Fundamentos da medicina ayurvedica

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Fundamentos da medicina ayurvedica

  1. 1. ÍNDICEÍNDICE................................................................................................................. 1 PREFÁCIO ........................................................................................................ 9 NOTA PARA A EDIÇÃO INDIANA ............................................................... 10 PREFÁCIO PARA A EDIÇÃO REVISADA ..................................................... 13 PREFÁCIO PARA A PRIMEIRA EDIÇÃO ...................................................... 15 ABREVIAÇÕES .............................................................................................. 25 EQUIVALENTES ROMANOS DO DEVANAGARI ........................................ 26CAPÍTULO I ...................................................................................................... 27INTRODUÇÃO .................................................................................................. 27 DEFINIÇÃO DE AYURVEDA ................................................................................ 29 ÁREA DE ATUAÇÃO DO AYURVEDA ................................................................... 29 OS OITO RAMOS DO AYURVEDA ........................................................................ 30 CARACTERÍSTICAS SINGULARES DO AYURVEDA ................................................. 31CAPÍTULO II .................................................................................................... 34REVISÃO HISTÓRICA .................................................................................... 34 MITOLOGIA SOBRE A ORIGEM DO AYURVEDA .................................................... 34 AYURVEDA NA ERA PRÉ-VÉDICA ...................................................................... 35 AYURVEDA NA ERA VÉDICA.............................................................................. 36 AYURVEDA NO PERÍODO PÓS-VÉDICO ............................................................... 37 CRÔNICAS SOBRE A VIDA DE JIVAKA ................................................................. 38 A ESTÓRIA DE BHOJA ........................................................................................ 40 INTERRUPÇÃO DO PROGRESSO NO PERÍODO MEDIEVAL ...................................... 40 RESTAURAÇÃO DO AYURVEDA .......................................................................... 41CAPÍTULO III ................................................................................................... 43PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS ...................................................................... 43 CRIAÇÃO DO UNIVERSO .................................................................................... 43 TEORIA PAÑCA MAHABHUTA ............................................................................... 46 DETERMINAÇÃO DA COMPOSIÇÃO MAHABHÁUTICA DE UMA DROGA A PARTIR DE SUAS PROPRIEDADES ..................................................................... 48 O CONCEITO DE TRIDOSHA ................................................................................. 48 1
  2. 2. CONDIÇÕES DOS DOSHAS NAS DIFERENTES ESTAÇÕES DO ANO ........................... 52 FATORES RESPONSÁVEIS PELA ALTERAÇÃO DOS DOSHAS ................................... 52 SINAIS E SINTOMAS DO AGRAVAMENTO DOS DOSHAS ......................................... 53 TRATAMENTO DE DOENÇAS CAUSADAS POR PERTURBAÇÕES DOS DOSHAS .......... 53 TERAPIA DE ELIMINAÇÃO PARA CORREÇÃO DOS DOSHAS ALTERADOS ................ 54 DOENÇAS CAUSADAS PELOS DOSHAS ................................................................. 54 CONCEITO DE SAPTA DHATU ............................................................................. 59 CONCEITO DE MALA .......................................................................................... 62 SROTAS OU CANAIS DE CIRCULAÇÃO .................................................................... 63 CAUSAS DAS ALTERAÇÕES DOS SROTAS ................................................................ 65 SÍTIOS DE ORIGEM DOS SROTAS E SINTOMAS CAUSADOS POR SUAS ALTERAÇÕES ..... 66 LINHA DE TRATAMENTO ...................................................................................... 68 DIGESTÃO E METABOLISMO ................................................................................ 69 PRAKRTI OU CONSTITUINTE FÍSICO ..................................................................... 74 FATORES RESPONSÁVEIS PELA DETERMINAÇÃO DE PRAKRTI .................................. 77 CARACTERÍSTICAS DOS INDIVÍDUOS QUE POSSUEM KAPHA PRAKRTI ...................... 78 CARACTERÍSTICAS DE UM INDIVÍDUO QUE POSSUI PITTA PRAKRTI ......................... 79 CARACTERÍSTICAS DE UM INDIVÍDUO QUE POSSUI VATA PRAKRTI ......................... 80 CARACTERÍSTICAS E CONTROLE DE UMA PESSOA QUE POSSUI VATA PRAKRTI........... 81 CARACTERÍSTICAS E CONTROLE DE UMA PESSOA QUE POSSUI PITTA PRAKRTI ........ 82 CARACTERÍSTICAS E CONTROLE DE UMA PESSOA QUE POSSUI KAPHA PRAKRTI ...... 83 CONCEITO DE MENTE ......................................................................................... 84 SINÔNIMOS E SUAS IMPLICAÇÕES ......................................................................... 85 MENTE E MANAS ............................................................................................... 85 DESENVOLVIMENTO DO CONCEITO ...................................................................... 85 TRÊS PONTOS DE VISTA DIFERENTES ................................................................... 86 SERES SENCIENTES E NÃO SENCIENTES................................................................. 87 ANTAHKARANA OU OS MEIOS INTERNOS DE PERCEPÇÃO ...................................... 88 LOCALIZAÇÃO .................................................................................................... 89 DIMENSÕES E NÚMEROS ..................................................................................... 90 FUNÇÕES .......................................................................................................... 90 DIFERENTES NÍVEIS DE MENTE............................................................................ 90 CLASSIFICAÇÃO DAS FACULDADES MENTAIS ......................................................... 91 COMPOSIÇÃO DAS DROGAS ................................................................................. 94 CLASSIFICAÇÃO DAS DROGAS .............................................................................. 95 RASA OU SABOR ................................................................................................ 96 SABORES E DOSHAS ........................................................................................... 97 GUNAS E QUALIDADES........................................................................................ 97 VIRYA OU POTÊNCIA ......................................................................................... 98 VIPAKA OU SABOR PÓS-DIGESTIVO ..................................................................... 99 PRABHAVA OU AÇÃO ESPECÍFICA ....................................................................... 99CAPÍTULO 4 ................................................................................................... 101MEDICINA PREVENTIVA ............................................................................ 101 DINACARYA (CONDUTA NO PERÍODO DIURNO).............................................. 1012
  3. 3. LIMPEZA DA FACE ............................................................................................ 101PROTEÇÃO DA VISÃO ........................................................................................ 101BEBER UM COPO DE ÁGUA................................................................................ 102EVACUAÇÃO .................................................................................................... 102HIGIENE DOS DENTES ....................................................................................... 103RASPAGEM DA LÍNGUA...................................................................................... 104USO DE GOTAS NASAIS ..................................................................................... 104MASTIGAÇÃO ................................................................................................... 104GARGAREJOS ................................................................................................... 105APLICAÇÃO DE ÓLEO NA CABEÇA ...................................................................... 105GOTAS DE ÓLEO NOS OUVIDOS ......................................................................... 105MASSAGEM COM ÓLEO ..................................................................................... 106EXERCÍCIOS ..................................................................................................... 107  Efeitos Benéficos dos Exercícios .......................................................... 107  Efeitos Prejudiciais do Exercício Excessivo ......................................... 107  Características do Exercício Correto................................................... 107  Contra-Indicações para os Exercícios ................................................. 107BANHO ............................................................................................................ 108VESTIMENTAS ................................................................................................... 108USO DE PERFUMES .......................................................................................... 108USO DE ORNAMENTOS ...................................................................................... 108CUIDADOS COM CABELOS E UNHAS ................................................................... 108CALÇADOS ....................................................................................................... 108ALIMENTOS ...................................................................................................... 109USO DE COLÍRIO .............................................................................................. 110FUMO ............................................................................................................. 110  Características do Uso Correto do Fumo ............................................ 111  Características do Uso Insuficiente do Fumo ....................................... 111  Características do Uso Excessivo de Fumo .......................................... 111CÓDIGO DE ÉTICA GERAL ................................................................................. 111ESTUDO .......................................................................................................... 113CONDUTA GERAL ............................................................................................. 113AMIGOS CONVENIENTES ................................................................................... 114PESSOAS INCONVENIENTES PARA A AMIZADE ....................................................... 115RATRICARYA (CONDUTA NO PERÍODO NOTURNO) ......................................... 115SONO .............................................................................................................. 115  Tipos Diferentes de Sono ..................................................................... 116  Contra-indicações ao Sono Diurno...................................................... 116  Indicações do Sono Diurno ................................................................. 117  Causas da Insônia ............................................................................... 118  Medidas que Favorecem um Sono Benéfico ......................................... 118CONDUTA DURANTE A REFEIÇÃO NOTURNA ....................................................... 118USO DE IOGURTE À NOITE................................................................................. 118LEITURA DURANTE A NOITE .............................................................................. 119RELAÇÕES SEXUAIS .......................................................................................... 119RTUCARYA (CONDUTA DURANTE AS ESTAÇÕES DO ANO) ................................ 120 3
  4. 4. OS DOIS SOLSTÍCIOS ........................................................................................ 120 EFEITOS DE ADANA KALA NO CORPO ............................................................... 124 EFEITOS DO VISARGA KALA SOBRE O CORPO .................................................... 124 DIETA E CONDUTA PARA O INVERNO .................................................................. 124 DIETA E CONDUTA PARA A PRIMAVERA ............................................................... 126 DIETA E CONDUTA PARA O VERÃO ..................................................................... 126 DIETA E CONDUTA PARA A ESTAÇÃO CHUVOSA ................................................... 127 DIETA E CONDUTA PARA O OUTONO .................................................................. 128 NECESSIDADES BÁSICAS .................................................................................... 129 NECESSIDADES QUE DEVEM SER SUPRIMIDAS ..................................................... 131 TERAPIA REJUVENESCEDORA............................................................................. 131  Objetivo do Rasayana ......................................................................... 132  Duração da Vida................................................................................. 132  Época de Administração...................................................................... 135  Pessoas Convenientes para o Rasayana............................................... 135  Método de Administração.................................................................... 136  Drogas Rasayanas............................................................................... 136 CYAVANAPRASA ............................................................................................. 137  Dose ................................................................................................... 137  Dieta................................................................................................... 138 OUTRAS CONDUTAS .......................................................................................... 138 PROCESSO DE MORTE ....................................................................................... 138CAPÍTULO 5 ................................................................................................... 139A PRÁTICA DA MEDICINA .......................................................................... 139 O EXAME DO PACIENTE .................................................................................... 139 EXAME DA IDADE DO PACIENTE......................................................................... 143 EXAME DO VIGOR DO PACIENTE ........................................................................ 144 O QUE É ESTE VIGOR? ...................................................................................... 144 O QUE É TEJAS? .............................................................................................. 144 O QUE É OJAS?................................................................................................ 145 ASPECTOS CARACTERÍSTICOS DO CORPO COMPACTO .......................................... 146 DISTÚRBIOS DO VIGOR ..................................................................................... 147 ANÁLISE DO SATTVA ........................................................................................ 147 AVALIAÇÃO DA SAÚDE ...................................................................................... 148 EXAME DA DOENÇA .......................................................................................... 150  Nidana ou Fatores Causais ................................................................. 151  Purvarupa ou Primeiros Sintomas ....................................................... 152  Rupa ou Sinais e Sintomas Manifestados ............................................. 153  Upasaya ou Terapia Exploratória ....................................................... 153  Samprapti ou Patogênese .................................................................... 155  Kriya kala ou Estágios de Manifestação de uma Doença ..................... 157  Diferentes Tipos de Samprapti............................................................. 157 CAUSAS DAS DOENÇAS ...................................................................................... 157  Negligência Intelectual (prajna paradha).............................................. 1584
  5. 5.  Conjunção Patológica dos Órgãos Sensoriais e seus Objetos ............... 158  Variações no Tempo e no Período ....................................................... 159 TRÊS TIPOS DE DOENÇAS .................................................................................. 160 DOENÇAS DO SISTEMA PERIFÉRICO ................................................................... 160 DOENÇAS DO CAMINHO INTERMEDIÁRIO ............................................................ 160 DOENÇAS DO SISTEMA CENTRAL ........................................................................ 161 SÍTIOS DE ORIGEM DAS DOENÇAS ...................................................................... 161 MODO DE DISSEMINAÇÃO DA DOENÇA ............................................................... 162 SÍTIO DE MANIFESTAÇÃO DA DOENÇA ................................................................ 163 DOENÇAS E SUAS VARIEDADES........................................................................... 163 TERAPÊUTICA .................................................................................................. 168 CATEGORIAS DE DOENÇAS ................................................................................ 170 DIFERENTES TIPOS DE TERAPIAS ....................................................................... 172  Langhana ou Terapia de Alívio ........................................................... 173  Brmhana ou Terapia de Nutrição ........................................................ 174  Ruksana ou Terapia Secativa............................................................... 174  Snehana ou Terapia de Oleação .......................................................... 175  Svedana ou Terapia de Fomentação .................................................... 176CAPÍTULO 6 ................................................................................................... 177DIETA .............................................................................................................. 177 CLASSIFICAÇÃO DOS GÊNEROS ALIMENTÍCIOS E DAS BEBIDAS .............................. 178  Sukadhanya (cereais com cerdas) ........................................................ 179  Samidhanya (grãos comestíveis) .......................................................... 179  Mamsavarga (carnes) .......................................................................... 179  Saka varga (vegetais) .......................................................................... 185  Phalavarga (frutas) .............................................................................. 185  Harita varga (vegetais utilizados crus) ................................................. 187  Madya varga (bebidas alcoólicas) ....................................................... 187  Jala varga (vários tipos de água) ......................................................... 187  Gorasa varga (derivados do leite) ........................................................ 188  Iksu varga (produto da cana de açúcar)............................................... 188  Krtanna varga (preparações de alimentos cozidos)............................... 188  Aharayogi varga (acessórios das preparações) .................................... 188CAPÍTULO 7 ................................................................................................... 189DROGAS .......................................................................................................... 189 AÇÕES DO SABOR DOCE .................................................................................. 189 AÇÕES DO SABOR AZEDO ................................................................................ 189 AÇÕES DO SABOR SALGADO ............................................................................ 190 AÇÕES DO SABOR PUNGENTE .......................................................................... 191 AÇÕES DO SABOR AMARGO ............................................................................. 192 AÇÕES DO SABOR ADSTRINGENTE ................................................................... 192 5
  6. 6. CLASSIFICAÇÃO DAS DROGAS AYURVÉDICAS................................................... 193 PREPARAÇÕES COMPOSTAS ............................................................................. 194 NOMES DAS FORMULAÇÕES DE DROGAS .......................................................... 195 PROCESSOS FARMACÊUTICOS .......................................................................... 196 SODHANA OU PURIFICAÇÃO ............................................................................. 196 MELHORES DROGAS, DIETAS E CONDUTAS ...................................................... 197 MELHORES DROGAS PARA CERTAS DOENÇAS .................................................. 202CAPÍTULO 8 ................................................................................................... 206MÉTODOS DE PREPARAÇÃO DAS DROGAS AYURVÉDICAS............... 206  Suco.................................................................................................... 206  Pó (Curna) .......................................................................................... 207  Decocção (Kvatha) ............................................................................. 207  Pasta (Kalka) ...................................................................................... 208  Infusão (Phanta) .................................................................................. 208  Infusão fria (Situ kasaya) .................................................................... 208  Preparação com leite (Ksira paka) ...................................................... 208  Emplastro ou geléia (Avaleha, lehya, paka ou khanda) ........................ 208  Ghee e óleo medicinal (taila e ghrta).................................................... 209  Preparações alcoólicas (Asava e arista) .............................................. 210  pílulas (Gutika, vati e modaka)............................................................ 211  Preparações em crosta (Parpati).......................................................... 212  Medicamentos preparados por sublimação (Kupipakva rasayana)........ 212  Pisti .................................................................................................... 213  Colírio (Anjana).................................................................................. 213  Metais, minerais, pedras preciosas e outros calcinados em pó (Bhasma) 213CAPÍTULO 9 ................................................................................................... 215A CANNABIS E OS ANTIGOS TEXTOS MÉDICOS ................................... 215 REVISÃO DA LITERATURA .................................................................................. 216 SINÔNIMOS ...................................................................................................... 218 MITOLOGIA SOBRE A ORIGEM DA CANNABIS ........................................................ 219 DESCRIÇÃO MORFOLÓGICA EM TEXTOS ANTIGOS ................................................ 219 SEXO DA PLANTA .............................................................................................. 220 USUÁRIOS AUTORIZADOS .................................................................................. 220 PROCESSOS FARMACÊUTICOS ............................................................................ 221 FORMULAÇÃO .................................................................................................. 222 INDICAÇÕES TERAPÊUTICAS .............................................................................. 223 TOXICIDADE .................................................................................................... 224 CONTROLE DOS E FEITOS TÓXICOS ..................................................................... 225 VIJAYA KALPA OU PREPARAÇÃO ESPECIAL PARA O REJUVENESCIMENTO ............. 225 CULTIVO ......................................................................................................... 2266
  7. 7. PROCESSAMENTO ............................................................................................. 227 ADMINISTRAÇÃO DA TERAPIA ............................................................................ 227 DISCUSSÃO ...................................................................................................... 228CAPÍTULO 10 ................................................................................................. 232A DROGA TERMINALIA CHEBULA NA LITERATURA MÉDICAAYURVÉDICA E TIBETANA ........................................................................ 232 ESTÓRIAS MITOLÓGICAS ................................................................................... 233 SINÔNIMOS ...................................................................................................... 234 VARIEDADES .................................................................................................... 235 IDENTIFICAÇÃO DOS VÁRIOS TIPOS .................................................................... 237 HABITAT .......................................................................................................... 237 CARACTERÍSTICAS BOTÂNICAS ........................................................................... 238 ANÁLOGOS ...................................................................................................... 238 RASA, VIRYA, VIPAKA E GUNA........................................................................ 239 PROPRIEDADES TERAPÊUTICAS ......................................................................... 240  Notas .................................................................................................. 241CAPÍTULO 11 ................................................................................................. 246O ALHO NOS ANTIGOS TEXTOS MÉDICOS INDIANOS ......................... 246 MITOLOGIA SOBRE A ORIGEM DE LASUNA ......................................................... 247 VARIEDADES .................................................................................................... 249 SINÔNIMOS ...................................................................................................... 250 RASA OU SABOR DA DROGA .............................................................................. 251 PROPRIEDADES E AÇÕES FARMACOLÓGICAS ....................................................... 252 USOS TERAPÊUTICOS ........................................................................................ 254 ADJUVANTES PARA DIFERENTES DOENÇAS ......................................................... 256 RASONA KALPA .............................................................................................. 257  Pessoas Adequadas para a Administração de Rasona Kalpa ................ 258  Pessoas Inadequadas para Rasona Kalpa............................................ 258  Estação Adequada .............................................................................. 259  Coleta do Allium sativum..................................................................... 259  Processamento .................................................................................... 259  Dosagem............................................................................................. 261  Preparação do Paciente ...................................................................... 261  Método de Administração.................................................................... 262  Complicações e seu Controle............................................................... 262  Anupana ............................................................................................. 262  Cuidados Pós-Terapia......................................................................... 263  Duração da Terapia ............................................................................ 263  Pathya ou Dieta Adequada .................................................................. 263  Alimentos e Condutas Insalubres ......................................................... 264  Complicações Decorrentes de Condutas Inadequadas ......................... 264 7
  8. 8.  Tratamento das Complicações............................................................. 265  Cuidados Pós-Terapia......................................................................... 265 FORMULAÇÕES COMBINADAS ............................................................................ 265  Notas e Referências............................................................................. 267CAPÍTULO 12 ................................................................................................. 269ESTUDO E PRÁTICA ..................................................................................... 269 SELEÇÃO DE TEXTOS MÉDICOS .......................................................................... 269 SELEÇÃO DE UM PROFESSOR DE MEDICINA ........................................................ 270 SELEÇÃO DO ESTUDANTE DE MEDICINA ............................................................. 271 INICIAÇÃO AO ESTUDO...................................................................................... 272 OS MÉDICOS E SUAS CARACTERÍSTICAS .............................................................. 273 CARACTERÍSTICAS DE UM BOM MÉDICO ............................................................. 273 CARACTERÍSTICAS DOS MÉDICOS FINGIDOS E PSEUDOMÉDICOS ........................... 276CAPÍTULO 13 ................................................................................................. 278OUTROS SISTEMAS TRADICIONAIS DE MEDICINA.............................. 278 UNANI TIBB ..................................................................................................... 278  Princípios Fundamentais do Sistema Unani de Medicina ..................... 280 SISTEMA SIDDHA DE MEDICINA ......................................................................... 281  Mitologia sobre a Origem do Sistema Siddha ...................................... 281  Propositores do Sistema Siddha de Medicina ....................................... 282  Princípios Fundamentais..................................................................... 282  Classificação das Drogas .................................................................... 283  Diagnóstico das Doenças .................................................................... 284  Kalpa Cikitsa ...................................................................................... 284 EMCHI OU SISTEMA TIBETANO DE MEDICINA ...................................................... 285  Classificação do Conhecimento ........................................................... 286  Relações Indo-Tibetanas ..................................................................... 286 PRAKRTIKA CIKITISA (NATUROPATIA) ................................................................. 288  História .............................................................................................. 288  Princípios Fundamentais..................................................................... 289  Prática da Naturopatia ....................................................................... 290 YOGA .............................................................................................................. 290  Princípios Fundamentais..................................................................... 291 TANTRA ........................................................................................................... 2998
  9. 9. PREFÁCIO Entre a linha de frente dos eruditos em Ayurveda da novageração, o Dr. Bhagwan Dash é uma daquelas poucas pessoasnas quais deposito minhas esperanças pela manutenção daimagem pura do Ayurveda tanto na Índia quanto no exterior. Seu novo livro é benvindo pois, considerando que o autorestá intimamente familiarizado com os conceitos do Ayurveda, suaexposição permanece livre das distorções laboriosas quecaracterizam o trabalho das vítimas de vários tipos de complexosde inferioridade cuja principal preocupação parece ser, de algumaforma, ajustar os conceitos Ayurvédicos ao leito procustiano daalopatia. Nesta obra, sua última compilação, o Dr. Dash trabalhoucom os fundamentos do Ayurveda de uma maneira lúcida e comestilo facilmente compreensível. O livro é lançado em uma épocaem que o Ayurveda atrai a atenção dos cientistas médicos depaíses desenvolvidos como os EUA e o Japão, e no momento emque esta grande Ciência Indiana da Vida começa a sedesenvolver nas instituições médicas ocidentais. Deste modo,esta publicação oportuna é destinada a disseminar efetivamente oconhecimento do Ayurveda entre os estudantes da ciência médicatanto no Oriente como no Ocidente.Shiv SharmaPresidente do Conselho Central de Medicina IndianaNova Delhi 9
  10. 10. NOTA PARA A EDIÇÃO INDIANA Revelações mais recentes sobre os efeitos colaterais dasdrogas alopáticas — quimioterápicos e antibióticos — têmaterrorizado muitas pessoas em todo o mundo e existem esforçoscombinados para encontrar uma alternativa para as mesmas. OAyurveda, a medicina tradicional da Índia, consiste de uma práticaininterrupta desde eras pré-históricas e talvez sua posição seja amais viável na área. Infelizmente, devido às dificuldades da línguana qual foram compostos os clássicos originais, o conhecimentode seus princípios e práticas fundamentais tem permanecidoinacessível aos cientistas e pesquisadores do Ocidente e mesmopara alguns indianos não familiarizados com o sânscrito. Parasatisfazer esta imensa necessidade estamos publicando estetrabalho do Dr. Bhagwan Dash. O Dr. Dash não é um autor novo para os leitores. Há maisde três décadas está ativamente conectado com a profissãoAyurvédica – em sua pesquisa e prática. Ao lado das muitascontribuições aos jornais estrangeiros e indianos, tem participadode diversas conferências internacionais sobre Ayurveda, Yoga,Medicina Tibetana e outras ciências orientais, tendo viajado paravárias regiões da Índia e países estrangeiros com esta finalidade. São suas estas importantes publicações:1. Caraka Samhita, com tradução e notas críticas em inglês,baseado no Ayurveda Dipika de Cakrapani, volumes I, II, III e IV;2. Concept of Agni in Ayurveda;3. Ayurvedic Treatment for Common Diseases;4. Embryology and Maternity in Ayurveda;5. Tibetan Medicine with Special Reference to Yoga Sátaka10
  11. 11. 6. Ayurveda for Healthy Living. No capítulo introdutório deste livro, são ressaltadas asvantagens únicas do Ayurveda, seu progresso e os altos e baixosatravés dos diferentes períodos da história. Descrevem-se emdetalhes os princípios fundamentais como a teoria do PañcaMahabhuta, as teorias do Tridosha e do Sapta Dhatu que sãoessenciais para a compreensão adequada do Ayurveda. Estaciência atribui grande ênfase à preservação de uma saúdeverdadeira e à prevenção das doenças. Estão delineados osvários métodos descritos no Ayurveda e praticados na Índiaantiga. A dieta representa um importante papel na práticaAyurvédica. Conseqüentemente, detalhes sobre os váriosingredientes das dietas e as bebidas encontram lugar neste livro.Para ilustrar o conceito da composição e da ação de uma droganos diferentes clássicos ayurvédicos e Nighantus, estão descritasem detalhes três drogas: Cannabis, Haritaki e Allium. Todas estasdrogas são extensivamente utilizadas no Ayurveda,principalmente para propósitos de rejuvenescimento. O métodoempregado na Índia antiga para a seleção de estudantes, osensinamentos e a iniciação dos médicos também estão incluídos.Há muitos outros sistemas tradicionais de medicina na Índia;alguns são contemporâneos ao Ayurveda e outros vieram paraeste país posteriormente. Eventualmente, ocorre um intercâmbiode idéias entre o Ayurveda e tais sistemas. Portanto, é fornecidoum resumo dos princípios fundamentais das medicinas Unani,Siddha, Emchi ou Tibetana, o Prakrtika Cikitsa ou Naturopatia,juntamente com a Yoga e os Tantras, no último capítulo destelivro. Se este trabalho puder auxiliar a mitigar um pouco osofrimento da humanidade e a promover o avanço da ciênciamédica, sentiremos nossos esforços amplamente recompensados. 11
  12. 12. R. S. Bansal12
  13. 13. PREFÁCIO PARA A EDIÇÃO REVISADA Mesmo que as drogas de origem vegetal predominem nasprescrições Ayurvédicas, no período pós-Budista, surgiu um ramoespecial desta ciência vital denominado Rasasastra ouIatroquímica. Neste ramo, descrevem-se propriedades e métodosde processamento de metais, minerais, pedras preciosas erochas. É utilizado tanto para promoção como para a prevençãoda saúde verdadeira e a cura das doenças. O uso de metais, etc.era por certo encontrado nos clássicos Ayurvédicos antes dodesenvolvimento deste ramo, mas sua utilização freqüente estavarestrita e era utilizada em forma bruta ou semi-processada. Osmonges budistas, os siddhas e os santos da escola Nathadescobriram que os produtos herbáceos isolados sãoinadequados para enfrentar as alterações causadas por doençasdevastadoras e pela debilidade física. Com base em seusexperimentos, experiências e, sobretudo, poder espiritual, elesprocessavam metais para torná-los não tóxicos, terapeuticamentemais potentes, especialmente para o rejuvenescimento do corpo,com o qual poderiam prosseguir em suas práticas espirituais semobstáculos, livre de doenças e da morte prematura. O objetivoprimário era atingir o estado de jivan-mukta ou da salvação daalma, enquanto ainda vivos e enquanto ainda estivessem servindoà sociedade. Metais, assim como produtos vegetais, são compostos decinco elementos básicos denominados mahabhutas e todos osconceitos da composição e da ação das drogas são aplicáveis aosmesmos como um todo. A única diferença encontra-se em quesejam utilizados em doses muito pequenas, através das quais são 13
  14. 14. capazes de curar muitas doenças crônicas e, portanto, incuráveis,incluindo aquelas para as quais esteja indicado o procedimentocirúrgico. Na medicina moderna, algumas preparações metálicas, emuso no passado, foram abandonadas como conseqüência de seusefeitos tóxicos. Os cientistas e médicos modernos estão, portanto,temerosos em utilizar as fórmulas Ayurvédicas para si e para seuspacientes. Isto se deve principalmente à sua ignorância quanto àrealização dos procedimentos seguidos pelos médicosAyurvédicos na preparação destes metais, tornando-os livres dequaisquer efeitos adversos ao organismo, antes de utilizá-loscomo medicamentos. O uso criterioso destas preparações metálicas podeprevenir a necessidade de cirurgia em muitas doenças e, portanto,tornar os pacientes livres dos fatores de risco. As diversasdoenças para as quais a medicina moderna não possuimedicamentos disponíveis, no momento, podem ser curadassatisfatoriamente por estas preparações. Para eliminar aignorância e para atingir a iluminação, foi adicionado à esta ediçãoum novo capítulo sobre os ―Métodos de Preparação dosMedicamentos Ayurvédicos‖, somado a muitas outras alterações esuplementos.Dr. Bhagwan Dash14
  15. 15. PREFÁCIO PARA A PRIMEIRA EDIÇÃO A utilização dos sistemas tradicionais de medicina para osserviços de promoção da saúde, prevenção e cura das doençastem sido seriamente considerada em várias partes do mundo. AOrganização Mundial de Saúde, em uma de suas Resoluções,enfatiza a utilização destes sistemas médicos pelos paísessubdesenvolvidos e em desenvolvimento. Juntamente com acrescente apreciação dos méritos destes sistemas tradicionais demedicina, há um aumento na demanda de livros expondo osprincípios fundamentais em que se baseiam. Algumas destas práticas tradicionais estão apenas nofolclore e outras estavam compostas originalmente em idiomascomo o sânscrito, chinês, tibetano, mongól, árabe, persa, tamil esimhali. Nas últimas poucas décadas houve uma exploração dasdrogas destes sistemas tradicionais sem uma observaçãocuidadosa aos seus princípios fundamentais. O uso destas drogasnão é meramente empírico, como considerado por algumaspessoas, mas para alguns destes sistemas tradicionais existemfundamentos racionais e científicos para explicar a ação e acomposição das drogas, as causas das doenças, sua prevenção,assim como a cura e a manutenção de uma estado de saúdeverdadeiro. É necessário, portanto, que cientistas e pesquisadorestrabalhem para se familiarizarem com estes princípiosfundamentais antes de se envolverem na exploração de novasdrogas e terapias poderosas. 15
  16. 16. Os princípios fundamentais destes sistemas tradicionaisestão freqüentemente combinados com filosofia, religião easpectos aplicados. Aprender a linguagem original e examinar taisprincípios apresenta-se como um problema difícil mesmo para umpesquisador bem intencionado. Na época em que estes textosforam compostos, a facilidade de impressão também não existiaou não estava bem desenvolvida. Portanto, havia um esforçointencional da parte dos autores em produzir trabalhos sucintos ecríticos. A maioria dos trabalhos originais sobre o Ayurveda estãoescritos em versos, freqüentemente concisos e de difícilcompreensão. Como conseqüência das vicissitudes da época,muitos destes textos foram perdidos e subseqüentementerestaurados com o auxílio de diferentes fontes materiais entãoexistentes. Eram freqüentes as alterações não autorizadas e oserros de interpretação durante tais processos de recuperação ecaligrafia. Deste modo, o preparo de um livro sobre os princípiosfundamentais do Ayurveda, com uma linguagem simples,selecionando cuidadosamente materiais autênticos a partir destestextos, deve-se à grande necessidade de auxiliar ospesquisadores e estudantes neste campo da ciência. Com relação às ciências modernas básicas, como a físicae a química, alguns destes princípios dos sistemas tradicionais demedicina podem ser aparentemente irracionais e não-científicos.Uma pessoa com atitude científica não deve precipitar-se em tirarconclusões sobre eles à primeira vista. As limitações das ciênciasmodernas, principalmente quando relacionadas com um assuntocomo a medicina, são bem conhecidas. O indivíduo não é apenasum aglomerado de pele, músculos e ossos, mas possui umamente, um intelecto, o ego e uma alma. Neste campo pouco temsido feito pela ciência moderna. Os cientistas de todo mundoestão imensamente preocupados com as pesquisas neste campo,mas levará um tempo considerável até que surjam16
  17. 17. empreendimentos suficientes nesta direção. Portanto, antes dequaisquer conclusões sobre os princípios fundamentais doAyurveda devem ser feitas considerações adequadas parapreencher esta lacuna no conhecimento atual. Em toda cultura, a tradição ocupa uma importante funçãoe, com freqüência, impõe-se uma crença irracional pelosindivíduos da região sem a verificação da veracidade destaspráticas tradicionais. Por outro lado, em nome da civilização e damodernização, estas práticas tradicionais são detestáveis paraalguns. Consideram tudo que é tradicional como supersticioso edogmático e, portanto, defendem sua total rejeição. A verdaderepousa talvez em alguma área entre estas duas linhas deabordagem. Embora não seja nem desejável nem científicoaceitar tudo o que for tradicional como verdadeiro, sem verificaçãoadequada, é igualmente não científico rejeitá-los completamenteapenas por serem tradições ou antigos. Muitos aspectos considerados mitos tornam-se agora fatoscientíficos. A circulação sangüínea descrita no Susruta Samhita(antes de 700 A.C.) era mito até Harvey. A secreção ou sucogástrico e sua função no processo digestivo como descrito noCaraka Samhita (antes de 700 A.C.) era um mito até Pavlov. Aprática tradicional de inoculação contra varíola (masurika) era ummito até Edward Jenner. Mesmo atualmente, pessoas capazes deopinar recusam-se a acreditar que pudesse ser utilizada na Índiatal prática preventiva para uma doença tão temerosa, antes desua exploração científica. Esta antiga prática é predominantemesmo nos dias de hoje (quando a varíola já está erradicada emnosso país) pelos Malis, nas vilas de Bihar. A descrição da cirurgiaplástica como feita no Susruta Samhita teria permanecido ummito, não fosse sua vasta propagação e aceitação no presentepelos cirurgiões ocidentais. O transplante de cabeça descrito nosVedas, para o qual há uma referência neste livro, e o 17
  18. 18. rejuvenescimento do corpo descrito na literatura védica e nosclássicos Ayurvédicos, como o Caraka Samhita e o SusrutaSamhita, continuam sendo considerados mitos até que sejamdemonstrados na prática. O poeta Kalidasa, na introdução de suamemorável peça Malavikagnimitra afirma: “Todas as coisas antigas não devem ser necessariamente verdadeiras; todas as coisas novas não devem ser necessariamente isentas de falhas. Para o homem sábio, ambas devem ser aceitas apenas se permanecerem após o teste. O insensato, entretanto, é controlado pela corrente de opiniões alheias”. O Ayurveda, assim como outros sistemas de medicinatradicional possui características únicas. Enfatiza a promoção dasaúde verdadeira e a prevenção das doenças. A existência deorganismos e seu papel na causa de muitas doenças infecciosastêm sido reconhecida e trabalhada. Mas para promover a cura e aprevenção destas doenças, as drogas e as terapias prescritas nosclássicos Ayurvédicos e administradas por médicos assimformados não objetivam a destruição destes organismos. Algunsdestes medicamentos podem possuir efeitos bacteriostáticos oubactericidas, mas a maioria deles não age desta maneira. NoAyurveda, dá-se mais ênfase ao ―campo‖ do que à ―semente‖. Seo campo está árido, a semente, por mais potente que seja, nãopoderá germinar. Da mesma maneira, por mais agressivos que abactéria ou o microorganismo possam ser, não serão capazes deproduzir uma doença no corpo humano, a menos que os tecidosdeste corpo estejam férteis o suficiente para aceitá-los e ajudá-losem seu crescimento e multiplicação. A destruição destesorganismos por medicamentos não resolve o problemapermanentemente. Pode oferecer um alívio momentâneo e,18
  19. 19. talvez, a resistência do indivíduo durante este período possa sersuficientemente desenvolvida, como uma reação à infecção porestes microorganismos, para prevenir seus ataques futuros. Ohomem não vive em uma atmosfera totalmente livre de germes,mesmo que possa minimizá-los. O que se poderia fazerseguramente seria conservar os tecidos orgânicos infertéis e nãoreceptivos a estas bactérias. Se o corpo adoecer, os tecidosdevem estar tão condicionados pelas drogas, pela dieta e poroutros métodos que estes microorganismos, quaisquer que sejamas denominações pelas quais venham a ser conhecidos,encontrarão uma atmosfera hostil à sua sobrevivência,multiplicação e desenvolvimento. Portanto, todos osmedicamentos e terapias, incluindo as técnicas preventivas,prescritos no Ayurveda objetivam o condicionamento dos tecidose não a destruição dos organismos invasores. As drogasempregadas como bactericidas devem exercer um efeitosemelhante nos tecidos corporais. Quando administradas emdose suficiente para destruir os organismos patogênicos,destroem simultaneamente os organismos da flora normal eprejudicam o funcionamento adequado dos tecidos. Deste modo,produzem efeitos colaterais tóxicos enquanto curam a doença. Osmedicamentos Ayurvédicos, por outro lado, enquanto condicionamos tecidos corporais contra os organismos patogênicos,promovem nutrição e rejuvenescimento. Quando a doença estivercurada, o indivíduo adquire muitos benefícios colaterais. Por estarazão, os medicamentos Ayurvédicos são tônicos. Exceto poralgumas drogas modernas, por exemplo, minerais e vitaminas,todas as outras são exclusivamente indicadas para pacientes. Asdrogas Ayurvédicas, por outro lado, podem ser administradastanto para pacientes como para indivíduos saudáveissimultaneamente – em pacientes curam as doenças e nos 19
  20. 20. indivíduos saudáveis previnem as doenças e promovem a saúdeverdadeira. Para ilustrar este ponto: Vasa (Adhatoda vasica, Nees.) éprescrita freqüentemente pelos médicos Ayurvédicos parapacientes portadores de bronquite, laringite, faringite e mesmotuberculose. Talvez alguns elementos desta droga tenhampropriedades para destruir alguns dos organismos que causamestas doenças. Mas esta não é a principal razão que motiva omédico a prescrevê-la. Estes organismos desenvolvem-se emultiplicam-se para produzir a doença no trato respiratório apenasquando os elementos teciduais locais estão alterados com umexcesso de kapha dosa. A Adhatoda vasica Nees., ou Vāsa,contra-ataca este distúrbio de kapha dosa e auxilia namanutenção deste estado de equilíbrio corporal, tornando osorganismos incapazes de produzir aquelas patologias. No Ayurveda o tratamento prescrito não visa a correção daregião afetada isoladamente. No processo de manifestação dadoença, vários órgãos estão envolvidos. A doença tem origem emum local particular, move-se através de um canal particular emanifesta-se em um órgão particular. Entretanto, o tratamentosempre objetiva a correção do sítio de origem e os canais decirculação ao longo do local de manifestação da doença, todosjuntos. Citarei como exemplo o tratamento da bronquite asmática,que na linguagem Ayurvédica é conhecida como tamaka svasa. Adificuldade respiratória nesta doença é causada pelo espasmo daárvore brônquica e, acreditando nisto, drogas broncodilatadorassão geralmente prescritas na medicina moderna. Mas o objetivodo tratamento Ayurvédico para esta patologia é diferente. Talvezalgumas drogas utilizadas contra estas doenças tenham efeitobroncodilatador, e isto pode ser demonstrado em experimentoscom animais, mas a maioria das drogas empregadas nestestratamentos não produzirá qualquer efeito semelhante e um20
  21. 21. farmacologista ficará perplexo e as rejeitará definindo-as comoinúteis para o tratamento da bronquite asmática. Um clínico, poroutro lado, apreciará tais efeitos em seus pacientes, apesar denão ser capaz de explicá-los em termos de fisiologia e conceitospatológicos modernos. Esta doença tem sua origem no estômagoe no intestino delgado. O objetivo principal do médico Ayurvédicoé corrigir estes dois órgãos através de uma terapia com eméticosou administrando medicamentos que conservem os intestinoslimpos. O Haritaki (Terminalia chebula, Retz.), juntamente comoutros medicamentos, é eficaz no tratamento destes dois órgãose, portanto, as preparações indicadas para o tratamento dabronquite asmática contém, invariavelmente, haritaki e outrasdrogas de efeitos semelhantes. Todos estes detalhes fornecidos acima chamam a atençãodos cientistas e pesquisadores que não estão familiarizados como Ayurveda justamente pela essencialidade do conhecimento dosfundamentos deste sistema na compreensão e apreciaçãocientífica da ação das drogas e das terapias existentes. Este é oobjetivo principal da realização deste livro. O que está sendofornecido aqui serve apenas para despertar seu interesse paraestudos posteriores. Em um pequeno livro como este não podemser dados todos os detalhes. De fato, outros livros devem serescritos sobre cada um destes tópicos para explicá-losinteiramente aos leitores. Desejo incluir aqui uma nota de precaução. Você não devese deixar dominar pela idéia de que o que está escrito neste livroseja tudo o que existe disponível sobre o Ayurveda. Não éverdadeiro. Está sendo fornecido aqui apenas um resumo destesprincípios extraídos principalmente do Caraka Samhita. Eviteiintencionalmente os detalhes e as diferentes interpretações epontos de vista para não tornar o leitor confuso com muitosdetalhes ao iniciar seu estudo. Este livro é, à princípio, destinado 21
  22. 22. a um iniciante, um cientista ou um médico que não estejafamiliarizado com o Ayurveda e para quem o estudo dos clássicosoriginais em sânscrito não seja possível. No capítulo I, quando da definição do Ayurveda e daelaboração de seu campo de ação, as diferentes especialidadesestão enumeradas. Devido às vicissitudes da época e à falta depatrocínio, muitos dos ramos do Ayurveda não estão mais emprática. Existem evidências registradas sobre a prática de grandescirurgias, procedimentos como craniotomia e cirurgia plástica nosclássicos Ayurvédicos e nos trabalhos afins. Infelizmente,tornaram-se matéria da história da medicina. Neste capítulo, estãodescritas as características próprias do Ayurveda de formaresumida. No Capítulo II, apresenta-se uma breve revisãohistórica do Ayurveda. No Capítulo III estão descritos vários princípiosfundamentais. Como já citado anteriormente, o Ayurveda enfatizamuito a promoção da saúde verdadeira e a prevenção dasdoenças. Com este propósito, no Capítulo IV descrevem-sediferentes dietas e comportamentos para os horários diurno (dina-carya) e noturno (ratri-carya) e para as diferentes estações do ano(rtu-carya). São fornecidos de maneira sucinta diferentes tipos deterapias rejuvenescedoras e métodos de administração queauxiliam na promoção da saúde absoluta. Para a análise do paciente e da doença que o acomete,alguns métodos de diagnóstico exclusivos do Ayurveda sãodescritos e delineados no Capítulo V. O Ayurveda possui suaprópria maneira de descrever a causa das doenças e declassificar os diferentes métodos para o tratamento. Isto tambémestá relacionado neste capítulo. O Capítulo VI refere-se à dietaAyurvédica. Os ingredientes que compõem as dietas e as bebidasestão classificadas de maneira diversa em diferentes textos22
  23. 23. Ayurvédicos. Foi seguido aqui o método descrito no CarakaSamhita. O Capítulo VII lida com as drogas e os princípios seguidosem sua classificação. Ilustra também o modo de ação dasmesmas. Para ilustrar o que está exposto neste capítulo, trêsdrogas estão detalhadas. São elas: Cannabis, Haritaki (Terminaliachebula, Retz.) e Allium. Todas são muito utilizadas popularmentena medicina Ayurvédica. O Haritaki é empregado em quase todasas preparações Ayurvédicas importantes. Allium é mais utilizadocomo condimento caseiro. Cannabis é mal empregada comoagente psicotrópico. Devido às suas utilidades, diferentes estóriasmitológicas são descritas nos clássicos Ayurvédicos para enfatizarsua importância. Todos os textos Ayurvédicos descrevem estastrês drogas como produtos da amrta (ambrosia). A descriçãodestas substâncias está nos Capítulos VIII, IX e X, juntamentecom as estórias mitológicas, o uso progressivo em épocasdiferentes, seus sinônimos, propriedades e ações. Na descriçãodo Haritaki (Terminalia chebula Retz.), foi fornecido o materialdisponível sobre esta droga na literatura médica tibetana com aintenção de demonstrar as semelhanças e diferenças existentesnos dois tipos de práticas tradicionais. O estudo, a iniciação e a prática do Ayurveda eram bemcontrolados no passado e diferentes regras eram sistematizadaspara os testes de seleção dos estudantes para o ensino médico. Afunção de um médico genuíno era bem estabelecida e as pessoaseram cuidadosas para não levarem em consideração médicosfalsos e charlatães. Suas características estão descritas noCapítulo XI. No Capítulo XII, é fornecido o resumo dos princípiosfundamentais de outros sistemas de medicina denominados UnaniTibb, Siddha, Emchi e Prakrtika Cikitsa, juntamente com Yoga e 23
  24. 24. Tantra, com a intenção de demonstrar suas semelhanças com osprincípios do Ayurveda. Todos os sistemas de medicina, tradicionais, folclóricos oumodernos, têm seu campo de ação significativo e próprio nosserviços de promoção da saúde, prevenção e cura nos paísesdesenvolvidos, em desenvolvimento e subdesenvolvidos. Não éintenção do autor minimizar ou negar a importância de qualquersistema de medicina ou exagerar em outros. Se abrirmos oscapítulos da história, tornar-se-á evidente que nenhuma cultura oucivilização desenvolveu-se isoladamente. Bons ensinamentos deoutros e aspectos úteis de alguns de nossa própria tradiçãosempre foram respeitados e utilizados sem reservas para oprogresso. Portanto, o Ayurveda não é a expressão exclusiva detudo que é verdadeiro e útil. Esta noção é contrária aos própriosprincípios fundamentais do Ayurveda e sistemas afins da culturaindiana. De acordo com o Caraka: (Caraka: Vimãna 8:14) “O sábio considera o universo inteiro como seu preceptor. Apenas o insensato encontra inimigos nele. Você deve, portanto, aceitar sem hesitação o conselho apropriado que pode vir de qualquer parte, mesmo de um inimigo, e segui-lo.” Conservando na mente este conselho do Caraka, todos ossistemas de medicina, tradicionais ou modernos, devem agir comocomplementares e suplementares para cada um, de forma amitigar as misérias, dando alívio aos sofrimentos da humanidade. Dr. Bhagwan Dash24
  25. 25. ABREVIAÇÕESAH - Astanga HrdayaAHAUN - ―All About Allopathy, Homoeopathy, Unani and Nature Cure‖, Dr. O. P. JaggiAS - Astanga SangrahaBBR - Bharata Bhaisajya RatnakaraBP - Bhava PrakasaBNR - Brhannighantu RatnakaraBR - Bhaisajya RatnavaliBYR - Brhadyoga RatnakaraCD - CakradattaCS - Caraka SamhitaDN - Dhanvantari NighantuGN - GadanigrahaHS - Harita SamhitaKN - Kayadeva NighantuKS - Kasyapa SamhitaMV - MadanavinodaNA - NavanitakaNR - Nighantu RatnakaraNS - Nighantu SiromaniRN - Raja NighantuRVN - Rajavallabha NighantuSA - Sarangadhara SamhitaSGN - Saligrama NighantuSS - Susruta SamhitaSSM - ―Introduction to the Siddha System of Medicine‖, Dr. V. NarayanaswamiVM - VrndamadhavaVS - VangasemaYR - Yoga Ratnakara 25
  26. 26. EQUIVALENTES ROMANOS DO DEVANAGARI26
  27. 27. CAPÍTULO I INTRODUÇÃO O homem esforçou-se eternamente para se conservar livredos três tipos de misérias denominadas físicas, mentais eespirituais. Neste sentido, a história da medicina é tão velhaquanto a história da humanidade. De acordo com a tradiçãoindiana, os quatro principais objetivos da vida humana são: oDharma ou a realização das Leis da vida, Artha ou a aquisição dariqueza, Kama ou a satisfação dos desejos mundanos e Moksa oua salvação. A boa saúde era considerada imprescindível para aaquisição destes objetivos. Os sistemas tradicionais de medicina desenvolveram-senas várias partes do mundo durante épocas diferenciadas. Umaforma sistemática foi-lhes dada em diferentes centros antigos decivilização e cultura. De acordo com o Caraka, o Ayurveda ou ―aciência da vida‖ sempre existiu, assim como sempre existirampessoas que a compreendiam à sua maneira. Alguns destessistemas estão baseados em princípios fundamentais sólidos eracionais e outros possuem apenas uma base empírica. Algunsnão sobreviveram e tornaram-se assunto da história da medicina,como as medicinas grega e egípcia. E ainda outros, como ossistemas tradicionais da Índia e da China, não apenas 27
  28. 28. sobreviveram, mas evoluem de forma completa sob o patrocíniodo Estado. Ayurveda, Unani, Siddha, Emchi (tibetano) e PrakrtikaCikitsa (naturopatia) são os vários sistemas tradicionais demedicina ainda prevalentes na Índia. Yoga e Tantra, a princípiodestinados a aquisições espirituais, possuem também certasindicações para a prevenção e cura de doenças psíquicas, físicase psicossomáticas. Além disso, muitos tipos de medicinaspopulares são prevalentes em diferentes áreas tribais da Índia.Elas possuem uma rica tradição no uso das plantas, produtosminerais e animais que apresentam utilidade terapêutica. Dentre os sistemas tradicionais de medicina da Índia, aprática do Ayurveda predomina em quase todas as regiões dopaís e em países vizinhos como o Nepal, Sri Lanka, Bangladesh eo Paquistão. Unani Tibb, que significa literalmente ―medicinagrega‖, é popular em certas regiões do país, dominadas pelapopulação muçulmana. O sistema Siddha de medicina identifica-se com a cultura Dravidiana predominante no Estado de TamilNadu e certas áreas adjacentes aos Estados vizinhos do sul daÍndia, que possuem população de idioma Tâmil. Emchi, maisconhecido como sistema tibetano de medicina, é popular emcertas regiões fronteiriças do norte da Índia como Laddakh, Lahul,Spiti, Darjeeling e Sikkim. Estas áreas possuem fronteira comumcom o Tibete e a China. Os locais para a prática de Yoga, Tantrae Prakrtika Cikitsa são centros localizados em diferentes partes dopaís. Diferentes tipos de medicina popular prevalecem entre osAdivasis ou povos tribais, em sua maioria habitantes das áreasflorestais dos Estados de Orissa, Bihar, Madhya Pradesh, AndhraPradesh e Rajasthan. Há muitos aspectos em comum entre estes sistemastradicionais de medicina na Índia, tanto na prática como na teoria.Cada um deles tem dado e tomado um do outro. Os28
  29. 29. medicamentos de um sistema são, desse modo, livrementeutilizados pelos médicos de outro sistema, não constituindocompartimentos estanques. Entretanto, o Ayurveda, que é o maispopular entre a população da Índia, possui uma posiçãoprivilegiada entre eles. Definição de Ayurveda A palavra Ayurveda é composta de dois termos emsânscrito, viz., ayus significa ―vida‖ e veda significa o―conhecimento‖; juntos significam ―ciência da vida‖. Deste modo,definindo o sentido, é costume considerá-la sempre como ―ciênciada medicina‖. O Caraka define Ayurveda como a ―ciência com aajuda da qual alguém pode obter conhecimento sobre os modosde vida úteis e prejudiciais (hita e ahita ayus), felizes e miseráveis,coisas que são úteis e prejudiciais para tais modos de vida, sobrea duração da vida e a sua verdadeira natureza‖. Vê-se atravésdesta definição que o Ayurveda enfatiza não apenas odirecionamento a uma vida repleta de felicidade, a qual implica emuma atitude individualista, mas também direciona à uma vida queseja útil à sociedade como um todo. O homem é um ser social.Ele não pode retirar-se da sociedade. A menos que a sociedadese torne feliz, não será possível para o indivíduo obter e mantersua própria felicidade. É com isso em mente que o indivíduo devefazer sempre um esforço para contribuir com a felicidade dasociedade, e os textos Ayurvédicos estão repletos de referênciasquanto às formas pelas quais a sociedade pode ser mantida feliz.A medicina social, que é tratada como um novo conceito nosistema de medicina Ocidental, não é nada além do quereminiscências daquilo que tem sido preconizado e proposto noAyurveda há mais de 2500 anos. Área de Atuação do Ayurveda 29
  30. 30. O Ayurveda não lida exclusivamente com o tratamento deseres humanos. Dedica-se também ao tratamento das doençasem animais e mesmo em plantas. Conseqüentemente, na Índiaantiga, santos como Nakula, Salihotra e Parasara compuseramtratados sobre Asvayurveda, Gajayurveda, Gavayurveda eVrksayurveda, para o tratamento de doenças em cavalos,elefantes, gado e em árvores, respectivamente. O Ayurveda oferece meios racionais para o tratamento dasmuitas doenças internas, consideradas crônicas ou incuráveispara outros sistemas de medicina em uso atualmente. Ao mesmotempo, dá grande ênfase à manutenção de uma saúde verdadeirapara uma pessoa normal ou sadia. Desse modo, objetiva tanto aprevenção como a cura das doenças. Para o propósito daprevenção das doenças, os regimes devem ser adotados levando-se em consideração o horário diurno, noturno e as diferentesestações do ano, os quais estão descritos em detalhes. O homemexpõe-se às doenças devido aos muitos fatores externos. Mas háalguns distúrbios aos quais o homem está exposto mesmo nocurso normal de sua vida, e. g., fome, sede, velhice etc. OAyurveda fornece métodos para a prevenção e o controle destasmoléstias naturais. Os Oito Ramos do Ayurveda São os seguintes os oito importantes ramos do Ayurveda:1. Kayacikitisa ou Medicina Interna2. Salya Tantra ou Cirurgia3. Salakya Tantra ou Tratamento das Doenças da Cabeça ePescoço4. Agada Tantra ou Toxicologia5. Bhuta Vidya ou Controle de Ataques por Espíritos Malignos eOutras Doenças Mentais6. Bala Tantra ou Pediatria30
  31. 31. 7. Rasayana Tantra ou Geriatria, incluindo a TerapiaRejuvenescedora8. Vajikarana Tantra ou Ciência dos Afrodisíacos Alguns estudiosos sustentam que o Pañcakarma Cikitisa(As Cinco Terapias de Eliminação) é um ramo adicional doAyurveda. Muitos clássicos foram escritos sobre cada um destesramos e todos eles estavam em prática. Durante o advento doBudismo, a prática de ahimsa tornou-se muito popular.Procedimentos cirúrgicos (que eram invariavelmente dolorosos)eram infelizmente considerados como uma forma de himsa (lesãoou dano) e, conseqüentemente, a prática da cirurgia (salya tantra)foi desencorajada. Isto também causou um efeito adverso sobreos outros ramos afins da medicina. Assim, no momento, apenastrês ramos, Kaya Cikitisa (Medicina Interna), Rasayana Tantra(Geriatria e Terapia Rejuvenescedora) e Vajikarana Tantra(Ciência dos Afrodisíacos) estão em prática, sendo que os outrosramos do Ayurveda tornaram-se apenas assunto da história damedicina. Características Singulares do Ayurveda A seguir estão as características singulares do sistemaAyurvédico de medicina:1.Tratamento do Indivíduo como um todo: Na medicinamoderna, presta-se mais atenção à correção da parte atingida docorpo. Mas no Ayurveda, enquanto uma doença é tratada, oindivíduo como um todo é levado em consideração, não apenas acondição de outras partes do seu corpo como também ascondições de sua mente e sua alma, enquanto se realiza otratamento do paciente.2.Baixo Custo do Medicamento: Em sua maioria, osmedicamentos Ayurvédicos são preparados a partir de drogas 31
  32. 32. disponíveis nas florestas do país. Portanto, sua preparação tembaixo custo.3.Não Envolve Câmbio Exterior: Quase todas as drogasAyurvédicas preparadas com vegetais, metais, minerais eprodutos animais são disponíveis na Índia. O câmbio exterior nãoé utilizado para importá-los de fora. Mesmo para seuprocessamento não há necessidade de especialistas estrangeirose de importação de equipamentos sofisticados.4.Proveitoso para um Padrão Socialista: No passado, osmédicos costumavam preparar seus próprios medicamentos parao tratamento de seus pacientes. Atualmente, encontram poucotempo para manufaturar estes remédios e, portanto, muitasfarmácias têm se estabelecido nos setores públicos e privados.Para o estabelecimento destas farmácias, entretanto, não énecessário um grande capital e a maioria de seus lucros édestinada aos trabalhadores que coletam as drogas brutas e paraa mão-de-obra empregada na manufatura dos medicamentos.Torna-se, portanto, proveitoso para sociedades com padrãosocialista.5.Ausência de Efeitos Tóxicos: Os medicamentos Ayurvédicospossuem atrás de si séculos de experiências tradicionais,apresentando, portanto, poucos efeitos tóxicos no organismohumano. Mesmo certos materiais tóxicos utilizados na preparaçãodos medicamentos são sempre submetidos à desintoxicação, oque os torna mais aceitáveis pelo organismo, antes de seremadministrados na forma de medicamento.6.Cada Medicamento é um Tônico: As drogas da medicinamoderna, exceto as vitaminas e os minerais, são destinadasapenas ao paciente. Todo medicamento Ayurvédico pode serutilizado simultaneamente por pacientes e pessoas saudáveis.Nos pacientes, curam as doenças e nos indivíduos saudáveis,produzem imunidade contra as mesmas.32
  33. 33. 7.Condizente aos Costumes da População: Com freqüência,juntamente com os medicamentos, certas dietas e condutas sãoprescritas aos pacientes. Tais procedimentos estão alinhados comos costumes e a tradição do povo. Portanto, não sãoconsiderados estranhos. Por outro lado, um médico Ayurvédico érespeitado e as pessoas depositam muita confiança nele.8.Conceito de Doença Psicossomática: As doenças não sãoconsideradas exclusivamente psíquicas ou somáticas. Fatorespsíquicos são geralmente descritos como causas de doençassomáticas e vice-versa. Isto deu origem ao conceitopsicossomático de todas as doenças no Ayurveda.9.Ênfase à Medicina Preventiva: O Ayurveda enfatiza muito aprevenção das doenças. Prescreve-se, com freqüência, "o quefazer‖ e "o que não fazer‖ para indivíduos saudáveis. Condutaspara diferentes horários do dia e da noite, para as estações doano e para pessoas dos diversos grupos etários e posiçõessociais são descritas em detalhes. 33
  34. 34. CAPÍTULO II REVISÃO HISTÓRICA Mitologia Sobre a Origem do Ayurveda De acordo com a mitologia indiana, o Ayurveda foipercebido (não composto) primeiramente por Brahma, queensinou esta ciência à Daksa Prajapati, que a ensinou aos Asvini-kumaras e que a ensinaram à Indra. Sobre a hierarquia posteriordos transmissores do Ayurveda, os textos Ayurvédicos variamconsideravelmente. De acordo com o Susruta Samhita, o deus Dhanvantarirecebeu-o de Indra, que o ensinou a Dividasa, que por sua vez otransmitiu para Susruta, Aupadhenava, Aurabhra, Pauskalavata,Gopuraraksita e Bhoja. Segundo o Caraka Samhita, Bharadvajaaprendeu-o de Indra e ensinou-o para Atreya Punarvasu. Esteúltimo, por sua vez, ensinou-o a Agnivesa, Bheda, Jatukarna,Parasara, Harita, Ksarapani etc. De acordo com o KashyapaSamhita, Indra ensinou-o a Kashyapa, Vasistha, Atreya e Bhrgu.Muitos trabalhos médicos diferentes foram compostos por estessábios do passado. Contudo, todos eles estão agrupados sob duas escolas:  A escola Atreya que trata principalmente da medicina e  A escola Dhanvantari que lida primariamente com a cirurgia.34
  35. 35. Muitos destes textos não se encontram mais disponíveisnos tempos atuais. Ayurveda na Era Pré-Védica A Índia representou um papel de destaque na história datecnologia e da ciência. Esta, segundo evidências arqueológicasatuais, começa com a Civilização do Vale do Indo,freqüentemente referida como Cultura Harappan-Harappa,juntamente com Mohenjo-daro, que são os importantes sítiosarqueológicos do Vale do Indo. Este período é geralmentedenominado Pré-Védico. Harappa estabeleceu laços culturais ecomerciais com os países vizinhos nas regiões da Ásia Central eOcidental. Esta civilização prosperou na Índia Ocidental eSetentrional entre 2500 A.C. e 1500 A.C. Evidências obtidas dasanálises dos crânios descobertos em Mohenjo-daro e Harappamostram que os habitantes daquela época eram aborígenes dotipo proto-australóide. Há muitas representações sobre os selosde Mohenjo-daro e Harappa com relação a um deus masculino,provido de chifres e com três faces, sentado com a postura deiogue, suas pernas duplamente dobradas, calcanhar comcalcanhar e circundado por animais. Este talvez seja o protótipode Shiva, considerado deus da Yoga e da Medicina. Estas escavações em Harappa e Mohenjo-daro são amplatestemunha da competência alcançada pelo povo da civilizaçãodo Vale do Indo em termos de saneamento e habitação. Pareceque ambas as cidades de Mohenjo-daro e Harappa foramconstruídas após cuidadoso planejamento. As casas eramprovidas com confortos modernos como banheiros, lavatórios,esgotos, tanques de água fresca, pátios e quartos de dormir. Osesgotos principais poderiam ser tratados com o auxílio de poçosde inspeção cobertos, especialmente construídos, feitos de tijolos.Todo o conceito de planejamento mostra uma extraordinária 35
  36. 36. preocupação com o saneamento e a vida pública, talvez semparalelo nos dias de hoje. As escavações destes sítios têm revelado substânciasterapêuticas como Silajatu, para o tratamento do diabetis,doenças reumáticas, etc., folhas de Azadirachta indica (A. Juss.) echifres do veado vermelho. Crânios nos quais foram realizadascirurgias cranianas também foram escavados nestes sítios. Todosestes aspectos apontam para a alta qualidade da ciência médicaque predominava na Índia daquela época. Ayurveda na Era Védica Dhanurveda (a ciência do manejamento do arco e flecha),Gandharvaveda (a ciência das artes refinadas), Sthapatyaveda (aciência da arquitetura) e Ayurveda (a ciência da medicina) sãoconsiderados os quatro Upavedas ou matérias complementaresdo Rk, Yajur, Saman e Atharva Vedas, respectivamente. OSusruta estabelece claramente o Ayurveda como um Upaveda doAtharva Veda. De acordo com Caranavyuha, o Ayurveda é oUpaveda do Rk Veda. Segundo um outro ponto de vista, oAyurveda é o quinto Veda, independente dos outros quatro. Uma análise do material védico revela que todos os quatroVedas estão repletos de referências aos vários aspectos damedicina. Deuses como Rudra, Agni, Varum, Indra e Maruti foramdesignados médicos celestiais. Os mais famosos médicos daépoca foram os Asvins. Muitas realizações milagrosas na área damedicina e da cirurgia foram-lhes atribuídas nos Vedas.Considera-se conquista dos Asvins a cura de doenças gravescomo Yaksma (tuberculose), a revitalização de indivíduos ehomens santos, a correção da esterilidade e a aquisição delongevidade. Muitos procedimentos cirúrgicos como o transplanteda cabeça de um cavalo para um tronco humano e suasubseqüente substituição por uma cabeça humana, a implantação36
  37. 37. de membros artificiais, a implantação da cabeça de Yajña ao seutronco etc., estão descritos em vários textos. Nos Vedas estão disponíveis os princípios fundamentais daciência médica, inclusive os conceitos de tridosha e de saptadhatu, as descrições anatômicas e das muitas doenças, osconceitos de digestão e metabolismo. Há detalhes sobre adescrição de diferentes tipos de bactérias responsáveis pelamanifestação das doenças. Algumas destas bactérias estãodescritas como invisíveis à olho nu. Procedimentos como o parto,a cauterização, intoxicações, tratamento dos ataques por energiasprejudiciais, terapias rejuvenescedoras e afrodisíacos sãodescritos em muitos textos. As plantas medicinais também sãodescritas quanto às suas diferentes partes e efeitos terapêuticos.Descrevem-se cerca de 28 doenças juntamente com seusmedicamentos. Os métodos de preparação destes medicamentosestão disponíveis apenas de forma sucinta. No Rk Veda, há umadescrição de 67 plantas medicinais e no Yajur Veda 81 tiposforam descritos. Apenas no Atharva Veda, existe a descrição de290 plantas medicinais. Além disso, na literatura Brahmana estãodisponíveis cerca de 130 descrições destas plantas. Estádeclarado no Rk Veda que Vispala, esposa do rei Khela, teveseus membros inferiores amputados durante uma guerra. Elesforam substituídos por um par de pernas artificiais, adaptadas aoseu corpo através de cirurgia protética. A sondagem da uretra foi o procedimento mais delicado jádescrito, prescrito para o alívio de uma paciente com retençãourinária. A aplicação de sanguessugas para úlceras também estádescrita. Ayurveda no Período Pós-Védico No período pós-védico, o Ayurveda ocupou uma posiçãorespeitável através da reunião racional de conceitos metódicos epráticas terapêuticas sistemáticas. Mesmo que os célebres textos 37
  38. 38. clássicos do Ayurveda, o Caraka e o Susruta Samhita,transmitidos até nós, tenham adquirido suas formas atuais apósedições provavelmente do século 7 A.C., os pensamentos e aspráticas neles ilustrados estavam indubitavelmente em voga muitoantes deste período. Em sua abordagem teórica, esta ciência davida deve muito às filosofias do Sankhya Yoga e de Vaisesika,adotando os princípios da última no que diz respeito ao Dravya-guna-vijnana (matéria médica) e às teorias do Tridosha e doSapta dhatu, e à primeira, relacionada à Pañcabhautika(composição do corpo) e sua evolução a partir do Purusa Prakrti. Crônicas Sobre a Vida de Jivaka Durante a vida de Buda, havia um médico famoso com onome de Jivaka. Devido à sua competência na arte de curar, foipor três vezes coroado rei dos médicos e dos cirurgiões. Ele eraum especialista em pediatria, excelente neurocirurgião e realizavacom sucesso grandes cirurgias abdominais. Foi um discípulo deAtreya, o renomado professor de Taxila, um pioneiro do sistemaindiano de medicina. Atreya estava muito impressionado pela inteligência,perspicácia e pelo aguçado poder de observação de Jivaka,segundo as escrituras tibetanas. Costumava pedir a Jivaka, seudiscípulo, para acompanhá-lo à residência de seus pacientes eajudá-lo no tratamento. Um dia, Atreya prescreveu ummedicamento o qual, segundo Jivaka, não estava correto. Dirigiu-se ao seu preceptor e retornou novamente à residência dopaciente, alterando a prescrição. Com a substituição domedicamento, o homem curou-se e isto impressionou muito oprofessor, quando veio a tomar conhecimento do ocorrido. A admiração e a afeição de Atreya por Jivaka não eramapreciadas pelos colegas de classe do último, que costumavamcolocar em dúvida a imparcialidade do professor Atreya. Um dia,este pediu a todos os seus alunos que fizessem uma avaliação38
  39. 39. para testar sua sabedoria, solicitando a todos, inclusive Jivaka,que fossem ao mercado e perguntassem sobre os preços decertos produtos medicinais. Todos retornaram e Atreyaquestionou-os sobre os preços de outros produtos medicinais,além daqueles mencionados. Não havia nenhum sobre o qualJivaka não pudesse responder satisfatoriamente, demonstrando opoder de imaginação e percepção do mesmo, que eraconsiderado possuidor de todos os atributos de um bom médico. A terceira estória é semelhante. Um dia, Atreya pediu atodos os estudantes que fossem até a colina próxima etrouxessem os itens que não possuíssem valor medicinal. Todosos estudantes com excessão de Jivaka, retornaram com muitassubstâncias as quais, de acordo com eles, não possuíam valormedicinal. Jivaka voltou de mãos vazias e explicou ao seuprofessor que não havia nada que não possuísse um valormedicinal. Isto demonstrava a meticulosidade do estudo deJivaka. A quarta estória é sobre um elefante. Uma vez, Jivaka eseus colegas estavam retornando de um rio após banharem-se.Seus amigos estavam comentando divertidamente sobre aspegadas de um elefante. Quando perguntaram a Jivaka sobre astais pegadas, ele respondeu que pertenciam a uma aliá, cega doolho direito, que iria dar à luz um filhote naquele mesmo dia e queo filhote era macho. Jivaka continuou dizendo que sobre o dorsodo elefante estava montada uma moça, cega do olho direito e queiria dar à luz a um menino naquele mesmo dia. Isto foi narrado,em meio a risadas, ao professor Atreya, como um exemplo daloucura de Jivaka. Depois disso, os fatos foram verificados edescobriram serem todos verdadeiros. Pediram à Jivaka queexplicasse como poderia ter conhecimento de tudo aquilo. Eledisse que as pegadas do elefante eram arredondadas enquantoas da aliá eram ligeiramente alongadas. Como ela havia comido 39
  40. 40. apenas do capim que crescia do lado esquerdo da trilha, inferiuque era cega do olho direito. Como as impressões de suas patasposteriores estavam mais profundas, isto o levou a inferir queestava prenha. Das duas, a impressão da pata direita era maisprofunda e, portanto, concluiu que iria dar à luz um filhote macho.Da urina que eliminou, concluiu que o parto era iminente. Damesma maneira, explicou suas afirmações com relação à moçaque montava o elefante. Há muitas estórias interessantes nas escrituras tibetanas,além das descritas acima, sobre as realizações de Jivaka comomédico e como cirurgião. A Estória de Bhoja O Bhoja prabandha fornece uma narrativa de cirurgiacraniana realizada por dois médicos no Rei Bhoja, que reinou de1010 a 1056 D.C. Ele sofria de um tipo grave de cefaléia e osmédicos realizaram uma craniotomia, corrigindo a doença. Aimportância da descrição desta cirurgia foi a utilização de umanestésico em pó denominado Moha curna, que tornou o reiinconsciente. Após o término da operação, foi administrado outropó, denominado Sanjivani, com o qual ele recuperou aconsciência. Infelizmente, os detalhes sobre estes dois tipos dedrogas não estão disponíveis na atualidade. Estas curiosidades foram narradas aqui com a intenção demostrar que durante o período pós-védico, especialmente entre500 A.C. e 1000 D.C. o Ayurveda atingiu o apogeu de seudesenvolvimento. Interrupção do Progresso no Período Medieval A ciência, por natureza, é progressiva, ainda mais no casoda ciência médica. Qualquer interrupção no seu progresso leva adogmas, perdas e acúmulos de idéias supersticiosas. Durante operíodo medieval, a Índia foi exposta a freqüentes invasões40
  41. 41. estrangeiras e a paz interna foi completamente perturbada. Haviapouco tempo para que as pessoas pensassem na ciência, poisestavam engajadas na luta pela segurança do país. Pensamentosoriginais foram completamente interrompidos. Os livros sobre oAyurveda escritos durante este período são, em sua maioria,compilações de outras fontes diversas. Durante as invasõesestrangeiras e lutas internas, muitas obras originais foramdestruídas. O que permaneceu tinha que ser preservado eexplicado às pessoas através de comentários. Indivíduos compouca erudição começaram a comentar e isto resultou eminterpretações errôneas, modificações não autorizadas e redaçõesincorretas. Restauração do Ayurveda É no final do século 19 e início do século 20 que apopulação da Índia começa a refletir novamente acerca dodesenvolvimento do Ayurveda. O movimento nacional para alibertação do país deu o impulso a esta revolução. Os governosEstaduais e Central organizaram muitos comitês periciais parainvestigar os problemas da ciência e sugerir medidas paradesenvolvê-las. Abaixo estão alguns detalhes destes comitês: Nome do Estado Ano da Constituição do Comitê Pericial1. Madras (atual Tamilnadu) 1921-222. Bengal (atualmente dividido) 1921-253. Províncias Unidas 1925-264. Províncias Centrais e Berar 1937-395. Punjab 19386. Bombaim 19477. Orissa 1946-478. Assam 19479. Mysore (atual Karnataka) 1942 41
  42. 42. O governo Central também organizou muitos ComitêsPericiais para sugerir medidas para o desenvolvimento destesistema e a utilização dos médicos Ayurvédicos nos programas dedesenvolvimento da saúde do país. São eles: Presidente do Comitê Pericial Ano 1. Sir Joseph Bhore 1943 2. Sir R. N. Chopra 1946 3. Dr. C. G. Pandit 1949 4. Mr. D. T. Dave 1955 5. Dr. K. N. Vdupa 1958 6. Mr. M. P. Vyas 196342
  43. 43. CAPÍTULO III PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS Criação do Universo Diferentes pensamentos filosóficos da Índia são cultuados nosDarsanas. Estes Darsanas estão divididos em dois grupos. Aquelesque acreditam na autoridade dos Vedas são conhecidos como AstikaDarsanas e aqueles que não crêem nos Vedas são chamadosMastika Darsanas. As escolas filosóficas Bauddha e Jaina e afilosofia dos Carvakas pertencem à última categoria. As seguintes escolas filosóficas pertencem à primeiracategoria:1. Nyaya darsana de Gautama2. Vaisesika darsana de Kanada3. Sankhya darsana de Kapila4. Yoga darsana de Patanjali5. Purva mimansa de Jaimini6. Uttara mimansa ou Vedanta darsana O nome coletivo para todas estas escolas é Sad darsana.Todas as antigas ciências da Índia como a medicina, a astrologia, aastronomia, a poesia e a arquitetura são baseadas nestes Darsanas.Os Nyaya e Vaisesika Darsanas são empregados para auxiliar oAyurveda a explicar as atividades físicas e químicas. Para descrevercertos fenômenos, tem sido utilizado o auxílio do Bauddha Darsana. 43
  44. 44. Mas para explicar o processo de origem do universo e do homem, oAyurveda conta com o auxílio do Sankhya Darsana, principalmente.Evidentemente, isto não tem sido aceito por completo mas comcertas modificações. De acordo com o Ayurveda, o universo teve origem doAvyakta, que significa literalmente ―Não Manifestado‖. Este conceitode Avyakta inclui tanto o Purusa (elemento consciente) como o Prakrti(matéria primordial) do Sankhya Darsana. A partir deste Avyakta, ouniverso inteiro teve sua origem como detalhado no seguinteesquema:44
  45. 45. Avyakta Mahan (Intelecto) Ahankara (Ego) Sattvika Rajasika Tamasika Cinco Órgãos Cinco Órgãos Manas ou Sensoriais Motores Mente Sabda Sparsa Rupa Rasa Gandha tanmatra tanmatra tanmatra tanmatra tanmatra Akasa Vayu Tejo Jala Prthvimahabhuta mahabhuta mahabhuta mahabhuta mahabhuta De Avyakta surge, consecutivamente, o Mahan (Intelecto) e oAhankara (Ego). O Ego possui três aspectos diferentes, sattvika,rajasika e tamasika. Sattvi é o aspecto puro, rajas representa odinamismo e tamas é a energia potencial. Os tipos sattvika e rajasikade Ahankara combinam-se para juntos produzirem os onze indriyas.Os tipos tamasika e rajasika de Ahankara combinam-se para produzir 45
  46. 46. cinco tanmatras. Destes tanmatras, originam-se os cincomahabhutas. A partir dos cinco mahabhutas tudo o que é matéria noplaneta – tanto animado como inanimado – é criado. O mundoinanimado consiste destes mahabhutas isolados e os seres vivos(incluindo plantas e animais) são constituídos de sua combinação,assim como os indriyas, que são onze, as faculdades sensoriais, osórgãos motores e a mente. Teoria Pañca Mahabhuta O homem possui cinco sentidos e através destes percebe omundo externo de cinco maneiras diferentes. Os órgãos dos sentidossão os ouvidos, a pele, os olhos, a língua e o nariz. Através deles, osobjetos externos são não apenas percebidos mas tambémabsorvidos pelo corpo humano na forma de energia. Este grupo decinco sentidos é a base com a qual podemos dividir, agrupar ouclassificar o mundo inteiro nas cinco diferentes categorias,conhecidas como mahabhutas. São denominados akasa (espaço?),vayu (ar?), agni (fogo?), jala (água?) e prthvi (terra?). Os equivalentesem língua portuguesa aqui fornecidos entre parênteses não possuema conotação correta e o todo das implicações dos termos originais emsânscrito. Por exemplo, a água comum não contém apenas jalamahabhuta, mas é composta de todos os cinco mahabhutas. Damesma forma, o ar não é apenas vayu mahabhuta, mas contém oselementos que pertencem aos outros mahabhutas também. Outroexemplo, o oxigênio está mais próximo de agni mahabhuta e ohidrogênio, mais próximo de jala mahabhuta. Os físicos e químicos modernos dividiram a matéria douniverso em alguns elementos básicos. Estes elementos diferem umdos outros em certos aspectos, sendo que todos eles podem serclassificados em cinco categorias de mahabhutas. Por outro lado,cada átomo possui os aspectos característicos de todos os cincomahabhutas. Os elétrons, prótons, nêutrons etc. presentes dentro doátomo representam prthvi mahabhuta. A força ou coesão que46
  47. 47. mantém atraídos seus componentes é característica atribuída à jalamahabhuta. A energia produzida dentro do átomo quando este épartido e a energia que permanece latente em sua forma íntegrarepresentam atributos de agni mahabhuta. A força do movimento doselétrons representa o aspecto característico do vayu mahabhuta e oespaço no qual se movem é o atributo principal do akasa mahabhuta. De acordo com o Ayurveda, o corpo do indivíduo é compostode cinco mahabhutas. De forma semelhante, outras coisas do planetasão também compostas de cinco mahabhutas. No corpo humano,estes cinco mahabhutas são explicados em termos de dosha, dhatu emala e nas drogas eles representam rasa (sabor), guna (qualidade),virya (potência) e vipaka (o sabor que surge após a digestão e ometabolismo de uma substância). No corpo normal de um ser vivo, estas substânciaspermanecem em uma proporção particular. Entretanto, devido à açãoenzimática no interior do corpo humano esta proporção entre os cincomahabhutas ou seu equilíbrio torna-se alterado. O organismo,portanto, possui uma tendência natural para permanecer equilibrado.Ele elimina alguns dos mahabhutas que estão em excesso e acumulaalguns que estejam deficientes. Esta deficiência de mahabhutas éreabastecida através de ingredientes que compõem a dieta, asbebidas, o ar, o calor, a luz do sol etc. Os pañca mahabhutasexógenos são convertidos em pañca mahabhutas endógenos atravésdo processo da digestão e do metabolismo. Mesmo durante o processo da morte, estes cinco bhutasapresentam uma função muito importante. Eles possuem duasformas denominadas grosseira e sutil. As cinco categorias sutis debhutas no interior do corpo impregnam os cinco sentidos e depois sãoseparados dos mesmos ocorrendo então a morte. O corpo mortoperde estes cinco sentidos, ficando em seguida composto apenasdos cinco mahabhutas. 47
  48. 48. Determinação da Composição Mahabháutica de uma Droga a Partir de suas Propriedades Substâncias pesadas, duras, resistentes, estáveis, densas,grosseiras, não pegajosas e com abundantes qualidadesrelacionadas ao olfato são compostas principalmente por prthvi;proporcionam rotundidade, solidez, peso e estabilidade. Substâncias líquidas, viscosas, frias, oleosas, moles, frágeis ecom abundantes qualidades relacionadas ao sabor são compostasprincipalmente por jala; promovem adesividade, oleosidade, solidez,umidade, leveza e felicidade. Substâncias quentes, brilhantes, sutis, leves, oleosas, não-viscosas e com abundantes qualidades relacionadas à visão sãoconstituídas principalmente por tejas; promovem combustão,metabolismo, brilho, radiância e cor. Substâncias leves, frias, não-oleosas, ásperas, não-viscosas,sutis e com abundantes qualidades relacionadas ao tato sãodominados por vayu; promovem aspereza, aversão, movimento, não-viscosidade e leveza. Substâncias leves, suaves, sutis, homogêneas e comqualidades principais relacionadas com a audição são dominadas porakasa; promovem suavidade, porosidade e leveza. O Conceito de Tridosha O corpo humano, de acordo com o Ayurveda, é composto detrês elementos fundamentais denominados doshas, dhatus e malas.Os doshas controlam as atividades psico-químicas e fisiológicas docorpo, enquanto os dhatus entram na formação da estrutura celularbásica, de tal modo que realizam algumas funções específicas. Osmalas são substâncias utilizadas parcialmente no organismo eexcretadas também parcialmente, de forma modificada, apósrealizarem suas funções fisiológicas. Estes três elementos sãodefinidos como estando em equilíbrio dinâmico uns com os outros48

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