A festa pela historiografia

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A festa pela historiografia

  1. 1. A HISTORIOGRAFIA “DESCOBRE A FESTA” Prof. Ms. Fabio Augusto de Oliveira Santos
  2. 2. A “festa”, um tema novo para a historiografia <ul><li>As discussões historiográficas tem seu início por volta de 1970 , auxiliada por outras literaturas . </li></ul><ul><li>O eixo determinante foi tentar entender as fronteiras, até então bem demarcadas, entre  a &quot;cultura da elite&quot; e a &quot;cultura popular”. </li></ul>
  3. 3. As festas oficiais I <ul><li>A realização de cerimônias públicas, de momentos festivos, se configura como uma forma de manipular a opinião pública, de persuadir através de imagens e de legitimar o poder. No desenrolar das festas, divulgam-se mensagens, imagens, símbolos e mitos, que auxiliam no controle social da população. </li></ul>
  4. 4. <ul><li>A linguagem festiva é sobretudo imagética, o que explica seu alto poder de persuasão, de busca de consentimento e de apoio ao poder , garantindo uma impressão de unidade, fundamental para a manutenção de quem está no comando. </li></ul>As festas oficiais II
  5. 5. A festa popular como objeto possibilita entender: <ul><li>A descoberta da cultura popular como um lugar de “subversão”, de transgressão à normatização disciplinadora do poder ; </li></ul><ul><li>A percepção de que as manifestações populares oferecem direto acesso às experiências cotidianas de segmentos da população por longo tempo silenciados. </li></ul>
  6. 6. A festa popular através da interpretação política <ul><li>Oferece pressupostos para entender o afrouxamento dos rigores de uma sociedade estruturada e, consequentemente, infundir no sistema, ainda que temporariamente, os valores inerentes a uma comunidade igualitária . </li></ul><ul><li>Rituais de transgressão podem ser entendidos como uma válvula de escape para as tensões e conflitos existentes em todas as sociedades. </li></ul>
  7. 7. A festa para o pensador iluminista Montesquieu <ul><li>O perigo da festa estava na dissolução moral que ela poderia fomentar, pondo assim em risco os bons costumes.   Segundo ele, as manifestações populares além de serem não indecentes e grosseiras, também favoreciam a prática de abusos e excessos que infringiam as normas de boa conduta social. </li></ul>
  8. 8. Para os defensores do capitalismo <ul><li>O capitalista via nas festas de cunho popular uma quebra da disciplina no trabalho, um convite ao ócio e à vadiagem. Consequentemente, a existência de um calendário anual repleto de festividades constituía uma preocupação, pois estas redundavam numa quebra no processo produtivo além de facilitarem a bebida e a libertinagem, aspectos que enfraqueceriam os corpos e as mentes dos trabalhadores, desqualificando-os para as rotinas do trabalho. </li></ul>
  9. 9. Para Mikhail Bakhtin: <ul><li>A festa pode ser analisada como uma forma de liberação, de destruição, de emancipação e renovação de um  mundo que se transforma em utopia.   Quando muito esses rituais de transgressão podem ser entendidos como uma válvula de escape para as tensões e conflitos existentes em todas as sociedades, o que não significa exatamente que eles funcionem como fórmulas de subversão social. </li></ul>
  10. 10. Segundo Umberto Eco: <ul><li>Se as festas populares desempenham um papel subversivo, um momento de suspensão da ordem e da cultura oficial, tal prática é desde sempre autorizada e admitida pelos poderes e pela cultura dominante, fornecendo exemplos claros de reforço da lei e da regra. </li></ul>
  11. 11. No entender de R. Mandrou: <ul><li>A cultura popular não era nada mais de que uma cultura de receptáculo, uma espécie de produto adulterado, construído pela cultura erudita a fim de adequar-se à ingenuidade e ignorância das camadas mais baixas da população francesa.  Concluí que as festas expressam o triunfo de uma aculturação vitoriosa por parte da cultura dominante e letrada. </li></ul>
  12. 12. G. Bollème evidencia... <ul><li>Que as festas são expressões de manifestações de uma cultura popular extremamente rica, criativa e espontânea que usufrui de uma certa autonomia em relação à cultura das classes dominantes.  </li></ul>
  13. 13. M. Ozouf afirma... <ul><li>que a festa ocupa um lugar de destaque pois é através dela que os homens são convertidos em cidadãos.   Segundo suas próprias palavras &quot;A elaboração da festa, é precisamente o lugar onde se alimenta o desejo e o saber, onde a educação das massas se entrega às maiores fruições, unindo a política à psicologia, a estética à moral e a propaganda à religião&quot; (OZOUF,1976: 21). </li></ul>
  14. 14. M. Vovelle defende: <ul><li>que a festa constitui um momento especial a partir do qual se pode captar, ao vivo, as paixões, as experiências e as expectativas inscritas nas práticas sociais cotidianas.   Mas a festa é igualmente um tempo de confraternização, de comunhão, em que os homens aspiram e vivem num sentimento partilhado de utópica  igualdade. </li></ul>
  15. 15. Roy-Ladurie compreende <ul><li>Que o tema festa pode provocar instigantes questionamentos por ser um espaço que se pode perceber tensões e conflitos no qual a população está submetida. </li></ul>
  16. 16. Na historiografia brasileira <ul><li>Entre os trabalhos desenvolvidos merece destaque a dissertação de Mestrado de Daniela Costa Saraiva intitulada A Festa Devota Negra no Século XVIII (1701-1759) , que analisa a festa inserida no interior do processo escravista com o objetivo de reconstituir o universo das práticas culturais desenvolvidas pelos negros na tensa e difícil relação com o branco e sua cultura dominante.  </li></ul>
  17. 17. <ul><li>Outra obra que merece destaque é o trabalho desenvolvido por de Emanuel  Araújo: Teatro dos Vícios - transgressão na sociedade colonial , (1993), que enfoca as festas como um momento particularmente propício aos mais variados tipos de transgressão das normas sociais. </li></ul>
  18. 18. <ul><li>Em 1990, José dos Reis escreve a obra A Morte é uma festa onde destaca que o catolicismo praticado na colônia estava impregnado de paganismo e sexualidade não sendo tão somente partilhado pelas camadas mais baixas da população.  </li></ul>
  19. 19. <ul><li>Na mesma direção se encaminham as pesquisas de José F. Carrato.   Elas vêm confirmar a existência na colônia de múltiplas manifestações transgressórias que ocorriam ao longo das festas religiosas de caráter popular.  </li></ul><ul><li>Idêntica orientação é seguida por Martha de Abreu que em tese de doutorado defendida em 1996 intitulada O Império do Divino: festas religiosas e cultura popular no Rio de Janeiro.1830-1900 , dá especial atenção às manifestações populares.  A festa é então vista como um lugar privilegiado para se entender a existência e os múltiplos significados que dela se desprendem, bem como suas peculiares formas de prática religiosa. </li></ul>
  20. 20. De uma forma geral, é possível perceber: <ul><li>A existência de dois aspectos que se encontram presentes nas manifestações populares analisadas.  </li></ul><ul><ul><li>O primeiro aponta para o caráter de transgressão que se expressa nas folias, nos cantos, nas danças, nas comilanças, atividades festivas que convivem, sem ruptura, com os rituais próprios da  religião católica e que são partilhadas por amplos setores da sociedade carioca do século XIX.  </li></ul></ul><ul><ul><li>O segundo aspecto põe em relevo a contaminação entre o sagrado e o profano, pois se constata no corpus documental a existência de barracas de comes e bebes, de pantomínias e outras manifestações cômicas, tais como o teatro de bonecos, de cantorias/duetos, magias e acrobacias no espaço contíguo ao religioso. </li></ul></ul>

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