Aula 2 cânon bíblico

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Curso Bíblico com Pe Rogério toda terça e sábado

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  • A bíblia protestante não tem 1 e 2 Macabeus!
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Aula 2 cânon bíblico

  1. 1. Cânon
  2. 2. Cânon Bíblico é a lista de todos os livros da Bíblia. Canôn vem decana que era usada como metro, medida. Daí a palavra passou a ser usadatambém como norma, regra de verdade ou de fé. Os livros da Bíblia foram chamados de “canônicos” a partir do séculoIV, porque foram reconhecidos como normativos para a fé e a vida dos fiéis.
  3. 3. Para o Antigo Testamento existem dois cânones:O Cânon Alexandrino (ou longo): com 46 livros, presentes na Bíblia Católica;O Cânon Palestinense (ou curto) com 39 livros, presentes nas Bíblias Hebraica eProtestante; Para o Novo Testamento, o cânon é o mesmo para católicos e protestantescontendo 27 livros.
  4. 4. Tendo em vista a aceitação ou não no Cânon, os livros da Bíblia sãochamados de Protocanônicos e Deuterocanônicos.Protocanônicos: são os livros presentes nas três Bíblias (Católica, Hebraicae Protestante). Isto é, aqueles livros que foram considerados inspirados porDeus, sempre e por todos.Deuterocanônicos: são os livros cuja inspiração foi objetos de debates e quesão aceitos por um e rejeitados por outros. Encontram-se somente na BíbliaCatólica.
  5. 5. Formaçãodo Cânon É muito fácil refazer a história do cânon do Antigo Testamento; sabemos quepelo ano de 130 a.C., o tradutor do livro de Eclesiástico do hebraico para o gregosabia da existência de três grupos de livros que eram o tesouro de Israel: a lei, osProfetas e os Escritos. O primeiro e o segundo grupo já estavam bem definidos. Quanto aosescritos, ainda no tempo de Jesus, havia incertezas. No final do primeiro séculodepois de Cristo, os rabinos reconheceram que alguns livros “manchavam as mãos”isto é, eram sagrados e depois de manuseá-los era preciso purificar-se. O Cânon judaico, com 39 livros, foi fixado nos finais do século II d.C. Um dosmotivos que contribuiu para isso foi a Igreja Primitiva que usava o texto grego daBíblia, que continham 46 livros. Portanto, com os sete livros deuterocanônicos, nãoaceitos pelos judeus.
  6. 6. Quanto ao cânon da Bíblia Católica, os autoresdos livros do Novo Testamento, ao citar textos do AntigoTestamento, usaram todos os livros da BíbliaGrega, inclusive os deuterocanônicos. A IgrejaPrimitiva, portanto, considerou inspirados por Deus os 46livros da Bíblia Grega e não apenas os 39 livros da BíbliaHebraica. A formação do cânon no Novo Testamentotambém é complexa. O anônimo autor da Segunda Cartade Pedro fala das coleções de cartas de cartas dePaulo, colocando-as ao lado das “outras Escrituras”“Ele trata disso também em todas as suas cartas, se bemque nelas se encontrem algumas coisas difíceis, quehomens sem instrução e vacilantes deformam, para a suaprópria perdição. Aliás, é o que fazem também com asdemais Escrituras” (2Pd 3,16)
  7. 7. Não sabemos quantas e quais cartas ele conhecia. São Justino, nos meados do século IIdepois de Cristo, afirma que os cristãos liam, nas assembléias litúrgicas, as “memórias dosapóstolos”, isto é, os Evangelhos. A lista dos livros do Novo Testamento mais antiga que possuímos é o chamado Cânon deMuratori,, no final do século II d.C. Nela faltam Hebreus, Tiago, as duas cartas de São Pedro e aSegunda e Terceira Cartas de João. Um dos fatores que pode ter contribuído para a fixação do cânon no Novo Testamento foio herege Marcião que, em sua igreja, rejeitou todos os livros do Antigo Testamento e do NovoTestamento e admitiu apenas o Evangelho de Lucas e as dez cartas de Paulo. Por isso algunsconcílios locais, como os de Hipona em 393 d.C e os de Catargo em 397 e 419 d.C, aprovaramlistas de livros do Antigo e do Novo Testamento, que coincidem com os cânons atuais. Mas o primeiro Cânon oficial da Igreja é o do Concílio Ecumênico de Florença em1441, sob o papa Eugênio IV. Porém, a declaração definitiva do cânon bíblico só aconteceu em1946, na IV sessão do concílio de Trento. Ali Definiu-se co cânon do Antigo Testamento com 46livros e do Novo Testamento com 27 livros.
  8. 8. Critérios deCanonidadeComo a Igreja tem certeza que esses livros são canônicos? Sem dúvida, nãofoi por uma revelação especial. O Concílio Vaticano II diz que: “mediante a Tradição aIgreja conhece o cânon inteiro dos livros sagrados” (DV 8). Isso significa que, noprocesso de reconhecimento do cânon, está implícita a ação do Espírito Santoque, segundo Jesus, levará a Igreja à Verdade Total. O mesmo Espírito, que inspirou osautores sagrados a escrever, guia também a Igreja para reconhecer quais livros sãoinspirados ou não. Além da ação do Espírito Santo, existem outros critériossecundários.
  9. 9. Para os judeus, um livro era inspirado e, portanto, canônico, se fosse escrito por um profeta, em hebraico e em Israel. Por isso os livros chamados deuterocanônicos não foram aceitos pelos judeus. Ou porque foram escritos em grego, ou fora de Israel ou por uma pessoa que não era considerada profeta. Já os cristãos olharam a prática de Jesus e dos apóstolos, o uso litúrgico e a sua conformidade com a fé. Os livros que não são inspirados e não fazem parte de nenhum cânon são chamados Apócrifos.Apócrifos: livros escritos no tempo dos demais mas que não foram escritos sobre ainspiração de Deus e por isso, não pertence ao livro da Bíblia.
  10. 10. OsLivros Os cânones, ou lista, dos livros sagrados para cristãos, protestantes e judeus estão demonstradosnas tabelas a seguir: Obs.: Os livros sublinhados são aqueles que ocupam lugares diferentes nos três cânones. Os escritos em negrito são deuterocanônicos.AntigoTestamento Bíblia Católica Bíblia Protestante Bíblia Hebraica Pentateuco Pentateuco Lei Gênesis Gênesis Gênesis Êxodo Êxodo Êxodo Levítico Levítico Levítico Números Números Números Deuteronômio Deuteronômio Deuteronômio
  11. 11. Bíblia Católica Bíblia Protestante Bíblia Hebraica Históricos Históricos Profetas Anteriores Josué Josué Josué Juízes Juízes Juízes Rute Rute 1 e 2 Samuel 1 e 2 Samuel 1 e 2 Samuel 1 e 2 Reis 1 e 2 Reis 1 e 2 Reis 1 e 2 Crônicas 1 e 2 Crônicas Esdras Esdras Neemias Neemias Tobias Judite Ester Ester1 e 2 Macabeus 1 e 2 Macabeus
  12. 12. Bíblia Católica Bíblia Protestante Profetas Profetas Isaías Isaías Jeremias Jeremias Lamentações Lamentações Baruc Ezequiel Ezequiel Daniel Daniel Oséias Oséias Joel Joel Amós Amós Abdias Abdias Jonas Jonas Miquéias Miquéias Naum Naum Habacuc Habacuc Sofonias Sofonias Ageu Ageu Zacarias Zacarias Malaquias Malaquias
  13. 13. Novo Bíblia Católica Bíblia ProtestanteTestamento Históricos Históricos Evangelho de Mateus Evangelho de Mateus Evangelho de Marcos Evangelho de Marcos Evangelho de Lucas Evangelho de Lucas Evangelho de João Evangelho de João Atos dos Apóstolos Atos dos Apóstolos
  14. 14. Bíblia Católica Bíblia Protestante Didáticos Didáticos Cartas aos Romanos Cartas aos Romanos I Carta aos Coríntios I Carta aos Coríntios II Carta aos Coríntios II Carta aos Coríntios Carta aos Gálatas Carta aos Gálatas Cartas aos Efésios Cartas aos Efésios Cartas aos Filipenses Cartas aos Filipenses Cartas aos Colossenses Cartas aos ColossensesI Carta aos Tessalonicenses I Carta aos TessalonicensesII Carta aos Tessalonicenses II Carta aos Tessalonicenses I Carta a Timótio I Carta a Timótio II Carta a Timótio II Carta a Timótio Carta a Tito Carta a Tito Carta a Filêmon Carta a Filêmon Hebreus Hebreus Carta de Tiago Carta de Tiago I Carta de Pedro I Carta de Pedro II Carta de Pedro II Carta de Pedro I Carta de João I Carta de João II Carta de João II Carta de João III Carta de João III Carta de João Carta de Judas Carta de Judas
  15. 15. Bíblia Católica Bíblia Protestante Proféticos Proféticos Apocalipse Apocalipse (Revelação)
  16. 16. A Inspiração
  17. 17. Por “inspiração” entendemos a ação particular de Deus sobre algumas pessoas.Deus inspirou algumas pessoas para AGIR. Por exemplo: Abraão, Moisés e muitos outros;Inspirou outras para FALAR. Por exemplo, os profetasInspirou outros para ESCREVER. Esses são os hagiógrafos, ou autores sagrados, que escreveram aBíblia.
  18. 18. Ao falar de Inspiração da Sagrada Escritura, entende-se inspiração paraescrever a Bíblia. A Igreja herdou dos judeus a crença que seus livros sagrados foramescritos por inspiração divina. Não existem, no Antigo Testamento, textos explícitos que falem da inspiraçãodivina. Porém, à proporção que os livros do Antigo Testamento se formavam, cresciasempre mais, entre os judeus, a crença na inspiração divina. Assim, o rei Josias fez uma grande reforma religiosa em Judá, baseando no livroda Aliança, encontrado no Templo em Jerusalém (2Rs 23) . Sabemos, hoje, que esse livro éo Deuteronômio. Esdras leu ao povo “o Livro da Lei de Moisés que o Senhor mandou a Israel”. Esselivro de Moisés, hoje, é identificado com todo o Pentateuco. Os rabinos chegaram a afirmarque a Torá (o Pentateuco), tinha sido escrita pelo próprio Deus, antes da criação do Mundo.Por acreditar na origem divina de seus livros sagrados, os judeus ficaram conhecidos como“Povo do Livro”.
  19. 19. Tanto Jesus como os apóstolos acreditavam que as Escrituras eramlivros sagrados. Várias vezes encontramos afirmações de que Deus ou oEspírito Santo falou através de Moisés, de Davi ou dos Profetas. É certo que, para Jesus e para a Igreja Primitiva, as Escrituras sãolivros sagrados onde se encontra a palavra de Deus.
  20. 20. O Concílio Vaticano II, na Constituição Dogmática Dei Verbum (III, 11), diz: “As verdades divinamente reveladas que estão contidas e expressas nos livros da Sagrada Escritura foram escritas por inspiração do Espírito Santo. A Santa Mãe Igreja, por fé apostólica, considera sagrados e canônicos todos os livrosinteiros, seja do Antigo como no Novo Testamento com todas as suas partes, porque escritos por inspiração do Espírito Santo, tem Deus por autor e como tais foramdados a Igreja. Para a composição dos Livros Sagrados, Deus escolheu homens, dos quais se serviu fazendo-os usar suas próprias faculdades e capacidades, afim de que, Ele agindo neles, escrevessem como verdadeiros autores, tudo e só aquilo que Ele queria que fossem escritos”
  21. 21. Resumindo, Deus é o autor da Bíblia. Mas, para dirigir o texto, serviu-se de homens. Porisso, a Bíblia é um livro divino e humano. Mas como entender a inspiração? Alguns afirmam que a inspiração é um dom natural, comooratória, a pintura, a culinária e entre outras. Para outros é um dom sobrenatural, um carisma divino,concedido a quem Deus escolheu. A principio, entendeu-se a inspiração como sendo um DITADO. Deus teria ditado, palavra porpalavra, e o autor humano teria escrito tudo com fidelidade. Para outros, Deus teria inspirado apenas aMENSAGEM, as idéias, deixando ao homem a expressão verbal das mesmas.
  22. 22. Hoje com base em vários documentos da Igreja, entendemos a inspiraçãocom a explicação da “CAUSA INSTRUMENTAL”, isto é, Deus é a causa principal eprimeira na composição da Bíblia. Foi Ele quem moveu os homens a escrever. Ohomem é a causa instrumental, isto é, o instrumento de Deus para escrever o texto.Quando escrevemos, a ação é da caneta ou do lápis. Mas eles não escrevem sem anossa contribuição. Assim o resultado de um texto é da pessoa e também da caneta.
  23. 23. Porém, o homem não pode ser comparado à caneta ou a qualquer outroinstrumento, porque ele possui vontade própria, imaginação, memória, fantasia e etc. Não é uminstrumento passivo e inerte na mão de Deus. É sim, um instrumento, mas um instrumento ativo, e porisso escreveu, como verdadeiro autor, tudo o que o autor principal, Deus, queria. A Bíblia é, pois, umlivro divino porque Deus é seu autor principal, mas também um livro humano, pois é fruto da ação dohomem. A inspiração incide sobre todas as faculdades doescritor, imaginação, conhecimento, memória, vontade e faculdades executivas. Porém, cada autorhumano continuou filho do seu tempo, de sua cultura e escreveu com os conhecimentos que possuía. Otexto bíblico reflete o estilo e a cultura de cada autor humano. Não existe livro mais inspirado queoutro. Existem, sim, autores humanos diferentes entre si, vivendo em épocas e lugares diferentes, comgraus de cultura diferentes. Os “erros” de história, geografia, ciências e outros que encontramos naBíblia se devem a limitação dos autores humanos
  24. 24. Sabemos que a Sagrada Escritura é obra de muitas pessoas. Todas elas, desde queinfluíram no texto sagrado, foram inspiradas, mesmo que a contribuição do autor tenha sido uma frase,um retoque. Do mesmo modo, todos os livros inteiros são inspirados. A inspiração atinge a totalidadeda Bíblia e não só algumas partes mais importantes. A conseqüência mais importante da inspiração é que a Bíblia, por ter Deus como autorprincipal, não pode conter erro algum, até pouco tempo atrás falava-se de IERRANCIA , isto é, aausência de erro na Bíblia. Mas basta ler alguns textos para se notar uma série de erros nos maisdiversos assuntos. Hoje após o Concilio Vaticano II, fala-se de VERDADE BÍBLICA. A Bíblia não é um livrode história, nem de ciências naturais ou de psicologia.
  25. 25. A Verdade que a Bíblia quer ensinar é religiosa, importante para nossasalvação. Portanto, não devemos procurar nela outras verdades. Os erros queela contem são devidos aos conhecimentos limitados de seus autores humanos.Aliás, não deveríamos falar em erros mas em ignorância. O erro existe quando,sabendo a verdade, se ensina o falso. A ignorância consiste em não saber e emnão afirmar . Os autores humanos não pretendiam ensinar o falso, masignoravam muitas coisas que nós hoje conhecemos.
  26. 26. A verdade bíblica não deve ser buscada em apenas um versículo, parágrafo ou capitulo daBíblia. Deve ser buscada na sua totalidade. Porque Deus não se revela de uma só vez. Mas o faz aospoucos, à proporção que o homem pode compreender. Houve um progresso na revelação e napedagogia divina. Por isso a moral do Antigo Testamento é imperfeita em comparação com a moralevangélica. O próprio mistério de Deus vai se esclarecendo pouco a pouco. A Abraão, Deus se revelacomo um entre muitos outros deuses. A Moisés, como o único Deus. Somente Jesus nos revela omistério profundo de Deus Uno e Trino. Portanto, é preciso tomar a Bíblia na sua totalidade paraconhecer a verdade que Deus quis que fosse escrita para a nossa Salvação

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