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Pib ed13

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Pib ed13

  1. 1. tu o al pin de ¤ 5,00 ano iv número 13 ta iq no uim si mar/abr 2011 e gn m st un á do em R$ 12,00 totumnas redes do saber a ciência brasileira se torna cada vez mais internacionalCarreira entrevista Fino aromaParis? Nova York? O novo papel do Paulistanas levamO lugar para crescer Brasil, segundo o cafés especiaisagora é Xangai embaixador dos EUA aos americanos
  2. 2. www.petrobras.com.brA inovação está em mais lugares do que você imagina. Inclusive em cada pedacinho da Petrobras.Inovar e crescer. Sempre. Esse é um dos desafios da Petrobras.Por isso, ela investe tanto em tecnologia. Por isso, ela é umadas maiores empresas de energia do mundo.
  3. 3. Sumário MaRcello casal JR/aBRa 20 Nely caixeta PETAR MILOšEVIć 78 28 10 22 TV PINGUIM 28 CARREIRA Com a economia em alta, China é destino de jovens brasileiros que querem acelerar a carreira 10 ANTENA Peixonauta deve ser a primeira animação NELY CAIXETA, XANGAI  36 brasileira a entrar na programação das televisões ARTIGO americanas A importância do Brasil como fonte de novos investimentos em economias desenvolvidas 20 OBSERVATÓRIO DE WASHINGTON Na primeira visita ao Brasil, Obama busca uma  FEDERICA MIAZZI 38 retomada nas relações entre EUA e América EXPORTAÇÃO Latina Paulistanas abrem nicho no mercado Flávia Carbonari, Washington americano para cafés especiais do Brasil   TANIA MENAI, NOVA YORK 22 DESIGN O traço brasileiro ganha o mundo em produtos inventivos, funcionais e com um toque de 44   ENTREVISTA O embaixador Thomas Shannon diz que os EUA brasilidade reconhecem a crescente importância do Brasil ADRIANA SETTI, BARCELONA NELY CAIXETA, BRASÍLIA4 PIB
  4. 4. 48 Capa A ciência brasileira, assim como as multinacionais tupiniquins, também se torna cada vez mais global ANTONIO CARLOS SANTOMAURO ESO60 MODA LE MAURICE/ROUGEMONT Apostando no colorido de suas bijuterias, a Sobral saiu das praias cariocas para ganhar o mundo SUZANA CAMARGO, ZURIQUE64 URBANISMO Na reta final para as Olimpíadas de 2012, Londres mostra que tem muito a ensinar ao Brasil NARA VIDAL, LONDRES 76 VIAGEM EXECUTIVA Empresa lança uma ferramenta para ajudar o futuro hóspede a conhecer o hotel antes de66   pagar por ele INTERNACIONALIZAÇÃO MARCO REZENDE Levar os negócios ao exterior exige de multinacionais preparo para administrar rituais jurídicos ANTONIO CARLOS SANTOMAURO TURISMO EXPRESSO72   O pianista Pablo Rossi guia o visitante pela NEGÓCIOS eclética Moscou, pulverizada com resquícios Em apenas quatro anos, a paulistana Loktal comunistas alcança 32 países investindo em bisturis cirúrgicos PABLO ROSSI, MOSCOU PEDRO MARCONDES DE MOURA     EM TRÂNSITO74 FAROL Fundador do sistema de parques nacionais da Costa Rica, Alvaro Ugalde quer exportar seu modelo verde Ao dirigir uma empresa na Arábia Saudita, executivo brasileiro descobre como a religião rege a vida ANDRESSA ROVANI PAULO STRIKER, Jedá   PIB 5
  5. 5. Carta ao Leitor totum exCelênCia editorial Nely Caixeta piB Saber sem barreira presença internaCional do Brasil Revista bimestRal de economia e negócios inteRnacionais da totum excelência editoRial Direção Editorial O conhecimento faz fronteira com quais países? Nely Caixeta • nely@revistapib.com.br Editor Contribuinte: Na geografia da ciência, o saber tem passe livre, mas Marco Rezende é preciso que um projeto nacional tome as rédeas de Colaboraram nesta edição Andressa Rovani; Adriana Setti, Barcelona; sua expansão. E é isso que vemos hoje no Brasil. As- Armando Mendes; Flávia Carbonari, Washington; sim como a economia brasileira está cada vez mais Suzana Camargo, Zurique; Federica Miazzi, Londres; Tânia Menai, Nova York; Nara Vidal, globalizada, também o conhecimento salta barreiras Londres; Pedro Marcondes de Moura, Antonio Carlos Santomauro; Pablo Rossi, Moscou; Paulo Striker, Jedá e passa a ser criado em escala mundial – seja ao incor- Edição e pesquisa de fotografia porar um laboratório em outro país, como fazem as Max Nogueira multinacionais brasileiras, seja ao estabelecer centros Desenho gráfico: Renato Dantas de pesquisa virtuais, como mostra a Embrapa. Com a Capa Marcelo Calenda nova política industrial e a Lei de Inovação, ambas de 2004, criou-se Preparação de textos e Revisão um clima favorável para a Pesquisa & Desenvolvimento, graças à maior Mary Ferrarini interação entre universidades e empresas, simplificação de trâmites bu- Tradução e edição em inglês Christine Puleo e Kevin Wall rocráticos, criação de incentivos fiscais e oferta de capital de risco. PUBLICIDADE A reportagem de capa desta edição mostra alguns resultados dessas SÃO PAULO E OUTRAS LOCALIDADES (55-11) 3097.0849 decisões, que permitiram à ciência brasileira avançar a passos largos para publicidade@revistapib.com.br a geração de conhecimento, inclusive no exterior. Na recente passagem Av. Brigadeiro Faria Lima, 1903, cj. 33 Jardim Paulistano - 01452-911 - São Paulo – SP do presidente americano Barack Obama pelo Brasil foram assinados dois Letra Mídia Rua Teodoro Sampaio, 1020 - Conj. 1302 acordos que devem aprofundar o processo de internacionalização pelo CEP 05406-050 - Pinheiros - São Paulo –SP qual passa a ciência brasileira. O primeiro permitirá que agências de for- F: 55 11 3062 5405 | 55 11 3853 0606 mação científica de ambos os países identifiquem pesquisas em áreas Venda de exemplares de edições passadas: DIRETAMENTE COM A EDITORA prioritárias para ambos. O outro intensifica o intercâmbio acadêmico, Impressão essencial para que o ciclo seja mantido. Editora Parma Em entrevista a PIB, o embaixador americano no Brasil Thomas Shan- Distribuição no Brasil circulação em bancas: DPA Cons.Editoriais Ltda. non reitera que o momento é de estabelecer uma parceria global entre os (55-11) 3935-5524 – dpacon@uol.com.br dois países, com uma visão mais estratégica sobre o que esperar para as Distribuição nacional: Fernando Chinaglia Distribuição dirigida: TecnoCourier – São Paulo próximas décadas. “A visita de Obama é um momento de grande impor- tância para a história do Brasil e dos EUA, para o futuro”, diz ele. Consultor Administrativo Mas não é só com os EUA que o intercâmbio de saber acontece. A Luiz Fernando Canoa de Oliveira adm@totumex.com.br China se tornou alvo preferencial de jovens brasileiros em busca de um Cartas para a redação saber prático, o do trabalho. Em Xangai, a reportagem da PIB identificou Av. Brigadeiro Faria Lima, 1903, cj. 33 CEP 01452-911 - São Paulo - SP vários desses profissionais, que, mesmo com pouco tempo em território redacao@revistapib.com.br chinês, destacam-se no mercado internacional. É gente que trocou a Eu- Artigos assinados não representam, necessariamente, a opinião dos editores. PiB reserva-se o direito ropa cansada da crise pela pujança evidente do Oriente. de editar e resumir as cartas encaminhadas à redação. A presença de brasileiros no mundo – sejam empresas ou pessoas – é Jornalista responsável Nely Caixeta (MTb 11 409) também uma forma de intercâmbio de conhecimento entre os países. PiB - Presença internacional do Brasil é uma Outro exemplo deles é Pablo Rossi, músico que estuda em Moscou e publicação da Totum Excelência Editorial Av. Brigadeiro Faria Lima, 1903, cj. 33 atrai a atenção dos especialistas mundiais quando se senta ao piano. É ele CEP 01452-911 - São Paulo - SP (55-11) 3097.0849 - contato@totumex.com.br quem leva o leitor da PIB para um passeio pela eclética arquitetura russa, Tiragem desta edição com paradas estratégicas para uma boa vodca para compreender lições Em português - 16.000 exemplares Em inglês - 4.000 exemplares de história moscovita. São as fronteiras do conhecimento se dissolvendo. Tiragem auditada pela Nely Caixeta6 PIB
  6. 6. Cartas PO TÓ RC O QU M EL HO RD ¤ 5,00 Ano IV Número 12 Nov/Dez 2010 HI IO EK E O AO , KI totum R$ 12,00 COMO IR LONGE MAISAJUDA DA Senhores editores COM A “Gosto de ler a Pib porque ela traz a experiência, os dilemas e os desafios enfrentados pelas empresas brasileiras em seu processo de internacionalização. Sabemos que esse é um r ano , mais de 90 0 eventos po da agência empresas no mundo No cardápio Brasil e suas caminho longo, recheado de oportunidades e para promo TA ver o INOVAÇÃO r Suzano que CIÊNCIA Os brasileiros que estão na desafios. Nesse contexto, o compartilhamento ENTREVIS ptista, A um gigante Luiz Olavo Ba ser corrida para mos o advogado o que a em energissa revelar o cos vai defender C de bioma de conhecimento e experiências é fundamental Brasil na OM 09/12/10 21:31 para o desenvolvimento das global players PIB12 - Capa-R EV.indd 1 brasileiras. A Pib é uma ferramenta de consulta para meus alunos e para os “Somente agora tive acesso à revista Pib. interessados no tema internacionalização.” Tento sempre atualizar os alunos quanto às riCardo pimenta perspectivas do Brasil, tanto lá fora como proFessor assoCiado da Fundação dom CaBral internamente, bem como mostrar tendências. Coordenador téCniCo da rede de Com linguagem didática, completa e fluida, a desenvolvimento integrado reportagem de capa da última edição permitiu Belo Horizonte – mg aos meus alunos compreenderem o alcance da atuação da Apex-Brasil e perceber como “A Revista Pib é um excelente veículo para o nosso país é palco de oportunidades.” informar e subsidiar os profissionais que atuam liBia lender maCedo na área internacional. Ela veio preencher e Coordenadora de mBa gestão e atender um segmento que estava carente de marketing de entidades esportivas informações atuais e com profundidade da universidade anHemBi morumBi/laureate real inserção do Brasil na arena internacional. international universities Para os estudantes de relações internacionais são paulo - sp focados na área de marketing e negócios internacionais tem sido uma referência “Tive a oportunidade de ler a Pib, pela obrigatória, além do fato de ser publicada em primeira vez, no mês passado, e gostei inglês, o que possibilita o enriquecimento do muitíssimo da revista. Gostaria de adquirir as repertório focado em negócios internacionais.” edições anteriores e também as próximas.” proFessor sérgio pio Bernardes piotr kulka diretor dos Cursos de graduação em gerente para a europa oriental marketing e negóCios da esCola superior Business support Center - apex-Brasil de propaganda e marketing (espm) Bruxelas – BélgiCa são paulo - sp “Maravilhosa a revista Pib, que acompanha as “Já faz 21 anos que eu e meu marido empresas brasileiras pelo mundo afora, como residimos nos Estados Unidos. Esta foi a a minha empresa, a Carioca Love, confecção primeira vez que encontramos uma revista criada na França, em 2008. A revista é uma de alta qualidade direcionada às companhias ótima vitrine para mostrar as competências brasileiras. Recebemos a Pib em nosso das empresas brasileiras, inclusive nas áreas escritório de advocacia (Somera & Silva) e de moda e design. Adorei. Está aprovada!” gostaríamos de saber se há uma maneira magnolia oliveira de comprá-la por aqui ou pela internet.” marselHa – França Celia aiosa oCean Boulevard Para adquirir edições passadas da PIB, encaminhe BoCa raton, Florida - eua o pedido pelo e-mail adm@totumex.com.br. cartas e e-mails para a redação nos seguintes endereços: avenida Faria lima, 1903, conj. 33 – são Paulo (sP) – 01452-911 – contato@revistapib.com.br8 PIB
  7. 7. Planos de expandir seus negócios na Europa?Estabeleça sua base em Flandres (Bélgica):• É estratégica: localização central na área mais rica e populosa da Europa• É conectada: excelente acesso aos diferentes mercados devido a sua eficiente infraestrutura• É recompensadora: regras aduaneiras flexíveis e generosos incentivos fiscais• É fácil: graças à Flanders Investment & Trade: - Consultoria especializada gratuita - Informações sobre preços de aluguéis, custos trabalhistas e questões tributárias - Extenso banco de dados com informações econômicas www.investinflanders.com Representação Econômica de Flandres | c/o Consulado Geral da Bélgica Al. Santos 705 - Ed. Iporanga cj. 27-28 | 01419-001 São Paulo (SP) Brasil Tel.: +55 11 31 41 11 97 | Fax: +55 11 31 41 09 93 | saopaulo@fitagency.com
  8. 8. Antena AndressA rOvAni exportação animada Ele é um peixinho vestido com roupa de astronauta que trabalha como agente secreto em defesa da sustentabilidade. Considerada a primeira série de desenho animado produzida no Brasil, o Peixonauta, do estúdio paulistano TV PinGuim, já tem suas histórias exibidas em 65 países. O peixinho promete, agora, um grande feito para o TV PINGUIM setor. Neste ano, ele deve entrar na programação 1 da norte-americana Discovery Family e se tornar a primeira animação brasileira a fazer parte da grade de programação de uma emissora dos Estados Unidos. Mas o agente secreto não está só. Meu AmigãoZão, coproduzido pela brasileira 2DLab e a canadense Breakthrough, é transmitido no Brasil e na América Latina pelo Discovery Kids. Princesas do Mar, da Flamma com produtoras da Austrália e da Espanha, já foi vendido para mais de 120 países. Juntamente com o peixinho, a série Meu AmigãoZão também fechou contrato com os Estados Unidos e deve, em breve, tornar-se conhecida das crianças americanas. Para Eliana Russi, gerente executiva do projeto internacional da Associação Brasileira de Produtores Independentes de TV (ABPI-TV), este é só o começo. “O Brasil é visto por produtores internacionais como potencial parceiro, e esta visibilidade tem aumentado as oportunidades de negócios”, diz ela. O boom de desenhos brasileiros fazendo sucesso no exterior é fruto, segundo Eliana, do projeto de exportação Brazilian TV Producers, criado pela ABPI-TV em 2004, em parceria com a Apex-Brasil, a Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura e a EBC/TV Brasil. Eliana participou, recentemente, da KidScreen, evento anual que reúne, em Nova York, as duas pontas da cadeia internacional de animação infantil. O Brasil contou com 35 produtoras independentes por lá. Durante o encontro, foi anunciada mais um coprodução internacional, desta vez entre a Sumatra, de São Paulo, e a americana Toonzone. Elas farão, em conjunto, a TV PINGUIM série animada Tiny Warriors. O projeto é da Toonzone, a animação será feita no Brasil, numa simbiose binacional. 110 PIB
  9. 9. 1 O desenho 2 Vinho nacional Peixonauta ganha ação e a equipe promocional de criação nos EUA Vinho, churrasco e Fórmula indy A corrida do vinho brasileiro para ganhar o mercado americano começa a mostrar resultados. Os americanos já estão comprando mais vinhos produzidos no Brasil. Uma ação de marketing fez com que 22 rótulos da bebida entrassem de vez no cardápio de churrascarias instaladas nos Estados Unidos. No ano passado, os restaurantes brasileiros Fogo de Chão e Plataforma, instalados por lá, participaram de uma ação promocional que distribuiu ingressos para corridas da Fórmula Indy a quem pedia vinho brasileiro. Foi a porta de entrada para que o cliente – que já está experimentando produtos brasileiros – provasse e gostasse da bebida produzida nas vinícolas tupiniquins. Com a demanda, a Casa Valduga passou de uma venda de modestos US$ 643 em 2009 para US$ 98,4 mil no ano passado. Já a Perini quase dobrou a sua exportação para os Estados Unidos, saltando de US$ 15,7 mil em 2009 para US$ 29,2 mil em 2010. 2APEX BRASIL/ DIVULGAÇÃO PIB 11
  10. 10. Antena 3 Letícia, Fernanda 1 Eurofarma: 2 Maria Del Pilar: e Ederaldo, presença forte na meta é cobrir em Moscou América Latina 90% do mercado Para moscovita ver Os sucessos do cinema nacional levaram, pelo terceiro ano seguido, uma legião de russos à Embaixada do Brasil em Moscou. O projeto, que integra esforços da iniciativa privada e do poder público, tem como objetivo disseminar a cultura brasileira na Rússia, apresentando a produção cinematográfica contemporânea a uma das mais importantes economias emergentes do mundo. “A mostra, promovida no fim do ano passado, já faz parte do calendário cultural da capital russa”, diz Ederaldo Kosa, curador do evento, junto com Fernanda Bulhões. Entre as atrações, estão a comédia Deus é Brasileiro e o drama O Maior Amor do Mundo, ambos de Cacá Diegues, e o aclamado É Proibido Fumar, de Anna Muylaert. Somando as três edições, são 40 filmes apresentados para o público moscovita. O evento é fruto da parceria entre a agência Linhas Comunicação, o Ministério das Relações Exteriores e a embaixada brasileira na cidade. DIVULGAÇÃO 1 Remédios para os vizinhos Em 2009, a Eurofarma, fundada em 1972, fez sua primeira aquisição internacional: Quesada Farmacêutica, empresa com 60 anos de atuação no mercado argentino. No ano passado, duas outras empresas latino- americanas foram incluídas no grupo: o Laboratório Gautier, com 93 anos no mercado farmacêutico uruguaio e com presença no Paraguai e Bolívia, e o Laboratório Volta/ Farmindustria, no Chile há 60 anos. A sequência de aquisições internacionais expõe a importância que a farmacêutica, com sede em São Paulo, está dedicando à expansão internacional. “A Eurofarma já conta com presença em seis países, que representam 52% da América Latina”, afirma a diretora de Sustentabilidade e Novos Negócios da empresa, Maria Del MARCELO SOUBHIA Pilar Muñoz. “Considerando a meta de cobrir 90% do mercado regional, ainda temos um bom desafio pela frente.” 2 3 ÃO DIVULGAÇ12 PIB
  11. 11. Antena o doce embalo dos orgânicos A participação em feiras no exterior foi Promoção do Desenvolvimento produtoras no Brasil que fazem o segredo para alavancar a exportação (IPD), e beneficia 72 empresas, parte do projeto, Native e Jalles de produtos orgânicos brasileiros. que fabricam de chá mate a Machado, representam cerca de Em 2010, foram US$ 108,2 milhões cosméticos. Do total de produtos 70% de todo o açúcar orgânico em produtos enviados ao exterior orgânicos enviados ao mercado consumido no mercado mundial. pelo projeto Organics Brasil – alta de internacional no ano passado, o setor Além do açúcar, as empresas 130% em relação ao ano anterior. de alimentos representou 96%. brasileiras estão exportando polpas O programa é uma parceria entre O grande destaque é o açúcar de frutas, mel, castanhas e produtos a Apex-Brasil e o Instituto de orgânico brasileiro. As duas maiores industrializados, como grãos e café. 1 DIVULGAÇÃO/ORGANICS BRASIL DIVULGAÇÃO/JALLES MACHADO exporta-se saúde animal utilizados para matar parasitas em animais. O Master LP tem ação prolongada e libera o produto de forma A empresa paulista Ourofino Agronegócio, programada. Já o Impacto é muito procurado para fabricante de produtos veterinários, está de olho combater carrapatos e pulgas, por ter baixa toxicidade. nos países vizinhos para aumentar as vendas Atualmente, o mercado externo, formado por 29 para o exterior. No ano passado, a América Latina países que compram seus produtos, representa 7,5% foi a região com maior peso no crescimento das do faturamento da Ourofino. O vendas, que teve um salto de 19% em comparação resultado é tão significativo para o com 2009, quando faturou R$ 221 milhões. segmento que a empresa recebeu o Na sede da empresa, em Cravinhos (SP), são prêmio Exporta São Paulo, organizado produzidos tanto remédios para bois e cavalos pela Federação das Associações como para pequenos animais de estimação. A saúde Comerciais do Estado de São animal é o foco principal da empresa, que também Paulo (Facesp), em parceria com a investe em sementes e defensivos agrícolas. Secretaria de Desenvolvimento e a Os carros-chefes da Ourofino são dois produtos Associação Comercial de São Paulo.14 PIB
  12. 12. 1 Vegetais e 2 Exótica, 3 Remédios açúcar da fruta plantada veterinários: Jalles no país ganha foco na Machado mercado América Latina atemoia, uai! Pouco conhecida no Brasil, a exótica 2 atemoia anda fazendo sucesso no exterior pelas mãos da Fazenda Viveiro Bona, que conta com plantações em Paraisópolis, Minas Gerais. Com produção de 400 toneladas por ano, cerca de 10% desses frutos são enviados para o exterior, sobretudo para Canadá e Portugal. Mas essa parcela deve crescer. A safra deste ano surpreendeu, com frutos com qualidade e tamanho superiores aos do ano passado. “Vamos poder exportar entre 5% e 10% a mais porque a safra será melhor”, diz François Bonaventure, responsável pela exportação da Viveiro Bona. Para seguir para o mercado internacional, a atemoia precisa ter entre 350 e 550 gramas. A empresa exporta, hoje, 45 mil caixas por ano. As remessas são feitas por avião, duas vezes por semana, às quartas e aos domingos, via aeroporto de Guarulhos, para garantir que as frutas cheguem fresquinhas ao consumidor final. As frutas possuem o certificado da agricultura orgânica Ecocert e aguardam a certificação BIA PARREIRAS da Globalgap para cumprir todas as exigências internacionais para exportação. 3CORTESIA OUROFINO AGRONEGOCIO PIB 15
  13. 13. Antena 1 EMBRAER embraer voa alto com jatinhos executivos No mundo todo, um em cada cinco jatos ao investimento em inovação. Nos últimos executivos entregues no ano passado leva seis anos, de acordo com a empresa, foram a marcar Embraer. Os dados fazem parte lançados seis novos modelos de jatos. O de um balanço divulgado em fevereiro mais vendido pela Embraer é o Phenom pela Gama (Associação dos Fabricantes de 100, que representou 100 das 145 unidades Aviação Geral, em sua sigla em inglês). de jatos comercializados no ano. Em A empresa brasileira entregou 145 jatos seguida, entre outros, vêm o Phenom 300, executivos em 2010, um aumento de 23 em operação há apenas um ano e com 26 aeronaves em relação a 2009, o maior vendas, e o Legacy 650, com 11 entregas. incremento em termos absolutos entre todos “Continuaremos empenhados para os fabricantes. Com este novo patamar, a aprimorar ainda mais nossos resultados, participação da Embraer atingiu 19% neste conquistando novos clientes e servindo segmento. Em 2008, esse percentual era de melhor aos atuais”, diz em nota Luís Carlos apenas 3%. Affonso, vice-presidente da Embraer Em parte, o sucesso das vendas está ligado para o mercado de aviação executiva.16 PIB
  14. 14. 1 Jato executivo 2 O modelo Phenom 100: Duplo Dinâmico é a vez da é criação da Embraer GerbarPirata contra piratariaCriado há 48 anos, o Duplo Dinâmico é, ainda Há dois anos, ela passou a fabricar dois de seushoje, o carro-chefe de vendas da fábrica paulistana principais modelos de ventiladores na China,Gerbar Ventiladores. Com dois motores e design com investimento de apenas US$ 12 mil.marcante, o ventilador de teto foi desenhado Com a estratégia, a situação se inverteu. O novopor Geraldo Barros, fundador da empresa, produto feito na China pela Gerban concorree até hoje é produzido artesanalmente. diretamente com os piratas também feitos por lá eEle é o modelo mais vendido no exterior e exportados, sobretudo, para os Estados Unidos, oresponsável por disseminar a qualidade da principal mercado da empresa. Vendidos sob outrafábrica brasileira lá fora, conhecida como uma marca, os produtos chegam a custar a metade dodas melhores do mundo. Hoje, o mercado similar feito no Brasil. Já os custos de produçãoexterno representa 30% do faturamento da representam um quarto do investimento feitoempresa, que embarca produtos para seis países. aqui. É como se a empresa tivesse apostando em“Exportamos há mais de 20 anos, e os números uma versão pirata do próprio produto para seduplicavam a cada ano”, conta Cláudia Spina, manter no mercado. “De certa forma, concorreproprietária e neta do fundador. A queda do com o produto que fabricamos aqui e exportamos”,dólar, diz ela, há cerca de quatro anos, fez com diz Cláudia. “Foi a saída que encontramosque caíssem as vendas internacionais, que antes para oferecer uma opção para quem gosta dorepresentavam 72% das vendas da empresa. design, mas não pode pagar (pelo original).”Além do dólar, o sucesso do modelo fez com Em ambos os mercados, porém, ela vendeque modelos similares começassem a aparecer também a versão “original”, fabricada nona China e nos Estados Unidos, com Brasil, que, diz ela, tem rígidos padrões dequalidade inferior, concorrendo com qualidade e material de primeira linha.o original feito por aqui. Depois de A versão chinesa de seus produtosacionar as fábricas, a proprietária responde hoje pelo equivalente a 10%Cláudia Spina conta que tratou de do que a empresa fatura. “Os produtosenxergar na disputa uma oportunidade. feitos no Brasil ainda vendem mais lá fora.” ÃO G AÇ V UL DI 2 PIB 17
  15. 15. Antena kris: Flandres quer atrair empresas brasileiras 3 perguntas para... Kris Peeters, ministro-presidente da região de Flandres, na Bélgica DIVULGAÇÃO 1 apesar de ser um importante centro logístico europeu, a região parece ser relativamente pouco do mundo pelo quarto ano consecutivo. Isso significa que quase todos os países e culturas estão representados em nosso país, o que conhecida no Brasil. por quê? traz inúmeras vantagens para as empresas Não acredito nisso. As empresas brasileiras internacionais em termos de negócios. Entre que operam com logística internacional estão nossos pontos fortes, posso destacar as leis cientes da importância do porto de Antuérpia trabalhistas, a qualidade da mão de obra e das (região norte), o segundo maior porto da Europa instituições de pesquisa, localização e medidas e segundo maior polo petroquímico do mundo, fiscais muito interessantes. Flandres tem, só superado por Houston (no Texas). O Brasil ainda, um dos menores prazos para a criação é o principal cliente do porto de Gent (região de uma empresa e o mínimo de burocracia. oeste), que movimenta uma grande variedade de importações brasileiras, como minérios e suco de frutas. Este é o maior porto de suco de frutas cítricas da Europa e o segundo maior do 3 a região de Flandres tem interesse em abrigar empresas brasileiras de biodiesel interessadas em fornecer mundo. Já o porto de Zeebrugge (extremo oeste) produtos ao mercado europeu? é o maior centro mundial para o transporte de Flandres criou o “Vale de Bioenergia”, com sede carros novos. Flandres é o melhor lugar para fazer em Gent. Para promover o desenvolvimento negócios na Europa. econômico em torno dele, vamos estimular a inovação tecnológica, a integração industrial 2 vários centros europeus com características semelhantes às de Flandres estão empenhados em atrair investidores e a formação de polos, além de ações de sensibilização com o objetivo de ganhar mercado para os biocombustíveis. Recentemente, a estrangeiros. que vantagens especiais Companhia Brasileira de Logística (CBL), uma Flandres oferece a uma empresa brasileira? das maiores empresas de logística do Brasil, Flandres está no centro da Europa, e as anunciou investimentos de 70 milhões de euros principais decisões em relação à região estão em um terminal de armazenamento de líquidos sendo tomadas em Bruxelas (capital da Bélgica (biodiesel, gasolina, etanol e óleos vegetais) e sede da União Europeia). Além disso, fomos no porto de Gent, que já recebe 1,3 milhão de classificados como o país mais globalizado toneladas de biocombustíveis.18 PIB
  16. 16. Observatório de Washington notícias dos estados Unidos com um olhar brasileiro FláviA CArbOnAri A administração Obama trou- perspectivas de uma nova era de xe, em 2009, a esperança de uma estabilidade econômica e cres- retomada nas relações entre EUA cimento na região, que em 2010 e América Latina, deixadas de lado expandiu 6%, o chamado para um durante a era Bush. Dois anos se reengajamento voltou a ecoar forte passaram e pouco foi feito para nos círculos de análise política de fortalecer as relações hemisféricas. Washington. Uma reaproximação Apesar de a região ainda ser a maior com o Brasil, cujas relações bilate- parceira comercial dos EUA, estes rais com os EUA ficaram abaladas continuam perdendo parte de seu após as discussões nucleares com mercado para a China. Entre 2002 o Irã, em 2010, e a crise em Hondu- Hora de e 2008, o market share dos EUA nas ras, em 2009, vem em boa hora. O oito principais economias do con- país tem um novo governo; os EUA, tinente caiu de 49% para 38%, en- um novo Congresso, e a administra- discutir quanto o da China aumentou de 4% ção Obama corre atrás do prejuízo para 10%. Nos últimos dois anos, no último ano antes das próximas o gigante asiático chegou a atingir eleições presidenciais. Na primeira a relação a posição de primeiro parceiro co- visita de Obama ao Brasil, alguns MARCELLO CASAL JR/ABR mercial do Brasil, Chile, e, em breve, temas não escaparam das discus- conquistará este posto no Peru. sões: energia, mudanças climáticas Mas, diante de uma América e potenciais novas parcerias para a Latina vibrante e otimista, com Copa e as Olimpíadas. 1 2 Uma visita a qualquer café de Capital da Washington, do mais tradicional ao mais alternativo, em um dia de feria- leitura... do ensolarado, pode surpreender o visitante: é alta a concorrência para se conseguir uma mesa em meio a tantos laptops, livros e jornais. Não é à toa que, com 600 mil habitantes, a cidade foi considerada, em 2010, a “capital da leitura” dos Estados Unidos. Elaborado desde 2005 pela Central Connecticut State Universi- ty, o índice As Cidades Mais Letradas dos EUA (America’s Most Literate Ci- ties) é baseado em seis indicadores: circulação de jornais, publicação de revistas e periódicos especializados, acesso a jornais ou compras de livro via internet, número de livrarias, recursos de biblioteca e nível educa- cional. Washington liderou o ranking dos três primeiros, terminando, FLAVIA CARBONARI pela primeira vez, no topo da lista e seguido por Seattle, líder do ranking nos anos anteriores.20 PIB
  17. 17. 1 Dilma 2 Cafeteria em recebe Washington: Obama no ambiente Alvorada para leitura A China e o sonho americano A China é a segunda maior eco- nomia do mundo, e a projeção é de que01 dez anos possa ultrapassar em os EUA e se tornar a primeira. Uma pesquisa do Pew Research Center, de Washington, mostrou que quase metade da população americana (47%) acredita que a China é o maior poder econômico do planeta, contra 31% que citam os EUA nesta posi- ção, resultado inédito na pesquisa. Outra surpresa foi a colocação da Ásia como a mais importante região para os EUA, para 47% dos ameri- canos, contra 37% que priorizam a Europa. O estudo mostrou, ainda,...Indústria Revolução na era que um em cada cinco americanos considera a China a maior ameaçadas ideias da mídia digital ao país, antes da Coreia do Norte (18%) e do Irã (12%). A cidade – que possui quase Desde as eleições de 2009 no400 institutos de pesquisa (os Irã, quando cidadãos denunciaram a Força de Cada umfamosos think tanks) e vinte uni- a repressão via sites como YouTube, a China é vista como uma potênciaversidades – tem como motor Twitter e Facebook, cresce o número econômica; os eua como potência militareconômico o “mercado das ideias”. de analistas tentando entender oDesde que o Georgetown deixou de impacto da mídia social na geopolí- Divisão 6% União europeiafuncionar como porto, no século 18, tica global. Em janeiro, o Departa- do poder 7% outros econômicoos principais produtos de exporta- mento de Estado ofereceu US$ 30 9%ção tornaram-se livros, relatórios, milhões para projetos de liberdade Japão 47%análises políticas e afins. Assim de internet que incluam programas china 31%como as multinacionais começaram para derrubar firewalls impostos por eUaa fazer há décadas, os think tanks governos opressivos. “Todo movi-americanos também estão expan- mento dissidente terá a tecnologia 3%dindo seus mercados, com é o caso como um componente-chave”, de- União europeia 5%Carnegie Endowment for Interna- clarou Alec Ross, assessor de Hillary Divisão 9% Rússia do poder 16% outrostional Peace, que já sentou o pé em Clinton. Mas, em artigo na Foreign militar chinaPequim, Beirute, Bruxelas e Mos- Affairs, o professor americano Claycou. A China declara ter hoje mais Shirky diz que o poder da mídia so-de 400, o que a coloca no posto de cial está em fortalecer a sociedade 67% eUasegundo país com maior número de civil, o que só produzirá mudanças Fonte: Pewthink tanks no mundo. em décadas. Research Center. PIB 21
  18. 18. Design Brasil O traço do Da joia à informática, o desenho brasileiro ganha o mundo em produtos inventivos e funcionais adri ana set ti, BarCelona e m dezembro de 2010, das São Paulo), o artista fluminense Lú- de que o Brasil ganhou nos últimos 11 exposições em cartaz cio Carvalho e o arquiteto capixaba anos (entre outras coisas, por ter no prestigiado Triennale Paulo Mendes da Rocha (Prêmio sido escolhido como país-sede para Design Museum, em Mi- Pritzker de 2006). Tamanho inte- a Copa de 2014 e as Olimpíadas de lão, duas tinham temática resse por traços e formas brasilei- 2016) rendem frutos em um amplo brasileira. Brasília, Uma Utopia Re- ras nessas catedrais mundiais do leque de atividades. Com o design alizada fazia um apanhado da histó- desenho e das artes tem razão de não é diferente. “Nossa ala de fren- ria do Planalto Central pelas formas ser: seguindo o caminho aberto por te é o Brasil como um todo, e coube idealizadas pelo arquiteto carioca Niemeyer e seu conterrâneo Sergio a nós ter a competência para ocupar Oscar Niemeyer. Simultaneamente, Rodrigues − o criador da desejada esse espaço que veio no embalo”, em Anticorpi Antibo- Poltrona Mole, talvez explica Joice Joppert Leal, diretora dies, peças ilustravam o primeiro produto executiva da Associação Objeto Bra- a trajetória dos de- Materiais de design brasileiro sil, com sede em São Paulo. Fundada signers paulistas Fer- inovadores moderno a ganhar o para promover o design brasileiro, nando e Humberto Campana. Na mesma e formas mundo − e, mais re- centemente, pelos a Objeto Brasil organiza, entre ou- tros eventos, o Idea Brasil, a versão cidade italiana, me- “atrevidas” irmãos Campana, o nacional do prêmio mais importante ses antes, o badalado fazem a   Brasil tem cada vez do design norte-americano, Interna- circuito Fuori Salone, que acontece parale- diferença mais nomes de peso ditando tendências tional Design Excellence Awards. “O Brasil sempre teve uma forte empa- lamente à feira de no exterior. Os es- tia no exterior. Somos simpáticos, móveis mais celebrada do mundo – o trangeiros descobriram, enfim, que alegres e joviais aos olhos estrangei- Salone Internazionale del Mobile –, o estilo made in Brazil pode ser im- ros e, nos últimos anos, por causa da foi movimentado pela mostra Brazil presso em algo mais que sandálias de globalização e da abertura do nosso S/A Lounge Brasileiro de Decoração e borracha e trajes de banho. mercado, passamos a ser conhecidos Design, que contou com nomes como A miscelânea cultural brasileira, de forma mais intensa”, diz ela. os onipresentes irmãos Campana, o jogo de cintura e a criatividade Do ponto de vista do estilo, Nie- André Bastos e Guilherme Leite do brasileiro somados ao momento meyer, os irmãos Campana e os no- Ribeiro (estúdio Nada Se Leva, de econômico favorável e à visibilida- vos talentos brasileiros em alta têm22 PIB
  19. 19. Cadeira de Rodrigo Almeida, de Sorocaba (SP): miscigenação estéticaFOTO: RODRIGO ALMEIDA PIB 23
  20. 20. Design algo em comum? Não necessaria- que caracterizam os móveis e outros borda e o joalheiro Antonio Bernar- mente. Ainda que as cores vivas e, objetos produzidos na Suécia, na Di- do, ambos cariocas, e o empresário em alguns casos, as referências ao namarca e na Noruega. gaúcho Oskar Metsavaht, da mar- folclore brasileiro possam estar pre- Ainda que não haja elementos ca de roupas Osklen, entre muitos sentes no trabalho de alguns profis- estéticos explícitos que definam o outros. A revista, diga-se, também sionais, a frase “isso é a cara do Bra- “Brazilian Design”, a constatação premiou uma casa assinada pelo sil” não pode ser aplicada a todos os de que algo muito efervescente está arquiteto paulistano Marcio Kogan aspectos do design nacional. “A ino- acontecendo em nosso território em seus Design Awards de 2010. vação, a utilização diferenciada de é unanimidade. Durante algumas Outra referência internacional, o materiais, a preocupação com a sus- semanas do ano passado, a revista jornal britânico The Guardian, pu- tentabilidade e o atrevimento que, referência britânica Wallpaper esta- blicou uma reportagem especial em em geral, aplicamos fazem com que beleceu um QG temporário naquele que afirmava que “o design brasilei- nossos produtos possam ser aceitos que definiu em seu editorial como ro, da moda à arquitetura, antes re- em qualquer lugar do mundo”, defi- “o país mais excitante do mundo”, conhecido simplesmente por seu ca- ne Joice. “O bom design não precisa para tentar traçar um retrato desse ráter flamboyant, vem sendo aceito ser necessariamente reconhecido momento de ascendência e de como por sua inventividade, originalidade como típico de determinado lugar ele se reflete na produção cultural e e diversidade, fruto de um inusual e, por outro lado, não temos uma industrial tupiniquim. O resultado é mix de influências”. E cita fatores linha tão emblemática como, por o dossiê Born in Brazil, de reporta- tão diversos quanto a desordem ur- exemplo, o design escandinavo”, gens e entrevistas com personagens bana, a Amazônia, os boias-frias das explica referindo-se às formas ergo- como o arquiteto Paulo Mendes da plantações de cana e o movimento nômicas, funcionais e minimalistas Rocha, o designer gráfico Felipe Ta- gótico como a salada de fatores de PREMIADOS Alguns dos 23 produtos brasileiros vencedores do iF Design Awards 2011, na Alemanha 2 124 PIB
  21. 21. 1 Quiosque de 2 Moringa autoatendimento de cerâmica da Itautec da The LED (SP) Project (SP) onde os artistas brasileiros tiram as (e vendido por até 20 mil euros) em 3 Saleiros 4 KitBio para referências para produzir objetos, capitais mundiais do desenho, como João de a Justiça roupas, móveis, edifícios e joias ao Milão, Paris, Nova York e Londres. Barro, da Eleitoral, de mesmo tempo originais e compatí- Célebre por criar objetos a partir de Reboh Akiyama e veis com o mercado contemporâneo. elementos e combinações imprová- Design (RS) Dangelo DI (PR) Entre os nomes destacados estão o veis (como, por exemplo, montar estilista paulistano Alexandre Her- uma luminária a partir de um tênis), chcovitch e os grafiteiros Gustavo e Rodrigo ainda assina uma coluna Otávio Pandolfo, “Os Gêmeos”, tam- na revista especializada italiana de Rodrigo, a cadeira Oxum, tem bém de São Paulo. Made. Ainda assim, só agora lan- apliques em cores vivas e é coberta Se por um lado nomes já conheci- çou sua primeira coleção por uma por contas de madeira que remetem dos por aqui ganham empresa brasileira, ao candomblé. “Temos de ser o que cada vez mais proje- ção no exterior, outra Para a revista a Dpot. “As pessoas aqui sempre querem somos, e não agir com um olhar estrangeiro sobre nós mesmos”, leva de designers bra- britânica repetir o que já deu diz o designer. sileiros que vêm ocu- Wallpaper, o certo fora, parece Outro nome cada vez mais co- pando espaço mundo afora tem algo em Brasil é o país que tudo tem de vir mastigado”, diz Ro- nhecido nos editoriais mundo afora é o paulistano Fernando Akasaka. comum com músicos mais excitante drigo, cujo sucesso Sua marca F.Akasaka, fundada em brasileiros contem- do mundo no exterior se atribui 2006, é dedicada à criação de mó- porâneos, como Seu justamente à sua ori- veis, luminárias e objetos de deco- Jorge, Bebel Gilberto ginalidade e foco na ração. Já a Le Blob, criada por Fer- e tantos outros: o sucesso no exte- cultura brasileira, para gerar aquilo nando, em 2009, é focada em joias rior veio antes do reconhecimento que ele chama de “miscigenação es- ultracriativas. A primeira marca em território nacional. “Cerca de tética”. Na prática, isso significa pe- internacionalizou-se pela mídia, 90% do que produzo vai para o ex- ças como a cadeira Salvador. Numa com aparições em revistas como terior”, conta o paulista de Sorocaba alusão à capital baiana, ela tem o a Blackbook americana, a francesa Rodrigo Almeida, que em 2010 fez encosto revestido de um tecido com Ideat e a britânica Wallpaper. Uma exposições na FAT Galerie, de Paris, uma textura semelhante à de uma vez conhecido, para vender seus e na Contrasts, de Xangai, na Chi- rede e cordas que parecem tranças produtos sob a etiqueta Le Blob, na, e tem seu trabalho reconhecido de estilo rastafári. Outra criação Fernando procurou, com sucesso,FOTOS: DIVULGAÇÃO 3 4 PIB 25
  22. 22. Design DIVULGAÇÃO 1 1 DIVULGAÇÃO lojas badaladas no exterior, como as tanto, competitivos. A importância Design Awards, o Brasil foi o oitavo concept store Eva, em Nova York;  a que o design adquiriu nos últimos país mais premiado, com 23 produ- The Shop at Bluebird, de Londres; anos também fez com que cursos tos, da informática a uma moringa de e a butique Looq, em Zurique, en- especializados surgissem em todo porcelana que reinterpreta as humil- tre outros endereços em Sydney, o Brasil. Em 1980, o país tinha seis des moringas de barro usadas para Copenhague e capitais da Europa e escolas de desenho industrial. Hoje, resfriar a água de beber nas casas do mundo. “Não sigo padrões nem são 300 de nível de graduação e mais do Brasil antigo. Para o processo de características especificamente bra- 100 cursos técnicos. triagem que antecede à participação sileiras,  procuro criar peças com um “As empresas estão cada vez no iF Design Awards, o programa design contemporâneo”, diz. “Mi- mais conscientes de que a eficiência Design Excellence recebeu mais de nhas empresas atuam nos ramos no processo produtivo e o controle 500 candidatos, sendo sessenta por de luxo da decoração e da moda, e de qualidade não bastam”, diz Ana cento pequenas e médias empresas. nesses mercados os Brum, coordenadora clientes buscam ba- de projetos do Cen- 4 sicamente o design Brasileiros tro de Design Para- inovador, a qualida- de dos produtos e a ganharam ná, uma organização civil, sem fins lucra- exclusividade.” 23 prêmios tivos, responsável Além de lançar no concurso pelo programa De- talentos individuais que se beneficia- europeu sign Excellence, que, entre outras funções, ram da abertura dos iF Design conta com o apoio da nossos mercados, o Agência Brasileira de Brasil, do ponto de Promoção de Expor- vista empresarial, também tomou tações e Investimentos (ApexBrasil) consciência de que o visual de seus para selecionar e inscrever produtos produtos é fundamental para a com- nacionais no iF Design Awards, o petitividade da indústria nacional. prêmio mais importante do design Um exemplo é a criação, em 1995, europeu, com sede em Hannover, do Programa Brasileiro do Design, na Alemanha. “Os prêmios inter- pelo Ministério do Desenvolvimen- nacionais, hoje em dia, funcionam to, Indústria e Comércio Exterior, como um certificado de qualidade para difundir no país uma cultura e facilitam a absorção dos produtos de produção e exportação de pro- premiados pelo mercado”, conta dutos mais bonitos, eficientes e, por- Ana Brum. Na última edição do iF26 PIB
  23. 23. 1 Joia e 2 Cartaz luminária de de Felipe Fernando Taborda (RJ): Akasaka (SP): arte gráfica qualidade e brasileira exclusividade 3 Lúcio 4 Casa em Carvalho Paraty de (RJ): móveis Marcio em Milão Kogan (SP): premiada pela WallpaperDIVULGAÇÃO 2 3“Quando o design é parte da estra- dade no país. Os vencedores do Ideatégia da empresa, o retorno sempre Brasil tornam-se automaticamenteé positivo, algo que não acontece finalistas no Idea Awards que acon- DIVULGAÇÃOquando é tratado apenas superficial- tece nos Estados Unidos. Em 2010,mente”, afirma Ana Brum. entre os vencedores brasileiros es- A criação de uma Bienal do tava o carro esportivo Fiat FCC (aDesign em 2006 (a edição de 2010 Fiat mantém um Centro de Estiloteve repercussão positiva na im- em Betim, MG, que está entre osprensa internacional) e do prêmio mais modernos do país), os aviõesIdea Brasil, cuja primeira edição executivos Legacy 500 e Legacyaconteceu em 2008, são a prova da 450, da Embraer, e o Self Check Outdimensão da mudança de mentali- da Itautec (uma máquina na qual o cliente pode pagar as próprias com- pras), provando que o potencial na- cional abrange também a indústria de alta tecnologia e equipamentos eletrônicos.  “O prêmio ajudou a conseguirmos o reconhecimento que faltava e abriu espaço para o de- sign brasileiro nos Estados Unidos”, conta Joice Joppert Leal. Entre 7 e 12 de dezembro passado, obras de mais de 40 finalistas dos três anos do Idea/Brasil (que conta com a parceria do Sebrae, ABDI e CNPq) foram expostas em Seul, eleita a capital mundial do design em 2010. “Somos criativos? Sim, mas nossa postura não é mais meramente ins- tintiva, também temos o know-how e o know why, ou seja, como fazemos e por que fazemos, e estamos com nossa autoestima em alta”, conclui NELSON KON Joice. Nossa estética Carmen Mi- randa é coisa do passado. PIB 27
  24. 24. Carreira Atalho chinês O mercado que mais cresce no planeta atrai jovens brasileiros em busca de oportunidades para acelerar a carreira   n e ly C a i x e ta , x a n g a i28 PIB
  25. 25. Giovanna, Kevin, Taís e Stephanie, com o distrito de Pudong ao fundo: acontecendo em Xangai tuária no delta do rio Huangpu, no litoral leste do país, para a megaló- um país em pole símbolo do estonteante cresci- mento da economia chinesa. É nessa grandes números 5 700 cidade de 18 milhões de habitantes que um grupo crescente de brasilei- brasileiros ros está se instalando em busca de vivem hoje na China oportunidades de trabalho e de um tipo de experiência cada vez mais valorizada nos escritórios de caça- talentos do Brasil ou de qualquer 41 642 vistos foram concedidos a brasileiros no outro lugar do mundo. “É preciso ano passado estar aqui para realmente compre- ender a velocidade com que as coi- sas acontecem na China”, diz Rafael 54% a mais do que em 2009 Nuñez Sá Freire, publicitário pau- lista de 27 anos, há três em Xangai. “É um privilégio acompanhar essas 73% foi quanto cresceu o número de vistos mudanças e tentar entender, de fato, de visitas e negócios juntamente com o resto do mundo, o em 2010 que passa pela cabeça dos chineses.”   Antes da China, ele viveu quase sete anos em Londres, onde se for- fissões mais concorridas do mundo”, mou em Design Gráfico e em Pu- diz Rafael. Na agência, ele redige em blicidade. O ritmo que sua carreira inglês para as campanhas regionais estava levando ali não lhe agradava. da montadora Ford, muitas vezes em “Em Londres, logo percebi que leva- parceria com uma redatora chinesa. ria anos até conseguir colocar a mão “O meu trabalho é internacional”, diz. na massa e participar da criação de “Tento sempre me adequar àquilo campanhas interessantes”, afirma que estou fazendo, justamente por Rafael. “Foi quando visitei Xangai ter experimentado e conhecido tan- a passeio e percebi que existiam ali tas culturas diferentes.”    ótimas oportunidades para jovens Vivem hoje na China cerca de NELY CAIXETA como eu.”   5 700 brasileiros, segundo a mais De fato, seu trabalho como pu- recente estimativa feita pelo Mi- blicitário sênior da multinacional da nistério das Relações Exteriores.q publicidade J.W. Thompson tem lhe Há três anos, eram 3 500. Esse nú- ue Londres, Paris e Nova dado alegrias e reconhecimento in- mero é pequeno se comparado aos York, que nada! O dina- ternacional. No ano passado, ganhou 280 mil compatriotas que vivem mismo das cidades chi- dois leões no festival de publicidade no Japão ou ao contingente de 1,28 nesas tem atraído um de Cannes, a principal premiação milhão com residência nos Estados número cada vez maior do setor. Além disso, está entre os Unidos, duas das maiores comuni-de jovens profissionais interessados três melhores redatores do mundo, dades brasileiras no exterior. Aoem acelerar suas carreiras no outro segundo o relatório inglês The Big contrário do que prevalece no fluxolado do mundo. Com suas amplas Won Report, que elege todos os anos migratório para países desenvolvi-avenidas, jardins recém-construí- os melhores em cada segmento da dos, porém, quem parte para a Chi-dos e arranha-céus de linhas futuris- publicidade. No ranking da China é na não vai com a intenção de fazertas que abrigam empresas vindas do o redator número 1. “Acho que isso seu pé-de-meia com trabalho braçalmundo inteiro, Xangai passou, em é prova suficiente de que o país me ou na labuta de serviços modestospoucos anos, de uma cidade por- colocou no fast track de uma das pro- normalmente reservados aos imi- PIB 29
  26. 26. Carreira grantes nos países ricos. Na China, A crise financeira global inicia- consultoria especializada em assis- não faltam braços para trabalhos de da em 2008, e que ainda hoje afeta tir empresários interessados em ex- baixa qualificação. Na equação de a economia nos Estados Unidos e pandir seus negócios para a China. muita gente e baixa especialização, Europa, acabou ajudando a abrir Ponce desembarcou em Xangai em o resultado é um mundo de opor- as portas do destino chinês para os 2008, após terminar o mestrado em tunidades “tanto para jovens inte- brasileiros. Uma delas recebeu Fa- Gerenciamento Internacional, em ressados em lustrar currículo como biano Ponce, 32, diretor executivo Grenoble, na França, onde traba- para empreendedores que farejam da Pangea International, empresa lhava na área de compras da Hew- bons negócios. brasileira de comércio exterior e lett-Packard. “Com a velha Europa30 PIB

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