Revista Jane Austen Portugal                       Emma                           Os Lugares de                           ...
Conteúdo Original © Jane Austen Portugal               Capa: Squerryes Court, Kent, England, UK                       (Har...
Revista Jane Austen Portugal | SUMÁRIO | 3EDITORIAL                                                             o facto de...
4 | RUBRICAS | Revista Jane Austen Portugal      MOTE                                                     Em última anális...
Revista Jane Austen Portugal | RUBRICAS | 5AO SERÃO                                                  COM MISSAUSTEN: Sandr...
6 | RUBRICAS | Revista Jane Austen Portugal com Jane Austen, as suas obras e as adaptações).       tanto amamos e foi onde...
Revista Jane Austen Portugal | RUBRICAS | 7meu preferido é P&P e o que menos gosto é NA.           de Jane Austen deve ser...
8 | RUBRICAS | Revista Jane Austen Portugal honrado. O dinheiro e a beleza que o Darcy tem são, obviamente, bem-vindos, ma...
Revista Jane Austen Portugal | RUBRICAS | 9ENCONTROS                                           Amor que jamais soubera o q...
10 | RUBRICAS | Revista Jane Austen Portugal CARTAS                                               DE UMA                  ...
Revista Jane Austen Portugal | ARTIGOS | 11                                                                               ...
12 | ARTIGOS | Revista Jane Austen Portugal                                                      wikipedia.com As primeira...
Revista Jane Austen Portugal | ARTIGOS | 13                                    EM BOX HILL PERSPETIVA                     ...
14 | ARTIGOS | Revista Jane Austen Portugal RECORRENDO AO                                          stupid. (…) When they a...
Revista Jane Austen Portugal | ARTIGOS | 15Knightleys answer was the most distinct. "Is Miss       had anyone else whisper...
16 | ARTIGOS | Revista Jane Austen Portugal were always valued, she insulted her in front of all      insulted her oldest ...
Revista Jane Austen Portugal | ARTIGOS | 17tal sentimento. Enquanto pensamento, julgo que         "I assure you she did. S...
18 | ARTIGOS | Revista Jane Austen Portugal                                                                               ...
Revista Jane Austen Portugal | ARTIGOS | 19 EMMA A HEROÍNA QUE NÃO VAI A LADO NENHUM                                      ...
20 | ARTIGOS | Revista Jane Austen Portugal durante uma parte da obra estão presentes pelas      verdade, como acontece co...
Revista Jane Austen Portugal | ARTIGOS | 21                                                      O ESTATUTO               ...
22 | ARTIGOS | Revista Jane Austen Portugal                                                       mais consciente e mais h...
Revista Jane Austen Portugal | ARTIGOS | 23                                        A PROTAGONISTA                         ...
24 | ARTIGOS | Revista Jane Austen Portugal Ao comparar Emma com as outras “heroínas” de          EU CREIO QUE ESTE Jane A...
Revista Jane Austen Portugal | ARTIGOS | 25 HARTFIELD: Marina Nunes                                          Acredita-se q...
26 | ARTIGOS | Revista Jane Austen Portugal   A ABADIA                                                   DE   DONWELL : Cl...
Revista Jane Austen Portugal | ARTIGOS | 27                                                                               ...
28 | ARTIGOS | Revista Jane Austen Portugal                                              Knightley não tinha medo de uma b...
Revista Jane Austen Portugal | ARTIGOS | 29     deliciosa para o olhar e para     o pensamento. Verdura ingle-     sa, cul...
Revista Jane Austen Portugal (maio/junho)
Revista Jane Austen Portugal (maio/junho)
Revista Jane Austen Portugal (maio/junho)
Revista Jane Austen Portugal (maio/junho)
Revista Jane Austen Portugal (maio/junho)
Revista Jane Austen Portugal (maio/junho)
Revista Jane Austen Portugal (maio/junho)
Revista Jane Austen Portugal (maio/junho)
Revista Jane Austen Portugal (maio/junho)
Revista Jane Austen Portugal (maio/junho)
Revista Jane Austen Portugal (maio/junho)
Revista Jane Austen Portugal (maio/junho)
Revista Jane Austen Portugal (maio/junho)
Revista Jane Austen Portugal (maio/junho)
Revista Jane Austen Portugal (maio/junho)
Revista Jane Austen Portugal (maio/junho)
Revista Jane Austen Portugal (maio/junho)
Revista Jane Austen Portugal (maio/junho)
Revista Jane Austen Portugal (maio/junho)
Revista Jane Austen Portugal (maio/junho)
Revista Jane Austen Portugal (maio/junho)
Revista Jane Austen Portugal (maio/junho)
Revista Jane Austen Portugal (maio/junho)
Upcoming SlideShare
Loading in …5
×

Revista Jane Austen Portugal (maio/junho)

1,535 views

Published on

Published in: Education
0 Comments
0 Likes
Statistics
Notes
  • Be the first to comment

  • Be the first to like this

No Downloads
Views
Total views
1,535
On SlideShare
0
From Embeds
0
Number of Embeds
1
Actions
Shares
0
Downloads
22
Comments
0
Likes
0
Embeds 0
No embeds

No notes for slide

Revista Jane Austen Portugal (maio/junho)

  1. 1. Revista Jane Austen Portugal Emma Os Lugares de A Hartfield Portuguesa p.36 Ao Serão com Jane Emma, a Heroína que Não Vai a Austen p.5 Lado Nenhum p. 19 O Estatuto Especial de Emma Jane Austen Rejeitada? p. 47 Woodhouse p. 21 Maio - Junho | Nº14 | janeaustenpt.blogs.sapo.pt
  2. 2. Conteúdo Original © Jane Austen Portugal Capa: Squerryes Court, Kent, England, UK (Hartfield – Emma 2009)Ilustrações: Adaptações para cinema da obra Emma (1996 – 2009), imagens retiradas da net com os devidos créditos Agosto de 2012
  3. 3. Revista Jane Austen Portugal | SUMÁRIO | 3EDITORIAL o facto de Emma nunca viajar, perspectivas diferentes sobre um mesmo tema. A nossa revista fica completa com as nossas rubricas habituais. A Joana, no Mote a Miss Austen, analisa quais seriam os escritores actuais que Jane Austen gostaria deDiz o povo que em Maio comem-se as cerejas ao borra- ler. Será que ela iria gostar de ler E Tudo o Vento Levoulho. Mas a verdade é que em Maio os dias já são gran- ou E o vento levou, título pelo qual a obra é conhecida nodes e muitas vezes as temperaturas são amenas, o sufi- Brasil? Esta é uma das Sugestões Austenianas, apresen-ciente, para uns belos passeios ao ar livre. tadas pela Luan. Como ela tão bem escreve o livro de Margareth Mitchell é longo, mas vale muito a pena e dePorque não viajar então até aos Lugares de Emma? Esta certeza que Jane Austen iria gostar, digo eu, não tenho énão é certamente a obra com mais viagens, esse mérito a certeza é se ela iria gostar de Scarlett O´Hara, a prota-pertence a Orgulho e Preconceito, mas os lugares são gonista…belos e o exercício, como diria Mr. Knightley irá com cer-teza fazer-nos bem. Da parte das nossas leitoras, temos a participação da Karla Lucas, que nos apresenta uma página do diário deVamos começar por Box Hill, um belo espaço verde, onde Marianne.podemos fazer umas longas caminhadas. Há algunsdias Box Hill era visto em todo o mundo já que era lá que Este mês entrevistamos, Deborah Simionato, uma gran- de fã de Jane Austen, que já viveu em Londres e visitoudecorria uma prova de ciclismo, no âmbito dos Jogos Bath, esse lugar que tantas vezes visitamos nos livros deOlímpicos. A Clara escreveu sobre este espaço que é nos Jane Austen.dias de hoje tão popular como era nos tempos de Jane Com tantas viagens estamos cansados, mas já estamosAusten; a Clara analisa ainda aquilo que acontece duran- a preparar o próximo mês, desta vez na companhia dete o piquenique em Box Hill, servindo-se do texto de Jane Fanny Price, uma heroína que tem lutado para conquis-Austen e do livro de Amanda Grange, Mr. Knightley’s tar os leitores.Diary. Vera SantosDepois de termos percorrido Box Hill, é tempo de irmos ÍNDICEaté à Abadia de Donwell, onde Mr. Knightley espera pornós para um belo repasto. Após o almoço vamos apa-nhar morangos, afortunadamente, Mrs Elton não faz par-te da lista de convidados. Para descobrirem mais sobre oque é dito sobre a casa de Mr. Knightley ou sobre os Mote a Miss Austen (4) | Ao Serão com Missvários locais que foram usados nas filmagens da adapta- Austen (5) |Encontros Improváveis (9) | Car-ção de 1996, leiam os textos da Clara. tas de Uma Janette (10)| Box Hill nos DiasO nosso tour fica completo com uma visita a Squerryes de Hoje (11) | Box Hill em Perspetiva (13) |Court, o local que na última adaptação representou e Emma, a Heroína que não vai a lado nenhummuito bem o papel da casa da nossa heroína, Hartfield;mais uma vez o texto pertence à Clara que escreveu ain- (19) | O Estatuto Especial de Emma Woo-da sobre uma possível Hartfield portuguesa. dhouse (21) | A Protagonista Mais Enraizada de Jane Austen (23) | Hartfield (25) | A Aba-Para nós é tempo de voltarmos ao presente e descobrir-mos, através da Marina, as pessoas ilustres que viveram dia de Donwell (26) | Os Cenários de Don-na verdadeira Hartfield e os seus locais com interesse well - 1996 BBC (30) | Squerryes Court (34)histórico e cultural. | A Hartfield Portuguesa (36)| As MeninasEstamos cansados, mas satisfeitos com esta viagem aos de Beverlly Hills (39) | Notícias e Curiosida-Lugares de Emma, agora resta-nos descansar. Sentamo- des (41) | Passatempo Aniversário Jane Aus-nos numa cadeira confortável, bebemos uma chávena ten (44) | Sugestões Austenianas (45) | Àde chá e comemos alguns scones. Para nos distrair,lemos os textos da Luan, da Júlia e um meu sobre o fac- Discussão (47) |to de Emma nunca viajar, perspectivas diferentes sobre
  4. 4. 4 | RUBRICAS | Revista Jane Austen Portugal MOTE Em última análise, tenho que apontar duas auto- AUSTEN ras que, acho, agradariam a Jane Austen: Cece- lia Ahern e Colleen McCullough. São duas escri- toras capazes, que eu considero terem inspiração A MISS austeniana. Collen tem, aliás, uma obra que pre- tende ser uma continuação de «Orgulho e Pre- conceito». Em suma, acredito que livros como «Where Rainbows End» ou «The Thorn Birds» satisfariam a nossa querida escritora. De qualquer forma este é um texto de opinião e : Joana La Cueva se a alguma das leitoras ocorrer outros nomes apropriados, seria interessante que comentassem no blogue pois pode gerar-se uma discussão Se convidasse Jane Austen a ler engraçada. um autor actual Várias vezes me questiono qual seria a opinião de Jane Austen acerca dos livros/autores actuais. Vou tentar decidir que autor recomendaria a Miss Austen. Talvez deva começar pela autora mais famosa dos últimos tempos: Stephenie Meyer. Para quem não conhece (haverá alguém?), trata-se da auto- ra da saga «Crepúsculo». Não é apenas pela fama dos seus livros que a refiro mas também porque diz-se que esta senhora quer ser a nova Jane Austen. Se tal ambição for verdadeira, não posso dizer que ela esteja num «bom» caminho. Concordo com a análise da própria autora acerca da semelhança dos seus livros com o «Monte dos Vendavais». Não me parece que Jane Austen fosse fã. Já por diversas vezes reparei que há tendência a comparar Austen com Nicholas Sparks. O conhe- cido escritor tem realmente a componente român- tica muito forte nas suas histórias, mas de forma geral, não enfatiza a componente social (tão importante na obra de Austen). Em extremo oposto encontra-se Ken Follett cujas obras têm uma componente histórico-social muito forte, mas talvez não sejam suficientemente românticas.
  5. 5. Revista Jane Austen Portugal | RUBRICAS | 5AO SERÃO COM MISSAUSTEN: Sandra FreitasConheci a Deborah via facebook, algures entre2010/11, através de outros amigos virtuais que (Deborah em Londres)partilham o mesmo gosto por Jane Austen. Elafascinou-me pela sua frescura, pela sua alegria, pessoas. Aprendi muito sobre mim mesma também, meus pontos fortes e minhas fraquezas. Foi umapela sua boa disposição e especialmente pela sua experiência enriquecedora”.devoção às obras de Jane Austen e às adaptaçõesque se fizeram baseadas nas mesmas. Nessa Deborah afirma que, apesar de viajar sozinha, emaltura, a Deborah encontrava-se a residir em momento algum sentiu que a sua segurançaLondres, beneficiando do seu ano celibatário e a estivesse ameaçada. Estava em Londres quandoaperfeiçoar o seu inglês. aconteceram os riots em Agosto do ano passado e mesmo assim, sentiu-se segura, já que o número deDeborah Mondadori Simionato tem 24 anos, é de polícias nas ruas triplicou. Andava sozinha no bus,Porto Alegre, Rio Grande do Sul, no Brasil, e formou- no metro, no comboio, e sempre sem problemas.se em Psicologia na Universidade Federal do Rio Ironicamente comenta que isso é algo impossível noGrande do Sul. Define-se como sendo “viciada em seu próprio país.livros e filmes e amante de todas as coisas british eAusten”. Acrescenta ainda que vive “tentando virar Questionada sobre a forma como esta viagem seuma heroína digna de um livro de Jane Austen”. proporcionou e tornou possível, Deborah conta que planeou e poupou dinheiro para esta viagemSobre a temporada que passou em terras de Sua durante dez anos. Mas foi só quando ganhou umMajestade, a Deborah define-a como sendo a pequeno prémio na Lotaria Nacional que semelhor fase da sua vida. Diz que sempre desejou encontrou em condições reais de viajar. “Não fiqueiconhecer Londres e, apesar de ter ido sozinha, a milionária, mas ganhei um valor suficiente parasolidão nunca foi problema dado que a internet lhe bancar minha estadia e as viagens que fiz pelo UK”.permitiu estar em contacto com família e amigos, e Foi o dinheiro mais bem gasto na sua ainda jovempermitiu simultaneamente a partilha online de todas vida.as experiências maravilhosas que ela vivenciou.Além disso, fez algumas amizades com outros “Eu fiquei em Londres por 9 meses, dois dos quaisalunos da escola de inglês, tendo tido oportunidade eu morei em um alojamento da escola de inglêsde conhecer gente do mundo inteiro com quem (Hampstead School of English). Durante os demaisainda hoje mantém contacto. Posso dizer que meses, eu aluguei um flat na área de Bayswater,acompanhei virtualmente essa sua jornada com perto de Notting Hill”.bastante interesse e entusiasmo. Durante os primeiros meses, estudou inglês,“Eu amei viajar sozinha, a sensação de liberdade é assistia às aulas e passeou por Londres. Esensacional, é muito bom poder ir e vir sem ter que dar entretanto, ia fazendo uma lista de lugares quesatisfação a ninguém e visitar os lugares que são do desejava conhecer (a maioria deles relacionadomeu interesse, mas podem não interessar outras
  6. 6. 6 | RUBRICAS | Revista Jane Austen Portugal com Jane Austen, as suas obras e as adaptações). tanto amamos e foi onde ela viveu seus dias mais Assim que as aulas acabaram, ficou mais dois felizes”. meses para poder visitar todos os lugares que Decepções? Nenhuma. Afirma veementemente que queria. “Minha lista ainda existe e infelizmente não “Não consigo pensar em nenhum lugar que tenha consegui visitar todos os lugares que queria...” me decepcionado, acho que ainda estou encantada Encontrar-se perto dos lugares percorridos por Jane demais para fazer críticas; ou talvez os lugares Austen e/ou pelas personagens dos seus livros foi sejam mesmo maravilhosos e não há nada de ruim algo muito emocionante para Deborah. “Eu sentia para dizer a respeito deles, não sei”. como se estivesse passeando dentro dos meus livros preferidos e que a qualquer momento iria me Questionada sobre se repetiria a experiência, deparar com mulheres de vestidos longos e homens Deborah foi peremptória: “Sim, sim, sim! Mil vezes de breeches”. sim!... Vivi experiências incríveis na Inglaterra... Minha estadia foi a melhor experiência até ao momento...Foi um período de auto- descoberta que vou para sempre recordar com carinho.” Jane Austen foi o que despoletou esta paixão em Deborah por tudo o que é britânico. Obsessão talvez seja a palavra mais adequada, de acordo com a sua própria opinião. Daí que, fazendo jus ao motivo da minha entrevista, transcrevo aqui as (Chawton) respostas del a às q uestões colocadas. Lembras-te do momento ou da situação que te fez amar as obras de Jane Austen? Que idade tinhas? Fala um pouco sobre isso. Não lembro exatamente como começou a minha obsessão por todas as coisas Jane Austen, mas lembro de ter lido “O Diário de Bridget Jones” quando tinha uns 16 anos e ter ficado curiosa com o personagem que inspirou Mark Darcy. A partir daí, (A mesa onde Jane Austen escrevia em Chawton) comecei a ler as obras da Jane e me apaixonei por seus escritos e pelas Os locais que mais gostou de visitar foram Bath “por adaptações para a televisão e cinema. ser uma cidade linda onde a Jane viveu e por ser pano de fundo para Persuasion e Northanger Abbey, além de preservar aquele clima antigo e Qual foi o primeiro livro de Jane Austen que leste? E contar com o maravilhoso Jane Austen Centre” e o último? Qual gostaste mais e qual gostaste menos Chawton “sem dúvida, um dos locais mais e porquê? emocionantes para um fã de Jane Austen conhecer; O primeiro que li foi “Pride & Prejudice” (P&P) e o foi lá que ela revisou todos os livros que hoje nós último “Northanger Abbey”(NA). Coincidentemente,
  7. 7. Revista Jane Austen Portugal | RUBRICAS | 7meu preferido é P&P e o que menos gosto é NA. de Jane Austen deve ser uma ótima pessoa!Amo P&P por sempre me fazer feliz quando eu leio(se bem que isso acontece com todos os livros da Qual a tua opinião sobre os livros baseados nasJane), por ter uma história de amor tão linda e com obras de Jane Austen? E as fanfictions?personagens tão incríveis; afinal, que menina não Eu sou absolutamente viciada neles! Tenho umaquer ser Elizabeth Bennet e encontrar o Mr. Darcy? coleção em casa e estou sempre buscando mais.Acho que é a história que eu melhor conheço e que Adoro quando os escritores nos levam de volta aosmais amo. Quanto a NA, eu também adoro e acho tempos da Jane, quando a JAFF (Jane Austen Fanmuito engraçada, não tenho coisas ruins para dizer Fiction) é bem pesquisada e explora outrosa respeito, só que prefiro as outras mesmo. aspectos dos nossos amados personagens e outras possibilidades – ou sequências – para as nossasQual a tua adaptação (filme ou série) preferida das histórias preferidas. Sou muito aberta em relação aobras de Jane Austen? Porquê? essas coisas (desde que mantenham Darcy eMinha adaptação preferida é a minissérie da BBC Elizabeth juntos no final, eu leio de tudo!), gosto até“Pride & Prejudice” (1995). Já vi e revi muitas vezes mesmo de ler as versões modernas para ase nunca me canso. É a mais fiel ao livro, com histórias.grandes atores (não me refiro só ao maravilhosoColin Firth, mas Jennifer Ehle é minha Elizabeth Dizem que todas procurámos um Darcy. Concordaspreferida também). Ultimamente ando assistindo o com esta opinião? Procuraremos mesmo essefilme com o Matthew Macfadyen e a Keira Knightley homem que dizem ideal?(Pride & Prejudice, 2005) com grande frequência. Acho que isso é verdade sim (pelo menos eu estouApesar de não ser o mais fiel à história original, procurando o meu Darcy...), mas também acho queacho o filme mais romântico e com uma fotografia o Darcy não é um homem ideal ou perfeito. Ele temlindíssima. Outro que está no meu top é muitos defeitos, entre eles ser arrogante e“Emma” (BBC, 2009), que sempre me arranca orgulhoso, mas o que o redime aos olhos desorrisos e inclusive algumas risadas. Elizabeth (e aos nossos) é o fato de que ele escuta o que ela tem a dizer e tenta ser um homem melhorQue mudou Jane Austen na tua vida? para ela, mesmo que ela não case com ele. E mais,Jane Austen fez meu amor por romances ele está disposto a desafiar todas as regras dadesabrochar. As histórias dela são repletas de uma sociedade na qual ele vive por amor. Quem nãocrítica social cómica que eu amo. No entanto, é o quer um homem corajoso desses? Então, sim, nósromance o que mais me encanta. Eu quero um procuramos um Darcy – ou um Wentworth,amor digno de algo que a Jane escreveria; não o Knightley, Brandon... -, um homem que nos escute erelacionamento perfeito, mas um relacionamento seja nosso parceiro, alguém que nos respeite e sejaem que ambos estejam dispostos a setentar mais a ser pessoas melhores emerecedoras do amor do outro. Pensoque aprendi com as heroínas da Jane aser uma mulher mais forte eindependente, a rir de mim mesma, aencarar as coisas com mais leveza.Posso ficar por horas aqui falando oque aprendi com cada personagem,com cada livro, com as coisas que aJane disse em suas cartas... Vou melimitar a dizer que, por causa de JaneAusten, sou uma pessoa melhor. Afinal,a gente sabe que todo mundo que é fã (The Royal Crescent em Bath)
  8. 8. 8 | RUBRICAS | Revista Jane Austen Portugal honrado. O dinheiro e a beleza que o Darcy tem são, obviamente, bem-vindos, mas não essenciais. Pessoalmente com quem te identificas mais: Elizabeth Bennet, Emma Woodhouse, Anne Elliot, Catherine Morland, Elinor Dashwood, Marianne Dashwood ou Fanny Price? Fala um pouco sobre cada uma delas. Acho que eu consigo me ver no lugar de cada uma delas – e essa é uma das belezas das personagens criadas pelo gênio que era Jane Austen. É fácil ler a (The Cobb em Lyme Regis, Dorset) (The Cobb em Lyme Regis, Dorset) história como se fossemos nós que a estivessemos vivendo. Como a Lizzy Bennet, eu sou uma leitora voraz, adoro uma boa discussão e sei rir das inconsistências dos outros e das minhas; como a Emma, já me vi várias vezes no papel de cuidadora dos meus pais, uma responsabilidade por vezes tão grande que esquecemos de nós mesmos; como a Anne, eu às vezes pareço quieta e, à primeira vista, séria; como a Catherine, eu leio muitos romances, o que me faz sonhar alto de mais; como a Elinor, eu costumo guardar meus sentimentos e sempre parecer forte quando tudo ao meu redor está desmoronando, mesmo sabendo que por dentro eu estou extremamente feliz ou devastada; como a Marianne, eu sou muito sensível; como a Fanny, eu sou tímida e por vezes acho que não mereço as coisas boas que acontecem comigo. De todas elas, acho que sou mais como a Elinor, querendo sentir um amor avassalador como a Marianne, ser “witty” como a Elizabeth, calma como a Anne e charmosa como a Emma. Como imaginas a tua relação com Jane Austen daqui a 20 anos? Tenho certeza de que ainda estarei lendo Jane Austen daqui a 20 anos. Talvez eu esteja mais (Memorial a Jane Austen na Catedral de Winchester) dedicada a reler apenas os originais e não tanto JAFF. Não tenho como saber a certo, mas acredito que a Jane ainda vai ser uma parte muito Não foste nada chata, Deborah! Obrigada por teres importante da minha vida. partilhado as tuas experiências e o teu amor por Jane Austen connosco! Gostarias de acrescentar alguma coisa? Obrigada por ler e querer saber um pouco sobre Nota: Fotos gentilmente cedidas pela entrevistada. esse minha obsessão e sobre minha viagem à Inglaterra – dois assuntos sobre os quais eu amo falar. Espero não ter sido muito chata!
  9. 9. Revista Jane Austen Portugal | RUBRICAS | 9ENCONTROS Amor que jamais soubera o que significa amar, Willoughby de Allenham.IMPROVÁVEIS É verdade que em breve serei a senhora Brandon, mas, guardo como derradeira lembrança, a ser com você compartilhada, a certeza de que sobreviver... quase sempre, poupa-nos das “menores” e mais devastadoras: Karla Alessandra Nobre Lucas privações que podem dissolver, na rigidez do nexo, toda inocência e magia da arte de sorrirA quem encontrar o presente manuscrito... com calor! Meu pensamento agora vaguearáAdvirto que há nele o registro solene de uma somente pelo prazer das lembranças do quepassagem, uma travessia, que gostaria que e se ainda não é, na medida em que o tumulto interiorprolongasse em sua existência, caro leitor: causado pelo que foi, não me apanha o sono.Transformada! Deveras, passei por uma Saiba que guardo com cuidado dentro de mimcompleta transformação. E não convém detalhar meu mais caro presente: tempo e memória naexperiências vãs de outrora, do tempo em que ponta de uma estrela. Minha memória? Foi ummeu espírito alegre, minha beleza e juventude retrato em preto e branco, um desbotamento daforam mitigadas. Reduzi-me à lágrimas em um aquarela do que vivi. Experimentei... Um dia...rosto com aspecto pálido e doentio, sem Alguém... Conheci... e Descobri nos enleios deexpressão alguma. Andava a esmo. Mas agora uma segunda oportunidade para enxergar quetudo me soa muito diferente, como se o vento frio não bastam apenas palavras, mas o que é ditoinvadisse meu ser imprimindo a tensão de um deve acompanhar o que fazem ou deixam demistério que em momentos passados reduziu-me fazer por nossa causa... Aprendi que é possívelà cólera... a um sofrer sofrível que sufocava meu tecer fios de sonhos possíveis que não sesentir ― pleno ― de parecer existir uma vez só a desgastam a cada alinhavo, no absurdo de umponto de me fazer sentir e ser nada para outro sonho presente! O segredo? Nosso segredo éque apenas simulava um ser e um sentir que, de extático. Sonho a ser vivido uma só vez na almafato, nunca existiram. infante! E é na cadência do tempo que saboreio a doçura das palavras e gestos de quem realmenteAntes, a névoa em meus olhos negava-me o tem o dom de permanecer e fazer durar.acesso a uma verdade fundamental: de modo Finalmente alcançou-me o toque das almas doque hoje, eu, Marianne Dashwood, posso sentir a Homem que não ousa dizer seu nome, meubrisa e distrair-me à janela de nosso chalé com amado, Brandon!os olhos da esperança; pois, além do horizontedas expectativas alimentadas pelas “heroínas depapel”, há o limite do céu e da terra deDevonshire que tornam o secreto manifesto porum acaso que a vida me permitiu desvendar, na Mariannemedida em que experimentei sucessivasperdas... no amor de um pai e no amor de um
  10. 10. 10 | RUBRICAS | Revista Jane Austen Portugal CARTAS DE UMA Jane Austen por que não está aqui para respon- der a essas perguntas? Eu me manifesto para o mundo sobre a Jane que você fora um dia, na JANETTE verdade que você é! Pois você está viva em cada minúsculo ser que se interessa pelos seus romances, que percebo ser seus na vida real, se não forem seus, eram os seus desejos, seus pedidos para cada estrela cadente que passava, : Izabella Rendeiro onde você e seu coração compartilhavam confi- dências que eu jamais saberei... Um desejo ocul- Olá eterna Jane Austen, to que espero que tenha sido realizado. Você, Jane, é um mistério que gostaria de des- vendar, aprofundando-me em seu Eu, pois você é Pergunto o porquê dos simples acontecimentos o que escreve, os seus livros são você e essa tornarem-se dúvidas constantes em minha men- fantasia que criou despertou valores que nem eu te... O porquê de me transformarem em um que- mesma havia conhecido, um amor jovem e incon- bra cabeça, onde diversas peças estão faltando e dicional, uma réplica dos contos de fadas, onde as que sobraram não se encaixam. Meu nome é toda menina sonhadora gostaria de ter, você era Izabella Rendeiro e estou à procura de resolu- uma delas... E eu tenho absoluta certeza de que ções, como todas as "Janeites", a busca por res- essa menina utopista jamais morreu! Ela está postas não para. O que você, Jane, buscou todos aqui, em cada letra de cada traço feito em seus esses anos? Misturar-se nos seus contares para livros! Você, Austen, fez parte da minha história! ir ao encontro do seu mundo particular? E seus amores, seus mais profundos desejos? Eles basearam-se nos romances que escrevera? Tal- Beijos vez essas respostas jamais venham, sei que elas estão na cabeça de cada fã do mundo inteiro, estão ocultadas em cada mínima interpretação Izabella Rendeiro, umas de suas maiores admira- que de diversas formas, estão espalhadas onde doras. nós devemos buscá-las. Talvez o que eu esteja procurando em você, esteja em mim mesma... Os meus sentimentos sejam similares aos seus quando jovem, as minhas emoções talvez, propositalmente, sejam por você provocadas quando escrevera cada vír- gula de seus contares... Não sei ao certo como explicar, mas sinto como se o mundo parasse, para você e seus personagens passarem, enquanto eu os sigo de uma maneira automática e ao mesmo tempo impulsiva.
  11. 11. Revista Jane Austen Portugal | ARTIGOS | 11 hillshillshills.wordpress.com DE HOJE BOX HILL NOS DIAS: Clara FerreiraEs romântica influenciava a tendência de comer ao te local, referido no romance Emma, ar livre como forma de comungar com a nature- assume um papel importante no desenro- za”. Desta forma, sabemos que Jane Austenlar da história, não só por representar um dos também seguia as tendências! Neste mesmo arti-poucos momentos em que Emma sai do ambien-te familiar de Hartfield, mas também porque deste go, percebemos a dificuldade que havia em pre-passeio resultam mudanças importantes no com- parar tais saídas ao ar livre e toda a logística queportamento e atitude de Miss Woodhouse. isso implicava - na versão de 1996 com Kate Beckinsale tudo isso é muito bem demonstrado. “They had a very fine day for Box Hill … Nothing was wanting but to be happy when Assim como os piqueniques eram uma tendência they got there. Seven miles were travelled na Época da Regência, também o era o local, in expectation of enjoyment, and every Box Hill. body had a burst of admiration on first arri- Box Hill, existe na realidade em Surrey, Reino ving” Unido, aproximadamente a 30km de distância deDe acordo com o artigo “Emma: Picnicking on Londres. Assim, será de supor que Jane Austen oBox Hill” do blogue Jane Austen’s World, “os tenha igualmente visitado. A colina tem estepiqueniques tornaram-se muito populares na vira- nome em virtude de um antigo bosque situadogem do século XIX, quando a sensibilidade num declive muito íngreme do lado oeste comromântica influenciava a tendência de comer ao vista para o Rio Mole.ar livre como forma de comungar com a nature-
  12. 12. 12 | ARTIGOS | Revista Jane Austen Portugal wikipedia.com As primeiras casas da pequena aldeia de Box Hill datam de 1800, embora grande parte da aldeia tenha sido construída na metade do século XX. Isto significa que a popularidade de Box Hill terá surgido, mais ou menos, na época em que Jane Austen viveu. Existem duas pinturas que retratam a vista de Box Hill, uma de George Lambert que data de 1733 e se encontra no Tate e outra de William Turner que data de 1796 e que se encontra atual- mente no Museu Albert and Victoria em Londres, [podemos ver a pintura de G. Lambert, no título deste artigo] o que acentua mais a ideia de que as qualidades paisagísticas de Box Hill se torna- ram mais conhecidas no preciso período de vida de Jane Austen. Hoje em dia Box Hill integra uma Área Especial de Conservação, o que equivale certamente às nossas Áreas protegidas, implicando igualmente inúmeras restrições quanto a construções e des- truição do meio ambiente. Tem livre acesso ao público que pode optar por fazer um percurso pedestre de cerca de 1 km para Sul chamado “Pilgrims Ways” (Caminho do Peregrino); visitar o miradouro (Salomons Memo- rial) onde terá uma ampla paisagem, permitindo inclusivé que se veja a cidade mais próxima, Dor- king; visitar o Forte, que só foi construído em 1890, portanto, ainda não exisitia à data em que foi escrita “Emma”; Broadwoods Folly, uma pequena torre circular construída em 1820; A Zig Zag Road, que data de 1869, um caminho muito íngreme com cerca de 2.5 km que já foi por mui- tos comparado aos Alpes Franceses; e ainda um pequeno percurso de pedras sobre o rio no fundo da colina junto ao Rio Mole. Box Hill mantém a sua popularidade e, quem sabe, se Jane Austen, através de Emma, não teve grande influência nisso!
  13. 13. Revista Jane Austen Portugal | ARTIGOS | 13 EM BOX HILL PERSPETIVA Piquenique em Box Hill - Emma 1996 com G. Paltrow (screencap): Clara Ferreira Grange, vou percorrer pelos olhos de um e de outro, o que aconteceu no piquenique de Box Hill.Bo x Hill é o palco da maior discussão entre Emma e Mr. Knightley. É nessecenário que Emma é veemente repreendida pela “I was up at daybreak, and oversaw the start of the clover-cutting before getting ready to go to Box Hill. The day was fine, and we had a goodforma crua e insensível como trata Miss Bates. É journey. Whether we were tired from yesterday’sdesta grande zanga entre os dois que virá, mais enjoyments or languid because of the heat I dotarde, surgir em Emma o sentimento singular que not know, but there was a lack of spirit in thesente por Knightley e que, afinal de contas, ultra- party.” – “Mr. Knightley’s Diary”, Amandapassa as fronteiras da amizade. Grange (AG).Dada a importância do local para o desenrolar da “They had a very fine day for Box Hill; and all thehistória e do romance entre a nossa heroína e o other outward circumstances of arrangement,nosso herói, resolvi confrontar as duas perspecti- accommodation, and punctuality, were in favourvas da ação. Assim, recorrendo ao romance of a pleasant party. (…) Nothing was wanting but“Emma” de Jane Austen e ao romance-sequela “ to be happy when they got there. Seven milesMr. Knightley’s Diary” de Amanda Grange, vou were travelled in expectation of enjoyment, and
  14. 14. 14 | ARTIGOS | Revista Jane Austen Portugal RECORRENDO AO stupid. (…) When they all sat down it was better; to her taste a great deal better, for Frank Churchill ROMANCE “EMMA” grew talkative and gay, making her his first object. DE JANE AUSTEN E (...) and Emma, glad to be enlivened, not sorry to be flattered, was gay and easy too, and gave him AO ROMANCE- all the friendly encouragement, the admission to SEQUELA “MR. be gallant, (...) but which now, in her own estima- tion, meant nothing. (...) Not that Emma was gay KNIGHTLEY’S and thoughtless from any real felicity; it was DIARY” DE AMAN- rather because she felt less happy than she had expected. She laughed because she was disap- DA GRANGE, VOU pointed; and though she liked him for his atten- PERCORRER PELOS tions, and thought them all, whether in friendship, admiration, or playfulness, extremely judicious, OLHOS DE UM E DE they were not winning back her heart. She still OUTRO O QUE intended him for her friend.” - JA ACONTECEU EM Aqui sim, começamos a notar uma diferença de perspetivas. Enquanto Knightley censura o com- BOX HILL portamento de Emma e F. Churchill, tanto por achar pouco próprio tanto flirt, e porque estando every body had a burst of admiration on first arri- agora consciente da sua paixão por Emma, não ving; but in the general amount of the day there pode evitar sentir ciúmes. was deficiency. There was a languor, a want of spirits, a want of union, which could not be got Todavia, Jane Austen mostra-nos os pensamen- over. They separated too much into parties.” – tos de Emma, e estes não podiam ser mais dife- “Emma”, Jane Austen (JA). rentes. Emma não está minimamente apaixonada por Frank Churchill, apenas vê nele um amigo. Amanda Grange mantém o estilo de Jane Austen, Permite-lhe tais atenções por estar aborrecida ou referindo a agradável viagem até Box Hill mas alguma falta de “espírito” por parte dos seus parti- como Jane Austen nos diz, por não se sentir tão cipantes em virtude do dia anterior passado em feliz como esperava, e daquela forma sempre se Donwell Abbey. vai distraindo. “We strolled about until it was time for our picnic. "Our companions are excessively stupid. What Then, indeed, there was more liveliness in the shall wedo to rouse them? Any nonsense will ser- party, (...) for Churchill made Emma the object of ve. They shall talk. Ladies and gentlemen, I am his attentions. (..) Whatever it was, he did not ordered by Miss Woodhouse (who, wherever she behave like a gentleman. is, presides) to say, that she desires to know what Emma did not seem to notice anything amiss, and you are all thinking of?" - JA flirted with him in the most painful way; painful to me, as I am in love with her more every day. (…) “Emma smiled at this mixture of flattery and silli- Her flirting grew worse. It was beyond anything I ness, instead of looking disgusted, as she should had seen, and I dreaded where Frank Churchill‟s have done” - AG influence would take her.” – AG “Some laughed, and answered good-humouredly. “At first it was downright dulness to Emma. She Miss Bates said a great deal; Mrs. Elton swelled had never seen Frank Churchill so silent and stu- at the idea of Miss Woodhouses presiding; Mr.
  15. 15. Revista Jane Austen Portugal | ARTIGOS | 15Knightleys answer was the most distinct. "Is Miss had anyone else whispered in company.” - AGWoodhouse sure that she would like to hear what " I am ordered by Miss Woodhouse to say, (...)we are all thinking of?" - JA she only demands from each of you either one“I looked at her intently, knowing she would not thing very clever, be it prose or verse, original orlike my thoughts.” - AG repeated—or two things moderately clever— or three things very dull indeed, and she engages to "Oh! no, no"—cried Emma, laughing as care- laugh heartily at them all.lessly as she could— "Upon no account in theworld. It is the very last thing I would stand the - Oh! very well," exclaimed Miss Bates, "then Ibrunt of just now. Let me hear any thing rather need not be uneasy. `Three things very dullthan what you are all thinking of. I will not say qui- indeed. That will just do for me, you know. I shallte all. There are one or two,perhaps, (glancing at be sure to say three dull things as soon as ever IMr. Weston and Harriet,) whose thoughts I might open my mouth, shant I? (looking round with thenot be afraid of knowing." - JA most good-humoured“Well might she say so. They never find fault with dependence on every bodys assent)—Do not youanything she does, but to have such uncritical all think I shall?" - JAfriends is not good for anyone.” - AG “I was just about to say, „Not at all,‟ and I saw MrsAcho interessantíssima a forma como Knightley Weston about to do the same, when Emma said”consegue avaliar toda a situação sem se deixar - AGinfluenciar em demasia pelos seus próprios senti-mentos... ele mantém total sensatez.Obviamente "Ah! maam, but there may be a difficulty. Pardonque a sua parcialidade para com Emma fazem me—but you will be limited as to number—onlycom que se sinta triste pelas suas atitudes pre- three at once." - JAsentes, todavia, as falhas que lhe aponta são ver-dadeiras sem qualquer sinal de desfaçatez por “I could not believe it. Instead of reassuring Missesta não o encarar como potencial partido. Bates that her contributions to the conversation"It is a sort of thing," cried Mrs. Eltonemphatically, "which I should nothave thought myself privileged toinquire into. Though, perhaps, as theChaperon of the party— I never wasin any circle— exploring parties— Piquenique em Box Hill - Emma 1996 com G. Paltrowyoung ladies—married women—"Her mutterings were chiefly to herhusband; (…)” - JA“Mrs Elton, not at all pleased with theturn the conversation had taken,though her anger was mostly causedby the fact that she was not the cen-tre of attention. There was whispe-ring from Frank Churchill, and Emmashowed no disgust at his behaviour,as she would have done had anyoneelse whispered in company.” - AG
  16. 16. 16 | ARTIGOS | Revista Jane Austen Portugal were always valued, she insulted her in front of all insulted her oldest friend? Emma, who had flirted her friends; worse still, in front of her niece. I felt shamelessly in front of all her friends? sick with it. She would never have said such a Emma basked in the praise, though it was ill- deserved, whilst her flatterer, Frank Churchill, lau- thing before meeting Frank Churchill!” – AG ghed and enjoyed it. “ - AG Ñão sei se estes eram os pensamentos que Jane Austen teria atribuído a Knightley, mas penso que “It did not seem to touch the rest of the party não devem estar muito longe dos verdadeiros. equally; some looked very stupid about it, and Mr. Sem dúvida que a influência de F. Churchill foram Knightley gravely said” - JA uma importante contribuição para uma certa insensibilidade no comportamento de Emma, pois “This explains the sort of clever thing that is wan- junto dele era alvo de todas as maiores atenções, ted,‟ I said without humour, „but perfection should convencendo-se, ainda que de forma inconscien- not have come quite so soon.‟ te, que era, de facto, perfeita. E isso levou-a a It made no difference. Emma was pleased, and colocar-se numa posição sobranceira e altiva, so was her court. Mrs Elton, it is true, was not sem ter em conta os outros. Emma foi inconve- pleased, though if she could have changed her niente, grosseiramente inconveniente e Knightley name to Emma, she would have thought it the não poderia ter reagido de outra forma. best conundrum in the world. “ - AG “Miss Bates did not realize what Emma had said, "Oh! for myself, I protest I must be excused," said and I was about to divert her attention by offering Mrs. Elton; (…) Miss Woodhouse must excuse her another slice of pie when I saw her face chan- me. I am not one of those who have witty things ge and knew I was too late.” - AG at every bodys service” - JA “but, when it burst on her, it could not anger, “I declared my intention of taking a walk as well, though a slight blush shewed that it could pain and gave her one arm, whilst offering Miss Bates her.” - JA the other.” - AG “I was mortified, yet Emma continued to smile and “They walked off, followed in half a minute by Mr. Weston went on with the conversation as though Knightley. Mr. Weston, his son, Emma, and Har- nothing was wrong.” - AG riet, only remained; and the young mans spirits now rose to a pitch almost unpleasant. Even "I doubt its being very clever myself," said Mr. Emma grew tired at last of flattery and merriment, Weston. "It is too much a matter of fact, but here and wished herself rather walking quietly about it is.—What two letters of the alphabet are there, with any of the others, or sitting almost alone, and that express perfection?" - JA quite unattended to, in tranquil observation of the “Weston! Who should have shown her what he beautiful views beneath her.” - JA thought of such conduct by a frown. He then made things worse by offering a conundrum, and one which could not have been more badly cho- “And for the rest of the walk, I had to listen to her sen.” - AG apologizing for her tongue, when it should have been Emma who was apologizing for hers. “- M. and A.—Em-ma.—Do you understand?" I did what I could to soothe her, and she grew Understanding and gratification came together. It easier. “ - AG might be a very indifferent piece of wit, but Emma found a great deal to laugh at and enjoy in it.— JA Eu até compreendo a frase de Emma... Afinal, passei muito tempo do livro a desejar que ela se “Emma understood, and was gratified, whilst I calasse! Todavia, acho que Emma extravazou was annoyed. Emma, perfect? Emma, who had muito da sua putativa importância ao expressar tal sentimento. Enquanto pensamento, julgo que
  17. 17. Revista Jane Austen Portugal | ARTIGOS | 17tal sentimento. Enquanto pensamento, julgo que "I assure you she did. She felt your full meaning.não nos deixaríamos de rir, mas o facto de o ter She has talked of it since. I wish you could havedito da boca para fora é altamente repreensível. heard her honouring your forbearance, (...) and,Mr. Knihtley espanta-se com a atitude de Emma, were she prosperous, I could allow much for theprimeiro, por expressar semelhante pensamento,segundo, por não perceber que o que acabou de occasional prevalence of the ridiculous over thedizer foi em tudo ofensivo. good. Were she a woman of fortune, I would lea-Não posso deixar de afirmar que considero a ve every harmless absurdity to take its chance, Ilinha de pensamento de Knightley seguida por would not quarrel with you for any liberties ofAmanda Grange muito convincente. Depois de manner. Were she your equal in situation (...) HerWeston fazer a sua charada com o nome de situation should secure your compassion. It wasEmma e perfeição, a resposta dada por Knightley badly done, indeed!” - JAainda mencionada por Jane Austen, é muito bemexplorada por Amanda Grange que nos mostra o “She was not interested. She looked away, impa-sentimento incrédulo e zangado com que Mr. tient with me for speaking to her thus. But I hadKnightley reage a toda aquela situação perante a started, and I could not have done until I had fini-indiferença de Emma que mantém uma postura shed.” - AGirrefletida e imprópria.Não deixa de ser igualmente interessante, o facto “to have you now, in thoughtless spirits, and thede Amanda Grange nos dar a conhecer o que foi pride of the moment, laugh at her, humble her—dito no passeio com Knightley, Miss Bates e Jane and before her niece, too(...) This is not pleasantFairfax, que nos mostra quão humilde e magoada to you, Emma (...) I will tell you truths while I can;Miss Bates estava. satisfied with proving myself your friend by very“While waiting for the carriage, she found Mr. faithful counsel, and trusting that you will someKnightley by her side.” - JA time or other do me greater justice than you can do now." - JA“My anger had not cooled when I stood next toEmma as we waited for the carriage to take us Gostei bastante desta controvérsia entre as pers-home again. I told myself I must not reprimand petivas de um e outro. Emma só se apercebe dasher or criticize her, but I could not help myself. I implicações do que disse quando Knihtley acould not see her being dragged down, when a repreende. É curioso assistir ao duelo de senti-word from me might stop it. “ - AG mentos de Knihgtley que até ao último momento“He looked around, as if to see that no one were tenta não criticá-la por entender que já não ocupanear, and then said, "Emma, I must once more esse lugar, agora que Emma pretende iniciar aspeak to you as I have been used to do” - JA sua vida ao lado de outro homem. Todavia fá-lo, e fá-lo por amor.“I said, in some agitation. Even then, I tried tohold back, but I could not” - AG A reação inicial de Emma às suas palavras é ain- da muito imatura, como Austen nos mostra, ela“I cannot see you acting wrong, without a remons- ainda tenta rir com a situação.trance. How could you be so unfeeling to MissBates? (...) Emma, I had not thought it possible." “While they talked, they were advancing towardsEmma recollected, blushed, was sorry, but tried to the carriage; it was ready; and, before she couldlaugh it off. speak again, he had handed her in.” - JA"Nay, how could I help saying what I did?— “I handed her into the carriage. She did not evenNobody could have helped it. It was not so very bid me goodbye. She was sullen. Who could bla- me her? But it could not be helped. I had saidbad. I dare say she did not understand me." what I had to say, and I returned to the Abbey in low spirits. “ - AG
  18. 18. 18 | ARTIGOS | Revista Jane Austen Portugal “The wretchedness of a scheme to Box Hill was in Emmas thoughts all the evening. How it might be considered by the rest of the party, she could Piquenique em Box Hill - Emma 1996 com G. Paltrow not tell. They, (...) might be looking back on it with pleasure; but in her view it was a morning more completely misspent, more totally bare of ratio- nal satisfaction at the time, and more to be abhorred in recollection, than any she had ever passed.” - JA Gosto especialmente da “He had misinterpreted the feelings which had forma como Knightley interpreta erradamente a kept her face averted, and her tongue motionless. aparente apatia de Emma perante o que lhe diz e They were combined only of anger against her- os sentimentos dela para com Churchill—e nisto, self, mortification, and deep concern. She had not ele não podia estar mais enganado! been able to speak; and, on entering the carriage, Emma só muito tarde se apercebe do que fez, sunk back for a moment overcome—then reproa- mas não tarde de mais, como sabemos, Emma ching herself for having taken no leave, making esforça-se por expiar as suas culpas nos capítu- no acknowledgment, parting in apparent sullen- los seguintes e consegue-o e por isso entendo ness, she looked out with voice and hand eager que esta cena na história representa um ponto de to shew a difference; but it was just too late. He viragem em Emma porque ela cresce muito had turned away, and (...) She continued to look depois desta reprimenda. back, but in vain; (...) She was vexed beyond what could have been expressed— almost beyond what she could conceal. Never had she felt so agitated, mortified, grieved, at any circums- NÃO POSSO DEIXAR tance in her life. “ - JA DE AFIRMAR QUE “(I) began to restore my sense of calm. (...) If Emma had been with me, I would have known CONSIDERO A LINHA complete happiness. But she was not, and as I DE PENSAMENTO DE came inside I had to acknowledge that such a thing would never come to pass. (...) But I cannot KNIGHTLEY SEGUIDA forget about Emma. Where is she now? Is she at POR AMANDA GRAN- Hartfield, thinking of Frank Churchill and his easy flattery? She must be.“ - AG GE MUITO CONVIN- CENTE
  19. 19. Revista Jane Austen Portugal | ARTIGOS | 19 EMMA A HEROÍNA QUE NÃO VAI A LADO NENHUM Emma 1996 com G. Paltrow: Vera Santos Jane, Fanny Price, visita a sua família com quem fica durante alguns meses.To das as heroínas de Jane Austen, num momento do livro passam uma tempora-da fora de casa. As irmãs Dashwood visitam Lon- Emma é a única que nunca vai a lado nenhum, sim há o passeio a Box Hill, mas é somente um passeio que dura algumas horas e permite o regresso a casa no mesmo dia. Emma nunca vaidres na companhia da Mrs. Jennings e na voltapara casa passam algumas semanas na proprie- passar algumas semanas com a irmã a Londresdade dos Palmers, onde devido à doença de ou visitar qualquer outro lugar como Bath.Marianne ficam mais tempo do que inicialmente Sobre o ponto de vista narrativo Emma é umprevisto. Elizabeth visita os recém-casados Col- romance fechado todos os personagens quelins e mais tarde os tios proporcionam-lhe umas conhecemos no inicio estão lá no fim, não existeférias no Derbyshire, a sua irmã Jane passa uma alteração significativa, o livro funciona comoalgum tempo em Londres e Lydia vai para Brigh- um circulo fechado. Noutras obras vão nos sendoton com os Forsters. Catherine acompanha os apresentadas novas personagens, em EmmaAllen a Bath e Anne Elliot antes de se mudar defi- isso não acontece. Harriet Smith é introduzida nonitivamente para esta cidade passa algum tempo círculo de Emma, mas ela já vivia há algum tem-com a sua irmã Mary. Até mesmo a heroína mais po em Highbury e o mesmo é válido para Janepobre dos livros de Jane, Fanny Price, visita a Fairfax e Frank Churchill, embora ausentes
  20. 20. 20 | ARTIGOS | Revista Jane Austen Portugal durante uma parte da obra estão presentes pelas verdade, como acontece com Elizabeth Bennet várias menções que lhes são feitas. A única per- mas nunca a de mudança/ reforma da personali- sonagem realmente nova que conhecemos, a a dade do qual Henry Crawford é um bom exemplo. Mrs. Elton, mas a sua presença é irrelevante excepto para irritar Emma e o leitor com toda a sua maneira de ser. Todos estes factos e análises levam-me a pensar O curioso desta constatação é que Emma é de que Emma seria exactamente igual quer tivesse todas as heroínas a que mais teria possibilidades passado temporadas em Londres ou noutro sítio de viajar já que era a mais rica. Os motivos para qualquer, embora a aí talvez tendo à sua disposi- a ausência de alguma viagem são facilmente ção mais divertimentos e ocupações ela não explicados pelo pai que acha que ir ao jardim já estaria tão preocupada em arranjar casamentos pode causar uma constipação que o vai matar. ou talvez fosse mais aliciante para ela fazer Emma não pode e também não quer deixar o pai isso uma vez que existiam mais homens e e por isso permanece em casa. mulheres livres!! No entanto uma melhor explicação pode estar algures na sua correspondência de Jane Austen onde afirmou que o seu trabalho incidia sobre três ou quatro famílias da sociedade rural. Talvez por isso em Emma levou tal afirmou a sério e criou um leque pequeno de personagens e um espaço confinado que nunca é alterado ao longo do livro, mesmo quando Emma encontra o amor ela encontra-o em alguém que conheceu toda a Emma 1996 com G. Paltrow sua vida. No fundo é como Jane Austen tivesse decidido brincar com um cenário fixo e nele movimentar um conjunto de personagens. Será Emma enquanto personagem limitada por esta falta de conhecimento do outros espaços que não Highbury? Pessoalmente acho que não e Emma seria a mesma pessoa ainda que tivesse SOBRE O PONTO feito a volta ao mundo. Na obra de Jane não DE VISTA NARRA- observamos mudanças significativas nos perso- nagens pela lugares que visitam. Por exemplo, TIVO EMMA É UM Elizabeth Bennet descobre durante a sua estadia no Kent que Darcy está apaixonado por ela, que ROMANCE Wickham é um patife e a forma como Jane e Bin- gley foram separados. Mas a sua maneira de ser FECHADO TODOS continua a mesma. Penso que Jane não via nas mudanças de ares uma forma de mudar o perso- OS PERSONA- nagem ou até de corrompê-lo. Em algumas obras de outros autores observamos isso, um exemplo GENS QUE típico é o jovem mais inocente que ao vir para a cidade, após uma vida no campo é corrompido CONHECEMOS pela vida citadina. Julgo que Jane Austen acreditava na mudança NO INICIO ESTÃO de opiniões quando a pessoa é exposta à verda- LÁ NO FIM
  21. 21. Revista Jane Austen Portugal | ARTIGOS | 21 O ESTATUTO ESPECIAL DE EMMA EM HARTFIELD Donwell Abbey - Emma 1996 com K. Beckinsale: Júlia Marcos Ferreira dias passados em Londres em casa dos mesmos familiares comuns (na praça de Brunswick) e dasCo notícias sobre todos, especialmente das crianças, e ainda a Emma que envia a amiga Harriet Smith meço por comentar o artigo anterior, durante semanas para a casa de sua irmã em aqui apresentado pela Vera, com o qual Londres para a fazer esquecer a última paixão!concordo inteiramente, pois Emma é mesmo aheroína que nunca vai a lugar nenhum! Não podemos esquecer que no final do século XVIII, início do XIX, as viagens eram morosas,Nos últimos dias, voltei a reler a obra “Emma” em lentas e incómodas, mesmo para quem tinha abusca de pistas ou ideias que me pudessem elu- sorte de possuir carruagem. Talvez Emma não secidar sobre a ausência de interesse da jovem sentisse muito bem em viagens mais prolongadasEmma pelas saídas prolongadas ou mesmo da e não o quisesse de todo reconhecer. No entanto,razão pela qual ela parece estar sempre tão feliz encontramos na obra uma personagem, Frankno seu próprio ambiente. Parece estranho que Churchill, que viaja muito e que vai a Londresuma jovem que tem uma irmã a viver em Londres para voltar no mesmo dia, vinte e cinco quilóme-não a visite nem manifeste interesse em o fazer. tros para cada lado, o que nesse tempo seria sig-Ao longo da obra encontramos uma Emma nificativo. As deambulações de Frank Churchillexpectante com as visitas e as estadias em Hart- não parecem interessar Emma por aí além, poisfield da família de Londres, da irmã, do cunhado, esta associa-as muitas vezes a uma certa levian-ou mesmo apenas dos dois sobrinhos mais dade e inconstância por parte do rapaz.velhos, Emma que aguarda ansiosamente a che-gada de Mr. Knightkley regressado de uns dias
  22. 22. 22 | ARTIGOS | Revista Jane Austen Portugal mais consciente e mais humana, mesmo assim, sempre no seu pedestal. A inimizade incom- No capítulo XII encontra-se uma ligeira referência preensível de Emma para com Jane Fairfax deve- a uma certa vontade de viajar (embora não con- se possivelmente a esse brilho que a primeira cretizada) por parte de Emma, quando se fala no quer ter sempre e a segunda também manifesta, mar e na estadia da irmã, do cunhado e dos talvez em maior grau, pois como a própria Emma sobrinhos à beira-mar, e onde Mr. Woodhouse reconhece, Jane suplanta-a na música e na sua contesta o benefício dessas estadias para a saú- aprimorada execução. de, Emma confessa: “Peço-lhes que não falem do mar! Fazem-me inveja e tristeza, eu, que nunca o vi!” As razões pelas quais Emma nunca viu o mar Em suma, é sempre enriquecedor reler Emma! podem ser diversas mas também inexplicáveis: a As estratificações sociais rígidas e os preconcei- proteção e a dependência do pai, alguma imobili- tos nas sociedades rurais inglesas do início do dade da sua parte para manifestar esses desejos, século XIX são aqui bem apresentadas em todas afinal podia sempre ter-se juntado à irmã e ao estas personagens. cunhado para passar a temporada no mar junto deles. Não é pelo facto de achar que Emma é muito mimada e se julga muito especial durante grande Na obra perpassa a ideia que Emma se sente parte do romance, que gosto menos dela! Emma perfeitamente bem no seu ambiente natural e que é de facto uma figura encantadora e representa esse ambiente é Hartfield. A sua ligação ao pai, o muito bem a sociedade rural que personifica, carinho e a paciência com que o trata, mesmo identificando-se tanto com Hartfield, o que a torna quando as doenças imaginárias de Mr. Woodhou- especial e única como ela própria gostaria de se se o parecem tornar demasiado hipocondríaco e reconhecer. impossível de aturar, para Emma, tudo isso é aceite com um sorriso calmo e benevolente. A ideia geral que Emma me transmite é que a sua ligação a Hartfield está associada ao seu estatuto especial de que goza ali e apenas ali naquele lugar. Se Emma fosse para outro lugar qualquer, perderia aquele estatuto de princesi- nha, de pessoa especial e respeitada, e seria mais uma jovem entre tantas outras. Essa é a impressão que tenho em geral, através da leitura da obra: Emma move-se muito bem naquela loca- lidade onde é acarinhada e tratada de forma mui- to especial por todas as pessoas. A irritante Mrs. Elton (que é de facto irritante para todos nós) é-o particularmente para Emma, porque desafia o seu lugar, porque se coloca em primeiro lugar e Donwell Abbey - Emma 1996 com K. Beckinsale ignora o estatuto de Emma (até mesmo no fim da obra, quando se sabe do casamento entre ela e Mr. Knightley, Mrs. Elton continua a afirmar que foi Emma quem caçou um bom partido, recusan- do-lhe mais uma vez o estatuto especial de que a jovem goza desde sempre). Todo o percurso de Emma, as suas aproxima- ções a Harriet Smith, vão no intuito de a valorizar com a sua influência e de a levar a procurar melhor partido do que o apaixonado Mr. Martin, embora no fim Emma reconsidere e fique mais consciente e mais humana, mesmo assim, sem- pre no seu pedestal. A inimizade incompreensível
  23. 23. Revista Jane Austen Portugal | ARTIGOS | 23 A PROTAGONISTA MAIS ENRAIZADA DE JANE AUSTEN Emma 2009 BBC: Luan Fernandes ela ser descrita como muito elegante, refinada, inteligente e sociável e de ela exaltar taisEu qualidades em si mesma, ela não passa de uma fiquei surpresa com uma constatação simples moça do campo! Me parece que Jane que fiz recentemente e que foi suscitada Austen, sabiamente, quis destacar aspelo tema de maio e junho do blog, a saber, "Os incoerências do caráter de Emma: sualugares em Emma". Tal constatação é que Emma imaturidade e arrogância contrapostas a suaé a única protagonista de Jane Austen que não bondade e dedicação familiar.dorme uma noite fora de casa! Realmente, elanão viaja para conhecer novos lugares, ou paraacompanhar a moda da sociedade de ir para um Ao lermos “Emma”, há vários diálogos entre ela eúnico lugar (tal como Bath), ou para visitar seu pai, nos quais o tema “viagem” é tido comoparentes, ou para estudar. Eu fiquei com pena proibido ou é questionado e massacrado pelosdela! Poxa! Tão jovem e rica, por que não argumentos de Mr. Woodhouse. Emma éaproveitar mais a vida e viajar? sensível a esta resistência paterna em permitir que ela saia de perto dele, visto que ela nunca visitou a irmã em Londres ou sempre se mostrouPois bem, eu creio que este fato de Emma nunca temerosa em se ausentar mesmo que por umter viajado foi proposital e planejado por Jane período do dia.Austen para ressaltar o amor e dedicação deEmma a seu pai e para mostrar que apesar de
  24. 24. 24 | ARTIGOS | Revista Jane Austen Portugal Ao comparar Emma com as outras “heroínas” de EU CREIO QUE ESTE Jane Austen me surpreende o fato de que todas as outras viajaram, se ausentaram meses longe FATO DE EMMA NUNCA de casa e em tais viagens acontecimentos importantes das histórias ocorreram. Porém, TER VIAJADO FOI todos os acontecimentos marcantes de “Emma” ocorreram no mesmo lugar ou em seus PROPOSITAL E arredores. É interessante pensar que esta condição não torna a história maçante ou com PLANEJADO POR JANE menos emoção, pelo contrário, ressalta a AUSTEN PARA habilidade de Jane Austen em prender a nossa atenção e nos envolver em suas tramas sagazes. RESSALTAR O AMOR E DEDICAÇÃO DE EMMA Realmente, Emma é a protagonista mais enraizada de Jane Austen! Ela evoluiu enquanto A SEU PAI E PARA pessoa, mesmo sem sair do lugar! É em sua MOSTRAR QUE casa, no seu lar, que Emma descobre o amor, se frustra, aprende a ser mais humilde e amadurece. APESAR DE ELA SER DESCRITA COMO MUITO ELEGANTE Emma 2009 BBC
  25. 25. Revista Jane Austen Portugal | ARTIGOS | 25 HARTFIELD: Marina Nunes Acredita-se que Henry VIII habitou Castelo Bole- broke, localizado a uma curta distância da aldeia,E como o tema é: Os lugares em Emma, resolvi que utilizava na época de caça aos javalis e vea-fazer uma pesquisa e encontrei a seguinte infor- dos, na floresta Ashdown. Também se acreditamação para Hartfield: que cortejou Anne Boleyn deste castelo.Hartfield é uma freguesia em East Sussex , Ingla- Hartfield tinha uma estação ferroviária que foiterra . Assentamentos na freguesia incluem a vila fechada em 1967. A maioria dos ex-trackbed ago-de Hartfield, Colemans Hatch, Hammerwood e ra faz parte do Caminho Florestal e da Rota doHoltye, no extremo norte da Floresta de Ash- Ciclo Nacional e é muito utilizada por caminhan-down . tes e ciclistas.Hartfield é a vila principal da freguesia. A igreja édedicada à Virgem Maria. Há três casas públicas:Anchor Inn; Gallipot Inn e Haywagon Inn. A rua da O edificio da estação em si é agora utilizada comoaldeia é estreita, impedindo uma pré-escola. Existe um serviço de transporteo estacionamento, embora a âncora e a Pousada publico (autocarro/camioneta) que liga a aldeiaHaywagon tenham parques de estacionamento com Crawley, Grinstead Oriente e Tunbridgeprivado para clientes. Wells. Há uma série de empresas na aldeia."Cotchford Farm, em Hartfield foi a casa de AA Mil-ne (1882-1956), autor dos livros Winnie the Pooh. Então? será que Emma ía gostar de viver na Hart-Mais tarde, foi possuído por Brian Jones guitarris- field de hoje?ta e fundador da The Rolling Stones , que foiencontrado morto na piscina em 1969.Há uma loja na vila dedicada a todas as coisasrelacionadas com o Ursinho Pooh das histórias.
  26. 26. 26 | ARTIGOS | Revista Jane Austen Portugal A ABADIA DE DONWELL : Clara Ferreira mote para uma das nossas próximas ficções aqui no Jane Austen Portugal! Es te podia ser o título de uma aventura com a nossa intrépida Miss Morland, mas não, nem creio que haja qualquer história Donwell Abbey é a distinta propriedade de Mr. George Knightley em “Emma”. Vou esforçar-me por fazer uma visita guiada a esta casa que terá fantasmagórica para contar acerca de Donwell sido o lar de Mrs. e Mr. Knightley depois da morte Abbey... Mas quiçá, não esteja aqui um bom de Mr. Woodhouse.
  27. 27. Revista Jane Austen Portugal | ARTIGOS | 27 Mas tal referência pouco ou nada acrescenta ao que aqui já foi dito. É pelos pensamentos interes- seiros de Mr. Elton, que magicava um possível relacionamento com Emma, que conhecemos um pouco mais sobre as suas vantagens patrimo- niais, digamos assim, no Capítulo XVI, Vol. I: A área de propriedade de Hartfield era irrelevante, pois mais não era do que um pequeno entalhe na propriedade de Don- well Abbey, à qual a restante Highbury pertencia. Deste trecho ficamos a perceber que em termos de vastidão de propriedade, Donwell Abbey não tinha rival em Highbury. Tal significa que Mr. Knightley era um grande proprietário na altura, tanto ou mais que Mr. Darcy em Orgulho e Pre- conceito. E é prova disso o trecho que coloco em seguida, retirado do Capítulo XII, Vol.I, a propósi- to da altura em que John Knightley vem de visita a Hughbury e Jane Austen nos congratula com a amizade entre irmãos: Enquanto rendeiro (...) tinha de lhe contar [a J. Knightley] acerca do que cada par- cela de terra iria produzir no próximo ano, e dar-lhe toda a informação possível Piquenique em Box Hill - Emma 1996 com G. Paltrow que seria do interesse do irmão, cujo lar em Donwell tinham partilhado durante muitos anos e pelo qual tinham ambos fortes ligações. O plano para uma drena- gem, a mudança de uma vedação, a que- da de uma árvore e o destino de cada acre de trigo, de nabos ou milho. Sendo vizinho de Hartfield, sabemos que visitava várias vezes Mr. e Miss Woodhouse, quase sem- pre a pé. Isso sempre me fez achar que eram propriedades muito próximas. Mas Jane Austen desvenda o mistério logo no Capítulo I do Vol. I:A primeira referência a Donwell Abbey é feita noCapítulo III, Vol. I (aviso que a tradução é feita Ele [Mr. Knightley] vivia a cerca de 1,5por mim do original): km de Highbury. Felizmente para ele [Mr. Woodhouse], Não é uma grande distância, é certo, mas indica Highbury incluia Randalls na mesma que Mr. Knightley não tinha medo de uma boa paróquia e Donwell Abbey na paróquia caminhada! O que me faz acreditar que o Mr. adjacente, propriedade de Mr. Knightley. Knightley idealizado por Jane Austen era, com os
  28. 28. 28 | ARTIGOS | Revista Jane Austen Portugal Knightley não tinha medo de uma boa caminha- próprio, com condições características, da! O que me faz acreditar que o Mr. Knightley pouco elevada e abrigada. Os seus jar- idealizado por Jane Austen era, com os seus dins amplos estendiam-se ao longo do quase quarenta anos (já pareço Marianne Dash- prado, regados por um ribeiro do qual a wood a falar!) um homem de exercício. Abadia, com todo o abandono que o tem- po produz, mal tinha um vislumbre. [A Não deixa de ser excepcional que Mr. Knightley, Abadia] Tinha muita abundância de árvo- com todas as vantagens que possuía, uma vez res em fileiras e avenidas, que nem a que era um grande proprietário, culto, de alta moda nem as extravagências haviam posição e, interessante a todos os níveis, não destruído. A casa era maior que Hartfield fosse ainda casado e a propriedade estivesse e totalmente diferente, cobria um enorme destinada ao sobrinho, Henry (de acordo com as pedaço de terreno, cheia de corredores e palavras de Emma). É então de supor que Don- recantos irregulares, tinha várias divi- well Abbey embora, não sendo assombrada, fos- sões maioritariamente confortáveis e se uma casa vazia, tendo por único ocupante um uma ou duas salas bonitas. No fundo, era homem solteiro. E nesse sentido escreve também tudo o que deveria ser, e parecia aquilo Jane Austen, depois de uma pequena quezília que era – e Emma sentiu um crescente com Emma a respeito do jogo de palavras que respeito por ela, enquanto residência de implicava Emma, Jane Fairfax e Frank Churchill: uma família de verdadeira distinção. (...) Pouco depois saiu rapidamente e foi para casa, para a frieza e solidão de Donwell Depois de passearem durante algum Abbey. tempo nos jardins (...) seguiram (...) para a deliciosa sombra de uma larga avenida Mas é no Capítulo VII do Vol. III que ficamos a de limeiras, que se estendia para além do conhecer Donwell Abbey pois Jane Austen pro- jardim, a igual distância do rio (...), não porciona-nos um delicioso rol de descrições levava a nada. A nada mais do que a uma sobre esta casa: paisagem que se podia apreciar debaixo de uma construção de pedra com altos Enquanto olhava para o tamanho e estilo pilares, cuja intenção parecia (...) dar a respeitável da casa, era adequado, sensação de chegar a uma casa que nun- ca esteve lá. (...) Era em sim um agradável passeio, e a vis- ta com que terminava era extremamente bonita. A consi- derável encosta, quase ao fun- do do terreno onde a AbadiaDonwell Abbey - Emma 1996 com K. Beckinsale estava, adquiria gradualmente uma forma de vaso (...) e, a cerca de meia milha de distân- cia estava uma rampa de con- siderável declive e grandeza, bem revestida com árvores e ao fundo desta rampa, favora- velmente localizada e abriga- da, erguia-se Abbey Mill Farm (...). Era uma deliciosa paisa- gem –
  29. 29. Revista Jane Austen Portugal | ARTIGOS | 29 deliciosa para o olhar e para o pensamento. Verdura ingle- sa, cultura inglesa, conforto inglês, visto debaixo de um Donwell Abbey - Emma 1996 com K. Beckinsale sol radioso sem se tornar opressivo. (...)Julgo que ninguém ficará indiferentea tal descrição. Penso que fiqueiigualmente arrebatada com DonwellAbbey tal como com Pemberley.Aliás, através deste artigo, começo aencontrar diversas semelhançasentre Darcy e Knightley, se bem queo último tem um sentido de humorbem mais cativante, ou talvez sejasó eu, pois sou suspeita, uma vez que tenho Algo que também sabemos é que a Abadia deKnightley em maior preferência que Darcy. Donwell é famosa pelas suas macieiras e moran- gueiros, um pouco, se bem se lembram, à seme-Assim, Dowell, uma extensa propriedade, com lhança da propriedade do Coronel Brandon,uma enorme casa, ocupada por um solitário indi- famosa pelos seus pessegueiros!viduo seria, muito embora bela e imponente, umacasa com demasiadas divisões vazias, muito ao Sabemos isto através de Miss Bates que caracte-estilo de Northanger Abbey, se bem que esta últi- riza as maçãs de Donwell :ma tinha sido alvo de algumas modernizações e As maçãs são das melhores para assarestivesse mobilada “à la mode”! (…) vieram de Donwell .O que sobressai da descrição feita por Jane Aus- Quanto aos morangueiros, percebe-se claramen-ten são, acima de tudo, os seus jardins—pois o te através do passeio feito a Donwell onde uminterior da casa devia ser bastante soturno e dos passatempos foi precisamente o de apanhardesinteressante. Mas os jardins, esses, são cati- morangos.vantes e inspiradores, propícios a todo o génerode passatempo . Donwell era famosa pelos seus moran- gueiros.A descrição feita da larga avenida rodeada deárvores as quais não tinham sido destruídas por Não sei quanto a vocês, mas eu cá não menenhum ímpeto de moda ou extravagância, importava nada de viver num sítio como Donwellfazem-me recordar do famoso passeio à casa de Abbey, embora tivesse obrigatorimente de acres-Mr. Rushworth, em Mansfield Park, onde sabe- centar mais elementos à família para preencher mais espaço e é isso que espero que Emma emos que um dos projetos será arrancar todas as Knightley tenham feito!árvores que circundam a avenida pois essa eraentão a moda do tempo. E se bem me recordo,Fanny Price fica muito surpreendida pois nãoentende como é que uma casa pode ficar maisbonita depois de destituída de tão frondosasárvores. Enfim, sabemos então que Mr. Knightleyera um homem de bom gosto e sem qualquerpretensão de “estar na moda”.

×