Animação 1 - Roteiro (1) Narrativa

4,827 views

Published on

Conceitos de Narrativa - Disciplina de Animação 1 - Dep. de Design UFPR

Animação 1 - Roteiro (1) Narrativa

  1. 1. UFPRLAI-DI – Dep. Design – André Luiz Battaiola 65 / 1NarrativaCréditoOs slides desta apresentação foramelaborados por:1.  André Luiz Battaiola2.  Flávio Eduardo Martins3.  Rafael Pereira Dubiela
  2. 2. UFPRLAI-DI – Dep. Design – André Luiz Battaiola 65 / 2NarrativaÍndiceNarrativaStorylineArgumentoRoteiro LiterárioLinguagem CinematográficaRoteiro Técnico
  3. 3. UFPRLAI-DI – Dep. Design – André Luiz Battaiola 65 / 3NarrativaGANCHO, C. V. Como analisar narrativas.São Paulo: Editora Ática, 1991.Narrativa – Livro Base
  4. 4. UFPRLAI-DI – Dep. Design – André Luiz Battaiola 65 / 4NarrativaNarrativa - SurgimentoEISNER, W. Narrativas Gráficas. São Paulo: Devir, 2005
  5. 5. UFPRLAI-DI – Dep. Design – André Luiz Battaiola 65 / 5NarrativaNarrativa - SurgimentoNarrar é uma manifestação que acompanha o homem desde sua origem. empedra nos tempos da caverna.Exemplos:• os mitos — histórias das origens (de um povo, de objetos, de lugares)—, transmitidos pelos povos através das gerações, são narrativas;• a Bíblia — livro que condensa, história, filosofia e dogmas do povocristão compreende muitas narrativas: da origem do homem e damulher, dos milagres de Jesus etc.Modernamente, poderíamos citar um sem-número de narrativas: novela deTV, filme de cinema, peça de teatro, notícia de jornal, gibi, desenhoanimado... Muitas são as possibilidades de narrar, oralmente ou por escrito,em prosa ou em verso, usando imagens ou não.GANCHO, C. V. Como analisar narrativas. São Paulo: Editora Ática, 1991.
  6. 6. UFPRLAI-DI – Dep. Design – André Luiz Battaiola 65 / 6NarrativaNarrativa - Surgimento
  7. 7. UFPRLAI-DI – Dep. Design – André Luiz Battaiola 65 / 7NarrativaNarrativa - Gêneros1.  épico: é o gênero narrativo ou de ficção que se estrutura sobre umahistória;2.  lírico: é o gênero ao qual pertence a poesia lírica;3.  dramático: é o gênero teatral, isto é, aquele que engloba o texto deteatro, uma vez que o espetáculo em si foge à alçada da literatura.GANCHO, C. V. Como analisar narrativas. São Paulo: Editora Ática, 1991.
  8. 8. UFPRLAI-DI – Dep. Design – André Luiz Battaiola 65 / 8NarrativaNarrativa - Gêneros1.  épico: é o gênero narrativo ou de ficção que se estrutura sobre umahistória;2.  lírico: é o gênero ao qual pertence a poesia lírica;3.  dramático: é o gênero teatral, isto é, aquele que engloba o texto deteatro, uma vez que o espetáculo em si foge à alçada da literatura.GANCHO, C. V. Como analisar narrativas. São Paulo: Editora Ática, 1991.
  9. 9. UFPRLAI-DI – Dep. Design – André Luiz Battaiola 65 / 9NarrativaNarrativa - GênerosGANCHO, C. V. Como analisar narrativas. São Paulo: Editora Ática, 1991.O gênero épico recebe tal nome das epopéias (narrativas heróicas em versos),apesar de modernamente este gênero manifestar-se sobretudo em prosa. Nestelivro usaremos o termo gênero narrativo por acreditarmos que seja maispertinente à prosa de ficção.O conceito de ficção merece também um esclarecimento, já que de modo geralas pessoas atribuem a ele um sentido mais limitado: narrativa de ficçãocientífica. Na verdade o termo tem significado mais abrangente: imaginação,invenção. Para os limites deste livro fica estabelecido que literatura de ficção é anarrativa literária em prosa.
  10. 10. UFPRLAI-DI – Dep. Design – André Luiz Battaiola 65 / 10NarrativaNarrativa - Tipos1.  Romance2.  Novela3.  Conto4.  CrônicaComplexidade, Conflitos, Tempo, Espaço, Personagens
  11. 11. UFPRLAI-DI – Dep. Design – André Luiz Battaiola 65 / 11NarrativaNarrativa - TiposRomanceÉ uma narrativa longa, que envolve um número considerável depersonagens (em relação à novela e ao conto), maior número deconflitos, tempo e espaço mais dilatados. Embora haja romances quedatem do século XVI (D. Quijote de La Mancha, de Cervantes, porexemplo), este tipo de narrativa consagrou-se sobretudo no século XIX,assumindo o papel de refletir a sociedade burguesa.Ex: Incidente em Antares, de Érico VeríssimoPodemos classificar o romance quanto a sua temática. Os tipos maisconhecidos são de amor, de aventura, policial, ficção científica,psicológico, pornográfico etc.
  12. 12. UFPRLAI-DI – Dep. Design – André Luiz Battaiola 65 / 12NarrativaNarrativa - TiposNovelaÉ um romance mais curto, isto é, tem umnúmero menor de personagens, conflitos eespaços, ou os tem em igual número aoromance, com a diferença de que a ação notempo é mais veloz na novela. Difere em muitoda novela de TV, a qual tem uma série de casos(intrigas) paralelos e uma infinidade demomentos de clímax.Um exemplo de novela seria Max e os felinos,de Moacyr Scliar, na qual o personagem central,Max, vive muitas aventuras. A passagem dotempo é muito rápida, tornando a leituraagradável.
  13. 13. UFPRLAI-DI – Dep. Design – André Luiz Battaiola 65 / 13NarrativaNarrativa - TiposContoÉ uma narrativa mais curta, que tem como característica central condensarconflito, tempo, espaço e reduzir o número de personagens. O conto é umtipo de narrativa tradicional, isto é, já adotado por muitos autores nosséculos XVI e XVII, como Cervantes e Voltaire, mas que hoje é muitoapreciado por autores e leitores, ainda que tenha adquirido característicasdiferentes, por exemplo, deixar de lado a intenção moralizante e adotar ofantástico ou o psicológico para elaborar o enredo.Obs.: Tanto o conto quanto a novela podem abordar qualquer tipo de tema
  14. 14. UFPRLAI-DI – Dep. Design – André Luiz Battaiola 65 / 14NarrativaNarrativa - TiposCrônicaPor se tratar de um texto híbrido, nem sempre apresenta uma narrativacompleta; uma crônica pode contar, comentar, descrever, analisar. Dequalquer forma, as características distintivas da crônica são: texto curto,leve, que geralmente aborda temas do cotidiano.Ex: Crônica do Amor, Arnaldo Jabor
  15. 15. UFPRLAI-DI – Dep. Design – André Luiz Battaiola 65 / 15NarrativaNarrativa – HistóriaEISNER, W. Narrativas Gráficas. São Paulo: Devir, XXX
  16. 16. UFPRLAI-DI – Dep. Design – André Luiz Battaiola 65 / 16NarrativaNarrativa – EstruturaA estrutura narrativa não é um mero relato de acontecimentos,mas sim a perfeita harmonia entre os elementos narrativos:tempo, espaço, personagens, enredo e narrador.EISNER, W. Narrativas Gráficas. São Paulo: Devir, XXX
  17. 17. UFPRLAI-DI – Dep. Design – André Luiz Battaiola 65 / 17NarrativaNarrativa - DefiniçãoCHATMAN, S.. Story and Discourse: narrativestructure in fiction and film. New York: CornellUniversity Press, 1978
  18. 18. UFPRLAI-DI – Dep. Design – André Luiz Battaiola 65 / 18NarrativaNarrativa - DefiniçãoContar histórias é uma atividade praticada por muita gente: pais, filhos,professores, amigos, namorados, avós... Enfim, todos contam-escrevem ououvem-lêem toda espécie de narrativa: histórias de fadas, casos, piadas,mentiras, romances, contos, novelas... Assim, a maioria das pessoas é capaz deperceber que toda narrativa tem elementos fundamentais, sem os quais ela nãopode existir; tais elementos de certa forma responderiam às seguintes questões:O que aconteceu? Quem viveu os fatos? Como? Onde? Por quê?Em outras palavras, a narrativa é estruturada sobre cinco elementosprincipais:1. Enredo2. Personagens3. Tempo4. Espaço5. Narrador
  19. 19. UFPRLAI-DI – Dep. Design – André Luiz Battaiola 65 / 19NarrativaO conjunto dos fatos de uma história é conhecido por muitos nomes: intriga,ação, trama, história. O termo mais largamente difundido é enredo (narrativatextual).Duas são as questões fundamentais a se observar no enredo:• sua estrutura (vale dizer, as partes que o compõem) e• sua natureza ficcional.Narrativa - Enredo
  20. 20. UFPRLAI-DI – Dep. Design – André Luiz Battaiola 65 / 20NarrativaNatureza Ficcional: VerossimilhançaÉ a lógica interna do enredo, que o torna verdadeiro para o leitor é, pois, aessência do texto de ficção.Os fatos de uma história não precisam ser verdadeiros, no sentido decorresponderem exatamente a fatos ocorridos no universo exterior ao texto,mas devem ser verossímeis; isto quer dizer que, mesmo sendo inventados, oleitor deve acreditar no que lê. Esta credibilidade advém da organizaçãológica dos fatos dentro do enredo. Cada fato da história tem uma motivação(causa), nunca é gratuito e sua ocorrência desencadeia inevitavelmente novosfatos (conseqüência).Causa <-> Fato <-> ConsequênciaNarrativa - Enredo
  21. 21. UFPRLAI-DI – Dep. Design – André Luiz Battaiola 65 / 21NarrativaEstruturaPara se entender a organização dos fatos no enredo não basta perceberque toda história tem começo, meio e fim; é preciso compreender oelemento estruturador : o conflito.Tomemos como exemplo as histórias infantis, conhecidas por todos;imaginemos Chapeuzinho Vermelho sem Lobo Mau, o Patinho Feio sema feiúra, a Cinderela sem a meia-noite; teríamos histórias sem graça,porque faltaria a elas o que lhes dá vida e movimento: o conflito.Seja entre dois personagens, seja entre o personagem e o ambiente, oconflito possibilita ao leitor-ouvinte criar expectativa frente aos fatos doenredo.Narrativa - Enredo
  22. 22. UFPRLAI-DI – Dep. Design – André Luiz Battaiola 65 / 22NarrativaConflitoÉ qualquer componente da história (personagens, fatos, ambiente,idéias, emoções) que se opõe a outro, criando uma tensão que organizaos fatos da história e prende a atenção do leitor.Além dos conflitos já mencionados, entre personagens, e entre opersonagem e o ambiente, podemos encontrar nas narrativas os conflitosmorais, religiosos, econômicos e psicológicos; este último seria o conflitointerior de um personagem que vive uma crise emocional.Em geral, o conflito caracteriza as partes do enredo.Narrativa - Enredo
  23. 23. UFPRLAI-DI – Dep. Design – André Luiz Battaiola 65 / 23NarrativaEstrutura do Enredo1.  Exposição2.  Complicação3.  Clímax4.  DesfechoNarrativa - Enredo
  24. 24. UFPRLAI-DI – Dep. Design – André Luiz Battaiola 65 / 24NarrativaEstrutura do Enredo1. Exposição: (ou introdução ou apresentação) coincide geralmentecom o começo da história, no qual são apresentados os fatosiniciais, os personagens, às vezes o tempo e o espaço. Enfim, é aparte na qual se situa o leitor diante da história que irá ler.2. Complicação: (ou desenvolvimento) é a parte do enredo na qualse desenvolve o conflito (ou os conflitos - na verdade pode havermais de um conflito numa narrativa).Narrativa - Enredo
  25. 25. UFPRLAI-DI – Dep. Design – André Luiz Battaiola 65 / 25NarrativaEstrutura do Enredo3. Clímax: momento culminante da história, isto quer dizer que é omomento de maior tensão, no qual o conflito chega a seu pontomáximo. O clímax é o ponto de referência para as outras partes doenredo, que existem em função dele.4. Desfecho: (desenlace ou conclusão) é a solução dos conflitos, boaou má, vale dizer configurando-se num final feliz ou não. Hámuitos tipos de desfecho: surpreendente, feliz, trágico, cômico etc.Narrativa - Enredo
  26. 26. UFPRLAI-DI – Dep. Design – André Luiz Battaiola 65 / 26NarrativaExemplo:Pedro pára, pára PedroStanislaw Ponte PretaFebeapá. Rio de Janeiro, Sabiá, 1967. v. 2, p. 71.(exposição)Um grupo de gozadores de Aracaju fundava uma associação chamadaClube Sergipano de Penetras, especializado em penetrar em festassem ser convidado.(complicação)O clube estreou auspiciosamente, comparecendo ao casamento dafilha do Governador Lourival Batista, pra comer doce e aceitarcroquete oferecido em bandeja.Narrativa - Enredo
  27. 27. UFPRLAI-DI – Dep. Design – André Luiz Battaiola 65 / 27Narrativa(clímax)O presidente do clube, universitário Wadson Oliveira, ainda aproveitoua presença do Vice-Presidente Pedro Aleixo nas bodas e pediu apalavra, saudando-o copiosamente, a chamá-lo a cada instante debenemérito do país, grande figura política, ínclito patriota, etc., etc.,etc.(desfecho)Dizem que Pedro Aleixo acreditou.Pedro Aleixo foi eleito vice-presidente da república na chapado marechal Artur da Costa e Silva, pela Aliança RenovadoraNacional, em 3 de outubro de 1966Narrativa - Enredo
  28. 28. UFPRLAI-DI – Dep. Design – André Luiz Battaiola 65 / 28NarrativaExposição:apresentação do fato inicial — a criação do Clube Sergipano dePenetras;Complicação:as complicações ou o desenvolvimento do fato inicial — a festa decasamento, na qual o clube estréia;Clímax:o ponto culminante da história que coincide com o ápice da festa —odiscurso louvatório do presidente do clube;Desfecho:é como termina a história — neste caso há um final irônico, porque oClube de Penetras tem uma boa recepção, ao contrário do que sepudesse esperar.Narrativa - Enredo
  29. 29. UFPRLAI-DI – Dep. Design – André Luiz Battaiola 65 / 29NarrativaEnredo psicológicoPara concluir as considerações sobre o enredo, falta-nos falar sobre anarrativa psicológica, na qual os fatos nem sempre são evidentes,porque não equivalem a ações concretas do personagem, mas amovimentos interiores; seriam fatos emocionais que comporiam oenredo psicológico.Excetuando este aspecto, o enredo psicológico se estrutura como oenredo de ação; isto equivale a dizer que tem um conflito, apresentapartes, verossimilhança e, portanto, é passível de análise.Narrativa - Enredo
  30. 30. UFPRLAI-DI – Dep. Design – André Luiz Battaiola 65 / 30NarrativaEnredo psicológicoUm exemplo de enredo psicológico seria o conto de Clarice Lispector,“Amor”.Uma dona-de-casa entra num bonde com uma sacola de compras,vindo a observar um cego na calçada. Essa visão provoca nela umasérie de emoções que compõem o corpo do texto. A narrativaapresenta poucos fatos exteriores e está repleta de fatospsicológicos:Narrativa - Enredo
  31. 31. UFPRLAI-DI – Dep. Design – André Luiz Battaiola 65 / 31NarrativaEnredo psicológico(...) Mas os ovos se haviam quebrado no embrulho de jornal. Gemasamarelas e viscosas pingavam entre os fios da rede [sacola]. O cegointerrompera a mastigação e avançava as mãos inseguras, tentandoinutilmente pegar o que acontecia. O embrulho dos ovos foi jogadofora da rede e, entre os sorrisos dos passageiros e o sinal docondutor, o bonde deu a nova arrancada de partida.Poucos instantes depois já não a olhavam mais. O bonde se sacudianos trilhos e o cego mascando goma ficara atrás para sempre. Mas omal estava feito.Narrativa - Enredo
  32. 32. UFPRLAI-DI – Dep. Design – André Luiz Battaiola 65 / 32NarrativaEnredo psicológicoA rede de tricô era áspera entre os dedos, não íntima como quando atricotara. A rede perdera o sentido e estar no bonde era um fio partido;não sabia o que fazer com as compras no colo. E como uma estranhamúsica o mundo recomeçava ao redor. O mal estava feito. Por quê?Teria esquecido de que havia cegos? A piedade a sufocava, Anarespirava pesadamente. Mesmo as coisas que existiam antes doacontecimento estavam agora de sobreaviso, tinham um ar maishostil, perecível... O mundo se tornara de novo um mal-estar. Váriosanos ruíam, as gemas amarelas escorriam. (...)LYSPECTOR, C. Laços de família. Rio de Janeiro: José Olympio,1978. p. 21.Narrativa - Enredo
  33. 33. UFPRLAI-DI – Dep. Design – André Luiz Battaiola 65 / 33NarrativaA personagem ou o personagem é um ser fictício que é responsável pelodesempenho do enredo; em outras palavras, é quem faz a ação. Por maisreal que pareça, o personagem é sempre invenção, mesmo quando seconstata que determinados personagens são baseados em pessoas reais.O personagem é um ser que pertence à história e que, portanto, sóexiste como tal se participa efetivamente do enredo, isto é, se age oufala. Se um determinado ser é mencionado na história por outrospersonagens mas nada faz direta ou indiretamente, ou não interfere demodo algum no enredo, pode-se não o considerar personagem.Bichos, homens ou coisas (navios, robots, carros, et’s, etc), os personagensse definem no enredo pelo que fazem ou dizem, e pelo julgamento quefazem dele o narrador e os outros personagens. De acordo com estasdiretrizes podemos identificar-lhes os caracteres ou características, estejameles condensados em trecho descritivos ou dispersos na históriaNarrativa - Personagem
  34. 34. UFPRLAI-DI – Dep. Design – André Luiz Battaiola 65 / 34NarrativaNarrativa - Personagem
  35. 35. UFPRLAI-DI – Dep. Design – André Luiz Battaiola 65 / 35NarrativaNarrativa - PersonagemClassificação dos personagens1. Quanto ao papel desempenhado no enredo (Arquétipos):a)  Protagonista•  Herói•  Anti-Heróib)  Antagonista2. Quanto à caracterização:a)  Personagens planos•  Tipo – Jornalista, Sertanejo, Estudante•  Caricatura – Analista de Bagé, Zé Bonitinho, Mineirinhob)  Personagens redondos•  F—características físicas•  P—características psicológicas•  S—características sociais•  I—características ideológicas•  M —características morais
  36. 36. UFPRLAI-DI – Dep. Design – André Luiz Battaiola 65 / 36NarrativaNarrativa - TempoConsiderado o tempo fictício, isto é, interno ao texto, entranhado noenredo. Os fatos de um enredo estão ligados ao tempo em vários níveis:1.  Época em que se passa a história2.  Duração da história (Tempo Real (Tempo Dramático))3.  Tempo cronológico4.  Tempo psicológico
  37. 37. UFPRLAI-DI – Dep. Design – André Luiz Battaiola 65 / 37NarrativaNarrativa - TempoÉpoca em que se passa a históriaConstitui o pano de fundo para o enredo. A época da história nemsempre coincide com o tempo real em que foi publicada ou escrita. Umexemplo disso é o romance de Umberto Eco, O Nome da Rosa, queretrata a Idade Média, embora tenha sido escrito e publicadorecentemente.
  38. 38. UFPRLAI-DI – Dep. Design – André Luiz Battaiola 65 / 38NarrativaNarrativa - TempoDuração da históriaMuitas histórias se passam em curto período de tempo, já outras têm umenredo que se estende ao longo de muitos anos. Os contos de um modogeral apresentam uma duração curta em relação aos romances, nos quaiso transcurso do tempo é mais dilatado.Como exemplo de duração curta, o conto de Rubem Fonseca, “Feliz AnoNovo” (o livro tem o mesmo nome), cujo enredo se passa em algumashoras na véspera do Ano-Novo.No outro extremo, apresentaríamos os romances Cem anos de solidão, deGabriel García Márquez, ou então O tempo e o vento, de Érico Veríssimo,nos quais se narra a vida de muitas gerações de uma família,
  39. 39. UFPRLAI-DI – Dep. Design – André Luiz Battaiola 65 / 39NarrativaNarrativa - TempoDuração da históriaObs.: Para identificar o tempo-época ou a duração, procure fazer umlevantamento dos índices de tempo, pois tais referências representammarcações de tempo; por exemplo: “Era no tempo do Rei”, que inicia oromance Memórias de um sargento de milícias, de Manuel Antônio deAlmeida, indica a época em que se passa a história.
  40. 40. UFPRLAI-DI – Dep. Design – André Luiz Battaiola 65 / 40NarrativaNarrativa - TempoTempo cronológicoÉ o nome que se dá ao tempo que transcorre na ordem natural dos fatosno enredo isto e do começo para o final. Está, portanto, ligado ao enredolinear (que não altera a ordem que os fatos ocorreram); chama-secronológico porque é mensurável em horas, dias, meses, anos, séculos.Para você compreender melhor esta categoria de tempo, pense em umahistória que começa narrando a infância do personagem e depois osdemais fatos de sua vida na ordem em que eles ocorreram: você terá otempo cronológico. Isto é o que ocorre na novela de Moacyr Scliar, Max eos felinos.
  41. 41. UFPRLAI-DI – Dep. Design – André Luiz Battaiola 65 / 41NarrativaNarrativa - TempoTempo psicológicoÉ o nome que se dá ao tempo que transcorre numa ordem determinadapelo desejo ou pela imaginação do narrador ou dos personagens, isto é,altera a ordem natural dos acontecimentos. Está, portanto, ligado aoenredo não linear (no qual os acontecimentos estão fora da ordemnatural). Um exemplo de tempo psicológico é o romance de Machadode Assis, Memórias póstumas de Brás Cubas, no qual o narrador, jádefunto, conta seu enterro, depois sua morte, só então conta suainfância, sua juventude, aos caprichos do “defunto autor”.
  42. 42. UFPRLAI-DI – Dep. Design – André Luiz Battaiola 65 / 42NarrativaNarrativa - TempoTempo psicológicoConfira o tempo psicológico neste trecho do livro no qual o personagemnarrador relata seu delírio, pré-morte. Ele conversava com a Natureza,Pandora, que lhe permite ver o que é a vida do homem:(...) Isto dizendo, arrebatou-me ao alto de uma montanha. Inclinei osolhos a uma das vertentes, e contemplei, durante um tempo largo, aolonge, através de um nevoeiro, uma coisa única. Imagina tu, leitor, umaredução dos séculos, e um desfilar de todos eles, as raças todas, todasas paixões, o tumulto dos impérios, a guerra dos apetites e dos ódios, adestruição recíproca dos seres e das coisas. (..)Os séculos desfilavam num turbilhão, e, não obstante, porque os olhosdo delírio são outros, eu via tudo o que passava diante de mim, —flagelos e delícias,
  43. 43. UFPRLAI-DI – Dep. Design – André Luiz Battaiola 65 / 43NarrativaNarrativa - TempoTempo psicológicoMeu olhar, enfarado e distraído, viu enfim chegar o século presente, eatrás dele os futuros. (...) Re dobrei de atenção; fitei a vista; ia enfim vero último— o último! mas então já a rapidez da marcha era tal, queescapava a toda a compreensão; ao pé dela o relâmpago seria umséculo. Talvez por isso entraram os objetos a trocarem-se; unscresceram, outros minguaram, outros perderam-se no ambiente; umnevoeiro cobriu tudo, — menos o hipopótamo que ali me trouxera, e quealiás começou a diminuir, a diminuir, a diminuir, até ficar do tamanho deum gato. Era efetivamente um gato. Encarei-o bem; era o meu gatoSultão, que brincava à porta da alcova, com uma bola de papel...ASSIS, M. Memórias Póstumas de Brás Cubas. São Paulo: Ática,1982. p. 22-3.)
  44. 44. UFPRLAI-DI – Dep. Design – André Luiz Battaiola 65 / 44NarrativaNarrativa - TempoTempo psicológicoExemplos:Sunset Boulevart, 1950http://www.youtube.com/watch?v=xzYqUpV_B-APropaganda da HeinekenAnimatic 2012
  45. 45. UFPRLAI-DI – Dep. Design – André Luiz Battaiola 65 / 45NarrativaEspaçoEspaço é, por definição, o lugar onde se passa a ação numa narrativa.Se a ação for concentrada, isto é, se houver poucos fatos na história,ou se o enredo for psicológico, haverá menos variedade de espaços;pelo contrário, se a narrativa for cheia de peripécias (acontecimentos),haverá maior afluência de espaços.O espaço tem como funções principais situar as ações dospersonagens e estabelecer com eles uma interação, quer influenciandosuas atitudes, pensamentos ou emoções, quer sofrendo eventuaistransformações provocadas pelos personagens.Narrativa - Espaço
  46. 46. UFPRLAI-DI – Dep. Design – André Luiz Battaiola 65 / 46NarrativaEspaçoAssim como os personagens, o espaço pode ser caracterizado maisdetalhadamente em trechos descritivos, ou as referências espaciaispodem estar diluídas na narração. De qualquer maneira é possívelidentificar-lhe as características, por exemplo, espaço fechado ou aberto,espaço urbano ou rural e assim por diante.O termo espaço, de um modo geral, só dá conta do lugar físico ondeocorrem os fatos da história; para designar um “lugar” psicológico, social,econômico etc., empregamos o termo ambiente.Narrativa - Tempo
  47. 47. UFPRLAI-DI – Dep. Design – André Luiz Battaiola 65 / 47NarrativaEspaçoAmbienteFunções1.  Situar os personagens no tempo, no espaço, no gruposocial, enfim nas condições em que vivem.2.  Ser a projeção dos conflitos vividos pelos personagens.3.  Estar em conflito com os personagens.4.  Fornecer índices (pistas) para o andamento do enredo.Narrativa – Espaço - Ambiente
  48. 48. UFPRLAI-DI – Dep. Design – André Luiz Battaiola 65 / 48NarrativaEspaçoAmbienteCaracterização – Aspectos Relevantes1.  época (em que se passa a história);2.  características físicas (do espaço);3.  aspectos socioeconômicos;4.  aspectos psicológicos, morais, religiosos.Narrativa – Espaço - Ambiente
  49. 49. UFPRLAI-DI – Dep. Design – André Luiz Battaiola 65 / 49NarrativaNarrador(Não existe narrativa sem narrador, pois ele é o elemento estruturador daHistória.)Dois são os termos mais usados pelos manuais de análise literária, paradesignar a função do narrador na história:• foco narrativo e• ponto de vista (do narrador ou da narração).Tanto um quanto outro referem-se à posição ou perspectiva do narradorfrente aos fatos narrados. Assim, teríamos dois tipos de narrador,identificados à primeira vista pelo pronome pessoal usado na narração:• terceira pessoa do singular (ele) ou• primeira pessoa do singular (eu).Narrativa – Narrador
  50. 50. UFPRLAI-DI – Dep. Design – André Luiz Battaiola 65 / 50NarrativaNarradorTerceira pessoa:Narrador que está fora dos fatos narrados, portanto seu ponto de vistatende a ser mais imparcial. O narrador em terceira pessoa é conhecidotambém pelo nome de narrador observador e suas característicasprincipais são:• onisciência: o narrador sabe tudo sobre a história;• onipresença: o narrador está presente em todos os lugares dahistória.Variantes de narrador em terceira pessoaa) Narrador “intruso” - fala com o leitor ou julga diretamente ocomportamento dos personagens;b) Narrador “parcial”: se identifica com determinado personagem da históriae, mesmo não o defendendo explicitamente, permite que ele tenha maisespaço, isto é, maior destaque na história.Narrativa – Narrador
  51. 51. UFPRLAI-DI – Dep. Design – André Luiz Battaiola 65 / 51NarrativaNarradorPrimeira pessoa ou narrador personagem:Participa diretamente do enredo como qualquer personagem, portanto temseu campo de visão limitada, isto é, não é onipresente, nem onisciente.No entanto, dependendo do personagem que narra a história, de quandoo faz e de que relação estabelece com o leitor, podemos ter algumasvariantes de narrador personagem.Variantes do narrador personagema)  Narrador testemunha - geralmente não é o personagem principal, masnarra acontecimentos dos quais participou, ainda que sem grandedestaque;b)  Narrador protagonista - é o personagem central.Narrativa – Narrador
  52. 52. UFPRLAI-DI – Dep. Design – André Luiz Battaiola 65 / 52NarrativaNarradorPrimeira pessoa ou narrador personagem:Participa diretamente do enredo como qualquer personagem, portantotem seu campo de visão limitada, isto é, não é onipresente, nemonisciente. No entanto, dependendo do personagem que narra ahistória, de quando o faz e de que relação estabelece com o leitor,podemos ter algumas variantes de narrador personagem.Variantes do narrador personagema)  Narrador testemunhab)  Narrador protagonista:Narrativa – Narrador
  53. 53. UFPRLAI-DI – Dep. Design – André Luiz Battaiola 65 / 53NarrativaNarradorPrimeira pessoa ou narrador personagem:Narrador testemunhaGeralmente não é o personagem principal, mas narraacontecimentos dos quais participou, ainda que sem grandedestaque. Um exemplo deste tipo de participação do narradorpersonagem é o romance Amor de salvação, de Camilo CasteloBranco, no qual o narrador é amigo de Afonso de Teive,personagem principal; do reencontro dos dois depois de algunsanos decorridos da amizade na época da universidade nasce ahistória tentando aproximar o jovem boêmio idealista Afonso dopai careca e barrigudo, que o narrador vê diante de si.Narrativa – Narrador
  54. 54. UFPRLAI-DI – Dep. Design – André Luiz Battaiola 65 / 54NarrativaNarradorPrimeira pessoa ou narrador personagem:Narrador protagonista:Narrador que também é o personagem central. Por exemplo,Paulo Honório, narrador do romance São Bernardo, de GracilianoRamos, homem duro, que tenta entender a si e a sua vida após amorte da esposa Madalena; Bento, de Dom casmurro, deMachado de Assis, célebre por dar sua versão sobre a possíveltraição de Capitu, seu grande amor. Nos dois casos tem-se umnarrador que está distante dos fatos narrados e que, portanto,pode ser mais crítico de si mesmo.Narrativa – Narrador
  55. 55. UFPRLAI-DI – Dep. Design – André Luiz Battaiola 65 / 55NarrativaNarrativa – Tema, Assunto e MensagemTemaIdéia em torno do qual se desenvolve a história.AssuntoConcretização do tema, isto é, como o tema aparece desenvolvido no enredo.MensagemPensamento ou conclusão que se pode depreender da história lida ou ouvida.
  56. 56. UFPRLAI-DI – Dep. Design – André Luiz Battaiola 65 / 56NarrativaNarrativa – Tema, Assunto e MensagemEXEMPLO: AnimaticTemaDeturpação de valores // Arrependimento no Pós-Morte // Amor e tragédia nomundo espiritualAssuntoO espírito de um homem rico e avarento redescobre o amor pela sua esposaquando ela visita seu túmulo.MensagemO verdadeiro amor é o maior tesouro de um homem // Quem ama o amoresquece o dinheiro.
  57. 57. UFPRLAI-DI – Dep. Design – André Luiz Battaiola 65 / 57NarrativaNarrativa – Tema, Assunto e MensagemCo-relação com Parâmetros de produção de Narrativas para RoteirizaçãoAssuntoSituação DramáticaTemaMensagemPremissa Dramática
  58. 58. UFPRLAI-DI – Dep. Design – André Luiz Battaiola 65 / 58NarrativaNarrativa - DefiniçãoCHATMAN, S.. Story and Discourse: narrativestructure in fiction and film. New York: CornellUniversity Press, 1978
  59. 59. UFPRLAI-DI – Dep. Design – André Luiz Battaiola 65 / 59NarrativaNarrativa – Discurso (Estilo)QUENEAU, R. Exercícios de Estilo. Rio de Janeiro: Editora Imago, 1995
  60. 60. UFPRLAI-DI – Dep. Design – André Luiz Battaiola 65 / 60NarrativaDalton Trevisan"Sarnento, aquele cão. Tinha três pernas. Foi mijar. Caiu."http://puragoiaba.blogspot.com/2004/07/exerccios-de-estilo-1.htmlNarrativa – Discurso (Estilo)
  61. 61. UFPRLAI-DI – Dep. Design – André Luiz Battaiola 65 / 61Narrativahttp://puragoiaba.blogspot.com/2004/07/exerccios-de-estilo-1.html* Thomas Bernhard"Eu estava cansado de ver aquelas caras idiotas, aquele povo imbecil com seu arsoberbamente idiota, aqueles vienenses enfatuados e idiotas enquanto estavarecostado ao muro, pensava como podem os habitantes de um país ser tãocongenitamente, tão irremediavelmente idiotas, é repulsivo, enquanto recostadoao muro observava o grotesco espetáculo de um cão nojento cheio de feridas,com uma perna a menos, mancando em direção a um poste idiota, idiota comocada centímetro quadrado de Viena, eu pensava recostado ao muro esse cãosem perna é igual aos vienenses, todos são cérebros com uma pata a menos,todos encostam-se no poste para urinar e caem, e rolam no próprio mijo, essesvienenses tão estúpidos, sarnentos e idiotas, pensava enquanto estavarecostado ao muro e o cão tentava urinar e caía."Narrativa – Discurso (Estilo)
  62. 62. UFPRLAI-DI – Dep. Design – André Luiz Battaiola 65 / 62Narrativahttp://puragoiaba.blogspot.com/2004/07/exerccios-de-estilo-1.html* Clarice Lispector"Eu era uma cadela de três pernas. E não era. Melhor: eu me era sendo,obliquamente, desequilibradamente. Me era, vista de fora com a dolorosaconsciência da perna faltante, mas indiferente. E vista de dentro, espessa,sem compreender, sem nem ao menos tentar. E era também uma perna queperdeu a cadela. E era o poste, a cadela, a ausência da perna. Tudo se meera assim tão imóvel, tão docemente sem sentido, tão perna. E eu me erasendo, vendo o liquido luminoso e amarelado, orelha abrupta colada ao chão.E a urina se me era, e eu não sei o que digo, e então adoro."Narrativa – Discurso (Estilo)
  63. 63. UFPRLAI-DI – Dep. Design – André Luiz Battaiola 65 / 63NarrativaNarrativa – Discurso (Retórica)
  64. 64. UFPRLAI-DI – Dep. Design – André Luiz Battaiola 65 / 64NarrativaRecursos da Retóricawww.radames.manosso.nom.br/retorica/recursos.htmA Glossary of Rhetorical Terms with Exampleswww.uky.edu/ArtsSciences/Classics/rhetoric.htmlNarrativa – Discurso (Retórica)
  65. 65. UFPRLAI-DI – Dep. Design – André Luiz Battaiola 65 / 65NarrativaNarrativa – Discurso (Retórica)IroniaO parlamentar XXX é um poço de virtudes.IronyYet Brutus says he was ambitious;And Brutus is an honorable man.Shakespeare, Julius Caesar

×