Editorial, Volume 2, Número 1, Ano 2013

EDITORIAL

A revista Contextos da Alimentação em seu terceiro número reafirma seu...
Apresentação, Volume 2, Número 1, Ano 2013

APRESENTAÇÃO DO DOSSIÊ SABORES E SABERES DO ENSINO EM HOSPITALIDADE

Ana Marta...
Dossiê, Volume 2, Número 1, Ano 2013

PROJETOS INTEGRADORES: ELEMENTOS CONSTITUTIVOS DE UMA HISTÓRIA DE
SUCESSO

INTEGRATI...
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disciplinas e estar suficientemente claro, coerente e detalhado no referido document...
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Introdução
A vivência interdisciplinar é descrita por especialistas como uma prática...
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Constata-se, pois, que, embora desde sempre tenha sido uma marca pedagógica
diferenc...
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O parágrafo introdutório do Projeto Integrador I, presente na seção de abertura do
m...
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Ciente de que o avanço interdisciplinar depende do progresso das próprias disciplina...
Dossiê, Volume 2, Número 1, Ano 2013

BARROS, C. S. G. Pontos de psicologia geral. 13. ed. São Paulo: Atlas, 2001.
BOCK, A...
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Versões
Intermediárias

Datas de
Postagem
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Etapas a cumprir

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Figura1: Painel de divulgação dos Projetos Integradores dos cursos de
Hotelaria, Gas...
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disciplina e estar “suficientemente claro, coerente e detalhado” no referido documen...
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JAPIASSU, H. Interdisciplinaridade e patologia do saber. Rio de Janeiro: Imago,
1976...
Dossiê, Volume 2, Número 1, Ano 2013

A TEORIA NA PRÁTICA É MUITO MELHOR.ESTUDO DE CASO: JOGO HOST
CASE STUDY: HOST BUSINE...
Dossiê, Volume 2, Número 1, Ano 2013

business.
Key-words: business game, practice, learning.

Ao formar profissionais par...
Dossiê, Volume 2, Número 1, Ano 2013

Masetto (2010) destaca que um dos principais aspectos para motivar e envolver o alun...
Dossiê, Volume 2, Número 1, Ano 2013

As decisões tomadas pelos alunos eram lançadas em um programa desenvolvido em
planil...
Dossiê, Volume 2, Número 1, Ano 2013

O próprio desenvolvimento do HOST é um exemplo de que a teoria é melhor, e muito
mai...
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Nem todo aluno consegue compreender esta complexidade, ou se interessa em decifrá-la...
Dossiê, Volume 2, Número 1, Ano 2013

Referências
FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática edu...
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POTENCIALIDADES E DESAFIOS PARA A FORMAÇÃO DO PROFISSIONAL DE EVENTOS
NO MERCADO BRA...
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specialized labor, deepening this last theme based from the experience of the curric...
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Brasil, Abrafec, Abrace, Ampro, Sindiprom e Ubrafe), aponta que 74,6% das empresas
c...
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internacional, o Brasil ocupa posição de destaque. Segundo relatório da Internationa...
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O setor envolve atividades de diferentes áreas da hospitalidade – receptivo, hotelar...
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nossos alunos já atuam na área como empreendedores na organização, prestação de serv...
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centro esportivo, centro de convenções, centros de inovação e laboratórios, salas de...
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ESTUDOS APLICADOS EM HOSPITALIDADE: O DESAFIANTE DIÁLOGO ENTRE A
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entre o mundo do teórico e a realidade se mostra um instrumento fundamental para que...
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Empresa , Poder Público e Sociedade.
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pode ser adquirida nos programas que se dedicam apenas à teoria.
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DENCKER, Ada de F. M.; BUENO, Marielys S. (Orgs.). Hospitalidade: cenários e
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RELATO DE EXPERIÊNCIA: EMPRESA JUNIOR DO SENAC-SP
THE EXPERIENCE OF JUNIOR ENTERPRIS...
Dossiê, Volume 2, Número 1, Ano 2013

Abstract
The Hospitality area in Brazil have been changing significantly in the last...
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nesta área eram bastante restritos.
Desta forma, para um egresso do curso superior e...
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uma das primeiras empresas Junior do Brasil, com data de fundação em 1992.
A partir ...
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Paula Ueti para projetos e Rafael Csermak para gestão de pessoas, especificamente ne...
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“A experiência foi o passo inicial em minha carreira. Passei pela área de Gestão de
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Atualmente a empresa junior do Centro Universitário Senac – Campus Santo Amaro,
cont...
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DESAFIO SENAC: ALUNOS NO COMANDO; ESTRATÉGIA DE APRENDIZAGEM
SIGNIFICATIVA PARA A FO...
Dossiê, Volume 2, Número 1, Ano 2013

Abstract
This article will introduce the course Desafio Senac: alunos no comando (Ch...
Dossiê, Volume 2, Número 1, Ano 2013

especialmente algumas apoiadas em recursos da tecnologia
educacional.
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O curso Bacharelado em Hotelaria, desenvolvido pelos docentes do Senac São Paulo
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O mercado reconhece a experiência profissional como um fator importante para o
ingre...
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próprio conhecimento. O trabalho coletivo e a interação professor-aluno são colabora...
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departamentos de A&B, hospedagem, eventos, dentre outros. Em seguida, os alunos gest...
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também está nos clientes com quem eles vão trabalhar. São profissionais do trade tur...
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Referências
GAETA, M.; MASETTO, M. Metodologias Ativas e o Processo de Aprendizagem ...
Dossiê, Volume 2, Número 1, Ano 2013

DESAFIO SENAC: ALUNOS NO COMANDO - PERCEPÇÃO E REFLEXÃO DOCENTE
SENAC THE CHALLENGE:...
Dossiê, Volume 2, Número 1, Ano 2013

Abstract
Learning is part of individual’s everyday life and it has always been prese...
Revista Contextos da Alimentação edição completa Vol. 2 n. 1
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A Contextos da Alimentação é uma Publicação Científica do Centro Universitário Senac que publica trabalhos originais que envolvam estudos sobre contextos da alimentação: histórico, geográfico, nutricional, sociológico, antropológico, literário, culinário e artístico.

Confira na edição Vol. 2 nº 1 o dossiê especial "Sabores e Saberes da Hospitalidade" e entrevista realizada o COO da Accor Latin America Roland Bonadona, acesse:

http://www.youtube.com/watch?v=5ouzglmd-qI&feature=youtu.bec

Confira também os artigos:

- O Bolo Souza Leão: Pernambuco dos sabores culturais
- Leite Condensado: Gerações do Leite Moça


Acesse a revista na íntegra!

http://www3.sp.senac.br/hotsites/blogs/revistacontextos/

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Revista Contextos da Alimentação edição completa Vol. 2 n. 1

  1. 1. Editorial, Volume 2, Número 1, Ano 2013 EDITORIAL A revista Contextos da Alimentação em seu terceiro número reafirma seu papel de espaço multidisciplinar e de amplificador de discussões sobre os diferentes contextos e olhares sobre a área de Hospitalidade, na qual pode-se incluir a gastronomia. A discussão sobre as relações afetivas que se estabelecem através da alimentação e dos alimentos esta presente de maneira relevante nesta edição. De diferentes formas o conceito de comida de alma, soul food, ou de comfort food são discutidos em um cenário cultural brasileiro de forma interessante em artigos que usam elementos regionais, como o bolo Souza Leão e de forma mais geral e relacionada ao ingrediente no artigo sobre o Leite Condensado. As relações que se estabelecem com estes produtos se dá de maneira quase imperceptível, pois são passadas de geração para geração e quando toma-se consciência do que esta sendo ingerido, percebe-se que existe uma relação mais profunda com estes produtos, sejam em caráter nacional ou local. Além destas discussões, nesta edição abre-se espaço para o primeiro Dossiê desta revista, assim, pode-se tratar de forma mais abrangente um tema específico, e o tema escolhido foram as experiências do ensino de Hospitalidade encontradas no SENAC-SP há quase um quarto de século, sendo uma das pioneiras no ensino de gastronomia, hotelaria e turismo no Brasil. Boa leitura. Marcelo Traldi Fonseca Editor 1
  2. 2. Apresentação, Volume 2, Número 1, Ano 2013 APRESENTAÇÃO DO DOSSIÊ SABORES E SABERES DO ENSINO EM HOSPITALIDADE Ana Marta de Brito Borges Avelas de Araujo 1 Organizadora do Dossiê Tradição em inovação. Tal relação poderia parecer conflituosa, não fosse ela a definição do perfil de atuação do Centro Universitário Senac. Marcando seu ingresso no ensino superior ao oferecer o curso de Tecnologia em Hotelaria nos idos de 1989, iniciava-se ali a busca incessante pela excelência na formação em hospitalidade de maneira inovadora. Do curso pioneiro em território nacional à implantação de práticas inéditas na formação em hospitalidade, a trajetória do Centro Universitário Senac é pontuada por iniciativas ousadas – sendo a mais recente delas a entrega de seus dois hotéis-escola para a completa gestão por seus alunos ainda em formação. Construído por docentes, egressos e gestores da área de hospitalidade do Centro Universitário Senac, este dossiê apresenta com mais detalhes as iniciativas das frentes de práticas em sala de aula, pesquisa e projetos complementares, trazendo um breve panorama da jornada que a instituição vem traçando ao longo deste quase quarto de século. Não só como histórico, este dossiê também se apresenta ao leitor como um convite para participar da construção das próximas páginas desta jornada. 1 Bacharel em Hotelaria pelo Centro Universitário Senac, Mestre em Hospitalidade pela Universidade Anhembi Morumbi. Pesquisa a área de comensalidade em família desde 2005 com diversas publicações sobre o tema. No Centro Universitário Senac coordenou a pós-graduação Lato Sensu em Administração e Organização de Eventos, os cursos superiores de Tecnologia em Eventos e Tecnologia em Hotelaria e, atualmente, é pesquisadora da área de Cultura, Consumo e Comportamento e leciona nos cursos da área de hospitalidade no campus Santo Amaro. 2
  3. 3. Dossiê, Volume 2, Número 1, Ano 2013 PROJETOS INTEGRADORES: ELEMENTOS CONSTITUTIVOS DE UMA HISTÓRIA DE SUCESSO INTEGRATION PROJECTS: CONSTITUTIVE ELEMENTS OF A SUCCESS HISTORY Maria Cecília Preto da Rocha de Almeida 1 Resumo Este artigo tem como objetivo descrever o processo de construção de práticas interdisciplinares, no curso de Bacharelado em Hotelaria, do Centro Universitário Senac Campus Santo Amaro - SP, a partir da análise do manual de orientação para alunos e professores do Projeto Integrador I - Cenários da Hospitalidade Paulistana - , do primeiro período, de forma a discutir se os pressupostos teóricos que subjazem a sua elaboração tendem a favorecer a produção de experiências interdisciplinares bem sucedidas. Os dados analisados apontam que qualquer que seja o projeto integrador, ele deve refletir, no manual de orientação a professores e alunos, 1 a marca da colaboração e da integração entre as Maria Cecília Preto da Rocha de Almeida é mestre em Linguística Aplicada e graduada em Letras. Atualmente é docente das disciplinas Projeto Integrador, Metodologia, Pesquisa, Tecnologia e Sociedade, Comunicação e Expressão, Estágio Supervisionado nos cursos de Bacharelado em Hotelaria, Tecnologia em Hotelaria, Bacharelado em Ciências Contábeis, Tecnologia em Redes de Computadores, Tecnologia em Sistemas para a Internet, do Centro Universitário Senac – Campus Santo Amaro-SP. É responsável pela seleção dos temas, elaboração e correção das redações do Processo Seletivo Presencial e à Distância dos cursos de graduação da Instituição. Atua junto às coordenações de área e professores, auxiliando-os na produção de itens avaliativos para a Avaliação de Aprendizagem aplicada aos cursos que passam pelo Enade e orienta alunos quanto ao formato do exame e as maneiras de aprimorar o desempenho na referida avaliação. Realiza também oficinas de redação para alunos de Iniciação Científica do Centro Universitário Senac, Campus-Santo Amaro-SP. 3
  4. 4. Dossiê, Volume 2, Número 1, Ano 2013 disciplinas e estar suficientemente claro, coerente e detalhado no referido documento. Nesse sentido, projetos bem sucedidos não nascem de fórmulas intuitivas, mas sim a partir da construção de processos informados teoricamente sobre o que é interdisciplinaridade, os aspectos que a caracterizam e o papel de cada um dos atores envolvidos. Portanto, um projeto integrador tem chances de configurar-se como interdisciplinar e uma história de sucesso, quando está apoiado em pressupostos epistemológicos e metodológicos que são periódicamente revisitados e rompe com modismos, improvisação e acomodação. Palavras-chave: Projeto Integrador. Marca Diferenciadora. Atitude Interdisciplinar. Construção do saber. Manual. Abstract This paper aims to describe the process of building interdisciplinary practices in the course of Bachelor in Hospitality, at Senac University Center - Santo Amaro Campus - SP, from the analysis of the manual for students and teachers of the Integrating Project I - Scenarios of Paulistana Hospitality - the first period, in order to discuss if the theoretical assumptions that underlie their development tend to favor the production of successful interdisciplinary experiences. The analyzed data show that whatever the project, it should reflect in its manual for teachers and students, the collaboration and integration traces among the disciplines and must be sufficiently clear, coherent and detailed in this document. In this sense, successful projects are not born out of intuitive formulae, but from the construction process theoretically informed about what interdisciplinarity is, the aspects that characterizes it and the role of each of the actors involved. Therefore, an integrating project has the chance to be considered as interdisciplinary and a successful case when it is supported by epistemological and methodological assumptions that are regularly revisited and break with fads, improvisation and non-proactivity. Keywords: Integrating Project. Differentiating Mark. Interdisciplinary Attitude. Knowledge Construction. Manual. 4
  5. 5. Dossiê, Volume 2, Número 1, Ano 2013 Introdução A vivência interdisciplinar é descrita por especialistas como uma prática que exige reflexão crítica profunda e inovadora sobre as formas de aquisição do conhecimento, uma atitude de insatisfação diante da visão tradicional de ensino que trata o saber como algo fragmentado, além de uma postura de abertura ao diálogo com outras disciplinas (JAPIASSU, 1976, FAZENDA, 1998, SEVERINO, 1998). O percurso de vinte quatro anos de experiências interdisciplinares realizado pelos cursos de Turismo, Hotelaria e Gastronomia do Senac tem origem nos Trabalhos de Análise Interdisciplinares (TAIs), do curso de Tecnologia em Hotelaria e nos Projetos Interdisciplinares (PROINs), do curso de Bacharelado em Hotelaria, na época faculdades isoladas. Hoje, no Centro Universitário, o que era um projeto de final de curso e um trabalho conduzido por um docente dentro da sua disciplina, ganha status de componente curricular sob a denominação de Projeto Integrador (PI). Com carga horária total de 216 horas, distribuídas igualmente do primeiro ao sexto períodos do Bacharelado em Hotelaria, e 144 horas no de Tecnologia em Hotelaria, depois de Estágio Supervisionado é a disciplina com maior número de aulas nos referidos cursos. Em Tecnologia em Gastronomia, com 144 horas, igualmente diluídas ao longo do primeiro ao quarto semestre, depois de Habilidades Básicas de Cozinha, é também a segunda maior carga horária do curso. Já em Tecnologia em Eventos, graduação presente recentemente no catálogo de cursos oferecidos pela instituição, também é reservado a Projeto Integrador 144 horas, desmembradas ao longo dos quatro períodos, sendo o componente curricular com maior quantidade de aulas. Em 2005, um grupo de pesquisadores da então linha “Cultura, Entretenimento e Hospitalidade”, ao refletir sobre o fazer interdisciplinar praticado pela área, trouxe resultados que evidenciavam a sua importância para a formação profissional dos alunos, mas também chamavam a atenção para o seu caráter intuitivo e alertavam para o esgotamento gradativo de um modelo interdisciplinar guiado somente pela prática (RAMOS et al., 2005). 5
  6. 6. Dossiê, Volume 2, Número 1, Ano 2013 Constata-se, pois, que, embora desde sempre tenha sido uma marca pedagógica diferenciadora da área, Projetos Integradores apresenta-se como um campo de estudo ainda carente de investigações sistematizadas que levem professores, coordenadores, alunos e instituição em direção a uma sólida compreensão sobre a prática realizada. Projetos interdisciplinares são concebidos, desenvolvidos, finalizados e apresentados influenciados pela relação que se estabelece entre professor orientador, professores coorientadores e alunos, coordenadores e instituição. Este artigo tem como objetivo descrever o processo de construção de práticas interdisciplinares, no curso de Bacharelado em Hotelaria, do Centro Universitário Senac - Campus Santo Amaro - SP, a partir da análise do manual de orientação para alunos e professores do Projeto Integrador I - Cenários da Hospitalidade Paulistana - , do primeiro período, de forma a discutir se os pressupostos teóricos que subjazem a sua elaboração tendem a favorecer a produção de experiências interdisciplinares bem sucedidas. A Experiência Interdisciplinar O exercício da interdisciplinaridade é condição natural e interna das ciências, para melhor apreensão da realidade que nos cerca (FAZENDA, 2006, FERREIRA,2001). O processo de aprendizagem interdisciplinar, na visão de Santos (2010), deve ser encarado como um processo global e complexo, em que a teoria e a prática se fundem e o conhecimento da realidade e a intervenção nela tornam-se faces de uma mesma moeda. A aprendizagem é desencadeada a partir de um problema que surge e que conduz à investigação à busca de informações, à construção de novos conceitos, à seleção de procedimentos adequados (p.166). 6
  7. 7. Dossiê, Volume 2, Número 1, Ano 2013 O parágrafo introdutório do Projeto Integrador I, presente na seção de abertura do manual e transcrito abaixo, demonstra sintonia com o pensamento de Fazenda (2006) e Santos (2010, constituindo-se no ponto de partida detonador do Projeto Integrador I - Cenários da Hospitalidade Paulistana, cujo conceito-chave mobiliza as disciplinas de Comunicação , Eventos e Lazer , Fundamentos do Turismo e Hospitalidade , Operação e Supervisão em Serviços de A&B , Operação e Supervisão em Serviços de Hospedagem , Pesquisa, Tecnologia e Sociedade, Psicologia das Relações Humanas e Teorias da Administração. A hospitalidade, tema antigo na sociedade, destaca-se, hoje, como um amplo e rico campo de investigação científica e atuação profissional. A partir da experiência educativa de integração das disciplinas, da reunião de múltiplos olhares, e de atividades práticas, os alunos do primeiro período, do curso de bacharelado em hotelaria, vivenciam situações reais, interagem com a sociedade de forma critica, exploram os fundamentos teóricos da hospitalidade e analisam a importância de sua aplicação em um cenário público ou comercial, de escolha dos grupos, ampliando a compreensão sobre os problemas e os desafios da realidade pesquisada. As questões que norteiam o projeto interativo deste semestre são: Como se caracteriza a hospitalidade do local visitado? De que maneira os setores e profissionais do mercado refletem na prática o conceito? Uma característica que chama atenção de professor e alunos que se engajam em experiências interdisciplinares, de acordo com Japiassu (1976, p.74) é “a intensidade das trocas entre os especialistas e o grau de integração real das disciplinas no interior de um projeto específico de pesquisa”. Para que um projeto interdisciplinar tenha sucesso é necessário que todos os atores estejam envolvidos no processo e dele desejem fazer parte (FAZENDA, 2006, BOCHNIAK, 2001). Embora elencados como objetivos específicos (itens a e b), no referido manual, tais dados evidenciam que a interdisciplinaridade exige de todo especialista o reconhecimento dos limites de seu saber, assim como a humildade para receber as contribuições das outras disciplinas, reconhecendo que todas elas se complementam em prol de objetivos comuns (FAZENDA, 2006). 7
  8. 8. Dossiê, Volume 2, Número 1, Ano 2013 Ciente de que o avanço interdisciplinar depende do progresso das próprias disciplinas, nos objetivos específicos abaixo, os docentes dos componentes curriculares de Fundamentos do Turismo e Hospitalidade e Teorias da Administração, por exemplo, exploram relações de interdependência e reciprocidade, postura interdisciplinar que favorece a construção de trabalhos de qualidade, alinhados com os pressupostos teóricos da Interdisciplinaridade: (a) introduzir os alunos no campo da pesquisa, propiciando-lhes o desenvolvimento de uma visão abrangente e interdisciplinar sobre o universo da hospitalidade nos seus diferentes domínios; familiarizar os alunos com conceitos chave da hospitalidade para que sejam capazes de reconhecê-los, interpretá-los no cenário de estudo escolhido; (b) provocar a reflexão sobre os processos administrativos e sua influência na percepção da hospitalidade, analisando o planejamento, organização, direção e controle dentro da empresa; apresentar organograma, descrição de cargos e instrumentos de controle da empresa (se esta não tiver, caso os tenha, somente reproduzir); analisar a eficiência e eficácia dos processos; Como destacou-se acima, na proposta expressa no manual subjaz a concepção teórica de interdisciplinaridade que exige do professor orientador e dos coorientadores do projeto disposição intelectual para refletir e questionar as formas tradicionais de aquisição do conhecimento. Para que a pesquisa interdisciplinar tenha credibilidade e os alunos possam atingir os objetivos propostos, uma investigação científica deve fundamentar-se em teorias reconhecidas pela área, e apoiar-se em procedimentos metodológicos indicados pelos professores do semestre. O manual analisado destaca na seção 2 Metodologia, subseção 2.1 Da condução do estudo algumas obras que darão sustentação à pesquisa, além de materiais online, revistas, jornais: 8
  9. 9. Dossiê, Volume 2, Número 1, Ano 2013 BARROS, C. S. G. Pontos de psicologia geral. 13. ed. São Paulo: Atlas, 2001. BOCK, A. M. B. ; FURTADO, O.; TEIXEIRA, M.L.T. Psicologia: uma introdução ao estudo de psicologia. 13. ed. São Paulo: Saraiva, 1999. BRAGA. M. R.G. Viagens e viajantes. Brasília: Brasília – DF, 2001. CAMARGO, L.O.L. Hospitalidade . São Paulo: Aleph, 2004. CÂNDIDO, I. Governança em hotelaria. Caxias do Sul: EDUCS, 2000 Os dados acima também revelam o papel que os projetos interdisciplinares, em nível de universidade, procuram ocupar hoje na busca da superação da dicotomia ensino-pesquisa, “transformando as salas de aulas dos cursos de graduação em locais de pesquisa, não restringindo esta prática somente aos cursos de pós-graduação” (FAZENDA, 2006, p.73). Para Santos (2010), ao se pensar no desenvolvimento de projetos integradores, é de fundamental importância que o professor orientador “esteja presente em todas as fases, esclarecendo dúvidas, sugerindo melhorias, envolvendo e estimulando todos na participação e realizando sínteses integradoras.” (p.169-170). Tal atitude interdisciplinar encontra-se refletida no manual na seção 2 Metodologia – Da condução do estudo, subseção 2.2 Das Obrigações : 2.2.1 Cabe ao professor orientador Em sala, fazer a leitura do manual, esclarecendo as dúvidas que possam surgir, corrigir as 6 (seis) versões intermediárias, conforme as datas especificadas no quadro abaixo: 9
  10. 10. Dossiê, Volume 2, Número 1, Ano 2013 Versões Intermediárias Datas de Postagem e entrega Etapas a cumprir 1ª. 05/03 Introdução - Capítulo I 2ª 19/03 Introdução - Capítulo I 3ª. 02/04 Introdução - Capítulos I e II 4ª. 16/04 Introdução - Capítulos I e II 5ª. 30/04 Introdução - Cap I e II Considerações finais 6ª 14/05 Introdução - Cap I e II Considerações finais Versão final 04/06 Projeto Escrito (2 cópias impressas) CD com trabalho escrito Quadro 1: Cronograma de entrega das versões intermediárias do PI I Fonte: A autora, 2013. Igualmente importante numa pesquisa é a sua divulgação (BOCHNIAK,2001). Prevista no manual, tal oportunidade acontece durante a Semana Unificada de Apresentações (SUA), quando os diferentes períodos da área em questão socializam entre os grupos do seu período e de outros os resultados dos projetos integradores por eles desenvolvidos. Tal divulgação também alcança os demais alunos do campus que têm a chance de conhecer esses trabalhos e de aprender com a experiência interdisciplinar do outro. O painel de divulgação abaixo ilustra esse momento de diálogo entre as áreas: 10
  11. 11. Dossiê, Volume 2, Número 1, Ano 2013 Figura1: Painel de divulgação dos Projetos Integradores dos cursos de Hotelaria, Gastronia, Eventos e Nutrição Fonte: Centro Universitário Senac, 2012. Considerações finais Como visto neste artigo, o Projeto Integrador dos cursos de Hotelaria, Gastronomia e Eventos, hoje um componente curricular com carga horária significativa, apresenta uma ampla herança de realizações e se constitui em uma das marcas de destaque da Instituição. Para que o sucesso dessa longa empreitada interdisciplinar em direção à aquisição do conhecimento não fragmentado mais e mais se intensifique, desviando-se de um fazer improvisado (RAMOS et al., 2005), qualquer que seja o projeto integrador, ele deve refletir no manual de orientação a professores e alunos a marca da colaboração e da integração entre as 11
  12. 12. Dossiê, Volume 2, Número 1, Ano 2013 disciplina e estar “suficientemente claro, coerente e detalhado” no referido documento (FAZENDA, 2006, p.72). Nesse sentido, projetos bem sucedidos não nascem de fórmulas intuitivas, mas sim a partir da construção de processos informados teoricamente sobre o que é interdisciplinaridade, os aspectos que a caracterizam e o papel de cada um dos atores envolvidos. Portanto, como bem alerta Fazenda (2006), um projeto integrador tem chances de configurar-se como interdisciplinar e ser uma história de sucesso, quando está apoiado em pressupostos epistemológicos e metodológicos que são periodicamente revisitados e rompe com modismos, improvisação e acomodação. Referências BOCHNIAK, R. O questionamento da interdisciplinaridade e a produção do seu conhecimento na escola. In: Fazenda, I. (org.) Práticas Interdisciplinares na Escola. São Paulo: Editora Cortez, 2001, p.129. FAZENDA, I. Interdisciplinaridade: qual o sentido? 2.ed. São Paulo: Editora Paulus, 2006. ________. A aquisição de uma formação interdisciplinar de professores. S.Paulo: Papirus, 1998. FERREIRA, M. E. de M. P. Ciência e interdisciplinaridade. In: FAZENDA, I. (Org.) Práticas Interdisciplinares na Escola. São Paulo: Editora Cortez, 2001. 12
  13. 13. Dossiê, Volume 2, Número 1, Ano 2013 JAPIASSU, H. Interdisciplinaridade e patologia do saber. Rio de Janeiro: Imago, 1976. RAMOS, C. et al. Vivências educacionais : trilhas interdisciplinares. II EPE Centro Universitário Senac-Campus Santo Amaro-SP, 2005. SANTOS, J. Educação profissional & práticas de avaliação. São Paulo: Editora Senac São Paulo, 2010. SEVERINO, A. S. O conhecimento pedagógico e a Interdisciplinaridade: o saber como intencionalização da prática. In: Fazenda, I. (Org.) Didática e interdisciplinaridade. S. Paulo: Papirus, 1998. AGRADECIMENTOS Aos professores do curso de Bacharelado em Hotelaria, pela contribuição na elaboração dos objetivos específicos listados no manual, instrumento de análise neste artigo. 13
  14. 14. Dossiê, Volume 2, Número 1, Ano 2013 A TEORIA NA PRÁTICA É MUITO MELHOR.ESTUDO DE CASO: JOGO HOST CASE STUDY: HOST BUSINESS GAME Marcia Akemi Takahashi Baltieri 1 Resumo A aplicação de conceitos teóricos em atividades práticas possibilita ao aluno, na maioria das vezes, uma situação de aprendizado mais vantajosa e efetiva. Em cursos de hotelaria, disciplinas que desenvolvem conteúdos teóricos associados à gestão, controles contábeis, análise operacional e financeira podem se beneficiar da utilização de um jogo que simula a gestão de um empreendimento hoteleiro. Tal jogo pode ser utilizado para que o aluno desenvolva uma visão sistêmica do negócio hoteleiro. Palavras-chave: jogo, prática, aprendizado. Abstract The application of theoretical concepts in practical activities allows students, most often, a learning situation more advantageous and effective. In hospitality courses, disciplines that develop theoretical concepts associated with the management, accounting controls, financial and operational analysis can be benefited from the use of a game that simulates the hotel management. This game can be used by the student to develop a systemic view of the hotel Graduada em hotelaria pelo Centro de Estudos de Administração em Turismo e Hotelaria (Senac/Aguas de São Pedro), mestre em Turismo pelo Centro Universitário Ibero-Americano (São Paulo) e mestre em Ciências pelo programa de Pósgraduação em Engenharia de Produção da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC/USP). É professora do Centro Universitário Senac, campus Aguas de São Pedro, nos cursos superiores de hotelaria e gastronomia. 1 14
  15. 15. Dossiê, Volume 2, Número 1, Ano 2013 business. Key-words: business game, practice, learning. Ao formar profissionais para atuar no mercado de trabalho, é preciso considerar que bases teóricas bem fundamentadas são essenciais. Mas, em uma área em que a essência da atuação profissional está relacionada à prestação de serviços, alunos anseiam por desenvolver seu conhecimento pela prática. Apenas o estudo teórico de técnicas de limpeza, serviço ou atendimento não formam profissionais competentes para atuar na governança, restaurante, bar ou recepção de hotéis. Aqui, como em várias outras áreas, a prática é fundamental, principalmente porque envolve relacionamento humano. Nesse contexto, no qual os alunos valorizam todo o conhecimento que pode ser desenvolvido em situações reais ou que simulam a realidade, conceitos teóricos que não possam ser aplicados ou experimentados podem se tornar apenas um tormento momentâneo – conteúdos que precisam ser estudados para provas que precisam ser superadas para que eles possam atuar na profissão que escolheu. Conteúdos puramente teóricos, fragmentados, não costumam ser significativos para os alunos, que apresentam dificuldades para se apropriar das partes e relacioná-las a um todo. Esta é uma dificuldade que Morin (2002) aponta como um saber necessário à educação do futuro. Quando os conteúdos teóricos envolvem números, como em componentes curriculares que tratam da contabilidade e finanças, acrescenta-se - à falta de compreensão destes conteúdos específicos – uma resistência diretamente proporcional à dificuldade que o aluno enfrentou em aulas de matemática desde o ensino fundamental. Nos cursos de hotelaria, portanto, componentes curriculares que tratam de técnicas ou conceitos aplicáveis, que podem ser testados pelo aluno, garantem que aquele conteúdo apresente um significado real. Já componentes que tratam da gestão financeira do empreendimento, por exemplo, podem ser extremamente áridos para os alunos. 15
  16. 16. Dossiê, Volume 2, Número 1, Ano 2013 Masetto (2010) destaca que um dos principais aspectos para motivar e envolver o aluno é utilizar técnicas que propiciem a aprendizagem por meio da aplicação dos conhecimentos em situações da vida prática. Não sendo possível esta aplicação prática - já que dificilmente os alunos tem a possibilidade de gerenciar financeiramente um negócio - situações de simulação da realidade profissional podem criar ambiente favorável para estimular o aluno a estudar e aprender. Estas simulações, ou estudos de caso, devem incorporar aspectos reais para permitir a compreensão de determinados conceitos teóricos. David Lord Tuch, professor responsável pelo extinto departamento contábil/financeiro dos cursos de graduação em hotelaria do Senac São Paulo até o início da década de 2000, utilizava um jogo denominado GASH (Gestão Administrativa Simulada Hoteleira) como estudo de caso. Tuch é mestre em Administração Hoteleira pela Cornell University, onde jogo similar 2 até hoje é utilizado nos cursos de graduação por professores como Robert Kastner . O objetivo do jogo do professor Tuch, assim como do professor Kastner, era garantir a reflexão dos participantes a respeito de diversos conhecimentos de administração de empresas, aplicados em um ambiente competitivo devidamente contextualizado. Para tanto, os alunos eram divididos em equipes e atuavam no gerenciamento de um hotel em um ambiente hipotético, ideal, na qual todas as equipes contavam com as mesmas condições competitivas e atraiam todos os segmentos de demanda. As equipes de alunos do professor Tuch deveriam tomar decisões a respeito de: 1) Preços a serem praticados, por tipo de apartamento e segmento de demanda a ser atraído; 2) Valor de gasto com propaganda, visando atrair determinados segmentos de demanda; 3) Número de funcionários e respectivos salários médios, bem como percentual adicional de encargos e benefícios; 4) Valor de gasto com manutenção; 5) Aquisição (ou não) de relatórios de mercado que apontavam os resultados gerais do mercado na qual o hotel administrado estava competindo. 2 O professor Kastner esteve no Brasil, em março deste ano, para ministrar um curso de extensão universitária em uma parceria do Senac SP e Cornell University 16
  17. 17. Dossiê, Volume 2, Número 1, Ano 2013 As decisões tomadas pelos alunos eram lançadas em um programa desenvolvido em planilhas de Excel, e geravam relatórios de vendas por segmento, de receitas, gastos e resultados (demonstração de resultados de exercícios) e de situação financeira/patrimonial (balanço patrimonial), além de gráficos de satisfação de clientes, funcionários e qualidade predial. Quando adquirido pelo aluno, havia também um relatório com resultados do mercado, para que ele pudesse analisar a concorrência e suas próximas decisões. Embora o objetivo 3 fosse analisar as implicações financeiras das decisões tomadas , observa-se que as decisões que os alunos deveriam adotar permitia discussões a respeito de políticas de recursos humanos, práticas e políticas de manutenção preventiva, preditiva e corretiva, políticas de vendas ou até mesmo conceitos de marketing. Sendo uma ferramenta limitada, direcionada a um componente curricular específico, possibilitava o envolvimento de outros componentes curriculares diversos, de forma interdisciplinar – o que não era devidamente explorado, justamente pela estrutura fragmentada como os conceitos eram, e ainda são, trabalhados em sala de aula. Ainda assim, o jogo era muito útil para despertar o interesse dos alunos em relação aos conceitos envolvidos na administração de um negócio hoteleiro. E, sendo um jogo, despertava um espírito competitivo entre muitos dos alunos, que se debruçavam sobre as informações disponíveis para tomar decisões que pudessem coloca-los em vantagem sobre seus concorrentes. Os mesmos resultados e comportamento também foram relatados pelo professor Kastner em relação a seus alunos da Cornell University. Nossos alunos, entretanto, apontavam que o jogo poderia ser melhorado se incorporasse alguns elementos imprevistos, como situações econômicas ou até climáticas que causassem uma mudança de cenário – pois isso os desafiaria, conduzindo-os a outro nível de reflexão e aprendizado. Percebendo as possibilidades de utilização desta ferramenta, que poderia ser utilizada em vários cursos de forma mais interativa, a Gerência de Desenvolvimento da área de hotelaria do Senac São Paulo promoveu a criação de um software que teve o jogo GASH como inspiração. 3 E habituar o aluno à leitura de relatórios contábeis e estatísticas, bem como à utilização de índices baseados nas informações obtidas nestes relatórios para embasar as decisões futuras. 17
  18. 18. Dossiê, Volume 2, Número 1, Ano 2013 O próprio desenvolvimento do HOST é um exemplo de que a teoria é melhor, e muito mais enriquecedora, na prática. Ao longo de todo o processo de criação e testes, o HOST contou com a participação de alunos de diferentes cursos do Senac, em uma equipe multi e interdisciplinar, com orientação de professores e profissionais de mercado. Atualizado, mais completo e interativo, o jogo batizado HOST buscou aproximação com a realidade atual do mercado hoteleiro. Enquanto o GASH limitava a competição a 8 hotéis com características idênticas em um local hipotético, o HOST é um jogo composto por 55 hotéis, distribuídos em áreas urbanas (diferentes regiões da cidade de São Paulo), montanhosas ou litorâneas. Além da diferenciação em relação à localização, os hotéis são diferenciados em relação ao tamanho do empreendimento e à categoria: são classificados como econômicos, midscale, luxo, superluxo e resorts. Mudando o contexto, mudam também as referências para avaliação dos resultados. No GASH, os alunos se organizam em grupos, e ganhava o jogo quem obtivesse o melhor retorno de investimento. No HOST, o jogo é individual, e cada hotel apresenta uma necessidade distinta de investimento, cada investidor conta com possibilidades diversas de financiamento; além disso, o foco está nos resultados da operação, que dependem das decisões que cada aluno toma em relação a preços, gastos, serviços oferecidos. O professor pode utilizar critérios diferenciados para definir quem ganha o jogo. Mas não deve, jamais, deixar de fazer o aluno entender que ganha quem experimenta, quem reflete, quem questiona, quem busca entender o todo, e não só a parte. Morin (2002) apontou como um dos elementos essenciais para a educação a pertinência do conhecimento, que depende da capacidade de situar diversas informações de forma conjunta e contextualizada - em que se estabeleçam ¨as relações mútuas e as influências recíprocas entre as partes e o todo em um mundo complexo¨ (p.14). Esta é a proposta do jogo, em sua essência. Garantir que inúmeras variáveis, matematicamente quantificáveis, se relacionem para mostrar ao aluno que uma decisão pode provocar vários resultados, mas também que sua decisão depende das decisões de seus concorrentes, das necessidades de seus clientes, da situação econômica, das condições climáticas. Perceber estas relações, mesmo em um ambiente virtual simulado, é um grande desafio, que precisa da mediação de professores dispostos a fazer o aluno enxergar além de um conteúdo disciplinar fragmentado. 18
  19. 19. Dossiê, Volume 2, Número 1, Ano 2013 Nem todo aluno consegue compreender esta complexidade, ou se interessa em decifrá-la mas a proposta é, ao menos, apresentá-la. Trata-se de um desafio para o aluno, mas principalmente para o professor, que deve buscar envolvê-lo e fazê-lo refletir. É importante lembrar que o jogo é apenas uma ferramenta para facilitar a apropriação de conhecimentos específicos por parte do aluno. Sozinha, nenhuma ferramenta cumpre a função para a qual foi criada. É necessário que seja utilizada, e que seus usuários – alunos e professores - se permitam descobrir formas de torna-la útil, estimulante, enriquecedora. Como estratégia de ensino, o jogo precisa ser entendido, experimentado, aplicado dentro de um contexto. Freire (1996, p.47) destaca que ¨ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua própria produção ou a sua construção¨ . Essa construção exige um esforço contínuo, e não apenas por parte do professor – a participação do aluno é fundamental. Nenhuma construção consegue se manter sobre solo instável – as bases precisam ser trabalhadas, mas também os resultados do trabalho precisam ser analisados. O jogo, por si só, não é capaz de fazer o aluno entender conceitos teóricos. A mediação do professor é essencial. E a criação de um software não é suficiente para que o aluno desenvolva conhecimentos, ainda que estimule determinadas habilidades. Como observam Lepeltak e Verlinden (2005), a utilização de tecnologias no ensino inspirou muitas expectativas, até que se percebeu que um computador e seus softwares não podem resolver todos os problemas de ensino-aprendizagem. A tecnologia jamais substituirá um professor, apenas modifica seu papel. Por fim, destaca-se que precisamos superar - tanto alunos como professores - o hábito de entender o conhecimento como algo pronto e organizado (SOUZA; DEPRESBITERIS; MACHADO, 2004), sobre o qual não é necessário refletir, apenas reproduzir como uma receita de bolo que se teme mudar, sob risco de não dar certo. Para quem se permite entender, questionar e refletir, uma receita de bolo é só uma base que permite inúmeras variações de cardápio. 19
  20. 20. Dossiê, Volume 2, Número 1, Ano 2013 Referências FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996. LEPELTAK, Jan; VERLINDEN, Claire. Ensinar na era da informação: problemas e novas perspectivas. In: DELORS et cols. A educação para o século XXI. Porto Alegre: Artmed, 2005. P.206-221. MASETTO, Marcos T. Competência pedagógica do professor universitário. São Paulo, Summus, 2003. ___________. O professor na hora da verdade: a prática docente no ensino superior. São Paulo: Avercamp, 2010. MORIN, Edgar. Os sete saberes necessários à educação do futuro. 5.ed. São Paulo: Cortez; Brasília, DF: UNESCO, 2002. SOUZA, A.M.M.; DEPRESBITERIS, L.; MACHADO, O.T.M. A mediação como princípio educacional: as bases teóricas das abordagens de Reuven Feuerstein. São Paulo: Editora Senac São Paulo, 2004. 20
  21. 21. Dossiê, Volume 2, Número 1, Ano 2013 POTENCIALIDADES E DESAFIOS PARA A FORMAÇÃO DO PROFISSIONAL DE EVENTOS NO MERCADO BRASILEIRO POTENTIAL AND CHALLENGES FOR THE EVENT´S PROFESSIONAL TRAINING IN THE BRAZILIAN MARKET Sandra Helena Vieira Maia 1 Resumo O presente artigo trata do aquecimento do mercado de eventos e o crescimento de sua adoção pelas empresas como estratégia de comunicação e marketing. Analisa o impacto desta eclosão econômica setorial nas áreas do turismo e da hospitalidade. Trazendo dados de pesquisas, a autora aborda a oportunidade única e importância do Brasil, como “a bola da vez”, ao sediar os grandes eventos da Copa do Mundo e as Olimpíadas. Em seguida ressalta os desafios existentes, como a infraestrutura e a formação de mão de obra de excelência, aprofundando neste último tema, a partir da experiência de grade curricular do Curso Superior de Tecnologia em Eventos do Senac. Palavras-chave: eventos; marketing; economia; formação profissional. Abstract This article discusses the growth of market events and their adoption by companies as marketing and communication strategy. Analyzes the economic impact of this outbreak sector in the tourism and hospitality. Bringing research data, the author addresses the unique opportunity and importance of Brazil as "the flavor of the month", to host the major events World Cup and the Olympics. Then highlights existing challenges such as infrastructure and the formation of 1 Escritora e coordenadora do curso de graduação em Tecnologia em eventos do Centro Universitário Senac. Email: sandra.hvmaia@sp.senac.br Website da escritora: http://www.coisasdoamor.com.br 21
  22. 22. Dossiê, Volume 2, Número 1, Ano 2013 specialized labor, deepening this last theme based from the experience of the curriculum of the Course of Technology in Events Senac. Keywords: events; marketing; economics; vocational training. Introdução O mercado de eventos está aquecido e contribuindo com o desenvolvimento social e econômico do país. As variáveis que contribuem para este cenário são muitas, dentre elas, as grandes empresas passaram a entender a atividade como parte da estratégia de comunicação e marketing para estreitar o relacionamento com o público formador de opinião e, oferecer ao cliente experiência de marca. (FERREIRA; WADA, 2010) Os setores de turismo e hospitalidade, também fortalecidos, são fatores chave para o desenvolvimento de eventos nos segmentos de incentivo e viagens. O mercado corporativo, promocional, técnico científico, de feiras e negócios, sem citar as oportunidades nas áreas cultural, social, de lazer e entretenimento, dos eventos esportivos e dos eventos globais projetam inúmeras possibilidades de atuação para os profissionais da área. (PAIVA, 2008) Os dados do setor ainda não estão consolidados pela complexidade e dimensão das tipologias que caracterizam este segmento. 2 Só para exemplificar, segundo dados da AMPRO – Associação de Marketing Promocional , o setor deve fechar 2013 com crescimento médio de 8% e faturamento bruto, de US$ 22,323 bilhões. Os resultados do 1º Barômetro da Indústria de Eventos3, realizado em 2012 pela Expo Editora, (amostra 1.219 empresas de seu próprio cadastro e também de outras entidades, como Abeoc 2 AMPRO divulga pesquisa sobre dados do mercado de promoções. http://www.portaldapropaganda.com/promocao/2011/07/0001 3 BAROMETRO ANUAL, pesquisa desenvolvida pela EXPO EDITORA, publicada na Revista dos Eventos, Ano XV, número 67, 2013. 22
  23. 23. Dossiê, Volume 2, Número 1, Ano 2013 Brasil, Abrafec, Abrace, Ampro, Sindiprom e Ubrafe), aponta que 74,6% das empresas consultadas aumentou seus investimentos em 2012 e 67% delas confirmou que pretendem investir mais ainda em 2013. No mesmo estudo, o mercado de eventos corporativo foi apontado como o maior responsável pela melhoria dos negócios para 64,7% das empresas. O Estudo, apesar dos excelentes indicadores, aponta preocupação com escassez e encarecimento da mão de obra. Para complementar, pesquisa realizada pelo Instituto Alatur, aponta, no setor de eventos e exposições um crescimento de 43% no Brasil, em 2011. Pesquisa encomendada pelo Instituto Alatur e o Meeting Professionals International (MPI)4 mostra que o budget para eventos corporativos irá aumentar em 2013 12%, alcançando o valor médio aproximado por empresa de R$ 23 milhões. Segundo dados do Fórum Permanente de 5 Entidades do Setor de Eventos o ForEventos , criado em julho de 2011 para discutir assuntos de interesse comum do mercado de eventos, como Licitações, Trabalho Temporário e Articulação Política e Institucional, composto por entidades de representatividade nacional como ABEOC – ABEVT – ABGEV – ABIH – ABRACCEF – ABR – AMPRO – CBC&VB – FBHA – SKAL BR – UBRAFE e SPC&VB, o setor hoje é representado por cerca de 4.000 empresas e gera 5,1 milhões de empregos diretos e indiretos. E se o mercado corporativo dá sinais de crescimento acelerado nos próximos anos, o setor de 6 eventos sociais também. De acordo com a Abrafesta , o brasileiro gastou R$ 14,8 bilhões com cerimônias e festas de casamento em 2012, 8% a mais do que o desembolsado em 2011 e, as perspectivas para 2013 continuam positivas. A economia brasileira mudou e a nova classe C vem desempenhando papel importante no segmento de eventos social, cultural e de lazer e entretenimento. Em resumo: mercado de eventos cresce a dois dígitos em praticamente todos os setores. Segundo dados do Visite São Paulo, eventos é a segunda principal motivação para visitas na cidade, com 18,7%. Aqui são realizados um evento a cada 6 minutos, ou seja, 90 mil eventos por ano. E se no cenário nacional há muito espaço para o desenvolvimento do setor, no cenário 4 Instituto Alatur e MPI divulgam pesquisa 2012 sobre o setor de eventos no Brasil. Pesquisa publicada em agosto de 2012. http://www.abeoc.org.br/2012/08/instituto-alatur-e-mpi-divulgam-pesquisa-2012-sobre-o-setor-de-eventos-nobrasil/ 5 ForEventos, discute os problemas do setor de Eventos. http://www.abeoc.org.br/2012/10/foreventos-discute-sobrelicitacoes-e-legislacao-trabalhista-do-mercado-de-eventos-e-turismo-no-proximo-dia-15/ 6 Pesquisa Abrafesta aponta crescimento do setor http://www.canaldoempresario.com.br/lenoticia.php?id=197 23
  24. 24. Dossiê, Volume 2, Número 1, Ano 2013 internacional, o Brasil ocupa posição de destaque. Segundo relatório da International Association Meetings Market 2002-2011, publicado pela ICCA - International Congress and 7 Convention Association , o Brasil está em 7º lugar com 304 eventos ano atrás dos Estados Unidos, Alemanha, Espanha, Inglaterra, França e Itália. Nesse contexto, investir no setor pode ser uma opção sustentável e acertada. O Brasil é a bola da vez. Palco de grandes eventos e de mega shows nacionais e internacionais sedia a Copa das Confederações, a Copa do Mundo e as Olimpíadas, em 2016, o que deve contribuir para a profissionalização do setor e por colocar o país em outro patamar de serviços e acolhimento. “Brasil, bola da vez. Os megaeventos esportivos mundiais, que passaram a integrar a agenda de grande parte dos governos ao redor do mundo, constituem-se em elementos catalisadores de oportunidades tanto para empresas quanto para investidores ao influenciar diretamente o desempenho econômico, político e social de um país. O Brasil sediará esses megaeventos nos próximos anos – Copa do Mundo da FIFA em 2014 e Jogos Olímpicos em 2016.”8 Para tanto, a demanda passa por infra-estrutura na formação de destinos, serviços, tecnologia e, o mais importante, formação de mão de obra excelente. Jovem, o setor de eventos, abre espaço para criatividade, inovação e para o uso crescente de tecnologia e conectividade. Demanda responsabilidade e avanços em questões como segurança e excelência em serviços. Existem afinal muitas frentes de atuação em eventos desde a concepção passando pelo planejamento, captação de recursos, promoção, organização e produção, até, a avaliação e mensuração de resultados visando à maximização de recursos. (ZANELLA, 2010) 7 http://iccaworld.com/ 8 Pesquisa Deloitte “Brasil, bola da vez” retrata o papel estratégico do profissional de RI como agente catalisador das oportunidades decorrentes dos megaeventos esportivos, assim como agrega a visão dos investidores sobre o futuro do País nesse novo contexto. Leia na íntegra: http://www.deloitte.com/assets/DcomBrazil/Local%20Assets/Documents/Estudos%20e%20pesquisas/Pesquisa%20Brasil%20bola%20da%20vez%20%20Deloitte%20e%20IBRI.PDF 24
  25. 25. Dossiê, Volume 2, Número 1, Ano 2013 O setor envolve atividades de diferentes áreas da hospitalidade – receptivo, hotelaria, gastronomia, traslados etc., além de iluminação, sonorização, fotografia, audiovisual, locação de espaços, impressos, mídia, publicidade, atrações, etc. E de profissionais capazes de atuar na gestão de diferentes parceiros e fornecedores que movimentam o evento: equipamentos, alimentos e bebidas, músicos, artistas e conferencistas, representantes de empresas, comunidades, entidades de classe, voluntários, advogados, contadores, imprensa, patrocinadores, apoiadores, etc., etc.. O universo de eventos não tem limites se imaginarmos que um único café da manhã ou almoço, pode ser visto como uma possibilidade e então – traslados, acomodação, reserva de espaço, definição do conceito criativo, decoração, definição de cardápio, recepção, acompanhamento, sonorização, iluminação, desenvolvimento de materiais / peças de apoio, brindes, etc., podem fazer parte. Isto é, um mercado especial para quem gosta e quer lidar com o público. Só para os setores de infra-estrutura, como aeroportos e estádios, no turismo e em serviços como saúde e hotelaria serão criados mais de 700 mil empregos até 2014, divulgou esta semana o Ministério do Turismo que afirma, desse montante, só a indústria hoteleira vai concentrar 92% das ofertas das vagas temporárias e, os eventos, uma grande parcela dentro da hospitalidade. Para os eventos das Copas, 240 mil novos profissionais serão formados. Meta também revelada pelo Ministério que atuará a partir da PRONATEC – Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico para as atividades de base. E esse é o desafio. Formar profissionais para um mercado carente de mão de obra especializada e em franco desenvolvimento. Um profissional apto a atuar como empreendedor e/ou como intra-empreendedor, dentro de empresas que organizam ou fornecem para eventos; ou ainda, em empresas que possuem a área de eventos estruturada para atender a demanda interna. (CORPORATIVO, MKT, VENDAS, COMUNICAÇÃO, RELAÇÕES PÚBLICAS ETC..) Pode desenvolver atividades diversas no pré, trans e pós evento. No Curso Superior de Tecnologia em Eventos do Senac estamos alinhados com o movimento do mercado. Formamos profissionais para atender o setor em constante evolução. Muitos dos 25
  26. 26. Dossiê, Volume 2, Número 1, Ano 2013 nossos alunos já atuam na área como empreendedores na organização, prestação de serviços na área de entretenimento ou animação, catering, decoração, assessoria para eventos sociais, (ex. casamentos, debutantes, festas infantis etc.,) e/ou como intra-empreendedores em departamentos ou áreas de eventos. Muitos estão conhecendo o setor e são desafiados ao longo do curso a pratica de eventos. Aqui no Campus Santo Amaro o aluno do Curso Superior de Tecnologia em Eventos mergulha no setor e, num processo de aprofundamento do conhecimento, que inclui as áreas de empreendedorismo, eventos, planejamento, organização, operação, comunicação, marketing, finanças e formação geral, vai se preparando para o mercado. Disciplinas como Fundamentação e tipologia de eventos; Ética e Legislação em eventos; Negociação e formação de preços; Produção cultural, esportiva e leis de incentivo; Tecnologia e Inovação em Eventos; Planejamento Estratégico em Eventos; Qualidade e Segurança em Eventos; Responsabilidade Social e Ambiental; Avaliação e Mensuração de Resultados; somadas aos 4 projetos integradores, um a cada final de semestre, preparam o egresso para criar, produzir e avaliar eventos. Os projetos integradores são: Projeto Integrador I – Desenvolvimento de Negócios em Eventos; Projeto Integrador II – Organização de Eventos Temáticos, Institucionais e Sociais; Projeto Integrador III – Desenvolvimento de Projetos em Eventos; Projeto Integrador IV – Organização Profissional de Eventos. Nosso objetivo? Formar um profissional com atitude empreendedora capaz de ouvir as expectativas do cliente e propor a este uma solução única, criativa e viável, dentro de sua necessidade, budget, prazo. Um profissional que possa atuar em empresas especializadas ou de outros segmentos que adotem a organização de eventos como ferramenta corporativa e estratégica na experiência de marca. Um profissional capacitado para conceber, planejar, organizar, executar e avaliar diversos tipos de eventos, apto a liderar projetos inovadores. E para tanto, oferecemos ao aluno uma plataforma única. O Projeto pedagógico tem como estratégia formar o melhor profissional de Eventos. Corpo docente com experiência no mercado. E as instalações do Campus Santo Amaro que funcionam como um enorme laboratório - para que o aluno desenvolva eventos e, dessa forma, experimente na prática o que aprende em sala de aula. Ambiente virtual interativo, biblioteca com mais de 150 mil itens; 26
  27. 27. Dossiê, Volume 2, Número 1, Ano 2013 centro esportivo, centro de convenções, centros de inovação e laboratórios, salas de aula equipadas, e mais, os alunos organizam cerca de 20 eventos em dois anos – dos esportivos ao gastronômico, passando pelos corporativos e sociais. Eventos de conteúdo ou eventos de entretenimento e lazer entre outros. Depois de tudo pronto, o aluno é estimulado a também, avaliar e mensurar os resultados desses eventos para que, dessa maneira, possa compreender a linguagem e necessidades do mercado e, particularidades do setor. Nossa proposta? Estimular o aluno a conquistar uma visão abrangente do mercado: contexto e formas de atuação, para que possa, assim, eleger o caminho a seguir. E para tanto, ele faz acontecer: REALIZA! E se são muitas as possibilidades e demandas do mercado de eventos, que colocam o Brasil dentro do cenário internacional dos eventos globais, são inúmeras as oportunidades para o egresso que, temos a certeza, vai reinventar o setor. Referências ANDRADE, R.B. Manual de Eventos. 2. Ed. Porto Alegre: Educs, 2002. FERREIRA, Ricardo Souto; WADA, Elizabeth Kyoko. Eventos: uma alavanca de negócios: como e por que implantar pege. São Paulo: Aleph, 2010. GIACAGLIA, M. C. Organização de eventos: Teoria e Prática. São Paulo: Pioneira Thompson Learning, 2003. MATIAS, M. Organização de Eventos: Procedimentos e Técnicas. 2. Ed. São Paulo: Manole, 2002. PAIVA, Hélio Afonso Braga de Paiva; NEVES, Marcos Fava. Planejamento estratégico de eventos. São Paulo: Atlas, 2008. PIPOLO, Igor de Mesquita. Segurança de Eventos novas perspectivas e desafios para produção. São Paulo: Editora Pipolo, 2010. MAIA, Sandra. O negócio da Comunicação. Rio de Janeiro: Qualitymark, 2011. ZANELLA, L.C. Manual de Organização de Eventos. 3ed. São Paulo: Atlas, 2006. 27
  28. 28. Dossiê, Volume 2, Número 1, Ano 2013 ESTUDOS APLICADOS EM HOSPITALIDADE: O DESAFIANTE DIÁLOGO ENTRE A TEORIA E A PRÁTICA COTIDIANA. APPLIED STUDIES IN HOSPITALITY: THE CHALLENGING DIALOGUE BETWEEN THEORY AND EVERYDAY PRACTICE. Antonio Carlos Bonfato 1 Maristela de Souza Goto Sugiyama 2 Resumo Um dos grandes desafios que se apresentam no universo dos cursos superiores e para todo o processo de ensino e aprendizagem é aliar a teoria da sala de aula e a prática cotidiana. A temática tem tomado o tempo dos educadores de forma mais constante com o passar das décadas. Esta gênese na formação dos alunos permite uma inserção do egresso, de forma rápida, no mercado de trabalho, o conhecimento prático é imediatamente posto à prova. No Centro Universitário SENAC esse processo é entendido como estratégico, pois a própria instituição tem a construção do conhecimento voltada para o mercado como uma de suas características históricas. E é na atuação destes projetos de pesquisas que este artigo se propõe a trazer a luz de todos os leitores como uma prática de fundamental importância para que o aprofundamento dos conhecimentos adquiridos ao longo de sua graduação seja um 1 Graduado em Tecnologia em Hotelaria pelo SENAC-CEATEL, especialista em Planejamento e Mkt Turístico (CET/SENAC) e Mestre em Urbanismo pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas (2003). É professor de graduação e pós-graduação do Centro Universitário SENAC Campus Águas de São Pedro. Autor de livros e artigos nas áreas de Hotelaria e Urbanismo. 2 Mestre em Hospitalidade pela Universidade Anhembi Morumbi (2005). Graduada no Curso Superior de Tecnologia Em Hotelaria - no Centro Universitário SENAC - SP (2000).Professora - do Centro Universitário SENAC - SP, atuando principalmente nos seguintes temas: hotelaria saúde educação, turismo, hospitalidade, entretenimento. Atuou como coordenadora da consultoria das áreas de Turismo, Hotelaria e Gastronomia. Ministra aulas nas disciplinas operacionais e de gestão da área de hospedagem, coordena os projetos integradores de eventos na área da gastronomia e eventos. Orienta trabalhos e participa de várias bancas de TCC’s. È pesquisadora do Núcleo de Pesquisa com estudo na área de Entretenimento, coordenadora do Centro de Estudos Aplicados em Hospitalidade, coordena o projeto InFOHB, informativo que apresenta as análises mercadológicas das redes hoteleiras do Brasil, FOHB/SENAC. 28
  29. 29. Dossiê, Volume 2, Número 1, Ano 2013 elemento consolidador a qual permite a inserção no mercado de trabalho de um profissional com embasamentos teóricos e práticos sólidos. Palavras-Chave: Hospitalidade: Teoria e Prática; Mercado de Trabalho. Abstract One of the great challenges concerning the universe of superior education and, consecutively, the whole process of teaching and learning is combining the theory learned in the classroom with the daily practice. The issue has consistently taken time from educators through the decades. This combination in the formation of the student allows a quick insertion into the working market, and the practical knowledge is immediately put to the test. In SENAC University Center this process is understood as a strategy, as the institution has the construction of knowledge for the working market as one of its historic trades. And it is in the light of research projects that this article aims to bring to the readers how the practice is of essential importance for deepening the knowledge acquired throughout the graduation, as a consolidating element that allows the insertion in the working market as a professional with both theoretical and practical solid basis. Keywords: Hospitality; Theoryand Practice; Labour Market. Um dos grandes desafios que se apresentam no universo dos cursos superiores e, de forma consequente, para todo o processo de ensino e aprendizagem é aliar a teoria da sala de aula e a prática cotidiana. A temática tem tomado o tempo dos educadores de forma mais constante com o passar das décadas. A contingência que caracteriza um mundo em constante mutação, onde realidades se transformam de maneira quase que diária, torna esse desafio mais complexo. No entanto, no campo das Ciências Sociais Aplicadas, a perfeita interface 29
  30. 30. Dossiê, Volume 2, Número 1, Ano 2013 entre o mundo do teórico e a realidade se mostra um instrumento fundamental para que o egresso tenha reais possibilidades de progresso no campo do trabalho. Atribulado pelos afazeres cotidianos que a empresa exige, buscar aliar esse dois fatores, sem uma formação sólida, podem custar tempo e perda de oportunidades. Pela natureza dos cursos de da área de Hotelaria essa necessidade de se aliar a teoria e a prática se mostra mais presente na formação. Como esta formação busca uma inserção do egresso, de forma rápida, no mercado de trabalho, o conhecimento prático é imediatamente posto à prova. No Centro Universitário SENAC esse processo é entendido como estratégico, pois a própria instituição tem a construção do conhecimento voltada para o mercado como uma de suas características históricas. No que tange aos cursos de graduação, várias experiências no sentido de buscar um enlace entre os dois fatores foram aplicadas através dos anos, tanto como metodologias de ensino como o caso dos projetos integradores que a instituição trabalha desde seu nascimento no ensino superior há mais de 20 anos, como as oportunidades que a mesma proporciona aos seus alunos por meio de incentivo nos projetos de bolsas das modalidades ensino, extensão e pesquisa. E é na atuação destes projetos de pesquisas que este artigo se propõe a trazer a luz de todos os leitores como uma prática de fundamental importância para um melhor aprofundamento dos conhecimentos adquiridos ao longo de sua graduação como um elemento consolidador a qual permite a inserção no mercado de trabalho de um profissional com embasamentos teóricos e práticos sólidos. O papel do Centro de Estudos Aplicados em Hospitalidade na formação profissional O Centro de Estudos Aplicados – CEA, do Centro Universitário SENAC, surgiu a partir ações que eram praticadas nas diversas áreas do conhecimento da instituição, cada uma delas com uma especificidade do seu campo de atuação, atendendo também uma a necessidade cada vez mais emergente de intensificar a relação Instituição de Ensino, 30
  31. 31. Dossiê, Volume 2, Número 1, Ano 2013 Empresa , Poder Público e Sociedade. Por meio da realização de estudos aplicados voltados para o mercado e para a sociedade, contribuindo assim para o desenvolvimento sustentável da hotelaria nacional, a partir do fornecimento de informações relevantes e confiáveis sobre o setor as atividade de pesquisa do Centro de Pesquisas Aplicadas em Hospitalidade tem o objetivo de desenvolver estudos mercadológicos na área da hospitalidade, intensificando a relação com o mercado hoteleiro e atuar como instrumento de fortalecimento da área. Atualmente os projetos que estão diretamente ligados ao CEA em Hospitalidade são o InFOHB e o Resorts Brasil em Perspectivas, estes dois projetos fazem a análise do desempenho mensal – e, eventualmente, trimestral, semestral ou anual – da hotelaria brasileira nas principais cidades do país e segmentos do setor, a partir do cruzamento de informações coletadas na mídia e resultados dos indicadores de desempenho (Taxa de Ocupação, Diária 3 Média e RevPAR ) dos hotéis associados ao FOHB, Fórum dos Operadores Hoteleiros do Brasil, e aos resorts associados a Resorts Brasil, ambas entidades sem fins lucrativos que objetivam contribuir para o desenvolvimento dos setores de hotéis e resorts respectivamente. Estes dois projetos resultam em produtos que são os boletins informativos que tem sua publicação mensal, trimestral, semestral ou anual com divulgação aberta para todos os interessados, tais como o mercado hoteleiro (hotéis, entidades de classe, entre outros), outras instituições de ensino, e entidades governamentais (secretarias de turismo, Ministério do Turismo), entre outros. Sua forte relação entre ensino e pesquisa se deve ao fato de que ambos os projetos estão alinhados aos objetivos do Centro de Estudos Aplicados do centro Universitário SENAC. Assim estes devem:   3 Fornecer dados para a pesquisa aplicada; Fundamentar conceitos teóricos apresentados pela pesquisa; Receita por Apartamento Disponível 31
  32. 32. Dossiê, Volume 2, Número 1, Ano 2013  Buscar na pesquisa o conhecimento necessário para desenvolvimento de produtos;  Ampliar possibilidades de captação de recursos para a pesquisa.  Proporcionar oportunidades de desenvolvimento de projetos ou trabalhos acadêmicos aplicados, em empresas ou poder público;  Ampliar oportunidades de estágios;  Fundamentar e aplicar conceitos teóricos das disciplinas;  Desenvolver metodologias educacionais para formação profissional Uma característica muito forte desses projetos, bem como as atividades ligadas ao CEA, é que os projetos são coordenados por professores e do Centro Universitário Senac com a participação de alunos, e com esta característica em sua formação, permite que os objetivos bem como as diretrizes acima citadas sejam alcançadas proporcionando que os o conhecimento dos alunos seja cada vem mais aprofundado. Segundo a aluna Renata Eng, aluna do 5º semestre do curso de Bacharelado em Hotelaria que participa do programa: O InFOHB é um dos melhores exemplos de projetos, que completam o curso de Hotelaria, isso se deve ao contato que ele possui com o mercado brasileiro e as análises realizadas, que são as mesmas ensinadas em sala da aula. Além de aprender mais sobre cada cidade, com o desenvolvimento do estudo é possível entender melhor a Economia e o Turismo do País, sazonalidade e particularidades, bem eventos como e sua atrativos naturais. A participação efetiva dos alunos nestes projetos contribui não somente para o aperfeiçoamento de suas competências, mas os auxiliam a uma inserção no mercado de trabalho certa, rápida e sólida. Os alunos que atuaram, bem como os que atuam nestes projetos, hoje ocupam posições nos empreendimentos em áreas estratégicas e de desenvolvimentos. Como relatado por eles mesmos, que só conseguiram atuação nestas 32
  33. 33. Dossiê, Volume 2, Número 1, Ano 2013 posições em decorrência de suas participações com os professores nestas atividades. O depoimento de outra aluna participante, Clarissa Yamakita, também aluna do 5º semestre do curso de Bacharelado em Hotelaria, diz que “... a partir de projetos como o InFOHB, é possível que o aluno de graduação aplique os conhecimentos adquiridos durante as aulas em análises sobre o mercado.” A aluna relata ainda que o estudante não fica restrito apenas ao que o professor ensina, mas ele é estimulado a acompanhar os acontecimentos do setor, por meio de notícias e pesquisas. Projetos como esse ajudam a entender também como o setor hoteleiro está inserido na economia e a dinâmica que o movimenta. Após mais de um ano contribuindo para a elaboração das análises, percebemos também a importância da geração de informação para o mercado e de ser referência para profissionais e pesquisadores da área. Clarissa Yamakita As instituições sempre buscam ser referências nos campos onde atuam e dar uma boa formação ao egresso é uma parte fundamental desse processo. Um dos maiores desafios para uma boa formação é aliar o conhecimento teórico com a prática cotidiana. No caso específico do Centro de Estudos Aplicados em Hospitalidade do Centro Universitário SENAC, essa oportunidade de atuação é oferecida a todos os alunos dos cursos de hotelaria, eventos e gastronomia. Na intenção de fortalecer essa formação teórico/prática o Centro de Estudos Aplicados em Hospitalidade se mostra um poderoso instrumento de trabalho. A participação dos alunos nestes projetos possibilita a oportunidade de pesquisar, analisar e estar em constante aprofundamento de seu conhecimento. Trata-se de uma experiência única ao aluno e que não 33
  34. 34. Dossiê, Volume 2, Número 1, Ano 2013 pode ser adquirida nos programas que se dedicam apenas à teoria. Tal participação se consolida como um forte instrumento para a multiplicação das experiências. Conforme destacamos anteriormente alunos e egressos destes projetos oferecidos pelo Centro Universitário SENAC empreendem uma carreira de sucesso fora dos limites da sede da instituição, onde seus conhecimentos adquiridos vão ser praticados em diferentes empreendimentos do território nacional, se apresentando como um modelo que pode ser irradiado e adaptado a diferentes realidades. Pode-se dizer que, trata-se de um projeto em contínua construção, que, assim como a realidade, encontra-se em constante transformação. Dentro dessa ótica transformadora é possível dizer que a prática interdisciplinar e de pesquisa utilizada por meio destes projetos, venha a contribuir para a consolidação de uma base futura que permita a consolidação do paradigma da hospitalidade no Centro de Estudos Aplicados da instituição. Bibliografia ANSARAH, Marília Gomes dos Reis. Formação e capacitação do profissional em turismo e hotelaria: reflexões e cadastro das instituições educacionais no Brasil. São Paulo: Aleph, 2002. APPOLINÁRIO, Fabio. Dicionário da metodologia científica: um guia para a produção do conhecimento científico. São Paulo: Atlas, 2004. ASMANN, Hugo. Reencantar a educação: rumo à sociedade aprendente. Rio de Janeiro: Vozes, 1998. BAIRON, Sérgio. Interdisciplinaridade: educação, história da cultura e hipermídia. São Paulo: Futura, 2002. CAMARGO, Luiz Octávio de Lima. Hospitalidade. São Paulo: Aleph, 2004. 34
  35. 35. Dossiê, Volume 2, Número 1, Ano 2013 DENCKER, Ada de F. M.; BUENO, Marielys S. (Orgs.). Hospitalidade: cenários e oportunidades. São Paulo: Thomson, 2004. LASHLEY, Conrad; MORRISON, Alison (Orgs). Em busca da hospitalidade: perspectivas para um mundo globalizado. São Paulo: Manole, 2004. 35
  36. 36. Dossiê, Volume 2, Número 1, Ano 2013 RELATO DE EXPERIÊNCIA: EMPRESA JUNIOR DO SENAC-SP THE EXPERIENCE OF JUNIOR ENTERPRISE AT SENAC-SP Marina Sierra de Camargo 1 Marcelo Traldi Fonseca 2 Resumo A atuação no mercado de trabalho na área de hospitalidade no Brasil sofreu, ao longo dos últimos 20 anos, significativas mudanças em seus cenários e desde que surgiu como uma das primeiras instituições de ensino no pais a oferecer curso de hotelaria, turismo e gastronomia o SENAC-SP tem usado de práticas inovadoras e sempre com a intenção de estimular o espírito empreendedor para que novas soluções fossem encontradas para os cenários cada vez mais dinâmicos. Neste contexto surge em 1992, no SENAC-SP, a primeira empresa Junior de Hotelaria da América do Sul, como uma ideia de alunos e apoiada pela instituição desde o primeiro momento. Desde então, esta empresa tem sido espaço de aprendizagem e crescimento profissional, além de um espaço de estímulo ao espírito empreendedor. Palavras-chave: Empresa Junior, hospitalidade, gastronomia, empreendedorismo. 1 Bacharel em Hotelaria e Pós graduada em Administração e Organização de Eventos, pelo Centro Universitário Senac. Presidiu a ConsulTHjr – empresa júnior dos alunos em 2004, atualmente trabalha no Senac São Paulo na área de empreendedorismo. É também fundadora da empresa Nossos Peludos, que ajuda animais abandonados. 2 Professor pesquisador do Centro Universitário SENAC-SP, Mestre em Administração pela PUC-SP, aperfeiçoamento em Planejamento e Desenvolvimento de restaurantes pela Flórida International University, consultor de restaurantes e autor do livro Tecnologias Gerenciais de Restaurantes. 36
  37. 37. Dossiê, Volume 2, Número 1, Ano 2013 Abstract The Hospitality area in Brazil have been changing significantly in the last 20 years and since pioneering SENAC-SP started to offer courses such as Hotel management, tourism and gastronomy has been using innovative teaching practices, always searching for developing the entrepreneurship attitude to find innovative solutions in a dynamic social and economical scenario. Within this framework in 1992 the Junior Enterprise, the first Junior Hospitality Enterprise in South America, was founded by students with all Institutional support provided by SENAC-SP since the first beginning. Since then the Junior Enterprise has been a prosperous environment to learn, practice and professional development for the students, also developing the entrepreneur attitude. Keywords: Junior Enterprise, Hospitality, Gastronomy, Entrepreneurship. O inicio das atividades da Empresa Junior do SENAC aconteceu no ano de 1992, depois de 3 anos de existência do Curso Superior em Tecnologia em Hotelaria, que abriu sua primeira turma em 1989. O cenário era bastante distinto do que existe atualmente, não somente pela expansão do mercado hoteleiro, mas também pelo próprio movimento de empresas júnior no Brasil e no mundo. Naquele momento existiam somente outros dois cursos superiores de hotelaria no Brasil inteiro, um em São Paulo e outro em Caxias do Sul. A única rede estrangeira a operar no Brasil era o Hilton e não havia vagas que eram abertas para estudantes de hotelaria, a expressões comuns ao dizer que alguém cursava hotelaria era: “E existe faculdade para isso?” ou “O que se estuda em um curso como este?” Neste contexto os profissionais que ocupavam cargos de liderança e gestão eram, em sua maioria, egressos de outros cursos superiores ou sem formação, uma vez que cursos 37
  38. 38. Dossiê, Volume 2, Número 1, Ano 2013 nesta área eram bastante restritos. Desta forma, para um egresso do curso superior em tecnologia em hotelaria conseguir acumular alguma experiência era algo difícil, uma vez que muitos hotéis preferiam não ter pessoas qualificadas em seus quadros para não criar conflitos com os profissionais que ali trabalhavam e não tinham formação. Com este cenário um grupo de alunos entre eles Marcelo Traldi, como presidente do Diretório Acadêmico Cesar Ritz, que representava o grupo discente perante a instituição e nos órgãos colegiados e Marcelo Assad Boeger, como futuro presidente da Empresa Junior do SENAC além de outros como Eduardo Pirie Alves de Lima, Luciano Neri, Lucia Helena Meyer, Juliana Gandini Caldeira e Adriana Marroni Zaniol, começaram a discutir com a diretoria a possibilidade de criar uma empresa Junior para que os alunos tivessem oportunidades de adquirir experiência prática, sob supervisão de professores, nos moldes das recentes empresas Junior que estavam sendo constituídas no Brasil e algum tempo antes em outras instituições no mundo. Mesmo para uma instituição pioneira no ensino de Hotelaria, Gastronomia e Turismo no Brasil esta ideia precisava de uma série de discussões sobre como seria o papel dos alunos nesta empresa, qual seria a responsabilidade do SENAC, como seria a constituição legal desta empresa, quais os recursos necessários e de onde viriam. Para responder a estas perguntas este grupo de alunos se dedicou a estudar o contexto das empresas Junior no mundo e no Brasil, para encontrar as melhores respostas aos questionamentos feitos para que fosse autorizada a constituição desta empresa. Este grupo consultou os gestores da empresa Junior da FGV, uma das primeiras do Brasil, e a partir da troca de experiência entre os alunos começaram a traçar o desenho de como seria esta empresa e suas relações com o SENAC e com o mercado. Assim que estas definições foram apresentadas a diretoria do SENAC apoiou o movimento, através de sua diretoria, coordenação e corpo docente autorizando que os alunos criassem a primeira empresa Junior de Hotelaria do Brasil e da América do Sul, além de ser 38
  39. 39. Dossiê, Volume 2, Número 1, Ano 2013 uma das primeiras empresas Junior do Brasil, com data de fundação em 1992. A partir deste momento novos desafios começaram a aparecer aos alunos, não somente para dar soluções aos clientes que procuravam os serviços da empresa Junior, mas para fazer com que os alunos tomassem parte no processo e percebessem a relevância desta nova possibilidade de inserção e vivência no mercado de trabalho. Alguns impeditivos apareciam de forma mais frequente como a curta duração do curso de Tecnologia em Hotelaria (2 anos), onde eram vetados alunos do primeiro e do ultimo semestre, reduzindo a possibilidade de participação aos alunos do segundo e terceiro semestres, problema este que com a abertura do Bacharelado em Hotelaria acabou sendo minimizado uma vez que a extensão do curso é maior (4 anos), bem como com a percepção de que esta possibilidade de aprendizado extrapolava as atividades propostas em sala de aula e era capaz de dar vivência prática. Outro elemento complicador era o desconhecimento do mercado sobre esta possibilidade de serviço disponível, a um preço acessível e com o apoio técnico de professores, mas para que este problema fosse minimizado, os professores indicavam a empresa Junior a alguns de seus clientes em projetos maiores ou que achavam caros os seus serviços profissionais. Assim, entre um problema vencido e outro a empresa Junior foi criando oportunidades para que um grande número de alunos pudesse experiências práticas neste universo que estavam conhecendo ao longo de sua formação. Nos últimos 10 anos passaram mais de 70 alunos como diretores e aproximadamente 300 alunos como colaboradores da empresa Junior. Os diretores são os responsáveis legais pela empresa e possuem cargos de presidente, administração/finanças, projetos e gestão de pessoas, já os colaboradores participam de projetos pontuais da empresa e são contratados para tal. Na gestão da empresa Junior de 2004 a equipe era composta por 5 diretorias, tendo Marina Sierra de Camargo como presidente, Luiza Burleigh como administração/finanças, Ana 39
  40. 40. Dossiê, Volume 2, Número 1, Ano 2013 Paula Ueti para projetos e Rafael Csermak para gestão de pessoas, especificamente nessa gestão abaixo da diretoria de projetos existia uma frente para trabalhar responsabilidade social. A presidente dessa gestão, Marina Sierra de Camargo, afirma que foi a melhor experiência acadêmica de todo o curso a passagem pela ConsulTHjr – empresa junior dos alunos de hotelaria, turismo e gastronomia do Centro Universitário Senac. Como presidente ela conseguiu trabalhar junto com cada diretor e conhecer o trabalho de cada frente, como: financeiro, projetos e pessoal. A equipe escolhida também foi excelente e conseguiram desenvolver em grupo um ótimo trabalho, prestaram serviço de reestruturação de cardápio para dois restaurantes e fizeram um estudo de viabilidade para uma nova pousada. Inclusive até hoje continuam amigos e trabalhando em conjunto, mesmo que cada um esteja em uma empresa diferente da outra. Para os outros integrantes da gestão 2004 foram realizadas duas perguntas: 1) Como foi à experiência de participar da empresa Junior? e 2) Qual a contribuição para a sua formação? Abaixo seguem as respostas. “A experiência na ConsulTHJr, me possibilitou o acesso a um aprofundamento nos conhecimentos de gestão empresarial e mercadológica maior do que o oferecido em sala de aula (ela englobava as áreas financeira, pessoas, produtos, marketing e social). Isso gerou um amadurecimento em relação à postura profissional, já que tínhamos contato direto com os clientes. Possuíamos também um relacionamento mais próximo com os professores orientadores. Anos depois de formada, a experiência adquirida na Empresa JR contribuiu para que eu conseguisse uma vaga em uma empresa de consultoria hoteleira, sendo vista como uma característica empreendedora em meu currículo. Por fim, mas não menos importante, a troca de conhecimento e experiência entre os integrantes da equipe foram tão interessantes, que temos uma consistente rede de networking até hoje, além de termos nos tornado grandes amigos.” Ana Paula Ueti 40
  41. 41. Dossiê, Volume 2, Número 1, Ano 2013 “A experiência foi o passo inicial em minha carreira. Passei pela área de Gestão de Pessoas, realizando a gestão de colaboradores, processos seletivos, dinâmicas, etc. Além disso, pude participar dos projetos da consultoria, principalmente aos voltados à viabilidade de estabelecimentos. Experiência enriquecedora. Foi através desta experiência que eu adquiri visibilidade no mercado hoteleiro e também no próprio Centro Universitário Senac. Tive muito contato com professores e responsáveis pela administração da universidade, o que me garantiu network inclusive para oportunidades posteriores em minha carreira. Além disso, o trabalho na empresa júnior proporcionou a experiência prática em uma consultoria do mercado de turismo.” Rafael Csermak “Foi uma experiência muito rica porque nos traz grande senso de responsabilidade apoiado pela proximidade com os professores e com outros alunos extremamente engajados e que acreditam na profissão. A empresa júnior e muito valorizada no mercado de trabalho e é daquelas experiências que trazem grande amadurecimento. através dessa experiência tomei contato com pessoas da área, fui convidada a trabalhar na universidade, e iniciei uns rede de contatos preciosa. Alem disso, tive uma experiência administrativa que me ajudou muito em outros trabalhos e me permitiu não ter medo de abrir a minha própria empresa.” Luiza Burleigh Por se tratar de uma experiência prática em que os alunos podem ter contato com o mercado, algumas alterações na forma de atuação, bem como nos objetivos do trabalho das empresas junior no SENAC foram promovidas. Até agosto de 2012 as empresas juniores eram divididas em cinco: EJTI para tecnologia da informação, ConsulTHjr para turismo, hotelaria e gastronomia, Passanamaria para moda, AGEA para meio ambiente e Estúdio Beta para design, cada empresa possuía até 5 diretores. Todas com 1 ano de gestão e não atendia todos os cursos de graduação ofertados. 41
  42. 42. Dossiê, Volume 2, Número 1, Ano 2013 Atualmente a empresa junior do Centro Universitário Senac – Campus Santo Amaro, continua sendo a ConsulTHjr, mas em um novo formato, agora a empresa é formada por até 15 alunos de qualquer curso de graduação, passando assim a ser uma empresa junior multidisciplinar. Outra alteração realizada foi à aproximação com a metodologia finlandesa Team Academy, um conceito que surgiu na Finlândia desenvolvida por Johannes Partanen e que tem como alguns dos principais fundamentos a metodologia do learning by doing” onde as atividades são desenvolvidas por grupos de alunos apoiadas por coaches em equipes multidisciplinares, desta forma a metodologia de trabalho da empresa júnior traz um novo modelo de trabalho. A proposta com as alterações realizadas na empresa Junior é trazer, para os alunos, contato com diversas áreas do mercado e mais autonomia criando um espaço de aprendizado mais dinâmico e contextualizado com as novas necessidades de mercado. 42
  43. 43. Dossiê, Volume 2, Número 1, Ano 2013 DESAFIO SENAC: ALUNOS NO COMANDO; ESTRATÉGIA DE APRENDIZAGEM SIGNIFICATIVA PARA A FORMAÇÃO NA HOTELARIA. CHALLENGE SENAC: STUDENTS IN COMMAND; LEARNING SIGNIFICANCE STRATEGY FOR HOTEL MANAGEMENT PROGRAM TRAINING Camila Fernanda Barboza e Moraes 1 Resumo Este artigo tem como objetivo apresentar a disciplina Desafio Senac: alunos no comando, atividade inovadora no país, incorporada aos cursos da área de hotelaria do Senac São Paulo, que oferece aos alunos a oportunidade de gerenciar o hotel-escola por um final de semana. Durante a apresentação da atividade, destaca-se a importância desse tipo de estratégia para a aprendizagem do aluno, relacionando-a superficialmente com a teoria da aprendizagem significativa de Ausubel e as três linhas formativas instituídas pelo Senac São Paulo. Pretende-se apresentar que a atividade pode ser considerada uma estratégia de metodologia ativa, na qual o aluno se torna o protagonista da situação e os professores e demais profissionais assumem o papel de orientadores e mediadores das situações vivenciadas durante esse processo. Palavras chave: aprendizagem significativa; teoria e prática; Hotelaria, alunos no comando; Desafio Senac; metodologia ativa 1 Graduada em Hotelaria pelo Senac São Paulo, pós-graduada em Administração de Empresas pela FGV e em Master em Marketing pela ESPM. Atua como coordenadora de desenvolvimento dos cursos da área de turismo, hotelaria, eventos e lazer do Senac São Paulo na gerência de desenvolvimento.Experiência Profissional - iniciou sua carreira como estagiária na central de reservas dos Hotéis-escola do Senac São Paulo, passou pela operação do hotel Hilton Lac Leamy em Quebec - Canadá e atuou 3 anos como gerente do setor de alimentos e bebidas do Hotel Vail Marriott Resorts and SPA no Colorado - Estados Unidos e como assistente da direção do setor alimentos e bebidas no Hotel Emerald Grande na Florida - Estados Unidos. 43
  44. 44. Dossiê, Volume 2, Número 1, Ano 2013 Abstract This article will introduce the course Desafio Senac: alunos no comando (Challenge Senac: students in command), an innovative practice in Brasil at Senac São Paulo Hotel Management Programs, where the students commands the training hotel for a weekend. During this presentation, enhance the significance of this kind strategy for learning, relating with Ausubel theory and the three learning lines process from Senac São Paulo. It is intended to present that this activity is an active methodology, where the students are the protagonist and the teachers and professionals the mediator during the situations the students will have during this process. Keywords: significance learning process; theory and practice; Hotel management; students in command; challenge Senac; active methodology. A atividade Desafio Senac: alunos no comando O Senac São Paulo acredita em uma formação empreendedora e autônoma, pautada em ações educacionais inovadoras e, ao longo dos seus sessenta e cinco anos de existência, teve sua marca associada à contemporaneidade. Foi a primeira instituição a ministrar cursos para a área de hotelaria, na década de 1950, e desde então oferece ao mercado produtos diferenciados e alinhados às suas necessidades para capacitar profissionais para a área. Em seus cursos, propõe metodologias inovadoras e ativas, que proporcionam ao aluno uma aprendizagem significativa, o que favorece o aprendizado. “O Senac São Paulo propõe-se a práticas pedagógicas inovadoras, que estimulam o aluno a construir o conhecimento e a desenvolver competências. Metodologias que são mais participativas, estruturadas na prática, baseadas em situações reais de trabalho, através de estudos de caso, pesquisas, solução 44 de problemas, projetos e outras estratégias,
  45. 45. Dossiê, Volume 2, Número 1, Ano 2013 especialmente algumas apoiadas em recursos da tecnologia educacional. Procura-se fortalecer a autonomia dos alunos na aprendizagem, desenvolvendo a capacidade crítica, a criatividade e a iniciativa. É importante reafirmar que, nesta era da informação, da comunicação e do conhecimento, a escola não detém o monopólio do saber. A sociedade atual exige a preparação para a mudança, e a capacidade de continuar a aprender, para além da escola, emerge como fundamental.” (SENAC SÃO PAULO, Proposta Pedagógica) A partir da proposta pedagógica do Senac São Paulo, o Centro Universitário Senac desenvolveu três linhas formativas da instituição, que são “marcas institucionais vivenciadas durante o período acadêmico. Espera-se que nossos alunos as incorporem à sua atuação profissional. Contempla um conjunto de temas, fundamentados nos valores do Senac São Paulo, que permeiam e estimulam a interatividade entre ensino, pesquisa e extensão”. As três linhas formativas também podem ser associadas aos pilares da educação adotados pela Unesco, conforme representação abaixo: 45
  46. 46. Dossiê, Volume 2, Número 1, Ano 2013 O curso Bacharelado em Hotelaria, desenvolvido pelos docentes do Senac São Paulo em parceria com a professora Cathy Ann Enz, da Universidade Cornell, propõe a formação de líderes e gestores multidisciplinares, conhecedores de administração, marketing e tecnologia da informação, capazes de se relacionar com pessoas e trabalhar em equipe, além de flexíveis para lidar com as situações de conflito e os imprevistos que acontecem no dia a dia do hoteleiro. O aluno desenvolve visão crítica e caráter empreendedor para atuar em um mercado em constante transformação, por meio do desenvolvimento de conhecimentos específicos e de competências técnico-profissionais, centrados nos princípios da hospitalidade (acolher, hospedar, alimentar, entreter e despedir), nos conceitos de gestão e no empreendedorismo, diferenciando-se nas organizações. Alinhado à proposta pedagógica do Senac São Paulo e à linha formativa Empreendedorismo e Vivência Profissional, o currículo contempla atividades práticas para a aplicação dos conhecimentos adquiridos em sala de aula e para preparar o aluno para atuar no mercado de trabalho, conhecendo suas tarefas e mantendo-se disponível para aprender e propor melhorias. O aluno inicia sua formação com atividades em laboratórios específicos de hospedagem e de alimentos e bebidas, ambientes que simulam situações da rotina dos departamentos. Em seguida, compreende a complexidade da operação de um hotel pela prática profissional que acontece nos hotéis-escola Senac, centros educacionais de referência mundial que integram as ações pedagógicas com a operação comercial. E, nessa nova proposta, o Senac São Paulo insere em seu currículo a estratégia de aprendizagem Desafio Senac: alunos no comando. O Desafio Senac: alunos no comando é uma atividade que desenvolve competências de liderança e gestão. Nela, os alunos comandam um dos hotéis-escola do Senac São Paulo por um final de semana. Todas as atividades, em seus mínimos detalhes, são concebidas, operacionalizadas e geridas pelos alunos em um ano de preparativos. Durante esse percurso, eles colocam em prática conceitos de gestão de pessoas, finanças, marketing, administração, vendas, comunicação e o conhecimento específico da área. Além do domínio técnico, são mobilizadas habilidades de relacionamento interpessoal, trabalho em equipe, gestão de conflitos, criatividade, flexibilidade, organização e atitude empreendedora, indispensáveis para o sucesso do profissional hoteleiro. 46
  47. 47. Dossiê, Volume 2, Número 1, Ano 2013 O mercado reconhece a experiência profissional como um fator importante para o ingresso e a ascensão na carreira da hotelaria, portanto o Senac São Paulo, alinhado à essa necessidade do setor, desenvolve oportunidades para que os alunos adquiram experiências na área ao longo da sua formação e estejam preparados para a atuação profissional na conclusão do curso. O objetivo da atividade Desafio Senac: alunos no comando O objetivo dessa atividade é oferecer ao aluno uma aprendizagem significativa, mobilizando todos os conhecimentos adquiridos em sala de aula e aplicando-os na prática, possibilitando assim um diferencial em sua formação. Além disso, desenvolve a autonomia, a assertividade nas tomadas de decisões, o comprometimento e o engajamento no projeto, pois o aluno, nesse momento, é o protagonista da situação. Segundo Ausubel, uma das vantagens da aprendizagem significativa é que o conhecimento que se adquire de maneira significativa é retido e lembrado por mais tempo. Quanto mais se aproximam do polo de aprendizagem por descoberta, mais esses conteúdos são recebidos de modo não completamente acabado e o aluno deve defini-los ou “descobri-los” antes de assimilá-los. “Não podemos pretender que o aluno possa desenvolver todo esse processo de aprendizagem com uma postura passiva de assistir às aulas, receber e reproduzir informações, devolvendo-as nos exames aos professores. É o momento em que entram em ação as metodologias ativas, entendidas como aquelas que incentivam e dão apoio aos processos de aprender. São situações de aprendizagem planejadas pelo professor em parceria com os alunos que provocam e incentivam a participação, postura ativa e crítica frente à aprendizagem.” (GAETA & MASSETO, Metodologias Ativas e o Processo de Aprendizagem na Perspectiva da Inovação) Essa estratégia de aprendizagem permite a participação do aluno e a construção do 47
  48. 48. Dossiê, Volume 2, Número 1, Ano 2013 próprio conhecimento. O trabalho coletivo e a interação professor-aluno são colaborativos e não hierarquizados. “Nesta perspectiva, o educador é um criador de ambientes e situações para que o aluno atue e aprenda como protagonista do processo de aprendizagem. Planeja, estimula a ação dos alunos, promove a reflexão, sintetiza, reformula, critica e avalia. Por essas e outras ações, organiza o trabalho educativo, como mediador e orientador. A abordagem por competências junta-se às exigências do foco no aluno. Consequentemente, docentes e alunos são sujeitos da ação de ensinar e aprender. Unem-se em parceria na construção dos saberes, pela pesquisa e ensino, prática/ação e teoria/reflexão. Com essa abordagem, o currículo, exige o comprometimento do educador e do educando em atividades que possibilitem o exercício efetivo da competência a desenvolver.” (SENAC SÃO PAULO, Proposta Pedagógica) Durante esse processo, propõe-se a autonomia discente, que corresponde ao estudante com o papel ativo, com iniciativa, curiosidade, pensamento divergente (várias soluções para um problema), espírito de cooperação e trabalho em equipe. São proporcionadas ao aluno relações coletivas e a aliança de teoria e prática. O aluno cria soluções, resolve problemas reais e aprende a enfrentar as incertezas. Etapas da atividade Desafio Senac: alunos no comando A primeira etapa da atividade Desafio Senac: alunos no comando consiste em selecionar um grupo gestor, composto por 15 a 18 alunos que ocuparão os cargos de gestão de um hotel como no dia a dia. Portanto, são selecionados o gerente geral e os gerentes e assistentes dos 48
  49. 49. Dossiê, Volume 2, Número 1, Ano 2013 departamentos de A&B, hospedagem, eventos, dentre outros. Em seguida, os alunos gestores montam suas equipes. Nesse momento, eles já são inseridos na realidade, uma vez que precisam mobilizar conhecimentos de recursos humanos e planejar o desenvolvimento de suas equipes para conseguir realizar o evento durante o final de semana. O total de alunos que participam da atividade pode variar entre 100 e 150, e eles podem utilizar todos os recursos disponíveis do centro universitário, inclusive contratar alunos de outros cursos para ocupar as posições. Todas as etapas são orientadas pelos professores e gestores dos hotéis-escola. A partir desse momento, os alunos recebem o desafio de planejar o final de semana, o que consiste na segunda etapa da atividade. O planejamento abrange definição do tema, programação, escala de trabalho, investimento, divulgação, entre outras funções. Os alunos passam por várias oficinas, que não entregam o caminho para eles, mas os estimulam a pensar sobre as situações que irão vivenciar, as entregas que terão de fazer, as estratégias de vendas e captação de recursos necessárias, dentre outras. Eles passam por momentos de aprovação da banca, que é composta por professores e gestores dos hotéis-escola, especialistas em cada tema. Após a aprovação do tema, tarifário e programação, os alunos iniciam a organização do evento. Nesse processo, inclui-se a comercialização das unidades habitacionais, a programação de lazer, a contratação de fornecedores e palestrantes, o treinamento das equipes nos hotéis-escola, a captação de recursos, a preparação das atividades e as cerimônias de abertura e encerramento. A terceira e última etapa é o final de semana em que eles efetivamente operacionalizam o evento. São dois dias intensos, em que os alunos estão engajados para atingir o objetivo final, que é realizar a proposta de evento planejada e satisfazer todos os envolvidos: hóspede, colegas, fornecedores, gestores do hotel-escola, convidados e professores. As etapas têm duração de seis meses e é possível observar como os alunos passam por diversas situações de conflitos e dificuldades, levando em consideração a complexidade da operação de um hotel. Esse projeto, efetivamente, provoca desconfortos nos alunos, devido às diferentes situações de aprendizagem que são propostas. Além das atividades, o desafio 49
  50. 50. Dossiê, Volume 2, Número 1, Ano 2013 também está nos clientes com quem eles vão trabalhar. São profissionais do trade turístico, que poderão empregá-los no futuro, pais e ex-alunos, colegas de profissão. Os participantes da atividade desenvolvem inúmeras habilidades comportamentais e mobilizam conhecimentos de marketing e finanças, além do conhecimento técnico da área de hotelaria. As habilidades comportamentais fazem do hoteleiro um profissional diferenciado, que possui capacidade de gerir conflitos e trabalhar em equipe, flexibilidade, dinamismo, próatividade e atitude hospitaleira, sendo observado o recrutamento desses alunos em outros setores que não hotéis, tais como shoppings, bancos, condomínios, hospitais, dentre outros. Considerações finais A atividade Desafio Senac: alunos no comando proporciona a aplicação da teoria adquirida em sala de aula e faz com que o aprendizado do aluno faça sentido. Por ser significativa, aumenta sua capacidade de, no futuro, lembrar o que foi aprendido. Durante o processo, a esfera em que o aluno se encontra não é apenas a de receptor da informação, pois lhe é proporcionada a possibilidade de ouvir, socializar e compartilhar – portanto, a possibilidade de se instalar o conhecimento. É nítido observar a evolução dos alunos no decorrer do curso e, principalmente, quando eles finalizam o projeto Desafio Senac: alunos no comando. O comprometimento e o engajamento se ampliam a partir do momento em que eles tomam consciência e se apropriam do projeto. Além de mobilizar todos os conhecimentos, habilidades e valores já mencionados, os alunos se familiarizam e se identificam com a profissão. A atividade também oferece aos participantes a possibilidade de se autoavaliarem, percebendo não só o que precisam melhorar, mas também a importância do planejamento, da organização, do trabalho em equipe e da comunicação. Não querendo entrar na discussão sobre o papel da educação, que é amplo e complexo, observa-se que essa atividade proporciona uma ruptura no modelo de educação tradicional, pois o aluno é o protagonista no momento do aprendizado e o professor, um mediador e orientador, além de demonstrar a confiança do Senac São Paulo em relação aos seus alunos ao entregar um hotel de luxo nas mãos deles por um final de semana. 50
  51. 51. Dossiê, Volume 2, Número 1, Ano 2013 Referências GAETA, M.; MASETTO, M. Metodologias Ativas e o Processo de Aprendizagem na Perspectiva da Inovação. Anais do Congresso Internacional PBL2010. São Paulo:2010, Editora USP-EACH PELIZZARI, A.; KRIEGL, M.; BOARON, M.; FINCK, N.; DOROCINSKI, S. Teoria da Aprendizagem Significativa Segundo Ausubel (rev.). PEC, Curitiba, v.2, n.1, p. 39-42, jul. 2001-jul. 2002. SENAC SÃO PAULO. Proposta Pedagógica. São Paulo: Senac São Paulo, 2005. 51
  52. 52. Dossiê, Volume 2, Número 1, Ano 2013 DESAFIO SENAC: ALUNOS NO COMANDO - PERCEPÇÃO E REFLEXÃO DOCENTE SENAC THE CHALLENGE: STUDENTS IN COMMAND - TEACHING PERCEPTION AND REFLECTION Cláudia Martins Pantuffi 1 Resumo Aprender faz parte do cotidiano do indivíduo e sempre esteve presente neste contexto, pois faz parte da evolução do homem no que diz respeito à aquisição de conhecimento, tanto teórico como prático. Com esse objetivo, o Centro Universitário Senac adotou como prática educacional O Desafio Senac: Alunos no Comando (ANC), cujas ações permitem aos seus alunos um efetivo contato com a realidade de um Hotel, É relevante retomar que o ANC permite que se experiencie a teoria e prática levando a reflexão que as mesmas não podem ser dissociadas, tornando-se uma oportunidade de conciliá-las por meio do exercício de propostas inovadores na educação, considerando a base teórica como ponto de reflexão para prática, tendo seu sucesso observado pela aceitação da mídia e contratação de participantes pelo próprio Senac. Palavras Chave: Hotelaria. Desafio. Prática. Competência. Inovação. 1 Cláudia Martins Pantuffi é mestre em Psicologia, especialista em consultoria de Recursos Humanos e Psicopedagogia e graduada em Psicologia. Atualmente é docente de disciplinas relacionadas à gestão de pessoas nos cursos de Bacharelado em Hotelaria, Bacharelado em Administração e Tecnologia em Recursos Humanos do Centro Universitário Senac São Paulo e coordenou o curso de Bacharelado em Turismo na mesma instituição. 52
  53. 53. Dossiê, Volume 2, Número 1, Ano 2013 Abstract Learning is part of individual’s everyday life and it has always been present in this process, since it is part of the evolution of man in relation to the acquisition of knowledge, both theoretical and practical. With this objective, the Senac University Center adopted an educational practice that allows its students to have an effective contact with the reality of a Hotel, Senac The Challenge: Students in Command (ANC). It is important to resume that the ANC lets you experience what theory and practice leading to the reflection that the same cannot be separated, making it an opportunity to reconcile them through the exercise of innovative proposals in education, considering the theoretical basis as a point of reflection for practice, having seen its success by accepting the media and recruitment of participants by the Senac Keywords: Hotel Industry. Challenge. Practice. Competence. Innovation. Introdução Aprender faz parte do cotidiano do indivíduo, pois a evolução do homem no que diz respeito à aquisição de conhecimento, tanto teórico como prático, sempre esteve presente. A associação entre aprender e o “banco da escola” faz com que a academia seja entendida como o espaço para o processo de ensino-aprendizagem de conteúdos teóricos, muitas vezes dissociados da prática. A realidade na qual o indivíduo está inserido não comporta tamanha simplicidade, ou até mesmo homogeneidade, vive-se em um mundo instável com a presença de muitos estímulos e formas variadas de conhecer e aprender, principalmente, considerando a relação entre a teoria e a prática. De acordo com Japiassu e Marcondes (1995), teoria pode ser definida como “na acepção clássica da filosofia grega, conhecimento especulativo abstrato, puro, que se afasta do mundo da experiência concreta, sensível. Saber puro, sem preocupação prática” (p.234), cujo objetivo é o de explicar, verificar ou mesmo ajustar uma realidade determinada. Considere-se aqui a realidade citada pelos autores como a relação com a prática “o que diz respeito à ação. Ação que o homem exerce sobre as coisas, aplicação de um conhecimento em uma ação concreta efetiva.” (p.199) Com esse enfoque entre teoria e prática, o Centro Universitário Senac entende que também deve formar alunos/profissionais, oferecendo oportunidades de desenvolvimento de suas competências (FLEURY, 2002) , através de propostas e ações que aproximam, cada vez 53

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