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Revista Brasileira de Cineantropometria & Desempenho Humano                                         106                   ...
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Aspectos historicos da cineantropometria

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Aspectos historicos da cineantropometria

  1. 1. Revista Brasileira de Cineantropometria & Desempenho Humano 106 Michels ISSN 1415-8426 Ponto de vista Glaycon Michels1 ASPECTOS HISTÓRICOS DA CINEANTROPOMETRIA - DO MUNDO ANTIGO AO RENASCIMENTO HISTORICAL ASPECTS OF KINANTHROPOMETRY: FROM ANCIENT TIMES TO CONTEMPORANEOUS. RESUMO Com a evolução humana, surgiram as semelhanças e as diferenças provenientes da herança genética influenciada pelo meio ambiente, onde se desenvolve cada indivíduo e, a partir deste, uma variedade de formas, tamanhos, proporções, constituição, função, etc. A antropometria possui sua origem na medicina ou na biologia, e nas artes plásticas. O Velho Testamento, o Talmud Babilônio, o Midrashin e tratados da civilização da Índia fazem referências à forma, proporções e estatura da figura humana. Estudiosos como Empedócles, Sócrates e Hipócrates se preocuparam por estas relações e criaram várias classificações de um modo ideal de homem. Polyklitus, escultor grego, representou a forma masculina ideal a partir da superposição de partes anatômicas de vinte indivíduos. Arquimedes, com seu princípio do fenômeno da flutuação fez com que hoje em dia se utilize sua teoria para o cálculo da composição corporal através da densitometria. Outros como Leonardo da Vinci, Michelangelo e Leone Alberti estavam preocupados por estabelecer um tipo de beleza ideal. Vesalius começa a discutir e refutar as teorias de Galeno. Nessa época a antropometria emerge como uma nova especialização científica. Borelli explica o trabalho muscular em termos físicos. Suas obras são válidas na representação das bases estruturais da cineantropometria. Elshaltz utiliza pela primeira vez no seu sentido contemporâneo o termo antropometria. Palavas-Chave: história, antropometria, somatotipo. ABSTRACT With the evolution human being, the similarities and the differences proceeding from the genetic inheritance influenced by the environment had appeared, where if it develops each individual and, from this, a variety of forms, sizes, ratio, constitution, function, etc. The anthropometry possesses its origin in the medicine or biology, and the plastic arts. The Old Will, the BabilonianTalmud, the Midrashin and treated to the civilization of India make references the form, ratio and stature of the figure human being. Studious as Empedocles, Socrates and Hipocrates had worried for these relations and created some sortings in an ideal mode of man. Polyklitus, Greek sculptor, represented the ideal masculine form from the overlapping of anatomical parts of twenty individuals. Archimedes, with its principle of the phenomenon of the fluctuation made with that nowadays uses its theory for the calculation of the body composition through the densitometria. Others as Leonardo da Vinci,Volume 2 – Número 1 – p. 106-110– 2000 Michelangelo and Leone Alberti were worried by establishing an ideal type of beauty. Vesalius starts to argue and to refute the theories of Galeno. At this time the anthropometry emerges as a new scientific specialization. Borelli explains the muscular work in physical terms. Its workmanships are valid in the representation of the structural bases of the kineanthropometry. Elshaltz uses for the first time in its direction contemporary the term anthropometry. Key words: history, anthopometry, somatotype. 1 Universidade Federal de Santa Catarina.
  2. 2. Ponto de vista: aspectos históricos da cineantropometria - do mundo antigo ao renascimento 107INTRODUÇÃO gos como a mesma existência do homem, seja por razões ou imperativos puramente materiais O processo evolutivo das espécies em e concretos (ex. a seleção dos guerreiros ougeral e, em particular, da espécie humana, pro- trabalhadores mais capazes) ou por considera-vocou a modificação de estruturas originárias e ções estéticas mais abstratas, o ser humanoo resultado foi a modificação das já existentes sempre se preocupou pela forma, proporção ena história filogênica motivada tanto genética composição de seu corpo, sobretudo porquecomo fenotípicamente. Expressado em outros desde muito cedo, o homem intuiu que a capa-termos, da evolução humana surgiram as se- cidade para realizar qualquer trabalho ou exer-melhanças e as diferenças provenientes da cício físico estava intimamente relacionada comherança genética, influenciadas pelo meio am- a quantidade e proporção que existia entre osbiente onde se desenvolve cada indivíduo e, a diferentes tecidos de seu organismo (Porta,partir deste, uma variedade de formas, tama- 1995). A partir desta percepção, começou-se anhos, proporções, constituição, função, etc. tentar transformar os fenômenos biológicos A palavra Antropometria deriva do Gre- numa fórmula matemática, fato que teria a gran-go Anthropos (Antropo o antropía) que significa de vantagem de sintetizar a maturidade do co-homem e metron (metría o metro) que equivale nhecimento dos mesmos, tal e como propôsa medida. Por isto poderíamos definí-la como a Lorde Kelvin ao escrever: “If you can measureparte da antropologia que estuda as proporções that of wich you speak and can express it by ae medidas do corpo humano. O término number, you can know something of your“Cineantropometria” (Kinein = mover-se, subject, but if you cannot measure it, yourAnthropos = homem metria = medir), foi esta- knowledge is meagre and instisfactory” (Marin,belecido por Ross, e ainda que seus limites não 1976). A Antropometria possui sua origem naestão ainda perfeitamente estabelecidos, seus medicina ou na biologia, mas nas artes plásti-objetivos englobam a antropometria dinâmica, cas, pois historicamente os escultores e pinto-fisiológica e aplicada ao desporto. Ross desen- res têm procurado as proposições ideais entrevolveu o conceito de Cineantropometria como as partes corporais, com o objetivo de retratar“a utilização da medida, no estudo do tamanho, da melhor maneira possível o corpo humanoforma, proporção, composição e maduração do (Beunen & Borms,1990).corpo humano, com o objetivo de um melhor Tanto no Velho Testamento como noconhecimento do comportamento humano em Talmud Babilônio e no Midrashin, encontramosrelação ao crescimento, desenvolvimento e en- referências à forma, proporções e estatura davelhecimento, à atividade física (exercício, ren- figura humana. Não obedece a simples casua-dimento) e o estado nutricional” (Ross, 1988). lidade o fato de que um dos castigos impostos Historicamente, critérios estéticos tive- a Adão e Eva por seu pecado, fora precisamenteram influência sobre o desenvolvimento da iden- a redução de seu tamanho (Boyd, 1980). Bovardtidade pessoal e social durante todas as épo- e Cozens (1938) e Meyers e Blesk (1962) cita- Revista Brasileira de Cineantropometria & Desempenho Humanocas. Em torno do corpo humano sempre existi- dos por Martins e Waltortt (1999) relatam que,ram e existirão mitos que, baseados em ficções em achados sobre a antiga civilização da índia,alegóricas, identificam um estado físico deter- encontrou-se um tratado denominado Silpriminado com imagens subjetivas que não sem- Sastri, o qual analisava o perfil morfológico dopre têm relação com a estética. Além disso, as corpo humano, dividindo-o em 480 partes. Tam-modas mudam e a definição do belo e saudá- bém os gregos e egípcios, trinta séculos antesvel pode encarnar-se primeiro no que hoje con- de Cristo, observaram a relação entre certassideramos obesidade (A Dama de Bazalote, pin- estruturas corpóreas e determinadas disposi-turas de Peter Paul Rubens, Maya Desnuda de ções e atitudes, utilizando partes do corpo comoGoya..., separadas no tempo), para séculos unidade de medida, de número e simetria taisdepois, fazê-lo na magreza e nas décadas se- como o pé, a braça e a polegada (Velho, 1993).guintes na musculosidade (Michels, 1996). No antigo Egito, segundo o historiador Desde muito tempo, o homem teve a grego Heródoto, a população masculina se ca-necessidade de estudar e classificar o corpo racterizava por indivíduos altos, sólidos e mus-humano em seus mais distintos aspectos culosos, largos de ombros e estreitos de cadei-morfológicos. Portanto esta técnica, a ra, com braços e pernas alargadas, peitos for-Cineantropometria, tem antecedentes tão anti- tes e salientes, rosto oval, boca carnosa e pele
  3. 3. 108 Michels bronzeada (Barrow, 1979). Para este povo, se- lha e extrovertidos). Ensaiou também um estu- gundo Bovard e Cozens (1938) e Krakover do da composição corporal baseada nos (1937) citados por Martins e Waltortt (1999), a ensinamentos de Empédocles acreditando que unidade de medida foi, entre os séculos XXXV o ser humano estaria formado por quatro ele- e XXII a.C., o comprimento do dedo médio do mentos: flema * , sangue, bílis amarela e sacerdote. A proporção entre a parte e o todo atrabilis* *. Seu conceito, em termos de saúde e do corpo nos permite informes antropométricos desenvolvimento harmonioso da estrutura, se curiosos: o membro superior equivaleria a 8 de- mantém na atualidade (Souza, 1982; Ross, dos médios, e o membro inferior 10 dedos 1988). (Barrow, 1979). Polyklitus, escultor grego, com sua As relações entre o físico e o rendimen- obra Daryphorus ou lanceiro, desenvolvida no to já eram conhecidas desde os jogos olímpi- século V a.C., empregando critérios estéticos a cos da antiga Grécia, dando origem aos estu- partir de modelos selecionados, representou a dos Antropométricos de nosso tempo. A partir forma masculina ideal a partir da superposição do século VIII a.C., para os espartanos, os exer- de partes anatômicas de vinte indivíduos. Suas cícios físicos tinham características guerreiras copias serviram desde então como cânone ar- objetivando a preparação militar, a disciplina tístico para as proporções ideais do homem cívica, o endurecimento do corpo, a energia fí- (Ross, 1988). Ross e Wilson (1974) considera- sica e espiritual, tanto para homens como para ram tal fato como o primeiro modelo metafórico mulheres (Appelboom, 1988; Velho, 1993). Pelo da história da Cineantropometria. contrário, a educação ateniense queria conse- O princípio do fenômeno de flutuação: guir “kalokagathia”, isto é, a formação de um “todo corpo submergido em um fluido experi- cidadão fisicamente belo “kalos”, nobre e virtu- menta um empuxo para cima igual ao peso do oso “agathos” adquirindo padrões de eficiência educacional, fisiológica, terapêutica, estética e fluido desalojado”, se conhece desde os tem- moral. Como fica evidenciado na arte escultórica pos de Arquimedes (287-212 a.C.): Conhecen- de Myron em seu “Discóbolos” (Appelboom, do-se a massa e densidade de um objeto e as 1988). densidades das partes que o compõem, pode Desde esta época até cerca do século calcular-se a massa de cada um deles (Ross, V a.C., estudiosos como Empédocles, Sócrates 1988). Ainda que naquele momento o sábio gre- e Hipócrates se preocuparam por estas rela- go estava preocupado em demostrar a compo- ções, e criaram várias classificações de um sição da coroa do rei de Siracusa, Hieron II, hoje modo ideal de homem. Empédocles (490 a 430 em dia utilizamos sua teoria para o cálculo da a.C.) relaciona o homem com o cosmos e o di- composição corporal através da densimetria. vide em distintos elementos: a parte sólida, a Durante o domínio do império romano compara com a terra; a líquida, com a água e a sobre a civilização grega, ainda que os roma- alma com o fogo e o ar (Fraile, 1976). Sócrates nos houvessem assimilado a cultura destes, (470 a 399 a.C.), comentou: “É uma desgraça ambos tinham pontos de vista distintos a res- que uma pessoa cresça ignorando a atividade peito do significado da utilização do corpo. Para física sem saber o que poderia chegar a ser com os gregos, o homem deveria de ter harmonia um corpo vigoroso e bem formado” (Touraglou, de formas e proporções e para os romanos, o 1988). A Hipócrates (460 a 365 a.C.) se deve a homem deveria ser forte e robusto, tendo como primeira classificação biotipológica conhecida fim a formação guerreira (Velho, 1993). com uma base morfológica, que identifica por Grassi se refere aos fragmentos dosVolume 2 – Número 1 – p. 106-110– 2000 sua vez correlações patológicas. Nela os indi- “Dez livros a respeito da Arquitetura” de víduos estão divididos em: tísicos (delgados com Vitruvius, livro III, onde argumentou a respeito predomínio do eixo longitudinal, cor pálida e do corpo humano como modelo de medida, do introvertidos) e apopléticos (musculosos com número e simetria (Velho, 1993). Este texto foi predomínio do eixo transversal, de cor verme- subdividido em quatro partes: * FLEMA: (do gr. Phlégma). Um dos quatro humores, segundo a antiga patologia humoral. Mucosidade, especialmente do nariz e gargan- ta. Tranqüilidade apática. ** ATRABILIS: (do lat. atra, negra, e bilis, cólera). Nome dado pelos antigos a um humor espesso, negro, que supunham secretado pelas cápsulas supra-renais e ao qual atribuíam a melancolia e a hipocondria.
  4. 4. Ponto de vista: aspectos históricos da cineantropometria - do mundo antigo ao renascimento 109 1ª - Um templo se baseia na simetria Passados alguns séculos, com odas próprias partes e entre estas o conjunto. renascimento no mundo das idéias, a curiosida- 2ª - Declarações de simetria recíproca de intelectual e o interesse pelo conhecimentoentre as partes do corpo humano. das coisas, ressurge o tema, quando os estudio- 3ª - Esta simetria deve ser aplicada sos estavam preocupados por estabelecer umtambém aos edifícios e sobretudo aos templos. tipo ideal de beleza. Sobretudo com os traba- 4ª - Medidas e números são derivados lhos dos italianos Leonardo da Vinci (1452 a 1519do corpo humano. d.C.) que em 1492 desenhou as proporções da Do século I ao IV d.C. destacam-se os figura humana (Homem Vitruviano), baseando-trabalhos de Galeno (131 a 210 d.C.), ainda que se em um famoso desenho do arquiteto romanoromano de nascimento foi médico da cultura Vitruvius, no qual descreve como a forma huma-grega. Inspirando-se em estudos de Hipócrates na ditada de costas, com as mãos e pernas aber-admitiu os quatro humores da constituição do tas poderia ser circunscrita tendo o umbigo comohomem: sangue (quente e úmido) opondo-se a centro do círculo. Sugere também que a figuraatrabilis (fria e seca); pituita* (fria e úmida) em pode também estar contida exatamente dentrocontraposição com a bílis (quente e seca). de um quadrado. A cabeça é considerada comoGaleno afirma que o exercício necessita ser um décimo da altura total. Além disto da Vinciadequado segundo a idade, força e a constitui- realizou detalhadas anotações a respeito dosção corporal (Velho, 1993). músculos e articulações e Miguelângelo (1475 a Com a queda do império romano, caiu 1564 d.C.), que desconhecendo o nome dostambém o interesse pelo tema do corpo huma- músculos, para os quais ainda não havia sidono, sendo a igreja cristã a encarregada de estabelecida a necessária diferenciação e termi-custodiar, nos mosteiros, todas as informações. nologia, os distinguiu por meio de signos con-Segundo Petroski (1995), a antropologia física vencionais (Velho, 1993). Leone Battista Albertiteve sua origem nas constatações do Italiano (1401 a 1471 d.C.) usou um instrumento chama-Marco Polo, que entre 1273 e 1295, após diver- do definidor para quantificar as característicassas viagens pelo mundo, constatou a existência da proporcionalidade, que em essência, era umde diversas raças, povos e culturas, observando capacete com um compasso circular. Alberti co-que estes povos diferiam muito em estrutura cor- locou cordões chumbados em determinados rai-poral e tamanho. Durante esta fase, a arte mos- os e mediu a distância entre os pontos projetadostra exemplos de derivações míticas no que as e o cordão chumbado e as alturas determina-almas puras e os espíritos mais formosos se plas- das. Seu modelo era um cilindro; sua magnitudemam em corpos estilizados; enquanto que os era imaterial (Ross, 1988).corpos obesos e defeituosos simbolizam defei- Andreas Vesalius (1514 a 1564 d.C.)tos como a preguiça ou a luxúria (livro de pintu- anatomista e fisiólogo, foi o primeiro em discutirras). O Livro dos Estados de D. Juan Manoel se e refutar as teorias de Galeno. A antropometriaconstitui em uma das mais claras expressões da emerge como uma nova especialização cientí- Revista Brasileira de Cineantropometria & Desempenho Humanoambivalência e contradição em que se manteve fica. Em 1543, com seu obra titulada “Dea valorização da mundanidade durante a baixa Humanis Corporis Fabrica”, grandiosa por seuidade média cristã: se por um lado, em qualquer conteúdo a respeito da anatomia humana, qua-ocasião que o diálogo novelesco discorre em lidade dos desenhos e da impressão gráfica,torno da apreciação cristã do corpo (alma-cor- intensifica a busca de relações entre as estru-po, espiritual-carnal, celestial-terrenal, entendi- turas humanas e sus funções. Alphonso Borellimento-movimento, etc.) mostra-se severo em re- (1608-1679) em 1645 publica o libro “De Motulação à citação dos mandatos de renúncia, por Animalium”, donde explica o trabalho muscularoutro, considerada a obra em seu conjunto, cons- em termos físicos, discorrendo a respeito datitui um canto ao homem no mundo e uma glori- mecânica de ação dos músculos e dos ossosficação das realidades físicas, especialmente do em término de sistemas de palancas. Estas duascorpo humano longe de toda a prática ascética obras se caracterizaram, sobretudo, pelo méto-(Pedraz, 1996). do de observação e pela imaginação científica* PITUITA: (do lat. Pituita). Um dos quatro humores cardinais dos antigos. Se chamava também assim ao líquido dos ventrículos cere- brais, e se creia que a hipófise, denominada por esto corpo pituitário, estava encarregada de recolhe-lo para elimina-lo ao exterior pelas fossas nasales (membrana pituitária). Moco glutinoso o fleuma expulsado por expectoração, vômito o regurgitação .
  5. 5. 110 Michels de seus autores e são válidas na representa- Boyd, E. (1980). Origins of the study of human growth. ção das bases estruturais da Cineantropometria University of Oregon Health Sciences Center Foundation, EEUU. (De Rose, 1984). O termo antropometria pare- De Rose, E.H. Pigatto, E. & De Rose, R.C.F. (1984). ce ter sido usado pela primeira vez no seu sen- Cineantropometria, Educação Física e Treinamento tido contemporâneo, em 1659, na tese de gra- Desportivo. Ministerio de Educação e Cultura. Fun- duação do alemão Elshaltz, segundo Beunen & dação de Assistência ao Estudante. Rio de Janei- Borms (1990). Seu estudo, “Antropometria – da ro. Brasil. mútua proporção dos membros do corpo huma- Fraile, O.P.G. (1976). Historia de la filosofia Grecia y no: questões atuais de harmonia”, era inspira- Roma. Biblioteca de Autores Cristianos. Madrid. Marin, B. (1976). Biotipologia, desarrollo somático y do nas leituras de Pitágoras e Platão, e da filo- evolución orgánica en relación con la práctica del sofia médica de sua época segundo Maia e futbol. Med. de la Ed. Fís. y el Deporte. nº 39. pp. Junqueira (1991) citados por Petroski (1995). 7-38. Martins, M.O. & Waltortt, L.C.B. (1999). Antropometria: CONCLUSÕES Uma Revisão Histórica. In: E. L. Petroski (Org.). Antropometria: Técnicas e Padronizações. Porto Alegre: Pallotti, 1999. Como a historia nos faz ver, os critéri- Michels, G. (1996). Aspectos antropométricos de es- os estéticos tiveram influência sobre o desen- colares de 10 a 14 años de Córdoba y provincia. volvimento da identidade pessoal e social du- Tese de doutorado. rante todas as épocas. Em torno do corpo hu- Pedraz, M.V. (1996). Educación corporal y distinción mano sempre existiram e existirão mitos que, nobiliária en el “Libro de los estados” de Don Juan baseados em ficções alegóricas, identificam um Manoel. Apunts: Eduación Física y Deportes. 43. 13-22. estado físico determinado com imagens subje- Petroski, E.L. (1995). Cineantropometria: Caminhos tivas que não sempre têm relação com a estéti- Metodológicos no Brasil. I: A. Ferreira Neto, S.V. ca. Além disso, as modas mudam e a definição Goellner & V. Brachat (Org.). As Ciências do Es- do belo e saudável pode encarnar-se primeiro porte no Brasil. (pp. 81-101). Campinas: Autores no que hoje consideramos obesidade para sé- Associados. culos depois, fazê-lo na magreza e nas déca- Porta, J., Gonzalez, J.M., Galiano, D., Tejedo, A. & Prat, J.A. (1995). Valoración de la composición corpo- das seguintes na musculosidade. Dessa impor- ral. Análisis crítico y metodológico. Parte I. Car tância social do corpo nasceu a necessidade News. Enero/Febrero. Nº 7. pp. 4-13. de estudar e classificar o corpo humano em seus Porta, J., Gonzalez, J.M., Galiano, D., Tejedo, A. & Prat, mais distintos aspectos morfológicos. A J.A. (1995). Valoración de la composición corpo- Cineantropometria enquanto técnica, tem ante- ral. Análisis crítico y metodológico. Parte II. Car cedentes tão antigos como a mesma existência News. Marzo/Abril. Nº 8. pp. 4-13. Ross, W.D. & Kerr, D.A. (1991a). Fraccionamiento de do homem, seja por razões ou imperativos pu- la masa corporal: un nuevo método para utilizar en ramente materiais e concretos ou por conside- nutrición clínica y medicina deportiva. Apunts. 18. rações estéticas mais abstratas, o ser humano pp.175-87. sempre se preocupou pela forma, proporção e ROSS, W.D. & WARD, R. (1982). Proporcionality of composição de seu corpo. Mas, somente de- Montreal Athletes. In: Physical Structure of Olympic pois do renascimento, com o surgimento do Athletes. Parte I. J.E.L. Carter (ed). Montreal Olympic Games Anthropological Project. Karger, embrião da ciência, é que podemos perceber Basel. pp. 81-106. estudos que tentam classificar e padronizar for- Velho, N.M., Loureiro, M.B.S., Peres L.S. & Pires Neto, ma e função corporal, dando início à chamada C.S. (1993). Antropometria: Uma revisão histórica antropometria científica. do periodo antigo ao contemporâneo. Comunica- ção. Movimento e Mídia na Educação Física. San-Volume 2 – Número 1 – p. 106-110– 2000 ta Maria: UFSM. Centro de Educação física e Des- REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFIAS portos. pp. 29-39. Appelboom, T., Rouffin, C. & Fierens, E. (1988). Sport and medicine in ancient Greece. Am. J. Spo. Med. 16(6). 594-96. Endereço do Autor Barrow, H.M.Y. & McGee, R. (1979). A practical approach to measurement in physical education. Rua Lauro Linhares 151 – Bl. B 6 - 501 Philadelphia, Lea & Fediger, 3ª Ed. CEP: 88036-001 – Trindade - Florianópolis - SC Beunen, G. Borms, J. (1990). Kinanthropometry: roots, Fone: 0 (XX) 48 231-00-18 developments and future. Journal of Sports E-mail: glayconm@uol.com.br sciences, n.8, pp. 1-15.

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