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3                                     Resumo       A semiótica é um estudo extremamente importante para comunicação. Ela s...
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516ª ANÁLISE.....................................................................................................91Conclus...
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16sem a checagem necessária. “E assim, aos poucos, passa-se de caça ao furo paracaça às bruxas”. (SEABRA & SOUZA, 2006:35)
17        1.2. Jornalismo internacional        Aqui concebido como político também. Normalmente o gênero acaba sendouma co...
18      Na época da ditadura militar (1964-1985) o jornalismo internacional viveu oseu boom. Havia equipes de corresponden...
19      Os jornalistas políticos também são contaminados pelo imperialismo da economia.      Somos obrigados a lidar com o...
20        1.3. Jornalismo econômico        Uma vez que os gêneros opinativos colhidos para analisar a revista CartaCapital...
21      análise era quantitativa ou não. Bastava o jornalista dominar um pouco do      economês. Porque bastava dominar du...
22        Aspectos do início da cobertura macroeconômica: tendência oficialistaporque havia um ambiente positivo e a censu...
23passado, foi caracterizada por uma inflação ascendente. Elevando a credibilidade dojornalismo econômico brasileiro diant...
24      Um dos destaques dos anos de 1980 eram as coberturas anti-flacionárias.Para dar uma idéia de como funcionava, nem ...
25quente, inventa-se uma”. A questão de buscar os diversos ângulos foi deterioradanos anos de 1990. A imprensa se tornou u...
26      Aí entram os aspectos da cobertura economia. A crise de hoje é de naturezacriativa. Há uma reformulação de todo o ...
27      2. Conceitos de apoio      Neste capítulo estão alguns conceitos de apoio que servem para umentendimento melhor so...
28fundamental para “independência jornalística”. “Os jornalistas não somente vendemconteúdo informativo ao público, como t...
29      2.2. Ética Jornalística      Uma das coisas que um jornalista político deve ter em mente é que qualquergrupo ou pa...
30      O jornalista de desenvolvimento pode ser atuante em qualquer editoria dojornalismo.    Em    qualquer    estado   ...
31trabalho qualitativo. “Tentar remover sentimentos de alienação, como impotência,auto-alienação, isoladamente, insensatez...
32Mainardi, editor chefe da revista Veja, já explicitam de cara que as duas revistasultrapassam o limite da ética jornalís...
33membros mais importantes da comunidade e usar linguagem apropriada para ashabilidades lingüísticas do público”. (KUNCZIK...
34        2.3. Gêneros opinativos        Por mais que a instituição jornalística tenha uma orientação definida (posição   ...
35de uma matéria jornalística onde o emissor desenvolve uma idéia apresentando umaopinião. O artigo é um “escrito, de cont...
36ser acordada, pois a visão pessoal do jornal não é a do seu dono, em sua maioria.Isso porque existem outros aspectos que...
37      3. Semiótica      O Código verbal da linguagem é dependente de três conceitos inicias:Emissor, Mensagem e Receptor...
38acompanhar as especialidades. Mais ou menos como um dos aspectos donaturalismo – o meio (lugar) modificando o homem.    ...
39aparências sensíveis, o homem — na sua inquieta indagação para a compreensãodos fenômenos — desvela significações”. (SAN...
40o pensador possui trabalhos em diversos campos de estudo. Nisto, no campo dafilosofia, acabou inventando a fenomenologia...
41         3.1. Ícone, índice e símbolo - Charles S. Pierce         O ícone é considerado um signo que possui alguma semel...
42maçaneta na mão. Logo entendemos que estávamos errados diante o objetoestereotipado.        Exemplos de índices: Onde há...
43simultaneamente, ou símbolo e índice), já Pierce acreditava como vimos nosexemplos se índices e símbolos acima, por exem...
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Semiótica. Analise semiótica greimasiana aplicada aos editoriais da Revista Carta Capital. Trabalho de Conclusão do Curso de Jornalismo

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  1. 1. RENATO DUARTE PLANTIER REVISTA CARTA CAPITAL: UM ESTUDO SEMIÓTICOSOBRE O PARTIDARISMO NA REVISTA CARTA CAPITAL UNIVERSIDADE NOVE DE JULHO SÃO PAULO – 2010
  2. 2. 2 RENATO DUARTE PLANTIER REVISTA CARTA CAPITAL: UM ESTUDO SEMIÓTICOSOBRE O PARTIDARISMO NA REVISTA CARTA CAPITAL Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à Universidade Nove de Julho (Uninove) como requisito parcial à obtenção do título de bacharel em Comunicação Social com habilitação em jornalismo Orientadora: Mestra Carla de Oliveira Tozo UNIVERSIDADE NOVE DE JULHO SÃO PAULO – 2010
  3. 3. 3 Resumo A semiótica é um estudo extremamente importante para comunicação. Ela seencaixa em qualquer formato de análise de sentido. Jürgen J. Greimas foi umsemiótico que idealizou uma teoria representada por modelo teórico capaz deestudar todas as manifestações do pensamento. Esta teoria será aplicada em umaanálise sobre os editoriais da Revista Carta Capital escrito por Mino Carta, à fim dedemonstrar através do Percurso Gerativo de Sentindo de Greimas, que a revista épartidária do governo Lula, bem como, qual foi o trajeto do autor para elaborar ossentidos do texto. Neste fôlego, este trabalho ambiciona uma análise qualitativa no que tangeao percurso gerativo de sentido dos elementos textuais do jornalismo político, sob aperspectiva da semiótica greimasiana. Greimas acredita que tudo no mundo é texto,considerável passível de análise. Este trabalho é mais um desafio para a teoriademonstrar o seu nível de precisão analítica da produção de sentido.Palavras Chave: Semiótica – Jornalismo Político – Partidarismo - Carta Capital
  4. 4. 4 SumárioIntrodução..........................................................................................................061. Jornalismo Especializado..............................................................................081.1. Jornalismo político......................................................................................091.2. Jornalismo internacional.............................................................................171.3. Jornalismo econômico................................................................................202. Conceitos de apoio........................................................................................272.1. Imparcialidade.............................................................................................272.2. Ética Jornalística.........................................................................................292.3. Gêneros opinativos.....................................................................................343. Semiótica.......................................................................................................373.1. Ícone, índice e símbolo - Charles S. Pierce ...............................................413.2. As idades de Pierce................................................................................... 443.3. Greimas e o percurso gerativo de sentindo ...............................................473.4. Os três níveis de Greimas......................................................................... 504. Análise semiótica dos editoriais da Revista Carta Capital............................ 564.1. Estrutura semiótica para este trabalho.......................................................561ª ANALISE (EXEMPLO).................................................................................. 574.2. Análises dos editoriais.............................................................................. 622ª ANÁLISE.......................................................................................................623ª ANÁLISE.......................................................................................................644ª ANÁLISE ......................................................................................................665ª ANÁLISE.......................................................................................................696ª ANÁLISE.......................................................................................................717ª ANÁLISE.......................................................................................................738ª ANÁLISE.......................................................................................................759ª ANÁLISE.......................................................................................................7710ª ANÁLISE.....................................................................................................7911ª ANÁLISE.....................................................................................................8112ª ANÁLISE.....................................................................................................8313ª ANÁLISE.....................................................................................................8514ª ANÁLISE.....................................................................................................8715ª ANÁLISE.....................................................................................................89
  5. 5. 516ª ANÁLISE.....................................................................................................91Conclusão..........................................................................................................93Referências Bibliográficas.................................................................................95
  6. 6. 6 Introdução Nos últimos 100 anos o jornalismo político mudou em diversos aspectos,porém o seu objetivo continua o mesmo, informar à população o que estáacontecendo no mundo político, tanto em território nacional quanto em âmbitomundial. Devida concorrência que se precipitou depois da segunda grande RevoluçãoIndustrial entre as redações de jornalismo político, os jornalistas buscam, até os diasde hoje, novas fórmulas de agregar consumidor, principalmente diante materialimpresso, que a cada dia que passa perde o seu espaço para a Internet. Antes os jornalistas políticos assumiam em que lado estavam. Hoje elesassumem através de uma argumentação muito melhor organizada postas maisimplicitamente do que explicitamente. O leitor vai lendo, se convencendo ou não, aspalavras proferidas. Em todo trajeto do texto o leitor vai sentindo sensaçõescausadas por emissor. E, de fato, no meu ponto de vista, a semiótica de Greimas –O Percurso Gerativo de Sentido – é a melhor teoria para se estudar estes efeitos desentidos que o narrador impõe em seu discurso. O alvo desta análise semiótica são os editoriais da revista Carta Capital. MinoCarta é o autor e um dos donos da revista, escreve como chefe de redação para amesma. O editorial é consumido muito pouco pelo leitor. Justamente por isso queMino Carta elabora um editorial bem segmentado por temas e diagramado commuita qualidade, para favorecer uma leitura rápida, dinâmica e perspicaz. Porém,justamente por este dinamismo de seus textos e por muitos leitores não possuíremfiltros jornalísticos, ou políticos, eles acabam por não perceber, seja pela velocidadede leitura ou falta de conhecimento especializado, que a opinião de Mino Carta ésomente mais uma dentre as diversas vozes, e não a legítima. É interessante notar que os textos de Mino Carta são qualitativos em diversossentidos textuais: Ele percorre o tempo, em um texto ele pode começar falando doImpério Bizantino e terminar criticando FHC, fazendo uma analogia entre os doisperíodos. Mino possui uma grande experiência no jornalismo políticos, seu pai, GinoCarta, fora também um consagrado jornalista político. Mino trabalhava na revistaVeja na época da ditadura militar durante o governo de Ernesto Geisel; acabou
  7. 7. 7tendo que pedir demissão da revista devida pressão que a censura impôs à famíliaCivita, donos da Veja na época. Por isso, existe uma alta perspectiva no que tange a qualidade textual doautor, que diante sua vasta experiência percorrerá diversos tipos de sentidos paraconvencer o leitor da legitimidade de suas palavras. Este estudo semiótico está dividido em quatro capítulos. O primeiro e osegundo trazendo características que irão auxiliar para um melhor entendimentosobre o papel da comunicação entre jornalistas e políticos para com a sociedade.Eles são justificáveis, pois a semiótica de Greimas estuda não só os elementostextuais, como também as relações sociais entre os agentes de um discurso.Naturalmente é necessário entender a relação entre estes dois tipos de poderespara compreender melhor os efeitos percorridos pelo discurso elaborado por MinoCarta para defender sua argumentação frente ao receptor. O terceiro capítulo é uma breve explicação sobre o conceito de Semiótica. Eleabrange os conceitos iniciais de Charles Sanders Pierce, com explicações préviassobre Índice, Ícone e Símbolo. Afinal, Peirce é tido como um dos precursores doestruturalismo e da semiótica moderna. Na época existiam também os trabalhosparalelos de Ferdinand de Saussure, porém o modelo de Pierce era muito maisqualitativo. Vamos perceber a diferença entre estes lingüísticas. Este terceiro capítulo também abrange o Percurso Gerativo de Sentido,idealizado pelo linguista lituano Algirdas Julius Greimas. Ele foi um dos linguistasestruturalistas que mais contribuíram com a teoria Semiótica e com a narratividade.Sua teoria será aplicada neste trabalho que visa à análise semiótica dos editoriais deMino Carta, chefe de redação da revista Carta Capital. Através dos estímulos desentidos de Mino, vamos poder analisar se a revista é de fato partidária do governoLula. O quarto capítulo vai trazer a própria teoria do percurso Gerativo de Sentidoaplicado sobre os textos selecionados de acordo com o valor notícia da coberturapresidencial dos editoriais da Carta Capital. Quando analisamos estes textos através da semiótica de Greimasentendemos tanto o percurso de sentido que o emissor percorreu para convencer oreceptor, como os estímulos sentimentais e intelectuais que estimularam o autor apercorrer tal sequência de sentido, bem como os legítimos objetivos e relações quese implicam no texto.
  8. 8. 8 1. Jornalismo Especializado Este trabalho visa uma análise semiótica do editorial A Semana da revistaCarta Capital. Minha hipótese: a cobertura da revista é partidária do governo Lula.Se vamos estudar textos referentes ao presidente, naturalmente o editorial de MinoCarta é de política e economia - muitas vezes, misturados no mesmo texto.Entendemos que a revista é partidária do governo, e que estes editoriais políticoselaborados por Mino Carta demonstram, com mais facilidade, a opinião que a revistapossui. Para iniciar o trabalho pretendo explicar estes tipos de jornalismosespecializados presentes tanto no editorial quanto no conteúdo bruto da revista.Vamos utilizar a análise semiótica proposta pelo lingüista lituano Algirdas JulienGreimas chamada: “Percurso Gerativo de Sentindo”, baseado nos estudos deAlgirdas Julien Greimas (cuja explicação estará no terceiro capitulo), para investigarde uma forma lingüística - jornalística, o Percurso Gerativo de Sentido dos editoriais,ou seja, os passos de Mino Carta dentro dos elementos textuais para convencer oleitor de que suas palavras são as mais próximas da legitimidade diante os fatoscobertos. Mino Carta é considerado um jornalista especializado em política e emeconômica. E, o fato de Mino Carta ser um dos donos da revista não o credibilizapara escrever estes textos apresentativos sobre o conteúdo e a opinião da revistadiante fatos, mas sim, por possuir uma grande experiência de campo nestes tipos dejornalismos especializados. Vamos entender um pouco sobre o jornalismo político eo jornalismo econômico.
  9. 9. 9 1.1. Jornalismo político Lula é o presidente do Brasil, simplesmente o cargo mais alto poder políticono Brasil. Naturalmente o gênero para a cobertura de um presidente nacional é opolítico. Não obstante, Mino Carta possui ligações explícitas com a política: MinoCarta já fora censurado pelo governo Geisel enquanto comandava a revista Veja, foiobrigado a pedir demissão para não ser demitido pela família Civita, dona da revista.Por outro lado, hoje em dia na democracia, o presidente Lula vai a festaspromovidas pela própria revista de Mino, o que simboliza, de certa ótica, umarelação explícita entre Mino e Lula. A editoria de política provoca controvérsia diante suas coberturas.Diariamente a mídia divulga notícias que afetam direta ou indiretamente asociedade. Por isso, é tida com a categoria clássica da história do jornalismo. Porvezes o jornalista político passa dias sem observar nenhuma novidade, porém, ascoisas podem mudar rapidamente. O jornalista político deve estar preparado paraentender os reais interesses discursivos dos políticos, afinal, estes possuemestereótipos de “não confiáveis”. Os jornalistas devem ter o domínio das regras doCongresso, conhecer a história política recente do Brasil e as leis vigentes no país.Ou seja, uma conversão de matérias que antes eram concebidas separadamente,entrando em fusão com a evolução do jornalismo político. A principal mudança do jornalismo político de tempos oriundos para cá é oobjetivo da informação. Agora a cobertura é para informar o leitor e não convencê-loa adotar idéias. Na campanha de 1950 os jornais como o Estado de S. Paulo, oCorreio da Manhã e o Diário de Noticias faziam questão de não se preocupar com aisenção da cobertura das eleições presidenciais de Getúlio Vargas contra oBrigadeiro Eduardo Gomes. Já em 2002, com a eleição de Lula, a imprensa cobriu acampanha ao invés de “entrar em campanha”, como há 60 anos. “Até algumas décadas atrás, os jornais, em sua maioria, tinham um caráter quase partidário. E dirigiam também a um leitor razoavelmente partidarizado. Hoje em dia, ao contrário, a grande imprensa, de modo geral, tem a preocupação de separar nitidamente a informação da opinião na cobertura política.” (MARTINS, 2005:17) De fato, hoje em dia a cobertura política está mais estudada e estruturada.Quando o gênero é informativo temos menção de que ele visa somente à arte deinformar, normalmente intitulados como matérias e reportagens. Quando o gênero é
  10. 10. 10opinativo temos a ideia de uma visão ideológica explícita sobre um fato social, que éo caso dos editoriais e colunas, por exemplo. Por isso são textos com maior poder de coerção. Hoje em dia poucaspessoas lêem os editoriais dos jornais. Justamente por isso as revistas trazeminúmeros formatos de editoriais visando aderência dos leitores. São inúmeras astécnicas de formas de adesão ideológicas não explícitas. Justamente para analisarestas técnicas que a essência do trabalho é a aplicação do Percurso Gerativo deSentido, elaborado pelo lingüista Algirdas Julien Greimas, no editorial da revistaCarta Capital. Fica pressuposto que o leitor comprava um jornal e esperava encontrar umaafinação com o seu viés político. Duas das principais mudanças significativas nojornalismo político são: estrutura dos impressos e perfil do leitor. Os noticiáriospolíticos passaram por processos de modernização, profissionalização econcentração. A mudança do perfil do público afetou diretamente mudança nosjornais, um leitor mais plural. A cobertura isenta se torna mais cara. Sujeita a novas, e caras, fórmulas de energia. Conseqüentemente, houve uma concentração muito forte. Resultado - hoje tem um número muito mais inferior de produtos impressos do que em 1950. Um jornal para sobreviver atualmente deve vender mais de 150 mil exemplares para amortizar os custos de produção e atrair a receita publicitária necessária para sair do vermelho e gerar lucro. (MARTINS, 2005:18) Como os antigos impressos tinham tiragem amplamente mais expressiva elesnão eram tão dependentes da publicidade como hoje em dia. De fato só os grandesjornais conseguiam a tiragem superior de 150 mil exemplares, porém o número deleitores consumidores de impressos era superior. Atualmente é fato que jornais erevistas dia a dia vão perdendo tiragem e público para os outros meios decomunicação, principalmente para a internet que agrega conteúdo textual deapuração mais dinâmica, possuindo um caráter multimídia. Naturalmente apublicidade acaba sendo um equilíbrio representando o papel fundamental para oorçamento das redações. De 18 grandes jornais do Rio de Janeiro da década de 50do século passado, 12 fecharam. (MARTINS, 2005) A modernização das redações é evidente. Os custos para manterequipamentos de altíssima qualidade para uma melhor apuração ficam caros a cadadia que passa. As pequenas e médias coberturas políticas normalmente seguem a
  11. 11. 11cobertura da grande imprensa que concentra grande parte da informação política esão pautados por ela, dando um novo enfoque para a notícia. Isso porque normalmente é o jornalista da grande imprensa que temcondições de fazer uma apuração mais qualitativa e quantitativa no local. Amodernização vem desde os equipamentos até a estética das publicações, comfotos e caricaturas com uma resolução muito superior do que 60 anos atrás. Aisenção passou a ser mais “acoplada às grandes empresas que possuem maiscapital financeiro para investir em maquinário ou qualificação e quantização de forçade trabalho”. Claro que a isenção também está presente nas médias e pequenasempresas jornalísticas, muitas vezes até mais. Porém, a argumentação é de quempode fazer uma cobertura mais quantitativa e qualitativa no aspecto tecnológico efísico, e não de quem pode ser mais imparcial. (MARTINS, 2005:29) Por outro lado, uma visão menos romântica do jornalismo político é a visão deMedina. “A informação tornou-se mais um produto da indústria cultural, de interessedos complexos econômicos, políticos, sociais e o elo principal da identificação com osistema”. A vitória dos recursos tecnológicos que veiculam a informação se deu porconta das necessidades da industrialização e automaticamente normaliza ou reforçaa informação jornalística como parte da manutenção do sistema econômico.(MEDINA, 1988:30) “A mensagem-consumo exige um título de apelo forte, bem nutrido de emoções, surpresas lúdicas, jogos visuais, artifícios lingüísticos. O título ganha vida de consumo como qualquer anúncio publicitário e a edição trabalha com cuidados especiais: criam-se os “títuleiros” hábeis, verdadeiros mitos de sala de redação. Na ampliação interpretativa das informações, essa habilidade exige mais.” (MEDINA, 1988:119). Diante a disputa dos jornais que cobrem política o mercado fica cada vezmais acirrado. Os veículos desenvolveram um componente verbal para chamar aatenção do leitor para o produto “matéria”, utilizando até mesmo o apelo visual paraconquistar o leitor. Tanto os “gêneros informativos” quanto os “opinativos” da revistaCarta Capital possuem estes aspectos. Diversos artifícios linguísticos são utilizadospara deixar a leitura mais prazerosa. O público também mudou o seu perfil, consequentemente mudando ascaracterísticas dos jornais. Antes os leitores eram mais partidarizados. Quandoanalisamos a época de Getúlio Vargas percebemos que independente dos
  12. 12. 12diferentes partidos, ou a pessoa era getulista ou não. Ou seja, ou compravampublicações do jornal A Última Hora de Samuel Wainer que explicitamente era oproduto impresso mais partidário getulista do país, ou consumiam os textos deCarlos Lacerda ou o udenismo, pelo conservadorismo ou pela reivindicaçãointelectual. Era uma pátria com estados e cidades modernas em um período de fortereivindicação, por isso o partidarismo era alto. O público jovem tinha um papelextremamente importante neste processo, era mais participativo politicamentefalando. Hoje em dia o público jovem não é mais tão engajado na política porque opartidarismo cultural aos poucos vai acabando no Brasil pós-moderno. “Diante destamanifestação, a estratégia passou a ser atrair um público plural com as maisvariadas visões políticas e as mais diferentes visões do mundo”. Apesar dasadesões continuarem sendo propostas pelos veículos de comunicação, esta é feitacom uma cara mais imparcial. Porém, a motivação de gerar um sentido complacentea visão editorial do veículo continua, explicitamente ou implicitamente. (MARTINS,2005:22) Hoje em dia ele está muito mais plural, exigente. Além da alta concorrênciapolítica, o leitor consegue muitas informações em diversos meios de comunicação. Porém, este “bombardeio” de informações elaboradas muitas vezes sem oolhar crítico se utiliza deste mecanismo para usufruir vantagens e estimular odomínio. O excesso de conteúdo faz com que o receptor não perceba o discurso queestá intrínseco na mensagem. A mensagem pode carregar o discurso, mas mesmoassim, não utilizá-lo. Não promover o efeito desejado e ser divergente em cadaprocesso. Não me parece suficiente dizer que a ideologia está em toda parte, o que de certa maneira é correto. Ocorre que estar presente não significa atuar de forma idêntica em todos esses processos. A atuação, no meu modo de ver, mais plena e eficaz se dá no plano do produto mesmo e de sua penetração na consciência do receptor. Idéias são insistentemente “semeadas” no público; encontrando um solo fértil onde podem germinar, elas crescem, regadas cuidadosamente e diariamente pelos meios de comunicação massificantes. (MARCONDES FILHO, 1985:94) Martins também cita algo a respeito:
  13. 13. 13 Todo jornal, revista e departamento de jornalismo de rádio ou de TV tem sua opinião pública interna. Ela é invisível, mas está sempre presente nas redações. Trata-se da primeira e da maior crítica do nosso trabalho. Ela não se confunde com a hierarquia formal da empresa, embora muitos formadores de opinião possam ocupar posições de chefia. (MARTINS, 2005:27) Naturalmente é pressuposto que todo o meio de comunicação político possuiuma ideologia. Hoje, diante a tentativa implícita de imposição ideológica sãonecessárias novas fórmulas de retórica frente ao receptor. E para entender estasnovas fórmulas de argumentação trabalhos que analisam discursos pela semióticasão de total importância e relevância. “A notícia é a comunicação de um fato. Pode significar muito ou quase nada.Quando a notícia é do presidente Lula, todos entendem, já quando é do deputadoEnristes Costa, para quem não esta no meio político, muitas vezes não significanada“. O importante não é apenas discorrer sobre o fato, mas sim, explicar ao leitoro que acontece por dentro da mensagem. Neste aspecto cabe um jornalismo maisinterpretativo que de certo é diferente do opinativo. O primeiro relaciona os fatos e osegundo opina sobre eles. Transforma um grande conteúdo em um simples texto.Essa é uma sensibilidade que o jornalista político deve ter em mente, lembrar que“nem sempre todos os leitores pré-dispostos a consumir o produto são especialistasem política”. (MARTINS, 2005:21) A relação entre o jornalista e o político também é interessante. Ao contrário doesportivo, por exemplo, quando nos lembramos do caso de Ronaldo na Copa de1998 e não temos até hoje uma versão aceitável, percebemos que o jornalismopolítico acaba superando as outras especialidades. O número de fontes disponíveistanto em Brasília quanto no campo acadêmico é amplamente maior tornando adisponibilidade de informação mais ampla. Sem contar que em política sempre háuma oposição que vai estar sempre disposta a falar. E quando um meio decomunicação passa a não enfocar a oposição com tanta disposição quanto aospassos do presidente acaba sendo taxado de pró-governista, caso das acusaçõesde grande parte do campo jornalístico acadêmico perante a revista Carta Capital. “São 513 deputados, 82 senadores, mais 30 ministros, 11 integrantes doSupremo Tribunal Federal, além de uma legião de milhares de assessores,secretárias, técnicos, funcionários, amigos, lobistas, curiosos – um mar de gentecom informação”. Martins diz que diante o grande número de disponibilidade de
  14. 14. 14fontes o jornalista deve conversar com muitas pessoas, independente de cargo.(MARTINS, 2005:47) A proliferação da cobertura vai trazendo mais verdades factuais. Porém, orepórter não deve se contentar com o factual, precisa entender ao mesmo tempo ocontexto em que o fato está sendo dado. No jargão dos jornalistas, quem tem maisbackground information (informação de fundo) tem mais sensibilidade em captarpossíveis desdobramentos de casos políticos. Ele deve ficar sempre atento averiguando se o boato é verossímil. “O que ébom a gente mostra, o que é ruim a gente esconde”, resumiu Rubens Ricupero,ministro da Fazenda do governo Itamar Franco em 1993. O comentário foi divulgadograças a problemas técnico de uma antena parabólica, derrubando-o do cargo.Afinal, em política certas idéias não podem ser ditas explicitamente. “Não há fórmula mágica que nos torne imunes à contra-informação”. O melhorantídoto continua sendo reunir muita informação. Nada costuma acontecersimilarmente como te contaram e ninguém lhe conta exatamente o que aconteceu.“Assim, por melhor que tenha sido a apuração, em geral, há outro ponto que ficouobscuro, fatos importantes que não vieram à tona ou episódios que não puderam serlevantados a tempo”. (MARTINS 2005:71) Umas das coisas que mais irritam os políticos são quando suas declaraçõesganharem repercussões não imaginadas, normalmente encaradas comnegatividade. A Carta Capital é campeã no gênero. Costuma pegar opiniõesdissidentes e interpretá-las de acordo com sua opinião e ideologia. Vamos percebereste aspecto claramente com o andar do projeto. A combinação de poder de polícia com a força da imprensa tem um lado bom e um lado ruim. O positivo é que gera uma ação com tal profundidade, contundências e rapidez que rompe barreiras aparentemente inexpugnáveis e dissolve cumplicidades tidas como destrutíveis. O lado negativo é a conversão da CPI em um espetáculo. Alguns deputados e senadores deixam de lado o trabalho sério de investigação e recorrem a todo tipo de truques, piruetas e efeitos especiais para conseguir um bom lugar diante as câmeras. (SEABRA & SOUZA, 2006:75) Vamos perceber que Mino Carta na elaboração de seus editoriais sempreparte para uma visão mais espetacular para agregar humor. Muitas hipérboles eparábolas estão presentes em seus textos. Mino Carta parte de dois pressupostos,
  15. 15. 15se vende como um paladino anticorrupção aplicando o clássico “espetáculo” nosseus textos, em busca de um humor sarcástico. Os jornalistas político disputam a exclusividade da informação. Seus chefesnas redações ficam pressionando com os passos dos concorrentes.Consequentemente diante a fobia de todos, “suposição vira informação, indíciosconvertem-se em prova, suspeito passa a ser bandido, e a dica, que em condiçõesnormais seria ponto de partida de matéria, pode acabar com manchete de jornal”.Assim, na fobia da publicação o jornalista começa a divulgar os seus passos dianteo fato investigado. (SEABRA & SOUZA, 2006: 76) Faz parte também do cotidiano do jornalista político investigar denúnciassobre irregularidades na administração pública, desvios de recursos, armações emconcorrência e negócios escusos com o dinheiro do Estado. Por menor que sejamos delitos, o jornalista político tem o papel social de divulgar o que se passa para apopulação. Outro período interessante de coberturas política são as eleições. Éinteressante notar que a eleição é a época onde os eleitores mais ficaminteressados em política. Alguns telefonam, mandam cartas, enviam e-mails, semprecriticando a cobertura. Uns são educados, outros nem tanto. O período de pleitopopular é um dos mais tensos na carreira do jornalista político com relação aocontato e interação com o receptor. Este é o momento do jornalista manter a calmae continuar com sua função social de cobertura diante as eleições, que é umimportante símbolo de democracia para qualquer nação. As CPIS só são cobertas quando tem apelo junto à opinião pública, passandopara cobertura excepcional. As mais famosas são: PC Faria, levando Collor aoimpeachment, a de Nicolau Dos Santos Neto (Lalau) e do Senador Luis Estevão.Quem não se lembra das coberturas jornalísticas informando a entrega de pizzasdelivery para o juiz Lalau na prisão. O fato do jornalismo cobrindo a CPI faz com queela tenha maior apelo social. (SEABRA & SOUZA, 2006) As coberturas de CPIS têm um lado positivo e outro negativo. O primeiroporque rompe o paradigma de algo indestrutível. Já o lado ruim é que a CPI acabapor tornar-se um espetáculo. Muitos deputados esquecem o itinerário político paraconseguir um espaço diante as câmeras. Os jornalistas ávidos por furos dereportagem acabam por divulgar grande parte de informações recolhidas em OFF
  16. 16. 16sem a checagem necessária. “E assim, aos poucos, passa-se de caça ao furo paracaça às bruxas”. (SEABRA & SOUZA, 2006:35)
  17. 17. 17 1.2. Jornalismo internacional Aqui concebido como político também. Normalmente o gênero acaba sendouma cobertura de política internacional. Quando alocamos o gênero de jornalismointernacional ao trabalho pretendemos analisar as visitas do presidente Lula a outrospaíses, ou a visita de ilustres internacionais ao planalto central. Como a análise semiótica vai partir também para campos da sociologia,semântica e pragmática, todos os elementos suscetíveis de gerar coerção sãoimportantes, principalmente pelo julgamento de valor e de realidade na qual a visãointernacional do país é encarada pelo leitor, tanto perante países periféricos comoaos países do centro do capitalismo. Afinal, esta pode ser considerada uma formainternacional de prática de adesão do poder argumentativo retórico do emissor. A existência do jornalismo internacional já é amplamente debatida. Enquantoalguns pesquisadores classificam sua existência no Sec.XIX com o advento damáquina de impressão cilíndrica e o surgimento da primeira agência de notícias,criada na frança por Charles Havas, atual AFP. (NATALI, 2004) Outros, como o jornalista João Batista Natali diz que esta visão é umequívoco, pois o jornalismo já nasceu internacional e o mercantilismo já precisavadele, como o banqueiro Jacob Fugger, criador da primeira newsletter, ainda no finaldo século XIII. De uma forma ou de outra, este método de coleta e difusão denotícias de terras distantes sempre teve um objetivo com viés econômico. ParaNatali este foi o primeiro tipo de jornalismo a sofrer censura. Aconteceu em Paris,1631, quando o jornal Nouvelles Ordinaires de Divers Endroits (Notícia comum devários lugares) foi proibido de circular. Em seu lugar foi produzido o La Gazette, quetinha como responsável Théophraste Renaudot, uma espécie de testa de ferro dopoderoso cardeal Richelieu. (NATALI, 2005) O precursor do jornalismo internacional, ou político, no Brasil foi Hipólito daCosta. No século XVII, a família real desembarcou no Brasil em fuga da ascensãonapoleônica na Europa. Junto com a comissão real estava Hipólito da Costa. Elecarregava de dentro de um dos navios uma prensa trazida de Portugal. Aquielaborou o primeiro jornal brasileiro chamado o Correio Brasiliense, que eraimpresso em Londres e fazia oposição ao governo de Don João. Devido á censurana América Portuguesa, Hipólito da Costa teve que fugir para Inglaterra. (NATALI,2005)
  18. 18. 18 Na época da ditadura militar (1964-1985) o jornalismo internacional viveu oseu boom. Havia equipes de correspondentes que recebiam salário em dólar, com opaís vivendo o conhecido “milagre econômico dos anos 70”. Nos cadernos haviamcríticas de ditaduras vividas na África, e que indiretamente fazia analogia do própriosistema vivido no Brasil. Natali diz que com a redemocratização da nação, a editoriade Internacional deixou de ser a única válvula que o jornal tinha de criticar o sistema,mesmo que indiretamente. Com o fim da Guerra Fria acontece o fim da polarização nas coberturasinternacionais. Os noticiários passam a lidar com uma única potência - os EstadosUnidos – diante três enfoques históricos diferentes. O primeiro é a eleição deGeorge Bush, o pai. Ele iniciou a Guerra do Golfo, uma guerra que para muitospesquisadores foi de motivo imaginado. A invasão do Kuwait foi a partir de “fotos” deataques a navios americanos. (NATALI, 2005) O segundo momento é a eleição de Bill Clinton, que conseguiu abafar aimagem negativa de Bush, o pai, e ao mesmo tempo, isolar a Rússia. O terceiromomento é a eleição de George W. Bush, o filho. O jornalismo internacional aindaestava encantado com a época de Clinton e não soube investigar o caso 11 desetembro que culminou com a invasão no Iraque e a captura de Sadah Hussein,antigo desafeto da família petroleira da família Bush. (NATALI, 2005) Com o advento da internet o jornalismo internacional obteve uma grandemudança nas redações. Natali acredita que agora o redator possui mais função nasredações. Trabalha muito mais pelo mesmo salário. Com a diversidade da internet, oredator deve apurar cada vez mais as informações. Deve saber fazer umainterpretação qualitativa diante o acúmulo de informações enviadas pelas agênciasde notícias para as redações. Selecionar de acordo com o valor-notícia redigindomelhor na medida da “superinformação”. Cobertura presidencial: Muitos jornalistas encaram o convite de umaentrevista junto ao presidente como uma grande oportunidade de acompanhá-lo emsua trajetória internacional. Martins não encara desta forma, para ele é muito maisdesgastante para o jornalista que vai cobrir esta trajetória do que para o presidente.Enquanto o primeiro pode ocorrer diversos imprevistos que vão desde a falta deinternet como revistas não programadas em diversos aeroportos, já o segundo (opresidente) sempre vai estar descansado e com a maioria dos recursos adisposição.
  19. 19. 19 Os jornalistas políticos também são contaminados pelo imperialismo da economia. Somos obrigados a lidar com os sábios da equipe econômica por que no Brasil, ao contrário dos países do G-7, onde são meros assessores dos governantes, os economistas decidem com grande independência e distanciamento das instâncias políticas (NATALI, 2002:28) No próximo tópico vamos analisar o jornalismo econômico que contempla nãosó com os temas trabalhados nos editorias como para uma concepção maior do queé o jornalismo político no país. Esse que muitas vezes se confunde com a coberturaeconômica. Um jornalista que quem cobre política tem que estar preparado paracobrir economia, e vice versa, fruto do enorme envolvimento que os políticospossuem no desenvolvimento econômico do país.
  20. 20. 20 1.3. Jornalismo econômico Uma vez que os gêneros opinativos colhidos para analisar a revista CartaCapital são também econômicos vamos entender um pouco desta cobertura. Acobertura brasileira divide-se em duas partes essenciais: prestação de serviços eplanos de ajustes econômicos. A carta Capital se baseia em planos de ajusteseconômico. Um de seus colunistas, Delfim Neto, já foi ministro da economia do país.Não obstante, Mino Carta e Delfim Neto frequentemente citam elementos quesimbolizam um jornalismo macroeconômico. Depois do famoso “crack de 29”, o estado começou a participar mais daeconomia para dar maior fluidez ao desempenho do sistema capitalista que, vira emexe, tem suas crises. As crises cíclicas. Então, o governo acaba muitas vezes,para poder auxiliar o sistema, gastando mais que arrecada. Aqui entra também apossibilidade de chamada malversação do patrimônio público, ou seja, desvios deverba, desperdícios, favorecimentos, etc.¹ (AMARAL, 2007) Contudo o jornalismo econômico brasileiro nasceu na mesma época daditadura militar de 1964-1985. Este regime político mantinha uma ideologia dedesenvolvimento. Outro boato explícito da época era o da democracia. O mundodizia que era impossível uma nação almejar a democracia sem uma economiaconsistente. Consequentemente foi necessária uma alta cobertura sobre ajusteseconômicos dos países democráticos. Em economia, é necessário saber o que se passa com o vizinho. Isso criouuma demanda concreta para o jornalismo econômico. Naturalmente é papel daprofissão de jornalista divulgar qualquer informação que seja útil para a sociedade,independente do gênero, motivo este do jornalismo especializado em economiagerar um boom em terras brasileiras. Desde os tempos do Delfim, nos anos 70, criou-se uma supervalorização da análise macroeconômica. Não é mistificação recente, porque já tem história. Mas se trata de uma tendência recorrente na vida do País. Durante o período era a confusão de jornalista como vidente econômico. Nestes momentos as pessoas paravam os jornalistas para perguntar perguntas técnicas, do tipo qual papel esta subindo, como ficará o dólar cambial. Em um momento de Milagre Econômico o jornalista era tido como uma das principais fontes pela população, independente se a 1. Antes do “Crack de 1929” o mundo vivia o conceito de Adrian Smith, que acreditava que o mercadose estabelecia sozinho, chamado liberalismo. Após o Crack, as leituras de Keynes foram tidas em práticas pelogoverno Roosevelt, que colocou o Estado de metendo na economia para tirar os EUA da crise mundial, gerandomais empregos e rendas - o que se convencionou como o chamado intervencionismo do Estado na economia.
  21. 21. 21 análise era quantitativa ou não. Bastava o jornalista dominar um pouco do economês. Porque bastava dominar duas ou três expressões do economês para se tornar poderoso. E foi essa mistificação que pautou toda a década de 90. (NASSIF, 2001:98) Foi nesta época que foi concebido também o estereótipo das teoriasinternacionais. “Olha, eu estudei lá fora, conheço teoria econômica. Por isso, tenho asolução, resolvo tudo”. O que é um grande mito, pois é muito difícil continuaratualizado sobre os passos dos grandes centros sem estar dentro deles. Porém,este estereótipo dura até hoje, tanto para os economistas quanto aos jornalistas. Quem estudou fora do país é tido como gênio. O que acaba sendo nãoavaliativo, uma vez que depois de alguns anos fora do país o cidadão fica totalmentedesatualizado do que está de fato acontecendo. Dificilmente ele vai ter tempo paraler publicações locais e se atualizar. “Esse papel mistificador do economista - papelpolítico, no mau sentido - existia no início do século, na proclamação da República.Depois, o jornalismo econômico foi revitalizado a partir do Plano Cruzado, quando sepromoveu a mesma privatização do Estado, a mesma desorganização”. (NASSIF:2001:99) Outro papel mitológico esclarecido acima por Luís Nassif também se entendepelo uso do economês como uma forma de ultrapassar a censura da época dianteas publicações. Com função específica durante o regime militar – que tinha umgoverno populista que se baseava no avanço e modernidade – os jornalistaseconômicos usavam o economês como uma fórmula de escapar da censura. Ogoverno não tinha capacidade para filtrar este tipo de notícias. Ela era rica delinguagem técnica, números, siglas e estrangeirismo afastavam a censura. Hoje emdia, desmistificar o economês é um dos maiores desafios do jornalismo econômico,porém, na época ditatorial o uso era viável diante a censura. Neste ponto, osgêneros opinativos são ótimos para uma interpretação mais clara sobre o fato.(NASSIF, 2001) Ao mesmo tempo, a censura que se exercia no regime militar era muito mais branda no jornalismo econômico, até porque a maioria das notícias era positiva. Só depois de certo tempo surgiu o debate sobre a questão da distribuição de renda, que começou a piorar, apesar do desenvolvimento acelerado. Mesmo assim, foi essa base econômica que permitiu ao regime militar ter o apoio da sociedade. (SARDEMBERG, 2001: S/p)
  22. 22. 22 Aspectos do início da cobertura macroeconômica: tendência oficialistaporque havia um ambiente positivo e a censura lhe era mais branda. Apesar disso,vários jornais tiveram a capacidade de levar essa área com qualidade, não rarousando linguagem meio cifrada, ajudando a dar origem ao economês. O economês tem dois sentidos, ambos negativos, significando escrever mal,errado, ou então com tanto requinte técnico que poucos entendem. Se alguémescrevesse que o regime ditatorial brasileiro estava baseado em políticas quevisavam o arrocho salarial, provavelmente ficaria censurado. Porém, se afirmasseque estava baseado na contenção do fator trabalho, acabava passando pelo filtro dacensura, devido o economês de difícil compreensão para os militares da época. Umdos principais fatores para evolução do jornalismo econômico foi à ação do governoCastelo Branco que diminuiu a inflação de 100% para a casa dos 40%.(SARDEMBERG, 2001) Ao mesmo tempo em que Sardemberg enxerga elementos que demonstramuma evolução do jornalismo econômico em plena época ditatorial, João Natali,correspondente internacional da Folha de S. Paulo, também os vê. Neste caso oautor entende que noticiar positivamente um fato em um governo em que qualquerforma de oposição ao sistema aplicado é motivo de censura, o jornalismo econômicoencontrou poucos cortes em seu noticiário. Fica a dúvida, será que o jornalismoeconômico fazia isso para que não fosse censurado? Será que este tipo dejornalismo era aliado ao governo ditatorial? De uma forma ou de outra, notícias pró-governos acabaram atrapalhando um preparo da indústria, ou até mesmo dapopulação, diante a crise que se agravou na década de 80, seguinte da intituladadécada do “milagre econômico”. O Brasil mergulhou numa crise prolongada a partir da década de oitenta – chamada década perdida. E o que aconteceu com o jornalismo econômico? Continuou sendo notícia, embora de um modo inverso. Paramos de falar de crescimento para falar de estagnação, recessão e de um personagem novo, a inflação. Aquela conhecida, desde 1964, era brincadeira, ridícula, de 100% ao ano. Nesse novo período, este chegou a ser quase o índice mensal – 80% no último mês do governo Sarney. Depois, 45% ao mês era o normal. (SARDEMBERG, 2001, S/p) A posição de jornalista macroeconômico começava a florescer. Os problemasfinanceiros geraram mais demanda ao jornalismo macroeconômico nos anos de1980. De uma forma ou de outra “a crise econômica dos anos 80 do século
  23. 23. 23passado, foi caracterizada por uma inflação ascendente. Elevando a credibilidade dojornalismo econômico brasileiro diante o mundo inteiro, aumentando a análise detítulos públicos, investimentos públicos, jornal de serviços, coberturas anti-inflacionárias, bancos, taxa de juros e commodytes. Com a crise dos anos 80 o jornalismo econômico teve que mudar o foco.Naturalmente ele soube se adequar a esta nova temática diante coberturasqualitativas de notícias macroeconomias. A primeira grande cobertura diante a crisedos anos 80 foi à divulgação de diversos pacotes diante a mudança para o PlanoCruzado na clara tentativa de conter a inflação. O interessante é que havia dois grupos de acadêmicos, com linhas de pensamento distintas, que se uniram para fazer o Cruzado. A corrente que desenvolveu a base teórica da nova moeda era ligada à PUC do Rio de Janeiro. O outro grupo veio da Unicamp. Ambos assumiram uma função política das mais relevantes. Passaram a garantir a eleição de partidos políticos. O grupo da PUC se aliou ao PSDB; o da Unicamp, ao PMDB, até a hora em que o PMDB naufraga, com a imprensa dando a retaguarda (NASSIF, 2001:100) Estes são grupos que chegaram a um poder político muito forte. Passaram aser as fontes principais da época. Esta característica perdura até hoje em dia,porém, com menos ênfase quanto na época do plano cruzado. E mesmo quandoexistia um erro, a opinião era mantida por outros especialistas mais jovens. “Aquelaprimeira geração criativa é substituída por uma segunda geração xiita, presa adogmas, que perde a capacidade de pensar criativamente”. (NASSIF, 2001:102) A baixa especialização da imprensa especializada gerou uma repetição defontes das duas academias. A opinião deles é sobreposta sobre as outras. Osjornalistas passam a acreditar tanto naquela teoria, que descura a própria realidade,criando outra teoria para argumentar o erro da escolha. “Então, eu diria que a crisedo jornalismo econômico é, antes de tudo, uma crise da análise macroeconômica”.(NASSIF, 2001:102) A crise econômica, sem dúvida, e de gigantescas proporções, sem que se possa ver com segurança a sua superação. A crise econômica é, também, uma crise do jornalismo econômico? (indagação crise Jô econômico) Acho que a resposta também é afirmativa. Não considero ter sido bem informado do estado real da economia ao longo dos últimos anos pelos colegas especializados (ALVES, 2001:90)
  24. 24. 24 Um dos destaques dos anos de 1980 eram as coberturas anti-flacionárias.Para dar uma idéia de como funcionava, nem dentro do próprio governo seentendiam as coisas. Pior, ninguém sabia as respostas que deveriam ser passadasao público, pois existiam informações contraditórias Era tamanha a mudança que se fazia que ninguém estava compreendendo direito o que era. Imagine–se a situação dos repórteres – a maioria foi tomada de surpresa, mas os bons profissionais sabiam que alguma coisa estava em andamento. Como era o primeiro dos planos econômicos, a imprensa ainda não estava treinada para identificar indícios de que haveria um pacote. Hoje, está. Na época, era possível ao governo elaborar em segredo um plano daquelas proporções. Os bons repórteres desconfiavam, porque, entre outras coisas, havia algo parecido em Israel e no México. E quem acompanhava a literatura acadêmica, além de alguns artigos que apareciam nos jornais brasileiros, podia adivinhar que alguma coisa estava no ar. (SARDEMBERG, 2001) Com os boatos de que Tancredo Neves estava a um passo dá eleiçãocomeçou um movimento de economistas esquerdistas a fim da reflexão sobre o quefazer diante o novo governo. Neste momento, só os jornalistas experientesentendiam que uma mudança estava por vir. Aos poucos a imprensa foi adquirindohabilidade de antecipação diante sinais de crises. Hoje em diante a concorrência amelhor imprensa é aquela que antevê os passos, e, a pior, é a que só falha nacobertura. (SARDEMBERG, 2001) As décadas de inflação obrigaram os jornalistas econômicos a sefamiliarizarem com o jargão americano dos economistas. Dificilmente um jornalistaeuropeu não especializado saiba o que é overnight, hedge e outras esquisitices, quesão matérias primas repórteres, expressões que são ditas com a maior naturalidadena TV, como se estivessem falando o inglês que o povo entende. Contudo, nos anos90 a competição dos meios de comunicação perante a cobertura econômica começaa ficar acirrada, por vezes desleal: Com todo perdão pela palavra forte, para mim os anos 90 foram os anos do acanalhamento da mídia. O jornalista saía da escola com a seguinte visão: “eu vou atropelar quem atravessar meu caminho, vou manipular e inventar informação. O que vale é a manchete”. Foram os anos do “vale tudo”, em que a imprensa adquiriu o maior poder da História, antes de estar suficientemente madura. (NASSIF, 2001:103) O furo jornalístico era ambicionado de uma forma ou de outra. Se a notíciativesse impacto já era o bastante. E tivemos alguns modelos jornalísticos que seconsolidaram nesse período. “Foram, a meu ver, o supra-sumo da leviandade, dairresponsabilidade, da falta de compromisso com a qualidade. Se não houver notícia
  25. 25. 25quente, inventa-se uma”. A questão de buscar os diversos ângulos foi deterioradanos anos de 1990. A imprensa se tornou unanimidade. Em qualquer escândalo,normalmente a cobertura segue numa única direção. No jornalismo econômico,existe até hoje a ditadura dos analistas ligados ao mercado financeiro donde asopiniões dos mesmos persistem na imprensa. (NASSIF, 2001:104). Porém, o discurso uniforme da imprensa especializada, ou melhor, teoriasNeoliberais postas em prática nos EUA pelo presidente Reagan, e inglesas porMargareth Thatcher acabaram caindo com as vitórias de Bill Clinton e do trabalhistaTony Blair. Começou maior diversificação de opinião. É interessante notar que deuma forma ou outra o jornalista que almeja cobrir macroeconomia deve ter domínioda língua inglesa e dedicar um imenso tempo para acompanhar ao menos: o WallStreet, o Economist, o Financial Times, para não falar dos boletins de análiseconjuntural, publicados pelos principais bancos de investimentos, ou de publicaçõesmais sérias, como o Journal of Economic Literature, o Journal of Monetary Economy. Porém, os “jornalistas econômicos brasileiros são os que, no mundo, têmmaior intimidade com os termos e os conceitos da economia. É o fruto de décadasde crise e de inflação descontrolada. A mídia brasileira também é a que maiorespaço dedica às notícias econômicas”. Naturalmente a cobertura foi ganhandoexperiência diante as problemáticas econômicas (ALVES, 2001:91) Hoje em dia imprensa econômica brasileira está num ponto intermediárioentre um tipo de cobertura oficialista e um tipo mais aberto, democrático. A primeiraalmeja somente a cobertura do que foi divulgada pelo governo à titulo de informaçãoque dispensa qualquer tipo de consideração contrária, característica semelhante aodo jornalismo econômico na época ditatorial. A versão oficial é a que prevalece. Já asegunda consiste em opiniões de economistas contrários ao conteúdo. Apesar deser mais democrática, ela ainda possui suas limitações diante uma cobertura comdiversas opiniões e pouca interpretação por parte do emissor do conteúdo Em grande parte, isso é falta de preparo. Se ele tiver competência para compreender as medidas, poderá dizer que elas irão provocar tais e tais resultados positivos e negativos, como fazem os colunistas. Muitas vezes, os jornalistas poderiam agir dessa forma, em vez de bater nas portas dos economistas. Tanto para captar o que a fonte está dizendo – sem entrar na informação parcial ou distorcida – quanto para ir atrás da notícia correta e bancá-la. (SARDEMBERG, 2001: S/p)
  26. 26. 26 Aí entram os aspectos da cobertura economia. A crise de hoje é de naturezacriativa. Há uma reformulação de todo o processo de pensar, e de atuar no âmbitoeconômico. É a descentralização. Surgem novos modelos de cobertura no mundo.Agora estamos entrando na era da maturidade, onde o próprio leitor passa a exigirqualidade de informação. Empresas começam a trabalhar de uma forma conjunta. “E o novo modelo que vem pela frente, que exigirá mudanças principalmente no âmbito das empresas – o foco mais dinâmico da sociedade -, deve gerar análises sistêmicas, de conjunto. Acaba a história de investigar o problema A, o B ou C, isoladamente. É preciso superar a mera análise dos números” (NASSIF, 2001:92) O jornalismo continua preso a cobertura de câmbio e de open marketing doBanco Central. São necessários novos modelos, mais populares com maiorintegração com o meio ambiente perante um desenvolvimento sustentável. Maisdiversidade de publicações. Pois, nenhuma economia hoje em dia pode seranalisada isoladamente. A relação do jornalista econômico com os economistas é crucial para osucesso da profissão. Entrar nestes nichos é muito difícil, o que estimula aconcentração de informações em OFF retidas para poucos. Hoje em dia o jornalistaé tido como importante neste tipo de cobertura por se tratar de um órgãosupostamente imparcial, independente do governo ou de interesses econômicossecundários. Porém, são atreladas, não possuem quantidades necessárias. A mesma pesquisa utilizada em um grande jornal é a mesma que oconcorrente vai usar, não obstante, mesma matéria prima das empresas jornalísticasde médio e pequeno porte que trabalham com a cobertura macroeconômica. Ojornalismo econômico competente, numa economia estável, é um jornalismodedicado a empresas, empreendimentos e negócios. Já o jornalismo competentediante uma economia fraca acaba sendo investigativo diante o motivo desta queda.(NASSIF, 2001)
  27. 27. 27 2. Conceitos de apoio Neste capítulo estão alguns conceitos de apoio que servem para umentendimento melhor sobre o papel da comunicação entre os próprios políticos esobre algumas nuances do papel do jornalista diante da sociedade. São tópicosinteressantes que vão ajudar para um melhor entendimento de como os políticos ejornalistas atuam, otimizando a compreensão da análise semiótica sobre estetrabalho. Tanto a visão negativa quanto a positiva diante o papel de jornalistas epolíticos na sociedade estarão nas palavras deste capítulo. Quanto melhorentendemos como funcionam estes papéis, mais vamos estar por cima da óticatradicional que estes se demonstram para a sociedade. 2.1. Imparcialidade A finalidade do jornalismo permanece a mesma desde seu surgimento -fornecer aos cidadãos as informações que precisam para ser livres, viver em umademocracia. Por isso que existe a liberdade de imprensa, pois um imprensa livresimboliza um pátria livre e democrática. “Essa noção de liberdade de imprensa foicriada no contexto da independência americana, pois somente uma imprensa livrepode contar a verdade”. (ALMOND E POWELL JR, 1972:110) Porém, com a chegada da tecnologia no jornalismo, muitas empresasjornalísticas se tornaram conglomerados de negócios, e são necessariamentedependentes da liberdade de imprensa para manter seus negócios. “Osconglomerados de empresas jornalísticas interferem na sobrevivência da imprensaindependente ao mesmo tempo em que se volta para os negócios”. (KOVACH EROSENSTIEL, 2004:53). “Com a chegada da tecnologia, as empresas jornalísticas passaram asubmeter o jornalismo a interesses econômicos, portanto a ameaça ao objetivo daprofissão nos dias de hoje não vem da censura dos poderes governamentais, e simno fato de que a independência do jornalismo pode ser dissolvida no meio daautopromoção ou informação comercial.” (KOVACH e ROSENSTIEL, 2004:32). Cada pessoa possui uma verdade, um argumento individual. O jornalismoprocura utilizar a prática da verdade, não no sentido filosófico, mas deve se basearem uma verdade que funcione para a sociedade. O compromisso com verdade é
  28. 28. 28fundamental para “independência jornalística”. “Os jornalistas não somente vendemconteúdo informativo ao público, como também constroem uma relação com baseem seus próprios valores, profissionalismo, compromisso, julgamento e autoridade”,criando-se assim um vínculo mais resistente entre o público e as empresasjornalísticas, que por sua vez utilizam desse “crédito” para conquistar anunciantes.(KOVACH e ROSENSTIEL, 2004:83) É interessante notar que Desde os primeiros estudos de Edgar Morin, teóricosda comunicação afirmam que há uma espécie de contaminação nos mass-mediaque ajuda a confundir os conteúdos informativos e o sistema ficcional. Esse efeitofaz com que a realidade pareça ser encenada, para que seja recebida pelosconsumidores. Como dizia Aristóteles, a representação não é regida pela fidelidadeà realidade, não se destina a reproduzir o que é real. O critério é a própriarepresentação em si, “a capacidade de envolver o espectador a partir de suaspróprias experiências, ou seja, o simulacro não representa o real, mas deve parecerque o faz”. (FAUSTO NETTO, BRAGA e PORTO, 1995:81) A função dos jornalistas não é só informar, mas também ser um vigilanteindependente do poder, porém, esse princípio é mal interpretado pelos jornalistas. “Afunção de guardião pode ser ameaçada por excesso de uso, falha na condução davigilância ou ainda pelo aumento de conglomerados corporativos, que podemdestruir o papel do profissional de imprensa”. (KOVACH e ROSENSTIEL, 2004: 169-171) Atualmente os jornalistas acreditam que a imprensa impede que líderespolíticos burlem a lei ou a ética, essa finalidade distingue sua profissão das demais.“Ser guardião significa mais do que monitorar ações governamentais, na verdade seestende a todas as instituições poderosas”. (KOVACH e ROSENSTIEL, 2004:172)
  29. 29. 29 2.2. Ética Jornalística Uma das coisas que um jornalista político deve ter em mente é que qualquergrupo ou partido governante sempre representa interesses particulares contráriosaos divulgados pelos políticos: “Tomar uma posição fundamentalmente crítica nãosignifica rejeitar o próprio estado, menos ainda aplicar um negativismo geral”. Épapel do jornalista sempre contestar para dignificar sua posição de formador deopinião bem como para reforçar o próprio conceito de democracia. Afinal, quantomais crítica, mais vozes apontando problemáticas. (KUNCZIK, 2002:340) Quanto mais ampla a participação da pessoa na tomada coletiva das decisões e maior a sua integração na estrutura das comunicações, maior é o seu compromisso para com a associação (afeto positivo, lealdade e empenho em realizar as metas de grupo) e menor o seu desligamento (distância pessoal e sentimentos da incapacidade para influenciar as ações e políticas coletivas). (KNOKE, 1986:341) Com esta citação percebemos qual é a responsabilidade do jornalista político.Ele nunca deve perder o sentimento democrático e sempre se lembrar do seucompromisso para com o leitor. Quanto mais engajado na política, maior aresponsabilidade ética do formador de opinião. O jornalista ajuda “a prevenir o esclarecimento de uma liderança oligárquica,já que o governo de poucos é fundamentalmente prejudicial ao avanço dademocracia”. Analisando este contexto percebemos que o jornalista também tem afunção de esclarecedor dos processos de construção da vontade política. Logo, elepauta os políticos que procuram resolução de problemáticas conforme a demandade notícias. Aqui, o jornalista ético e concebido como o jornalista dedesenvolvimento. (KUNCZIK, 2002:340) A vida humana já não pode se subordinar completamente aos objetivos econômicos. Existem outros objetivos que transcendem a edificação de uma sociedade consumidora tipo ocidental com seus produtos parcial ou totalmente supérfluos e sua destruição do meio ambiente. Promover um orgulho sadio com respeito ao patrimônio e as conquistas da própria cultura, dentro do contexto de uma concepção de desenvolvimento não baseados em medidas monetárias, mas tenha a qualidade de vida como cerne, é a principal função do jornalista de desenvolvimento. (KUNCZIK, 2002:345)
  30. 30. 30 O jornalista de desenvolvimento pode ser atuante em qualquer editoria dojornalismo. Em qualquer estado social, não é porque é jornalismo dedesenvolvimento que ele enfoca países em desenvolvimento. Esta ação esta alémdas classes sociais, por se tratar de uma noção ética. Os valores de um jornalistaético abrangem todas as categorias. Por isso o jornalista de desenvolvimento nãodeve medir o país unicamente pelas taxas do PIB. O importante para a análise ésaber como esta auto-realização da população. Noticiar sempre visando os valoreshumanos em primeiro lugar. E neste contexto o jornalista deve ser o mediador, porta voz das diversasopiniões democráticas diante uma problemática. “Assim encarado o jornalista temuma função mais ou menos pública, pois proporciona a cidadania, a informaçãomais concisa possível dos fatos, para capacitá-la a formular juízos e optar por açõesapropriadas”. (KUNCZIK, 2002:346) Atribuindo-se assim a tarefa do jornalista em estimular discussões, promoverencontros e, quando o debate está a ponto de parar, intervir, contribuindo com suaspróprias idéias. Ele não pode ser passível diante sua cobertura. Os receptores estãoávidos por informações legitimas, e cabe ao jornalista de desenvolvimento fornecereste material. O jornalista ético tem a função de crítico. Para um jornalista ser um crítico,deve ser capaz de “analisar os prováveis efeitos sociais, culturais e econômicos quetem um projeto pode ter sobre o povo, sabendo-se que mesmo os projetos públicossurtem efeitos distributivos no sentido de que muito raramente eles atuarão contraos privilegiados”. (KUNCZIK, 2002:348) Mesmo sendo elitizado, Mino Carta costuma fazer este papel de crítico a favordo povo que vive na camada da sociedade. Ele possui muita experiência no campojornalístico, por isso é credibilizado pela academia jornalística a ser um crítico. Estacredibilidade não é algo tangível como um título ou um troféu, ela é abstrata, está noar, donde o histórico do crítico é o balanceamento do julgamento de valor que seráembutido nele. “O jornalista de desenvolvimento deve aceitar o fato de que osubdesenvolvimento é também um estado mental”. Não é por ser um jornalistabrasileiro, um país considerado de terceiro mundo, que ele deve redigir comoterceiro mundo, ou ter qualidade de terceiro mundo. Na verdade ele deve sempreambicionar a alta tecnologia, se familiarizando e otimizando os custos diante um
  31. 31. 31trabalho qualitativo. “Tentar remover sentimentos de alienação, como impotência,auto-alienação, isoladamente, insensatez e até mesmo fé nas normas, constitui umatarefa essencial de jornalista de desenvolvimento”. Naturalmente ele estimulaefeitos positivos. Porém este otimismo não deve ser levado ao extremo, pois existesituação onde é impossível ser positivo, como a cobertura de uma guerra, porexemplo. (KUNCZIK, 2002:352-353) O problema do Terceiro Mundo não começou nem com o capitalismo monopolista, nem com o colonialismo. Os elementos do problema já estavam presentes no Terceiro Mundo, especialmente na Ásia e na África, nas formas da posse de terras, nas configurações da produção agrícola, nas relações sociais, nos modos de organização política, etc. que caracterizaram essas sociedades antes do advento da “expansão européia”. (JAYAWEERA, 1986:20) Neste contexto é natural que um jornalista de desenvolvimento estejaatenuado com a leitura das ciências sociais. Através desta leitura o jornalista ficalivre de falsos julgamentos e estereótipos. Naturalmente, este jornalista deve serautodidata. Através da busca do conhecimento ele beneficia o leitor. O jornalista de desenvolvimento deve compreender a interação entre osproblemas pessoais e os problemas sociais existentes para pode dar sentido aomundo. O critério decisivo que distingue o jornalismo ocidental do jornalismo de desenvolvimento reside na aceitação do principio da atualidade. A regra segundo a qual uma boa cobertura informativa é sinônima de uma cobertura informativa de atualidade não pode ser aplicada ao jornalismo de desenvolvimento. O empenho em produzir constantemente notícias com rapidez impossibilita uma recopilação de notícias baseadas na investigação cuidadosa e na explicação de contextos. (KUNCZIK, 2002:364) De certa forma, este aspecto de agilidade do jornalismo ocidental acabamuitas vezes por não ser ético. A falta de análise, acusação em massa de fontes emuma só direção, vista com sensacionalismo, muitas vezes ultrapassa somente oobjetivo de informar. Este é um grande diferencial entre jornais e revistas, impressos. Enquanto oprimeiro é mais dinâmico, na mesma proporção, é o que tem mais chances porburlar a ética diante o aspecto quantitativo. Não por isso que a revista também nãovai fugir a regra. Somente os ataques entre os editoriais de Mino Carta e Diogo
  32. 32. 32Mainardi, editor chefe da revista Veja, já explicitam de cara que as duas revistasultrapassam o limite da ética jornalística. Não obstante, diante a sociedade da informação acontece o famosobombardeio de notícias instantâneas onde ninguém entende nada. Causam maisefeitos do que informam principalmente os telejornais das grandes emissorasocidentais. “É duvidoso que os meios de comunicação de propriedade privada, quecompetem entre si, sejam mais idôneos para realizar um jornalismo dedesenvolvimento”. (KUNCZIK, 2002:364) Este tipo de jornalismo é mais reflexivo, mais trabalhado, interpretativo. Elenão cai na fobia do rápido, onde grande parte do conteúdo é elaborada de últimahora, sem muita averiguação. Depender da agilidade é depender do publico, e nãorespeitá-lo. “Isso envolveria na prática o risco de priorizar conteúdos despolitizados,culturalmente empobrecidos, sensacionalista e de entretenimento”, naturais dogrande jornalismo moderno ocidental. (ARBEX, 2001:75) Ele é um franco defensor da democracia, consequentemente da liberdade deimprensa. “Os governos autocratas da América Latina e de muitos estados asiáticoscombatem os meios de comunicação independentes, e em particular os jornais; sóum jornalismo livre e responsável poderá contribuir de maneira duradoura para odesenvolvimento planificado”. (KUNCZIK, 2002:372) Na Ásia quando falamos em divulgação parcial ficamos em dúvidas peranteos governos, em particular da China, em censurar a imprensa. Já na América Latina,vemos Hugo Chaves censurar a Television, ao passo que Cristina Kirchner jáintervencionou o INDEC, que é o indicie que mede os movimentos econômicos daArgentina. No Brasil, tivemos a intervenção de Gilmar Mendes ao jornal Estado de S.Paulo. O jornalista ético de desenvolvimento não pode deixar germinar na sociedadeum tipo de consenso que faculte uma minoria que vive nas costas de uma maioriaque realmente trabalha e obedecem as leis estipuladas, ao fim de manter a ordem eserviço a nação. “Ele motiva a crítica na sociedade, motiva o povo a lutar por um ideal quejulga necessário para a maioria participante”. O jornalismo de desenvolvimento seencontra arraigado num conceito geral de administração e planejamento e por issopossui um “caráter instrumental e sócio-tecnológico”. “O jornalista deve estararraigado numa dada cultura local, esforçar-se para obter a cooperação dos
  33. 33. 33membros mais importantes da comunidade e usar linguagem apropriada para ashabilidades lingüísticas do público”. (KUNCZIK, 2002:370) Uma das características mais importantes do jornalismo é a confiabilidade deum meio de comunicação. “O meio de comunicação pode ser visto como instrumentode propaganda do governo. Uma vez que a maioria das pessoas considera comopouco confiável um sistema de comunicação, mesmo os melhores conteúdos dejornalismo de desenvolvimento deixarão de ter efeito”. (KUNCIZIK, 2002:371) O jornalismo ético deve usar a sua capacidade de retórica nos detentores dopoder, um jornalismo livre serve de interesse a todos os integrantes do sistema.Diante o neopopulismo na América Latina, muitas vezes estas liberdades são postasem risco. “Os governos autocratas da America Latina e de muitos estados asiáticoscombatem os meios de comunicação independentes e em particular os jornais”. Deacordo com a organização Freedom House, somente em 1986 foram presos 178jornalistas e 19 assassinados. “Só um jornalista livre e responsável poderácontribuir de maneira duradoura para o desenvolvimento planificado”. (KUNCIZIK,2002:372) O jornalista ético deve promover a pluralidade social. Sempre objetivando oprincipio de subsidiaridade. Diante a proximidade do receptor e emissor, o primeiropode se tornar o informante e o professor das regras da democracia em termos“locais” e “regionais” no mesmo instante. Como principal veículo de informação entre o político e a população ojornalista acaba dando suporte às leis. Ao mesmo tempo em que o jornalismo pautaas problemáticas para o político. Como transmissor de exigências, podemos incluiras denúncias e os problemas sociais. Através da retroalimentação o jornalista éticovai sempre interpretar a notícia, relembrando de fatos, demonstrando hipótesescabíveis para problemáticas. Quando o governo lança uma lei, é ele quem vaidivulgar a mesma, retroalimentar as novas leis estipuladas. É ele quem vai estudar opassado, entender o presente e ajudar a solucionar o futuro. Assim em suma, o jornalista ético de desenvolvimento é baseado empropósitos racionais e responsabilidade ética. Ele visa a qualidade de vida de seusleitores. “A orientação de valores é claramente democrática e emancipadora”.(KUNCIZIK, 2002:372)
  34. 34. 34 2.3. Gêneros opinativos Por mais que a instituição jornalística tenha uma orientação definida (posição ideológica ou linha política), em torno da qual pretende que as suas mensagens sejam estruturadas, subsiste sempre uma diferenciação opinativa (no sentido de atribuição de valor aos acontecimentos). Isso é uma decorrência do processo de produção industrial, pois a realidade captada e relatada condiciona-se à perspectiva de observação dos diferentes núcleos emissores (empresa, jornalista, colaborador e leitor). (MELO, 1994:34) No instante em que a imprensa se profissionalizou deixando de ser umempreendimento individual, como no tempo de Chateaubriand, tornando-se umaorganização complexa contando com uma grande força de trabalho assalariado deacordo com os Sindicatos, “a expressão da opinião fragmentou-se seguindotendências diversas e até mesmo conflitantes”. (MELO, 2006:12) Um jornalismo opinativo qualitativo visa: A informação, o interesse, adenúncia perante desigualdades, a investigação, apuração de fatos, o contextualizaro individuo na sociedade, propiciar a democratização, demonstrar a realidade, serpolêmico e aguçar o senso crítico. Normalmente os jornalistas opinativos possuembastante experiência de campo. Ele deve ser um hiper especialista sobre suaespecialidade. Normalmente possuem diversas fontes importantes. (BELTRÃO,1986) No Brasil, os editoriais acabam tendo muito mais impacto político do que nosEstados Unidos – maior representante do modelo ocidental de jornalismo. NosEstados Unidos, o Estado tem muito mais autonomia do que a mídia. Lá, seexistirem 1000 tablóides contra a guerra no Iraque, o estado não vai tomar a atitudepor estas, mais sim por seus ministros que protegem sua posição democrática. Já noBrasil, Collor Caiu via imprensa. Este trabalho de análise de discurso visa oconteúdo opinativo do editorial da Carta Capital. Os principais gêneros opinativos dojornalismo são: “Comentário, Artigo, Resenha, Coluna e Editorial”. (MELO, 2003:26). Apesar de ser um pouco raro, o comentário também existe. Este é um gêneroque foi introduzido no país recentemente, utilizado para ser um paradigmaalternativo do editorial, porém mais focado nos assuntos tocados em torno dos fatosque estão acontecendo. Ele vem junto com a própria notícia. Já o artigo pode ter duas definições. Pelo senso comum é qualquer elementojornalístico impresso, não importando o objetivo. Já as instituições jornalísticasdefinem o artigo como “um gênero específico, uma forma verbal”. Todavia, trata-se
  35. 35. 35de uma matéria jornalística onde o emissor desenvolve uma idéia apresentando umaopinião. O artigo é um “escrito, de conteúdo amplo e variado, de forma diversa, naqual se interpreta, julga ou explica um fato ou uma idéia atual, de especialtranscendência, segundo a conveniência do articulista“. (MELO, 2003: S/p) A resenha pode ser concebida como uma análise sobre obras-de-arte ou dosprodutos culturais. Seu objetivo é a orientação dos receptores. No nosso país otermo ainda não se desenvolveu também - muitas vezes estes gêneros sãointitulados como “crítica”. Trata-se de uma atividade eminentemente utilitária. “Coluna é a seção especializada de jornal ou revista publicada com regularidade, geralmente assinada, e redigida em estilo mais livre e pessoal do que o noticiário comum. Compõe-se de notas, sueltos, crônicas, artigos ou textos-legendas, podendo adotar, lado a lado, várias dessas formas. As colunas mantêm um título ou cabeçalho constante, e são diagramadas geralmente numa posição fixa e sempre na mesma página o que facilita a sua localização imediata pelos leitores“. Elas são opiniões e informações curtas que visam agilidade e abrangência. “Procura trazer fatos, idéias e julgamentos em primeira mão. Do ponto de vista estrutural, ela é um complexo de mini-informações”. (MARQUES DE MELO, 2003:42) Toda empresa de comunicação possui uma ideologia. A imparcialidade é tidacom um mito. E é no texto do editorial que esta visão é demonstrada, implícita ouexplicitamente. Os textos informativos objetivam a informação, independente sesejam tendenciosos ou não - no caso da tendência demonstrada de uma formainformativa, com citação de fontes, ou até mesmo apurações em OFF. Segundo José Marques de Melo, a opinião contida no editorial não se trata deuma atitude voltada para perceber as reivindicações da coletividade e expressá-las aquem de direito. Significa muito mais um trabalho de “coação“ ao Estado para adefesa de interesses dos segmentos empresariais e financeiros que representam. Para José Marques de Mello o escritor do editorial deve conciliar os diferentesinteresses do cotidiano e refletir o consenso dos diferentes núcleos proprietários dainstituição. Nisso, o princípio de orientar a opinião pública está associado àorientação das ações do estado. Muitas vezes o editorial esta objetivando umamotivação político – econômica em favor ou detrimentos, a este ou aquele políticoque dependente ou independentemente favorece a empresa jornalísticaeconomicamente. É necessário que este jornalista seja experiente. Ele precisa ter uma vocaçãode pegar determinados assuntos e direcioná-los. Porém, a voz dos veículos tem de
  36. 36. 36ser acordada, pois a visão pessoal do jornal não é a do seu dono, em sua maioria.Isso porque existem outros aspectos que também precisam se acertar entre si, paraque saia um editorial que atenda a todos estes interesses (acionistas, agênciasfinanciadoras, donos, estados). Por sinal, todo o conteúdo ideológico se um jornal é afetado com as mesmasdecisões. Leva-se a discussão para direção do jornal, e esta, sempre aponta aatitude que o estado vai tomar. Toda esta dinâmica entre o que os jornalistasdefendem e a ideologia da empresa de comunicação é negociada. No caso da revista Carta Capital o editorial é semanal visto que a revista ésemanal. Cada edição de uma revista jornalística, normalmente, sempre vem comum editorial, independente do seu gênero, ou público alvo. Na carta capital oeditorial elaborado por Mino Carta trás o conteúdo da semana. Ele analisa eseleciona as principais notícias de acordo com os seus valores pessoais e osvalores notícias. No caso de Carta, ele é um dos donos da revista. Porém,normalmente quem escreve o editorial é o chefe de redação, normalmentegabaritado perante os objetivos ideológicos e comerciais do periódico. De acordo com Luiz Beltrão, os atributos específicos do editorial são: a)impessoalidade (não se trata de matéria assinada, utilizando portanto a terceirapessoa do singular ou a primeira do plural) ; b) topicalidade (tema bem delimitado,tratando de questões específicas); c) condensalidade (poucas idéias, breve e claro) ;d) plasticidade (flexibilidade, ritmo dos fatos com seus desdobramentos). “Os editoriais são lidos por menos de 10% dos leitores“ - segundo o escritorAlan Viggiano - a maioria dos leitores brasileiros recusa o editorial porque ele émuito massudo; destina-se a uma determinada classe de leitores; não é valorizado(problema gráfico); e, geralmente, o tema abordado não diz respeito ao universoespecífico do público (massa). Independente do sucesso do editorial junto ao leitor é nele que o chefe deredação vai utilizar muitas formas de argumentação e estimular vários sentidos parademonstrar que a visão da revista é a mais legítima. Justamente por isso que oestudo semiótico foi escolhido para analisar estes textos opinativos. Maisprecisamente a semiótica inspirada por Greimas, pois ela estuda todas asperformances de efeitos de sentido de uma mensagem.
  37. 37. 37 3. Semiótica O Código verbal da linguagem é dependente de três conceitos inicias:Emissor, Mensagem e Receptor. Receptores têm códigos de vidas diferentes. Amensagem pode ser mostrada de uma forma direta (jornal, fala) ou indireta(pressuposições). No início do século XX duas ciências da linguagem cresceramrapidamente, uma delas é a linguística, ciência da linguagem verbal, a outra é aSemiótica, ciência de toda e qualquer linguagem. Nela existe uma forma decomunicação que escapa da tríade comunicacional “ver-ouvir-ler”, e ao mesmotempo, é estimulado por ela de uma forma direta. Um clássico exemplo é a sentença: “Onde existe fumaça ha fogo”. Muitafumaça pode significar diversas coisas, como incêndio, chaminé, queimada. Atéolhar ou cheirar a fonte do problema a dúvida permanecerá no ar. Diante o mundoem que vivemos cada um forma uma codificação particular. Se um urbanista estiverno campo e enxergar fumaça, pode pensar que se trata de uma queimada quandona verdade pode ser apenas a chaminé de um forno a lenha. Quando falamos da linguagem é perceptível que ela veicula conceitos que sedesenvolvem no ouvido onde tal som recebe uma tradução visual (linguagemescrita). Quando crianças, aprendemos a falar por esta fórmula de assimilação.Existe uma figura e esta recebe um nome para o seu significado. Primeiroaprendemos o símbolo, depois o que ele significa. Justamente por isso que existemexcessos de figuras nos livros didáticos infantis. Simultaneamente existe um grande conteúdo de outros tipos de linguagensque também se constituem em sistemas sociais de representação mundana. Tantodiante a situação social de dado país quanto na codificação da sua população -como a linguagem de libra, automobilismo, culinária, etc. Quanto maior a capacidade de interpretação do ser, maior o entendimentodos códigos de linguagem. Não obstante falamos do jornalismo especializado e elese encaixa muito bem nesta categoria de informação. O jornalista político deveconhecer também os jargões da política, os econômicos dos economistas, e assimpor diante – só desta forma vão conseguir o sucesso na comunicação diante asfontes especializadas. Este jornalista acaba adequando sua linguagem para poder
  38. 38. 38acompanhar as especialidades. Mais ou menos como um dos aspectos donaturalismo – o meio (lugar) modificando o homem. “De dois séculos para cá (pós-revolução industrial), as invenções de máquinas capazes de produzir, armazenar e difundir linguagens (a fotografia, o cinema, os meios de impressão gráfica, o rádio, a TV, as fitas magnéticas etc.) povoou nosso cotidiano com mensagens e informações que nos espreitam e nos esperam. Para termos uma idéia das transmutações que estão se operando no mundo da linguagem, basta lembrar que, ao simples apertar de botões, imagens, sons, palavras (a novela das oito, um jogo de futebol, um debate político...) invadem nossa casa e a elas chegam mais ou menos do mesmo modo que chegam à água, o gás ou a luz”. (SANTAELLA, 2003:12) Dominar a linguagem é ter poder. Um bom exemplo é a Inglaterra. Ela que jáfora uma grande potência do mundo, agora, só demonstra sua potêncialinguisticamente através da língua universal, o inglês. Outro bom exemplo é a moda. No Brasil onde a temperatura média é de trintagraus, a população segue tendências de países frios que estão na elite da moda, acalça jeans é o maior exemplo disto. O terno e gravata também são muito usados,principal traje das grandes instituições. A discussão paira sobre a qualidade damarca, sendo que na verdade nenhum terno é adequado a um calor de quarentagraus. Isso acontece porque o julgamento de valor que fazemos sobre isso éextremamente forte; se uma pessoa não está vestida adequadamente passa a serjulgada negativamente perante a ética mundial misturada com da sociedade vivente. Neste sentido os grandes países do capitalismo comandam a comunicaçãomundial. A imprensa é tida como principal canal de comunicação, forma apersonalidade das pessoas através de signos organizados em mensagens, ofuncionamento da mensagem ocorre como forma de transmitir: emissor, tipologia edissertação. No sistema social em que vivemos recebemos um “bombardeio demensagens que servem à inculpação de valores que se prestam aos interesses dosproprietários dos meios de produção de linguagem e não aos receptores”. Assim, setodo fenômeno cultural só funciona culturalmente porque é também um fenômeno decomunicação, e considerando que tais fenômenos “só se comunicam porque seestruturam como linguagem”, é notável que todo e qualquer fato cultural e qualqueratividade ou prática social “constituem-se como práticas significantes, isto é, práticasde produção de linguagem e de sentido. Iremos, contudo, mais além; de todas as
  39. 39. 39aparências sensíveis, o homem — na sua inquieta indagação para a compreensãodos fenômenos — desvela significações”. (SANTAELLA, 2003:15-16) A leitura é poder de linguagem, pode ser objetiva e subjetiva. Um bom escritorpensa no tema e em argumentos textuais, para quem e como escrever. A função dalinguagem é de mexer com o emocional de receptor, rompendo a estrutura socialcom argumentos no papel social. Tudo possui uma linguagem. E toda linguagemtrabalhada acaba virando especializada. Desde linguagem computacional, humana,até florestal. A catalepsia projetiva estuda o estudo do sono. Existem, até mesmo,estudos sobre a linguagem do silencio. Visto assim, “a semiótica é a ciência que tem por objeto de investigação todasas linguagens possíveis, ou seja, que tem por objetivo o exame dos modos deconstituição de todo e qualquer fenômeno como fenômeno de produção designificação e de sentido”. O que nos favorece, pois se já sabemos que os grandespolíticos possuem a arte da retórica o grande jornalista político ambiciona a mesmaarte pragmática. Explosão de geração de sentido elaborado por ambas as partes,intencionalmente. (SANTAELLA, 2003:18) A semiótica é um grande indefinido. Ela ambiciona os fenômenosantecedentes até a construção da linguagem. Consequentemente, um bomsemiótico deve ter boa base das ciências sociais, devido à alta oferta deentendimento cultural pertencente a cada sociedade. É mais uma matéria queestimula a convergência de diversas faculdades. Um bom semiótico está além doolhar, de um simples julgamento de valor. Ele entende os estereótipos formados narealidade em que vive. Portanto, a semiótica procura analisar o “ser” na linguagem, ou seja, a açãode signo. Para quem não sabe, signo é a estética do observado, significante é o queele pensa sobre a significação do observado. Por exemplo, quando vemos um lápis(imagem – signo) logo pensamos na palavra LÁPIS (significante – palavra, nestecaso), e vice e versa. Um dos maiores lingüistas da história, Charles S. Pierce, elaborou um estudodos signos que é base para entendermos a semiótica moderna. Diante a confusãodos estudos da lingüística na sua época, ele tentou colocar as relações lingüísticassociais através de um modelo consistente Pierce era estudante de química e de tanto estudar tal matéria e outrosfenômenos acabou percebendo que a maioria das coisas da natureza é semelhante,
  40. 40. 40o pensador possui trabalhos em diversos campos de estudo. Nisto, no campo dafilosofia, acabou inventando a fenomenologia (estudos dos fenômenos naturais). Opensador inventou o termo “pragmático”, porém, por brigas de autoria do mesmo,acabou por definir a palavra “pragmatismo”, que se refere ao mesmo conteúdo deestudo. Num artigo intitulado “Sobre uma nova lista de categorias”, Pierce em 14 demaio de 1867 descreveu suas três categorias universais para toda experiência epensamento. Para Pierce, tudo o que surge na consciência se mobiliza numagradação de três propriedades que correspondem aos três elementos formais detoda e qualquer experiência. Essas categorias foram denominadas: qualidade;relação e representação. Para representar toda manifestação do pensamentohumano atravé de um único modelo Pierce se baseia em uma terminologia divididaem: Primeiridade, Segundidade e Terceiridade – traduzindo-as como ícone, índice esímbolo. (PEIRCE, 1999, S/p)
  41. 41. 41 3.1. Ícone, índice e símbolo - Charles S. Pierce O ícone é considerado um signo que possui alguma semelhança com o objetorepresentado. “Exemplos de signo icônico: a escultura de uma mulher, umafotografia de um carro, e mais genericamente, um diagrama, um esquema”. Ele é umsigno que ganhou tanta consideração que acaba virando um grande símbolo dosoutros símbolos de sua especialidade. (COELHO, NETTO 2007:57) Afinal, John Lennon já se considerou mais famoso do que Jesus Cristo.Mesmo que o Pelé fique jogando basquete para o resto de sua vida, ele semprerepresentará o futebol, e não meramente só lembrará o esporte. O Pelé é um bomexemplo de ícone. Quando falamos do Ronaldinho Gaúcho, do Romário ou doRonaldo Fenômeno, são considerados meros símbolos no que tange ao Pelé nofutebol. É um fato social unânime entre os diversos segmentos de especialistas einteressados em futebol. Tão natural quanto o sol de manhã, ou a Lua de noite. É interessante notar que dificilmente um signo se torna ícone. Pois para umsigno virar ícone ele deve ser unanimidade no que tange a representação de outrossignos do mesmo segmento. Ele será um índice que nunca perderá o seu valorcomo objeto. É interessante lembrar que cada um possui as suas codificações. Seeu encontro no centro da cidade o padeiro que está ha trinta anos na esquina daminha casa, ele será um ícone de padaria para mim. Já, diante a aglomeração elese torna apenas mais uma pessoa diante ao número de pessoas que percorrem olocal. Já “o índice dentro da semiótica é um signo indicador”. O fato de o índice sermobilizado pelo objeto o torna um signo. Eles se fixam diante a repetição dos fatossociais vividos. Quando somos crianças aprendemos diveros indicadores destaespécie como: não abra a porta para estranhos, não tome remédios por contaprópria, não ingerir líquidos que contenham “caveira” nos rótulos. (COELHO NETTO,1990:59) Já se tiramos o valor do objeto do índice ele perde seu significante. Se virmosum veículo na rua sem a maçaneta, estando apenas um buraco no local, logopensamos que ali ocorrerá uma tentativa de assalto, observação esta estimulada porexperiências anteriores diante a televisão, fotografias, ou experiências pessoais.Porém, depois de uma análise qualitativa da região, percebemos que o veículo estáperto de uma oficina mecânica donde esta saindo um mecânico com uma nova
  42. 42. 42maçaneta na mão. Logo entendemos que estávamos errados diante o objetoestereotipado. Exemplos de índices: Onde há fumaça há fogo, um campo molhado é índicede que choveu, uma seta colocada num cruzamento é índice do caminho a seguir;um pronome demonstrativo, uma impressão digital, um número ordinal. O índice éalgo que vai representar o seguimento de alguma coisa, quando consumimos osprodutos e pensamos neles com um índice percentual ao seu salário, verá que ovalor do objeto aumentará no pensamento. Como diria Emile Durkheim, quando nascemos estamos diante umasociedade dada independente das manifestações individuais. Conforme crescemos,percebemos a simbologia das coisas. Os símbolos são todos dados. No nossocotidiano infantil aprendemos discriminadamente que o branco simboliza paz e onegro terror. Símbolo é um signo que se refere ao objeto denotado em virtude de uma associação de idéias produzida por uma convenção. O signo é marcado pela arbitrariedade. Pierce observa que o símbolo é de natureza. Ex.: qualquer das palavras de uma língua, a cor verde como símbolo de esperança etc. (COELHO NETTO, 1990:59) Se uma placa de trânsito possui uma seta simbolizando para os veículosvirarem à esquerda, e no respectivo lado não existindo uma curva, o índice passa aperder o seu valor, pois não representa o objeto. Neste fôlego, o símbolo da placa,ou mesmo a placa simboliza (índice), perde o seu valor representativo. Naturalmenteexiste uma grande relação entre símbolo e índice. Logo quando um símbolo fazsucesso vira ícone. Estabelecendo o signo como gênero do qual ícone, índice e símbolo sãoespécies, o modelo de Pierce apresenta-se como mais satisfatório e coerente doque as outras propostas de sua época, principalmente a concepção de signolingüístico de Ferdinand de Saussure, incompletas quando comparadas com a dePierce no que tange o sentido dos termos. Saussure concebe o signo lingüístico como um signo arbitrário, não funcionalno que tange o designamento do signo lingüístico. Ele dava exemplos como àbalança, a seta, condizendo que eles nunca poderiam ser substituídos. Saussurenão acreditava que índice, símbolo e ícone pudessem se misturar (ícone e símbolo,
  43. 43. 43simultaneamente, ou símbolo e índice), já Pierce acreditava como vimos nosexemplos se índices e símbolos acima, por exemplo, que os níveis de convergem. Pierce se baseou até mesmo no aspecto religioso comparando as idades coma tríplice trindade. Na idéia, seguem-se caminhos regentes que vai do abstrato aoconcreto, neste mundo que é um poço de abstrações. Para ele a natureza semanifesta em três sentidos sobre três sensações de possibilidade: Olhar, ação econcretização.

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