Apostila adm financ curto prazo

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Apostila adm financ curto prazo

  1. 1. Administração Financeira de Curto Prazo 1. A natureza das decisões financeiras 1.2. A natureza das decisões financeiras A tarefa da Administração Financeira é tomar decisões financeiras. Tais decisões podem ser divididas em dois tipos: • Decisões de captação de recursos - financiamento • Decisões de aplicação dos valores levantados - investimento Alguns autores identificam um terceiro tipo de decisão que seriam as decisões operacionais, ou aquelas relacionadas com as transações (compra e venda, pagamentos e recebimentos) do dia-a-dia da empresa. Entendemos que tais decisões nada mais são do que formas específicas de decidir onde aplicar e onde obter os recursos, daí porque optamos por considerar apenas as duas categorias gerais. Tais decisões são tomadas a fim de que seja alcançado o objetivo da função Financeira. Quando da tomada de decisões financeiras, não podem ser ignorados alguns aspectos subjacentes a essas decisões: • Retorno gerado pelos ativos e o custo dos recursos obtidos. A diferença define o resultado da empresa. • Risco: embora o conceito de risco em finanças se refira à variabilidade dos resultados esperados, ele pode ser estendido para cobrir a probabilidade da empresa se tornar insolvente, isto é, incapaz de pagar seus compromissos. O risco total de uma empresa pode ser associado às decisões financeiras tomadas pela empresa. Assim, o risco se compõe de duas parcelas: • Operacional: derivado dos ativos, da natureza da atividade, ou seja, decorre das decisões de investimento; • Financeiro: determinado pelo endividamento. O risco financeiro da empresa se encontra relacionado às suas decisões de financiamento e está associado à intensidade de utilização dos capitais de terceiros e da estrutura de capital empregada no financiamento das atividades. • A relação risco x retorno: supõe-se que as pessoas - e os gestores em particular - sejam aversos ao risco. Isso significa que somente estarão dispostos a correr maiores riscos se receberem uma recompensa adequada, na forma de um retorno maior. 1.2. Objetivo da Administração Financeira Na breve discussão acima foi afirmado que as decisões financeiras são tomadas a fim de que seja alcançado o objetivo da função Financeira. Mas qual é esse objetivo? Ou, colocado de
  2. 2. outra forma, do ponto de vista do(s) proprietário(s), o que é uma boa decisão de administração financeira? Considere os textos a seguir: Apesar da cara de garoto e do jeito tímido ao falar em público ou dar entrevistas, Edgard Nogueira, 17 anos, é hoje uma das estrelas da nova economia (como são chamados os negócios envolvendo as empresas de tecnologia da informação). Ele é o "pai" do site de busca Aonde, um dos maiores do País, com cerca de 170 mil visitações diárias e um banco de dados que abriga aproximadamente 200 mil home pages, totalmente idealizado e planejado pelo garoto quando tinha apenas 13 anos. "Geniozinho da Internet"? Nogueira garante que não. "Sou um garoto normal, que gosta de sair com os amigos, ir à praia e namorar". A diferença, segundo o próprio, é que ele acreditou na sua idéia e hoje colhe os frutos de um projeto que teve investimento inicial de R$ 150,00 e que hoje vale, segundo analistas do mercado de Internet, US$ 10 milhões. Fonte: http://www.empregos.com.br/ - Entrevistas: Minha experiência: Campus. s/data (estimativa: 2000) Uma das grandes inquietações da maioria dos empresários brasileiros bem-sucedidos diz respeito ao futuro profissional de seus filhos. A história dos negócios no país e no mundo está repleta de casos de herdeiros cuja principal ocupação foi aproveitar o que a fortuna familiar poderia comprar. Em meio a esse cenário, o paulistano Marcos de Moraes surge como um exemplo na contramão. Aos 38 anos, filho de Olacyr de Moraes, ele não se acomodou à sombra do pai. Em vez disso, transformou-se num empreendedor dos mais agitados. Com uma ajuda inicial do pai, Moraes construiu a fortuna fazendo o que todo empresário mais gosta de fazer - enfrentar desafios novos e correr riscos. O maior e melhor negócio de sua vida é aquele que o tornou famoso nacionalmente, a venda do portal Zip.Net para a Portugal Telecom, em fevereiro de 2000. Apenas para quem não se recorda dos números envolvidos na transação, Moraes auferiu com o negócio 365 milhões de dólares e uma alcunha própria. Em razão da operação, deixou de ser apenas o primogênito do eterno rei da soja e tornou-se ele próprio o rei da internet no Brasil. Fonte: EXAME 822 - 15.07.2004 - Gestão Se supusermos que as pessoas investem suas poupanças em uma sociedade porque buscam ganhos financeiros, a resposta é óbvia: boas decisões aumentam o valor de mercado da sociedade e decisões ruins o diminuem. Como o Administrador Financeiro de uma sociedade toma decisões em nome dos proprietários da empresa, segue-se que tais administradores estarão agindo de acordo com os melhores interesses dos proprietários ao tomarem decisões que aumentam o valor da empresa. Assim, o objetivo apropriado para o administrador financeiro em uma empresa pode ser enunciado como: Maximizar o valor de mercado do capital dos proprietários existentes Este objetivo não significa que o administrador financeiro deva agir de maneira ilegal ou antiética na esperança de aumentar o valor do capital próprio da empresa. O que se quer dizer é que os administradores financeiros servem melhor aos donos da empresa identificando produtos e serviços que agregam valor à empresa, porque eles são desejados e valorizados no mercado. 2
  3. 3. 2. DETERMINAÇÃO E ANÁLISE DO CAPITAL DE GIRO 2.1. Conceitos introdutórios Para a determinação e análise do capital de giro é necessário o entendimento de algumas definições básicas de operações da empresa, contabilidade e finanças. 2.1.1 Operações da Empresa Uma empresa só pode desempenhar satisfatoriamente seu papel se: - obtiver resultados suficientes para garantir as adaptações e o crescimento necessários; - buscar um equilíbrio financeiro. As operações de uma empresa podem ser enquadradas em uma das categorias abaixo: - produção e venda: diretamente relacionada à atividade cíclica da firma, determinando seu resultado; - repartição: distribuição e recebimento de rendas independentes do ciclo de produção e venda (I.R, dividendos, despesas e receitas financeiras); - investimento e desinvestimento: aquisição e venda dos ativos por meio dos quais a empresa obtém o seu produto ou presta seu serviço; - financeiras: obtenção dos meios de financiamento. Esquema do relacionamento entre as operações: Vendas Despesas Financeiras Resultado Econômico Imposto de Renda Produção Compras Dividendos Autofinanciamento Investimento Operações Financeiras Autofinanciamento = Lucro retido pela empresa (Lucro líquido - dividendos) + depreciações 3
  4. 4. Operações financeiras + Autofinanciamento = Investimento líquido + Reembolso de empréstimos de longo prazo + Variação do Capital de Giro (CDG). 2.1.2 Os Fluxos de Caixa da Empresa A figura abaixo ilustra os fluxos de caixa de uma empresa. Observe que o caixa pode ser considerado um “reservatório” de liquidez, que é aumentado pelas entradas de caixa e diminuído pelas saídas de caixa. Os fluxos de caixa podem ser classificados em fluxos operacionais (à esquerda da figura), fluxos de investimento (à direita em cima) e fluxos de financiamento. Os fluxos operacionais são os fluxos diretamente relacionados à produção e venda dos produtos e serviços da empresa. Os fluxos de investimento são os fluxos associados com a compra e venda de ativos imobilizados e participações societárias. Os fluxos de financiamento resultam de operações de empréstimo e capital próprio. O saldo de caixa ao final de um dado período é o resultado da ação combinada dos três fluxos. Os Fluxos de Caixa da Empresa Matéria Duplicatas Ativos Prima a Pagar Imobilizados Mão de Salários Obra a pagar Ativos Diferidos Produtos em Despesas Processo Indiretas Participações Societárias CAIXA Produtos Prontos Despesas Operacionais Dívidas de Curto e Vendas Longo Prazo Imposto de Patrimônio Renda Líquido Duplicatas a Receber Na consecução de seus negócios, a empresa busca sistematicamente a produção e venda de bens e serviços de maneira a produzir determinados resultados para satisfazer às expectativas de retorno de suas várias fontes de financiamento. 4
  5. 5. 2.1.3 Instrumentos para acompanhamento das operações da empresa: a Contabilidade O exercício da função financeira implica na avaliação de grande número de informações relacionadas com os fluxos de fundos. Uma fonte básica de informações para a tomada de decisões financeiras são as demonstrações financeiras. Assim, uma das preocupações fundamentais de um texto de finanças deve ser o entendimento da informação real contida nessas demonstrações. A Contabilidade é, objetivamente, um sistema de informação e avaliação destinado a prover seus usuários com demonstrações e análises de natureza econômica, financeira, física e de produtividade, com relação à entidade objeto de contabilização (IBRACON - Estrutura Conceitual Básica da Contabilidade, aprovada e referendada pela Deliberação CVM 029). Do ponto de vista dos profissionais da Contabilidade, a Contabilidade é uma ciência social que busca apreender, no sentido mais amplo possível, e entender as mutações sofridas pelo Patrimônio de uma entidade (Apêndice à Res. CFC 750/93). Patrimônio é definido como sendo o conjunto de bens, direitos e obrigações para com terceiros, pertencente a uma pessoa física, a um conjunto de pessoas, como ocorre nas sociedades informais, ou a uma sociedade ou instituição de qualquer natureza, independentemente da sua finalidade, que pode, ou não, incluir o lucro. As demonstrações financeiras tradicionais de um empreendimento consistem do balanço e da demonstração de resultado. Estas demonstrações se relacionam a partir da aplicação das partidas dobradas (registro em Ativo e Passivo), e o resultado de um período apurado na demonstração de resultado, representa a alteração no patrimônio líquido registrado no balanço relativo ao mesmo período, na ausência de aumentos de capital e distribuições aos proprietários. O balanço demonstra o patrimônio da entidade, isto é, os bens e direitos (Ativo, A) e as obrigações (Passivo, P) relacionados à entidade. Considerando-se a participação do proprietário (PL) como uma exigibilidade residual sobre os ativos da empresa, tem-se que, em um determinado período t, PLt = At - Pt o que leva à identidade encontrada no balanço, a qual assegura a igualdade (balanceamento) da demonstração: At = Pt + PLt cuja apresentação gráfica obedece a seguinte estrutura: 5
  6. 6. Passivo Ativo Patrimônio Líquido A identidade relativa ao balanço se mantém em qualquer momento, de tal maneira que: At+1 = Pt+1 + PLt+1 da qual se deduz: (At+1 - At) = (Pt+1 - Pt) + (PLt+1 - PLt) que é a base da demonstração do fluxo de fundos e, também, da demonstração de resultados. Conforme mencionado anteriormente, na inexistência de transações envolvendo o proprietário (aumento de capital ou distribuição de resultados), as alterações ocorridas em PL são conseqüência exclusiva do resultado (R) do período decorrido entre t e t+1, ou seja, o resultado do período pode ser expresso como: (PLt+1 - PLt) = (At+1 - At) - (Pt+1 - Pt) isto é, R = PLt+1 - PLt Onde: R = Resultado (lucro ou prejuízo) PLt+1 = Patrimônio Líquido no momento t + 1 PLt = Patrimônio Líquido no momento t Esta definição de resultado implica que a sua mensuração depende dos critérios usados para valorizar os ativos e os passivos em ambos os balanços (t e t + 1), bem como da homogeneidade da unidade de medida. Dessa maneira, pode-se afirmar que a valorização de ativos e passivos de um lado, e a determinação do lucro de outro, são simplesmente os dois lados da mesma moeda. Dependendo do critério de avaliação utilizado, o valor do Patrimônio Líquido será diferente. Neste caso, estamos utilizando o critério do custo baseado em valor, mas poderíamos utilizar, por exemplo, o critério do valor de mercado. Pode-se razoavelmente supor que a Contabilidade nasceu como resposta à necessidade do empresário de conhecer quantitativamente seu patrimônio e sua evolução no tempo. O gestor patrimonial, enquanto contabilizando para os seus próprios fins, tinha total independência e condição de adaptar as regras a situações específicas e de alterá-las sempre que preciso. Entretanto, a informação contábil foi sofrendo um desvio e começou a ser empregada como informação não “para” o empresário, mas sim “do” empresário “para” terceiros que estabeleciam relações com ele: fornecedores, investidores, Estado. O surgimento dos usuários externos tornou necessário que regras básicas e homogêneas fossem consistentemente 6
  7. 7. adotadas ao longo do tempo, a fim de que as demonstrações das diversas entidades pudessem ser comparadas entre si, bem como através do tempo. Tais regras, conhecidas como Princípios de Contabilidade Geralmente Aceitos (no Brasil, Princípios Fundamentais de Contabilidade, conforme Resolução CFC nº 750/93), orientam e/ou regulam os procedimentos a serem adotados na execução da Contabilidade. Os Princípios Fundamentais de Contabilidade são os seguintes: I. da ENTIDADE; II. da CONTINUIDADE; III. da OPORTUNIDADE; IV. do REGISTRO PELO VALOR ORIGINAL; V. da ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA; VI. da COMPETÊNCIA e VII. da PRUDÊNCIA. É necessária a compreensão de tais Princípios para que se possa interpretar corretamente a informação gerada pela Contabilidade através de suas demonstrações. Em virtude de seu reflexo nos procedimentos contábeis, nesse momento, serão enfatizados três desses Princípios e seus significados de acordo com a citada Resolução 750/93: - Registro pelo valor original: os ativos são incorporados pelo preço pago para adquiri-los ou fabricá-los, somados os gastos necessários para colocá-los em condições de gerar benefícios para a empresa; - Competência: as receitas e despesas devem ser reconhecidas na apuração do resultado do período a que pertencerem e de forma simultânea, quando se correlacionarem. As despesas devem ser reconhecidas independentemente do seu pagamento, e as receitas somente quando da sua realização, como por exemplo, a venda efetiva de produtos ou serviços. - Entidade: o patrimônio da entidade não se confunde com o(s) de seu(s) proprietário(s). Conforme se depreende da breve discussão anterior, é improvável que se encontre um único valor de lucro que sirva para todos os propósitos, nas condições existentes no mundo real no qual a Contabilidade deve atuar. Como conseqüência, existe a necessidade de gerar informação destinada ao público interno (administração da empresa) e informação destinada ao público externo (acionistas, investidores, credores, Estado, etc.). A primeira é, comumente, referida como Contabilidade Gerencial (gera informações para público interno), enquanto a segunda, Contabilidade Financeira (gera informações para público externo). 2.1.4 Objetivos das informações contábeis e financeiras A Contabilidade nasceu como instrumento de controle e de auxílio ao processo de decisão, para suprir as necessidades de informação do seu usuário primeiro: o responsável pela gestão patrimonial, em geral, o proprietário do patrimônio. Desta maneira, pode-se supor que os objetivos das informações contábeis e financeiras são os seguintes: • Permitir a apuração do resultado das atividades empresariais • Subsidiar o processo de planejamento e controle das atividades/operações, através do: • Estabelecimento de padrões e orçamentos 7
  8. 8. • Controle orçamentário • Análise de desvios • Fornecer informações para a tomada de decisões não rotineiras Estrutura do Balanço Patrimonial segundo a prática brasileira (Resolução CFC 686/99 e alterações)1: + + Ativo Circulante Passivo Circulante Capital Circulante Líquido Passivo Exigível a LP Ativo Realizável a LP Patrimônio Líquido Ativo Permanente Capital Social Investimentos Reservas de Capital Imobilizado Res . de Reavaliação Diferido Reservas de Lucros - Lucros Acumulados - 2.2 Análise financeira básica A fim de se ter uma visão global da empresa, sua evolução, a estrutura de financiamento e política de investimento pode-se aplicar a análise horizontal/vertical às suas demonstrações. Tal análise permite avaliar como a empresa está evoluindo - análise horizontal - e como estão distribuídos os seus investimentos, assim como suas fontes de financiamento - análise vertical. Ressalta-se que, como toda análise, ela não fornece respostas sobre a situação econômico-financeira da empresa; antes, indica quais as perguntas que deverão ser formuladas. Além disso, deve ser feita em conjunto com outras ferramentas, as quais serão apresentadas no decorrer desta apostila. 2.2.1 Análise Horizontal/Vertical Para fins didáticos, cada parte da análise será apresentada separadamente, conforme segue: 1 Em 03/10/05 a CVM emitiu a Deliberação n. 488, a qual aprova e torna obrigatório, para as companhias abertas, o Pronunciamento NPC 27 “Demonstrações Contábeis – Apresentação e Divulgações” emitido pelo IBRACON - Instituto dos Auditores Independentes do Brasil - que estabelece uma apresentação diferente da prevista pela Resolução CFC 686/99. 8
  9. 9. Análise Horizontal: é a comparação entre os valores de uma conta ou grupo de contas, em diferentes exercícios sociais. É uma análise de evolução temporal desenvolvida por meio de números índices, apurados de acordo com a seguinte expressão: V Indice = d x100 Vb Onde Vd é o valor da conta (ou grupo) em determinada data e Vb é o seu valor obtido na data- base A análise horizontal pode ser feita através do cálculo das variações em relação ao um ano- base (análise encadeada), ou em relação ao ano anterior (análise anual), embora a análise encadeada seja a mais recomendada. Ilustração: 19x5 19x6 19x7 19x8 $mil AH $mil AH $mil AH $mil AH Vendas 1.049 100 1.004 1.030 1.139 Lucro 32 100 24 49 54 Situações especiais: Quando for efetuada a análise anual, alguns cuidados devem ser tomados a fim de evitar possíveis confusões na interpretação das variações. Considere a situação a seguir: 19x5 19x6 19x7 19x8 $mil AH $mil AH $mil AH $mil AH Vendas 1.049 100 787 983 1.050 Conforme se percebe, existe uma variação negativa de 25% do primeiro para o segundo ano em análise; do segundo para o terceiro ano, ocorre uma variação positiva de 25%. Chama-se a atenção para o fato de que, pela base usada em cada ano ser diferente, as variações de 25% não se compensam. Isso fica evidente quando se faz a análise encadeada, visto que as vendas do terceiro ano ainda se encontram em um patamar inferior ao primeiro ano da série. Outra situação que requer algum cuidado na interpretação ocorre com as contas de resultado (lucro ou prejuízo). Considere a situação a seguir: 19x5 19x6 19x7 19x8 $mil AH $mil AH $mil AH $mil AH Lucro 32 100 (16) 0 16 Como você interpretaria tais índices? 9
  10. 10. 2.2 Análise Vertical: é também um processo comparativo, expresso em porcentagem, que se aplica ao relacionar uma conta ou grupo de contas com um valor afim ou relacionável, identificado na mesma demonstração. Exemplo: 19x1 19x2 $ AV% $ AV% Ativo Circulante 185.000 215.000 Realizável a LP 5.000 10.000 Permanente 360.000 435.000 TOTAL 550.000 100,0 660.000 100,0 Passivo Circulante 70.000 120.000 Exigível a LP 120.000 100.000 Patrimônio Líquido 360.000 440.000 Na análise vertical da Demonstração do Resultado atribui-se 100% à Receita Operacional Líquida. Na Demonstração das Origens e Aplicações, considera-se 100% o total das Origens. Considerando as demonstrações a seguir, proceda a uma análise horizontal/vertical da empresa, apontando as contas que demandam maior atenção do analista: Balanços encerrados em 31 de março 1992 AH AV 1993 AH AV 1994 AH AV Caixa 22.000 100 14.000 12.000 Clientes 90.000 100 100.000 130.000 Estoques 105.000 100 180.000 300.000 Total Circulante 217.000 100 294.000 442.000 Terrenos e prédios 24.000 100 40.000 70.000 Máquinas 54.000 100 59.000 77.000 Outros ativos 1.500 100 800 100 Total Permanente 79.500 100 99.800 147.100 Total do Ativo 296.500 100 100 393.800 100 589.100 100 Fornecedores 60.000 100 90.000 185.000 Empréstimos - 39.000 100 98.000 Provisões 18.000 100 22.300 31.600 Total Circulante 78.000 100 151.300 314.600 Financiamento 17.000 100 16.000 15.000 Capital social 75.000 100 75.000 75.000 Reserva de capital 60.000 100 60.000 60.000 Lucros acumulados 66.500 100 91.500 124.500 Total Patrimônio Líquido 201.500 100 226.500 259.500 Total do Passivo 296.500 100 100 393.800 100 589.100 100 10
  11. 11. Demonstrações de resultados - exercícios encerrados em 31 de março 1992 AH AV 1993 AH AV 1994 AH AV Vendas Líquidas 975.000 100 100 1.013.000 1.020.000 Custo do Produto Vendido 794.000 100 815.000 824.000 Lucro Bruto 181.000 100 198.000 197.000 Despesas: Gerais e de vendas 75.000 100 80.000 83.000 Depreciações 8.000 100 9.000 13.000 Financeiras 8.000 100 8.000 9.000 Outras 15.000 100 20.000 24.000 Lucro antes do IR 75.000 100 81.000 67.000 Imposto de Renda 37.500 100 40.500 33.500 Lucro Líquido 37.500 100 40.500 33.500 Obs.: Esta demonstração não está de acordo com a legislação brasileira, servindo apenas para ilustração dos procedimentos de análise. 11
  12. 12. 2.3 OS CICLOS DA EMPRESA De maneira geral, pode-se representar a atividade produtiva de uma empresa de forma linear. Essa atividade se inicia pela aquisição de matérias-primas e se conclui na venda do produto ou serviço feito com aquelas matérias-primas. Este período, na qual a matéria-prima é transformada em um produto ou serviço e vendido, é chamado de ciclo econômico e pode ser determinado através do Prazo de Estocagem praticado pela empresa. Ocorre que os pagamentos e recebimentos relacionados a essa atividade raramente acontecem nos momentos de compra e venda. Surge, então, um outro ciclo referente à efetiva movimentação de recursos na empresa, o qual se denomina ciclo financeiro ou ciclo de caixa. Este ciclo mede o período no qual a empresa necessita obter financiamento para a sua atividade operacional. Pode ser definido como sendo o Prazo de Estocagem (ciclo econômico) mais o Prazo de Cobrança (ou Recebimento) concedido aos clientes, deduzido do Prazo de Pagamento recebido dos diversos fornecedores da empresa. Por fim, o período que engloba os dois ciclos, isto é, do momento da aquisição da matéria-prima até o recebimento pela venda do produto final é definido como o ciclo operacional da empresa. A figura abaixo apresenta a relação entre os três ciclos. Compra de Recebimento Matéria Prima Venda CICLO OPERACIONAL Venda Prazo Médio de Estoques Prazo Médio de Cobrança Prazo Médio de Pagamento Pagamento de Duplicatas CICLO FINACEIRO CICLO ECONÔMICO Exemplo para ilustração e reflexão O Sr. Sujeito Engenhoso, competente engenheiro, descobriu um novo processo para produzir parafusetas, produto com mercado em franca expansão. Em vista disso, no final do ano 0, ele decidiu montar uma empresa - a Cia. Industrial de Parafusetas (CIP) - destinada à fabricação de parafusetas. Estudos preliminares demonstram ser possível vender em torno de 1.000 unidades por mês. O preço da matéria-prima usada na fabricação de parafusetas (cada unidade de produto consome uma unidade de matéria-prima) é de $ 50/unidade, sendo que a mão-de- obra direta necessária para tal volume de produção custa $ 30.000. Além desses custos, a empresa incorre em $ 10.000 por mês, referentes aos salários administrativos, honorários do diretor e demais despesas administrativas. O preço de venda é de $ 100/unidade. A fim de 12
  13. 13. atingir as vendas previstas a empresa deverá oferecer aos seus clientes um prazo de pagamento de 60 dias, recebendo de seu fornecedor um prazo de 30 dias para o pagamento das compras (as compras de matérias-primas são feitas no mês anterior à produção e venda). As demais despesas são pagas à vista. O equipamento necessário para fabricar a quantidade de produto prevista custa $ 350.000. Qual o montante de recursos que o Sr. Engenhoso necessitará para iniciar a CIP e “tocar” o negócio? Qual o resultado projetado para os três primeiros meses do ano? Suponha que seja dezembro do ano 0 e que o Sr. Engenhoso pretenda iniciar as vendas no início do ano 1. Fluxo de Caixa Projetado Inicial Janeiro Fevereiro Março Ingressos - vendas - outros Desembolsos - matéria-prima - mão-de-obra - administrativas - outros Saldo período Saldo anterior Saldo atual Para o prosseguimento do exercício considere que o Sr. Engenhoso possui os recursos estimados acima e fará um aporte na empresa: Balanço Projetado Inicial Janeiro Fevereiro Março Disponível Clientes Estoques Equipamento Total do Ativo Fornecedores P.L. - Capital Social - Lucro acumulado Total do Passivo Demonstração do Resultado Projetado Janeiro Fevereiro Março Receita de vendas Custos e despesas - Matéria-prima - Mão-de-obra - Administrativa Resultado do mês 13
  14. 14. 2.4 GESTÃO DO CAPITAL DE GIRO O objetivo primordial da gestão do capital de giro é a sustentação da atividade operacional da empresa e a manutenção da liquidez. O conceito de Capital de Giro, porém, costuma apresentar diferentes interpretações, que são aplicadas segundo os critérios e a natureza do estudo desenvolvido. No entanto, qualquer que seja a definição adotada, o conceito de capital de giro (ou capital circulante) identifica os recursos que giram (ou circulam) várias vezes em determinado período. Ou seja, corresponde a uma parcela de capital aplicada pela empresa em seu ciclo operacional, a qual assume diferentes formas ao longo de seu processo produtivo e de venda. Uma abordagem tradicional considera o Capital de Giro o valor total dos recursos demandados pela empresa, para financiar seu ciclo operacional, o qual engloba as necessidades circulantes identificadas desde a aquisição de matérias-primas até a venda e o recebimento dos produtos elaborados. Dessa forma, corresponderia ao valor do ativo circulante de uma empresa. Outra abordagem considera o valor líquido das aplicações (isto é, deduzidas as dívidas de curto prazo) processadas no ativo circulante da empresa, ou seja: Capital Circulante Líquido (CCL) = Ativo Circulante - Passivo Circulante Conforme a estrutura do balanço patrimonial usada no Brasil tem-se: Ativo Circulante Passivo Circulante Capital Circulante Líquido Passivo Exigível a LP Ativo Realizável a LP Patrimônio Líquido Ativo Permanente Entretanto, conforme pode ser percebido na figura acima, o Capital Circulante Líquido também representa a parcela do financiamento total de longo prazo que excede as aplicações de longo prazo. Assim, a fim de se efetuar uma análise mais rigorosa da gestão do capital de giro de uma empresa, será utilizada uma outra classificação das aplicações e fontes de recursos da empresa. Para tanto, será adotada uma nova classificação das contas do Balanço Patrimonial, de acordo com seu comportamento/relação com o ciclo operacional da empresa a qual é apresentada na Figura que se segue. 14
  15. 15. ATIVO CIRCULANTE FINANCEIRO PASSIVO CIRCULANTE FINANCEIRO Disponibilidades Empréstimos e Financiamentos Caixa Depósitos bancários à vista PASSIVO CIRCULANTE OPERACIONAL Aplicações de liquidez imediata Fornecedores ATIVO CIRCULANTE OPERACIONAL Impostos a Recolher (*) Clientes Salários a Pagar Estoques PASSIVO PERMANENTE ATIVO PERMANENTE Itens classificados no Passivo Exigível a Itens classificados no Ativo Realizável a Longo Prazo e no Patrimônio Líquido da Longo Prazo e Ativo Permanente da demonstração legal demonstração legal (*) Os impostos aqui incluídos são aqueles calculados sobre o faturamento (vendas) da empresa. O imposto de renda, em princípio, não está incluído pois é calculado sobre o resultado da empresa. É importante notar que como esta classificação não é uma classificação legal (isto é, com base em uma lei), as denominações aqui adotadas não têm caráter universal. Assim, é comum se encontrar as seguintes denominações: Ativo (Passivo) Circulante Financeiro => Ativo (Passivo) Errático Ativo (Passivo) Circulante Operacional => Ativo (Passivo) Cíclico Necessidade de Capital de Giro => Necessidade de Investimento em Giro Tesouraria => Saldo de Disponível A partir desta nova distribuição, pode-se definir algumas grandezas importantes para a análise da gestão financeira da empresa. A primeira grandeza é: Necessidade de Capital de Giro (NCG) = Ativo circulante operacional - Passivo circulante operacional Ativo Passivo operacional operacional NCG 15
  16. 16. Quando as saídas de caixa ocorrem antes das entradas, a operação da empresa cria uma necessidade de aplicação permanente de fundos (mobilização de recursos), que se evidencia por uma diferença positiva entre o valor das contas operacionais ou cíclicas de ativo e de passivo. Apresenta como características: - as contas cíclicas são contas ligadas às operações da empresa; - é sensível a modificações que ocorrem no ambiente em que opera. Depende da natureza do negócio (que determina o Ciclo Financeiro) e do nível de atividade; - pode ser negativa, quando as entradas ocorrem antes que as saídas. Neste caso, o passivo circulante operacional constitui-se em fonte de fundos; - se a empresa suspender as operações (parcial ou total), a NCG, que se constituía uma aplicação, torna-se uma fonte de fundos. Assim, pode-se definir a Necessidade de Capital de Giro como sendo os recursos necessários a um determinado ciclo financeiro e volume de atividades. Preencha o quadro a seguir, determinando o efeito esperado sobre a NCG como conseqüência dos seguintes eventos: EVENTO EFEITO Aumento do volume das vendas Aumento no prazo concedido aos clientes Aumento no prazo recebido dos fornecedores Aumento no giro do estoque Capital de Giro (CDG) = Passivo permanente - Ativo permanente CDG Ativo Passivo permanente permanente Pode ser definido como a parcela de recursos de longo prazo aplicada no ciclo operacional, caracteristicamente de curto prazo, o qual assume diferentes formas ao longo de seu processo produtivo e de vendas. Tem as seguintes características: - apresenta o mesmo valor do CCL clássico (Ativo circulante - Passivo circulante) - ver esquema do Balanço Patrimonial acima. Neste, o CCL é uma aplicação de fundos; o CDG é uma fonte de fundos permanente, usada para financiar a NCG; - apresenta-se razoavelmente estável ao longo do tempo; - pode ser negativo. Embora isto aumente seu risco, a empresa pode se desenvolver desde que sua NCG seja, também, negativa. 16
  17. 17. Tendo em vista a definição acima, relacione abaixo os fatores que afetam o Capital de Giro de uma empresa: a) Fatores que afetam POSITIVAMENTE o CDG: - - - - b) Fatores que afetam NEGATIVAMENTE o CDG - - - - - - Conforme se pode perceber, as variações do CDG são explicitadas através da Demonstração das Origens e Aplicações de Recursos, conforme modelo abaixo. ORIGENS: Lucro líquido do exercício, ajustado pelas despesas e receitas que não afetam o Capital Circulante Líquido2 Aumento de capital Contribuições para reservas de capital Recursos de terceiros provenientes de: Aumento no exigível a longo prazo Redução no realizável a longo prazo Alienação de ativo permanente APLICAÇÕES Dividendos/Distribuição de lucros Aquisição de imobilizado Aquisição de investimentos e diferido Aumento no realizável a longo prazo Redução no exigível a longo prazo VARIAÇÃO DO CAPITAL CIRCULANTE LÍQUIDO 2 Contas que não representam movimentos de caixa e que não afetam o Ativo Circulante e o Passivo Circulante. 17
  18. 18. Ativo Circulante inicial Ativo Circulante final Variação Ativo Circulante Passivo Circulante inicial Passivo Circulante final Variação Passivo Circulante CCL inicial CCL final Variação no CCL Tesouraria (T) = Ativo circulante financeiro - Passivo circulante financeiro ou, CDG - NCG Ativo financeiro Passivo financeiro T É a diferença entre CDG e NCG. Sempre que CDG > NCG o saldo de Tesouraria será positivo (T>0). Por outro lado, T<0, indica que a empresa financia parte da NCG e/ou Ativo permanente com recursos de curto prazo, aumentando o risco de insolvência. Isto não quer dizer que um T elevado seja necessariamente condição desejável: pode indicar falta de uma estratégia de investimentos. Elementos para a análise da situação de Tesouraria podem ser obtidos da Demonstração do Fluxo de Caixa cujo modelo no Anexo. • Uma conseqüência desta linha de raciocínio é que o saldo de Tesouraria reflete decisões estratégicas (conseqüência do dimensionamento do CDG) e as oscilações da parte variável da NCG (sazonalidades). Dessa maneira, pode-se perceber que a situação financeira de uma empresa em determinado momento (refletida no saldo de Tesouraria) é conseqüência da maior ou menor habilidade e/ou capacidade da administração da empresa em prover financiamento adequado para os investimentos de longo prazo e para as suas operações. Essa constatação permite concluir que, de maneira geral, problemas crônicos de liquidez estão associados a deficiências na estrutura de financiamento da empresa, não podendo ser sanados com captações de curto prazo, ao contrário do que leva a crer a análise clássica de liquidez. Maiores considerações a respeito do financiamento das necessidades de recursos de uma empresa são feitas mais adiante. Assim, a gestão de T deve se apoiar em previsões de fluxo de caixa que antecipem a necessidade de captações ou aplicações de excedentes. 18
  19. 19. Abaixo são apresentadas algumas possíveis estruturas patrimoniais. Com base nos conceitos apresentados acima faça um breve comentário sobre a situação financeira representada: Estrutura 1 Estrutura 2 A. C. F. = 20 P. C. F. = 30 A. C. F. = 30 P. C. F. = 20 P. C. O. = 30 P. C. O. = 30 A. C. O. = 50 A. C. O. = 40 A. P. = 30 P. P. = 40 A. P. = 30 P. P. = 50 Estrutura 3 Estrutura 4 A. C. F. = 30 P. C. F. = 20 A. C. F. = 20 P. C. F. = 30 P. C. O. = 50 A. C. O. = 30 A. C. O. = 30 P. C. O. = 40 P. P. = 30 A. P. = 50 P. P. = 30 A. P. = 40 Estrutura 5 Estrutura 6 A. C. F. = 40 P. C. F. = 20 A. C. F. = 10 P. C. F. = 30 P. C. O. =40 A. C. O. = 50 A. C. O. = 30 P. C. O. = 40 A. P. = 40 P. P. = 30 A. P. = 30 P. P. = 40 19
  20. 20. Classifique as estruturas apresentadas em função do risco percebido (ordenar do maior para o menor risco). Lembre-se de que consideramos risco a probabilidade da empresa se tornar insolvente: Empresa CDG NCG T Situação 20
  21. 21. ANÁLISE DE CASOS Avalie a evolução das medidas financeiras nos gráficos a seguir. Considere a evolução das vendas e seu reflexo na NCG, a evolução do CDG e, por fim, a evolução do Saldo de Tesouraria. Em uma primeira abordagem, considere que as variações do CDG são causadas apenas pelo resultado obtido; posteriormente considere outras alternativas: C ASO 1 3000 2500 Vendas 2000 CDG 1500 T NCG 1000 500 0 t1 t2 t3 t4 ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ CASO 2 3000 2500 Ve ndas 2000 NC G 1500 1000 T 500 CD G 0 t1 t2 t3 t4 ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ 21
  22. 22. CASO 3 3000 Vendas 2500 2000 1500 1000 NC G 500 T 0 t1 t2 t3 t4 CDG -500 ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ C A SO 4 3000 Vendas 2500 2000 1500 1000 CD G 500 T 0 t1 t2 t3 t4 NC G -500 ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ 22
  23. 23. 2.5 AVALIAÇÃO DA GESTÃO FINANCEIRA Considerando a formulação usada para expressar os ciclos da empresa, percebe-se a importância da determinação dos diversos prazos praticados: Ciclo Operacional: CO = PMR + PME Onde: PMR= prazo médio de recebimento e PME= prazo médio de estoques e Ciclo Financeiro: CF = CO - PMP Onde: PMP= prazo médio de pagamentos Os diferentes prazos praticados por uma empresa podem ser estimados através dos índices de prazo médio ou de rotação. 2.5.1 Índices de Rotação: São utilizados para uma melhor interpretação da liquidez e da rentabilidade da empresa à medida que servem de indicadores dos prazos médios de rotação dos estoques, recebimento de vendas e pagamento das compras. Portanto, estes prazos constituem-se no alicerce básico para determinação do ciclo financeiro. Prazo médio de rotação dos estoques: PME = (EST / CMV) x P Onde: EST = estoque; CMV = custo da mercadoria (ou produto vendido); P = período considerado (nº de dias ou meses). Prazo médio de recebimento das vendas: PMR = [Clientes / (VL + IMP)] x P Onde: VL = vendas líquidas; IMP = impostos sobre as vendas; P = período considerado. Prazo médio de pagamento das compras: PMP = (FORN / C) x P Onde: FORN = fornecedores; C = compras; P = período considerado É importante observar, nas formulações acima, a coerência entre os denominadores e os períodos considerados. Em geral, análises externas são efetuadas a partir de demonstrações anuais. Desta maneira, os denominadores referem-se a valores (de vendas, de custo, de compras) anuais devendo-se utilizar, então o período “ano”, 360 ou 12, conforme se deseje o prazo em número de dias ou de meses, respectivamente. Na hipótese de serem utilizadas demonstrações intermediárias - semestrais ou trimestrais, por exemplo -, o período considerado será 180 ou 90, respectivamente. 23
  24. 24. Os prazos médios podem ser convertidos em “Giro”, dividindo-se o período considerado (360 dias ou 12 meses) pelo prazo médio. Ilustração: Calcule o montante de duplicatas a receber em atraso, de uma empresa com um total de duplicatas de R$ 4.000 e vendas totais de R$ 36.000 no ano distribuídas da seguinte forma: 20% das Vendas em 30 dias 40% das Vendas em 60 dias 40% das vendas à vista É importante notar que as fórmulas apresentadas partem da premissa de que as atividades da empresa se desenvolvem de maneira uniforme ao longo do ano. Caso essa premissa não possa ser usada pelo fato da atividade apresentar fortes oscilações (sazonalidades), outras técnicas de análise terão que ser empregadas. Ilustrações: a. Qual o PMR de uma empresa que tenha vendas anuais de $72.000, apresentando um saldo de $ 44.000 de duplicatas a receber? Suponha, então, que a empresa tenha vendido $ 8.000 em novembro e $ 36.000 em dezembro. b. Qual o PMR de uma empresa com o mesmo volume de vendas ($ 72.000) mas com um saldo de $ 2.500 de duplicatas a receber? Suponha, então, que a empresa tenha vendido $ 1.500 em novembro e $ 1.000 em dezembro. Observação muito importante: A formulação apresentada para o prazo médio de estocagem, na realidade está simplificada. Tal fórmula é aplicável apenas para empresas comerciais. No caso de empresas industriais deve-se levar em conta que a empresa industrial adiciona valor às matérias-primas adquiridas ao transformá-las em produtos, conforme o esquema a seguir: 1°estágio 2°estágio 3°estágio matéria- prima e Custo de Estoque de materiais Estoque de Produção Estoque de Compras matérias- produtos em produtos C.P.V. primas elaboração Acabada acabados aplicados à produção Os elementos envolvidos na movimentação de estoques de uma indústria começam com as entradas de matérias-primas e outros materiais utilizados na produção, que devem ser contabilizados pelo valor das compras líquidas dos impostos. 24
  25. 25. O consumo das matérias-primas e dos materiais corresponde às saídas nesse 1° estágio, valorizadas pelo preço médio. Consumo de = Est. inicial + Compras - Est. final matérias-primas mat. primas mat. primas mat. primas O Custo de Produção no Período é igual à soma do consumo de matérias-primas, mão de obra direta e os custos indiretos de fabricação. Custo de Produção = consumo de mat-primas + depreciação + mão de obra + manutenção + seguros + energia + outros O Custo de Produção Acabada é então transferida para o estoque de produtos acabados. As saídas, nesse 3° estágio, correspondem ao C.P.V., sendo: Custo de Produção = Est. inicial + Custo de Produção - Estoque final Acabada prod. em elabor. prod. em elabor. e C.P.V. = Estoque inicial + Custo de produção - Estoque final prod. acabados Acabada prod. acabados Um dos problemas do dia à dia das empresas industriais consiste na harmonização entre as vendas e a produção. Estoques excessivos de produtos obsoletos ou de lenta rotação podem elevar substancialmente o fator risco. A falta de estoques também pode gerar problemas como o não-cumprimento de prazos de entrega junto aos clientes. 2.5.2 Avaliação do Ciclo Financeiro (ou demonstrando a relação entre NCG e a atividade) O Ciclo Financeiro, conforme descrito anteriormente (CF = PME + PMR - PMP), não é rigorosamente correto, tendo em vista que em cada segmento do ciclo a empresa apresenta valores de necessidades de financiamento (Ciclo Operacional) e de financiamentos (PMP) diferenciados. Assim, durante o Prazo Médio de Estoques a empresa inicialmente necessita financiar o valor da matéria-prima adquirida. Durante a fase de produção, os custos incorridos ao longo do processo produtivo (mão-de-obra e gastos indiretos de fabricação) também precisam ser financiados, além da própria matéria-prima. Por fim, com o produto pronto, todos os custos incorridos na produção precisam ser financiados. A partir da venda do produto até o recebimento (PMR), a empresa necessita financiar o custo do produto, os tributos incidentes sobre a venda, além do próprio lucro. O financiamento proveniente do passivo circulante operacional, entretanto, é fixo, não incorporando os acréscimos verificados nas várias fases operacionais. 25
  26. 26. Assim, para uma análise mais rigorosa, é necessário proceder alguns ajustes nos prazos do ciclo financeiro, relacionando-os mais diretamente com as vendas de forma a se apurar um valor mais preciso para a necessidade de capital de giro. Acompanhe a demonstração a seguir: NCG = Ativo circulante operacional - Passivo circulante operacional ou NCG = Estoques + Clientes - Contas a pagar, dividindo-se ambos os lados por vendas, tem-se: NCG = Estoques + Clientes - Contas a pagar Vendas Vendas Vendas Vendas . multiplicando-se ambos os lados por 360. tem-se: NCG x 360 = Estoques x 360 + Clientes x 360 - Contas a pagar x 360 Vendas Vendas Vendas Vendas . finalmente, introduzindo-se dois termos que não afetam a igualdade acima: NCG x 360 = Estoques x 360 x CPV + Clientes x 360 - Contas a pagar x 360 x Compras Vendas CPV Vendas Vendas Compras Vendas conforme visto anteriormente: PME PMR PMP logo: NCG x 360 = PME x CPV + PMR - PMP x Compras Vendas Vendas Vendas De onde se conclui que a NCG depende do ciclo financeiro (PME + PMR - PMP) e do nível de atividade (vendas) da empresa. A relação acima demonstrada pode ser denominada de Ciclo Financeiro Equivalente a qual não representa uma grandeza definida. Esta relação, além de permitir uma avaliação mais precisa do Ciclo Financeiro de uma empresa, pode ser usada para se efetuar o Dimensionamento da Necessidade de Capital de Giro (por conseqüência, a necessidade de financiamento que a empresa irá apresentar, dadas as vendas projetadas e os prazos praticados), conforme se verificará mais adiante. Observação: na demonstração acima foi usado o multiplicador 360, pois partiu-se da premissa que os prazos estão sendo informados em nº de dias. Ressalta-se que a informação relevante é a relação NCG/Vendas. Importante notar que o modelo permite que sejam agregados outros elementos do Passivo circulante operacional, tais como Impostos a Recolher e Salários a Pagar, bastando que sejam relacionados ao volume de vendas da empresa. Considerando as demonstrações a seguir, proceda a uma análise do ciclo financeiro da empresa: 26
  27. 27. Balanços encerrados em 31 de março 1992 1993 1994 Caixa 22.000 14.000 12.000 Clientes 90.000 100.000 130.000 Estoques 105.000 180.000 300.000 Total Circulante 217.000 294.000 442.000 Terrenos e prédios 24.000 40.000 70.000 Máquinas 54.000 59.000 77.000 Outros ativos 1.500 800 100 Total Permanente 79.500 99.800 147.100 Total do Ativo 296.500 393.800 589.100 Fornecedores 60.000 90.000 185.000 Empréstimos - 39.000 98.000 Provisões 18.000 22.300 31.600 Total Circulante 78.000 151.300 314.600 Financiamento 17.000 16.000 15.000 Capital social 75.000 75.000 75.000 Reserva de capital 60.000 60.000 60.000 Lucros acumulados 66.500 91.500 124.500 Total Patrimônio Líquido 201.500 226.500 259.500 Total do Passivo 296.500 393.800 589.100 Demonstrações de resultados - exercícios encerrados em 31 de março 1992 1993 1994 Vendas (impostos incluídos) 975.000 1.013.000 1.020.000 Custo do Produto Vendido 794.000 815.000 824.000 Lucro Bruto 181.000 198.000 197.000 Despesas: Gerais e de vendas 75.000 80.000 83.000 Depreciações 8.000 9.000 13.000 Financeiras 8.000 8.000 9.000 Outras 15.000 20.000 24.000 Lucro antes do IR 75.000 81.000 67.000 Imposto de Renda 37.500 40.500 33.500 Lucro Líquido 37.500 40.500 33.500 1992 1993 1994 PMR PME PMP CDG NCG T CFEq 27
  28. 28. 2.5.3 Índices de Liquidez: Os índices desse grupo mostram a base da situação financeira da empresa. Ao contrário do que algumas vezes é afirmado, tais índices não são capazes de medir a capacidade de pagamentos da empresa porque não são extraídos do fluxo de caixa. São índices que, a partir do confronto dos ativos circulantes com as dívidas, procuram medir quão sólida é a base financeira da empresa. Uma empresa com bons índices de liquidez tem condições de ter boa capacidade de pagar suas dívidas, mas não estará, obrigatoriamente, pagando suas dívidas em dia em função de outras variáveis como prazo, renovação de dívidas, entre outros. Liquidez corrente: LC = AC / PC Onde: AC = ativo circulante; PC = passivo circulante. Liquidez seca: LS = (DISP + AF + DRL) / PC Onde: DISP = disponibilidades; AF = aplicações financeiras; DRL = duplicatas a receber (líquidas da provisão para devedores duvidosos); PC = passivo circulante. Alternativamente, também é usada a fórmula: LS = (AC - Estoques)/PC Exemplo para ilustração: Os valores do ativo circulante, estoques e passivo circulante, referentes aos exercícios sociais de uma empresa, são apresentados a seguir: x1 x2 x3 x4 Ativo Circulante 22.000 28.000 30.000 34.000 Estoques 13.000 20.000 23.000 27.000 Passivo Circulante 21.000 25.500 26.600 29.300 Pede-se: a. Determinar o índice de liquidez corrente e seca para cada um dos períodos. b. Através de uma comparação temporal desses indicadores, avaliar a posição de liquidez a curto prazo da empresa. c. Se fossem fornecidos os seguintes índices setoriais, como você completaria a avaliação da liquidez da empresa? x1 x2 x3 x4 Liquidez Corrente 1,18 1,14 1,19 1,22 Liquidez Seca 0,84 0,76 0,89 0,90 28
  29. 29. Exemplo para discussão: Liquidez x Fluxo de Caixa Uma empresa apresenta os seguintes valores de Ativo e Passivo Circulantes: Ativo Circulante Passivo Circulante Disponível 100 Contas a pagar 1.000 Clientes 900 Estoques 500 1.500 1.000 A empresa se encontra com sua situação financeira estável (isto é, seu fluxo de caixa se encontra equilibrado) e mantém o saldo de $ 100 em disponibilidade para fazer frente a eventuais problemas. O índice de Liquidez Corrente é de 1,5. Sabe-se que os prazos da empresa são os seguintes: Prazo médio de recebimento: 90 dias Prazo médio de pagamento: 100 dias Prazo médio de estocagem: 100 dias Pergunta-se: pressionada por condições de mercado, a empresa passou a conceder um prazo de 120 dias para seus clientes, sem que o volume de vendas se altere. Quais os efeitos que tal modificação terá sobre a liquidez da empresa e seu fluxo de caixa? O fato de se afirmar que os índices de liquidez não medem a capacidade de pagamento de uma empresa não permite concluir que tais índices - especialmente a Liquidez Corrente - nada tenham a ver com a situação financeira da empresa. Talvez a importância da análise da liquidez fique mais clara com o cálculo do inverso da Liquidez Corrente. Ao compararmos o Passivo Circulante com o Ativo Circulante, obtém-se uma medida do quanto as operações da empresa dependem de financiamento de curto prazo, demonstrando, por outro lado, o grau de liberdade da empresa a esses créditos. Se por quaisquer problemas (conjunturais, de mercado, produto, legislação) os créditos do Passivo Circulante vierem a flutuar, quanto menor a dependência da empresa em relação aos seus credores de curto prazo, maior a sua capacidade de enfrentar crises e dificuldades inesperadas. Com base nos balanços a seguir, avalie a situação de liquidez da empresa: Balanços encerrados em 31 de março 1992 1993 1994 Caixa 22.000 14.000 12.000 Clientes 90.000 100.000 130.000 Estoques 105.000 180.000 300.000 Total Circulante 217.000 294.000 442.000 Terrenos e prédios 24.000 40.000 70.000 Máquinas 54.000 59.000 77.000 Outros ativos 1.500 800 100 Total Permanente 79.500 99.800 147.100 Total do Ativo 296.500 393.800 589.100 29
  30. 30. Fornecedores 60.000 90.000 185.000 Empréstimos - 39.000 98.000 Provisões 18.000 22.300 31.600 Total Circulante 78.000 151.300 314.600 Financiamento 17.000 16.000 15.000 Capital social 75.000 75.000 75.000 Reserva de capital 60.000 60.000 60.000 Lucros acumulados 66.500 91.500 124.500 Total Patrimônio Líquido 201.500 226.500 259.500 Total do Passivo 296.500 393.800 589.100 1992 1993 1994 Liquidez corrente Liquidez seca Inverso da LC Financiamento do Ativo Circulante $ % $ % $ % CDG (CCL) - CCP (PL-AP) - PELP Passivo Circulante - Fornecedores - Provisões - Empréstimos 2.6 ANÁLISE DA DEMONSTRAÇÃO DO FLUXO DE CAIXA (DFC) A Demonstração do Fluxo de Caixa, apesar de ser uma das demonstrações mais úteis, ainda não tem sua divulgação obrigatória pelas empresas. Como tal, sua abordagem é quase sempre esquecida nas obras de Análise de Balanços. Em geral, os problemas de insolvência ou iliquidez ocorrem por falta de adequada administração do fluxo de caixa, daí a importância de sua análise. Através de sua análise pode-se saber, dentre outras informações, se a empresa foi auto-suficiente no financiamento de seu giro e qual sua capacidade de expansão com recursos próprios gerados pelas operações. Assim, os principais objetivos da DFC são: - avaliar as alternativas de investimentos; - avaliar e controlar ao longo do tempo, as decisões importantes que são tomadas na empresa; - avaliar as situações presente e futura do caixa da empresa, posicionando-a para que não chegue a situações de iliquidez; - certificar que os excessos momentâneos de caixa estão sendo devidamente aplicados. As principais informações extraídas dessa demonstração referem-se à capacidade financeira da empresa de: - autofinanciamento das operações (compra, produção e vendas); 30
  31. 31. - independência do sistema bancário de curto prazo; - gerar recursos para manter e expandir o nível de investimentos; e - amortizar dívidas bancárias de curto e longo prazo. O modelo apresentado a seguir é o proposto por Matarazzo (1998), o qual apresenta algumas diferenças em relação ao modelo proposto pelo IBRACON e adotado pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários), que é apresentado no Anexo. Resultado do exercício (±) Ajustes referentes a despesas e receitas que não afetam o caixa: Depreciações, Resultado de Equivalência Patrimonial, Resultado não Operacional = Geração Bruta de Caixa (±) Variação da NCG = Geração Operacional de Caixa (±) Variação de Empréstimos de Curto Prazo = Geração Corrente de Caixa (±) Variação de Itens Permanentes de Caixa (Ativo Permanente e Patrimônio Líquido) (±) Variação de Itens não Correntes (Realizável e Exigível a Longo Prazo) = Geração Líquida de Caixa + Saldo Inicial de Caixa = Saldo Final de Caixa A avaliação da DFC não é tarefa simples visto que um número incontável de situações pode existir. Matarazzo sugere que sejam apreciadas, sucessivamente, a Geração Bruta de Caixa, a Geração Operacional, a Geração Corrente e a Geração Líquida. A idéia básica que deve orientar a análise nesta avaliação é o grau de independência da empresa em relação a financiamentos externos e a capacidade de autofinanciamento. Uma seqüência de análise proposta por Matarazzo (2003) para a análise da DFC seria: Capacidade de Financiamento da NCG: comparar a geração bruta de caixa com eventuais acréscimos da NCG, indicando a capacidade da empresa em financiar o crescimento da atividade comercial. Capacidade de Pagamento de Dívidas Bancárias de Curto Prazo: comparar a geração operacional de caixa com o saldo inicial de empréstimos de curto prazo, indicando a capacidade da empresa em pagar tais empréstimos. Capacidade de Investimentos: comparar a geração operacional de caixa em relação a acréscimos em itens permanentes, indicando a capacidade da empresa de efetuar investimentos com recursos próprios. 31
  32. 32. Capacidade de Amortização de Financiamentos: comparar a geração operacional de caixa deduzida da variação permanente de caixa com o saldo inicial do Exigível a Longo Prazo. Indica a capacidade da empresa em amortizar financiamentos de longo prazo, com os recursos próprios, sem prejuízo dos investimentos em curso. Ilustração Apurar a Demonstração do Fluxo de Caixa a partir das demonstrações a seguir. Avalie a capacidade de crescimento da atividade operacional, assim como a capacidade de investimento e de pagamento das dívidas. Elabore, também, a Demonstração do Fluxo de Caixa segundo o modelo proposto pelo IBRACON: Balanços encerrados em 31 de março 1992 1993 1994 Caixa 22.000 14.000 12.000 Clientes 90.000 100.000 130.000 Estoques 105.000 180.000 300.000 Total Circulante 217.000 294.000 442.000 Terrenos e prédios 24.000 40.000 70.000 Máquinas 54.000 59.000 77.000 Outros ativos 1.500 800 100 Total Permanente 79.500 99.800 147.100 Total do Ativo 296.500 393.800 589.100 Fornecedores 60.000 90.000 185.000 Empréstimos - 39.000 98.000 Provisões 18.000 22.300 31.600 Total Circulante 78.000 151.300 314.600 Financiamento 17.000 16.000 15.000 Capital social 75.000 75.000 75.000 Reserva de capital 60.000 60.000 60.000 Lucros acumulados 66.500 91.500 124.500 Total Patrimônio Líquido 201.500 226.500 259.500 Total do Passivo 296.500 393.800 589.100 Demonstrações de resultados - exercícios encerrados em 31 de março 1992 1993 1994 Vendas Líquidas 975.000 1.013.000 1.020.000 Custo do Produto Vendido 794.000 815.000 824.000 Lucro Bruto 181.000 198.000 197.000 Despesas: Gerais e de vendas 75.000 80.000 83.000 Depreciações 8.000 9.000 13.000 Financeiras 8.000 8.000 9.000 Outras 15.000 20.000 24.000 Lucro antes do IR 75.000 81.000 67.000 Imposto de Renda 37.500 40.500 33.500 Lucro Líquido 37.500 40.500 33.500 32
  33. 33. 1993 1994 Resultado do exercício (±) Ajustes referentes a despesas e receitas que não afetam o caixa: = Geração Bruta de Caixa (±) Variação da NCG Variação clientes Variação estoques Variação fornecedores Variação provisões = Geração Operacional de Caixa (±) Variação de Empréstimos de Curto Prazo = Geração Corrente de Caixa (±) Variação de Itens Permanentes de Caixa Ativo Permanente Patrimônio Líquido (±) Variação de Itens não Correntes Ativo Realizável a LP Passivo Exigível a LP = Geração Líquida de Caixa + Saldo Inicial de Caixa = Saldo Final de Caixa - Capacidade de financiar o crescimento da atividade operacional: - Capacidade de pagar empréstimos (curto e longo prazo): - Capacidade de investimento: 33
  34. 34. 2.7 AVALIAÇÃO DA GESTÃO ECONÔMICA Consiste na comparação dos diversos níveis de resultado (bruto, operacional e líquido) com algum parâmetro, com a finalidade de aferir a eficiência da gestão da empresa. A demonstração básica é a Demonstração do Resultado do Exercício, cuja estrutura é apresentada a seguir: Receita bruta de venda de bens e serviços (-) Impostos incidentes sobre vendas (-) Devoluções, descontos comerciais e abatimentos (=) Receita Operacional Líquida (-) Custo dos produtos e serviços vendidos (=) Lucro Bruto (-) Despesas: - de vendas - administrativas - gerais (-) Despesas financeiras líquidas (-) Outras despesas (+) Outras receitas (=) Lucro operacional (+) Receitas não operacionais (-) Despesas não operacionais (=) Lucro antes do imposto de renda (-) Provisão para o imposto de renda (-) Participações (=) Lucro líquido do exercício 2.7.1 Análise da rentabilidade: Os índices deste grupo mostram a rentabilidade dos capitais investidos e, portanto, o grau de êxito econômico da empresa. Retorno sobre as vendas (margem): indica o quanto a empresa obtém de lucro para cada $100 vendidos, ou seja, o percentual de lucro sobre as vendas líquidas. A fórmula apresentada a seguir refere-se à margem líquida: RSV = (LL / VL) x 100 Onde: LL = lucro líquido; VL = receita operacional líquida ou vendas líquidas Um cuidado a ser tomado nesta análise é verificar se o resultado final da empresa não foi formado por receitas outras que não as vendas da empresa, tais como resultado de equivalência patrimonial, receitas financeiras e resultado auferido pela venda de ativos permanentes (resultado não operacional). Nestes casos, o resultado líquido deve ser expurgado de tais receitas, sob pena de distorção na análise da margem. 34
  35. 35. Podem ser calculadas variações deste índice usando-se o lucro operacional e o lucro bruto. Retorno sobre o ativo: é uma medida do potencial de geração de lucro por parte da empresa, isto é, da capacidade da empresa em gerar lucro. Embora boa parte da bibliografia de análise das demonstrações apresente a fórmula LL/AT, tal relação encerra certa distorção, pois o lucro líquido, que visa remunerar o capital de risco (normalmente o patrimônio líquido) e não o ativo total, é influenciado pela estrutura de financiamento adotada pela empresa. Dessa maneira, considera-se que a relação genuína a ser feita é: RSA = (LO / A) x 100 Onde: LO = lucro operacional; A = ativo Entretanto, são necessárias algumas precauções com essas denominações. A estrutura da demonstração de resultado adotada no Brasil prevê a inclusão das despesas financeiras (encargos financeiros) no resultado operacional. Como tais despesas não se relacionam com nenhum investimento efetuado pela empresa, não faz sentido, do ponto de vista conceitual, tratá-las como operacionais. Talvez fosse mais adequado denominá-lo de resultado antes dos juros. Da mesma forma, o ativo a ser considerado na relação deveria ser o ativo total excluído das aplicações que não estão contribuindo para a geração do resultado, tais como investimentos pré-operacionais, incentivos fiscais, entre outros. Uma questão que pode ser levantada diz respeito às participações em outras empresas e às aplicações financeiras. Visto que o resultado das participações e as receitas financeiras formalmente integram o resultado operacional, poderia se aceitar a manutenção de tais ativos na base de cálculo. Entretanto, se o objetivo for a determinação da rentabilidade das atividades de produção e venda, tais ativos devem ser desconsiderados, procedendo-se também, a exclusão dos resultados gerados por tais ativos do resultado operacional. Também são feitas avaliações usando o conceito de Retorno sobre o Investimento (ROI), o qual se utiliza o valor do Ativo diminuído do valor do Passivo Circulante Operacional. Retorno sobre o patrimônio líquido: tem por objetivo mostrar o rendimento do investimento feito pelos proprietários da empresa. Esse retorno pode ser comparado com o de outros investimentos alternativos no mercado financeiro, permitindo avaliar se a empresa oferece um retorno atraente em relação ao mercado. RSPL = (LL / PL) x 100 Onde: LL = lucro líquido; PL = patrimônio líquido. Uma precaução adicional a ser tomada no cálculo do retorno diz respeito à data do investimento a ser considerado. A princípio, fazendo-se uma analogia com a análise de investimento, o valor a ser considerado é o valor inicial (seja do Ativo, seja do Patrimônio Líquido no cálculo dos diferentes retornos), isto é, um investimento foi feito para gerar um certo retorno. O problema ocorre quando são feitos investimentos no decorrer do exercício e que contribuem na formação do resultado. Nesses casos, o correto é tomar o valor inicial acrescido das variações ponderadas pela fração do ano que permaneceram à disposição da 35
  36. 36. empresa. Como nem sempre essa informação está disponível, é comum a utilização de médias simples. Esse procedimento, porém, supõe que as eventuais alterações aconteceram uniformemente no decorrer do ano. Caso isso não seja verdadeiro, distorções relevantes poderão ocorrer. Exemplo: suponha que uma empresa tenha iniciado o ano com um PL de $ 1.000 e que no meio do ano tenha sido feito um aumento de capital de $ 500. Qual o PL que deverá ser considerado para fins do cálculo da rentabilidade? De acordo com o discutido, a valor a ser considerado será: 1.000 x 1 ano + 500 x 0,5 ano = 1.250 Exercício Com base nas demonstrações a seguir, determine o Retorno sobre o Ativo e o Retorno sobre o Patrimônio Líquido para os exercícios de 1993 e 1994 (apenas para simplificar os cálculos posteriores, utilize os valores iniciais do Ativo e do Patrimônio Líquido): Balanços encerrados em 31 de março 1992 1993 1994 Caixa 22.000 14.000 12.000 Clientes 90.000 100.000 130.000 Estoques 105.000 180.000 300.000 Total Circulante 217.000 294.000 442.000 Terrenos e prédios 24.000 40.000 70.000 Máquinas 54.000 59.000 77.000 Outros ativos 1.500 800 100 Total Permanente 79.500 99.800 147.100 Total do Ativo 296.500 393.800 589.100 Fornecedores 60.000 90.000 185.000 Empréstimos - 39.000 98.000 Provisões 18.000 22.300 31.600 Total Circulante 78.000 151.300 314.600 Financiamento 17.000 16.000 15.000 Capital social 75.000 75.000 75.000 Reserva de capital 60.000 60.000 60.000 Lucros acumulados 66.500 91.500 124.500 Total Patrimônio Líquido 201.500 226.500 259.500 Total do Passivo 296.500 393.800 589.100 36
  37. 37. Demonstrações de resultados - exercícios encerrados em 31 de março 1992 1993 1994 Vendas Líquidas 975.000 1.013.000 1.020.000 Custo do Produto Vendido 794.000 815.000 824.000 Lucro Bruto 181.000 198.000 197.000 Despesas: Gerais e de vendas 75.000 80.000 83.000 Depreciações 8.000 9.000 13.000 Financeiras 8.000 8.000 9.000 Outras 15.000 20.000 24.000 Lucro antes do IR 75.000 81.000 67.000 Imposto de Renda 37.500 40.500 33.500 Lucro Líquido 37.500 40.500 33.500 1993 1994 Retorno sobre o Ativo Retorno sobre o Patrimônio Líquido Para uma avaliação mais rigorosa da rentabilidade, é interessante a decomposição de tais índices. Para tanto, define-se: Giro do ativo: Relaciona o volume de vendas com o montante de investimento. Como o sucesso de uma empresa depende, dentre outros fatores, de um volume de vendas adequado, a correta avaliação do volume de vendas (pouco ou muito) não pode ser feita apenas observando-se o valor absoluto de suas vendas. Como as vendas têm relação direta com o investimento feito torna-se necessária a comparação das vendas com tal investimento. GA= VL/Ativo Onde: VL = Receita Operacional Líquida (ou de Vendas Líquidas) Assim, como Retorno sobre o ativo = LO/Ativo, tem-se que: LO/Ativo = LO/VL x VL/Ativo ou RSA = Margem Operacional x Giro do Ativo Assim, o retorno sobre o ativo é decomposto em margem operacional e giro do ativo. Essa expressão é denominada sistema Du Pont, tendo sido desenvolvida pela Du Pont Corporation. Da mesma forma, Retorno sobre o Patrimônio Líquido = LL/PL, tem-se que LL/PL = LL/VL x VL/Ativo x Ativo/PL, ou 37
  38. 38. RSPL = Margem Líquida x Giro do Ativo x “Endividamento” Observação: alguns autores utilizam a formulação “Giro do Capital Próprio” a qual relaciona a Receita de Vendas com o Patrimônio Líquido. Entretanto, a interpretação desta relação parece não fazer muito sentido. A decomposição dos índices de retorno é interessante, pois permite verificar que um dado retorno pode ser obtido através de um sem número de combinações entre margem e giro, conforme a estratégia escolhida pela empresa (vender grande quantidade com pequeno ganho por unidade vendida ou vender pequena quantidade com elevado ganho por unidade vendida). Além disso, possibilita identificar as causas das variações no retorno da empresa. Exercício Decomponha os índices de Retorno sobre o Ativo e Retorno sobre o Patrimônio Líquido dos anos de 2003 e 2004, calculados anteriormente, explicando as principais causas da variação dos respectivos retornos: 1993 1994 Retorno sobre o Ativo - Margem Operacional - Giro do Ativo Retorno sobre o Patrimônio Líquido - Margem Líquida - Giro do Ativo - Alavancagem Avaliação: 38
  39. 39. Uma extensão da decomposição pode ser feita seguindo-se o esquema a seguir: Vendas Lucro Líquido (-) Custos (-) Despesas (-) IR Vendas X Lucro Líquido Vendas Preço x Quantidade Retorno s/PL = Disponível Clientes PL Ativo Ativo Circulante Estoques Ativo Permanente X Imobilizado Ativo Diferido Capital Social Investimento PL Lucros Retidos Outras Reservas Exercício Com base no esquema de decomposição apresentado acima, complemente sua análise do Retorno sobre o Ativo e do Retorno sobre o Patrimônio Líquido, anteriormente calculados, apontando os fatores que mais influenciaram a variação de tais índices: 39
  40. 40. 93 94 93 94 CPV 93 94 LL Adm. Margem VL Vendas Outras 93 94 Financeiras Disponível 93 94 Clientes RSPL Giro VL A.Circ. Estoques Ativo A. Perm. Imóveis Máquinas Alavancagem Ativo PL Capital Lucro Acum Avaliação:
  41. 41. Alavancagem financeira: O Retorno sobre o Ativo (RSA), calculado da maneira proposta anteriormente - usando o lucro operacional genuíno - mostra qual a rentabilidade do negócio. Quanto maior o índice maior a eficiência. Por outro lado, a empresa geralmente utiliza recursos de terceiros, os quais têm uma remuneração (custo da dívida ou CD). Se o custo da dívida é maior que o retorno sobre o ativo, ou seja, se a empresa paga, para cada $ tomado, mais do que rende o seu investimento no negócio, então o proprietário paga a diferença com sua parte de lucro (ou até com o próprio capital). Se o custo da dívida é menor que o retorno sobre o ativo, o proprietário fica com a diferença. Neste caso, a taxa de retorno sobre o patrimônio líquido será maior que a taxa de retorno sobre o ativo. Em última análise, o que interessa mesmo para a empresa é o retorno sobre o patrimônio líquido. Os outros dois índices são informações gerenciais de como a empresa atingiu o RSPL. São, entretanto, fundamentais para a definição de estratégias empresariais. A expressão matemática que revela a relação entre as três medidas é a seguinte: RSPL = RSA + (RSA - CD) x PE/PL Onde: PE = Passivo Exigível CD = Custo da dívida (relação entre as despesas financeiras e o passivo gerador de encargos) Essa fórmula mostra o efeito que a estrutura de capital e os juros pagos produzem no lucro final, informando se essa estrutura está beneficiando ou não o proprietário. Ela demonstra, também, quando o endividamento pode ser benéfico para a empresa (RSA>CD), o que não ficava evidente na decomposição apresentada anteriormente (margem líquida x giro do ativo x endividamento). O efeito de tomar, numa ponta, recursos de terceiros a um determinado custo e aplicá-los (nos ativos) a uma outra taxa é denominado de Alavancagem Financeira. A diferença é absorvida pelos proprietários, seja através de um aumento de seu retorno sobre o PL, seja através de uma redução deste indicador. A razão entre as taxas de retorno sobre o patrimônio líquido e de retorno sobre o ativo chama-se grau de alavancagem financeira, indicando o número de vezes que o retorno sobre o ativo foi multiplicado: GAF = RSPL/RSA Esta exposição visa apenas encaminhar o assunto. A correta análise da alavancagem demanda alguns cuidados adicionais (tais como o tratamento do imposto de renda) e por isso foge ao escopo do presente material. 41
  42. 42. 2.8 FATORES DETERMINANTES BÁSICOS DO FINANCIAMENTO DE UMA EMPRESA. Uma empresa pode ser vista como possuidora de necessidades de ativos circulantes e ativos permanentes necessários para que as operações sejam conduzidas eficientemente. A necessidade de ativos pode variar ao longo do tempo por diversas razões, incluindo: tendência geral de crescimento, variações sazonais em torno da tendência, e flutuações diárias e mensais imprevisíveis. Tal situação é ilustrada na figura a seguir (na ilustração foi considerado que não há crescimento): $ NCG NCG Sazonal NCG Permanente Ativo Permanente tempo Há duas estratégias a serem consideradas por uma empresa para atender suas necessidades de recursos. A primeira estratégia consistiria na obtenção de financiamento de longo prazo que cobrisse a necessidade total de ativos, mesmo nos picos sazonais. A empresa terá saldos excedentes de caixa disponíveis para aplicações financeiras quando a necessidade total for inferior aos picos. Como esse enfoque envolve superávits crônicos de caixa e um investimento elevado em NCG, é visto como uma estratégia flexível (ou de risco mínimo). Esta estratégia está representada a seguir: Excedentes (aplicações) $ NCG Sazonal Recursos NCG Permanente de Longo Prazo Ativo Permanente tempo 42
  43. 43. Quando o financiamento de longo prazo não cobre a necessidade total de ativos, a empresa é obrigada a tomar emprestado a curto prazo para compensar o déficit. Esta estratégia restritiva (ou agressiva) é representada a seguir: Recursos de NCG Curto Prazo Sazonal NCG Permanente Recursos de Longo Prazo Ativo Permanente Qual a melhor política de financiamento? Não existe uma resposta definitiva. Vários aspectos devem ser considerados para que a análise seja apropriada. Dentre outros, destacam-se: - reservas de caixa: a política flexível de financiamento pressupõe saldos elevados de caixa e nível reduzido de endividamento a curto prazo. Essa política reduz a probabilidade de dificuldades financeiras para uma empresa. A empresa não precisará preocupar-se tanto com o cumprimento de obrigações de curto prazo. Entretanto, os investimentos em caixa e aplicações financeiras, geralmente, são investimentos com valor presente líquido igual a zero, isto é, não contribuem na geração de retorno para a empresa. - casamento de prazos: muitas empresas procuram igualar os prazos de ativos e passivos. Financiam estoques com recursos de curto prazo e ativos permanentes com recursos a longo prazo, procurando evitar o financiamento de ativos permanentes com endividamento de curto prazo. O descasamento de prazos geraria a necessidade de refinanciamentos freqüentes, com os riscos decorrentes da maior volatilidade das taxas de juros de curto prazo. - taxas de juros relativas: na seleção das fontes de financiamento, a empresa deverá observar o comportamento das taxas de juros dos empréstimos de curto e de longo prazo. Deve-se ressaltar que, num contexto econômico estável, espera-se que a taxa de juros de curto prazo seja inferior à de longo prazo. - características operacionais e de seu ambiente: conforme discutido no início deste texto, o ramo de atividade na qual a empresa, assim como a composição dos ativos necessários para o cumprimento de seus objetivos, expõem a empresa a um certo nível de risco (o risco operacional), conseqüência do volume de custos fixos e da volatilidade das receitas da empresa. Assim, a estrutura de financiamento pode ser usada para ajustar o risco total 43

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