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Artigo: Conversas sobre Ciência - À procura da felicidade

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// 60 anos dos Prémios Pfizer \\

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Artigo: Conversas sobre Ciência - À procura da felicidade

  1. 1. P rocurámos a opinião de vá- rios especialistas e investi- gadores para nos ajudarem nesta busca da felicidade. “Sabe- -se hoje que a felicidade se treina e educa, e que ser feliz não é estar sempre a sentir-se bem, ser mate- rialista ou ser cego ao negativo da vida - tal como comparar-se com quem tem mais, viver agarrado a ressentimentos ou não ter re- Tudo isto destrói a felicidade”, ex- plica Helena Águeda Marujo, coor- denadora da Unidade de Missão ISCSP- Wellbeing. Nas consultas de coaching que dá, Teresa Marta, coach e CEO da Academia da Coragem, defronta- -se com a procura incessante pela felicidade que está hoje “a tornar- -se muito angustiante: condiciona as nossas decisões, o modo como nos relacionamos com os outros, as amizades que escolhemos e os As relações sociais surgem como um dos aspectos essenciais nes- te estado. E a felicidade resulta de uma complexidade de variáveis que “inclui uma dieta de emoções positivas que ajudam a transcen- der as negativas, a percepção de sa- tisfação global com a vida, a pre- sença de um sentido para a vida, e conhecer e aplicar as melhores virtudes pessoais. Maior felicidade associa-se a longevidade, sistema imunitário mais robusto, maior saúde cardiovascular, melhor recu- peração de doenças, superior nível de cuidado pessoal (alimentação, O que é ser feliz? · Ser reconhecido, realizar algo que deu luta, sentir-se acompanhado (mesmo só). Como ser mais feliz1 ? · Descarte negativismos; · Use a imaginação (é tão poderosa que altera a nossa percepção do mundo); · Compre experiências, não coisas; · Seja generoso; · Treine o cérebro como um monge (meditar, sentir compaixão); · Foque-se e viva o presente. Desligue culpas, desgostos, preocupações passadas ou futuras. Quem é mais feliz? · Os dinamarqueses2 , mas são também quem tem mais suicídios3 ! “Paradoxo? Talvez não: dói mais ser infeliz onde todos são felizes. · Quem tem amigos4 (não no Facebook!): É impossível ser feliz sozinho, Vinicius. · Mathieu Ricard5 , o homem mais feliz do mundo. FONTE: Margarida Amaral, investigadora e Diretora do BioISI - Instituto de Biossis- temas e Ciências Integrativas, Faculda- de de Ciências, Universidade de Lisboa 1 | Segundo Stephen Guise, Deep Existence blogger 2 | World Happiness Report 2016 (worldhappiness .report/ed/2016) Os Portugueses estão em 94º lugar 3 | Instituto de Investigação da Felicidade: www.happinessresearchinstitute.com 4|Grant Study on Happiness, Harvard; TED talk de Robert Waldinger: www.ted.com/speakers/robert_waldinger 5 | Biólogo, ex-colaborador do prémio Nobel F. Jacob, monge budista próximo do Dalai Lama: www.matthieuricard.org/en À procura da felicidade É algo que desejamos. Um tema de que todos falamos. Mas se que queremos ser felizes, não será tão comum pensar isto da felicidade. É certo que surge como meta de vida mas não será este um assunto tão subjectivo que se torna difícil caracterizá-lo? CONVERSAS SOBRE CIÊNCIA Quarto de cinco artigos Conversas sobre Ciência CONTEÚDO PUBLICITÁRIO Corremos o risco de viver a vida inteira à procura da felicidade, quando ela sempre nos acompanhou Teresa Marta exercício...), mais produtividade, criatividade e acções solidárias. Teresa Marta lembra que “a busca da felicidade faz-nos esquecer que ela também está em coisas simples, que assumimos como adquiridas. Corremos o risco de viver a vida in- teira à procura da felicidade, quan- do ela sempre nos acompanhou”. O que sabe a ciência sobre felicidade? - res premiados ao longo dos anos - tigação para partilharem o que a ciência já descobriu sobre a feli- cidade ou simplesmente darem a sua opinião sobre este estado. “A ciência e cada um de nós indivi- dualmente sabe muito pouco. Sa- bemos que, em países desenvolvi- dos, as preocupações do dia a dia e o stress estão associados a uma redução do bem-estar”, explica o médico reumatologista João Euri- co Cabral da Fonseca. Nestes países, a felicidade acompanha inversamente o stress e as “preocupações” e “tem uma curva em ‘U’ ao longo da vida, com níveis mais baixos na década dos 40 e dos 50 anos, o que não pare- ce ser verdade em países com ín- dices de desenvolvimento muito baixos, onde os níveis de preocu- pação e stress são semelhantes ao longo de toda a vida e o bem-estar é homogeneamente baixo ao lon- go da vida”, explica. E nos países de desenvolvimen- to intermédio? “Nestes, os níveis de preocupação parecem aumen- tar com a idade e, inversamente, a felicidade diminui progressiva- mente ao longo da vida”. Em todas as realidades, sabe-se que “a dor física e a doença cró- a felicidade, sobrepondo-se a ou- tros factores”, explica João Eurico Cabral da Fonseca. E depois, sur- ge uma espécie de ciclo vicioso: as doenças têm enorme impacto no bem-estar mas também os baixos o aparecimento de outras patolo- gias condicionando a esperança média de vida”. Como ter mais anos de vida feli- zes? “Apostando na melhoria das condições possíveis de tratamento para as doenças crónicas e cons- ciencializar a sociedade para a im- portância de gerir a preocupação e o stress, principalmente na quar- ta e quinta décadas de vida”, suge- re o reumatologista. Não se considera a pessoa indi- cada para falar sobre o que é que a ciência descobriu sobre a felicida- de mas defende que é “uma pessoa a felicidade de fazer ciência”, de- fende Luís Graça, professor da Fa- culdade de Medicina da Universi- dade de Lisboa e investigador do Instituto de Medicina Molecular (IMM). “Na minha vida, tive de to- mar opções sobre o tempo de tra- balho a dedicar à investigação. Sou médico e sempre considerei que a investigação era uma das pro- felicidade mesmo quando perce- bemos que estamos errados”, de- fende. Percebeu, ao longo dos anos que muitas teorias em que verda- deiramente acreditava, não esta- vam certas. “A ciência é constante- mente uma lição de humildade no sentido em que produzimos ideias fantásticas que a natureza se en- carrega de demonstrar que estão erradas”, defende. E não há qual- quer problema. “É uma questão de tempo até encontrarmos o cami- nho certo novamente”. O cérebro comanda tudo “Córtex cingulado. Córtex Pré-fron- tal. Ínsula. Estas são áreas do cére- bro ativadas quando nos sentimos felizes. Mas se lhe disser as mes- mas são ativadas pela tristeza ou pela raiva?”, começa por questio- nar Henrique Veiga Fernandes, in- vestigador principal no IMM e na Fundação Champalimaud. Con- fuso? Talvez. É por isso uma ta- refa difícil, também para a ciên- associada com frequência a ou- tros conceitos como o bem-estar, o prazer ou a satisfação. A ideia de felicidade remete-nos a vivências muito próprias, mas que, por cer- to, ombreiam ou escondem con- Vejamos: Epicuro defendia que a procura do prazer e a ausência de sofrimento são o caminho para a felicidade (corrente hedónica). Já Aristóteles referia que a felicidade se encontrava numa vida de vir- tude (corrente eudemónica). On- de se situa o leitor? Provavelmen- te entre estas duas concepções”. Várias teorias, milhares de arti- gos, livros de auto-ajuda e pales- tras sobre a felicidade. Dúvidas, muitas dúvidas. O desejo, esse vai continuando lá, e é intrínseco a cada um de nós. “Entre o rito hedónico e eude- mónico, procuramos os caminhos que conduzem a este sentimento por vezes efémero e intangível que é a felicidade. Porventura, a poesia e a música ter-nos-ão aproxima- nenhuma outra forma de arte hu- mana. Mas, se e é verdade que a felicidade é ainda uma interroga- ção para a ciência, é também claro que a ciência nos tornou mais hu- manos, e isso não é pouco”, con- clui Henrique Veiga Fernandes.

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