2009/2010_3ª ficha de avaliação_9ano

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2009/2010_3ª ficha de avaliação_9ano

  1. 1. Ano Lectivo: AGRUPAMENTO DE ESCOLAS DE PIAS 2009/2010 Escola Básica Integrada com Jardim de Infância de Pias 9º Ano Língua Portuguesa 3ª Ficha de Avaliação Sumativa (Versão A) 12 Fevereiro 2009 Professora: Susana Banha …………………………………………..………………… Duração: 90 minutos Nome: ______________________________________________________________ Turma: _____ N.º: _____  Não é permitido o uso de corrector.  Todas as questões devem ser respondidas na folha de respostas (folha de teste), com caneta azul ou preta. As questões cuja resposta for dada no enunciado não serão alvo de correcção. GRUPO I A. Lê o texto A. Em caso de necessidade, consulta o glossário apresentado a seguir ao texto. De seguida, responde aos itens que se lhe seguem, de acordo com as orientações que te são dadas. TEXTO A Os primeiros alfabetos terão provavelmente surgido na Mesopotâmia, por volta de meados do segundo milénio antes da Era Cristã, mas os Fenícios merecem a honra de terem sido os pioneiros no desenvolvimento do primeiro alfabeto padronizado. Muitas das letras utilizadas hoje em dia descendem das usadas pelos escribas fenícios já em 1100 a.C.. Mas o 5 alfabeto fenício continha apenas consoantes e não poderia ser utilizado adequadamente para transcrever qualquer língua indo-europeia. Por volta de meados do século VIII a.C., os Gregos inventaram símbolos para as vogais. O alfabeto daí resultante, e que utilizamos hoje em dia apenas com ligeiras modificações, foi uma das contribuições mais valiosas dos Gregos, esse povo engenhoso e criativo, que ficaram para a posteridade. 10 Nem todos os sistemas de escrita são alfabéticos. A escrita chinesa não é alfabética. O mesmo se passava com o antigo egípcio, o antigo sumério e mesmo o antigo hebraico. Línguas como o chinês e o japonês são bastante expressivas, mas bastante difíceis de registar sem ambiguidades. As línguas alfabéticas como o grego, o latim, o alemão e o inglês, para referir apenas alguns exemplos, possuem uma clareza na sua forma escrita que nenhum outro 15 tipo de língua tem. O motivo para isso é o próprio alfabeto. […] É verdade que a tradição oral levou a humanidade muito longe. Os primeiros impérios foram construídos sem escrita. Arte e até mesmo poesia grandiosa foram produzidas por homens que não conheciam a arte da escrita. O próprio Homero, o primeiro e, de certa forma, ainda o maior dos poetas, era iletrado. No seu tempo (por volta de 1000 a.C.), a maior parte do 20 mundo era iletrada. Mesmo onde os homens aprenderam a escrever, como na Mesopotâmia, no Egipto e na China, essa nova capacidade maravilhosa era utilizada apenas para criar registos. Não viam a escrita como uma forma incomparável de pensar melhor. Assim que obtiveram um alfabeto completo com o qual trabalhar, os Gregos foram os 25 primeiros a compreender esse facto. E assim começou a surgir o mundo que conhecemos e onde vivemos. in Charles Van Doren, Breve História do Saber, trad. Luís Santos, Lisboa, Caderno, 2007 (texto com supressões). GLOSSÁRIO: Homero (l. 18): poeta grego Versão A ………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………. 1
  2. 2. 1. Os tópicos listados (de A a F) reportam-se ao texto A. Ordena-os, em função do desenvolvimento do texto, escrevendo a sequência de letras. Inicia a sequência pela letra A. A. alfabeto consonântico fenício B. alfabeto, escrita e pensamento C. contributo grego para o aparecimento das vogais no alfabeto D. línguas de escrita não alfabética E. origem da poesia desligada da escrita alfabética F. valor utilitário da escrita e do alfabeto 2. Para cada uma das afirmações que se seguem (2.1. a 2.5.) escreve a letra correspondente a Verdadeira (V) ou Falsa (F), de acordo com o sentido do texto. 2.1. O alfabeto fenício permitia a transcrição adequada de qualquer língua indo-europeia. 2.2. O alfabeto grego era composto por vogais e consoantes. 2.3. Actualmente, todas as línguas são alfabéticas. 2.4. A escrita foi indispensável à criação de todos os impérios. 2.5. Na Mesopotâmia e no Egipto, a escrita destinava-se a criar registos. 3. Selecciona, em cada item (3.1. a 3.4.), a alternativa que permite obter a afirmação adequada ao sentido do texto. Escreve o número do item e a letra correspondente a cada alternativa que escolheres. 3.1. A utilização do advérbio “provavelmente” (l. 1) assinala que a afirmação feita… A. …é um facto indesmentível. B. …é uma incerteza do autor. C. …não está sujeita a discussão. D. …não tem qualquer prova que a apoie. 3.2. O determinante “sua” (l. 14) refere-se a… A. …línguas alfabéticas. B. ...forma. C. …grego e latim. D. …inglês. 3.3. A expressão “essa nova capacidade maravilhosa” (l. 22) diz respeito… A. …à utilização do alfabeto. B. …à aprendizagem. C. …ao acto de criar registos. D. …ao acto de escrita. 3.4. No último parágrafo, reconhece-se aos Gregos a qualidade de… A. …terem compreendido o carácter útil e prático da escrita alfabética. B. …terem pensado melhor que os outros povos. C. …terem percebido como a escrita, com um alfabeto completo, é um processo associado ao modo de pensar melhor. D. …terem obtido um alfabeto completo. Versão A ………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………. 2
  3. 3. B. Lê, com atenção, o texto B, extraído de O Auto da Barca do Inferno, de Gil Vicente. Podes consultar alguma informação e significados de algumas palavras, apresentados em notas a seguir ao texto Posteriormente, responde aos itens que se lhe seguem, de acordo com as orientações que te são dadas. TEXTO B Tanto que Brísida Vaz se embarcou, veo um Judeu, com um bode às costas; e, chegando ao batel dos danados, diz: JUDEU Que vai cá? Hou marinheiro! PARVO Furtaste a chiba7 cabrão? DIABO Oh! que má-hora vieste!... Parecês-me vós a mim JUDEU Cuj’é esta barca que preste? gafanhoto d’Almeirim DIABO Esta barca é do barqueiro. chacinado em um seirão. JUDEU Passai-me por meu dinheiro. DIABO Judeu, lá te passarão, DIABO E o bode1 há cá de vir? porque vão mais despejados8. JUDEU Pois também o bode há-de vir. PARVO E ele mijou nos finados DIABO Que escusado passageiro! n’ergueja de São Gião9! JUDEU Sem bode, como irei lá? E comia a carne da panela DIABO Nem eu nom passo cabrões. no dia de Nosso Senhor10! JUDEU Eis aqui quatro tostões E aperta o salvador, e mais se vos pagará. e mija na caravela! Por vida do Semifará2 DIABO Sus, sus! Demos à vela! que me passeis o cabrão! Vós, Judeu, irês à toa11, Querês mais outro tostão? que sois mui ruim pessoa. DIABO Nem tu nom hás-de vir cá. Levai o cabrão na trela! JUDEU Porque nom irá o judeu onde vai Brísida Vaz? Ao senhor meirinho3 apraz? Notas: Senhor meirinho, irei eu? 1 O bode era um animal de sacrifício da religião DIABO E o fidalgo, quem lhe deu… judaica. JUDEU O mando, dizês, do batel? 2 nome judeu, talvez o da própria personagem. Corregedor, coronel, 3 juiz, autoridade; o Judeu dirige-se ao Fidalgo. castigai este sandeu4! 4 tolo 5 Azará, pedra miúda, fala típica dos judeus 6 lodo, chanto, fogo, lenha, troça 7 caganeira que te venha! cabra 8 Má corrença que te acuda! vazios, com menos gente 9 Par el Deu5, que te sacuda não respeitou as sepulturas da igreja 10 coa beca nos focinhos! comia carne durante o jejum cristão Fazes burla6 dos meirinhos? 11 a reboque Dize, filho da cornuda! 1. Selecciona, em cada item (1.1. a 1.5.), a alternativa que permite obter a afirmação adequada ao sentido do texto. Escreve o número do item e a letra correspondente a cada alternativa que escolheres. 1.1. Segundo as palavras do Diabo, o Judeu não podia ir na sua barca, porque… A. ...insistia em pagar para que o levassem. B. …sendo judeu, não pertencia à religião cristã. C. …transportava um animal com ele. D. …não fizera jejum nos dias santos. 1.2. Depois de ter tentado pagar para ir na barca e, ao constatar que o Diabo não fazia tenção de o levar, o Judeu… A. …manifestou o desejo de acompanhar Brísida Vaz. B. …invocou a autoridade do Fidalgo. C. …desistiu de embarcar, depois de ter insultado o Diabo. D. …foi à outra barca porque estava mais “despejada”. Versão A ………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………. 3
  4. 4. 1.3. Quando o Judeu pergunta porque nom irá o judeu onde vai Brísida Vaz?, isso significa que… A. …se sentia mais à vontade indo com alguém que conhecia. B. …a julgava de uma condição social superior à sua. C. …achava que merecia o mesmo castigo do que ela. D. …não se considerava socialmente inferior a ela. 1.4. Ao dirigir-se ao Judeu, Joane acusa-o de… A. …ter obtido o seu dinheiro ilegalmente. B. …se alimentar exclusivamente de carne. C. …ter desrespeitado a religião cristã. D. …nada em especial, apenas lhe dirige insultos. 1.5. O Fidalgo e o Judeu não são designados pelos seus nomes próprios, porque… A. …não representam um indivíduo mas um grupo social. B. …ambos estão mortos e o seu nome já não é importante. C. …são personagens alegóricas. D. …ambos eram pecadores e iam para o Inferno. 2. Responde de forma completa e estruturada às questões que te são colocadas. Salvo indicação em contrário, utiliza as tuas próprias palavras. 2.1. Transcreve um excerto do texto que demonstre que o Judeu não reconhecia autoridade ao Diabo. 2.2. De todas as personagens que vão desfilando ao longo do Auto da Barca do Inferno, o Judeu é o único que quer entrar na Barca do Inferno. Qual a razão dessa opção? 2.3. Indica, justificando, três traços caracterizadores do Judeu. 2.4. Como em muitas peças de Gil Vicente, à crítica junta-se o elemento cómico. 2.4.1. Transcreve do texto um excerto exemplificativo de cómico de situação. 2.4.2. Explica como é conseguido o cómico de linguagem nesta cena. 2.5. Justifica a seguinte afirmação: “Na cena do Judeu, o Parvo tem um papel importante, normalmente desempenhado pelo Diabo.” C. Lê o excerto apresentado do Auto da Barca do Inferno, de Gil Vicente (Texto C). Se necessário, consulta o glossário. TEXTO C DIABO À barca, à barca, houlá! que temos gentil maré! -Ora venha o caro1 à ré2! COMPANHEIRO Feito, feito! DIABO Bem está! Vai tu muitieramá3, Atesa4 aquele palanco5 e depeja aquele banco pêra a gente que vinrá. À barca, à barca, hu-u! Asinha6, que se quer ir! GLOSSÁRIO: Oh! que tempo de partir, 1 caro: peça onde se prende a vela 2 louvores a Berzebu! ré: em direcção à popa 3 -Ora, sus!, que fazes tu? muitieramá: em hora má 4 Despeja todo esse leito! atesa: estica 5 COMPANHEIRO Em boa hora! Feito, feito! palanco: corda da vela 6 DIABO Abaxa má-hora! Feito, feito! asinha: depressa Versão A ………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………. 4
  5. 5. Redige um texto expositivo, bem estruturado, com um mínimo de 70 palavras e um máximo de 100 palavras, em que identifiques:  o autor e a obra de que foi extraído o excerto apresentado;  a relação existente entre as duas personagens;  o estado de espírito da personagem Diabo;  a razão desse mesmo estado de espírito;  o primeiro momento da peça em que esse estado de espírito se modificará substancialmente. GRUPO II 1. Indica para cada um dos itens (1.1. a 1.4.), a função sintáctica que a expressão sublinhada desempenha em cada uma das frases. 1.1. Na Idade Média eram numerosos os Judeus em Portugal. 1.2. D. Manuel expulsou os Judeus de Portugal. 1.3. Os judeus eram, na sua maioria, mercadores, usurários, médicos, astrónomos e astrólogos. 1.4. Os Judeus, médicos exímios, foram expulsos da Península Ibérica. 2. Classifica a oração sublinhada na frase seguinte. Quando D. Afonso Henriques conquistou Lisboa em 1147, viviam muitos judeus nesta cidade. 3. Selecciona a opção em que a palavra “a” é uma preposição. Escreve a letra correspondente à opção que escolheres. A. A Judiaria de Lisboa foi assaltada em 1482. B. Os Judeus chegaram a Portugal, expulsos de Espanha. C. Muitos dos Judeus espanhóis foram viver para a Judiaria de Lisboa. D. Encontrei uma boa gramática, mas não a comprei. 4. Indica, das palavras da lista abaixo, a que se formou por aglutinação, escrevendo a letra correspondente à opção que escolheres. A. Judaísmo B. Fidalgo C. Preconceito D. Capitão-mor GRUPO III Portugal sempre foi, desde a sua origem, uma nação com várias raças e até várias religiões. Mais recentemente, passou de um país exclusivamente de emigrantes para um país de acolhimento de pessoas provenientes de outros países à procura de uma vida melhor. Redige um texto, com o máximo de 240 e o mínimo de 180 palavras, em que apresentes a tua opinião sobre a melhor maneira de promover a boa convivência entre comunidades, de forma a evitar a marginalização de pessoas com base na sua raça, religião ou país de origem. Bom Trabalho! Versão A ………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………. 5

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