Economia material de apoio (microeconomia)

33,391 views

Published on

Material de apoio aula de economia

Published in: Education
1 Comment
11 Likes
Statistics
Notes
No Downloads
Views
Total views
33,391
On SlideShare
0
From Embeds
0
Number of Embeds
19
Actions
Shares
0
Downloads
560
Comments
1
Likes
11
Embeds 0
No embeds

No notes for slide

Economia material de apoio (microeconomia)

  1. 1. MATERIAL DE APOIO ECONOMIAPROF. CLAUDIO MARQUES DA SILVA 1
  2. 2. Uma definição clássica de economia pode ser entendidada seguinte forma: Economia é a ciência que estuda como o homem e asociedade utilizam os recursos disponíveis buscando melhorestécnicas e diversos usos alternativos para produção, distribuiçãoe consumo de bens e serviços com o intuito de satisfazer suasnecessidades.1.5. Bens, serviços e fatores de produção Um bem é tudo aquilo (qualquer coisa) que possasatisfazer uma ou mais necessidades do ser humano.1.5.1. Uma classificação para os bens Quanto à raridade os bens podem ser classificados em: Bens livres: bens que não têm valor monetário, sãoilimitados e não participam do mercado. Ex.: ar, água do mar,raios solares, etc. Bens econômicos: bens que têm valor monetário, sãolimitados e participam do mercado. Ex.: carro, casa, roupa,alimentos, etc. Os bens econômicos podem ser divididos, quanto ànatureza, em bens materiais e imateriais: Bens imateriais (intangíveis). Ex.: serviços. Bens materiais (tangíveis) são classificados, quanto aodestino, em bens de consumo e bens de produção: - Bens de consumo. Aqueles que satisfazem diretamenteas necessidades humanas. Podem ser bens de consumo nãoduráveis, ou seja, que desaparecem assim que forem utilizados.São bens perecíveis. Ex. mais comum: alimentos. E bens deconsumo duráveis. Aqueles que podem ser utilizados durante2
  3. 3. um período longo de tempo Ex.: roupas, eletrodomésticos, etc. - Bens de capital ou produção. Aqueles que possibilitamproduzir outros bens. Ex.: máquinas, equipamentos, instalações,etc.1.5.2. Outra classificação Bens intermediários: bens utilizados para produziroutros bens. Ex.: geralmente matérias-primas e insumos. Osbens de capital são, também, considerados bens intermediários visto que são utilizados para produzir outros bens. Bens finais: são bens que já passaram por todo oprocesso produtivo e estão acabados. Podem ser os bens deconsumo adquiridos pelo consumidor ou os bens de capitaladquiridos pela empresa. Portanto, os bens de consumo podem ser apenas bensfinais. Os bens de capital podem ser bens finais ouintermediários dependendo do seu destino. Um exemplo podeser os transportes coletivos que são bens de capital para aempresa e bens de consumo para o usuário.1.5.3. Fatores de produção Os fatores de produção são os recursos utilizados noprocesso produtivo para a produção de bens e na prestação deserviços. Tradicionalmente, os fatores de produção eramconsiderados apenas: terra, trabalho e capital. Recentementeoutros recursos são considerados fatores de produção como acapacidade empresarial e a ciência e tecnologia. 3
  4. 4. Terra: o fator terra é utilizado para a produção agrícola,extração de minerais, instalação industrial, construção civil, etc.A utilização maior ou menor desse fator vai depender de suadimensão, disponibilidade, localização geográfica, investi-mentos tecnológicos no setor, etc. Trabalho: o fator trabalho é toda a atividade humanafísica ou intelectual voltada para a produção. Capital: são os meios de produção gerados pelo trabalhoe utilizados para produzir outros bens. Ex.: máquinas,equipamentos, instalações, estoques da empresa, etc. E sãorepresentados em dinheiro pela firma. Na concepção econômicacapital são recursos físicos e não financeiros. É o chamadocapital financeiro que representam fundos como ações, títulospúblicos ou privados, obrigações e outros papéis que podem serconvertidos em dinheiro ou usados para aquisição de capitalpropriamente dito. Só há crescimento econômico e geração deriqueza se houver aumento de capital. Não há aumento deriqueza se o capital financeiro aumentar sem concomitante-mente aumentar-se o capital ( indústrias, edifícios, estoques) dopaís. É importante destacar que o pensamento econômicomoderno considera a terra como um fator de capital. Aseparação terra/capital deve-se muito, provavelmente, ao fato daimportância singular da terra como geradora de bens agrícolas ematéria-prima. Capacidade empresarial: é o risco e ou a administraçãodo empreendimento empresarial. É um desafio constante para oempresário decisões de investimento ou de gerência. Taisdecisões são necessárias para o funcionamento do sistema demercado. Ciência e tecnologia: conhecimentos do homemaplicados para desenvolver novos produtos. Representamnovos métodos organizacionais, novas máquinas, novosequipamentos, etc. Seu uso mais adequado que beneficie asociedade vai depender das escolhas assumidas face ao nossoatual estágio de desenvolvimento.4
  5. 5. 1.6. O problema da escassez Foi visto que a economia é o estudo de como ohomem procura satisfazer suas necessidades por bens eserviços utilizando recursos disponíveis. O homem pornatureza necessita (necessidade que muitas vezes se confundecom desejo) de bens e serviços em quantidades cada vezmaiores e de melhores qualidades. Necessidades decorrentesdo desenvolvimento e criação de novos produtos. Pode-secitar o caso da microinformática, sua introdução em nossa vidamoderna criou a necessidade de equipamentos mais velozes eprogramas com mais recursos. Nesse sentido, pode-se afirmarque o homem sempre terá novas necessidades a cada novoproduto desenvolvido e criado. Suas necessidades, portanto, são ilimitadas. Entretanto, osrecursos disponíveis e passíveis de serem utilizados no processoprodutivo, ou seja, os chamados fatores de produção, nãoacompanham a velocidade com que as pessoas necessitam debens e serviços. Assim, os recursos produtivos tornam-selimitados face a crescente necessidade do homem por bens eserviços. Esta é a questão chave do estudo da economia. Deladecorrem outros problemas econômicos que dependerão dasdecisões e escolhas do homem e da sociedade para atingir ou aomenos minimizá-las. É fundamental, portanto, fazermos escolhas dado que associedades, quaisquer que sejam, não dispõem de recursosprodutivos em quantidades ilimitadas e que satisfaçaplenamente os desejos das pessoas por bens e serviços. Tais escolhas que as sociedades enfrentam envolvemtrês questões fundamentais: o quê e quanto, como e para quemproduzir. 1. O que e quanto produzir: é necessário escolher quaisprodutos serão produzidos (carros, suco de laranja, alface, arroz,etc.) e a quantidade que deverá ser colocada à disposição daspessoas. 5
  6. 6. 2. Como produzir: refere-se ao modo de produção outécnica adotada para produzir os produtos escolhidos. Busca-seem tal decisão maior eficiência e menores custos. 3. Para quem produzir: é preciso determinar como serádistribuída a produção entre as diversas classes sociais de menor emaior renda. Será possível admitir que parcelas da populaçãopossam ficar sem participação nos frutos da produção? Ou que umapequena minoria concentre maior parte dos frutos da produção? Recursos produtivos Necessidades escassos: terra, trabalho, ilimitadas capital, ciência e tecnologia, capacidade empresarial Escolhas: - o quê e quanto - como - e para quem produzir1.7. Curva ou fronteira de possibilidades de produção Para analisar o problema econômico fundamental faremos,primeiramente, uma simplificação das escolhas produtivasutilizando dois bens agrícolas através da chamada curva depossibilidades de produção. Ela mostra as quantidades máximas deprodução combinada de dois bens dado a utilização dos recursosprodutivos disponíveis.1.7.1. Considerações iniciais Em nosso modelo, vamos supor que: São produzidos apenas dois produtos. Decidiu-se o quê e como produzir.6
  7. 7. Há pleno emprego dos recursos produtivos, ou seja todos os recurso disponíveis estão sendo utilizados no seu limite máximo. Os recursos produtivos ou fatores de produção são fixos. Tabela 1. Possibilidades de produção Toneladas/ano ___________________________________________________ Possibilidades algodão trigo custo de oportunidade ___________________________________________________ A 0 7,0 A - B 1 6,5 B 0,5 C 2 5,5 C 1,0 D 3 4,0 D 1,5 E 4 2,0 E 2,0 F 5 0 F 2,0 ___________________________________________________1.7.2. Custo de oportunidade No caso apresentado, o custo de oportunidade é aquantidade abandonada da produção de um produto parapossibilitar a produção do outro produto. O custo deoportunidade é um conceito segundo o qual os custos dautilização de uma escolha produtiva é igual ao benefício maiorque traria outra escolha possível mas não utilizada.1.7.3. Custo de oportunidade crescente Ocorre quando os recursos utilizados em uma atividadenão são eficientes (adequados) ao serem transferidos para outraatividade. 7
  8. 8. Representação gráfica: Cada ponto no gráfico representa uma alternativa deprodução previamente determinada. A escolha de umaalternativa exclui as outras. A união destes pontos forma o quechamamos de curva de possibilidades de produção. Curva de possibilidades de produção 8 A B 6 C D trigo H 4 G E 2 F 0 0 2 4 6 algodão Figura 1 A partir do exemplo dado, podemos tirar as seguintesconclusões: Qualquer uma das alternativas: A, B, C, D, E e F fazemparte da curva de possibilidades de produção, ou seja, sãopossíveis de produzir. E representam o máximo de produçãocombinada dos dois bens. O ponto G é uma alternativa possível de produçãobastando desempregar um ou mais recursos produtivos. O ponto H só poderá ser uma alternativa de produçãocaso ocorra aumento dos recursos produtivos (terra, mão-de-obra, tecnologia, etc.).8
  9. 9. 1.7.4. Alteração na curva de possibilidades de produção O aumento ou diminuição de produção se deve ao fatode se poder alterar os recursos produtivos utilizados. trigo H G Figura 2 algodão ponto G: desemprego de recursos ponto H: expansão dos recursos A alteração da curva de possibilidades de produção podefavorecer um determinado produto. trigo Ponto I: favorecimento da produção de algodão I Figura 3 algodão 9
  10. 10. No exemplo há um maior crescimento da produção dealgodão em relação ao trigo. O maior favorecimento daprodução de algodão deve-se ao fato da utilização dos recursosprodutivos serem mais eficientes (uso mais eficiente da:tecnologia, mão-de-obra, organização, etc.) Mais uma vez o problema da escolha produtiva.1.7.5. Possibilidades de produção entre bens de consumo e de capital Uma das questões centrais de uma economia é determi-nar escolhas entre bens de capital e bens de consumo. A escolhade um pressupõe a uma menor produção do outro, o que iráafetar o desenvolvimento da indústria mas sua capacidade deconsumo futuro. Curva de possibilidades de produção entre bens de consumo e bens de capital bens de capital 6 X 4 Z 2 0 Y 0 1 2 3 4 5 bens de consumo Figura 4 A partir do gráfico acima, podemos tirar as seguintesconclusões: Ponto X : economia baseada na produção de bens de capital.Pode, por isso ficar refém da importação de produtos agrícolas. Ficasujeita a pressão de preços agrícolas no mercado interno.10
  11. 11. Ponto Y: economia baseada na produção de bens deconsumo. Pode haver depreciação dos bens de capital caso nãohaja reposição, além de atraso tecnológico. Ponto Z: produz-se bens de consumo e de capital commaior equidade. O sacrifício de parte da produção de bens deconsumo torna-se viável na medida em que possibilite aprodução ou ampliação da produção de bens de capital parapossibilitar o aumento do consumo futuro do país. O país aquirealiza a chamada formação bruta do capital fixo. Formaçãobruta do capital fixo é o investimento em máquinas,equipamentos, processos produtivos e instalações (edifícios eempresas) que irão proporcionar a reposição e ampliação docapital propriamente dito possibilitando a expansão futura doconsumo pela sociedade. Para que isto possa ocorrer asociedade deve sacrificar parte dos recursos que seriam gastoscom consumo e canaliza-los para a formação de capital.1.8. Os sistemas econômicos É exatamente para buscar solucionar os problemaseconômicos que a sociedade organizou-se em sistemaseconômicos. O que e quanto produzir, como e para quem são asquestões que irão nortear as ações econômicas da sociedade. Asdecisões e escolhas para tais questões dependerá do tipo desistema econômico adotado pelas sociedades. Os sistemaseconômicos passaram por várias transformações ao longo dahistória humana. Sistemas foram superados e novos entraramem seu lugar. Na história mais recente da humanidade temosexperiências de dois sistemas econômicos que foram e aindaapresentam-se como fundamentais na discussão dos problemaeconômicos. São: economia de mercado e economia deplanificação central. Mas antes de analisarmos a economia demercado como conhecemos hoje vejamos o que se entende poreconomia “pura” de mercado e economia de planificaçãocentral. 11
  12. 12. 1.8.1. Economia “pura” de mercado Quando se fala de economia de mercado é importantemencionar que teoricamente há a chamada economia “pura” demercado. Ela foi concebida a partir das idéias do liberalismo. Aeconomia “pura” de mercado é uma organização econômicabaseada na propriedade privada dos meios de produção e nalivre concorrência dos agentes econômicos (indivíduos eempresas) com objetivos de lucro e satisfação de necessidadesatravés do mercado. É através do livre mercado que as questõeseconômicas (o que e quanto, como e para quem produzir) serãodeterminadas. Algumas características fundamentais:• Os agentes econômicos atuam de maneira individualista movidos por interesses particulares de lucro ou consumo.• Há objetivo de lucro• A atividade econômica é regulada pelo chamado “sistema de preços”, ou seja, os preços de mercado serão determinados pela interação entre oferta e demanda de bens, serviços e fatores de produção que por sua vez possibilitará a realização produtiva e mercantil.• Não há nenhum organismo central que determine o que vai ser produzido• O Estado não têm qualquer influência no mercado. Sua atuação limita-se a obras públicas e serviços sociais (educação, saúde, defesa...)12
  13. 13. Exemplificação: o fluxo circular da atividade econômicanuma economia de mercado simplificada Mercado } Bens e serviços de bens e Renda: pagamentos por bens/serviços serviçosempresa família Mercado Renda: pagamentos por fatores de produção Fatores de produção } de fatores de produção Fluxo do produto Fluxo monetário1.8.2. Economia de planificação central A economia de planificação central é o sistema econômicobaseado na propriedade estatal dos meios de produção. Taldenominação foi dada para as economias socialistas em oposiçãoàs economias de mercado ou capitalistas. Os problemaseconômicos são solucionados através de decisões centralmenteplanejadas pelo governo. Ex.: planos trienais, qüinqüenais....Recentemente, com a derrocada do socialismo no mundo restampoucos países, como China e Cuba, que tentam manter umaproximidade com uma organização de planificação central já que aconcepção desse sistema é, também, teórica. Algumas características fundamentais:• Não há objetivo de lucro e sim atender as necessidades sociais• Decisões (o que e quanto, como e para quem produzir) são centralmente planejadas 13
  14. 14. • O sistema de preços é usado como método contábil para descrever o grau de eficiência das empresas e sinalizar ao governo o fluxo distributivo (excesso ou falta de mercadorias). Assim o governo obtém informações sobre se o produto chega nas mãos do consumidor, a quantidade necessária, se o produto está em boas condições. E, também, o se o preço praticado está de acordo com a decisão governamental..1.8.3. Economia de mercado atual Como foi observado não há na atualidade economias queapresentam as características exatas de uma economia demercado ou uma economia de planejamento central. O queexistem são sistemas econômicos próximos de uma ou outraorganização. Analisaremos mais detidamente a atual economiade mercado conhecida como economia de mercado mista dadoque apresenta características da economia pura de mercado e deplanificação central. O que irá distingui-las entre os países que aadotaram será o grau de intervenção do Estado. Algumas características principais:• A iniciativa privada, através da livre-concorrência e do sistema de preços, escolhe e produz os bens e serviços necessários para abastecer o mercado. Cabendo ao Estado garantir ou incentivar a produção de determinados setores através de leis, segurança, infra-estrutura, subsídios, etc. O Estado pode, também, produzir determinados bens e serviços.• A iniciativa privada tem total liberdade para determinar quais métodos organizacionais ou tecnológicos serão adotados no processo produtivo. O objetivo é tornar as empresas mais eficientes face à concorrência. O Estado participa indireta- mente através de políticas econômicas.• A distribuição dos produtos é determinada pelo sistema de preços. Ou seja, a distribuição ocorre através do mercado com interação dos produtores, vendedores e consumidores. O Estado tem o papel de distribuir o produto para aqueles que auferem menor renda e para os que se encontram à margem da sociedade.14
  15. 15. 1.9. Teoria Econômica Tradicionalmente a teoria econômica é dividida em duaspartes de estudo: microeconomia e macroeconomia. A microeconomia estuda o comportamento individualdas empresas e consumidores no mercado. Do lado doconsumidor, procura analisar sua reação face às variações nomercado: preço dos produtos, qualidade, propaganda,promoções, etc. Do lado da empresa, procura analisar aprodução, o custo, o preço dos bens e serviços, a produtividade,eficiência, etc. E como estes dois agentes se relacionam entre sino mercado realizando as trocas e buscando satisfazer seusinteresses. Não deve-se esquecer que o comportamento dessesagentes é influenciado pela decisões de um outro agenteeconômico, ou seja, o governo. A macroeconomia estuda o comportamento do sistemaeconômico como um todo. Assim, sua análise concentra-se naatividade econômica regional (na esfera municipal, estadual ounacional). Procura estudar os grandes problemas econômicos denosso tempo como: o desemprego, a inflação, a geração edistribuição da renda nacional, a capacidade financeira doEstado (arrecadação e gastos governamentais), etc. Amacroeconomia fornece parâmetros para medir a atividadeeconômica como um todo tornando possível diagnosticar ebuscar soluções para possíveis desequilíbrios setoriais. É importante mencionar que apesar das diferenças deenfoque, o estudo interativo entre a micro e a macroeconomiatorna-se fundamental. Isto porque seus aspectos particulares secomplementam de tal forma que para uma análise real demercado seria imprescindível a consideração de elementos dosdois campos de estudo. 15
  16. 16. 2. Uma introdução ao estudo damicroeconomia Antes de iniciar o estudo da microeconomia é importanteobservar alguns conceitos básicos:• Moeda: é um padrão de valor de um bem ou, também, entendida como a representação do dinheiro. A moeda metálica surge por volta de 2000 anos a. C. vigorando até fins do século XVIII, quando é introduzido o papel-moeda. Cada país estabelece sua unidade monetária: real, dólar, libra, peso, etc. Recentemente observa-se um novo tipo de moeda “regional” ( unidade monetária aceita em vários países) sendo introduzida na vida econômica como é o caso do “euro” (moeda unificada pela União Européia).• Preço: é a expressão monetária do valor de um bem ou serviço. Representa a proporção de dinheiro em troca de uma mercadoria. Na economia capitalista os preços são formados no mercado pela interação entre oferta e demanda por bens e serviços. Nem por isso deve-se suprimir que os preços de oferta partem inicialmente do custo de produção.• Agentes econômicos ou unidades econômicas são os atores que fazem um sistema econômico funcionar. São representados pelas empresas, consumidores (indivíduos ou famílias ) e governo.• Mercado: pode ser entendido como o “local” concreto ou abstrato em que compradores e vendedores realizam transações. De forma concreta, ele é formado por um conjunto de instituições como feiras, lojas, bolsas de valores ou de mercadorias onde vendedores e compradores se encontram para trocar bens e serviços. De forma abstrata, os vendedores e compradores não precisam de local específico para realizar suas transações bastando apenas existir forças de procura e de oferta por bens e serviços como é observado no mercado de trabalho, mercado financeiro, mercado de16
  17. 17. capitais, etc. A idéia de mercado “abstrato” ganha maior significado com a globalização econômica a medida que as transações podem ser realizadas virtualmente em qualquer parte do mundo. Um mercado pode ter um tamanho variado conforme suadimensão: local, regional, nacional, mundial. Há também umadistinção de mercado conforme a natureza da mercadoria(mercado de trabalho, mercado de produtos, mercadofinanceiro, mercado de commodities – algodão, soja, minério deferro, etc) Alguns fatores que delimitam um mercado são:• a escala de produção• amplitude da demanda• grau de organização do comércio• estágio de desenvolvimento sócio-econômico de um país A microeconomia estuda a ação e interação dos agenteseconômicos individuais (consumidores, empresas, comerciantes,etc.). Da interação entre os agentes econômicos surge o mercadoque por sua vez busca por satisfazer as necessidades ouinteresses das pessoas. O mercado funciona através do chamado“sistema de preços”, ou seja, as mercadorias são direcionadaspara o mercado com um preço inicial que irá variar segundo asforças de procura e oferta. Segundo a teoria neoclássica oumarginalista, os preços acabam por regular a atividadeeconômica a medida que sinalizam para o próprio mercado anecessidade de aumentar ou diminuir a produção, levando, porfim, a um equilíbrio entre oferta e procura. Portanto, o sistemade preços é tido como um mecanismo econômico engenhosoque leva ao bem-estar da sociedade a partir da açãoindividualista dos agentes econômicos ao buscar satisfazer seusinteresses particulares (de lucro ou consumo). Observou-se,posterior-mente, que há a necessidade da participação do Estado(governo) para solucionar ou minimizar os problemas 17
  18. 18. decorrentes do não equilíbrio automático do mercado.3. Uma compreensão da demanda A demanda (ou procura) representa as quantidades debens e serviços que os consumidores estão dispostos ecapacitados a comprar em determinado período de tempo. Entre os fatores que influenciam a demanda sãodestacados:• O preço do bem: variações no preço do bem influencia a quantidade demandada, visto que aumentos de preços tende a diminuir a quantidade demandada e diminuições de preço tende a elevar a quantidade demandada.• Renda do consumidor• Bens normais: para os chamados bens normais aumentos de renda tende a aumentar a quantidade demandada desses bens. Regra válida para a maioria dos bens. Ex.: alimentos em geral, eletrodomésticos, roupas, etc.• Bens inferiores: em determinada faixa de renda, aumentos de renda, após um determinado nível, tende a diminuir a quantidade demandada desses bens. Ex.: alimentos de segunda ou de terceira como carnes, feijão, mortadela, roupas de baixa qualidade, etc.• Bens de consumo saciado: são aqueles bens que o consumidor atinge total satisfação após determinado aumento de renda mesmo havendo continuidade da elevação de sua renda futura. Após o consumidor estar saciado desses bens, qualquer aumento de renda não altera sua quantidade demandada. Não há exemplo específico, cada consumidor tem comportamento distinto dos demais em relação aos bens que o satisfarão. Gostos e preferências do consumidor Outros fatores: o consumidor também é influenciado por18
  19. 19. fatores que dependem do seu nível sócio-econômico, cultura, religião, clima, propaganda, etc.3.1. Bens relacionados A demanda de um bem pode ser afetada pela variação dopreço de outros bens. Bens substitutos: aumento do preço de um deles,mantido os demais fatores constantes, tende a elevar aquantidade demandada do outro bem. Já, uma diminuição dopreço de um deles tende a elevar a quantidade demandada dooutro. Exemplos: manteiga e margarina, carne de vaca e carnede frango, café e achocolatado, etc. Bens complementares: aumento do preço de um deles,mantendo os demais fatores constantes, tende a diminuir aquantidade demandada do outro. A diminuição do preço de umdeles tende a aumentar a quantidade demandada do outro.Exemplos: arroz e feijão, café e leite, cigarro e isqueiro, etc.3.2. Quantidade demandada e preço: uma relação Vários fatores (individual ou conjuntamente) podeminfluenciar a demanda do consumidor. No entanto, comométodo de estudo, fazemos uma simplificação utilizando apenaso fator preço, mantendo os demais constantes. Esta suposiçãoque fazemos – manter os demais fatores constantes - édenominada “coeteris paribus”. Coeteris paribus é uma expressão do latim que significatudo o mais perfeitamente constante. Os economistas utilizamtal condição para viabilizar uma análise mais pontual sobre ocomportamento do consumidor ao isolar uma variável que afetaa demanda. Isto porque a análise da demanda se tornariaextremamente complexa ao considerar conjuntamente todos osfatores que a influenciam (renda, gostos, preferências, preço,etc.). Nesse sentido a utilização da condição coeteris paribus 19
  20. 20. torna-se fundamental ao isolar os aspectos relevantes da análisee possibilitar a atenção no ponto principal do estudo.3.3. Escala de demanda individual A escala de demanda individual mostra as quantidadesmáximas que um consumidor individual está disposto a comprarpor determinado preço e em um determinado período de preço. Tabela 2. Escala de demanda de refrigerante em lata________________________________________________________ preço quantidade demandada pontos no unidade/real refrigerante – latas/semana gráfico________________________________________________________ 1,00 2 A 0,80 4 B 0,60 6 C 0,40 8 D 0,20 10 E________________________________________________________ A Curva de demanda individual – curva linear Curva de demanda individual preço quantidade - latas de refrigerante/semana20 Figura 5
  21. 21. Lei da demanda: as quantidades demandadas variaminversamente aos preços, coeteris paribus. Coeteris paribus: tudo mais constante, ou seja, todos osdemais fatores, exceto o preço, que poderiam afetar a demandade refrigerante em lata permanece constante.3.4. Inclinação da curva da demanda A relação inversa entre preço e quantidade da curva dedemanda determina sua inclinação negativa indicando que asquantidades demandadas aumentam quando o preço cai ediminuem quando o preço aumenta. Esta relação inversa entre preço e quantidade demandadaocorre devido a dois fatores principais: 1. Efeito renda: queda do preço de um bem ao provocarelevação do poder aquisitivo do consumidor, caso a rendapermaneça constante, faz com que ele possa aumentar asquantidades demandadas. Já aumentos de preço provocam quedado poder aquisitivo e diminuição das quantidades demandadas. 2. Efeito substituição: aumentos de preço de um bem,permanecendo constante o preço dos outros bens, faz com que oconsumidor diminua sua quantidade demandada desse bem namedida em que é possível adquirir outro bem substituto ou similar.Quedas de preço de um bem, faz com que o consumidor aumente aquantidade demandada desse bem deixando de consumir outrosimilar.3.5. Diferença entre demanda e quantidadedemandada Quantidade demandada: indica uma quantidade únicaque o consumidor está disposto a consumir por um único preço.Ela representa um ponto na curva da demanda do consumidor. Demanda: representa o comportamento do consumidor 21
  22. 22. decorrente das variações de preço do bem. Ou seja, é o desejode comprar bens. A demanda refere-se a toda escala ou curva dedemanda.3.6. Demanda de mercado ou escala de demanda de mercado A demanda de mercado ou escala de demanda demercado é a soma das demandas individuais. Como a demandaé composta por quantidades demandadas, para achamos ademanda de mercado basta somar as quantidades demandadasde todos os participantes do mercado a cada variação de preço. Tabela 3. Escala de demanda de mercado______________________________________________________________ Preço Quantidade demandada Unidade-real latas de refrigerante/semana______________________________________________________________ Susana(1) Edson (2) Mercado______________________________________________________________ 4 200 100 300 3 250 150 400 2 350 250 600 1 500 400 900______________________________________________________________ Curva de demanda do consumidor (1) preço latas/semana22 Figura 6
  23. 23. Curva de demanda do consumidor (2)preço latas/semana Figura 7 Curva de demanda do mercado preço latas/semana 23
  24. 24. 4. Uma compreensão da oferta A oferta representa as quantidades de bens e serviçosque os produtores ou vendedores desejam vender em umdeterminado período de tempo. Vários fatores influenciam a oferta, dentre eles, sãodestacados: O preço do bem: da mesma forma que na análise da demanda é suposto a hipótese coeteris paribus. Assim, aumentos de preço no mercado incentiva sua produção e tende a elevar a quantidade ofertada. Já uma diminuição do Figura 8 preço causa efeito contrário diminuindo a quantidade ofertada. Preço dos fatores de produção: aumentos de preço dos fatores de produção eleva o custo de produção e consequentemente diminui a quantidade ofertada. Uma diminuição do preço dos fatores de produção diminui o custo de produção aumentando a oferta. Tecnologia: o progresso técnico trás, por exemplo, melhores máquinas e equipamentos, eleva a eficiência produtiva, possibilitando o aumento da oferta. Clima: principalmente para os produtos agrícolas se ocorrer secas, geadas, enchentes, prejudicam a produção diminuindo a oferta. Preço dos outros bens: a oferta de determinado produto é influenciada pelo preço de bens substitutos ou complementares: Bens substitutos: para o produtor que produz benssubstitutos, por exemplo carne de vaca e de frango, caso hajaaumento do preço da carne de vaca no mercado o produtor tende24
  25. 25. a aumentar a oferta da carne de vaca diminuindo ou atédeixando de produzir a carne de frango. Caso houvessediminuição do preço da carne de vaca o produtor se sentiriaincentivado a produzir carne de frango diminuindo a oferta dacarne de vaca. Bens complementares: para aqueles que produzem benscomplementares, por exemplo isqueiro e cigarro. Um aumentodo preço do cigarro no mercado incentiva o produtor a aumentarsua produção de cigarro e consequentemente levará a umaumento da oferta de isqueiro. A diminuição do preço docigarro tende diminuir sua produção diminuindo,consequentemente, a oferta de isqueiro.4.1. Quantidade ofertada e preço: uma relação Da mesma forma que analisamos a demanda,consideramos que apenas o preço influencia a oferta, coeterisparibus, ou seja, mantendo constantes os demais fatores queinfluenciam a oferta.4.2. Escala de oferta individual Escala ou curva de oferta individual são as quantidadesofertadas que o produtor está disposto a vender a cada variaçãode preço. 25
  26. 26. Tabela 4. Escala de oferta de colares _______________________________________ preço quantidade ofertada pontos unidade/real colares/mês no gráfico _______________________________________ 1,00 500 A 0,80 450 B 0,60 350 C 0,40 200 D 0,20 0 E _______________________________________ Curva de oferta individual preço quantidade - colares/mês Figura 9 Lei da oferta: as quantidades ofertadas variam na razãodireta dos preços, coeteris paribus. A relação direta entre preço e quantidade ofertadadetermina a inclinação positiva da curva de oferta indicando queas quantidades ofertadas aumentam quando preço sobe e26
  27. 27. diminuem quando o preço aumenta. Apesar da lei da oferta ser considerada, normalmente,verdadeira pode ocorrer situação diversa a ela. Por exemplo,pode ocorrer uma elevação do preço sem elevar a quantidadeofertada, mantendo-se esta constante. Isto pode acontecer casohaja falta de capacidade produtiva da empresa para elevar aprodução ou se os preços se elevarem devido a um processoinflacionário que facilmente pode levar a uma diminuição daprodução.4.3. Diferença entre quantidade demandada e preço Quantidade demandada: indica uma quantidade únicaque o produtor está disposto a vender por um único preço. Ela érepresentada por um ponto na curva de oferta. Oferta: representa o comportamento do produtordecorrente das variações de preço do bem. A oferta refere-se atoda escala ou curva de oferta.4.4. Oferta de mercado A oferta de mercado ou escala de oferta de mercado é asoma das ofertas individuais. Como a oferta é composta porquantidades ofertadas, para encontrarmos a oferta de mercadobasta somar as quantidades ofertadas de todos os produtores queparticipam do mercado a cada variação de preço. Tabela 5. Escala de oferta de mercado______________________________________________________________ preço quantidade ofertada mercado unidade/real colares/semana Produtor (1) Produtor(2)______________________________________________________________ 4 500 400 900 3 450 350 800 2 350 250 600 1 200 100 300______________________________________________________________ 27
  28. 28. Gráficos: Curva de oferta do produtor (1) preço colares/semana Figura 10 Curva de oferta do produtor (2) preço colares/semana Figura 1128
  29. 29. Curva de oferta do mercado preçoFigura 12 colares/semana5. O equilíbrio de mercado Como foi visto o mercado é formado pela interação entreos agentes econômicos. Um mercado existe quando háofertantes e demandantes de determinado bem ou serviço. Oequilíbrio de mercado é uma situação hipotética na qual aquantidade demandada é igual à quantidade ofertada. Ou,também, entendido como uma situação cuja demanda é igual àoferta. Para uma melhor compreensão do equilíbrio de mercadosupõe-se uma mercado com alto grau de concorrência. Ou seja,um mercado em que os preços se formam em decorrência dainter-ação entre oferta e demanda sem interferência isolada de,um ou de um grupo, de produtores ou vendedores. 29
  30. 30. Tabela 6. Escalas de oferta e demanda do mercado de sapatos – pares/mês ______________________________________________________ preço quantidade quantidade excesso ou escassez par/real ofertada demandada de oferta ___________________________________________________________ 25 500 200 300 20 450 250 200 15 350 350 0 10 250 500 -250 5 25 700 -675 ___________________________________________________________ Curva de equilíbrio de mercado Equilíbrio de mercadopreço excesso de oferta ou escassez de demanda equilíbrio de mercado escassez de oferta ou excesso de demanda Dm pares/mês Figura 13 Excesso de oferta ou escassez de demanda: ocorre quando as quantidades ofertadas são maiores que as quantidades demandadas. Escassez de oferta ou excesso de demanda: ocorre quando as quantidades ofertadas são menores que as quantidades demandadas. 30
  31. 31. 6. Variações da demanda e da quantidade demandada6. 1. Variação da demanda (ou da curva de demanda) Deslocamento da demanda para a direita - aumento da demanda preço Figura 14 refrigerantes-latas/mês Deslocamento da demanda para a esquerda - queda da demanda preço Figura 15 latas de refrigerante-latas/mês Dizemos que há variação da demanda quando ocorre umdeslocamento da curva da demanda. Isto ocorre devido à quebra da 31
  32. 32. condição “coeteris paribus”. No nosso modelo anterior dedemanda, eram apenas os preços que variavam no mercado e,portanto, só eles influenciavam a demanda – condição coeterisparibus. Neste caso, observamos que ocorrem variações nasquantidades demandadas. Ou seja, ocorrem variações de pontos (querelacionam preço e quantidade demandada) ao longo da curva dademanda. Há variação da demanda quando há quebra da condiçãocoeteris paribus, ou seja, quando outros fatores, além do preço,influenciam a demanda como a renda do consumidor, preferências,variação do preço dos bens relacionados, promoções, etc. Conclusões:• aumento da demanda significa que a curva se desloca para a direita• diminuição da demanda significa que a curva se desloca para a esquerda6.2. Variação da quantidade demandada sem variação da demanda Variação da quantidade demandada sem variação da demanda preço Figura 16 detergentes/mês Há variação da quantidade demandada sem variação da32
  33. 33. demanda quando apenas o preço do bem em questão influenciao consumidor, coeteris paribus –ou seja, mantendo-se os demaisfatores constantes. Variação na quantidade demandada semvariação da demanda significa variação de pontos ao longo dacurva da demanda. No gráfico: Variação de A para B: a quantidade demandada varia deq1 = 4 para q2 = 2 Variação de B para A: a quantidade demandada varia deq1 = 2 para q2 = 47. Variações da oferta e da quantidade ofertada7.1. Variação da Oferta Deslocamento da oferta para a esquerda diminuição da oferta preço Figura 17 canetas/mês Deslocamento da oferta para a direita 33
  34. 34. aumento da oferta preço Figura 18 canetas/mês Como no caso da demanda, há variação da oferta quandoocorre um deslocamento da curva da oferta. Há, portanto,variação da oferta quando, além do preço, outro(s) fator(es)influenciará o produtor como o preço dos fatores de produção,progresso técnico, clima, etc. Caso isto ocorra há quebra dacondição coeteris paribus. Ou seja, o produtor vai alterar (oudeslocar) sua oferta de acordo com a variação de dois ou maisfatores ao mesmo tempo. Conclusão:• aumento da oferta significa que a curva da oferta se desloca para a direita• diminuição da oferta significa que a curva da oferta se desloca para a esquerda34
  35. 35. 7.2. Variação da quantidade ofertada sem deslocamento da oferta Variação da quantidade ofertada sem deslocamento da oferta preço canetas/mês Figura 19 Há variação da quantidade ofertada sem deslocamentoou variação da oferta quando apenas o preço do bem em questãoinfluencia o produtor mantendo os demais fatores que poderiaminfluenciá-lo constantes, coeteris paribus. Variação na quantidade ofertada significa variação aolongo da curva da oferta. No gráfico: Variação de A para B: a quantidade ofertada varia de q1= 1000 para q2 = 1800 Variação de B para A: a quantidade ofertada varia de q1= 1800 para q2 = 1000 35
  36. 36. 8. Deslocamentos de demanda e oferta e o equilíbrio de mercado (no curto prazo)8.1. Variação (ou deslocamento) da demanda com alteração do equilíbrio de mercadoHipótese A: demanda de peixe na semana santa. preço quantidade Figura 20 Figura 20 - mostra uma expansão da demanda comoferta inalterada: elevação das quantidades comercializadas apreços maiores.36
  37. 37. ço4,5Hipótese B: demanda de carne na semana santa.Figura 21 - mostra uma redução da demanda com oferta inalterada:diminuição das quantidades comercializadas a preços menores. 4,5 preço 4 O D’ 3,5 3 2,5 E1 2 E2 1,5 1 0,5 0 0 200 400 600 800 Figura 21 quantidade8.2. Variação (ou deslocamento) da oferta com alteração do equilíbrio de mercadoHipótese C: período de safra de determinados produtos agrícolas. D O O’ E1 E2 37 Figura 22 Figura 22 - expansão da oferta com demanda inalterada: maiores quantidades serão comercializadas a preços menores
  38. 38. Hipótese D: ocorrência de geada afetando a produção de trigo. 1,6 O’ O preço D 1,4 1,2 1 0,8 E2 E1 0,6 0,4 0,2 0 0 500 1000 1500 2000 2500 quantidade Figura 23Figura 23 - diminuição da oferta com procura inalterada:menores quantidades serão comercializadas a preços maiores.38
  39. 39. 9. Elasticidade-preço da demanda Já foi visto que variações de preço provocam alterações nasquantidades demandadas. Isto significa dizer que a demanda ésensível à mudanças no preço do produto. Essa sensibilidade éconhecida na teoria econômica como elasticidade-preço da demanda. Dependendo das características do bem e das condiçõesde mercado uma elevação no preço do bem pode fazer com queo consumidor diminua muito ou pouco sua quantidadeconsumida. O grau dessa diminuição de consumo pode sermedido através da elasticidade-preço da demanda. Portanto, a elasticidade preço da demanda mede a"sensibilidade" da demanda (sensibilidade do consumidor) deA elasticidade-preço da demanda é definida como: Epd = Q(%) P(%) sendo, Epd = coeficiente de elasticidade-preço da demanda APOSTILA DE ECONOMIA I (micro).doc Q % = variação percentual na quantidade demandada D P% = variação percentual no preçoObs.: A percentagem é utilizada por unificar cálculos medidosem outras grandezas como moeda, quilo, metro, peça, etcExercícios:1. Caso ocorra uma elevação no preço das passagens aéreas de2% e seus usuários respondam com uma diminuição nas viagensde 4%. A elasticidade-preço da demanda por viagens aéreaspoderia ser calculada da seguinte maneira: Epd = ? 39
  40. 40. 1. 2. No caso das ligações telefônicas, um aumento no preço de 2% provocará uma redução de menor intensidade em seu consumo, por exemplo, 0,2%. Assim, a elasticidade-preço da demanda poderia ser calculada como: Epd = ? Observações 1. Os consumidores de passagens aéreas são mais sensíveis a uma variação de preços que os consumidores de ligações telefônicas. Ou seja, aumentos de preço nas passagens aéreas causam maior impacto em seus consumidores de que nos consumidores de ligações telefônicas. 2. O coeficiente de elasticidade-preço da demanda e sempre negativo constando ou não o sinal de menos. Podem ocorrer exceções dependendo da ocorrência de casos específicos de determinados produtos no mercado. 3. Seu valor e considerado em modulo | Epd | , ou seja, valor absoluto. Muitos analistas eliminam o sinal negativo e consideram apenas o valor absoluto da elasticidade para evitar confusão na interpretação dos valores.40
  41. 41. Exercícios: a. Pedro aumentou 5% sua quantidade demandada deaçúcar por mês quando houve redução de 10% no preço doquilo do açúcar. b. Maria diminuiu 20% sua quantidade demandada decarne por mês quando houve aumento de 10% no preço do quiloda carne. c. Marina aumentou 15% sua quantidade demandada decafé por mês quando houve redução de 15% no preço do quilodo café. 41
  42. 42. Classificação da elasticidade-preço da demanda A demanda ou curva da demanda pode ser dividida emtrês tipos de elasticidade: | Epd | > 1 a demanda é elástica. Significa que a variaçãopercentual na quantidade demandada é maior que a variaçãopercentual no preço. O consumidor é sensível à variação depreços. | Epd | < 1 a demanda é inelástica. Significa que avariação percentual na quantidade demandada é menor que avariação percentual no preço. O consumidor é pouco sensível àvariação de preços. | Epd | = 1 a demanda é unitária. Significa que a variaçãopercentual na quantidade demandada é igual à variaçãopercentual no preço.Exercícioa. Quais os tipos de elasticidade-preço da demanda apresentadosno caso do exercício 1 (mais ou menos sensíveis à variações nospreços)?b. Determine o valor do coeficiente e o tipo de elasticidade-preço da demanda nos seguintes casos: b.1. Uma projeção revelou que uma diminuição de 10%no preço de linhas telefônicas elevaria a demanda em 35%. b.2. Uma projeção revelou que um aumento de 30% nopreço da margarina diminuiria a demanda em 10%. b.3. Uma projeção revelou que uma diminuição de 5% no preço da farinha de trigo aumentaria a demanda em 5%.42
  43. 43. 9.3. Elasticidade-preço da demanda, Despesa Total (DT) e Receita Total (RT)1. quando a demanda é Elástica: queda no preço do produto eleva a DT aumento no preço do produto diminui a DT/RT2. quando a demanda é Inelástica queda no preço do produto diminui a DT/RT aumento no preço do produto aumenta DT/RT3. quando a demanda é Unitária queda ou aumento no preço a DT/RT é constante Tabela 8. Escala de demanda de mercado de celulares por semana ______________________________________________ Pontos Quantidade Preço Unidade/R$ ______________________________________________ A 1000 200,00 B 5000 150,00 __________________________________________Dado a escala acima, determine: 43
  44. 44. O que ocorre com a DT e a RT: a. quando o preço diminui: DT e RT b. quando o preço aumenta: DT e RT Tabela 9. Escala de demanda de mercado de feijão por mês ____________________________________________________ Pontos Quantidade Preço Unidade/R$ ____________________________________________________ A 3000 2,00 B 4000 1,00 ____________________________________________________Dado a escala acima, determine:2. O que ocorre com a DT e a RT: a. quando o preço diminui: DT/RT b. quando o preço aumenta: DT/RT Tabela 10. Escala de demanda de mercado de canetas por semana _________________________________________ Pontos Quantidade Preço Unidade/R$ _________________________________________ A 2000 2,00 B 4000 1,00 _________________________________________44
  45. 45. Segundo a tabela 10, determine: a. quando o preço diminui: DT/RT b. quando o preço aumenta: DT/RTCasos Particulares:1. Demanda Perfeitamente Inelástica | Epd | = 0 a demanda é perfeitamente inelástica.Significa que qualquer variação no preço do produto nãoprovoca nenhuma variação na quantidade demandada.2. Demanda Perfeitamente Elástica | Epd | a demanda é perfeitamente elástica.Significa que não havendo alteração no preço do produto (preçopermanecendo fixo) os consumidores estarão dispostos ademandar qualquer quantidade. Sendo que qualquer quantidadeconsumidada não afetará o preço do produto. Caso, por exemplode uma concorrência perfeita ou de preço preestabelecido peloprodutor..10. Elasticidade-preço da oferta Da mesma forma que a elasticidade-preço da demandarepresenta a sensibilidade do consumidor decorrente devariações no preço do produto demandado. A elasticidade-preço da oferta indica a sensibilidade do produtor ouvendedor com relação à variação de preço dos produtosquando ofertados. 45
  46. 46. 11. Elasticidade-renda da demanda A elasticidade-renda da demanda mede o grau que umaalteração na renda do consumidor afeta sua quantidadedemandada. E pode ser conceituada como a variação percentualna quantidade demandada dividida pela variação percentual narenda do consumidor. Er = Q% R% sendo, Er = coeficiente de elasticidade-renda da demanda Q% = variação percentual na quantidade demandada R% = variação percentual na renda Geralmente a elasticidade-renda é utilizada para medircomo o consumidor gasta um eventual aumento de renda (oganho extra). Quando o um aumento da renda eleva a quantidadedemandada de um produto estamos nos referindo aos bensnormais. E o sinal do coeficiente será positivo. Quando um aumento de renda reduz a quantidadedemandada de um produto, este é conhecido como bem inferior( bens que são substituídos a medida que a renda aumenta). E osinal do coeficiente será negativo.46
  47. 47. 11.1. Classificação da Elasticidade-renda ___________________________________ valor do coeficiente tipo da Er da Er ___________________________________ >1 Elástica <1 Inelástica =1 Unitária ___________________________________ Er positivo = refere-se a bens normais Er negativo = refere-se a bens inferioresExercícios1. Observou-se que a elevação do salário mínimo diminuiu ademanda por farinha de milho. Neste caso, a farinha de milhorepresenta um bem (normal ou inferior)?2. O governo decidiu não aumentar a renda da população poracreditar que tal aumento poderia elevar os índicesinflacionários pressionados, principalmente, por possíveiselevações nos preços das roupas, aluguéis e transporte. Adecisão partiu da observação que esses produtos teriamelasticidade-renda: a: positiva ou negativa b: Er > 1, Er < 1 ou Er = 13. Que conclusão pode-se tirar do fato de que a elasticidade-renda para automóveis compactos( Er = +1,1) é menor do quea elasticidade para automóveis maiores (Er = +1,5) ? 47
  48. 48. 12. Elasticidade-cruzada da demanda Quando desejamos saber se uma variação no preço deum determinado bem afeta a demanda de outro bem estamoscruzando ou relacionando dois produtos. O grau deste efeito édeterminado pela elasticidade-cruzada da demanda. Assim,temos: Ec = Qy% Px% Ec = coeficiente de elasticidade-cruzada da demanda Qy% = variação percentual da quantidade demandada do bem y Px% = variação percentual no preço do bem x Ao cruzarmos dois bens pretendemos saber, funda-mentalmente, se são bens substitutos, complementares ouindependentes entre si e o grau dessa relação que vai dependerdo valor do coeficiente. Portanto, é estabelecido a seguinteclassificação:1. Caso o valor do coeficiente for positivo ( Ec > 0) os bens sãosubstitutos.2. Caso o valor do coeficiente for negativo ( Ec < 0) os bens sãocomplementares.3. Caso o valor do coeficiente for zero (Ec = 0) os bens sãoindependentes.48
  49. 49. Exercícios:1. Determinar o valor do coeficiente e o tipo dos bens nos seguintes casos: 1.1. Um aumento de 10% no preço da carne de vaca elevou a quantidade consumida de carne de frango em 5%. 1.2. Um aumento de 3% no preço do cigarro diminui a quantidade consumida de isqueiros em 2%. 1.3. Um aumento de 5% no preço do feijão não causou nenhuma variação na quantidade consumida de compact disc.2. Um aumento na alíquota do imposto de importação elevou o preço do automóvel estrangeiro em 1%, o que ocasionou um aumento de 0,2% na demanda de carros produzidos domesticamente (IPEA , abril/98). a. Qual o valor do coeficiente da Er? b. Qual o tipo dos bens?3. Se dois bens café e açúcar têm elasticidade-cruzada com sinalnegativo podemos concluir que são bens....................................13. Teoria da Produção13.1. Considerações iniciais1. A teoria da produção faz parte de um capítulo do estudomicroeconômico intitulado: Teoria da Firma. A teoria da firmaprocura explicar o comportamento da firma ao realizar suaatividade produtiva. Ela abrange: a teoria da produção, teoriados custos e a análise da rentabilidade da firma. 49
  50. 50. 2. A firma ou empresa é definida aqui como uma unidadetécnica que produz bens e serviços3. A análise da firma é concebida num contexto de uma economiade mercado, tendo o sistema de preços como orientador.4. O comportamento da firma dependerá fundamentalmente daestrutura de mercado na qual o produto está inserido.13.2. A relevância da teoria da produção1. Serve de apoio para a análise da formação dos preços namedida em que relaciona produção e custos produtivos.2. Serve de apoio ao estudo da demanda da firma por fatores deprodução mais adequados para maximizar a produção erespectivamente o lucro.13.3. Conceitos importantes: Fatores de produção ou insumos são bens e serviçosque servem para produzir outros bens e serviços. Matéria-prima é o produto natural ou semimanu-faturado (bem intermediário) que deve ser utilizado no processode produção para originar um bem acabado. Processo de produção é a técnica por meio da qual umou mais produtos serão obtidos a partir da utilização dedeterminadas quantidades de fatores de produção.Eficiência técnica e eficiência econômica Eficiência técnica: um método de produção étecnicamente mais eficiente quando maximiza a produção comutilização mínima de fatores de produção disponíveis. Eficiência econômica: método que maximiza aprodução com menor custo possível.50
  51. 51. Busca-se com a eficiência técnica e econômica:- evitar perdas desnecessárias- boa administração- preço competitivo face a um mercado globalizado- elevar a produtividade13.4. Função produção Existem várias maneiras de combinação de insumos oufatores de produção que permitam produzir uma determinadaquantidade de um ou mais produtos. Admite-se que oempresário buscará o processo produtivo mais adequado nautilização combinada dos fatores produtivos. Assim sendo, aescolha do processo produtivo torna-se questão fundamentalpara o melhor desempenho da empresa. E a representaçãotécnica das possibilidades de produção é dada pela funçãoprodução. A função produção indica o máximo de produto quese pode obter a partir da utilização de certa quantidade defatores de produção mediante a escolha do processo deprodução mais adequado. A função produção pode ser expressa da seguinte forma: q = f (x1, x2, x3, ... x4) q = quantidade produzida ou produto total, por unidade de tempo x1, x2, x3, ...x4 = quantidades de fatores de produção utilizados ( Capital, Trabalho, Terra, Tecnologia...) É importante salientar que a função produção, alémdefinida no tempo, pode ser alterada por avanços tecnológicosao modificar a quantidade utilizada e combinada de fatores deprodução. 51
  52. 52. Os fatores de produção podem ser fixos ou variáveis:• fator fixo: não pode ser modificado caso deseja-se aumentar a produção rapidamente. Geralmente pode-se citar como exemplos: certas máquinas e equipamentos, a terra, a instalação da empresa, etc.• fator variável: pode ser modificado caso deseja-se aumentar a produção rapidamente. Pode-se citar como exemplos: mão- de-obra, matérias-primas, energia elétrica, combustíveis, etc. A análise da produção da firma pode ser feita no curtoou longo prazos No curto prazo: é o período de tempo em que pelomenos um dos fatores de produção utilizados é fixo. Período detempo em que a firma deseje alterar a quantidade produzida masnão tem a capacidade de mudar todos os fatores de produção. No longo prazo: é o período de tempo em que a firma podemudar todos os fatores de produção utilizados caso, assim, deseje.13.5. Produtividade média e produtividade marginal Para conceituar as produtividades média e marginalanalisaremos a produção no curto prazo. Primeiramente, adotar-se-á um caso de uma firma que utilize, com apenas dois fatoresde produção, um fator fixo (x1) e outro fator variável (x2).Portanto, esta firma teria a seguinte função produção: q = f (x1,x2), coeteris paribus, onde: q = quantidade produzida ou produto total x1 = fator fixo x2 = fator variável52
  53. 53. Produto Total: é a quantidade do produto obtido com autilização de diferentes níveis do fator variável, que neste caso éo número de trabalhadores. Produtividade média do Trabalhador: é o resultado daprodução total dividida pelo número de trabalhadores utilizados. PmeT = PT n° Tr Produtividade marginal do trabalhador: é a quantidadeacrescida ao produto total decorrente da variação de umaunidade no número de trabalhadores. PmgT = PT n° Tr As produtividades média e marginal podem ser aplicadasa qualquer fator empregado na produção. A produtividade média, que é a quantidade de produtoque cada fator produz em um determinado período de tempo, éobtida dividindo o produto total pelo número do fatorempregado na produção. Pmex = PT n°x 53
  54. 54. A produtividade marginal, é a quantidade que o últimaunidade do fator utilizado produz e acrescentou à produção. Ouseja, é o aumento no produto total decorrente do acréscimo de umaunidade do fator empregado, em um determinado período de tempo. Pmgx = PT n° x13.6. Rendimentos crescentes e decrescentes No caso da firma apresentado, onde apenas o fatortrabalho (em um dado período de tempo) é alterado,permanecendo o fator terra constante, pode-se inferir quequando há poucos trabalhadores e terra em abundância, oaumento do n° de trabalhadores fará crescer o produto totaldecorrente do aumento da produtividade marginal dotrabalhador. A firma aqui apresenta rendimentos crescentes. A firma apresenta rendimentos crescentes quando hácrescimento do produto total, a taxas cada vez maiores,decorrente do crescimento da PMg do fator variável (que nocaso é o n° de trabalhadores) A seguir, com a continuidade do aumento apenas do n°de trabalhadores ( permanecendo o fator terra constante) haverádiminuição da produtividade marginal do trabalhador apesar doproduto total continuar a crescer. Este fato caracterizarendimentos decrescentes. A firma apresenta rendimentos decrescentes quando hácrescimento do produto total, a taxas cada vez menores,decorrente da diminuição da Pmg do fator variável ( que no casoé o n° de trabalhadores).54
  55. 55. Portanto, pode-se concluir que a produtividade expressaa utilização mais eficiente (técnica e econômica) dos fatores deprodução, já que a firma objetiva o máximo de produto totalcom utilização mínima de recursos e menores custos. Obs.: Já apresentando rendimentos decrescentes, se afirma continuar elevando o número de trabalhadores sabendoque não pode alterar a quantidade de terra para o cultivo, aprodutividade marginal do trabalhador cai ainda mais fazendocair o produto total. É claro que a firma não irá incorrer nesteerro pois estará colocando em risco seu empreendimento.Responda:1. Quando há rendimentos crescentes? Por quê?2. Quando há rendimentos decrescentes? Por que?3. Se a firma já apresenta rendimentos decrescentes, o queocorre com o produto total caso ela dê continuidade na elevaçãodo número de trabalhadores?4. Portanto, os rendimentos da firma são determinados pelaprodutividade ..............................................................14. Custos de produção14.1. Custo social e custo de oportunidade Para a empresa saber qual o melhor nível de utilizaçãode fatores de produção que maximize a produção e o lucro épreciso conhecer, além da produtividade dos fatores deprodução utilizados, os custos de produção. 55
  56. 56. Antes de analisarmos os custos da firma é importantedestacar dois tipos de custos: Custos sociais: ocorre quando a produção dedeterminado bem afeta negativamente a coletividade. Ex.: apoluição. O custo social , normalmente, não é computado nocusto da firma. Mas pode sê-lo através de legislação que obriguea firma minimiza-lo. Ex.: obrigatoriedade de filtros de arredutores de poluentes, catalisadores para automóveis, etc. Custos de oportunidade ou alternativos: é o valormaior que a empresa estaria ganhando (valor renunciado) casotivesse optado por um uso alternativo (rentabilidade alternativa)de seu capital. Ex.: dinheiro no caixa da empresa (capital degiro) – o custo de oportunidade é o que ela estaria ganhando seaplicasse no sistema financeiro; taxa de lucro da empresa – o custode oportunidade é a taxa de rentabilidade maior em outro setor. É importante destacar que o custo econômico difere docusto puramente contábil. O custo contábil é conhecido, também, como custoexplícito. Então: Custo contábil ou explícito são os pagamentos(despesas) dos fatores de produção adquiridos pela firma. Ex.:pagamento da m.d.o., matéria-prima, máquinas e equipamentos,energia elétrica, aluguel, etc. O custo econômico considera o custo contábil ou explícitoe o custo implícito , também denominado, custo de oportunidade.Portanto, o custo econômico será maior que o custo contábil.14.2. Os custos de produção no curto prazo Curto prazo: é o período de tempo em que pelo menosum dos fatores de produção utilizados pela firma é fixo - ouseja, é o período onde a firma não tem condições de mudartodos os fatores de produção caso deseje aumentar a produção.É o período em que a firma processa e oferta o produto.56
  57. 57. Longo prazo: é o período de tempo em que a firma podemudar todos os fatores de produção. Esse é o período deplanejamento em que a firma projeta o crescimento da produçãoaumentando suas instalações. No curto prazo, como certos fatores de produção sãofixos, os custos de produção podem ser divididos em:1. Custos fixos: são despesas arcadas pela firma quepermanecem constantes não importando o nível de produção,mesmo que a firma nada produza. Ex.: depreciação de máquinase equipamentos, pagamento de juros, seguros, aluguéis, etc.2. Custos variáveis: são despesas arcadas pela firma que variamconforme o nível de produção. Ex.: despesas com trabalhadoresempregados, matérias-primas, energia elétrica, etc. Geralmente, os custos fixos são associados aos fatoresde produção fixos, e os custos variáveis aos fatores de produçãovariáveis.3. Custos totais: é a soma do custo fixo mais o custo variável acada nível de produção. Portanto, temos: CT = CF + CV CT= custo total CF= custo fixo CV= custo variável 57
  58. 58. Responda: Sobre os custos de produção no curto prazo podemostirar as seguintes conclusões, a partir da tabela 12: Quando o PT é zero o CV é ......................... À medida que o PT aumenta, o CF é..................... À medida que o PT aumenta, o CV .................. À medida que o PT aumenta, o CT ....................Exercício Complete a tabela abaixo sabendo-se que, no curtoprazo, uma firma apresenta: custo fixo de R$50; custo variáveldado pelo n° de trabalhadores com salário de R$5,00 (a hora). PT No de W CF CV CT Trabalhadores ? ? 0 0 5 50 100 1 5 50 300 2 5 50 600 3 5 50 700 4 5 50 750 5 5 50Responda: Sobre os custos de produção, no curto prazo, da tabelaacima podemos tirar as seguintes conclusões:58
  59. 59. 1. Quando o produto total é zero o custo variável é ....................................2. À medida que o produto total aumenta, o custo fixo é .....................................3. À medida que o produto total aumenta, o custo variável .........................................................4. À medida que o produto total aumenta, o custo total .......................................................... 59
  60. 60. Custo fixo médio: custo fixo dividido pelo produto total CFme = CF PT Custo variável médio: custo variável dividido pelo produto total CVme = CV PT14.3. Análise do Cfme e do Cvme no curto prazo O Cfme diminui conforme aumenta a produção porquedado que este custo permanece fixo, seu custo (peso) naprodução total vai diminuindo. O Cvme passa por dois momentos:1. Quando a firma apresenta rendimentos crescentes o Cvmediminui conforme aumenta a produção da firma, ou seja, ocusto (peso) do fator variável na produção total vai diminuindocada vez mais.2. Quando a firma apresenta rendimentos decrescentes o Cvmeaumenta conforme aumenta a produção da firma , ou seja, ocusto (peso) do fator variável na produção total aumenta. É importante observar que caso a firma aumente onúmero do fator variável, mantendo fixo os demais fatores, o PTtende a diminuir elevando o Cfme e o Cvme. Sem dúvida, afirma não realizará esta hipótese, sendo apenas uma alternativade análise.60
  61. 61. ExercícioDe acordo com a tabela abaixo determine os Cfme e Cvme. PT No de W CF CV CT Cfme Cvme Trab. ? ? 0 0 5 50 0 50 100 1 5 50 5 55 300 2 5 50 10 60 600 3 5 50 15 65 700 4 5 50 20 70 750 5 5 50 25 75Sobre os custos de produção no curto prazo, responda:1. Quando o PT é zero o Cfme e o Cvme ..................2. À medida que o PT aumenta, o Cfme ..................3. Quando a firma apresenta Rendimentos crescenteso Cvme .....................4. Quando a firma apresenta rendimentos decrescentes o Cvme....................Responda , baseado na tabela acima:1. Por que, no curto prazo, o Cfme cai conforme aumenta aprodução?2. O Cvme, no curto prazo, cai até que nível de trabalhadores?Por quê?3. O Cvme, no curto prazo, passa a aumentar a partir de quenível de trabalhadores? Por quê? 61
  62. 62. CT = CF + CV Cfme = CF PT Cvme = CV PT Cme = CT ou Cme = Cfme + Cvme PT Cmg = CT - ou seja, é o aumento no custo PT total decorrente da produção de uma unidade a mais.Responda teoricamente as questões abaixo explicando da melhorforma:1. No curto prazo, até que nível de produção, o Cme cai conforme aumenta a produção?2. Quando, no curto prazo, o Cme passa a aumentar?3. Quando, no curto prazo, o Cmg cai?4. Quando, no curto prazo, o Cmg aumenta?62
  63. 63. 14.4. Custos no longo prazo No longo prazo todos os custos de produção sãovariáveis porque todos os fatores de produção podem seralterados. Isto ocorre porque a firma analisa seus custos com apossibilidade de mudar o tamanho da planta industrial. Portanto,o aumento da produção seria acompanhado pelo aumento deinstalações, máquinas, equipamentos, administração, terra, etc.O custo médio no longo prazo A firma determina com o custo médio o custo porunidade produzida. E caso planeje aumentar a produção a partirde nova planta, provavelmente vai preferir, dentre aspossibilidades de combinação de fatores de produção, o nível deprodução desejado que lhe garanta o menor custo médio.Portanto, o custo médio no longo prazo permite à firmaconhecer o menor custo médio em diferentes possibilidadesprodutivas, inclusive em uma eventual diminuição da planta. Para entendermos melhor essas possibilidadesanalisaremos o seguinte caso: Suponha que a firma se defronte com um aumentorepentino da demanda. Ela terá, em princípio, duas opções: Primeira: Elevação da produção com a mesma planta(curto prazo). Isto implica na contratação de novostrabalhadores e ou na implantação de horas extras. Neste caso, acontinuidade da elevação da produção implica em rendimentosdecrescentes e no aumento do custo médio. Isso significa dizerque , no curto prazo, a firma, para atender a elevação repentinada demanda, será obrigada a usar sua capacidade produtiva atéo limite mesmo com elevação do custo por produto. Segunda: Elevação da produção com aumento da planta(longo prazo). Isto implica no planejamento de uma firma demaior porte. Assim, poderá projetar uma produção maior commenor custo médio. 63
  64. 64. 14.5. O nível ótimo e o custo médio Pode-se chegar ao tamanho da planta ideal (nível ótimo)para a firma através da análise do custo médio que será aqueleque combinará a maior produção desejada com o menor customédio – é o nível em que há melhor eficiência técnica eeconômica. É importante considerar que para cada nível de produçãohaverá um nível ótimo para a firma que será atingido com omenor custo médio. No longo prazo, este nível poderá seratingido com qualquer tamanho possível de planta o que irádepender do desejo e das condições de investimento da firma.No curto prazo, o nível ótimo pode ser atingido com um nívelpretendido de produção que assegure o menor custo médio.14.6. Custo marginal no longo prazo Já foi visto que o custo marginal, no curto prazo, é oaumento no custo total decorrente de uma unidade a maisproduzida pela firma. O custo marginal pode ser determinado nolongo prazo a partir da projeção de uma ou mais plantasprodutivas. No longo prazo, conforme aumenta a produção o customarginal, geralmente, deve aumentar. Isto ocorre dado que aoprojetar plantas cada vez maiores a firma acarreta maiorescustos totais, já que todos os custos aumentam.14.7. Economias de escala No longo prazo os rendimentos da empresa sãoentendidos em termos de escala produtiva, ou seja, da obtençãode uma produção em grande volume dada por mudanças naplanta produtiva. Mudança na planta significa que todos osfatores produtivos podem variar. Há economias de escala, também entendida como64
  65. 65. rendimentos crescentes de escala, quando a empresa consegueum aumento no produto total maior em relação ao aumento detodos os fatores de produção utilizados. Afirma-se, também, queuma empresa apresenta economias de escala quando a expansãoda produção for proporcionalmente maior do que os aumentosdo custo médio no longo prazo.Podemos exemplificar do seguinte modo:Suponha uma empresa que, no curto prazo, apresente:Produto total = 1.000 pares de meias/dia;Fatores de produção = 5 trabalhadores com salários deR$20,00 e 5 máquinas ao custo de R$180,00 cada.Custo total = R$1.000,00Cme = ?No longo prazo, a empresa passa a apresentar:Produto total = 2.200 pares de meias/dia (mais do quedobra o PT)Fatores de produção = 10 trabalhadores com saláriosde R$20,00 e 10 máquinas ao custo de R$180,00 cada.Custo total = R$2.000,00Cme = ? Portanto há economias de escala quando aumentos daprodução são acompanhados por queda do custo médio no longoprazo. As economias de escala podem ser obtidas, entre outrasformas, com: 65
  66. 66. 1. Melhoria tecnológica O aumento do tamanho da empresa pode proporcionarmaiores e melhores máquinas e equipamentos que, mesmo como aumento de seu custo unitário, possibilita ganhos produtivoscompensadores2. Divisão e especialização do trabalho Possibilitam maior agilidade do trabalhador na execuçãoda atividade que lhe é específica e eliminação da perda detempo ocorrido quando o trabalhador passa de uma atividadepara outra.3. Ganho de preço na aquisição de insumos quando adquiridosem maiores quantidades4. Ganhos em operações financeiras Empresas maiores têm mais facilidade de obtenção deempréstimos e até com juro reduzido em relação a empresasmenores. Pode também, obter ganhos com aplicações nomercado de capitais ( ações, títulos, etc)14.8. Deseconomias de escala Há deseconomias de escala ou rendimentos de escaladecrescentes quando a empresa apresenta um aumento no produtototal menor em relação ao aumento de todos os fatores produtivosutilizados. Deseconomias de escala é, também, entendida comouma expansão da produção proporcionalmente menor que oaumento do custo médio correspondente no longo prazo.66
  67. 67. 1. Problemas na eficiência administrativa Ao passar para uma planta maior a administração nãoconsegue desempenho satisfatório no gerenciamento do novoempreendimento em decorrência de decisões centralizadas eburocráticas, despesas adicionais – viagens, telefone, outrascontratações, etc.2. Elevação dos custos dos fatores de produção no mercado. A empresa muitas vezes é obrigada, em determinadomomento, a elevar o custo médio dado seu tamanho maior e anecessidade da aquisição dos fatores de produção necessáriospara manter a produção e a demanda.14.9. Rendimentos constantes de escala Pode ocorrer um caso em que a empresa aumente aprodução na mesma proporção do aumento dos fatores deprodução utilizados. Neste caso, o Cme é constante no longoprazo. Por exemplo, a empresa produz 10% a mais, mas com10% a mais no custo total. Quando isto ocorre diz-se que aempresa trabalha com rendimentos constantes de escala.Receita total e Custo total no curto prazo A decisão de produzir determinado produto pode sermedida através da comparação entre a receita total e o custototal em vários níveis de produção possíveis. A escolha domelhor nível de produção (lucro máximo) ou do nível onde aempresa deverá fechar dependerá, dentre outras circunstâncias,de dois fatores básicos:• situação de lucro da firma• estrutura de mercado em que ela está inserida (monopólio, oligopólio, concorrência monopolística, etc.) o que será abordado mais adiante. 67
  68. 68. A situação de lucro da firma – comparação entre ReceitaTotal e Custo Total O nível ótimo é obtido com a maximização do lucro. Lucro é a diferença entre receita total e custo total. Lucro = RT - CT Sendo: RT = p . q p = preço; q = quantidade CT = CF + CV68
  69. 69. 15. Estruturas de mercado A escolha do melhor nível de produção de uma empresadepende, além da análise de sua situação de lucro, da estruturade mercado em que ela está inserida. O objetivo desta parte écaracterizar as estruturas básicas de mercado como suporte deanálise para o melhor posicionamento da empresa face aomercado.15.1. Concorrência perfeita A estrutura de mercado denominada concorrênciaperfeita é um modelo teórico desenvolvido por economistaspara auxiliar análises mais complexas ou imperfeitas dofuncionamento do mercado. O modelo pode ser aplicado emmercados que se aproximam desta estrutura como o de certosprodutos agropecuários. Hipóteses do modelo de concorrência perfeita: a) Grande número de compradores e vendedores de talforma que nenhum deles têm poder individual de determinarpreços. Sendo estes determinados pelo próprio mercado. b) Os produtos são homogêneos, ou seja, são substitutosperfeitos entre si. Os compradores são indiferentes quanto àescolha da empresa que produz o produto que pretendem adquirir. c) Transparência de mercado - existe perfeitoconhecimento e informação sobre o mercado por parte doscompradores e vendedores quanto à qualidade, preços econcorrência. Logo, tanto compradores e vendedores não serãoinfluenciados por especuladores, principalmente quanto aopreço dos produtos. d) Livre mobilidade de empresas no mercado – Não há 69
  70. 70. barreiras legais (patentes, direitos de propriedade, condiçõeslegais, etc.) e econômicas (capacidade de investimento, etc.)para entrada ou saída de empresas no mercado. Assim, umaempresa pode entrar ou sair do mercado dependendo da situaçãode lucro que ele propicia. e) Maximização de lucro- Dada a concorrência perfeitado mercado as empresas têm que buscar na eficiência suapermanência no mercado. Portanto, há uma tendência dasempresas buscarem minimizar os custos e equilibrar os lucrosentre elas.15.2. Monopólio O monopólio é uma estrutura de mercado em que háapenas um produtor de determinado bem ou serviço, podendoassim, influenciar o preço do produto no mercado. Hipóteses do monopólio:a) Há apenas uma empresa produtora do produto.b) Não há substitutos próximos para o produto.c) Existência de obstáculos à entrada de outras empresas nosetor (o setor é a própria empresa) como:- economias de escala da empresa monopolísta tornam seu preço imbatível.- existência de patentes protegendo o monopolista de eventuais concorrentes.- proteção por meio de leis governamentais.- controle exclusivo do fornecimento de matérias-primas essenciais para a produção de um produto, ou seja, é a única fornecedora da matéria-prima. Por estas e outras razões o monopólio pode auferirlucros maiores que em outros mercados.70
  71. 71. 15.3. Concorrência monopolística É a estrutura de mercado com características daconcorrência perfeita e do monopólio. Características:a) Grande número de empresas.b) Não há barreiras para a entrada ou saída de empresas.c) O produto é diferenciado (propaganda, qualidade, marca, atendimento, etc.).d) Os produtos são substitutos próximos entre si.e) As empresas têm certo grau de poder para determinar seu preço no mercado.15.4. Oligopólio É uma estrutura de mercado constituída por um pequenogrupo de empresas que detém o controle da oferta dedeterminado produto. O oligopólio pode ser puro ou diferenciado. No oligopólio puro os produtos são homogêneos(substitutos perfeitos) como por exemplo: indústria de cimento,alumínio, aço, etc. No oligopólio diferenciado os produtos sãodiferenciados como por exemplo: indústria automobilística, decigarros, informática, etc. A característica fundamental do oligopólio é a existênciada interdependência entre as empresas. Dado a importância decada empresa no setor, as decisões de uma quanto a preços,qualidade, propaganda, etc., afetam o comportamento dasdemais. 71
  72. 72. Uma forma bastante conhecida de organizaçãooligopolista são os Cartéis. Cartel é uma organização de produtores com o objetivode maximizar os lucros em determinado setor. São baseados,principalmente em acordos quanto a determinação de preços.15.5. Monopsônio Monopsônio é caracterizado pela existência de muitosvendedores e um único comprador. É comum no mercado detrabalho, de matérias-primas e no governo.15.6. Oligopsônio Oligopsônio é caracterizado pela existência de poucoscompradores que dominam o mercado. É comum no mercado deindústrias alimentícias e seus fornecedores.72
  73. 73. BIBLIOGRAFIA BÁSICA COMPLEMENTAR CASTRO, A. B. e LESSA, C. Introdução à economia,33a. edição, Forense Universitária, 1991. GARÓFALO, G.L. e CARVALHO, L.C. Teoria doconsumidor e análise da procura, São Paulo, Atlas, 1981. LEFTWICH, R. H. O sistema de preços e a alocação derecursos, 7a. edição, São Paulo, Pioneira, 1991. PASSOS, C. R. M. e NOGAMI, O. Princípios deEconomia, São Paulo, Pioneira, 1998. PINHO, D. B. e VASCONCELLOS, M. A. S. Manualde economia, 3a. edição, São Paulo, Saraiva, 1998. PINTO, A. e FREDES, C. Curso de economia, 5a.edição, Rio de Janeiro, Difel, 1977. RIANI, F. Economia: princípios básicos e introdução àmicroeconomia, São Paulo, Pioneira, 1998. SAMUELSON, P. A. Introdução à análise econômica,Rio de Janeiro, Editora Agir, 1972. SOUZA, N. J. (coord.). Introdução à economia, SãoPaulo, Atlas, 1997. VARIAN, H. R. Microeconomia – Princípios básicos, 1a.reimpressão, Rio de Janeiro, Ed. Campus, 1994. VICECONTI, P. E. e NEVES, S. Introdução àeconomia, Frase Editora,1995. WESSELS, W. J. Economia, São Paulo, Saraiva, 1998. WONNACOTT, P. e WONNACOTT, R. Economia, 2a.edição, Makron Books, 1994. 73

×