O Professor, o Político e a Serpente do Cerrado

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O Professor, o Político e a Serpente do Cerrado
Um conto cômico e divertido

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O Professor, o Político e a Serpente do Cerrado

  1. 1. O PROFESSOR, O POLÍTICO E A SERPENTE Um professor no auge do seu estresse resolveu tirar seus dias de férias por direito legal, no interior do cerrado de Mato Grosso. Até então, tudo planejado nos mínimos detalhes. Natureza, ar puro, paz interior e exterior. Um descanso total era tudo o que ele esperava encontrar. A pousada era reservada e bem rústica, e dentro de suas possibilidades financeiras. Um frigobar recheado de coisas boas (a pagar) e uma televisão com 41 canais estavam à sua disposição. Logo em frente, havia outra pousada, um pouco mais chique: Frigobar, televisão com canais por assinatura e internet banda larga 4G ilimitada, disponível a quem a reservasse. Tudo do bom e do melhor. Pelo zum zum zum das línguas falantes, esta última, estava ocupada por um político da capital Cuiabá que também estava no gozo de suas férias tão merecidas. No lado de trás da pousada, a uns 300 metros, havia um bananal, recheado de folhas secas e um pouco de umidade da chuva que ainda havia caído dois dias atrás. Num cantinho escuro e aconchegante estava em seu merecido repouso uma serpente, sutil, sagaz e muito esperta. Na verdade, Já estava com fome, pois sua última refeição fora há três dias, um suculento e delicioso gambá. No dia seguinte, o professor resolveu fazer um passeio levando consigo uma garrafinha de água, um sanduíche de frango e um livro, mas ao sair da rota da trilha, perdeu-se. Resolveu então parar pra relaxar e pensar como encontrar o caminho de volta. Sentou-se ao lado de um grande pé de Pequi e como ainda era cedo, começou a folhear seu livro. Nesta mesma manhã, o político também resolvera fazer um tour pela redondeza. Óculos de sol, água mineral, chapéu de couro de jacaré, repelente e protetor solar. Assim como o professor, o político também se perdeu e ao olhar para a sua frente estava lá, o professor, sentado, lendo alguma coisa. O Político aproximou-se e ambos começaram a conversar e ver como encontrariam a solução para achar o caminho de volta. Nesse momento, a cobra/serpente apareceu e percebendo que ambos estavam perdidos, prontificou-se a ajudá-los. Olhou-os nos olhos e disse: “eu os levo aonde querem, mas exijo uma recompensa”. O professor pensou e respondeu à cobra: “O que fazes aqui sozinha? Onde estão seus pais? Você não deveria estar estudando os ensinamentos sagrados das serpentes ?” A cobra então respondeu: “Eu já nasci esssperta”!. O professor perguntou: “o que eu, um simples professor posso te dar em troca desse tão grande favor?” A cobra com toda sssutilieza e sssagassidade sssuspirou e respondeu: “senti um cheiro forte de frango frito. Me dê seu ssssanduíche e estamos quites”. O professor não pensou duas vezes e entregou seu sanduíche de frango frito à cobra que o devorou de uma só vez. Após limpar a boca com sua língua afiada, a cobra olhou para o político e ele, achando-se muito esperto prometeu meio mundo de delícias para a cobra sagaz . O político a olhou-a mais uma vez e disse: disse: “Só lhe entrego essas delícias quando chegarmos à posada”. A cobra sssussspirou e indagou: “não vai me enganarrrrr, vai?” “ Olha bem pra mim!” disse o político com ar sinistro. “Acha que não sou capaz de cumprir o que lhe prometi?” A cobra concordou com os dois e seguiu em direção à pousada, mas pediu que o professor ficasse por último e o político, atrás dela. Já chegando perto da pousada ambos avistaram a antena da tv por assinatura. Foi uma alegria só! A cobra olhou para o professor e disse: “corre, vai á luta! a casa é sua”. Nesse momento o político tentou escapar de fininho, pois não tinha o que prometeu, mas a cobra o segurou com seu rabo forte e disse: “cadê as delícias que você me prometeu?” O político tentou de todas as formas persuadi-la a entrar em acordo consigo, mas não conseguiu. A cobra o engoliu aos poucos, e sufocado, ele gritava: eu prometo, vou cumprir o que te falei, só deixa eu ligar pro meu assessor. Foi em vão. A cobra o devorou como se fosse a última bolacha do pacote e olhando para o professor disse: “SSSSSS! ssssou que nem ele. SSSó sssei sssser o que sssssou”. Raimundo Soares de Andrade Rondonópolis, MT, 17/05/2014

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