Successfully reported this slideshow.
We use your LinkedIn profile and activity data to personalize ads and to show you more relevant ads. You can change your ad preferences anytime.

Poetas do séc.XX - 2

12,297 views

Published on

Jorge de Sena e Sophia de Mello Breyner: a amizade e o grito de liberdade.

Published in: Education
  • Be the first to comment

Poetas do séc.XX - 2

  1. 1. | Português – 10º ano | Poetas do Séc. XX – Jorge de Sena e Sophia de Mello Breyner Dina Baptista | www.sebentadigital.com EB 2,3/S de Vale de Cambra 2010 /2011 “ Sophia de Mello Breyner, Jorge de Sena – Correspondência” junta as cartas que os dois escritores, Sophia de Mello Breyner (Porto, 1919-2004) e Jorge de Sena (Lisboa, 1919-Califórnia, 1978) trocaram de 1959, quando Sena partiu para o exílio, e 1978, data da morte do escritor. . Libelo implacável contra a mesquinhez de parte do mundo cultural português: ditadura salazarista . Retrato da luta política, ética e estética de dois criadores sublimes e dos momentos da história de Portugal dos anos 60 e 70.
  2. 2. | Português – 10º ano | Poetas do Séc. XX Dina Baptista | www.sebentadigital.com EB 2,3/S de Vale de Cambra 2010 /2011 Carta(s) a Jorge de Sena I Não és navegador mas emigrante Legítimo português de novecentos Levaste contigo os teus e levaste Sonhos fúrias trabalhos e saudade; Moraste dia por dia a tua ausência No mais profundo fundo das profundas Cavernas altas onde o estar se esconde II E agora chega a notícia que morreste E algo se desloca em nossa vida in: Ilhas. Lisboa: Caminho, 2004. p. 41-42.
  3. 3. | Português – 10º ano | Poetas do Séc. XX Dina Baptista | www.sebentadigital.com EB 2,3/S de Vale de Cambra 2010 /2011 Jorge de Sena “ Sou pessoalmente contra qualquer igreja organizada ou qualquer partido organizado , mas reconheço o direito de qualquer pessoa a ser um membro seja do que for, desde que a minha liberdade pessoal não seja com isso afectada. (…) … politicamente , sou contra qualquer espécie de ditadura (quer das maiorias, quer de minorias), e em favor da democracia representativa. Não tenho quaisquer ilusões acerca desta – pode ser uma máscara para o mais impiedoso dos imperialismos. (…) Sou a favor da paz e do entendimento entre as nações (…) Não subscrevo a divisão do mundo em Bons e Maus, entre Deus e o Diabo (estejam de qual lado estiverem). (…)
  4. 4. | Português – 10º ano | Poetas do Séc. XX Dina Baptista | www.sebentadigital.com EB 2,3/S de Vale de Cambra 2010 /2011 Moralmente falando, sou um homem casado e pai de nove filhos, que nunca teve vocação para patriarca, e sempre foi a favor de a mais completa liberdade ser garantida a todas as formas de amor e de contacto sexual. Nenhuma liberdade estará jamais segura, em qualquer parte, enquanto uma igreja, um partido, ou um grupo de cidadãos hiper-sensíveis, possa ter o direito de governar a vida privada de alguém. Do mesmo modo, não devemos nunca pactuar com a ideia de que qualquer reforma vale o preço de uma vida humana. (…)” Santa Barbara, Julho de 1977 (parágrafo final do “Prefácio à Segunda Edição” de Poesia I, datado um ano antes do falecimento do escritor) De mim não falo mais :não quero nada. (…) Não há verdade:O mundo não a esconde. Tudo se vê: só se não sabe aonde. Mortais ou imortais, todos mentiram.
  5. 5. | Português – 10º ano | Poetas do Séc. XX Dina Baptista | www.sebentadigital.com EB 2,3/S de Vale de Cambra 2010 /2011 Jorge de Sena: Entrevista (22/12/1968) in Diário de Lisboa Esta entrevista não passou despercebida à Policia Política do Governo Salazarista – PIDE. “ Não me arrependo de ter tido essas palavras Tive-as, não as tenho mais, elas me têm a mim.” Jorge de Sena, Pedra Filosofal
  6. 6. | Português – 10º ano | Poetas do Séc. XX Dina Baptista | www.sebentadigital.com EB 2,3/S de Vale de Cambra 2010 /2011 3 de Maio de 1808 em Madrid “ Para ter o gosto de dizer eternamente aos homens que não sejam bárbaros” (Goya) CARTA A MEUS FILHOS SOBRE OS FUZILAMENTOS DE GOYA, de Jorge de Sena (1963)     Não sei, meus filhos, que mundo será o vosso. .
  7. 7. | Português – 10º ano | Poetas do Séc. XX Dina Baptista | www.sebentadigital.com EB 2,3/S de Vale de Cambra 2010 /2011 Epígrafe para a Arte de Furtar Roubam-me Deus Outros o Diabo Quem cantarei Roubam-me a pátria E a humanidade Outros ma roubam Quem cantarei Sempre há quem roube Quem eu deseje E de mim mesmo Todos me roubam Quem cantarei Quem cantarei Roubam-me Deus Outros o Diabo Quem cantarei Roubam-me a patria E a humanidade Outros ma roubam Quem cantarei Roubam-me a voz Quando me calo Ou o silêncio Mesmo se falo Aqui d’el rei Aqui d’el rei (Jorge de Sena/ José Afonso)
  8. 8. | Português – 10º ano | Poetas do Séc. XX Dina Baptista | www.sebentadigital.com EB 2,3/S de Vale de Cambra 2010 /2011 SOPHIA Da lusitana antiga fidalguia um dizer claro e justo e franco uma concreta e certa geometria uma estética do branco debruado de azul. Sua escrita é de nau e singradura 1 e há nela o mar o mapa a maravilha.  Sophia lê-se como quem procura a ilha sempre mais ao sul. Manuel Alegre 1 . Mar; acto de singrar (velejar); rumo por onde se singra.
  9. 9. | Português – 10º ano | Poetas do Séc. XX Dina Baptista | www.sebentadigital.com EB 2,3/S de Vale de Cambra 2010 /2011 Merecida Homenagem a Sophia de Mello Breyner Tive amigos que morriam, amigos que partiam Outros quebravam o seu rosto contra o tempo. Odiei o que era fácil Procurei-te na luz, no mar, no vento. Sophia de Mello Breyner, "No Tempo Dividido e Mar Novo", 1985
  10. 10. | Português – 10º ano | Poetas do Séc. XX Dina Baptista | www.sebentadigital.com EB 2,3/S de Vale de Cambra 2010 /2011 Independência Recuso-me a aceitar o que me derem. Recuso-me às verdades acabadas; recuso-me, também, às que tiverem pousadas no sem-fim as sete espadas. Recuso-me às espadas que não ferem e às que ferem por não serem dadas. Recuso-me aos eus-próprios que vierem a às almas que já foram conquistadas. Recuso-me a estar lúcido ou comprado e a estar sozinho ou estar acompanhado. Recuso-me a morrer. Recuso a vida. Recuso-me à inocência e ao pecado como a ser livre ou ser predestinado. Recuso tudo , ó Terra dividida! Jorge de Sena Liberdade   Aqui nesta praia onde Não há nenhum vestígio de impureza, Aqui onde há somente Ondas tombando ininterruptamente, Puro espaço e lúcida unidade, Aqui o tempo apaixonadamente Encontra a própria liberdade . Sophia de Mello Breyner
  11. 11. | Português – 10º ano | Poetas do Séc. XX Dina Baptista | www.sebentadigital.com EB 2,3/S de Vale de Cambra 20102011 Fontes: http://www.letras.ufrj.br/lerjorgedesena/port/vida/autoretrato/texto.php?id=101 http://cvc.instituto-camoes.pt/figuras/jdesena.html http://www.inforarte.com/cantando2/JorgedeSena1.html http://www.mulheres-ps20.ipp.pt/SophiaMBreyner.htm http://www.astormentas.com/andresen.htm http://www.prof2000.pt/users/jsafonso/Port/sophia.htm Para saber mais: . Ficha de apoio a Sophia de Mello Breyner (Poesia); . Carta a meus filhos sobre os fuzilamentos de Goya, de Jorge de Sena In www.sebentadigital.com .

×