Jornal Acção Socialista - Julho 2011

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Jornal Acção Socialista - Julho 2011

  1. 1. www.accaosocialista.net | accaosocialista@ps.pt N.o 1360 julho director miguel coelho director adjunto silvino gomes da silva grande entrevista basílio horta responde ao “as” // pÁg. 6 opinião ferro rodrigues // josé manuel dos santos josé reis santos // joão galamba antónio josé seguro eleito secretário-geral // PÁGS. 2 a 4
  2. 2. 2 eleições ps seguro avisa governo que defenderá as funções sociais do estadoCom cerca de 70% dos votos, António José Seguro é o novo secretário-geral do Partido Socialista.No seu discurso de vitória, o novo Depois de saudar Francisco Assis, novos protagonistas, mas também reita PSD/CDS, garantiu que para olíder prometeu renovar o partido, Seguro lembrou que ser líder do PS “novos projectos e novos diálogos” PS “não existe um problema consti-nomeadamente “ao nível dos pro- representa “uma honra mas tam- e uma maior interligação do parti- tucional em Portugal”, pelo que ostagonistas”, garantindo, por ou- bém uma responsabilidade”, so- do com a sociedade, iniciativas que socialistas nunca aceitarão que se-tro lado, o estabelecimento da re- bretudo agora, como realçou, “fa- se vão traduzir, numa “forma nova jam postas em causa as funções so-gra da liberdade de voto dos de- ce à difícil conjuntura nacional e de fazer política para as pessoas e ciais do Estado e o equilíbrio dasputados do PS na Assembleia da internacional”. com as pessoas”. relações laborais consignadas naRepública. Um novo ciclo com outras ideias e Voltando-se para a maioria de di- Constituição da República.  R.S.A.de líder da js a líder do psNatural de Penamacor, distrito de Castelo Branco, onde nasceu a 11 de Março adjunto do primeiro-ministro, para depois se candidatar no segundo lugar dade 1962, António José Seguro, licenciado em Relações Internacionais, é o novo lista do PS às europeias de 1999, encabeçada por Mário Soares.secretário-geral do PS, partido ao qual aderiu em 10 de Fevereiro de 1980. Após dois anos como eurodeputado, onde foi co-autor do relatório do Parla-Docente universitário na Universidade Autónoma de Lisboa, António José mento Europeu sobre o Tratado de Nice e o futuro da União Europeia, regres-Seguro, é actualmente deputado da Assembleia da República, eleito pelo cír- sa a Portugal, em 2001, para exercer exercer o cargo de ministro adjunto deculo de Braga nas últimas legislativas. António Guterres.Com uma já longa vida política e de intervenção cívica de mais de três déca- Nas legislativas de 2002, dirigiu a campanha do então secretário-geral Ferrodas, Seguro foi director jornal “A Verdade de Penamacor”, na sua terra natal, Rodrigues, tendo depois dirigido o Gabinete de Estudos do PS entre 2002 ee chegou a secretário-geral da Juventude Socialista, cargo que ocupou entre 2004 e liderado a bancada parlamentar do PS até à queda do queda do Go-1990 e 1994. verno PSD/CDS de Pedro Santana Lopes.Deputado à Assembleia da República, de 1991 a 1995, é pela mão de António Nos últimos seis anos de liderança de José Sócrates, Seguro foi cabeça deGuterres que entra para o Secretariado Nacional do partido em 1994. Com lista por Braga nas eleições legislativas de 2005, 2009 e 2011 e presidente dasa vitória do PS nas legislativas de 1995, assume as funções de secretário de comissões parlamentares de Educação e de Economia, além de ter coorde-Estado da Juventude, e mais tarde, no mesmo Governo, secretário de Estado nado a reforma do regimento da Assembleia da República em 2007.  j.c.B.
  3. 3. 3 eleições psprimeira declaração de antónio Sempre que no PS se viveramjosé seguro como secretÁrio-geralA vitória de hoje é a vitória do PS. Assumo os momen- ração como líder do PS pa- períodos de mudança internado PS. Trata-se de uma esco- tos felizes e menos felizes da ra enviar uma mensagem os militantes mostraram saberlha clara e inequívoca para nossa história, na certeza de de solidariedade ao povo einiciar o novo ciclo, um ciclo que o futuro será melhor se ao Governo norueguês, num distinguir de um modo muitode mudança, no interior do aprendermos com os erros momento de tragédia e dePS e em Portugal. É um dia do passado. sofrimento. O terrorismo, claro as diferenças internasde esperança renovada pa- No PS não há vencedores de todos os quadrantes, é dos combates exterioresra os socialistas que nos res- nem vencidos. Há socialis- inimigo da humanidade eponsabiliza perante a nossa tas, homens e mulheres li- da democracia. Estamos aohistória e perante os portu- vres. Conto com cada um e lado do povo da Noruega egueses. Aceito esta vitória com todos vós para o no- dos jovens socialistas nestae tudo farei para a honrar vo ciclo e para afirmarmos hora de sofrimento e de luto.em cada dia da minha acção o nosso PS como a alternati- Ser líder do PS é simulta-política. va política à actual maioria neamente uma honra, umaDirijo um cumprimento par- de direita. O PS precisa de responsabilidade e umaticular ao Francisco Assis. todos vós. oportunidade.Pela sua participação nas Foi uma campanha que a) Uma honra porque é lide-eleições internas e pelos mostrou a vitalidade, a rar o partido que todos os editorial Miguel Coelhocontributos que trouxe para abertura e o espírito pro- portugueses identificamo debate político. Conheço fundamente democrá- com a liberdade, com a de-Francisco Assis e estou certo tico do Partido Socialista. mocracia, com a igualdadeque o PS continuará a con- Muitos socialistas regres- de oportunidades, com atar com ele e com a força das saram à militância e muitos justiça social e com uma Com cerca de 70% dos votos dos militantes, António Josésuas ideias para os desafios simpatizantes manifestaram Europa solidária. Seguro foi eleito secretário-geral do PS. Tratou-se de umque temos pela frente. o desejo de participar na Porque é o partido de resultado expressivo que confere ao líder agora eleito doQuero agradecer a todos os construção de novas pro- Mário Soares, de Vítor nosso Partido toda a legitimidade para aplicar o programamilitantes do PS. A todos postas políticas. Foi uma Constâncio, Jorge Sampaio, com o qual se candidatou.sem excepção. Pelo seu em- campanha inesquecível. António Guterres, Ferro Inicia-se assim no PS um novo ciclo de grande responsabi-penhamento neste processo Permitam que enderece um Rodrigues, José Sócrates, lidade e exigência para todos nós, socialistas.eleitoral. Só um grande par- abraço sentido aos milhares cujos exemplos de cora- António José Seguro, no importante discurso que efectuoutido como é o PS, imediata- de apoiantes do Novo Ciclo gem e dedicação não es- na noite da vitória eleitoral – que pela sua relevância repro-mente após uma derrota que voluntariamente leva- queço, nem o partido so- duzimos – e confirmando o que disse durante a campanhaeleitoral, poderia ter milha- ram esta campanha a todos cialista jamais esquecerá. interna, deu o mote de como será o PS neste novo ciclo: umres de mulheres e homens os cantos de Portugal e às É uma honra dar conti- partido que fará uma oposição firme a esta direita que ago-tão envolvidos no debate po- comunidades portuguesas, nuidade ao seu exemplo ra ocupa o poder; um partido aberto ao exterior e aos seuslítico. Quero dirigir uma pa- designadamente através das de dedicação ao país e aos militantes; um partido em condições de apresentar uma al-lavra de apreço aos mais de redes sociais. Um agradeci- portugueses em nome dos ternativa de políticas de esquerda a esta direita que conti-30 mil militantes que par- mento especial para os mi- valores da liberdade, da nua a insistir nas “velhas receitas neoliberais” para comba-ticiparam nestas eleições. litantes e simpatizantes que igualdade e do progresso, ter a crise (privatizar, liberalizar despedimentos e desres-Todos são dignos do meu colaboraram mais directa- do combate às desigual- ponsabilizar socialmente o Estado).reconhecimento pela vossa mente comigo e, em parti- dades sociais, à pobreza e Sempre que no PS se viveram períodos de mudança inter-dedicação ao nosso PS. cular, ao meu director de à exclusão social. na os militantes mostraram saber distinguir de um modoSerei líder de todos e de to- campanha, o meu amigo É uma honra por ter me- muito claro as diferenças internas dos combates exterio-das as socialistas. Estou aqui António Galamba. A todos recido a confiança de tan- res. Certamente que agora no início deste novo ciclo, todospara somar, para unir, assu- vós um grande bem-hajam! tos portugueses e portu- os socialistas estarão ao lado de António José Seguro nes-mindo por inteiro toda a Faço questão de aproveitar guesas que ao votarem te combate difícil que tem pela frente. Francisco Assis, nohistória e todo o património esta minha primeira decla- na minha candidatura  seu discurso na noite eleitoral, ao garantir não se constituir como líder de facção interna, deixou a todos os socialistas uma forte mensagem de unidade. Este número do “AS” sai, assim, em tempos de mudanças. Edição praticamente encerrada antes das eleições, espe- rou-se pelo seu resultado do passado fim-de-semana para o podermos reflectir já neste número. A par deste destaque, publicamos uma importante entrevista com Basílio Horta, deputado independente do PS por Leiria, e abrimos um no- vo espaço, designado como “gente que faz”, que será sem- pre uma grande reportagem sobre a implantação do PS a nível regional. Pela sua importância simbólica, começámos por Beja, com especial destaque para a Câmara Municipal da capital do distrito, agora presidida por um socialista. Como é tradição, em Agosto o “Acção Socialista” não se pu- blica, estando previsto o próximo número para Setembro, já com um especial tratamento editorial do Congresso Nacional entretanto realizado. 
  4. 4. 4 eleições ps me dão a honra de poder jecto europeu. Incentivar falar em nome deles e do o trabalho para que a fa- PS, a honra de poder ser a mília socialista europeia voz da esperança num futu- adopte uma posição co- ro melhor para todos nós. mum alternativa ao actu- O meu compromisso firme al comando conservador e solene é o de trabalhar to- europeu. Precisamos de dos os dias para ser mere- mais Europa e não de me- cedor da vossa confiança e nos Europa. Estamos a pa- da vossa esperança. gar um preço alto pela dis- Liderar o Partido Socialista persão de dezenas de polí- é sempre uma grande res- ticas orçamentais. Mais go- ponsabilidade, sejam quais vernação económica e mais forem as circunstâncias e governação política o tempo político. Mas no • Ao mesmo tempo iniciare- tempo que vivemos é uma mos o processo de reno- responsabilidade acresci- rer liderar um novo ciclo O tempo exige rigor. Mas tam- • Insistimos na urgência da vação do Partido Socialista da. É um tempo de grande político – sei que isso exi- bém, mais do que nunca, exi- definição de uma estratégia promovendo o debate po- exigência para o PS, para o ge confiança, convicção e ge um forte sentido de sen- de crescimento económico lítico e valorizando a mi- país, para os portugueses, coragem. sibilidade social. Com uma sustentável, pois só o cres- litância; modernizar e mas também de enorme O que quero dizer aos por- opção clara pelo crescimento cimento será capaz de ge- abrir o partido à socieda- exigência no plano europeu tugueses é que nunca falta- económico sustentável, e não, rar riqueza e manter e criar de, levando-o para junto e no plano internacional. rão aos socialistas nem a como tem sido o caminho es- emprego. das pessoas. O Congresso É uma responsabilidade confiança, nem a convicção, colhido pelo actual Governo, • Sabemos que a margem é Nacional de Setembro já te- porque assumi desde o iní- nem a coragem para lutar de mera diminuição da pro- estreita, mas é indispensá- rá novidades quanto a esse cio que era preciso liderar por Portugal e por um fu- cura interna com consequen- vel desenvolver uma estra- propósito. um novo ciclo na vida polí- turo melhor para todos. te aumento de sacrifícios pa- tégia de crescimento cen- • E Introduziremos a liber- tica e na vida do partido. Derrubando preconcei- ra os portugueses. E é neste trada no emprego, apoian- dade de voto como regra Um novo ciclo que sig- tos. Vencendo cinismos. contexto que reafirmo com do as empresas exportado- da acção dos deputados nifica desde logo, novas Valorizando os consensos. total clareza que o PS: ras e as PME que produzam do PS na Assembleia da ideias, novos protagonis- 1. Não considera que exista ou venham a produzir bens República. Mudança que tas, novos projectos, novos O PS vai liderar a oposição. um problema constitucio- transaccionais, aumentan- reputo da maior impor- diálogos, uma nova forma O PS fará uma oposição fir- nal em Portugal e que será do a produção nacional tância, cujo processo se- de interacção do partido me, responsável, construti- firme na defesa das funções e diminuindo as nossas rá iniciado, já a partir da com a sociedade. Uma nova va e leal. Sempre afirmei que sociais do Estado e no equi- importações. próxima quinta-feira, nu- forma de fazer política pa- tanto se serve o país e os por- líbrio das relações laborais • As políticas de redução do ma reunião com o grupo ra as pessoas e com as pes- tugueses no governo como na estabelecido nos princípios défice devem articular-se parlamentar. soas. Novos desafios, como oposição. constitucionais. com o crescimento da eco- seja o de dar voz, projecto Os votos do PS estão ao 2. Honrará a sua assinatura nomia e com o emprego. A situação de Portugal exige e esperança a todas as pes- serviço do interesse nacio- e cumprirá o memorando • As políticas que o PS vai uma atitude política respon- soas que têm a ambição, nal e dos valores da esquer- de assistência financeira desenvolver corresponde- sável e construtiva. Sempre a vontade e a generosi- da democrática. a Portugal. Mas não ab- rão às preocupações das me opus à política do bota-a- dade para se mobilizarem Este governo tem todas as dicará, sempre que neces- pessoas. -baixo. Do ser contra só por- na construção de um país, condições políticas e institu- sário e possível, de apre- • Tomaremos iniciativas que que é a iniciativa é de outro de uma sociedade e de um cionais para levar por dian- sentar soluções alternati- promovam novos diálogos partido. O país necessita de mundo, melhores, mais hu- te as medidas, as reformas, vas de acordo com a nossa com os parceiros sociais, os compromissos e de conver- manos e mais justos. com vista ao cabal cum- Declaração de Princípios partidos políticos com as- gências, sem nunca colocar Responsabilidade, porque primento dos compromis- e do mandato que recebe- sento parlamentar e com em causa as ideologias de ca- o Partido Socialista vai lide- sos internacionais do Estado mos dos portugueses. O o Governo, com vista a es- da um. rar a oposição a este gover- Português. memorando não suspende tabelecer políticas que pre- O meu compromisso é com o no – e fá-lo em nome da de- Mas os primeiros sinais não a política. servem e criem postos de futuro. fesa dos valores de esquer- são bons: 3. Combaterá a corrupção trabalho. Reafirmo a minha confi- da democrática e do inaba- • Aumento de impostos, con- com grande disponibilida- ança no país e nos jovens lável compromisso com o trariando uma promessa de para acordos parlamen- A criação de emprego será a portugueses. interesse nacional. eleitoral e somando auste- tares, com todos os par- base da formulação das nos- O caminho que o país tem de ridade à austeridade com tidos, de modo a que seja sas propostas politicas das trilhar o caminho do cresci-b) Uma oportunidade prejuízo para a nossa eco- possível acabar com esta quais destaco: mento económico, capaz de Liderar o PS é sempre uma nomia e para o emprego. praga que mina o Estado criar riqueza, postos de tra- oportunidade ímpar de • Injustiça social, ao estabe- de direito democrático. A • A preparação da alternativa balho e trazer progresso so- servir o meu país e os meus lecer que o novo imposto constante desresponsabili- de Governo que ofereça aos cial e desenvolvimento. compatriotas, uma opor- atinge os rendimentos do zação entre o sistema po- portugueses uma proposta É possível recuperar a espe- tunidade que agradeço e a trabalho, deixando de fora lítico e o sistema judiciá- política actualizada no res- rança, se soubermos somar à que procurarei correspon- a riqueza e os rendimentos rio deve dar lugar a uma co- peito pelos valores e princí- inovação, ao conhecimento e der inspirado no exemplo oriundos do capital. operação que torne eficaz pios da esquerda democrá- à pedagogia dos desafios que de milhares de militantes • Ruptura de compromis- o combate ao crime e, em tica. Seremos alternativa, temos pela frente, a vontade do PS que ao logo destes sos assumidos com os par- sentido mais amplo, a uma pois recusamos o rotativis- política de os enfrentar. anos têm servido a causa ceiros sociais, fragilizan- justiça rápida e acessível. mo e a alternância. pública. do os direitos dos jovens • E afirmação de Portugal e O país precisa de um PS forte! Sei que não há nada mais trabalhadores. A agenda do PS vai dar prio- do PS na primeira linha do Os portugueses podem con- difícil e incerto do que que- ridade máxima ao EMPREGO. aprofundamento do pro- tar connosco. 
  5. 5. 5 nacional gestão privada de hospitais e centros de saúde põe em causa sns A proposta do Governo de direita de abrir a gestão dos centros de saúde e dos hos- pitais públicos à exploração de operadores privados in- viabilizará, na opinião da de- putada Ana Jorge, a susten- tação e o futuro do Serviço dia da federação de coimbra seguro acusa Nacional de Saúde (SNS). Para a ex-ministra do Governo de José Sócrates, se governo de querer esta medida avançar são os bons resultados já alcança- “jovens a dias” dos em termos da melhoria dos cuidados à população que estarão em causa, recor-O Governo quer “tratar os jovens co- mas criando “um fundo de garantia, borar com todas as forças políticas do dando que as experiênciasmo jovens a dias, com menos direitos e para compensar” essa redução. Parlamento, quer à direita, quer à es- da gestão clínica do sectornenhumas garantias”, acusou António No entanto, segundo o líder socialis- querda”, para, “de uma vez por todas”, privado, sobretudo nas par-José Seguro, no dia 24 de Julho, na co- ta, “o actual Governo tem a intenção se pôr “fim à corrupção em Portugal”. cerias público-privadas, “nãomemoração do “Dia da Federação” do de colocar os jovens portugueses com A corrupção “mina o Estado de Direito têm sido muito favoráveis”,PS/Coimbra em Maiorca, no concelho menos direitos, não lhes dando a ga- e Democrático”, disse, considerando estando por provar, como sa-da Figueira da Foz, onde defendeu que rantia desse fundo”. Ao invés, frisou que “o combate à corrupção é uma lientou, que o sector privadoo combate à corrupção deve ser uma Seguro, os socialistas querem “tratar prioridade da nossa democracia”. Por consiga “maiores vantagensprioridade política. os jovens portugueses com o respeito isso, adiantou, “o PS tomará a iniciati- e eficiência na redução dosNa sua primeira intervenção num e a dignidade que eles merecem”. va nessa área”. custos”.evento do PS após a sua eleição co- Para o secretário-geral do PS, esta po- O secretário-geral do PS apelou ain- Mostrou-se, por isso, preo-mo secretário-geral, Seguro criticou sição em defesa do trabalho com di- da a “todas as forças políticas” no cupada com a proposta doa intenção do Executivo PSD/CDS de reitos para os jovens constitui “um sentido de se acabar com “o passa- Governo que “criará maio-“desrespeitar um acordo assinado, exemplo claro de quem discorda de -culpas entre o sistema político e o res dificuldades no aces-em sede de concertação social, em um caminho escolhido pelo Governo, sistema judiciário”. so da população a todos osMarço passado”. Um acordo que, ex- mas não se limita apenas a discordar”, E isto para que, disse, “ambos os ac- cuidados de saúde”, que ho-plicou, tinha por objectivo “incentivar apontando “caminhos alternativos”. tores destes dois sistemas” somem je são, como recordou, “ten-a contratação de jovens e a criação de “forças e propostas”, de modo a que dencialmente gratuitos”,mais emprego, diminuindo a respon- sejam encontradas “soluções técni- passando o SNS a limitar-sesabilidade dos empresários em ca- Por outro lado, António José Seguro cas que combatam a corrupção em a um plano de prestações combater a corrupçãoso de necessidade de indemnização”, reafirmou a “vontade do PS de cola- Portugal”.  J.C.B. garantidas, o que significará que “uns vão ter acesso e ou- tros não”. A opção de os utentes po- derem passar a escolher oatentados na noruegaPs manifesta solidariedade cento de saúde ou o hospi- tal onde querem ser aten-ao Partido trabalhista didos é para a ex-respon- sável governamental outra das questões que ameaçamO Partido Socialista condenou, nu- nifesta a “solidariedade mais profun- a organização do Serviçoma mensagem de condolências envia- da” ao Partido Trabalhista norueguês Nacional de Saúde e queda ao Partido Trabalhista norueguês, pelos atentados, que, sublinha, “não “contribuirá para a sua de-os “cobardes” e “bárbaros” atentados são apenas contra um partido políti- sestruturação”.  R.S.A.perpetrados por um extremista de di- co, são contra todo o povo norueguês,reita em Oslo e na ilha de Utoya, que contra a democracia, e contra a paz eprovocaram largas dezenas de víti- tolerância”.mas, entre as quais muitos jovens so- “O Partido Socialista espera que o ra-cialistas reunidos numa Universidade dicalismo político contra um defensorde Verão. da paz, como o Partido Trabalhista,Na missiva, assinada pelo secretá- não vença”, refere ainda Lello na men-rio Internacional José Lello, o PS ma- sagem. 
  6. 6. 6 grande entrevista basílio horta “o euro está a atravessar o pior momento desde a sua criação”Basílio Horta, responsável máximo pelo AICEP no Governo de José Sócrates e deputado eleito pelo círculo deLeiria, salienta, numa entrevista ao “AS”, que decorrido mais de um mês sobre a posse do Governo, nada foi feitonos domínios cruciais do crescimento económico e da diminuição da despesa. Machado e Rui Pena e que sua primeira candidatura à ve para o país, e em que a prestou relevantíssimos Presidência da República e Assembleia da república te-O dr. Basílio Horta foi um Como se posiciona face ao serviços a Portugal. o dr. António Costa na cor- rá de assumir papel funda-dirigente destacado do debate interno que o PS Mais tarde, com Manuel rida à Câmara Municipal mental, não me era lícito Como independente nãoCDS e está hoje como de- vive neste momento? Monteiro e Paulo Portas, o de Lisboa. Presentemente recusar a contribuição que posso nem devo introme-putado independente do CDS veio a transformar-se há mais de nove anos que me era solicitada. ter-me no debate inter-PS. Como explica aquilo em Partido Popular, clara- me encontrava totalmente no, sublinho apenas queque, à primeira vista, po- mente de direita, e antieu- afastado da vida partidária. são dois excelentes can-dia parecer um percursoAjudei a fundar o CDS nos ropeu. Recentemente, com Durante os últimos seis didatos para servir o par-errático? Durante a campanha elei-idos de 74 em conjunto o dr. Paulo Portas, não obs- anos trabalhei, na qualida- tido e o país e que ambos toral teve de conviver comcom Freitas do Amaral e tante a tentativa de regres- de de presidente da AICEP- merecem o meu respeito e a estrutura socialista,Amaro da Costa. O partido sar às origens (daí o CDS/ EPE em estreita colabo- solidariedade. com os dirigentes e mili-nasceu como partido cen- PP), manteve-se no exclu- ração com o Governo do tantes do PS/Leiria. Comotrista e democrata-cristão sivo espaço da direita ten- Partido Socialista chefiado O trabalho desenvolvido decorreu esse processo?aberto aos contributos do do como única estratégia pelo eng. José Sócrates, só durante a difícil campa- A democracia-cristã so-centro-direita e do centro- visível viabilizar governos tendo recebido do PS aten- nha eleitoral no distrito de freu nas últimas décadas-esquerda e para constituir do PSD quando este partido ções e solidariedade. Leiria, demonstrou um for- um retrocesso significa-uma alternativa democrá- sozinho não atinge a maio- Foi pois com naturalidade te sentido de missão entre tivo em todo o mundo etica ao panorama político- ria absoluta (vide, Governo que recebi o convite do se- todos os que nela partici- praticamente desapare--partidário da época. de Barroso e agora de cretário-geral do PS para param. Senti-me completa- ceu como grande famíliaO CDS de então sempre Passos Coelho). encabeçar a lista de deputa- mente integrado na equi- internacional. A que seadoptou uma estratégia Talvez por tudo isto, ne- dos por Leiria, convite que pa formada por dirigentes A democracia-cristã pode deve essa situação?própria fundada na análise nhum dos fundadores tem muito me honrou, e que de e militantes do PS de Leiria ter desaparecido, sobre-que em cada momento fazia hoje qualquer actividade imediato aceitei. que funcionou com um to- tudo na Europa, enquan-do interesse nacional. Daí política no CDS/PP e creio Acresce que tendo tido o do com inultrapassável to inspiradora de parti-que em 1978 tenha entrado mesmo que só um ainda se privilégio de participar na dedicação. dos políticos, fruto de vá-no Governo com o Partido encontra filiado. Assembleia Constituinte, Hoje, no PS/Leiria sinto que rios erros cometidos porSocialista chefiado pelo dr. Pela minha parte, apoiei na fundação do nosso re- não tenho apenas compa- alguns dos seus principaisMário Soares, Governo que com total independên- gime democrático, entendi nheiros de combate eleito- responsáveis.integrei ao lado de Vitor Sá cia o dr. Jorge Sampaio na que em momento tão gra- ral – tenho amigos. No entanto, a ideologia e os
  7. 7. 7 grande entrevista da de 1,1% (CE) ou de 0,6% da confiança e da esperan- na segurança e celeridade (OCDE). ça de muitos portugueses. da Justiça. Iremos nós aceitar esta si- É muito cedo para avaliar Medidas avulsas, tuação e arquivar, como a capacidade política da ac- eivadas de sem solução possível, a ine- tual maioria para fazer face Faz sentido falar de um vitabilidade da recessão com sucesso, à gravidade populismo, algumas mercado comum da económica para os próxi- da conjuntura social, eco- Mais do que um mercado, contrárias à lusofonia? mos 18 meses? A ser assim, nómica e financeira, nacio- a lusofonia, com especial redução de despesa, esse será o caminho do em- nal e europeia. destaque para o Brasil, de- pobrecimento, quem sa- Temos, porém, de notar ve ser encarada como um e a criação do be se definitivo. É pois ur- que até agora decorrido destino não apenas econó- imposto sobre o gente continuar e melho- mais de um mês sobre a mico mas político. Portugal rendimento, eis todo rar as políticas de apoio à posse do governo, nada foi será tanto mais ouvido na internacionalização em- feito nos domínios cruciais Europa e no Mundo quanto o balanço deste presarial, olhar seriamen- do crescimento económi- mais estreitas e globais fo- primeiro mês do te à atracção de IDE, con- co e da diminuição da des- rem as suas relações com o Governo centrar instrumentos e re- pesa. Medidas avulsas, ei- mundo lusófono. A preser- cursos, apoiar as empresas vadas de populismo, algu- vação da língua comum co- que produzem bens tran- mas contrárias à redução mo veículo de unidade cul- saccionáveis, as que ex- de despesa, e a criação do tural e politica, de inesti- portam e as que têm capa- imposto sobre o rendimen- mável valor económico, os cidade exportadora. Este to, eis todo o balanço deste investimentos realizados Governo não deve perder primeiro mês do Governo. em parceria em sectores mais tempo para dar uma relevantes, a cooperação resposta patriótica a este encarada não como despe- enorme desafio. sa mas como investimento À luz da actual conjuntu- altamente reprodutivo e a ra nacional e internacio- coordenação de esforços e nal quais os eixos de po- de posições a nível dos fo- Como avalia as afirma- líticas económicas que ra internacionais, são al- ções da liderança do PSD considera essenciais pa- guns tópicos a merecerem sobre a transparência e ra relançar a economia A resposta já foi dada. desenvolvimentos no âm- rigor das contas públicas nacional? A liderança do PSD afir- Reafirmemos contudo a ur- bito da política externa e do anterior Governo?princípios programáticos meiro lugar, aos empresá- mou com pompa e circuns- gência em prosseguir me- da diplomacia económicasempre revisitados na dou- rios e aos trabalhadores tância que não iria usar o lhorar e aprofundar o ca- portuguesa.trina da Igreja, encontram- portugueses, mas não será passado como álibi para minho da internacionali--se bem vivos e, em minha justo esquecer o trabalho a sua governação. Parece zação empresarial percor-opinião, são cada vez mais de toda a equipa da AICEP que se esqueceu depres- rido pelo anterior governo Como avalia a actual situ-necessários neste Mundo no país e no estrangeiro fo- sa pois agora, primeiro em dando especial prioridade A moeda única está a atra- ação da moeda única?fraco em valores e em refe- cada no apoio às empresas círculo fechado depois com às PMEs. Instrumento es- vessar o pior momentorências em que globalmen- nas diversas dimensões da ampla divulgação parece sencial para o êxito desta desde a sua criação. Algunste vivemos. respectiva actividade de ter descoberto um “desvio política é o crédito à eco- dos Estados-membros, pu- internacionalização. colossal” de que ninguém nomia, particularmente o seram de lado o Pacto de tinha dado conta. Isto para crédito (pré-financiamento Estabilidade e Crescimento tentar justificar a criação e financiamento) e o segu- de 2004 que obrigava a umPessoalmente quem é que de um imposto extraordi- ro de crédito à exportação défice máximo de 3% e aindicaria como a sua gran- Como perspectiva a evo-A minha grande referência nário sobre o rendimento, serem garantidos a níveis uma divida que não exce-de referência política? lução das exportaçõespolítica nacional é Adelino sem qualquer diminuição adequados de prestação e desse 60% do PIB. A União portuguesas nos próxi-Amaro da Costa. É difícil fazer uma previ- de despesa e ao arrepio de eficácia. Europeia, perante este mos anos? são sobre a evolução das do que fora repetidamente Prioridade à inovação, mais quadro, não teve capaci- exportações portuguesas prometido. Não obstante a empresas a exportar, para dade, primeiro para pre- nos próximos anos, pois há habilidade do Ministro das mais mercados, bens e ser- ver e depois para resolverFoi durante anos o res- vários factores envolvidos Finanças para desculpar a viços com cada vez maior as graves crises financeirasponsável máximo da muitos dos quais não de- mentira, o PS não deve dei- valor acrescentado são as de alguns dos seus mem-AICEP. Como descreveria pendem da nossa vontade. xar passar em claro esta grandes linhas que devem bros que ameaçam alas-essa experiência e queA presidência da API/ No entanto, os portugue- atitude politicamente pou- inspirar a politica econó- trar perigosamente às eco-balanço faz dela?AICEP durante seis anos foi ses devem preocupar-se co séria e por isso merece- mica deste sector. nomias mais fortes do es-para mim uma experiência seriamente com as previ- dora de clara reprovação. Atrair mais e melhor IDE paço europeu. Agora, tudomuito positiva, profissio- sões da Comissão Europeia com a consciência de que está em saber se ainda hánal e humanamente. O ba- e da OCDE para o cresci- este é um objectivo difícil vontade e força politica pa-lanço destes anos deve ser mento do PIB nacional em de alcançar dado o altís- ra reforçar a unidade eu- Entende que a actual co-feito pelos nossos clientes 2012. Neste ano, as projec- simo grau de competição ropeia e com ela criar os ligação PSD/CDS é a res-– as empresas portuguesas ções da CE apontam para entre os diversos países. É mecanismos de discipli- posta institucional e po-e estrangeiras com quem um decréscimo do PIB de pois essencial adoptar me- na das economias e de de- lítica ajustada face à gra-trabalhamos todos os dias. 1,8% e as da OCDE de 1,5%. didas que tornem Portugal fesa do euro. Esperemos e vidade da situação deÉ de notar que o aumento Isto significa que em 2012 A actual coligação PSD/ mais competitivo na ma- esforcemo-nos para que tal Portugal?das exportações portugue- Portugal será o único país CDS ganhou com maioria nutenção e atracção de IDE aconteça, para bem da ma-sas é o único dado positivo da Europa com O PIB a de- absoluta as últimas elei- especialmente na politica nutenção do projecto eu-no quadro da nossa econo- crescer, enquanto a própria ções e, na actual situação fiscal, na desburocratiza- ropeu e dos interesses demia e isso deve-se, em pri- Grécia apresenta uma subi- do país, é ainda depositária ção dos licenciamentos e Portugal. 
  8. 8. 8 gente que faz // beja entrevista ao presidente da câmara municipal de beja jorge Pulido ValenteNas últimas eleições autárquicas, Jorge Pulido Valente ganhou a Câmara Municipal de Beja para o PartidoSocialista, retirando ao PCP a sua autarquia mais emblemática no Baixo Alentejo. Em entrevista ao “AS”, oautarca socialista disse ter encontrado “um concelho sem uma estratégia de desenvolvimento” e, apesar dasdificuldades internacionais e nacionais conhecidas, faz um balanço positivo destes dois anos de mandato. de desenvolvimento para o conce- zer, designadamente na área so- des e isso levava a uma imensa dis-Apesar das dificuldades nacionais lho em torno de eixos estruturan- cial, mas estamos convictos de persão de meios.Que balanço faz do seu mandato?e internacionais conhecidas, consi- tes decisivos: o novo aeroporto, o dentro de dois anos o quadro será O concelho passou penosamentedero-o positivo. aproveitamento do plano de rega ainda mais positivo. pelas últimas três décadas, longeEm primeiro lugar, pelo traba- do Alqueva e as novas acessibilida- dos períodos altos da sua histórialho de reorganização dos servi- des rodoviárias. milenar.ços da Câmara, que ficará conclu- Iniciámos, igualmente, diversos A herança que o anteriorído até final deste ano: uma no- projectos de requalificação urba- Executivo lhe deixou era poucova estrutura orgânica, novas che- na, designadamente nas portas de Encontrámos um concelho sem aliciante? Perante um quadro tão desola-fias, melhor planeamento e obvia- Mértola e na Mouraria, como con- uma estratégia de desenvolvimen- A questão do desenvolvimento, da dor, por onde começou?mente uma gestão cuidadosa e de traponto ao abandono a que a ci- to. Tudo se resumia a medidas modernização do concelho e daproximidade. dade foi votada durante muitos avulso, que correspondiam a inte- manutenção da qualidade de vidaEncontrámos uma máquina muito anos, com a consequente degrada- resses eleitorais de momento e à dos cidadãos foram e são as preo-partidarizada, que tivemos de alte- ção do seu património. resolução dos problemas particu- cupações dominantes.rar no sentido de lhe acrescentar A política cultural tem sido uma lares, que os servissem. No plano do desenvolvimento emais competência técnica, mais vertente importante do nosso O concelho fechou-se sobre si pró- mercê da nossa pressão, demoseficácia e mais eficiência, em de- mandato, essencial para a mobili- prio e progressivamente foi per- passos significativos na área dasfesa dos verdadeiros interesses da zação da juventude, para a anima- dendo capacidade de diálogo e acessibilidades, na atracção de no-população. ção do concelho e para a sustenta- negociação com a Administração vas indústrias qualificadas, na re-Em segundo lugar, pelo início da bilidade do turismo. Central e as empresas públicas. cuperação de uma nova agricul-concretização de uma estratégia Muitas coisas estão ainda por fa- Por outro lado, não havia priorida- tura, na construção sustentável e
  9. 9. 9 gente que faz // beja 1632 câMaras socialistas Do BaiXo alentejo É o número de militantes da Federação do PS/Baixo Aljustrel Alentejo Beja Cuba Ferreira do Alentejo Mértola Odemira Ourique FeDeração BaiXo alentejo - seDes Das concelHias concelHia secção seDe SÃO J. NEGRILHOS Rua Nova, 5 aljustrel ALJUSTREL Rua S. João de Deus NÃO TEM SEDE alMoDÔVar ALMODOVAR Contacto 962 336 676 NÃO TEM SEDE alVito VILA N. BARONIA Contacto 966 775 168 NÃO TEM SEDE Barrancos BARRANCOS Contacto 963 876 024 NÃO TEM SEDE Beja CABEÇA GORDA Contacto 961 619 706na potenciação de energias alter- BEJA Rua Dr. Manuel de arriaga, 42nativas, designadamente em pro- O concelho fechou-jectos de micro geração , nas cen- se sobre si próprio etrais foto voltaicas e na mobilida- castro VerDe CASTRO VERDE Rua Campo de Ourique, 4de eléctrica. progressivamente foiO nosso objectivo é potenciar uma perdendo capacidade dedinâmica empresarial sustentável, cuBa CUBA Rua Álvaro Castelões diálogo e negociação comque crie novos postos de trabalhoe posicione o concelho como uma a Administração Central NÃO TEM SEDEpossibilidade única de conciliar o Ferreira FERREIRA e as empresas públicas Contactodesenvolvimento e a qualidade de alentejo ALENTEJO 966 924 232vida. Mertola MERTOLA Av. Mira FernandesComo tem sentido a reacção dosCriámos hábitos de consulta pú-munícipes à sua gestão ? Moura MOURA Rua de S. Pedro, 21blica nos projectos mais importan-tes para o concelho e a participa-ção tem sido encorajadora, tal co- oDeMira ODEMIRA Largo Miguel Bombardamo tem sido positiva a respostaàs reuniões descentralizadas da no turismo, na agricultura e na in- NÃO TEM SEDECâmara, que temos implementado. dústria. Tem ensino, saúde e inves- ouriQue OURIQUE ContactoTemos a juventude connosco, mer- tigação de qualidade. Penso que os 968 043 506cê de uma política cultural variada munícipes, naturalmente exigen- NÃO TEM SEDEe programada sem tabus ideológi- tes, compreendem que estamos serPa SERPA Contactocos e isso é determinante para pro- num caminho bem definido e que 966 199 803jectar o futuro com confiança. iremos colher os frutos da apostaApesar da crise, Beja está a crescer estratégica que agora fazemos.  ViDigueira VIDIGUEIRA Travessa das Fragosas, 22
  10. 10. 10 gente que faz // beja de uma engrenagem totalitária com testemunho desta riquíssima histó- que o PS e outras forças democráti- ria política, num livro escrito peloluís pita ameixauma cas se tiveram de confrontar. militante Casteleiro de Góis, que se- Mesmo assim e nestas difíceis con- rá, estamos certos, um manual indis-liderança dições, o PS conseguiu nas primei- pensável para conhecermos melhor ras eleições autárquicas, quatro câ- o papel dos socialistas na defesa das maras (Vidigueira, Moura, Alvito liberdades e da democracia. e Almodôvar). A falta de uma cul- Mas nem só do passado vive aconfianteLuís Pita Ameixa, presidente da tura organizativa e as pressões do Federação do Baixo Alentejo.Federação do Baixo Alentejo, recebe- PCP levaram a que nas eleições se- Luís Pita Ameixa, o seu presidente,-nos na sede do PS em Beja, num edi- guintes só esta última continuasse transmite-nos uma visão estratégi-fício perfeitamente integrado na zona socialista. ca clara para a região, assente numhistórica da cidade e numa sala mar- Foi, desde então, uma longa traves- modelo de desenvolvimento susten-cada por alguns símbolos republica- que viram o seu emprego ou o seu sia, que se começou a inverter no tável, que rompe definitivamentenos e por figuras históricas do socia- ganha-pão em risco, por acredita- tempo de António Guterres, quan- com a teia de estagnação com que olismo democrático alentejano, como rem na liberdade. Foi um tempo de do o PS conseguiu no Baixo Alentejo antigo regime, primeiro, e os comu-Manuel Masseno, Carlos Queixinhas, verdadeira asfixia democrática, com a primeira vitória em eleições nistas, depois, tentaram paralisar oLuís Cacito e Aníbal Costa. um férreo controlo cultural, econó- legislativas. Alentejo durante décadas.O PS do Baixo Alentejo teve um ar- mico e social. Em 2001, o PS obtém a maioria das O aeroporto, o Alqueva e as novasranque difícil em 1974. Por um lado, Autarquias, utilizadas abusivamente câmaras e em 2009 ganha a simbóli- acessibilidades são três chaves estru-pela fraca implantação, e, por outro, pelo Partido Comunista, como par- ca Câmara de Beja, com Jorge Pulido turantes para esse futuro de esperan-pela perseguição dos comunistas. te da “máquina”, comunicação social Valente. ça, capaz de corresponder a uma his-Foi o tempo de muitos heróis anó- local e regional, organizações sociais Numa iniciativa pouco comum e dig- tória de 2000 anos, rica de importân-nimos e injustamente esquecidos, e o controlo económico eram peças na de aplauso a Federação quis dar cia material e de cultura.  P.N. A caminho do final do segundo ano ra afirmar uma capital com maior do seu mandato essa confiança foi atractividade.jorge pulido valenteinovação e reforçada pela concretização de al- Tudo isto, apesar das dificuldades fi- gumas obras estruturantes, que ti- nanceiras conhecidas e de uma he- veram o apoio determinado do rança, no mínimo, gravosa.modernidade Governo socialista de José Sócrates, Desde logo, uma câmara partidari- com destaque para a abertura do ae- zada, que era o coração da propa-Jorge Pulido Valente (JVP), 55 anos, roporto de Beja, o início das obras ganda comunista no distrito. Umaduas filhas, licenciado em História, do IP8 e a quase finalização do pla- gestão inquinada, uma cidade aban-presidente da Câmara Municipal de no de rega do Alqueva. donada e esquecida, sem estratégiaBeja e da Associação dos Municípios O seu modelo de desenvolvimento é nem prioridades, que ao longo dedo Baixo Alentejo e Alentejo Litoral, um hino à inovação e à modernidade. décadas viveu ao sabor da dispersãoé um entusiasta convicto das poten- Um cluster aeronáutico, a mobili- ditada pelos interesses eleitoraiscialidades do concelho e da região. ra alguém com um apelido sonante dade eléctrica, as energias alter- particulares do Partido Comunista.Historiador, pioneiro em Mértola na história política portuguesa. nativas, a economia verde, a cons- Quando lhe pedimos para apre-com Cláudio Torres, JPV foi verea- Tolerante, motivador, com uma exce- trução sustentável, as hortas so- sentar Beja aos leitores do “Acçãodor nesta histórica cidade alenteja- lente capacidade de diálogo, Pulido ciais urbanas, o turismo temático, Socialista”, Jorge Pulido Valente fala-na, responsável pelo departamento Valente foi uma aposta ganhadora a requalificação urbana, o I&D e a -nos da qualidade da vida do conce-de cultura da Câmara de Beja, presi- do Partido Socialista para a Câmara cultura são conceitos integrado- lho, da sua dinâmica cultural, do pa-dente da Câmara de Mértola, em dois de Beja, porque conseguiu transmi- res de um programa ambicioso e trimónio, das potencialidades eco-mandatos, e finalmente presidente tir uma mensagem de confiança nas mobilizador, que despertou os ci- nómicos (turismo, indústria e agri-da capital alentejana. Um percurso potencialidades da capital do Baixo dadãos para uma maior participa- cultura), da qualidade do ensino epolítico e cultural rico e variado pa- Alentejo. ção cívica e mostrou o caminho pa- da saúde.  P.N. em-se no Partido Socialista, na sua tes plásticas, a banda desenhada, as gestão autárquica e no seu protago- “palavras andarilhas”, o festival domiguel góisreforçar nismo cultural. amor são expressões dessa verda- Têm uma consciência crítica, cons- deira movida da planície alentejana.a maioria trutiva e querem participar efecti- A construção dos contornos da vamente do debate sobre o futuro marca Beja Capital é um desafio da sua capital. A cultura, o ordena- aliciante.Almoçámos numa verdadeira tas- mento do território e o urbanismo Mas todo este entusiasmo e estaca alentejana com Miguel Góis, lí- são exemplos de temas que os ali- projecção de futuros, não esquecemder da Concelhia, vereador da ciam e os mobilizam para o debate o passado do partido e, nesse con-Câmara Municipal de Beja, 34 anos, político. texto, uma das ideias que retivemospai do Bernardo de nove meses, li- Mas é a dinâmica cultural de Beja foi a da criação de um museu de me-cenciado em Línguas e Literaturas que nos surpreende, pela diversi- mórias fotográficas.Modernas, com diversas pós-gra- de desporto, é o rosto do futuro da dade, pela participação e pelos ecos Perante um partido tão vivo, criativoduações nas áreas da Gestão e capital alentejana. que se espalham não só no país, mas e tão cheio de energia, despedimo-do Marketing e um mestrado em Com ele, muitos jovens, com quali- também e já no plano internacional. -nos convictos de que o PS vai refor-Comunicação Integrada. Praticante ficações académicas elevadas, revê- A dança, o teatro, a música, as ar- çar a sua maioria em 2013.  P.N.
  11. 11. 11 nacional O papel devastador e pró-especulação das agências de rating não pode ser ignorado interValo De Política de ratings luciDeZ ou Ferro Rodrigues noVa Fase?Ao permitirem-se classificar Portugal como ‘lixo’, e já antestambém a Grécia, as agências de rating entraram definitivamente Depois do quase-pânico criado pelas ameaças especulativas contrano nosso linguajar diário, quando ainda há bem pouco tempo quase a Itália e a Espanha, economias de dimensão incomparável à Grécia, Irlanda e Portugal, sucederam-se os apelos para evitar que, como temtodos ignorávamos a sua existência e nada sabíamos sobre o que acontecido, a Cimeira do Eurogrupo da passada semana fosse vistafazem. E muito menos suspeitávamos do seu interesse ou da como mais um fracasso e como habitualmente contribuísse para o agravamento da situação do euro e das dívidas soberanas.importância que elas viriam a ter nas nossas vidas.Nascidas em 1909 para ava- de de pagamento. ta de acordo partidário en- O insuspeito de excessos de europeísmo “Financial Times” escrevialiarem as emissões das obri- O rating consiste numa opi- tre democratas e republi- na terça, 19 de Julho: “Quando reunirem em Bruxelas, na quinta, osgações das companhias de nião técnica sobre a capaci- canos no Senado quanto ao líderes da eurozona têm finalmente que apresentar resultados dascaminhos-de-ferro norte- dade de uma entidade de sal- montante máximo da divi- suas reiteradas promessas de fazer o que for necessário para salvar-americanas, estas agên- dar os seus compromissos fi- da, aquelas agências teima- o euro. O tempo para grandes frases e conversa terminou. Chegou o tempo para passos mensuráveis que restaurem a confiança do mer-cias devem a sua evolução nanceiros. Para publicar uma vam em premiar a economia cado, posta em causa por meses de desacordos públicos entre políti-ao grande desenvolvimento nota de risco de crédito, os americana e a penalizar a cos europeus e banqueiros centrais”. E, ainda, “A Europa não enfren-do mercado de valores e ne- especialistas dessas agências dos países periféricos do eu- ta uma mera crise de liquidez na Grécia mas uma crise da sua uniãocessidade de se proceder a avaliam, além da situação fi- ro. Como também não se en- monetária”.uma avaliação da capacida- nanceira de um país, as con- tende que tenham atribuído Também Durão Barroso chamava a atenção para a gravidade do mo-de de empresas, bancos, au- dições do mercado mundial e um seguro AAA ao Lehman mento que a União Europeia vivia, apelando a decisões compatíveistarquias, e até dos próprios a opinião de especialistas da Brothers, mesmo antes des- com os princípios sempre proclamados e não praticados.Estados em cumprirem os iniciativa privada, fontes ofi- te banco falir em 2008. Neste quadro, as hesitações alemãs começaram a notar-se. Se, por umseus compromissos finan- ciais e académicas, embora Critérios! lado, se insistia na participação dos credores privados no novo pro- grama para a Grécia (tema que fora o principal responsável, desde háceiros, classificando depois Joseph Stiglitz, prémio Nobel Enquanto a União Europeia muito, pela onda especulativa que atingiu os países periféricos euro-de forma tida como indepen- da Economia, tenha recen- ainda estuda os mecanis- peus), por outro, começava timidamente a admitir-se que a crise nãodente o respectivo risco. temente afirmado que "nor- mos de enquadramento le- estava circunscrita aos três países com programas em curso. O volun-Standard & Poor’s, Fitch e malmente as suas avaliações gal em que deverá assentar tarismo de Sarkozy em vésperas da reunião ajudou a evitar que estaMoody’s são três das mais não têm qualquer funda- lá para o Outono a criação se traduzisse num novo fiasco.conhecidas e também as mento científico". O mesmo de uma agência de raiz euro- Como resultados positivos mais palpáveis da Cimeira do Eurogrupoprincipais agências norte- autor não hesita em consi- peia, a China recentemente deve referir-se a modificação do Fundo Europeu de Estabilização-americanas cuja atribuição derar que "as agências de ra- criou a sua própria agência, Financeira (FEEF), cujas verbas passam a poder ser aplicadas no mer-de classificações às dívidas ting têm um historial muito a Dagong, que foi, aliás, a pri- cado secundário da dívida e a poder ter intervenções de carácter pre- ventivo e ainda a redução das taxas de juro dos empréstimos euro-soberanas dos Estados an- negativo em termos de no- meira das grandes agências peus para 3,5% e a possibilidade de aumento no que se refere às ma-da a pôr a Europa de cabe- tações, que têm sido fonte de de notação a não dar nota turidades, no caso grego, de 7,5 anos para até 30 anos.los em pé, tendo aberto, por instabilidade. Por exemplo, máxima à dívida dos Estados Como resultados menos claros tivemos a tal participação dos priva-outro lado, uma gravíssima deram boas classificações às Unidos da América. Por cá, dos cujos termos e consequências não são evidentes. Aliás duas agên-crise na zona euro. A classifi- empresas de hipotecas [nos refira-se a existência da cias de notação vieram já baixar ainda mais o rating da Grécia comcação não é, porém, idêntica Estados Unidos], o que de- Companhia Portuguesa de este pretexto.para estas três agências. Para sempenhou um papel pre- Rating (CPR), que procede à O teste fundamental vai ser o da prática, como sempre. Veremos se háa Moody’s, a melhor classifi- ponderante na crise finan- avaliação de empresas, mas a coragem de intervir contra a especulação e os ataques na zona eu-cação que um país pode re- ceira", tendo ainda alertado não à de dívida soberana. ro, de forma determinada e articulada com o BCE ou se o respeito eceber é Aaa e a pior C. Para para a circunstância destas Para que a credibilidade re- sacralização face aos mercados inibe a utilização de instrumentos po- tencialmente poderosos.a Standard & Poor’s e Fitch, poderem “precipitar nova torne e o regular funciona- Infelizmente, as taxas de juro no mercado secundário continuam mui-a melhor é AAA e a pior D. crise”. mento das agências de rating to elevadas – quase 11% a 10 anos para Portugal-quatro dias depoisA classificação do risco é ex- De facto, não se compreen- possa ser retomado, as solu- da cimeira. Isto aperar de terem baixado…pressa através de notas na de que as três agências re- ções comummente aponta- Assim, temo que a cimeira tenha sido mais um intervalo de lucidezforma de letras e sinais arit- feridas continuem a atri- das pelos economistas pas- num processo de auto destruição europeia do que o arranque paraméticos, que apontam para buir classificações de tri- sam pela intensificação da uma nova fase de verdadeiro regresso à esperança na construção eu-o maior ou menor risco de plo A aos Estados Unidos, concorrência no sector, pela ropeia. Oxalá sejam receios sem fundamento.ocorrência de um default, is- quando o seu défice e a sua utilização de entidades pú- Mas, mesmo se permite ganhar algum tempo, o momento de esco-to é, de suspensão de paga- dívida atingiram valores blicas a fazer análises públi- lha política fundamental virá mais depressa do que muitos pensam: a União Europeia ou avança significativamente ou caminha para a liqui-mentos. A escala, no mínimo, absolutamente colossais. cas, ou ainda pela criação de dação ou para a irrelevância. E o Governo português não deve mantersignifica alta probabilidade Incompreensivelmente, em eurobonds (títulos de dívi- a sua atitude de passividade e de mera espera queatravés do trabalhode não pagamento das dívi- vésperas de um provável in- da da zona euro), e também de outros e de mais troikismo que o da troika se solucione a grandedas dentro do prazo acorda- cumprimento por parte do pelo regresso ao primado da questão nacional de juntar à consolidação orçamental o regresso aodo e, no topo, total capacida- Estados Unidos devido a fal- política.  S.G.S. crescimento e emprego. 

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