Aula Ecologia Ciclos BiogeoquíMicos 2009

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Aula Ecologia Ciclos BiogeoquíMicos 2009

  1. 1. BIOSFERA A Biosfera é a fraca camada superficial de terra onde há vida, onde pode haver vida e onde ela pode manter-se de forma permanente (HUTCHINSON, 1970). atmosfera TERRA hidrosfera biosfera ECOSFERA litosfera Características importantes da biosfera. Em relação ao raio da Terra (6.300km) o desenvolvimento da biosfera é pequeno como também por sua posição em relação aos ambientes marinhos e terrestres. Meio terrestre: superfície de 149 milhões de km2; altura média de 875m; profundidade máxima de penetração dos animais no solo de 20m, exceto certas bactérias; limite superior das florestas de 4.500m; limite superior para habitat humano de 5.200m (Andes); limite superior das fanerógamas de 7.000m, Stellaria decumbens (Monte Makalu); altitude atingida pelos pássaros em migração de 7.900m; altura máxima de 8.800m (Monte Everest). Meio marinho: superfície de 361 milhões de km2; profundidade média de 3800m; peixe que atinge profundidades mais profundas, Careproctus amblys tomopsis a 7.587m; fossa abissal mais profunda é de 11.034 (próximo às Ilhas Marianas, Pacífico). Toda a energia disponível na biosfera vem do sol. Parte dessa energia é utilizada por todos os seres vivos na fabricação de sua matéria orgânica (ciclo dos nutrientes) exceto para aqueles seres vivos que vivem nas proximidades de fontes hidrotermais submarinas que foram recentemente descobertos. Tema: Ciclos Biogeoquímicos. Os elementos químicos incluindo todos eles e, principalmente, os mais essenciais para a vida circulam na Biosfera em caminhos próprios e bem característicos que vão do ambiente para o organismo e deste para o ambiente. Esses caminhos são mais ou menos circulares e denominados ciclos biogeoquímicos. Relacionados a esses caminhos (de movimentos) cíclicos temos dois movimentos básicos dos elementos e compostos inorgânicos essenciais para a vida (=ciclagem dos nutrientes) o que pode ser dividido em dois compartimentos ou estoques básicos. São eles: 1- Estoque reservatório = compartimento grande, movimento lento e em geral não biológico; 2- Estoque de ciclagem ou lábil = compartimento de porção menor, movimento ativo que se move nos dois sentidos: do organismo para o meio ambiente e do meio ambiente para o organismo. Muitos elementos têm estoques de reservatórios múltiplos; outros elementos têm múltipos estoques de ciclagem (caso do nitrogênio). A partir da multiplicidade desses dois tipos de estoques, da grande reserva dos elementos químicos e, também, da multiplicidade da ciclagem (reservas a mão, lábil ou de movimento rápido) observa-se que esta movimentação ou circulação chamada de ciclos biogeoquímicos (= organismos + elementos químicos) se enquadram em dois grandes grupos básicos. São eles: 1- tipos gasosos, reservatório na atmosfera ou na hidrosfera; 2- tipos sedimentares, reservatório na crosta terrestre. Tudo isso ocorre no que pode ser chamado de ECOSFERA, ou seja: é o que forma a ECOSFERA.
  2. 2. Para que haja acionamento ou para que se inicie um ciclo de material é preciso uma força motriz = ENERGIA. Por isso é, importante estudar o BIÓTICO (organismos mais relações com o ambiente) e o ABIÓTICO (ambiente não vivo básico mais relações com os organismos) para compreender a ECOSFERA e os processos, pelo menos os principais, que nela ocorrem. Temos cerca de 30 – 40 elementos que são exigidos pelos organismos vivos que são os elementos essenciais, mas alguns elementos como o carbono, hidrogênio, nitrogênio, fósforo e enxofre são exigidos em grandes quantidades e outros em pequenas ou até minúsculas quantidades. Esses elementos essenciais (de grande ou menor necessidade) têm ciclos biogeoquímicos definidos enquanto os elementos não essenciais (= elementos não exigidos para a vida) apesar de menos ligados aos organismos também circulam e, freqüentemente fluem com os elementos essenciais seja pelo ciclo da água ou, porque têm afinidade química (=ligação química) com alguns desses elementos essenciais. Assim: BIO = vida e GEO = terra Geoquímica: estuda a composição química da terra; a troca de elementos entre diferentes partes da crosta terrestre (oceanos, rios, áreas continentais, etc.) estudando a síntese e a decomposição de todos os tipos de materiais e com ênfase no intemperismo. Biogeoquímica: estuda a troca de materiais entre os componentes vivos e não-vivos da Ecosfera. Os dois grandes reinos (vivo e não-vivo) do mundo natural não existem isoladamente um do outro porque a vida depende do meio físico. Por sua vez, os seres vivos também afetam o mundo físico: solo, atmosfera, lagos, oceanos e muitas rochas sedimentares devem suas características em parte às atividades das plantas e dos animais. O meio físico proporciona o necessário para a vida, mas também restringe ou limita a vida dos organismos de maneira que os organismos vivos funcionam dentro dos limites estabelecidos por leis físicas e, também, os elementos na natureza normalmente não estão distribuídos de forma homogênea. Os sistemas biológicos precisam utilizar energia para contrabalançar as forças físicas: gravidade; fluxo de calor; difusão e reações químicas. A capacidade de agir contra as forças físicas externas distingue o vivo do não-vivo. A vida é uma parte especial do mundo físico, mas existe em um estado de constante tensão com o seu entorno físico. Numa última análise, os organismos recebem sua energia da luz do sol e, seus nutrientes, do solo e da água e devido a isso precisam tolerar extremos de temperatura – umidade – salinidade e outros fatores físicos do seu entorno por isso ocorre uma grande TENSÃO entre os Reinos: Físico e Biológico devido a que: - a disponibilidade de nutrientes inorgânicos influencia a abundância da vida; - a luz é a fonte primária de energia para a biosfera. - a água tem muitas propriedades favoráveis à manutenção da vida: - todas as águas naturais contêm substâncias dissolvidas; - a concentração de íons hidrogênio afeta profundamente os sistemas ecológicos; - o carbono e o oxigênio estão intimamente envolvidos nas transformações biológicas da energia; - a disponibilidade de nutrientes inorgânicos influencia a abundância da vida; As cadeias alimentares que conduzem, desde os vegetais autótrofos aos consumidores e aos decompositores colocam em circulação os diversos elementos constituintes da matéria viva que estão presentes na biomassa. Dos cerca de 40 elementos com importância nos ciclos da matéria viva, dez são os mais importantes, sendo: carbono, oxigênio, nitrogênio, fósforo, enxofre, cálcio e potássio, os mais essenciais nesta ordem de importância.
  3. 3. Os ciclos biogeoquímicos reúnem o conjunto de processos que asseguram a reciclagem permanente e “mais ou menos” rápida desses diversos elementos, e que os fazem passar do estado orgânico ao estado mineral e vice-versa e isso ocorre com utilização de energia não reciclável que é degradada sob a forma de calor e nunca é reciclada (força unidirecional) vinda do SOL. A quantidade de elementos implicadas nos ciclos biogeoquímicos é muito grande e medida em milhões de toneladas (Mt) ou em bilhões de toneladas (Gt). Formas inorgânicas dos elementos: na atmosfera existem compartimentos onde ocorrem: carbono (C) e nitrogênio gasoso (N2) entre outros elementos; nas rochas da litosfera ocorrem cálcio (Ca) como constituinte do CaCO3 e fósforo (P) como feldspato; na hidrosfera ocorrem: água (H2O) no solo, em cursos de água, lagos e oceanos onde há nitrogênio sob a forma de nitrato dissolvido, fósforo sob a forma de fosfato e carbono como gás carbônico (CO2) Formas orgânicas: na biota (em organismos vivos e mortos em decomposição) onde ocorrem: carbono (C) em celulose ou gordura; nitrogênio (N) em proteína; fósforo (P) em moléculas de ATP e DNA, entre outros. Assim é fácil memorizar o que seja ou o que compreende a Biogeoquímica, ciência que estuda os processos químicos que ocorrem dentro desses compartimentos e, mais especificamente, dos fluxos de elementos entre eles, o que compreende os ciclos biogeoquímicos. Entretanto existem os fluxos que ocorrem na ausência de vida, pelo fato de que todas as formações geológicas acima do nível do mar sofrerem constantes processos de erosão e degradação (como os vulcões que liberam enxofre (S) para a atmosfera), com ou não organismos vivos presentes, porém recordando que os organismos vivos alteram a taxa de fluxo dos elementos pela extração e reciclagem de alguns compostos químicos do manancial geoquímico subjacente. Resumindo: os ciclos biogeoquímicos são processos naturais que por diversos meios e formas reciclam vários elementos em diferentes formas químicas do meio ambiente para os organismos, e depois, fazem o processo inverso, ou seja, trazem esses elementos dos organismos para o meio ambiente o que faz com que a água, o carbono, o oxigênio, o nitrogênio, o fósforo, o cálcio, entre outros elementos percorram esses ciclos unindo todos os componentes vivos e não-vivos e que um determinado elemento ou elementos químicos circulem através da atmosfera, hidrosfera, litosfera e biosfera (ECOSFERA) do Planeta. Aprender e apreender a ciclagem biogeoquímica torna-se uma necessidade de todos, conhecê-la e decifrá-la é importantíssimo. O impacto ambiental que um material potencialmente perigoso possa vir a causar ao meio ambiente e aos seres vivos que dependem direta ou indiretamente desse meio impactado para garantir a sua sobrevivência, é uma chamada bastante atual de contextualização desse Tema.
  4. 4. CICLO HIDROLÓGICO A água é abundante na maior parte da superfície terrestre e está geralmente na forma líquida. A água é um poderoso solvente daí ser um excelente meio para os processos químicos dos sistemas vivos. Propriedades térmicas da água: a) a água permanece líquida ao longo de um amplo intervalo de variação de temperaturas; b) a água conduz o calor rapidamente o que tende a espalhá-lo uniformemente através de um corpo de água; c) a água resiste à mudança de estado entre as fases sólida (gelo), líquida e gasosa (vapor d’ água); d) a água se torna menos densa à medida que resfria abaixo de 4ºC; e) a água é mais densa do que o ar e por isso ela serve de sustentação para muitos seres aquáticos; f) a água é viscosa, o que significa que ela resiste ao fluxo ou ao movimento de um corpo. Em relação à compreensão do ciclo hidrológico a água está em constante mudança de estado físico (gasoso: vapor de água; sólido: granizo; neve; gelo e líquido: chuvas, águas superficiais e aqüíferos) e em trocas permanentes entre: aqüíferos – lagos – mares e oceanos – seres vivos – atmosfera. É importante ressaltar que o Sol é o grande motor do ciclo hidrológico; as precipitações são maiores do que as evaporações nos continentes e menores do que as evaporações nos oceanos; o equilíbrio no ciclo da água é devido também aos aportes dos rios e a infiltração nos continentes. A água sob forma líquida na superfície da Terra sofre evaporação e passa para a atmosfera. Nas camadas mais altas da atmosfera sofre resfriamento e os vapores de água condensam-se formando as nuvens e voltando a superfície da terra sob a forma de chuva. Quando há um resfriamento excessivo na atmosfera os vapores de água sofrem condensação seguida de solidificação originando a neve (nevada) ou gelo (granizo) que podem cair na superfície da Terra. Os seres vivos absorvem ou ingerem água. Parte dessa água retorna ao ambiente pela respiração – excreção – transpiração – decomposição. A água dentro do corpo dos seres vivos participa de vários processos como: solvente (metabolismo); reagente (fotossíntese); produto de reações químicas (excreção). No ciclo hidrológico os oceanos constituem a principal fonte de água; a energia radiante provoca a evaporação da água para a atmosfera, os ventos a distribuem por toda a superfície do globo e a precipitação a devolve para a Terra onde a água pode ser armazenada (aqüíferos subterrâneos; lagos, rios, córregos, icebergs, regiões de gelo, seres vivos) durante certo período de tempo. Toda essa água assim distribuída e reservada retorna finalmente para os oceanos. Compartimentos de água e percentual quantitativo: nos oceanos = 97,3%; no gelo das calotas polares e glaciais = 2,06%; na água subterrânea de profundidade = 0,67%; nas águas de rios e lagos = 0,01%. Já o percentual das águas em trânsito em qualquer momento é muito pequeno, sendo igual a 0,08%. São: a água que drena através do solo; a água que flui ao longo dos rios e a água como nuvens e vapor. Estes 0,08% são muito importantes tendo papel decisivo tanto para suprir os requisitos à sobrevivência dos organismos vivos e a produtividade da comunidade como também para servir de transporte de muitos nutrientes químicos. Ainda é importante considerar que a vegetação terrestre pode modificar significantemente os fluxos que nela ocorrem; a água é transportada dentro da planta indo do solo para as raízes, chega até o caule e sai pelas folhas através do processo de transpiração podendo acontecer perda de água também sob a forma de vapor (transpiração) pela epiderme de outros órgãos. Caso não houvesse vegetação, parte da água incidente evaporaria na superfície do solo, mas o restante entraria no fluxo de água corrente através do escoamento superficial e descarga para a água subterrânea.
  5. 5. CICLO DO NITROGÊNIO O nitrogênio é um elemento de grande importância porque faz parte da constituição das proteínas e ácidos nucléicos e também é componente de um nucleotídio essencial a todos os seres vivos da Biosfera que é o ATP (adenosina trifosfato). O nitrogênio está presente em grande quantidade no ar sob a forma de N2, entretanto são poucos os seres vivos que conseguem assimilá-lo nesta forma. Por exemplo, alguns tipos de bactérias, cianobactérias e fungos que vivem livres no solo ou associados às raízes de plantas são capazes de executar este processo. O nitrogênio que pode ser utilizado pelos seres vivos é o combinado com o hidrogênio (NH3 = amônia). Então, no ciclo do nitrogênio ocorrem as seguintes fases para que o mesmo seja aproveitado em sua essência nas diversas formas de vida (ciclagem): O N utilizável pelos seres vivos é o NH3 (amônia) e essa transformação é chamada de fixação. Ocorrem dois tipos de fixação: fixação física resultado de processos físicos como os relâmpagos e faíscas elétricas. Entretanto, a produção de amônia por esses processos é muito pequena e não preenche as necessidades dos seres vivos. Então, a fixação do nitrogênio de maior importância em termos de quantidade é a fixação biológica ou biofixação que é realizada por bactérias, algas azuis e fungos que vivem livres no solo ou associados às raízes de plantas (principalmente leguminosas). Assim quando os decompositores iniciam sua ação sobre a matéria orgânica (que possui nitrogênio), liberam diversos resíduos para o ambiente e um desses é a amônia (NH3) que então se combina com a água do solo e forma hidróxido de amônio (NH4OH) que vai se ionizar formando o íon amônio (NH4+) e hidroxila (OH-) que é o processo chamado amonificação. Resumindo: 1- Amonificação ou amonização: é a decomposição de proteínas em seus componentes aminoácidos por hidrólise e também a oxidação do carbono nos aminoácidos o que resulta em produção de NH3 (amônia). No processo de amonificação, o carbono é oxidado liberando energia, mas o átomo de N não sofre oxidação e, sendo assim, sua energia potencial não muda durante a amonificação. A oxidação dos íons amônio produz nitritos como resíduos nitrogenados que por sua vez são liberados para o ambiente ou oxidados para nitrato (nitrificação) processo que ocorre pela ação de bactérias nitrificantes (Nitrossomonas; Nitrosococus; Nitrobacter). Resumindo: 2- Nitrificação: envolve a oxidação do N de amônia (NH4+) para nitrito (NO2-) e após este para nitrato - (NO3 ). Nessas etapas há liberação da energia química potencial do nitrogênio orgânico. Cada passo é realizado por bactérias: NH4+ ___ NO2- Ex.: através das Nitrossomonas no solo e Nitrosococcus nos sistemas marinhos NO2- ____ NO3- Ex.: através das Nitrobacter no solo e por Nitrococcus no meio marinho Também em solos e em sedimentos anaeróbicos alagados e em fundos d’água com pouca oxigenação pode ocorrer que o nitrato e o nitrito estejam mais oxidados de que o ambiente circundante e eles mesmos possam agir como oxidantes e, então ocorre o que se chama desnitrificação com o nitrogênio reduzido a óxido nítrico (NO) o que é executado por bactérias como, por exemplo, Pseudomonas denitrificans (Pseudomonas – grupo heterótrofas): NO3- (nitrato) --- NO2- (nitrito) ---- N2 (nitrogênio molecular). A desnitrificação é importante para a decomposição da matéria orgânica em solos e sedimentos onde há baixa concentração de oxigênio, mas também pode incorrer em perda de nitrogênio dos solos, que escapa
  6. 6. como gás. Esta perda de nitrogênio disponível pode ser contrabalançada pela fixação deste N2 na atmosfera que é realizada por bactérias - Azobacter (vida livre) e Rhizobium (simbiose com raízes de plantas) - e também por cianobactérias, e assim este nitrogênio “perdido” vai ser aproveitado e fixado novamente através dessas bactérias. O N2 é um fator limitante muito importante no ciclo vital da matéria porém, atualmente, está ocorrendo excesso do mesmo e os efeitos adversos desse excesso é preocupante: “nem tão pouco nem tão muito “. Este excesso decorre das atividades humanas (produção e utilização de fertilizantes; cultivos de leguminosas; a queima de combustíveis fósseis; esgotos humanos e excrementos animais) que debita em escala mundial cerca de 140 Tg/ano* de N (Nitrogênio Molecular) novo no solo, nas águas e no ar, o que corresponde quase às estimativas de N2 fixado de forma natural. O problema é que a maioria dos ecossistemas naturais e a maioria das espécies nativas estão adaptadas aos ambientes com baixos teores de nutrientes. O enriquecimento com o nitrogênio ou mesmo com outros nutrientes abre as portas para espécies oportunistas “daninhas” que estão adaptadas às condições de altos teores de nutrientes o que leva a substituição de espécies nativas por ervas exóticas resultando em biodiversidade reduzida. Qualquer processo que seja pernicioso para os ecossistemas naturais torna-se também prejudicial ao homem. Exemplo disso: excesso de componentes nitrogenados na água de abastecimento, na comida e no ar põe a saúde humana em risco. Excesso de NO3 na água causado por leguminosas exóticas pode envenenar águas subterrâneas. Daí. Enriquecimento por N vem reduzindo a biodiversidade e aumentando o número de pragas e doenças no mundo além de afetar a saúde humana. CICLO DO CARBONO O Carbono é o elemento básico da vida. Os estoques reservatórios atmosféricos do Carbono são muitos e pequenos e, também, muito vulneráveis às perturbações produzidas pelo homem. São reservatórios do Carbono: a) no solo (turfas) (1050 – 3000 Gt C); nos vegetais (550 Gt C); combustíveis fósseis (10.000 Gt C); oceano na forma de carbonatos dissolvidos, sendo o principal reservatório de carbono com cerca de 35.000 de Gt C, enquanto a atmosfera tem 750 Gt C sob a forma de CO2. O ciclo do carbono consiste na fixação do carbono pelos seres autótrofos através da fotossíntese ou da quimiossíntese. A respiração, fermentação e a fotossíntese são processos opostos que governam o ciclo do carbono. A fotossíntese incorpora o carbono das moléculas de CO2 do meio de maneira que as transformam em moléculas orgânicas que ficam disponíveis para os produtores e, através da cadeia alimentar, para os consumidores e decompositores e retornam ao meio ambiente pelos processos de respiração ou da fermentação. É, portanto um ciclo, predominantemente, gasoso, com o CO2 como o veículo principal de fluxo entre atmosfera – hidrosfera – biosfera. O CO2 também é liberado para a atmosfera na queima de combustíveis fósseis (carvão mineral – petróleo – óleo “diesel”). Historicamente a litosfera tem desempenho pequeno neste ciclo. Os combustíveis fósseis se mantiveram como reservas dormentes de carbono até séculos mais recentes. No início da era industrial, aproximadamente no ano de 1850, a concentração de CO 2 na atmosfera era de 265 – 290ppm; em 1992 de 355ppm e atualmente 370ppm, aumento esse que tem causado preocupações. Na realidade o aumento de CO2 na atmosfera não é tão rápido assim e supõe-se que os oceanos são “grandes” estocadores de CO2, mais do que se pensa. Assim o mar deve ser um eficiente tamponador de CO2 atmosférico, porque ele e a atmosfera equilibram-se entre si o que permite o mecanismo de controle básico do CO2.
  7. 7. O ciclo do CO2 na atmosfera e nos oceanos é relativamente rápido com três tipos de processos, o que faz com que o carbono circule através dos ecossistemas aquáticos e terrestres: a) reações assimilativas e desassimilativas de carbono (fotossíntese e respiração, principalmente); b) troca de dióxido de carbono entre a atmosfera e os oceanos; c) sedimentação de carbonatos. Fontes de CO2: respiração e fermentação dos seres vivos; oceanos quentes (que mantém menos CO 2); queima de combustível fóssil; desmatamentos; queimadas. Duas outras formas de carbono estão presentes em pequenas quantidades na atmosfera, são: monóxido de carbono (CO) com cerca de, 0,1 ppm e metano (CH4) com cerca de 1,6 ppm. Estes dois gases são produto da decomposição incompleta ou anaeróbica da matéria orgânica. Quando na atmosfera, os dois são oxidados para CO2. O metano é um gás incolor e inflamável produzido de forma natural pela decomposição de matéria orgânica por bactérias anaeróbicas, especialmente em pântanos de água doce, campos de arroz inundados e no trato digestivo de ruminantes como do gado e de cupins e, também, atualmente, sua quantidade tem sido muito maior pelo efeito de atividades humanas relacionadas a aterros sanitários, uso de combustíveis fósseis, perturbações geoquímicas associadas às minerações e perfurações de combustíveis fósseis. O metano também é um importante componente do gás natural. O Metano é um gás de efeito estufa e do ponto de vista molecular absorve 25 vezes mais calor que o CO2. Seu tempo de residência na atmosfera é de cerca de nove anos, enquanto o de CO 2 é de seis anos. Em outras épocas a concentração de metano foi muito alta e, assim, seu aumento pode contribuir para o aquecimento global. Na Sibéria e no Alasca vem acontecendo, por conta do aquecimento global contínuo, derretimento dos hidratos de metano no “permafrost” ou no assoalho do mar O monóxido de carbono (CO) é um veneno mortal para os seres humanos e, embora não seja uma ameaça do ponto de vista global vem a cada ano se tornando preocupante poluente para as áreas urbanas quando o ar fica estagnado. Resumindo: As plantas terrestres (terrícolas) utilizam o CO2 com fonte de carbono para a fotossíntese. As plantas aquáticas e as algas usam os carbonatos dissolvidos (= carbono da hidrosfera) CO2 atmosfera  CO2 dissolvido CO2 + H2O  H2CO3 (ácido carbônico) O carbono que migra para as águas continentais e oceânicas o faz como bicarbonato devido ao intemperismo (carbonatação) de rochas ricas em Ca (cálcio) como as rochas calcárias. CO2 + H2O + CaCO3  CaH2 (CO3)2 carbonato bicarbonato As plantas, os animais e os microorganismos, ao respirarem, liberam o carbono retido nos produtos derivados da fotossíntese de volta para os compartimentos de carbono da atmosfera e da hidrosfera. A concentração de CO2 na atmosfera tem aumentado muito nos últimos anos e a causa principal do aumento tem sido a queima de combustíveis fósseis e também a utilização de calcário para produzir cimento (menos do que 2% do CO2 liberado na queima de combustíveis fósseis).
  8. 8. Juntos: combustíveis fósseis + calcário + mudanças no uso da terra + exploração de florestas tropicais + agricultura permanente + agricultura cíclica + retirada de madeira + queima + decomposição de plantas são os responsáveis pelo aumento médio líquido de carbono na atmosfera. Os problemas: - da agricultura permanente: o conteúdo de carbono do solo é reduzido pela decomposição da matéria orgânica, pela erosão e também pela remoção mecânica das camadas superiores do solo; - da agricultura cíclica: tem efeitos similares à agricultura permanente, mas a regeneração da vegetação herbácea e da floresta secundária durante o período de pouso “seqüestra” uma parte do carbono perdido originalmente; - com a exploração da madeira é o mesmo processo. - nas florestas não tropicais (temperadas) as mudanças no uso da terra parecem ter um efeito insignificante sobre a liberação de CO2 para a atmosfera por que nestas florestas há o fator sazonal já nas florestas tropicais a dimensão do problema é bem maior. Distribuição do carbono em regiões tropicais e temperadas da Terra: 1- Regiões tropicais > 75% na vegetação e < 25% no solo. 2- Regiões temperadas < 50% na vegetação e > 50% no solo. É devido a isso que as regiões tropicais desmatadas não sustentam plantações agrícolas por muitos anos, pois logo esgotam os nutrientes; as regiões temperadas podem sustentar plantações por muitos anos porque a maioria dos nutrientes está presa no solo. Por essa razão as populações da atualidade desenvolveram- se em regiões temperadas.

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