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Álvaro Campos - 3ª Fase

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Trabalho realizado no âmbito da disciplina de Português 12ºD (Escola Básica 2,3/ de Vale de Cambra 2009/2010), a propósito do estudo de alguns poemas da 3ª fase literária de Álvaro de Campos - heterónimo de Fernando Pessoa.

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Álvaro Campos - 3ª Fase

  1. 3. <ul><li>3ª Fase Literária – Abulia/Tédio </li></ul><ul><ul><li>Memória do mundo fantástico da infância </li></ul></ul><ul><ul><li>Solidão interior </li></ul></ul><ul><ul><li>Angústia existencial </li></ul></ul><ul><ul><li>Cepticismo de pensar </li></ul></ul><ul><ul><li>O Tédio a náusea e o desencanto consigo mesmo e com os outros </li></ul></ul>
  2. 4. <ul><li>O poema divide-se duas unidades de sentido. </li></ul><ul><li>A primeira parte (que engloba as primeiras 6 estrofes) refere-se à abulia, à frustração e ao desencanto pela vida manifestado pelo sujeito poético. </li></ul>
  3. 5. <ul><li>1. Nada me prende a nada. 2. Quero cinquenta coisas ao mesmo tempo. 3. Anseio com uma angústia de fome de carne 4. O que não sei que seja — 5. Definidamente pelo indefinido ... 6. Durmo irrequieto, e vivo num sonhar irrequieto 7. De quem dorme irrequieto, metade a sonhar. </li></ul>Desencanto pela vida (sentimento abúlico). Confusão emocional. <ul><li>Nos versos 3, 5 e 6 estão presentes oximoros que vão reforçar a ideia de confusão emocional sentida pelo sujeito poético. </li></ul>
  4. 6. <ul><li>11. Acordei para a mesma vida para que tinha adormecido. 12. Até os meus exércitos sonhados sofreram derrota. 13. Até os meus sonhos se sentiram falsos ao serem sonhados. 14. Até a vida só desejada me farta — até essa vida... 15. Compreendo a intervalos desconexos; 16. Escrevo por lapsos de cansaço; 17. E um tédio que é até do tédio arroja-me à praia. </li></ul>Angústia existencial. Tédio. <ul><li>No verso 12 está presente uma metáfora visto que o conjunto de sonhos do sujeito poético é visto como um exército. </li></ul><ul><li>No verso 14 está presente uma anástrofe que realça a vida sonhada. Demonstrando que até dessa vida ele está farto. </li></ul><ul><li>No verso 17 há um realce da confusão e do tédio enfatizado pela utilização de uma anástrofe arrojada. </li></ul>
  5. 7. <ul><li>Relativamente à segunda unidade de sentido… </li></ul><ul><li>Ela engloba as últimas 5 estrofes. </li></ul><ul><li>O sujeito poético revê a cidade da sua infância que ele considera “pavorosamente perdida” e “triste e alegre” neste último exemplo, numa alusão às duas cidades que conheceu, a da infância e da vida de adulto. </li></ul>
  6. 8. <ul><li>30. Outra vez te revejo, 31 . Cidade da minha infância pavorosamente perdida ... 32. Cidade triste e alegre , outra vez sonho aqui... 33. Eu? Mas sou eu o mesmo que aqui vivi, e aqui voltei, 34. E aqui tornei a voltar, e a voltar. 35. E aqui de novo tornei a voltar? 36. Ou somos todos os Eu que estive aqui ou estiveram, 37. Uma série de contas-entes ligados por um fio-memória, 38. Uma série de sonhos de mim de alguém de fora de mim? </li></ul><ul><li>39. Outra vez te revejo, 40. Com o coração mais longínquo, a alma menos minha. </li></ul>Evidencia a dúvida sobre a sua identidade Refere-se à multiplicidade de eus que vivem nele <ul><li>No verso 32 a expressão “Cidade triste e alegre” é um oximoro e é uma alusão às duas cidades que conheceu, a da infância e da vida de adulto. </li></ul>
  7. 9. <ul><li>41. Outra vez te revejo — Lisboa e Tejo e tudo —, 42. Transeunte inútil de ti e de mim, 43. Estrangeiro aqui como em toda a parte, 44. Casual na vida como na alma, 45. Fantasma a errar em salas de recordações, 46. Ao ruído dos ratos e das tábuas que rangem 47. No castelo maldito de ter que viver... </li></ul><ul><li>O eu fala da cidade como a revê e de como se sente nela, “Transeunte inútil”, “Estrangeiro”, “Casual” e “Fantasma” (Verso 42 a 48). Todas estas referências demonstram uma perda de identidade por parte do sujeito poético. </li></ul>
  8. 10. <ul><li>53. Outra vez te revejo, 54. Mas, ai, a mim não me revejo! 55. Partiu-se o espelho mágico em que me revia idêntico, 56. E em cada fragmento fatídico vejo só um bocado de mim — 57. Um bocado de ti e de mim!. .. </li></ul><ul><li>O verso 55 mostra-nos que quando o sujeito poético era criança Lisboa tinha encanto e magia, mas agora que se tornou adulto ela perdeu-a. </li></ul>
  9. 11. <ul><li>Este é talvez o exemplo mais acabado - e mais conhecido - da mitificação da infância pondo-a em contraste com a tristeza e descrença do presente do sujeito poético. </li></ul>
  10. 12. <ul><li>5. No tempo em que festejavam o dia dos meus anos, </li></ul><ul><li>6 . Eu tinha a grande saúde de não perceber coisa nenhuma ,  </li></ul><ul><li>7. De ser inteligente para entre a família, </li></ul><ul><li>8. E de não ter as esperanças que os outros tinham por mim. </li></ul><ul><li>9. Quando vim a ter esperanças, já não sabia ter esperanças. </li></ul><ul><li>10. Quando vim a olhar para a vida, perdera o sentido da vida. </li></ul><ul><li>No verso 6 está presente uma metáfora, uma vez que a ingenuidade característica das crianças é vista como saúde, ou seja, como bem-estar físico e psicológico. </li></ul>
  11. 13. <ul><li>19. O que eu sou hoje é como a humidade no corredor do fim da casa,  </li></ul><ul><li>20. Pondo grelado nas paredes... </li></ul><ul><li>21. O que eu sou hoje (e a casa dos que me amaram treme através das minhas lágrimas), </li></ul><ul><li>22. O que eu sou hoje é terem vendido a casa ,  </li></ul><ul><li>23. É terem morrido todos, </li></ul><ul><li>24. É estar eu sobrevivente a mim-mesmo como um fósforo frio... </li></ul><ul><li>No verso 19 está presente uma metáfora na qual o sujeito poético se compara com a humidade presente “no corredor do fim da casa”. </li></ul><ul><li>No verso 22 o sujeito poético demonstra um vazio interior e na sua própria vida porque perdeu o bem mais precioso que tinha, a sua casa. Sendo que era ela que lhe trazia a sensação de totalidade, de alegria, de aconchego dado pela vida em família na infância longínqua. </li></ul>
  12. 14. <ul><li>25. No tempo em que festejavam o dia dos meus anos ... </li></ul><ul><li>26. Que meu amor, como uma pessoa, esse tempo! </li></ul><ul><li>27. Desejo físico da alma de se encontrar ali outra vez, </li></ul><ul><li>28. Por uma viagem metafísica e carnal, </li></ul><ul><li>29. Com uma dualidade de eu para mim... </li></ul><ul><li>30. Comer o passado como pão de fome, sem tempo de manteiga nos dentes! </li></ul><ul><li>Nos versos 27, 28 e 29 o sujeito poético expressa a vontade de voltar a ser criança e o desejo de fazer uma “viagem metafísica e carnal” para deixar o presente e voltar ao passado. </li></ul><ul><li>No verso 30 existe metáfora, anástrofe e hipérbole na medida em que o sujeito poético diz que do mesmo modo que qualquer ser humano, quando tem fome de pão come muito e apressadamente, ele como tem uma vontade tão grande de voltar ao passado também seria capaz de o “devorar”. </li></ul>
  13. 15. <ul><li>31. Vejo tudo outra vez com uma nitidez que me cega para o que há aqui... </li></ul><ul><li>32. A mesa posta com mais lugares, com melhores desenhos na loiça, com mais copos, </li></ul><ul><li>33. O aparador com muitas coisas - doces, frutas, o resto na sombra debaixo do alçado, </li></ul><ul><li>34. As tias velhas, os primos diferentes, e tudo era por minha causa,  </li></ul><ul><li>35. No tempo em que festejavam o dia dos meus anos. . . </li></ul><ul><li>No verso 31 está presente uma antítese que salienta a consciência do sujeito poético para tudo o que o rodeia, e o seu descontentamento e sofrimento perante isso. </li></ul><ul><li>Nos versos 32 e 33 o sujeito poético faz uma enumeração de tudo o que ele tem a mais no presente. Sendo que isto pretende enaltecer o que ele verdadeiramente não tem, que é carinho e amor que a família lhe dava quando ele era criança. </li></ul><ul><li>No verso 34, a expressao sublinhada pretende demonstrar que as crianças são algo egoístas e gostam de ser o centro das atenções. </li></ul>
  14. 16. <ul><li>36. Pára, meu coração! </li></ul><ul><li>37. Não penses!  Deixa o pensar na cabeça!  </li></ul><ul><li>38. Ó meu Deus, meu Deus, meu Deus!  </li></ul><ul><li>39. Hoje já não faço anos. </li></ul><ul><li>40. Duro. </li></ul><ul><li>41. Somam-se-me dias. </li></ul><ul><li>42. Serei velho quando o for. </li></ul><ul><li>43. Mais nada. </li></ul><ul><li>44. Raiva de não ter trazido o passado roubado na algibeira! ... </li></ul><ul><li>45. O tempo em que festejavam o dia dos meus anos !... </li></ul><ul><li>Ao longo de toda esta estrofe se percebe que o pensamento do sujeito poético era amargurado, crítico e pessimista que impede o EU de ser inocente e feliz como era em criança. </li></ul><ul><li>Do verso 41 a 44 está expresso conformismo por parte do sujeito poético para com o envelhecimento e com a impossibilidade de voltar a ser criança outra vez. </li></ul>
  15. 17. <ul><li>Luís Filipe Máximo Lopes nº12 </li></ul><ul><li>Luís Filipe Oliveira Soares nº13 </li></ul><ul><li>Marta de Pina Fernandes nº14 </li></ul>Escola Básica 2,3/ de Vale de Cambra 12ºD (2009/2010)

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