UNIVERSIDADE ESTADUAL DE PONTA GROSSA            SETOR DE CIÊNCIAS EXATAS E NATURAIS               DEPARTAMENTO DE GEOCIÊN...
UNIVERSIDADE ESTADUAL DE PONTA GROSSA            SETOR DE CIÊNCIAS EXATAS E NATURAIS               DEPARTAMENTO DE GEOCIÊN...
RICARDO LETENSKI O USO DA ÁGUA DE CHUVA EM POSTOS DE SERVIÇOS AUTOMOTIVOS NO              ESPAÇO URBANO DE PONTA GROSSA, P...
Dedico aos autores dos meus diasTeodósio e Edecléia (in memorian), queme ensinaram a perseguir meus ideais.
AGRADECIMENTOS      A minha Mãe Divina Espiritual e ao Pai Celeste.      Ao Professor Orientador Dr. Mário Sérgio de Melo ...
Às vezes, uma gota de chuva morre de medo ao cair nooceano. O mar é gigantesco e ela sabe que ele ira engoli-la.Todavia, s...
RESUMOOs riscos de escassez de água, com qualidade e em quantidades suficientes paraatender às necessidades da população, ...
LISTA DE ILUSTRAÇÕESFIGURA 1    –   Quadro com os principais problemas decorrentes da                urbanização que afeta...
LISTA DE ILUSTRAÇÕESFIGURA 29   –   Localização dos postos de serviços automotivos visitados em                Ponta Gross...
LISTA DE SIGLASABNT      Associação Brasileira de Normas TécnicasANA       Agência Nacional de ÁguasANP       Agência Naci...
SUMÁRIO1.      INTRODUÇÃO...................................................................................             1...
1.      INTRODUÇÃO        De acordo com o relatório da Organização das Nações Unidas (2009)intitulado “Revisão das Projeçõ...
principais problemas decorrentes da urbanização que afetam a quantidade e aqualidade das águas podem ser observados na fig...
Com o aumento da população será necessário produzir maior quantidade dealimentos e gerar mais energia, aumentando o consum...
eficiência (CLARKE; KING, 2005). Além disso, podemos tornar o uso da água maisracional compatibilizando a qualidade da águ...
economia que podem promover. No entanto, geralmente, servem-se de águastratadas ou de águas subterrâneas, que deveriam ser...
2. OBJETIVOS      Objetivo Geral:      Analisar a possibilidade técnica e a viabilidade econômica de aproveitamentode água...
3. A ÁGUA      A água como fonte de vida é mencionada em quase todas as teoriasfilosófico-religiosas, considerada pelos gr...
FIGURA 2 – Ciclo hidrológicoFonte: (PREFEITURA MUNICIPAL DE FLORIANÓPOLIS, 2009)      Dessa maneira a água é um bem renová...
A precipitação pode ocorrer sob a forma de orvalho, chuvisco, chuva, granizo,saraiva ou neve, a partir da liberação do vap...
Chuvas ciclônicas ou frontais - chuva que resulta do encontro de             duas massas de ar com características diferen...
FIGURA 5 – Chuvas orográficasFonte: (REDE CIÊNCIA TECNOLOGIA E SOCIEDADE, 2009).       A chuva é uma ótima fonte alternati...
Conforme Andrade apud Giacchini (2003) os requisitos de qualidade esegurança sanitária da água de chuva estão diretamente ...
não deve formar incrustações.  Água para lavagem de veículos:  não deve apresentar mau-cheiro;  não deve ser abrasiva;  nã...
não deve favorecer o aparecimento de eflorescências de sais;              não deve propiciar infecções ou a contaminação p...
hídricos” (PEREIRA JÚNIOR, 2004). Conforme define a Organização das NaçõesUnidas para a Educação Ciência e a Cultura (2008...
3.1.1 Gerenciamento racional e sustentável dos recursos hídricos      Os impactos ambientais causados pela crescente indus...
O capítulo 18 da Agenda 21 discute a proteção da qualidade e abastecimentodos recursos hídricos, cujo objetivo geral é:   ...
não potáveis. As águas poluídas e/ou contaminadas até o momento não podem serutilizadas, mas devem passar por um processo ...
relacionada à toxicidade, persistência, quantidade e concentração das             substâncias que alcançam os mananciais s...
Em seu artigo 2°, a “Lei das Águas” estabelece os seguintes objetivos daPolítica Nacional dos Recursos Hídricos:          ...
Temos boas leis que destacam a importância de se preservar os recursoshídricos, fazendo uso racional da água na busca de g...
Buscando diminuir as potencialidades de enchentes urbanas e diante doiminente risco de escassez de água, diversas cidades ...
impermeáveis e conduzi-la para um reservatório onde será armazenada para osmais diversos usos, tanto em áreas urbanas quan...
lavagem de roupas         Para usos comerciais e industriais em:         resfriar equipamentos e máquinas         para ser...
(continuação)          Aspecto                       Vantagens                           Desvantagens                     ...
FIGURA 8 – Vestígios de cisternas escavadas na rocha no deserto do Negev, Oriente Médio. A-Acesso subterrâneo à cisterna; ...
FIGURA 9 – Fortaleza Massada e cisterna escavada na rocha, Deserto de JudáFonte: (UNITED NATIONS EDUCATIONAL, SCIENTIFIC A...
Por volta de 1555, o Almirante francês Villegaignon, buscando asilo nas terrasde além-mar para os huguenotes que eram pers...
FIGURA 10 – Visão panorâmica da Fortaleza de Ratones, SC. 1- Fonte d‟ água; 2 e 3- painéissolares.Fonte: (TEIXEIRA, 2008)....
aprendeu depois de uma dura lição ao rejeitar completamente a chuva e esvaziartoda essa água em esgotos (GROUP RAINDROPS, ...
Em Singapura, 86% da população vive em arranha-céus. Por ser um paíspequeno conta com limitados recursos naturais e uma cr...
FIGURA 12 – Vasos para armazenar água de chuva na TailândiaFonte: (UNITED NATIONS ENVIRONMENT PROGRAMME, 2002).      Nas I...
(Figura 13). As famílias contribuíram com a mão-de-obra e até o final de 2004,2.500.000 tanques de água foram construídos ...
circunstâncias de "escassez de água", uma ação urgente é necessária para reduzir afalta de água que aflige o continente.  ...
Em Corumbá, no Mato Grosso do Sul, foram construídas 738 cisternas, cadauma com capacidade para armazenar 20 m³ de água de...
armazenadas em cisternas. Das 259.500 cisternas construídas até junho de 2009no âmbito do programa, grande parte é cistern...
FIGURA 15 – Construção de uma cisterna de tela com arameFonte: (CAVALCANTE, 2007).              E a cisterna de tela-cimen...
pequenos agricultores, pois sua tecnologia é acessível aos pedreiros do meio rural eo custo é baixo. Ao longo dos anos, es...
Em Ponta Grossa, no Paraná, o aproveitamento da água de chuva nasedificações urbanas vem despertando o interesse de indúst...
utilizam os mesmos equipamentos destinados a drenagem da água das chuvas paraas galerias pluviais. Com a diferença que ao ...
FIGURA 18 – Projeção da área de coleta do telhadoFonte: (WORM; HATTUM, 2006).       Nas residências unifamiliares a área d...
O USO DA ÁGUA DE CHUVA EM POSTOS DE SERVIÇOS AUTOMOTIVOS NO ESPAÇO URBANO DE PONTA GROSSA, PR
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O USO DA ÁGUA DE CHUVA EM POSTOS DE SERVIÇOS AUTOMOTIVOS NO ESPAÇO URBANO DE PONTA GROSSA, PR

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Os riscos de escassez de água, com qualidade e em quantidades suficientes para
atender às necessidades da população, estão sendo amplamente divulgados. Ponta
Grossa apresenta crescente demanda de água. A deficiência de saneamento diminui
a disponibilidade de água com qualidade. O sítio urbano localiza-se no alto de
espigões radiais que dificultam o aproveitamento da água de rios. Por outro lado, a
cidade situa-se numa região chuvosa o ano todo. Buscando alternativas de uso
racional da água, as coberturas dos postos podem funcionar como coletores para
capturar água das chuvas. Esta pode ser armazenada e destinada para fins não
potáveis, sobretudo, na lavagem de veículos. O estudo teve como objetivo analisar a
possibilidade técnica e a viabilidade econômica de aproveitamento de água de
chuva para usos não potáveis em postos de serviços automotivos da área urbana de
Ponta Grossa. Por meio de investigações exploratórias foram visitados e
georreferenciados 42 postos, nas principais vias da cidade, nos quais, se identificou
a oferta de lavagem e as fontes de águas que abastecem os postos para uma
melhor compreensão de como ocorrem as práticas de uso da água nestes
empreendimentos. Em seguida, foram selecionados os postos que aproveitam a
água de chuva para verificação do funcionamento dos sistemas instalados,
estimativa das demandas por águas não potáveis e análise da viabilidade
econômica do sistema. Pode-se concluir que o aproveitamento de água de chuva é
tecnicamente e economicamente viável nos postos da cidade.

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O USO DA ÁGUA DE CHUVA EM POSTOS DE SERVIÇOS AUTOMOTIVOS NO ESPAÇO URBANO DE PONTA GROSSA, PR

  1. 1. UNIVERSIDADE ESTADUAL DE PONTA GROSSA SETOR DE CIÊNCIAS EXATAS E NATURAIS DEPARTAMENTO DE GEOCIÊNCIAS RICARDO LETENSKIO USO DA ÁGUA DE CHUVA EM POSTOS DE SERVIÇOS AUTOMOTIVOS NO ESPAÇO URBANO DE PONTA GROSSA, PR PONTA GROSSA 2009
  2. 2. UNIVERSIDADE ESTADUAL DE PONTA GROSSA SETOR DE CIÊNCIAS EXATAS E NATURAIS DEPARTAMENTO DE GEOCIÊNCIAS RICARDO LETENSKIO USO DA ÁGUA DE CHUVA EM POSTOS DE SERVIÇOS AUTOMOTIVOS NO ESPAÇO URBANO DE PONTA GROSSA, PR Trabalho de Conclusão de Curso apresentado para obtenção do título de graduado na Universidade Estadual de Ponta Grossa, Área de Geografia. Orientador: Prof. Dr. Mário Sérgio de Melo PONTA GROSSA 2009
  3. 3. RICARDO LETENSKI O USO DA ÁGUA DE CHUVA EM POSTOS DE SERVIÇOS AUTOMOTIVOS NO ESPAÇO URBANO DE PONTA GROSSA, PRTrabalho de Conclusão de Curso apresentado para obtenção do título de graduadona Universidade Estadual de Ponta Grossa, Área de Geografia. Ponta Grossa,______de_____________________________de 2009. Prof. Dr. Mário Sérgio de Melo Pós-Doutor em Sedimentologia Universidade Estadual de Ponta Grossa Profa. Dra. Maria Lígia Cassol Pinto Doutora em Geografia Universidade Estadual de Ponta Grossa Prof. Dr. Alceu Gomes de Andrade Filho Doutor em Engenharia Hidráulica e Saneamento Universidade Estadual de Ponta Grossa Prof. Luís André Sartori Universidade Estadual de Ponta Grossa
  4. 4. Dedico aos autores dos meus diasTeodósio e Edecléia (in memorian), queme ensinaram a perseguir meus ideais.
  5. 5. AGRADECIMENTOS A minha Mãe Divina Espiritual e ao Pai Celeste. Ao Professor Orientador Dr. Mário Sérgio de Melo pela contribuição com seuspreciosos conhecimentos e sugestões na orientação deste trabalho. Aos funcionários dos Postos de Serviços Automotivos pela recepção,fornecimento de informações e pela possibilidade acesso aos empreendimentos. Aos funcionários da Companhia de Saneamento do Paraná (SANEPAR) peladisponibilização de dados, na pessoa de Fabiano Icker Oroski, CoordenadorIndustrial da Unidade Regional Ponta Grossa. Ao Núcleo de Estudos em Meio Ambiente (NUCLEAM) pela atenção edisponibilização de materiais, nas pessoas da Professora Maria Aparecida Hinschinge do Professor Fernando Pilatti. Aos colegas de graduação pelo apoio e incentivo para realização destetrabalho. A Tatiana Constantino pelo companheirismo, pela compreensão e dedicação. A família e aos amigos pelo amor e generosidade. A todos que de alguma maneira contribuíram com a conclusão dessapesquisa.
  6. 6. Às vezes, uma gota de chuva morre de medo ao cair nooceano. O mar é gigantesco e ela sabe que ele ira engoli-la.Todavia, segundos após cair sobre o mar a gota de chuvapercebe que deixou de ser uma gota e passou a ser o própriooceano... (Adriano Hungaro)
  7. 7. RESUMOOs riscos de escassez de água, com qualidade e em quantidades suficientes paraatender às necessidades da população, estão sendo amplamente divulgados. PontaGrossa apresenta crescente demanda de água. A deficiência de saneamento diminuia disponibilidade de água com qualidade. O sítio urbano localiza-se no alto deespigões radiais que dificultam o aproveitamento da água de rios. Por outro lado, acidade situa-se numa região chuvosa o ano todo. Buscando alternativas de usoracional da água, as coberturas dos postos podem funcionar como coletores paracapturar água das chuvas. Esta pode ser armazenada e destinada para fins nãopotáveis, sobretudo, na lavagem de veículos. O estudo teve como objetivo analisar apossibilidade técnica e a viabilidade econômica de aproveitamento de água dechuva para usos não potáveis em postos de serviços automotivos da área urbana dePonta Grossa. Por meio de investigações exploratórias foram visitados egeorreferenciados 42 postos, nas principais vias da cidade, nos quais, se identificoua oferta de lavagem e as fontes de águas que abastecem os postos para umamelhor compreensão de como ocorrem as práticas de uso da água nestesempreendimentos. Em seguida, foram selecionados os postos que aproveitam aágua de chuva para verificação do funcionamento dos sistemas instalados,estimativa das demandas por águas não potáveis e análise da viabilidadeeconômica do sistema. Pode-se concluir que o aproveitamento de água de chuva étecnicamente e economicamente viável nos postos da cidade.Palavras-chave: Uso da água, Água de chuva, Postos de serviços automotivos.
  8. 8. LISTA DE ILUSTRAÇÕESFIGURA 1 – Quadro com os principais problemas decorrentes da urbanização que afetam a quantidade e a qualidade das águas............................................................................................. 12FIGURA 2 – Ciclo hidrológico............................................................................ 18FIGURA 3 – Chuvas convectivas...................................................................... 19FIGURA 4 – Chuvas frontais............................................................................. 20FIGURA 5 – Chuvas orográficas....................................................................... 21FIGURA 6 – Gráfico do volume total de água no mundo e volume total de 24 água doce no mundo....................................................................FIGURA 7 – Quadro com as principais vantagens e desvantagens do aproveitamento de água de chuva............................................... 34FIGURA 8 – Vestígios de cisternas escavadas na rocha no deserto do Negev........................................................................................... 36FIGURA 9 – Fortaleza Massada e cisterna escavada na rocha, Deserto de Judá............................................................................................... 37FIGURA 10 – Visão panorâmica da Fortaleza de Ratones................................. 39FIGURA 11 – Ryogoku Kokugikan, ginásio de sumô, Sumida no Japão............................................................................................. 40FIGURA 12 – Vasos para armazenar água de chuva na Tailândia..................... 42FIGURA 13 – Modelo de captação de chuva no Programa 1-2-1....................... 43FIGURA 14 – Cisterna de placas........................................................................ 46FIGURA 15 – Construção de uma cisterna de tela com arame.......................... 47FIGURA 16 – Construção de uma cisterna com tela-cimento............................. 47FIGURA 17 – Cisternas superiores e lavagem de veículo em máquina abastecida com água de chuva.................................................... 49FIGURA 18 – Projeção da área de coleta do telhado......................................... 51FIGURA 19 – Quadro dos coeficientes de runoff das superfícies coletoras....................................................................................... 52FIGURA 20 – Modelo de calha com tela para contenção de sujeiras................ 53FIGURA 21 – Modelo esquemático de funcionamento de um tanque de sedimentação................................................................................ 55FIGURA 22 – Dispositivo de descarte das primeiras chuvas proposto pelo senhor Tokunaga no Japão.......................................................... 56FIGURA 23 – Representação esquemática dos componentes do “kit chuva”............................................................................................ 57FIGURA 24 – Quadro com vantagens e desvantagens entre tanques e cisternas....................................................................................... 59FIGURA 25 – Localização e abrangência da área de estudos............................ 64FIGURA 26 – Quadro síntese do abastecimento de água em Ponta Grossa, dados históricos e previsões, 2003-2024...................................... 67FIGURA 27 – Gráfico do volume necessário para suprir a demanda da cidade a capacidade real de abastecimento de água em Ponta Grossa, 2003-2024..................................................................................... 68FIGURA 28 – Localização dos 42 postos de serviços automotivos visitados em Ponta Grossa.......................................................................... 69
  9. 9. LISTA DE ILUSTRAÇÕESFIGURA 29 – Localização dos postos de serviços automotivos visitados em Ponta Grossa que oferecem serviço de lavagem de veículos........................................................................................ 70FIGURA 30 – Quadro síntese do uso de água nos postos de serviços de serviços automotivos pesquisados.............................................. 70FIGURA 31 – Gráfico do uso da água nos postos de serviços automotivos do espaço urbano de Ponta Grossa que oferecem serviço de lavagem (33 postos).................................................................... 72FIGURA 32 – Localização dos postos de serviços automotivos do espaço urbano de Ponta Grossa que aproveitam água pluvial........................................................................................... 73FIGURA 33 – Posto Tio Mucufa......................................................................... 76FIGURA 34 – Posto Real................................................................................... 78FIGURA 35 – Athenas Auto Posto..................................................................... 81FIGURA 36 – Posto Cinco Primos..................................................................... 83FIGURA 37 – Posto Gamper.............................................................................. 85FIGURA 38 – Posto Pinheiro.............................................................................. 88FIGURA 39 – Posto São Sebastião................................................................... 90FIGURA 40 – Posto Flex.................................................................................... 92FIGURA 41 – Posto Pianowski.......................................................................... 95FIGURA 42 – Quadro dos volumes médios mensais de água de chuva aproveitável por metro quadrado na região de Ponta Grossa......................................................................................... 96FIGURA 43 – Quadro de volumes potenciais médios aproveitáveis de água de chuva para AC= 527 m2...................................................... 97FIGURA 44 – Quadro síntese dos dados de área de captação e consumo de água nos postos de serviços automotivos que utilizam água de chuva no espaço urbano de Ponta Grossa......................................................................................... 97FIGURA 45 – Gráfico de relação entre a demanda por águas não potáveis e o volume médio de água de chuva aproveitável no espaço urbano de Ponta Grossa.............................................................. 98
  10. 10. LISTA DE SIGLASABNT Associação Brasileira de Normas TécnicasANA Agência Nacional de ÁguasANP Agência Nacional do PetróleoASA Articulação no Semi-Árido BrasileiroEMATER Empresa de Assistência Técnica e Extensão RuralETA Estação de Tratamento de ÁguaGPS Sistema de Posicionamento GlobalIAPAR Instituto Agronômico do ParanáINCRA Instituto Nacional de Colonização e Reforma AgráriaIPHAN Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico NacionalMDS Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à FomeNBR Norma BrasileiraONG Organização Não GovernamentalONU Organização das Nações UnidasP1+2 Programa Uma Terra e Duas ÁguasP1MC Programa 1 Milhão de CisternasPECMAC Programa Estadual de Captação e Manejo da Água de ChuvaPNRH Plano Nacional de Recursos HídricosPNUMA Programa das Nações Unidas para o Meio AmbientePROSAB Programa de Pesquisas em Saneamento BásicoPVC Cloreto de PolivinilaSAB Semi-Árido BrasileiroSABESP Companhia de Saneamento Básico do Estado de São PauloSANEPAR Companhia de Saneamento do ParanáUNEP United Nations Environment ProgrammeUNESCO Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a CulturaVPL Valor Presente LíquidoWWF Fundação Mundial para Conservação da Vida Silvestre
  11. 11. SUMÁRIO1. INTRODUÇÃO................................................................................... 112. OBJETIVOS....................................................................................... 163. A ÁGUA............................................................................................. 173.1 DISTRIBUIÇÃO DE ÁGUA NO MUNDO E NO BRASIL................... 243.1.1 Gerenciamento racional e sustentável dos recursos hídricos........... 263.1.2 Legislação e Recursos Hídricos........................................................ 293.2 O APROVEITAMENTO DE ÁGUA DE CHUVA: HISTÓRICO E PRÁTICAS RECENTES..................................................................... 323.2.1 Composição do Sistema de Aproveitamento de Água de Chuva...... 494. DESCRIÇÃO DO ESTUDO............................................................... 624.1 CARACTERIZAÇÃO DA ÁREA DE ESTUDOS................................. 634.2 O ABASTECIMENTO DE ÁGUA EM PONTA GROSSA................... 654.3 OS POSTOS DE SERVIÇOS AUTOMOTIVOS................................. 684.3.1 Aproveitamento de água de chuva nos postos de serviços automotivos........................................................................................ 724.3.1.1 Considerações sobre o uso de água de chuva nos postos de serviços automotivos......................................................................... 955. VIABILIDADE ECONÔMICA DO SISTEMA DE APROVEITAMENTO DE ÁGUA DE CHUVA.................................... 996. CONSIDERAÇÃOES FINAIS E RECOMENDAÇÕES...................... 103REFERÊNCIAS.................................................................................................. 105APÊNDICES....................................................................................................... 115ANEXOS............................................................................................................ 131
  12. 12. 1. INTRODUÇÃO De acordo com o relatório da Organização das Nações Unidas (2009)intitulado “Revisão das Projeções da População Mundial”, a população do planeta,atualmente com cerca de 6,5 bilhões de seres humanos, deverá ultrapassar 9bilhões até meados do século XXI. Para Alves (2007) durante o século XX, o impacto do crescimentopopulacional e econômico sobre o ambiente natural foi enorme, provocandoalterações significativas no clima e nas condições de vida do planeta. A humanidadetem um desafio muito grande pela frente, pois, por um lado, precisa crescerracionalmente para reduzir a pobreza e a desigualdade e, por outro, precisaconservar e preservar o meio ambiente, e as condições naturais que fornecem osubstrato da vida na Terra. Entre os elementos que propiciam a vida na Terra, a água desempenha umpapel fundamental, sua simples ausência exterminaria qualquer uma das formas devida que conhecemos até hoje. Considerando que este recurso possui limitesbastante definidos e que uma parcela extremamente pequena está disponível àsnecessidades humanas, à medida em que a população aumenta a quantidade deágua disponível por pessoa diminui e não pode ser substituída por nenhumasubstância alternativa. Segundo a Organização das Nações Unidas para a Educação Ciência e aCultura (2007), no mesmo ano, 3,3 bilhões de pessoas, mais de metade dapopulação mundial, viviam em cidades. Este total pode alcançar os 60% por volta de2030. Dessa maneira as cidades podem ser consideradas uma expressão do séculoXXI. A concentração progressiva da população nas cidades acelera a expansãourbana, impulsionando uma cadeia de problemas ambientais e urbanos. Nas áreas urbanizadas, as construções, as grossas camadas de concreto dascalçadas e o asfalto das longas pavimentações são erguidos sobre a devastação davegetação. Com isso, a quantidade de água que normalmente deveria infiltrarlentamente no subsolo é reduzida, significativamente, aumentando o volume e aintensidade do escoamento superficial, que acelera os processos erosivos,responsáveis por perdas de solo, agravando a situação de áreas de risco,assoreando rios, e tornando mais constantes e sérias as enchentes urbanas. Os
  13. 13. principais problemas decorrentes da urbanização que afetam a quantidade e aqualidade das águas podem ser observados na figura 1. URBANIZAÇÃO Aumento da densidade de Aumento da densidade populacional construções e da cobertura asfáltica Aumenta o Aumenta a Aumenta a Alterações no volume de demanda de área sistema de água residual água impermeabiliza drenagem da Deterioram-se Reduz a Alterações Os rios a quantidade de do clima jusante da água disponível área urbana e (escassez urbano deteriora-se a potencial) água de Aumenta o Aumenta a escoamento escoament velocidade superficial o de superficial escoament Diminui a recarga de água direto o subterrânea Deteriora-se a qualidade da água dos rios e represas Aumenta as urbanos, receptores de enchentes e os águas residuais picos de cheias na área urbana Aumentam os problemas de controle da poluição e das enchentesFIGURA 1 – Quadro com os principais problemas decorrentes da urbanização que afetam aquantidade e a qualidade das águasFonte: TUCCI apud TUNDISI, J.G. (2005).
  14. 14. Com o aumento da população será necessário produzir maior quantidade dealimentos e gerar mais energia, aumentando o consumo doméstico e industrial deágua. Sendo assim, a contaminação dos mananciais também deverá ser acentuada,devido a maior produção de efluentes. Atualmente, mais de 1 bilhão de pessoas não tem acessoà água limpa em quantidade suficiente para garantir a saúde e o desenvolvimentosocial e econômico; e 2,4 bilhões não têm acesso a saneamento básico (TUNDISI,2005). Com tantos agravantes será difícil assegurar o abastecimento de água àspopulações, tanto em quantidade como em qualidade. Nessas circunstâncias,mesmo regiões, atualmente, com relativa abundância de água não estão isentas deenfrentar algum problema com recursos hídricos e nas regiões que já convivem coma escassez o caso pode tornar-se ainda mais grave. Adicionalmente, as mudanças climáticas podem agravar significativamente asituação pela maior frequência e intensidade de eventos extremos como chuvasmais intensas em determinadas regiões e secas mais prolongadas em áreas jácastigadas pela escassez hídrica. A ocorrência de chuvas mais intensas tem comoconsequência a elevação do nível dos rios e o alagamento das várzeas,potencializando as situações de inundação bem como de deslizamentos deencostas. Estiagens mais prolongadas poderão provocar situações de risco decolapso no abastecimento de água em várias regiões urbanas adensadas, inclusivenas principais metrópoles (AGÊNCIA DE NOTÍCIAS DOS DIREITOS DA INFÂNCIA,2009). Diante de tudo isso, uma competição mais acirrada em regiões comquantidades limitadas de recursos hídricos pode resultar em situações geradoras deconflitos, fazendo crescer o risco de guerras pela água. No entanto, esse futuro sombrio pode ser evitado. De Acordo com Llamas(1991) problemas de escassez são praticamente inexistentes na maioria dos paísesdo mundo, sendo, em contrapartida, quase universais e graves os problemas de seumau uso e má gestão. Existem diversas formas de melhorar o uso da água, como por exemplo,aumentar o volume pela captação de mais água; gastar menos água diminuindo ademanda; também é possível usar a mesma quantidade de água com mais
  15. 15. eficiência (CLARKE; KING, 2005). Além disso, podemos tornar o uso da água maisracional compatibilizando a qualidade da água com o seu uso, pois desperdiçamosdiariamente água potável para regar plantas, lavar calçadas, roupas, carros e paradar descarga em banheiros. Entre as várias alternativas tecnológicas para melhorar o uso da água, oaproveitamento de água de chuva é uma técnica bastante simples, eficiente,relativamente barata e ambientalmente correta. É muito utilizada por populaçõesque dispõem de poucas alternativas para conseguir água, como as que convivemcom os regimes de secas das regiões áridas e semi-áridas. Nas áreas urbanas a suautilização, principalmente, para fins não potáveis vem ganhando força como umafonte complementar ao sistema público de abastecimento, pois possibilita reduzir ademanda de água potável destinando-a para finalidades mais nobres como oconsumo humano e a ampliação de seu acesso para a população. Oferecendotambém economia significativa de recursos financeiros e energéticos com tratamentoe uso de água, protegendo ainda as águas subterrâneas. Além disso, utilizar águada chuva significa contribuir para reverter os impactos negativos da urbanizaçãominimizando o desencadeamento de erosões, o agravamento e/ou o surgimento denovas de áreas de risco e o assoreamento de corpos d‟água, evitando que águasaproveitáveis se percam na poluição dos rios e provoquem enchentes urbanas. Na área urbana diversas construções possibilitam o aproveitamento da águada chuva como: edificações residenciais, comerciais, industriais e instituiçõespúblicas e privadas. A coleta de água de chuva pode ser efetuada em diferentes níveis conforme aárea dos coletores, a precipitação e a demanda do local a que será destinada. Oscoletores já estão prontos, estes, são os telhados das edificações, bastando ainstalação de calhas condutoras e um reservatório para onde a água deverá serescoada e armazenada para utilização em diversos fins, nos quais a água nãoprecisa ser potável, como para lavagem de automóveis, calçadas e para dardescarga em banheiros. A demanda por águas não potáveis pode variar bastante de acordo com afunção que o estabelecimento exerce no espaço urbano. Os postos de serviçosautomotivos, que oferecem serviços de lavagem de automóveis, consomem umvolume elevado de água para fins não potáveis, além de oferecer a possibilidade deinstalação, com custo relativamente baixo, devido às suas grandes coberturas e à
  16. 16. economia que podem promover. No entanto, geralmente, servem-se de águastratadas ou de águas subterrâneas, que deveriam ser conservadas para finspotáveis. Ponta Grossa apresenta progressivo aumento da população, principalmenteurbana, que tem elevado a demanda de água. O sítio urbano localizado no alto deespigões radiais dificulta o aproveitamento da água de rios, devido, entre outrosfatores, à topografia acidentada. A deficiência de saneamento e o descaso com apreservação de arroios e rios no município diminuem a quantidade de águadisponível com qualidade. Se essa tendência se mantiver e a situação não forsolucionada, em breve, o município poderá ter que enfrentar problemas deabastecimento de água. Que apresentará como sintoma, principal: aumento do custoda água, devido à maior dificuldade em conseguí-la ou como medida visandodiminuir o consumo. Por outro lado, a cidade está situada numa região chuvosa quepossibilita o aproveitamento da água de chuva durante todos os meses do ano.Embora o aproveitamento de água de chuva represente uma alternativainteressante, principalmente do ponto de vista ambiental, a instalação de um sistemade captação e aproveitamento de água pluvial depende de diversos fatores, dentreeles a possibilidade técnica, a viabilidade econômica e a aceitação social. Oassunto abordado neste trabalho será a possibilidade técnica e a viabilidadeeconômica do aproveitamento de água de chuva nos postos de serviços automotivosda área urbana de Ponta Grossa, PR.
  17. 17. 2. OBJETIVOS Objetivo Geral: Analisar a possibilidade técnica e a viabilidade econômica de aproveitamentode água de chuva para usos não potáveis em postos de serviços automotivos daárea urbana de Ponta Grossa. Objetivos específicos: Investigar como ocorrem as práticas de uso da água nos postos de serviços automotivos da área urbana de Ponta Grossa; Inferir sobre a utilização de água de chuva nesses empreendimentos. Espera-se que o estudo permita concluir sobre a de viabilidade técnica eeconômica de aproveitamento da água de chuva como uma alternativa saudável ebenéfica. Os resultados deverão apoiar a sua utilização para consumo não potável,contribuindo para melhorar a relação humana com os recursos hídricos e paraenfrentar a tendência de crise no abastecimento de água.
  18. 18. 3. A ÁGUA A água como fonte de vida é mencionada em quase todas as teoriasfilosófico-religiosas, considerada pelos gregos da antiguidade um dos quatroelementos que sustentam a natureza, entre os quais ela seria o princípio de todas ascoisas. Para a ciência contemporânea a água surgiu no planeta há cerca de 4,3bilhões de anos, devido ao resfriamento da atmosfera, originando um oceanoprimitivo, onde surgiram às primeiras formas simples de vida (bactérias), háaproximadamente 3,8 bilhões de anos (SUGUIO; SUZUKI, 2003). A água pura (H2O)n é um líquido formado por moléculas de hidrogênio eoxigênio. Na natureza, ela é misturada ainda com gases como, dióxido de carbono enitrogênio; com sais, como nitratos, cloretos e carbonatos; e elementos sólidos comopoeira e areia que podem ser carregados em suspensão (AGUASTORE, 2008). Á água é insubstituível, não se conhecendo outra substância com suaspropriedades, das quais se pode destacar: a ausência de cor, cheiro e sabor,características que possibilitam sua presença como o principal componente damaioria dos alimentos e bebidas; a transparência que a deixa ser atravessada pelaluz torna possível a vida de seres dependentes da luminosidade embaixo d‟água; acapacidade térmica que permite a utilização da água nos três estados físicos: sólido,líquido e gasoso; e por último a sua notável capacidade de dissolução lhe atribui afigura de solvente universal. Considerando que a quantidade total de água em nosso planeta varia muitopouco, pode-se dizer que a dinâmica da água compõe um sistema fechado,denominado de ciclo hidrológico (Figura 2), caracterizado pelo contínuo movimentoentre os estados sólido, líquido e gasoso, devido à maior ou menor quantidade deenergia que irradia do Sol até a Terra. De forma simplificada, podemos dizer que aágua dos lagos, rios, oceanos, vegetação, animais e solo evapora-se. O vapor deágua se move na atmosfera, podendo vir a se concentrar na forma de nuvem e seprecipitar retornando aos oceanos, rios, e ao solo ou permanecer na atmosfera(MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE, 2005). Tal ciclo possibilita a recarga das águassubterrâneas e superficiais, a absorção pelas plantas e animais, sendo um dosresponsáveis pela manutenção da vida.
  19. 19. FIGURA 2 – Ciclo hidrológicoFonte: (PREFEITURA MUNICIPAL DE FLORIANÓPOLIS, 2009) Dessa maneira a água é um bem renovável, ou seja, possui a capacidade dese reciclar através do ciclo hidrológico, porém na atualidade se reconhece avulnerabilidade desse recurso com capacidade limitada de autodepuração, sensívelàs alterações no ambiente. Para os seres humanos a água é um elemento fundamental, representandocerca de 70% de sua constituição, o acesso à água potável é uma questãoimportante relacionada diretamente à qualidade da saúde pública. A água é tambémum insumo indispensável à produção e um recurso estratégico para odesenvolvimento econômico. Todas as atividades humanas dependem da água, anavegação, a indústria, o turismo, a agricultura e a geração de energia elétrica sãoalguns exemplos de seu uso econômico (MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE, 2005). Entre as fases que compõem o ciclo hidrológico, a precipitação tem umaimportância fundamental. Sendo uma forma indispensável de ocorrência de água nanatureza é responsável pela recarga de rios, aquiferos, pela manutenção edesenvolvimento da vida, e por regular parte do equilíbrio da radiação terrestre.
  20. 20. A precipitação pode ocorrer sob a forma de orvalho, chuvisco, chuva, granizo,saraiva ou neve, a partir da liberação do vapor d‟água presente na atmosfera sobrea superfície da terra (VILLIERS apud MAY, 2004). Segundo Ayoade (2004), somente a chuva e a neve contribuemsignificativamente para os totais de precipitação, porém como nas regiões tropicais aneve praticamente inexiste o termo precipitação pluvial, ou seja, chuva é sinônimode precipitação. Convencionalmente existem três tipos principais de chuvas que sediferenciam pela maneira como o ar se eleva originando-a. Conforme a RedeCiência Tecnologia e Sociedade (2009), os tipos são: Chuvas convectivas ou de convecção - chuva que resulta do aquecimento da superfície terrestre, originando a ascensão de massas de ar quente, carregadas de vapor d‟ água. A elevação do ar provoca seu resfriamento, condensando o vapor d‟água e, consequentemente, ocasionando a precipitação. Esta chuva manifesta-se de forma intensa e é de curta duração. São típicas da região intertropical, e de Verão no interior dos continentes, devido às altas temperaturas. A figura 3 representa o comportamento das chuvas convectivas. Letenski, 2009FIGURA 3 – Chuvas convectivas
  21. 21. Chuvas ciclônicas ou frontais - chuva que resulta do encontro de duas massas de ar com características diferentes de temperatura e umidade. Desse encontro, a massa de ar quente sobe, o ar resfria, aproximando-se do ponto de saturação, dando origem à formação de nuvens e, consequentemente, ocasionando a precipitação. São do tipo chuvisco à passagem de uma frente quente ou do tipo aguaceiro, à passagem da frente fria. São chuvas características das zonas de convergência, isto é, das zonas de baixas pressões e, por isso, é este tipo de chuvas que predominam nas regiões temperadas, principalmente no inverno. A figura 4 representa o comportamento das chuvas frontais.FIGURA 4 – Chuvas frontaisFonte: (REDE CIÊNCIA TECNOLOGIA E SOCIEDADE, 2009). Chuvas orográficas ou de relevo - chuva que resulta de uma subida forçada do ar quando, no seu trajeto, apresenta-se uma barreira natural. O ar ao subir resfria e condensa-se formando nuvens saturadas que dão origem à precipitação. São chuvas localizadas, intermitentes e possuem intensidade bastante elevada. Ocorrem nas áreas de relevo acidentado ao longo das vertentes na encosta de onde sopram ventos úmidos. A figura 5 representa o comportamento das chuvas orográficas.
  22. 22. FIGURA 5 – Chuvas orográficasFonte: (REDE CIÊNCIA TECNOLOGIA E SOCIEDADE, 2009). A chuva é uma ótima fonte alternativa de água que pode ser conseguida,facilmente quando a quantidade de precipitação é suficiente. A qualidade da água de chuva depende de sua localização e das condiçõesatmosféricas, variando conforme os gases e materiais em suspensão no ar durante aprecipitação. De acordo com o GROUP RAINDROPS (2002), a água da chuva quecai no início da tempestade se chama “chuva inicial”, e é bastante suja. Então, se a“chuva inicial” for eliminada e o restante da chuva for coletado pelo processo desedimentação1, sua qualidade aproxima-se da água encanada. Quando águaprecipitada é armazenada em grandes quantidades e destinada para fins nãopotáveis, a “chuva inicial” é diluída, e as substâncias nocivas coletadas do ar tornam-se insignificantes partículas em relação ao volume total de água. No entanto, procedimentos comuns para descartar a água dos primeirosminutos de chuva, de modo a lavar a superfície coletora e limpar a atmosferacarregada de poeira, sempre são adotados como medida de precaução (INSTITUTODE ESTUDIOS DEL HAMBRE, 2009).1 “Decantação ou sedimentação: É o processo no qual a força da gravidade é utilizada para separaras partículas de densidade maior que a da água, depositando-as em uma superfície ou zona dearmazenamento (BIBLIOTECA DIDÁTICA DE TECNOLOGIAS AMBIENTAIS, 2009)”.
  23. 23. Conforme Andrade apud Giacchini (2003) os requisitos de qualidade esegurança sanitária da água de chuva estão diretamente relacionados ao fim para oqual se pretende destiná-las. Sendo assim, devem atender aos padrões depotabilidade se o seu uso for doméstico e para fins não potáveis precisam sercompatíveis com o seu uso. De acordo com Agência Nacional de Águas e a Federação das Indústrias doEstado de São Paulo (2005) as exigências mínimas para o uso da água não potávelem função das diferentes atividades a serem realizadas nas edificações, são asseguintes: Água para irrigação, rega de jardim, lavagem de pisos: não deve apresentar mau-cheiro; não deve conter componentes que agridam as plantas ou que estimulem o crescimento de pragas; não deve ser abrasiva; não deve manchar superfícies; não deve propiciar infecções ou a contaminação por vírus ou bactérias prejudiciais à saúde humana. Água para descarga em bacias sanitárias: não deve apresentar mau-cheiro; não deve ser abrasiva; não deve manchar superfícies; não deve deteriorar os metais sanitários; não deve propiciar infecções ou a contaminação por vírus ou bactérias prejudiciais à saúde humana. Água para refrigeração e sistema de ar condicionado: não deve apresentar mau-cheiro; não deve ser abrasiva; não deve manchar superfícies; não deve deteriorar máquinas;
  24. 24. não deve formar incrustações. Água para lavagem de veículos: não deve apresentar mau-cheiro; não deve ser abrasiva; não deve manchar superfícies; não deve conter sais ou substâncias remanescentes após secagem; não deve propiciar infecções ou a contaminação por vírus ou bactérias prejudiciais à saúde humana. Água para lavagem de roupa: deve ser incolor; não deve ser turva; não deve apresentar mau-cheiro; deve ser livre de algas; deve ser livre de partículas sólidas; deve ser livre de metais; não deve deteriorar os metais sanitários e equipamentos; não deve propiciar infecções ou a contaminação por vírus ou bactérias prejudiciais à saúde humana. Água para uso ornamental: deve ser incolor; não deve ser turva; não deve apresentar mau-cheiro; não deve deteriorar os metais sanitários e equipamentos; não deve propiciar infecções ou a contaminação por vírus ou bactérias prejudiciais à saúde humana. Água para uso em construção civil: na preparação de argamassas,concreto, controle de poeira e compactação de solo: não deve apresentar mau-cheiro; não deve alterar as características de resistência dos materiais;
  25. 25. não deve favorecer o aparecimento de eflorescências de sais; não deve propiciar infecções ou a contaminação por vírus ou bactérias prejudiciais à saúde humana.3.1 DISTRIBUIÇÃO DE ÁGUA NO MUNDO E NO BRASIL Sabe-se que cerca de 70% superfície terrestre é composta de água,perfazendo um total de cerca de 1.386 milhões de km³. Essa quantidade não sealtera significativamente, embora possa mudar de estado físico, variando entresólido, líquido e gasoso. A água do planeta se encontra espalhada em mares, rios,lagos, geleiras, aquíferos, no ar atmosférico, incorporada nos seres vivos e nosobjetos (CLARKE; KING, 2005). A maior parte dessa água, aproximadamente, 97,5% é salgada. Menos de2,5% é doce e está distribuída entre as calotas polares (68,9%), os aqüíferos(29,9%), rios e lagos (0,3%), e outros reservatórios (0,9%). Desta forma, apenas 1%da água doce é um recurso aproveitável pela humanidade, o que representa 0,007% de toda a água do planeta (HIRATA, 2008). A figura 6 mostra os volumes deágua no mundo.FIGURA 6 – Gráfico do volume total de água no mundo e volume total de água doce no mundoFonte: (HIRATA, 2008). Essa parcela de água doce acessível à humanidade no estágio tecnológicoatual e a custos compatíveis com seus diversos usos é o que se denomina “recursos
  26. 26. hídricos” (PEREIRA JÚNIOR, 2004). Conforme define a Organização das NaçõesUnidas para a Educação Ciência e a Cultura (2008), são os recursos disponíveis oupotencialmente disponíveis para satisfazer, em quantidade e em qualidade, umadada procura num local e período de tempo determinados. O Brasil é um país privilegiado, dispondo da maior quantidade de recursoshídricos do planeta Terra. Estima-se que a vazão dos recursos hídricos de superfíciebrasileiros corresponda a cerca de 12% do total mundial (PEREIRA JÚNIOR, 2004).Embora essa representação em nível planetário seja muito animadora, ela encobreas enormes disparidades regionais que ocorrem internamente no país. Cerca de 89% da potencialidade das águas superficiais do Brasil estáconcentrada nas regiões Norte e Centro-Oeste, onde vivem apenas 14,5% dosbrasileiros. Restando apenas 11% da potencialidade hídrica para as demais regiões(Nordeste, Sul e Sudeste), onde estão localizados 85,5% da população e 90,8% dademanda de água do Brasil (GEOBRASIL, 2002). Embora o Brasil concentre o maior potencial hídrico mundial, algumas regiõesem seu território têm enfrentado escassez de água potável. Seja devido à sualocalização, ao seu regime hidrológico, às elevadas demandas ou à extremapoluição. Nas regiões Sul e Sudeste o elevado grau de urbanização, a densidadepopulacional e os múltiplos usos da água estão levando à escassez em algunspontos, porque a conseqüente poluição compromete a disponibilidade de água eencarece os custos do seu tratamento (CLARKE; KING, 2005). Na região Nordeste, devido às longas secas, há escassez de águassuperficiais, o que é agravado por problemas como falta de saneamento básico econtaminação por transmissores de doenças tropicais, tornando a situação da regiãoalarmante e bloqueando seu desenvolvimento (CLARKE; KING, 2005). A situação dos recursos hídricos no Brasil abrange muitas outras questõesalém dos problemas da má distribuição. A vasta extensão territorial do país dificultao gerenciamento das águas, que estão sofrendo constante pressão antrópica devidoà exploração excessiva, uso diverso indiscriminado, desmatamento, despejo deesgotos e substâncias tóxicas reduzindo a quantidade de água com qualidade ecomprometendo o acesso de água à população.
  27. 27. 3.1.1 Gerenciamento racional e sustentável dos recursos hídricos Os impactos ambientais causados pela crescente industrialização iniciadaainda no século XVIII, e que considerava os recursos naturais como inesgotáveis,teve repercussão, em 1972, na cidade sueca de Estocolmo, quando a Organizaçãodas Nações Unidas (ONU) chamou pela primeira vez a atenção das nações,alertando para a degradação que as ações humanas estavam causando ao meioambiente, comprometendo gravemente o bem estar e a própria sobrevivência dahumanidade. Para tal realizou-se a I Conferência das Nações Unidas sobre o MeioAmbiente, onde os líderes das nações debateram questões sobre o meio ambiente eo desenvolvimento. Daí resultou a Declaração sobre o Meio Ambiente Humano(1972), um documento sobre princípios de comportamento e responsabilidade quedeveriam direcionar as decisões relacionadas as questões ambientais, bem como nacooperação dos países membros da ONU para a busca de soluções dos problemasambientais. A necessidade de avaliação de como as nações haviam promovido aconservação da natureza, levou à realização da II Conferência das Nações UnidasSobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, sediada na cidade do Rio de Janeiro,em 1992. Vislumbrando a necessidade de mudança no comportamento em direçãoao desenvolvimento global sustentável, que teve seus princípios básicosestabelecidos na Agenda 21, principal produto do encontro. Esta consiste numaagenda que prevê ações concretas a serem realizadas pelos governos e asociedade civil para se alcançar o desenvolvimento sustentável. “O desenvolvimento sustentável pode ser definido como o desenvolvimentocapaz de suprir as necessidades da geração atual, sem comprometer a capacidadede atender as necessidades das futuras gerações. É o desenvolvimento que nãoesgota os recursos para o futuro” (WWF. BRASIL, 2008). Os princípios essenciais do desenvolvimento sustentável têm sido muitodifundidos pelo mundo: crescimento econômico, equidade social e integridadeecológica que de forma integrada permitiriam a distribuição socialmente equitativados custos e benefícios das intervenções humanas no meio ambiente (MAGALHÃESJUNIOR, 2007).
  28. 28. O capítulo 18 da Agenda 21 discute a proteção da qualidade e abastecimentodos recursos hídricos, cujo objetivo geral é: Assegurar que se mantenha uma oferta adequada de água de boa qualidade para toda a população do planeta, ao mesmo tempo em que se preserve as funções hidrológicas, biológicas e químicas dos ecossistemas, adaptando as atividades humanas aos limites da capacidade da natureza e combatendo vetores de moléstias relacionadas com a água. Tecnologias inovadoras, inclusive o aperfeiçoamento de tecnologias nativas, são necessárias para aproveitar plenamente os recursos hídricos limitados e protegê-los da poluição. O aproveitamento inteligente dos recursos naturais, como a água, é umapreocupação que deve atingir todas as esferas da sociedade para se obterresultados verdadeiramente consistentes, assegurando à atual e às gerações futurasdisponibilidade de água, em padrões de qualidade adequados aos seus usos. Noâmbito federal, cabe ao Ministério do Meio Ambiente (Secretária Nacional deRecursos Hídricos) ordenar as ações em relação aos recursos hídricos. Nessesentido foi vital a criação de um Plano Nacional de Recursos Hídricos (PNRH), em2002. Este é essencialmente um instrumento de planejamento estratégico, visandobasicamente definir ações a serem desenvolvidas pelas entidades competentes, nãocabendo ao mesmo definir os procedimentos de sua execução. Baseado numagestão descentralizada, respeitando o espaço de decisão, amparada por Lei, aosEstados e as próprias comunidades usuárias da água. Diante dessa concepção aLei de Águas 9.993/97 prevê a cobrança pelo uso da água, levando a iniciativaprivada e o poder público a adotar medidas de racionalização e reuso da água. Um critério importante que deve apoiar o uso racional dos recursos hídricos éa categorização simples da água, pois ela permite compatibilizar a qualidade daágua com o seu uso. De acordo com o GROUP RAINDROPS (2002) a água éclassificada geralmente em três categorias: água potável, água não potável e águapoluída. As Águas nobres, ou seja, as águas potáveis destinadas ao consumohumano devem cumprir padrões estabelecidos pelos órgãos sanitários. Asatividades que não estão relacionadas ao consumo humano, podem utilizar águas
  29. 29. não potáveis. As águas poluídas e/ou contaminadas até o momento não podem serutilizadas, mas devem passar por um processo de redução de resíduos pordecantação, uma vez que despejadas sem cuidados antecipados na natureza,contaminam uma grande quantidade de água limpa. Diante disso, existem diversas maneiras de tornar o uso da água maiseficiente. Uma delas é gastar menos água, outra é reciclar a água que já foi utilizadaem alguma atividade. O reuso da água diminui significativamente a quantidade deefluentes que seriam despejados contaminando águas superfícies e subterrâneas,além de diminuir a quantidade água retirada dos mananciais. As técnicas de reusotêm encontrado uma resposta muito positiva na indústria, embora necessite deequipamentos especiais para o tratamento antes da reutilização, requerendo algunsinvestimentos. Porém as medidas governamentais que prevêem a cobrança tantopelo uso da água, como pelo lançamento de efluentes na natureza (princípio dopoluidor-pagador) têm estimulado o reuso da água. Outra forma de melhorar o uso da água é aumentar sua captação buscandofontes alternativas de água. Uma boa maneira nesse sentido consiste em coletar,armazenar e utilizar a água da chuva. Em regiões de seca o uso da água da chuvafaz parte da tradição local. Na atualidade, com a necessidade de harmonizaçãoentre a chuva e o ambiente urbano, o aproveitamento da água da chuva seevidencia como uma alternativa promissora para mitigar os impactos daurbanização. Uma outra alternativa que tem aumentado bastante no Brasil é a exploraçãoda água subterrânea, uma vez que geralmente possibilita destiná-la para fins nobrescom qualidade elevada, por vezes superior a da água tratada e à baixos custos.Porém conforme o Ministério do Meio Ambiente (2005) os recursos hídricossubterrâneos brasileiros estão sujeitos a uma série de riscos, dos quais é importantecitar: exploração excessiva, que pode provocar o esgotamento dos aquíferos; a contaminação das águas subterrâneas por efluentes sanitários e industriais, agrotóxicos, fertilizantes, substâncias tóxicas provenientes de vazamentos. A gravidade da contaminação está diretamente
  30. 30. relacionada à toxicidade, persistência, quantidade e concentração das substâncias que alcançam os mananciais subterrâneos. Para garantir a sustentabilidade na utilização das águas subterrâneas deve-seter por base a sua capacidade de recarga, a disponibilidade do aquífero e a criaçãode critérios e instrumentos legais para restringir a sua utilização de forma racionaladequada à realidade local.3.1.2 Legislação e Recursos Hídricos As legislações que tratam dos recursos hídricos no Brasil surgem no contextoda grande crise nas primeiras décadas do século XX, com o Decreto Presidencial24.643, em 10/7/34 que aprovou o Código de Águas. Focando a água como um doselementos básicos do desenvolvimento nacional, buscou-se a valorização dopotencial hidráulico brasileiro na irrigação da agricultura e, principalmente, nageração de energia elétrica para atender o ramo urbano-industrial surgente no país.Esse dispositivo reconheceu o valor econômico das águas e definiu a suapropriedade como pública. O marco na proteção das águas brasileiras foi a aprovação da Lei Federal n°9.433/97, a chamada “Lei das Águas”, que de acordo com Almeida (2002)reconheceu a necessidade de se proteger as águas dentro da estrutura globalambiental, a partir da gestão integrada dos recursos hídricos e do meio ambiente,visando o desenvolvimento sustentável e à manutenção do meio ambienteecologicamente equilibrado, conforme recomenda a atual constituição. A referendada lei instituiu a Política Nacional dos Recursos Hídricosestabelecendo em seu artigo 1° os seguintes fundamentos básicos: a adoção da Bacia Hidrográfica como uma unidade de planejamento; os múltiplos usos que podem ser atribuídos a água; reconhecimento da água como um bem finito e vulnerável; reconhecimento do valor econômico da água; a gestão integrada participativa.
  31. 31. Em seu artigo 2°, a “Lei das Águas” estabelece os seguintes objetivos daPolítica Nacional dos Recursos Hídricos: assegurar à atual e às gerações futuras a necessária disponibilidade de água, em padrões de qualidade adequados aos respectivos usos; a utilização racional e integrada dos recursos hídricos, com vistas ao desenvolvimento sustentável; a prevenção e a defesa contra eventos hidrológicos críticos de origem natural ou decorrentes do uso inadequados dos recursos naturais. Em 2000 criou-se a Agência Nacional de Águas (ANA), que tem como missãobásica implementar os instrumentos de gestão previstos na Lei 9.433/97 e fiscalizaro uso dos recursos hídricos. Dessa maneira a água passa a ser um bem dotado devalor econômico controlado por meio da utilização de instrumentos regulatórios eeconômicos, como a concessão de outorgas, instrumento pelo qual o Poder Públicoautoriza o usuário a utilizar as águas de seu domínio, por tempo determinado e comcondições preestabelecidas e a cobrança pelo seu uso. Visando, principalmente,induzir a redução do desperdício pelo uso racional da água e promover a justiçaambiental realizando a cobrança para aqueles que usam e poluem as águas. A Lei n° 12.726 /99 em seu artigo 1° institui a Política Estadual de RecursosHídricos e cria o Sistema Estadual de Gerenciamento de Recursos Hídricos, comoparte integrante dos Recursos Naturais do Estado do Paraná, nos termos daConstituição Estadual (1989) e na forma da legislação federal aplicável. Os seusfundamentos básicos e objetivos são comuns aos da “Lei de Águas”. De acordo comAlmeida, 2002: Os maiores problemas que afligem a proteção ambiental dos nossos recursos naturais são: a grande pressão demográfica; a falta de planejamento adequado do uso do solo e dos recursos naturais; a carência de serviços públicos básicos; e a urbanização descontrolada. Possuímos um dos mais avançados sistema de proteção jurídica do meio ambiente, porém inoperante.
  32. 32. Temos boas leis que destacam a importância de se preservar os recursoshídricos, fazendo uso racional da água na busca de garantir a sua sustentabilidade.Legislar é um passo imprescindível para estabelecer a ordem das coisas, porémprecisamos fazer valer tal normatização, a partir de esforços individuais e conjuntospara a melhoria de gestão dos recursos hídricos. Individualmente podemos cuidarda água com atitudes cotidianas simples como: fechar as torneiras enquanto nãoestiver utilizando, diminuir o tempo do banho, e reutilizar águas já utilizadas emalguma atividade, para lavar calçadas, por exemplo. Segundo Menezes (2006) a utilização de equipamentos economizadores deágua2, reduz significativamente o consumo e as contas de água possibilitandotambém aos usuários dessas tecnologias uma participação mais efetiva napreservação ambiental. Entre estes produtos estão o arejador de torneira e o registroregulador, que tem como função limitar a vazão de água nos pontos de consumoindependente da pressão na rede ou do nível de abertura; a bacia sanitária comvolume de descarga reduzido; as torneiras com fechamento automático; e mediçãoindividual em edifícios residenciais multifamiliares com o objetivo de estabelecer orateio da contas de água geral. Coletivamente recomenda-se à comunidadeacadêmica a se engajar nessa luta em defesa da água investigando a situação realdos recursos hídricos, levando esclarecimento e educação à população sobre ocombate ao desperdício em conjunto com associações públicas e privadas, escolase empresas de saneamento buscando facilitar o trabalho dos órgãos públicosresponsáveis e também realizar as devidas cobranças de cumprimento dalegislação, acionando as autoridades competentes em caso de irregularidade. Com relação a água de chuva, embora algumas regiões brasileiras,tradicionalmente, utilizem essa fonte alternativa de água a anos, até o momento nãoexiste na legislação nacional nenhuma lei que regulamente seu uso. May (2004) aponta que um dos motivos de não haver uma normatização paraimplantação adequada do sistema de aproveitamento de água da chuva é a falta dedados tais como: qualidade da água e coeficiente de runoff3.2 No site da Sabesp (www.sabesp.com.br) encontra-se disponível uma listagem deprodutos e fornecedores com está finalidade.3 O coeficiente de runoff é a razão entre o volume de precipitação e o volume de escoamentosuperficial que pode ser melhor compreendido no item 3.2.1, sobre a composição do sistema deaproveitamento de água de chuva.
  33. 33. Buscando diminuir as potencialidades de enchentes urbanas e diante doiminente risco de escassez de água, diversas cidades têm aprovado leis municipaisque obrigam o uso da água da chuva nas grandes cidades como Rio de Janeiro,São Paulo e Curitiba. A cidade do Rio de Janeiro aprovou o Decreto-Lei em 2004,que obriga todos os edifícios com mais 500 m² de área impermeabilizada, prédiosresidenciais com mais de 50 apartamentos e novas construções a implantarem umsistema para captação da água das chuvas. Na capital do Paraná foi instituída, aLei n° 10.785 em setembro de 2003, que cria Programa de Conservação e UsoRacional da Água nas Edificações. Tendo como objetivo estabelecer medidas queestimulem a conservação, o uso racional e a utilização de fontes alternativas paracaptação de água nas novas edificações. Diversas outras cidades do país vêmaderindo a essa tendência, porém essas leis não têm sido estruturadas de umaforma sistemática ampla e não apresentam nem um respaldo técnico sobre autilização dessas técnicas alternativas. A Lei Nº 7070 de 12 de dezembro de 2002, que altera a seção 11ª referenteas "Águas Pluviais", do Código de Obras do Município de Ponta Grossa, Lei nº6.327, de 02 de dezembro 1999 diz o seguinte: Art. 523 - As instalações de águas pluviais devem ser projetadas eexecutadas observando as normas do órgão municipal competente. Art. 525 - Será admitido outro tipo de ligação desde que tecnicamentejustificado, a critério do órgão municipal competente. Atualmente a norma brasileira NBR 15527/2007 da Associação Brasileira deNormas Técnicas (ABNT) sobre aproveitamento de água da chuva para fins nãopotáveis estabelece os requisitos para um sistema completo de aproveitamento deágua de chuva em coberturas nas áreas urbanas para fins não potáveis.3.2 O APROVEITAMENTO DE ÁGUA DE CHUVA: HISTÓRICO E PRÁTICASRECENTES O aproveitamento de água de chuva é uma técnica relativamente simples eeconômica que consiste em coletar a precipitação por meio de superfícies
  34. 34. impermeáveis e conduzi-la para um reservatório onde será armazenada para osmais diversos usos, tanto em áreas urbanas quanto rurais. Existe uma grande variedade de técnicas para aproveitar a água de chuva ea tecnologia envolvida pode ser extremamente simples ou complexa dependendo deespecificidades locais, das particularidades da construção e do uso pretendido. De uma maneira geral podemos inferir que em áreas extremamenteurbanizadas e industrializadas as técnicas se complicam devido à grandequantidade de poluentes presentes no ar atmosférico, nos telhados e pisosnormalmente utilizados para coletar a chuva, requerendo um cuidado maior emrelação à qualidade da água e ao seu uso que deve ser destinado para fins nãopotáveis, do que em regiões rurais, afastadas de áreas urbanas e industriais, onde aemissão de poluentes atmosféricos é significativamente menor e a água podeinclusive ser utilizada para beber após uma desinfecção simples. Conforme Worm e Hattum (2006), a tecnologia utilizada é flexível e adaptávela uma ampla diversidade de circunstâncias. Sendo utilizada desde as sociedadesmais desenvolvidas até as mais carentes, assim como entre as regiões mais úmidasou mais secas do planeta. Embora o correto armazenamento de água de chuva represente um valiososuprimento de água produzindo inúmeros benefícios sociais, econômicos eambientais, ele também oferece algumas desvantagens. É importante avaliar essasquestões para poder traçar um comparativo referente às possibilidades de instalaçãode outras opções disponíveis. A figura 7 apresenta algumas vantagens edesvantagens referentes ao aproveitamento de água de chuva de uma maneirageral. A coleta de água de chuva para aproveitamento em múltiplos usos nãopotáveis pode ser realizada em uma infinidade de estabelecimentos: residenciais,comerciais, industriais e rurais. Segundo Machado & Cordeiro (2004) a águaproveniente das chuvas se destinará: Para usos residenciais em: descarga do vaso sanitário lavagem de pisos e de veículos automotores irrigação de jardins
  35. 35. lavagem de roupas Para usos comerciais e industriais em: resfriar equipamentos e máquinas para serviços de limpeza descargas nos sanitários reservatório contra incêndios irrigação das áreas verdes áreas de contenção diminuindo/evitando alagamentos lavagem roupas - hotel e lavanderias lavagem veículos e outros Para usos rurais: Além dos usos residenciais, também se utiliza água de chuva para a irrigação de agricultura. (continua) Aspecto Vantagens Desvantagens Redução do gasto mensal com Dependendo da tecnologia água e esgoto. empregada, pode ter alto custo inicial. Garantia da qualidade de vida pela Pode aumentar o gasto com certeza da não falta de água e energia elétrica seus inconvenientes. Aumento da renda mensal, após Econômico retorno do investimento inicial. Flexibilidade e adaptabilidade dos sistemas para satisfazer as circunstâncias e orçamentos locais, o que inclui o aumento da disponibilidade de tanques de baixo custo (por exemplo, feitos de ferro-cimento, plástico ou de pedra/ tijolos). Melhora da imagem perante a Pode haver dificuldade de sociedade, órgãos ambientais, etc. aceitação social por falta de Social esclarecimentos básicos sobre o sistema.FIGURA 7 – Quadro com as principais vantagens e desvantagens do aproveitamento de água dechuva
  36. 36. (continuação) Aspecto Vantagens Desvantagens Preservação dos recursos hídricos, O abastecimento é sensível à principalmente dos mananciais seca. A ocorrência de estações superficiais e subterrâneos. secas prolongadas e de secas pode causar problemas quanto Ambiental ao abastecimento de água. Contribui na contenção de enxurradas que provocam alagamentos e enchentes Manutenção: a operação e Manutenção: uma operação manutenção do sistema são correta e uma manutenção controladas pelo proprietário do regular são um fator muito tanque. Desse modo, constitui uma importante que, muitas vezes, boa alternativa à debilidade de é negligenciado. Inspeção e manutenção e monitoramento de limpeza regulares e reparações um sistema centralizado de água ocasionais são essenciais para canalizada. o sucesso do sistema. Outros Água de qualidade relativamente A qualidade da água é boa: a água da chuva é melhor que vulnerável: a qualidade da outras fontes tradicionais água da chuva pode ser disponíveis (a água subterrânea afetada pela poluição do ar, talvez não possa ser usada devido excrementos de animais e de ao flúor, salinidade ou arsênico). pássaros, insetos, sujeira ou matéria orgânica.FIGURA 7 – Quadro com as principais vantagens e desvantagens do aproveitamento de água dechuva (Adaptado de KOBIYAMA; MOTA; CORCEUIL, 2008 e WORM; HATTUM, 2006). O aproveitamento da água de chuva não é algo que foi idealizadorecentemente, essa técnica já vem sendo utilizada a milhares de anos. Registroshistóricos revelam que diversos povos da antiguidade conseguiram desenvolvergrandes civilizações em regiões semi-áridas, tendo com único recurso para todas assuas atividades, quantidades irregulares de água proveniente dos poucos meses dechuva. No deserto de Negev, localizado no Oriente Médio, por exemplo, existemvestígios desse sistema com reservatórios escavados na rocha, de idade próxima de4000 anos4 (Figura 8).4 Ver UNESCO World Heritage Site, disponível em:http://www.parks.org.il/BuildaGate5/general2/company_search_tree.php?Cat=383~Card12~~~~&ru=&SiteName=parks&Clt=&Bur=162179697
  37. 37. FIGURA 8 – Vestígios de cisternas escavadas na rocha no deserto do Negev, Oriente Médio. A-Acesso subterrâneo à cisterna; B- Orifício para entrada de água na cisterna.Fonte: (BIBLETOURIST, 2009). Thomaz apud May (2004) menciona a Pedra Moabita, uma inscrição do reiMesha de Moabe, encontrada no Oriente Médio. Nela o rei sugeria, por volta de 850a.C, a construção de uma cisterna para aproveitamento da água de chuva em cadacasa. O trecho a seguir é uma transcrição das palavras do rei Mesha do hebraicopara o português da Pedra Moabita. [...] “fiz os seus reservatórios para água, dentro da cidade. E não haviacisterna dentro da cidade de Qarhoh, por isso disse ao povo: Que cada um de vósfaça uma cisterna para si mesmo, na sua casa” [...] (SÁLVIO, 2008). Durante o Império Romano, foi construído um complexo sistema de uso daágua que incluía a utilização de aquedutos e cisternas. Na época de Cristo, na Fortaleza Massada, localizada a leste do deserto deJudá, em Israel. O rei Herodes construiu um complexo sistema com 12 imensascisternas (Figura 9), com capacidade de cerca de 40.000 m³ cada, escavadas eligadas por túneis capazes de abastecer diversos cantos da cidadela, inclusive aspiscinas das casas de banho. Mesmo sendo uma região muito seca esse sistema deabastecimento conseguia captar a água dos temporais de inverno bastando apenasalgumas horas para encher as cisternas. (ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDASPARA A EDUCAÇÃO A CIÊNCIA E A CULTURA, 2001; ARAÚJO & SILVA NETO,2009).
  38. 38. FIGURA 9 – Fortaleza Massada e cisterna escavada na rocha, Deserto de JudáFonte: (UNITED NATIONS EDUCATIONAL, SCIENTIFIC AND CULTURAL ORGANIZATION, 2009). De acordo com HowStuffWorks (2007) o uso de poços e de cisternas querecolhiam a água da chuva que escorria do telhado eram fundamentais para asobrevivência dos castelos na idade média. Alguns castelos tinham umencanamento rudimentar que canalizava a água das cisternas para as pias. Ruskin (2001a) refere-se a um trabalho publicado, em 1863, pelo J. FranklinInstitute na Practical Mechanica5, onde de acordo com o autor a cidade de Venezacoletou a precipitação das chuvas e a armazenou em cisternas por um períodosuperior a 1.300 anos. A água coletada em 177 cisternas públicas e 1.900 cisternasprivadas era a principal fonte de água fresca para Veneza até aproximadamente oséculo XVI. No continente sulamericano os Incas construíram canais que transportavamágua para que fosse armazenada em cisternas, ou mesmo em diferentes níveis deterraços, nos terrenos íngremes da região, que permitiram um melhoraproveitamento da terra para a agricultura sem desperdícios. No Brasil relatos sobre o armazenamento de água de chuva em cisternasremontam à época do descobrimento do país, ainda que em alguns casos como umaalternativa momentânea para atender às necessidades de viajantes.5 J. Franklin Institute, “The water cisterns in Venice,” Practical Mechanica J., 3rd ser. 70 (1860): 372-73, 1863.
  39. 39. Por volta de 1555, o Almirante francês Villegaignon, buscando asilo nas terrasde além-mar para os huguenotes que eram perseguidos religiosos na Europa,estabeleceram-se temporariamente, na ilha de Sergipe, que hoje leva o nome doAlmirante, na baia de Guanabara. A ilha tinha um posicionamento estratégico tantopara ataque quanto para defesa de tropas inimigas, mas um dos grandesinconvenientes era a falta de água potável. Para amenizar essa situação abriu-seuma cisterna que podia armazenar água por 6 meses (FERREIRA, 2000). Diversos fortes criados pela coroa portuguesa na orla marítima, para garantira defesa de posse das terras recém descobertas, utilizavam cisternas como parteimportante do suprimento de água. Entre eles destacam-se: O Forte dos Reis Magos, construído em 1598, numa união da coroa portuguesa e espanhola para expulsar o francês da região do Rio Grande do Norte. A construção do forte que representa um dos mais expressivos marcos históricos do Brasil deu início à cidade de Natal. Na fortificação encontram-se a Casa de Comando, os Quartéis e os Depósitos, além da Capela, a Casa de Pólvora e uma cisterna para armazenar a água da chuva (TEIXEIRA, 2006; GUIA DA SEMANA, 2006) e; A Fortaleza de Ratones (Figura 10), que foi construída em 1744, em Santa Catarina. O aqueduto, que une a casa do comandante aos aquartelamentos, fazia parte do sistema de captação das águas pluviais, provenientes dos telhados dos edifícios principais, e que complementava o suprimento proveniente da fonte de água para ser consumida pelas tropas do Império Português (TEIXEIRA, 2008). Atualmente os fortes pertencem ao Instituto do Patrimônio Histórico e ArtísticoNacional (IPHAN) e funcionam como atrativo de visitação turística, a Fortaleza deRatones utiliza a energia de painéis solares instalados próximos à fortaleza(TEIXEIRA, 2008).
  40. 40. FIGURA 10 – Visão panorâmica da Fortaleza de Ratones, SC. 1- Fonte d‟ água; 2 e 3- painéissolares.Fonte: (TEIXEIRA, 2008). Nos engenhos de açúcar do Brasil colonial não faltavam cacimbas, cisternasou grandes potes para guardar água (GUILLEN & COUCEIRO, 2001). Nos quilombos o uso de cisternas também era frequente e ficava localizadono centro das vilas juntamente com outras instalações públicas como o conselho, omercado e a forja (MAESTRI, 1997). Como observado, as técnicas de utilização de água de chuva tem sidodesenvolvidas há milhares de anos por diversos povos. Com o passar do tempo em diversas sociedades a utilização de água dechuva foi gradativamente reduzida e abandonada ao esquecimento, principalmentedevido aos avanços tecnológicos que facilitaram o acesso a água. Na atualidade o aumento constante da demanda de água, a concentração dapopulação nos grandes centros urbanos e a poluição dos mananciais tem geradograndes problemas de abastecimento de água e outros relacionados como doençasde vinculação hídrica e enchentes urbanas. O enfrentamento desses problemas tem levado diversos países a retomar oaproveitamento de água de chuva como uma fonte alternativa de água. Para o Japão coletar, armazenar, utilizar a água da chuva e infiltrar seuexcedente no solo é uma sabedoria adquirida recentemente para mitigar escassezde água, controlar as inundações, e garantir água para emergências que Tóquio
  41. 41. aprendeu depois de uma dura lição ao rejeitar completamente a chuva e esvaziartoda essa água em esgotos (GROUP RAINDROPS, 2002). Em 1994, Tóquio realizou a 1° Conferência Internacional sobreaproveitamento de água da chuva, abordando o seguinte tema: “O aproveitamentoda água da chuva salva a terra e cria uma amizade entre os pingos de chuva e ascidades”, iniciando uma rede global de troca de informações sobre o aproveitamentode água de chuva. De acordo com GROUP RAINDROPS (2002), em 1985, na cidade de Sumida,no Japão, juntamente com a construção do ginásio de sumô Ryogoku Kokugikan(Figura 11) foi instalado um sistema de aproveitamento de água de chuva. Buscandoaproveitar seu grande telhado com 8400 m² de área. O ginásio foi equipado com umreservatório de 1000 m³ instalado no subsolo para abastecer os vasos sanitários, osistema de refrigeração, é utilizado para regar plantas, lavar pátios e comosuprimento de água emergencial local. No país a coleta e utilização de água de chuva são promovidas e continuamflorescentes, tanto a nível público e privado.FIGURA 11 – Ryogoku Kokugikan, ginásio de sumo, Sumida, no JapãoFonte: (UNITED NATIONS ENVIRONMENT PROGRAMME, 2002).
  42. 42. Em Singapura, 86% da população vive em arranha-céus. Por ser um paíspequeno conta com limitados recursos naturais e uma crescente demanda de água.A busca por fontes alternativas e métodos inovadores para obtenção de água, temlevado seus moradores a coletar a água de chuva através de coberturas leves nosedifícios. A água coletada é armazenada em reservatórios distintos para usos nãopotáveis, estudos já constataram uma economia efetiva de 4% de água consumida,que não precisa ser bombeada para o alto dos edifícios a partir do piso térreo. Noaeroporto do país a água de chuva coletada nas suas vias e nas áreas verdes éarmazenada em reservatórios dimensionados para trabalhar com excesso de águapara reserva. A água coletada é usada para fins não potáveis, como combate aincêndios e descargas de banheiros, permitindo ao aeroporto reduzir em cerca de30% o consumo de água tratada obtendo um retorno financeiro considerável, vistoque o custo da água é alto no país (UNITED NATIONS ENVIRONMENTPROGRAMME, 2002). Na Tailândia o método utilizado é um dos mais simples, barato, apropriado eobtém água potável de alta qualidade. A água dos telhados escorre para grandesvasos, com capacidade de 100 a 3000 litros que são, simplesmente, equipados comtorneiras, tampas e ralos que garantem a proteção da água contra a contaminação apartir de lixo e infestação de mosquitos. O modelo mais popular de 2000 litrosconsegue suprir as necessidades de uma família com 6 pessoas durante a estaçãoseca que tem duração de 6 meses. Além disso, devido ao grande êxito obtido comesse sistema o governo tailandês promoveu uma campanha nacional para utilizaçãoda água da chuva, gerando empregos na construção dos vasos e apoiando aquelesque não podem comprá-lo (UNITED NATIONS ENVIRONMENT PROGRAMME,2002). A figura 12 mostra os grandes vasos usados como reservatórios de água naTailândia.
  43. 43. FIGURA 12 – Vasos para armazenar água de chuva na TailândiaFonte: (UNITED NATIONS ENVIRONMENT PROGRAMME, 2002). Nas Ilhas Virgens dos Estados Unidos, as cisternas têm sido utilizadas desdeque estas ilhas foram colonizadas. Atualmente, as cisternas ainda suprem asdemandas de água de muitos residentes das ilhas do Pacífico e Caribe, semmencionar as regiões costeiras, tropicais e outras da América Latina. Na realidade,as cisternas das Ilhas Virgens podem ser encontradas abastecendo não apenas asnecessidades de água de residências particulares, como também de escolas,restaurantes, projetos públicos de moradias, hotéis e casas de hóspedes (RUSKIN,2001a). Na China, um dos países mais populosos do mundo, onde 70% da populaçãovive na zona rural, a milenar prática de aproveitamento de água de chuva vemsendo reincentivada nos últimos 20 anos, principalmente para agricultura. Nas áreasdo semi-árido chinês o Programa “Providenciando água para uso humano e paraanimais, desenvolvendo a economia, agricultura e melhorando o meio ambienteatravés do uso de água de chuva”, denominado “Programa 1-2-1”: a propostaconsiste na construção de uma (1) área de captação de 100 m2, duas (2) cisternassubterrâneas de concreto para armazenamento de água, uma cisterna para água debeber e outra para irrigação (entre 20 e 50 m3), e uma (1) área de pelo menos 700m2 com irrigação suplementar, destinada à produção de culturas comercializáveis
  44. 44. (Figura 13). As famílias contribuíram com a mão-de-obra e até o final de 2004,2.500.000 tanques de água foram construídos somente no estado de Gansu(GNADLINGER, 2004).FIGURA 13 – Modelo de captação de chuva no Programa 1-2-1Fonte: (GNADLINGER, 2004). Na Tasmânia, onde o ar é tido como o mais limpo do mundo, devido àcirculação de nuvens da Antártida em direção ao país, a chuva resultante é limpatambém. Dúvidas sobre a qualidade da água foram esclarecidas através da melhoriatecnológica e de gestão, hoje metade da população e cerca de 77% das criançasbebem água de chuva que é comercializada em caixinhas de 1 litro (GROUPRAINDROPS, 2002; UNITED NATIONS ENVIRONMENT PROGRAMME, 2004;GNADLINGER, 2007; TASMANIAN RAIN, 2009). Sob iniciativa da United Nations Environment Programme (UNEP), ou na suaversão portuguesa, Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA),em outubro de 2004, na cidade de Haia, nos Países Baixos, foi criada a “RainwaterPartnership” ou “Parceria da Água de Chuva” para promover e integrar oaproveitamento de água de chuva em escalas locais, nacionais e globais,principalmente no continente africano dado que cerca de 300 milhões de pessoas, ocorrespondente a um terço da população do continente, são pessoas que vivem em
  45. 45. circunstâncias de "escassez de água", uma ação urgente é necessária para reduzir afalta de água que aflige o continente. A iniciativa reconhece a importante contribuição da utilização de água dechuva na consecução dos objetivos da Agenda 21, do Plano de Implementação deJohanesburgo e dos objetivos de Desenvolvimento do Milênio que têm como metareduzir pela metade a proporção de pessoas sem acesso a água potável esaneamento e os que vivem em situação de pobreza no mundo até 2015. Em muitos outros países o aproveitamento de água de chuva vem sendodesenvolvido com sucesso como: na Alemanha, a Daimler Chrysler como parte deum complexo conceito interdisciplinar ecológico; nas zonas rurais do Quênia, paradar um novo papel social e econômico para as mulheres que transformaram umaregião seca e poeirenta em um ambiente verde e produtivo; na Zâmbia, a fim deaumentar os rendimentos das culturas utilizando a conservação da agricultura; naÍndia, como resultado das iniciativas da sociedade civil e de defesa, os governosfederal e estaduais têm trazido, para a realização de mudanças na política do país, àcoleta da chuva como um componente essencial de todos os programas da água nomeio urbano e rural (UNITED NATIONS ENVIRONMENT PROGRAMME, 2004). No Brasil a água da chuva tem ganhado destaque, principalmente, como umaalternativa para enfrentar a escassez no semi-árido nordestino e como uma potencialfonte de água suplementar nas mega-cidades, visando reduzir o consumo de águaspotáveis e minimizar a ocorrência de enchentes urbanas. No Rio Grande do Sul, em 2005, foi iniciado o Programa Estadual deCaptação e Manejo da Água de Chuva (PECMAC) para combater a estiagem nazona rural que prevê a construção de cisternas com capacidade de 30 m³, devendoenvolver a mão-de-obra local; e microbarragens que devem ser dimensionadas portécnicos da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (EMATER). Épossível aos proprietários rurais requerêrem financiamento para a execução dessasobras. A água armazenada poderá servir para a irrigação de hortas, pequenospomares, lavagem de estábulos e pocilgas e outras atividades que não necessitemde água potável. O projeto inclui ainda a infiltração de água de chuva naspropriedades, cuja orientação do sistema é: “as águas das chuvas deverão sermantidas onde elas caem”, buscando redirecionar as águas de chuva queprejudicam a conservação das estradas. O programa também contempla aconstrução de cisternas para fins não potáveis nas áreas urbanas.
  46. 46. Em Corumbá, no Mato Grosso do Sul, foram construídas 738 cisternas, cadauma com capacidade para armazenar 20 m³ de água de chuva. A medida foiadotada pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) parasolucionar a dificuldade de abastecimento de água enfrentada nos assentamentosda região (MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO AGRÁRIO, 2008). No Semi-Árido Brasileiro (SAB) a adoção de métodos para armazenamento emanejo de água de chuva significa muito mais do que uma maneira de se conseguirágua; é antes de tudo uma questão de criar mecanismos de adaptação paraconviver dignamente com o clima e a seca. De acordo com Schistek (2009) uma das características mais marcantes doSemi-Árido Brasileiro é a quase total falta de cursos de água permanentes. Aprecipitação é irregular em demasia, tanto temporalmente quanto espacialmente, detal maneira que dificilmente se encontram dois anos com distribuição de chuvasemelhante. Além disso, a evaporação é muito alta, enquanto a precipitação média éde 500 mm por ano, potencialmente poderiam evaporar 3.000 mm por ano. Não ésomente a precipitação e a evaporação que condicionam a disponibilidade ou a faltade água. A maior parte do Semi-Árido Brasileiro, aproximadamente 80 %, possuirochas do embasamento cristalino que dificultam muito a existência de águassubterrâneas em quantidade e qualidade. Mesmo assim a existência de umadeficiência hídrica pode ser considerada relativa. Com conhecimentos básicos sobremeio ambiente, sobre algumas tecnologias simples e os recursos materiaisnecessários disponíveis, a água precipitada nos meses de fartura pode serarmazenada para os meses de seca. No Semi-árido Brasileiro, existem muitos exemplos bem sucedidos nacaptação e manejo de água de chuva para uso humano, para criação de animais eprodução de alimentos, que na sua maioria foram desenvolvidas por agricultoresfamiliares (GNADLINGER, 2005). A partir da iniciativa da ASA (Articulação no Semi-Árido Brasileiro) entidadeque reúne mais de 700 ONGs atuantes no Semi-Árido Brasileiro. Foi iniciado, em2003 o Programa 1 Milhão de Cisternas (P1MC), que deve construir o equivalente a1 milhão de cisternas nos próximos anos com recursos financeiros do Ministério doDesenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) e da iniciativa privada. O P1MCdeve beneficiar cerca de 5 milhões de pessoas em toda região semi-árida do país,com água potável para beber e cozinhar coletada dos telhados das casas e
  47. 47. armazenadas em cisternas. Das 259.500 cisternas construídas até junho de 2009no âmbito do programa, grande parte é cisterna de placas de cimento. Cada cisternatem capacidade de armazenar 16 m³ de chuva, que se for utilizada de formaadequada é capaz de suprir a necessidade de uma família de cinco pessoas por umperíodo de seca de 8 meses, tempo suficiente para suportar uma seca bastanteprolongada fornecendo 14 litros de água potável por pessoa por dia (REDE DETECNOLOGIA SOCIAL, 2007; MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO SOCIAL ECOMBATE A FOME, 2009; ARTICULAÇÃO NO SEMI-ÁRIDO BRASILEIRO, 2009). A tecnologia empregada para utilização de água de chuva, na região, consisteem: uma área de coleta que é o telhado das casas, um sistema de distribuiçãoformado por calhas e canos e um reservatório, entre os quais, de acordo comGnadlinger (2005), se destacam: As cisternas de placas que são reservatórios cilíndricos de água de chuva, construídos com placas pré-moldadas de cimento, ficam enterradas no chão até mais ou menos dois terços da sua altura, mantendo a água sempre fresca. A figura 14 apresenta a cisterna de placas construída no SAB;FIGURA 14 – Cisterna de placasFonte: (MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO SOCIAL E COMBATE A FOME, 2009). As Cisternas de concreto com tela de arame (que utiliza uma forma durante a primeira fase de construção), que raramente apresenta vazamento, e, se isso acontecer, poderá ser facilmente consertada, apresentada na figura 15;
  48. 48. FIGURA 15 – Construção de uma cisterna de tela com arameFonte: (CAVALCANTE, 2007). E a cisterna de tela-cimento, aperfeiçoada, em 2005, com a utilização de tela de material galvanizado, que fica em pé e dispensa a forma, apresentada na figura 16.FIGURA 16 – Construção de uma cisterna com tela-cimentoFonte: (SCHISTEK, 2005). Diversos autores concordam que para resolver o problema de abastecimentode água para o uso familiar em regiões semi-áridas, é necessário dispor detecnologias que reúnam baixo custo, alta resistência e simplicidade na construção. As técnicas de ferro-cimento, o formato cilíndrico e a argamassa de cimentotêm garantido a alta resistência das cisternas e segurança contra vazamento,representando uma alternativa tecnológica adaptada à região e à realidade dos
  49. 49. pequenos agricultores, pois sua tecnologia é acessível aos pedreiros do meio rural eo custo é baixo. Ao longo dos anos, essa técnica é constantemente aperfeiçoada,tendo como principais agentes do processo os próprios agricultores-pedreiros quetrabalham com a tecnologia (MATIAS, 2001; SCHISTEK, 2005; SANTOS et al,2007). Complementando o P1MC com vistas ao desenvolvimento sustentável daregião, está sendo proposto o P1+2 (Programa Uma Terra e Duas Águas) cujopressuposto básico é o de dotar cada família do SAB de uma parcela de terra: (1)com tamanho suficiente para produzir alimentos e viver de maneira sustentável; (2)duas águas significam uma para o consumo humano, já considerada no P1MC, eoutra para produção de alimentos e/ou criação de animais. O P1+2 fornecesubsídios para uma reforma agrária apropriada, e o aumento da eficiência do uso daágua. Na área urbana um exemplo bem sucedido é a lavanderia industrial“Lavanderia da Paz” em São Paulo, que há 30 anos capta, filtra e então utiliza aágua de chuva nos seus processos de lavagem (SICKERMANN, 2003). Outro caso de destaque em São Paulo, é o do Shopping Aricanduva, que comuma cobertura de 62 mil m² de telhado, chega a captar 7 mil m³ de água, numa únicachuva forte (SINDICONET, 2009). No bairro Santa Mônica, região Leste de Uberlândia, motivado pela filosofiade que: “quanto mais se economizar água potável, melhores serão as condições devida na Terra para as gerações futuras”, um posto de combustível reformadorecentemente instalou uma cisterna com capacidade para 10 m³ de água (CORREIODE UBERLÂNDIA, 2009). O sistema é simples. As calhas ao redor do telhado dospostos coletam a água e um condutor que antes descartava para a rede pluvial foiaumentado alguns metros conectando aos reservatórios. O armazenamento érealizado em uma caixa instalada sobre uma pequena torre, e cerca de duas horasde chuva são suficientes para transbordar água. Em Curitiba, o condomínio Quintas do Cabral, com 400 moradores instalou,em 2002, um sistema que armazena a água de chuva em um cisterna com 9 m³. Aágua é utilizada para lavar a garagem, a calçada e molhar as áreas verdes. Emborao condomínio garanta uma economia de R$ 100,00 por mês, o que motivou suainstalação foi a economia de água tratada encarada com um bem precioso pelosidealizadores do projeto (REDE PARANAENSE DE COMUNICAÇÃO, 2009).
  50. 50. Em Ponta Grossa, no Paraná, o aproveitamento da água de chuva nasedificações urbanas vem despertando o interesse de indústrias e empresas queutilizam um volume elevado de água. Em 2003, a Viação Campos Gerais S. A(empresa responsável pelo transporte coletivo da cidade), implantou um sistemapara coletar a água de chuva que cai num telhado, com 5000 m² da edificaçãousada como garagem dos veículos de transporte coletivo. Por meio de calhas a águacaptada é conduzida para uma cisterna, com capacidade de 180 m³, onde éarmazenada para a sedimentação das partículas e a retenção de folhas eexcrementos existentes na água. Em seguida a água da cisterna é bombeada paradois reservatórios superiores, com capacidade de 25 m³ cada um, que abastecem olavador de veículos (Figura 17). Com esse sistema são lavados em média 130veículos por dia, aproximadamente 3.900 por mês (GIACCHINI, 2003).FIGURA 17 – Cisternas superiores e lavagem de veículo em máquina abastecida com água de chuvaFonte: (GIACCHINI, 2003). Também, em Ponta Grossa, segundo um estudo realizado na IndústriaFundição Hubner, que constatou a existência da viabilidade de utilização da água dechuva para fins não potáveis no empreendimento. A adoção do sistema, comosuprimento complementar de água, poderá reduzir em cerca de 50% o consumo deágua potável na empresa (GIACCHINI, 2003).3.2.1 Composição do Sistema de Aproveitamento de Água de Chuva Os sistemas de aproveitamento de água de chuva para fins não potáveis emedificações urbanas são bastante acessíveis do ponto de vista técnico, uma vez que
  51. 51. utilizam os mesmos equipamentos destinados a drenagem da água das chuvas paraas galerias pluviais. Com a diferença que ao invés de descartá-las, rapidamente,como um incomodo, são armazenadas e valorizadas, recebendo uma importantefunção de suprimento complementar de água. Aproveitar água de chuva em edificações é uma operação relativamentesimples e pode ser sintetizada nas seguintes etapas: coleta da água de chuva pormeio de uma superfície impermeável; condução para um reservatório, através de umsistema de distribuição; tratamento da água coletada; armazenamento em umreservatório; e utilização. Embora os sistemas de aproveitamento de água de chuva apresentemalgumas técnicas básicas, que serão detalhadas, a seguir, um modelo ótimo dessesistema, adequado à realidade, é projetado de acordo com os objetivos do usuário eadaptado as peculiaridades das construções. Não existe nenhum modelo genéricoque sirva em todas as situações, cada caso deve ser considerado único. Para coletar a água que cai nas chuvas são utilizadas superfíciesimpermeáveis como telhados, marquises, toldos, pisos e calçadas. Algumas áreasde coleta possam ser bastante criativas como coberturas retráteis improvisadas paraesta finalidade e abertas somente durante a chuva, ou como paredesimpermeabilizadas em edifícios com um toldo no andar térreo que permite acaptação da água que escorre pela parede. Normalmente, a coleta da água de chuva é realizada nos telhados onde sesupõe haver menor contaminação da água coletada. Outra vantagem em coletar aágua dos telhados é a cota mais elevada que permite que o reservatório dearmazenamento fique mais alto que os locais de consumo, resultando em reduçãono custo de instalação, de equipamentos necessários e de operação (ASSOCIAÇÃOBRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2000). Além disso, não será necessáriodispender nenhum recurso financeiro com uma área de coleta. A área de coleta ou de captação de água de chuva é a área projetada doplano horizontal da superfície impermeável, em metros quadrados, conforme a figura18, a seguir:
  52. 52. FIGURA 18 – Projeção da área de coleta do telhadoFonte: (WORM; HATTUM, 2006). Nas residências unifamiliares a área de coleta é mais que suficiente emrelação ao número de habitantes para suprir as diversas atividades que nãonecessitam de água potável, por outro lado seu custo pode ser relativamenteelevado se comparado ao custo inicial do imóvel, principalmente, se for instaladoapós a construção da edificação. De acordo com Sickermann (2002) é importantelevar em conta o benefício-custo do sistema, pois ele será determinante no volumede água estocado em residências unifamiliares. Nos condomínios verticais a área de coleta pode ser pequena em relação aonúmero de moradores, não sendo suficiente para suprir a demanda por águas nãopotáveis. Seu custo é baixo, porém a economia de água é relativamente menor. Deacordo com GROUP RAINDROPS (2002), o uso da água de chuva nesse tipo deedificação também é limitado, principalmente se o prédio não estava projetado paraesta finalidade antes da sua construção, pois é complicado realizar reformas paraadaptar cada apartamento ao sistema de aproveitamento de água de chuva. Nessecaso, deve se destinar a água de chuva para propósitos comuns como: regar jardins,lavar carros e para limpeza dos locais comunitários. Nas edificações urbanas maiores, como indústrias, shoppings, escolas,mercados, postos de combustível e similares, a área de coleta é bastante grande. Ocusto de implantação de um sistema de aproveitamento de água de chuva nessasedificações é baixo se comparado ao custo total da obra, principalmente quando jápossuem alguma forma de retenção de água pluvial, necessitando somente ser

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