Análise Ergonômica da Atividade no Ensino a Distância UAB-UnB

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O objetivo deste artigo é apresentar os resultados parciais encontrados pela Análise Ergonômica da Atividade no Ensino a Distância, mais especificamente os resultados da etapa de Análise da Demanda.
Trata-se de um estudo exploratório. Adotou-se a abordagem da Ergonomia dada a premissa antropocêntrica no sentido de adaptar o ambiente às características de seu usuário final. A trajetória metodológica utilizada foi a Análise Ergonômica do Trabalho tal como proposto por Guerin e cols (2001) e composta de três etapas, a saber: 1) Análise da Demanda; 2) Análise da Tarefa; 3) Análise da Atividade. Para análise da demanda, os procedimentos utilizados foram as técnicas de grupo focal, entrevistas abertas e semi-estruturadas, análise heurística e inspeção cognitiva. A amostra é constituída por 7 (sete) Coordenadores de curso, 2 (dois) Coordenadores de Pólo, 28 (vinte e oito) Alunos do Pólo de Alto Paraíso, 4 (quatro) Professores, 7 (sete) Profissionais da Equipe Interna, sendo 2 (dois) da Equipe de Sistemas, 4 (quatro) Tutores presenciais e 40 Alunos de duas Faculdades do Distrito Federal.
Assim sendo os recortes da demanda desta Análise Ergonômica da Atividade no Ensino à Distância são apresentados como questões: (1) qual os problemas de usabilidade que bloqueiam, dificultam, retardam o processo de navegabilidade no sítio de Internet da UAB e na Interface da ferramenta Moodle? (2) Há necessidade de treinamento dos Atores do processo de ensino e aprendizagem a distância? (3) Qual Formação? (4) Existe necessidade de produção de material? (5) Qual material? (6) Há necessidade de realização de guias de estudo? (7) Há possibilidade de melhorias nas Ferramentas interativas? (8) possibilidade de utilização de alguma outra tecnologia? (9) Quais as condições sócio-técnicas dos pólos? (10) Qual expertise do pólo deve ser compartilhada? (11) Qual o impacto da EaD/UAB/UnB na comunidade? (12) Qual a forma de planejamento padrão mínimo para construção da disciplina na plataforma Moodle? (13) Qual a Familiaridade dos Atores do Processo? (14) Qual a necessidade de formação da Comunidade?
Para a próxima etapa da AET, a Análise da Tarefa, será necessária uma Avaliação Heurística com profissionais de distintas formações, bem como será foco a definição dos aspectos a serem verificados na Análise da Atividade de interação. Será o escopo da Análise da Tarefa também a identificação das melhores práticas de campus virtuais a fim de subsidiar a estratégia de presença on line, a matriz de escopo bem como a hierarquização do conteúdo e a Macroarquitetura de Informação. Documentos estes que serão validados na etapa de Análise da Atividade.

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Análise Ergonômica da Atividade no Ensino a Distância UAB-UnB

  1. 1. Dr. Sergio Luis dos Santos Lima sergioluslima@gmail.com Universidade de Brasiília – UnB. Análise Ergonômica da Atividade no Ensino a Distância UAB-UnBResumo O objetivo deste artigo é apresentar os resultados parciais encontrados pelaAnálise Ergonômica da Atividade no Ensino a Distância, mais especificamente osresultados da etapa de Análise da Demanda. Trata-se de um estudo exploratório. Adotou-se a abordagem da Ergonomiadada a premissa antropocêntrica no sentido de adaptar o ambiente às característicasde seu usuário final. A trajetória metodológica utilizada foi a Análise Ergonômica doTrabalho tal como proposto por Guerin e cols (2001) e composta de três etapas, asaber: 1) Análise da Demanda; 2) Análise da Tarefa; 3) Análise da Atividade. Paraanálise da demanda, os procedimentos utilizados foram as técnicas de grupo focal,entrevistas abertas e semi-estruturadas, análise heurística e inspeção cognitiva. Aamostra é constituída por 7 (sete) Coordenadores de curso, 2 (dois) Coordenadores dePólo, 28 (vinte e oito) Alunos do Pólo de Alto Paraíso, 4 (quatro) Professores, 7 (sete)Profissionais da Equipe Interna, sendo 2 (dois) da Equipe de Sistemas, 4 (quatro)Tutores presenciais e 40 Alunos de duas Faculdades do Distrito Federal. Assim sendo os recortes da demanda desta Análise Ergonômica da Atividade noEnsino à Distância são apresentados como questões: (1) qual os problemas deusabilidade que bloqueiam, dificultam, retardam o processo de navegabilidade no sítiode Internet da UAB e na Interface da ferramenta Moodle? (2) Há necessidade detreinamento dos Atores do processo de ensino e aprendizagem a distância? (3) QualFormação? (4) Existe necessidade de produção de material? (5) Qual material? (6) Hánecessidade de realização de guias de estudo? (7) Há possibilidade de melhorias nasFerramentas interativas? (8) possibilidade de utilização de alguma outra tecnologia?(9) Quais as condições sócio-técnicas dos pólos? (10) Qual expertise do pólo deve sercompartilhada? (11) Qual o impacto da EaD/UAB/UnB na comunidade? (12) Qual aforma de planejamento padrão mínimo para construção da disciplina na plataformaMoodle? (13) Qual a Familiaridade dos Atores do Processo? (14) Qual a necessidade deformação da Comunidade? Para a próxima etapa da AET, a Análise da Tarefa, será necessária umaAvaliação Heurística com profissionais de distintas formações, bem como será foco adefinição dos aspectos a serem verificados na Análise da Atividade de interação. Será oescopo da Análise da Tarefa também a identificação das melhores práticas de campusvirtuais a fim de subsidiar a estratégia de presença on line, a matriz de escopo bemcomo a hierarquização do conteúdo e a Macroarquitetura de Informação. Documentosestes que serão validados na etapa de Análise da Atividade.Palavras Chaves: Ensino a Distância, UAB/UnB, Análise Ergonômica do Trabalho,Análise da Demanda.
  2. 2. 1. Introdução Presenciamos a inserção de uma tecnologia de rompimento na sociedade: aInternet. A Internet é um meio de comunicação que causa um impacto na sociedadeao revolucionar a forma e a amplitude de como nos comunicamos e interagimos.Possui um poderoso potencial didático. É um ambiente não linear que tem uma culturapeculiar. De acordo com Filho (2000) é possível assegurar que a Internet representaum clássico exemplo de tecnologia de rompimento e, como toda a inovação destamagnitude, provoca uma reorganização da humanidade, o que atualmente está aacontecer. Inclusive na Educação. Devido a isso organizações educacionais têm se interessado em estabelecer asestratégias de presença neste universo virtual. Entretanto, as variáveis que interferemnos processos mentais do aluno, tanto os cognitivos quanto os psíquicos envolvidos naatividade de Ensino a Distância são, ainda, mal conhecidas. Bem como são tambémmal conhecidas as variáveis ambientais e sociais que interferem neste Ensino aDistância. Este trabalho tem por objetivo apresentar os resultados parciais encontradosna Análise Ergonômica da Atividade no Ensino a Distância, mais especificamente osresultados da etapa de Análise da Demanda. Os objetivos específicos desta AnáliseErgonômica da Atividade são: (a) obter diagnóstico sobre a interatividade no EAD, (b)analisar a necessidade de formação dos Atores no processo, c) analisar e identificar osmodos operatórios empregados pelos usuários finais, d) identificar os problemas deusabilidade que bloqueiem, dificultem e/ou retardem o processo de navegabilidade nosítio de internet da UAB (Figura 1) e na interface do Moodle (Figura 2), e) proporrecomendações para otimização da interatividade entre os Atores no processo e nasinterfaces, f) identificar as melhores práticas de campus virtuais, g) incentivar oprotagonismo (estratégia wiki), h) propor uma estratégia de presença on line, i) propormacroarquitetura e por fim j) produzir conhecimento acerca da atividade de Ensino aDistância. 2
  3. 3. Figura 1- Interface da Plataforma Moodle.Figura 2 – Interface da UABUnB. 3
  4. 4. 2. Referencial Teórico Se a internet é uma tecnologia de rompimento que esta a revolucionar diversosextratos da sociedade, dentre elas o ensino, uma pergunta salta aos olhos dopesquisador: o que caracterizaria essa revolução no Ensino a Distância? A resposta: oaluno intervir de maneira ativa na constituição do ensino e da aprendizagem,tornando-os uma construção e um processo social de concepção e de inovação. Essaintegração da interatividade na produção é denominada pelos brilhantes filósofositalianos: Lazzarato e Negri, de trabalho imaterial. Ou seja, aquele que ativa e organizaa relação interativa. Essa ativação é materializada dentro e por meio do processocomunicativo. É o trabalho que inova continuamente as formas e condições dacomunicação. Dá molde e materializa as necessidades, o imaginário e os gostos doaluno. Uma particularidade do que é produzido por esse trabalho está no fato de queele não se destrói no ato de interatividade, mas alarga, transforma, cria o ambienteideológico e cultural do aluno. Assim, produz acima de tudo uma relação social (umarelação social de inovação, de produção, de interação). Nesse contorno de produçãode relação social, a “matéria-prima” do trabalho imaterial é a subjetividade do usuáriofinal e o “ambiente ideológico” na qual a subjetividade vive e se reproduz: a interface. Ao avaliar interfaces já existentes percebe-se, com freqüência, a fragilidadedestas. Em geral, os usuários ocupam um lugar secundário no processo de concepção,predominando uma visão voltada para o aspecto técnico de programação. Muitasvezes, observa-se que estes “sofrem” durante a interação e que por este motivodesistem de utilizá-los e fracassam em seu trabalho. Outro aspecto constatado, é aelevada taxa de erros durante a utilização, em função da interface possuir na suaestrutura componentes que solicitam do usuário uma carga cognitiva elevada. Aconjugação desses fatores leva uma parcela significativa da população a teremconstrangimentos na interatividade. 4
  5. 5. Os estudos nesta área são recentes indicando a relevância atual do tema ejustificando a carência de literatura que aborde estas questões, bem como querelacionem a navegabilidade (usabilidade) na interface, o contexto sócio técnico e àscaracterísticas e necessidades de seus usuários finais, sua subjetividade, como acessamas informações, o tempo de resposta, as principais dificuldades para o entendimentoda lógica envolvida no processo de interação do sistema, dentre outros. Usabilidade, segundo a norma internacional ISO 9241 - que trata dasrecomendações ergonômicas - é a capacidade que apresenta um sistema interativo deser operado, de maneira eficaz, eficiente e agradável, em um determinado contexto deoperação, para a realização das tarefas de seus usuários. Por sua vez, a navegabilidade,de acordo com Silvino (2004), é compreendida em função da usabilidade que o siteapresenta, bem como pelas representações das pessoas, suas estratégias de resoluçãode problemas e de como o processo decisório é constituído. Esse conceito remetetanto a uma dimensão extrínseca como intrínseca. De acordo com Senach (1993) adimensão intrínseca é referente à lógica estrutural do sistema. É orientada para ascaracterísticas técnicas e funcionais da interface em termos de coerência interna defuncionamento e de suas propriedades físicas e gráficas que estruturam a organizaçãoe apresentação das informações. E a dimensão extrínseca é ligada à adequação dainterface à situação, às exigências técnicas da tarefa e aos objetivos, experiências ecaracterísticas dos usuários. O fio condutor da análise intrínseca são os critérios ergonômicos para aqualidade da interação. O primeiro estudo sobre critérios ergonômicos na concepçãode interface foi proposto por Scapin (1986). Ele organizou os critérios ergonômicos em8 categorias: 1. Compatibilidade; 2. Homogeneidade;3. Concisão; 4. Flexibilidade; 5.Orientação e feedback; 6. Carga de Informação; 7. Controle explícito; 8. Gestão deerros. Em 1990, Scapin elabora uma lista de critérios ergonômicos comportando trêsníveis, o primeiro nível constitui-se de oito critérios principais decompondo-se emoutros dois níveis de critérios, os critérios elementares. No total a lista contém dezoitocritérios assim descritos: 5
  6. 6. 1.Orientação. 1.1.Condução. 1.2.Grupamento/ Distinção entre Itens. 1.2.1.Grupamento/ Distinção por Localização. 1.2.2.Grupamento/ Distinção por Formato. 1.3 Feedback Imediato. 1.4 Clareza (Legibilidade).2. Carga de Trabalho. 2.1. Brevidade. 2.1.1. Concisão. 2.1.2. Ações Mínimas. 2.2. Carga Mental.3. Controle Explícito. 3.1. Ações Explícitas. 3.2. Controle do Usuário.4. Adaptabilidade. 4.1. Flexibilidade. 4.2. Consideração a Experiência do Usuário.5. Gestão de Erros. 5.1. Proteção Contra os Erros. 5.2. Mensagens de Erros. 5.3. Correção de Erros.6. Homogeneidade/ Consistência.7. Significado dos Códigos.8. Compatibilidade. 6
  7. 7. Bastien (1991) valida os critérios ergonômicos para avaliação da interface,identifica as categorias, define e justifica os critérios e as categorias dos critérios. 1. Orientação – refere-se ao conjunto de meios empregados para aconselhar,informar e conduzir o usuário na interação com o COMPUTADOR. Justificativa: uma boaorientação facilita a aprendizagem e a utilização do sistema, permitindo que o usuáriotenha conhecimento, a qualquer momento, de onde se encontra na seqüência dainteração ou na execução de uma tarefa. A facilidade de aprendizagem e de utilizaçãopermite um melhor desempenho e ocasiona menos erros. 1.1. Condução – corresponde aos meios utilizados para levar o usuário arealizar determinadas ações. A condução diz respeito às informações que permitem aousuário identificar o estado ou contexto no qual ele se encontra, bem como às açõespossíveis e como acioná-las; às ajudas disponíveis e aos formatos de entradas dedados. A Figura 3 ilustra um exemplo de condução. O usuário, ao utilizar oPowerpoint, sabe exatamente onde ele se encontra na interação e quais opções deação possui. Figura 3 – Exemplo de condução. Justificativa: uma boa condução guia o usuário e lhe poupa, por exemplo, oaprendizado de uma série de comandos. Ela permite, também, que o usuário saiba emque modo ou em que estado ele está, onde ele se encontra no diálogo e o que ele fezpara se encontrar nessa situação. Uma boa condução facilita a navegação no aplicativoe diminui a ocorrência de erros. 7
  8. 8. 1.2. Grupamento/ Distinção entre Itens: 1.2.1. Grupamento/ Distinção por Localização – diz respeito ao posicionamentorelativo dos itens, estabelecido para indicar se eles pertencem ou não a uma dadaclasse, ou, ainda, para indicar diferenças entre classes. Esse critério também dizrespeito ao posicionamento relativo dos itens dentro de uma classe. A figura 4exemplifica esse critério. O pocisionamento dos elementos na tela da interface daCaixa Econômica Federal denota a similaridade entre as classes de funcionalidade,facilitando o reconhecimento e a orientação do usuário. Figura 4 – Exemplo de Grupamento/ Distinção entre Itens. Justificativa – a compreensão de uma tela pelo usuário depende, entre outrascoisas, da ordenação dos objetos (imagens, textos, comandos, etc.) que sãoapresentados. Os usuários irão detectar os diferentes itens mais facilmente se elesforem apresentados de uma forma organizada (em ordem alfabética, freqüência deuso, etc.). Além disso, a aprendizagem e a recuperação de itens serão melhoradas. 1.2.2. Grupamento/ Distinção por Formato – diz respeito mais especificamenteàs características gráficas (formato, cor, etc.) que indicam se itens pertencem ou não auma dada classe, ou que indicam ainda distinções entre classes diferentes oudistinções entre itens de uma dada classe. No simulador de financiamento de veículosdo Unibanco, os diferentes tipos de elementos na interface, na figura 5 indicados pelas 8
  9. 9. setas verdes, são visualmente distintos uns dos outros transmitindo associações ediferenças entre as funcionalidades. Figura 5 – Exemplo de Grupamento/ Distinção por Formato. Justificativa: será mais fácil para o usuário perceber relacionamento(s) entreitens ou classes de itens, se diferentes formatos ou diferentes códigos ilustrarem suassimilaridades ou diferenças. Tais relacionamentos serão mais fáceis de aprender e delembrar. 1.3. Feedback Imediato – refere-se às respostas do sistema consecutivas àsações do usuário, as quais devem ser fornecidas, de forma rápida, com passo (timing)apropriado e consistente para cada tipo de transação solicitada e seu resultado. Nafigura 6, ao realizar um download no site da Caixa Econômica Federal, é fornecido umfeedback imediato da operação. No segundo exemplo é ilustrado, na mesma figura,um bradcrumb da interação indicando a profundidade e a hierarquia do site da Caixa.Trata-se de uma excelente prática de usabilidade que contempla tanto o critério defeedback imediato quanto o critério de condução. 9
  10. 10. Figura 6 – Exemplos de Feedback Imediato. Justificativa: a qualidade e a rapidez do feedback são dois fatores importantespara estabelecer a satisfação e a confiança do usuário, assim como a compreensão dodiálogo. Esses fatores possibilitam que o usuário tenha uma boa representação dosistema. Respostas lentas freqüentemente ocasionam ações que podem ser fontes deerros. Quando o sistema está em curso de operação o usuário deve ser informado. Aausência de feedback ou sua demora podem ser desconcertantes para o usuário. Osusuários podem suspeitar de uma falha no sistema e podem realizar ações prejudiciaispara os processos em andamento. 1.4. Clareza (Legibilidade) – refere-se às características lexicais das informaçõesapresentadas na tela que possam dificultar ou facilitar a leitura dessa informação(brilho do caractere, contraste letra/fundo, tamanho da fonte, espaçamento entrepalavras, espaçamento entre linhas, espaçamento de parágrafos, comprimento dalinha, etc.). A figura 7, no site do Governo Federal, ilustra um exemplo de um contrastenegativo de letra/fundo que prejudica a legibilidade na interface, em outras palavras, 10
  11. 11. letras escuras em um fundo claro são mais fáceis de ler que letras claras em um fundoescuro. Figura 7 – Exemplo de Clareza (Legibilidade). Justificativa: o desempenho melhora quando a apresentação da informaçãoleva em conta as características cognitivas e perceptivas dos usuários. Uma boa clareza(legibilidade) facilita a leitura da informação apresentada. 2.Carga de Trabalho – consiste no conjunto de elementos da interface quedesempenham, para o usuário, um papel na redução de sua carga perceptiva oumnemônica e no aumento da eficiência do diálogo. Justificativa: quanto maior a cargade trabalho, maior os riscos de erros. Da mesma forma, quanto mais o usuário fordistraído por informações não pertinentes, menor será a eficiência da tarefa. 2.1. Brevidade – refere-se a dois critérios: ações mínimas e concisão. 2.1.1. Concisão – refere-se à carga de trabalho e nível perceptivo e mnemônicoem relação aos elementos de entrada e de saída. Na figura 8, a tela do terminal deauto atendimento do Banco do Brasil fornece um feedback em português e outro eminglês. A tradução, além de desnecessária, constrange os usuários que não possuem odomínio em língua inglesa. 11
  12. 12. Figura 8 – Exemplo de Concisão. Justificativa: a capacidade da memória de trabalho (ou memória de curto termo– MCT) é limitada. Conseqüentemente, quanto menos entradas, menor serão os riscosde cometer erros. Além disso, quanto mais sucintos forem os itens, menor será otempo de leitura, maior será a eficiência da interação. 2.1.2. Ações Mínimas - refere-se à carga de trabalho em relação ao número deações necessárias à realização de uma tarefa. O que temos aqui é uma questão delimitar tanto quanto possível o número de passos que o usuário deve empregar. Porexemplo, na figura 9, ao digitar a primeira letra do nome, o software de enviar ereceber e-mails, minimiza as ações do usuário fornecendo uma lista com os nomes deseus contatos. Figura 9 – Exemplo de Ações Mínimas. 12
  13. 13. Justificativa: quanto mais numerosas e complexas forem às ações necessáriaspara se alcançar um objetivo, a carga de trabalho aumentará e, com ela, aprobabilidade de ocorrências de erros.2.2. Carga Mental (Densidade Informacional) – refere-se à carga de trabalho no nívelperceptivo e mnemônico no conjunto dos elementos apresentados aos usuários. Afigura 10 ilustra o site do MSN, onde a densidade da informação é muito alta, exigindodo usuário uma elevada carga percepto-cognitiva. Figura 10 – Exemplo de Densidade Informacional. Justificativa: na maioria das tarefas, o desempenho dos usuários piora quando acarga mental é muito alta ou muito baixa. Nesses casos, é mais provável a ocorrênciade erros. Os itens que não são relacionados à tarefa devem ser removidos. A memóriade curto termo é limitada, portanto a carga de memorização dos usuários deve serminimizada. Eles não devem ter que memorizar informações procedimentoscomplicados. Não devem, também, ter que executar tarefas cognitivas complexasquando estas não estão relacionadas com a tarefa em questão. 13
  14. 14. 3. Controle Explícito – refere-se ao controle que o usuário tem sobre a interfacee, também, ao caráter explícito de suas ações. Justificativa: quando as entradas do usuário são explicitamente definidas, poreles próprios e sob o seu controle, as ambigüidades e os erros são limitados. Quando ousuário controla o diálogo, há uma maior aceitação do sistema. 3.1. Ações Explícitas – refere-se às relações entre o processamento pelocomputador e as ações do usuário. Essa relação deve ser explícita, isto é, ocomputador deve processar somente aquelas ações solicitadas pelo usuário e apenasquando solicitado a fazê-lo. Na interface disponibilizada pelo Portal de serviços einformações de governo do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (figura11), é solicitada a autorização (seta verde) do usuário para acrescentar um cookie paradiminuir os passos necessários à interação numa posterior navegação. Figura 11 – Exemplo de Ações Explícitas. Justificativa: quando o processamento pelo computador resulta de açõesexplícitas dos usuários, estes aprendem e entendem melhor o funcionamento daaplicação e menos erros são observados. 3.2. Controle do Usuário – refere-se ao sistema antecipar-se ao usuário e lhefornecer as opções apropriadas a cada ação, permitindo que o usuário tenha sempre ocontrole da interação. Cada ação possível do usuário deve ser antecipada e opçõesapropriadas devem ser oferecidas. Na figura 12, o usuário ao desligar o sistemaMicrosoft Windows vislumbra quais possibilidades possui para sua tomada de decisão 14
  15. 15. Figura 12 – Exemplo de Controle do Usuário. Justificativa: o controle sobre as interações favorece a aprendizagem e, assim,diminui a probabilidade de erros. Como conseqüência, o computador se torna maisprevisível 4. Adaptabilidade - refere-se à capacidade da interface reagir segundo ocontexto e segundo as necessidades e preferências dos usuários. Justificativa: quanto mais numerosas forem as diferentes opções de efetuaruma mesma tarefa, maiores serão as possibilidades dos usuários dominarem umadelas no decorrer de seu aprendizado. Desta forma interface se adapta ao usuário. 4.1. Flexibilidade – refere-se aos meios colocados à disposição do usuário quelhe permitem personalizar a interface, a fim de levar em conta as exigências das suastarefas, de suas estratégias ou habilidades no trabalho. Trata-se, em outros termos, dacapacidade da interface de adaptar às variadas ações do usuário. Veja o exemplo nafigura 13, o aplicativo powerpoint do Microsoft Office 2003, fornece ao usuáriopossibilidades de personalizar sua área de trabalho. A mesma opção é fornecida pelosite da Google (Figura 14) que coloca a disposição do usuário meios que o permitampersonalizar sua interface 15
  16. 16. Figura 13 – Exemplo de Flexibilidade. Uma opção similar de personalização é fornecida pelo site da Google (Figura14) que coloca a disposição do usuário meios que o permitam personalizar suainterface. Figura 14 – Exemplo de Flexibilidade. Justificativa: quanto mais formas de efetuar uma tarefa existirem, maioresserão as chances de que o usuário possa escolher e dominar uma delas no curso de suaaprendizagem. 4.2. Consideração a Experiência do Usuário – refere-se aos meiosimplementados que permitem que o sistema respeite o nível de expertise do usuário.A interface da BrasilTelecom considera o nível de experiência de seu usuário aofornecer um tour pelo site. 16
  17. 17. Justificativa: a interface deve ser concebida para lidar com as variações deexpertise. Usuários experientes não têm as mesmas necessidades de informações queos novatos. Portanto meios diferenciados devem ser previstos para lidar comdiferenças de experiência, permitindo que o usuário delegue ou se aproprie dainiciativa do diálogo. Na Figura 15, a Brasiltelecom oferece um hotsite (mini sítio)explicativo de como interagir com a interface. Figura 15 – Exemplo de Consideração a Experiência do Usuário. 5. Gestão de Erros – refere-se às possibilidades de evitar ou diminuir aocorrência de erros e de corrigi-los. 5.1. Proteção Contra Erros – Diz respeito aos mecanismos empregados paradetectar e prevenir os erros de entradas de dados, comandos, possíveis ações deconseqüências desagradáveis. A interface, ilustrada na figura 16, emprega meios paradetectar e prevenir erros. 17
  18. 18. Figura 16 – Exemplo de Proteção Contra Erros. Justificativa: é preferível detectar os erros no momento da digitação, do que nomomento da validação. 5.2. Mensagens de Erros – consiste na pertinência e exatidão da informaçãofornecida ao usuário sobre a natureza do erro cometido e das ações a executar paracorrigi-lo. A Figura 17 traz um exemplo, o usuário é informado da natureza do errocometido. Figura 17 – Exemplo de Mensagem de Erro. Justificativa: a qualidade das mensagens favorece o aprendizado da interface,indicando ao usuário a razão ou a natureza do erro cometido, o que ele fez de errado,o que ele deveria ter feito e o que ele deve fazer. 18
  19. 19. 5.3. Correção de Erros – consiste nos meios disponíveis ao usuário para permitir acorreção de seus erros. A interface, na figura 18 ilustrada abaixo, disponibiliza meios afim de que o usuário realize a correção de seus erros ao fornecer um link a todos oscampos onde há a necessidade do usuário intervir. Figura 18 – Exemplo de Correção de Erros. Justificativa: os erros são bem menos aversivos quando eles são fáceis decorrigir. 6. Homogeneidade/ Consistência – refere-se a aquelas escolhas de objetos deinterface (códigos, procedimentos, denominações, etc.) que são idênticos paracontextos idênticos e diferentes para contextos diferentes. No exemplo da figura 19, émantida a homogeneidade no header nas interfaces do site do Exército Brasileiro,facilitando o aprendizado e a navegação no site da corporação. 19
  20. 20. Figura 19 – Exemplo de Homogeneidade / Consistência. Justificativa: os procedimentos, rótulos, comandos, etc., são mais bemreconhecidos, localizados e utilizados, quando seu formato, localização ou sintaxe sãoestáveis de uma tela para outra, de uma seção para outra. Nessas condições, o sistemaé mais previsível e a aprendizagem mais generalizável; os erros são diminuídos. Énecessário escolher opções similares de códigos, procedimentos, denominações paracontextos idênticos, e utilizar os mesmos meios para obter os mesmos resultados. Éconveniente padronizar tanto quanto possíveis todos os objetos quanto a seu formatoe a sua denominação, e padronizar a sintaxe dos procedimentos. A falta dehomogeneidade nos menus, por exemplo, pode aumentar consideravelmente ostempos de procura. A falta de homogeneidade é também uma razão importante darecusa de utilização. 7. Significado dos Códigos – refere-se à adequação entre o objeto ou ainformação apresentada e a sua referência. Códigos e denominações significativaspossuem uma forte relação semântica com seu referente. Termos pouco expressivospara o usuário podem ocasionar problemas de condução, podendo levá-lo a selecionaruma opção errada. Na figura 20, alguns ícones da interface da rede governo possuemuma fraca relação semântica com seu referente. 20
  21. 21. Figura 20 – Exemplo de Significado dos Códigos. Justificativa: quando a codificação é significativa, a recordação e oreconhecimento são melhores. Códigos e denominações não significativos para osusuários podem sugerir operações inadequadas para o contexto, aumentando os riscosde erros. 8. Compatibilidade – refere-se ao acordo existente entre as características dousuário (memória, percepção, hábitos, etc.) e as tarefas, de uma parte, e a organizaçãodas entradas e saídas e dos diálogos, de forma que se tornem compatíveis entre si. Justificativa – A transferência de informações é mais rápida e eficaz quantomenor é o volume de informação que deve ser recordada pelo usuário. A eficiência éaumentada quando: os procedimentos necessários ao cumprimento da tarefa sãocompatíveis com as características psicológicas do usuário; os procedimentos e astarefas são organizados de maneira a respeitar as expectativas ou costumes dousuário; quando as traduções, as transposições, as interpretações, ou referências àdocumentação são minimizadas.O desempenho é melhor quando a informação éapresentada de uma forma diretamente utilizável (telas compatíveis com o suportetipográfico, denominações de comandos compatíveis com o vocabulário do usuário,etc.). 21
  22. 22. Ergonomia A Ergonomia é uma área do conhecimento que visa transformar os artefatostecnológicos, adaptando-os às características das pessoas, bem como às característicasde sua atividade, almejando assim, uma otimização do conforto, da segurança e daeficácia. Seu objetivo é humanizar a tecnologia defendendo a premissa de que estadeve ser adaptada às características das pessoas em articulação com as exigênciassócio-técnicas das tarefas realizadas, aos objetivos a serem cumpridos e as condiçõestecnológicas efetivas que lhes são dadas. Trata-se, portanto de uma abordagemmediadora entre a pessoa e a tecnologia como forma de assegurar que a lógica queguia a ação da pessoa seja contemplada tanto no processo de concepção quanto dereformulação das interfaces em geral. A Ergonomia possui como pressuposto epistemológico: o antropocentrismo, ecomo principal pressuposto metodológico: a Análise da Atividade. Esta Análiseconsidera a conduta humana em situação real, as estratégias operatórias que a pessoaefetivamente utiliza para executar a atividade. Utilizo o termo conduta em detrimentode comportamento porque o conceito de conduta introduz uma noção de “motivos”ou de “intenção”. Dessa forma, trabalhando em uma perspectiva antropocêntrica, aErgonomia, além de aumentar a produtividade e qualidade, contribui para umaredução da carga de trabalho tanto em seu componente psíquico, que determina asvivências de prazer da pessoa, quanto em seu componente físico, minimizando osesforços biomecânicos e fisiológicos, como também em seu componente cognitivo,diminuindo suas exigências, como a memória, resolução de problemas, processosdecisórios, dentre outros. Segundo Abrahão (1993), a Análise da Atividade é o fio condutor daintervenção ergonômica. Esta abordagem é centrada sobre o estudo da atividade realde execução da tarefa. Portanto, a Ergonomia não é uma área do conhecimento doobjeto, e sim de sua interação. Não existe um estudo ergonômico da cadeira e sim umestudo ergonômico na cadeira. Assim sendo, a presença do ergonomista em situaçãoreal de uso de um artefato é um fator determinante. Essa presença constitui adiferença fundamental entre a Ergonomia e outras abordagens. Em poucas palavras, a 22
  23. 23. Ergonomia é uma ciência da interação e da transformação (da tecnologia à pessoa).(SANTOS-LIMA, 2009).Ergonomia Cognitiva Como nos ensina Abrahão, Silvino e Sarmet (2005), a Ergonomia Cognitiva é umcampo de aplicação da Ergonomia que tem como objetivo explicitar como se articulamos processos cognitivos face às situações de resoluções de problemas nos diferentesníveis de complexidade. Desta forma, a ela visa analisar os processos cognitivosimplicados na interação: a memória (operativa e longo prazo), os processos decisórios,a atenção (carga mental e consciência), enfim as estruturas e os processos paraperceber, armazenar e recuperar informações. Para Weill-Fassina (1990), os processos cognitivos são compreendidos comosendo constituídos de modos operatórios, de seqüências de ação, de gestos, desucessões de busca e de tratamento de informações, de comunicações verbais ougráficas de identificações de incidentes ou de perturbações que caracterizam a tarefaefetiva realizada pela pessoa. Dessa forma, é preciso realizar registros que possamdescrever as etapas, o desenvolvimento temporal das atividades, as estratégiasutilizadas, verbalizações e as relações entre essas variáveis, bem como identificarvariáveis que possam modificar a situação corrente. Assim sendo, segundo Santos_lima (2003), o ergonomista busca as informaçõesemitidas pelas pessoas, seja em forma de comportamento, seja em forma deverbalização, buscando formar um ‘quadro cognitivo’ claro sobre a pessoa. Estequadro irá subsidiar decisões de como ajustar e/ou conceber a interface à pessoa. Aconexão entre a atividade e as representações disponíveis e utilizadas origina umdelineamento da estratégia operatória desenvolvida pela pessoa para resolver umproblema posto ou tomar uma decisão. Desvendar o caminho segundo o qual o usuário constrói os problemas com osquais é confrontado pode constituir uma alternativa para melhor explicar os erros eacidentes do que, simplesmente, identificar as condições sob as quais os problemas 23
  24. 24. são resolvidos. A análise ergonômica do trabalho possibilita a compreensão dasestratégias de construção do problema, das limitações da interface e dos elementos aserem incorporados no treinamento. Nesse sentido, questões de natureza diferenciadaemergem durante a análise de interfaces, que podem ser agrupadas em duascategorias: 1. Características dos usuários – A) Grau de escolaridade; B) Familiaridade como sistema informatizado: I. Representação dos usuários; II. Reconhecimento depadrões; III. Experiência. 2. Exigências das tarefas e da atividade – A) Análise extrínseca: I.Compatibilidade dos usuários ao sistema; II. Modos e estratégias operatórias denavegação; III. Análise dos erros e retrabalho. B) Análise intrínseca: serão avaliadossegundo os seguintes critérios ergonômicos: I. Condução (Presteza nas informaçõesfornecidas, Agrupamento por formato e distinção de itens; Feedback imediato; Clareza(nas características lexicais); II. Carga de Trabalho (Carga Mental e Brevidade); III.Controle Explícito (Ações explícitas e Controle do usuário); IV. Adaptabilidade(Facilidade dos meios disponíveis, experiência do usuário); V. Gestão de Erros(Proteção contra erros, Qualidade da mensagem e correção de erros); VI.Homogeneidade e Consistência; VII. Significância dos Códigos. Além destas duas categorias vale situar o atual momento de alargamento dasproblemáticas e redefinição da práxis ergonômica acerca dos critérios de qualidade dainteração. De acordo com Haradji e Faveaux (2006), os critérios de qualidade dainteração resultam de uma ampliação das problemáticas de análise e concepção,principalmente àquela realizada pela atividade coletiva. Os autores explicitam as novasquestões confrontadas nesse atual momento, são elas: (1) ampliação das questões deanálise e concepção; (2) uma evolução para os critérios de concepção; (3) anecessidade de critérios de modelização. A primeira questão decorre da dimensão coletiva do trabalho e égenuinamente ímpar em relação à prática ergonômica dos outros momentos. Quandoo ergonomista defrontava-se com intervenções na Internet, era praticamente com umtipo de cliente e uma determinada aplicação. Atualmente, a demanda recaí sobre 24
  25. 25. projetos que visam a necessidade diária de produtos e serviços, assim, odesenvolvimento e a descrição da atividade diárias no habitat torna-se importantepara permitir propor ofertas (produtos e serviços) adaptados ao uso. Outra ampliaçãoda questão de análise e demanda provem da necessidade de permitir a cooperaçãodos trabalhadores numa atividade coletiva, bem como a necessidade de instaurar eaperfeiçoar um ‘trabalho de articulação” entre todos os Atores de uma cadeia de valor,tanto no nível micro, atuando sobre as competências dos Atores) quanto no macro,atuando na otimização das relações funcionais entre os diversos Atores. Logo, aqualidade da interação nessa nova etapa da Ergonomia, não refere-se mais a umaapreciação de uma relação estrita entre uma pessoa e um artefato, mas é entendidocomo uma situação mais ampla, com a integração de diversos Atores (ligados a vidadiária ou a vida profissional) e as Organizações. Essa abertura a situações de interação mais complexas implica em fazer evoluiros critérios utilizados pela Ergonomia. A utilidade e usabilidade deverão serconsideradas. Em contrapartida, essa abertura necessita estruturar a transformaçãodessas situações em redor de novos critérios que consideram a conformidade, aaceitabilidade individual/social e a dimensão emocional. Por dimensão emocional osautores compreendem pelo prazer ou não que a pessoa sente na utilização de umartefato e na forma como encara a inserção desse artefato na sua relação comambiente. A hipótese de Haradji e Faveaux (2006) é que esses novos critérios devemser um quadro para a cooperação e a modelização pode ser um meio. Nesse contexto, Haradji e Faveaux (2006) propõem hipóteses para abordar apergunta dos critérios que estruturam a concepção. Dentre estas, a hipótese queconduz a transformar as situações, baseando-se em critérios que visem favorecer asdimensões cognitivas, emocionais, sociais, organizacionais, físicas, etc. da atividadehumana. Dessa forma os autores batizam suas propostas, formuladas em hipótesescomo “engenharia das situações de interação”, validando sua proposta em termos decrença de que a Ergonomia deve-se construir sobre bases formais que favoreçam atransmissão do saber e a confrontação científica. Nesse sentido, é pertinente buscar 25
  26. 26. respostas para as questões abaixo que permitirão minimizar diferentes dimensões daproblemática analisada. i. A forma que a organização das informações contidas na interface foram construídas e apresentadas favorecem a sua apropriação como uma ferramenta eficiente e eficaz? ii. A interface está estruturada de modo a facilitar a busca e a recuperação das informações? Se não, qual a melhor forma de fazê-lo? iii. A composição da interface responde aos critérios de análise intrínseca? iv. Em que situações a competência do usuário encontra limites e resultam em fracasso? v. Quais são as estratégias adotadas pelos sujeitos para responder às exigências das tarefas? vi. Quais situações devem ser transformadas visando favorecer as dimensões cognitivas, emocionais, sociais, organizacionais, ec da atividade de Ensino a Distância? vii. Quais os efeitos da introdução e do uso de novas tecnologias no dia-a-dia dos Alunos? viii. Quais os critérios fundamentais para qualidade da interatividade do Ensino a Distância? 26
  27. 27. 3. Trajetória Metodológica O método que norteia este trabalho é a Análise Ergonômica do Trabalho AET,ilustrada na Figura 21, proposta por Guérin e cols (2001) e que possui três etapas, asaber: (1) Análise da Demanda; (2) Análise da Tarefa; (3) Análise da Atividade. Figura 21 – AET – Análise Ergonômica do Trabalho proposta por Guèrin e Cols (2001). Assim para o recorte da Demanda foram realizados os seguintesprocedimentos:(a) Observações Globais – foi empregada como contextualização sem planejamento econtrole previamente elaborados. Consistiu em recolher e registrar os dados darealidade sem que o pesquisador utilizasse meios técnicos especiais.(b) Entrevistas – foram entrevistados 7 (sete) Coordenadores de curso, 2 (dois)Coordenadores de Pólo, 7 (sete) Alunos, 4 Professores, 7 (sete) profissionais da EquipeInterna, sendo 2 (dois) da Equipe de Sistemas, 4 (quatro) Tutores presenciais, Teve porobjetivo subsidiar a Análise de Usabilidade Extrínseca e Instruir a Demanda sondando 27
  28. 28. as atitudes e experiências dos Atores da atividade de Ensino a Distância UAB/UnB,Segue o Protocolo de Entrevistas realizado com os Atores: 1. Definindo o propósito / visão da interface - Qual o propósito da interface?Quais são os objetivos? 2. Desenvolvendo os objetivos da interface - Como é definido o sucesso desseserviço para UAB? Como saberás desse sucesso? Como descreves a interface? (I). Sob oponto de vista da UAB. (II) Sob o ponto de vista dos usuários. 3. Definindo a audiência - Quem são os usuários primários e secundários?Como podes descrevê-los? Onde e como eles irão utilizá-lo? (ambiente); Como irãoacessá-lo? (tipo de computador). 4. Conduzindo a análise de tarefas e priorizando tarefas no Moodle - O que osusuários poderão fazer no site? Quais tarefas serão críticas para os usuários? Quaistarefas são mais importantes para o usuário? Quais tarefas eles irão realizar com maiorfreqüência? Quais tarefas são mais propensas a gerar erros? Quais tarefas são críticaspara o sucesso da interface da UAB? 5. Determinando objetivos mensuráveis de usabilidade - Quais tarefas osusuários deverão finalizar de forma simples/fácil e sem erro? (eficiência). Quais tarefasos usuários deverão finalizar rapidamente e eficientemente? (eficácia); Qual nível desatisfação que os usuários deverão ter após utilizar a interface? 6. Discutindo as expectativas, requerimentos e preferências - Qual sua visão doque a interface deverá fazer? O Protocolo de Entrevistas para os Profissionais da área de Tecnologia eInformação da UAB/UnB teve o acréscimo das seguintes perguntas: 7. Identificando os recursos disponíveis e necessidade de treinamento - Quetipo de recursos estão disponíveis para atualização e manutenção da interface? Vocêstêm pessoas especializadas em escrever para o meio? Há designers gráficos no grupo 28
  29. 29. de trabalho? Há Arquiteto de Informação na equipe? Quem é responsável pelamanutenção e programação do site? 8. Discutindo as necessidades de tecnologia -Quais são suas necessidades dehospedagem? (tamanho, velocidade, tipo de servidor). Possuem softwares degerenciamento de conteúdo? Que tipo de software utilizam para medir os resultadosdo site? Qual ferramenta de busca existe no produto?(c) Verbalizações – técnica utilizada durante ou após as entrevistas, quando os Atoresforam solicitados a verbalizar seus pensamentos, sentimentos e opiniões.(d) Análise Heurística – técnica inicialmente proposta por Nielsen e Molich (1990)denominada Avaliação Heurística na quais avaliadores (3 a 5 especialistas), comformações distintas, realizam um julgamento de valor sobre as qualidadesergonômicas das interfaces. A técnica aqui utilizada, a Análise Heurística, foi efetivadapor apenas um especialista, que realizou um julgamento de valor alicerçados noscritérios ergonômicos e em sua experiência e competência no assunto.(e) Inspeção Cognitiva – visou inspecionar os processos cognitivos que se estabelecemquando o usuário realiza a tarefa: percepções, processos decisórios e outrosmecanismos cognitivos pertinentes. A tarefa concretizada pelo Pesquisador foi a depostar um arquivo de PowerPoint logando-se como Professor da disciplina.Participaram deste procedimento um Pesquisador e 40 Alunos novatos que nuncainteragiram com a plataforma Moodle. Destes alunos, 21 eram Alunos da FaculdadeFAJESU, do curso tecnológico em Análise e Desenvolvimento de Sistemas da disciplinade Arquitetura de Informação e Usabilidade. Outros 19 alunos eram da FaculdadeCECAP do curso de graduação em Secretariado Executivo na disciplina de Psicologianas Organizações. 29
  30. 30. (f) grupo focal – o principal objetivo desta técnica foi o de identificar percepçõessubjetivas, grau de satisfação, atitudes e opiniões de 21 Alunos do Pólo de Alto Paraísoenvolvidos no processo de ensino e aprendizagem. A técnica foi realizada por meio dediscussões entre cinco e nove usuários, orientadas por dois moderadores que,dependendo da situação, puderam interferir ou não na troca de idéias e comentários.Esta técnica também foi utilizada para a elaboração de novas idéias, novos conceitos.Neste caso, os usuários foram convidados a fornecer opiniões sobre as interfacesexistentes e sugerir modificações para a melhoria. 30
  31. 31. 4. Resultados e Discussão Os resultados serão discutidos e apresentados separadamente pelas categoriasdos Atores de Ensino a Distância. Sendo que os resultados da Análise Heurística e daInspeção Cognitiva foram oportunamente apresentados e discutidos na categoriaProfessores justamente por corroborar com a hipótese desta categoria de que ainterface possuía problemas de usabilidade. Tutores Presenciais: A principal queixa dos Tutores advém da falta de interação do Professor autortanto com os Alunos quanto com os outros Atores do processo de Ensino a DistânciaEaD/UAB/UnB. Os Tutores Presenciais queixam-se da ausência de Professor autor online. Pouco participativo e atuante no processo de ensino. Alguns Tutores verbalizaramesta pouca participação dos Professores autores: “tem que ser mais participativo”.Outro Tutor com a seguinte verbalização qualificou a ausência da participação: “OsProfessores autores tem que estar abertos a orientação”. Um dos Tutores foi maispontual em sua verbalização: ”os Professores e Tutores não sabem construir umarelação de interação com os Alunos”. Observa-se que Tutores, na verbalização aquiexposta, tratam-se dos Tutores virtuais e não os presenciais. A atitude formal dos Professores em se relacionar com os Alunos é refletida eno final sintetizada pela seguinte verbalização dum Tutor: “O Professor deve colocar afala de uma forma informal – uma conversa. A formalidade deixa a interação fria (...)A EDUCAÇÃO É A DISTÂNCIA, MAS NÃO PODE SER DISTANTE.” Conforme salienta Neder (2000), na educação à distância, a interlocuçãoaluno/orientador é exclusiva. Professor ou orientador, paradoxalmente ao sentidoatribuído ao termo “distância”, devem estar permanentemente em contato com oaluno. Para Vieira (2011), o papel do professor se centra fundamentalmente nadinamização do grupo, em assumir funções de organização das atividades, demotivação e criação de um clima agradável de aprendizagem, um mediador queproporciona experiências para auto-aprendizagem e a construção do conhecimento.Para esta autora, os Professores devem trabalhar a auto-estima do aluno; dar o 31
  32. 32. feedback constantemente, pois o aluno necessita do feedback; criar situações para oaluno desenvolver a criatividade; a Tutoria deve fazer um estudo de caso dasdificuldades dos aluno e orientá-lo, porque diante de uma dificuldade o aluno tende aabandonar. Os Professores não podem pensar nesta modalidade de ensino a partir de suaadjetivação. O termo a distância deve remeter apenas a questão espacial. As reflexões,aponta Neder (2000), têm que ser dirigidas, portanto, para a educação em sua amplaacepção. Como a compreendemos? Onde a situamos? Como analisamos suasrelações? Qual o significado do “ser à distância” ou do “ser presencial” no interior denossa compreensão? Que importância isso tem? Os agentes educacionais desejando obter êxito nesta modalidade de ensino,não necessariamente precisam estar em presentes, entretanto precisam contribuirpara uma maior aproximação, justamente porque o ensino não se furta da necessidadede comunicar as privações e alegrias humanas que a engendram. Seria uma questão defamiliaridade computacional? Seria uma necessidade de formação deste profissionalhabituado a modalidade presencial? Estudos devem ser realizados a fim decompreender esta distância apresentada e reclamada por distintos Atores desteprocesso (Tutores, Equipe Interna, Alunos e Coordenadores). Quanto às ferramentas, os Tutores julgam que a ferramenta Chatdisponibilizado na plataforma Moodle é uma ferramenta ineficiente, por sua vez aferramenta Fórum, segundo extrai-se da verbalização de um dos Tutores: “Não é aferramenta que é ruim. São os Professores das disciplinas que fazem ficar ruim pelodesconhecimento de como interagir na ferramenta (Fórum)”. Ora, apesar dos Tutores realizarem um julgamento de valor do Chat comoineficiente, esta verbalização sobre a ferramenta Fórum cabe também á ferramentaChat. Costa & Franco (2005), por exemplo, afirmam que o uso de Chats, tornar-se-ápropício à aprendizagem, se respeitar o contrato de conversação a ser estabelecido naambiente virtual. Assim sendo a ferramenta Chat não deve ser descartada tal como aferramenta Fórum. Estudos devem orientar como deve ser a interação por meio destas 32
  33. 33. ferramentas e estabelecer um contrato de interatividade que possa favorecer odesempenho dos Atores do processo de ensino. Outra ponderação realizada pelos Tutores presenciais é quanto a dificuldadedos Alunos em trabalhar de forma colaborativa (Wiki). Essa questão cultural deve serenfrentada antes, porém, compreendida. Sendo que a evolução tecnológica permite acolaboração, sendo que produto de um trabalho imaterial é a relação social, quaisseriam os limitadores ou os entraves para que seja de fato implementada uma culturano Ensino a Distância? Trata-se de outra questão nevrálgica para o sucesso desteensino. Por meio dos procedimentos realizados foram obtidas as seguintes sugestõesdos Tutores presenciais: I- A melhora da função de enviar arquivos na plataforma Moodle. Há conflitos de interação, quando a tarefa a executar na plataforma é a postagem de arquivos, fotos, de vídeos arquivados e de vídeos em tempo real. A sugestão é adequada, principalmente à necessidade de elevar a produção de relação social educativa.II - A melhora da funcionalidade de visualizar o histórico do aluno. Esta sugestão é uma reclamação pontual de um problema de usabilidade grave. O Tutor, assim como o Professor, não consegue ter um acesso fácil as informações do histórico de interação do aluno. Dificultando em muito o processo de orientação, causando um aumento significativo da carga de trabalho quando o Tutor ou professor “teima” em acompanhar o aluno. Mesmo tendo dificuldades em manipular as funcionalidades técnicas da ferramenta Moodle. É necessário pensar com urgência em uma solução alternativa a este problema.III - Possibilitar o acesso dos Tutores às atividades dos Alunos. Os Tutores poderiam visualizar o ambiente em quais os Alunos estão interagindo. Sugestão parecida com a anterior, não tão urgente, porém vai em direção ao objetivo de uma melhor orientação e conseqüente interação social, favorecendo qualitativamente o processo de ensino.IV - Solicitam uma forma de compartilhar o conhecimento com outros Tutores presenciais a fim dirimirem dúvidas e sociabilizar problemas e soluções. 33
  34. 34. Sugestão apropriada principalmente por promover a troca de experiências com vistas a qualidade do ensino bem como é mais uma sugestão que vianda para a produção de interação social entre os Atores do Ensino a Distância.V- A interface do Moodle pode possuir link para bibliotecas de domínio público, tal como Scielo, Google Books, Google Acadêmico, acesso a Museus, dentre outros a fim de induzir os Alunos a buscar. Trata-se de uma sugestão interessante de melhoria, não urgente e que deverá entrar na etapa de especificações para o redesenho da futura Arquitetura de Informação da interface.VI - Três dos Tutores Presenciais explanaram a experiência de uma professora (Carol, Tutora presencial do curso de Letras no pólo de Alto Paraíso, Goiás) instigava a interatividade refutando o julgamento de ser somente um problema de interação com a ferramenta, mas principalmente, uma deficiência na forma de conduzir a interação entre os Atores do processo de EaD. A ergonomia utiliza-se de análise de experts a fim de promover a sua práxis interventiva. Recomenda-se, portanto, uma análise da tarefa desta expert a fim de levantar subsídios para a melhoria da interatividade.Equipe Interna O afeto suscitado pela Equipe Interna sobre a interatividade no Moodle é o dedesagradável. Quanto a interface do Portal da UAB/UnB a Equipe Interna julga não seratrativa, desinteressante. Tem excesso de informação na página inicial (Figura 2), temexcesso de cores, a fonte utilizada mão é adequada e a distribuição do conteúdo éconfusa. Além disto, faltam insumos ao Professor para que ele tenha referências paraconstrução de disciplina a fim de que seja otimizada a interatividade. De fato a Equipe Interna está correta nas críticas às qualidades ergonômicasapresentadas à plataforma Moodle e a interface do Portal UAB/UnB e à atitude deinteratividade dos Atores do processo. É uma boa proposta a realização de insumospara que os Professores tenham uma referência na construção da disciplina, o que nãoimplica afirmar que seja necessário normatizar a interatividade. Entretanto éimportante que se tenha um padrão de forma a beneficiar os Alunos que são 34
  35. 35. obrigados a “compreender” a proposta de ensino de cada Professor. A ter que realizarum aprendizado de interação na navegabilidade proposta por cada Professor. Ou seja,o que deve ser procedido é uma formalização mínima de um planejamentoeducacional com base em parâmetros de interatividade. Nas palavras de um servidorda Equipe Interna: “deve-se definir esquemas mínimos de orientação a fim de regular aconduta de ensino”. A Equipe Interna cientificou que a comunicação por meio da interface com ospólos é deficiente e apresentou as ponderações, a saber: I. Inserir links para Tutoriais na Plataforma. Existem dificuldades de interação com a plataforma, principalmente os Professores. II. Informações para Equipe Interna devem estar expostas tão somente à Equipe Interna. O portal deve privilegiar o aluno. III. Planejamento da disciplina – deve-se realizar algum material com o objetivo de sensibilizar os Atores para o planejamento da Disciplina. Quais são os critérios de Ava – quais são os aspectos a serem considerados no planejamento da disciplina com foco no usuário? IV. Situação ideal: realização portal UAB com espaço para a criação de hotsites (mini sítios) para os pólos, adequados e consistentes com a página inicial do portal (home). Os próprios pólos deveriam ter a responsabilidade pela alimentação do conteúdo dos sítios; V. Inserir links entre as atividades (Guia de Disciplina). Esta recomendação vem ao encontro do critério ergonômico de ações mínimas, citado no referencial teórico, que refere-se a carga de trabalho em relação ao número de ações necessárias à realização de uma tarefa. A Equipe Interna da UAB/UnB, de uma forma geral, é preparada, possui capacidadecrítica e analítica. Estas competências facilitam em muito para um bom andamento daAnálise Ergonômica da Atividade no Ensino a Distância. 35
  36. 36. Professores Os Professores queixaram-se de dificuldades de interação com a plataformaMoodle, ou seja, queixaram-se de problemas de usabilidade nesta plataforma. AVerbalização de um Professor avaliza o problema de usabilidade no critérioergonômico de Orientação, que se refere aos conjuntos de meios para aconselhar,informar e conduzir o usuário na interação com a interface: “em várias momentos emtenho que catar as coisas aqui no Moodle”. Esta verbalização remete mais especificamente ao subcritério de Condução,que corresponde aos meios utilizados para levar o usuário a realizar determinadasações, às informações que permitem o usuário identificar o contexto da interação,nem como as ações possíveis. De fato é uma realidade a existência de problemas de usabilidade na interfece,entretanto a questão que salta aos olhos do pesquisador é saber se até quando adificuldade de interação deve-se problemas de usabilidade ou, além desta dificuldade,não seria a dificuldade de familiaridade computacional a prejudicar a relaçãoprofessor-interface? Segundo Santos-Lima (2003), os problemas de usabilidade nainteração pessoa-tarefa-artefato tecnológico não é diretamente proporcional àescolaridade e sim à familiaridade. Não obstante, como assinala Reategui (2007), é de extrema importância autilização de critérios específicos para o design das interfaces, normas fundamentadasem princípios pedagógicos e direcionadas à promoção da aprendizagem. Assim, esteestudo propõe a utilização dos critérios ergonômicos de usabilidade de Scapin &Bastien (1991), apresentadas no referencial teórico, por sua abrangência bem comopor possuírem consistência teórica e metodológica. Outra apontamento apresentado pelos Professores é a carência de umaferramenta que permita o feedback do pólo. Uma verbalização sintetiza as duasqueixas principais dos Professores: “meu desejo, meu sonho é poder ter a interfaceimplementada com sucesso permitindo que todos os parceiros envolvidos no processotenham o acesso as informações com qualidade.” 36
  37. 37. De fato a usabilidade das interfaces que compõe o processo de ensino éprecária. A verbalização de um Professor sintetiza: “o Moodle Capenga. Na medida emque não há interação.” Sim, existem dificuldades de interação, uma resistência afetivaelevada frente à necessidade de interagir com a interface e a acessibilidade, que éparte da usabilidade que se referencia aos portadores de necessidades especiais, émínima. Um estudo de usabilidade nas interfaces que compõem o Ensino a Distânciada UAB/UnB é um dos recortes da demanda desta Análise Ergonômica. Estes problemas de usabilidade foram corroborados pelos resultados da AnáliseHeurística e a Inspeção Cognitiva. Da Análise Heurística no Portal da UAB/UnB,concluiu-se (1) que a interface do portal UAB, Figura 22, apresenta falhas no critério deOrientação e no critério de Carga Mental; (2) os Atores do processo de Ensino aDistância não conhecem o processo de produção de uma interface.Figura 22 – Interface do Portal UAB. Do Critério de Orientação da Interface UAB visa favorecer o aprendizado e autilização do sistema por usuários novatos. Nesse contexto, a interface deve orientar econduzir o usuário na interação com o sistema. Seja pela qualidade no convite ainteração do usuário com a plataforma Modlle, Figura 23, por exemplo, deveria ter umcursor intermitente convidando para interação na plataforma, seja na distribuição doformato e das palavras graficamente desorganizados que dificultam a capacidadeperceptiva do usuário. 37
  38. 38. Figura 23 – Elemento na interface UAB/UnB para entrada no Moodle Do critério de Carga Mental, a interface da UAB, apresenta, por exemplo,títulos (de telas, janelas, caixa de diálogos) e denominações longos. Necessita deconcisão e de que se minimize a carga perceptiva e cognitiva na interface. Na mesmalinha a interface possui uma alta densidade informacional. De acordo com Cybis, Betiole Faust (2007), o desempenho dos usuários é diminuído quando a densidade deinformação é muito alta. Nestes casos, a ocorrência de erros é mais provável. Além destas características mais pontuais da interface UAB/UnB, é perceptívela carência na fase de Planejamento. Outra deficiência é a hierarquização do conteúdoou seja, a Arquitetura de Informação. A partir dos dados coletados na próxima etapadesta Análise Ergonômica da Atividade, a Análise da Tarefa, esta hierarquização deveráser iniciada juntamente com as necessidades de cada público alvo a fim etapaoportuna para iniciar um estudo da estratégia de presença on line, juntamente comum estudo de Arquitetura da Informação com foco no público alvo. Outro profissional que não está inserido nesta linha de produção é o DesignerGráfico. Assim sendo, é necessário que os Atores do Ensino a Distância, principalmentea Equipe Interna, compreenda o Processo de produção de uma interface eletrônica.Conforme ilustra Figura 23, o processo enceta por meio de um Profissional doPlanejamento. 38
  39. 39. Planejamento Criação Sistemas Figura 23 – Processo de Produção de um Sítio Eletrônico. O Profissional de Planejamento é quem deve elaborar uma Estratégia dePresença. A Estratégia de Presença é um estudo que determinará como a Internetpoderá ajudar a UAB/UnB a alcançar seus objetivos instrucionais e Institucionais. Tal como orienta a Resolução 7, que estabelece regras e diretrizes para os sítiosna Internet da Administração Pública Federal, em seu artigo terceiro, que versa sobre aelaboração de um sítio governamental deverá ser precedida pela: (i) definição clara dopropósito e abrangência do sítio; (ii) verificação de sítios com igual propósito.Consonante com as Diretrizes, o Planejamento tem por primeiro passo a definiçãoclara do propósito e da abrangência do sítio e como segundo passo a elaboração deum roteiro com a lista dos cinco sítios que deverão ser estudados e doestabelecimento de quais os aspectos relevantes a serem considerados. Após este Estudo, é elaborada uma Matriz de Escopo que deverá descrever asfuncionalidades e conteúdos que devem estar no sítio, juntamente com a devidapriorização de cada uma destas funcionalidades e conteúdos. A Matriz de Escopo deveser validada e priorizada com os Atores do Ensino a Distância e subsidiará o trabalhoda Criação. Por sua vez, a Criação é composta de no mínimo três expertises: (1) aArquitetura de Informação que se responsabilizará pela organização da informação noprojeto do sítio, que será uma solução de compromisso entre a tarefa, a conduta, aexperiência, as expectativas e necessidades dos usuários na solução a ser construída 39
  40. 40. como também aos objetivos, às políticas e à cultura da UAB/UnB. De posse do estudode Arquitetura de Informação, o (2) Design, se responsabilizará pela concepção visualdo sítio. Por fim, o (3) Conteudista, se responsabilizará pela parte de redação daArquitetura de Informação e de textos no sítio. Planejamento Design Conteudista Responsável pela organização da Responsável pela Responsável pela informação advinda da tarefa, da concepção visual redação na interface conduta, da experiência, das dos projetos expectativas e necessidades dosusuários na solução a ser construída Figura 24 – Etapas da Criação. Estas, portanto, são as etapas da linha de produção do trabalho imaterial queestão sendo descuradas por desconhecimento do ciclo de produção do trabalhodesenvolvido no processo de produção de uma interface. Quanto a interface do Moddle, a Análise Heurística na Interface do Moodleconcluiu-se (1) que a interface apresenta falhas no critério de o critério de Significadoe Códigos, a Densidade Informacional e Orientação. Quanto aos resultados daInspeção Cognitiva, os resultados apontaram sérios problemas de usabilidade nocritério de Orientação e no de Compatibilidade. O estudo concluiu também que o afetode aversão é suscitado quando da necessidade de um usuário novato interagir com aferramenta Moodle. A Inspeção Cognitiva visou vislumbrar o processo de resolução de problemasrealizando uma única tarefa que deveria ser simples: a tarefa de compartilhar umarquivo de PowerPoint na plataforma. Nenhuns dos 40 alunos novatos se dispuseram arealizar a tarefa. O afeto suscitado nos Alunos foi o de aversão. O Pesquisador nãoofereceu recompensa nem ao menos estimulou a interação. Assim sendo, oPesquisador, logando-se como Professor da disciplina, iniciou a tarefa. O Pesquisadorconseguiu completar a tarefa com o tempo de 10 minutos e 8 segundos. A tarefa foigravada com o software Camtasia, conforme ilustra Figura 25. O tempo aferido é alto, 40
  41. 41. ainda mais se considerarmos que o pesquisador com 20 anos de experiência emusabilidade e navegabilidade em Interfaces. Os resultados corroboram com osresultados dos demais procedimentos: a interface possui problemas de usabilidade.Entretanto estes problemas são suplantados. Todavia a um relevante custo afetivo dousuário. A interação com a plataforma Moodle suscitou no pesquisador o afeto delassidão. Figura 25 – Inspeção Cognitiva gravada pelo software Camtasia. Já quanto ao critério Significação dos Códigos, que diz respeito à adequaçãoentre o objeto ou a informação apresentada e sua referência, a interface apresentauma ausência de elementos gráficos. De acordo com estudo de Santos-Lima (2009),alguns usuários percebem e navegam por meio de um elemento visual e outrosusuários percebem o elemento fonte, neste estudo o autor correlaciona estaatribuição da preferência ao significado que o usuário atribuía ao serviço: significadoutilitário e significado simbólico simbólico. Segundo Nepomuceno & Torres (2005), osignificado atribuído a um produto ou serviço é o resultado das emoções ousentimentos (componente afetivo) que a pessoa obteve a partir da experiência com oobjeto (produto ou serviço). Essa experiência é mediada pelas informações econhecimentos (componente cognitivo) prévios ao contato com o objeto e que geramuma probabilidade de reação positiva ou negativa, frente ao mesmo (componentecomportamental conativo). Ora, se é uma necessidade do atual estado da arte doEnsino a Distância a evocação do afeto dentro de uma perspectiva positiva, se quandoa codificação é significativa, a evocação da representação para ação, o 41
  42. 42. reconhecimento, a recordação são melhores. Se códigos e denominações nãosignificativos para os usuários podem sugerir operações inadequadas para o contextopromovendo ruídos na usabilidade (Scapin, 1991). Se estudos comprovam queusuários percebem imagens e outros usuários fontes. Portanto é factível propor que ainterface tanto do Moodle quanto do portal UAB/UnB sejam acrescidas de imagensque se referenciam com que o vocabulário representa. Sugere-se que estarecomendação seja implementada antes mesmo da Análise da Tarefa, algunselementos visuais significativos com que o vocabulário representa na interface doMoodle e do portal UAB/UnB. Recomenda-se também, inclusive por ser uma norma da resolução 7, oestabelecimento de indicadores de satisfação nas interfaces do processo de Ensino aDistância da UAB/UnB. Seguem-se as recomendações dos Professores. i. Melhorar a plataforma em relação ao feedback dos pólos e Alunos visando a melhoria da interatividade; ii. Que a plataforma permita um suporte maior em relação a envio de vídeos de forma a poder prover a experiência dos pólos; iii. Que a plataforma também permita que seja realizada a resposta da correção da atividade dos trabalhos desempenhados e enviados pelos Alunos na própria plataforma. Estas três recomendações procedem e incrementa a interatividade. Esforços devem ser aplicados a fim de proceder a estas recomendações o mais breve possível; iv. Particionar a nota da prova, que no sistema só se permite inserir nota inteira. Esta recomendação pontual deve ser repassada a área de sistema da Equipe Interna da UAB a fim de validá-la. v. Por fim, os Professores também sugerem que seja implantada uma ação motivacional a fim de que haja mais comprometimento e envolvimento entre as equipes, outros acham que os problemas devem-se ao fato de qe não há: “uma cultura de acesso digital”. I- A última sugestão proposta pelos Professores cabe mais a eles. Interessanteperceber que o julgamento realizado ao outro pode, por vezes competir mais a quem 42
  43. 43. emite o juízo de valor. Não há cultura de acesso digital. Contudo por quem? Maiorenvolvimento, de quem? Maior comprometimento, de quem? Talvez na complexidade,para estes profissionais, de utilizarem uma ferramenta com a qual não possuemfamiliaridade, e ainda assim talvez pela existência de problemas de usabilidadetransformem a interação numa atividade cognitivamente fadigosa, os Professorestenham apresentado tal inquietação motivacional “ao outro”. Estudos apontarãopossíveis causalidades ou correlações.Coordenadores Os Coordenadores altercaram com intensidade de problemas de usabilidadecom a plataforma Moodle. Na ótica dos Coordenadores é UAB/UnB quem deve provermeios para fornecer treinamento a os Alunos a fim de que os mesmos aprendam anavegar a interagir com a interface. Esta intensidade de reclamação dos problemas deusabilidade podem ser percebidas na quantidade e variabilidade de verbalizações, asaber: “isso aqui não conversa comigo, eu saio”; “isto me embaralha a vista. Não metraz a percepção de um bom dialogo”; “parece-me que está meio poluída”; “uma vezlogado, por tentativas e erros vou encontrando o que quero”; “Importante designarum profissional com formação própria na área para alimentar este portal, ele éestático”; “Uma coisa feia, sem apelo gráfico, que parece-me ser importante. Se nãotem este apelo a interação fica prejudicada”. Na crença dos Coordenadores é a pessoa quem deve se adaptar à interface. Aergonomia preconiza o oposto, na visão desta área do conhecimento é a tecnologiaque deve se adaptar à pessoa. Entretanto visto que o Moodle possui dificuldades deser reconfigurado, neste contexto é oportuno que seja realizado algum material quepossa fornecer um treinamento básico aos Alunos. Este treinamento carece de umestudo para que seja pensada a melhor forma de realizar a formação ou mesmo queseja realizado algum material educativo a ser disponibilizado aos Alunos debutantes. Um coordenador mostrou consciência quanto aos caminhos que devem serpercorridos no EaD: “Deveríamos compartilhar o conhecimento. Poderíamos estar 43
  44. 44. compartilhando a educação por aqui” (pela plataforma); prosseguiu: “ o problema adistancia é gerar interação – uma das questões é gerar a interação com os colegas.Eles estão verdadeiramente interagindo?” Tal como os Professores, além da queixa veemente referente à usabilidade,quando solicitados a interagirem no sistema, os Coordenadores aparentarampossuírem dificuldades de familiaridade com o artefato tecnológico. Assim, a mesmapressuposição cabe aos dois públicos: um problema cultural. Seguem-se as sugestões oferecidas pelos Coordenadores: I- Comunicar-se pela plataforma – entre todos os Atores do EaD UAB/UnB. É esta justamente uma das metas da análise ergonômica no Ensino a Distância em curso;II - Fóruns, construção conjunta de textos (Wiki). Esta sugestão procede, deve ser um objetivo dos Atores do processo, entretanto é necessário uma mudança de cultura em todos os Atores do processo educativo on line.III - Melhora na Arquitetura de Informação da interface. Esta sugestão procede em muito e será uma conseqüência natural deste trabalho.IV - Questão da Senha. A senha dos profissionais que logam na plataforma Moodle é composta de letras maiúsculas, minúsculas e números. Ao levar esta demanda à Equipe Interna (área tecnológica) a resposta foi que alguns Professores colocam senha muito fácil tal como 123456. Neste sentido o comando da área optou pela complexidade mostrando relutância em modificar. [Apesar de (do dedo eu enxergo o tamanho do elefante)] A medida evidencia a cultura tecnocêntrica da equipe tecnológica interna. O que deve-se compreender é que a memória humana de curto termo, segundo Miller (1956), possui uma capacidade limitada de sete, mais ou menos dois itens para objetos sem significado. Ou seja, utilizamos de cinco a nove representações mentais sem significado em nosso modelo mental para poder realizar a atividade o que já sobrecarrega cognitivamente o profissional, pontua-se, também a dificuldade de memorização desta formatação de senha. 44
  45. 45. V- Um coordenador de pólo apontou prudentemente que a proposta político pedagógica é uma questão nevrálgica na relação UAB – Pólo. A elaboração desta proposta tem que estar em consonância com as necessidades dos Alunos do pólo. Caso contrário pode promover a evasão.Alunos Os Alunos não apresentaram graves problemas de interatividade com asinterfaces. Entretanto vale notificar que os Alunos que fazem parte da amostra desteestudo apenas Alunos experientes na interação com a plataforma. Assim sendo,aprenderam a suplantar os obstáculos de usabilidade e adaptaram-se às dificuldades. Épatente a presença de ruídos e obstáculos que caracterizam os problemas deusabilidade nas interfaces do EaD UAB/UnB. Segundo Cybis (2002) a taxonomia dosproblemas de usabilidade é classificada, em relação à estrutura, como: (a) Barreira,quando o usuário esbarra sucessivas vezes e não suplanta um problema deusabilidade; (b) Obstáculo, quando o usuário esbarra em um problema de usabilidade,contudo aprende a suplantá-lo; e (c) Ruído, quando um aspecto da interface, sem quese constitua em barreira ou obstáculo, causa uma diminuição do desempenho dousuário sobre a tarefa. O bom apontamento no que se refere à usabilidade dasinterfaces é que não há barreiras na interatividade. As queixa dos Alunos constituem-se nas ferramentas interativa (Fórum,principalmente) e, sobretudo quanto a interatividade entre os Atores do processo deEnsino a Distância UAB/UnB (entre os próprios Alunos com Tutores a distancia eProfessores autores) e à forma de educar pelo ambiente virtual: “UM ENSINAR ADISTÂNCIA, BEM DISTANTE”. A verbalização impacta pela concisão e é similar averbalização apresentada por um Tutor presencial. Em concordância com Ferreira (2008), os benefícios na utilização da EaD sópodem ser garantidos se essa educação não for concebida apenas como o uso demídias e mediações tecnológicas, e sim por Professores qualificados e interessados emdesenvolver a si próprios e seus Alunos com vistas à formação humana – ainda quedistanciados fisicamente. Desenvolver este processo de comunicação on-line para a 45
  46. 46. formação do Ser Humano é, sem dúvida, uma dos grandes desafios da EaD, pois ainteração entre os Alunos e Professores permanecerá como o eixo principal daeducação. Vieira (2011) preconiza que a educação à distância precisa ser realizadacomo educação e não como simples processo de transmissão de conhecimento, e apartir da necessidade de desenvolver uma cultura de interação, colaboração eaprendizado em rede nesta comunidades acadêmica. Nesta medida a autora pontuaque professor tem um importante papel neste ambiente de aprendizagem, pois, alémde mediar o compartilhamento de informação e conhecimento entre os participantes,busca a re-alimentação direta para os Alunos enquanto cria um ambiente amistosopara cultivar o aprendizado por meio da retroalimentação provocada pela própriaequipe, desenvolvendo assim um processo de intensa interatividade. É necessário,portanto os Professores assumam novos papéis e redimensionem suas práticas. O ensino não é meramente cognitivo, é também afetivo. Necessita que sejamsuperados alguns princípios de sustentação dos modelos pedagógicos tradicionais.Princípios estes que Neder (2000) lista a fim de exemplificar: a) o indivíduo razão é superado pela compreensão de um indíviduo indiviso, que constrói o conhecimento usando sensações, as emoções, a razão e a intuição; b) o currículo deixa de ser um pacote, um rol de disciplinas ou matérias para se compreendido como uma prática social, construída das relações entre os sujeito da prática escolar; c) o professor como centro da relação pedagógica perde sentido ao se ter na relação entre sujeito/objeto a possibilidade do conhecimento; d) o conhecimento deixa de ser visto como coisa estática e passa a ser compreendido como processo; e) a separação sujeito/objeto/processo de observação não se sustenta tendo em vista a compreensão de que o conhecimento é produzido através da relação indissociável entre essas três variáveis; f) a dimensão tempo/espaço deixa de ser compreendida como coisa, objetivada, para ser pensada como dimensão subjetiva do sujeito. 46
  47. 47. Segundo Rojas (2002), grande diferencial no desenvolvimento do ambiente deensino on line é a participação ativa do estudante no processo pedagógico criandosuas próprias experiências de aprendizagem. Como salienta Dillenbourg (2003) osestudantes não estão restritos a consultar as informações no ambiente virtual, eles setornam produtores da informação, participantes do jogo. Real & CorbellinI (2011) salientam que a cooperação é um propiciador de novasidéias entre os Atores do processo. O professor ao propiciar o espaço de trocas, deintercâmbio de idéias, possibilita que os discentes por meio do acesso aos trabalhosdos colegas, pudessem cooperar e se questionar sobre os seus próprios trabalhos,modificando-os, acrescentando, (re) escrevendo-os, o que podemos conceituar comouma “inteligência coletiva”. Desta maneira, a criação ocorre onde o ser humanointervém: imaginando, tecendo novas teias, modificando organizações pré-existentes,alterando contextos institucionalizados... Por menor que possa ser esta alteração,quando ela se produz em uma rede, ou seja, em um trabalho cooperativo, não temoscomo prever a dimensão que ela pode assumir, pois as contribuições se acrescem, sepermeiam, se interrelacionam e dão origem a novos saberes e desta forma, sim, flui otrabalho imaterial no qual se deve desenvolver a modalidade de ensino pro meio daInternet. Os Alunos, porém, exaltaram o processo educativo presencial (Tutoraspresenciais) como o diferencial do aprendizado a distância da UAB/UnB. Reis (2008)destaca o papel do Tutor como elemento mediador entre os Alunos e a instituição,ainda que sua função esteja pouco potencializada nas universidades analisadas,segundo a opinião dos Alunos. Os ambientes de aprendizagem a distância precisamprever estratégias que possam responder a um elemento constitutivo do ser humano:a imprevisibilidade. Nesse sentido, o Tutor é um elemento chave nesse modelo deensino e sua função precisa ser mais bem viabilizada. As sessões de Tutoria são umtempo em que se compartilham distintos níveis de conhecimento, de inquietudes e deemoções. Portanto, põe em relevo o papel da comunicação interpessoal. Não é umtrabalho solitário, mas coletivo, em que se tecem múltiplas relações, as quais 47
  48. 48. ultrapassam a mera transmissão de conteúdo. No estudo de Reis (2008), as análisescolocaram em relevo os processos de interação comunicativa no Ensino a Distânciaque privilegiam o diálogo, o respeito e a afetividade. Não deixando de mencionar queos depoimentos dos Alunos e Tutores recuperam um aspecto muito importante daaprendizagem, que contraria o excesso de racionalismo e objetividade presentes emalgumas práticas educativas: a importância das relações interpessoais que dinamizame vitalizam os espaços comunicativos. 48
  49. 49. 5. Conclusão Este trabalho tem por objetivo apresentar os resultados parciais encontradosda Análise Ergonômica da Atividade no Ensino a Distância, mais especificamente osresultados da etapa de Análise da Demanda que determina o recorte que será o fiocondutor da Análise da Tarefa, etapa subsequente a Análise da Demanda eantecedente a Análise da Atividade. Este estudo teve por limitação a Amostra,faltaram alunos dos Pólos inexperientes na plataforma e de Atores de outros Polosatendidos pela UAB/UnB. Além de atender os objetivos da Análise da Demanda, o estudo gerou algumaspropostas de melhoria descritas nos resultados e discussão, como também vislumbroupropostas de estudos, são eles: (A) qual a conduta do Professor com relação àinteratividade, estudos contribuirão para compreensão das causas que levam a umaconduta “distante” frente ao ensino; (B) quais seriam os limitadores ou os entravespara que seja de fato implementada uma cultura no ensino a distância colaborativa(Wiki) que promova a cognição compartilhada; (C) estudos de avaliação denecessidades de treinamento para que orientem a melhor formatação de umaformação dos Atores do Processo no Ensino a Distância bem como de qual materialdeve ser elaborado para esta formação; (D) qual a formalização mínima de umplanejamento educacional com base em parâmetros de interatividade. Assim sendo os recortes da demanda desta Análise Ergonômica da Atividade noEnsino à Distância são apresentados como questões: (1) qual os problemas deusabilidade que bloqueiam, dificultam, retardam o processo de navegabilidade no sítiode Internet da UAB e na Interface da ferramenta Moodle? (2) Há necessidade detreinamento dos Atores do processo de ensino e aprendizagem a distância? (3) QualFormação? (4) Existe necessidade de produção de material? (5) Qual material? (6) Hánecessidade de realização de guias de estudo? (7) Há possibilidade de melhorias nasFerramentas interativas? (8) possibilidade de utilização de alguma outra tecnologia?(9) Quais as condições sócio-técnicas dos pólos? (10) Qual expertise do pólo deve sercompartilhada? (11) Qual o impacto da EaD/UAB/UnB na comunidade? (12) Qual aforma de planejamento padrão mínimo para construção da disciplina na plataforma 49
  50. 50. Moodle? (13) Qual a Familiaridade dos Atores do Processo? (14) Qual a necessidade deformação da Comunidade? Assim sendo, o objetivo da Análise da Demanda, que é o de estabelecer osrecortes da Análise Ergonômica da Atividade foi desempenhado. As interfacespossuem de fato problemas de usabilidade, e a questão da formação dos atores doprocesso de Ensino a Distância mostrou-se de soberana importância. Para Análise daTarefa será necessário um levantamento das necessidades de formação juntamentecom as distintas categorias dos Atores do EaD. Será foco da Análise da Tarefa umaAvaliação Heurística com profissionais de distintas formações: um Designer, umprofissional de Arquitetura de Informação, um profissional da área de Sistemas e dePlanejamento são indispensáveis, bem como será foco, também a definição dosaspectos a serem verificados na Análise da Atividade de interação. É escopo da Análiseda Tarefa a identificação das melhores práticas de campus virtuais a fim de subsidiar aEstratégia de Presença on line, a Matriz de Escopo bem como a hierarquização doconteúdo e a Macroarquitetura de Informação. Documentos estes que serão validadosna etapa de Análise da Atividade. 50
  51. 51. 6. Referências BibliográficasABRAHÃO, JULIA ISSY. SILVINO, ALEXANDRE MAGNO. e SARMET, MAURICIO MIRANDA.Ergonomia, Cognição e trabalho Informatizado. Psicologia: teoria e Pesquisa. Mai-Ago,Vol 21, n 2 pp163-171, 2005.ABRAHÃO, JULIA ISSY. Ergonomia: modelos, métodos e técnicas. Em 2º CongressoLatinoamericano e 6º Seminário Brasileiro de Ergonomia, UnB/IP, 1993.BASTIEN, C. (Validation de Criteres Ergonomiques Pour L’evaluation D’interfacesutilisateurs. Rapports de Recherche, no 1427, INRIA-ROCQUENCOURT. França, 1991.COSTA, LUCIANO A. CARVALHO & FRANCO, SÉRGIO R. KIELING. Ambientes Virtuais DeAprendizagem e suas Possibilidades Construtivistas. Revista Novas Tecnologias naEducação, V. 3 Nº 1, Maio, 2005.CYBIS, WALTER A. Ergonomia de Interfaces Homem-Computador. Apostila para o cursode Pós-Graduação em Engenharia de Produção -Universidade de Santa Catarina,Florianópolis. (última atualização 05/11/2002) disponível em:http://www.labiutil.inf.ufsc.br. Acesso em 12/12/2002.CYBIS, WALTER A. BETIOL, ADRIANA H. FAUST, RICHARD. Ergonomia e Usabilidade:Conhecimentos, Métodos e Aplicações. Ed. Novatec, São Paulo, 2007.FERREIRA, HERBERTZ. Processos interativos em ambientes virtuais de educação:desafios e superações na Educação Superior On-line. Revista de Trabalho e Educação /Sindicato dos Professores do Estado de Minas Gerais . — Nº 1 , Vol 2, 2008. Disponívelem url: http://www.sinprominas.org.br/imagensDin/arquivos/499.pdf#page=154GUÉRIN, F; LAVILLE, A., DANIELLOU F., DURAFOURG J. & KEGUELLEN A. Compreender oTrabalho para Transformá-lo. A Prática da Ergonomia. Ed Edgar Blücher LTDA. SãoPaulo, 2001.NEDER, MARIA LÚCIA CAVALLI. A orientação Acadêmica na Educação a Distância: aperspectiva de (re) significação do processo educacional. In: PRETI, Orestes (org).Educação a Distância: Construindo significados. Cuiabá: NEAD/IE – UFMT; Brasília:Plano, 2000.MARMARAS N. & KONTOGIANIS, T. Cognitive Task. Em: G. Salvendy, Handbook ofIndustrial Engineering. New York: John Wiley & Sons, 2001.MARMARAS N. & PAVARD B. Problem-driven approach to design of informationTechnology Systems Supporting Complex Cognitive Tasks. Cognition, Technology &Work, Spring-Verlag London Limited (1:222-236), 2000.PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA, COMITÊ EXECUTIVO DO GOVERNO ELETRÔNICO.Resolução No 7, de 29 de Julho de 2002. Disponível em URL:http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Resolu%C3%A7%C3%A3o/2002/RES07-02web.htm. 51
  52. 52. REAL, LUCIANE M. CORTE, CORBELLINI, SILVANA. Proposta de uso de WIKI comoArquitetura Pedagógica: Cooperação. Anais do XXII SBIE - XVII WIE. 2011. Disponívelem URL: http://www.br-ie.org/sbie-wie2011/workshops/wapsedi/wapsedi08-94977_1.pdfREATEGUI, ELISEO. Interfaces para Softwares Educativos. Revista Novas Tecnologias naEducação. UFRGS, Porto Alegre v.5, n.1, 2007.REIS, HELIANA. Modelos de Tutoria no Ensino a Distância. Biblioteca On-line deCiências da Comunicação, 2008. Disponível em Url: http://www.bocc.ubi.pt/pag/reis-hiliana-modelos-Tutoria-no-ensino-distancia.htmlROJAS, E. M. “Use of Web-based Tools to Enhance Collaborative Learning”. Journal ofEngineering Education, v. 91, n.1, p. 89 –96, 2002.SANTOS-LIMA, SERGIO L. Ergonomia Cognitiva e a Interação Pessoa-Computador:Análise Ergonômica da Urna Eletrônica 2002 e do Módulo Impressor Externo.Dissertação de Mestrado em Engenharia de Produção e Sistemas apresentada aoPrograma de Pós-graduação em Engenharia de Produção e Sistemas, UFSC, 2003.SANTOS -LIMA, SERGIO L. Estratégias Operatórias em Navegabilidade. 2009, 134f.Doutor (Doutorado em Engenharia de Produção e Sistemas) – Programa de Pós-graduação em Engenharia de Produção e Sistemas, UFSC, 2009.SCAPIN, D.L., (1986). Guide Ergonomique de Conception des Interfaces Homme-Machine. Rapports Techniques, no. 77, INRIA-ROCQUENCOURT. França, 1986.SENACH, B. L’Evaluation Ergonomique des Interfaces Homme-Machine. Une Reveu dela Literature. Em J.C. Sperandio (Org.), L’ ernomie dans la Conception des ProjectsInformatiques (pp.69-122). Tolouse Octares. Edition, 1993.SILVINO, ALEXANDRE MAGNO D. & ABRAHÃO, JULIA ISSY. Navegabilidade e inclusãosocial: usabilidade e competência. Revista de administração de empresas (FGV), 2003.SILVINO, ALEXANDRE MAGNO D. (2004). Ergonomia Cognitiva e Exclusão Digital: aCompetência como elemento de (re)Concepção de Interfaces Gráficas. Tese deDoutorado apresentada ao Instituto de Psicologia da Universidade de Brasília. UnB,Brasília.http://www.unb.br/ip/labergo/sitenovo/imgprod/AlexandreMagnoCompetenciaElemento.pdfSTERNBERG, ROBERT J. Psicologia Cognitiva. Porto Alegre: Ed. ArtMed, 2000.VIEIRA, FÁBIA M. SANTOS. Considerações Teórico-metodológicas para Elaboração eRealização de Cursos Virtuais, 2011. Disponível em URL:http://ww2.abed.org.br/visualizaDocumento.asp?Documento_ID=27 52

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