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Aula Projeto Editorial 2013

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Estudo de caso da evolução do Projeto Folha, desde 1981 até 2010 ("O Jornal do Futuro"). Aula ministrada no 3º Ano curso de Jornalismo da Faculdade Cásper Líbero.

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Aula Projeto Editorial 2013

  1. 1. Abril 2013Projeto EditorialProf. Renato Delmantorenato.delmanto@gmail.com
  2. 2. • Fórmula Editorial:– É o conceito de jornalismo que pretende praticar– Esse conceito baseia-se nos valores, na missão ecrenças do veículo / empresa– Demonstra como o veículo vê e interpreta os fatos• Projeto Editorial:– Permite que o público se identifique com os pontos devista e posicionamentos do veículo– Ajuda o público a “entender” os fatos que maisinterferem nas suas vidas• Essa definição é que dá consistência e credibilidadeao veículo– Qual tipo de jornalismo e qual tipo de cobertura faráProjeto Editorial
  3. 3. ReferênciasJornalismo EUA:• O princípio da objetividade tem conseqüências noestilo de escrever.• Os dois têm de ser compatíveis. Um deve reforçar ooutro.• “A ideologia do jornalismo americano é de que orepórter de notícias deve reportar, não interpretar. Ofalso tempo presente das manchetes é simbólicodisso; sugere que a reportagem é um flagrantefotográfico, uma imagem perfeita (...). O tempopretérito na notícia, ao mesmo tempo, dá ao leitor asensação de que tudo que ele lê é história; pode serdocumentado, pode ser confirmado ou ser provadofalso. Não é especulação. Não é opinião.”(C. E. Lins da Silva, “O Adiantado da Hora”)
  4. 4. ReferênciasJornalismo EUA• As bases fundamentais do estilo americano defazer jornalismo são:– Notícias escritas no modo indicativo– Ordem direta– Pirâmide invertida– Lead com resposta às perguntas fundamentais(quem, o que, quando, onde, como e por quê)– Frases curtas– Vocabulário simples(C. E. Lins da Silva, Idem)Jornalismo na Internet– SEO
  5. 5. ConceitosEditorial• “É o gênero jornalístico que expressa a opiniãooficial da empresa diante dos fatos de maiorrepercussão no momento”. (...)• Os editoriais não refletem apenas a opinião deseus “proprietários nominais”, mas “oconsenso das opiniões que emanam dosdiferentes núcleos que participam dapropriedade da organização (sócios econtroladores)”.(José Arbex, “Gêneros Jornalísticos na Folha de
  6. 6. ConceitosEditorial• “Editorial é o texto, sempre não-assinado, emque o jornal exprime formalmente a suaopinião”(Manual de Redação, Folha de S.Paulo)
  7. 7. ConceitosEditorial• O editorial deve ser entendido como um espaço decontradições. “Seu discurso constitui uma teia dearticulações políticas e por isso representa umexercício permanente de equilíbrio semântico”• Por ser um espaço de contradições, o processo deprodução do editorial revela a maneira pela qual aempresa jornalística se insere no mercado e emrelação ao Estado, bem como a maneira pela qual aempresa articula-se internamente no sentido deresponder às questões colocadas pela conjunturapolítica e econômica do país.(José Arbex, “Gêneros Jornalísticos na Folha de S.Paulo”)
  8. 8. ConceitosEditorial• “Acho a opinião do jornal o mais importante. A objetividadeé essencial, na medida humana possível, no noticiário...• Fala-se muito da imparcialidade na imprensa.Imparcialidade sim, na apresentação da notícia, agora issonão significa neutralidade.• No caso ‘Estadão’, o que o caracteriza e o deu forçadurante toda a sua existência foi o fato dele assumirsistematicamente posições quando há confronto de ideiase de concepções políticas.• A grande força do jornal sempre foi a página 3 e mais doque nunca agora, quando o comprador, o assinante jásabe o que ele vai ler no jornal do dia seguinte quando elecompra ou quando o recebe em sua casa.”(Ruy Mesquita, entrevista ao Observatório da Imprensa, 2005)
  9. 9. ConceitosEditorial• “No caso específico da Folha, (o editorial)não tem feição própria, ideologicamentedefinida, mas optou por uma linha muitomais suscetível às oscilações da opiniãopública como estratégia de mercado.”(José Arbex, Idem)
  10. 10. ConceitosProjeto Editorial• “Os ataques (de jornalistas ao Projeto Folha) sãojustificados pelo estilo de administrar a Redação,considerado ‘desumano’, ‘burocrático’,‘insensível’, e pelo argumento de que a linhaeditorial obedece não a convicções político-ideológicas, mas sim a razões de mercado, tidascomo indignas por boa parte dos jornalistas quecondenam a própria existência de uma sociedade demercado.”(“Mil Dias”, C.E. Lins da Silva)
  11. 11. ConceitosMarketing Editorial• “A estratégia de mercado posta em andamento pelaimprensa está firmemente ancorada na estruturaideológica da notícia (qualquer notícia) e na relação desolidariedade objetiva entre imprensa e público.• Em outras palavras, não é a imprensa burguesa queminstitui um público sujeito à estratégia de mercado e àsmanipulações que dela decorrem.”• É o caráter mercadológico da notícia quem institui,numa ponta, a imprensa burguesa, na outra o públicoburguês, e entre ambos uma simbiose de interessescomplementares.”(“Vampiros de Papel”, Otavio Frias Filho, Folha de S.Paulo, 5/08/1984)
  12. 12. Contexto• A Folha é o meio de comunicação menos conservadorde toda a grande imprensa brasileira. É o que mais tem-se desenvolvido nestes anos.• É o mais sensível aos movimentos da opinião pública e étambém o mais ágil. Politicamente é o mais arrojado.• É o que encontra maior repercussão entre os jovens.• Foi o que primeiro compreendeu as possibilidades daabertura política e o que mais se beneficiou com ela,beneficiando a democratização.• É o jornal pelo que a maioria dos intelectuais optou.• É o mais discutido nas escolas de comunicação e nosdebates sobre a imprensa brasileira.(“Projeto Folha - 1984”)
  13. 13. O Projeto FolhaContexto• A Folha é o fenômeno mais importante do jornalismobrasileiro nos anos 80. Foi o jornal que obteve maiorcrescimento na circulação e publicidade. Foi o veículoque mais provocou polêmicas e repercussões.• Foi identificada como um jornal de resistência aoregime e “porta-voz” da “sociedade civil”.• Essa convergências de opiniões entre sociedade e aFolha foi consagrada na campanha das Diretas-já.(“Mil Dias”, C.E. Lins da Silva)
  14. 14. O Projeto FolhaJustificativa• A Folha estabelece como premissa de sua linhaeditorial a busca por um jornalismo crítico,apartidário e pluralista.• Essas características, que norteiam o trabalho dosprofissionais do Grupo Folha, foram detalhadas apartir de 1981 em diferentes projetos editoriais.• Desde então, foram produzidos seis textos queprocuram traduzir na prática os princípios queconstituem, no seu conjunto, o Projeto Folha.(“Conheça a Folha”, www.folha.uol.com.br)
  15. 15. O Projeto Folha1981 - “Alguns Passos...”• O objetivo de um jornal como a Folha é, antes demais nada, oferecer três coisas ao seu público leitor:informação correta, interpretação competente sobreessa informação e pluralidade de opiniões sobre osfatos.• Por informação correta entende-se a descrição detudo aquilo capaz de afetar a vida e os interessesque se acredita serem os dos leitores. Essadescrição é realizada na forma mais sintética,despojada e distanciada possível (embora sejaquase sempre impossível atingir a neutralidadeabsoluta. Ao contrário, isso é raramente factível).(“Projeto Folha”)
  16. 16. O Projeto Folha1981• Por interpretações competentes entendem-se oscomentários e análises redigidos por profissionais que,conforme os critérios adotados pelo jornal, aliam odomínio sobre uma determinada área do conhecimentoou da atividade humana ao domínio sobre a técnica deescrever.• Por pluralidade de opiniões entende-se a publicaçãode textos, artigos, depoimentos, entrevistas etc. que,tomadas em seu conjunto, funcionem como umareprodução mais ou menos fiel da forma pela qual asopiniões existem e se distribuem no interior dasociedade.
  17. 17. O Projeto Folha1981• A ossatura de um jornal, o que lhe sustenta o corpodando-lhe consistência e forma, são as reportagens, ostextos noticiosos e as fotos de boa qualidade.• Editoriais e artigos apenas complementam essaossatura, que segue sendo a essência do jornal.No Estadão:“O que o caracteriza e o deu força a Estadão durante toda a sua existência foio fato dele assumir sistematicamente posições quando há confronto de ideias ede concepções políticas.“A grande força do jornal sempre foi a página 3 e mais do que nunca agora,quando o comprador, o assinante já sabe o que ele vai ler no jornal do diaseguinte quando ele compra ou quando o recebe em sua casa.”
  18. 18. O Projeto Folha1984 - “Depois das Diretas-Jᔕ As idéias gerais que norteiam o modelo de jornalismoque vimos procurando pôr em prática estãocondensadas a seguir. Trata-se de um jornalismocrítico, pluralista, apartidário e moderno.• Crítico - Não basta relatar os fatos, é preciso expô-losà crítica. Por definição, qualquer fato jornalístico éobjeto da crítica jornalística. Pode ser a críticarealizada por meio da interpretação do fato e daanálise de suas causas e consequências. Pode sercrítica que o repórter realiza quando compara fatos,estabelece analogias e veicula diferentes versões.O tom de crítica deve permear o jornal da primeira àúltima página. Não somos jornalistas para elogiar, maspara criticar.
  19. 19. O Projeto Folha1984• Pluralista - O melhor serviço público que um jornalnão-partidário pode fazer é reproduzir, em suaspáginas, e na proporção mais exata possível, a formapela qual as divergências se distribuem no interior daopinião pública. O jornal não quer impor suas opçõesao leitor, não quer aprisioná-lo numa camisa-de-forçaideológica, não quer tiranizá-lo.• Apartidário – Ser um jornal apartidário não significaser um jornal que não toma partido. Pelo contrário, aFolha faz questão de tomar partido no maior númeropossível de temas. Cada questão é uma questão, enós tomamos partido em relação a ela especialmente,não em relação à estratégia geral de quem a propõe,seja um partido, um grupo etc.
  20. 20. O Projeto Folha1984• Moderno - O sentido de moderno é, no caso, bemconcreto. Jornalismo moderno na medida em que sepropõe a introduzir, na discussão pública, temas que atéentão não tinham ingresso nela. Na medida em que põeem circulação novos enfoques, novas preocupações,novas tendências.O principal objetivo do nosso trabalho é formar, entre nós,uma opinião pública esclarecida, crítica e atuante.• É consenso: o ponto frágil da Folha é a informação.Precisamos informar mais e melhor. Temos que publicartextos mais corretos, mais objetivos, mais concisos, maisclaros, mais completos e, sobretudo, mais exatos.
  21. 21. O Projeto Folha1985 - “Novos Rumos”• A crítica mais forte é que revela fatos documentados eincontestáveis, mostrando a conexão entre eles sempreque essa conexão também estiver comprovada. Talcrítica é mais eficaz do que qualquer crítica adjetiva,baseada em opiniões, travestidas ou não de"interpretação".• Praticar essa crítica substantiva, contra tudo e contratodos, é obrigação não apenas moral mas política dojornalismo, especialmente em um país que ascircunstâncias dotaram tão generosamente deproblemas e de possibilidades.• Do ponto de vista do Projeto, o exercício da crítica não éum direito, mas uma obrigação, assim como o exercíciodo apartidarismo não é uma regalia, mas um encargo.
  22. 22. O Projeto Folha1985• Temos que ampliar o espaço da prestação de serviçono jornal e aumentar o grau de didatismo. Essas duascaracterísticas são inestimáveis na luta que visatransformar a Folha num produto de primeiranecessidade para o leitor, caminho obrigatório dodesenvolvimento e da própria sobrevivência dos jornais.• A apreensão pelo leitor deve ser fácil, clara e rápida.Precisamos ter maior preocupação com os números ecom a sua exatidão: custos, orçamentos, salários,reivindicações, propostas, acordos, investimentos, datas,tamanhos, medidas, preços, número de pessoas,percentuais - quantidades, enfim. Precisamos adquirir umnovo nível de precisão quanto a horários e locais.
  23. 23. O Projeto Folha1985• Quanto ao didatismo, é fundamental que os textospartam sempre do pressuposto de que o leitor nãoestá familiarizado com o assunto e pode nunca terlido sobre ele antes. Tudo deve ser explicado,esclarecido e detalhado - de forma concisa e exata,numa linguagem tanto coloquial e direta quantopossível.• A rigor, tudo o que puder ser dito sob a forma dequadro, mapa, gráfico ou tabela não deve ser ditosob a forma de texto.
  24. 24. O Projeto Folha1986 - “Busca da Excelência”• Vamos insistir na necessidade de modernizar o estilojornalístico e de abordar assuntos sob pontos de vistaque correspondem às necessidades emergentes navida do leitor. Vamos procurar enfoques originais ediferenciados. Vamos preservar a atitude editorial deapartidarismo. Vamos manter a preocupação com odidatismo.• Cada texto publicado na Folha deve ser claro eexplicativo o bastante para ser lido com utilidade peloleigo, sofisticado o bastante para ser lido peloespecialista e enriquecido sempre por uma dimensãode serviço que o fará lido por ambos. (...) É necessárioapresentar os assuntos de forma lógica, clara e fácilpara quem vai ler.
  25. 25. O Projeto Folha1988 - “Hora das Reformas”• Segmentamos o jornal em cadernos e suplementos, demodo a organizar psicologicamente a leitura e atrairnovas frações do leitorado.• O senso do concreto, do prático, do preciso, não seopõe à imaginação; ao contrário, é o que dá conteúdo einteresse jornalístico• Mais e mais as decisões jornalísticas – seja na edição,seja na pauta – terão um quê de arbitrário: pode-se, apartir de um fato "leve", circunstancial, criar um grandeassunto, descobrir uma nova área de interesse.• Mas para isso é necessário, antes de tudo, ter fatosconcretos, solidamente apurados, ricos de detalhe,capazes por si próprios, e não por malabarismos deedição, de despertar o interesse do leitor.
  26. 26. O Projeto Folha1988• Todos estamos de acordo com relação à necessidade deos textos serem completos, exatos e concisos - oleitor é cada vez mais exigente em termos do que elenecessita saber e dispõe de cada vez menos tempopara a leitura de jornais.• Mas na prática é lamentavelmente grande a quantidadede textos incompletos, parciais, imprecisos eprolixos que publicamos.• A qualidade da reportagem tem oscilado entre osgrandes - e infelizmente eventuais – furos e uma rotinade pautas pouco imaginativas; entre os esforçosconcentrados das edições de grandes eventos,geralmente bem-sucedidas, e uma sensívelprecariedade na cobertura do dia-a-dia.
  27. 27. O Projeto Folha1997 - “Caos da Informação”• A evolução do jornalismo brasileiro na década de 80culminou com o impeachment do presidente daRepública em 1992, no qual a imprensa teve papeldeterminante.• Firmou-se nos meios impressos o prestígio de umprofissionalismo independente, submetido apenasàs forças de mercado.• Entrou em evidência um jornalismo baseado nainvestigação, nem sempre conscienciosa, deirregularidades na administração pública, divulgadasde forma categórica, às vezes bombástica.
  28. 28. O Projeto Folha1997• O jornalismo terá de fazer frente a uma exigênciaqualitativa muito superior à do passado, refinando suacapacidade de selecionar, didatizar e analisar.• É recomendável que a gama de assuntos cobertos atémesmo se reduza em alguma medida, desde que emcontrapartida sua seleção seja mais pertinente, e otratamento que receberem, mais compreensivo.• Uma tal mudança implica repercussões na pauta, nareportagem, no texto, na edição. É preciso maiororiginalidade na identificação dos temas a ser objetode apuração, bem como uma focalização mais precisade sua abordagem.
  29. 29. O Projeto Folha1997• A transição de um texto estritamente informativo,tolhido por normas pouco flexíveis, para um outropadrão textual que admita um componente de análisee certa liberdade estilística é conseqüência daevolução que estamos procurando identificar.• A um texto noticioso mais flexível deve corresponderum domínio superior do idioma, bem como redobradavigilância quanto à verificação prévia dasinformações, à precisão e inteireza dos relatos, àsustentação técnica das análises e à isençãonecessária para assegurar o acesso do leitor aosdiferentes pontos de vista suscitados pelos fatos.
  30. 30. O Projeto Folha2006 - “Manual de Filosofia e Formatos”• Em maio de 2006, a Folha distribuiu internamente umManual que justificava a implantação de um novoprojeto gráfico.• O “Manual de Filosofia e Formatos” trouxe umcompleto detalhamento das mudanças implementadas eas razões por que foram feitas.• O trabalho foi produzido sob orientação da mesmaequipe que cuidou da reforma e tem óbvias pretensõesdidáticas.• O texto que abre o Manual (“Um Jornal em DuasVelocidades”) dá o tom do que se pretende tanto com oManual quanto com a reforma em si.(Baseado em texto publicado em Jornalistas & Cia, Edição 541)
  31. 31. O Projeto Folha2006• Hoje o leitor perde cada vez mais tempo no trânsito,dedica cada vez mais tempo à sua capacitaçãoprofissional, fala cada vez mais tempo ao celular, gastacada vez mais tempo nos e-mails, despende cada vezmais tempo em novas plataformas de mídia.• Por conta disso, o público fica extremamente grato todavez que o jornal faz algo que facilite (não necessariamenteacelere ou encurte) a sua experiência de leitura.• A Folha ostenta um forte capital político e institucional,graças ao projeto editorial inovador e bem-sucedido quedisseminou no jornalismo brasileiro conceitos comoindependência, pluralismo e apartidarismo. Mas outro forteatributo é o fato de ser reconhecido como amigável, clean,divertido, bem diagramado, fácil de consultar.
  32. 32. O Projeto Folha2006• Essa reforma não faz pirotecnia tipográfica nem impõecontorcionismos morfológicos. Tampouco lança umacruzada antitexto, pelo contrário.• A Folha não renunciará ao papel de diário mais influentedo Brasil, líder do mercado de quality papers.• Se o leitor se dispõe a penetrar, digamos, em seteassuntos por edição, cabe ao jornal zelar para que os seteassuntos estejam tratados com sofisticação.
  33. 33. O Projeto Folha2006• Daí a dupla ambição deste projeto: enriquecer o percursoe impedir a dispersão de quem apenas folheia o produtoe, ao mesmo tempo, garantir a satisfação de quemmergulha no conteúdo.• As novas ferramentas gráficas transcendem o aspectovisual.• Servem de alavanca para o exercício de um jornalismomais focado, analítico, minucioso e denso – um desafioque deverá implicar novos procedimentos e um repensardo fazer jornal.
  34. 34. O Projeto Folha2008 - Despedida do Ombudsman• “Esta é a 51ª e derradeira coluna dominical que escrevocomo ombudsman. Assumi em 5 de abril de 2007, e omeu mandato se encerrou anteontem. Embora o estatutoautorize a renovação por mais dois períodos, não houveacordo com a direção do jornal para a continuidade.• A Folha condicionou minha permanência ao fim dacirculação na internet das críticas diárias doombudsman. A reivindicação me foi apresentada hámeses. Não concordei. Diante do impasse, deixo oposto. Oitavo jornalista a ocupar a função, torno-me osegundo a não prosseguir por mais um ano. Todos foramconvidados a ficar. Sou o primeiro a ter como exigência,para renovar, o retrocesso na transparência do seutrabalho.”(Mário Magalhães, 06/04/2008)
  35. 35. O Projeto Folha2008 - Despedida do Ombudsman• Desde 2000 as críticas (do Ombudsman) vão ao ar.Por oito anos, os leitores puderam monitorar aatividade cotidiana de quem tem a atribuição derepresentá-los. Não poderão mais.• O comando da Folha esgrimiu um argumento para adecisão: no ambiente de concorrência exacerbada domercado jornalístico, idéias e sugestões doombudsman são implementadas por outros diários. Defato, isso ocorre. E continuará a ocorrer.• Quase 20 anos atrás, as críticas ainda denominadasinternas eram distribuídas em papel à Redação.Acabavam nas bancadas de outros jornais. Um delesveiculou publicidade alardeando elogio doombudsman.(Mário Magalhães, 06/04/2008)
  36. 36. O Projeto Folha2008 - Despedida do Ombudsman• Com a difusão por e-mail, será ainda mais difícil contera distribuição irregular das anotações do ouvidor. (...)Que segredo sobrevive a centenas de destinatários?• Já os leitores ditos comuns, os que fazem a fortuna detoda empreitada jornalística de sucesso, serãobarrados. A medida não resolve o problema a cujasolução se propõe, mas prejudica quem é alheio a ele.• A não-renovação do mandato é legítima, respeita aConstituição do jornal. Sua direção tem a prerrogativade convidar ou não o ombudsman a permanecer. E deestabelecer as normas. Não há quebra de contrato, esim respeito.(Mário Magalhães, 06/04/2008)
  37. 37. O Projeto Folha2008 - Despedida do Ombudsman• A Folha deu um passo ousado na imprensa brasileiraao nomear um ombudsman. Radicalizou e tornoupúblicas as críticas antes limitadas à Redação. Mais doque as colunas dominicais, essa espécie de parecer sedestina a uma autópsia das edições. Em minúcias,identifica suas fraquezas, sem desprezar as virtudes.Expõe as vísceras do jornal.• O desafio do ombudsman é ser a melhor síntesepossível dos interesses dos leitores. A eles interessaque o jornal seja bom. Nas críticas, o ombudsmanbusca contribuir para que o jornal do dia seguinte sejamelhor que o da véspera.(Mário Magalhães, 06/04/2008)
  38. 38. O Projeto Folha2008 - Despedida do Ombudsman• O projeto editorial da Folha diagnostica "um jornalismocada vez mais crítico e mais criticado". Reconhece que"o leitor fiscaliza a pauta de compromissos" do jornal.• O ombudsman deve ser um instrumento dos leitores.Se os pronunciamentos semanais ficam inacessíveis,reduz-se a fiscalização dos leitores sobre aquele cujaatribuição é batalhar em nome deles.• O ombudsman incapaz de zelar pela manutenção datransparência do seu ofício carece de autoridade paracombater pela transparência do jornal. Como cobrar oque se topou diminuir?• A tendência mundial é de expansão da transparênciadas organizações jornalísticas. A novidade da Folhaaparece na contramão. (Mário Magalhães, 06/04/2008)
  39. 39. O Projeto Folha2010 - O “Jornal do Futuro”
  40. 40. O Projeto Folha2010 - “Sete vidas do Jornalismo”• De tempos em tempos, o "negativismo" da imprensa sevolta contra ela própria. Foi assim sempre que o adventode mudanças tecnológicas veio afetar o modo detransmissão de informações: o telégrafo, o cinema, orádio, a TV e agora a internet.• Por décadas, o jornalismo dito de qualidade – que cultivacompromissos com a exatidão do que publica, com arelevância dos temas que aborda, com a manutenção dodebate público – foi sustentado por um modeloeconômico hoje em risco. Talvez jornais, revistas e livrosimpressos venham a desaparecer, talvez não. O papelimpresso tem o carisma da credibilidade e da duração.• A fotografia não suprimiu as artes plásticas, nem a TVliquidou o cinema...(Otavio Frias Filho, 23/05/2010)
  41. 41. O Projeto Folha2010 - “Sete vidas do Jornalismo”• Mas é pouco provável que o jornalismo de qualidadedesapareça da face da terra.• Conforme mais pessoas imergem no oceano de dadosna rede, maior a demanda por um veículo que apuremelhor, selecione, resume, analise e hierarquize.• Esse veículo, no papel ou na tela, se chama jornal.• Um jornalismo de qualidade é dispendioso. Continuará avaler seu preço para aquela parcela crescente depessoas interessadas em saber mais e melhor.• Mas, para tanto, é preciso ter a humildade de aprender.Reconhecer que os jornais são muitas vezes cansativos,previsíveis, prolixos, distantes, redundantes, parciais –cifrados para o leigo e superficiais para o especialista.(Otavio Frias Filho, 23/05/2010)
  42. 42. O Projeto FolhaLançamento do Caderno 2 - 1986
  43. 43. O Projeto FolhaLançamento do Caderno 2• Capa especial da Ilustrada (100 anos de Coca-Cola)• Matéria de pé de página sobre o Caderno 2• “Foi com mal disfarçada preocupação, com o narizempinado de certa arrogância juvenil que recebemos (naFolha) o Caderno 2.• “O texto da tinha o tom de olímpica superioridade: nós,ilustrados, fazíamos a n.º 1 (a Coca-Cola) e osconcorrentes eram os imitadores, a Pepsi, o n.º 2 (o nomedo caderno ajudava nisso).• “Foi uma manobra de edição tão autocentrada queacabou incompreensível para a maioria do público.”(Matinas Suzuki Jr., 06/04/2011)
  44. 44. O Projeto FolhaLançamento do Caderno 2• “A partir daí, tudo mudou. Se estivéssemos em família,seria como a chegada indesejada de um irmão mais novoque vai dividir a atenção dos pais (leitores). Concorrênciadói. Mas é também desafiadora e leva à procuraincessante de se fazer o melhor.• “Creio que o último quarto de século, tecido naconcorrência diária com o Caderno 2, foi mais saudávelpara a Ilustrada do que aquele breve período em quereinávamos sozinhos. E SP passou a ter o privilégio de seruma das poucas cidades do mundo que ainda preservamdois cadernos diários de qualidade dedicados à cultura.• “Nos últimos 25 anos, a cidade ganhou em diversidade,em difusão de ideias e em enriquecimento do seujornalismo cultural.”(Matinas Suzuki Jr., 06/04/2011)
  45. 45. Conclusão• “A reação a Mil Dias no meio jornalístico teve muito a vercom a polêmica que o Projeto Folha criara na categoria.• Quebrou paradigmas, contrariou interesses, cometeuinjustiças, foi juvenilmente arrogante.• “Os pressupostos do Projeto Folha foram incorporados naimprensa brasileira, para o bem ou para o mal. Ninguémcontesta que ele foi um precursor de tendência.• “Praticamente tudo que a Folha dos anos 80 fez sobapupos quase generalizados da concorrência acabou,positiva ou negativamente, adotado por ela — textoscurtos, uso intensivo de gráficos e tabelas, cadernizaçãodo jornal, organização mais racional e metódica que atradicional da atividade produtiva na redação jornalística emuito mais.”(Carlos E. Lins da Silva, Mil Dias, Seis Mil Dias Depois)
  46. 46. Conclusão• “À medida que os concorrentes foram se apropriando decaracterísticas que antes a distinguiam, a Folha achoudispensável ou recomendável não insistir nelas econcentrar esforços em outras áreas, onde os desgastesinternos fossem menores e os resultados - especialmenteem termos de diferenciá-la aos olhos do público - maiores.• “Não que o Projeto tenha sido ‘abandonado’. Algumas desuas idiossincrasias mais polêmicas deixaram de serexigidas (por exemplo, a menção à idade do personagemou a localização exata dos locais, ambas freqüentementeridicularizadas pelos opositores do Projeto).• “Os repórteres e redatores foram incentivados a ousarmais na elaboração do texto, ao contrário do que se fizeradurante a fase de implantação do Projeto.”(Carlos E. Lins da Silva, Mil Dias, Seis Mil Dias Depois)
  47. 47. Conclusão• “O texto e a edição (em 2005) podem até ser melhores queos de 21 anos atrás, mas certamente não atingiram o graude excelência que almejávamos com o Projeto Folha.• Para mim, a questão fundamental ao escrever Mil Dias erasaber se o Projeto Folha conseguiria melhorar o jornal em sie o jornalismo brasileiro em geral. Arrisco-me a dizer quesim, embora muito menos do que eu vislumbrara.• “O ponto que importa agora é determinar se ainda épossível para os jornais impressos melhorarem a ponto degarantir sua sobrevivência no mercado.”• “Sem uma reforma profunda nos jornais, as chances desucesso ficarão muito reduzidas.• “Como cidadão e leitor, espero por ela, ao menos na Folha.”(Carlos E. Lins da Silva, Mil Dias, Seis Mil Dias Depois)
  48. 48. Abril 2013Projeto EditorialProf. Renato Delmantorenato.delmanto@gmail.com

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