu irmão ficará furioso, se nos surpreend...
comportamento, nunca seria o marido com que eu sonhava.
— Eu era um homem apaixonado e a teria amado com loucura —
Marcus ...
Avery James se tornara um amigo para ela, principalmente nos primeiros
meses de luto.
— Elizabeth!
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assessorar o encarregado direto da missão.
— Entendo. Vocês sempre trabalham em duplas. Meu marido e meu
irmão também fora...
que lorde Westfield é um velho conhecido seu.
— As suas ordens, milady. — Marcus fez uma mesura. E ao tornar a
olhar para ...
anos, na coluna de casamentos, deveria ter consultado o obituário.
Gostaria de nunca tê-lo conhecido.
Ela se afastou após ...
— Chegou pelo correio. A letra era de Hawthorne. Estranhei o fato de
ter sido escrito anos antes de sua morte. O papel est...
— Por que você e não eu?
Avery, que se mantivera atento, embora afastado da discussão,
aproximou-se.
— Milady, lorde Westf...
determinado a fazê-la minha independe da missão.
Após essas palavras, ele inclinou-se em despedida e se afastou em
direção...
Margaret?
— Conversando com as amigas. Soube que você dançou com
Westfield.
— Rumores já chegaram aos seus ouvidos? — Eliz...
— Para encontrar o assassino, talvez precisemos de uma colaboração
mais direta de lady Hawthorne.
— Não podemos compromete...
colocava uma almofada no sofá para acomodar melhor a cunhada.
— Por falar em exagero, eu estou grávida, não inválida. Você...
porta.
— Ele tem charme para dar e vender. Impressionou até você, não é
mesmo?
— Você parece ter ciúmes dele. As mulheres ...
problema comigo.
— E depois?
— Não houve chance. Hawthorne queria se casar comigo e eu aceitei
seu pedido. Marcus foi embo...
(Julia 1548) Sylvia Day – Antiga Paixão
— Eu concordo com você — disse a duquesa de Ravensend, sem que
Elizabeth tivesse n...
Seria de esperar que uma madrinha oferecesse bons conselhos à
afilhada. Elizabeth corou a essas palavras.
— Eu não tenho p...
— Sr. Stanton.
— Lorde Westfield.
Como ditava a boa educação, Marcus procedeu às apresentações
entre lady Clara e George S...
alcova sob a escada. Viu-o olhar ao redor antes de segurá-la pelo queixo e
imaginou que ele devia ter planejado aquela sit...
Um som gutural pareceu brotar das profundezas do peito de Marcus
ao encontro das línguas. Era tão primitivo e sensual que ...
defensiva. — Eu não quero você.
— Mentira. Você me quis desde o primeiro momento em que nos
conhecemos. E ainda me quer. E...
— Não lhe basta ter mulheres às dúzias se atirando a seus pés?
— Não — respondeu ele com arrogância. — Só ficarei satisfei...
esboçou um movimento para ir atrás dela.
— Eu não faria isso, se fosse você — advertiu William, em tom de
ameaça.
(Julia 1...
— Elizabeth e eu temos problemas a resolver. Não recuarei até que
tudo fique esclarecido entre nós.
— Arriscaria sua vida ...
Chesterfield Hall, onde moravam Elizabeth, William e Margaret, ficava em
uma região afastada e isolada. Sempre que a visit...
mão de Elizabeth aos lábios em um gesto cavalheiresco.
— Com o fim do luto, pretende retornar à sua casa? A casa que seu
m...
— Preferia que eu fosse um monge?
— Antes um monge do que um libertino.
— Alguma noite você pensou em mim, Elizabeth, quan...
ingênua. — De fato, ao inclinar-se sobre o corpo teso, apoiando as mãos de
cada lado dos joelhos dele, os seios se projeta...
— Posso muito bem adivinhar a intenção do sujeito: marcar um
encontro comigo e se apoderar do livro. A propósito, você tev...
até lhe tirar o fôlego, esmagando os lábios rosados sob os dele.
Elizabeth tentou revidar, fincando as unhas na pele de Ma...
Christopher St. John atacou vários de nossos navios, apoderando-se de
uma fortuna em dinheiro e mercadorias.
— St. John? E...
— Você parece me conhecer melhor do que eu mesma. — A
observação soou irônica. — Também deve ter chegado à conclusão, como...
Elizabeth se pôs a andar de um lado para outro, as mãos
entrelaçadas.
— No fundo, acho que eu sempre soube a verdade.
Ela ...
meus roupões de banho.
— Você deveria ter ido atrás de mim e me obrigado a escutá-lo —
Elizabeth acusou.
— Eu fui. Mas até...
Sua aparência era serena, mas o tremor de sua mão a traía. Eram dois
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estranhos, li...
Você se movia e falava com desenvoltura. Eu me lembro dos olhares
escandalizados das matronas quando você me fez rir alto,...
Mas não se preocupe. Você nada sofrerá nesse processo. — Elizabeth
baixou os olhos e Marcus a segurou pelo queixo, obrigan...
fizera questão de assumi-la. Calma, contudo, sempre presente em outras
circunstâncias, era algo que ainda lhe faltava.
Com...
das páginas de um romance. Um príncipe, brandindo sua espada em
defesa da mulher amada.
— Pare ou acabará matando-o!
Ao so...
tomou para si a tarefa de ampará-la.
A perplexidade o emudeceu por um instante. Elizabeth estava
segurando uma pistola na ...
matriculou em um internato para meninas.
— Obrigada por me trazer à sua casa para que eu pudesse me
recompor — ela agradec...
(Julia 1548) Sylvia Day – Antiga Paixão
— Por que você insiste em esconder dele a verdade? Por que não
permite que seu irm...
— Sempre. — Ele entrelaçou os dedos aos dela.
Mais uma tentativa inútil. Elizabeth deu um passo para trás, os olhos
brilha...
— Marcus...
Ele gemeu ao som daquela voz feminina e rouca, ao doce perfume
que se desprendia daquela pele. Estava perdido ...
eles e se perdeu na exploração da boca macia.
Distraída pelo beijo, Elizabeth não reagiu ao sentir a súbita leveza de
seu ...
afastou a colcha, acomodando a ambos sobre os lençóis de seda. Sem dar
nenhuma chance para Elizabeth escapar, apoderou-se ...
uma das mãos e imobilizando-a com o próprio corpo. Com a mão livre, ele
tirou a gravata e atou-a aos pulsos de Elizabeth.
...
correndo acelerado pelas veias, conforme as mãos dele se aproximavam
de seus seios, Elizabeth quis acompanhar com os olhos...
— Feche as cortinas!
O pedido soou quase desesperado. Marcus olhou para Elizabeth com
firmeza. Ele havia afastado suas per...
A partir de hoje, você precisará de mim, como eu de você. A partir de hoje
você acreditará em minhas palavras, em minhas i...
mais para a frente, intensificando o contato.
Segundos depois, o clímax o fez derramar-se dentro da boca de
Elizabeth, que...
— Você precisa descansar.
A cicatriz atraiu-a e ela a tocou involuntariamente. Marcus segurou
sua mão e beijou cada um dos...
Não se escondera. Deixara que ela visse seu corpo em toda sua glória, e
ela fizera o mesmo.
— Do que você gosta? — Elizabe...
até que ele por fim se deitou sobre ela e a penetrou vagarosamente.
As sensações a envolviam em ondas. A impressão que dav...
Marcus acordara e puxara seu corpo, sem prévio aviso, para cima do
dele.
— O que estava fazendo comigo, milady?
— Você est...
— Não. À noite, quando eu estiver sozinho, pensarei em você e
nestes momentos que acabamos de compartilhar. Tenho certeza ...
cederam sob seu peso, e ela teria caído se Marcus não a segurasse.
— Você está bem? Eu a machuquei?
— Não. Não foi nada. —...
No andar de baixo, o mordomo entregou o chapéu e as luvas de
Elizabeth e avisou Marcus de que um homem chamado James pedir...
jamais a usaria dessa maneira. Jamais partilharia nossos segredos com
outros. Tudo que houver entre nós sempre ficará apen...
minha irmã, eu o mato!
— Não diga asneiras. Eu acho ótimo que eles possam finalmente se
entender — declarou ela. — Além do...
outra coisa.
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Antes que Margaret pudesse perguntar a que o marido se referia,
Willi...
Desde a morte da mãe e da depressão do pai, ele e Elizabeth haviam
se tornado amigos e companheiros inseparáveis. Ela fora...
— Eu adoro cavalgar. Por que não para de implicar comigo e volta
para junto de Margaret? Ela está à sua espera.
— Eu não e...
trabalhar comigo.
— E o que a senhora me ofereceria em troca?
— O livro de anotações de meu marido. Eldridge cruzou os bra...
inerentes ao título jamais interferiram em seu desempenho. Eu lhe
confesso que ele é meu melhor homem e que o considero o ...
general. A intimação havia sido entregue quando ele se preparava para ir à
mansão dos Ravensend.
— Lady Hawthorne esteve a...
— Imagino que Avery tenha se reportado a respeito do fato ocorrido
hoje.
— Sim, mas obviamente você tem algo a acrescentar...
amanhã. Até lá, tentarei descobrir quem mais está ciente sobre o livro de
anotações.
Marcus seguiu pelo longo corredor mer...
Elizabeth não precisou se virar para ter certeza. O arrepio que lhe
subiu pela espinha indicava que Marcus estava se aprox...
para a sala onde fileiras de cadeiras haviam sido dispostas para acomodá-
los. Marcus colocou a mão de Elizabeth na curva ...
redor. Mas o medo que a oprimia não era provocado por ele. Na realidade,
com Marcus ela se sentia segura. Seu medo vinha d...
seda. Ele a prendeu com a dele.
— Você está com algum plano em mente. O sorriso se mostrou.
— Em absoluto. Apenas decidi l...
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Série georgian antiga paixão 01 - sylvia day

  1. 1. (Julia 1548) Sylvia Day – Antiga Paixão Inglaterra, 1 770 Marcus Ashford já sobreviveu a várias situações de perigo. Nada, porém, o excita mais do que a paixão que sua ex-noiva lhe desperta. Faz quatro anos que Elizabeth terminou o noivado para se casar com lorde Hawthorne, e agora, viúva, ela está sendo ameaçada, e a tarefa de Marcus é protegê-la. Ele está mais do que disposto a fazer isso, pois será uma excelente oportunidade de mostrar a ela a profundidade de seu desejo... Segredos perigosos levaram ao assassinato de Hawthorne, segredos anotados em um diário que muitos matariam para possuir. Mas como Elizabeth poderá confiar sua segurança ao homem de quem ela fugiu no passado?... E agora, esse mesmo homem está a seu serviço, em todos os sentidos! E Elizabeth só tem duas escolhas: resistir à tentação, ou entregar-se por completo... (Julia 1548) Sylvia Day – Antiga Paixão Sylvia Dan é autora premiada de mais de 12 romances, todos eles
  2. 2. sucesso de venda. Elogiada pela crítica como uma escritora “ maravilhosa e apaixonante”, Sylvia foi indica para o prêmio RITA de Excelência em Romances. Além do português, seus livros são traduzidos também para o espanhol e o russo.
  3. 3. NOVA CULTURAL www.romances.com.br Copyright © 2006 by Sylvia Day Originalmente publicado em 2006 pela Kensington Publishing Corp. PUBLICADO SOB ACORDO COM KENS1NGTON PUBLISHING CORP. NY, NY — USA Todos os direitos reservados. Todos os personagens desta obra são fictícios. Qualquer semelhança com pessoas vivas ou mortas terá sido mera coincidência. As publicações da Editora Nova Cultural não podem ser reproduzidas, total ou parcialmente, seja qual for o meio, mecânico ou eletrônico (inclusive digitalização), sem a permissão expressa da Editora. A reprodução das publicações sem a devida autorização da Editora constitui crime de violação de direito autoral previsto no Código Penal brasileiro. TÍTULO ORIGINAL: ASK FOR IT EDITORA Leonice Pomponio ASSISTENTES EDITORIAIS Patrícia Chaves Paula Rotta Vânia Buchala EDIÇÃO/TEXTO Tradução: Nancy de Pieri Mielli Revisão: Ana Maria
  4. 4. Dilguerían ARTE Mônica Maldonado MARKETING/COMERCIAL Andréa Riccelli PRODUÇÃO GRÁFICA Sônia Sassi PAGINAÇÃO Ana Beatriz Pádua © 2009 Editora Nova Cultural Ltda. Rua Paes Leme, 524 — 10'- andar — CEP 05424-010 — São Paulo - SP www.novacultural.com.br Impressão e acabamento: RR Donnelley DIGITALIZAÇÃO E REVISÃO: MARINA (Julia 1548) Sylvia Day – Antiga Paixão PRÓLOGO Londres, Abril de 1770 __ Está com medo que eu me interesse por sua cliente, Eldridge? Admito minha preferência pelas viúvas. Elas são mais cordatas e decididamente menos complicadas do que as donzelas e as casadas. Mas isso não significa... Um par de olhos reprovadores se ergueu de uma pilha de papéis disposta sobre uma escrivaninha de mogno. — A idéia de sedução nem sequer deveria ter passado pela sua cabeça, Westfield. Lady Hawthorne foi casada com um de meus agentes
  5. 5. que perdeu a vida no cumprimento do dever. O sorriso provocante foi substituído por um suspiro de contrariedade. — O fato de eu ter a fama de libertino não significa que eu não leve meu trabalho a sério. Você bem sabe o quanto esse caso também é importante para mim — protestou Marcus Ashford, o sétimo conde de Westfield. Lorde Eldridge se recostou na cadeira, apoiou os cotovelos e juntou as mãos. Era um homem alto e vigoroso, com a pele evidenciando longa exposição ao sol em deques de navios. Era do tipo prático e direto, desde o modo de falar e se movimentar até o comportamento. — Para ser franco, eu não esperava por seu interesse. Chamei-o em essência para explorar seu talento para a criptografia. Jamais me ocorreu que você fosse se apresentar voluntariamente para a tarefa. Marcus sustentou o olhar inquiridor. Eldridge era o chefe do grupo de elite do rei, especializado em caçar piratas e contrabandistas. Atuando sob os auspícios da Marinha Real de Sua Majestade, Eldridge era um dos homens mais poderosos da Inglaterra. Dependia dele, unicamente, a indicação de Marcus para aquela força-tarefa. — Se lady Hawthorne está em perigo, quero ser eu a defendê-la. Eldridge estreitou os olhos cinzentos.
  6. 6. — Qual a razão de todo esse interesse após tanto tempo? Seria de esperar que você quisesse manter distância dela. Havia várias razões, mas nenhuma que Marcus quisesse partilhar. — Apesar de nosso passado conturbado, eu pretendo zelar por sua segurança. — O comportamento de lady Hawthorne o afetou, apesar de você não se queixar. O escândalo que se criou em torno de seu nome perdurou por vários meses e é discutido até hoje. Você parece ter se recuperado do problema, mas as cicatrizes certamente permanecem. Marcus se obrigou a vencer a luta contra o ressentimento que as lembranças evocavam. E também o desagradável questionamento. Aquele era um assunto apenas seu, não dizia respeito a mais ninguém. — Considera-me incapaz de separar minha vida particular da minha vida profissional? (Julia 1548) Sylvia Day – Antiga Paixão Lorde Eldridge respirou profundamente antes de responder. — Está bem. Não lhe farei mais nenhuma pergunta de caráter pessoal. Você é o melhor dos meus agentes. Não pretendia indicá-lo para esta missão por causa de sua história com lady Hawthorne, mas se você a quer, e ela concordar, não farei objeção.
  7. 7. Marcus moveu a cabeça afirmativamente. Elizabeth não pediria um substituto; seu orgulho não permitiria. — Descobriu-se que o falecido mantinha um livro de anotações em código. Ninguém sabia de sua existência até poucos dias atrás — lorde Eldridge prosseguiu. — É bem provável que o material tenha ligação com sua morte. O visconde Hawthorne estava investigando Christopher St. John quando sofreu a emboscada. Marcus franziu o cenho à menção do famoso pirata. De todos os criminosos, St. John era o único que lhe provocara danos diretos. Pelos ataques e saques à Companhia de Navegação Ashford, de propriedade de sua família, St. John se tornara seu inimigo pessoal. — Se o livro com as anotações ficou em poder de lady Hawthorne, ela corre perigo iminente de vida! — Marcus exclamou. — Exatamente — concordou lorde Eldridge. — Para segurança de lady Hawthorne, e nossa, o livro com as anotações deverá ser trazido para nossa sede assim que você estudá-lo e conseguir decifrar seu código. Oxalá tenha êxito. Até entregá-lo a você, a jovem senhora foi instruída a trancá-lo em um cofre — Eldridge abriu uma pasta e empurrou-a para Marcus. — Estes são os dados que recebi até agora. Você terá oportunidade de conversar com lady Hawthorne e de lhe fazer as
  8. 8. perguntas que julgar necessárias hoje à noite, no baile de abertura da temporada que será oferecido pelos Moreland. Com a pasta embaixo do braço, Marcus deixou o escritório. Um sorriso distendeu seus lábios. Faltava pouco, agora, para colocar seu plano em ação. O término do luto de Elizabeth significava o fim de uma longa espera. Apesar da gravidade das circunstâncias, ele estava contente. Mesmo que fosse por causa de um pirata, Elizabeth voltaria à sua vida. (Julia 1548) Sylvia Day – Antiga Paixão CAPÍTULO I Marcus viu Elizabeth assim que entrou no saião. Ela estava ainda mais bonita, depois de quatro anos. As palavras e gestos dos outros convidados que se aglomeravam diante da porta se perderam com a imagem que se apoderava não só de seus olhos como também de sua mente. Elizabeth sempre fora linda. Ou a saudade o estava fazendo enxergá-la com o coração? Uma ponta de mágoa apagou o sorriso que se anunciara. Obviamente Elizabeth não correspondia ao seu sentimento por ela. A um breve encontro de olhares, Marcus permitiu que o prazer de revê-la se revelasse. Em retribuição, Elizabeth ergueu o queixo e virou-se para o outro lado.
  9. 9. Outro golpe. Ele não deveria ter estranhado. O importante era não sofrer. A ferida profunda de anos antes já estava cicatrizada, protegendo-o de novas agressões. No final das contas, não importava o que Elizabeth fizesse, porque nada poderia impedir que os caminhos do destino se cruzassem. Como agente a serviço da Coroa, Marcus vivera grandes aventuras. Em defesa de seu país, ele travara inúmeras batalhas, já tendo sido ferido pela lâmina de uma espada e por duas balas de pistola. Nesse processo, perdera três de seus navios e afundara seis dos inimigos. No en- tanto, fora Elizabeth a única a fazê-lo tremer até aquele momento. — Acabo de localizar a viscondessa, milorde — informou Avery James, o parceiro de Marcus, fazendo um sinal disfarçadamente para o lado direito. — Ela está perto da pista de dança, com um vestido lilás. — Eu sei quem ela é. — Você a conhece? — Sim. Lady Hawthorne e eu somos velhos amigos. Aproveite a festa. Eu o chamarei em caso de necessidade. Avery hesitou por um instante, mas acabou cedendo. Enquanto ele seguia em meio à multidão, Marcus foi detido por um grupo de cavalheiros. Detestava ser abordado em reuniões sociais para falar de assuntos de negócios, não gostava de misturar trabalho e lazer. Ao menos até aquela
  10. 10. noite. Elizabeth seria a exceção a essa regra. Com uma taça de vinho na mão, Marcus se portava como qualquer outro convidado. Ninguém que o visse pensaria que estava ali com uma incumbência. Elizabeth era a mulher mais linda e elegante de todas. Negara-se, contudo, a acompanhar a extravagância da moda que exigia o uso de perucas. Seus cabelos escuros estavam adornados por plumas brancas. O contraste era notável. Todos os olhares convergiam para ela, inexoravelmente. Os olhos de Elizabeth também eram fascinantes. Marcus os comparava a ametistas, não apenas pela cor, mas pelo brilho. Eles o atraíam como um ímã. Sob o risco de se queimar, como um inseto atraído para a chama de uma vela, Marcus sempre se perdia em sua (Julia 1548) Sylvia Day – Antiga Paixão contemplação. Foi o que aconteceu, mais uma vez, naquela noite. Ele ficara imóvel, como se tivesse se transformado em uma estátua, quando Elizabeth notara sua presença. Imaginou-se percorrendo a distância que os separava, tomando-a nos braços e pousando os lábios na boca que tão bem conhecia, e que se derreteria como mel sob seus beijos. Então ele se afastaria por alguns
  11. 11. segundos e continuaria beijando-a ao longo do pescoço até o decote. Ofegantes, eles deixariam o salão de baile e procurariam um lugar onde pudessem ficar a sós. Então ele se entregaria à paixão que se infiltrara em seu ser anos antes e saciaria sua fome e sua sede do corpo quente e sensual que o assombrava todos os dias e todas as noites. Houvera um tempo em que Marcus queria Elizabeth apenas para si. O sorriso, a voz, a visão do mundo pelos olhos dela. Agora sua necessidade era mais básica. Recusava-se a depender de Elizabeth como do ar que respirava. Não mais. Agora, ele só queria ter sua vida de volta. Uma vida serena, sem dor, sem revolta, sem noites insones. Elizabeth a roubara e teria de devolvê-la. Elizabeth, a viúva do visconde Hawthorne, sentiu o ar lhe faltar. O coração, contudo, reagiu em acelerado batimento. Marcus Ashford estava olhando para ela com evidente prazer pelo reencontro após todos aqueles anos. Perturbada pelo efeito que aquela beleza máscula ainda exercia sobre suas emoções, Elizabeth forçou-se a ignorá-lo. Marcus, atual conde de Westfield, continuava sendo o homem mais lindo e charmoso que ela já conhecera. A atração entre eles permanecera como uma força tangível, e bastou uma troca de olhares para comprovar esse fato.
  12. 12. Uma voz fez Elizabeth voltar ao presente. — Está se sentindo bem? — perguntou George Stanton, um velho amigo, com quem estivera conversando. — Ficou pálida de repente... Ela se apressou a abrir o leque e se abanar. — Está muito quente, aqui... — Vou lhe buscar um refresco. Elizabeth sorriu, agradecida. Esperou que George se afastasse e tentou prestar atenção ao que as pessoas ao redor estavam dizendo. — Peço que me desculpem. Eu me distrai por um instante. — Estávamos falando sobre o conde de Westfield — declarou Thomas Fowler, apontando discretamente para Marcus. — Estamos surpresos por encontrá-lo aqui. A aversão do conde por eventos sociais é notória. — Eu só lamento que ele tenha resolvido romper com essa postura justamente esta noite. Thomas se mostrou embaraçado à observação. — Mil perdões, milady. Eu tinha me esquecido sobre sua ligação pregressa com lorde Westfield. — Não é preciso se desculpar — Elizabeth respondeu. — Aprecio seu lapso. Deve ser a única pessoa em Londres com o bom senso de enterrar o
  13. 13. (Julia 1548) Sylvia Day – Antiga Paixão passado em definitivo. O conde não foi importante para mim naquela época, e me é indiferente agora. George retornou com o refresco, e a conversa prosseguiu. Elizabeth aproveitou para mudar de posição de forma que pudesse observar os movimentos de Marcus. A reputação de libertino evidentemente não afetara seu prestígio. Apesar do grande número de pessoas no salão, ele se destacava sob qualquer ângulo. Os homens o cumprimentavam, e as mulheres lançavam olhares cobiçosos em sua direção. Marcus, porém, mostrava-se indiferente aos bajuladores. Conforme se movia em direção à pista, irradiava a arrogância casual de alguém que sempre obtinha o que desejava. Como se tivesse detectado a força do olhar de Elizabeth, ele tornou a fitá-la. Os cantos de sua boca se curvaram em um sorriso. O brilho daquele olhar a hipnotizava. Havia uma aura de isolamento ao redor de Marcus. Seus movimentos estavam mais bruscos e precisos do que Elizabeth se lembrava. Uma intensa inquietação parecia dominá-lo e lhe enviar sinais de aviso. Sinais que ela registrara e estava determinada a respeitar. — Parece que lorde Westfield está vindo para cá — avisou George, provocando um calafrio na espinha de Elizabeth e um nó em seu
  14. 14. estômago. Despreparada para encontrá-lo naquela noite, sem saber como proceder, ela recorreu novamente ao leque. Era sua primeira aparição em sociedade, após três anos de luto, e Marcus resolvera tripudiar sobre sua aversão a eventos justamente naquela noite?! Se ela não conhecesse sua fama de mulherengo e conquistador, poderia até pensar que ele havia esperado todos aqueles anos por aquele exato momento... Não que ela esperasse que Marcus fosse respeitar sua dor, depois de ter partido seu coração sem misericórdia. Não fora àquela festa para se divertir, e sim com o único propósito de encontrar o agente que a ajudaria a fazer justiça ao marido morto. A multidão abriu passagem para Marcus, até que ele parou diante de Elizabeth. Controlando o impulso de sair correndo, ela endireitou os ombros e respirou fundo. Sentindo as mãos trêmulas, e com receio de derramar o refresco, ela bebeu o conteúdo do copo de um só gole e o devolveu a George. Antes que pudesse abaixar a mão, Marcus segurou-a. — Lady Hawthorne. Deslumbrante, como sempre. Seria ingenuidade de minha parte esperar que esteja disponível ao menos para uma contradança? — Não pretendo dançar esta noite, milorde. Pergunte a qualquer
  15. 15. cavalheiro aqui presente. — Não tenho intenção de dançar com nenhum destes cavalheiros, milady. É com você que eu gostaria de rodopiar pela pista de dança. Elizabeth notou a expressão de desafio no olhar de Marcus. Isso a fez reconsiderar. Não daria a ele a satisfação de pensar que estava com medo de dançar com ele. — Bem, se insiste, podemos dançar a próxima música. Os pares estavam se preparando para dançar o minueto. (Julia 1548) Sylvia Day – Antiga Paixão Com um movimento ágil, Marcus se virou e estendeu-lhe o braço. Elizabeth pousou a mão sobre a dele, aliviada por estar usando luvas. O salão estava iluminado por velas, e as chamas projetavam sobre o rosto masculino uma luminosidade dourada. Ela baixou os olhos e aproveitou o sombreado dos cílios para verificar as marcas que o tempo poderia ter deixado em Marcus. Os cabelos continuavam brilhantes, de um rico tom de castanho, amarrados na nuca por uma fita preta. Os olhos verdes refulgiam com perspicácia. Fora uma tola em se acreditar capaz de domar um homem forte e atlético, de emoções intensas. Em sua imaginação, os sinais de desgaste, próprios de uma vida de indulgência, se apresentariam naquele
  16. 16. rosto. No entanto, a pele profundamente beijada pelo sol indicava apenas um estilo de vida natural, ao ar livre, e não em ambientes fechados, como os oferecidos pela noite. Os lábios eram cheios e sensuais. Curvados em um meio-sorriso, o faziam parecer pouco mais do que um menino. Em suma, Marcus era um homem atraente da cabeça aos pés, e tinha consciência disso. — Elizabeth — ele murmurou, obrigando-a a vencer a fantasia que o perfume cítrico com um toque de sândalo provocou, remetendo-a ao passado. — É um prazer imenso estar novamente em sua companhia. — O prazer é todo seu, lorde Westfield. — Antes você me chamava de Marcus. — Neste momento, um tratamento informal não seria adequado, milorde. — Eu lhe dou permissão para me tratar inadequadamente em qualquer tempo ou ocasião. Sempre dei — acrescentou ele com malícia. — Não só a mim, como a todas as outras mulheres. O sorriso se acentuou. — Jamais. Você sempre foi especial. Homens sedutores existiam às dúzias. Elizabeth os reconhecia de longe. Marcus, porém, tinha um jeito de falar que o fazia parecer sincero.
  17. 17. No passado, ele conseguira convencê-la de cada declaração de amor e afeto, mas não conseguiria mais. Apesar de que ela se deixaria influenciar por aquele olhar de saudade e desejo, caso não se obrigasse a se resguardar. Porque, embora sua mente o acusasse de cínico, seu corpo e seu coração não a deixavam esquecê-lo. — Três anos de luto — Marcus falou com dramaticidade na voz. — Estou aliviado em ver que o pesar não comprometeu sua beleza. Você está, aliás, ainda mais bonita do que da última vez em que a vi. Recorda- se da ocasião? — Vagamente — ela mentiu. A dança obrigava à troca dos pares, e Elizabeth aproveitou o breve afastamento para se recompor. Marcus irradiava uma aura de magnetismo sexual quase impossível de resistir. Ao sentir o toque da mão dele, quando a dança os aproximou, foi como se um fogo líquido se derramasse sobre a pele de Elizabeth. (Julia 1548) Sylvia Day – Antiga Paixão — Estou sentido por você não ter ficado contente com minha presença, quando me obriguei a vir a uma festa só para poder estar com você. — Não seja ridículo — ela o censurou. — Você não tinha como saber
  18. 18. que eu viria a este evento. — É verdade, Elizabeth. Estou aqui por sua causa. — Meu irmão ficará furioso, se nos surpreender juntos. Marcus e William tinham sido grandes amigos. Elizabeth lamentava que o fim de seu relacionamento com Marcus tivesse significado o rompimento de laços tão fortes de amizade, que vinham dos tempos de infância. — O que você quer de mim? — ela perguntou após o silêncio que se seguiu. — O cumprimento de sua promessa. — Que promessa? — Sua pele contra a minha. — Você não tem noção do que está dizendo! — Elizabeth protestou. — Não brinque comigo! Sei das inúmeras mulheres com quem esteve desde que nos separamos. Eu lhe fiz um favor ao liberá-lo para... A pressão dos dedos de Marcus em sua mão a fez calar-se. Os olhos dele escureceram e sua voz enrouqueceu. — Você fez muitas coisas ao romper comigo, mas nenhum favor. Diante daquela inesperada veemência, Elizabeth acusou-o sem reservas. — Você sabia o quanto eu valorizava a fidelidade. Com seu
  19. 19. comportamento, nunca seria o marido com que eu sonhava. — Eu era um homem apaixonado e a teria amado com loucura — Marcus retrucou. — A força de seu desejo por mim a assustou. — Não é verdade! Eu não tenho medo de você! — Deveria ter — ele respondeu, em tom de desafio. Elizabeth foi impedida de responder pela exigência da dança. Sua garganta fechou. Ela precisou engolir em seco ao testemunhar o brilhante sorriso que Marcus lhe dirigia. Sua mão ainda queimava pelo contato dele, e seu rosto estava quente pelo modo como ele a encarava. Marcus jamais lhe escondera a potente sexualidade de sua natureza. Soubera se portar de modo que convivessem perfeitamente em seus dois mundos: íntimo e social. As tradições e as regras eram respeitadas em público. A sós, ele a ensinara a se entregar ao clamor do desejo. Assim, ela se entregara à ilusão de que seria capaz de fazê-lo feliz. Um total engano. Ao término da música, ela deixou a pista. Um aceno lhe chamou a atenção. Ao reconhecer Avery James, ela correspondeu ao gesto, satisfeita por Eldridge tê-lo encarregado de conduzir a investigação. Eldridge era boa pessoa. Ele se dispusera a ajudá-la. Hawthorne tinha sido um de seus agentes. Com a morte de Hawthorne, ele indicara Avery James para assegurar de que ela tivesse todo o apoio necessário. Com sua gentileza,
  20. 20. Avery James se tornara um amigo para ela, principalmente nos primeiros meses de luto. — Elizabeth! (Julia 1548) Sylvia Day – Antiga Paixão Ela enrijeceu ao descobrir que Marcus a seguira, apesar de seus passos rápidos. — Eu lhe concedi uma contradança, milorde. Sinta-se livre, agora, para oferecer sua atenção às outras convidadas. Marcus não insistiu, mas havia um sorriso em seus lábios ao vê-la se dirigir a Avery. Elizabeth não se livraria dele com a facilidade que pensava. — Sr. James, é um prazer revê-lo. — Elizabeth ofereceu a mão. Eldridge a avisara que Avery James fora designado mais uma vez para lhe prestar serviços. — Eu me atrasei. Peço que me desculpe. Cheguei a pensar que tivesse desistido de me esperar. — Eu a esperaria a noite inteira, se fosse preciso, milady. A noite estava fresca. Elizabeth aspirou com alívio o perfume de flores misturado à brisa após o forte odor de velas queimadas no salão. -- Estou certa ao deduzir que você chefiará a equipe encarregada de minha proteção? — Não exatamente — Avery respondeu. — Estou incumbido de
  21. 21. assessorar o encarregado direto da missão. — Entendo. Vocês sempre trabalham em duplas. Meu marido e meu irmão também foram parceiros. — O estratagema funciona, milady, e tem salvado vidas. Algumas vidas. — Eu lamento a necessidade de existirem agências — Elizabeth murmurou. — Espero ansiosamente que possa haver paz no mundo, algum dia. Meu irmão quase morreu na noite em que perdi meu marido. Dou graças a Deus por ele ter resolvido deixar a agência quando se casou. — Faremos tudo que estiver ao nosso alcance para apressar o desfecho deste caso. — Eu sei disso e estou contente por você ter sido um dos escolhidos para me ajudar. — E eu por poder voltar a lhe prestar serviços após longos meses. — Para mim, o tempo parece ter voado — Elizabeth declarou. — Eu gostaria de poder dizer o mesmo — uma voz familiar soou às costas de Elizabeth. — Os últimos quatro anos pareceram uma eternidade para mim. Avery virou se para acolher Marcus. — Este é meu novo parceiro, milady. Fui informado, no entanto, de
  22. 22. que lorde Westfield é um velho conhecido seu. — As suas ordens, milady. — Marcus fez uma mesura. E ao tornar a olhar para Elizabeth, ela estava desfalecendo. — Milady, a senhora está bem? — Avery perguntou, alarmado. — Respire fundo — Marcus aconselhou. Respirar, porém, de repente parecia impossível. O espartilho estava tão apertado que o ar se recusava a penetrar nos pulmões. Elizabeth fez um sinal para que ele se afastasse. Sua proximidade só estava piorando a situação, que se agravou ainda mais ao ouvi-lo dispensar a companhia do sr. James. (Julia 1548) Sylvia Day – Antiga Paixão — Você perdeu o juízo? — Elizabeth perguntou, assim que começou a se recuperar. — Por que aceitou a missão? Não sabe que é perigoso trabalhar para a agência? — Estou emocionado com sua atual preocupação com meu bem- estar. Nos últimos quatro anos você não se importou. — Guarde seu sarcasmo para outro dia — ela retrucou. — Há quanto tempo é agente da Coroa? — Há quatro anos. Elizabeth estremeceu. — Eu estava enganada. Em vez de procurar seu nome, todos esses
  23. 23. anos, na coluna de casamentos, deveria ter consultado o obituário. Gostaria de nunca tê-lo conhecido. Ela se afastou após dizer essas palavras. O ruído de passos às suas costas avisou-a que Marcus a estava seguindo, mas não a preparou para o modo como ele lhe interceptou o caminho. — Eu digo o mesmo. — Como lorde Eldridge pôde indicá-lo para ser meu guardião, e por que você aceitou a incumbência? — Na verdade, eu tive de insistir para que ele me escolhesse. — A expressão aturdida de Elizabeth incentivou Marcus a prosseguir: — Você escapou de mim uma vez. Não tornará a acontecer. Elizabeth tentou se desvencilhar, mas Marcus era mais forte que ela. — Meu Deus, Marcus, já não causamos danos suficientes um ao outro? — Avery está olhando para cá. — Ele mudou abruptamente de assunto. — Só poderemos dispensá-lo depois de conversarmos a respeito de seu falecido marido. — Está bem — Elizabeth concordou com relutância. — Fui informado da existência de um livro de anotações da autoria de Hawthorne. Como o descobriu?
  24. 24. — Chegou pelo correio. A letra era de Hawthorne. Estranhei o fato de ter sido escrito anos antes de sua morte. O papel estava amarelado e a tinta desbotada. Marcus estreitou os olhos. — Hawthorne enviou uma correspondência para si mesmo, e ela só chegou três anos após sua morte. É realmente muito estranho. — Ele fez uma pausa. — O pacote continha pequenos furos? Algo que pudesse sugerir uma mensagem em código? — Não. Eu o trouxe comigo para que você possa verificar. Veio acompanhado por uma carta que guardei na primeira página. Marcus guardou o pequeno livro rapidamente no bolso interno da casaca e leu a carta: Desde que a agência foi fundada, apenas o assassinato de lorde Hawthorne não foi solucionado. Eu esperava não precisar envolvê-la nessa história. — A ameaça esta clara — disse, dobrando o papei e guardando-o com o livro — Eu não tenho medo. Quero que encontrem o culpado pela morte de meu marido. (Julia 1548) Sylvia Day – Antiga Paixão — Eu cuidarei para que a justiça seja feita.
  25. 25. — Por que você e não eu? Avery, que se mantivera atento, embora afastado da discussão, aproximou-se. — Milady, lorde Westfield. O assunto é de extrema gravidade. Esse desentendimento deverá ser levado ao conhecimento de lorde Eldridge. Ele certamente designará outra pessoa para conduzir a investigação. — Não! — Marcus recusou. — Sim! — Elizabeth apoiou. Marcus cerrou os punhos. — Eu não permitirei que você se exponha, Elizabeth. Seu marido foi assassinado. Quer ter o mesmo fim? — Quem é você para me dizer o que fazer? — Sou o agente designado para esta missão. — Falarei com Eldridge e ele o substituirá. — O que pretende dizer? Que não me quer a seu lado porque nem mesmo a memória de seu finado marido é o bastante para fazê-la esquecer nosso passado e o desejo que ainda sente por mim? Elizabeth decidiu não retrucar. De nada adiantaria. Pela manhã, ela procuraria Eldridge. Mas foi como se Marcus tivesse lido sua mente. — Poupe seu fôlego. Esta missão é importante para Eldridge, e ele sabe que estou empenhado em desvendar o crime. O fato de eu estar
  26. 26. determinado a fazê-la minha independe da missão. Após essas palavras, ele inclinou-se em despedida e se afastou em direção à pista. Elizabeth mordeu o lábio, cogitando se ele teria o desplante de dançar com outra. O toque em seu braço a fez retesar-se. Esquecera-se por completo de Avery. — A senhora está bem? Posso procurar lorde Eldridge logo pela manhã e... — Não será necessário — ela o interrompeu. — Tem certeza? — Sim. Avery sorriu com evidente alívio. Elizabeth, porém, fez um movimento instintivo para se esconder. Seu irmão e sua cunhada acabavam de chegar. Se William a visse em companhia do agente, adivinharia a situação. Embora eles fossem gêmeos, William era loiro, de olhos azul- esverdeados. Saíra ao pai, enquanto ela herdara as características físicas da mãe. O irmão era alto e forte. Locomovia-se sem dificuldade, embora um grave ferimento quase o tivesse levado a perder uma perna. — Por que está sozinha? — William estranhou. — Quis descansar um pouco e aproveitar para observar o cenário. E
  27. 27. Margaret? — Conversando com as amigas. Soube que você dançou com Westfield. — Rumores já chegaram aos seus ouvidos? — Elizabeth caçoou. Marcus saiu de seu esconderijo, atrás de uma árvore, e retirou duas folhas de sua casaca. Elizabeth finalmente voltara para a festa. Ele (Julia 1548) Sylvia Day – Antiga Paixão esperava que seu coração também voltasse a bater no ritmo normal. As pernas doíam pelo esforço que fizera para não ceder ao impulso de persegui-la e levá-la consigo para casa. Como era possível um homem desejar tanto uma mulher? O que ele sentia por Elizabeth não podia ser amor. O amor era sereno. A paixão era voraz. Doía e queimava como fogo. — Estou surpreso — disse Avery, surgindo ao lado de Marcus sem que ele percebesse. — Se lady Hawthorne é uma velha amiga sua, eu teria medo de me defrontar com um de seus inimigos. — Nós fomos noivos — Marcus contou. Avery balançou a cabeça. — Você tem certeza de que está agindo corretamente ao abraçar essa missão? — Não. Mas não tenho escolha.
  28. 28. — Para encontrar o assassino, talvez precisemos de uma colaboração mais direta de lady Hawthorne. — Não podemos comprometer sua segurança. Encontraremos outros caminhos. — Espero que você saiba o que está fazendo. — Por enquanto, me restringirei a estudar o campo de batalha. Por falar nisso, o que acha de voltarmos para o salão? — Fique longe dele, Elizabeth — o irmão aconselhou. — Não tive como evitá-lo. — Não confio naquele sujeito. Ele não costuma freqüentar os salões. Por que veio aqui justamente esta noite? — Não há motivos para você se preocupar. Eu não cederia ao charme de alguém que já provou não merecer minha atenção. — Elizabeth convidou o irmão para voltarem ao baile. Apesar de fingir desinteresse, estava ansiosa por descobrir se Marcus fora embora ou se resolvera dançar com outra. — Que exagero! Para que tantas flores? — Há destinos piores para uma mulher do que ser cortejada por um homem bonito — sugeriu Margaret com um suspiro. — Você é uma romântica incurável — Elizabeth respondeu, enquanto
  29. 29. colocava uma almofada no sofá para acomodar melhor a cunhada. — Por falar em exagero, eu estou grávida, não inválida. Você está me mimando demais. — Com licença... Vou ser tia pela primeira vez. — Mas ainda faltam quatro meses para o bebê nascer, e meu corpo quase não mudou. — Não importa. Vou continuar mimando você. Enquanto tomavam uma xícara de chá, Margaret contou a Elizabeth que as pessoas estavam apostando na reconciliação entre ela e lorde Westfield. — Você se tornou uma lenda por ter rejeitado um conde que, além de jovem e atraente, pode ter a mulher que desejar a um estalar de dedos. Eu confesso que gostaria de saber o motivo do rompimento. William nunca me contou. (Julia 1548) Sylvia Day – Antiga Paixão Elizabeth receou que o chá fosse entornar com o tremor que se apoderou de suas mãos. — Foi há muito tempo, Margaret. Prefiro não falar sobre isso. — Eu compreendo. Mas não dá para ignorar as insistentes tentativas do conde em lhe falar. Eu o admiro por sua determinação. Por mais que você se negue a recebê-lo, ele continua batendo todos os dias à nossa
  30. 30. porta. — Ele tem charme para dar e vender. Impressionou até você, não é mesmo? — Você parece ter ciúmes dele. As mulheres também achavam Hawthorne fascinante e você não se importava. — Hawthorne era fiel. — Westfield não? — Não. — Você o pegou em flagrante com outra? — Não exatamente. — Como pode ter certeza, então, de que ele a traiu? Elizabeth suspirou. — Um fato de extrema urgência me obrigou a procurá-lo uma noite em sua casa. Bati várias vezes antes que ele me atendesse. Quando veio abrir a porta, estava com os cabelos úmidos e as faces coradas, e usava apenas um roupão. — Baixou os olhos, perdida em reminiscências. — Alguns minutos depois, uma mulher apareceu na sala, em idêntica situação. — Westfield lhe deu alguma explicação? — Não. Disse apenas que não estava em condições de discutir o
  31. 31. problema comigo. — E depois? — Não houve chance. Hawthorne queria se casar comigo e eu aceitei seu pedido. Marcus foi embora da Inglaterra. Até o baile na semana passada, nossos caminhos nunca mais se cruzaram. — Deve haver uma razão para ele agora estar insistindo tanto em vê-la. Talvez finalmente ele esteja disposto a lhe dar uma explicação. — Daria para você parar de mencionar Westfield? — Elizabeth protestou. — Ou terei de acabar meu chá em outro lugar? — Você é teimosa como seu irmão. Elizabeth não se defendeu. Com seu jeito calmo, Margaret era ainda mais obstinada. A cunhada conseguira convencer William a se demitir da agência para se casar com ela. De qualquer forma, um novo encontro aconteceu naquela mesma noite, em um jantar na casa dos Dempsey. Logo que chegou, Elizabeth viu Marcus em entretida conversa com lady Cramshaw e sua filha, Clara. — Como ele é lindo! E também Clara. Seu pretendente e a filha de lady Cramshaw formam um esplêndido casal. — Westfield não é meu pretendente! — Elizabeth protestou. — E eu lamento a sorte da moça, caso tenha se deixado impressionar por ele.
  32. 32. (Julia 1548) Sylvia Day – Antiga Paixão — Eu concordo com você — disse a duquesa de Ravensend, sem que Elizabeth tivesse notado sua aproximação. — Clara é uma criança e não combina com um homem viril como ele. — Vossa Graça. — Elizabeth fez uma mesura à duquesa. — Eu lamento que você tenha perdido seu marido, minha querida, mas a verdade é que sua condição atual oferece uma chance de reconciliação entre vocês. De olhos fechados, ela se obrigou a ter paciência. A madrinha sempre tentara favorecer Marcus. — Eu já lhe disse que Westfield é um cínico. Tive sorte de descobrir quem ele realmente era antes de subir ao altar. — Eu acho que ele é o homem mais bonito que já conheci — repetiu Margaret. — Depois de William, é claro. Elizabeth suspirou alto. — Eu gostaria que vocês desistissem da idéia de um novo casamento para mim. Porque eu não quero me casar novamente. — Hawthorne era um rapaz ainda. Westfield é um homem. Você saberá a diferença se for para a cama com ele. Ninguém está falando em casamento.
  33. 33. Seria de esperar que uma madrinha oferecesse bons conselhos à afilhada. Elizabeth corou a essas palavras. — Eu não tenho planos de acrescentar meu nome à lista de conquistas daquele devasso. — Lady Hawthorne. Elizabeth registrou, com gratidão, o chamado providencial de seu fiel amigo, George Stanton. — Será um prazer dançar com você. — Ela colocou a mão sobre a dele e afastou-se em direção à pista. — Obrigada por me salvar. — Eu percebi que você estava precisando ser resgatada. Elizabeth sorriu, e o sorriso permaneceu em seus lábios apesar da contrariedade ao ver Marcus conduzindo Clara. Seus olhares se encontraram e ela se apressou a desviar a atenção. Não por muito tempo, porém. A dança requeria a troca de pares e em instantes ela foi forçada não apenas a fitá- lo, mas a tocar sua mão. O coração de Elizabeth batia loucamente. O desejo se infiltrara em seu sangue a um mero encontro. O prazer de dançar fora quase esquecido durante seu casamento e período de luto. Ela não conteve um sorriso de contentamento e uma expressão de surpresa ao ver George se postar ao seu lado com um olhar de desagrado para Marcus.
  34. 34. — Sr. Stanton. — Lorde Westfield. Como ditava a boa educação, Marcus procedeu às apresentações entre lady Clara e George Stanton. O que Elizabeth não esperava era que Marcus sugerisse a troca dos pares para completarem a dança, sem dar a eles chance de recusa. — O que você pretende? — Elizabeth murmurou assim que teve certeza de que os outros não ouviriam sua pergunta. (Julia 1548) Sylvia Day – Antiga Paixão — Não ficou óbvio? Tive de forçar uma situação porque você se recusa a me receber. — Não há motivos para eu recebê-lo. Não chegou mais nenhuma correspondência. A varanda estava repleta. Vários casais haviam saído para desfrutar do ar fresco da noite. Marcus segurou-a com mais força pelo braço, conduzindo-a pelas escadas que levavam ao jardim. Elizabeth teve ímpetos de detê-lo, mas a curiosidade a fez calar. O que ele pretendia fazer? Apesar da mágoa e do ressentimento que ele lhe causara, a verda- de era que ela o admirava por sua determinação em reconquistá-la. Ao alcançarem o último degrau, Marcus a puxou para uma pequena
  35. 35. alcova sob a escada. Viu-o olhar ao redor antes de segurá-la pelo queixo e imaginou que ele devia ter planejado aquela situação para poder beijá-la. Depois, quando seus lábios se tocaram, ela não conseguiu pensar em mais nada. O beijo foi incrivelmente gentil pela maciez dos lábios pousados sobre os dela, mas as sensações que provocaram foram tumultuosas em sua intensidade. Elizabeth não conseguiria se afastar, mesmo que quisesse. Suas pernas pareciam ter derretido, os braços se transformaram em chumbo. Mas a raiva acumulada ao longo dos anos conseguiu romper as barreiras da indiferença, e ela virou o rosto quando o beijo terminou. Marcus resmungou alguma coisa. Como ela resistisse, ele a abraçou com tanta força que a obrigou a encará-lo, mesmo que fosse apenas para protestar. Mas não permitiu que ela falasse. Tornou a beijá-la. Não com a doçura de momentos antes. Um sabor amargo se misturou aos movimen- tos eróticos que ele fazia com a língua ao introduzi-la por seus lábios entreabertos. Hawthorne nunca a beijara daquele jeito. Aquilo era mais do que uma união de lábios, uma manifestação de desejo. Era uma declaração de posse, de necessidade inquestionável, uma necessidade que se transmitiu a cada célula de seu corpo, obrigando-a a participar.
  36. 36. Um som gutural pareceu brotar das profundezas do peito de Marcus ao encontro das línguas. Era tão primitivo e sensual que a fez vacilar. Ele soltou os pulsos de Elizabeth, rodeou-lhe a cintura com um braço e segurou-a pelo pescoço com a outra mão, imobilizando-a naquela dança exploratória. Incapaz de permanecer imóvel, ela tateou a casaca, ora puxando-a ao seu encontro, ora amassando o tecido de tanto apertá-lo na tentativa de recuperar o controle, mas incapaz de fazer mais do que aceitar o que Marcus lhe oferecia. — Elizabeth... Eu preciso ter você... Agora! — O que você está dizendo é loucura! — Tudo sempre foi uma loucura entre nós. — Você deve se afastar de mim! — Eu me afastei. Por quatro longos anos. Paguei todos os meus pecados, reais e imaginários. O preço foi alto. Eu me recuso a esperar mais. (Julia 1548) Sylvia Day – Antiga Paixão Elizabeth fez um movimento para se desvencilhar e surpreendeu-se por Marcus não insistir em persuadi-la. — Eu não quero a dor que você me traz! — exclamou ela, na
  37. 37. defensiva. — Eu não quero você. — Mentira. Você me quis desde o primeiro momento em que nos conhecemos. E ainda me quer. Eu senti isso em seu beijo. Elizabeth amaldiçoou seu corpo traiçoeiro, que não obedecia às ordens ditadas pela razão. Febril de paixão, ela se comportara como todas as outras mulheres que Marcus costumava levar para a cama. — Se você gostasse de mim, me deixaria em paz. Marcus sorriu. — Por que não se entrega ao desejo que sente por mim, meu amor? Eu prometo que não se arrependerá. — Como pode dizer isso? — Elizabeth recuou até sentir o mármore frio em suas costas. — Já não me magoou o suficiente? Desprezo os homens que prometem amor e devoção só para conseguir levar uma mulher para a cama e depois descartá-la. — Foi você quem se descartou de mim — Marcus retrucou. — Eu tive razões para isso. Marcus estreitou os olhos. — Eu não tolerarei mais seu modo de me tratar. Quando eu for à sua casa, você me receberá. Quando eu a convidar para participar de algum evento importante, como este, você me acompanhará. Apesar de a sensação de frio ter se espalhado por todo seu corpo, Elizabeth sentia as faces afogueadas.
  38. 38. — Não lhe basta ter mulheres às dúzias se atirando a seus pés? — Não — respondeu ele com arrogância. — Só ficarei satisfeito quando você não pensar em mais nada a não ser em mim. Quando eu me apoderar de todos os seus pensamentos e sonhos. — Eu não serei sua! — Elizabeth exclamou, os olhos marejados de ressentimento. — Você não tem vergonha? Depois do que fez, ainda insiste em me seduzir? Não se deterá diante de nada até me levar ao aniquilamento? Ou as palavras de Elizabeth comoveram Marcus ou o chocaram. Havia ternura em seus olhos ao aproximar o rosto e roçar os lábios nos dela. — Eu não tinha esperanças. Com o desatar dos laços de seu casamento, você voltou a ser livre e eu recuperei o otimismo. Agora nada mais a impede de cumprir a promessa que me fez um dia. — Eu lutarei contra você com todas as minhas forças, até que desista. — Não enquanto você não for minha. — Deixe-a em paz, Westfield. Elizabeth suspirou de alívio ao ouvir a voz do irmão. Marcus resmungou um impropério, e ela aproveitou o ensejo para fugir. Ele
  39. 39. esboçou um movimento para ir atrás dela. — Eu não faria isso, se fosse você — advertiu William, em tom de ameaça. (Julia 1548) Sylvia Day – Antiga Paixão — Você está se baseando em falsas premissas, Barclay — Marcus retrucou. — Não torne a procurar minha irmã — William respondeu, categórico. — No futuro ela sempre estará indisponível para você. Subitamente, Margaret despontou entre a multidão que começava a se aglomerar no terraço para especular sobre os rumores que já haviam se espalhado entre os presentes. — Parem! — Ela se colocou entre os dois. — Esse assunto deve ser tratado em particular. Vocês estão dando um espetáculo gratuito aqui fora. — Eu não tenho nenhum assunto para tratar com esse sujeito! — William declarou. — Elizabeth não quer mais vê-lo e ponto final! Marcus se obrigou a manter a calma. Tinha uma missão a cumprir e erros do passado a ser corrigidos. As duas tarefas demandariam tempo e paciência. Ele não tinha ilusões de que seria fácil, mas estava determinado a impedir que alguém ousasse interferir no processo de reconciliação, fosse William ou qualquer outra pessoa.
  40. 40. — Elizabeth e eu temos problemas a resolver. Não recuarei até que tudo fique esclarecido entre nós. — Arriscaria sua vida por essa causa? — William perguntou com expressão de desafio. — Certamente que sim. Margaret insistiu para que o marido voltasse para o baile, e Marcus acenou em despedida apenas para ela, ignorando William. Tentar explicar a verdade a alguém que se recusava a ouvir era pura perda de tempo. De volta a Chesterfield Hall, Elizabeth subiu para seus aposentos com o coração disparado e o sabor dos beijos de Marcus em sua boca. O mordomo se ofereceu para ajudá-la a tirar o casaco e lhe entregou uma carta em uma bandeja de prata. Elizabeth agradeceu. Precisava refletir sobre o acontecimento da noite. Não lhe ocorrera que Marcus estivesse tão determinado a reconquistá-la. O envelope e a caligrafia eram idênticos ao anterior, e ela hesitou. Marcus não a estava forçando a aceitar sua nomeação como agente na investigação da morte de Hawthorne? Por que não delegar a ele a tarefa de verificar o conteúdo da carta? Ao contrário da residência urbana de Marcus, em Grosvenor Square,
  41. 41. Chesterfield Hall, onde moravam Elizabeth, William e Margaret, ficava em uma região afastada e isolada. Sempre que a visitava, Marcus preferia ir a cavalo a usar sua carruagem. Na tarde seguinte ao baile, ele foi recebido por um criado de libré, a quem entregou o chapéu e as luvas, antes de ser finalmente conduzido para uma sala. Parado no limiar da porta, seu olhar foi imediatamente atraído pelo retrato da falecida condessa de Langston, pendurado acima da lareira. Os olhos e o sorriso eram iguais aos da filha. Marcus não suportou fitá-los por muito tempo. Aqueles eram olhos de uma mulher feliz. Nos (Julia 1548) Sylvia Day – Antiga Paixão olhos de Elizabeth, ele só vira mágoa e ressentimento entre vislumbres de paixão. — Boa tarde, lorde Westfield — Elizabeth saudou-o com formalidade. Estava usando um vestido simples de musselina, que a fazia parecer pouco mais velha do que a menina que ele conhecera. A luz indireta do sol que se infiltrava pelas janelas em arco, seus cabelos se assemelhavam a fios de cetim. — Antes de iniciarmos nossa conversa, quero que saiba que meu irmão está em casa. Sem se importar com essa informação, Marcus se inclinou e levou a
  42. 42. mão de Elizabeth aos lábios em um gesto cavalheiresco. — Com o fim do luto, pretende retornar à sua casa? A casa que seu marido lhe deixou? — Seria mais conveniente para você, não é? — Em que sentido? Elizabeth estreitou os olhos. Sua ironia fora devolvida em vez de atingir o alvo. — Eu não entendo você. Estávamos juntos e você me traiu. Por que essa obsessão agora por intimidade? — Proximidade física não significa intimidade, necessariamente. — Marcus se dirigiu ao sofá e ajeitou o paletó antes de se sentar. Não queria demonstrar sua irritação diante da censura impregnada no tom da voz feminina. — Por sua culpa, eu tive muitas mulheres, quando era apenas você que eu queria abraçar. Com as luzes apagadas, eu fingia a cada nova experiência que era você que estava comigo. E cada vez eu desejava, com todas as minhas forças, que finalmente tivesse encontrado a mulher que seria capaz de me fazer esquecer você. — Você fala como se a culpa fosse minha! — E de quem é? Elizabeth cerrou os punhos. — Maldição! Por que você não pode viver sem mulheres?
  43. 43. — Preferia que eu fosse um monge? — Antes um monge do que um libertino. — Alguma noite você pensou em mim, Elizabeth, quando estava na cama satisfazendo o apetite sexual de seu marido? Minha imagem a assombrou? Alguma vez fantasiou que era eu que estava dentro de você, e não Hawthorne? Por um instante, Elizabeth pareceu se transformar em gelo. — Você gostaria que eu lhe contasse como foi minha vida de casada? De quantas maneiras Hawthorne fez amor comigo? Quais as posições de que ele mais gostava? Ou você prefere que eu lhe diga quais são as minhas preferências? Ela se pôs a andar em direção a Marcus. O modo sensual como movia os quadris o deixou com a boca seca. Em seus sonhos, Elizabeth jamais tomara a iniciativa. A perspectiva o deixava rijo de excitação. Os lábios dela se curvaram com ironia ao movimento brusco de Marcus. Em antecipação, ele desabotoou o paletó, e ela pôde ver em que condições seus favores estavam sendo aguardados. (Julia 1548) Sylvia Day – Antiga Paixão — Qual a sua intenção, Marcus? Acha que vou me assustar e sair correndo à visão do desejo de um homem? Não sou mais uma mocinha
  44. 44. ingênua. — De fato, ao inclinar-se sobre o corpo teso, apoiando as mãos de cada lado dos joelhos dele, os seios se projetaram, como se fossem escapar do decote. Era uma oportunidade que Marcus não podia deixar passar. Com mãos ágeis, apoderou-se dos seios, que o inebriaram com seu perfume. As formas de Elizabeth estavam mais maduras, mais voluptuosas do que antes. Um arrepio o fez estremecer ao imaginar-se entre o vale daqueles seios, aquecendo-se e regozijando-se em sua cálida maciez. Obrigou-se a erguer os olhos, na agonia do desejo negado, e precisou fechá-los ao notar a ponta da língua de Elizabeth umedecendo lentamente os lábios entreabertos. Antes que ele pudesse dizer ou fazer mais alguma coisa, Elizabeth recuou e lhe deu as costas. Quando tornou a se virar, trazia um envelope nas mãos, que atirou sobre o peito dele. Marcus esperou que sua pulsação normalizasse antes de verificar o teor da correspondência, embora já pudesse adivinhá-lo. — Quando chegou? — Algumas horas atrás. Ele leu a carta com o cenho franzido. — Não sentiu curiosidade de abrir?
  45. 45. — Posso muito bem adivinhar a intenção do sujeito: marcar um encontro comigo e se apoderar do livro. A propósito, você teve chance de examiná-lo? — Sim. Os mapas estão perfeitos. Conheço bem a costa da Inglaterra e da Escócia. Hawthorne as desenhou com ricos detalhes. O código que utilizou, porém, é praticamente indecifrável. Precisarei de mais tempo para estudá-lo. Marcus dobrou a carta e guardou-a no bolso. O estudo da criptografia ocupava suas horas livres desde o casamento de Elizabeth. Era uma distração que trazia bem-estar pela utilidade de seu emprego, além de afastar seus pensamentos da figura amada, cuja hostilidade o estava tirando do sério. — Como pode estar tão calma diante das circunstâncias? — O que esperava que eu fizesse? Que me pusesse a gritar? Ou que irrompesse em prantos em seus braços? Marcus teve vontade de chacoalhar Elizabeth. Em vez disso, pousou as mãos em seus ombros para desliza-las em seguida sob os cabelos fartos. Ele a teria beijado com gentileza se ela não tentasse se desvencilhar. Segurou-a com força, imobilizou-a rudemente contra a parede e beijou-a
  46. 46. até lhe tirar o fôlego, esmagando os lábios rosados sob os dele. Elizabeth tentou revidar, fincando as unhas na pele de Marcus. Seu corpo, no entanto, cedeu ao desejo. Para evitar que as pernas se dobrassem sob seu peso, ela o enlaçou pelo pescoço. Seus lábios retribuíram o beijo. A boca se abriu para receber e devolver as carícias. (Julia 1548) Sylvia Day – Antiga Paixão O feitiço virou contra o feiticeiro. O modo como Elizabeth passou a corresponder aos beijos desarmou Marcus. — Por que você parece viva somente quando eu a toco? Nunca se cansará da farsa em que se esconde? — Nem você da sua? Marcus suspirou. — Por que é tão teimosa? — Por que você nunca me contou o que aconteceu naquela noite? Tantos anos de separação e de sofrimento! Marcus fez um sinal para que ela se sentasse. A frustração e o ciúme o impediram de procurá-la naquela noite, e principalmente depois, quando soube que ela havia se casado com outro homem. Chegara finalmente o momento da verdade. — Você ouviu falar sobre a Companhia de Navegação Ashford? — Sim, é claro. — A empresa pertencia à minha família. Um pirata de nome
  47. 47. Christopher St. John atacou vários de nossos navios, apoderando-se de uma fortuna em dinheiro e mercadorias. — St. John? Esse nome não me é estranho. Minha camareira o mencionou, certa vez, como uma espécie de herói. Parece que ele rouba dos ricos para dar aos pobres e desvalidos. — Herói? St. John é um corsário! Foi por causa dele que eu ingressei na agência. Lorde Eldridge me convenceu a ajudá-lo a prender esse homem, quando o procurei para registrar o crime. — Você agarrou a chance com unhas e dentes, é claro. Para escapar ao tédio da rotina. Marcus esboçou um sorriso. O simples ato de conversar com Elizabeth lhe dava prazer, independentemente dos comentários ácidos. As pessoas se aproximavam dele movidas por interesses. Os elogios exagerados soavam falsos. Elizabeth sempre se dirigira a ele de modo franco e direto. — Eu não compreendo sua necessidade de viver aventuras e perigos. Eu sempre desejei uma vida tranqüila. — Por ser o oposto do que você teve. Criada entre homens, em uma família sem estrutura, você aprendeu a sonhar com uma vida de paz e harmonia.
  48. 48. — Você parece me conhecer melhor do que eu mesma. — A observação soou irônica. — Também deve ter chegado à conclusão, como eu, de que somos diferentes demais para poder dar certo. — Fale por si mesma. — Você ainda não me contou o que houve naquela noite — Elizabeth insistiu, como se não tivesse ouvido o aparte. — Eu fui procurado por alguém que afirmava ter condições de me fornecer dados a respeito do pirata. O informante concordou em me encontrar no cais e me levar provas em troca de minha promessa de que zelaria por sua esposa e por seus filhos, caso algo de ruim lhe acontecesse. Os olhos de Elizabeth arredondaram à súbita revelação. — Era a esposa de seu informante a mulher de roupão? (Julia 1548) Sylvia Day – Antiga Paixão — Sim. Ela acompanhou o marido ao encontro. Fomos surpreendidos no meio da conversa. Ele foi morto com um tiro e ela caiu no mar. Eu a socorri. — Então aquela mulher não era sua amante. — Foi uma constatação, não uma pergunta. — Lógico que não!
  49. 49. Elizabeth se pôs a andar de um lado para outro, as mãos entrelaçadas. — No fundo, acho que eu sempre soube a verdade. Ela conhecia intuitivamente a verdade, mas nada fizera no sentido de tentar uma reconciliação. Marcus cogitava se a infidelidade imaginada fora uma mera desculpa para o rompimento. Era o mais provável, ou ela teria corrido para seus braços e implorado por seu perdão. No entanto, Elizabeth nem sequer pedira uma segunda chance. Seu silêncio doía mais agora do que seu desprezo ao longo de quatro anos. Por um insensato momento, Marcus cogitou recorrer à única maneira que conhecia, por experiência, de penetrar a barreira protetora que Elizabeth construíra ao seu redor. Ela não resistiria se ele a vencesse pelo desejo. Mas seu orgulho masculino o impedia de recorrer ao sexo e revelar a dor que o consumia. Devagar e com persistência, ele ainda a teria em seus braços, de livre e espontânea vontade. — Fiquei tão perplexo quanto você, Elizabeth. Eu disse a ela que chamaria uma criada para ajudá-la. Acredito que ela deva ter pensado que você era a pessoa que iria atendê-la em suas necessidades. — O modo como ela se trajava... — Suas roupas estavam encharcadas. Ela estava usando um dos
  50. 50. meus roupões de banho. — Você deveria ter ido atrás de mim e me obrigado a escutá-lo — Elizabeth acusou. — Eu fui. Mas até que ajudasse a viúva a se instalar e fosse bater à porta de sua casa, você já havia partido com Hawthorne. Ela finalmente interrompeu os passos nervosos e encarou-o, mas seus olhos não revelavam o mistério de sua resolução. — Você me odeia? — Às vezes — Marcus respondeu, sincero. Mas mais do que a revolta, era a amargura que o corroera ao longo dos anos. — Você quer vingança. Não foi uma pergunta, mas uma constatação, e Marcus não a negou. — Eu quero respostas. Por que a fuga? Você tinha medo do que sentia por mim? E por que Hawthorne? — Talvez por ele sempre ter significado uma opção. — Recuso-me a acreditar. — Por quê? A possibilidade fere seu ego? — Pense o que quiser. Você pode me detestar e ao modo como eu a faço sentir, mas você me quer tanto quanto eu a quero. Marcus avançou um passo, mas Elizabeth o afastou com um gesto.
  51. 51. Sua aparência era serena, mas o tremor de sua mão a traía. Eram dois (Julia 1548) Sylvia Day – Antiga Paixão estranhos, ligados por um magnetismo que desafiava a razão. Apesar de seu receio de que ela fosse novamente deixá-lo, a necessidade de possuí- la superava todos os instintos de preservação. Elizabeth perguntara se ele a odiava. Em momentos como aquele, a resposta era afirmativa. Odiava-a por ser tão linda e adorável, detestava-a por continuar sendo a única mulher que sempre desejara. — Lembra-se de seu primeiro baile? — Como poderia esquecer? Marcus serviu-se de uma bebida. Não costumava beber tão cedo, mas sentia-se terrivelmente desolado. Casamento não fazia parte de seus planos na ocasião. Ele fora ao baile determinado a evitar as debutantes e suas mães, em especial, entretidas em escolher os rapazes que poderiam representar os melhores partidos. Mas bastara um olhar para Elizabeth para que mudasse de idéia. Elizabeth o impressionara pela autoconfiança incomum em sua idade. O toque de sua mão, embora enluvada, despertara uma onda de sensualidade que o envolvera como nunca antes. — Eu não pude mais afastar meus olhos de você, depois que a vi.
  52. 52. Você se movia e falava com desenvoltura. Eu me lembro dos olhares escandalizados das matronas quando você me fez rir alto, contra todas as regras de etiqueta. Após aquela noite, Marcus procurara comparecer a todos os eventos de que Elizabeth participaria. O costume ditava que cada jovem só poderia conceder uma contradança a um cavalheiro e jamais sair da pista de dança sem estar devidamente acompanhada por uma mulher mais velha. Apesar das restrições, eles conseguiram desenvolver uma mútua afinidade. A cada encontro, ele se sentia mais fascinado. Elizabeth era doce e gentil, mas também explosiva quando contrariada. Sensual como uma mulher, inocente como uma criança. Ele a admirava por sua força, mas eram os momentos de vulnerabilidade que o levavam para além da paixão e o faziam pensar em protegê-la e tê-la apenas para si. Antes e agora também. Ele fechou os olhos e cerrou os punhos. Estremeceu ao sentir o toque de Elizabeth em seu ombro. — Posso adivinhar o que está pensando. — Ela fez um movimento negativo com a cabeça. — Não pode ser. Nunca será como antigamente. — Eu jamais desejaria que fosse como antes — respondeu ele. — Tudo que quero é me curar dessa febre que se instalou em meu corpo.
  53. 53. Mas não se preocupe. Você nada sofrerá nesse processo. — Elizabeth baixou os olhos e Marcus a segurou pelo queixo, obrigando-a a encará-lo. — Preciso tomar providências para sua segurança. Falarei com Avery. Os guarda-costas serão discretos. Procure usar roupas de cor neutra e sapatos baixos. Jóias em nenhuma hipótese. Elizabeth não se afastou quando ele pousou os lábios sobre os seus em um rápido beijo. Tampouco correspondeu. Mas ele certamente notou o efeito que lhe causou. (Julia 1548) Sylvia Day – Antiga Paixão CAPÍTULO II Escondido atrás da sebe, Marcus sentiu uma gota de suor escorrer pela fronte. Não era certo que Elizabeth ficasse à mercê das exigências do provável assassino de seu marido. Ele ansiava por retirá-la do local e aliviar seu cansaço após a longa espera. Da posição em que se encontrava, não conseguia ver os homens que Avery espalhara pelo parque. Seria impossível enviar-lhes sinais, caso algo desse errado. Impaciente por natureza, ele segurou o cabo da espada com tanta força que as juntas dos dedos empalideceram. Aquela era a missão mais importante que já lhe fora designada. Exigia presença de espírito e absoluta calma. Por envolver Elizabeth, ele
  54. 54. fizera questão de assumi-la. Calma, contudo, sempre presente em outras circunstâncias, era algo que ainda lhe faltava. Como se o turbilhão de emoções a contagiasse, ela pôs-se a morder o lábio inferior, um hábito que se tornara familiar a Marcus. Tanta saudade, e agora ele podia fitá-la a seu bel-prazer... Desde o queixo erguido, como se desafiasse o mundo, às mãos inquietas que mudavam o livro de posição a todo instante. Uma leve brisa soprou sobre seus cabelos, evidenciando o pescoço delicado. Distraído de sua vigilância, ele não percebeu a sombra escura se projetando do alto da árvore até que fosse tarde demais. Elizabeth foi jogada ao chão. O livro escapou de suas mãos e caiu a alguns passos de distância. Ela gritou, mas o som foi abafado pelo peso do homem sobre ela. Marcus saltou do esconderijo com um rugido de fúria, atirou-se sobre o assaltante, que usava uma máscara para não ser reconhecido, e desferiu-lhe um soco. O homem caiu no chão, mas ele continuou batendo. Lutava com desespero, como se assim pudesse dar vazão ao medo que o invadira de perder Elizabeth. Ela o fitava, estarrecida. Marcus era um homem alto e de constituição atlética. Desde que o conhecera, imaginava-o como alguém em perfeito controle de si mesmo, mas naquele momento parecia ter saído
  55. 55. das páginas de um romance. Um príncipe, brandindo sua espada em defesa da mulher amada. — Pare ou acabará matando-o! Ao som da voz de Elizabeth, Marcus soltou o homem. Com uma incrível agilidade, ele se levantou e investiu contra Marcus, que se desequilibrou e tombou para trás. Mas o revide foi instantâneo. Marcus rolou no chão e fez um movimento com as pernas para derrubar o outro. Contudo o assaltante escapou, levando consigo o livro. Em segundos, Marcus estava de pé. Começou a correr em perseguição ao criminoso, mas deteve-se ao ver o homem se virar e apontar uma pistola, não para ele, mas para Elizabeth. Aconteceu em um piscar de olhos. Um disparo seguido por um ricochetear da bala entre as árvores. Marcus sentiu o corpo enrijecer. Ao olhar para trás, rezou para que Elizabeth não tivesse sido atingida. Jamais (Julia 1548) Sylvia Day – Antiga Paixão poderia imaginar que a veria de arma em punho. Seus cabelos haviam se soltado e seu peito arfava. Saía fumaça do cano de sua pistola. O assaltante havia largado a arma para segurar o ombro ferido. Atônito, Marcus se dividiu entre o impulso de correr para Elizabeth e o de capturar o assaltante. Como Avery se encarregou da perseguição, ele
  56. 56. tomou para si a tarefa de ampará-la. A perplexidade o emudeceu por um instante. Elizabeth estava segurando uma pistola na mão direita. — Por que está armada? — Você e o livro de Hawthorne acabam de serem salvos — observou ela, ignorando a pergunta. — Quando se recuperar do choque, poderá me agradecer. Mais tarde, sentado confortavelmente na sala de estar de sua casa, com os pés apoiados na mesinha de centro, Marcus ponderava sobre os acontecimentos desastrosos daquela tarde. Dizer que estava surpreso com a atuação de Elizabeth seria uma afirmação leviana. Criada sem mãe, pelo pai e o irmão mais velho, ambos notáveis por seus atos destemidos, ela desenvolvera um espírito forte e aventureiro. Governantas e preceptoras não duravam muito a seu serviço. Sem uma presença firme e serena para influenciá-la e direcioná-la, a pequena Elizabeth tornara-se uma jovem intrépida. William e Elizabeth cresceram inseparáveis. Ele a levava para todo lugar aonde ia. Cavalgavam juntos pelos campos, subiam em árvores e brincavam até mesmo de lutar. Elizabeth só foi ter contato com as noções de etiqueta e de comportamento em ambiente social depois que seu pai a
  57. 57. matriculou em um internato para meninas. — Obrigada por me trazer à sua casa para que eu pudesse me recompor — ela agradeceu. —William desconfiaria se me visse chegar com os cabelos desgrenhados. Marcus notou os círculos escuros ao redor dos olhos dela. Suas noites estariam sendo insones como as dele? Povoadas de pesadelos? — Você está sozinho? — Elizabeth olhou ao redor. — Lady Westfield, Paul e Robert não estão aqui? — Nós estamos sozinhos — explicou Marcus. — Minha mãe e meus irmãos estão em nossa casa de campo. O momento, portanto, é providencial para termos uma conversa séria. A situação se mostrou ainda mais perigosa do que esperávamos. Assim que se recuperar, aquele homem tornará a atacá-la. O livro encerra um grande mistério e um perigo maior ainda. Se o assaltante tiver cúmplices, um novo ataque poderá ocorrer a qualquer instante. — Eu sei disso — Elizabeth concordou. — Estarei preparada. — Todo cuidado é pouco depois do que houve hoje. Quero que você seja vigiada vinte e quatro horas por dia. Não apenas quando sai para a rua, mas também dentro de casa. — Impossível. O que direi a William?
  58. 58. (Julia 1548) Sylvia Day – Antiga Paixão — Por que você insiste em esconder dele a verdade? Por que não permite que seu irmão também faça parte da equipe de vigilância? Por que não deixa que ele próprio decida o que prefere fazer? — Porque eu decidi não arriscar a vida de meu irmão, de minha cunhada e do filho deles que está por nascer. Não quero comprometer a paz e a felicidade do casal, quando William finalmente resolveu pedir demissão de seu trabalho na agência. — Peço que você reconsidere os fatos. Quase foi morta hoje. Ela cruzou os braços em desafio. — Estamos aqui. Sãos e salvos. Marcus aproximou-se até conseguir se enxergar nos olhos de Elizabeth, tão mimosa e delicada, tão magnífica em sua coragem e determinação. — Minha pequena guerreira! — murmurou, atraindo-a para si e estremecendo ao contato da pele macia. — Elogios não me farão mudar de idéia. Marcus abraçou-a com mais força. — Espero que sim. — Você continua insistindo depois de tudo o que eu lhe disse?
  59. 59. — Sempre. — Ele entrelaçou os dedos aos dela. Mais uma tentativa inútil. Elizabeth deu um passo para trás, os olhos brilhando em protesto. Mas Marcus não se deixou intimidar. Começou a andar na direção dela, obrigando-a a recuar lentamente, sem que percebesse, rumo à porta de comunicação entre a saleta e o quarto dele. O olhar de Elizabeth permanecia preso ao dele, até que se deu conta de que se encontrava no outro cômodo, perto da cama de casal que ocupava a parte central do quarto. — Está acostumado às mulheres se atirando a seus pés? — Elizabeth ergueu uma sobrancelha, arrogante. — Confesso que não sei o que responder. — Por que não experimenta a verdade? — Então a resposta é sim. Elizabeth deu um suspiro e Marcus riu. — Você continua ciumenta. — Não seja convencido! Pode trazer mil mulheres para sua cama, que eu não me importo. O sorriso desvaneceu sob um beijo. Marcus mal roçou os lábios nos dela, mas a simples carícia teve um efeito que outras mulheres não conseguiam provocar com recursos bem mais sensuais. — Você foi incrível esta tarde. Atirou em um homem por mim.
  60. 60. — Marcus... Ele gemeu ao som daquela voz feminina e rouca, ao doce perfume que se desprendia daquela pele. Estava perdido em sensações. Seu corpo chegava a doer de desejo. — Sim, amor? — Eu não quero você. — Você será minha. — Ele a beijou, calando qualquer resposta possível. — Eu saberei esperar. (Julia 1548) Sylvia Day – Antiga Paixão Elizabeth deixou escapar um soluço ao esconder o rosto no peito de Marcus. Não era justo. Recusava-se a ceder ao fascínio, ao charme irresistível da voz de veludo, dos olhos que a queimavam com seu clamor, embora ela não tivesse feito nada para provocar aquela avalanche de emoções. Contra sua vontade, enlaçou-o pela cintura e acariciou-o ao longo das costas. Ele inclinou-se até suas testas se encontrarem. Com os olhos mergulhados nos dela, percorreu toda a lapela do traje de montaria com a ponta dos dedos. — Você está usando roupas demais — queixou-se. Os lábios estavam encostados aos dela. Ao tentar responder, a ponta da língua penetrou por
  61. 61. eles e se perdeu na exploração da boca macia. Distraída pelo beijo, Elizabeth não reagiu ao sentir a súbita leveza de seu corpo, que foi em seguida delicadamente deitado no leito macio. Em seguida, porém, ela esboçou um movimento para se levantar. Mas não foi suficientemente rápida. Marcus havia se apressado a fechar a porta, isolando-os da criadagem, e já estava de volta, apoiado sobre um cotovelo, fitando-a e sorrindo. — Eu quero ir embora. Em silêncio, Marcus começou a acariciá-la nos seios. O prazer foi tão intenso, apesar da barreira do tecido, que ela precisou fechar os olhos. Ele não fez perguntas, nem comentários. Tornou a beijá-la. Dessa vez com profundidade e sofreguidão, enquanto a despia. Elizabeth se obrigou a manter os braços ao longo do corpo, e a permanecer impassível ao beijo. Seus pensamentos digladiavam com sua natureza. Seu sangue queimava, a pele ardia como se estivesse com febre. — Estou louco de desejo. Quero fazer amor com você e esquecer o que houve. — Eu não quero esquecer. — Eu preciso me concentrar na missão que me foi confiada, mas não consigo pensar em nada que não seja você. — Enquanto falava, Marcus
  62. 62. afastou a colcha, acomodando a ambos sobre os lençóis de seda. Sem dar nenhuma chance para Elizabeth escapar, apoderou-se outra vez de seus lábios e começou a desabotoar o casaco de montaria. — Eu detesto quando você me domina — ela murmurou, ofegante, escondendo o rosto no ombro dele. — Olhe para mim. Ela fez o que Marcus pedia e descobriu uma necessidade premente e absoluta nos olhos que a fitavam. — Não tenha medo — sussurrou ele, os lábios tocando-a de leve. Como não ter medo? Estar sozinha em um quarto com Marcus era o pior perigo que ela poderia enfrentar. Maior ainda do que o assalto no parque. O homem a atacara de surpresa, como uma víbora. Marcus podia ser comparado a uma serpente. Ele se aproximaria devagar, se enrolaria em seu corpo e a subjugaria por completo. — Quem disse que estou com medo? — Elizabeth se desvencilhou dos braços dele e saiu da cama. (Julia 1548) Sylvia Day – Antiga Paixão Marcus alcançou-a antes que girasse a maçaneta da porta, aturdida a ponto de se esquecer das próprias roupas. Com um gesto abrupto, levou- a de volta para a cama, prendendo seus braços no alto da cabeça com
  63. 63. uma das mãos e imobilizando-a com o próprio corpo. Com a mão livre, ele tirou a gravata e atou-a aos pulsos de Elizabeth. — Você terá de aprender a confiar em mim se não quiser morrer. Esse seu medo precisa acabar aqui e agora. — É assim que pretende conquistar minha confiança? Prendendo-me contra a minha vontade? Marcus ergueu o corpo, mas permaneceu sobre Elizabeth, com os joelhos um de cada lado de seus quadris. Inclinou-se, após alguns segundos, e sussurrou: — Eu deveria ter feito isso anos atrás, mas falhei em detectar seus sinais. Acreditava que a convenceria a voltar para mim com palavras gentis. Agora sinto que apenas a força do sexo poderá aplacar a febre do desejo acumulado. — Você não poderá me manter cativa por muito tempo. Quando me soltar, irei embora. — Não tão depressa — Marcus prometeu. — A exaustão lhe exigirá repouso. Ele a beijou, deslizando as mãos lentamente pelas coxas e pelos quadris. Um arrepio subiu pelas costas de Elizabeth, provocando sensações antagônicas e simultâneas de frio e calor. Com o sangue
  64. 64. correndo acelerado pelas veias, conforme as mãos dele se aproximavam de seus seios, Elizabeth quis acompanhar com os olhos os pequenos círcu- los que ele fazia com os polegares ao longo de sua pele nua. Os mamilos enrijeceram. A raiva foi se derretendo e se misturando a algo indescritível que a impulsionava a querer imitar as carícias. Como se adivinhasse seu pensamento, no instante seguinte Marcus se ergueu da cama, soltou-a e a carregou no colo até a cadeira junto da janela. Em atordoado silêncio, Elizabeth o observou desabotoar a camisa e tirá-la. Um fogo líquido parecia escorrer entre suas pernas. Arfando, ela precisou fechar os olhos por um instante diante da exuberância dos músculos salientes sob a pele dourada. Marcus se aproximou e se ajoelhou. Elizabeth franziu o cenho ao notar uma pequena cicatriz no ombro, causada por uma bala, e vários riscos prateados que evidenciavam a agressão de uma espada. Então, embora seu corpo continuasse ardendo, seu coração se cobriu de terror. — O trabalho para a agência deixou suas marcas em você. — Sim, mas eu estou aqui. Marcus tentou transmitir segurança com aquela afirmação, mas a mudança que se operou em Elizabeth foi além de suas expectativas. Apressou-se a beijá-la. Nada poderia afastá-lo dela. Não mais.
  65. 65. — Feche as cortinas! O pedido soou quase desesperado. Marcus olhou para Elizabeth com firmeza. Ele havia afastado suas pernas e se colocado entre elas. (Julia 1548) Sylvia Day – Antiga Paixão — Por que quer se esconder de mim? Você é linda. Não pode imaginar quanto esperei para vê-la assim, para tocá-la... — Você quer receber tudo e não dar nada! — protestou ela. — Não se faz amor à luz do dia. Essas coisas só devem acontecer na calada da noite. — Seu marido não soube dar valor à sorte que teve. — Ele era um cavalheiro. Nosso casamento não foi diferente dos outros. — Foi diferente do que teria sido o nosso. Elizabeth suspirou. — Solte-me, Marcus. Em resposta, ele a segurou pelo queixo e pousou os lábios nos dela. — Eu a tocarei de todas as maneiras. De dia e de noite. Eu a conhecerei como ninguém a conheceu. — Por quê? — Elizabeth indagou, já não se importando mais em convencê-lo a parar, excitada como jamais se sentira em sua vida. — Porque você sempre foi minha, apesar de ter se casado com outro.
  66. 66. A partir de hoje, você precisará de mim, como eu de você. A partir de hoje você acreditará em minhas palavras, em minhas intenções. E não terá mais medo. Elizabeth engoliu em seco ao vê-lo terminar de se despir. A masculinidade ereta atraía seu olhar, por mais que tentasse desviá-lo. Marcus se aproximou devagar. — Tome-me em sua boca — ele pediu, fazendo-a pestanejar. — Isso se chama confiança. Eu sei o risco que corro ao me entregar totalmente a você. Está em sua vontade me morder e me ferir, ou me dar o maior prazer do mundo. Eu confio em você, assim como espero que você confie em mim. Foi a total sinceridade de Marcus que fez Elizabeth se decidir. Ela respirou fundo e olhou para o membro ereto a poucos centímetros de seu rosto. E então, inclinou-se para a frente e abriu a boca, pois, no fundo de seu coração, o que mais queria era acariciá-lo daquela forma. Ele fechou os olhos e soltou um gemido rouco quando Elizabeth o lambeu sensualmente e em seguida o sugou com volúpia. Nenhuma experiência que conhecera no casamento sequer chegava perto daquilo que estava vivenciando com Marcus, tanto em ousadia como em emoção. Ele se apoiou com a mão livre no espaldar alto da cadeira e inclinou-se
  67. 67. mais para a frente, intensificando o contato. Segundos depois, o clímax o fez derramar-se dentro da boca de Elizabeth, que, para seu próprio espanto, sorveu até a última gota do néctar masculino. Marcus deixou-se escorregar contra o corpo de Elizabeth, até ajoelhar-se no chão, ávido para retribuir o prazer que ela lhe proporcionara. Com as mãos nos seios dela, ele inclinou a cabeça e levou os lábios ao ponto mais sensível do corpo feminino. Instintivamente, Elizabeth entreabriu as pernas, oferecendo sem reservas à boca de Marcus sua maciez cálida e úmida. Em poucos minutos, a língua e as mãos hábeis (Julia 1548) Sylvia Day – Antiga Paixão a levaram ao êxtase, fazendo-a se contorcer na cadeira e enterrar os dedos nos cabelos fartos dele ao gritar na explosão do prazer supremo. Um momento ou uma eternidade se passou até que Marcus a erguesse novamente nos braços e a carregasse de volta para a cama, onde a depositou com extrema gentileza e lhe massageou as mãos, os braços e os ombros. — É tarde — Elizabeth tentou se levantar. — Preciso ir embora. Ele a fez recostar novamente nos travesseiros e lhe acariciou o queixo e o pescoço.
  68. 68. — Você precisa descansar. A cicatriz atraiu-a e ela a tocou involuntariamente. Marcus segurou sua mão e beijou cada um dos dedos. Ela não conseguiu engolir. Sua garganta ficara seca. Fosse o modo como reagiu à carícia ou ao modo como o fitou, ele a abraçou e ela pôde sentir sua rigidez instantânea. — Como você consegue?— Elizabeth questionou, aturdida. — Eu ainda estou completamente lânguida. Marcus sorriu, provocante. — Você não precisará fazer nada. Só quero que descanse enquanto eu lavo seu corpo. — Não. — Elizabeth negou com a cabeça. — Eu não... — Está com vergonha de mim? Depois de tudo que fizemos agora há pouco? Prometo que será uma experiência inesquecível. Marcus desapareceu atrás de um biombo e voltou com uma toalha e uma bacia de água. Ela teve de fechar os olhos de prazer. As relações com seu marido sempre tinham acontecido na penumbra da noite. Eram calmas e aconchegantes. Não a faziam tremer nem ansiar por mais, e raríssimas vezes a levavam ao prazer final. Com Marcus, era algo forte, irracional, primitivo. Maravilhoso. Ele se entregara por inteiro.
  69. 69. Não se escondera. Deixara que ela visse seu corpo em toda sua glória, e ela fizera o mesmo. — Do que você gosta? — Elizabeth se surpreendeu perguntando, enquanto o banhava por sua vez. Queria dividir tudo com ele, cada carícia, cada sensação, cada prazer. — De ser tocado. As mãos, leves como plumas, deslizaram pelas costas e pelos braços dele. O corpo de Marcus oferecia texturas contrastantes. Ora macio como seda, ora duro como pedra. Tateando, Elizabeth foi descendo até a cintura, até que ele segurou sua mão e a levou mais para baixo. Aos poucos, ela foi tomando conhecimento das preferências dele. Suas expressões eram fáceis de ler. Os sons que fazia. Ela não esperava que fosse se sentir tão incrivelmente satisfeita com a experiência. — Você me deseja? — Marcus perguntou baixinho, — Os libertinos não costumam perguntar — respondeu ela com ironia, recusando-se a confessar a verdade. — Você acha que pode erguer barreiras entre nós com palavras? Cada vez que tentar me afastar, eu me aproximarei ainda mais. (Julia 1548) Sylvia Day – Antiga Paixão A cada carícia de Marcus seu corpo contraía e tornava a distender,
  70. 70. até que ele por fim se deitou sobre ela e a penetrou vagarosamente. As sensações a envolviam em ondas. A impressão que dava era de que seu corpo estava inchando. Sua intenção inicial fora se manter fria e indiferente, e negar o que Marcus queria. Mas era impossível. Como se tivessem vontade própria, suas pernas o enlaçaram e seu corpo começou a se mover no mesmo ritmo que o dele. Um calor indescritível a invadiu. Foi como se todo o seu sangue estivesse convergindo em direção à sua essência, pulsando loucamente. Seus dedos se cravaram nas costas de Marcus. A pele dele estava quente e úmida. Ela aspirou, deliciada, o perfume másculo, almiscarado. De repente, como se entrasse em convulsão, seu sangue pareceu derramar como mel, levando-a, mais uma vez, a gritar de êxtase. Elizabeth tentou se mover em vão. Foi preciso fazer um grande esforço para virar na cama. A beleza austera de Marcus adquiria uma expressão suave quando ele dormia. Ela se apoiou sobre um cotovelo para aproveitar a chance de admirá-lo. Marcus parecia um menino. Deslizou a ponta do indicador, lenta e gentilmente, sobre a curva generosa da boca, e depois traçou o contorno das sobrancelhas. Estava percorrendo a extensão dos músculos dos ombros e braços quando um movimento repentino fez com que deixasse escapar uma interjeição de susto.
  71. 71. Marcus acordara e puxara seu corpo, sem prévio aviso, para cima do dele. — O que estava fazendo comigo, milady? — Você estava dormindo... Eu... quis me despedir — Elizabeth mentiu. — Não há necessidade de ir embora. Fique mais um pouco comigo. — Não posso. Preciso ir para casa — respondeu ela, sentando-se e evitando olhar para Marcus, completamente nu a seu lado. Pegou as meias e calçou-as em silêncio. Mas não alcançou o mesmo êxito ao tentar atar os cordões presos no cós da saia. Deixou escapar um murmúrio de irritação, o que fez Marcus se levantar e resolver a dificuldade. A irritação com a roupa se transformou em irritação por ciúmes à presteza com que Marcus resolveu o problema. Quantas mulheres ele já teria ajudado a vestir, certamente depois de despir e levar para a cama? Ao terminar de abotoar o último botão, Marcus a fez encará-lo. — Por que esse mau humor agora? — Eu lhe dei o que queria, não dei? — Eu quero mais. — Procure em outro lugar.
  72. 72. — Não. À noite, quando eu estiver sozinho, pensarei em você e nestes momentos que acabamos de compartilhar. Tenho certeza de que você se sentirá como eu. — Você é um bocado convencido, não? — Não. Eu sou apenas franco. Não quero outra mulher, e você não desejará outro homem depois do que houve entre nós. (Julia 1548) Sylvia Day – Antiga Paixão — Eu sou livre para tentar descobrir. — Eu matarei quem ousar tocá-la depois de mim. — Essa fidelidade forçada é recíproca? — Elizabeth ergueu uma sobrancelha. — Sim, é claro. O alívio foi tão intenso e inesperado que Elizabeth se sentou à frente da penteadeira e suspirou. A imagem que viu não parecia pertencer à mesma mulher que ela vira no espelho pela manhã. Lábios vermelhos e intumescidos, olhos brilhantes, faces rosadas... Do outro lado do quarto, Marcus acabara de se vestir e também a observava. Elizabeth se levantou abruptamente, com receio de se trair pela linguagem silenciosa de seu semblante. Mas ainda era cedo demais para uma movimentação natural, após os acontecimentos da tarde. Suas pernas
  73. 73. cederam sob seu peso, e ela teria caído se Marcus não a segurasse. — Você está bem? Eu a machuquei? — Não. Não foi nada. — Ela o afastou. — Precisamos ter uma conversa. — Não temos mais nada a dizer um ao outro. — Como não? — Marcus protestou. — Nós acabamos de fazer amor! — Nós cometemos um erro. — Você está brincando comigo! — Não, estou falando a sério. Dessa vez Marcus não respondeu. Apenas acompanhou-a até a porta. — Procure não pensar no que houve no parque. Eu a protegerei. Com essas palavras, ele conseguiu o que não alcançara com ameaças. A vontade de Elizabeth de ir embora desapareceu. — Eu sei. — Onde estará esta noite? — A duquesa de Ravensend oferecerá um espetáculo musical em sua mansão. — Eu a encontrarei lá — Marcus prometeu e ofereceu o braço, conduzindo-a até a saída.
  74. 74. No andar de baixo, o mordomo entregou o chapéu e as luvas de Elizabeth e avisou Marcus de que um homem chamado James pedira para vê-lo. Marcus o dispensou e ele próprio ajudou Elizabeth a amarrar a fita do chapéu ao redor do pescoço. — Espero que ninguém me veja sair daqui. Ele inclinou-se para beijá-la em despedida e aproveitou o ensejo para cochichar em seu ouvido: — Tarde demais. Os criados nos viram juntos. Em uma semana, Londres inteira saberá do nosso caso. Elizabeth não estava preparada para encarar essa verdade. Seu rosto empalideceu. — Sigilo e discrição das pessoas sob seu comando deveria ser uma exigência. (Julia 1548) Sylvia Day – Antiga Paixão — Eu confio em meus criados. Na verdade, eu os instruí a divulgar o fato. Elizabeth pestanejou. — Você fez isso? Para que todos saibam que o noivo preterido obteve finalmente sua vingança? — Um homem ferido é capaz de tudo — Marcus admitiu. — Mas eu
  75. 75. jamais a usaria dessa maneira. Jamais partilharia nossos segredos com outros. Tudo que houver entre nós sempre ficará apenas entre nós. Com essas palavras, Marcus a acompanhou até o estábulo, que ficava nos fundos do jardim, e ajudou-a a montar. Elizabeth afastou-se a galope pela rua, sem notar que estava sendo escoltada por dois homens armados. Tudo que sentia era o olhar de Marcus queimando suas costas e uma dor no coração que a impedia de respirar. Uma dor que só iria piorar à medida que os encontros com ele fossem se tornando mais freqüentes. Um mal que teria de ser cortado pela raiz para haver esperança de cura! Chesterfield Hall nunca estivera tão enfeitada de flores! Margaret sorriu, divertida, quando o marido lhe perguntou o motivo. — Sua irmã está sendo cortejada. — Ela puxou William pela mão e levou-o até a saleta de uso exclusivo de Elizabeth, contígua ao quarto. — Não é lindo? Margaret inclinou a cabeça para trás e seus cabelos avermelhados e longos emolduraram sensualmente o rosto de traços suaves. O marido não resistiu e segurou uma mecha entre os dedos. Para quem não a conhecia intimamente, Margaret parecia uma mulher tímida e retraída. — Lindo? — William franziu o cenho, obrigando-se a ignorar a onda de desejo que ameaçou distraí-lo. — Se Westfield se atrever a tocar em
  76. 76. minha irmã, eu o mato! — Não diga asneiras. Eu acho ótimo que eles possam finalmente se entender — declarou ela. — Além do mais, lorde Westfield é um homem tão atraente... William balançou a cabeça. — Você é uma romântica incurável. — Tenho o direito de ser. — Por quê? — Porque eu encontrei o amor verdadeiro, por isso sei que ele existe. — Margaret se colocou na ponta dos pés e beijou o marido, que correspondeu ao gesto e repetiu-o mais longa e ardentemente. — Westfield é um devasso, meu amor, acredite em mim. — Eu acredito. Ele me lembra você. William arqueou as sobrancelhas. — E você quer alguém assim para Elizabeth? — Ora, você não é tão mau assim... — Margaret gracejou. — Porque você me tornou um homem melhor. — Se eu consegui isso, Elizabeth mais ainda! Ela é uma mulher forte. Dê-lhe um voto de confiança. — Pensarei a respeito — disse William. — Agora estou pensando em
  77. 77. outra coisa. (Julia 1548) Sylvia Day – Antiga Paixão Antes que Margaret pudesse perguntar a que o marido se referia, William a pegou no colo e começou a andar em direção ao quarto. No momento, porém, em que ia cruzar a soleira da porta, ele viu Elizabeth despontando no topo da escada. A irmã estava estranha. Claramente, havia algo errado com ela. Com o cenho franzido, William colocou a esposa de pé e prometeu que voltaria em seguida. A impressão de William foi de levar um soco no estômago. Os cabelos de Elizabeth estavam desalinhados, e as faces coradas, como se ela tivesse febre. Ao deparar-se com ele vindo em sua direção, enrubesceu ainda mais. — Você está doente? — Tocou-a na fronte. — Eu estou bem. — Não, você está rouca. Vou chamar um médico para examiná-la. — Não é necessário. Eu só preciso descansar. Juro. Você se preocupa demais. — E vou me preocupar sempre — retrucou William acompanhando a irmã até o quarto.
  78. 78. Desde a morte da mãe e da depressão do pai, ele e Elizabeth haviam se tornado amigos e companheiros inseparáveis. Ela fora seu único vínculo emocional antes de conhecer Margaret, quando jurara nunca se apaixonar para não sofrer como o pai sofrera. O perfume das flores lhe trouxe à mente o assunto que tinham a discutir. — Por que não me contou que Westfield a estava assediando? Eu teria dado um jeito naquele crápula. — Não se atreva! A ordem soou tão brusca e severa que William receou ter descoberto tarde demais sobre o envolvimento. — Não me diga que você o está encorajando. Elizabeth clareou a garganta. — Nós já conversamos a respeito. William apertou os lábios. — Se você prometer que me avisará caso algo escape ao seu controle, eu a pouparei das perguntas que você sempre reluta em responder. Por outro lado, não preciso ser um adivinho para perceber que você andou cavalgando outra vez pelas ruas. Elizabeth sorriu e brincou com os cabelos, certa de que era a eles que o irmão se referia.
  79. 79. — Eu adoro cavalgar. Por que não para de implicar comigo e volta para junto de Margaret? Ela está à sua espera. — Eu não estou implicando com você. Mas conheço-a bem. Sua teimosia a impede de ouvir a voz da razão. — Olhe só quem fala! Um homem que já trabalhou para lorde Eldridge! Diante daquele argumento, William beijou-lhe a testa em despedida. Mas ficaria de olho em Elizabeth. Se a irmã continuasse daquele jeito esquisito, ele chamaria o médico, querendo ela ou não. (Julia 1548) Sylvia Day – Antiga Paixão — Lady Hawthorne. — Eldridge a recebeu de pé, atrás da escrivaninha, e convidou-a para que se sentasse. — A que devo o prazer de sua visita? Apesar das palavras cordiais, o tom revelava impaciência. Eldridge era tido como um homem sério, e até mesmo austero, em sua apresentação e comportamento. — Peço desculpas por vir sem avisar, milorde, mas tenho uma proposta a lhe fazer. — Uma proposta? — o homem estranhou. — Sim. Eu preferiria que o senhor nomeasse outro agente para
  80. 80. trabalhar comigo. — E o que a senhora me ofereceria em troca? — O livro de anotações de meu marido. Eldridge cruzou os braços. — Existe algum motivo específico para a senhora pedir que eu substitua lorde Westfield? — Ele olhou para Elizabeth como se quisesse ler sua mente. — Porque eu teria de tomar medidas sérias contra ele diante de uma acusação de teor pessoal. Ela retorceu as mãos. Ao procurar o diretor da agência, ela não pensara em punir Marcus, mas afastá-lo de sua vida. Seu silêncio, porém, foi autoexplicativo. — O motivo é de ordem pessoal, não é? Elizabeth assentiu. Eldridge tentou dissuadi-la da idéia, afirmando ter razões válidas para tê-lo designado, mas ela insistiu, dando o irmão como desculpa. — William está começando a desconfiar. Eldridge se levantou nesse instante. Após um momento de reflexão, tornou a se dirigir a Elizabeth. — Seu marido foi um membro de grande valor em minha equipe. Perdê-lo, e também a seu irmão, afetou-me significativamente. Lorde Westfield tem feito um excelente trabalho para nós. As responsabilidades
  81. 81. inerentes ao título jamais interferiram em seu desempenho. Eu lhe confesso que ele é meu melhor homem e que o considero o mais capaz de protegê-la. — Eu não duvido da capacidade de lorde Westfield. — Ainda assim não o quer — Eldridge constatou pelas palavras que não foram ditas. — Exato. Um suspiro acompanhou a resposta que tardou alguns segundos. — Pensarei a respeito e lhe darei uma posição oportunamente. — Com um gesto cavalheiresco, Eldridge acompanhou Elizabeth até a porta. — Atrevo-me a confessar ter conhecimento da história do casal e entendo que seu desdobramento lhe cause desconforto. Posso garantir, no entanto, que lorde Westfield está genuinamente preocupado com sua segurança. Elizabeth aquiesceu. Sua experiência dizia que Eldridge não estava lhe contando tudo que sabia. Havia algum motivo oculto para tanto interesse da parte de Marcus em ficar ao lado dela, e da parte do diretor (Julia 1548) Sylvia Day – Antiga Paixão em indicá-lo para essa missão. De qualquer modo, foi com alívio que ela deixou a agência. Eram quase dez horas da noite quando Marcus adentrou o quartel-
  82. 82. general. A intimação havia sido entregue quando ele se preparava para ir à mansão dos Ravensend. — Lady Hawthorne esteve aqui esta tarde — Eldridge informou sem preâmbulos. Marcus abriu sua caixinha de rapé e aspirou. Não queria demonstrar o quanto aquela informação o abalara. — Ela me ofereceu as publicações de Hawthorne em troca de sua substituição. Não o quer para protegê-la. Eu tentei, em vão, persuadi-la a reconsiderar. — E o que ficou decidido? — Prometi pensar no assunto. O que você pretende fazer? — Pretendo convencê-la a aceitar minha proteção. Eu estava me preparando para ir ao encontro dela quando recebi sua carta. — Caso eu descubra que você misturou assuntos de ordem pessoal com seu trabalho na agência, farei com que se arrependa. — Eu não esperaria outro tipo de procedimento da sua parte. — Continue agindo como de costume, mas de modo que a tranqüilize. Estamos fazendo progresso, e sou de opinião que você é o melhor dos meus homens para esta missão. No entanto, se lady Hawthorne voltar a me procurar, serei obrigado a atendê-la.
  83. 83. — Imagino que Avery tenha se reportado a respeito do fato ocorrido hoje. — Sim, mas obviamente você tem algo a acrescentar. — O acontecimento não me saiu da cabeça o resto do dia. Algo está errado. O assaltante parecia ter conhecimento das nossas posições. Acho compreensível que ele siga os passos de lady Hawthorne no intuito de se apossar das anotações feitas pelo visconde antes de morrer. Mas como ele poderia ter adivinhado sob qual árvore ela o esperaria preparando a tocaia? E como conseguiu fugir de quatro dos nossos homens, se não tivesse uma rota de escape em seus planos? — Está sugerindo que houve vazamento de informações sigilosas? — O que mais eu poderia pensar? — Eu confio plenamente em meus homens, Westfield. Esta agência não poderia funcionar de outra maneira. — Considere a possibilidade. É tudo que peço. — Está suspeitando de Avery? Dos homens que estão vigiando lady Hawthorne? — No momento, eu só confio no senhor, em mim e em Avery. Lady Hawthorne o tem em grande apreço. — Nesse caso, a troca de agentes está fora de cogitação. Volte
  84. 84. amanhã. Até lá, tentarei descobrir quem mais está ciente sobre o livro de anotações. Marcus seguiu pelo longo corredor mergulhado na penumbra e atravessou o hall sem reparar na elegância da decoração. Estava furioso (Julia 1548) Sylvia Day – Antiga Paixão por Elizabeth ter tentado afastá-lo novamente de sua vida. Por outro lado, seu procedimento poderia significar uma luz no fim do túnel para ele. Afinal, o encontro daquela tarde provocara uma rachadura na inabalável muralha de proteção que Elizabeth construíra ao redor de si mesma. — Há anos eu não a vejo tão bem — Margaret comentou enquanto esperavam pela apresentação musical. — Você está radiante esta noite. — São seus olhos — Elizabeth respondeu, as faces corando inevitavelmente. — A gravidez a tornou mais linda e generosa. Com as mãos sobre o ventre ligeiramente aumentado, Margaret sugeriu que a cunhada começasse a retomar suas caminhadas pelo parque. — William estranhou que você tivesse contratado guarda-costas para acompanhá-la, mas eu concordo que deve estar sendo difícil para você retornar sozinha às atividades cotidianas, após o longo período de luto. — É verdade. Está sendo difícil.
  85. 85. Elizabeth não precisou se virar para ter certeza. O arrepio que lhe subiu pela espinha indicava que Marcus estava se aproximando. — Ainda bem que William não veio conosco — Margaret cochichou. — O modo como lorde Westfield está olhando para você poderia provocar um incêndio. William o ameaçou. Sabe o que ele respondeu? Que você vale o risco de um duelo. — Lady Barclay. — Marcus fez uma mesura, roçando deliberadamente o ombro no de Elizabeth. — É um prazer revê-lo, lorde Westfield. Marcus virou-se para Elizabeth e a intensidade de seu escrutínio lhe roubou o fôlego. Pelo calor que se desprendia daqueles olhos, ela teve a impressão de que ele a deitaria no chão e a possuiria se não houvesse ninguém presente. De calça justa e fraque azul-marinho, Marcus era o homem mais bonito entre os convidados. Os outros desapareciam, em comparação. — Lady Hawthorne. — Ele levou a mão dela aos lábios, curvando-se em uma mesura. Seu beijo, porém, nada teve de formal. Elizabeth pôde sentir o calor através da luva. A duquesa de Ravensend anunciou a apresentação dos artistas naquele instante. Todos os convidados deixaram o saguão e se dirigiram
  86. 86. para a sala onde fileiras de cadeiras haviam sido dispostas para acomodá- los. Marcus colocou a mão de Elizabeth na curva de seu braço e ficou para trás, de modo que os outros não o escutassem. — O assaltante conseguiu escapar. Você está em perigo, e eu não permitirei que outro agente a proteja. Seus esforços nesse sentido foram inúteis. — Eu pedi sua substituição para o bem de nós dois. — Você se esqueceu das regras? — Que regras? — Ainda posso sentir seu gosto em minha boca e seu calor em meu corpo — ele sussurrou. — O prazer que você me proporcionou ainda me (Julia 1548) Sylvia Day – Antiga Paixão aquece por dentro. As regras estabelecidas na tarde de hoje não mudaram. Eu a terei quando e como quiser. — Por que insiste nessa insensatez? — Elizabeth tentou recuar até suas costas encontrarem uma parede. — O que devo fazer para satisfazer seu interesse? Para acalmar esse ardor? — Você sabe a resposta. Elizabeth levou a mão ao colar de pérolas e engoliu em seco. Marcus era tão alto e forte que ela não conseguia enxergar mais nada ao seu
  87. 87. redor. Mas o medo que a oprimia não era provocado por ele. Na realidade, com Marcus ela se sentia segura. Seu medo vinha de dentro. De um lugar frio e solitário que ela preferiria esquecer, mas que foi vencido naquele instante conforme uma luz se acendia oferecendo a solução para seu dilema. Como não conseguira enxergá-la antes? Havia exemplos desse tipo de situação em sua própria casa. Ela faria o mesmo que William, seu pai e o próprio Marcus fariam. — Muito bem. Eu o encontrarei na casa de hóspedes de Chesterfield Hall, sempre que você quiser. — O que disse? — Marcus pestanejou diante da inesperada concordância. — Fazer amor comigo não é sua condição para parar de me atormentar? Pois bem. Meu corpo será seu até que se sinta vingado. Quem sabe assim, saciada sua volúpia, você queira buscar uma novidade e me deixe em paz! Os olhos de Marcus se estreitaram. — Eu devo parecer um ogro para você. Não me lembro da última vez em que ouvi palavras tão duras. A sombra de um sorriso curvou levemente os lábios de Elizabeth. Em silêncio, ela estendeu a mão e tocou o peito de Marcus sobre o colete de
  88. 88. seda. Ele a prendeu com a dele. — Você está com algum plano em mente. O sorriso se mostrou. — Em absoluto. Apenas decidi lhe dar o que deseja. Tem alguma reclamação a fazer? — Nenhuma. A que horas? A surpresa fez Elizabeth pestanejar. — Esta noite, ainda? O riso de Marcus a fez estremecer de paixão. Ele era um enigma a ser resolvido. A arrogância de um momento se convertia em espontaneidade e graça em outro. Enquanto andava de um lado para outro, em frente à lareira da casa de hóspedes de Chesterfield Hall, Marcus pensava em sua primeira experiência sexual. A ansiedade não fora tão grande. Parecia ter transcorrido um século desde que ele escoltara Elizabeth até a casa dela, ao término do encontro musical. Seguira, então, para sua própria casa para trocar de roupa e retornara a cavalo, cerca de uma hora antes. As palmas de suas mãos estavam úmidas de expectativa. Um nó lhe contorcia o estômago. Elizabeth viria ao seu encontro conforme prometera? (Julia 1548) Sylvia Day – Antiga Paixão Para se distrair, resolveu avivar o fogo. Estava descalço e sentiu os

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