JFAmaral: Recessão&Austeridade

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JFAmaral: Recessão&Austeridade

  1. 1. OPINIÃO Recessão e austeridade João Ferreira do Amaral Economista Depois da Espanha, é a economia do Reino Unido grave; em terceiro lugar, a Europa não tem hoje que acaba de entrar em recessão. Uma recessão, “locomotivas” ou seja, economias que pela sua é certo, por enquanto, aparentemente benigna, dimensão e o seu bom desempenho puxem pe- uma vez que, para já, pouco vai abaixo da es- las outras. Nada disso existe hoje na Europa. E tagnação. Mas o problema é que hoje, na econo- mesmo a Alemanha, que é muito elogiada, tem mia europeia, não há recessões há muito tempo um crescimen- benignas. No estado em que a A austeridade pela to económico muito insatisfa- Europa está do ponto de vista austeridade numa tório, não arrasta ninguém e económico, qualquer recessão, está ela própria em risco dePÁG. mesmo que supostamente suave situação destas e com os recessão. no início pode dar origem, mais factores negativos que03 Outros factores poderíamos tarde, a uma queda muito in- hoje afectam a economia juntar. Mas estes bastam para tensa da actividade económica. europeia é um completo mostrar como é absurda a po- Porquê esta situação perigosa contra-senso e pode bem lítica económica europeia. A da economia europeia? Os fac- austeridade pela austeridade tores que a tornam perigosa são ser o caminho para o fim numa situação destas e com múltiplos: em primeiro lugar, as da prosperidade europeia os factores negativos que hoje economias da Europa ainda não afectam a economia europeia tinham saído verdadeiramente é um completo contra-senso e da crise de 2008-09 quando são afectadas por pode bem ser o caminho para o fim da prosperi- novas quedas da actividade económica. Histori- dade europeia. É certo que, recentemente, sur- camente, há exemplos de uma situação destas se giram alguns ténues sinais políticos de esperan- transformar numa depressão muito prolongada ça, como sejam a possibilidade de mudança de da actividade; em segundo lugar, a grande maio- presidente na França e a recusa dos Holandeses ria das economias europeias está muito endivi- em praticar mais austeridade. Mas são muito té- dada através do endividamento das famílias das nues ainda. Temo que, infelizmente só uma si- empresas e do respectivo Estado. Uma recessão tuação catastrófica no sul da Europa possa levar numa economia, à partida, muito endividada a uma mudança da política europeia. Provavel- pode facilmente tornar-se num problema muito mente, tarde de mais. Resultado: os idosos evitam os hospitais holande- Holanda, destino perigoso ses e muitos refugiam-se em lares do outro lado da Atenção: se tem mais de 60 anos e for passear até fronteira. É que na Alemanha sentem-se protegi- à Holanda; se aí tiver um grave problema de saúde dos, porque ali a memória das práticas nazis ainda e for para o hospital, pode ficar sujeito à eutaná- está viva. Pelo menos, por enquanto. sia. . Com a liberalização desta prática, há médicos que Aura Miguel a propõem a pacientes crónicos com diabetes, com esclerose múltipla, sida ou cancro. Há mesmo ci- dadãos que, em autodefesa, transportam consigo um cartão contra a eutanásia chamado “passapor- te para a vida” ou “não-me-matem”. Com os idosos, o risco ainda é mais flagrante. É que, para além da falta de confiança nos médicos, a família também pode ser uma ameaça: um re- cente estudo da Universidade de Göttingen revela que em sete mil casos de eutanásia praticada na Holanda, 41% foram a pedido dos familiares. Mui- tos deles justificaram-se incapazes de lidar com a situação… r/com renascença comunicação multimédia, 2012

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