Comrades 2012

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Um depoimento detalhado sobre a ultramaratona Comrades, como foi o dia a dia na África do Sul, incluindo a prova.

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Comrades 2012

  1. 1. Antes de imprimir, pense no meio ambiente! Direitos reservados © 2000-2012 Assessoria Esportiva Filhos do Vento LTDA Junho de 2012. Comrades Marathon: a máxima obstinação de um maratonista . www.equipefdv.com.br equipefdv@equipefdv.com.br tel: 3176-2096 (horário comercial) A Figura ao lado é o símbolo da prova Comrades, tendo em seu centro o desenho de Hermes, o mensageiro dos Deuses gregos e patrono das estradas. Por ser uma prova tradicional, este símbolo se manteve inalterado desde sua criação, em Prof. Ricardo Sartorato (CREF: 012828 G/RJ) 1921. ricardo@equipefdv.com.br Introdução Comrades é a maior e mais antiga ultramaratona do mundo. O termo ultramaratona se refere a qualquer distância maior que maratona, ou 42,2 km, mas, no caso desta prova, são aproximadamente 90 km. Esta distância é percorrida entre duas cidades da África do Sul, Pietermaritzburg e Durban, sendo a primeira situada a 650m de altitude e a segunda ao nível do mar. A cada ano a direção da prova se alterna entre a subida a Pietermaritzburg ou a descida rumo a Durban. Além disso, sua distância altera ligeiramente de 87 km, nos anos de subida, a 89 km nos anos de descida. A – Pietermaritzburg, cidade na serra e B – Durban, ao nível do mar. 1
  2. 2. Antes de imprimir, pense no meio ambiente! Direitos reservados © 2000-2012 Assessoria Esportiva Filhos do Vento LTDA Origem Comrades é uma palavra de origem francesa, camarade, que significa aliado ou camaradas. Seu uso remete à Revolução Francesa, que aboliu o uso dos pronomes dewww.equipefdv.com.br tratamento Monsieur e Madame, passando a utilizar apenas citoyen, para homens, eequipefdv@equipefdv.com.brtel: 3176-2096 (horário comercial) citoyenne, para mulheres. Ambos significavam apenas cidadãos, tornando-se a inspiração quando o movimento socialista ganhou força na Alemanha em 1875, escolhendo a palavra comrade como forma de tratamento entre seus partidários. Logo, a ideia em torno desta palavra denota a igualdade entre seus pares. A maratona Comrades foi idealizada por Vic Clapham, um veterano da primeira Guerra Mundial. Ele fez parte da infantaria Sul Africana enviada para combater tropas germânicas no leste africano, marchando sob o forte sol das estepes áridas por mais de 2.700 km. Após o fim da guerra, como forma de homenagear os soldados mortos, ele concebeu uma prova em que a resistência fosse colocada à prova. Inicialmente sua proposta foi rejeitada, mas Vic Claphan insistiu, alegando que se uma pessoa comum poderia ser retirada de sua vida ordinária, lhe dada um rifle e uma mochila de 30 kg, e ainda assim conseguir marchar por toda a África, certamente atletas preparados poderiam sobrepujar os 89 km entre as cidades de Pietermaritzburg e Durban. Assim Busto de Vic Clapham nascia a corrida que se tornaria a ultramaratona mais famosa do mundo, mantendo até os dias de hoje o clima decoroso de sua criação. A ultramaratona Comrades teve início em 24 de maio de 1921, no feriado do dia do Império (celebração festiva em homenagem ao orgulho de participar do império britânico), sendo interrompida apenas durante a Segunda Guerra Mundial. Até 1994, o dia de realização desta prova era o feriado da República, em 31 de maio, sendo substituído pelo Youth Day, feriado em 16 de junho para celebrar a luta contra o regime da Apartheid. A data da prova nos dias de hoje pode sofrer pequenas variações com o calendário de grandes eventos, como a Copa do Mundo entre outras. No ano de 2012 ela foi realizada no dia de 3 de junho, domingo, marcando a 87ª edição deste evento que teve mais de 320.000 corredores que já a completaram. Provas ao longo dos tempos A primeira edição da Comrades, com apenas 34 corredores, foi de descida rumo a Durban. Seu primeiro ganhador, Bill Rowan, completou o percurso em 8h59, dando origem à medalha que recebe seu nome, para aqueles que fazem a prova entre 7h30 e 9h. Arthur Newton foi o maior ganhador dos anos 20, conseguindo impressionantes 6h56 em 1923, ano de descida. Neste ano também marcou a primeira participação de uma mulher no evento, Francis Hayward, que correu oficiosamente, completando-a em 11h35. Na ocasião, este tempo não dava direito à medalha e, em 1928, a prova passou a ter 11h oficialmente. A duração só foi novamente alterada, para 12h, em 2000, quando os finalistas passaram a receber uma medalha especial denominada Vic Clapham, em homenagem ao fundador da Comrades. Lembrado após sua morte, Arthur Newton faz parte da galeria dos heróis da Comrades 2
  3. 3. Antes de imprimir, pense no meio ambiente! Direitos reservados © 2000-2012 Assessoria Esportiva Filhos do Vento LTDA Hardy Ballington foi o maior ganhador nos anos 30 com quatro vitórias. Nos anos 40 houve a interrupção devido à Segunda Guerra, entre 1941 e 1945. Em 1948, iniciou a tradição do canto do galo, imitação realizada por Max Trimborn. Seu grito foi gravado www.equipefdv.com.br (ele morreu em 1985) e até hoje é tocado antes do famoso tiro de canhão que dá início equipefdv@equipefdv.com.br à largada. Wally Hayward foi o grande nome nos anos 50, ganhando, após 21 anos (sua tel: 3176-2096 (horário comercial) primeira vitória havia sido em 1930), mais três títulos em 1951, 53 e 54. Além disso, ele ainda se tornou o corredor mais idoso a fazer a Comrades em 1989 com 80 anos (aos 79 anos, correu em 9h44). A década seguinte marcou o crescimento da Comrades, que tinha apenas 104 corredores em 1960, atingindo 703 em 1969. Por conta do aumento do número dos participantes, foram introduzidos cut-offs (pontos de corte para aqueles que não o atingem no tempo esperado). Foi apenas em 1962 que houve a participação de estrangeiros na prova, com uma pequena delegação de atletas da Inglaterra. Em 1967 houve a corrida com o final mais emocionante de todos os tempos, com Manie Kuhn ultrapassando Tommy Malone, que caiu com câimbras nos últimos 15m da prova. Nos anos 70, a Comrades atingiu mais de 3.000 participantes, passando a ser transmitida por rádio e televisão. Apenas em 1975, a prova foi aberta oficialmente a negros e mulheres, sendo Vincent Rakabaele, o primeiro vencedor negro no emblemático ano. OWally Haward, cinco vezes maior ganhador desta década foi Allan Robb com quatro títulos e a quebra do recordecampeão da Comrades de descida para 5h29.Foto que lembra Max Trimborn no momento do grito do canto do galo Alan Robb, primeiro corredor sub 5h30 A década de 80 foi marcada pelos nove títulos da maior lenda da Comrades, Bruce Fordyce, conquistando ainda o recorde de subida com 5h27. A década seguinte demonstrou uma explosão no número de participantes, atingindo a impressionante cifra de 14.000. Somente a partir de 1995 foi oferecido prêmio em dinheiro ao ganhador da prova, o que ajudou a atrair mais corredores estrangeiros. Os anos 2000 marcaram o recorde de participantes, entrando para o exclusivo Guinness Book com a maior quantidade de corredores que finalizaram uma ultramaratona (2010): 14.343. Em 2012 a prova teve 19.547 inscrições (3/4 de homens) realizadas no site do evento, porém, na largada, compareceram cerca 13.500. Destes, exatos 11.952 a completaram no tempo permitido, ou quase 89% dos que largaram em Pietermaritzburg. O prêmio oferecido ao primeiro colocado deste ano foi de cerca de R$ 85.000,00. Setenta países foram representados, sendo a maioria esmagadora de sul-africanos, perfazendo quase 17.000 das inscrições. Os brasileiros inscritos totalizaram 116 (nove Filhos do Vento), sendo a quarta maior delegação. Entre estrangeiros, os Estados Unidos estavam em maior número, com 223 corredores. Bruce Fordyce, o maior campeão de todos 3
  4. 4. Antes de imprimir, pense no meio ambiente! Direitos reservados © 2000-2012 Assessoria Esportiva Filhos do Vento LTDAwww.equipefdv.com.brequipefdv@equipefdv.com.brtel: 3176-2096 (horário comercial) Largada da maior ultramaratona do mundo, que tem como maioria de seus participantes homens na faixa dos 30 a 50 anos Regras Todo participante deve ter mais de 20 anos. Curiosamente há poucos jovens na faixa dos 20-30 anos. É comum ver pessoas com mais de 40 e até 60 anos. Apesar da dificuldade extrema da prova, isso não parece inibir aqueles que já não têm mais a juventude a seu favor. A partir de 1975, para participar da Comrades os corredores devem apresentar um atestado de participação em provas de 42,2 km até 100 km (estando incluso a maratona do Ironman). O tempo de chegada nestes eventos é usado como referência para a baia de largada, codificadas de A a H. O corredor concluinte da Comrades não precisa apresentar este atestado, caso corra no ano seguinte à sua primeira realização. Os corredores devem realizar o percurso de subida ou descida em menos de 12h, passando a tempo pelos cinco cut-offs (marcos para tomada de tempo dos corredores) ao longo percurso. Caso contrário, deve abandonar a prova, entrando nos ônibus de resgate que levam à chegada, mas eliminando a possibilidade de receber medalha. Para o registro dos tempos oficiais é utilizado um chip preso ao tênis, que registra o momento exato em que o corredor passa pelos cut- offs e na chegada. Graças ao uso deste dispositivo é possível encontrar os vídeos exclusivamente feitos durante a prova. 4
  5. 5. Antes de imprimir, pense no meio ambiente! Direitos reservados © 2000-2012 Assessoria Esportiva Filhos do Vento LTDA Medalhas A medalha da Comrades permaneceu igual em tamanho e design desde sua concepção, em 1921. Apesar de pequena (29 mm), quando comparada com as modernas medalhas www.equipefdv.com.br equipefdv@equipefdv.com.br de maratonas famosas, como Nova Iorque e Berlim, ela é extremamente apreciada por tel: 3176-2096 (horário comercial) sua tradição. No centro da medalha está Hermes, o mensageiro dos deuses gregos. Atualmente, as medalhas são dadas de acordo com o tempo de término, conforme a sequência: Ouro – para os primeiros 10 corredores masculinos e femininos. Wally Hayward – da posição 11 até sub 6h. Medalha de ouro Prata – 6h a 7h30. Bill Rowan – 7h30 a 9h. Bronze – 9h a 11h. Vic Clapham – 11h a 12h. Há ainda as medalhas adicionais de back to back, para aqueles que completam a prova em anos consecutivos de descida e subida. Medalha de Wally Haward Medalha de prata Acima, a medalha back to back e a comparação de seu tamanho com medalhas de outras tradicionais maratonas Clube Green Number Criado em 1972 para dar exclusividade aos corredores que tenham experienciado uma relação especial Medalha Bill Rowan com a Comrades, contando hoje com quase 9000 associados. Para entrar neste seleto grupo é necessário ter: ou três vitórias ou cinco medalhas de ouro ou mais de 10 medalhas (de qualquer tipo). Quem é agraciado como membro recebe um número de peito perpétuo, convites para encontros especiais, além de ser habilitado a comprar o exclusivo material esportivo alusivo do clube (é proibida a entrada de não associados nas sessões de roupas Green Number). Correr ao lado de um Green Number durante a Comrades é uma grande honra e sua explicita presença (só eles têm um número de peito verde, daí o nome Green Number) enche de orgulho aqueles que, por alguns segundos, podem compartilhar o mesmo momento da prova com estas “lendas” vivas. Medalha de bronze O ano de 2012 marcou a entrada do primeiro norte americano neste grupo. O Brasil já possui um corredor Green Number, Nato Amaral, que também é o embaixador voluntário da Comrades para brasileiros. Medalha de Vic Claphan 5
  6. 6. Antes de imprimir, pense no meio ambiente! Direitos reservados © 2000-2012 Assessoria Esportiva Filhos do Vento LTDA Recordes O atual detentor do recorde masculino da prova é o russo Leonid Shvetsov, com incríveis 5h20 (3min36s/km ou 16,6 km/h) no ano de descida e 5h24 no ano de subidawww.equipefdv.com.br (3min44s/km ou 16 km/h). O recorde feminino de descida foi estabelecido por Frithequipefdv@equipefdv.com.brtel: 3176-2096 (horário comercial) Merve, sul africana, em 5h54 (3min59s/km ou 15,1 km/h) e por Elena Nurgalieva, russa, com 6h09 (4min15s/km ou 14,1 km/h) no ano de subida. É válido ainda destacar o maior ganhador individual da prova, Bruce Fordyce (nove títulos), e os maiores ganhadores de medalhas (números de provas) Dave Rogers, 44, e Clive Crawley, 42. Crawley possui 42 medalhas Shvetsov detém os recordes tanto de subida como de descida Percurso Em ano de descida, a largada é dada em Durban, cidade ao nível do mar, com chegada em Pietermaritzburg, situada a 650 m. O percurso muda para subida em anos alternados e sua distância se altera ligeiramente de 89 km, nos anos Rogers e suas incríveis 44 medalhas de descida, para 87 km, nos anos de subida. Entre a chegada e a largada existem as Big Five (alusão aos cinco maiores animais da África, mas, no caso da prova, às montanhas no percurso), Cowies, Field’s, Botha’s, Inchanga e Polly Shorts. A sequência descrita refere-se ao ano de subida, mas é invertida nos anos de descida, tornando esta prova única em dificuldade pela variação altimétrica. Muitos corredores voltam no ano seguinte com a intenção de participar da prova no sentido oposto, o que lhes confere uma medalha especial, a back to back, conquistada em 2012 pelos corredores da equipe Filhos do Vento, Cláudia Lacerda e Josué Netto. Quer ver um mapa bem detalhado e interativo? Clique aqui! Outra opção de mapa com informações condensadas aqui! O ano de 2012 foi de descida e vemos neste mapa de perfil a diferença de altitude entre a largada e a chegada 6
  7. 7. Antes de imprimir, pense no meio ambiente! Direitos reservados © 2000-2012 Assessoria Esportiva Filhos do Vento LTDA O muro da honra é uma das preciosidades encontradas no percurso da prova. É um longo muro construído com blocos de concreto, no vale Thounsand Hills, que comemora as vitórias de diversos corredores da Comrades. Quem completa o percurso, www.equipefdv.com.br independente do tempo final, também pode comprar seu bloco perpétuo (cerca de R$ equipefdv@equipefdv.com.br 85,00), que conterá seu nome, número de peito e vitórias. Porém, neste muro, também tel: 3176-2096 (horário comercial) encontramos homenagens ao fundador da prova, aos principais ganhadores e a outros já falecidos. Este muro é uma demonstração física da tradição e da honra que envolve esta prova, servindo de exemplo e inspiração para os que correm diante dele. Muro da honra Equipe Filhos do Vento Todos os anos, milhares de corredores são atraídos para este grande evento e, somente no ano de 2010, a equipe Filhos do Vento teve seu primeiro representante, Augusto Vaz, a superar esta difícil prova, no ano de descida. Em 2011, a equipe aumentou com Cláudia Larcerda, Aline Carvalho, Pedro Henrique Custódio, Marco Bigatello e Josué Netto, que enfrentaram a subida para Pietermaritzburg. Já este ano de 2012, a equipe continuou a crescer, sendo representada pelos mesmos corredores de 2011, com exceção de Aline Carvalho. Uniram-se a eles Miguelon Bravo, Marcos Salomão, Carlos Maciel, Magda Andrade e Ricardo Sartorato. Ílson e Frós, corredores da Equipe Speed, se juntaram a nós, no dia que antecedeu a prova. Da esquerda para direita: Carlos, Josué, Ílso, Marcos, Bigatello, Cláudia, Ricardo, Miguelon, Magda e Frós (faltou apenas Pedro Palmeira) 7
  8. 8. Antes de imprimir, pense no meio ambiente! Direitos reservados © 2000-2012 Assessoria Esportiva Filhos do Vento LTDA Até a Comrades A ultramaratona Comrades é uma dessas provas que você não vai ouvir falar até que finalmente tenha se tornado um corredor. Apesar de sua grandiosidade, pouco se falawww.equipefdv.com.br sobre ela, a não ser em revistas especializadas e em conversas com corredores maisequipefdv@equipefdv.com.brtel: 3176-2096 (horário comercial) experientes. A primeira vez que ouvi sobre esta prova foi em 2003, quando conheci Alexandre “Mickey”, corredor com muita estrada, que já tinha realizado três vezes esta prova. Realmente quando escutamos a respeito da distância pela primeira vez, a reação imediata é pensar: impossível! Ao ouvir ele dizer que havia feito tamanha façanha me fazia pensar que estava diante de um super homem, que detêm algum segredo que o tornou capaz de correr por tanto tempo. Naquela ocasião eu sequer havia corrido uma maratona, sendo 21 km minha prova preferida. Mas, aos poucos fui entendendo que, para fazer uma prova como essa, é necessária muita experiência e planejamento. E demorou um bocado para eu tomar a decisão de enfrentar esta ultramaratona. O projeto para a Comrades só foi possível em minha vida muitos anos mais tarde, começando em 2011 novamente o desejo de realizá-la. Até este ponto, havia ganho muita experiência em provas de longa distância, seja como treinador ou corredor. Pude experimentar correr 15 maratonas e mais duas ultramaratonas, uma de 50 km, em Friburgo, e 60 km, na Volta à Ilha de Florianópolis, porém, intermitentemente. Já acumulava experiência em treinar corredores para diversas provas de distâncias superiores à maratona, inclusive a própria Comrades. Logo, a distância de 89 km era terreno desconhecido como corredor, mas sabia que precisaria me preparar menta e fisicamente. Os treinos para Comrades envolvem ter que realizar uma maratona para conseguir a prova do tempo para efetivar a inscrição. A prova que usei como base foi à maratona de Berlim, em 2011. Mas os treinos específicos para a Comrades começariam apenas em 2012, janeiro, quando iniciaríamos o assustador aumento do volume. Digo assustador, pois na semana de pico de quilometragem para a prova, cerca de um mês antes, o longo era de 60 km, com direito a muitas ladeiras. Até chegar a 60 km passaríamos por 55 km, 50km, 45km e 40km. Porém estes aumentos no volume não eram semanais. Nosso corpo precisa de uma a duas semanas de recuperação depois de fazer um volume maior que o habitual. Em janeiro, depois da maratona da Disney, meu volume estava na faixa de 20 km no longo. Fomos subindo lentamente o volume até o carnaval, quando chegou ao patamar de 30-35 km. A partir daí, como cada novo treino tinha um aumento muito grande de volume (5 km ou mais de 10% em relação ao treino da semana anterior), demos duas semanas de recuperação antes de fazermos cada novo longo. Ricardo, Magda, Cláudia e Bigatello, num dos muitos treinos longos realizados nos finais de semana de 2012 (este foi em 8 de abril) 8
  9. 9. Antes de imprimir, pense no meio ambiente! Direitos reservados © 2000-2012 Assessoria Esportiva Filhos do Vento LTDA Para treinar um grande volume é necessário preparação. Primeiro porque o Rio de Janeiro, até antes de maio é sempre quente e úmido. Isso quer dizer que treinos com mais de três horas de duração podem se tornar incrivelmente difíceis, até mesmo com www.equipefdv.com.br um ritmo leve. Por isso, é fundamental dormir cedo, para acordar cedo no dia do equipefdv@equipefdv.com.br longão. Claro que nem sempre era possível... além disso, quando a duração do treino tel: 3176-2096 (horário comercial) excede uma hora é importante usar reposição de carboidratos. Usamos gel de carboidratos e Gatorade até os 40 km, mas, em seguida, começamos um novo estilo de alimentação e reposição, que envolvia batatas, biscoitos, refrigerantes e energéticos. Isso ajudava a incrementar a quantidade de calorias, a cada vez que nos alimentávamos. Mas nem sempre encontramos esses alimentos pelo caminho e, portanto, sempre tínhamos alguém dando apoio seja com bicicleta, ou com carro. Quando não havia apoio, levávamos tudo que seria usado em nossos carros, fazendo pit-stops regulares quando passávamos em frente a ele. Durante os treinos, é fundamental simular o terreno e o percurso da prova. Uma rápida olhada no que enfrentaríamos mostrava que seria bem complicado. Correr em asfalto não seria um problema, mas simular o percurso sim. Pietermarizburg está situada a 650 m de altitude. Passaríamos por um pico de 820m, na rodovia Umlaas, e somente após o km 50 haveria a longa descida rumo a Durban. Quase todos os treinos que realizamos foram na orla ou nas Paineiras. O problema da primeira é que era 100% no plano e o da segunda é que era 100% com inclinação, muitas vezes superior a da prova, mas com clima muito mais favorável. Não existe em nossas proximidades um percurso similar ao que enfrentaríamos. O mais perto que existe é a rodovia BR 040, em Itaipava, mas, por motivos de segurança, esta ideia foi abandonada. Além disso, apesar de serem pouco lembrados, num treino que leva horas, os banheiros são indispensáveis. Nossa orla é repleta, mas as Paineiras não. A solução encontrada foi alternar um longo com inclinação das Paineiras e outro sem. Nas semanas de recuperação, os longos de menor volume seriam realizados totalmente no plano. Assim, o estresse físico foi minimizado e não deixamos de correr em ladeiras. Pausa para reposição e alimentação. Treinar em grupo foi muito melhor que sozinho. 9
  10. 10. Antes de imprimir, pense no meio ambiente! Direitos reservados © 2000-2012 Assessoria Esportiva Filhos do Vento LTDA Na medida em que a prova se aproximava a tensão e as dificuldades iam aumentando e os comradeiros (aqueles que iriam fazer a Comrades) se uniam nos treinos para dar força e ajuda um ao outro. Outro fantasma que enfrentamos foram às lesões. Desde pequenas bolhas, unhas perdidas, até mais importantes que poderiam ter nos tirado da prova. Nowww.equipefdv.com.brequipefdv@equipefdv.com.br meu caso, enfrentei uma fascite plantar exatamente após o último longo de 60 km.tel: 3176-2096 (horário comercial) Minha última lesão havia sido em 2002, a mesma fascite plantar contraída por teimar em correr após uma torção de tornozelo. Só que a deste ano foi causada por um motivo diferente, o uso de um calçado diferente exatamente no dia do treino mais longo e duro. Este treino foi feito metade nas Paineiras e metade na orla e Lagoa. Seria essencial estar com meus tênis já amaciado e exaustivamente testado. Porém, na semana anterior, havia participado da Volta à Ilha, prova de terrenos variados como lama, areia, terra batida etc. Com a melhor das intenções minha empregada lavou meus preciosos e amaciados tênis na quarta-feira, não tendo tempo hábil para secar até sábado. O resultado foi que corri com um tênis de mesmo modelo, porém de geração anterior, gerando a lesão. Mais uma lição aprendida: não teste nada novo. Mas este nem foi meu caso, já que fui pego de surpresa. Felizmente, o incômodo melhorou bastante até a prova, período em que o volume dos treinos só cai e fiz uso de gelo para reduzir a dor e inflamação. Isso mostra o quão importante é esta fase de diminuição da quilometragem dos treinos, já que sem ela o corpo não teria tempo para se recuperar. Superado os obstáculos do treinamento, as noites mal dormidas, o cansaço nos pós- treinos e as incipientes lesões, estávamos prontos. Mas não devo esquecer de uma ajuda essencial que tivemos ao longos destes últimos seis meses. A Comrades é uma prova que se faz com muito apoio familiar. Pense no quanto mudam os programas de final de semana e a rotina em casa e no trabalho. Por isso faço aqui um agradecimento especial a muitos que indiretamente ou diretamente nos apoiaram. Para muitos, o principal apoiador é o técnico, mas, no meu caso, o auxílio da minha esposa, Ana Karina, foi fundamental. Ela esteve ao meu lado nos principais longos, percorrendo de bicicleta, mesmo nos 40 km realizados debaixo de muita chuva e vento. Obrigado a todos vocês, pois sem esse suporte não seria possível. A empresa Dufry foi a grande incentivadora dos corredores Marcos Salomão, Cláudia Lacerda, Pedro Custódio, Carlos Maciel e Miguel Bravo. Inclusive, graças ao apoio prestado, foi possível haver o acompanhamento do prof. Alexandre Lima diretamente na África. Além disso, o projeto, já vitorioso no ano passado, acrescentou mais três novos corredores além de Cláudia e Pedro. Destaque para Carlos Maciel que completou a Comrades abaixo das 9h, ganhando a medalha Bill Rowan. Saiba mais aqui! Sem suporte adequado o treinamento para a Comrades seria muito mais difícil 10
  11. 11. Antes de imprimir, pense no meio ambiente! Direitos reservados © 2000-2012 Assessoria Esportiva Filhos do Vento LTDA Feira Chegamos a Durban após longas 12 horas de voo, saindo do Rio de Janeiro a São Paulo e, em seguida, a Johanesburgo para, finalmente, chegar ao destino final. Fomos à feira www.equipefdv.com.br equipefdv@equipefdv.com.br logo assim que fizemos o check in, num carro alugado no aeroporto (detalhe da mão tel: 3176-2096 (horário comercial) inglesa). Na verdade, era uma van, pois seríamos sete para dividir a conta. Nosso hotel era próximo à chegada, cerca de 1 km do estádio de rúgbi Sahara Kigsmead, tendo ainda uma bela vista do estádio de futebol Moses e da orla de Durban. Estavam no mesmo quarto comigo Magda e Bigatello. Pedro Palmeira e Luise se juntariam neste mesmo hotel (Blue Waters), no dia seguinte, e os demais estavam hospedados a cerca de 1 km (Sunshine Hotel). A feira era próxima do hotel, menos de dois quilômetros, num espaço que lembra um pavilhão do Rio Centro. Tinha diversos expositores das grandes marcas de equipamentos esportivos, além de revendedores locais. Não deixava nada a dever para uma grande feira de maratonas renomadas, talvez até melhor que a maioria delas. A organização era o ponto forte e logo encontramos o setor para atletas estrangeiros. Era preciso apresentar o chip para receber o kit da prova, contendo diversos produtos, revistas, além da camisa e boné do evento. A Reebok foi a patrocinadora oficial do material esportivo e logo fomos na loja com produtos exclusivos. Apesar dos preços salgados, valeu a pena a visita e não voltamos de mãos vazias. Um detalhe interessante do evento eram os testes cardiológicos e sanguíneos realizados gratuitamente, com fins de pesquisa. Pude conferir que meu colesterol anda em dia. Havia ainda testas de glicose e coração para os interessados. Vista do quarto em Durban. Feira da Comrades: organização e inovação foram seus pontos fortes. 11
  12. 12. Antes de imprimir, pense no meio ambiente! Direitos reservados © 2000-2012 Assessoria Esportiva Filhos do Vento LTDA Foi na feira que compramos a passagem para o translado de Durban a Pietermaritzburg no domingo de manhã. O horário, nada convidativo, tinha saída às 2h e custou menos de 20 reais. Mas valeu a pena, pois a diferença para quem dormiu em Pietermaritzburg era de apenas uma hora a mais de sono. Além disso, os ônibus eram bastante confortáveis ewww.equipefdv.com.brequipefdv@equipefdv.com.br deixavam praticamente na área de largada, sem o problema de atrasos e risco de setel: 3176-2096 (horário comercial) perder. Na feira ainda nos deparamos com uma galeria histórica sobre a prova. Lá encontramos os troféus da prova, fotos de grandes corredores e momentos históricos. Entre esses as historias esquecidas da Comrades (forgoteen Comrades). Consta uma sobre o ano que dois irmãos gêmeos que tentaram burlar a prova, trocando quem corria durante uma parada num banheiro no meio da prova. A farsa só foi descoberta graças ao uso do relógio de pulso em braços diferentes, denunciando que não era o mesmo corredor. Há quem já tenha pego taxi para poder chegar entre os 10 primeiros colocados, mas obviamente também descoberto. Entretanto, o mais importante desta sessão, são as referências às participações dos primeiros negros e mulheres na competição. Inclusive no museu da Comrades há duas placas comemorativas logo na entrada que celebram a primeira participação de negros não oficialmente (em 1935, Robert Mtshali). Há ainda uma referência da luta contra a discriminação liderada por Bernard Fridman, em 1974, um corredor branco que decidiu não se inscrever como solidariedade a seus companheiros de corrida negros que não tinham permissão para correr oficialmente por conta da Apartheid. Na ocasião ele completou a Comrades em 6h30, o que daria direito a uma medalha de prata. Apenas em 2010 que os organizadores do evento decidiram corrigir esta injustiça e, em uma cerimônia especial, deram a merecida medalha a Bernard Fridman. Organizadores da Comrades corrigem e lembram erros do passado. Homenagem a Mtshali e Friedman na luta pela integração de negros e mulheres Friedamn, ao centro, recebe a medalha de prata diretamente das mãos do Chairman Dave Dixon (esquerda) 12
  13. 13. Antes de imprimir, pense no meio ambiente! Direitos reservados © 2000-2012 Assessoria Esportiva Filhos do Vento LTDA Por fim, mas não menos importante, voltamos à feira sábado, para pegar uma camisa que o Bigatello havia pedido especialmente para bordar. Quando menos esperávamos, ao passar pela entrada da feira nos deparamos com o próprio Bruce Fordyce, que www.equipefdv.com.br gentilmente permitiu que tirássemos uma foto com ele. Mesmo nos dias de hoje, com equipefdv@equipefdv.com.br 56 anos, ele continua correndo forte abaixo de 8h. Incrível... tel: 3176-2096 (horário comercial) Dia anterior à prova Este dia começou com uma surpresa. Os mesmos organizadores do evento realizaram uma prova de 5 km e 10 km no sábado, mas com um percurso na própria Durban, que passava em frente ao nosso hotel. Estávamos no café da manhã vendo esta cena quando atentamos a um detalhe; estas duas provas eram cheias de crianças, muitas correndo até mesmo descalças. Sabemos da fama que os africanos têm em participação em eventos de corrida, mas isso era a prova viva que a tradição por lá começa cedo. Comparando com o Brasil, provas de distâncias similares normalmente são frequentadas por corredores de academia tentando fugir do sedentarismo. Portanto, ver a alegria das crianças sul-africanas que corriam, seja por brincadeira ou incentivo de seus pais, foi bastante engrandecedor. Hora de conhecer o percurso e visitar o museu da Comrades. Sim, esta prova é tão especial e tradicional que tem uma casa dedicada a sua memória (Comrades Marathon House). Nela encontramos uma maquete em escala muito bem feita do percurso, com todos os detalhes da altimetria, além dos principais marcos e explicações em áudio. Era possível, ao mudar o lado de observação da maquete, ver o percurso do ano de subida ou de descida. Nesta sala, também encontramos objetos e fotos de figuras históricas, como Mandela, corredores históricos e matérias em jornais. Na sala ao lado, vimos um quadro com todos os recordes ao longo dos tempos, uma sala especialmente para relembrar os heróis do passado, além de muitos artigos doados por corredores, como os tênis que usaram em provas em que foram campeões e muitas medalhas e troféus.Neste quadro estão todos os Vimos uma sala exclusiva para os corredores Green Number e ainda tinha uma loja (norecordes desde 1921 melhor estilo gift shop americano) nos fundos. Valeu a pena! Esta maquete de vários metros de comprimento mostra todo o Entrada do museu da Comrades Detalhe do ponto mais alto da prova na maquete percurso em detalhes Camisa assinada por Mandela, no dia em que visitou a Comrades e, à direita, dez das 12 medalhas de ouros ganhas por Alan Robb 13
  14. 14. Antes de imprimir, pense no meio ambiente! Direitos reservados © 2000-2012 Assessoria Esportiva Filhos do Vento LTDA Dali, realizamos o complicado trajeto da prova, procurando seguir as placas “Comrades Route”, presa a postes para indicar que a rodovia estaria fechada ao trânsito no domingo. Porém, apesar de bem sinalizada, o trajeto vai aos poucos se tornando confuso. Conseguimos passar por locais emblemáticos como o pico da prova, acima de 800 m, awww.equipefdv.com.brequipefdv@equipefdv.com.br metade da distância, logo após a montanha Inchanga, o “Arthur’s Seat” (local em que otel: 3176-2096 (horário comercial) legendário Arthur Newton, ganhador por cinco vezes da Comrades, se sentou para descansar) e o muro da honra. Neste último, fizemos uma longa parada para fotos e encontramos as placas de corredores memoráveis. Mais adiante, entramos em Pinetown, cidade entre Durban e Pietermaritzburg. Suas ruas sinuosas e cheias nos fizeram perder o caminho da prova e acabamos por desistir de acompanhar o final do percurso de carro. Melhor assim, pois deixaria a curiosidade para ser desvendada no dia seguinte. Magda segura umas das placas utilizadas para sinalizar o percurso da prova. Ao lado, típica paisagem da prova O trajeto da prova é marcado por ter um asfalto em excelente condição e inúmeras subidas e descidas Placas como esta são encontradas pelo caminho, avisando sobre os pontos relevantes da prova, como sua metade, muro da honra, Arthur’s Seat e as montanhas Big Five (Inchanga, no caso desta placa) 14
  15. 15. Antes de imprimir, pense no meio ambiente! Direitos reservados © 2000-2012 Assessoria Esportiva Filhos do Vento LTDA Preparação Na sexta, já começamos a preparar nosso material para a prova. Já sabíamos que a temperatura enfrentada na madrugada de Pietermaritzburg seria baixa, em torno de 5°www.equipefdv.com.brequipefdv@equipefdv.com.br C. No ápice do dia superaria 20° C, tornando a esfriar até o final da tarde. Podíamostel: 3176-2096 (horário comercial) levar uma pequena mochila que seria levada até Durban pela organização do evento. Nossa opção foi de ir bem agasalhado e largar com roupa de frio, calças e camisa de mangas compridas, além de luva. Por baixo, a camisa especialmente feita pela equipe para a prova, com o número de peito e de costas, que, além da identificação numérica, ainda continha nossos nomes e um alerta para que os fotógrafos soubessem que queríamos ser fotografados. Por baixo da calça, vestia uma bermuda especial com muitos bolsos. Lá eu levei 18 géis, barra de proteína, sódio em capsulas, mp3 etc., tudo que já havia sido previamente testado nos treinos. Como o prof. Alexandre estaria em outra van, oferecendo suporte em diversos pontos pelo caminho, poderíamos deixar nossas roupas de frio com ele, na medida em que o dia fosse avançando e a temperatura subindo. Mal sabíamos o que nos esperava... Para acordar à 1h da manhã teríamos que dormir às 17-18h, de sábado. Com o cansaço do fuso horário achávamos que seria fácil. Realmente, tenho facilidade para dormir bem, mas soube de diversos corredores que ficam acordados sob tensão. Afinal de contas, são muitos detalhes a não serem esquecidos e a própria insegurança perante o Bermuda com bolsos tamanho da distância a ser vencida. Tudo deu certo e lá fomos nós rumo a utilizada Pietermaritzburg na madrugada de domingo. O suporte contava com diversos alimentos calóricos Exemplo do número de peito, com nome e número de emergência Suplementação de cápsulas de sódio utilizadas Corredores e apoio prestam atenção na preleção 15
  16. 16. Antes de imprimir, pense no meio ambiente! Direitos reservados © 2000-2012 Assessoria Esportiva Filhos do Vento LTDA A prova Chegamos a Pietermaritzburg bem cedo, as 3h30-4h. Teríamos quase duas horas de espera pela frente, debaixo de frio e vento. No dia anterior, comprei um cobertor, quewww.equipefdv.com.brequipefdv@equipefdv.com.br usei para me proteger do frio e do vento, neste período de espera até o horário datel: 3176-2096 (horário comercial) largada. Eram 18.000 inscritos este ano, mas compareceram à largada menos de 17.000. A rua em que esperamos para largar tinha seu acesso controlado apenas para quem estivesse inscrito, não havendo espaço para espectadores assistirem. Para largar junto com Magda e Bigatello, decidi largar na baia H, a última. O problema de sair mais atrás é que o tempo que se leva para passar pela largada não é computado, mesmo com o uso do chip. Enquanto aguardávamos pela largada, pudemos ver os demais corajosos que estavam presentes, muitos deles nativos sul-africanos. Inclusive, este povo muito interessante e simpático, adora o Brasil e estão sempre sorridentes. Vimos os responsáveis pelos “ônibus”, espécie de grupo de corredores que segue um experiente líder, que dita o ritmo da corrida e caminhada e ainda o momento de alongar e a hora de comer. Apesar do conceito ser legal, a estratégia de prova depende do líder, que pode, inclusive, optar por caminhar numa descida leve ou correr numa forte subida. Era melhor não arriscar seguindo uma estratégia desconhecida, pois já tinha em mente que caminharia nas subidas fortes e tentaria compensar nas descidas, que sempre foram meu ponto forte. Minha meta era chegar antes de 11h, almejando a medalha de bronze. Links interessantes: - Corredores cantam Depois da longa espera sentados em frente à entrada da baia H, finalmente chegou a hino Shosholoza hora. Antes da largada, iniciou-se o tradicional ritual que era composto pelo hino sul- africano, a música Shosholoza (de origem Zimbábue, mistura das línguas Zulu e Ndebele, - Vídeo com entrevistas, a rota da prova e a conhecida como segundo hino sul-africano, cuja tradução de seu título significa “vá largada vista de perto adiante”), a música inteira de “Carruagens de Fogo”, o canto do galo (eternizada pela gravação da imitação do canto do galo feita por Max Trimborn) e, finalmente, um tiro de - Vídeo promocional explicando o que é canhão. Ainda estava escuro e sem poder correr pela quantidade de pessoas à frente, Comrades caminhamos até a largada, demorando cerca de 9 min. Finalmente, iniciamos a prova! Clique aqui para ver o vídeo da largada deste ano 16
  17. 17. Antes de imprimir, pense no meio ambiente! Direitos reservados © 2000-2012 Assessoria Esportiva Filhos do Vento LTDA Ainda de noite, com muitos corredores pela frente, frio e se acostumando com o ritmo de corrida, íamos adiante. Sabíamos que com menos de 8 km iniciaríamos a primeira forte subida, rumo ao ápice da prova, cerca de apenas 170 m acima do local da largada (para efeito de comparação, seria um pouco mais que sair da primeira cancela das Paineiras awww.equipefdv.com.brequipefdv@equipefdv.com.br sua segunda cancela, inclusive, com inclinação similar). Mas antes descemos as Pollytel: 3176-2096 (horário comercial) Shorts, ainda com as pernas frescas e uma multidão à frente. Foi neste momento que o sol começou a raiar e pudemos ver as primeiras pessoas saindo de suas casas, ao longo da rodovia para acompanhar e incentivar de perto os corredores. Passamos ao lado de parques e fazendas e, neste ponto, as subidas ainda eram pouco íngremes e era possível prosseguir sem caminhar. Até aqui, o vento contra era frio e constante. O suporte sistemático com água, Energade (bebida energética) e Pepsi tornavam a reposição bem confortável, praticamente a cada 2 km. A esta altura, já estava usando um gel a cada 5 km, frequência estabelecida para reforçar a entrada de calorias. Encontrei com o Alexandre, Luise e Isabela no km 16, mas sem necessidade de suporte ainda. Passamos, em seguida, pelo ponto mais alto da prova, restando cerca de 70 km para a chegada. Um detalhe interessante da prova é que as placas de quilometragem são ao inverso, mostrando o quanto falta para a chegada e sempre acompanhadas de palavras positivas, como coragem, honra, companheirismo, força etc. Passados 30 km de prova, meu corpo começou a se acostumar com o ritmo que vinha empregando, cerca de 6min30/km no plano, 6min/km nas descidas e 8min30/km nas A russa, Elena Nurgalieva, subidas. Na verdade, a referida diferença na subida era porque eu a esta altura já estava liderou a prova feminina caminhando na maior parte das subidas, como forma de me recuperar e poupar energia para a segunda metade da prova. Já estava usando capsulas de sódio a cada duas horas e, por enquanto, sem grandes sinais de fadiga. O clima começava a esquentar e eu já desejava jogar fora a camisa de mangas cumpridas e a calça. Já havia retirado as luvas e aguardava apenas por encontrar com o suporte do Alexandre para me desfazer destas peças. Acabei não o encontrando no segundo ponto de suporte, já que depois fiquei sabendo que haviam quebrado o vidro de sua van, furtando seu laptop, passaporte, carteira de motorista, cartões de crédito, dinheiro e celular. Por conta disso, foi necessário fazer queixa na antiquada delegacia de Pietermaritzburg, o que levou tempo, prejudicando, em especial, o suporte de Miguel que não havia levado todos os seus géis Água e energético em saquinhos fáceis de usar consigo. . Corredores de todas nacionalidades levam suas bandeiras. Ao lado, espectadores aguardam, mesmo de madrugada Para a maioria chegar bem é necessário caminhar Muitos corredores correm juntos em “ônibus” 17
  18. 18. Antes de imprimir, pense no meio ambiente! Direitos reservados © 2000-2012 Assessoria Esportiva Filhos do Vento LTDA Adiante, em minha opinião, vinha a pior subida, Inchanga. Apesar de não ser tão íngreme, era longa e precedia a metade da prova, que eu ansiosamente esperava por chegar. O clima esquentava e a população começava a lotar os arredores dos pontos de suporte. Muitos gritavam palavras de apoio “looking good”, como diria Bigatello. Realmentewww.equipefdv.com.brequipefdv@equipefdv.com.br estava ficando divertido e sem grandes sinais de fadiga. Resolvi até ligar o mp3, que atétel: 3176-2096 (horário comercial) então estava desligado, na longa descida que vinha após Inchanga. Rumo à terceira montanha, Botha’s Hill, passei pelo muro da honra e, quase sem perceber, pelo Arthur’s Seat, que só vi de relance (diz a lenda que se deve dizer “bom dia senhor” ao se passar ao lado deste ponto, como forma de obter uma segunda metade mais forte). Por aqui vimos crianças de escolas especiais que se enfileiram, apenas para dar o seu apoio. Além disso, passamos por pequenas bandas, djs e tudo mais que se pode esperar de uma grande maratona. A descida da Botha’s é forte e o ritmo acelera. Segui adiante passando pelo km 50, sabendo que em breve iniciaria uma longa descida de 22 km de extensão e 550 m de altura. Certamente aqui foi meu melhor momento, sem estar fadigado e bastante animado com o desenrolar da prova, com suas novidades pelo caminho. Próximo ao km 60, encontrei Alexandre e Luise, quando fiquei sabendo do furto ocorrido. Ele ainda me disse que Cláudia estava apenas 1 km a minha frente, o que me animou a acelerar para encontrá-la. Finalmente, também deixei minha roupa de frio e pude continuar com mais leveza e conforto. Confesso que estava animado, e saber que já estava na descida me ajudava ainda mais. Não estava encarando a prova como 89 km, mas sim como quatro meias maratonas. Sabia que em breve completaria a terceira meia maratona e a vitória de chegar começava a passar pela cabeça. Por outro lado, a descida continuada ajuda a ganhar velocidade, mas pulveriza a musculatura, que começou a sentir o peso dos 60 km. Além disso, a sensação de estar pisando em terreno desconhecido (primeira vez que passava de 60 km) e, que ainda faltavam 29 km, era angustiante. “Ônibus” sub 9h correm nas ladeiras de Inchanga e, ao lado, Mamabolo lidera a prova do início ao final 18
  19. 19. Antes de imprimir, pense no meio ambiente! Direitos reservados © 2000-2012 Assessoria Esportiva Filhos do Vento LTDA Um pouco mais adiante, em Fields Hill, é possível ver Durban a cerca de 25 km. Lembro que, neste ponto, as dores começaram a se intensificar. Felizmente, também foi logo adiante que encontrei com Cláudia, quando pude correr acompanhado por alguns quilômetros, antes que viesse a próxima subida e eu desistisse de correr lado a ladowww.equipefdv.com.brequipefdv@equipefdv.com.br (Cláudia gosta das subidas e, de preferência, correndo).tel: 3176-2096 (horário comercial) Perto dos 80 km, veio para mim o pior momento. Apesar de estarmos passando por dentro de Pinetown, quando muitos moradores vão às ruas para dar apoio de todas as formas possíveis. Há quem faça e distribua sanduíches para os corredores, levam bebidas, oferecem churrasco e tudo mais que se possa imaginar. Sem a camisa de mangas compridas que estava sobre a de mangas curtas com meu nome escrito no número de peito e Brasil silcado logo acima em letras garrafais, ouvi mais de uma centena de vezes gritos de apoio como: “Go Ricardo”, “Brasillll”. Graças a esses anônimos incentivadores, a desistência é quase impossível. Apesar disso, a sensação de empanzinamento é notória. Se houvesse uma opção de terminar por ali mesmo, eu escolheria. Mas não tinha e é para frente que se corre. Cheguei aos 80 km com tontura, mas sem saber ao certo o que estava qual a causa. Podia ser falta de açúcar no sangue ou baixa pressão. Como estava preocupado com esta situação, preferi caminhar para não correr o risco de procurar ajuda médica (caso isso ocorresse estaria fora da prova). Resolvi tentar tudo que poderia para reverter aquela situação. Não aguentava mais pensar em gel e lembrei que tinha uma Halls no bolso. Peguei três pastilhas de uma só vez e, mais adiante pelo caminho, havia uma pessoa distribuindo sal. Junto com o açúcar, que havia ingerido da bala, melhorei rapidamente e pude voltar a correr. Logo em seguida, no km 82 encontrei novamente Alexandre e Luise, que nada devem ter entendido quando ataquei a batata Pringles que estavam levando. Estava com fome, mas não dava mais para parar. O tempo perdido com a caminhada podia me fazer perder a tão desejada medalha de bronze, para aqueles que terminam emAjuda de todos ao longo do menos de 11h. Dois ônibus de sub 11h haviam me ultrapassado e não tinha mais forçascaminho para acompanhá-los.Visão animadora: Ao passar por esta estrada, em Fields Hill, pode-se ver Durban, quase que confunde-se ao mar, cerca de 25 km de distância ainda 19
  20. 20. Antes de imprimir, pense no meio ambiente! Direitos reservados © 2000-2012 Assessoria Esportiva Filhos do Vento LTDA O final é exaustivo. Com as pernas doloridas, cada pisada é sentida de formas diferentes pelos músculos fadigados. Algo inédito até então me ocorreu; tive uma intensa fadiga na musculatura que mexe os braços para frente e para trás, quando corremos. A técnica de corrida desta reta final é “a que dá”. Os músculos respiratórios também estão em fadigawww.equipefdv.com.brequipefdv@equipefdv.com.br e até mesmo a inspiração profunda pode sugerir o início de câimbra. Seguimos por umatel: 3176-2096 (horário comercial) rodovia dentro de Durban, mas sem a emoção da multidão dando apoio. Num determinado momento, eu, tentando dar o máximo que podia correndo, sou ultrapassado por um caminhante! Seria um triste final, se não fosse pela fantástica chegada no Estádio Sahara. Inacreditavelmente, depois de 88 km rodados, vi finalmente o estádio. A sensação de dor simplesmente é ofuscada pelos gritos incansáveis da multidão. O ritmo forte e solto volta naturalmente e finalmente tenho a certeza de que consegui chegar. Cruzo a linha de chegada em 10h54, dentro do prazo para a medalha de bronze. Feliz e ainda sem acreditar que consegui correr 89 km, compartilhei este momento de felicidade com muitos outros corredores anônimos que também chegaram antes das 11h. Este sentimento nem mesmo nas maratonas havia visto. Após receber minha aguardada medalha, me juntei aos demais corredores na sessão de Links interessantes: atletas internacionais. Pude ver a chegada da Magda e o tiro que simboliza o fim do - tiro de término das evento. É muito triste ver que muitos corredores não conseguem completar a prova, 12h aqui! (este é de apesar dos muitos meses de preparação e do extremo esforço. Mesmo em nossa equipe, 2010) bem informada e organizada, tivemos três desistências entre os nove participantes. Isso - chegada de Mamabolo demonstra a dureza e a imprevisibilidade da conclusão. Mas isso não quer dizer que aqui! saíram derrotados. Apenas a vitória é que foi adiada. Espectadores assistem a chegada dentro do Estádio Sahara, prova liderada e vencida pelo sul-africano Mamabolo, à direitaO clima de felicidade é muito grande entre os terminam a prova Aperto de mão entre anômimos que compartilharam as dificuldades do percurso 20
  21. 21. Antes de imprimir, pense no meio ambiente! Direitos reservados © 2000-2012 Assessoria Esportiva Filhos do Vento LTDA Atenção aos detalhes Comrades é uma prova que se diferencia das demais pelos inúmeros detalhes. Em primeiro lugar sua tradição e longevidade são incríveis. Não havia uma pessoa com www.equipefdv.com.br equipefdv@equipefdv.com.br quem conversamos pelas ruas de Durban que não soubesse o que é a Comrades. Basta tel: 3176-2096 (horário comercial) comparar com a maratona do Rio, a maior prova que temos na cidade, onde mal sabem os habitantes que uma maratona tem 42,2 km. Além disso, Comrades mantém sua memória viva, em um museu e mesmo na feira, onde se via a questão que seus organizadores fazem de lembrar suas histórias. A atrativa sequencia das medalhas também é bastante estimulante para quem apenas vai até lá para completar e não disputar. Vi que mesmo os simples ajudantes que estão dispostos nos 48 postos de reidratação e suporte ao longo do caminho trabalham motivados e sempre sorridentes. Isso é resultado de anos de tradição e do orgulho que eles têm por esta prova. Pelo caminho havia oito estações de fisioterapia, quatro para diabetes e duas para atendimentos médicos que necessitam de UTI. Na chegada, uma grande estação de atendimento emergencial realiza desde pequenos atendimentos a até mesmo casos mais graves. Felizmente neste ano parece que só houve um caso de maior gravidade, mas que foi revertido. Após a chegada, quando todos os corredores fazem uma análise do “estrago” causado pela distância, é comum vermos macas para cima e para baixo, levando os mais debilitados ao setor de emergência. Magda foi um desses corredores e, por conta de uma queda na pressão, foi levada a tenda de atendimento médico. Acostumados com as frequentes emergências que esta prova requer, presenciei a excelência no atendimento pré-hospitalar realizado. Havia cerca de 60 leitos (todos ocupados) na tenda em que entramos, sendo quase que na totalidade eram corredores tomando soro para equilibrar o ambiente sanguíneo tão castigado pela desidratação e perda de nutrientes. Foi este o caso da Magda, mas o cuidado deles foi além, realizando exames de sangue para excluir problemas mais graves. Felizmente não havia sido nada grave e logo foi liberada, saindo andando e sem problemas (só as muitas pequenas dores causadas pela própria corrida). E tudo isso sem filas, sem estresses, mantendo sempre a atenção e preocupação com o paciente. Nota 10. A medalha é motivo de orgulho e um grande diferencial Corredores chegam como podem e muitos precisam de atendimento médico 21
  22. 22. Antes de imprimir, pense no meio ambiente! Direitos reservados © 2000-2012 Assessoria Esportiva Filhos do Vento LTDA O manual da prova continha muitas informações médicas, que do meu ponto de vista, são negligenciadas pela maioria dos eventos de longa distância. Há uma clara preocupação com a hidratação, clima, uso de medicamentos e alimentação, tudo isso explicitado numa sessão intitulada “o que todo corredor deveria saber”. É sempre enfatizado para que em caso de problemas o corredor procure assistência médica da prova, evitando maiores danos. Vi também que eles deixam bastante explícito quem forma o comitê organizador, algo desconhecido por nós cariocas quando entramos nos eventos daqui. Eles também exaltam quem são os corredores favoritos e deixam mapas detalhados da prova e dicas para quem assistirá como espectador, seja ao longo do percurso ou no estádio Sahara. No pós prova os cuidados não acabam. Durante o evento muitos fotógrafos registram cada momento e as fotos podem ser compradas “online”. Vendem ainda quadro de medalhas, álbum especial para guardar as medalhas e certificados, pen drive com fotos do evento, vídeos da prova em alta definição. Os resultados com todos os tempos parciais são exibidos num programa disponível na internet para amigos e familiares acompanharem a evolução. Ou ainda podem ser recebidos por SMS do celular, tudo em tempo real. Todas as 12 horas do evento são televisionados (lembrando que o primeiro deste ano chegou com 5h31), dando ênfase aos corredores participantes. No dia seguinte as notícias sobre a prova eram manchete principal nos jornais e o nome, tempo e classificação saíram num caderno especial sobre a prova. Todos estes cuidados tornam esta prova especial em vários sentidos e, como observado pela comradeira Cláudia Lacerda, “é a Disneylândia do corredor”. Outra observação pertinente foi feita por Marco Bigatello, que num determinado momento comentou: “esta é a única prova em que se falam horas sobre ela e ainda têm assuntos a serem discutidos”. Realmente, concordo com ambos. Quem trabalha na Comrades da exemplo de profissionalismo e simpatia Do início ao final: Comrades é televisionada em suas 12h de duração Detalhe do mapa da prova nas costas da camisa recebida no kit da prova. Ao lado, os muitos itens que compunham este kit 22
  23. 23. Antes de imprimir, pense no meio ambiente! Direitos reservados © 2000-2012 Assessoria Esportiva Filhos do Vento LTDA Tópico especial sobre saúde Saúde é um termo complexo de difícil definição. Certamente não é tão simples quanto não ter doenças, como pensado pela maioria das pessoas. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), seria o completo bem estar biopsicossocial, algo praticamente inalcançável em nossa sociedade. Instituições que pesquisam sobre saúde e atividade física, como o Colégio Americano de Medicina Esportiva (ACSM), lançam, de tempos em tempos, protocolos que visam nortear a quantidade e a qualidade de exercícios que buscam a manutenção e ganho de saúde. Sua publicação mais recente propõe que atividades físicas deveriam ser praticadas praticamente todos os dias, sendo duas a três vezes com maior intensidade. Não há nada ali dizendo que é necessário correr ou muito menos fazer uma maratona ou ultramaratona. Fazer uma prova de longa distância (entenda longa distância como qualquer quilometragem superior a 5 km) exige preparação física individualizada, alimentação especial, repouso sistemático e acompanhamento médico. A Comrades é um grande desafio para o corpo e, na busca de realizar tamanha façanha, podemos perder saúde neste processo. O resultado mais provável da perda de saúde é o surgimento de lesões, muito comuns para quem corre, porém bem menos frequente para quem simplesmente caminha. Portanto, se o desafio é grande, os cuidados também deveriam ser. É necessário uma equipe multidisciplinar com professor de Educação Física, médicos, nutricionista e fisioterapeuta, para se chegar com maior segurança ao resultado final, a conclusão bem sucedida da prova e sem lesões. Desde que terminei a Comrades, fiquei com dores nas pernas até a quinta-feira (quatro dias) e com sensação de peso durando até sábado (seis dias). Aparentemente, com uma semana, estaria pronto para o próximo desafio. Contudo, o corpo não funciona apenas na base da percepção subjetiva. Prova disso é o artigo publicado por Hagemaann, Rijke e Corr, intitulado: “os joelhos sobrevivem a Comrades?” Para testar, foram realizados exames de ressonância magnética (RM) em 10 participantes que completaram a Comrades entre os anos de 1997 e 2002. Em todos estes corredores foi encontrado aumento do fluido articular (indicativo de estresse na articulação) prévio a corrida, sendo que em 50% destes houve piora do quadro depois da prova. Mesmo depois de um mês, cinco corredores ainda demonstravam aumento do fluido articular. Apesar destes resultados soarem desconfortavelmente, nenhum dos indivíduos pesquisados teve problemas nos meniscos, ossos ou superfícies cartilaginosas da articulação do joelho, que pudessem estar associados à Comrades. Então, sim, aparentemente os joelhos sobrevivem a esta dura prova, mas não tão rapidamente quanto minha percepção enganosamente me tende a fazer pensar. E isso, sem contar que ainda temos muitas outras articulações envolvidas na corrida e, some a isso, aspectos psicológicos que sequer podem ser mensurados de maneira tão precisa quanto a RM faz. Então a reflexão que fica é que este desafio requer preparo, é para poucos e precisa de uma recuperação prolongada após a prova, para que nossa saúde e fisiologia normais se restabeleçam. Aceite e respeite seus limites e tenha saúde por toda sua vida como corredor. Fonte: Artigo com resumo no Pubmed. Clique aqui! 23
  24. 24. Antes de imprimir, pense no meio ambiente! Direitos reservados © 2000-2012 Assessoria Esportiva Filhos do Vento LTDA "Veni Vidi Vici" (vim, vi, venci) A ultramaratona Comrades é uma prova única. Sua história, tradição, percurso e orgulho são únicos. Mais do que relembrar os soldados mortos na primeira Guerra Mundial, estawww.equipefdv.com.br prova, para mim é a reinvenção da superação dos meus limites. Acostumado a correrequipefdv@equipefdv.com.brtel: 3176-2096 (horário comercial) maratonas nos últimos seis anos, não vinha sentindo mais o gosto da vitória que esta prova propiciou. Porém, como toda meta de difícil alcance, ela tem um preço. O investimento físico e emocional são altos, tanto para um atleta profissional quanto ao último colocado. Basta ver que o vencedor deste ano, Ludwick Mamabolo, com 5h31, caiu assim que cruzou a linha de chegada. Meu tempo final, 10h54, foi a posição de 7714 na classificação geral, 6513 na categoria masculina e 2536 na categoria de faixa etária. Minha média de ritmo foi de 7min20/km, praticamente constante do início ao final. Porém, a média dos corredores não mantém seus ritmos constantes, perdendo velocidade na medida em que se aproximam do final. Analisando os resultados vi que, mesmo mantendo a mesma velocidade média, ultrapassei 2000 corredores desde que saiu minha primeira parcial, em Camperdown, com apenas 27 km. Como foram 11.952 corredores que completaram este ano e, ainda restavam apenas uma hora e cinco minutos para acabar a prova depois que cheguei, isso significa que cerca de 35% dos finalistas chegaram na última hora. Mais uma prova da dificuldade desta prova. Links interessantes: Quo vadis? (para onde vai?) - encontre fotos de corredores na prova Do primeiro ao último esta prova coloca sua resistência à prova, como assim desejava seu aqui! idealizador Vic Clapham. Uma experiência única, repetida por muitos colegas corredores, - fotos no Flickr aqui! mas que resistirei à tentação de fazê-la no ano que vem. O motivo é que descobri que a - vídeos dos corredores medida certa de meu desafio, no presente momento, não está na Comrades, mas na durante a prova aqui! maratona. Esta se encaixa bem em minha rotina, sem cobrar um alto preço, oferecendo (meu número foi 31061) um bom retorno em troca. Além disso, o mundo está cheio delas e metas não faltarão. - veja os resultados Mas, como corredor não tem memória de longo prazo, não posso afirmar que nunca mais detalhados do evento a farei. Desejo boa sorte aos que têm a coragem e determinação de perseguir novamente aqui! este desafio. Shosholoza! Dedico minha conclusão vitoriosa na Comrades a todos os participantes da equipe Filhos do Vento, fontes eternas de inspiração, orgulho, coragem e dedicação. Mais do que camaradas, nesta equipe, somos uma família. Meus sinceros agradecimentos! Principais fontes pesquisadas: http://www.ngulunews.co.za/uploads/F ile/April2010/skexpr008.pdf http://www.comrades.com http://en.wikipedia.org/wiki/Comrades _Marathon http://comrades.mapservice.co.za/ http://www.comrades.com/getattachm ent/c8ce2b9d-96a4-43cd-a6a1- 131e0c6059c9/RouteMap.jpg.aspx Na pele: Cláudia Lacerda é uma dessas que repetem a prova sem pensar duas vezes. Corajosa... 24
  25. 25. Antes de imprimir, pense no meio ambiente! Direitos reservados © 2000-2012 Assessoria Esportiva Filhos do Vento LTDA VISITE A ÁFRICA DO SUL 25

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