Reportagem Especial - Palmas Outros Olhares

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Grande reportagem, fruto da disciplina de Comunicação Comunitária do curso de Comunicação Social, com habilitação em Jornalismo, da Universidade Federal do Tocantins.

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Reportagem Especial - Palmas Outros Olhares

  1. 1. Palmas e seus vários ângulos A jovem cidade desconstruída por um grupo de acadêmicos em busca da realidade que só é vista por quem vive de perto. Palmas é uma cidade em constante crescimento, onde vivem pessoas que vem de diversas regiões a procura de oportunidade e vislumbrando investir em um mercado em ascensão. Com o aumento populacional surgem problemas que poderiam ter sido previstos no seu planejamento como, por exemplo: transporte, trafegabilidade e arborização. Mas sabemos que surgem também oportunidade de aprender com os erros e oferecer soluções efetivas, em longo prazo. Diferente da maioria das capitais, o comércio de Palmas se mostra mais aquecido nas regiões periféricas. Na região sul, em Taquaralto, por exemplo, a Avenida Tocantins é um centro comercial que movimenta a economia local e que torna a região praticamente independente de Palmas. Os maiores problemas do comércio de Palmas é a falta de organização. Na região das Arnos, é comum ver materiais e entulhos acumulados nas calçadas, mostrando que não há uma cultura de se preocupar com a segurança e opinião dos clientes.
  2. 2. A grande incidência de queimadas e o calor característico dessa época dificulta a respiração e deixa claro o quanto Palmas carece de arborização. Por mais que tenha várias áreas verdes, as árvores que se vê na cidade revelam o quanto esse aspecto foi ignorado em seu planejamento. E se esse fator faz falta hoje, quem dirá daqui alguns anos, que prédios tomarão conta dos espaços que hoje são verdes e refletirão o escaldante sol da região nas ruas com poucas árvores. Os próprios moradores parecem se esquecer da importância que a sombra de uma árvore tem, e colocam fogo de forma desordenada em lixos e entulhos, que se espalham facilmente destruindo tudo pela frente. O Parque Sussuapara é vitima constante desse delito. Todos os anos, na época da seca, não bastasse o tempo seco, a queimada é certa. Palmas não é para andar a pé Andar sobre as calçadas de Palmas é um desafio. As calçadas são desniveladas e os comerciantes usam o espaço para expor suas mercadorias e as ocupam com mesas e cadeiras dos bares. No Aureny IV, a ausência de calçadas obriga os pedestres a caminharem pelas avenidas. Por toda a cidade, carros estacionados na calçada impedem o transito de pedestres. Ana Celia, moradora de Taquaralto, diz que tem filho de colo e não consegue sair de casa com o carrinho de bebê. Por isso, se Palmas não é para se andar a pé, muito menos facilita a mobilidade de um cadeirante. Na região sul da capital, onde há calçadas não existem rampas de acesso, ou as existentes estão quebradas ou obstruídas pelo comércio. Na região norte tampouco foi vista qualquer edificação neste sentido. De norte a sul da capital, o que se nota é que Palmas está longe de ser uma cidade do futuro. Não há aplicação de regulamentação sobre calçadas, muito menos fiscalização que obrigue deixar esse espaço livre para o trânsito de pedestres. Velha reclamação Se Palmas não é para andar a pé, tampouco é para o transporte coletivo. Os usuário desta modalidade de locomoção reclamam de demora, sucateamento e superlotação dos ônibus. A dona de casa Alice Mendes, moradora da 806 Sul, pede mais linhas nos horários de pico: “O horário é corrido, acho que tinha de ter mais
  3. 3. disponibilidade. Nosso horário mesmo, se a gente atrasar vai ter que ficar esperando até outro chegar, e quando chega já aquele tumulto, aquele empurra-empurra”. Dona Basilia Maria de Jesus, moradora de Taquaralto, reforça os problemas apresentados nesta reportagem: “o transporte não é de qualidade, pois atrasa muito e também é superlotado além de faltar ônibus no horário das 6h da tarde”. O bilhete em Palmas custa R$ 2,50. Em comparação com outras capitais e considerando a renda per capita da cidade e também a quantidade de quilômetros percorridos pelos ônibus, o valor pode ser considerado caro. Os usuários do sistema reclamam de tudo. Além de não verem retorno do valor pago, a prefeitura ainda não instalou pontos de ônibus adequados. Mateus Antônio Souza é estudante e morador do Jardim Aureny II há 10 anos, ele reclama do estado dos ônibus que fazem a rota na região. “Apenas ônibus sucateados são disponibilizados pela empresa de transporte”, indigna-se Mateus, que acrescenta que a parada de ônibus onde desce à noite não tem cobertura nem iluminação. A moradora do Jardim Aureny III Maísa Gotijo afirma que as pessoas ficam expostas ao sol e à chuva, pois não há sequer pontos de ônibus nas ruas vicinais. Por onde trafegar? No inverno, o mato cresce e toma a vista. No verão, o mato seca e a poeira sobe. Esta é a ação do clima regional sobre a capital do Tocantins, que tem boa parte do plano diretor sem pavimentação urbana. Quadras inteiras e avenidas com estrada de chão dão um aspecto rural e de desleixo à cidade. A área sudeste – ARSES - é a mais antiga e mais desenvolvida do plano diretor. A região possui as melhores condições de transporte, comércio, lazer, pavimentação, esgoto e escolas. Assim mesmo, ainda existem quadras residenciais em verdadeiro estado de abandono como as 1304 e 1306 Sul. E não seria tão curioso se ao lado não houvesse duas quadras, mais recentes, com toda a infraestrutura necessária, como as pouco habitadas 1404 e 1406 Sul. Nos bairros, somente as avenidas principais são asfaltadas. Na região de Taquaralto, os setores Maria Rosa, Santa Fé e Morada do Sol sofrem com a falta de iluminação pública, de esgoto e pavimentação. Já no centro da cidade, nem isso. A Avenida LO 10 entre as quadras 305 e 405 norte espera-se há anos por duplicação. Chega a ser intrigante como o comércio na região se fortalece e a poeira consome as faixadas. Nem mesmo os pontos turísticos da cidade escapam da inércia municipal. Um dos balneários mais visitados da capital, a praia do Caju, tem acesso dificultado pela estrada de terra, em que termina a Avenida LO 27 em direção sudoeste. Os frequentadores Gilson e Geana demonstraram insatisfação com o balneário: “É lamentável, é muita carência! A gente necessita de uma estrutura melhor pra se sentir satisfeito”, desabafa Geana.
  4. 4. Oásis do plano diretor Exemplo para todo o resto da cidade é o aeroporto de Palmas. O local é acessível, com linhas de ônibus regulares, frota suficiente de taxis, faixas de pedestres bem demarcadas, rampas de acesso para cadeirantes, telefonia pública, rede wifi disponível, estrada bem pavimentada e ótima sinalização, estacionamento regulamentado e seguro. É um contraste, sobretudo para quem chega de avião e anda poucos quilômetros até o primeiro espaço habitado. De olho na Segurança Por conta do crescimento populacional os problemas frequentes das periferias migraram para o centro da cidade aumentando o problema de insegurança dos moradores. Isto se deve, a falta de políticas públicas e programas sociais. O desamparo com as famílias e jovens de pouca renda, acarretam consequências que aumentam a violência e a incidência do uso de drogas, tornando os moradores, comerciantes e trabalhadores reféns de uma realidade que até pouco tempo atrás não faria parte de suas rotinas. Um dos alunos que foram a campo, identificou e foi alertado de perto sobre essa realidade nas regiões do Aureny, onde o tráfico de drogas é negócio e trabalho e o poder público não tem vez. O drama da Saúde Esse crescimento populacional também é um problema que atinge a falta de aumento da capacidade de atendimento à população, o problema na saúde é sistêmico e carece de ajustes em todas as etapas de prevenção. Os problemas que afetam a saúde dos moradores de Palmas parecem ter sua gênese na ausência de uma saúde preventiva. Falta de lixeiras, lixos sem recolhimento, valas com lixo, terrenos baldios que viram lixões, alimentos comercializados a céu aberto, e esgoto próximo às áreas de banho, estão presentes na maioria das reclamações em todas as áreas pesquisadas. Um funcionário da Secretaria Municipal de Saúde - que não quis se identificar – ao tomar conhecimento das reclamações dos moradores da capital, afirmou que teoricamente tudo deveria funcionar muito bem. O problema, segundo ele, está no excesso de demanda –que só aumenta – para uma oferta que se mantém estagnada, e o encaminhamento do paciente que nem sempre ocorre da forma correta. Ele disse, que a porta de entrada para os atendimentos deve ser através da visita do Agente de Saúde. É ele quem orienta o morador a dirigir-se às Unidades de Saúde da Família – USF ou “postinho”, algumas vezes até com agendamento. Porém, segundo ele, nem todas as USFs trabalham dessa forma. Em alguns postos é necessário chegar cedo para pegar uma senha. E
  5. 5. como quase sempre aparecem mais pessoas que a possibilidade de atendimento, ocorre que muitos não conseguirão pegar essa senha. Dessa forma, essas pessoas se dirigem “indevidamente” às UPAs. Essas Unidades são próprias para receber pacientes vindos do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência – SAMU, ou ainda demanda espontânea que ocorre mais nos finais de semana. O encaminhamento só deverá ocorrer, segundo o funcionário, quando o médico da USF entender como necessário, e será feito pela Central de Regulação. Essa central verifica o “grau de prioridade”, procede ao agendamento e informa ao “postinho” através de formulário próprio. O agente de saúde orienta o paciente quanto ao dia e horário - e procedimentos necessários – em que será atendido nas Policlínicas. Em Palmas, são duas Unidade de Pronto Atendimento -UPAs, uma na região norte e outra na região sul. Elas são próprias para o atendimento aos casos de urgências e emergências de média e baixa complexidade. E o usuário passa por uma avaliação conforme classificação de risco, no primeiro atendimento. Caso seja classificado como código “vermelho” – que significa emergência com risco de morte - o atendimento é imediato; se for classificado como “amarelo” o atendimento pode demorar até meia hora; o classificado “verde” pode ser atendido em até duas horas; e o código “azul” para os casos que não se enquadram, e são direcionados para o Serviço de Assistência Social para orientação, ou ainda, redirecionados para os “postinhos” da USF. Na prática, o que sobram são reclamações. Uma espera infindável para conseguir marcar uma consulta, e quando há a necessidade de um especialista essa espera pode demorar meses. Levando em conta que a cultura de Palmas ainda está sendo harmonizada, isto é, as pessoas estão se adaptando a forma de vida, é preciso buscar por iniciativas em prol da luta por melhorias, cobranças e soluções, dessa forma a cidade que ainda tem muito para mostrar, pode se impulsionar de forma menos lenta. Os olhares sob Palmas Este trabalho foi construído a partir da proposta do professor Msc. Wolfgang Teske na disciplina de Comunicação Comunitária do curso de Comunicação Social/Jornalismo da UFT. É uma das formas que nós, como comunicadores sociais temos de colaborar e (dês)construir Palmas através do olhar de cada um. Surgiu, a partir de coleta de dados e pesquisas de campo, um documentário, uma coletânea de fotografias, um artigo cientifico e essa grande
  6. 6. reportagem que serão apresentados no I Seminário Multimídia de Comunicação Comunitária: Palmas – Outros olhares. Nosso objetivo de mobilizar e chamar atenção para os problemas de Palmas já começou a ter retorno. Através dos acadêmicos que visitaram a região do Aureny 3, o vereador Junior Geo tomou conhecimento de alguns problemas graves que afetam o dia a dia da população. Um deles é a questão dos pontos de ônibus que aparentemente não são fiscalizados pela prefeitura, e chegou a ser retirado de um lugar onde estava fixado a bastante tempo por um morador insatisfeito que o fez por conta própria. O vereador fez um requerimento para averiguar a situação. E assim, essas ações serve pra que muito ainda seja feito. Palmas – Outros olhares é indagação. Procuramos respostas para problemas crônicos de uma cidade que ainda não é tão grande mas já sofre com problemas de metrópoles.

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