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Serviço social e educação

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Palestra proferida a alunos de Pedagogia e de Serviço Social

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Serviço social e educação

  1. 1. Serviço Social e Educação confluências e limites Prof. Adnilson José da Silva prof.adnilson@ig.com.br
  2. 2. Interlocução éuma fala entre sujeitos,ou seja, é uma conversa.
  3. 3. O que diz a Educação?- que ela se dá em contextos sociais;- que ela está condicionada a situações econômicas, políticas e culturais;- que ela está imersa em relações de poder;- que ela se dá formalmente com o aval do Estado;- que ela visa promover alterações atitudinais nos sujeitos a que se destina.
  4. 4. O que diz o Serviço Social?- que ele se dá em contextos sociais;- que ele está condicionada a situações econômicas, políticas e culturais;- que ele está imerso em relações de poder;- que ele se dá formalmente com o aval do Estado;- que entre outras coisas ele também visa promover alterações atitudinais nos sujeitos a que se destina.
  5. 5. A Educação diz mais:- ela tem algumas bandeiras e destaca as da inclusão, das justas relações entre os gêneros e do esclarecimento das consciências.
  6. 6. O Serviço Social continua:- ele também tem algumas bandeiras e destaca as da inclusão, das justas relações entre os gêneros e do esclarecimento das consciências.
  7. 7. A Educação comenta:- sua atuação não é fácil, pois há falta de recursos materiais, simbólicos e espirituais que afetam as famílias, e estas procuram a escola como instituição salvadora para quase tudo, enquanto muitos chegam a desdenhar de sua verdadeira missão: ensinar.
  8. 8. O Serviço Social comenta:- sua atuação também não é fácil, pois há falta de recursos materiais, simbólicos e espirituais que afetam as famílias, e estas procuram o Serviço Social como instituição salvadora para quase tudo, enquanto muitos manipulam sua verdadeira missão: incluir e organizar os sujeitos socialmente.
  9. 9. A Educação continua:- resulto como ação institucional, tal como me apresento hoje, em uma conjuntura capitalista. Tenho, portanto, vícios capitalistas. Mas também tenho perspectivas diferentes daquelas de meu nascedouro. Contudo, meus vícios têm mecanismos de renovação e de reforçamento dentro de mim mesma.
  10. 10. O Serviço Social revela:- também resulto como ação institucional, tal como me apresento hoje, em uma conjuntura capitalista. Tenho, portanto, vícios capitalistas. Mas também tenho perspectivas diferentes daquelas de meu nascedouro. Contudo, meus vícios têm mecanismos de renovação e de reforçamento dentro de mim mesmo.
  11. 11. Mas a Educação conclui:- a luta contra os vícios requer de mim autocrítica e sempre maior esclarecimento dos meus sujeitos. Para superar meus vícios preciso refletir sobre as possibilidades e determinismos afetos a mim.
  12. 12. O Serviço Social confirma:- a luta contra os vícios requer também de mim autocrítica e sempre maior esclarecimento dos meus sujeitos. Para superar meus vícios preciso refletir sobre as possibilidades e determinismos afetos a mim.
  13. 13. As possibilidades e determinismos serevelam primeiramente pelo estudodos fundamentos filosófico-políticos ecientíficos da Educação e do ServiçoSocial.Há aspectos comuns entre osfundamentos da Educação e doServiço Social?
  14. 14. A Educação e o Serviço Social têm1. marcos político-filosóficos2. marcos científicos3. marcos tecnológicos
  15. 15. Marcos político-filosóficosCompreendem o estudo da Filosofiae da Política, que respondem àquestão PARA QUÊ ?e oferecem os sentidos das ações.
  16. 16. Marcos científicosCompreendem o estudo da História,da Sociologia, da Economia, daPsicologia, da Antropologia e deoutras que proporcionam responder COM BASE EM QUÊ? e revelam os contextos em que ocorrem as ações.
  17. 17. Marcos tecnológicosCorrespondem a metodologias,técnicas, estratégias e instrumentosque orientam sobre COMO realizar as ações.
  18. 18. Práticas sem fundamentação são destituídas de atitude e redundam em espontaneísmo.Teorias sem perspectivas práticas são opiniões bem rebuscadas, ou pior, dogmas.Vamos refletir a partir de uma teoria com perspectivas práticas e “que não tema submeter-se à prática”.
  19. 19. A dialética é considerada como a mais elaborada forma de filosofia. DialéticaDo grego dialetiké debate O debate é a arte da negação. Mas, como ocorre a negação dialética?
  20. 20. A dialética se deflagra mediante a dinâmica entre dois elementos, implicando em um terceiro, assim: TESE ANTÍTESEA TESE é uma A ANTÍTESEsituação dada, nega a TESE. posta, queocupa lugar na consciênciacomo verdade, SÍNTESE crença, convicção. A SÍNTESE nega tanto a TESE quanto a ANTÍTESE, e se constitui como a nova situação dada, posta, ocupando lugar na consciência como nova verdade, crença, convicção e prática.
  21. 21. A dialética se caracteriza pela continuidade, assim:TESE ANTÍTESE SÍNTESE TESE ANTÍTESE SÍNTESE TESE ANTÍTESE eternamente...
  22. 22. A dialética MATERIALISTA e se opõe à dialética IDEALISTA. dialética dialética IDEALISTA MATERIALISTA “(...) a estrutura econômica da idéia sociedade é a base Hegel Marx e Engels real sobre a qual se eleva uma a dinâmica dasuperestrutura jurídica p a dinâmica da dialética seedá qual e política à a dialética se dá em planocorrespondem formas = u em plano mental sociais determinadas t material de consciência.” a (MARX) tudo ocorre tudo ocorre antes em nível antes em nível prática mental, e material, social somente materialismo histórico, e depois, emhistórico/dialético somente nível material depois, em nível mental
  23. 23. A dialética prevê uma ascensão epistemológica, ou seja, uma evolução no conhecimento proporcionada pelo constante jogo de negações. SOPHÓI Aqui a pessoa sabe diferenciar o BEM e o MAL e tem CONHECIMENTO para agir no sabedoria mundo sem que ninguém a explora, a engane e a faça sofrer. EPISTÉME Aqui a pessoa consegue entender o que acontece no mundo, sem as sombras dasconhecimento dúvidas e do medo. Entende a si mesma e o científico meio em que vive. Sabe do presente e do passado. Tem melhores condições de trabalhar e de apreciar as artes e a cultura. DOXA Aqui a pessoa aprende muita coisa boa, massenso comum ainda está presa a algumas idéias que não correspondem à realidade. Por exemplo: pode ter bom coração, mas acredita em mula-sem-cabeça e deixa que políticos corruptos a enganem.
  24. 24. Vamos rever a ascensão epistemológica, dialeticamente. SOPHÓI Diz respeito às atitudes adotadas pelo sujeito, com conhecimento e valores, tendo sabedoria em vista suas intenções pessoais e políticas. RELAÇÃO DE NEGAÇÃO EPISTÉME Compreende o conhecimento científico e cultural acumulado pela humanidade econhecimento ensinados sistematicamente (pela escola). científico RELAÇÃO DE NEGAÇÃO DOXA Compreende as opiniões aprendidassenso comum assistematicamente.
  25. 25. síncrese análise síntese todo processo que todo caótico eu empreendo cosmético pararealidade que realidade que compreender não compreendocompreendo, e apreender a que me realidadeinteressa e a qual querocompreender
  26. 26. Assim, DIALETICAMENTE: TESE ANTÍTESE A TESE é uma A ANTÍTESE situação dada, nega a TESE. posta, que ocupa lugar na É a problematização consciência proporcionada pelo como verdade, SÍNTESE conhecimento crença, científico / cultural convicção. A SÍNTESE nega tanto a TESE quanto a ANTÍTESE, e se constitui como a nova situação É a minha dada, posta, ocupando lugar na consciênciaprática social como nova verdade, crença, convicção e prática. inicial É a minha NOVA prática social
  27. 27. Um pouco de provocaçãofilosófico-política
  28. 28. Ajustamento social x transformação socialHumanismo Humanismofundamentado no fundamentado nosentido de orientar sentido de(controlar) ou manter transformação daa realidade. realidade.
  29. 29. Ajustamento social x transformação socialUniversidade dos Determinaçãovalores, aplicáveis a histórica dos valoresqualquer realidade decorrentes dasocial. estrutura social da qual emergem.
  30. 30. Ajustamento social x transformação socialNeutralidade Compromisso com aideológica e prática praxis (reflexãoa-política. Atuação crítica e ação efetivasobre realidades com na). A inserção e oaceitação dos valores engajamento navigentes. realidade requer um conhecimento que deixe os profissionais em crise (por isso, críticos).
  31. 31. Um pouco de provocação científica
  32. 32. Ajustamento social x transformação socialO processo social se dá O que garante amediante movimento circular transformação social é aem torno de uma posição constatação de que acentral de equilíbrio, que hegemonia em uma formaçãoprovoca pequenas mudanças social se dá em dois modos:de ordem setorial, as quais domínio (acesso ao poder evêm reforçar este equilíbrio uso da força) e direçãoespontâneo gerado pelo intelectual e moral (adesãoacordo básico-consensual. por meio ideológico). Destacando a segunda função da primeira, fica aberta a possibilidade de pensar a hegemonia também quanto às classes dominadas, quando conseguem constituir forças autônomas face à ideologia.
  33. 33. Ajustamento social x transformação socialA marginalidade é uma A marginalidade ésituação caracterizada encarada como umbasicamente por elemento inerente eproblemas de necessário à própriaintegração de seus estruturação daelementos com os sociedade capitalista,demais elementos de refletindo asuma determinada contradições própriasestrutura global da dos interessessociedade. antagônicos das classes sociais.
  34. 34. Um pouco de provocaçãosobre metodologia
  35. 35. Ajustamento social x transformação socialDo real (objeto) para a Da razão (sujeito) pararazão (sujeito), o o real (objeto) e do realconhecimento da para a razão. A reflexãorealidade se baseia em e a ação constituemfatos empíricos. uma unidade. O movimento da reflexão integrado ao da ação é circular e ascendente e se dá orientado por uma teoria sem reduzir-se a ela.
  36. 36. Ajustamento social x transformação socialO processo privilegia o O processo parte doprocedimento indutivo. abstrato, conceitosInicia-se com a observação construídos, rumo aodos fatos singulares no real concreto com atitude críticae vai ao geral mediante e de confronto com aformulação de hipóteses. realidade. O conceito é aRealiza-se através de síntese de muitasetapas distintas e determinações e não ointerligadas de forma ponto de partida.linear, pela coleta de Compreende unidadesdados, análise e síntese inter-relacionadas quepara chegar à hipótese comportam momentosdiagnóstica, prosseguindo contraditórios.pela previsão de tendênciaspara ação interventiva.
  37. 37. Educação e ascensão epistemológica SOPHÓI Diz respeito às atitudes adotadas pelo sujeito, com conhecimento e valores, tendo sabedoria em vista suas intenções pessoais e políticas. EDUCAÇÃO EPISTÉME Compreende o conhecimento científico e cultural acumulado pela humanidade econhecimento ensinados sistematicamente (pela escola). ENSINO científico DOXA Compreende as opiniões aprendidassenso comum assistematicamente.Constituição Federal de 1988, Artigo 205: “A educação, direitode todos e dever do Estado e da família”LDB 9394/96, Artigo 2º: “A educação, dever da família e doEstado”
  38. 38. É função social da escola: participar da Educação Constituição Federal de 1988, Artigo 205: “A educação, EDUCAÇÃO Estatuto da Criança e direito de todosdo Adolescente, Artigo e dever do 54: “É dever do Estado Estado e da ENSINO assegurar à criança e ao família” adolescente: I – ensino LDB 9394/96, fundamental, obrigatório e gratuito, Artigo 2º: “A inclusive para os que a educação, dever ele não tiveram acesso da família e do na idade própria”. Estado”
  39. 39. Critérios deRESPONSABILIDADE relação de coerência sala de aula escola sociedade Professores, alunos, equipe Família, Estado e pedagógica e famílias sociedade (LDB) curto prazo médio prazo longo prazo Saberes factuais, conceituais e procedimentais Saberes atitudinais
  40. 40. Critérios deLEGITIMIDADE relação de coerênciasala de aula escola sociedade Ensino Educação curto prazo médio prazo longo prazo Saberes factuais, conceituais e procedimentais Saberes atitudinais
  41. 41. Uma última provocação, do Millôr:“Os reformadores sociais afastadosda realidade sempre me lembram oconselho de segurança para pregarum prego sem o perigo de semachucar: basta pegar o martelocom as duas mãos.” em conversa com o comerciante Olavo Ramos, em 1968.
  42. 42. Referências:AZEVEDO, Janete M. Lins de. A educação como política pública. 2. ed.Campinas: Autores Associados, 2001.CARDOSO, Elizete. Elementos essenciais e contraditórios nas perspectivas deajustamento social e transformação social. São Paulo: Cortez, 1980.CHEPTULIN, A. A dialética materialista: Categorias e leis da dialética. Trad.:Leda Rita Cintra Ferraz. São Paulo: Alfa-Omega, 1982.FREITAG, Bárbara. Escola, Estado e Sociedade. 6. ed. São Paulo: Moraes, 1986.FERNANDES, Millôr. O livro vermelho dos pensamentos de Millôr. Porto Alegre:L&PM, 2005.FULLAT, Octavi. Filosofias da Educação. Petrópolis, RJ: Vozes, 1994.LÖWY, Michael. As aventuras de Karl Marx contra o Barão de Münchhausen:marxismo e positivismo na sociologia do conhecimento. 6. ed. Trad. JuarezGuimarães e Suzzane Léwy. São Paulo: Cortez, 1998.NORONHA, Olinda Maria. Políticas neoliberais, conhecimento e educação.Campinas, SP: Alínea, 2002.SAVIANI, Dermeval. Escola e democracia. 35. ed. Campinas, SP: AutoresAssociados, 2002.

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