A dança psicossomática

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A dança psicossomática

  1. 1. A Dança Psicossomática Alex Sandro Gonzaga (PIBID/CAPES/UERGS) Orientadora: Profª Drª Cristina Rolim Wolffenbüttel (PIBID/CAPES/UERGS) Resumo: A pesquisa investiga o comportamento psicomotor de mulheres sedentárias procurando identificar quais elementos podem caracterizar algumas dificuldades expressas por estas mulheres, relativas a habilidades como cantar, fazer gestos e interpretar durante as aulas de dança. Em um momento inicial da pesquisa houve um estranhamento por parte do investigador diante destas visíveis inabilidades, considerando-se que estas mulheres viveram intensamente uma época marcada por alguns cantores muito populares e, no entanto, no momento da prática da dança, as mesmas não conseguirem externar vocal ou corporalmente as canções tão popularizadas e vividas pelas mulheres. A metodologia utilizada foi a abordagem qualiquantitativa, sendo um estudo longitudinal, desenvolvido ao longo de cinco anos, com mulheres frequentadoras de academias na grande Porto Alegre. A etapa inicial configurou-e qualitativa, e a final, quantitativa. O referencial teórico incluiu autores que tratam da dança psicossomática. Com base nos teóricos, a dança psicossomática se define como um processo de corpo influenciado pelo estado emocional. Palavra-chave: dança psicossomática, mulher, psicossomático. A Dança Psicossomática Existem duas realidades distintas com que se depara o profissional de dança. O início do processo de desenvolvimento do corpo para dança das crianças, ou o início do processo de redescoberta do corpo por parte do adulto. Esse passo, que poderíamos considerar corajoso, exige que o praticante deixe seus preconceitos e, gradativamente, imbua-se de suas próprias resoluções de vida, porém, alteradas. A dança psicossomática, nesta perspectiva, pode servir somo orientação de propostas de como, onde e quando atingir o aluno, de forma a conduzi-lo a rever suas atitudes para com seu próprio corpo. É por esse motivo que o profissional de dança está sempre atento à faixa etária das praticantes, para que possa trazer músicas e fazer arranjos que possam de alguma forma tocá-las, possibilitando esta exposição gradativa, saindo de um certo ostracismo que é muito prejudicial. 1º ENCONTRO INTERINSTITUCIONAL DO PIBID-UERGS/2º ENCONTRO INSTITUCIONAL DO PIBIDUERGS/2º SEMINÁRIO ARTE E EDUCAÇÃO NA UERGS 14, 15, 16 de março de 2013 – MONTENEGRO/RS
  2. 2. A dança psicossomática auxilia a detectar o desenvolvimento ou não do processo de inteligência emocional, bem como possibilita o diagnóstico das participantes, no que diz respeito às personalidades. Desse modo, esta investigação utiliza-se das teorias de Jung (1995), Wallon (apud DANTAS, 1983) e, principalmente, Izquierdo (2002). Particularmente em se tratando de Izquierdo (2002), a dança atua nos processos de memória implícita e explícita, como no caso de uma participante de aula de dança que viveu a Era do Rock in Roll 1 e, no entanto, mostrou-se incapaz de evocar a letra da música “Kiss me Quick” 2, bem como organizar um movimento de quadril que lembrasse a dança da época. Assim, ao tratar de dança psicossomática, fala-se de um processo de dança que investiga fragmentos de memória da praticante, permitindo-lhe recordar de ações que não tiveram sentido na época, mas que, de alguma forma, e por algum motivo, foram retidas, fixadas e consolidadas, bastando evocá-las, sendo esse um dos papéis da dança psicossomática. O Comportamento da Praticante A pesquisa objetiva observar, descrever e analisar o movimento de dança da mulher sedentária, através de seu comportamento psicomotor, relevando seu histórico de vida, assim como a influência direta e indireta da não vivência de dança na escola. A concepção de dança psicossomática fundamenta-se em Garaudy (1980) e Fux (2012). Para Garaudy (1980), a linguagem corporal é importante no processo de aprendizagem. Para o autor “dançar é vivenciar e exprimir, com o máximo de intensidade, a relação do homem com a natureza, com a sociedade, com o futuro e com seus deuses” (p.14). Além disso, o autor explica que a “dança não é apenas uma arte, mas um modo de viver”. Para a pessoa que “dança é um modo de existir”, sendo “um modo total de viver o mundo” (p.13). 1 O rock and roll (conhecido como rock'n'roll) foi um estilo musical surgido nos Estados Unidos no final dos anos de 1940 e início dos anos 1950, com raízes na música country, blues, R&B e música gospel e, rapidamente, se espalhou para o resto do mundo. 2 Esta canção, popularizada por Elvis Presley, data de 1975. 1º ENCONTRO INTERINSTITUCIONAL DO PIBID-UERGS/2º ENCONTRO INSTITUCIONAL DO PIBIDUERGS/2º SEMINÁRIO ARTE E EDUCAÇÃO NA UERGS 14, 15, 16 de março de 2013 – MONTENEGRO/RS
  3. 3. Fux (2012), outra autora que fundamenta esta investigação (2012), trata da “dançaterapia”. Para a autora, após a absorção do processo da dança, a aula passa a ser um momento de reflexão para a praticante. De acordo com a autora, a dança um uma espécie de reconhecimento para quem a pratica. Dançando de dentro para fora e reconhecendo-nos através de nossos corpos, sentimo-nos melhor. Primeiro nos aceitamos e depois aos outros. A dançaterapia é um caminho aberto para a integração total, já que o corpo assim estimulado faz aparecer áreas adormecidas que nos transformam; ao expressá-las, representamos nosso mundo oculto e nos sentimos melhor. (FUX, 1998, p.23). Do mesmo modo, Fux (1998) explica que: Viver compreendendo que devemos conhecer nossos limites para ir deslocando-os, para que se organizem, e com nossos não posso ir ao encontro dos sim, posso que surgem em nós quando nos enfrentamos com alguém que necessita de nossa experiência no movimento. (FUX, 1998, p.98). É importante frisar que a manifestação de dança psicossomática, foco desta pesquisa, pode ser detectada quando se percebe alguns fatores impeditivos no processo de psicomotricidade da aluna. Dentre estes, vale citar a significativa dificuldade de executar uma cinesiologia de deslocamento com características como: pisar com a ponta do pé estendida, planta flexão; realizar ambulação com a planta flexão; pé evertido durante o deslocamento lateral; leve ângulo de elevação do calcanhar; abduzir quadril na direção da eversão do pé; aduzir cintura escapular para ver o quadril lançado; abdução de braços auxilia no equilíbrio do corpo; campo visual focado na projeção de seu pé e quadril. Além disso, um deslocamento com recuo, também se constitui dificuldade momentânea para a aluna iniciante e que ainda se bloqueia para propostas do corpo, como: não olhar para trás; manter com a cabeça à altura dos ombros; dar largas passadas para trás; passadas devem ser cruzadas; não flexionar a caixa torácica e mantenha-a ereta. Segundo Wallon apud Dantas 1º ENCONTRO INTERINSTITUCIONAL DO PIBID-UERGS/2º ENCONTRO INSTITUCIONAL DO PIBIDUERGS/2º SEMINÁRIO ARTE E EDUCAÇÃO NA UERGS 14, 15, 16 de março de 2013 – MONTENEGRO/RS
  4. 4. (1983), toda a emoção se nutre do efeito que causa no outro, visto que a emoção produz reação no ambiente. Quanto mais o aluno demonstrar afeto e sentir-se bem nesta demonstração, mais será encorajado a praticá-la, porque quanto mais sentimental, melhor será sua capacidade de compreender a si mesmo. Para lidar melhor com a situação externa, a dança propicia que se conheça o sentimento interno. O objetivo é conduzir para uma saúde emocional, já que a emoção é contagiante e proporciona uma experiência que se dilui com qualquer bloqueio que a função principal da personalidade possa ofertar como resistência de permeabilidade ao exercício de sentir e analisar o que sente. Também, se fortalece com a sua singularidade, ainda que haja um sentimento forte de ligação para com os demais alunos, confirmando sua participação no grupo e eliminando o sentimento de solidão que, por vezes, é presente em sua vida. O aluno vivencia uma experiência singular e individual, com possibilidade de externar seu sentimento. Mas, também é uma experiência grupal, uma vez que escuta a mesma música e está exposta a mesma proposta de gesto e ritmo, estabelecendo uma sintonia afetiva que produz uma coesão de grupo. A dança invade o ser humano e ultrapassa a diversidade social, na garantia que o potencial de habilidade se fixe e auxilie na obtenção da expressão do corpo, bem como da sintonia com a música, produzindo certa catarse, pois permite que o aluno sinta o que está guardado e se envolva numa proposta de terapia, a terapia da dança, já referida por Fux (2012). No laboratório de dança, local em que o profissional de dança observa o comportamento psicomotor de sua aluna, na intenção de capturar um sentimento de tensão e inquietude da mesma. A proposta é reverter essa ou qualquer outra situação psicossomática vista em seu movimento, posto que perceba um ambiente de escuta em que pode evocar seu ato consciente e inconsciente. Cada reação comportamental é rica para análise, ainda mais que o indivíduo que faz dança é um elemento social frágil em seu emocional. É importante que o professor de dança estabeleça um canal de comunicação que se utiliza do conteúdo programático estabelecido pelo aluno, ou seja, seu movimento genuíno. O foco é instigar todo e qualquer valor 1º ENCONTRO INTERINSTITUCIONAL DO PIBID-UERGS/2º ENCONTRO INSTITUCIONAL DO PIBIDUERGS/2º SEMINÁRIO ARTE E EDUCAÇÃO NA UERGS 14, 15, 16 de março de 2013 – MONTENEGRO/RS
  5. 5. humano necessário para evocar o melhor sentimento interno possível, de modo que essa metodologia proposta tenha por objetivo estruturar a opinião própria do aluno e, de modo verdadeiro, afastar a necessidade da existência do dito “talento” para dançar. Uma Mulher Potencializada A primeira mudança na mulher que dança e que vence as cargas emocionais que antes determinavam a sua proposta de dança é visível na construção de sua forma de pronunciar as palavras. Este é um importante elemento de análise da mecânica de palato bucal, responsável por qualificar toda a intensidade vocálica. A palavra falada é de suma importância no processo de fixação de uma imagem sonora (movimento relacionado ao som) e que também está interligada à imagem motora do aluno (cinesiologia). O detalhe é que a memória episódica, a implícita de representação percentual e a de procedimento, capturam fragmentos de lembrança sonora e visual que se congruem e trocam informações preciosas para a concepção de um ato motor pensado, elemento que faltou no caso daquela aluna que não lembrou da canção tão conhecida, como no exemplo da canção “Kiss me quick”, Elvis Presley. Ao iniciar uma aula, a memória explícita episódica e a semântica acionam fragmentos de vivências que evocam o registro de tudo que acontece no dia a dia do indivíduo, inclusive uma aula de dança ocorrida na semana anterior, por exemplo. Todo aluno possui uma capacidade única de resgatar cada fragmento de lembrança da memória episódica, de modo que o estudo da cinesiologia da dança se ocupa em explorar esse potencial de resgate. A expressão do corpo é um conjunto de emoções que ajudam a formatar a identidade emocional do indivíduo. Assim, cabe ao professor de dança encontrar meios de fazer essa informação ser guardada através de um processo que visa repetir, fixar, reter, consolidar, aprender e tornar sentimento uma vivência. O processo de optar por um movimento é um processo de constante mudança de decisão em plena ação, fato que se concretiza quando se avalia o 1º ENCONTRO INTERINSTITUCIONAL DO PIBID-UERGS/2º ENCONTRO INSTITUCIONAL DO PIBIDUERGS/2º SEMINÁRIO ARTE E EDUCAÇÃO NA UERGS 14, 15, 16 de março de 2013 – MONTENEGRO/RS
  6. 6. desempenho cinesiológico da dança de forma separada. Durante o ato psicomotor, a sustentação do mesmo só ocorre através da intervenção do cerebelo, o qual garante que o movimento se perpetue, ou cesse. O cerebelo ajuda a consolidar uma propriedade aprendida, fruto da ação da memória implícita de representação percentual, perante a proposta de evocar com determinada lembrança. Durante um laboratório de dança evidencia-se a importância de cada área solicitada pelo corpo, forçando-nos a executar, sempre que possível, uma avaliação cinesiológica. Dentre estas avaliações, encontram-se: a flexão da caixa torácica da praticante; a contração abdominal; a flexão plantar ao envolver os posteriores de perna; a elevação do braço ao envolver o deltóide acromial; a cintura escapular ao envolver os rombóides. As técnicas de dança exigem a explosão muscular de vários grupos musculares durante considerável tempo de atividade. A salsa e o samba, por exemplo, exige uma espécie de “agonia” de quadríceps e posteriores de perna, assim como a dança flamenca trabalha anteriores de perna que ocasionam leve dorsiflexão. É no laboratório que o educador capta resquícios inatos de uma habilidade dormente, os quais permitirão traçar uma diretriz que corresponde à singularidade do indivíduo. É na academia de ginástica que a aluna mudará suas concepções e irá absorver uma vivência singular. Tal atitude tem como reflexo um ser humano pronto para suprimir com o imediatismo que a sociedade impõe através de diversões e distrações que só nos fazem andar em círculos e por conseqüência interrompe com o exercício de livre-pensador. Assim, a dança psicossomática faz o registro de cada fragmento do aluno e capacita-o para um exercício mais efetivo de sua corporeidade, visto que ninguém gosta de se considerar inabilitado ou inapto. Metodologia e Resultados da Pesquisa A presente investigação partiu do referencial teórico apresentado anteriormente, bem como dos seguintes questionamentos: Quem é a mulher que sai de sua casa, muitas vezes sem saber o que é dança, ou, com uma 1º ENCONTRO INTERINSTITUCIONAL DO PIBID-UERGS/2º ENCONTRO INSTITUCIONAL DO PIBIDUERGS/2º SEMINÁRIO ARTE E EDUCAÇÃO NA UERGS 14, 15, 16 de março de 2013 – MONTENEGRO/RS
  7. 7. imagem oriunda da mídia da mesma? Quem é o profissional que irá desenvolver as atividades de dança com as mulheres que recorrem à dança? Assim, a pesquisa pretendeu evidenciar a atitude de dança da mulher urbana, mergulhada num processo de globalização que ignora a sua necessidade de escuta emocional. A metodologia utilizada foi a abordagem qualiquantitativa, sendo um estudo longitudinal, desenvolvido ao longo de cinco anos, com mulheres frequentadoras de academias na grande Porto Alegre. A etapa inicial configurou-e qualitativa, e a final, quantitativa. O primeiro procedimento de coleta de dados, qualitativo, foi baseado na observação das participantes das aulas, sendo anotadas suas reações diante das propostas de atividades corporais. Dentre os dados obtidos, observou-se que as participantes: • não reagem à música; • desconhecem o intérprete das canções; • evitam cantar juntamente com a prática da dança; • perdem o foco durante a dança; • são reticentes quanto ao toque durante as práticas de dança; • ficam impacientes. Em uma segunda etapa, o procedimento foi quantitativo, sendo anotados os dados com participantes da grande Porto Alegre quanto às propostas mencionadas anteriormente, bem como registrando as respostas originadas dos estímulos oferecidos. Tabela do Número de Participantes Investigadas na Grande Porto Alegre Cidades Campo Bom Canoas Dois Irmãos Estância Velha Esteio Ivoti Novo Hamburgo Porto Alegre São Leopoldo Sapucaia 2009 23 35 21 20 25 25 80 56 35 12 2010 30 68 20 15 35 32 125 108 49 20 2011 41 71 31 28 35 32 120 145 48 23 2012 80 90 66 44 40 50 161 210 66 34 1º ENCONTRO INTERINSTITUCIONAL DO PIBID-UERGS/2º ENCONTRO INSTITUCIONAL DO PIBIDUERGS/2º SEMINÁRIO ARTE E EDUCAÇÃO NA UERGS 14, 15, 16 de março de 2013 – MONTENEGRO/RS
  8. 8. Nota-se no quadro acima, que nas regiões distantes da Metrópole ocorre uma visão comportamental diferenciada em relação à dança, visto que poucas mulheres se permitem experimetar uma mudança de habitos, pois estão fortemente precionadas por um cotidiano doméstico que lhes priva de conhecer outras pessoas e a si própria. Tabela do Número de Participantes que desistiram Cidades Campo Bom Canoas Dois Irmãos Estância Velha Esteio Ivoti Novo Hamburgo Porto Alegre São Leopoldo Sapucaia 2009 10 15 08 08 02 11 23 12 11 05 2010 11 12 11 01 05 06 30 19 09 10 2011 15 25 10 10 08 17 33 31 10 12 2012 32 21 21 11 10 10 25 26 16 17 O quadro acima reflete a situação de mulheres que acabam desistindo da dança, pressionadas por frases do meio familiar, tais como: “O que você quer fazendo dança nessa idade?”, ou ainda, “Você quer perder peso? É só parar de comer tanto!”, que refletem o grau de desampro que as mesmas sofrem. Tabela do Número de Participantes que Persistiram Cidades Campo Bom Canoas Dois Irmãos Estância Velha Esteio Ivoti Novo Hamburgo Porto Alegre São Leopoldo Sapucaia 2009 08 11 08 04 10 05 34 27 12 03 2010 06 26 05 03 18 12 49 39 21 06 2011 04 29 11 08 19 11 57 73 25 16 2012 13 39 22 14 27 20 71 89 36 19 Este quadro apresenta dados das mulheres que conseguiram perceber a importância da dança, de modo que não desistiram, mesmo com as barreiras sociofamiliares, se mantiveram praticantes em dilogar consigo e com a sociedade 1º ENCONTRO INTERINSTITUCIONAL DO PIBID-UERGS/2º ENCONTRO INSTITUCIONAL DO PIBIDUERGS/2º SEMINÁRIO ARTE E EDUCAÇÃO NA UERGS 14, 15, 16 de março de 2013 – MONTENEGRO/RS
  9. 9. através do corpo, estando em sintonia com o que Fux (2001) explica ser a dança terapêutica. Considerações Finais A pesquisa, que se encontra em sua fase final, descreve uma mulher que tem dificuldade de dançar e que apresenta barreiras emocionais que a impedem de iniciar, organizar, manter ou alterar gestos. Sua condição sedentária, somada a uma vivência psicomotora inconsistente na escola, contribuem para a concepção de dança psicossomática. A pesquisa alerta à importância de um plano de aula de dança artísticopedagógica que atenda a diversidade cultural, com foco na construção emocional da praticante. Potencializar a psicomotricidade é minimizar com os efeitos emocionais, como alertava Le Boulch, (1982). Dançar com propriedade de movimento é fruto de vivência fixada, retida e consolidada, à medida que aumenta a velocidade de transmissão do impulso nervoso, bem como se intensifica com o grau de comportamento psicomotor, resultando em plasticidade. A dança intensifica a plasticidade a cada nova atividade cerebral fixada, pois, fornece infinitas possibilidades de modificar sua estrutura neural original, à medida que cria inúmeras novas rotas neurais para o mesmo elemento fixado e que caracterizam a sua plasticidade. A dança se converte em atividade de significativo grau intelectivo, pois condensa uma multiplicidade de informações do ser humano, de maneira que o principal detalhe reside no fato que a qualquer instante a intelecção pode ser acessada pelo indivíduo que potencializa a sua capacidade de evocar fragmentos memoriais. Entende-se que a dança constrói um indivíduo seguro, decidido, convicto e focado em fazer algo, indiferente de sua personalidade, pois, gradativamente, a dança lhe faz perceber que ações e construções devem ser feitas, mesmo que sob pressão, o ser humano é um palco de decisões que não gosta e não quer fazer, mas, infelizmente, precisa. Há quem diga que nossa virtude como espécie animal racional não é pensar, mas, construir lastro psicológico que possibilite decidir no que pensar e com isso estabelecer mudanças. 1º ENCONTRO INTERINSTITUCIONAL DO PIBID-UERGS/2º ENCONTRO INSTITUCIONAL DO PIBIDUERGS/2º SEMINÁRIO ARTE E EDUCAÇÃO NA UERGS 14, 15, 16 de março de 2013 – MONTENEGRO/RS
  10. 10. A dança permite que o indivíduo se separe dele mesmo, um processo muito investigado pela Educação Somática nos seus mais divergentes teóricos. Através de exercícios de alongamento e conscientização corporal objetiva reeducar os hábitos psicomotores do cotidiano funcional e que são danosos à população. A dança flutua por águas muito próximas da educação somática e investiga com êxito as propriedades que substanciam a mudança de sensações, as inteligências emocionais e demais elementos que permitem ao indivíduo que se autoavalie e experimente tatear seus sentimentos. A dança, por fim, permite uma espécie de educação somática que leva à mudança psicológica e permite ao aluno compreender circunstâncias externas que conflitam com internas. Situações que antes atormentavam e causavam certo desconforto, mas que, agora, podem ser enfrentadas e diluídas. 1º ENCONTRO INTERINSTITUCIONAL DO PIBID-UERGS/2º ENCONTRO INSTITUCIONAL DO PIBIDUERGS/2º SEMINÁRIO ARTE E EDUCAÇÃO NA UERGS 14, 15, 16 de março de 2013 – MONTENEGRO/RS
  11. 11. Referências DANTAS, Heloysa. A infância da razão: uma introdução à psicologia da inteligência de Henri Wallon. São Paulo: Manole, 1990. FUX, María. Dançaterapia. Disponível em: <http://www.Dancaterapiadmt.Com.Br/depoimentos.Htm acessado em 11/09/2012. ____. Dançaterapia. Traduzido por: Beatriz A. Cannabrava. 3.ed. São Paulo: Summus, 1988. GARAUDY, Roger. Dançar a vida. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1980. IZQUIERDO, Ivan. Memória. Porto Alegre: Editora Artmed, 2002. JUNG, Carl Gustav. O homem à descoberta de sua alma. Porto: Editora Tavares Martins,1975. LE BOULCH. Educação psicomotora. Porto Alegre: Artes Médicas, 1982 Tradução: Jeni Wolff. 1º ENCONTRO INTERINSTITUCIONAL DO PIBID-UERGS/2º ENCONTRO INSTITUCIONAL DO PIBIDUERGS/2º SEMINÁRIO ARTE E EDUCAÇÃO NA UERGS 14, 15, 16 de março de 2013 – MONTENEGRO/RS

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