Edicao 83

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Edicao 83

  1. 1. REVISTA DA ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE PSICOPEDAGOGIA • Nº 83 • 2010 • ISSN 0103-8486 Editorial / EditoriaL. ......................................................................................... 161 Artigos ORIGINAis / ORIGINAL ARTICLEs • Parceria saúde-educação na UFRJ: compartilhando experiências..........................................................163 • Comparação do desempenho de estudantes em instrumentos de atenção e funções executivas...... 171 • Avaliação do desempenho em matemática de crianças do 5º ano do ensino fundamental. Estudo preliminar por meio do teste de habilidade matemática (THM)................................................ 181 • Treinamento da correspondência grafema-fonema em escolares de risco para a dislexia................... 191 • Habilidades de leitura e escrita de crianças na recuperação do ciclo I: divergências entre avaliação de professores e resultados em testes padronizados............................................................................202 • Processamento auditivo: estudo em crianças com distúrbios da leitura e da escrita........................... 214 . • Avaliação psicomotora de escolares do 1º ano do ensino fundamental...............................................223 • Jogos regrados e educação: concepções de docentes do ensino fundamental...................................236 RELATOs DE EXPERIÊNCIA/EXPERIENCE REPORTs • Construindo e construindo-se: uma experiência da Clínica Social da ABPp-ES......................................250 • Práticas pedagógicas e inovação na instituição de ensino: uma abordagem psicopedagógica com foco na aprendizagem............................................................................................................................262 • Discurso paterno: sinais indicativos de disfunções relacionais..............................................................273 ponto de vista / point of view • O jogo como recurso de aprendizagem.................................................................................................282 artigos DE REVISÃO / review articles • Pontos de encontro entre os sistemas notacionais alfabético e numérico...........................................288 • Senso numérico e dificuldades de aprendizagem na matemática .......................................................298 estudo de caso / case study • Problemas emocionais em um adulto com dislexia: um estudo de caso ............................................. 310 30 ANOS
  2. 2. Associação Brasileira de Psicopedagogia Sede: Rua Teodoro Sampaio, 417 - Conj. 11 - Cep: 05405-000 - São Paulo - SP Pabx: (11) 3085-2716 - 3085-7567 - www.abpp.com.br - psicoped@uol.com.br NúcleoS e Seções da abPp (Abril de 2010)Núcleo Espírito Santo Seção Paraná SulCoordenadora: Maria da Graça Von Kruger Pimentel Diretora Geral: Sonia Maria Gomes de Sá Kuster R. Elesbão Linhares, 420/601 – Canto da Praia R. Fernando Amaro, 431 – Alto da XV Vitória – ES – CEP 29057-220 Curitiba – PR – CEP 80050-020 (027) 3225-9978 (041) 363-8006 mgvkp@terra.com.br abppprsul@hotmail.comNúcleo Sul Mineiro Seção PernambucoCoordenadora: Júlia Eugênia Gonçalves Diretora Geral: Maria das Graças Sobral Griz R. Deputado Ribeiro de Rezende, 494 - Centro R. das Pernambucanas, 277 – Graças Varginha – MG – CEP 37002-100 Recife – PE – CEP 52011-010 (035) 3222-1214 (081) 3222-4375 – 3231-1461 julia@fundacaoaprender.org.br abpppe@gmail.comSeção Bahia Seção PiauíDiretora Geral: Débora Silva de Castro Pereira Diretora Geral: Amélia Cunha Rio Lima Costa Av. Tancredo Neves, 3343 – Ed. Cempre – Sala 1103 – Torre B – Caminho das Árvores R. Eletricista Guilherme, 815 – Ininga Salvador – BA – CEP 41820-021 Teresina – PI – CEP 64049-530 (071) 3341-0121 (086) 3233-2878 abppsecao.ba@uol.com.br amelia.costa@ibest.com.br Seção Brasília Seção Rio de JaneiroDiretora Geral: Marli Lourdes da Silva Campos Diretora Geral: Ana Paula Loureiro e Costa SCLN Quadra 102 – Bloco D – sala 110 Av. N. Sra. de Copacabana, 861 sala 302 Brasília – DF – CEP 70722-540 Rio de Janeiro – RJ – CEP 22060-000 (061) 3964-1004 (021) 2236-2012 / Fax: (021) 2521-6902 abppbsb@gmail.com abpp-rj@abpp_rj.com.br Seção Ceará Seção Rio Grande do NorteDiretora Geral: Galeára Matos de França Silva Diretora Geral: Ednalva de Azevedo Silva R. Assis Chateaubriand, 362 A – Dionízio Torres R. São João, 1392 – Lagoa Sêca Fortaleza – CE – CEP 60135-200 Natal – RN – CEP 59022-390 (085) 3261-0064 – 3268-2632 (084) 3223-6870 psicop_ceara@yahoo.com.br psicopedrn@yahoo.com.br Seção Goiás Seção Rio Grande do SulDiretora Geral: Luciana Barros de Almeida Diretora Geral: Fabiani Ortiz Portella Av. 85, 684 sala 207 – Ed. Eldorado Center – Av. Venâncio Aires, 1119/ sala 9 Setor Oeste Porto Alegre – RS – CEP 90520-000 Goiânia – GO – CEP 74120-090 (051) 3333-3690 (062) 3954-2178 abpp.rs@brturbo.com.br psicopedagogiagoiasabpp@gmail.com Seção Santa CatarinaSeção Minas Gerais Diretora Geral: Albertina Celina de Mattos ChraimDiretora Geral: Regina Rosa dos Santos Leal R. Grão Mogol, 502 / 305 – Carmo Sion R. Eurico Gaspar Dutra, 445, sl 101- Estreito Belo Horizonte – MG – CEP 30310-010 Florianópolis – SC – CEP 88075-100 (031) 3221-3616 (048) 3244-5984 abppminasgerais@gmail.com abppsc@abppsc.com.br Seção Pará Seção São PauloDiretora Geral: Maria Nazaré do Vale Soares Diretora Geral: Sônia Maria Colli Trav. 3 de Maio, 1218/ sl 105 – São Braz R. Carlos Sampaio, 304 – cj. 51- sl 03 Belém – PA – CEP 66060-600 São Paulo – SP – CEP 01333-020 (094) 3229-0565 (011) 3287-8406 abpppa@yahoo.com.br saopaulo@saopauloabpp.com.br Seção Paraná Norte Seção SergipeDiretora Geral: Geiva Carolina Calsa Diretora Geral: Auredite Cardoso Costa R. Montevidéu, 206 Av. Ivo Prado, 312 – Centro Maringá - PR - CEP 87030-470 Aracaju – SE – CEP 49010-050 (044) 3026-1063 (079) 3211-8668/ 3211-78903 abpppr@ig.com.br auredite@hotmail.com
  3. 3. A Associação Brasileira de Psicopedagogia (ABPp) é uma entidade de caráter científico-cultural, sem fins lucrativos, que congrega profissionais militantes na área da Psicopedagogia. Em 12 de novembro de 1980, um grupo de profissionais já envolvidas e atuantes nas questões relativas aos problemas da aprendizagem fundou a Associação Estadual de Psicopedagogos do Estado de São Paulo, a AEP. Devido ao grande interesse em torno dessa Associação, a sua expansão a nível Nacional surgiu como necessidade imperiosa. Em 1986, a AEP transformou-se na ABPp e gradativamente foram sendo criados os seus escritórios de representação por todo o Brasil, denominados de Núcleos e Seções. Durante estes anos, a ABPp vem cuidando de questões referentes à formação, ao perfil, à difusão e ao reconhecimento da Psicopedagogia no Brasil, já tendo alcançado muitas vitórias na luta pela sua regulamentação. Atualmente, conta com 16 Seções e 2 Núcleos, espalhados pelo Brasil, para melhor divulgar a Psicopedagogia e aproximar os profissionais em torno de seus objetivos comuns.30 ANOS A ABPp promove conferências, cursos, palestras, jornadas, congressos, bem como a divulgação de trabalhos sobre sua área de atuação, por meio da revista científica Psicopedagogia, da Revista do Psicopedagogo, do informa- tivo Diálogo Psicopedagógico e do site www.abpp.com.br. Oferece, ainda, descontos tanto nos eventos que organiza quanto em eventos de terceiros, que são parceiros e interessados nos assuntos desta área. Preocupada com as questões sociais, a atual diretoria da ABPp Nacional organizou um novo trabalho de cunho sociocientífico, que visa não só ao atendimento da população carente, promovendo a inserção social e a divulgação da importância da prática psicopedagógica, como também à implantação de um novo modelo de estudo e pesquisa nesse campo. Dele poderão participar todos os associados interessados em prestar um trabalho social. Podem associar-se à ABPp todas as pessoas interessadas nessa área de atuação, tendo ou não concluído a sua especialização em Psicopedagogia. Rua Teodoro Sampaio, 417 - Conj. 11 - Cep: 05405-000 São Paulo - SP - Pabx: (11) 3085-2716 - 3085-7567 www.abpp.com.br - psicoped@uol.com.br
  4. 4. Inicie aqui sua carreira científica! 1º Fórum de Iniciação Científica Apresentação on-line de trabalhos científicos de alunos de graduação e pós-graduação. A oportunidade para o estudante Universitário expor seu primeiro trabalho Científico. Os melhores trabalhos receberão menção honrosa. Veja no site: www.abpp30anos.com.br – o que é e como funciona o Fórum Informações e Inscrições Conheça o Fórum! O encontro é composto de 3 partes! Certificado com carga horária de 40 horasIV Simpósio Interna- Sala Psicopedagógica Encontro com a cional On-line Universidade“Conhecer...Fazer...Com- “Navegar no saber Psico- “Aprendizagem sob o partilhar pedagógico” enfoque ...Ser Psicopedagogo” Psicopedagógico” Seis colóquios on-line, Dias 14, 15 e 16 ao vivo A ABPp oferece, graciosamen- de outubro, te, uma palestra. Entre em em São Paulo contato conosco! Telefone: (11) 3554-1758 Mais informações no site www.abpp30anos.com.brPatrocínio Realização EDITORA VOZES OrganizaçãoParcerias ARTE em eventos CONSULTORIA HOTELEIRA Telefone: (11) 3554-1758 A ABPp faz história em 30 anos de trajetória!
  5. 5. EditoraMaria Irene Maluf SPConselho ExecutivoMaria Irene Maluf SPQuézia Bombonatto SPCristina Valdoros Quilici SPConselho Editorial NacionalAna Lisete Rodrigues SP Maria Célia Malta Campos SPAnete Busin Fernandes SP Maria Cristina Natel SPBeatriz Scoz SP Maria Lúcia de Almeida Melo SPDébora Silva de Castro Pereira BA Maria Silvia Bacila Winkeler PRDenise da Cruz Gouveia SPEdith Rubinstein SP Marisa Irene Siqueira Castanho SPElcie Salzano Masini SP Mônica H. Mendes SPEloísa Quadros Fagali SP Nádia Bossa SPEvelise Maria L. Portilho PR Neide de Aquino Noffs SPGláucia Maria de Menezes Ferreira CE Nívea M.de Carvalho Fabrício SPHeloisa Beatriz Alice Rubman RJ Regina Rosa dos Santos Leal MGLeda M. Codeço Barone SPMargarida Azevedo Dupas SP Rosa M. Junqueira Scicchitano PRMaria Auxiliadora de Azevedo Rabello BA Sônia Maria Colli de Souza SPMaria Cecília Castro Gasparian SP Vânia Carvalho Bueno de Souza SPConselho Editorial InternacionalAlicia Fernández - ArgentinaCarmen Pastorino - UruguaiCésar Coll - EspanhaIsabel Solé - EspanhaMaria Cristina Rojas - ArgentinaNeva Milicic - ChileVitor da Fonseca - PortugalConsultores ad hocAna Maria Maaz Acosta AlvarezJaime ZorziLino de MacedoLívia Elkis Luiza Helena Ribeiro do VallePedro Primo BombonatoSaul CypelSylvia Maria Ciasca
  6. 6. Associação Brasileirade PsicopedagogiaRua Teodoro Sampaio, 417 - Conj. 11 - Cep: 05405-000São Paulo - SP - Pabx: (11) 3085-2716 - 3085-7567www.abpp.com.brpsicoped@uol.com.brPSICOPEDAGOGIA – Órgão oficial de divulgação 7) INDEX PSI – Periódicos – Conselhoda Associação Brasileira de Psicopedagogia – ABPp Federal de Psicologiaé indexada nos seguintes órgãos: 8) DBFCC – Descrição Bibliográfica Fundação Carlos Chagas1) LILACS - Literatura Latino-Americana e Editora Responsável: Maria Irene Maluf do Caribe em Ciências da Saúde - BIREME Jornalista Responsável: Rose Batista – 28.2682) Clase - Citas Latinoamericanas en Cien- Revisão e Assessoria Editorial: cias Sociales y Humanidades. Universidad Rosângela Monteiro Nacional Autónoma de Mexico Editoração Eletrônica: Sollo Comunicação3) Edubase - Faculdade de Educação, Uni- camp Impressão: Sollo Press4) Bibliografia Brasileira de Educação - BBE CIBEC / INEP / MEC O conteúdo dos artigos aqui publicados é de5) Latindex - Sistema Regional de Informa- inteira responsabilidade de seus autores, não ción en Línea para Revistas Científicas de América Latina, El Caribe, España y expressando, necessariamente, o pensamento Portugal do corpo editorial.6) Catálogo Coletivo Nacional – Instituto É expressamente proibida qualquer modali- Brasileiro em Ciência e Tecnologia – dade de reprodução desta revista, seja total ou IBICT parcial, sob penas da lei. Psicopedagogia: Revista da Associação Brasileira de Psicopedagogia / Associação Brasileira de Psicopedagogia. - Vol. 10, nº 21 (1991). São Paulo: ABPp, 1991- Quadrimestral ISSN 0103-8486 Continuação, a partir de 1991, vol. 10, nº 21 de Boletim da Associação Brasileira de Psicopedagogia. 1. Psicopedagogia. I. Associação Brasileira de Psicopedagogia. CDD 370.15
  7. 7. Diretoria da AssociaçãoBrasileira de Psicopedagogia2008/2010Diretoria ExecutivaPresidente Diretora Científica AdjuntaQuézia Bombonatto Márcia Simõesqueziabombonatto@abpp.com.br marciasimoes@abpp.com.brVice-PresidenteCristina Valdoros Quilici Diretora Culturalcristinaquilici@abpp.com.br Yara Marlene PratesTesoureira yara@donquixote.com.brMaria Cecília Castro Gasparian Relações Públicasmcgasparian@uol.com.br Telma PantanoSecretária Administrativa telmapantano@terra.com.brMaria Teresa Messeder Andion Relações Públicas Adjuntateresahandeon@abpp.com.brDiretora Científica Edimara de LimaNádia Aparecida Bossa edimara.lima@terra.com.brnadiabossa@abpp.com.brAssessoriasAssessora de Divulgações Científicas Assessora de Reconhecimento e Cursos Maria Irene Maluf Neide Aquino Noffsirenemaluf@uol.com.br neidenoffs@abpp.com.brAssessorias RegionaisAssessora Regional Bahia Assessora Regional Paraná Maria Angélica Moreira Rocha Rosa Maria Schiccitanomaangelicarocha@gmail.com rosamaria@uel.brAssessora Regional Ceará Maria José Weyne Melo de Castromjweyne@yahoo.com.brConselheiras VitalíciasBeatriz Judith Lima Scoz Sp Maria Irene Maluf SpEdith Rubinstein Sp Mônica H. Mendes SpLeda Maria Codeço Barone Sp Neide de Aquino Noffs SpMaria Cecília Castro Gasparian SP Nívea Maria de Carvalho Fabrício SpMaria Célia Malta Campos SpConselheiras Eleitas (2008/2010)Carla Labaki SP Maria Helena Bartholo RJCleomar Landim de Oliveira SP Maria José Weyne M. de Castro CECristina Vandoros Quilici SP Marisa Irene Siqueira Castanho SPEdnalva de Azevedo Silva RN Marli Lourdes da Silva Campos DFEloisa Quadros Fagali SP Miriam do P .S.F. Vidigal Fonseca MGEvelise Maria Labatut Portilho PR Nadia Aparecida Bossa SPGaleára Matos de França Silva CEHeloisa Beatriz Alice Rubman RJ Neusa Kern Hickel RSJanaina Carla R. dos Santos GO Quézia Bombonatto SPJozelia de Abreu Testagrossa BA Rosa Maria J. Scicchitano PRLuciana Barros de Almeida Silva GO Silvia Amaral de Mello Pinto SPMaria Auxiliadora de A. Rabello BA Sonia Maria Colli de Souza SPMaria Cristina Natel SP Yara Prates SP
  8. 8. Associação Brasileirade Psicopedagogia
  9. 9. sumárioEditorial / Editorial• Maria Irene Maluf ................................................................................................................................................161Artigos ORIGINAis / ORIGINAL ARTICLEs• Parceria saúde-educação na UFRJ: compartilhando experiências Health-education partnership at UFRJ: sharing experiences Renata Mousinho; Claudia Tavares Ribeiro; Gláucia M. M. Martins. .........................................163 .• Comparação do desempenho de estudantes em instrumentos de atenção e funções executivas Comparison of performance of students in instruments of attention and executive function Adriana Nobre de Paula Simão; Ricardo Franco de Lima; Juliane Cristhine Natalin; Sylvia Maria Ciasca. ...................................................................................................................................171 .• Avaliação do desempenho em matemática de crianças do 5º ano do ensino fundamental. Estudo preliminar por meio do teste de habilidade matemática (THM) Performance in mathematics of primary school children using the Test of Mathematics Ability: preliminary study Sônia das Dores Rodrigues; Adriana Regina Guassi; Sylvia Maria Ciasca..................................181• Treinamento da correspondência grafema-fonema em escolares de risco para a dislexia Grapheme-phoneme correspondence training in students at risk for dyslexia Daniele de Campos Refundini; Maíra Anelli Martins; Simone Aparecida Capellini..................191• Habilidades de leitura e escrita de crianças na recuperação do ciclo I: divergências entre avaliação de professores e resultados em testes padronizados Reading and writing skills of child into recovery cycle I: divergences between assessment of teachers and results of standardized tests Maria Cristina Triguero Veloz Teixeira; Chi Kow Mei; Alessandra Gotuzo Seabra; Deisy Ribas Emerich; Elizeu Coutinho de Macedo..................................................................................202• Processamento auditivo: estudo em crianças com distúrbios da leitura e da escrita Auditory processing: study in children with specific reading and writing deficits Silvana Frota; Liliane Desgualdo Pereira.......................................................................................214 .• Avaliação psicomotora de escolares do 1º ano do ensino fundamental Psychomotor evaluation with students of 1st grade Tais de Lima Ferreira; Amanda Bulbarelli Martinez; Sylvia Maria Ciasca..................................223 .• Jogos regrados e educação: concepções de docentes do ensino fundamental The rules games and education: teachers conceptions of primary education Nelson Pedro-Silva; Manoela de Fátima Cabral Simili.................................................................236
  10. 10. RELATOs DE EXPERIÊNCIA/EXPERIENCE REPORTs• Construindo e construindo-se: uma experiência da Clínica Social da ABPp-ES Building and building yourself: an experience of the ABPp-ES Social Clinic Cheila Araujo Mussi Montenegro; Dina Lucia Fraga; Iara Feldman; Janine C. Barboza; Mara C. B. R. Lima; Maria da Graça von Kruger Pimentel; Maria José Saavedra Castro; Marieta Vieira Messina; Maristela do Valle; Sonia Volpini Coelho..............................................250• Práticas pedagógicas e inovação na instituição de ensino: uma abordagem psicopedagógica com foco na aprendizagem Pedagogical practices and innovations in the teaching institution: a psychopedagogic approach with focus in the apprenticeship Francisca Francineide Cândido.......................................................................................................262• Discurso paterno: sinais indicativos de disfunções relacionais Paternal discourse: signs of relational dysfunctions Olga Araújo Perazzolo; Siloe Pereira; Marcia M. Capellano dos Santos......................................273ponto de vista / point of view• O jogo como recurso de aprendizagem The game as a learning resource Luciana Alves; Maysa Alahmar Bianchin.......................................................................................282artigos DE REVISÃO / review articles• Pontos de encontro entre os sistemas notacionais alfabético e numérico Points of meeting between the systems notacionais alphabetical and numerical Iara Suzana Tiggemann...................................................................................................................288• Senso numérico e dificuldades de aprendizagem na matemática Number sense and learning difficulties in mathematics Luciana Vellinho Corso; Beatriz Vargas Dorneles .........................................................................298estudo de caso / case study• Problemas emocionais em um adulto com dislexia: um estudo de caso Emotional problems in an adult with dyslexia: a case study Flávia Vianna Bonini; Raquel Regina Mari; Sandra Aparecida dos Anjos; Viviane Joveliano; Sueli Cristina de Pauli Teixeira . .....................................................................................................310
  11. 11. EDITORIALÀ s vésperas do IV Simpósio Internacional de Psicopedagogia da ABPp Nacional “Conhecer... Fazer... Compartilhar... Ser Psicopedagogo”, evento de singular expressão que encerra as comemorações dos 30 anos destaAssociação, criada em São Paulo, em 1980, por Leda Barone e atualmentepresidida por Quézia Bombonatto, temos o prazer de trazer uma edição repletade artigos de notáveis educadores, pedagogos, psicopedagogos e pesquisadores. Um assunto que desponta na atualidade como de importância em todomundo, a parceria entre a educação e a ciência, tem gerado importantespesquisas, como temos a honra de publicar na abertura deste número deaniversário da ABPp: “Parceria saúde-educação na UFRJ: compartilhandoexperiências”, escrito por Renata Mousinho, Claudia Tavares Ribeiro e GláuciaM. M. Martins. Este trabalho aponta a necessidade de redução das diferençasindividuais no momento do ingresso à escola como fator decisivo para oenfrentamento e a diminuição prática das dificuldades de aprendizagem, assimcomo para a melhoria dos resultados dos processos envolvidos. O interessecientífico pela análise do desempenho estudantil de crianças dos 7 aos 12 anosnão se apresenta apenas nesse artigo, mas também na pesquisa “Comparaçãodo desempenho de estudantes em instrumentos de atenção e funções executivas”,de Adriana Nobre de Paula Simão, Ricardo Franco de Lima, Juliane CristhineNatalin e Sylvia Maria Ciasca. Poucos são os artigos que trazem uma análise do desempenho em matemáticacom aprofundamento, linguagem clara e com resultados tão importantes paraa aplicação prática, como o que nos apresentam Sônia das Dores Rodrigues,Adriana Regina Guassi e Sylvia Maria Ciasca, em “Avaliação do desempenhoem matemática de crianças do 5º ano do ensino fundamental. Estudo preliminarpor meio do Teste de Habilidade Matemática”, uma pesquisa que precede naapresentação a outros dois artigos sobre temas correlatos a este, como se verámais adiante. “Treinamento da correspondência grafema-fonema em escolares de riscopara a dislexia” é o artigo apresentado por Daniele de Campos Refundini,Maíra Anelli Martins e Simone Aparecida Capellini, baseado na interessante eesclarecedora pesquisa na qual as autoras concluem que quando é fornecida ainstrução formal do princípio alfabético da Língua Portuguesa, os escolares quenão apresentam o quadro de dislexia deixam de apresentar suas manifestaçõescomo resposta à instrução formal do princípio alfabético. Já “Habilidadesde leitura e escrita de crianças na recuperação do ciclo I: divergências entreavaliação de professores e resultados em testes padronizados”, artigo enviadopor Maria Cristina Triguero Veloz Teixeira, Chi Kow Mei, Alessandra GotuzoSeabra, Deisy Ribas Emerich e Elizeu Coutinho de Macedo, constituium trabalho de pesquisa sobre um dos assuntos mais importantes e maiscontroversos no nosso país: a eficácia das Classes de Recuperação de Ciclos,destinadas a desenvolver habilidades deficitárias dos alunos do Ciclo I doEnsino Fundamental da escola pública. Não menos discutido e analisado por vários pesquisadores de renome é otema apresentado por Silvana Frota e Liliane Desgualdo Pereira, “Processamentoauditivo: estudo em crianças com distúrbios da leitura e da escrita”, no qual odesempenho de crianças com distúrbios específicos de leitura e escrita, nosTestes Verbais e Não Verbais de Processamento Auditivo, e o de crianças semo referido transtorno são comparados cientificamente. A contribuição de Tais de Lima Ferreira, Amanda Bulbarelli Martinez e SylviaMaria Ciasca, com seu artigo “Avaliação psicomotora de escolares do 1º ano do 8 Rev. Psicopedagogia 2010; 27(83): 161-2 161
  12. 12. EDITORIAL8 ensino fundamental”, nos remete ao papel de fundamental relevância desse desenvolvimento para a aprendizagem da criança nos aspectos emocionais, motores e cognitivos. De Nelson Pedro-Silva e Manoela de Fátima Cabral Simili, “Jogos regrados e educação: concepções de docentes do ensino fundamental” revela uma interessante análise sobre a concepção do docente a respeito das contribuições do emprego dos jogos no processo educativo e no desenvolvimento psicológico infantil. Relatos de experiências, sempre tão esperados por nossos leitores, são aqui representados por três artigos. O primeiro, “Construindo e construindo-se: uma experiência da Clínica Social da ABPp-ES”, escrito por Cheila Araujo Mussi Montenegro, Dina Lucia Fraga, Iara Feldman, Janine C. Barboza, Mara C. B. R. Lima, Maria da Graça von Kruger Pimentel, Maria José Saavedra Castro, Marieta Vieira Messina, Maristela do Valle e Sonia Volpini Coelho, e o segundo, “Práticas pedagógicas e inovação na instituição de ensino: uma abordagem psicopedagógica com foco na aprendizagem”, de Francisca Francineide Cândido. É de Olga Araújo Perazzolo, Siloe Pereira e Marcia M. Capellano dos Santos, o último relato de experiência desta edição: ”Discurso paterno: sinais indicativos de disfunções relacionais”. “O jogo como recurso de aprendizagem”, de Luciana Alves e Maysa Alahmar Bianchin, vem também pontuar a importância do aspecto lúdico para o desenvolvimento cognitivo e emocional da criança e é de Iara Suzana Tiggemann o artigo de revisão bibliográfica “Pontos de encontro entre os sistemas notacionais alfabético e numérico”, que aponta para uma metodologia interdisciplinar nos anos iniciais da escolarização, considerando que a criança pequena utiliza procedimentos que se integram a uma estrutura cognitiva mais ou menos comum. “Senso numérico e dificuldades de aprendizagem na matemática”, escrito por Luciana Vellinho Corso e Beatriz Vargas Dorneles, aborda o senso numérico como conceito-chave para a compreensão das dificuldades de aprendizagem na matemática e para a prevenção de dificuldades de aprendizagem futura nesta área. “Problemas emocionais em um adulto com dislexia: um estudo de caso”, de Flávia Vianna Bonini, Raquel Regina Mari, Sandra Aparecida dos Anjos, Viviane Joveliano e Sueli Cristina de Pauli Teixeira, aborda os diversos tipos de sentimentos causados pela dislexia, baseando-se em um relato real, que encerra este número. Agradecemos a todos os autores e ao Conselho Editorial desta publicação, por terem feito com suas generosas contribuições mais que construírem a octogésima terceira edição da revista da ABPp Nacional, mas principalmente terem colaborado para a confecção de um verdadeiro documento histórico, retrato vivo de uma época de meteóricas e fundamentais mudanças no mundo, na ciência e na Psicopedagogia. Aos 30 anos da ABPp, à maturidade e ao reconhecimento científico desta revista, que foram arduamente conquistados em nome de todos os psicopedagogos: parabéns! Maria Irene Maluf Editora Rev. Psicopedagogia 2010; 27(83): 161-2 162
  13. 13. Parceria saúde-educação na UFRJ ARTIGO ORIGINAL Parceria saúde-educação na ufrj: compartilhando experiências Renata Mousinho; Claudia Tavares Ribeiro; Gláucia M. M. Martins RESUMO – Objetivo: Verificar os ganhos da parceria educação-saúde na experiência da fonoaudiologia da UFRJ com o CApUFRJ. Método: Análise quantitativa - participaram da pesquisa crianças que cursaram o 1° ano em 2007, com idade média de 6,4 anos, em três momentos distintos: no início do primeiro ano e no início e no fim do segundo ano letivo. A primeira avaliação serviu para determinar os grupos de alfabetizados e não alfabetizados na entrada da escola. Nas duas avaliações subsequentes, foram investigadas a velocidade, a compreensão, a fluência e a precisão de leitura. Análise qualitativa – impressões sobre o impacto nos alunos, na família e na equipe profissional da escola. Resultados: No início do ano letivo, a discrepância entre os grupos mostrou-se bastante importante em todos os parâmetros avaliados, no fim do segundo ano, essa diferença foi bastante minimizada, tendo mesmo desaparecido em parte das habilidades investigadas; o impacto nas diversas categorias da comunidade escolar foi positivo. Considerações finais: Em curto prazo de tempo, foi possível minimizar diferenças individuais que se impunham de forma gritante no momento do ingresso à instituição. Considerando a multifatoriedade das questões envolvidas no processo ensino-aprendizagem e os desafios postos à educação na atualidade, a parceria educação-saúde que vai sendo construída do CAp com o Setor de Fonoaudiologia da UFRJ é uma importante via de enfrentamento das dificuldades presentes e de produção de conhecimento na área. UNITERMOS: Educação. Saúde. Aprendizagem. Fonoaudiologia.Renata Mousinho – Fonoaudióloga. Mestre em CorrespondênciaLinguística pela Universidade Federal do Rio Renata Mousinhode Janeiro (UFRJ). Professora da Graduação em Av. das Américas 2678, casa 11 – Barra da Tijuca – RioFonoaudiologia da UFRJ. de Janeiro, RJ – CEP 22640-102Claudia Ribeiro – Pedagoga. Especialista em E-mail: renatamousinho@ufrj.brSexologia Humana. Orientadora Educacional doColégio de Aplicação da UFRJ.Gláucia M. M. Martins – Psicopedagoga. Mestre emTecnologias Educacionais nas Ciências da Saúde pelaUFRJ. Doutoranda em Educação pela UNICAMP.Orientadora Educacional do Colégio de Aplicaçãoda UFRJ. Rev. Psicopedagogia 2010; 27(83): 163-70 163
  14. 14. Mousinho R et al INTRODUÇÃO Nessa perspectiva, a parceria educação- Problemas de leitura causam impacto em saúde tem um papel social primordial: diminuirtoda a escolaridade, trazendo repercussões diferenças que, a princípio, podem parecerafetivas e sociais. Diversos estudos mostram a entraves ao desenvolvimento. Considerando aimportância da prevenção e identificação das leitura com compreensão uma das habilidadescrianças em risco de problemas de leitura, para básicas para novos aprendizados, julgou-se im-possibilitar a intervenção precoce e minimizar portante utilizar este parâmetro nesta pesquisafuturos prejuízos. Identificar esses problemas que pretende ilustrar o sucesso da experiênciade leitura precocemente torna-se emergente nos primeiros quatro anos dessa parceria.diante da possibilidade de poder eliminá-los ou São muitos os aspectos necessários à com-minimizá-los por meio de estimulação precoce. preensão da leitura, dentre eles a fluência, a Autores chamam a atenção para o fato de velocidade, a precisão, assim como com as ha-que pesquisadores, educadores e políticos vêm bilidades metalinguísticas e cognitivas3,4.dando mais atenção a estas questões, demons- Neste contexto, os principais objetivos destetrando o impacto positivo de programas de artigo são:intervenção precoce sobre possíveis problemas • presentar por meio de parâmetros qualita- ade leitura1,2. É justamente a convicção de que é tivos e quantitativos os ganhos da parceriaimportante trabalhar conjuntamente, visando educação-saúde para a comunidade escolar;ao desenvolvimento pleno das crianças, que é • companhar a evolução das habilidades de aa alma desta parceria entre a equipe da fono- leitura nos primeiros anos do ensino funda-audiologia da UFRJ, especializada em leitura mental, comparando o grupo que já entroue escrita, de um lado, e a equipe do Colégio de alfabetizado na escola, com aquele não alfa-Aplicação da UFRJ, encabeçada pelo Serviço betizado;de Orientação Educacional, de outro. • nvestigar o quanto a parceria educação-saúde i Esta experiência diz respeito a uma pro- pode interferir na evolução das tarefas deposta longitudinal, que vem acompanhando o leitura nas primeiras séries do ensino funda-desenvolvimento linguístico das crianças que mental em grupos com experiência de leituracursaram o 1° ano do ensino fundamental em totalmente diversificadas.2007 e se estenderá durante todo processo deescolarização formal, ou seja, até o 3° ano doensino médio. Dela fazem parte: MÉTODO• ma avaliação individual anual das crianças; u• rientações aos pais (anuais para todos, o Análise quantitativa: a análise de dados mensais para crianças com dificuldades ou Inicialmente, participaram da investigação sob demanda); 50 crianças ingressantes em uma escola de• rientações e trocas com professores (para o referência em educação pública no Rio de Ja- toda a escola, anuais; para os professores que neiro.Há uma grande procura pelas vagas nesta estiverem atuando direto com este grupo, instituição e a atual forma de ingresso no 1º ano trimestrais ou sob demanda); do ensino fundamental é realizada por meio de• iscussões com a equipe de orientação edu- d sorteio entre os candidatos inscritos. Como con- cacional (trimestrais ou sob demanda); sequência, embora todas as crianças tivessem• ficinas de linguagem para as crianças em o média de 6 anos, apresentavam diferenças em risco de Dislexia ou Distúrbio de Aprendi- sua experiência com a leitura e a escrita, que zagem; variava entre o desconhecimento completo do• tendimento individual para aqueles com a sistema de escrita do português e o domínio de diagnóstico estabelecido. leitura com razoável fluência. Rev. Psicopedagogia 2010; 27(83): 163-70 164
  15. 15. Parceria saúde-educação na UFRJ Os procedimentos aconteceram em três ca-sa), pausado (com prolongamentos entre asetapas, a saber: palavras) ou fluente (sem pausas grandes, com 1. Etapa 1: realizada em maio do 1º ano do contorno prosódico). A fim de investigar a preci-ensino fundamental, quando as crianças tinham são da leitura, foi utilizada uma lista de palavrasidade média de 6,4 anos. Os grupos de leitores isoladas reais, utilizando como variáveis o tipoe não-leitores foram constituídos a partir do de palavra (regulares, irregulares ou regras), adesempenho das crianças na leitura de uma frequência (alta ou baixa), e o comprimento daslista de 24 palavras adaptada para classe de palavras (dissílabas ou trissílabas)7, adaptada8.alfabetização5. O grupo de não-leitores (G1) foi 3. Etapa 3: realizada no 2º ano do ensinoformado com as crianças que não leram quais- fundamental - fim do ano letivo. A etapa 2 foiquer das palavras da lista, enquanto o grupo repetida.de leitores (G2) foi constituído por aqueles que Cabe ressaltar que as crianças do grupoobtiveram os 25% escores mais altos na tarefa de não-leitores foram convidadas a participarde leitura, o que correspondeu à leitura fluente de oficinas de linguagem oral e escrita quede no mínimo 23 palavras. Desta forma, foram ocorreram semanalmente no serviço de fonoau-20 crianças incluídas no grupo de não-leitores diologia da UFRJ entre a primeira e a terceira(Idade média = 6,7; DP=2,87) e 13 crianças no coletas. Todos os responsáveis pelos alunosgrupo de leitores (Idade média=6,8; DP=3,95; avaliados assinaram o termo de consentimentoMdn= 24 palavras). livre e esclarecido da pesquisa aprovada sob o 2. Etapa 2: realizada no 2º ano do ensino número 003/07 do Comitê de Ética e Pesquisafundamental - início do ano letivo. Para verifi- do Instituto de Neurologia Deolindo Couto – RJ/car a velocidade, foi cronometrada a leitura do UFRJ.texto narrativo “O Acidente”6, composto por O desempenho de G1 e G2 nas tarefas de196 palavras e 939 caracteres. Com vistas a ve- leitura foi comparado usando o teste t de Stu-rificar a compreensão, foram realizadas quatro dent para amostras independentes.perguntas eliciadoras, abrangendo o conteúdodo texto. O padrão de leitura poderia ser iden- RESULTADOStificado como silabado (Ex: O me-ni-no sa-iu de A Tabela 1 revela os resultados do grupo que Tabela 1 – Tarefas de leitura em G1 e G2, nos 2 momentos avaliados. G1 G2 (n = 20) (n = 13) df t p M DP M DP Velocidade 1 438,67 290,142 175,50 700,176 31 3,730 0.001** Padrão 1 1,60 0,737 2,56 0,705 31 -3.783 0.001** Precisão 1 40,40 12,540 46,56 1,247 24.409 -2.077 0.046* Compreensão 1 2,47 1,302 3,72 0,461 31 -3.824 0.002** Velocidade 2 199,40 92,230 135,67 45,075 19.492 2.444 0.024* Padrão 2 2,40 0,507 2,44 0,705 30.425 -210 0.840 Precisão 2 46,67 1,047 46,94 1,259 31.000 -692 0.494 Compreensão 2 3,47 0,915 3,78 0,428 31 -1.211 0.208Nota *p ≤ 0,05; **p ≤ 0,01 Rev. Psicopedagogia 2010; 27(83): 163-70 165
  16. 16. Mousinho R et alentrou na escola sem conhecimento do sistema Figura 1 - Evolução da velocidade, padrão, precisãode escrita (G1), seguido dos resultados do grupo e compreensão de leitura em G1 e G2.que iniciou no CAP-UFRJ já alfabetizado (G2).Os valores das colunas subsequentes referem-se à comparação entre ambos os grupos. Aslinhas de velocidade, padrão, compreensão eprecisão seguidos do algarismo 1 referem-se àanálise realizada no início do 2° ano. Aquelasseguidas pelo algarismo 2 dizem respeito aosvalores obtidos quando as crianças estavam nofim do 2° ano. A diferença entre G1 e G2 foi altamentesignificativa na primeira avaliação, sobretudona velocidade, padrão e compreensão de textos.A média da velocidade de leitura do G1 foi de438,6 segundos (2 minutos e 92 segundos) emcontraste com a do G2, que leu todo o textoem 175,5 segundos (7 minutos e 31 segundos).Enquanto o G1 apresentou um padrão silabado/ ler no início do 1° ano, está representado pelapausado, o G2 apresentou um padrão pausado/ cor azul. O G2, grupo formado por criançasfluente. As respostas às perguntas que visavam que, na mesma época, já conseguiram ler 23observar a compreensão, um total de 4, apre- das 24 palavras de uma lista, está representadosentaram 2,47 de média em G1, contrastando pela cor vermelha. Cada uma das habilidadescom 3,72 em G2. Significativo, mas numa aparece com indicação de 1, quando realizadaescala menor, foi o número de palavras lidas no início do 2° ano, e com 2, quando realizadacorretamente (precisão), que foi de 40,4 e 46,5, no fim deste ano letivo.respectivamente, para G1 e G2. Como se pode observar na Figura 1, a evo- Na segunda avaliação, no fim do ano letivo, lução foi grande em ambos os grupos, mas osomente a velocidade de leitura foi discreta- crescimento do G1 foi proporcionalmente muitomente significativa, considerando-se testes superior. No que diz respeito à velocidade deestatísticos. Os alunos do G1 puderam ler o leitura, a enorme discrepância observada notexto todo em 199,5 segundos (3 minutos e 33 início do 2° ano foi minimizada na segundasegundos), enquanto o G2 fez o mesmo em avaliação. Neste caso, quanto menor o valor,135,6 segundos (2 minutos e 26 segundos). O melhor, já que o que se deseja é uma leitu-padrão de leitura apresentou-se de pausado ra mais veloz, portanto, realizada em menora fluente em ambos os grupos. A precisão de tempo. Este resultado, associado ao padrão,leitura foi praticamente idêntica, de um total desta vez igualado entre os grupos em pausado-de 48 palavras, alunos do G1 acertaram 46,67, fluente, e à precisão, em que ambos os gruposenquanto os do G2 leram corretamente 46,94. acertaram quase que integralmente a lista deAssim como as demais habilidades, a compre- palavras propostas, possibilitam uma compre-ensão apresentou-se bastante similar nos dois ensão adequada.grupos (3,47 e 3,78, respectivamente), como Considerando-se que a compreensão é opode ser observado na Figura 1. objetivo final da leitura e que os atuais moldes A fim de analisar melhor tais ganhos, os va- educacionais valorizam a compreensão não sólores foram colocados em proporção. Na Figura na disciplina específica, mas em todas as de-1, o G1, formado pelas crianças que não sabiam mais, pode-se pensar que a pouca solidez nesta Rev. Psicopedagogia 2010; 27(83): 163-70 166
  17. 17. Parceria saúde-educação na UFRJárea poderia prejudicar o início da escolarização condições de levar e trazê-los, seja para as ofi-formal, trazendo reflexos ao longo dos anos. cinas coletivas ou para os atendimentos indivi-Portanto, a possibilidade de reverter precoce- dualizados nas dependências da Universidade,mente o cenário inicial, altamente diversificado significou receber uma atenção especial emtambém no que diz respeito ao domínio sobre suas necessidades, gerando estímulo e autocon-a leitura, mostrou que a instituição em questão fiança para o enfrentamento das dificuldades,cumpriu um dos papéis cruciais da educação: fossem elas de velocidade, precisão ou compre-permitir oportunidades iguais a despeito das ensão na leitura.possibilidades iniciais de cada um. Mesmo para crianças que apresentam É importante lembrar que há crianças que comprometimento em outras áreas de seu de-ainda se mantêm defasadas em relação ao grupo senvolvimento, além do linguístico, participare que, portanto, precisarão de mais tempo para dos atendimentos e oficinas de linguagem ofe-que tais habilidades se desenvolvam. Neste recidos pelo Setor de Fonoaudiologia fez dife-contexto, a parceria com o serviço de fonoau- rença. Alunos com alguma dificuldade em seudiologia, que já existia com o oferecimento de processo de escolarização costumam se retrairoficinas de linguagem ao grupo de crianças diante das experiências escolares, e se colocammenos hábil no aprendizado da leitura, torna-se à margem do processo do grupo em que estãomais relevante. inseridos. Observamos nos alunos que conti- nuaram participando do trabalho com a equipe de Fonoaudiologia que eles se fortaleceram e DISCUSSÃO puderam viver sua escolaridade de forma mais confiante e positiva. A nálise quantitativa: o ponto de vista da No tocante ao desenvolvimento cognitivo, escola observamos que o trabalho de estímulo e inter- Inicialmente, a possibilidade da parceria com venção, nas habilidades cognitivas relacionadasa Fonoaudiologia da UFRJ, por meio do proje- à aquisição da leitura e da escrita, desenvolvidoto se configurou, primordialmente, como uma com as crianças atendidas pelo Projeto temótima oportunidade de avaliação e atendimento apresentado resultados importantes na interpre-aos alunos que apresentam dificuldades no tação, compreensão, realização de inferências epercurso de sua escolarização inicial. Contudo, estabelecimento de relações, em diferentes áre-esta parceria vem ampliando resultados que as do conhecimento, por parte destas crianças.se explicitam de formas específicas, nos três Embora ainda não tenhamos criado nenhumprincipais segmentos envolvidos na parceria: instrumento para aferição objetiva destas ha-alunos, famílias e corpo docente. bilidades, são observações também atestadas Em relação às crianças, poderíamos pontuar pelas avaliações formais da escola.alguns aspectos importantes relacionados ao Em relação às famílias, ressaltamos nos aten-percurso do grupo em estudo, no tocante ao dimentos aos responsáveis que a maioria delesdesenvolvimento socioafetivo e cognitivo. Já compareceu às entrevistas agendadas pelo Setorna primeira fase, quando da primeira avaliação, de Orientação Educacional na escola, e levou aspudemos perceber que através da forma cuida- crianças às atividades indicadas, demonstrandodosa com que as atividades de avaliação foram enorme interesse pelo processo. Mesmo as fa-planejadas e realizadas com as crianças, as mílias que têm condições econômicas de arcarmesmas se mostraram à vontade, sem constran- com um tratamento fonoaudiológico para seusgimentos e até muito satisfeitas por participar! filhos, mantiveram a frequência nas atividades A mobilização na escola para a realização oferecidas pelo Projeto por valorizarem a articu-das avaliações e na família, que teve que criar lação dos profissionais da Fonoaudiologia com Rev. Psicopedagogia 2010; 27(83): 163-70 167
  18. 18. Mousinho R et ala escola, pois a parceria propiciou a oportunidade CONSIDERAÇÕES FINAISdas famílias terem acesso a informações quanto Este artigo objetivou investigar a evolução ha-ao desenvolvimento de seus filhos, e dificuldades bilidades de leitura nos primeiros anos do ensinopontuais apresentadas de forma integrada com fundamental, comparando grupo que já entrouo processo ensino-aprendizagem desenvolvido alfabetizado na escola, com aquele não alfabeti-pela escola. zado, destacando o papel da escola na evolução A realização de reuniões gerais, voltadas para das tarefas de leitura nas primeiras séries doaspectos do desenvolvimento linguístico em suas ensino fundamental em grupo com experiênciadiferentes etapas, assim como, as entrevistas in- diversificada.dividuais voltadas para orientações relativas às Enquanto no início do ano letivo a discrepânciadificuldades específicas de cada criança, ajuda- entre os grupos mostrou-se bastante importante emram os responsáveis a compreender e mudar de todos os parâmetros avaliados, no fim do segundopostura frente às dificuldades das crianças. Muitasvezes, ao longo destas entrevistas, os responsáveis ano essa diferença foi bastante minimizada, tendose reportavam a questões do desenvolvimento mesmo desaparecido em parte das habilidadesdas crianças em fases anteriores, estabelecendo investigadas. Tais dados confirmam evidênciasrelações e expressando melhor compreensão da encontradas na literatura que apontam a relevân-situação de seus filhos. Podemos citar mais de um cia da intervenção precoce nas dificuldades decaso em que a família, que a princípio responsa- leitura9-12.bilizava a criança por suas dificuldades, pode per- Observou-se que a união de esforços saúde-ceber, a partir das orientações dadas pela equipe educação conseguiu, num curto prazo de tempo,da Fonoaudiologia, se tratar de um momento de minimizar diferenças individuais que se impunhamdesenvolvimento, entendendo-o não como uma de forma gritante no momento do ingresso à insti-impossibilidade, mas como uma etapa possível de tuição. Parcerias entre serviços podem se mostrarser trabalhada, e quanto às dificuldades, possíveis relevantes no desafio de educar na diversidade.de serem superadas. A multifatoriedade das questões envolvidas A parceria entre o Setor de Fonoaudiologia e o no processo ensino-aprendizagem tem indica-CAp possibilitou aos docentes o acesso a informa- do a necessidade da articulação entre equipesções fundamentais para a sua atuação. A avaliação multidisciplinares para o enfrentamento dose o diagnóstico das dificuldades apresentadas pelas desafios postos à educação na atualidade.crianças, acompanhados de uma interlocução entre Dentre estes desafios, ressaltamos a conquistaos dois principais agentes que atuam na questão - do atendimento às diferentes modalidades deprofessores e fonoaudiólogos - representam umaforma de melhor conhecer essas dificuldades em aprendizagem presentes na escola. Neste senti-sua etiologia, por um lado, e em suas manifesta- do, entendemos que a parceria educação-saúdeções, por outro. Desta forma, são ampliadas formas que vem sendo construída entre o CAp e o Setorde oferecer, também por meio da família e do tra- de Fonoaudiologia da UFRJ é uma importantebalho pedagógico da escola, aquilo que a criança via de enfrentamento das dificuldades presentesprecisa para a superação de suas dificuldades e no processo de ensino-aprendizagem e também,pleno desenvolvimento de suas potencialidades. de produção de conhecimento na área. Rev. Psicopedagogia 2010; 27(83): 163-70 168
  19. 19. Parceria saúde-educação na UFRJ SUMMARY Health-education partnership at UFRJ: sharing experiences Objective: This paper aims at presenting the gains of the health- education partnership for the school community. Methods: Quantitative analysis - participants were fifty 6.4 years old children in the 1st grade in 2007, and the same group at the beginning and end of the 2nd grade in 2008. The first evaluation determined the groups of literate and illiterate at school entry. Were investigated in two subsequent speed, comprehension, fluency and reading accuracy. Qualitative analysis: what the impact on students, family and professional staff of the school. Results: While the beginning of the school year the discrepancy between the groups proved to be quite important in all parameters evaluated later in the second year this difference was much minimized, and has even disappeared in some of the skills investigated; the impact in the various categories of the school community was positive. Conclusion: In a short period of time, differences between children at the time of admission to the institution were minimized. Considering the multifactorial nature of the issues involved in the teaching- learning process and the challenges posed to education today, the health- education partnership, CAp and UFRJ’s graduation in Speech Therapy, is an important issue for learning development and for the production knowledge in the area. KEY WORDS: education. health. Learning. Speech, Language and Hearing Sciences. REFERÊNCIAS 5. Capovilla AGS, Capovilla FC. Problemas de 1. Vloedgraven JMT, Verhoeven L. Screening leitura e escrita: como identificar, prevenir of phonological awareness in the early ele- e remediar numa abordagem fônica. 5ª ed. mentary grades: an IRT approach. Dyslexia. São Paulo: Memnon/Fapesp;2007. 2007;57:33-50. 6. Cocco MF, Hailer MA. ALP 1: análise, lin- 2. Speece D, Ritchey K. A longitudinal study of guagem e pensamento: um trabalho de lin- the development of oral reading fluency in guagem numa proposta socioconstrutivista. young children at risk for reading failure. J São Paulo: FTD;1995. p.25-6. Learn Disabil. 2005;38(5):387-99. 7. Pinheiro A. Leitura e escrita: uma aborda- 3. Katzir T, Kim Y, Wolf M, Kennedy B, Lovett gem cognitiva. Campinas: Psy II;1994. M, Morris R. The relationship of spelling 8. Capovilla AGS, Capovilla FC. Uma perspec- recognition, RAN, and phonological aware- tiva geral sobre leitura, escrita e suas rela- ness to reading skills in older poor readers ções com consciência fonológica. In: Capo- and younger reading-matched controls. villa AGS, Capovilla FC, eds. Problemas de Read Writ. 2006;19:845-72. leitura e escrita. São Paulo:Memnon;2000. 4. Goff D, Pratt C, Ong B. The relations be- p.3-37. tween children’s reading comprehension, 9. Capellini SA, Sampaio MN, Kawata KHS, working memory, language skills and com- Padula NAMR, Santos LCA, Lorencetti MD, ponents of reading decoding in a normal et al. Eficácia terapêutica do programa de sample. Read Writ. 2005;18:583-616. remediação fonológica em escolares com Rev. Psicopedagogia 2010; 27(83): 163-70 169
  20. 20. Mousinho R et al dislexia do desenvolvimento. Rev CEFAC. JL, Gomes E. Influência da consciência 2010;12(1):27-39. fonológica na escrita de pré-escolares. 10. Deuschle V, Cechella C. O déficit em cons- Rev CEFAC. 2008;10(2):175-81. ciência fonológica e sua relação com a 1 2. Zuanetti PA, Schneck APC, Man- dislexia: diagnóstico e intervenção. Rev fredi AKS. Consciência fonológica CEFAC. 2009;11(Supl. 2):194-200. e desempenho escolar. Rev CEFAC.1 1. Dambrowski AB, Martins CL, Theodoro 2008;10(2):168-74.Trabalho realizado no Instituto de Neurologia Artigo recebido: 11/3/2010Deolindo Couto – UFRJ, Rio de Janeiro, RJ. Aprovado: 1/7/2010 Rev. Psicopedagogia 2010; 27(83): 163-70 170
  21. 21. Atenção e funções executivas ARTIGO ORIGINAL Comparação do desempenho de estudantes em instrumentos de atenção e funções executivas Adriana Nobre de Paula Simão; Ricardo Franco de Lima; Juliane Cristhine Natalin; Sylvia Maria Ciasca RESUMO – O objetivo da presente pesquisa foi comparar o desempenho de crianças, de ambos os gêneros, de faixa etária entre 7-12 anos, com e sem queixas de dificuldades de atenção e aprendizagem em instrumentos que avaliam a atenção e aspectos das funções executivas. Foram usados os seguintes instrumentos: Stroop Color Word Test, Trail Making Test A/B, Testes de Cancelamento e Torre de Londres. Os resultados foram organizados em função dos gêneros, distribuição de frequência das queixas e caracterização do desempenho. Foram obtidas diferenças significativas entre os grupos nos escores dos Testes. O grupo com queixas apresentou escores de tempo e erros aumentados em relação ao grupo sem queixas. No caso do escore da TOL, o grupo sem queixas apresentou escore maior. UNITERMOS: Testes neuropsicológicos. Atenção. Transtornos de aprendizagem.Adriana Nobre de Paula Simão – Psicóloga; Mestre Correspondênciae Doutora em Ciências Médicas – Faculdade de Adriana Nobre de Paula SimãoCiências Médicas - FCM/UNICAMP. Rua Hermantino Coelho, 841, Apto 23 – MansõesRicardo Franco de Lima – Neuropsicólogo; Santo Antônio – Campinas, SP – CEP 13087-500Aprimoramento/Especialização em Psicologia E-mail: drisimao@gmail.comClínica em Neurologia Infantil – FCM/UNICAMP;Mestrando em Ciências Médicas – Saúde Mental –FCM/UNICAMP. Bolsista CNPq.Juliane Cristhine Natalin – Psicóloga; Aprimoramento/Especialização em Psicologia Clínica em NeurologiaInfantil – FCM/UNICAMP.Sylvia Maria Ciasca – Neuropsicóloga; Livre Docenteem Neurologia Infantil – FCM/UNICAMP. Rev. Psicopedagogia 2010; 27(83): 171-80 171
  22. 22. Simão ANP et al. INTRODUÇÃO A flexibilidade mental refere-se à capacida- A atenção e funções executivas são funções de de o indivíduo modificar o curso dos pensa-corticais importantes para o processo de apren- mentos, atos e estratégias e alternar a atenção.dizagem, estando diretamente envolvidas com De acordo com Cañas et al.9, esta capacidadeas habilidades escolares de leitura, escrita e permite ao indivíduo adaptar seu processamen-cálculo. Dadas estas relações, as queixas de to cognitivo em função de condições novas edificuldades na atenção motivam grande parte inesperadas do ambiente.dos encaminhamentos de crianças e adolescen- O controle inibitório é a capacidade de sele-tes para avaliação interdisciplinar. Em estudo ção entre estímulos relevantes em detrimentode Lima et al.1, foi observado que as queixas dos estímulos distratores e a inibição de respos-escolares e familiares referentes à desatenção tas automáticas10,11.foi a segunda maior queixa (19%), sendo a pri- Para os autores Capovilla Dias12, no con-meira de dificuldades na aprendizagem (47%). texto escolar, dificuldades atencionais são A atenção pode ser definida como a capa- frequentemente relacionadas a problemas decidade de o indivíduo selecionar e focalizar aprendizagem e podem prejudicar significa-seus processos mentais em algum aspecto do tivamente a aprendizagem, por exemplo, daambiente interno, como ideias armazenadas na leitura e da escrita. Tonelotto13 também afirmamemória ou no ambiente externo, respondendo que crianças com prejuízos atencionais podempredominantemente aos estímulos que lhe são ter dificuldades no processo de escolarizaçãosignificativos e inibindo os distratores2,3. e apresentam problemas tanto na leitura e na A atenção não constitui um processo único, escrita, bem como, no cálculo. De acordo compodendo ser dividida em: seletiva, sustentada, a autora, o prejuízo escolar se manifesta pelaalternada e dividida. A atenção seletiva refere- dificuldade da criança planejar e organizar asse à capacidade de discriminação entre estí- tarefas e solucionar os problemas.mulos relevantes e irrelevantes. A sustentada A relação entre a atenção e o desempenhoé a capacidade de manter o foco atencional em escolar foi evidenciada no estudo realizadoum determinado estímulo, por um período detempo, para executar uma tarefa. A atenção por Capovilla Dias12 com crianças sem di-alternada refere-se à capacidade de alternar ficuldades de aprendizagem. No estudo ficouo foco entre diferentes estímulos e a atenção demonstrada a tendência de desenvolvimentodividida, por sua vez, compreende a divisão desta função ao longo das séries escolares, as-do foco atencional para o desempenho de duas sim como a correlação positiva e significativatarefas simultaneamente4,5. entre o desempenho de crianças em testes de As Funções Executivas (FE) são consideradas atenção e seu desempenho escolar.como um conjunto de funções responsáveis por Em outro estudo realizado por Lima et al.14iniciar e desenvolver uma atividade com objeti- com crianças sem dificuldades de aprendiza-vo final determinado, incluindo amplo espectro gem, também foram observadas correlaçõesde processos cognitivos, como por exemplo: ca- significativas entre o desempenho em tarefaspacidade de planejamento e uso de estratégias, de atenção e funções executivas e os escoresflexibilidade mental e controle inibitório5-7. de testes de leitura, escrita e cálculo. O estudo Conforme afirmam Dehaene Changeux8, demonstrou que o bom desempenho escolara capacidade de planejamento envolve um se relaciona com bom desempenho nestesconjunto de representações mentais e/ou uma instrumentos.sequência de comportamentos que são dirigidos Há evidências de alterações significativaspara um determinado objetivo. da atenção e funções executivas em diferentes Rev. Psicopedagogia 2010; 27(83): 171-80 172
  23. 23. Atenção e funções executivastranstornos na infância e adolescência, como MÉTODOpor exemplo, no Transtorno do Déficit de Aten-ção e Hiperatividade (TDAH)15-17 e na Dislexia Participantesdo Desenvolvimento11,18,19. Foram participantes da pesquisa, um total Especificamente, TDAH é transtorno carac- de 40 crianças, de ambos os gêneros, com faixaterizado por padrão persistente de desatenção etária entre 7 e 12 anos de idade, cursando doe/ou hiperatividade-impulsividade. Tais sinto- 1º ao 7º ano do Ensino Fundamental. A amostramas devem ser mais frequentes e graves do que foi dividida em dois grupos distintos:aqueles observados em indivíduos com idade a) 0 crianças com queixas de dificuldades 2equivalente; devem estar presentes antes dos de aprendizagem e atenção;sete anos de idade; presentes em pelo menos b) 0 crianças sem queixas de dificuldades 2dois contextos (por exemplo, em casa e na es- de aprendizagem e atenção.cola); não podem ser explicados por outro trans- Os critérios de inclusão e exclusão dostorno e causam prejuízos ao desenvolvimento participantes do grupo com queixas foram: a)global da criança, assim como consequências apresentar queixas de dificuldades de apren-emocionais, sociais, familiares e escolares20-22. dizagem e atenção; b) assinatura do Termo Estudo desenvolvido em escolas públicas de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE)no Brasil estimou prevalência de 3%, sendo o pelos pais; c) não apresentar rebaixamento nogênero masculino mais acometido e o subtipo nível intelectual, isto é, apresentar Quociente de Inteligência (QI) dentro da média (QI80); d)combinado, o mais frequente23. No estudo de não apresentar déficits sensoriais e/ou motores.metanálise realizado por Polanczych et al.24 Os critérios de inclusão e exclusão dos par-com mais de 8.000 pesquisas, chegou-se a uma ticipantes do grupo sem queixas foram: a) nãoestimativa aproximada de 5% da população apresentar queixas de dificuldades de aprendi-mundial infantil em idade escolar. zagem e/ou atenção; b) ter sido indicado pelo Do ponto de vista etiológico, sabe-se que professor por apresentar bom desempenho es-o TDAH é um transtorno crônico que possui colar; c) assinatura do Termo de Consentimentosubstrato biológico com disfunções no córtex Livre e Esclarecido (TCLE) pelos pais; d) nãopré-frontal e em suas conexões com o circuito apresentar déficits sensoriais e/ou motores.subcortical e córtex parietal5,25,26. De acordo comKnapp et al.27, essas alterações explicam o défi- Instrumentoscit nas funções executivas, incluindo memória Para a coleta dos dados foram utilizados osde trabalho, planejamento, autorregulação de seguintes instrumentos:motivação e do limiar para ação dirigida a ob-jetivo definido e internalização da fala. Stroop Color Word Test – SCWT14 Diante destas considerações, fica evidente O teste visa avaliar a capacidade do estudan-a necessidade do desenvolvimento de instru- te em considerar estímulos relevantes e descon-mentos que permitam a avaliação da atenção siderar os estímulos não-relevantes. É compostoe funções executivas e que possam diferenciar por quatro cores (vermelho, amarelo, azul ecrianças que apresentam dificuldades. verde) e 24 estímulos em cada uma das três Sendo assim, foi objetivo do presente tra- partes: a) “Cartão Cores” (C): a criança devebalho comparar o desempenho de crianças nomear os quadrados pintados nas quatro corescom e sem queixas de dificuldades de atenção organizadas em ordem pseudo-randômica; b)e aprendizagem em instrumentos que avaliam “Cartão Palavras” (P): a criança deve dizer osa atenção e aspectos das funções executivas. nomes nas cores impressas, que agora estão nas Rev. Psicopedagogia 2010; 27(83): 171-80 173
  24. 24. Simão ANP et al.cores correspondentes (situação congruente); c) mento e raciocínio lógico. É composta por uma“Cartão Cor-Palavra” (CP): são apresentados base de madeira com três pinos verticais enomes de cores impressos em outras cores, por quatro discos coloridos do mesmo tamanho, comexemplo, a palavra “Amarelo” impressa na furo no centro para o encaixe nos pinos. O obje-cor “Vermelha” (condição incongruente) e a tivo é mover os discos para reproduzir, em umcriança deve nomear a cor e não ler a palavra. número determinado de movimentos, a posiçãoForam obtidos escores de tempo (em segundos) de uma figura-alvo apresentada. Existem deze número de erros. Também foram calculados problemas com grau crescente de dificuldade,os escores de facilitação (C-P) e interferência e a partir de uma posição inicial a criança deve(CP-C) para tempo e erros. realizar a tarefa em uma quantidade específica de movimentos. São permitidas três tentativas Trail Making Test A/B - TMT-A/B14 para a resolução do problema e a resposta é A parte A do TMT é um teste de atenção considerada correta quando a solução é alcan-sustentada visual, composto por folha com çada com o correto de movimentos. Os escorescírculos numerados de 1 a 25, distribuídos de de cada item podem variar de 0 a 3 pontos e oforma aleatória, na qual a criança deve traçar escore total é a soma dos escores de todos osuma linha ligando a sequência numérica. Foram itens. O escore pode variar de 0 a 30 pontos.obtidos escores de tempo (em segundos) e nú-mero de erros de ligação. A parte B é um teste Procedimentosde flexibilidade mental, composto por círculos A pesquisa foi aprovada pelo Comitê decom números e letras. A criança deve ligar al- Ética da Faculdade de Ciências Médicas daternadamente os círculos com números e letras, Universidade Estadual de Campinas/UNI-seguindo respectivamente as ordens numérica CAMP. As crianças do grupo com queixas forame alfabética. Também foram obtidos escores selecionadas dentre aquelas encaminhadas aode tempo (em segundos), número de erros de Ambulatório de Neuro-Dificuldades de Apren-sequência e erros de alternância. dizagem, localizado no Hospital de Clínicas da UNICAMP, para avaliação e diagnóstico das Testes de Cancelamento - TC14 dificuldades de aprendizagem e atenção. As Constituem testes de atenção sustentada, crianças sem queixas foram selecionadas dentreexigindo rápida seletividade visual e resposta as indicações de professores de uma escola namotora repetitiva. Foram usadas duas versões: cidade de Campinas/SP, por não apresentarema) Figuras Geométricas (TC-FG): a criança deve dificuldades de aprendizagem e/ou atenção.marcar os círculos encontrados o mais rápido Todas as crianças foram avaliadas individual-que conseguir em uma folha com uma sequên- mente após a assinatura do TCLE pelos pais.cia pseudo-randômica de figuras geométricas; O tempo de cada atendimento foi em torno deb) Letras em Fileiras (TC-LF): a criança deve 50 minutos e o número de encontros com cadamarcar todas as letras “A” em uma folha com participante foi de três sessões.letras distribuídas de forma pseudo-randômica. Os dados foram analisados estatisticamenteEm ambos foram obtidos os escores de tempo usando o SPSS v15. Foi adotado o nível de sig-(em segundos), erros por omissão (número de nificância de 5%, isto é, valor de p0,05.estímulos-alvo que a criança não assinalou) eerros por adição (número de estímulos-não alvo RESULTADOSque a criança assinalou). Caracterização da amostra Torre de Londres – TOL14 Com relação à amostra total, participaram Tarefa que avalia a habilidade de planeja- do estudo 40 crianças com idade média de Rev. Psicopedagogia 2010; 27(83): 171-80 174
  25. 25. Atenção e funções executivas9,48 (DP=1,46), sendo 23 (57,5%) do gênero tais critérios, as crianças do grupo propósitomasculino e 17 (42,5%) do feminino. Não houve também deveriam apresentar queixas referen-diferenças (p=0,685) entre as idades médias do tes à atenção e à aprendizagem. A análise dasgênero masculino (9,77+0,43 anos) e feminino queixas deste grupo indicou maior frequência(9,57+0,96 anos). daquelas referentes à atenção/concentração A Tabela 1 mostra a frequência dos gêneros (33,9%), seguida por dificuldade na leitura eem relação aos grupos de estudo. Não houve escrita (19,6%), conforme apresenta a Tabela 2.diferenças na distribuição entre os grupos (Testede Fisher, p= 0,523). Comparação do desempenho A média de idade do grupo com queixas foi A comparação do desempenho entre osde 9,70 (DP=1,59) e do grupo sem queixas foi grupos nos instrumentos utilizados pode serde 9,25 (DP=1,06), sem diferenças significativas observada na Tabela 3.entre elas (p=0,434). Também não houve dife- Os resultados indicaram que houve diferen-renças entre os grupos em relação ao nível de ças significativas entre os grupos nos escoresescolaridade (Teste qui-quadrado; χ² =11,883, dos testes: Stroop Color Word Test (Cor-Errosg.l.=6, p=0,06). e Tempo, Palavra-Erros e Tempo, Cor/Palavra- Com relação ao grupo com queixas, a mé- Erros e Tempo, Interferência de Erros); Teste dedia do QI total foi de 102,65 (DP=21,96), obtido Cancelamento – Figuras Geométricas (Erros depor meio da Escala Wechsler de Inteligência Omissão e Tempo); Teste de Cancelamento – Le-para Crianças (WISC-III), de modo que não tras em Fileira (Erros de Omissão); Trail Makingapresentavam rebaixamento intelectual, con- Test – Parte A (Erros e Tempo); Trail Making Testforme os critérios de inclusão. De acordo com – Parte B (Erros de Alternância, de Sequência Tabela 1 - Frequência dos gêneros em relação aos grupos. Grupos Gêneros/Grupos Total Com queixas Sem queixas Masculino 13 (57%) 10 (43%) 23 Feminino 7 (41%) 10 (59%) 17 Total 20 20 40 Tabela 2 - Distribuição de frequência de queixas. Queixas f %Atenção/ concentração 19 34Dificuldade em leitura e/ou escrita 11 20Agitação motora 7 12Impulsividade 6 11Dificuldade em aritmética/raciocínio lógico 5 9Agressividade 4 7Comportamento opositor 4 7Total 56 100 Rev. Psicopedagogia 2010; 27(83): 171-80 175
  26. 26. Simão ANP et al. Tabela 3 - Comparação dos escores dos instrumentos entre os grupos. Grupo p valora Com queixas Sem queixasSCWT-Cor Erro 1,20 (1,40) -- 0,000*SCWT- Cor Tempo 33,10 (11,35) 19,45 (6,38) 0,000*SCWT-Palavra Erro 1,05 (1,32) -- 0,000*SCWT-Palavra Tempo 29,05 (12,48) 16,05 (6,10) 0,000*SCWT-Cor/Palavra Erro 6,70 (6,09) 0,50 (0,89) 0,000*SCWT-Cor/Palavra Tempo 47,25 (11,72) 31,95 (7,32) 0,000*SCWT-Facilitação Erro 0,15 (1,42) -- 0,329SCWT-Facilitação Tempo 4,05 (10,33) 3,40 (3,07) 0,745SCWT-Interferência Erro 5,50 (6,39) 0,50 (0,89) 0,000*SCWT-Interferência Tempo 14,15 (11,96) 12,50 (4,96) 0,776TC-FG Erros Adição -- -- 1,000bTC-FG Erros Omissão 2,60 (2,70) 0,05 (0,22) 0,000*TC-FG Tempo 100,45 (31,92) 80,25 (25,82) 0,010*TC-LF Erros Adição -- -- 1,000bTC-LF Erros Omissão 10,20 (8,40) 0,65 (1,14) 0,000*TC-LF Tempo 137,50 (47,47) 134,80 (61,39) 0,409TMT-A Erros 0,85 (1,42) -- 0,009*TMT-A Tempo 83,65 (45,38) 40,55 (10,66) 0,000*TMT-B Erros Alternância 1,65 (2,39) 0,10 (0,31) 0,000*TMT-B Erros Sequência 3,70 (4,71) 0,10 (0,31) 0,000*TMT-B Tempo 215,40 (128,95) 105,45 (44,82) 0,002*TOL 15,15 (4,97) 19,70 (3,71) 0,002*a teste Mann-Whitney; bvalor não calculado, pois os escores entre os grupos foram iguais; *significativo estatisticamente.e Tempo) e Torre de Londres. O grupo com padrão já caracterizado em outros estudos de-queixas apresentou escores de tempo e erros senvolvidos no Ambulatório como, por exemplo,aumentados em relação ao grupo sem queixas. o estudo de Ciasca28, com frequência de 64%No caso do escore da TOL, o grupo sem queixas de meninos. Posteriormente, os estudos de Limaapresentou escore maior. et al.1, com 75%, e Lima et al.29, com 70% de crianças do gênero masculino. DISCUSSÃO Estudos realizados em outros serviços indi- No que se refere às características da amos- cam resultados semelhantes no que se referetra, observou-se frequência maior de crianças ao encaminhamento para avaliação de criançasdo gênero masculino (57%), dentre aquelas com dificuldades de aprendizagem. Scorte-encaminhadas ao Ambulatório de Neuro-Difi- gagna e Levandowski30, em estudo realizadoculdades de Aprendizagem e pertencentes ao no Serviço de Psicologia do Programa Vincu-grupo com queixas. Este resultado segue um lação, de Caxias do Sul, observaram que, de Rev. Psicopedagogia 2010; 27(83): 171-80 176
  27. 27. Atenção e funções executivas111 encaminhamentos, 77 eram de crianças do Em crianças com queixas primárias de difi-gênero masculino. No estudo de caracterização culdades na linguagem escrita (leitura/escrita),da clientela da Clínica Escola da Universidade como por exemplo, as crianças com dislexiaSão Francisco (USF-SP), realizado por Romaro e do desenvolvimento, é observado prejuízoCapitão31, foi obtida maior frequência de enca- maior nos cartões palavra e cor-palavra, pois aminhamentos de crianças do gênero masculino, presença de estímulos com conteúdos verbaisna faixa etária até os 14 anos de idade. (palavras) aumenta o efeito de interferência19. Quando consideradas as queixas do grupo De acordo com Marzocchi et al.34, disléxicospropósito do estudo, também foi verificado que apresentam prejuízo no processamento de tes-corroboram com outros trabalhos que indicam tes que envolvam estímulos verbais. No caso demaior frequência de encaminhamentos devido crianças que apresentam como queixa primáriaa dificuldades de atenção e de aprendiza- as dificuldades de atenção e, secundariamente,gem1,29,31,32. as dificuldades nas habilidades escolares, o es- Quando comparados os desempenhos dos tudo apresentou um padrão diferente.grupos com e sem queixas nos instrumentos, No Teste de Cancelamento – Figuras Geo-foram verificadas diferenças significativas em métricas, foram obtidas diferenças nos escoresdiferentes escores. de erros por omissão e no tempo de resolução, No Stroop Color Word Test, foram obtidas de modo que o grupo com queixas apresentoudiferenças em todos os escores de tempo/erros pior desempenho. Não houve diferenças entredos três cartões (Cor, Palavra e Cor-Palavra) e os grupos no escore de erros por adição, ou seja,no escore de Interferência de erro. Em todos os assinalar uma figura que não fosse o alvo.escores, o grupo com queixas apresentou valo- No Teste de Cancelamento – Letras em Filei-res maiores de tempo e erros quando comparado ra, os grupos foram diferentes apenas no escoreao grupo sem queixas, sugerindo dificuldades de erros por omissão, mas não nos escores depara a seleção entre estímulos relevantes e erros por adição e tempo. Podemos inferir queirrelevantes. No desempenho geral do teste, o grupo com queixas apresentou um tempocostuma-se observar tendência de diminuição maior de resolução da atividade, não diferindodos escores (tempo/erros) do cartão cores para do grupo sem queixas, no entanto, apresentouo cartão palavra, uma vez que este último um número maior de erros por omissão, ou seja,apresenta situação de congruência da palavra por desatenção.e cor, facilitando o processamento do estímulo No Trail Making Test, os grupos diferirame, consequentemente, da nomeação. Este efeito significativamente em todos os escores de am-foi observado nos dois grupos. bas as partes (Parte A e Parte B). O grupo com Posteriormente, observa-se aumento do queixas apresentou escores aumentados detempo e número de erros no cartão cor-palavra, tempo e erros e, na parte A, o grupo sem queixasdevido à situação de incongruência. Assim, a não apresentou erros.criança deve inibir a resposta automática de Na Torre de Londres, os grupos tambémleitura da palavra para emitir a resposta correta diferiram com maior média de escore do gruponomeando a cor. sem queixas, indicando melhor capacidade de Para MacLead e MacDonald33, no desempe- planejamento. Em estudos com crianças comnho da situação incongruente do Stroop Color dislexia não são observadas diferenças comWord Test, as palavras interferem na nomeação crianças sem dificuldades utilizando este ins-da cor, mas o inverso não ocorre, indicando trumento35.que a leitura de palavras, do ponto de vista do O estudo sugere que os instrumentos utili-processamento cerebral, é mais automática que zados para a avaliação da atenção e funçõesa nomeação de cores. executivas (flexibilidade, planejamento e con- Rev. Psicopedagogia 2010; 27(83): 171-80 177

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