Planejamento participativo

43,112 views

Published on

Planejamento participativo

  1. 1. PLANEJAMENTO PARTICIPATIVO “ A POSIÇÃO DO PLANEJAMENTO PARTICIPATIVO ENTRE AS FERRAMENTAS DE INTERVENÇÃO NA REALIDADE” Danilo Gandin
  2. 2. PARTICIPAÇÃO: <ul><li>Distribuição do Poder e a possibilidade de decidir na construção não apenas do “ como ” ou do “ com quê ” fazer, mas também “ o quê ” e do “ para quê ” fazer; </li></ul><ul><li>Busca interferir na realidade social , para transformá-la e para construí-la numa direção estabelecida em conjunto por todos os que participam da instituição, grupo ou movimento. </li></ul>
  3. 3. PLANEJAMENTO PARTICIPATIVO: <ul><li>Participação das pessoas; </li></ul><ul><li>Ferramentas para intervir na realidade; </li></ul><ul><li>Tem uma filosofia própria, conceitos, modelos, técnicas e instrumentos específicos. </li></ul>
  4. 4. Características Distintivas do Planejamento Participativo: <ul><li>Foi desenvolvido para instituições, grupos e movimentos cuja missão primeira NÃO é o lucro, a competitividade e a sobrevivência  Visa a construção da Realidade Social; </li></ul><ul><li>Parte da Verificação de que não existe Participação Real em nossas sociedades; as pessoas não dispõem dos recursos mínimos necessários aos seus bem-estares  que tais aspectos carenciais e alienadores são conseqüência da organização estrutural injusta destas mesmas sociedades; </li></ul>
  5. 5. Características Distintivas do Planejamento Participativo: <ul><li>Apresenta-se como ferramenta para as instituições, grupos e movimentos para a ocorrência de uma ação e direcionamento com vistas à construção externa da realidade; </li></ul><ul><li>Constrói conceitos, modelos, técnicas e instrumentos com processos científicos e ideológicos para organizar a participação e intervir na realidade, em uma direção conjuntamente estabelecida. </li></ul>
  6. 6. Situações de Planejamento: <ul><li>Há várias teorias e enfoques sobre o planejamento segundo a natureza dos problemas e casos; </li></ul><ul><li>Há níveis nas correntes que constroem paradigmas  Cautela com determinadas ferramentas e suas limitações / abrangências / delimitações. </li></ul><ul><li>A pessoas humana possui uma estrutura básica que a leva a divisar o futuro, a analisar a realidade e a propor ações e atitudes para transformá-la: </li></ul><ul><li>5 Exemplos a seguir: </li></ul>
  7. 7. I - Consertar Máquinas: (3 passos) <ul><li>A) Compreensão do padrão de funcionamento da máquina; </li></ul><ul><li>B) Diagnóstico  Diferença entre o Padrão e o real funcionamento  Problemas  Avaliação de recursos e possibilidades; e </li></ul><ul><li>C) Decisão do que se vai fazer  ações diretas de solução do problema e/ou orientações (propostas como estratégias) do uso da máquina. </li></ul>
  8. 8. II - Administrar Serviços Públicos: <ul><li>Surge além dos padrões esperados, idéias de segurança, bem-estar, bom atendimento, rapidez, etc.  Geram critérios (indicadores) para o serviço: </li></ul><ul><li>1- Compreensão do padrão + complementação no sentido de buscar mais satisfação dos usuários; </li></ul><ul><li>2- Diagnóstico  identificar problemas + existência e extensão dos mesmos (graus de satisfação); </li></ul><ul><li>3- Decisão mais abrangente em função dos acréscimos  estratégias focadas no comportamento e na qualidade dos serviços. </li></ul>
  9. 9. III – Posições Estratégicas: <ul><li>Aumento da análise da realidade social; </li></ul><ul><li>“Alargamento” da missão; </li></ul><ul><li>Inclui noção de bem-estar de pessoas e grupos; </li></ul><ul><li>Requer a construção de estratégias mais claras. </li></ul>
  10. 10. IV- Órgãos Governamentais: <ul><li>Precisam estabelecer seus horizontes; </li></ul><ul><li>Precisam ser inteiramente públicos; </li></ul><ul><li>Adoção de técnicas e instrumentos de participação que permitam a construção conjunta de rumos e caminhos; </li></ul><ul><li>Precisam definir o tipo de sociedade que querem como horizonte de suas práticas; </li></ul><ul><li>Deve ser feito pelos Administradores Públicos e pelo povo todo representado; </li></ul><ul><li>Compete ao Administrador abrir esta possibilidade e coordenar sua prática. </li></ul>
  11. 11. V – O Sonho e a Prática da Escola, do Partido Político, do Sindicato, etc. <ul><li>Muitos escritos sobre o Planejamento Governamental assemelhando-o ao Gerenciamento Empresarial; </li></ul><ul><li>Poucos escritos sobre Planejamento de instituições cuja finalidade é a geração de riqueza não-material (capital social); </li></ul><ul><li>Pensa-se que planejar é administrar  uso de ferramentas empresariais em instituições cuja finalidade deveria ser contribuir para a construção do ser humano; </li></ul><ul><li>Muitos escritos sobre a participação das pessoas no planejamento, mas SEM a operacionalidade necessária à prática; </li></ul><ul><li>O modelo de planejamento é o mesmo, o que há de novo é a Abrangência Social  Planejamento Participativo oferece a ferramenta para a prática. </li></ul>
  12. 12. Os Caminhos do Planejamento: <ul><li>O Planejamento Participativo pretende ser mais que uma ferramenta para a Administração; </li></ul><ul><li>Busca através da organização, definir que resultados alcançar; </li></ul><ul><li>NÃO busca transformar tudo em gerência; </li></ul><ul><li>Deseja ser o Planejamento de decidir quais as coisas certas a fazer e quais os motivos que nos levam a fazê-las; </li></ul><ul><li>Não renuncia aos instrumentos e às técnicas que permitam “fazê-las bem”. </li></ul>
  13. 13. Visão do Planejamento Participativo: <ul><li>O Planejamento Participativo nasce a partir da Análise Situacional que vê uma sociedade organizada de forma Injusta; </li></ul><ul><li>Injustiça que se caracteriza pela falta de participação; </li></ul><ul><li>Participação  enquanto possibilidade de todos usufruírem dos bens (naturais e produzidos). </li></ul>
  14. 14. Visão do Planejamento Participativo: <ul><li>O Gerenciamento da Qualidade Total (GQT) e o Planejamento Estratégico (PE) não podem ter a mesma proposta para a questão da Participação; </li></ul><ul><li>Ambas tendências servem às empresas  concepção capitalista  elemento de poder = Dinheiro nas mãos de alguns  dificulta a participação; </li></ul><ul><li>Estratégias Neo-liberais buscam criar a aceitação pacífica, via senso comum, da atual distribuição de recursos e poder. </li></ul><ul><li>Necessidade de mudanças na cosmovisão pronta e determinada  necessidade de construir a cada momento uma visão de mundo; </li></ul><ul><li>Todos temos esta sabedoria para descobrir caminhos e esse direito não pode ser subtraído das pessoas. </li></ul>
  15. 15. 3 Desastres Graves na Participação nos Dias de Hoje: <ul><li>1) Manipulação das Pessoas pelas “autoridades”, via simulacro de Participação; </li></ul><ul><li>2) Uso de Metodologias inadequadas  Desgaste da Idéia; e </li></ul><ul><li>3) Falta de Compreensão abrangente da idéia de participação. </li></ul>
  16. 16. Níveis de Participação que Podem Ser Exercidos: (3 níveis) <ul><li>1º.) COLABORAÇÃO : é a mais freqüente, nível em que a “autoridade” chama as pessoas a a trazerem suas contribuições para o alcance do que esta mesma “autoridade” decidiu como proposta, sem que haja alteração no “ status quo ”; </li></ul><ul><li>Pensamento Senhor  Súdito, Rei  Povo. </li></ul><ul><li>Pode ser entendido muitas vezes como sendo o único modo de se fazer participação. </li></ul>
  17. 17. Níveis de Participação que Podem Ser Exercidos: (3 níveis) <ul><li>2º. NÍVEL DE DECISÃO : Vai além da colaboração, o “chefe” decide que todos vão “decidir”; </li></ul><ul><li>Em geral, são tratados aspectos menores, desconectados de uma proposta mais ampla; </li></ul><ul><li>Satisfazer-se com este nível de participação diminui a força transformadora e adia a verdadeira participação. </li></ul>
  18. 18. Níveis de Participação que Podem Ser Exercidos: (3 níveis) <ul><li>3º. CONSTRUÇÃO EM CONJUNTO : Muito pouco freqüente em função de que todo o sistema social está construído sobre outras premissas; </li></ul><ul><li>O próprio pensamento das pessoas Não está orientado para esse modo de convivência; </li></ul><ul><li>As pessoas, em geral, não acreditam na igualdade fundamental que têm entre si; </li></ul><ul><li>Crêem no mais sábio, no mais rico, no mais poderoso; </li></ul>
  19. 19. A Construção em Conjunto: <ul><li>Acontece quando o poder está com as pessoas, independente de diferenças; </li></ul><ul><li>Neste momento, pode-se construir um processo de planejamento em que todos com seu saber próprio, com sua consciência, com sua adesão específica, organizam seus problemas, suas idéias, seus ideais, seu conhecimento da realidade, suas propostas e suas ações; </li></ul><ul><li>Todos crescem juntos, transformam a realidade, criam o novo, em proveito de todos e com um trabalho coordenado; </li></ul>
  20. 20. A Construção em Conjunto: <ul><li>DIFICULDADES: </li></ul><ul><li>Resistência daqueles que perderão privilégios; </li></ul><ul><li>Falta de metodologias adequadas; </li></ul><ul><li>Falta de compreensão e desejo de realizar; e </li></ul><ul><li>Constrangimento exercido pelas estruturas atuais. </li></ul>
  21. 21. Visão Estratégica e Situacional: <ul><li>O Planejamento Participativo incorpora a visão Estratégica Situacional  entende a idéia de Missão de forma mais abrangente e situada no contexto da Globalidade Social; </li></ul><ul><li>Oferece às instituições, grupos, movimentos e organismos governamentais, uma ferramenta que incorpora as conquistas do planejamento na perspectiva Situacional e Estratégica </li></ul>
  22. 22. Visão Estratégica e Situacional - Observações: <ul><li>Dois surtos de planejamento: </li></ul><ul><li>1º. Pós II guerra mundial  URSS; </li></ul><ul><li>2º. Década de 80 concebendo e na de 90 realizando  crise econômica  necessidade de sobrevivência; </li></ul>
  23. 23. Visão Estratégica e Situacional - Observações: <ul><li>Questões que ficam: </li></ul><ul><li>É possível planejamento com democracia ? </li></ul><ul><li>O planejamento pode organizar a prática de modo a interferir na realidade e mudar as idéias nela contidas ? </li></ul><ul><li>Há possibilidade de que a participação vá além do instrumental, alcançando as esferas político-sociais ? </li></ul>
  24. 24. Visão Estratégica e Situacional - Observações: <ul><li>Firmam-se 3 tendências ou correntes: </li></ul><ul><ul><li>Gerenciamento da Qualidade Total (GQT); </li></ul></ul><ul><ul><li>Planejamento Estratégico (PE); e </li></ul></ul><ul><ul><li>Planejamento Participativo (PP). </li></ul></ul><ul><li>Incorporam as três idéias que são fundamentais no Planejamento: </li></ul><ul><ul><li>Qualidade; </li></ul></ul><ul><ul><li>Missão; e </li></ul></ul><ul><ul><li>Participação. </li></ul></ul>
  25. 25. Diferenças Técnicas das Três Tendências: <ul><li>GQT: Satisfazer o Cliente  Planejar é solucionar os problemas que aparecem; </li></ul><ul><li>PE: Firmar-se no mercado, produzir ambiente de lucro futuro e permanência  Planejar  Análise SWOT; </li></ul><ul><li>PP: Contribuir para a transformação da sociedade na linha da Justiça Social  Planejar é desenvolver um processo técnico para um projeto político. </li></ul>
  26. 26. 3 Momentos de Qualquer Plano: Solucionar os problemas que aparecem. O referencial já está dado e não precisa ser definido; Problemas: Pode-se confundir diagnóstico com levantamento de problemas. Não se preocupa com este primeiro ponto porque isto já está definido e resume-se à “Satisfação do Cliente”. GERENCIAMENTO DA QUALIDADE TOTAL: Firmar-se no mercado; Produzir ambiente de lucro futuro e permanência. A idéia de Missão leva a definição de horizontes, mas limitados ao “Negócio” da empresa. O diagnóstico fica com a análise SWOT. Denomina este primeiro momento de “Missão ”, todavia atrelado aos limites da sobrevivência e do crescimento da empresa. PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO: <ul><li>Dupla Dimensão: </li></ul><ul><li>Mudanças no Fazer; </li></ul><ul><li>Mudanças no Ser; </li></ul><ul><li>Transforma-se a realidade Fazendo novas coisas e Sendo diferente. </li></ul><ul><li>Deriva as quatro categorias de propostas: </li></ul><ul><li>Ações; Rotinas; Atitudes e Regras. </li></ul><ul><li>Aumenta a clareza e a precisão, permitindo maior força na intervenção da realidade; </li></ul><ul><li>Requer um conjunto de Idéias que nascem da Paixão. </li></ul>Intermediação entre a Proposta Ideal, do Sonho e a Prática; O plano não começa no diagnóstico, mas no referencial; O diagnóstico é um juízo continuado sobre a prática, para verificar a distancia em que ela está do ideal estabelecido em seu referencial. <ul><li>Marco Referencial: Dimensão Política e Ideológica de opção coletiva. </li></ul><ul><li>Marco Situacional (realidade global da instituição planejada). </li></ul><ul><li>Marco Doutrinal: (Proposição de um projeto político-social de sociedade) </li></ul><ul><li>Marco Operativo: (Processo Técnico ideal para contribuir com a construção desta sociedade). </li></ul>PLANEJAMENTO PARTICIPATIVO: Proposta para Alteração da Realidade: Distância entre a Prática e o Horizonte Definição de Horizonte
  27. 27. Ponto de Vista Metodológico: <ul><li>O Planejamento Participativo desenvolveu um conjunto de conceitos (Gandin p.63), modelos, processos, instrumentos e técnicas para dar importância ao crescimento do coletivo e do pessoal  Construção do referencial, analisando a prática, propondo e realizando uma nova prática; </li></ul><ul><li>Construção Coletiva  requer processos rigorosos que incluem Trabalho Individual, Trabalhos em Pequenos Grupos e Plenários para reencaminhamentos; </li></ul><ul><li>Há um conjunto de técnicas e de instrumentos para que se chegue ao que é o Pensamento Coletivo, evitando polarizações. </li></ul>
  28. 28. Modelo Básico de Plano Global: 3. Programação: 3.1 Objetivos; 3.2 Políticas e Estratégias; 3.3 Determinações Gerais; 3.4 Atividades Permanentes. Propõe: 1- Ações, 2- Comportamentos; 3- Normas e 4- Rotinas para modificar a realidade existente (da instituição, grupo ou movimento, do campo de ação), diminuindo a diferença entre C. e D. e, como conseqüência, influindo na realidade global. Propostas concretas p/a tranformação da realidade institucional existente (para o tempo do plano). E (Não se inclui no plano, mas é necessário conhecê-las para elaborar o diagnóstico. É a descrição da realidade e da prática específicas da instituição (grupo ou movimento) que se está planejando. Realidade Institucional existente. D 2. Diagnóstico de Necessidades Expressa o ju[izo que o grupo faz da sua realidade, em confronto com o ideal traçado para seu fazer. Deste julgamento (avaliação), ficam claras as necessidades da instituição. Confornto ente C. e D. 1.3 Marco Operativo. Expressa a utopia instrumental do grupo; Expõe as opções (em termos ideais) em relação ao campo de ação e à instituição(grupo ou movimento) e fundamenta essas opções em teoria. Realidade Desejada do Campo de ação e da Instituição (grupo ou movimento) em processo de planejamento. C 1.2 Marco Doutrinal. Expressa a utopia social, o “Para que direção nos movemos” do grupo. Expõe opções (em termos ideais) em relação ao campo de ação e à instituição (grupo ou movimento) e fundamenta essas opções em teoria. Realidade Global Desejada: B 1.1 Marco Situacional. Diz como o grupo percebe a realidade global em seus problemas, desafios e esperanças. Realidade Global Existente: A Modelo (esquema) de Plano: Significado de cada parte: Aspectos a considerar:
  29. 29. Questões Fundamentais do Planejamento e Modelo Básico de Plano de Planejamento Participativo: <ul><li>O modelo básico de Plano Global de Médio Prazo necessita ser complementado por planos setoriais; </li></ul><ul><li>Desdobrado em Planos de curto-prazo que se encarreguem de definir: </li></ul><ul><ul><li>As ações concretas; </li></ul></ul><ul><ul><li>As atitudes; </li></ul></ul><ul><ul><li>As regras; e </li></ul></ul><ul><ul><li>As rotinas para o período de duração de cada um dos planos. </li></ul></ul>
  30. 30. Prof.Adm.MSc. Paulo Sérgio de Moura Bastos , [email_address]

×