CRÔNICAS DE PAULINO GILJAMBEIRO(Resumo histórico)Iniciamos hoje a publicação dum resumo da história de Jambeiro, a começar...
Jambeiro           (continuação)O morro que forma hoje o barranco atrás da casa do sr. Cunha, descia suavemente atéalém do...
Homem profundamente religioso, desde logo sentiu o Capitão Jesuíno a falta de umaigreja na próspera povoação, onde os atos...
Nessa época foi concedida a ereção de uma pia batismal. Consta que o primeirojambeirense batizado na igreja foi Delfino Fr...
Assim é que, do lado paterno, seu pai, o “Edu” – Eduardo Vieira de Almeida – é filho deJoaquim Franco de Almeida (o “Sinhô...
O último fato, por sinal lamentável e até revoltante, que se deu no velho prédio, aconteceuna noite de Natal de 1937.Foi a...
Seus avós maternos foram o Capitão Francisco Tomaz Rebello e Maria José de AlmeidaGil. Com a bisavó da Judith, a mãe de Ma...
– Ah ! mamãe ! A senhora viveu tanto tempo com a gente … Já faz quatorze anos quenos deixou, parece que foi ontem !… Entre...
Foi tudo muito rápido : um enfarte, e não a vimos mais com vida. Deu-nos grande penasua morte. E sua falta já nos enche de...
“A propósito da capacidade de restauração do solo com essências florestais, inclusive oeucalipto, lembram-se as exuberante...
Era, aliás, um verdadeiro “dia de juízo” movimentar-se uma família, como as antigas, emgeral numerosas e ainda acrescidas ...
Morava ele numa bela casa ajardinada, que existiu no terreno atualmente desocupado, àmargem do ribeirão dos Francos, em fr...
(Francisco Tolosa Guedes, tio materno de meu pai e uma das mais queridas figuras dosvelhos tempos de Jambeiro).A cavalo, s...
Em Jambeiro ele predominou. Alto, sacolejante, pipoqueiro, tinha três marchas : primeira,segunda e marcha a ré. O tanque s...
O sétimo carro pertenceu ao Alberto da Silva Ramos.Depois, muitos outros jambeirenses adquiriram automóveis.Um deles foi o...
(“O Jambeirense” – 26/10/1987)UMA VIAGEM HISTÓRICA - II -Antes, porém, da chegada do Presidente Washington Luís a Jambeiro...
Sempre atrai e comove saber de acontecimentos referentes à terra natal ou a parentes eamigos que não existem mais. Vou ten...
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(“O Jambeirense” – 16/07/1988)“JAMBEIRISMO”Podemos chamar de “jambeirismo” esse sentimento de amor, carinho ou simpatia qu...
FESTAS JAMBEIRENSESAs antigas festas de Jambeiro não eram como as de agora, que atraem esse povãoincalculável nos festejos...
Quando os perus foram trazidos para a matança, a banda de música e muita gente foramencontrar-se com eles ali onde hoje co...
nomes simplificados. Foram eles : Hilário, Beloti, Vanzela, Zuim, Batalha, Toseto, Zenati,Brancati, Locateli, Zandonadi, A...
Eduardo Vieira de Almeida (Edu), há pouco falecido, casado com Enid Cunha; eHermínia, casada com Cícero Haddad.Antonio Ber...
Semíramis Marques Gil; Tito, casado com Maria Jurema de Siqueira; Ana LuízaBernardes Gil, casada com Luiz de Castro Leite;...
(*) século XIXFAMÍLIAS JAMBEIRENSES - III –AS BERNARDES GILComo já dissemos, além dos filhos Joaquim Bernardo de Almeida G...
Pires, em 23/04/1895, com a qual teve os seguintes filhos : João Gurgel Júnior, o poeta,uma das grandes glórias de Jambeir...
Esta chácara fez parte da fazenda do fundador de Jambeiro. Era a “horta” de Nhô LuizBernardo. Nesse lugar ele plantou um v...
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Crônicas de Paulino Gil

  1. 1. CRÔNICAS DE PAULINO GILJAMBEIRO(Resumo histórico)Iniciamos hoje a publicação dum resumo da história de Jambeiro, a começar de seusprimórdios.Os fatos, datas e dados apresentados, nós os colhemos num resumo histórico publicadono número 42 d’ ”O Jambeirense” (1905) e na tradição oral, que ainda se conserva bemviva, dos primeiros tempos de Jambeiro.Para que o nosso trabalho se revista da maior certeza possível, pedimos às pessoas quepossuam alguns conhecimentos sobre o nosso passado, ou disponham dessesdocumentos que nos podem ser úteis, que nos auxiliem, pelo que desde já lhesagradecemos. Com igual prazer receberemos as críticas ou corrigendas aos enganos emque, naturalmente poderemos incidir. P. GilComo acontece com tudo onde não se não dispõe de elementos perfeitamenteesclarecedores nos quais se possa basear para deles se extrair a certeza dos fatos,também a história de Jambeiro, nos seus períodos mais afastados, acha-se envolta emtrevas, nas quais, em se tateando com toda a dificuldade, somente se encontraria umterreno cheio de hipóteses.Conta-se, por exemplo, que a princípio, as terras que hoje compõem o nosso município,pertenceram a um só dono, um Vieira, que em época afastada, conseguira comprar ou seapossar de toda a vertente do Capivari. Tal suposição não deixa de ter o seu pouco deverdade. Ainda que se duvide que toda a vertente do Capivari, ou seja, todo o atualmunicípio de Jambeiro, tivesse pertencido a esse Vieira lendário, é certo que as terrassituadas mais próximas donde está a cidade, eram propriedades dos Vieiras.O próprio dono da fazenda que abrangia os terrenos onde está hoje Jambeiro, LuizJacinto Bernardes Gil (1), era casado com uma Vieira – D. Ana Gomes Vieira de Almeida,a célebre tia Aninha.No decorrer deste trabalho só citaremos os nomes das pessoas que tiveram atuaçãosaliente na criação da cidade. Os outros habitantes serão lembrados num estudo quepretendemos fazer sobre “Genealogia Jambeirense”.Façamos agora a descrição do que era isto aqui lá pelo ano de 1860, quando ainda era osimples “bairro do Capivari”, pertencente ao município de Caçapava.Havia naquele tempo a sede da fazenda, no lugar onde é hoje o Grupo Escolar, rodeadapor um pomar que se estendia pela garage em frente, chácara do Edgard etc..No lugar onde é hoje a Praça Almeida Gil, existia um rancho de tropas de Luiz B. deAlmeida Gil (nhô Luiz) e uma tenda pertencente ao ferreiro Bento Norato. O terreno emvolta era um pasto comum, com algumas gabirobeiras ali perto da casa de d. Sinhá Senesetc. (continua) (“A JUSTIÇA” – ano I – núm. 1 – 15/11/1936) (2)(1) Na certidão de casamento consta “Luiz Jacinto Gil”(2) Desse jornal “A JUSTIÇA” – “orgam independente” editado em Jambeiro em 1936 – só noschegaram às mãos os nºs. 1 (15/11/1936) e 2 (22/11/1936). O Prof. Paulo Gil era seu redator-responsável.
  2. 2. Jambeiro (continuação)O morro que forma hoje o barranco atrás da casa do sr. Cunha, descia suavemente atéalém do coreto. Onde é hoje a casa do snr. Hilário havia um armazém pertencente aFrancisco (Tomaz) Rebelo.Na rua de cima, no terreno ao lado da residência do sr. F. Senes, existia outra casa naqual morava Joaquim Bernardes de Almeida Gil (Nhô Quim). Em frente à igreja existia acasa de morada e um outro armazém, pertencentes ao Capitão Jesuíno Batista, que eradono de um pedaço de terra que ia desde a casa do sr. João Gurgel até as divisas dachácara S. Joaquim, e do rio até o cemitério.Nesse tempo já existia um cemitério, o debaixo, mas sem delimitação certa, de maneiraque se enterravam os mortos por toda a encosta do monte. Até por perto daquelastouceiras de bambu que há lá por cima, foi enterrada gente, principalmente escravos, poisos ricos eram enterrados em Taubaté. E para que a porcada da fazenda nãodesenterrasse os defuntos, costumava-se fazer um estivado de madeira ou bambugigante por cima das covas, além de socá-las à mão de pilão.Como isso ainda não evitasse que de vez em quando os porcos andassem arrastandopedaços de defuntos pelo pasto, D. Ana Gomes fez com que seu filho Joaquim Bernardesmandasse vedar o cemitério.O resto do terreno era ocupado com lavouras, pastos e matas.O rio que passa atrás do mercado seguia mais ou menos em linha reta em direção à casado Melinho. Só mais tarde, para se fazer a rua de baixo, foi que Luiz Bernardes (Nhô Luiz)deu-lhe o curso atual, sendo aterrado o leito antigo. (continua) (*)(*) Infelizmente a narrativa termina aqui, por ser desconhecido o paradeiro de eventuais outrosnúmeros do jornalzinho “A JUSTIÇA”.Capitão Jesuíno Antonio Batista, fundador da Paróquia de JambeiroEntre os personagens que se ligaram de maneira indelével à história de Jambeiro, justo érelembrar o Capitão Jesuíno Antonio Batista, que muito trabalhou e realizou embenefício de nossa terra, em seus primórdios.Nascido na cidade de Santa Branca (1), em 5 de fevereiro de 1822 (2), Jesuíno Batistaimigrou em 1848 para o então Bairro do Capivari, onde se dedicou à lavoura do café.Por essa época, o Bairro do Capivari centralizava-se na fazenda do casal taubateano,Luiz Jacinto Gil – Ana Gomes Vieira de Almeida Gil, cuja sede, situada onde hoje está oGinásio, servia de ponto de parada ou pernoite dos viajantes ou tropeiros, que de Taubatéou Caçapava demandavam as cidades de Paraibuna ou Caraguatatuba.Por essa razão, ali se formara um arraial, composto de alguns armazéns, tenda deferreiro, ranchos de tropas, casas de camaradas, de agregados e de outros moradoresque ali iam fixando residência.Prosperando como quase todos os que se dedicaram à agricultura nas terras novas eférteis do Capivari, Jesuíno Batista – já agora Capitão da Guarda Nacional e político deprestígio na povoação – adquiriu em 1865, de João Batista de Barros, a área de terra quehoje constitui a parte alta da cidade.Nesse lugar se estabeleceu com armazém e loja de fazendas, que ficou sob a gerênciade seu empregado João “Mestre”, por não convir ao Capitão afastar-se de sua fazenda.
  3. 3. Homem profundamente religioso, desde logo sentiu o Capitão Jesuíno a falta de umaigreja na próspera povoação, onde os atos religiosos – missas, batizados, casamentos,dos escravos ou das pessoas modestas do lugar – eram realizados, de vem em quando,pelo Vigário de Caçapava, no “oratório” da casa grande da fazenda dos Gil.A idéia de construir a igreja, aliás, anseio de toda a população, acabou concretizando-sepor efeito de um acontecimento em que se envolveu o Capitão e terminou por favorecê-lo.Foi o caso da mudança da chegada da estrada que vinha de Caçapava, que, ao seaproximar do povoado, cruzava duas vezes o ribeirão dos Francos : uma, junto à sede dachácara do “Nhô Quim” (Joaquim Bernardo de Almeida Gil), hoje propriedade do sr.Guilherme; e outra, quase ao entrar no largo (Praça Almeida Gil).Alegando tencionar evitar as duas pontes, que freqüentemente eram destruídas pelasenchentes do ribeirão, “Nhô Quim” conseguir mudar o trajeto da estrada que, desviando-se da primeira ponte, seguia pelo atual campo de futebol e entrava no largo por onde estáo “bangalô”.Com isso não concordou o Capitão que se sentiu prejudicado em seus interesses.Surgiu então uma demanda judicial, ganha em 1868 pelo Capitão, com o que a estradavoltou a ser por onde era, a atual Rua Cel. João Franco de Camargo.Muito religioso, o Capitão fizera até promessa, que se tornou pública, de que, sevencesse a questão, doaria o terreno e construiria a igreja. Brioso e desprendido comoera, cumpriu a promessa.Por escritura pública passada na sede de sua fazenda, em 12 de junho de 1868, nasnotas do tabelião de Caçapava, Francisco Alves Moreira da Costa, fez, com sua primeiraesposa, D. Maria Bento Rangel, a doação do terreno que adquirira de João Batista deBarros, que passou a constituir o “patrimônio da Capela”.O “patrimônio” constituía quase toda a atual parte alta da cidade, à qual o Capitão deuforma de loteamento. Demarcou as atuais ruas José Pinto da Cunha, Dr. Carlos RebelloJúnior, Governador Lucas Garcez, Praça Cônego Hygino Corrêa e a antiga “Rua daPalha”.Os lotes dessas ruas foram doados a pessoas sem recursos, que ali construíram seusbarracos cobertos de sapé, donde seu nome primitivo. Os demais lotes foram vendidos eo dinheiro empregado na construção da igreja. (3)Em 3 de março de 1871, obteve o Capitão o desejado consentimento para a “fundação daCapela de Nossa Senhora das Dores do Capivari”, passado pelo Vigário Geral (4) daDiocese de São Paulo, Pe. Dr. Joaquim Manuel Gonçalves de Andrade.Contando também com a colaboração e entusiasmo de toda a população, a igreja ficouconcluída nesse mesmo ano (5).Antes de inaugurar a Capela, o Capitão promoveu uma subscrição popular, cujo produtofoi empregado na aquisição dos paramentos e demais alfaias necessários ao cultosagrado e na construção de uma casa paroquial. A Imagem de Nossa Senhora das Doresveio do Rio de Janeiro, indo o Capitão com grande comitiva de cavaleiros buscá-la emCaçapava, sendo aqui festivamente recebida.No dia 17 de setembro de 1871, a igreja foi benta e solenemente inaugurada pelo Vigáriode Caçapava, Cônego Francisco Marcondes do Amaral Rodovalho.“Atendendo, ainda, o mesmo Vigário Geral (4) às insistentes solicitações que pelo mesmoCapitão eram feitas e que realmente se tornavam imprescindíveis para a nova povoação,por provisão de 19 de março de 1872, depois de o declarar protetor e zelador definitivo daCapela, houve por bem considerá-la curada, independente da matriz de Caçapava, nãopodendo, entretanto, ser provida enquanto não estivessem estabelecidas as divisas entreos municípios circunvizinhos, para o que deveriam ser ouvidas as competentes CâmarasMunicipais” (“O Jambeirense” de 30/01/1910).
  4. 4. Nessa época foi concedida a ereção de uma pia batismal. Consta que o primeirojambeirense batizado na igreja foi Delfino Franco de Almeida, filho de “Nhô” QuimBernardo.O Capitão ainda fundou duas Irmandades : a do SS. Sacramento, em 1873, e a de SãoBenedicto, em 1875.Em 10 de abril de 1872, a Capela foi elevada à categoria de Freguesia, cujo primeiroVigário foi o Pe. João Pereira Ramos. Além de sua inolvidável ação religiosa, o CapitãoJesuíno ainda teve relevante atuação política em Jambeiro. Foi chefe de numerosa eilustre família, que, infelizmente, como tantas outras, se afastou definitivamente de nossacidade. Ele mesmo daqui se mudou, havendo falecido em 17 de janeiro de 1894 (6), emSanta Cruz da Conceição, comarca de Pirassununga. (“O Jambeirense” – 23/05/1982)(1) Conforme consta na certidão de óbito do Capitão Jesuíno, ele foi nascido em São Luiz doParaitinga.(2) Como se deduz da mesma certidão, tendo o Capitão Jesuíno 74 anos quando de seufalecimento, ele nasceu em 1820.(3) Os lotes não foram “vendidos”, mas aforados (= alugados) pela Paróquia.(4) O Pe. Dr. Joaquim Manuel Gonçalves de Andrade era “Vigário Capitular” da Diocese, isto é,administrava a Diocese de São Paulo, “sede vacante” na época.(5) Em 12/06/1868 – data da escritura de doação da área para o patrimônio da futura Paróquia –já estava em construção a Capela dedicada pelo Cap. Jesuíno a Nossa Senhora das Dores.(6) O falecimento do Capitão Jesuíno Batista ocorreu em 17 de dezembro de 1894 (e não emjaneiro desse ano).“O MAIS VOTADO”A posse do novo prefeito e dos vereadores, realizada no dia 1º deste mês, foi umacontecimento festivo e agradável.Quase que completamente esquecidas as tricas e futricas da campanha eleitoral, osdignos eleitos revelaram louvável sensatez, mantendo aquele clima de cordialidade eharmonia em que decorreram os trabalhos.Foi grande a presença de elementos das diversas facções políticas, de autoridades,convidados e do povo em geral. Os aplaudidos oradores foram concisos e brilhantes,sendo de justiça destacar o excelente discurso do ex-presidente da Edilidade, dr.Benedicto Ernesto Alves de Moraes.E como não poderia deixar de ser, a presença da graça feminina, personalizada nasexcelentíssimas senhoras esposas dos eleitos e demais damas e senhoritas da sociedadelocal, deu a mais elegante, bonita e risonha da reunião.Talvez por tudo isso, ainda que sem perda do seu caráter solene e cívico, tenha aassembléia se realizado naquele ambiente descontraído e harmonioso de que já falei.Bom sinal de que todos nós e nossa terra muito iremos lucrar com o dedicado conjuntodos ilustres novos dirigentes. Assim seja !Por ter sido o vereador mais votado, ao meu prezado “parente de pai e mãe”, dr. LuizEduardo Cunha Almeida, coube a eminente tarefa de assumir a presidência dostrabalhos. Então, ocorreu-me a justeza da sua destinação para tal incumbência.Por uma tradicional coincidência, também seus pai, avô, bisavô e até mesmo seu trisavô,foram políticos de notável relevância na vida jambeirense. Todos eles exerceram altospostos, onde muito serviram e engrandeceram esta terra, com exemplar dedicação edesprendimento. É interessante a “ficha genealógica” do Luiz Eduardo. Por parentescode sangue, ele se liga a muitas das mais antigas e tradicionais famílias jambeirenses.
  5. 5. Assim é que, do lado paterno, seu pai, o “Edu” – Eduardo Vieira de Almeida – é filho deJoaquim Franco de Almeida (o “Sinhô Bernardo”), que dá nome ao nosso principalestabelecimento de ensino, e de Olívia Vieira de Almeida. Seu avô foi filho de JoaquimBernardo de Almeida Gil e de Ana Cândida Franco de Camargo (bisavós do LuizEduardo, portanto). Seu bisavô foi filho de Luiz Jacinto Gil e de Ana Gomes Viera deAlmeida. Esse Luiz Jacinto, taubateano (1), foi dos primeiros povoadores desta região,tendo aberto a fazenda do Capivari, depois herdada por seu filho Luiz Bernardo deAlmeida Gil, que nela fundou a cidade de Jambeiro.Pelo lado paterno, portanto, o Luiz Eduardo é Gomes Vieira, Almeida Gil e Franco deCamargo. Pelo lado materno, é filho de Enid Pinto da Cunha, filha de João Pinto daCunha e de Maria Francisca de Barros Rebello. João Pinto da Cunha foi filho de JoaquimAntonio Pinto da Cunha (conhecido por Joaquim Benedito) e de Maria AntoniaDomingues. Sua avó Maria Francisca (“Morena”) foi filha de Francisco Joaquim Rebello(o “Chico Velho”) e de Maria Pereira de Barros (a Maria “Velha”). Francisco Rebello foifilho do capitão português, Francisco Tomaz Rebello e de Maria José de Almeida Gil,também filha de Luiz Jacinto Gil. Sua bisavó Maria Pereira de Barros foi filha de PaulinoPereira de Barros e de Ana Maria Pereira de Lima. (os demais antepassados de ambosos lados já não tiveram ligação com Jambeiro). Portanto, pelo lado materno, o LuizEduardo é Pinto da Cunha. Tomaz Rebello, Pereira de Barros, Lima e Domingues. Tendosido o vereador mais votado e eleito secretário da Mesa da Câmara, e com toda essafartura de sangue jambeirense de todos os lados, nós – seus parentes, conterrâneos eamigos – estamos certos de que o Luiz Eduardo saberá honrar a memória dos seusantepassados e fazer jus aos votos recebidos. (“O Jambeirense” – 28/02/1983)A CADEIA VELHANa esquina da Rua Cel. João Franco de Camargo com a Praça Côn. Hygino Corrêa(Praça da Matriz) situa-se um dos edifícios mais antigos e, talvez, o ainda mais sólido deJambeiro. Suas paredes de taipa de pilão, com 70 centímetros de espessura, aindacontinuam firmes e conservadas. Seu construtor foi o Cel. Luiz Bernardo de Almeida Gil,que de início tencionou erguer ali um sobrado.Não concretizando sua intenção, adaptou a construção para servir de cadeia, que aindafaltava no povoado. Até então, os presos sem periculosidade, como “paus d’água”,desordeiros, briguentos, eram trancafiados numa tulha da fazenda. Os perigosos, oucriminosos mesmo, eram enviados para Caçapava.A cadeia só tinha uma cela, que era todo o salão que dá para a rua. Assim, os presos –aliás, raros – podiam conversar com os passantes através das grades de madeira quevedavam as janelas. Cumprida a rápida pena, o preso pagava mil e quinhentos réis decarceragem e era solto.A instalação sanitária da cadeia era “fora de série”. Constava de uma espécie de tina (ametade de um barril serrado apelo meio), a que chamavam de “baixo”. Todas as manhãs,quando havia preso, este punha o “baixo” sobre a cabeça e, acompanhado pelocarcereiro, ia despejá-lo e lavá-lo no ribeirão.Certa vez, um preso malandro conseguiu entornar o conteúdo do “baixo” sobre ocarcereiro. E enquanto este, furioso, se limpava no ribeirão, o malandro escafedeu-semorro acima pela capoeira que ali havia e sumiu, nunca mais aparecendo no arraial ...Mais tarde, quando o prefeito Major Gurgel edificou a nova cadeia, a primitiva perdeu suafunção e passou a servir de residência.Em 1924, ao construir seu bangalô na Praça, o sr. Benedicto Pinto da Cunha, somente doforro da cadeia velha retirou quase toda a madeira de que necessitou.
  6. 6. O último fato, por sinal lamentável e até revoltante, que se deu no velho prédio, aconteceuna noite de Natal de 1937.Foi assim : com o golpe dado pelo ditador Getúlio Vargas em 10 de novembro daqueleano, foram extintos todos os partidos políticos, inclusive a Ação Integralista Brasileira, cujasede municipal funcionava no salão. Ora, como faziam todos os anos, os integralistashaviam programado o Natal das crianças. E como se tratasse de uma simples festanatalina, sem nenhuma conotação política, seus promotores resolveram realizá-la nosalão da ex-sede, nesse tempo já desativada por força das novas leis da ditadura.E quando, naquela noite, o salão todo enfeitado regurgitava de gente, principalmentecrianças e suas mães, eis que foi intempestivamente invadido pela polícia. Foi uma cenaselvagem e dolorosa. Com violência e aos impropérios, as pessoas eram grosseiramenteempurradas para fora. Tombavam bancos repletos de crianças. Senhoras desmaiavamde susto e medo. Gente pulando pelas janelas e caindo na rua. Gritaria, choro etc. etc..Um escarcéu tremendo, uma confusão terrível ! E só quando o “chefe” José Anísio daCunha, que havia ido pedir socorro, voltou de Caçapava com um oficial do Exército ealguns praças, foi que, reaberto o salão, a festa recomeçou. Mas então já era tarde epoucas crianças voltaram.Apurou-se depois que a polícia, capitaneada na ocasião por um daqueles célebres oficiaisinferiores reformados e de má fama na Força, que para cá eram mandados como“autoridades”, fora induzido a acabar com a festa por injunção de um tipo salafrário queservia à situação dominante ...Atualmente o histórico edifício pertence ao Dr. Luiz Ângelo Gil de Castro, bisneto doconstrutor, que, após caprichada reforma, o transformou no seu belo “casarão” (*). Comos outros dois prédios que compõem o quarteirão, o “casarão integra o conjunto maisimponente da cidade. (“O Jambeirense” – 24/03/1983 – 28/04/1998 – 26/03/2003)(*) Hoje (2003) já faz algum tempo que o prédio passou para a propriedade do conterrâneo JoãoEvangelista de Siqueira (João Pimenta) que, em recente reforma nele feita, teve o cuidado demantê-lo em seu estilo original.JAMBEIRENSES QUE PARTEM ...Mais uma conterrânea querida que se foi dentre nós, após uma bela vida de oitenta anos !Já há pouco haviam morrido outros dois jambeirenses : a Maria Adelaide Vieira deAlmeida (a Maricota do Joaca), com mais de oitenta anos, e o Juca Rebello, primo daJudith, com oitenta e cinco.É a terceira geração de jambeirenses que se está extinguindo.Conheci a Judith quando eu era ainda garoto e ela, já uma graciosa mocinha. Eram trêsformosas irmãs : a Maria Angélica, que se casou com o Odilon Vieira de Almeida; aFloripes, com o João Baptista de Tolosa Almeida; e a Judith, com o Dr. José DavidFilho, de ilustre família de jornalistas de Rio Claro, o qual aqui foi Delegado de Polícia nosáureos tempos de Jambeiro-comarca.Elas e eles se amaram, se uniram, viveram longas harmoniosas vidas conjugais, edeixaram numerosa e digna descendência.Judith teve também dois irmãos : o Seninho (prof. Benedicto Nogueira Sennes), quefoi casado com Nair de Boni, e Francisco Sennes, casado com Branca Mariano. Seuspais foram Benedicto Nogueira Sennes (Sinhô Sennes) e Felisbella Rebello (SinháSenes).Não recordo o nome do seu avô paterno, marido de sua avó Maria Justina Santos.
  7. 7. Seus avós maternos foram o Capitão Francisco Tomaz Rebello e Maria José de AlmeidaGil. Com a bisavó da Judith, a mãe de Maria Justina, que se chamava Maria Angélica,deu-se um fato interessante. Adoecendo gravemente, sobreveio-lhe um sono cataléptico,pelo que foi dada como falecida, apesar de, naquele estado, sentir tudo o que se passavaao seu redor. Como urgia, logo se providenciou o enterro. Colocada numa usual rede decarregar defuntos daqueles tempos, levada por serviçais e parentes, seguiu a “morta”para Taubaté, onde se costumava enterrar as pessoas de posses que faleciam aqui nosertão do Capivari. Ao passar o cortejo por Caçapava (a “Velha”, pois a atual Caçapavanem existia ainda), a rede foi posta no recinto da igreja, enquanto os carregadores foramse refazer nos armazéns do povoado. Contou depois Maria Angélica que, na sua aflição,implorou o auxílio de Nossa Senhora d’Ajuda, padroeira daquela igreja, rogando-Lhe quealcançasse de Deus o seu restabelecimento, prometendo mandar rezar ali uma missasolene em ação de graças. Então, como que por milagre, ela voltou a si. E foi cheios demedo e espanto, e depois de alegria, que os da comitiva foram encontrá-la orando emfrente ao altar ... Maria Angélica cumpriu a promessa e ainda viveu vários anos.A última vez que me encontrei com a Judith foi numa reunião familiar na casa do Orôncioe da Flora. E, por dolorida coincidência, lembro-me de duas outras pessoas queridasnossas, que lá estiveram naquela mesma noite : o Benedito Gil, filho do Nenzinho, e aIrene, mulher do Armindo, que há pouco também partiram para a outra vida, deixando-nos, como agora a Judith, cheios de tristeza ...A todos eles – Maricota, Juca, Benedito, Irene e Judith – além das muitas e sentidassaudades, a nossa prece fervorosa a Deus, para que Ele os tenha em Sua casa ...E assim vamos indo nós, os jambeirenses mais antigos, um a um, chegando ao fim daestrada da vida ... (“O Jambeirense” – 24/01/1984)ELA FARIA CEM ANOS ...... no próximo dia 31. Nascera em 1884 e faleceu em 1970, com 86 anos.Chamavam-na “Nhá Dasdores do Sinhô Luiz”, pois foi casada com Luiz Bernardes deAlmeida Gil, este, filho do Luiz Bernardo que dá o nome à nossa Praça.Maria das Dores de Almeida Gil foi uma irmã de Ana Rita de Cássia Cunha, esposa deBenedito Pinto da Cunha, o que construiu o “bangalô” da Praça; de Maria “Velha” Rebello,avó materna, dentre outros, da Enid, mulher do Edu Vieira de Almeida; de Ana MartaNascimento, avó materna dos Lopes : Ary, Iná, Déa e Chiquinho, e dos Francos deAlmeida : Zito, Gaspar e Aloísio; de Joaquim Pereira de Barros, o popular e alegresanfoneiro dos inesquecíveis bailinhos que divertiam a mocidade do meu tempo; deEnoch Elias de Barros, oficial do Registro Civil, pai das primas Maria do Rosário,Aparecida, Angélica e Enóe, o qual se casou, segunda vez, com Didita Franco deAlmeida. Maria das Dores faleceu há 14 anos, pelo que, se viva fosse, faria cem anos nodia 31 deste mês.Os que a conheceram afirmam que foi uma criatura simples e bondosa, por todos amadae respeitada. E que mãe boa que ela foi ! (Aliás, qual é a mãe que não é boa ?)Matrona do sistema antigo, mulher de fazendeiro, trabalhou a vida inteira e teve umadúzia de filhos, dos quais só um não cresceu : Luiz (falecido), Benedito (Nenzinho), José(falecido), Paulino, Tito, Ana Luíza, Florentina, Flora, João, Sileno e Armindo.Redigi estas lembranças, a pedido dos meus caros amigos, diretores d’”O Jambeirense”,os quais, pelo grande amor que têm pela gente e coisas da nossa terra, muito secomprazem em relembrar vultos jambeirenses do passado. Neste caso e pelo assunto, éimenso e cordial o meu agradecimento.
  8. 8. – Ah ! mamãe ! A senhora viveu tanto tempo com a gente … Já faz quatorze anos quenos deixou, parece que foi ontem !… Entretanto, mamãe, quanta saudade eu ainda sintoda senhora !... (“O Jambeirense” – 28/12/1984)OS REBELLOS DE JAMBEIROA maioria dos Rebellos aqui nascidos foram-se, por motivos óbvios, para outras terras eseus descendentes “desconhecem” a terra de seus pais. Mas há os que se radicaramaqui e os que continuam prestigiando o berço dos seus antepassados. É sobre eles eseus casamentos “interprimos” este rápido comentário genealógico.Vindo de Taubaté, o casal Luiz Jacinto Gil e Ana Gomes Vieira de Almeida Gil foram dosprimeiros povoadores, aqui abrindo a antiga fazenda do Capivari, em cujas terras hoje selocaliza a cidade de Jambeiro.Este casal teve quatro filhas e dois filhos, aqui nascidos. Um deles foi Luiz Bernardo deAlmeida Gil (o fundador), que se casou com Ana Luíza de Tolosa Guedes e tiveramquatro filhos e uma filha.Um dos filhos se chamou Luiz Bernardes de Almeida Gil e a filha, Maria do Carmo deAlmeida Gil, tratada por Carminha. Uma das filhas de Luiz Jacinto se chamou Maria Joséde Almeida Gil, a qual se casou com o cidadão português, Francisco Tomaz Rebello, etiveram cinco filhos e três filhas. Desses, que têm descendentes ainda ligados a Jambeiro,cito três : Carlos, Gustavo e Brazília. Carlos Rebello se casou com Carminha, sua prima,tiveram três filhos e uma filha. Um dos filhos foi o Dr. Carlinhos (Carlos Rebello Júnior,médico benemérito, que tem seu nome dado a uma rua em nossa cidade, ao lado daigreja, e a uma avenida, em Guaratinguetá, onde viveu e faleceu, prematuramente).O Dr. Carlinhos casou-se com sua prima Gizelda, filha de Gustavo Rebello e BertíliaBrancatti, e tiveram cinco filhos e quatro filhas.Outro filho de Carlos Rebello é o nosso caro Orôncio, casado com sua prima Flora Gil,filha de Luiz Bernardes de Almeida Gil. É o casal Rebello Gil mais “radicado” no Jambeiro,com seus dois filhos, quatro filhas e oito netos.Outro Rebello jambeirense que costuma freqüentar a terra natal é a Maria Piedade,esposa do neo-jambeirense Paulo Lopes Carvalho, brilhante e apreciado colaborador d’”OJambeirense”. Neta do casal Francisco Tomaz – Maria José, Maria Piedade é filha deBrazília Rebello e Antonio Nogueira Santos (Antonio Boticário), que teve farmácia emJambeiro. Um dos irmãos de Piedade, o Benedicto Nogueira, foi exímio violonista ecompositor. É de sua autoria a dolente canção “Saudade de Jambeiro”, sempre cantadapelos nossos violeiros. (“O Jambeirense” – 20/03/1985)N. da R.: Na edição de 25/04/1985, “O Jambeirense” publicou o seguinte aditamento àpresente crônica :“OS REBELLOS DE JAMBEIRO” – Entre as tantas deficiências que a idade acarreta aosidosos, uma das piores é a perda da memória. Pois não é que me esqueci de lembrar quea Berta, a mais loura dos Rebellos, esposa do nosso amigo Rafael Martinez Balaguer, éfilha do casal Gustavo Rebello e Bertília Brancatti, afinal é a única Rebello de fatoradicada e residente aqui em Jambeiro, nossa terra ?!Perdoe-me, Berta ! Acho que já estou ficando meio coroca ...”DE REPENTE, A TIVICA NOS DEIXOU !...
  9. 9. Foi tudo muito rápido : um enfarte, e não a vimos mais com vida. Deu-nos grande penasua morte. E sua falta já nos enche de saudades.Para nós era como nossa irmã mais velha. Dedicou-nos uma vida inteira de amizade ecarinho, pois foi nossa cunhada – sempre amável e atenciosa – durante cinqüenta e noveanos ! Ou seja, todo o tempo que durou seu exemplar casamento. Com sua candura einteligência, era encantadora em suas conversas e atenções. De gênio alegre eexpansivo, teve muitas e sinceras amizades, como notamos em seu velório, em quetantas e piedosas senhoras não cessaram de elevar a Deus cálidas orações pelo seudescanso eterno.Tivica – Etelvina de Moura Gil – deixa viúvo nosso irmão Nenzinho (Benedicto BernardesGil), com o qual viveu, como já disse, cinqüenta e nove anos de um casamento exemplar.Constituíram uma família maravilhosa pelas suas virtudes. Oito filhos : Benedicto(falecido), Luiz Gonzaga (falecido), Etelvina das Dores (Tivininha), Maria Ruth, JoséAfrânio (falecido), Aparecida, José e Maria Felicidade (Dade).Filhos dignos. Filhas adoráveis. E mais dezenove netos e dezoito bisnetos !A Tivica mesma foi a derradeira sobrevivente de uma distinta família de dez irmãos, queforam : Maria Izabel (Bezinha), Dario, Maria Angélica (Mariquinhas), Maria Etelvina(Mariazinha), Mário, Etelvina (Tivica), Francisca, Altino, Júlia e Bento (Nenê).Foram seus pais João Bento de Moura e Etelvina Dias de Moura, que residiram emJambeiro durante muito tempo, na “chácara do João Bento”, situada em frente à matriz ecuja sede ainda existe, pertencente hoje ao sr. Manoel Mendes Ribeiro.Despretensiosa e modesta como foi, a Tivica nunca fez alarde de um fato ligado a umseu antepassado e que, entretanto, bem poderia entusiasmar a qualquer um de nós.Seu avô, o pai de João Bento, foi o Capitão Bento Vieira de Moura, o qual tem seu nomeregistrado na história do Brasil, pois tomou parte no “Grito do Ipiranga”, no dia 7 desetembro de 1822, quando foi proclamada a Independência de nossa pátria. Naquelesdias, quando o então Príncipe Regente D. Pedro vinha do Rio para São Paulo, ao passarpor Pindamonhangaba e Taubaté, formou-se nessas cidades uma “guarda de honra”,composta de destacados cidadãos locais, para acompanhar o Príncipe em sua viagem.Então, entre os seis acompanhantes naturais de Taubaté, se incluiu o Capitão BentoVieira de Moura. Este acompanhou o Príncipe até Santos e na volta, às margens doIpiranga, teve a glória de desembainhar sua espada em solidariedade ao histórico grito dalibertação nacional. Depois foi condecorado com o “hábito da Ordem de Cristo” pelo entãojá Imperador D. Pedro I.Mas para Tivica isso pouco contava. Como sabia que são vãs as glórias deste mundo,tratou antes de ser boa e honesta, de cuidar de sua família, de levar sua vidinha calma,modesta e trabalhosa, que agora, aos oitenta anos, chegou ao fim ... Para nossa tristezae lembranças, apesar de ter ido para a Casa do Pai ... (“O Jambeirense” – 25/04/1985)DISCORDANDOPeço permissão para discordar de algumas expressões contidas numa notinha (“Maiseucalipto ?!”) publicada na última edição do nosso “O Jambeirense”.Como o assunto é extenso, resumirei o mais possível.Eu acho que as plantações de eucalipto, principalmente as feitas em áreas acidentadas,são as que menos estragam as terras. Elas evitam as erosões e umidificam o solo com aspartes que caem, como folhas, cascas, gravetos etc., e com as raízes que penetram naterra, tornando-a assim mais rica.Sobre esse assunto, o Boletim nº 6, de 1965, do Serviço Florestal do Estado, traz oseguinte :
  10. 10. “A propósito da capacidade de restauração do solo com essências florestais, inclusive oeucalipto, lembram-se as exuberantes culturas de café de Campinas e Rio Claro,sucessoras de eucaliptos que recobriram as glebas por algumas décadas e cuja mantanão fora desbaratada.”Como se vê, muito diferente do que aconteceu com as lavouras de café, que foramplantadas em terras de matas virgens e férteis e que, ao se extinguirem, deixaramverdadeiros desertos de terras erodidas, ácidas e estéreis, onde só medraram sapé,barba-de-bode ou rabo-de-burro ...Planta de rápido crescimento, o eucalipto, em seu desenvolvimento, consome mesmomuita água das chuvas. Mas suas raízes não chegam a sugar o lençol freático.Entretanto, como depois de formados, os eucaliptos não são mais capinados, aconteceque a manta de detritos se adensa e passa a reter toda a água pluvial, como qualquerfloresta natural. E o excesso de água não absorvido pelas plantas acaba se infiltrandopela terra adentro, contribuindo, assim, para sustentar as nascentes em vez de secá-las.Aliás, por observação própria, nas diversas regiões onde executei empreitadas de milhõesde pés de eucalipto, nunca notei que as muitas vertentes que aqui e ali existiam, tivessemsecado ou, mesmo, diminuído sua vazão.E foi confiando nisso que, a poucos metros acima de uma fraca nascente que abasteceminha residência, eu formei um eucaliptal. E a fonte continua a mesma. Não sendo, pois,as nascentes prejudicadas pelos eucaliptos, elas continuarão a fornecer aos rios asmesmas águas de antes. E mais : retendo as águas superficiais, o eucaliptal contribuipara evitar as enxurradas ou enchentes e, conseqüentemente, as erosões eassoreamentos, com o que auxilia a manter o equilíbrio na natureza.Acho, portanto, que o eucalipto é, acima de tudo, uma essência abençoada, não só pelassuas utilidades, como pela grande importância econômica que já adquiriu em nosso país.São grandes e variados seus usos e empregos, como na construção civil, nas indústriasde compensados e de papel; como postes, estacas, dormentes, mourões, lenha, carvão,mobiliário, óleos, tanino etc..Adapta-se nas mais estéreis e acidentadas terras, reconhecidas como impróprias paraqualquer outra utilização agrícola. Nas zonas rurais, onde praticamente nem existem maismadeiras, é “pau pra toda obra”. Qual outra madeira poderá substituí-lo ?O que é de se lamentar é que ainda nem todos os agricultores inteligentes possuam emsuas propriedades ao menos meio alqueire, com seus três mil pés de eucaliptos, parasatisfazerem suas inúmeras necessidades de madeiras. (“O Jambeirense” – 26/01/1986)HISTÓRIAS DAQUELES TEMPOS ...Transportes -I-Nos fins do século passado, Jambeiro talvez tivesse um terço das casas que hoje possui.Mas a população do município devia ser umas três vezes maior.A igreja matriz atual ainda levaria uns trinta anos para ser edificada. Em seu lugar, muitomodesta, ainda existia a primitiva igrejinha, construída pelos esforços piedosos doCapitão Jesuíno Antonio Baptista, para atender às necessidades religiosas dosmoradores do povoado do Capivari.Naqueles tempos, muitas casas da vila permaneciam quase sempre fechadas. Eram asresidências dos fazendeiros ou sitiantes que, morando em suas propriedades rurais, sóapareciam na vila, com suas famílias, em raras ou especiais ocasiões, como festividadesreligiosas, fins do ano etc..
  11. 11. Era, aliás, um verdadeiro “dia de juízo” movimentar-se uma família, como as antigas, emgeral numerosas e ainda acrescidas de seus agregados e empregados.Para virem passar alguns dias na vila, era preciso locomover-se o carro de bois ou o trole,levando os patrões. E mais alguns cargueiros, transportando lenha, mantimentos, roupasetc.. Junto, alguns cavaleiros. Por fim, dois ou três cachorros de estimação, correndo elatindo em volta da caravana ...Por caminhos quase sempre em precárias condições, as viagens feitas a pé, a cavalo, emcarros de boi, em aranhas ou troles, eram demoradas e cansativas e constituíam, por sisós, um acontecimento para seus realizadores. Distâncias que hoje são percorridas empoucos minutos por asfalto deslizante, naqueles tempos poderiam gastar horas e horasde caminho pedregoso ou íngreme, poeirento ou lamacento. Disso, talvez, a poucadisposição de se viajar ou a rara freqüência das famílias na vila. De modo geral,individualmente, o meio mais comum ou popular de se locomover era o animal de sela.Daí, o grande empenho com que os ricos ou remediados procuravam possuir bons ebelos animais, para seu uso obrigatório ou, às vezes, para uma compreensível exibição.Assim é que existiam e se viam, com freqüência, exemplares dos mais soberbos evariados tipos. Alazões, cor de canela; zainos, de um castanho-escuro sem mescla, oupretos sem brilho; baios, nas diversas tonalidades do castanho ou ouro desmaiado;tordilhos, de pelagem negra com malhas brancas; murzelos cor de amora; ruões,mesclados de branco e pardo ou claro com crinas amarelas; pampas, só de cara brancaou de corpo em zonas pretas e brancas; muros, pretos salpicados de branco; piquiras,resistentes e ágeis, às vezes boleadores.E ouros mais, que os entendidos no assunto poderiam citar, ou mesmo tipos indefinidos,como aqueles da “cor de burro quando foge” ...E por falar em burro, não esquecer aquelas bestas gigantes, resistentes e espertas, quedavam inveja !... (“O Jambeirense” – 30/04/1986)HISTÓRIAS DAQUELES TEMPOS ...Transportes - II -O gosto por bons animais de montaria que existia – e era uma necessidade no passado –agora ressurge entre nós, com espírito esportivo ou interesse comercial. É o que se tempresenciado nas cavalgadas efetuadas em nossa cidade, das quais a última, realizada naFesta do Tropeiro, tanta admiração despertou, atraindo gente de toda a região. Foi umaapresentação deveras empolgante, na qual também se pôde apreciar, além do garbo doscavaleiros, da graça das belas amazonas e do entusiasmo dos cavaleiros-mirins, tambéma excelência dos muitos e admiráveis exemplares eqüinos presentes no desfile.Mas voltemos ao nosso passado.Quando os automóveis ainda mal buzinavam seus primeiros vagidos lá ao longe, aprincipal valia ou ajuda, nas atividades de transporte dos nossos antepassados, erammesmo os cavalos, os burros e os bois. Para isso, era comum as grandes propriedadespossuírem seus plantéis de animais de sela e manadas de outros, para toda sorte deserviços.A propósito da estima ou valor em que eram tidos os bons cavalos daqueles tempos, deu-se em Jambeiro um caso bastante ilustrativo, que adiante vai resumido : ainda bem moço,mas já bem próspero negociante de café e cereais, além de proprietário no bairro doVaradouro, onde deve ter nascido (em 26/10/1858, sendo registrado em São José), aquiresidia o sr. José de Almeida Telles.
  12. 12. Morava ele numa bela casa ajardinada, que existiu no terreno atualmente desocupado, àmargem do ribeirão dos Francos, em frente à nova Casa da Agricultura. Seu pai,Francisco de Almeida Telles (como o filho, também ligado à Família Vieira), teve loja detecidos na esquina da Praça Almeida Gil com a Rua Cel. João Franco de Camargo (casado Laurinho). Posteriormente, os Telles se mudaram para Caçapava, onde o então MajorAlmeida Telles se tornou elemento de grande prestígio pela sua projeção social,econômica e política.Acontece que o Zé Telles – como então era chamado aqui – possuía um dos mais belos emelhores cavalos do município. Certa feita, veio a Jambeiro uma Comissão com o fim derequisitar animais para o Exército e um dos primeiros a ser visto, cobiçado e logorequisitado foi justamente o cavalo pertencente ao Zé Telles. Quando se soube doacontecido, o desagrado na cidade foi geral. Solidariedade ao proprietário, que era muitoestimado, e pena do valioso animal, que ia ser levado embora.Guardadas as proporções, poderíamos avaliar o reboliço que haveria na cidade,imaginando-se que hoje aparecesse por aqui alguma autoridade e fosse logo requisitadoaquele bonito cavalo árabe, o “Dominó”, do nosso amigo João Paulo Almeida !...Mas o caso acabou com um final feliz, por meio da entrada em cena da boa políticaapaziguadora.Como toda a Comissão se havia hospedado, graciosamente, na residência do chefepolítico local, o Cel. Almeida Gil, este manteve uma boa conversa com o chefe daComissão e lhe propôs que escolhesse três outros animais da criação de sua fazenda eos levasse, em troca daquele que havia sido requisitado ao José Telles.A oferta foi bem aceita e com isso voltou a calma e a alegria ao povoado.E o “Dominó” daquele tempo voltou a bater, garbosamente, suas ferraduras pela poeiraou pela lama das ruas daquela época ... (“O Jambeirense” – 25/07/1986)HISTÓRIAS DAQUELES TEMPOS ...Transportes -III-Até 1920, os transportes aqui eram feitos à custa dos animais de sela, de carga e de tiro.Por isso havia muita fartura desses animais.Os contemporâneos daquela época devem lembrar-se de como a cidade ficava aosdomingos, com a chegada dos moradores da roça e suas conduções.A animalada costumava ocupar quintais de parentes ou amigos. Lotava o pasto doJoaquim Ivo (atual Jardim Centenário). Enchia a Vila Vicentina e, principalmente, oscavalos se alojavam por todo o barranco onde hoje está o bangalô do Didi Coelho eesparramando-se até o final da Rua Nova (Rua Cel. Antonio Bernardes de Almeida).E como era divertido quando ali por perto havia algum foguetório e acontecia que muitosanimais espantados desembestavam pela praça e ruas afora, com seus donos correndoatrás para contê-los.Além dos animais de sela, havia diversos tipos de carruagens, como os troles, semitrolese aranhas. Entre vários outros, podem ser lembrados os troles pertencentes aos irmãosJoaquim Franco de Almeida (Sinhô Bernardo), Antonio Bernardes de Almeida e LeopoldoFranco de Almeida.E era um verdadeiro espetáculo quando o Coronel João Franco de Camargo e esposa, D.Mariquinha (Maria Adelaide Vieira), chegavam da fazenda.O trole, tirado por soberba parelha de cavalos brancos, caprichosamente ajaezada, subiaa Rua Debaixo (Rua Cel. Batista) a largos passos, tendo à boléia o Chico Guedes
  13. 13. (Francisco Tolosa Guedes, tio materno de meu pai e uma das mais queridas figuras dosvelhos tempos de Jambeiro).A cavalo, seguiam a carruagem o Coronel e seus três filhos – Franco, Dodão e Rinaldo.Às vezes, antes de entrar pelo largo portão da residência (aquele casarão ainda existentehá uns quinze anos, que ia desde a atual bomba de gasolina até o ribeirão), ChicoGuedes gostava de dar uma volta pela praça ...Esta, então, se enchia de acenos e sorrisos, trocados entre os moradores e as gentissenhoritas e meninas da carruagem – Sinhá (Olívia), Deita (Adélia), Pequetita (MariaFrancisca), Elza e Zélia.De toda a turma ainda vivem a primeira, a Sinhá, forte nos seus 92 anos (viúva do prof.Nestor Luz, meu primeiro mestre), e a Zélia, que com seu esposo, sr. Ary Ramos Vieirade Bastos, semanalmente está entre nós.Mais gracioso e leve, puxado por um só cavalo, era o semitrole. Com o seu, JoséFortunato da Silva Ramos (avô do Tarcísio) às vezes exibia sua elegância, dando umasvoltas pela cidade.As aranhas, precursoras das atuais charretes, das quais se diferenciavam por possuíremrodas maiores, estreitas e chapeadas.Com uma delas e um bom cavalo, ia-se a Caçapava e de lá se voltava num mesmo dia.Quando era moço, todo fim de semana e por muitos anos, o Ivo (Benedicto Ivo, estimadoex-prefeito) levava em sua aranha mercadorias para negociar em Caçapava.Como reminiscência final daqueles tempos, lembramo-nos dos troles de aluguel que aquiexistiam. Como o de José Lúcio do Prado, que em viagens longas e difíceis levavapassageiros até o alto da serra de Caraguatatuba. Ou então imaginar, vindo deCaçapava, ver surgir pela Rua Nova, a trote lento e ao estalar do relho, o Lica Rocha comseu trole barulhento ...Ah ! Jambeirinho saudoso da minha meninice ! Até me faz lembrar uns versos de não seiqual poeta, que certa vez meu pai escreveu numa parede da fazenda :“Amadas ribeiras em que nasci,em que passei os melhores anosda minha infância feliz !Único tempo de sólida ventura,com que saudade vos recordo ...e vos desejo !...” (“O Jambeirense” – 15/10/1986)O AUTOMÓVEL EM JAMBEIRO (I)Até a década dos anos 20, os automóveis, ainda que poucos, já eram uma realidade emnosso Estado.Como, naquela época, os bons preços fizessem “sobrar” dinheiro aos fazendeiros, aomesmo tempo em que a Companhia Ford acabara de instalar uma linha de montagem emSão Paulo, para seus carros fabricados nos Estados Unidos, o número de automóveisaumentou muito.Além dos “fordinhos”, outras marcas, em geral mais caras, pesadonas e de luxo,passaram a roçar, roncando e fonfonando pelas ruas esburacadas e estradas apenascarroçáveis daquele tempo.Lembro-me de alguns nomes : Rolls Royce, Cadillac, Hispano Suiza, Bugatti, Lancia,Dodge, Fiat, Studebaker, Oldsmobile, Hudson, Buick, Chevrolet etc.Coube à Ford a popularização do automóvel, com seus carrinhos leves e baratos. Seumodelo “T”, o célebre Ford de bigode, tornou-se o carro do povo, como até há pouco era oFusca.
  14. 14. Em Jambeiro ele predominou. Alto, sacolejante, pipoqueiro, tinha três marchas : primeira,segunda e marcha a ré. O tanque situava-se em cima do motor e a gasolina descia porgravidade. Por isso, nas subidas mais fortes, podia faltar gasolina no motor e o carropifava. Era quando os passageiros tinham de descer e ajudar a empurrar o miserável.Os primeiros fordecos que chegaram a Jambeiro não possuíam o motor de arranque, queainda era uma espécie de acessório opcional. Assim, para acionar o motor, usava-se umamanivela que se introduzia na frente, abaixo do radiador. Depois que o motor pegava(arre !), recolhia-se a manivela. Às vezes, um contragolpe inesperado da manivela podiaquebrar o braço do virador (o que, aliás, não tinha a menor importância, pois seu PedroLopes, nosso grande farmacêutico, com facilidade encanava o braço partido ...)Ignorando a existência do motor de arranque em outros carros, a molecada das gerais,quando assistíamos no cinema do Hilário a algum automóvel partir sem usar a manivela,pensávamos que estava havendo tapeação na fita. E lá vinham as vaias, dadas pelanossa inocente ignorância ...Salvo erro ou omissão, lembro-me de que o primeiro que possuiu automóvel em Jambeirofoi o Zezinho Cunha (José Pinto da Cunha). Seu carro, um Ford, teve a placa P-1.Como naquele tempo ainda não estava regulamentado esse negócio de placas, cabia aoproprietário mesmo mandar fazer a sua.De Caçapava veio o preto Adriano, o chofer, para dirigir o auto do Zezinho Cunha.Entretanto, de vez em quando era o Luiz Pinto da Cunha (atualmente residindo em SantaCruz do Rio Pardo) quem pegava o carro do pai e dava umas voltas pela cidade, o quealarmava todo mundo : pudera, o Luiz Pinto tinha apenas uns doze anos ...O segundo Ford pertenceu ao Sinhô Luiz (Luiz Bernardo de Almeida Gil) e seu motoristaera o filho Nenzinho, meu irmão, o qual mandou fazer a placa nº P-2. A carta de motoristado Nenzinho, a primeira de Jambeiro, foi tirada aqui mesmo na Prefeitura.Certa vez, ao cuidar de uma vaca, o Nenzinho espirrou creolina num olho. Quando aturma dos afiados línguas-de-trapo da cidade soube do fato, foi aquela gozação :disseram que ele tinha ido curar uma bicheira no seu fordeco ...O terceiro carro, outro fordinho, pertenceu ao ... (“O Jambeirense“ – 25/08/1987)O AUTOMÓVEL EM JAMBEIRO (II)O possuidor do terceiro automóvel em Jambeiro – o P-3 – foi o Joaquim Pinto da Cunha,o mais amável e estimável dos Cunhas. Membro da turma dos caçadores, às vezes ia àcaçada levando sua cachorrada veadeira latindo entusiasmada , em coro com a buzina dofordinho ...O quarto possuidor de automóvel foi o Sinhô Bernardo (Joaquim Franco de Almeida).Primeiro teve um fordinho, logo trocado por um Chevrolet “cabeça-de-cavalo”, cujomotorista era seu filho Yeyé (José Geraldo de Almeida, hoje residente em Ribeirão Claro,no Paraná.)Era um ótimo carro, que envelheceu em Jambeiro.O quinto Ford pertenceu a José Bernardino Vieira. Era dirigido pelos seus filhos Ditinho,Zezé, Nelson e Dagi.O sexto carro pertenceu a outro Cunha, o Benedicto Pinto da Cunha.Foi um Chevrolet, por sinal, desastroso : com ele, o Cunha, em companhia do garoto AryLopes, ao passar numa tarde lamacenta pela ponte do Craveiro, o carro derrapou edespensou no rio Piraí. Foi nesse desastre que o Ary recebeu graves ferimentos, cujascicatrizes o marcaram até o fim da vida. O carro sinistrado “acabou-se”. Mas, temposdepois, com o pedido insistente do próprio Ary, o Cunha comprou um Buick, que foi ocarro mais luxuoso que existiu em Jambeiro naquele tempo.
  15. 15. O sétimo carro pertenceu ao Alberto da Silva Ramos.Depois, muitos outros jambeirenses adquiriram automóveis.Um deles foi o estimado cidadão português, Manoel Padeiro. Este, voltando um dia deCaçapava, sofreu um acidente e por pouco não se “estrombicou” todo. Por isso, “raiosque o partam” ... vendeu logo seu fordinho ...Comprou-o meu irmão, Luiz Gil, que, com a competência do Neco Funileiro (*),transformou-o numa baratinha de corrida, tipo “charuto”, como se usava naquele tempo.Por causa dessa baratinha, o Luiz certa vez teve um caso meio gozado com a Polícialocal. Mas isso já é uma outra história ...Depois, quando em fins de 1929 veio a terrível crise do café, que baqueou toda afazendeirada, os automóveis, como que por encanto, sumiram de Jambeiro. Só ficou o“cabeça-de-cavalo”, o rijo chevrolet do Sinhô Bernardo ... (“O Jambeirense” – 16/09/1987)(*) Manoel Carlos dos Reis – hábil funileiro – mais conhecido como “Neco” – em 14/02/1895casou-se, com 22 anos, casou-se com Benedicta Innocencia de Carvalho, com 27 anos (ouBenedicta Francisca da Carvalho, como consta na certidão de óbito dele, Manoel Carlos dos Reis,datada de 30/10/1951). Natural de Paraibuna, era filho de Rophino Carlos dos Reis e Luíza AlvesHonorato. Ela, Benedicta (conhecida por “Bidita”) era natural de Redenção da Serra, filha deManoel Dias de Carvalho e Claudina Maria de Jesus.O casal residiu muitos anos no começo da Rua Cel. Batista, ao lado da ponte sobre o RibeirãoJambeiro, não tendo deixado geração. “Neco” faleceu em Jambeiro, em 30/10/1951UMA VIAGEM HISTÓRICA - I -Um dos grandes entusiastas do automobilismo foi o ex-Presidente Washington LuísPereira de Sousa. Quando Presidente (título hoje mudado para Governador) do Estadode São Paulo, seu lema era “Governar é abrir estradas”. E criou o Plano RodoviárioEstadual, graças ao qual construiu estradas e incentivou o transporte rodoviário.Em 1923, percorria ele o Vale do Paraíba, em propaganda de sua candidatura àPresidência da República, para a qual, aliás, foi eleito e depois deposto pela revoluçãoantipaulista de 1930. Quando aqui se soube que tão eminente político deveria passar porJambeiro, o Prefeito, Major João do Amaral Gurgel, entre diversas providências, convidoue ajustou quantos quisessem colaborar no reparo da estradinha que ia do Tapanhão até oalto da serra. Apresentaram-se desde filhos de fazendeiros até os elementos mais oumenos desocupados da cidade. Com isso, o mutirão transformou-se numa verdadeirapândega. Basta dizer que um dos fiscais ou dirigentes de turma foi o nosso benquistobarbeiro, Pedro Braz que, com sua natural calma e delicadeza, dirigia os serviços. No diada visita, foi aquela festa : cidade limpa, povo bem vestido, satisfação geral, criançadacom bandeirinhas enchendo o Grupo Escolar que, por sinal, naquele tempo tinha o nomede “Escolas Reunidas”.Depois da solene recepção na Câmara Municipal (*), a primeira inspeção que o ilustrevisitante fez foi na Escola. Recebemos palavras elogiosas e incentivadoras, às quaisrespondemos com vivas e agitar de bandeirinhas. Depois, logo ali perto, foi uma visita àCadeia. Pasmo do visitante ! Tudo silencioso e limpo. Nenhum preso nas celas. Foi entãoque ele pronunciou uma frase que foi muito badalada pela imprensa :– Feliz a terra que tem sua Escola superlotada e a cadeia, vazia !Sorte nossa ! O único pinguço que havia pernoitado na cela, o “Rabo Curto” logo demadrugada tinha sido encaminhado lá para os confins das Coletas. Sem saber a razão dasua viagem, feliz, passou o resto do dia esvaziando alguns litros de cachaça. Dádivagenerosa do comércio local ...
  16. 16. (“O Jambeirense” – 26/10/1987)UMA VIAGEM HISTÓRICA - II -Antes, porém, da chegada do Presidente Washington Luís a Jambeiro, seu automóvel,não agüentando as asperezas do caminho, teve o motor fundido ali no bairro doTapanhão. Foi passando para um carro da comitiva que o Presidente do Estado chegou àcidade, onde foi recebido por aquele foguetório especialmente preparado pelo professorJúlio de Moraes.O veículo danificado foi socorrido por um caminhãozinho pertencente, em sociedade, aoZezinho Cunha (pai do Pe. Ernesto) e ao Zé Monteiro (avô do Zebra), o qual, a muitocusto, o transportou até Caçapava. Esse caminhão, que chegara novo a Jambeiro, tevede receber uma nova carroceria, mais leve, para poder enfrentar os caminhos domunicípio, principalmente aquela antiga e difícil (porém, saudosa) estrada da Serra.Essa estrada saía ali pela “Rua Nova” (hoje, Rua Cel. Antonio Bernardes de Almeida),logo passava pelo sítio do Nhô Emídio, contornava o “Bairrinho”, cortava o sítio dosTosettos e dos Barretos, e vadeava o córrego que vem da propriedade que hoje pertenceao Geraldo Boaventura, e chegava ao tope.Certa vez, ao passar muito pela beira do barranco onde a água caía, a montaria doestafeta Anselmo despencou lá para baixo com as malas do Correio. Felizmente, sóhouve susto ...Virada a serra, a estrada passava pela fazenda dos Costas (bisavós do Walther, Edith,Tito e Marina Cunha) – Fazenda da Glória – e descia íngreme, cheia de curvas, estreita epedregosa.Para quem vinha de Caçapava, um dos obstáculos mais temidos era o terrível “espinhode agulha”. Ali quase sempre os motores ferviam e os carros empacavam. Tinham,então, de ser ajudados a subir a muque, empurrados pelos viajantes.Outro lugar temido era já lá adiante de Piedade, onde a estrada atravessava um terrenoúmido – o brejo do Sales. Em tempo chuvoso era comum os carros atolarem até os eixos.Mas o “socorro” era logo levado por um sitiante morador ali na redondeza, o qual sempretinha de prontidão uma junta de bois ...Foi essa estrada que o ilustre Presidente e comitiva tiveram de enfrentar na sua históricaviagem. Talvez tenha sido por isso que, passado algum tempo, um dia o então PrefeitoMajor Gurgel foi chamado a São Paulo, donde voltou com a notícia da construção danossa atual rodovia.Até agora o ex-Presidente Dr. Washington Luís Pereira de Sousa e o ex-Governador Dr.Lucas Nogueira Garcez foram as autoridades máximas de nosso Estado que nos deram ahonra de visitar oficialmente nossa terra. Por isso, também, são os únicos nomes “de fora”que mereceram a homenagem de ter seus ilustres nomes em placas de nossas ruas. (“O Jambeirense” – 31/01/1988)FATOS E COISAS DO PASSADO - I -Sobre a palestra que fiz durante o I ERPRAC (1º Encontro Regional de Preservação dasRaízes Culturais do Vale do Paraíba), aqui realizado por iniciativa da Prefeitura Municipalnos dias 8, 9 e 10 de março passado, recebi várias solicitações ou sugestões para que apublicasse. Como jambeirense, tais pedidos me alegraram pelo interesse demonstradopor alguns que me ouviram, em conhecer mais fatos ligados à nossa cidade. Assim é queresolvi atendê-los, acrescentando mais casos sobre o assunto, o qual, apesar de longo, émuito interessante.
  17. 17. Sempre atrai e comove saber de acontecimentos referentes à terra natal ou a parentes eamigos que não existem mais. Vou tentar fazer isso. Desde já, porém, peço perdão seerrar ou se, involuntariamente, desagradar a alguns leitores, devido à minha naturalinaptidão. Para corrigir minha deficiência, aí estão muitos conterrâneos e amigos, quetambém conhecem coisas da história de Jambeiro, como a Profª Maria Olímpia Vieira, D.Leonor Gurgel Almeida e seu irmão, Olavo do Amaral Gurgel, que muito sabe sobreJambeiro; o Walther Costa Cunha, o David Gagliotti e o Benedicto Ernesto Alves deMoraes que, como diretor esforçado deste jornal, tem acumulado muitos subsídios para ahistória de nossa terra. E mais tantos outros cujos nomes não me vêm agora à lembrança.Conto com eles e desde já agradeço. ***Para falar sobre o passado de Jambeiro e de sua antiga gente, temos de valer-nos quaseque exclusivamente da tradição oral. Isso porque documentos antigos, principalmenteoficiais, a não ser os da Paróquia, existem muitos poucos. Temos, felizmente, umaexcelente ajuda que merece ser lembrada : foi o aparecimento d’O JAMBEIRENSE, em07/07/1904. É ele hoje o principal testemunho escrito dos muitos fatos que aquiaconteceram nos quase trinta anos de sua publicação, no começo deste século. E apropósito, é justo também louvar e ressaltar o desvelo e a previsão do cidadãoextraordinário que foi o Major João do Amaral Gurgel, o qual fez chegar até nós a únicacoleção quase completa das edições d’O JAMBEIRENSE, publicadas de 1904 a 1933 (daqual o atual diretor responsável extraiu cópias, completando a coleção com exemplaresde 1936, 1938, 1939, 1964, 1979 e de 1981 até hoje). (“O Jambeirense” – 25/05/1988)FATOS E COISAS DO PASSADO - II -Eu disse que afora os livros do “Tombo” da Paróquia, há poucos documentos escritosreferentes à história do Jambeiro antigo.Eles desapareceram. Isso, aliás, aconteceu em quase toda parte, naquele tempo em queo verbo “preservar” era mesmo desconhecido e a ignorância gerava o indiferentismo ou odescaso pelos repositórios da memória nacional.Entre nós podemos citar alguns motivos desses desaparecimentos. Por exemplo, umacausa natural, imprevisível : a primeira grande enchente que aqui se deu no dia 2 demarço de 1917. Chegando as águas a alcançar dois metros na praça, foram danificadosou destruídos muitos documentos federais, estaduais e municipais (sobre essa enchentefalarei oportunamente). Mais recentemente, por razão, de um lado bem lastimosa, comode outro até um tanto esquisita, houve aqui destruição de documentos.Foi o caso que se deu com um meu caro colega de mocidade, o Hito (Hipólito de MoraesFilho). Pessoa de valor, o Hito fazia lembrar seu pai, o Hipólito Modesto de Moraes, figuranotável pelos seus conhecimentos e muito ligada à história do passado jambeirense(considerado, com razão, o primeiro pesquisador de nossa terra).Pois o Hito era funcionário de uma repartição pública local, quando morreu tuberculoso.Então, alegando evitarem-se futuros contágios, resolveu-se incinerar todos os livros edemais papéis com os quais ele havia trabalhado (!).Fato lastimoso pelo caso de morte, porém estranho pela idéia “luminosa” e simplista quese teve, de queimar toda a papelada.Outro caso semelhante aconteceu que, a não ser por outra morte a lamentar, não causou,felizmente, nenhuma perda de documentos. Trata-se da sorte que tiveram os livros docartório do registro civil, cujo escrivão nesse tempo era meu saudoso tio materno EnochElias de Barros. Pessoa muito benquista e até hoje lembrado por todos os que oconheceram, meu tio Enoch também morreu tuberculoso. Imagine-se que caso sério, que
  18. 18. grande complicação teria acontecido, se tivesse havido outra “brilhante” idéia de sequeimarem os livros do cartório em que ele trabalhou ...Além dessas perdas de testemunhos do nosso passado, ainda há casos, até desonestos,de desaparecimento de documentos. Mas não vamos falar deles ...Como falei em mortes por tuberculose, é bom esclarecer que há umas décadas passadas,ser ou morrer tuberculoso era coisa corriqueira. A cura ou prevenção não era fácil comoagora, que até faz parecer que essa moléstia desapareceu.Nosso ótimo clima atraía gente de fora, que aqui vinha se tratar. Na região, acima deJambeiro nessa especialidade, só estavam Campos do Jordão e São José dos Campos.Certa vez, ao se aproximar desta última cidade, como era costume, o chefe do tremavisou :– São José dos Campos ! Então, um grupo de galhofeiros impiedosos completou :– Cidade de um cilindro só, fazendo menção à fraqueza pulmonar que havia entre muitosde seus moradores. Entretanto, hoje, nossa cara vizinha é esse verdadeiro colosso que aíestá e que se coloca entre as primeiras cidades do nosso Estado. (“O Jambeirense” – 22/06/1988)O FUNDADOR DE JAMBEIROCausou-me estranheza, bem como a muitos que tiveram a oportunidade de visitar oMUSEU DO TROPEIRO, no último mês de junho, verificar que, entre os muitos objetoscolocados à visitação pública, encontrava-se o retrato emoldurado do capitão JesuínoAntonio Batista, destacando-o como “fundador de Jambeiro”. Em que pesem as virtudesdo ilustre cidadão, que muito contribuiu com a nossa terra, há que se fazer justiça ao fatode que Jambeiro foi realmente fundado por um outro cidadão, cujo nome é lembrado emnossa praça principal : LUIZ BERNARDO DE ALMEIDA GIL.Reportando-nos à História, verificamos que, no começo do século XIX, os sertões doCapivari (hoje, Jambeiro) eram uma enorme fazenda de propriedade de Luiz Jacinto Gil eAna Gomes Vieira de Almeida, que servia de pousada e hospedagem às tropas eviajantes que demandavam Paraibuna ou o Litoral, e onde, com o tempo, foram surgindovárias casas de parentes, de agregados e de comércio. Um dos filhos dos proprietários,Luiz Bernardo de Almeida Gil, tendo herdado esse imóvel, resolveu dar a forma decidade ao conglomerado. Para tanto, fez vários melhoramentos como a alteração doscursos dos ribeirões que cortavam o terreno, demarcou ruas, fez pontes, nivelou a praçaque hoje leva o seu nome, tendo ainda doado lotes e fornecido material para asconstruções. Os atos litúrgicos, porém, continuavam a ser realizados na capela da sededa fazenda de Almeida Gil, situada no local onde hoje se encontra a EEPSG “Cel.Joaquim Franco de Almeida”. Era idéia do fundador construir uma igreja onde hoje sesitua o conjunto poliesportivo da A.A.Janbeirense. Foi quando, porém, surgiu um fato,através do Capitão Jesuíno Antonio Batista, amigo e correligionário de Almeida Gil, queveio resolver o problema do culto. Aqui chegando em 1848, o Capitão Jesuíno conseguiugrande prosperidade e prestígio, tendo adquirido, em 1865, de João Batista de Barros aárea que de terra que hoje constitui a parte alta da cidade. Homem profundamentereligioso, o Capitão Jesuíno, após ter ganho uma demanda e sentindo, também, a falta deuma igreja na povoação, doou o terreno para a construção, o que se efetivou com aelevação de um templo sob a invocação de Nossa Senhora das Dores, sendo, portanto,considerado o fundador da Paróquia, cabendo a Luiz Bernardo de Almeida Gil a honra defundador do município.Que não me levem a mal os organizadores do Museu do Tropeiro, mas os que meconhecem sabem como sou curioso escrevinhador dos acontecimentos da nossa terra, eas linhas acima foram motivadas unicamente no sentido de se restabelecer a verdade.
  19. 19. (“O Jambeirense” – 16/07/1988)“JAMBEIRISMO”Podemos chamar de “jambeirismo” esse sentimento de amor, carinho ou simpatia que agente sente por Jambeiro. E tanto faz que se tenha nascido e permanecido aqui, oucomo os conterrâneos que se foram, ou mesmo qualquer pessoa ligada à nossa cidade.Há muitas famílias que daqui partiram e que nunca mais tiveram qualquer com a terranatal. Em compensação, inúmeras outras continuam a manter seu “jambeirismo”.E muitas o fazem de uma maneira sensibilizante : assinam “O JAMBEIRENSE”, paraestarem a par do que aqui acontece, ou comparecem, com filhos e netos, às nossasgrandes festividades. Os mais idosos vêm felizes e ansiosos por rever sua velha terra.Visitam a igreja querida que marcou suas almas (batismo, primeira comunhão, casamento?) Oram ao SS. Sacramento e homenageiam a Imagem dolorosa da Senhora das Dores.Depois saem por aí, a olhar, com olhares de dezenas de anos passados, aqueles lugaresque tantas saudades e recordações lhes trazem. Se encontram antigos conhecidos, éaquela alegria que dá gosto ver !Os mais novos aprendem a conhecer e a amar a terra dos antepassados. Descem àCascata e rolam pelas pedras lisas. Sobem ao Morro do Cruzeiro e se extasiam comaquelas vistas maravilhosas. Vindos, quem sabe de cidades grandes, cheias de barulho epoluição, de artificialismo e sufoco, aqui descobrem que ainda há lugares, comoJambeiro, onde o ar é sempre puríssimo e o céu, muito azul.Cercada de verdes montanhas cheias de luz, a cidade é calma como um meio-dia de solsem vento. De excelente clima e de sanidade completa, onde nenhum miasma deletérioprolifera. De gente boa, risonha e acolhedora. Assim, esses “jambeirenses por herança”passam a curtir o mesmo jambeirismo de todos nós.Mas, nessas ocasiões em que Jambeiro se enfeita e se alegra, também há tristeza.É quando nos lembramos dos conterrâneos e amigos que para aqui nunca mais voltarão.E são muitos ! Recordo apenas alguns, como o Sílvio Zuim, o João Bellotti e filhos; váriosmembros da Família Braz; o Pe. José Maria da Silva Ramos. O Júlio Martins e seus filhos,Laércio e Bidianinha. O poeta Gurgel Júnior, José Anísio Cunha, Antonio Ozório deMoraes, o Dr. Déscio e seu pai, Jorge Pereira. O João Batista Tolosa. Os irmãos Sinésio,Zoro e José. Luiz Moraes, Manoelzinho Rocha, Euclides Rocha, o Didi do Ivo e outros etantos outros mais que nos deixaram tantas saudades !...E por falar em Didi Ivo, lembro-me de uma Festa da Padroeira, quando fui ao sítio de meuirmão Nenzinho (hoje em outras mãos).Ao passar pela chácara do seu Guilherme, topei com uma família divertindo-se ali próximodo ribeirão. Pela placa do carro, percebi que era gente do Rio de Janeiro. Averiguando,percebi que se tratava do nosso saudoso poeta Diomedes Santos, que ali estava com suafamília, matando saudades ... Justamente no lugar que pertencera ao seu pai, BenedictoAlbino. Viera de longe rever a terra do seu nascimento e do seu coração ! E era verdade,pois num dos seus livros de poesia – “No azul da imaginação” – ele assim se expressou :“Tenho sempre na minha imaginação a casa da minha infância, com andorinhas no beiral,flores por todos os lados, o pomar cheio de frutos, as árvores ornadas de passarinhos, otanque cheio de peixes.”O poeta Diomedes, que foi cunhado do Didi Ivo, tem uma rua com seu nome em SãoJosé dos Campos. O que também muito nos honra. Tudo isso faz parte do nosso“jambeirismo” ... (”O Jambeirense” – 18/08/1988)
  20. 20. FESTAS JAMBEIRENSESAs antigas festas de Jambeiro não eram como as de agora, que atraem esse povãoincalculável nos festejos da Padroeira, na Coroação da Imagem de Nossa SenhoraAparecida ou no Dia do Tropeiro. Pois não era muito fácil vir gente de fora, mesmo deCaçapava ou Paraibuna. As viagens eram sempre custosas e demoradas. Hoje, aocontrário, é isso que estamos vendo todos os anos. A facilidade com que centenas deônibus e automóveis trazem milhares de visitantes dos mais distantes lugares.Por isso, as festividades antigas eram como que mais íntimas, mais familiares. Mas genteera o que nunca faltava. Pois se hoje nós contamos cerca de três mil habitantes, há cemanos o município tinha mais de dez mil.A principal festa daqueles tempos longínquos, entretanto, era a do Divino Espírito Santo.Uma semana antes do grande dia, a “casa da festa” já passava a sustentar dezenas de“ajudantes” ou forasteiros avulsos. É que fartura não faltava. Fazendeiros e sitiantes,nadando na bonança que o café propiciava, contribuíam generosamente. Cereais, reses,porcos, aves e que mais, eram de sobrar. E ainda as gordas contribuições financeiras, osleilões, rifas, barato da jogatina etc. , rendiam tanto dinheiro que, depois de cobrir todosos gastos e demais despesas, ainda sobrava dinheiro ... Tanto assim que, quandoalguma pessoa de bem da cidade se via em dificuldades financeiras, seus amigoslevavam-na para festeiro e ... sua situação se normalizava ...O dia da festa era deveras divertido. Ao amanhecer, uma furiosa banda acompanhada defoguetório passava por toda a cidade. Ao meio-dia, enquanto a gente “fina” sebanqueteava na “Casa Grande”, na praça se realizava o “império”.Armava-se um bem ornamentado palanque no qual se postavam os festeiros – imperadore imperatriz, coroados e ricamente trajados a caráter. Ele, sustendo a bandeira do Divinoe, ao redor, toda a corte ... À frente do palanque, fileiras de mesas postas para o grandefestim popular. Mais tarde, encerrando a parte religiosa, aparatosa procissão com abandeira do Divino à frente, andores e estandartes, percorria as ruas da cidade. À noite,após o apreciado acendimento da fogueira, que era erguida no barranco (onde, depois dearrasado, hoje está o bangalô), inflamada por um buscapé que, por um arame, ia docoreto até ela, começavam as diversões ditas profanas.Os diversos grupos se formavam pela praça. Aqui, um animado samba de roda. Ali, umcadenciado moçambique. Acolá, um arrasta-pé de levantar poeira. Noutro lugar, obatuque ou jongo dos negros. Escravos ou alforriados, grupos crioulos ou faceirasraparigas de sorrisos de leite, gingavam ou se requebravam ao som surdo, soturno e cavodos atabaques, urucungos e puítas (cuícas), entoando sofridas canções dolentes. Lá pordentro do Mercado, a jogatina : bancas de bolas, búzio, dados, jaburu, truco etc..A festança acabava alta madrugada, com o baile chique na “Casa Grande” ou o arrasta-pé apertado, ao som de violas e sanfonas nos salõezinhos improvisados ...Numa simples crônica assim, tão rápida e sintética como esta, não é possível contar todaa beleza e encanto das nossas antigas festas. Por exemplo : como não teria sido fora desérie a festa de Francisco Jordão Moreira da Costa, avô materno da nossa cara amiga,professora Maria Olímpia Vieira ! Foi esse festeiro quem, após dar um banquete a cadauma das várias classes sociais, acabou oferecendo um banquete, de verdade, aos cãesde todas as raças existentes na cidade ! E, como se conta, tal banquete terminou numagrande “cachorrada” ...Noutra festa, a de Diogo de Tolosa Almeida (filho do primeiro casamento de JoaquimBernardes de Almeida Gil com Dioga de Tolosa Guedes), houve o que se chamou o“encontro dos perus”.Como o festeiro havia recebido uns sessenta perus como prendas, eles foramacomodados na chácara de seu pai (que hoje pertence ao Guilherme Vilela de Oliveira).
  21. 21. Quando os perus foram trazidos para a matança, a banda de música e muita gente foramencontrar-se com eles ali onde hoje começa a Rua Prefeito Jorge Pereira e ainda estãoas mesmas tradicionais duas paineiras (*). Improvisou-se um desfile : à frente iam osinocentes perus, grugrulejando alegremente, ignorando o próximo sacrifício. Em seguida,a banda. E atrás e nos lados, uma multidão de acompanhantes, curiosos e divertindo-secom a festiva peruada.Mais recentemente (faz “só” uns setenta anos ...), lembro-me da grande festa do SinhôBernardo (Joaquim Franco de Almeida). Isso, porque, entre os vários entretenimentos,havia em cada canto da praça um tonel de legítimo vinho português, distribuídograciosamente. E como eu tive o desejo de experimentar uns golinhos, acabei sendolevado para dormir mais cedo, com o que perdi o resto das festividades ...Como se vê, “tudo muda, tudo passa, neste mundo de ilusão : vai para o céu a fumaça,fica na terra o carvão” ...(*) Sobre essas paineiras o conterrâneo José Bellotti dos Santos (Nê) escreveu uma belacrônica, publicada em nossa edição de 30/08/1989. Infelizmente uma dessas paineiras centenáriasfoi abatida em janeiro de 1991. O fato foi lamentado na coluna “Comentários da Cidade” d’”OJambeirense” de 30/01/1991, bem como na tocante crônica de autoria do jambeirense OrlandoGurgel Almeida, publicada em 26/02/1991 pelo mesmo jornal. (“O Jambeirense” – 17/09/1988)FAMÍLIAS TRADICIONAISAo escrevermos sobre as famílias jambeirenses, as mais antigas, tradicionais, com maisde cem anos de jambeirismo, ainda que resumamos, o assunto é longo e vai tomar muitotempo e espaço n’”O JAMBEIRENSE”.Mesmo sintetizando, todavia, procuraremos lembrar-nos de todas e revelar às novasgerações alguns fatos interessantes ligados aos seus antepassados. Como sempre,pedimos desculpas pelos possíveis enganos.Como se sabe, a primeira família que veio povoar o sertão do Rio Capivari foram osGomes Vieira, descendentes do taubateano José Gomes Vieira (*).Há quase duzentos anos, o governo real daquele tempo empreitou a José Gomes Vieira(*) a incumbência de restaurar o verdadeiro picadão que era a estrada de Taubaté aUbatuba. A empreitada foi acertada em um conto e quinhentos, isto é, um milhão equinhentos mil réis, quantia considerável naquela época. Terminado o serviço, como seucusto não pôde ser pago em dinheiro, o empreiteiro recebeu por pagamento umasesmaria que abrangia toda a bacia do Rio Capivari, ou seja, quase todas as terrasquehoje formam o município de Jambeiro. Essas terras foram divididas em muitas glebas,vendidas a gentes de Taubaté ou até doadas a parentes de Gomes Vieira (*). Assim éque a fazenda chamada do “Monteiro”, que depois pertenceu ao Coronel João Franco deCamargo (e hoje é dos Quinzote) foi do parente Antonio Monteiro Gomes. Também afazenda do Capivari, onde hoje se situa a cidade de Jambeiro, foi de outro parente : AnnaLuíza Gomes Vieira de Almeida Gil, esposa de Luiz Jacinto Gil. Todos, gente deTaubaté. Com a abertura das fazendas de café e o surgimento do povoado, vieram novasfamílias habitar no bairro do Capivari. Assim, além dos Vieira e Almeida Gil, vieramtambém Franco, Tolosa, Guedes, Moura, Gurgel, Costa, Rebello, Sennes, Nogueira,Silva, Ramos, Moraes, Barros, Carvalho, Pereira, Cunha, Lima, Pires, Rocha, Ivo, Braz,Leandro, Durão, Dias, Santos e outras. Depois, nos fins do século passado (**),chegaram os “estrangeiros”.Com seus jeitos e costumes diferentes, despertaram muita curiosidade na populaçãolocal. Mas logo se adaptaram ao meio e se tornaram muito queridos. Escrevo seus
  22. 22. nomes simplificados. Foram eles : Hilário, Beloti, Vanzela, Zuim, Batalha, Toseto, Zenati,Brancati, Locateli, Zandonadi, Angelim, Ferreti e outros. E chegaram também osalemães, como Germano, Gopfert, Becker. E até sírios, como Jorge José. E ainda, coma abolição, muitos ex-escravos constituíram famílias regulares, muito consideradas, comoBraz, Ferreira, Martins, Santos e outras. Da maioria dessas famílias jambeirenses, seusdescendentes daqui desapareceram. Outras, contudo, aqui permanecem, como se podever pelos seus nomes sempre publicados no “Registro Social” d’”O JAMBEIRENSE”.Todas honram a terrinha de todos nós e suas já longas genealogias nos levam aosalbores do nascimento de Jambeiro.Continuaremos. (“O Jambeirense” – 30/11/1988)(*) O nome correto é José Vieira da Silva (de Taubaté) – filho de Francisco Vieira da Silva(também de Taubaté) e de Anna Maria de Siqueira (de Cotia) e neto, pelo lado paterno, deFrancisco Vieira da Cunha (da Ilha Terceyra – Açores – Portugal) e de Maria da Conceição (deTaubaté), sendo desconhecidos os avós maternos – que se casou na matriz de Taubaté, em20/06/1789, com Bernardina Edibia de Andrade – filha do Sargento-Mor Cypriano Gomes Veiga(de Monção – termo de Viana – Bispado do Porto – Portugal) e de Maria Magdalena Vieira (deTaubaté), neta paterna de Manuel Vaz Veiga e Ventura Domingues (naturais da dita Vila daMonção) e neta materna de Manuel Vieira de Amores e Ignacia Ferreira de Loyola (ambos deTaubaté).(**) século XIX.OS ALMEIDASComo se sabe, uma das mais antigas famílias que veio abrir fazenda de café nos sertõesdo Rio Capivari foi a do casal taubateano Luiz Jacinto Gil (1)e Ana Luíza G. Vieira de Almeida. Esse casal formou a fazenda do Capivari, que setransformou no povoado do mesmo nome, o qual veio depois a ser a cidade de Jambeiro.Tiveram cinco (**) filhos, todos nascidos aqui, a saber : Joaquim Bernardo, Luiz Bernardo,Maria José, Maria Caetana e Felizarda (2). Todos com o sobrenome de Almeida Gil.O mais velho, Joaquim Bernardo de Almeida Gil (3), nascido em 1830, casou-seprimeira vez com Dioga de Tolosa Guedes, cunhada de seu irmão Luiz Bernardo.Tiveram o filho Diogo de Tolosa Almeida, que se casou com Maria Guimarães de Almeida(Maria da Palma) e, por sua vez, tiveram os filhos João Baptista de Tolosa e Joaquim.João Tolosa foi muito nosso conhecido, pois aqui vinha freqüentemente assistir à Festada Padroeira. Casou-se com sua prima segunda, Floripes Sennes, com geração.Segunda vez Joaquim casou-se com Ana Cândida Franco de Camargo (tia de nossaconterrânea Zélia Franco Bastos). E tiveram os filhos : Joaquim (1866), Antonio (1869),Delfino (1871), Malvina (1873), Leopoldo (1875), Octaviano (1877), Maria Francisca(1880), José Luiz (1882), Elvira (1884), Benedicta (Didita) (1886), Amélia (1888) eAlvarino (1894). Trataremos somente dos que mantiveram ligações com Jambeiro (osdemais viveram em Caçapava).Joaquim Franco de Almeida, o “Sinhô Bernardo”, como era conhecido, foi chefe político,pessoa de valor, muito estimado e respeitado. Numa justa homenagem deram o seunome à nossa EESPG. Casou-se com Olívia Vieira e tiveram os filhos : Odilon Vieira deAlmeida, que se casou com sua prima segunda Maria Angélica Sennes; Alice, casadacom Fernando Pantaleão (Dandico); Maria Gertrudes (Nina), casada com Dario Dias deMoura; João Batista de Almeida, casada com Maria Eugênia Cunha; Sílvia; Anna Luíza,casada com Vicente Cioffi; José Geraldo de Almeida, casado com Anália Mariano;
  23. 23. Eduardo Vieira de Almeida (Edu), há pouco falecido, casado com Enid Cunha; eHermínia, casada com Cícero Haddad.Antonio Bernardes de Almeida também foi grande e dedicado chefe político, cidadãoemérito que tem seu nome imortalizado numa rua da cidade (Rua Nova). Construiu napraça a casa onde hoje funciona a Caixa Econômica (4). Foi casado com Presciliana deAlmeida e tiveram os filhos : Maria do Carmo (Sinhá), casada com João Franco deCamargo Júnior (Dodão); Joaquim Fernandes de Almeida (Joaca), casado com MaricotaVieira, irmã da nossa Maria Olímpia Vieira; Antonio Cândido Bernardes de Almeida,casado com Satira Abreu; Caetana, casada com Antonio Pinto da Cunha; Octavio;Conceição (Tãozinha), casada com Elias Toledo; e os irmãos solteiros Milton e SoteroBernardes de Almeida.Leopoldo Franco de Almeida foi casado com Maria José de Araújo. Filhos :Leopoldinho, casado com Izabel de Sá; Octavio Enéas, casado com Leonor Gurgel;Joaquim (Quincas), Urbano e Dalila (Lili), solteiros; Sinésio, casado com Maria AlaídeCunha; Maria José, casada com Geraldo Boaventura do Nascimento; Brizabel (Nina),casada com Ademar Leite Vilhena; Zoroastro (Zoro), casado com Ana Maria Nascimento(Tita); José, casado com Alaíde Guanieri; Rosa, casada com Antonio Scarlato; e Lúcia,casada com José Pereira de Oliveira.Benedicta Franco de Camargo (Didita), que foi casada com meu tio materno EnochElias de Barros.Alvarino Franco de Camargo, casado com Avelina Nascimento, minha prima materna.Tiveram os filhos : José (Zito), casado com Jandyra Zenatti; Gaspar, casado com DionéaRonconi; e Aloísio, casado com Ivone Germini. O Zito e o Gaspar faleceram em março p.passado, com a diferença de dois dias entre uma e outra morte.De todos esses Almeidas, seus filhos e netos estão por aí, honestos e capazes,honrando seus dignos antepassados ! (“O Jambeirense” – 30/12/1988)(1) Luiz Jacinto Gil, na verdade, era é natural “da Sé de Sam Paulo”, como se vê no registro deseu casamento, realizado em 03/01/1825, na matriz de Taubaté, com Anna Gomes de Almeida –filha do Tenente Jozé Vieira da Silva e Bernardina Edibia de Andrade.(2) Além dos cinco, houve mais uma filha, de nome Bernardina.(3) Joaquim também se assinava Joaquim Gomes de Almeida.FAMÍLIAS JAMBEIRENSES - I -Os sobrenomes dos atuais ALMEIDA ou GIL, até a segunda geração, isto é, até os doisfilhos do casal Luiz Jacinto Gil – Ana Luiza Gomes Vieira de Almeida, tanto JoaquimBernardo como Luiz Bernardo, assinavam Almeida Gil. Depois, como vimos nonúmero passado, os descendentes de Joaquim Bernardo de Almeida Gil passaram aassinar Franco de Almeida ou Bernardes de Almeida ou ainda Vieira de Almeida. Já osdescendentes de Luiz Bernardo de Almeida Gil continuaram a assinar Almeida Gil ouBernardes Gil. É destes que trataremos hoje.Luiz Bernardo de Almeida Gil casou-se com Ana Luíza de Tolosa Guedes e tiveramcinco filhos : 1) Luiz; 2) Orôncio; 3) Damaso; 4) José; e 5) Maria do Carmo. Todos com osobrenome de Almeida Gil.1) Luiz Bernardes de Almeida Gil casou-se com Maria das Dores Pereira de Barros etiveram onze filhos : Luiz Bernardes de Almeida Gil Filho, casado com Terezinha Ramosde Barros; Benedicto Bernardes Gil (Nenzinho), casado com Etelvina Dias de Moura; JoséBernardes Gil, casado com Elza Franco de Camargo; Paulino Bernardes Gil, casado com
  24. 24. Semíramis Marques Gil; Tito, casado com Maria Jurema de Siqueira; Ana LuízaBernardes Gil, casada com Luiz de Castro Leite; Florentina Bernardes Gil, casado comDomingos de Oliveira; Flora Bernardes Gil, casada com Orôncio Rebello (primos); JoãoBernardes de Almeida Gil, casado com Olga Ribas de Andrade; Sileno Bernardes Gil,casado com Maria Rocha; e Armindo Bernardes Gil, casado com Irene de Paula.2) Orôncio Bernardes de Almeida Gil (um dos três fundadores d’”O JAMBEIRENSE”)faleceu solteiro, assassinado quando era Delegado de Polícia em Ribeirão Bonito-SP. Foio primeiro jambeirense que se formou em Direito.3) Damaso Bernardes de Almeida Gil retirou-se de Jambeiro.4) José Fernandes de Almeida Gil retirou-se de Jambeiro.5) Maria do Carmo de Almeida Gil foi casada com seu primo Carlos Augusto Rebello.Tiveram os filhos : Edward Rebello, casado com Maria Emília Gama; Carlos AugustoRebello Júnior (Dr. Carlinhos), casado com sua prima Gizelda Brancatti Rebello; AnaLuíza (Nenê), falecida solteira; e Orôncio Geraldo Rebello, casado com sua prima FloraBernardes Gil. Observação : por alguma regra de Gramática Histórica, surgiu na família osobrenome “Bernardes” em que se transformou o antigo Bernardo. Bernardes significa“filho de Bernardo”. Há na língua exemplos semelhantes, como Marco que setransformou em Marques; Álvaro em Álvares; Rodrigo em Rodrigues; Gonçalo emGonçalves etc. De qualquer forma, o nosso Bernardes é um sobrenome um tantoespúrio, mas muito adotado pelos Gil. (“O Jambeirense” – 30/01/1989)FAMÍLIAS JAMBEIRENSES - II -O “JAMBEIRISMO” DOS ALMEIDA GILAntes de tratarmos de outras famílias jambeirenses, ainda queremos lembrar o“jambeirismo”, isto é, o tempo que a Família Almeida Gil tem tido de ligação comJambeiro. Assim é que a nossa prezada conterrânea, profª Ana Angélica AlmeidaGuimarães, distinta Diretora da nossa Escola, colaborando conosco, dirá :– Se imaginarmos que meu tetravô Luiz Jacinto Gil (marido de Ana Luíza Gomes Vieirade Almeida, primeiro casal que nesta região se fixou no início do século passado (*), fossevivo, teria hoje uns 170 anos de “jambeirismo”. Do mesmo modo, se meu trisavôJoaaaquim Bernardo de Almeida Gil, nascido em 1830, vivesse, teria 159 anos. E meubisavô, Joaquim Franco de Almeida (Sinhô Bernardo), nascido em 1866, teria 123 anos.E ainda meu avô, Odilon Vieira de Almeida, de 1897, teria 92 anos. E meu pai, JoséBenedito de Almeida, de 1923, tem 66 anos. E ainda meu irmão mais velho, o JoséOdilon Almeida, de 1949, tem 39 anos, às vésperas dos 40. E por fim, sua filha maisvelha, a sobrinha Gisele Hilário Almeida, já tem 14 anos de “jambeirismo” !Seguindo o mesmo raciocínio, eu também poderia dizer :– Se meu bisavô, Luiz Jacinto Gil, fosse vivo, teria uns 170 anos de “jambeirismo”. Meuavô, Luiz Bernardo de Almeida Gil, de 1837, teria 152 anos. E meu pai, de 1875, teria114 anos. E meu irmão mais velho, Luiz Bernardes de Almeida Gil, de 1904, já teria 85anos. E como seu filho mais velho não vai deixar geração, substituo-o pelo meu filhomais velho, José Bernardes de Almeida Gil, de 1942, já com 47 anos. E, por fim, sua filhaJoana Melo de Almeida Gil, já conta com 6 anos de “jambeirismo”.Não estamos fazendo nenhuma propaganda ou exaltação de nossa família. O quedesejamos é afirmar que nos orgulhamos de ser jambeirenses há tanto tempo. E, porisso, a obrigação que temos de amar, servir e enobrecer esta terra. Que há tanto tempo énossa terra ! (“O Jambeirense” – 27/02/1989)
  25. 25. (*) século XIXFAMÍLIAS JAMBEIRENSES - III –AS BERNARDES GILComo já dissemos, além dos filhos Joaquim Bernardo de Almeida Gil e Luiz Bernardo deAlmeida Gil, o casal Luiz Jacinto Gil - Anna Luíza Gomes Vieira de Almeida teve tambémquatro filhas :1. MARIA JOSÉ DE ALMEIDA GIL, que se casou, em 24/06/1865, com FranciscoJoaquim Rebello (ou Francisco Tomaz Rebello, filho dos portugueses Francisco JoséRebello e Roza Thereza da Silva), formando o tronco dos Rebellos jambeirenses. Foramseus filhos :Brazília, casada em 06/11/1884 com Antonio Nogueira dos Santos, o Antonio Boticário,filho de Francisco Nogueira dos Santos e Mariana Rosa Nogueira, e que foi proprietáriode uma das primeiras farmácias de Jambeiro. Foram seus filhos : Benedicto, Aristides(poeta de cuja lavra “O JAMBEIRENSE” transcreveu o afetuoso poema “Respondendo...”, na edição de 20/03/1985), Antonio, Mariana, Adelaide, Benedicto (o Nogueira, exímioviolonista, autor da toada sertaneja “Saudades do Jambeiro”, Leonel, Antonio e MariaPiedade, que foi esposa do nosso caro colaborador, Paulo Lopes de Carvalho;José Rodolpho (* 05/10/1873), que foi Vereador e Vice-Prefeito e chegou a ser Prefeitoem 1918, era casado com Idalina Silvério dos Santos, deixando os filhos Maria Benedicta(Sinhá Rebello), Petronila (Nila), que vivem hoje em Guaratinguetá; José (Juca) e Carlos;Francisco Tomaz Rebello Filho (o Chico Velho), casado com Maria Pereira de Barros(Maria Velha). Foram os pais de Maria Francisca (Morena), que se casou com João Pintoda Cunha;Felisbella (Sinhá Sennes), que se casou, em 20/04/1895, com Benedicto NogueiraSenne. Foram seus filhos : Benedicto (Professor Seninho), Floripes, casada com JoãoBaptista Tolosa; Maria Angélica, casada com Odilon Vieira de Almeida; Francisco (casadocom Branca de Souza Pereira, filha do saudoso Mariano da “Light”); e Judith, casada como Desembargador José David Filho;Carlos Augusto, nascido em 06/08/1880 e que se casou com Maria do Carmo deAlmeida, de quem já falamos anteriormente; Luiz (Nhô), casado com Maria PiedadeBaeta. Filhos : Leonor, Luiz, Ilda, Evaldo e Celso;Júlia, casada com Inocêncio de Paula Pereira (que foram padrinhos de batismo deBenedicto Bernardes Gil (Nenzinho). Tiveram os filhos : Eliodora, Benedicto, Noé, Loth,Amada e Maria José;Gustavo, que, aos 28 anos, se casou em 18/02/1911 com Bertília Brancatti, com 15 anos,filha de Francisco Brancatti e Inocência Rosa de Mello. Filhos : Maria Aparecida,Albertina (nossa querida Berta, casada com Rafael Martinez Balaguer, aqui residente);Gizelda (viúva do caritativo Dr. Carlos Rebello Júnior – Dr. Carlinhos – que tem seu nomegravado numa avenida em Guaratinguetá e numa rua de nossa cidade); Francisco, Luiz,Benedicto e Maria José; eMaria (batizada em 10/04/1892.2. MARIA CAETANA DE ALMEIDA GIL, mãe de Presciliana Bernardes de Almeida.Esta foi casada com o Cel. Antonio Bernardes de Almeida, grande chefe políticojambeirense. MARIA CAETANA foi a primeira esposa do Major João do Amaral Gurgel,com o qual teve os filhos Benedicto Gurgel do Amaral (Nenê Gurgel), que foi casado comBrazília Gomes Vieira, e Adelaide, falecida em tenra idade. Tendo enviuvado, o MajorJoão do Amaral Gurgel contraiu novas núpcias com a paraibunense Zoraide Rosalina
  26. 26. Pires, em 23/04/1895, com a qual teve os seguintes filhos : João Gurgel Júnior, o poeta,uma das grandes glórias de Jambeiro, que foi casado com Guiomar Guieiro Gurgel;Leonor, viúva do ex-Prefeito Octavio Enéas de Almeida, e hoje morando novamente entrenós; Adelaide Maria da Conceição, José (Juca Gurgel) e, ainda bem vivos e fortesresidindo entre nós, a Clarice e o Olavo.3. ANA FELIZARDA DE ALMEIDA GIL, casada com Fernando de Carvalho e pais deBento e Amélia, com geração em Caçapava.4. BERNARDINA, de quem não temos outras notícias além do registro que nos legou o”O FOLGAZÃO” (órgão crítico, humorístico e literário local, na edição de 1º/02/1908, naseção “Primeiras coisas de Jambeiro”, de autoria do primeiro pesquisador da história denossa terra, o Major Hypolito Modesto de Moraes) : “Doceiras – foram as primeiras nestemunicípio Dª Anna Gomes Vieira de Almeida Gil e suas filhas Dª Bernardina (grifamos),Dª Maria Caetana, Dª Anna Felizarda e Dª Maria José Rebello. O preto Damião – o fiel dacasa – era quem ia fazer as vendas desses doces em Taubaté, Paraibuna e Caçapava,levando, cada vez que viajava, quatro e, às vezes, seis burros carregados com esse ramode indústria.” (“O Jambeirense” – 20/03/1989)OS ITALIANOS EM JAMBEIROEm fins do século passado, como aconteceu em outras cidades paulistas, também paraJambeiro veio um grupo de imigrantes italianos.Sua chegada aqui foi um acontecimento. Aquela gente estranha, bem clara, de falar altoe gesticulado, roupas quentes e coloridas, encheu de curiosidade a população. Católicospraticantes em sua maioria, logo os estrangeiros obtiveram boa acolhida, a simpatia eamizade da população. Algumas famílias foram trabalhar nas fazendas. Outrasadquiriram pequenas propriedades ou passaram a exercer atividades de seus ofícios.Assim, em pouco tempo se adaptaram à nova pátria e se entrosaram com seusmoradores. De início, houve algum desentendimento de somenos importância.Principalmente quando algum daqueles robustos moços de olhos azuis se engraçava comalguma garota da terra. E daí vinha o despique do namorado que havia perdido a sua“ela” :“Carcamano pés de chumbo,calcanhar de frigideira :a birra desse italianoé namorar com brasileira ...”Mas tudo acabava bem, quando não acabava logo em casamento ...Muitas dessas famílias que aqui chegaram, mudaram-se depois para outras cidades.Atualmente, mais ligados a Jambeiro restam os Hilário, Bellotti, Zuim, Vanzella, Pazzini,Batalha, Tozetto, Zenatti e outros.Os Hilário são os descendentes de uma dessas famílias que mais se enraizaram emnossa terra. E pelo que se nota dos nomes de aniversariantes publicados mensalmentena seção social d’”O JAMBEIRENSE”, parece ser hoje a maior família jambeirense,sobrepujando talvez até mesmo os Almeida ou os Gil.Foi seu patriarca o saudoso Hilário Fermino. Pelo seu gênio especial e simpatia, oHilário foi um dos “jambeirenses” mais notáveis do seu tempo. Muito popular (seucachimbo era afamado ...), gostava às vezes de bater um papo alegre com a rapaziadaque éramos naquele tempo. E quando algum de nós dizia uma bobagem que ocontrariava, ele olhava para o tal, sacudia a cabeça e só dizia : – Caipira atrasado !Naquele tempo, o Hilário era o proprietário da chácara onde hoje seus descendentesabriram o JARDIM CENTENÁRIO.
  27. 27. Esta chácara fez parte da fazenda do fundador de Jambeiro. Era a “horta” de Nhô LuizBernardo. Nesse lugar ele plantou um variado pomar do qual fizeram parte aquelasjabuticabeiras que até há pouco tempo ali existiram.Certa vez, Nhô Luiz ganhou de um fazendeiro de Congonhas do Campo, em Minas, duasestátuas representando leões, esculpidos em pedra-sabão. Essas estátuas foramcolocadas ornamentando o portão da chácara.Certa ocasião uns antiquários passaram por Jambeiro e adquiriram quantos objetos dearte encontraram, como imagens, quadros, ornatos etc.. E como não podia deixar deacontecer, compraram do Hilário também os dois leões, pagando por eles a importânciade quinhentos mil réis, quantia bem elevada naquele tempo. E quando depois secomentou que aquelas estátuas poderiam ter sido obras do célebre escultor Aleijadinho, eportanto teriam alto valor artístico, o Hilário, sistemático como era, só disse :– Ecco ! Os leões eram meus. Achei bom o negócio e vendi. Quem estiver achandoruim, que vá se queixar pro diabo que o carregue !... (“O Jambeirense” – 27/06/1989)OS HILÁRIOS - I -O casal Hilário Fermino (*) – Carolina Locatelli deixou grande descendência emJambeiro. Pelo sobrenome – Hilário – parece ser esta atualmente a maior famíliajambeirense.Os homens são gente robusta e amante do trabalho. As mulheres são, na sua maioria,essas lindas louras de olhos azuis que ornamentam a nossa sociedade.Foram filhos desse querido casal de italianos, todos aqui nascidos : Maria, RosaBenedicta, Ferdinando, Artibanno, Pascoína, Fioravanti, Ricieri e José.1) Maria, nascida em 03/02/1894, casou-se em 16/04/1916 com Luiz Vicente Codello, emcerimônia presidida pelo vigário da Paróquia, Pe. Victorino Ferreira, sacerdote português,tendo como testemunhas Benedicto Pinto da Cunha, o saudoso tio Cunha, e JoãoScarpel. Luiz tinha 25 anos, era natural de San Pietro di Barbosa, município de Treviso,na Itália, filho de João Codello e Esperança Onardi. Desse casamento nasceram os filhos: Clélia, João, Geraldo (falecidos), Fidelfranco, Artibanno – que foi integrante da gloriosaForça Expedicionária Brasileira – FEB – tem seu nome gravado no obelisco da PraçaBenedicto Ivo, de nossa cidade; Nadir, casada com Antonio Temperini, José (falecido) eOctavio, casado com Maria Teresa Pereira Codellos.2) Rosa Benedicta nasceu em 09/05/1896. Casou-se com João Bellotti dos Santos, filhode João Bellotti e Maria Francisca dos Santos. Tiveram os filhos : José (Nê), casado comLaura Norma Giacomini Bellotti; Israel (falecido), Rosa, viúva de Roberto Gerloff; e Elviro,casado com Edith Aparecida Moreira Bellotti.3) Ferdinando (que muitos conheciam como Fernando), nascido em 24/07/1898, casou-se com Luzia Zandonadi (nossa querida D. Lúcia, aqui residente), filha de ÂngeloZandonadi e Luzia Falchetti, em 14/11/1931, em cerimônia realizada em nossa matriz,presidida pelo vigário da Paróquia, Pe. Victor Ribeiro Mazzei, sendo testemunhasFrancisco Fernandes das Chagas (o popular Chiquinho Sacristão) e Luiz Zandonadi.Desse enlace nasceram os filhos : José (Zeinho), casado com Jandyra Souza Hilário;Geraldo (Ado), casado com Ilda Martins Hilário; Luíza, casada com Agostinho Monteiro deCamargo; Irene; Luiz (falecido); Lúcio, casado com Margareth Santos Hilário; Angelina(Lina); Nair, casada com João Batista Moura Cassiano; e Gilberto, casado com CleusaSantos Hilário.4) Artibanno nasceu em 14/01/1904 e faleceu em tenra idade;5) Pascoína (Páscoa), nascida em 06/01/1905, casou-se com José Codello, natural deCaçapava, filho de João Codello e Esperança Onardi, no dia 23/06/1927, na presença do

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