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GT3 – PRÁTICAS EDUCATIVAS EM CONTEXTO DIGITAL.                Coordenadora: Profª Drª Rossana Delmar de Lira Arcoverde (UF...
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AGÊNCIA EM NOTÍCIAS DE INTERNET                                                                    Cecília Barbosa Lins Ar...
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“Dispositivo material e intelectual, que permite, mediante os links nele indexados, acessaros demais hipertextos que circu...
F) Multissemiose: definida pela possibilidade de estabelecer conexão simultânea entre a        linguagem verbal e a não-ve...
O autor considera difícil definir agência por dois motivos, um deles nos força a examinar umnúmero de resultados espinhoso...
AnálisesEscolhemos para análise duas notícias do dia 19 de dezembro de 2006, uma retirada do sitewww.oi.com.br e outra do ...
específico, ler a notícia do texto eletrônico. Quando decide se vai ler mais notícias sobre omesmo tema ou se vai voltar p...
coluna, há também outra coluna, “mais notícias”, dividida em três partes, Manchetes, Mundo eEsportes. Cada uma dessas três...
SOARES, Magda. Novas práticas de leitura e escrita: letramento na cibercultura. In: PINO, IvanyRodrigues (ed.) Educação e ...
NOVAS TECNOLOGIAS, GÊNEROS EMERGENTES E ENSINO DE LITERATURA                                                              ...
criar um inovador e fascinante mundo para o aluno, um mundo que poderá contribuir para aformação do gosto e para o conseqü...
Observamos, pois, que a diversidade de gêneros na escola, e não escolares (aqueles quesomente são vistos na escola, como a...
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Digitais de Luís Antônio Marcuschi e Antonio Carlos Xavier e Gêneros Textuais Emergentes noContexto da Tecnologia Digital ...
Entre os mais praticados pelos jovens estão os e-mails, bate-papos virtuais e fóruns. Emtodos esses gêneros a comunicação ...
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BIBLIOGRAFIACHARTIER, Roger. A aventura do livro. Do leitor ao navegador. São Paulo, SP: Unesp, 1998.PAIVA, Aparecida; MAR...
FUNCIONALISMO E ESTRATÉGIAS DE TRADUÇÃO: A CONTRIBUIÇÃO DE NORD     (1991 & 1997) E CHESTERMAN (1997 & 2000) PARA O ENSINO...
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  1. 1. TRABALHOS – GT 3 AUTOR TÍTULO DO TRABALHOManassés Morais LEITURA E PRODUÇÃO DE E-MAILS: ATIVIDADES PEDAGÓGICAS NOXAVIER CONTEXTO DO LETRAMENTO DIGITALCecília Barbosa Lins AGÊNCIA EM NOTÍCIAS DE INTERNETArouchaAdriana Nunes de NOVAS TECNOLOGIAS, GÊNEROS EMERGENTES E ENSINO DESOUZA LITERATURASinara de Oliveira FUNCIONALISMO E ESTRATÉGIAS DE TRADUÇÃO: A CONTRIBUIÇÃO DEBRANCO NORD (1991 & 1997) E CHESTERMAN (1997 & 2000) PARA O ENSINO E PRÁTICA DE TRADUÇÃOUires Maria de Arruda MÓDULO INTRODUTÓRIO DO CURSO MÍDIASTORRES INTEGRADAS NA EDUCAÇÃO: RELATO DE EXPERIÊNCIAKarine Viana AMORIMJoelma da Silva EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA: PRÁTICA QUE INTERCONECTA O VIRTUAL ESANTOS O PRESENCIALRossana Delmar deLima ARCOVERDEMaria Daniella de EDUCAÇÃO SEM FRONTEIRAS: AS VANTAGENS DO ENSINO AOliveira Pereira da DISTÂNCIA.SILVAMagda Maria Gomes PRODUÇÃO ESCRITA ATRAVÉS DO USO DO SITE DEBrandão Zanotto RELACIONAMENTOS ORKUT: ESTIMULANDO A INTEGRAÇÃO ENTRE PROFESSOR E ALUNOS A PARTIR DA PRODUÇÃO DE “PROFILES”Sandra Cabral LOPES O USO DA INTERNET NO ENSINO-APRENDIZAGEM DE LÍNGUA ESTRANGEIRA: UMA ABORDAGEM COMUNICATIVADenize de Oliveira A LEITURA DO/NO HIPERTEXTO NA CONCEPÇÃO DE PROFESSORES-ARAÚJO CURSISTAS DO CURSO MÍDIAS INTEGRADAS NA EDUCAÇÃOKarine Viana AMORIMPalmira Bernardino de INTEGRANDO MÍDIAS – APRENDENDO JUNTOSOLIVEIRAMorgana dos Santos VANTAGENS E DESVANTAGENS DO ENSINO A DISTÂNCIAMENDONÇA
  2. 2. GT3 – PRÁTICAS EDUCATIVAS EM CONTEXTO DIGITAL. Coordenadora: Profª Drª Rossana Delmar de Lira Arcoverde (UFCG) Vice-coordenadora: Profª Ms. Denize Araújo (SEC- PMCG)LEITURA E PRODUÇÃO DE E-MAILS: ATIVIDADES PEDAGÓGICAS NO CONTEXTO DO LETRAMENTO DIGITAL Manassés Morais XAVIER Universidade Estadual da Paraíba 1. Considerações iniciais O cotidiano das pessoas é marcado por inúmeras práticas que envolvem o uso efetivo da língua. Essas práticas colocam em atividade as múltiplas faces de que a língua dispõe e possibilitam a concretização de produtivas formas de interação denominadas de gêneros textuais, isto é, eventos que surgem de acordo com propósitos sócio-culturais e que imprimem as ações humanas em qualquer contexto discursivo. Nessa perspectiva, este estudo tem como escopo a investigação do gênero e-mail no ambiente de sala de aula e é fruto da realização do projeto de pesquisa “O gênero e-mail: possibilidades pedagógicas no letramento digital” 1. Seria tautológico afirmar que a tecnologia, sobretudo a informática, é importante na contemporaneidade, uma vez que isso é uma evidência. Convém refletir sobre o que fazer com a tecnologia na escola e que conseqüências os avanços tecnológicos trazem para os estudos dos textos que naturalmente produzimos em sociedade Através da leitura e produção de e-mails nas aulas de Língua Portuguesa, os alunos podem se aproximar das mudanças tecnológicas que vêm ocorrendo no mundo e vivenciar diferentes funções sócio-comunicativas a que os e-mails se prestam. Neste artigo, defendemos que a utilização do e-mail como estratégia pedagógica amplia e/ou reflete as possibilidades de eventos comunicativos na sociedade moderna, em que a escrita digital é uma realidade e o letramento digital é uma necessidade. 2. Os gêneros textuais e o ensino de língua materna A língua penetra na vida humana, como também, a vida humana penetra na língua e, nesse jogo, faz-se necessário um contrato de cooperação entre os falantes reais (locutores e interlocutores). Os discursos condicionam a existência de gêneros que exigem estudo a respeito de suas potencialidades e peculiaridades. Esse estudo precisa ser pautado na teoria do texto, que consiste na compreensão do mesmo e promove a investigação científica do processo verbal, “diagnosticando” a construção dos seus sentidos, dos seus discursos. Dessa forma, “o texto deixa 1 Projeto desenvolvido através do Programa Institucional de Iniciação Científica (PROINCI – COTA 2006/2007) da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), coordenado pela Professora Mestre Tânia Maria Augusto Pereira, professora titular de Lingüística no Departamento de Letras e Artes da UEPB.
  3. 3. de ser entendido como uma estrutura acabada (produto), passando a ser abordado no seu próprioprocesso de planejamento, verbalização e construção” (KOCH, 1998, p. 21). Existe uma variedade de textos que circulam na sociedade e que constantemente semultiplicam e se renovam, ampliando as formas de interação que possibilitam às relações sociaiso ato de comunicar/negociar. Nesse sentido, os gêneros textuais surgem e integram-se nasculturas em que se desenvolvem. O estudo dos gêneros textuais não objetiva classificar textos, mas considerar a presençadeles nas práticas sociais e verificar a funcionalidade sócio-comunicativa estabelecida através desua circulação. Dentro desse contexto, uma primeira consideração a se fazer sobre gêneros é a de terem estes um caráter sociocomunicativo, serem situados concretamente em contextos sociais de uso, regulados por normas definidas pelas diversas comunidades de diferentes culturas, cujas atividades são representadas na linguagem. Outra consideração importante, decorrente dessa primeira, é que, sem se descuidar totalmente de seus aspectos formais ou estruturais, o seu estudo enfatiza suas propriedades sociocognitivas, ou seja, suas propriedades funcionais. É assim que, na análise de gêneros, enfocam-se, principalmente, os componentes sociais, históricos, culturais e cognitivos, que lhes dão concretude e lhes determinam. (RAMIRES, 2006, p. 42) À luz dessa perspectiva, o estudo dos gêneros deve não apenas considerar aspectosformais (estruturais ou lingüísticos) a que os textos dispõem, mas enfatizar a relação entregêneros e propósitos sociais e comunicativos, isto é, pensar os gêneros não em si mesmos, masem suas funções sócio-verbais e ideológicas. O cerne da noção de gênero textual que se quer ver aplicada ao ensino é ointeracionismo sócio-discursivo. Desse modo, trabalhar com gêneros deve ser uma práticametodológica firmada na concepção de que todos os atos enunciativos dos falantes da língua sãorealizados por meio de textos interativos que têm finalidades, propósitos. Os discursos sãoproduzidos na e pela sociedade e se prestam a atender as necessidades comunicativas destasociedade que a cada dia promove a dinamicidade lingüística. Sendo assim, o ensino de língua materna precisa ser caracterizado pelo estímulo àpercepção das diversas formas de textos que estão presentes nos mais variados eventosdiscursivos, situando-as e contextualizando-as, uma vez que ler e escrever não se resume a umaatividade de decodificação ou reprodução (cópia). É necessário proporcionar ao aluno o contato com a diversidade de gêneros queimprimem as realizações lingüísticas das esferas sociais. De acordo com Bezerra (2005, p. 41), oestudo de gêneros leva em conta seus usos e funções numa situação comunicativa e, nessesentido, “o aluno poderá construir seu conhecimento na interação com o objeto de estudo,mediado por parceiros mais experientes”. Marcuschi (2005, p. 19) menciona que “quando ensinamos a operar com um gênero,ensinamos um modo de atuação sócio-discursiva numa cultura e não um simples modo deprodução textual”. Assim, é preciso um ensino de língua que não dê prioridade apenas a forma oua estrutura que os textos apresentam, mas que mostre a relação dos gêneros com as práticascotidianas dos usuários, visto que mais do que uma forma, o gênero é uma “ação socialtipificada”. Brandão (2000) afirma que o aluno deve ser exposto à pluralidade dos discursos quecirculam no seu dia-a-dia ou que fazem parte de sua cultura. Nesse contexto, oprofessor/educador de língua materna precisa ensinar o aluno a usar as estratégias discursivas que
  4. 4. perpassam os diferentes gêneros textuais, pois, dessa maneira, contribuirá para formação de umaluno/cidadão que se coloca como um sujeito que produz e reproduz gêneros nas suas múltiplasformas de interação social.3. O e-mail e seus aspectos sociais A partir do princípio de que as constantes transformações sociais e culturais sãodisseminadas pela língua, são necessárias investigações acerca do uso de e-mails, visto que essegênero textual causou impacto e se consolidou na vida social e, nesses termos, constitui umarelevante fonte de pesquisa. Assim, concordamos com Zanotto (2005, p. 109) quando afirma que“novos gêneros de textos vão encontrando seu nicho entre as atividades discursivas de diferentesgrupos sociais. É o que ocorre com grande velocidade e intensidade, com o discurso eletrônico,com ênfase no e-mail”. Desse modo, o e-mail tem o discurso eletrônico como campo de atuação e funcionalidade.Trata-se de um gênero digital que se distingue de outros tipos de mensagem devido acaracterísticas próprias de seu meio de circulação, o que nos faz afirmar na sua utilização aexistência do processo de interação verbal. É oportuno observamos que o e-mail pode ser considerado um gênero, como também umsuporte de gênero, uma vez que, enquanto suporte, ele pode veicular outros gêneros como ofícios,propagandas, relatórios, artigos científicos, entre outros. Nessa situação, o e-mail funciona comoum correio eletrônico e, como tal, “transporta” os mais variados gêneros. Nesta pesquisaconsideramos o e-mail como um gênero textual que, inclusive, dialoga com outros gêneros quecirculam na sociedade como a carta, o memorando e o bilhete. Assim, esse hipertexto pode servisto como um gênero da área epistolar (ASSIS, 2002 apud MARCUSCHI, 2003). De acordo com Marcuschi (2004, p. 39), o e-mail “é uma forma de comunicação escritanormalmente assíncrona de remessa de mensagens entre usuários do computador”. Dessa forma,o
  5. 5. 4. O gênero e-mail: possibilidades pedagógicas no letramento digital 4.1 O projeto de pesquisa Inserido no âmbito da Lingüística Aplicada, o projeto “O gênero e-mail: possibilidadespedagógicas no letramento digital” tem como foco de investigação o uso do gênero e-mail na salade aula, visto como instrumento pedagógico no letramento digital dos alunos. Nessa perspectiva, as aulas de Português devem ser planejadas com o intuito de atingirobjetivos mais amplos, que extrapolem não só a sala de aula, mas também a escola. O trabalhocom gêneros oferece essa extrapolação e favorece a aprendizagem da leitura e escrita de textosdiversos e com funções específicas. É importante que o ensino-aprendizagem de LínguaPortuguesa familiarize os alunos com as mudanças tecnológicas que vêm ocorrendo no mundo,entre elas o e-mail ou carta virtual. Nesse sentido, o nosso interesse em analisar o e-mail deve-se ao fato de que este é um dosgêneros textuais que ocasionou impacto e já se consolidou na vida social e, dessa forma,representa uma rica e produtiva fonte de pesquisa e análise. O desenvolvimento deste projeto de pesquisa teve como objetivo geral propiciar ainclusão dos alunos nas práticas sociais de uso da escrita, através da leitura e produção de e-mails; e, como objetivos específicos permitir aos alunos experiências com as diferentes funçõessócio-comunicativas a que o e-mail se presta, realizar atividades que possibilitem o alunoreconhecer o e-mail como um gênero da Língua Portuguesa, levar os alunos a identificarem ascaracterísticas do e-mail, bem como sua função social e possibilitar que os alunos sejam capazesde analisar as vantagens e desvantagens do uso do e-mail como um moderno veículo natransmissão de mensagens. A metodologia foi executada em duas etapas. A primeira teve como objetivo inicial levaros alunos a refletirem sobre as práticas de correspondência escrita nas comunidades em quevivem. Foram levantados questionamentos adaptados às diferentes realidades no contexto sócio-cultural dos alunos, com o intuito de levá-los a pesquisar e aprender como as pessoas secomunicam por meio da escrita. A segunda etapa envolveu o desenvolvimento de atividades relacionadas à leitura/escritade e-mails, articulados à vida prática dos alunos. Essa etapa teve a finalidade de fazer os alunosaprenderem como produzir tal gênero, como fazer com que as mensagens cheguem aos seusdestinatários, como funciona a Internet e como identificar as características do gêneropesquisado. 4.2 A aplicação do projeto de pesquisa As atividades do projeto foram desenvolvidas na Escola Estadual de Ensino FundamentalNossa Senhora do Rosário, em Campina Grande - PB, com duas turmas de 9º ano (8ª série), doturno vespertino. O projeto atingiu o universo de 76 alunos, distribuídos no Quadro 01, a seguir.
  6. 6. QUADRO 01 – Distribuição dos alunos envolvidos na pesquisa por idade e sexo IDADE ALUNOS ALUNAS 12 ANOS 03 - 13 ANOS 09 10 14 ANOS 13 18 15 ANOS 05 12 16 ANOS 02 04 TOTAL 32 44 A aplicação do projeto foi realizada no período de duas semanas, entre os dias 26 defevereiro e 09 de março de 2007. Na primeira semana, foi aplicado um questionário de sondagemem que os alunos comentaram as suas experiências com a linguagem digital. O Quadro 02apresenta as respostas dos alunos sobre essa questão.QUESTIONAMENTOS SIM NÃO NÃO INFORMOU Você tem algumconhecimento na área de 51 22 03 informática? Você tem computador em casa? 19 57 - Você tem acesso à Internet? 59 16 01 Você faz usos de e- mails? 44 31 01QUADRO 02 – Experiência dos alunos com a linguagem digital No que diz respeito à linguagem digital, observamos que a maioria dos alunos possuiconhecimento na área de informática (51 alunos), o que corresponde a aproximadamente 67%dos alunos. O uso da linguagem mediado pelo computador é uma realidade que chegou e já seconsolidou nas práticas sociais. Essa evidência pode ser comprovada nas respostas dessesadolescentes que expõem uma informação muito valiosa: mesmo sem possuírem a máquina emcasa (57 alunos) eles interagem via computador. Esse fato só faz corroborar a afirmação de que aspráticas comunicativas realizadas em ambiente virtual estão, cada vez mais, ocupando espaço econdicionando as pessoas a agirem socialmente através de seus recursos. Por isso, o letramentodigital precisa ser constantemente apreendido nas atividades mais corriqueiras da vida moderna. Foram realizadas atividades que enfatizaram a importância dos gêneros textuais na vidasocial, especialmente aqueles produzidos e consumidos através do suporte digital. Com esse
  7. 7. propósito, os alunos passaram a refletir sobre as práticas de linguagem por meio do uso de e-mails, que se configura no âmbito da contemporaneidade um amplo veículo na transmissão demensagens. Através da leitura de diferentes e-mails, algumas observações foram feitas: aspectosestruturais do e-mail na tela do computador (data, hora, remetente, destinatário, assunto, recursosoperacionais, dentre outros), funções sócio-comunicativas, aspectos discursivos com ênfase noolhar sobre o sujeito que fala, de onde fala e para quem fala, dentre outras atividades queproporcionaram ao aluno o entendimento do uso desse gênero em situações reais de interaçãoverbal. A intenção era mostrar aos alunos o e-mail na sua funcionalidade, na sua relação com asefetivas práticas sociais de linguagem. Na segunda semana de atividades, os alunos foram “conectados” a um laboratório deinformática pertencente a Escola Estadual de Ensino Médio e Educação Profissional Dr. Elpídiode Almeida, na mesma cidade. Neste laboratório, eles foram motivados a produzirem e-mails, deacordo com funções sócio-comunicativas específicas. Nesta ocasião, foram apresentados aosalunos cinco e-mails de interlocutores distintos, para os quais eles destinariam seus respectivos e-mails. Foramcoletadas 54 produções que estão distribuídas no Quadro 03. E-MAILS QUANTIDADES professora.taniapereira@yahoo.com.br 14 professor.manasses@yahoo.com.br 17 arttur2007@yahoo.com.br 08 fernanddapaz@yahoo.com.br 05 revista.brasil@yahoo.com.br 10QUADRO 03 – Distribuição da produção de e-mails pelos alunos por interlocutores As propostas de atividade inseridas no projeto foram cumpridas de maneira produtiva. Emlinhas gerais, é possível afirmar que esta investigação científica ofereceu aos alunos o contatocom a escrita realizada na Internet, o que caracteriza o objetivo assumido de propiciar a inclusãodos alunos nas práticas sociais de uso da escrita, através da leitura e produção de e-mails. 4.3 E-mails produzidos pelos alunos envolvidos na pesquisa Dentro da sociedade em que estamos inseridos é preciso formar cidadãos preparados parao mundo contemporâneo, no qual a inclusão digital é uma necessidade constante. Sendo assim,comungamos com a visão de Coscarelli (2005, p. 31), para quem “os professores precisamencarar esse desafio de se preparar para essa nova realidade, aprendendo a lidar com os recursosbásicos e planejando formas de usá-los em suas salas de aula”. Nesse sentido, tomar o professor de Língua Portuguesa como agente de letramento implica revestir suas ações de ensino/aprendizagem de um compromisso com o perfil dos cidadãos que nossa sociedade precisa construir. Isso significa tomar como objeto de ensino e de trabalho
  8. 8. textos que efetivamente componham o universo das práticas discursivas, o que demanda, por conseguinte, no caso da escrita, a adoção de expedientes menos artificiais na tarefa de produção textual e, portanto, mais próximos da realidade e da necessidade (presente e futura) dos alunos. (ASSIS, 2005, p. 236) Assim, a utilização do gênero digital e-mail na sala de aula se configura como um valiosoinstrumento pedagógico, uma vez que pode permitir ao aluno experiências com as diferentesfunções sócio-comunicativas a que este gênero se presta, dependendo da natureza da interação edos objetivos assumidos. Dessa forma, o e-mail reflete as possibilidades de eventos da sociedadede hoje que pratica diariamente a escrita digital. De acordo com Pereira (2007, p. 133), “é evidente a relevância do e-mail nos dias atuaispelo espaço significativo que tem ocupado nas relações sociais, pois facilita a interação entreusuários diversos no ritmo frenético da vida contemporânea e possibilita a inclusão digital, temainquestionavelmente urgente na sociedade moderna”. Dessa maneira, diante desse campo fértil que o e-mail insere nas práticas discursivasatuais, é possível verificarmos a produtividade funcional de tal gênero em situações específicasde comunicação, através do recorte de 5 exemplos diferentes, que representam,aproximadamente, 9% do total das produções dos alunos envolvidos na pesquisa. Seguem osexemplos.EXEMPLO 1Data: Thu, 8 Mar 2007 08:32:07 -0300 (ART)De: "cassia sousa" <priscila_roberio@yahoo.com.br> Adicionar endereçoO Yahoo! DomainKeys confirmou que esta mensagem foi realmente enviada pelo yahoo.com.br. MaisinformaçõesAssunto: oiPara: fernanddapaz@yahoo.com.broi,como voce esta espero que voce esteja bemEXEMPLO 2Data: Thu, 8 Mar 2007 09:40:50 -0300 (ART)De: "JORGE FELIX" <jorge_pirado@yahoo.com.br> Adicionar endereçoAssunto: oiPara: arttur2007@yahoo.com.brola oiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiivc vai pra festa hojetem muitas gatinhasEXEMPLO 3Data: Tue, 6 Mar 2007 10:02:07 -0300 (ART)De: "edney sousa" <edney_2007@yahoo.com.br> Adicionar endereçoAssunto: materia sobre a violênciaPara: revista.brasil@yahoo.com.br
  9. 9. Gostei muito da materia sobre a violência,gostei também das fotos por que amostro bem a realidade domundo em que vivemos se nos pensarmos ben ninguem merece morrer injustamente por conta daviolência do mundo em que vivemos.NINGUEM ESTÁ SALVO DA VIOLÊNCIA DO MUNDO.EXEMPLO 4Data: Tue, 6 Mar 2007 08:52:18 -0300 (ART)De: "Andressa Alves" <andressa_verycat@yahoo.com.brAssunto: bom diaPara: professora.taniapereira@yahoo.com.bro professor manasses deu aulasotimas no colegio do rosario ficamosmuito felizes em receber uma pessoaque tem tantos conhecimentos na áreade computação e ele nos ensinou otimasformas de mecher na internet e tambemnos deu novos conhecimentos da internet.EXEMPLO 5De: "Ramon souto maior de sousa" <racat_tjg_13@hotmail.com>Para: professor.manasses@yahoo.com.brCc: racat_tjg_13@hotmail.comAssunto: a materiaData: Tue, 06 Mar 2007 06:14:15 -0500professor gostei muito das suas aulas elas foram bem instrutivas e bemexplicadas gostei muito da sua aula , o senhor eh muito legal esimpaticogostei muito das suas explicaçõesvlw mermu professor um abração tah massah!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Para produzirem os e-mails, os alunos foram estimulados a refletirem sobre quem seriamos seus destinatários, com o intuito de, a partir dessa reflexão, elaborarem os discursos que iriamutilizar, com o objetivo de promoverem a interação social. A proposta para produção dos e-mails que teriam como interlocutores os sujeitos dosexemplos 1 e 2 foi a de que os alunos escrevessem para alguém com quem mantivessem um certograu de intimidade e, com isso, estabelecessem contato a partir de qualquer informação sobre aqual eles quisessem tecer algum comentário. Com relação à proposta do interlocutor ou destinatário do exemplo 3, os alunos enviariamum e-mail para a redação da Revista Brasil, empresa simulada de comunicação, em que elesopinassem sobre a matéria de capa que trazia como tema a morte do menino João Hélio, que foiarrastado por cerca de sete quilômetros, fato ocorrido no primeiro trimestre de 2007, na cidade doRio de Janeiro.
  10. 10. Para efetuarem comunicação com o interlocutor do exemplo 4, foi solicitado aos alunosque escrevessem para a professora Tânia Maria Augusto Pereira, autora e orientadora do projeto,opinando sobre o desempenho em sala de aula do professor-aluno Manassés Morais Xavier, noque se refere a uma avaliação sobre o desenvolvimento das ministrações do projeto. O exemplo 5 configura-se em uma proposta na qual o interlocutor foi o orientandoManassés. Nessa ocasião, os alunos escreveriam com o objetivo de mencionarem se aparticipação no projeto ampliou ou não os seus conhecimentos em linguagem digital, se aaplicação das aulas produziu ou não resultados significativos. É oportuno mencionarmos outro resultado que se estabelece como um dado de sumaimportância. Trata-se da informação que dos 31 alunos que não utilizavam e-mails e nãopossuíam nenhum conhecimento na área de informática, 19 foram inseridos nessas práticas, o queconfirma o principal objetivo desta pesquisa, que consiste em proporcionar a inclusão dos alunosem experiências de linguagem por meio da escrita de e-mails, hipertexto que preenche asnecessidades comunicativas da sociedade em que a tecnologia digital consolidou novos eirreversíveis usos de linguagem (XAVIER, 2007). Vale ainda ressaltar que as observações apresentadas neste texto não são definitivas oufinais, são parciais, pois as discussões sobre os resultados ainda não foram concluídas.5. Considerações finais Defendemos um ensino de língua materna que contemple os seus usos efetivos, isto é, umensino de língua que não dê prioridade apenas a forma ou a estrutura que os gêneros textuaisapresentam, mas que evidencie a relevância dos gêneros nas práticas sociais. Nesse cenário, alíngua é concebida como uma atividade social e, não deve ser vista como algo estagnado, massim como algo dinâmico e criativo. É nítida a necessidade da inserção dos gêneros eletrônicos nas práticas pedagógicascontemporâneas. Nessa perspectiva, é possível afirmar que o e-mail representa uma oportunaforma de textualização que vem suprir os anseios de uma sociedade que está sempre em busca donovo, em busca de emergentes mudanças que surgem com a finalidade de proporcionar umamelhor comunicação. Assim, é preciso que os professores se sensibilizem com a expressiva necessidade de sepromover, nas aulas de Língua Portuguesa, o contato dos alunos com as diversas e atrativasexperiências da linguagem realizada através do computador. Segundo Coscarelli (2005, p. 25-26),“é preciso que o professor conheça os recursos que ele oferece e crie formas interessantes de usá-las. Precisamos ter claro em nossa cabeça que melhor que um professor ensinar, é um alunoaprender”. No contexto do letramento digital, faz-se necessário que a escola possibilite, de maneirapedagógica, a possibilidade de seus alunos interagirem a partir da virtualidade que hoje em diarepresenta novas e múltiplas formas de usos da linguagem. Dessa forma, a escola conduzirá osalunos na conquista de novos espaços, com significados produtivos nas aulas, seguindo aconcepção de que melhor que um professor ensinar, é um aluno aprender.6. ReferênciasASSIS, J. A. Ensino/Aprendizagem da escola e tecnologia digital: o e-mail como objeto deestudo e de trabalho em sala de aula. In: COSCARELLI, C. V.; RIBEIRO, A. E. (Orgs.).
  11. 11. Letramento Digital – aspectos sociais e possibilidades pedagógicas. Belo Horizonte: CEALE;Autêntica, 2005. p. 209-239.ASSIS, J. A. Explicitude/Implicitude no e-mail e na mensagem em secretária eletrônica:contribuições para o estudo das relações oralidade/escrita. Tese de Doutorado, Faculdade deLetras, UFMG, Belo Horizonte, 2002.BEZERRA, M. A. Ensino de língua portuguesa e contextos teórico-metodológicos. In:DIONÍSIO, A. P.; MACHADO, A. R.; BEZERRA, M. A. (Orgs.). Gêneros Textuais & Ensino.4. ed. Rio de Janeiro: Lucerna, 2005. p. 37-46.BRANDÃO, H. N. Texto, gêneros do discurso e ensino. In: ______. (Org.). Gêneros do discursona escola – mito, conto, cordel, discurso político, divulgação científica. São Paulo: Cortez, 2000.p. 17-45. (Coleção aprender e ensinar com textos; v.5).COSCARELLI, C. V. Alfabetização e letramento digital. In: ______; RIBEIRO, A. E. (Orgs.).Letramento Digital – aspectos sociais e possibilidades pedagógicas. Belo Horizonte: CEALE;Autêntica, 2005. p 25-40.KOCH, I. V. O texto e a construção dos sentidos. 2. ed. São Paulo: Contexto, 1998. (Caminhosda Lingüística).MARCUSCHI, L. A. Gêneros textuais: configuração, dinamicidade e circulação. In:KARWOSKI, A. M.; GAYDECZKA, B.; BRITO, K. S. (Orgs.) Gêneros Textuais: Reflexões eEnsino. Palmas e União da Vitória, PR: Kaygangue, 2005. p. 17-33.______. Gêneros textuais emergentes no contexto da tecnologia digital. In: ______; XAVIER, A.C. (Orgs.). Hipertexto e gêneros digitais. Rio de Janeiro: Lucerna, 2004. p. 13-67.______. A questão do suporte dos gêneros textuais. In: Língua, Lingüística & Literatura. Revistada Pós-Graduação em Letras do Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas da UFPB. JoãoPessoa: Idéia, 2003, p. 09-40.PEREIRA, T. M. A. A importância do uso do e-mail na visão do professor universitário. In:SILVA, A. P. D.; ALMEIDA, M. L. L.; ARANHA, S. D. G. (Orgs.). Literatura e Lingüística:Teoria – Análise – Prática. João Pessoa: Editora Universitária/UFPB, 2007. p. 130-141.RAMIRES, V. Panorama dos estudos sobre gêneros textuais. In: Investigações: lingüística eteoria literária. v.18, n. 2, Jul., 2005. Universidade Federal de Pernambuco. CAC. Programa dePós-Graduação em Letras e Lingüística. Recife: Ed. da UFPE, 2006. p. 39-67.SOARES, M. Letramento: um tema em três gêneros. 2. ed. 5 reimpr. Belo Horizonte: Autêntica,2002.
  12. 12. XAVIER, M. M. O aspecto discursivo nos e-mails: um olhar sobre o sujeito que fala, de ondefala e para quem fala. Texto publicado nos Anais do I Simpósio Nacional Linguagens e GênerosTextuais – SINALGE, 28 a 30 de março de 2007. João Pessoa: EDUFPB, 2007.ZANOTTO, N. E-mail e Carta Comercial – estudo contrastivo de gênero textual. Rio de Janeiro:Lucerna; Caxias do Sul, RS: EDUCS, 2005.
  13. 13. AGÊNCIA EM NOTÍCIAS DE INTERNET Cecília Barbosa Lins Aroucha Universidade Federal de PernambucoPalavras iniciaisCom o surgimento de novas tecnologias e de novas possibilidades de disposição da informação,ampliaram-se as modalidades de exibição dos tipos de textos. O hipertexto, um termo jáexistente, veio representar um tipo de texto eletrônico que conduz o leitor a outros textos, e aoclicar-se com o mouse em uma seção, frase ou palavra do texto ou relacionada ao texto,denominada link, abre-se uma nova página, com um novo texto, que pode levar a uma quantidadeinfindável de outros textos. Para nosso estudo, selecionamos duas notícias de internet,exemplares de hipertexto, para serem comparadas e verificar de que forma a notícia é veiculadano meio eletrônico. Também objetivamos verificar se ocorre agência no processamento da leiturado hipertexto.Sobre GênerosDe acordo com Bazerman (2005), gêneros são fenômenos de reconhecimento psicossocial quesão parte de processos de atividades socialmente organizadas; são tipos que as pessoasreconhecem como sendo usados por elas próprias e pelos outros; isto é, fatos sociais sobre ostipos de atos de fala que as pessoas podem realizar e sobre os modos como elas os realizam.O autor afirma que “o gênero pode nos falar da mente, da sociedade, da linguagem e da cultura eaté da organização e do funcionamento das leis e da economia, assim com também de muitosoutros aspectos da vida letrada moderna”. O gênero deve ser abordado como “ação tipificada pela qual podemos tornar nossas intenções e sentidos inteligíveis paraoutros. O gênero dá forma a nossas ações e intenções. É um meio de agência e não pode ser ensinadodivorciado da ação e das situações dentro das quais aquelas ações são significativas e motivadoras”(Bazerman, 2006:10).O conceito de gêneros vai além do sentido de formas. Para o autor, os gêneros são formas devida, modos de ser, frames para a ação social, ambientes para a aprendizagem, e ainda, são oslugares onde o sentido é construído. Moldam os pensamentos que formamos e as comunicaçõesatravés das quais interagimos. “São os lugares familiares para onde nos dirigimos para criar açõescomunicativas inteligíveis uns com os outros e são os modelos que utilizamos para explorar onão-familiar” (Bazerman, 2006:23).Os gêneros devem ser vistos como entidades dinâmicas que são essencialmente flexíveis evariáveis, tais como a linguagem, salienta Marcuschi (2005:18). Os gêneros adaptam-se,renovam-se e multiplicam-se e devem ser estudados na relação com as práticas sociais, osaspectos cognitivos, os interesses, as relações de poder, as tecnologias, as atividades discursivas eno interior da cultura. Mudam, fundem-se e misturam-se para manter sua identidade funcionalcom inovação organizacional. Nem são estáticos, nem puros, são formações interativas,multimodalizadas e flexíveis de organização social e de produção de sentidos.Ainda segundo a perspectiva de Marcuschi (2005:22), gêneros são fenômenos relativamenteplásticos com identidade social e organizacional bastante grande e são parte constitutiva dasociedade. Ligados as atividades humanas em todas as esferas e em muitos casos, dão margem asmarcas de autoria e estilo próprio em graus variáveis. Podem ser mais rígidos na forma ou mais
  14. 14. rígidos na função. Em síntese, não podemos simplesmente classificar os gêneros apenas pelassuas formas, pois estão em constantes mudanças em se tratando de fenômenos históricos evinculados à vida histórica, cultural e social que contribuem para ordenar e estabilizar asatividades comunicativas do dia-a-dia.Definições de HipertextoDe acordo com Luiz Antônio Marcuschi (2004), o surgimento de novas tecnologias causoumudanças em alguns aspectos de textualização e noções como linearidade, estrutura, coesão ecoerência devem ser revistas. Um bom exemplo de um texto com mudanças ocasionadas pelastecnologias chama-se hipertexto. Mostraremos aqui algumas explicações para o termo hipertexto.Segundo Lévy (1993, p.40 citado por Komesu 2006), o hipertexto viabiliza o acesso àinformação, através de “diagramas, redes ou mapas conceituais manipuláveis e dinâmicos quefavorecem um domínio mais rápido e fácil da matéria do que através do audiovisual clássico oudo suporte impresso tradicional”. O autor chama o hipertexto de “grande metatexto de geometriavariável, com gavetas, com dobras”. Para o autor, essas gavetas parecem ter fundo falso, quelevam o leitor a outras gavetas que contém mais informações e que levam a outras gavetas (Lévy,1993, p.41, citado por Komesu, 2006).Outro autor mencionado por Komesu é Xavier, para quem deve se abandonar o sistemaconceitual antigo baseado nas “idéias de centro, margem, hierarquia, linearidade, para dar lugar àmultiplicidade, aos nós, às ligações, às redes, condições e possibilidades apresentadas pela Pós-Modernidade” (2002, p.37). O hipertexto possibilita a “enunciação digital”, que possibilita novosacessos à informação, contribuindo para a ampliação das informações (p.28-29). Segundo Xavier,o hipertexto é um “espaço virtual inédito e exclusivo no qual tem lugar um modo digital deenunciar e construir sentido” (idem).Komesu ainda cita a definição de Hipertexto concebida por Marcuschi (1999): “Forma de organização cognitiva e referencial cujos princípios constituem um conjunto depossibilidades estruturais que caracterizam ações e decisões cognitivas baseadas em (séries de)referenciações não contínuas e não progressivas. Considerando que a linearidade lingüística sempreconstituiu um princípio básico da teorização (formal ou funcional) da língua, o hipertexto rompe essepadrão em alguns níveis. Nele, não se observa uma ordem de construção, mas possibilidades deconstrução textual plurilinearizada” (Marcuschi, 1999, p.21, citado por Komesu, 2006, p.97).Na avaliação de Koch (2002) o hipertexto “constitui um suporte lingüístico semiótico hojeintensamente utilizado para estabelecer interações virtuais desterritorializadas” (Koch, 2002, p.63 citada por Komesu, 2006, p.98). Xavier concebe o hipertexto como um “dispositivo ‘textual’digital multimodal e semiolingüístico, disponibilizado na Internet emdereço eletrônico, eque se encontra interligado a outros hipertextos mediante os hiperlinks (links) que o constituem”.Para o autor, o hiperlink é a “força motriz do hipertexto, pois se trata de um dispositivo quepossibilita a relação de hipertextos de maneira não seqüencial, arbitrária e rizomática, querelaciona pessoas e instituições em rede” (Xavier, 2002, p. 152-153, citado por Komesu, 2006,p.98).Ainda nas palavras de Xavier, o hipertexto é .7a “for7a híbrida, dinâ7ica e flexível delinguagem que dialoga co7tras interfaces semióticas, adiciona e acondiciona à sua superfícieformas outras de textualidade” (Xavier, 2004). Por fim, Komesu (2006) afirma concordar com asdefinições de Marcuschi, Koch e Xavier supracitadas, além de definir o hipertexto da seguintemaneira:
  15. 15. “Dispositivo material e intelectual, que permite, mediante os links nele indexados, acessaros demais hipertextos que circulam na internet, criando, dessa maneira, estruturas textuais que sãoatualizadas pelas práticas e pela história individual de cada leitor. O hipertexto é uma prática multimodalque envolve os processos de escrita e de leitura atualizados na tela do computador” (Komesu, 2006, p.98).Soares (2002) distingue o texto no papel do texto escrito na tela de computador e apresenta adefinição de Lévy (1999, p.56): “um texto móvel, caleidoscópico, que apresenta suas facetas,gira, dobra-se e desdobra-se à vontade frente ao leitor”. A autora considera o texto na tela- ohipertexto- lido e escrito de forma multilinear, multi-seqüencial, ao qual acionam-se links quetrazem novas telas com possibilidades múltiplas, sem uma ordem precisa. O hipertexto tem adimensão que o leitor lhe der: seu começo é ali onde o leitor escolhe, com um clique, a primeiratela, termina quando o leitor fecha, com um clique, uma tela, ao dar-se por satisfeito ouconsiderar-se suficientemente informado - a tela á uma unidade temporal (p. 150). Coscarelliassume que o hipertexto refere-se a textos digitais conectados a outros por meio de links ecompactua da definição proposta por Lévy : “Conjunto de nós ligados por conexões.os nós podem ser palavras, páginas, imagens,gráficos ou parte de gráficos, seqüências sonoras, documentos complexos que podem eles mesmos serhipertextos. Os itens de informação não são ligados linearmente, como em uma corda com nós, mas cadaum deles, ou a maioria, estende suas conexões em estrela, de modo reticular. Navegar em um hipertextosignifica portanto desenhar um percurso em uma rede que pode ser tão complicada quanto possível.Porque cada nó pode, por sua vez, conter uma rede inteira” (Lévy, 1993, p.33, citado por Coscarelli,2006).O hipertexto é bastante complexo, apresenta diversas possibilidades de escolha para o leitor. Éimportante lembrar que cabe ao escritor escolher onde colocar os links na página da internet, masa decisão de clicar neles é exclusiva do leitor, que vai construindo o sentido do texto de acordocom suas escolhas. Daremos continuidade ao trabalho apresentando agora algumas característicastípicas do hipertexto.Algumas características do HipertextoFabiana Komesu (2006) classifica como traços importantes do hipertexto: A) Intertextualidade: O hipertexto permite mediante os links nele indexados, o acesso a inúmeros outros hipertextos que circulam pela rede. B) Não-linearidade: “flexibilidade desenvolvida na forma de ligações permitidas/sugeridas entre nós que constituem redes que possibilitam a elaboração de vias navegáveis. (Nelson, 1992, citado por Marcuschi, 1999). C) Volatilidade: o hipertexto não tem a mesma estabilidade, por exemplo, de textos impressos: “todas as escolhas são passageiras quanto às conexões estabelecidas por seus leitores; esta característica sugere ser o hipertexto um fenômeno essencialmente virtual, decorrendo daí boa parte de suas demais propriedades” (Marcuschi, 1999, p.24); D) Fragmentaridade: característica intimamente associada ao projeto pós-estruturalista, assim como a não-linearidade e o descentramento, associados ao hipertexto. Estendida à função do autor, visto neste paradigma, como incapaz de controlar o tópico ou o leitor. E) Espacialidade topográfica: segundo Bolter (2001), o hipertexto é um espaço “topográfico”, no qual a escrita eletrônica pode ser tanto uma representação verbal quanto visual, sem limites para seu desenvolvimento (Bolter, 2001, p.36).
  16. 16. F) Multissemiose: definida pela possibilidade de estabelecer conexão simultânea entre a linguagem verbal e a não-verbal de maneira integrativa, graças aos recursos da hipermídia (Bolter, 2001, cap.4).Segundo Fabiana Komesu (2006) o hipertexto consiste não apenas do que foi escrito pelo autordo texto, mas também da estrutura das decisões criadas de forma que o leitor explore a páginaeletrônica. Para a autora, o autor do hipertexto é aquele que organiza a produção textual,“assinalando os links que orientam as escolhas do leitor em sua trajetória no meio eletrônico” (p.104). A autora concorda com Possenti (2002) quando ele trata o leitor como um co-autor, namedida em que organiza a seqüência do que será lido.Marcuschi (1999) e Koch (2002) atribuem ao leitor o “controle cognitivo e informacional nohipertexto, desempenhando, inclusive, um papel que consideram mais rico do que o do leitor dotexto impresso”. E ainda, “o leitor determina não só a ordem da leitura, mas o conteúdo a serlido” (Marcuschi, 2000c, p.13 citado por Komesu, 2006). Seguiremos falando do leitor dohipertexto no gênero notícia de Internet.A notícia de internet e o HipertextoSegundo Wilson (2005), notícias eletrônicas e notícias impressas constituem dois gênerosdiscursivos distintos, apesar de compartilharem várias características fundamentais. Amanifestação da textualidade na web, em jornais eletrônicos, é diferente da manifestação detextos escritos. A autora aponta que na web, “a concepção de texto leva em consideração outrossistemas semióticos além da linguagem para a construção de significado na cibercultura em quevivemos”. (Wilson, 2005, p.14).Conforme o referido autor, a relação entre o leitor e o escritor no ambiente eletrônico é maispróxima. E a partir de uma leitura crítica (Burbules, 2002 citado por Wilson, 2005) doshyperlinks, o leitor passa a ter mais controle sobre o texto, criando seus próprios significados apartir de escolhas de caminhos de leitura, por exemplo.O papel do leitor é importante no hipertexto, pois ele determina o que vai ser lido. Para darcontinuidade à importância do leitor e das suas decisões quanto à leitura do hipertexto, falaremosagora de agência, um conceito em que o leitor pode ser concebido como agente de seus própriosatos, de acordo com os seus interesses de leitura.Agência na leitura do hipertextoAlessandro Duranti (2004) explica que o termo agência foi trazido para as ciências sociaisrecentemente por teóricos sociais pós-estruturalistas como Anthony Giddens (1979,1984) e PierreBourdieu (1977, 1990, 2000), que tentaram definir uma teoria de ação social que reconheceria opapel desempenhado por atores sociais na produção e reprodução de sistemas sociais. E destemodo venceria a tendência estruturalista e Marxista de ver a ação humana como produzida poruma lógica (no estruturalismo) ou leis históricas (no Marxismo) que sujeitos humanos não podemcontrolar nem entender. A agência na língua se opõe à agência da língua. Para o autor, a segunda pode assumir areificação não crítica da língua como um agente com seus próprios objetivos e até com desejopróprio. Em sua opinião, tão importante como reconhecer o papel que qualquer língua tem porprover os recursos comunicativos para a definição da representação das realidades, é igualmenteimportante desenvolver um quadro analítico para distinguir entre a conceituação do que umalíngua faz e as condições que tornam possível uma conceituação dos falantes.
  17. 17. O autor considera difícil definir agência por dois motivos, um deles nos força a examinar umnúmero de resultados espinhosos que incluem o papel da intencionalidade e o status ontológicoda semântica. O outro motivo é a dificuldade de combinar as intuições expressadas em teoriasestritamente semânticas. Ainda assim, ele propõe uma definição funcional de agência: “(1) Agência aqui é entendida como a propriedade dessas entidades (i) que possuemalgum grau de controle sobre seu próprio comportamento, (ii) cujas ações no mundo afetam outrasentidades (e algumas vezes elas próprias), e (iii) cujas ações são o objeto de avaliação (por exemplo, emtermos de suas responsabilidades para um dado resultado) (Duranti, 2004:453).”Conservando esta definição de agência, o autor propõe duas dimensões básicas de agência nalíngua: performance e codificação, que são mutuamente constitutivas, que é o caso com o qual aperformance – a atuação de agência, sua aproximação, seu avanço - conta com e simultaneamenteafeta a codificação- como a ação humana é retratada através dos meios lingüísticos.Outra pesquisadora propôs uma definição provisória do conceito de agência: “Agência refere-se àcapacidade mediada de agir socioculturalmente” (Ahearn, 2001: 112). Toda ação ésocioculturalmente mediada, em sua produção e em sua interpretação, de acordo com essadefinição provisória. A autora e outros estudiosos questionam se toda agência deve ser humana,se outros seres ou objetos também exercem agência, o que significa ser agente de si mesmo, se aagência deve ser consciente, intencional ou efetiva e ainda, o que significa para um ato serconsciente, intencional ou efetivo?Em seu texto, a autora tenta responder a tais perguntas, e apresenta a diferença entre “ator” e“agente” proposta por Karp (1986): “o ator refere-se à pessoa cujas ações são governadas ouorientadas, enquanto o agente refere-se à pessoa engajada no exercício do poder buscando ahabilidade de ocasionar efeitos e reconstituir o mundo” (Karp 1986:137 apud Ahearn 2001: 113).Ator e agente podem ser considerados dois aspectos da mesma pessoa, de acordo com Karp, ouduas perspectivas diferentes nas ações de um dado indivíduo.Seguimos com a opinião de Bazerman, que considera a escrita imbuída de agência e diz que elanão existiria se os indivíduos não trabalhassem na escrita e se não houvesse uma história deinvenção e manutenção de sistemas de escrita, tecnologias de inscrição, gêneros e uso edisseminação socialmente organizados. Para o autor, “a escrita fornece-nos os meios pelos quaisalcançamos outros através do tempo e do espaço, para compartilhar nossos pensamentos, parainteragir, para influenciar e cooperar” (Bazerman, 2006:11,12).Quando uma pessoa escreve uma carta a um amigo, solicita algo em uma carta comercial, ouescreve a um editor de algum jornal ou revista, está sendo agente nos seus próprios interesses.Estudantes que escrevem ensaios e expressam seus novos pensamentos, são agentes individuais.E uma pessoa que escreve para realizar um trabalho profissional está atuando como agente, ganhasua vida e avança positivamente no trabalho de sua profissão ou da organização da qual participa.Segundo o pesquisador, da agência das grandes personalidades a um simples preenchimento deum formulário médico, “a escrita nos ajuda a tornar real e forte nossa presença num mundo socialem que asseveramos nossas necessidades e nosso valor”. O autor ainda afirma que “quanto maisferramentas flexíveis de escrita e mais compreensão reflexiva temos, dispomos de maiorespossibilidades e recursos para agência” (Bazerman, 2006: 13..Uma visão social da escrita mostra aos alunos que “gêneros não são somente formas textuais,mas também formas de vida e de ação” (Bazerman, 2006:18). Com isso, eles perceberão quediferentes tipos de textos estão presentes em diversas situações, bem como a agência. Eles severão como agentes em diferentes situações da sua vida, não apenas no meio escolar. Uma frasedo autor sintetiza a ligação entre agência e gêneros: “A abordagem social de gênero transforma-oem uma ação social, em uma ferramenta de agência”. (Bazerman 2006:19).
  18. 18. AnálisesEscolhemos para análise duas notícias do dia 19 de dezembro de 2006, uma retirada do sitewww.oi.com.br e outra do site www.yahoo.com.br . As duas foram coletadas praticamente nomesmo horário e versam sobre o mesmo tema. A minha intenção inicial foi comparar como amesma notícia foi veiculada em dois diferentes sites. Concomitantemente, pretendi estudar ohipertexto e verificar como os sites escolhidos são constituídos. E em relação a essa escolha,pareceu-me pertinente incluir no referencial teórico a noção de agência.Na página inicial do site Oi há várias seções, e havia em destaque uma notícia com letras grandes.Ao dar um clique nela, cheguei ao exemplar 1:Exemplar 119/12/06 às 11:43Por unanimidade, STF determina suspensão do reajuste de parlamentaresBrasília - Os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiram, em plenário, suspender o reajustede 90,7% na remuneração do parlamentares. A decisão foi tomada por unanimidade. Os dez ministros quevotaram manifestaram-se contra o reajuste. A presidente do STF, Ellen Gracie, não votou.Dos dez ministros que votaram, quatro tomaram a decisão com base na Ação Direta deInconstitucionalidade (Adin) apresentada pelo PPS. A ação pedia a suspensão do aumento por liminar efoi acatada pelo relator da matéria, ministro Carlos Ayres Britto.Outros seis ministros votaram contra o reajuste argumentando pela invalidade do Decretto 444 de 2002,usado pelos congressistas como argumento para o reajuste. O decreto teria sido substituído pela EmendaConstitucional número 41.O Decreto Legislativo 444, de 2002, equipara os salários de parlamentares aos dos ministros do SupremoTribunal Federal. Foi com base nele que, na semana passada, os líderes e os integrantes das mesas diretorada Câmara e do Senado decidiram pelo reajuste. O aumento elevaria os salários de R$ 12,8 mil para R$24,5 mil a partir de 1º de fevereiro, quando começa a próxima legislatura.Leia mais:Câmara e Senado cumprirão determinação, diz RebeloAldo convoca reunião para discutir reajusteRenan diz que quer votar decreto o mais rápido possívelAgência BrasilVoltar Mais notíciasComo pode ser observado, além da notícia, o leitor agente pode ler mais notícias relacionadas aoassunto da notícia principal, seguindo a sugestão: “leia mais” e clicar em uma das três manchetes,links que levam cada um a outra página com o texto da notícia selecionada. É dada ao leitor aopção de voltar à página inicial do site da Oi clicando no link voltar e também é possível que oleitor clique em outro link no canto direito da página, para ler “mais notícias”. Este link leva auma página com uma seção intitulada mais notícias, dentre as quais o leitor pode também clicar eler novas notícias em outras páginas que se abrem, como um leque, como a gaveta mencionadapor Lévy.Como pode ser visto, o leitor é agente no momento em que escolhe visitar o site da Oi, emseguida, ao ler a manchete que chama sua atenção dentre tantas outras informações contidas napágina, o leitor novamente é agente de suas próprias ações e clica na manchete para um fim
  19. 19. específico, ler a notícia do texto eletrônico. Quando decide se vai ler mais notícias sobre omesmo tema ou se vai voltar para a página inicial da Oi ou mesmo fechar o navegador, o leitorestá mais uma vez sendo agente. Este momento de controle do que vai ser lido, de que atitudesserão tomadas e de reflexão sobre seus atos, em que o leitor adquire informação através docontato com o hipertexto, a notícia escrita, é o momento em que ocorre a agência do leitor dohipertexto.O leitor entra na página inicial do site Yahoo brasileiro e observa uma manchete em destaque. Aoclique, abre-se uma página com a notícia escrita, exemplar 2: Exemplar 2 Ter, 19 Dez - 13h41STF suspende aumento e Congresso articula novo decretoPor Natuza NeryBRASÍLIA (Reuters) - O Supremo Tribunal Federal (STF) suspendeu o aumento dos parlamentares, aodecidir nesta terça-feira, por unanimidade, que as Mesas da Câmara e do Senado não podem elevar ossalários com base no decreto 444, considerado pelo tribunal sem eficácia.O Congresso anunciou na semana passada aumento de quase 91 por cento, elevando o salário doparlamentar para 24,5 mil reais.No segundo julgamento do dia sobre o tema, o Supremo acatou pedido de liminar em ação movida pelosdeputados Carlos Sampaio (PSDB-SP), Fernando Gabeira (PV-RJ) e Raul Jungmann (PPS-PE). Osparlamentares pediam na ação que o reajuste só fosse concedido com apreciação do assunto no plenário.Nove ministros seguiram o voto do relator, Ricardo Lewandowski. O ministro Celso de Mello esteveausente na última sessão do ano."Que as Mesas da Câmara e do Senado se abstenham de fixar aumento dos subsídio com base no decretolegislativo 444", afirmou a presidente do STF, Ellen Gracie, ao proferir a decisão.Um pouco antes, o STF havia decidido arquivar uma ação direta de inconstitucionalidade (Adin), propostapelo PPS, que contestava o decreto.Para o STF, o decreto legislativo 444, de 2002, no qual se baseia o aumento, perdeu a eficácia devido auma alteração à Constituição, por emenda constitucional, em 2003. Por isso, o tribunal resolveu"desconhecer" a ação.O Supremo indicou claramente que para garantir o aumento definido na semana passada os parlamentaresprecisarão aprovar um decreto específico sobre o tema."É o entendimento da Corte de que os congressistas deveriam fazer (o aumento) por decreto legislativoespecífico a ser aprovado por ambas as Casas", afirmou a presidente do STF.Logo após a decisão do STF, os presidentes do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) e da Câmara, AldoRebelo (PCdoB-SP, disseram que, para não criar um vácuo legal, o Congresso buscará aprovar um novodecreto.Está prevista uma reunião do colégio de líderes dos partidos nesta terça-feira e o decreto pode ser votadona quarta-feira, segundo Calheiro18 256ra, se(ro18)]TJdo 0.779 0 0 e(rof528.66 244.28 0.47998 12.3 refBT10.6229 0 0 10.
  20. 20. coluna, há também outra coluna, “mais notícias”, dividida em três partes, Manchetes, Mundo eEsportes. Cada uma dessas três partes apresenta manchetes sobre o tema, que são links que levamas páginas com a notícia eletrônica.Mas uma vez, observa-se que ocorre a agência do leitor no hipertexto. Nas palavras de Karp:agente refere-se a pessoa engajada no exercício do poder buscando a habilidade de ocasionarefeitos e reconstituir o mundo. O mundo do leitor reconstitui-se nesses momentos de decisão e decontrole das páginas visitadas que talvez sejam lidas. É sempre bom lembrar que esse poder éatribuído ao leitor e não ao autor. O autor possui o poder de decidir o que vai escrever na página,mas aqui pretendemos enfatizar apenas a agencia do leitor, que é quem realmente controla seusatos, e suas leituras, constituindo assim a leitura do texto escrito em meio eletrônico, o hipertexto.Considerações finaisO leitor do hipertexto é agente em seus interesses. O interesse do leitor é navegar por páginas deInternet, fazer buscas, ler notícias, com isso, fazer do gênero textual notícia motivo de reflexão ede construção do sentido. Para isso, o autor escolhe a seqüência do que vai ser lido, atribuindosentido ou não ao seu texto. Isso ocorre quando ele escolhe os links que vão ser clicados,originando novas páginas com novos textos, podendo ser relacionados ao texto inicial, que deuorigem a navegação, naquelas páginas, ou ainda, o leitor também pode visitar páginas comassuntos que difiram do assunto inicial. O horizonte do hipertexto é vasto e tudo vai depender daescolha, dos fins, das necessidades do leitor. Essa escolha da seqüência textual a ser lida, comoserá lida e se vai ser lida é uma decisão exclusiva do leitor agente. O autor do texto, ou produtorda página pode orientar sobre os caminhos a serem seguidos, fazer sugestões, mas a decisãocompete ao leitor, possibilitando a agência do leitor.Referências BibliográficasAHEARN, L. 2001. Language and Agency. In: Annu. Ver. Anthropol. 2001. 30:109-137.BAZERMAN, C. 2005. Gêneros Textuais, Tipificação e Interação. São Paulo, Cortez.BAZERMAN, C. 2006. Gênero, Agência e Escrita. São Paulo, Cortez.COSCARELLI, Carla Viana. Da Leitura de Hpertexto: um diálogo com Rouet et alii. In:ARAÚJO, Júlio César e BIASI-RODRIGUES, Bernadete. Interação na internet. Novas Formasde usar a linguagem. Rio de Janeiro: Lucerna, 2006.DURANTI, A. 2004. Agency in Language. In: A Companion to Linguistic Anthropology. UnitedKingdom, Blackwell 451-473.KOMESU, Fabiana. Pensar em Hipertexto. In: ARAUJO, Júlio César e BIASI-RODRIGUES,Bernadete. Interação na internet. Novas Formas de usar a linguagem. Rio de Janeiro: Lucerna,2006.MARCUSCHI, Luiz Antônio. Gêneros Textuais emergentes no contexto da tecnologia digital. In:MARCUSCHI, Luiz Antônio e XAVIER, Antônio Carlos (orgs.) Hipertexto e GênerosDigitais. Rio de Janeiro: Lucerna, 2004.MARCUSCHI, Luiz Antônio. A coerência no Hipertexto. In: COSCARELLI, Carla Viana;RIBEIRO, Ana Elisa (orgs.) Letramento Digital. Aspectos Sociais e Possibilidades Pedagógicas.Belo Horizonte: CEALE; Autêntica, 2005.PINHEIRO, Regina Cláudia. Estratégias de leitura para a compreensão de hipertextos. In:ARAÚJO, Júlio César e BIASI-RODRIGUES, Bernadete. Interação na internet. Novas formasde usar a linguagem. Rio de Janeiro: Lucerna, 2006.
  21. 21. SOARES, Magda. Novas práticas de leitura e escrita: letramento na cibercultura. In: PINO, IvanyRodrigues (ed.) Educação e sociedade. 81, vol. 23, dezembro. Revista de ciência eeducação. Dossiê: “Letramento”, 2002.XAVIER, Antônio Carlos, 2004. Leitura, texto e hipertexto. In: MARCUSCHI, Luiz Antônio eXAVIER, Antônio Carlos (orgs.) Hipertexto e Gêneros Digitais. Rio de Janeiro: Lucerna,pp.170-180.WILSON, Carmem Diva Rodrigues Jorge. 2005. Notícia de jornal impresso e notícia de jornaleletrônico: um mesmo gênero ou gêneros diferentes? Letra Magna, ano 02, n. 03, 2º semestrede 2005. Revista Eletrônica de Divulgação Científica em Língua Portuguesa, Lingüística eLiteratura. Disponível em: http://www.letramagna.com/carmemlucia.pdfPáginas visitadas:www.oi.com.brTexto integral da notícia 1:http://www.oi.com.br/data/Pages/FB2B9BA2ITEMID13E0D15DD9554F65B51FA3C21C93FA1APTBRIE.htmwww.yahoo.com.brTexto integral da notícia 2:http://br.news.yahoo.com/19122006/5/noticias-manchetes-stf-suspende-aumento-congresso-articula-novo-decreto.html
  22. 22. NOVAS TECNOLOGIAS, GÊNEROS EMERGENTES E ENSINO DE LITERATURA Adriana Nunes de SOUZA Universidade Estadual de AlagoasRESUMO: O trabalho discute o papel da internet e dos gêneros emergentes para o ensino daliteratura, a Internet está possibilitando aos adolescentes um maior contato com a leitura e aescrita: eles passam horas diante da tela, conversando nos bate-papos, redigindo e lendo e-mails,pesquisando os assuntos que os interessam, e utilizar este gosto pela navegação podeproporcionar ao aluno um novo encontro com a literatura. Partindo do princípio de que apreocupação de criar o gosto e o hábito de leitura é fundamental para o ensino da disciplina e deque incentivar a iniciação à pesquisa bibliográfica, por meio da adequação do material de leituraà clientela escolar, é objetivo freqüente nos planejamentos, têm-se como objetivos analisar ainternet e os novos gêneros que com ela emergiram, tais como e-mail, fórum, bate-papo, comorecursos didáticos eficientes, que unam a construção do conhecimento e o prazer da leitura, eestudar a associação entre gêneros, formação do gosto e ensino. Para a construção do trabalhoutilizou-se pesquisa bibliográfica, em obras relacionadas ao tema e em homepages freqüentadaspor adolescentes. A pesquisa fundamentou-se, basicamente, em: Os Gêneros do Discurso, deTzvetan Todorov; Estética da Criação Verbal, de Mikhail Bakhtin; Gêneros TextuaisEmergentes no Contexto da Tecnologia Digital, de Luís Antônio Marcuschi; e Leitura, escrita eliteratura em tempos de internet, de Maria Teresa A. Freitas, autores que discutem a questão dosgêneros textuais e do discurso, dos gêneros emergentes e do ensino de literatura, respectivamente.Verificou-se com o estudo que as novas tecnologias, em particular a Internet, constituem umrecurso didático eficiente e possuem um fundamental papel para o ensino de literatura e para aformação do gosto leitor, por possibilitarem um amplo contato com inúmeros textos, desde omais recente até os livros raros e esgotados.Palavras-chave: tecnologia e educação, gêneros emergentes, ensino de literatura. O mundo moderno trouxe uma série de novos recursos que fascinam a todos os que têmacesso a eles: a televisão amplia horizontes, o cinema, que agora pode estar em casa nos DVDs e“home theaters”, encanta e cria novos mundos, o computador atrai com jogos e outraspossibilidades, a Internet promove viagens virtuais fascinantes. Tais recursos são vistos pormuitos professores como vilões que distanciam o aluno do ato de estudar, são imagens quetornam a leitura algo raro no cotidiano, e também desinteressante, são pesquisas irreais que selimitam ao copiar e colar. Entre os docentes que fazem coro: “as novas tecnologias são um problema” muitoslecionam literatura e reclamam que os alunos não gostam de ler, limitam-se a coletar resumos naInternet, repudiam os clássicos, têm um vocabulário limitado. Há inúmeros professores queafirmam que a escrita abreviada dos bate-papos é uma afronta à língua, que o computador afastao jovem da leitura, que a internet somente serve como um arquivo de trabalhos já prontos do qualo aluno apenas copia o arquivo que deve ser entregue como atividade para nota sem nem mesmoler o que foi sugerido. Entretanto esta visão é enganosa, pois o computador e a Internet têm criado inúmerosleitores, não o leitor escolar da literatura dissociada do cotidiano, alheia às preferências
  23. 23. criar um inovador e fascinante mundo para o aluno, um mundo que poderá contribuir para aformação do gosto e para o conseqüente hábito de leitura tão desejado pelos professores. Sabemos que essa preocupação de criar o gosto e o hábito de leitura é fundamental para oensino de literatura. Incentivar a iniciação à pesquisa bibliográfica, por meio da adequação domaterial de leitura à clientela escolar é objetivo freqüente nos planejamentos e a Internet é umaimportante aliada para se atingir tal objetivo. Assim, se a escola é um espaço privilegiado de interação social, este deve interligar-se eintegrar-se aos demais espaços de conhecimento hoje existentes e incorporar os recursostecnológicos e a comunicação via redes, permitindo fazer as pontes entre conhecimentos setornando um novo elemento de cooperação e transformação. Tal incorporação da Internet, das novas tecnologias, à escola, gera uma ampla discussãosobre o possível impacto dos dispositivos técnico-informacionais na estrutura educacional, masum ponto é fundamental: a necessidade da criação de uma cultura informática educativa queintegre os instrumentos, tanto no nível da concepção quanto no da prática, levando em conta acomplexidade da relação entre os instrumentos informáticos e os conhecimentos e técnicasutilizadas pelo docente. Ou seja, uma abordagem que contemple a criação de instrumentos geraisde desenvolvimento, com solicitações de qualidade para atender necessidades, associada areflexões específicas quanto à interação sujeito cognoscente/máquina. Para essa interação, no caso específico do ensino de literatura e da formação do leitor,nosso foco nessa discussão, torna-se necessário discutir a questão dos gêneros textuais queemergiram a partir da revolução do conhecimento que a tecnologia proporcionou. A questão dos gêneros é bastante ampla e para comentá-la temos de pensar primeiro deonde provêm os gêneros? Para o filósofo, lingüista e crítico literário búlgaro Tzvetan Todorov,em A origem dos gêneros, a resposta é que vêm simplesmente de outros gêneros. Um novogênero é sempre a transformação de um ou de vários gêneros antigos: por inversão, pordeslocamento, por combinação. Um “texto” de hoje (também isso é um gênero num de seussentidos) deve tanto à poesia quanto ao romance do século XIX, do mesmo modo que a comédialacrimejante combinava elementos da comédia e da tragédia do século precedente. Nunca houveliteratura sem gêneros; é um sistema em contínua transformação e a questão das origens não podeabandonar, historicamente, o terreno dos próprios gêneros: no tempo, nada há de “anterior” aosgêneros. Sausurre, lingüista francês, não dizia que: “O problema da origem da linguagem não éoutro senão o de suas transformações”? e já Humboldt: “Chamamos uma língua original apenasporque ignoramos os estados anteriores de seus elementos constitutivos”. Assim podemos afirmar que a Internet nos trouxe novos gêneros, mas que eles não são tãovariados assim, pois partem de outros gêneros já consolidados, entretanto são importantes, sãohoje freqüentes no cotidiano do alunado e conseqüentemente, podem contribuir para a formaçãodo leitor que poderá, pelo contato com estes e com outros gêneros construir um repertório deleitura que possibilite a análise e a crítica, além do reconhecimento de outros gêneros. Lembremos que para Todorov, os gêneros existem como instituição, que funcionam comohorizontes de expectativa para os leitores como modelos de escritura para os autores. Estão aí,com efeito, as duas vertentes da existência histórica dos gêneros (ou, se preferirmos, do discursometadiscursivo que toma os gêneros como objeto). Por um lado, os autores escrevem em funçãodo sistema genérico existente, aquilo que podem testemunhar no texto e fora dele, ou, até mesmo,de certa forma, entre os dois. Por outro lado, os leitores lêem em função do sistema genérico queconhecem pela crítica, pela escola, pelo sistema de difusão do livro ou simplesmente por ouvirdizer; no entanto, não é necessário que sejam conscientes desse sistema.
  24. 24. Observamos, pois, que a diversidade de gêneros na escola, e não escolares (aqueles quesomente são vistos na escola, como a redação escolar ou o livro didático), é fundamental para oensino de literatura e para a formação do leitor. As novas tecnologias, a Internet em especial,como recurso didático são, assim, importantes, pois estas podem proporcionar um contato comdiversas modalidades textuais o que é defendido pelos PCNs (Parâmetros CurricularesNacionais). A necessidade de trazer um amplo número de textos e modalidades textuais para a escola,para a qual a Internet é aliada, faz-se presente não apenas por ser uma indicação dos PCNs, maspor ser a língua um organismo vivo, por ser um leitor completo aquele que consegue passearpelos diversos gêneros e compreendê-los e efetuar realmente a comunicação. Nesse sentido, éimportante lembrarmos o pensamento de Bakhtin. Perceber a utilização da língua como um processo com variadas, heterogêneas e múltiplasmaneiras de realização, é fundamental para a compreensão do ponto de partida proposto porBakhtin, teórico russo, para conceituar gênero do discurso. Para o autor, o ser humano emquaisquer de suas atividades vai servir-se da língua e a partir do interesse, intencionalidade efinalidade específicos de cada atividade, os enunciados lingüísticos se realizarão de maneirasdiversas. A estas diferentes formas de incidência dos enunciados, o autor denomina gêneros dodiscurso, já que “...cada esfera de utilização da língua elabora seus tipos relativamente estáveisde enunciados”.(Bakhtin, 2000: 277) É válido comentarmos que essa “relativa estabilidade”, que é inerente a um dado gênero,chama a atenção e deve ser compreendida como algo passível da alteração, aprimoramento ouexpansão. Em se tratando de linguagem, que é atividade verbal, modificações podem ocorrer emfunção de desenvolvimento social, de influência de outras culturas, ou de outros tantos fatorescom que a língua tem relação direta, até mesmo com o próprio passar do tempo. Ciente do caráterinesgotável das atividades humanas e seu constante processo de crescimento e evolução, torna-seimpossível definir quantitativamente os gêneros, que se diferenciam e se ampliam. É o uso queacarreta a possibilidade de transformação. Um dos aspectos mais marcantes dos gêneros, que alude de forma direta à questão do“uso” é o fato de que devemos considerar o gênero como um meio social de produção e derecepção do discurso. Para classificar determinado enunciado como pertencente a dado gênero, énecessário que verifiquemos suas condições de produção, circulação e recepção. E, ainda, é deextrema relevância observar que o gênero, como fenômeno social que é, só existe emdeterminada situação comunicativa e sócio-histórica. Caso modifiquemos tais condições épossível que um mesmo enunciado passe a pertencer a outro gênero. Bakhtin, então, com sua proposta de conceituação para os gêneros do discurso veio suprira necessidade de se compreender os enunciados como fenômenos sociais, resultantes da atividadehumana, caracterizados por uma estrutura pilar básica, suscetível a determinadas modificações.Um gênero do discurso é parte de um repertório de formas disponíveis no movimento delinguagem e comunicação de uma sociedade. Desse modo, só existe relacionado à sociedade queo utiliza. Indissociável da sociedade e disponível em sua memória lingüística, o domínio de umgênero permite ao falante prever quadros de sentidos e comportamentos nas diferentes situaçõesde comunicação com as quais se depara. Conhecer determinado gênero significa ser capaz deprever regras de conduta, seleção vocabular e estrutura de composição utilizadas e é essacompetência sócio-comunicativa dos falantes que os leva à detecção do que é ou não adequadoem cada prática social. E ainda, quanto mais competente - e experiente - for o indivíduo, mais
  25. 25. proficiente ele será na diferenciação de determinados gêneros e na facilidade de reconhecimentodas estruturas formais e de sentido que o compõe. A vivência das situações de comunicação e o contato com os diferentes gêneros quesurgem na vida cotidiana exercitam a competência lingüística do falante/ouvinte produtor deenunciados. A saber: competência lingüística é um conceito aprofundado, que possui certacomplexidade, mas que aqui será recortado no sentido de que todos nós somos aptos, temos umaestrutura interna que, aliada ao social, faz com que consigamos perante determinada estrutura econtexto, definir a que categoria um dado enunciado pertence. Essa competência é inerente ao serhumano social, que interage, comunica, cria e recria. Na medida em que um indivíduo avança emgrau de escolaridade, ele tende a tornar-se cada vez mais proficiente na operacionalização devariadas categorias textuais. Da mesma maneira experiência de vida e cultura geral fazem evoluirlingüisticamente os falantes. Sendo assim, é fundamental percebermos o gênero como um produto social e como tal,heterogêneo, variado e suscetível a mudanças. Devido à extrema heterogeneidade dos gêneros do discurso, resultado da infinidade derelações sociais que se apresentam na vida humana, Bakhtin optou por dividir os gêneros em doistipos: Gênero Primário (simples) e Gênero Secundário (complexo). A heterogeneidade lingüísticaé o que determina a subdivisão que se faz entre os gêneros. Os chamados gêneros primários são aqueles que emanam das situações de comunicaçãoverbal espontâneas, não elaboradas. Pela informalidade e espontaneidade, dizemos que nosgêneros primários temos um uso mais imediato da linguagem (entre dois interlocutores há umacomunicação imediata). Há essa imediatização da linguagem nos enunciados da vida cotidiana:na linguagem oral, diálogos com a família, reuniões de amigos, etc. Nos gêneros secundários existe um meio para que seja configurado determinado gênero.Esse meio é normalmente a escrita. Logo, se há meio, dizemos que há relação mediata com alinguagem, se há meio, há uma instrumentalização. O gênero, então funciona como instrumento,uma forma de uso mais elaborada da linguagem para construir uma ação verbal em situações decomunicação mais complexas e relativamente mais evoluídas: artística, cultural, política. Essesgêneros chamados mais complexos absorvem e modificam os gêneros primários. Os gêneros primários, ao se tornarem componentes dos gêneros secundários, transformam-se dentro destes e adquirem uma característica particular: perdem sua relação imediata com a realidade existente e com a realidade dos enunciados alheios... (Bakhtin, 2000: 281) Para melhor compreensão do fenômeno de absorção e transmutação dos gênerosprimários pelos secundários, Bakhtin traz como exemplo uma carta ou um diálogo cotidiano.Uma carta ou um fragmento de conversação do dia-a-dia, quando inseridos em um romance sedesvinculam da realidade comunicativa imediata, só conservando seus significados no plano deconteúdo do romance. Ou seja, não se trata mais de atividades verbais do cotidiano, e sim de umaatividade verbal artística, elaborada e complexa. É importante lembrarmos que a matéria dosgêneros primário e secundário é a mesma: enunciados verbais, fenômenos de mesma natureza. Oque os diferencia é o grau de complexidade e elaboração em que se apresentam. Se os gêneros primários e secundários partem de uma mesma matéria, podemos afirmarque os gêneros que emergiram a partir do advento da Internet também utilizam-na e, portanto,precisam ser discutidos, iniciemos esta discussão, para isso as obras Hipertexto e Gêneros
  26. 26. Digitais de Luís Antônio Marcuschi e Antonio Carlos Xavier e Gêneros Textuais Emergentes noContexto da Tecnologia Digital de Luís Antônio Marcuschi são utilizadas como referência. Para o lingüista Luiz Antônio Marcuschi, é certo que a Internet e todos os gêneros a elaligados são eventos textuais fundamentalmente baseados na escrita, assim, na Internet a escritacontinua essencial apesar da integração de imagens e de som. Por outro lado, a idéia que hojeprolifera quanto a haver uma “fala por escrito” deve ser vista com cautela, pois o que se nota éum hibridismo mais acentuado, algo nunca visto antes, inclusive com o acúmulo derepresentações semióticas. As formas textuais emergentes nessa escrita são várias e versáteis. Entre os gêneros maisconhecidos e que vêm sendo estudados podemos situar pelo menos estes (numa tentativa dedesignar e diferenciar tais gêneros): 1. e-mail (correio eletrônico na forma com formas de produção típicas); 2. bate-papo virtual em aberto (inúmeras pessoas interagindo simultaneamente, como ocorre no IRC, hoje pouco utilizado pelos adolescentes). 3. bate-papo virtual reservado (chat) (com as falas acessíveis apenas aos dois selecionados, embora vendo todos os demais em aberto, como acontece no MSN, que é amplamente utilizado). 4. bate-papo agendado (ICQ) (com a característica de ter sido agendado e oferecer a possibilidade de mais recursos tecnológicos na recepção e envio de arquivos, algumas universidades utilizam esse recurso para o ensino à distância). 5. bate-papo virtual em salas privadas (sala privada com apenas os dois parceiros de diálogo presentes, semelhante ao MSN, mas neste caso você não terá acesso aos demais usuários conectados, não se pode trocar de interlocutor). 6. entrevista com convidado (forma de diálogo com perguntas e respostas, sites como o da Editora Saraiva utilizam esse gênero freqüentemente para atendimento on-line ao cliente). 7. aula virtual (interações com número limitado de alunos tanto no formato de e-mail ou de arquivos hipertextuais com tema definido em contatos geralmente assíncronos). 8. bate-papo educacional (interações síncronas no estilo dos chats com finalidade educacional, geralmente para tirar dúvidas, dar atendimento pessoal ou em grupo e com temas prévios). 9. lista de discussão (grupo de pessoas com interesses específicos, que se comunicam em geral de forma assíncrona, mediada por um responsável que organiza as mensagens e eventualmente faz triagens). 10. fórum (grupo de pessoas com interesses específicos, que se comunicam em geral de forma assíncrona, no Orkut, site de relacionamento muito utilizado pelos adolescentes os fóruns fazem-se muito presentes)
  27. 27. Entre os mais praticados pelos jovens estão os e-mails, bate-papos virtuais e fóruns. Emtodos esses gêneros a comunicação se dá pela linguagem escrita, vemos assim que é fundamentalaproveitarmos esse recurso como auxiliar na formação do leitor e também na aula de literatura. Para Marcuschi, em certos casos, esses gêneros emergentes parecem projeções de outroscomo suas contrapartes prévias, o que sugere a pergunta de se os designers de softwares seguirampadrões pré-existentes como base para moldagem de seus programas. Como os novos gêneros sósão possíveis dentro de determinados programas, parece que a resposta deve ser sim. Mas iãodevemos confundir um programa com um gênero, pois mesmo diante da rigidez de um programa,não há rigidez nas estratégias de realização do gênero como instrumento de ação social. O que sedeveria investigar é qual a real novidade das práticas e não a simples estrutura interna ou anatureza da linguagem. Por exemplo: nos bate-papos virtuais abertos são construídas identidades sociais muitodiversas do que nas conversações face a face. Este aspecto ião está nos domínios de controle denenhum engenheiro de software. O engenheiro pode, quando muito, controlar a ferramentaconceitual, mas não os usos e, muito menos os usuários. Isto significa que os usos ião podem sercontrolados em toda sua extensão pelo sistema. Assim ocorre também com as línguas naturais deum modo geral. Embora haja um sistema lingüístico subjacente a cada língua, ele não impede avariação. As variações não são aleatórias e sim sistemáticas, no caso dos usos lingüísticos. Já nocaso dos usos de softwares interativos, que fundam usos resultantes em gêneros textuais, asprojeções dos engenheiros são ainda mais fracas. Mas em que é que os gêneros virtuais divergem de suas contrapartes reais? Essasdivergências são essenciais para produzirem gêneros novos? Aspecto reiteradamente salientadona caracterização dos gêneros emergentes é o intenso uso da escrita, dando-se praticamente ocontrário em suas contrapartes nas relações interpessoais não virtuais. Será isso relevante nacaracterização do gênero emergente ou é um aspecto que nos leva apenas a repensar a nossarelação com a escrita e com a oralidade, mas não a relação entre ambas? Se nos dedicarmos a uma análise de detalhe dos gêneros emergentes na mídia eletrônicaem geral (telefonia, rádio, televisão, Internet), veremos que algumas das idéias a respeito dainteração verbal deverão ser revistas. Por exemplo, a presença física não caracteriza a interaçãoconversacional em si, mas sim determinados gêneros, tais como os que se dão nos encontros facea face. De igual modo, a produção oral não é necessária, mas apenas suficiente para determinar ainteração verbal, pois é possível uma interação síncrona, pessoal e direta pela escrita transmitidaà distância, o que já era em parte possível pela comunicação pelo telégrafo e pelo código Morse.Mas no caso atual há uma série de novidades que não apenas simulam, mas realizamefetivamente a interação. Vemos no comentário de Marcuschi que a escrita tem fundamental papel na construçãodos gêneros e que nestes há uma interação real, pensemos nos fóruns de discussão dos sites derelacionamento, em especial o Orkut, que como dissemos é amplamente utilizado pelosadolescentes e pode constituir um bom recurso didático para a formação do leitor. Nesses fórunso participante expõe suas opiniões sobre dado tema e com isso põe em prática o que Bronckartdenomina modalizações. Bronckart afirma que: “as modalizações têm como finalidade geral traduzir, a partir dequalquer voz enunciativa, os diversos comentários ou avaliações formulados a respeito de algunselementos do conteúdo temático. Enquanto os mecanismos de textualização, que marcam aprogressão e a coerência temáticas, são fundamentalmente articulados à linearidade e dessaprogressão; as avaliações que traduzem são, ao mesmo tempo, locais e discretas (por oposição aocaráter isotópico das marcas de textualização) e podem também insinuar-se em qualquer nível da
  28. 28. arquitetura textual. Portanto, as modalizações pertencem à dimensão configuracional do texto,contribuindo para o estabelecimento de sua coerência pragmática ou interativa e orientando odestinatário na interpretação de seu conteúdo temático”. Existem quatro funções de modalização inspiradas na teoria dos três mundos deHabermas, são elas: as modalizações lógicas consistem em uma avaliação de alguns elementos doconteúdo temático apoiada em critérios que elaborados e organizados e que definem o mundoobjetivo; as modalizações deônticas que consistem na avaliação de alguns elementos do conteúdotemático apoiada em valores, opiniões e regras do mundo social; as modalizações apreciativasque são uma avaliação de alguns aspectos do conteúdo temático, estas são provenientes domundo subjetivo; as modalizações pragmáticas que contribuem para a explicitação de algunsaspectos da responsabilidade se uma entidade constitutiva do conteúdo temático em relação àsações de que é o agente (narração literária). A marcação da modalização é feita por: tempos verbais, advérbios ou locuçõesadverbiais, orações impessoais, estas marcações combinam-se freqüentemente e formam oscomplexos modais, podem até mesmo estar ausentes de determinados textos. Tal fato relaciona-se freqüentemente ao gênero a que pertence o texto. É, pois, importante estudarmos a teoria deBronckart a fim de que possamos considerar a inserção de variados gêneros na relação didáticauma necessidade para que o aluno, não apenas forme o gosto leitor, mas conheça as váriaspossibilidades de expressão de uma mesma idéia, tornando-se, portanto, um leitorverdadeiramente completo, que reconheça os gêneros e interprete o mundo. Observa-se que as novas tecnologias proporcionam ao jovem um amplo contato com aescrita e a leitura, sendo, pois, aliadas para a formação do leitor, Roger Chartier, historiadorfrancês, faz importante afirmação em A aventura do livro: do leitor ao navegador: “Aqueles que são considerados não-leitores, lêem, mas lêem coisa diferente daquilo que o cânone escolar define como uma leitura legítima. O problema não é tanto o de considerar não-leituras estas leituras selvagens que se ligam a objetos escritos de fraca legitimidade cultural, mas é o de tentar apoiar-se sobre essas práticas incontroladas e disseminadas para conduzir esses leitores, pela escola mas também sem dúvida por múltiplas outras vias, a encontrar outras leituras. É preciso utilizar aquilo que a norma escolar rejeita como um suporte para dar acesso à leitura na sua plenitude, isto é, ao encontro de textos densos e mais capazes de transformar a visão do mundo, as maneiras de sentir e pensar.” 3 Como educadores, devemos, logo, nos despir dos preconceitos e do lugar comum que diz:as novas tecnologias são um problema, que distanciam o jovem da leitura e vestir a idéia de queelas podem sim constituir um aliado na construção do conhecimento. Podemos afirmar, portanto, que as novas tecnologias, a Internet, são importante recursopara a introdução de inúmeros gêneros textuais na sala de aula, garantindo a diversidadenecessária para a formação de um leitor completo e crítico, para a consolidação do gosto pelaleitura e para o conseqüente prazer.3 CHARTIER, Roger. A aventura do livro. Do leitor ao navegador. São Paulo, SP: Unesp, 1998.p.103-104
  29. 29. BIBLIOGRAFIACHARTIER, Roger. A aventura do livro. Do leitor ao navegador. São Paulo, SP: Unesp, 1998.PAIVA, Aparecida; MARTINS, Aracy; PAULINO, Graça e VERSIANI, Zélia, org. Literatura eletramento. Belo Horizonte, MG: Autêntica, 2003.BAKHTIN, M. A Estética da Criação Verbal. São Paulo: Martins Fontes, 2000.MARCUSCHI, Luis Antonio. Gêneros Textuais Emergentes no Contexto da Tecnologia DigitalTexto da Conferência pronunciada na 50ª Reunião do GEL – Grupo de Estudos Lingüísticosdo Estado de São Paulo, USP, São Paulo, 23-25 de maio de 2002MARCUSCHI, Luis Antonio; XAVIER, Antonio Carlos (organizadores). Hipertexto e GenerosDigitais: novas formas de construção de sentido. Rio de Janeiro. Lucerna. 2004.TODOROV, Tzvetan. Os Gêneros do Discurso. Coleção: SIGNOS. Edições 70. 1981.
  30. 30. FUNCIONALISMO E ESTRATÉGIAS DE TRADUÇÃO: A CONTRIBUIÇÃO DE NORD (1991 & 1997) E CHESTERMAN (1997 & 2000) PARA O ENSINO E PRÁTICA DE TRADUÇÃO Sinara de Oliveira BRANCO Universidade Estadual da ParaíbaResumo: Este trabalho visa apresentar as contribuições de Nord (1991 & 1997) e de Chesterman (1997& 2000) para o aprimoramento da disciplina de Estudos da Tradução. Mais especificamente, estetrabalho apresenta práticas de tradução de textos de jornalismo online a partir dos seguintes passos: (i)apresentando a teoria e corpus selecionado; (ii) observando como as estratégias de tradução sãoaplicadas à tradução de textos jornalístico online; e (iii) apresentando sugestões de como as idéiasfuncionalistas de Nord e as estratégias de tradução sugeridas por Chesterman podem contribuir para oensino e prática de tradução a partir dos resultados obtidos. Para tanto, o estudo esboça um arcabouçoteórico e metodológico baseado na Abordagem Funcionalista de Christiane Nord (1991 & 1997) e nasEstratégias de Tradução de Andrew Chesterman (1997 & 2000). O corpus é formado por 15 textos dechegada e seus respectivos textos de partida selecionados de quatro sites da Internet, formando um totalde 30 textos. A análise das estratégias de tradução mais utilizadas na tradução de textos jornalísticosonline demonstrou a validade da união das teorias funcionalistas com as estratégias de tradução, tantopara o ensino quanto para a prática da tradução. O estudo demonstrou que duas tendências principaissurgem do corpus: uma em que os tradutores seguem um estilo mais voltado ao texto de partida e a outrana qual os tradutores optam por focar em um estilo mais voltado ao contexto de chegada – o contextovirtual. O trabalho é encerrado com a validação das duas tendências apresentadas, mostrando que ambassão aceitas, dependendo do propósito (escopo) especificado para um determinado contexto.1. IntroduçãoEste trabalho foi desenvolvido para (i) identificar que estratégias de tradução são utilizadas ao traduzirtextos jornalísticos online; e também para (ii) analisar se tais traduções seguem um modelo mais voltadoao texto de origem ou ao texto alvo, de acordo com a Abordagem Funcionalista. A tradução de textosjornalísticos online é um campo de interesse nos estudos da Tradução devido ao fato de que tais textosdemonstram pontos de relevância em diferentes áreas da tradução – textos produzidos em contextosdiferentes (contextos Americanos/Britânicos) relatando notícias de culturas e realidades específicas,além da urgência de se traduzir textos que são lançados o mais rápido possível, online. A relevância deste estudo sobre a tradução de textos jornalísticos online se destaca emtermos: (i) da importância da tecnologia em todos os aspectos da vida moderna; (ii) da forte influênciada Internet na forma como a tradução de textos jornalísticos online é realizada, devido ao contexto(geralmente culturas e realidades diferentes), o meio onde estas traduções são lançadas (a Web); etambém (iii) da importância do computador na produção, disseminação e recepção de eventosjornalísticos. O computador – e a Internet – é uma ferramenta de extrema importância para a produçãotextual. A produção textual com o auxílio do computador e da Internet tem sido problematizada emáreas de estudo diferentes – desde a área tecnológica até humanas. Na área de estudos da tradução, Chesterman4 (1997) afirma que significados não são maisvistos seguindo uma visão tradicional e convencional como sendo algo objetivo, estável, que ‘existe 4 Idéia original de Chesterman (1997): “Meanings are no longer seen as primarily conventional, objective, stable, existing ‘out there’; rather, they are ever-shifting, ever-slippery, never original, always relative.”
  31. 31. exteriormente’. Os significados em contexto de tradução são, na verdade, mutáveis, apresentamdeslizes, nunca são originais; são sempre relativos. Esta afirmação ilumina a visão da tradução que sepretende lançar aqui – uma visão funcional, descritiva, que vai além da estrutura, significado epropósito imediatos do texto original, sem foco em estruturas lingüísticas específicas, mas com focona tradução do conteúdo jornalístico de uma língua para outra. A teoria sobre a Abordagem Funcionalista de Nord (1997) afirma que, ao traduzir, éimportante levar em consideração o leitor do texto traduzido5 e o contexto como pontos principaispara uma tradução ser realizada. O texto original deve servir como ajuda para o desenvolvimento doproduto da tradução, embora o texto traduzido não deva necessariamente refletir a ‘imagem idêntica’do texto original. Esta posição indica que o tradutor tem uma idéia clara de qual é o propósito de seutrabalho e segue um tipo de guia que o ajuda a se manter no caminho correto para a realização de umtrabalho que atinja as expectativas esperadas. O guia seguido pelo tradutor pode ser uma série deestratégias de tradução, por exemplo. Seguindo esta idéia, Chesterman (1997) desenvolveu ummodelo de estratégias de tradução que parece útil para a tradução de textos em geral. As idéias deChesterman parecem estar em harmonia com as idéias apresentadas na Abordagem Funcionalista deNord. Os dois teóricos percebem a importância de oferecer um texto alvo que siga uma orientaçãovoltada ao leitor de tal texto, sem ignorar o texto original. As teorias de Nord e Chesterman serãoutilizadas como guia para orientação sobre o ensino de tradução, objetivando a produção de textostraduzidos mais adequados ao contexto de chegada, incluindo outros aspectos mencionados,Jornalismo Online e a Internet.2. A Abordagem Funcionalista de Nord e o Ensino de TraduçãoDe acordo com Nord6 (1991, p. 28), não pode haver um processo de ‘tradução’ sem um textooriginal. Deve haver certa relação entre o texto original e o texto alvo. Entretanto, a qualidade equantidade desta relação são especificadas pelo escopo da tradução. O escopo da tradução ofereceráos critérios para a decisão sobre que elementos do texto original podem ser ‘preservados’ e quaispodem, ou devem ser adaptados ao texto alvo. Como pode ser observado, apesar da AbordagemFuncionalista marcar a importância do texto alvo, ela não negligencia a importância do texto originale destaca a importância do texto original para a produção de um texto alvo bem-aceito pelo públicoalvo. Neste sentido, Nord (ibid., p. 72) destaca que na cultura ocidental são esperados dois pontosespecíficos de um texto alvo: funcionalidade e também lealdade ao remetente do texto original e suaintenção. Nord explica que ser ‘leal’ segundo o Funcionalismo está relacionado à intenção do autordo texto original, e não à estrutura do texto original. Cada texto deve ter uma função específica, maso tradutor deve ser leal à intenção do autor, adaptando a estrutura do texto alvo a uma funçãodiferente (escopo), se for o caso. Para ter uma idéia clara sobre o que o texto original trata e qual aintenção do autor, o tradutor tem que analisar o texto original cuidadosamente. O tradutor profissional lê cada novo texto original usando sua experiência de leitor críticoalém de tradutor. Esta experiência forma um modelo no qual o tradutor integra os resultados de cadanovo texto original. O seu conhecimento a respeito da cultura de origem deve torná-lo apto parareconstruir as reações possíveis de um leitor do texto original (no caso do texto alvo necessitar de 5 Neste contexto, ‘leitor do texto alvo’ significa não apenas leitores brasileiros, mas qualquer leitor de textos jornalísticos ao redor do mundo. 6 Comentário original de Nord (1991): “There can be no process of ‘translation’ without a source text. (…) … there has to be a certain relationship between the ST and the TT.” (…) “The quality and quantity of this relationship are specified by the translation skopos”. [The skopos will] “provide the criteria for the decision as to which elements of the ST-in-situation can be ‘preserved’ and which may, or must, be ‘adapted’ to the target situation.”

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