Resumos de Psicologia

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Resumos de Psicologia

  1. 1. SÉRIE CONCURSOS PÚBLICOS Resumos de Psicologia TEORIAS DA PERSONALIDADE 2ª edição Concursos PSI Empreendimentos Editorias Ltda. 2013
  2. 2. SUMÁRIO Introdução..............................................................................19 O estudo da personalidade enquanto campo científico...........................21 Determinantes Genéticos e ambientais do comportamento....................23 Capítulo 1 - Teorias Psicodinâmicas.................................27 1.1 Teoria Psicanalítica Clássica de Sigmund Freud..................................28 1.1.1 Estrutura da mente.............................................................................28 1.1.2 Dinâmica da personalidade................................................................31 1.1.3 Desenvolvimento psicossexual........................................................31 1.1.4 Sexualidade e Libido............................................................................35 1.1.5 Mecanismos de defesa..........................................................................36 1.2. Psicologia Analítica de Carl Gustav Jung.........................................40
  3. 3. 12 Resumos de Psicologia  1.2.1. Estrutura da Personalidade...........................................................40 1.2.1.1. A formação da consciência e sua estrutura funcional..41 1.2.1.2. Arquétipos e Inconsciente Coletivo.....................................43 1.2.1.3. Self e o processo de Individuação.........................................44 1.2.2. Tipos Psicológicos...............................................................................48 1.2.2.1. Atitudes:.........................................................................................50 1.2.2.2. Funções:..........................................................................................50 1.3. Psicologia Individual de Alfred Adler...............................................52 1.3.1. Interesse social.....................................................................................53 1.3.2 Self Criativo...........................................................................................53 1.3.3. Estilo de vida........................................................................................54 1.3.4. Sentimentos de inferioridade.........................................................54 1.3.5. Protesto Masculino.............................................................................55 1.3.6. Busca de superioridade.....................................................................56 1.3.7. Ordem de nascimento, experiências da infância e memórias iniciais..............................................................................56 1.3.8. A Tipologia da personalidade proposta por Adler.................58 1.4. Teoria Psicossocial do Desenvolvimento de Erik Erikson.........................................................................................59 1.4.1. Estágios do Desenvolvimento Psicossocial................................60 1.4.1.1. Confiança Básica X Desconfiança Básica............................61 1.4.1.2. Autonomia X Dúvida / Vergonha............................................62 1.4.1.3. Iniciativa X Culpa........................................................................62 1.4.1.4. Competência / Diligência X Inferioridade..........................63 1.4.1.5. Identidade X Confusão de Identidade..................................63 1.4.1.6. Intimidade X Isolamento..........................................................63 1.4.1.7. Generatividade X Estagnação.................................................64 1.4.1.8. Integridade X Desespero...........................................................64
  4. 4. Capítulo 1 Teorias Psicodinâmicas Psicanalíticas e Neoanalíticas As Teorias Psicodinâmicas são as preferidas pela maioria das bancas organizadoras e por isso devem ser estudadas com maior afinco. Os teóricos psicodinâmicos geralmente apresentam grande preocupação com a ideia de personalidade ideal e com a explicação do comportamento anormal. O enfoque central nestas teorias está nas forças dinâmicas que determinam o comportamento, cuja ênfase geral situa-se no conflito intrapsíquico e nos determinantes inconscientes. Estas abordagens apresentam grande preocupação com a noção de personalidade ideal e com o comportamento patológico. Nos concursos, costumam-se cobrar os conceitos propostos, sobretudo, pela Teoria Psicanalítica Clássica de Sigmund Freud, pela Psicologia Analítica de Carl Gustav Jung, pela Psicologia Individual de Alfred Adler e a Teoria Psicossocial do Desenvolvimento de Erik Erikson, destacando-se a frequência maior da abordagem de Freud, seguida pela de Jung e após estas, em constância menor, as de Erikson e Adler. Os demais teóricos como Melanie Klein e Karen Horney são cobrados em geral em provas para cargos clínicos com claro viés psicanalítico. Destacaremos a seguir alguns pontos das teorias da perspectiva psicodinâmica que são cobrados com maior frequência em concursos públicos.
  5. 5. 28 Resumos de Psicologia | Capítulo 1 1.1 Teoria Psicanalítica Clássica de Sigmund Freud Àqueles que alardeiam que a psicanálise está morta, devo comunicar que estão bem enganados. Freud é ainda hoje o teórico da personalidade mais conhecido e citado e, talvez por isso, seja destacadamente o mais frequente nas provas para o cargo de psicólogo. O inconveniente que há em estudar sua teoria para uma prova de concurso é a amplitude de seu modelo, distribuída em uma extensa obra. Algumas provas cobram especificidades, discutidas por Freud em um determinado texto do qual apenas um psicanalista poderia lembrar-se. Mas tenhamos calma, pois a maioria das bancas segue um roteiro básico que será apresentado ao longo deste tópico. 1.1.1 Estrutura da mente A noção de “aparelho psíquico”, como um conjunto articulado de lugares – virtuais – surge mais claramente na obra de Freud no capítulo 7 do clássico livro “A interpretação dos sonhos” de 1900. Freud empregou a palavra “aparelho” para caracterizar uma organização psíquica dividida em sistemas, ou instâncias psíquicas, com funções específicas para cada uma delas, que estão interligadas entre si, ocupando certo lugar na mente. Na primeira tópica, Freud propôs que a mente é constituída por três sistemas: o consciente (Cs), o pré-consciente (Pcs) e o inconsciente (Ics). Os sistemas consciente e pré-consciente interagem em todos os momentos, pois aquilo que é consciente num determinado momento, quando a atenção é desviada, passa ao sistema pré-consciente, cujas informações armazenadas,
  6. 6. Teorias Psicodinâmicas 29 apenas com um esforço para lembrar, passa ao sistema consciente. Já o sistema inconsciente não permite que as informações sejam lembradas, há uma energia barrando-as. Esta é a Teoria Topográfica. O sistema consciente tem a função de receber informações oriundas das excitações provenientes do exterior e do interior, que ficam registradas qualitativamente de acordo com o prazer e/ou, desprazer que elas causam, porém ele não retém esses registros e representações como depósito ou arquivo deles. A maior parte das funções perceptivo - cognitivas - motoras do ego – como as de percepção, pensamento, juízo crítico, evocação, antecipação, atividade motora, etc., processam-se no sistema consciente, embora esse funcione intimamente conjugado com o sistema inconsciente. O sistema pré-consciente foi concebido como articulado com o consciente e, tal como sugere no “Projeto para uma psicologia científica” (1895), onde aparece esboçado com o nome de “barreira de contato”, funciona como uma espécie de peneira que seleciona aquilo que pode, ou não, passar para o consciente. O sistema inconsciente designa a parte mais arcaica do aparelho psíquico. Por herança genética, existem pulsões, acrescidas das respectivas energias e “protofantasias”, como Freud denominava as possíveis “fantasias primitivas, primárias ou originais”. Não é possível abordar diretamente o inconsciente, sendo este conhecido somente por suas formações: atos falhos, sonhos, chistes e sintomas. Freud procurou uma explicação para a forma de operar do inconsciente, propondo uma estrutura particular. Na primeira tópica recorre à imagem do iceberg em que o consciente corresponde à parte visível, e o inconsciente corresponde à parte não visível, ou seja, a parte submersa do iceberg.
  7. 7. 30 Resumos de Psicologia | Capítulo 1 Freud estava preocupado em estudar o que levava à formação dos sintomas psicossomáticos (principalmente a histeria), por isso apenas os conceitos de inconsciente, pré-consciente e consciente eram suficientes. Propôs então um modelo estrutural da personalidade, e formulou explicações a partir das interrelações entre três estruturas: id, ego e superego. Segundo Freud, o id é a parte instintiva de nossa natureza, representa os processos primitivos do pensamento e constitui o reservatório das pulsões; dessa forma, toda energia envolvida na atividade humana seria advinda do id. Inicialmente, considerou que todas essas pulsões seriam ou de origem sexual, ou que atuariam no sentido de autopreservação. Posteriormente, introduziu o conceito das pulsões de morte, que atuariam no sentido contrário ao das pulsões de agregação e preservação da vida. O id é responsável pelas demandas mais primitivas e perversas. O ego atua como um mediador dentro da estrutura da personalidade humana, alternando nossas necessidades primitivas e nossas crenças éticas e morais. E a instância na qual se inclui a consciência. Um eu saudável proporciona a habilidade para adaptar-se à realidade e interagir com o mundo exterior de uma maneira que seja cômoda para o id e o superego. O superego, a parte que contra age ao id, representa os pensamentos morais e éticos da sociedade que são internalizados pelo indivíduo. O superego se desenvolve mais ou menos na época em que a criança resolve o complexo de Édipo e começa a se identificar com os pais e suas expectativas e exigências.
  8. 8. Teorias Psicodinâmicas 31 1.1.2 Dinâmica da personalidade Freud considerava que a personalidade já estava bem formada no final do quinto ano de vida e que o desenvolvimento ulterior era essencialmente a elaboração dessa estrutura básica. Conforme a psicanálise freudiana, a personalidade se desenvolve em resposta a quatro fontes importantes de tensão: 1. Processos de crescimento fisiológico; 2. Frustrações; 3. Conflitos; 4. Ameaças. Como uma consequência direta do aumento das tensões provenientes dessas fontes, o indivíduo é forçado a aprender novas formas de reduzir a tensão. Essa aprendizagem seria o desenvolvimento da personalidade. 1.1.3 Desenvolvimento psicossexual Para Freud, os primeiros anos de vida são decisivos para a formação da personalidade. Cada estágio, durante os primeiros cinco anos, é definido em termos dos modos de reação de uma zona específica do corpo. Todas as crianças progridem através dos quatro diferentes estágios de desenvolvimento, além do período de latência. O progresso através dos estágios é impulsionado pela manutenção biológica, que força o indivíduo a enfrentar as demandas inerentes a cada estágio. Em cada estágio, se os pais forem excessivamente restritivos ou indulgentes, a criança pode desenvolver fixações ou complexos associados a um estágio. A fixação e o complexo são conflitos inconscientes não resolvidos. Na teoria freudiana, os estágios tradicionais do desenvolvimento psicossexual são:
  9. 9. 32 Resumos de Psicologia | Capítulo 1 • Oral: Período – do nascimento a 1 ano aproximadamente. Características principais: A região do corpo que proporciona maior prazer à criança é a boca. A zona secundária desta fase é o sistema digestivo. É pela boca que a criança entra em contato com o mundo; é por esta razão que a criança pequena tende a levar tudo o que pega à boca. O principal objeto de desejo nesta fase é o seio da mãe, que, além de alimentá-la, proporciona satisfação ao bebê. É a fase de reconhecimento do externo. Cores primárias e vibrantes despertam a atenção das crianças nessa fase. Envolve a fantasia de incorporação pela ingestão de alimentos. A boca é a zona erotizada. 1ª Etapa da Fase Oral → sucção; a incorporação e mais ativa, energia psíquica libidinal; 2ª Etapa da Fase Oral → canibal; inicia-se com a eclosão dos dentes, energia psíquica agressiva. Mecanismos de Defesa da Fase Oral: projeção, introjeção, cisão e negação. • Fase Anal: Período – 2 a 4 anos aproximadamente. Características: Neste período a criança passa a adquirir o controle dos esfíncteres e a zona de maior satisfação é a região do ânus. A criança descobre que pode controlar as fezes que saem de seu interior, oferecendo-as à mãe ora como um presente, ora como algo agressivo.
  10. 10. Teorias Psicodinâmicas 33 Nesta etapa que a criança começa a ter noção de higiene. Ela começa a ter noção de posse e quer pegar os objetos, tocá-los e ver que aquilo faz parte de algo fora do limite do seu corpo. Envolve as sensações obtidas por meio do controle dos esfíncteres do corpo. É marcada pelo ensaio para autonomia (estão mais desafiadores) e é a fase narcísica, do autoerotismo. Etapas (ou aspectos) da Fase Anal: expulsiva e retentiva – acontecem concomitantemente. Mecanismos de Defesa da Fase Anal: formação reativa, isolamento do sentimento e anulação. • Fase Fálica: Período – de 4 a 6 anos aproximadamente. Características: Nesta etapa do desenvolvimento, a atenção da criança voltase para a região genital e ela apresenta um forte comportamento narcisista, de representação de si, quando cria uma grandiosa imagem de si mesma. Inicialmente a criança não imagina que existam diferenças anatômicas e acredita que homens e mulheres têm anatomias semelhantes. Ao serem defrontadas com as diferenças anatômicas entre os sexos, as crianças criam as chamadas “teorias sexuais infantis”, imaginando que as meninas não têm pênis porque este órgão lhe foi arrancado (complexo de castração). As meninas veem-se incompletas (por causa da ausência e consequente inveja do pênis). Neste período surge o complexo de Édipo, no qual o menino passa a apresentar uma atração pela mãe e a se rivalizar com o pai, e na menina ocorre o inverso. Ocorre a busca pelos objetos, e o fim da fase narcísica.
  11. 11. 34 Resumos de Psicologia | Capítulo 1 Esta fase é marcada pelos questionamentos (fase dos porquês). A criança entende que há objetos exteriores a ela; Fantasia da Cena Primária (pai e mãe em coito); dá-se o complexo de Édipo (relação triangular); angústia de castração; ocorre a reestruturação do ego e emerge o superego. Vicissitudes do voyeurismo e exibicionismo. • Fase de Latência: Período – de 6 a 11 anos aproximadamente. Características: Este período tem por característica principal um deslocamento da libido da sexualidade para atividades socialmente aceitas, ou seja, a criança passa a gastar sua energia em atividades sociais e escolares. E o investimento no outro, em coisas do exterior. Os impulsos e a catexia são reprimidos, ocorre a sublimação para áreas de aprendizagem e formação. Mecanismos de defesa da Fase da Latência: racionalização, sublimação. • Fase Genital: Período – a partir de 11 anos. Características: Neste período, que tem início com a adolescência, há uma retomada dos impulsos sexuais, o adolescente passa a buscar, em pessoas fora de seu grupo familiar, um objeto de amor. A adolescência é um período de mudanças no qual o jovem tem que elaborar a perda da identidade infantil e dos pais, da infância, para que gradativamente possa assumir uma identidade adulta. Ele procura se diferenciar do outro, ao mesmo tempo em que procura se inserir num grupo com estilos e gostos próprios. Ocorre a busca de uma identificação extraparental.
  12. 12. Teorias Psicodinâmicas 35 1.1.4 Sexualidade e Libido 99 Libido: é uma fonte original de energia afetiva que mobiliza o organismo na perseguição de seus objetivos. 99 A libido sofre progressivas organizações durante o desenvolvimento, em torno de zonas erógenas corporais. 99 Uma fase de desenvolvimento e uma organização da libido em torno de uma zona erógena, criando uma fantasia básica e um tipo de relação de objeto. 99 A libido é uma energia voltada para a obtenção de prazer. 99 É uma energia sexual no sentido de que toda busca por afeto ou prazer é erótica ou sexual 99 Há uma tendência natural para o desenvolvimento sucessivo das fases. 99 Caso surja uma angústia muito forte num dado momento da evolução, como resultado do temor de se ligar a um objeto, cria-se um ponto de fixação. 99 A fixação é um momento no processo evolutivo onde paramos, por não poder satisfazer um desejo. 99 O ego se torna mais frágil. 99 Se a angústia for muito forte, ocorre a regressão. 99 A neurose e definida por Freud como um infantilismo psíquico.
  13. 13. 36 Resumos de Psicologia | Capítulo 1 1.1.5 Mecanismos de defesa Os mecanismos de defesa são os diversos tipos de processos psíquicos, cuja finalidade consiste em afastar um evento gerador de angústia da percepção consciente. Os mecanismos de defesa são funções do Ego e, por definição, inconscientes. Os mecanismos de defesa podem ser considerados eficazes, quando conseguem eliminar o fato rejeitado; ou ineficazes, quando nunca o eliminam, perpetuando assim as ações defensivas do indivíduo. Se a defesa foi eficaz, raramente haverá uma neurose de muita importância a ser tratada. Entretanto, quando uma defesa é caracterizada pela necessidade permanente de comportamentos substitutivos para evitar que o objeto verdadeiro do instinto apareça, ela não é uma defesa eficaz, pois necessita de ação permanente do indivíduo mais em busca de um autoconvencimento do que do convencimento da própria sociedade, e esse comportamento é um padrão neurótico que deve ser tratado. Repressão – É a operação psíquica que pretende impedir que pensamentos dolorosos ou perigosos cheguem à consciência. Busca fazer desaparecer da consciência impulsos ameaçadores, sentimentos, desejos, ou seja, ideias desagradáveis ou inoportunas. É o principal mecanismo de defesa, do qual se derivam os demais. Um acontecimento que por algum motivo envergonha uma pessoa pode ser completamente esquecido e se tornar não evocável. Negação – É a tentativa de não aceitar na consciência algum fato que perturba o Ego. Os adultos têm a tendência de fantasiar que certos acontecimentos não
  14. 14. Teorias Psicodinâmicas 37 são, de fato, do jeito que são, ou que na verdade nunca aconteceram. Este voo de fantasia pode tomar várias formas, algumas das quais parecem absurdas ao observador objetivo. A notável capacidade de lembrar-se incorretamente de fatos é a forma de negação encontrada com maior frequência na prática psicoterápica. O paciente recorda-se de um acontecimento de forma vivida, depois, mais tarde, pode lembrar-se do incidente de maneira diferente e, de súbito, dar-se conta de que a primeira versão era uma construção defensiva. Projeção – O ato de atribuir a outra pessoa, animal ou objeto as qualidades, sentimentos ou intenções que se originam em si próprio, é denominado projeção. Manifesta-se quando o Ego não aceita reconhecer um impulso inaceitável do Id e o atribui a outra pessoa. É um mecanismo de defesa através do qual os aspectos da personalidade de um indivíduo são deslocados de dentro deste para o meio externo. Quando nos sentimos maus, ou quando vivenciamos um evento doloroso e de nossa responsabilidade, tendemos a projetá-lo no mundo externo, o qual a nosso ver assumirá as características daquilo que não podemos ver em nós. A ameaça é tratada como se fosse uma força externa. A pessoa com Projeção pode, então, lidar com sentimentos reais, mas sem admitir ou estar consciente do fato de que a ideia ou comportamento temido é dela mesma. O extremo do funcionamento por mecanismos projetivos é a paranoia, pois a pessoa passa a ver todo mundo como perseguidor. Formação Reativa – Caracteriza-se por uma atitude ou um hábito psicológico com sentido oposto ao desejo recalcado. Esse mecanismo substitui comportamentos e sentimentos que são diretamente opostos ao desejo real. Trata-se de uma inversão clara e, em geral, inconsciente do verdadeiro desejo.
  15. 15. 38 Resumos de Psicologia | Capítulo 1 Como outros mecanismos de defesa, as formações reativas são desenvolvidas, em primeiro lugar, na infância. As crianças, assim como incontáveis adultos, tornam-se conscientes da excitação sexual que não pode ser satisfeita, evocam consequentemente forças psíquicas opostas, a fim de suprimirem efetivamente este desprazer. Para essa supressão elas costumam construir barreiras mentais contrárias ao verdadeiro sentimento sexual, como, por exemplo, a repugnância, a vergonha e a moralidade. Não só a ideia original é reprimida, mas qualquer vergonha ou autorreprovação que poderiam surgir, ao admitir tais pensamentos em si próprios, também são excluídas da consciência. Infelizmente, os efeitos colaterais da Formação Reativa podem prejudicar os relacionamentos sociais. As principais características reveladoras de Formação Reativa são seu excesso, sua rigidez e sua extravagância. O impulso, sendo negado, tem que ser cada vez mais ocultado. Deslocamento – É o processo psíquico através do qual o todo é representado por uma parte ou vice-versa. Também pode ser uma ideia representada por outra, que, emocionalmente, esteja associada a ela. Esse mecanismo não tem qualquer compromisso com a lógica. É muito corrente nos sonhos, onde uma coisa representa outra. Também se manifesta na Transferência, fazendo com que o indivíduo apresente sentimentos em relação a uma pessoa que, na verdade, lhe representa outra do seu passado. A importância, o interesse, a intensidade de uma representação são suscetíveis de se destacar desta para passar a outras representações originariamente pouco intensas, ligadas à primeira por uma cadeia associativa.
  16. 16. Teorias Psicodinâmicas 39 Esse fenômeno, particularmente visível na análise do sonho, encontra-se na formação dos sintomas psiconeuróticos e, de um modo geral, em todas as formações do inconsciente. A teoria psicanalítica do deslocamento apela para a hipótese econômica de uma energia de investimento suscetível de se desligar das representações e de deslizar por caminhos associativos. O “livre” deslocamento desta energia é uma das principais características do modo como o processo primário rege o funcionamento do sistema inconsciente. Racionalização – É uma forma de substituir por boas razões uma determinada conduta que exija explicações, de um modo geral, da parte de quem a adota. É um processo pelo qual o sujeito procura apresentar uma explicação coerente do ponto de vista lógico, ou aceitável do ponto de vista moral, para uma atitude, uma ação, uma ideia, um sentimento, etc., cujos motivos verdadeiros não percebe. Fala-se mais especialmente da racionalização de um sintoma, de uma compulsão defensiva, de uma formação reativa. A racionalização intervém também no delírio, resultando numa sistematização mais ou menos acentuada. Como exemplos, encontraremos racionalizações de sintomas, neuróticos ou perversos (comportamento homossexual masculino explicado pela superioridade intelectual e estética do homem) ou compulsões defensivas (ritual alimentar explicado por preocupações de higiene). A racionalização é um mecanismo típico do neurótico obsessivo.

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