Funções da metáfora 09 de maio 2013

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Apresentação ao grupo GEMATEC CEFETMG

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Funções da metáfora 09 de maio 2013

  1. 1. GRUPO DE ESTUDOS EM METÁFORAS EANALOGIAS NA TECNOLOGIA, NA EDUCAÇÃO E NACIÊNCIAAs funções dametáforaProfa MSc. Niuza EugêniaMaio/2013
  2. 2. GRUPO DE ESTUDOS EM METÁFORAS EANALOGIAS NA TECNOLOGIA, NA EDUCAÇÃO E NACIÊNCIA“ Tout langage et par là toute pensée aune origine métaphorique.”Nietzsche
  3. 3. GRUPO DE ESTUDOS EM METÁFORAS EANALOGIAS NA TECNOLOGIA, NA EDUCAÇÃO E NACIÊNCIAO que é umametáfora?
  4. 4. GRUPO DE ESTUDOS EM METÁFORAS EANALOGIAS NA TECNOLOGIA, NA EDUCAÇÃO E NACIÊNCIA1- é uma figura de linguagem2- é uma analogia condensada ou camuflada3- é uma transposição de significados4- é o uso de uma palavra em sentido diferente do própriopor analogia ou semelhança.5- é uma alteração do sentido de uma palavra ouexpressão, pelo acréscimo de um segundosignificado, quando entre o sentido de base e o acrescentadohá uma relação de semelhança, de interseção, isto é, quandoapresentam traços semânticos comuns....confira evolução do termo Metáfora
  5. 5. GRUPO DE ESTUDOS EM METÁFORAS EANALOGIAS NA TECNOLOGIA, NA EDUCAÇÃO E NACIÊNCIARICOEUR (2000) afirma que a visão aristotélica remetea três conceitos principais inerentes à metáfora:o desvio,o empréstimo e asubstituiçãoDessa forma, a metáfora seria um desvio do usohabitual da palavra; um empréstimo de sentido; umasubstituição de uma palavra por outra.
  6. 6. GRUPO DE ESTUDOS EM METÁFORAS EANALOGIAS NA TECNOLOGIA, NA EDUCAÇÃO E NACIÊNCIAQuando é possível usaruma metáfora ?
  7. 7. GRUPO DE ESTUDOS EM METÁFORAS EANALOGIAS NA TECNOLOGIA, NA EDUCAÇÃO E NACIÊNCIAQuando há uma interseção entre dois conceitos, istoé, quando estes apresentam traços semânticoscomuns, quando é possível de alguma forma fazer umacomparação, por mais absurda que possa ser, haverásempre um ponto de interseção.
  8. 8. GRUPO DE ESTUDOS EM METÁFORAS EANALOGIAS NA TECNOLOGIA, NA EDUCAÇÃO E NACIÊNCIA
  9. 9. GRUPO DE ESTUDOS EM METÁFORAS EANALOGIAS NA TECNOLOGIA, NA EDUCAÇÃO E NACIÊNCIA... conforme salienta Araújo (2003), é importante destacarque “tanto as analogias quanto as metáforas sãoconstruídas com base em, pelo menos, dois conceitosdistintos; ambas expressam formas de comparação maisou menos complexas e tais comparações possibilitam acompreensão de conceitos e ou ideias abstratos.” Asemelhança, conforme Ricoeur (2000, b), é o fundamentoda substituição posta em ação na transposição metafórica.DSS Niuza, pág.27
  10. 10. GRUPO DE ESTUDOS EM METÁFORAS EANALOGIAS NA TECNOLOGIA, NA EDUCAÇÃO E NACIÊNCIAPara que fimusamos umametáfora?
  11. 11. GRUPO DE ESTUDOS EM METÁFORAS EANALOGIAS NA TECNOLOGIA, NA EDUCAÇÃO E NACIÊNCIAPara responder à esta questão realizando umtrabalho de pesquisa, chegamos às funções dametáfora que foram apresentadas em um capítulo dadissertação de mestrado: "Metáforas e interfacesgráficas: contribuições para uma aprendizagemsignificativa da informática", de acordo com RonaldLANDHEER da Universidade de Leiden (Holanda)em seu artigo Le rôle de la métaphorisation dans lemétalangage linguistique.*
  12. 12. GRUPO DE ESTUDOS EM METÁFORAS EANALOGIAS NA TECNOLOGIA, NA EDUCAÇÃO E NACIÊNCIARonald LANDHEER sustenta em seu artigo uma distinçãoentre as funções da metáfora e considera como sendo asprincipais: a função denominativa a função estética a função expressiva a função cognitiva a função didática a função teórica ou heurística
  13. 13. GRUPO DE ESTUDOS EM METÁFORAS EANALOGIAS NA TECNOLOGIA, NA EDUCAÇÃO E NACIÊNCIA Esta função, segundo Landheer está relacionada ao fato de que todo tipo de objetorecebeu uma denominação de origem metafórica. São as metáforas ditasantropológicas, ou seja, palavras relacionadas ao nosso corpo, que têm o ser humanocomo referencial naquilo em que se assemelham: “o pé da mesa”, “ os dentes de umpente”, “o coração de um reator”, “as costas de um livro” etc... são exemplos de metáforasdenominativas. Em outras palavras, os neologismos metafóricos decorrem de termos familiares paradesignar inovações ou fenômenos novos em uma sociedade. Lakoff e Johnsonintroduzem a teoria das metáforas conceptuais considerando esta funçãodenominativa, esta capacidade de compreender novos conceitos a partir de outrosconceitos já existentes. Cabe citar aqui então, como exemplo, o que acontece com alguns termos dovocabulário da informática: mouse, vírus, rede, arquivo, disco, pasta, menu... sãotambém exemplos de metáforas denominativas.A função denominativa
  14. 14. GRUPO DE ESTUDOS EM METÁFORAS EANALOGIAS NA TECNOLOGIA, NA EDUCAÇÃO E NACIÊNCIAPara Landheer o que ocorre então é que :“ Muito antes de criar um novo termo para todas estas novidades,opta-se frequentemente pela solução de tomar o nome já existentede uma coisa que se lhe assemelha em certos aspectoscaracterísticos”.
  15. 15. GRUPO DE ESTUDOS EM METÁFORAS EANALOGIAS NA TECNOLOGIA, NA EDUCAÇÃO E NACIÊNCIA A função estética está relacionada à missão de “embelezar” odiscurso. Esta função pode ser chamada de decorativa ou ornamental, ondeocorre um jogo de palavras com o objetivo de substituir nomes das coisassimples por metáforas mais originais, desta forma ornamentando o texto;“seus lábios de mel’’; “suas faces douradas”; “um rio de lágrimas”; “umatempestade de palavras”, são exemplos dessa segunda função que é essencialno campo da literatura poética. Algumas metáforas estéticas são únicas e muito particulares para quemas escreve, o que consequentemente poderá torná-las não codificáveis forado contexto.A função estética
  16. 16. GRUPO DE ESTUDOS EM METÁFORAS EANALOGIAS NA TECNOLOGIA, NA EDUCAÇÃO E NACIÊNCIAPara a função expressiva, Landheer cita exemplos de comparaçõescom animais de grande porte ou de características fortementeconhecidas: para destacar a força física de um homem, porexemplo, dizer que “Pedro é um touro”, é mais expressivo do que dizerque ele é forte. Assim como comparar um sujeito que escreve bempoesia chamando-o de Baudelaire (ou de Drummond).Landheer notifica que, de um modo geral, quanto mais expressiva umametáfora, menos codificável ela tende a ser. Um bom exemplo demetáfora expressiva é o famoso “trem” da linguagem do povo mineiro.Só o mineiro tem um trem esquisito no estômago ou um trem bomdemais pra fazer ou ainda um trem para terminar antes de sair.A função expressiva
  17. 17. GRUPO DE ESTUDOS EM METÁFORAS EANALOGIAS NA TECNOLOGIA, NA EDUCAÇÃO E NACIÊNCIA Segundo Landheer, a metáfora expressiva pode então ser entendidaapenas em determinadas comunidades ou em determinados contextos.Um bom exemplo da literatura regional brasileira no uso de metáforas defunção expressiva é a obra de Guimarães Rosa, onde a metáfora surge,quase sempre, na reiteração de imagens, embalada por onomatopeias,crispada por neologismos. Faço uma observação também para as expressões idiomáticas de umalíngua estrangeira (LE) como exemplo máximo de uma metáforaexpressiva:- “Ce ne sont pas vos oignons”, em francês assim como “Ele deu com osburros n’água”. Somente o contexto de onde surgiram pode explicaro seu significado.
  18. 18. GRUPO DE ESTUDOS EM METÁFORAS EANALOGIAS NA TECNOLOGIA, NA EDUCAÇÃO E NACIÊNCIAA função cognitiva da metáfora opera muito mais sob a semelhança, ou sobo análogo, do que sob o abstrato, o ambíguo, o ornamental ou controverso.Esta função é a que torna o exemplo de Lakoff & Jonhson célebre, ou seja,está relacionada às metáforas conceptuais.As metáforas conceptuais são construídas a partir de conceitossignificativos existentes em nosso sistema conceptual. Este sistema fornecea base para a apreensão e a compreensão de novos conceitos e de novasconcepções, isto é, esta base parte daquilo que temos em nossa mente, quejá assimilamos através de nossas experiências e que seguindo uma projeçãometafórica, nos permite formar novas concepções, ou conceber e entendernovas idéias.A função cognitiva
  19. 19. GRUPO DE ESTUDOS EM METÁFORAS EANALOGIAS NA TECNOLOGIA, NA EDUCAÇÃO E NACIÊNCIAUm conceito abstrato pode ser relacionado a outro de domínio corrente: “tempo édinheiro”, “a vida é uma viagem” são exemplos citados. Compreende-se que todas asações que normalmente são atribuídas ao dinheiro possam também ser atribuídasao tempo. Se considerarmos a vida uma viagem, subentende-se que há uma chegadae uma partida, assim como um percurso a transcorrer.As palavras tempo e vida são “reconceptualizadas” em um emprego metafóricoutilizando uma série de características que normalmente pertencem aos domíniosdas palavras dinheiro e respectivamente viagem.Ronald Landheer destaca que é interessante notar que tais conceitos metafóricosnão têm em si um valor de verdade condicional, não são verdades nem contra-verdades que eles exprimem, mas simplesmente nos ensinam a ver as coisas deuma maneira ou de outra, funcionam sempre como imagens reveladoras.
  20. 20. GRUPO DE ESTUDOS EM METÁFORAS EANALOGIAS NA TECNOLOGIA, NA EDUCAÇÃO E NACIÊNCIAO mesmo acontece com o termo “luz” para designar “o espírito” ele explica,sabemos até que ponto esta imagem é produtiva considerando todas aspalavras que em relação ao conceito “luz” podem designar esta noçãointelectual: claro, clarear, esclarecer, brilhante, luminoso, obscuro, obscurecere etc... assim cria-se um paralelismo muito eficaz entre os dois domínios.A definição de concepção encontrada no Novo Aurélio (edição 1993), ajuda aesclarecer este mecanismo: ato de conceber, gerar, criar mentalmente, deformar ideias, especialmente abstrações. Conceptual é tudo aquilo em que háuma concepção. Em outras palavras, tudo aquilo que nos permite criar ourecriar.O nosso conhecimento é uma construção infinita de saberes e ligaçõescognitivas. Formamos relações cognitivas que vão se ligando em nossoscérebros, formando uma teia variada de conhecimento e saberes.
  21. 21. GRUPO DE ESTUDOS EM METÁFORAS EANALOGIAS NA TECNOLOGIA, NA EDUCAÇÃO E NACIÊNCIAA função da metáfora pode ser também de natureza didática. Utiliza-sefrequentemente metáforas para explicar um fenômeno complexo oudesconhecido a partir da imagem de um fenômeno conhecido ou familiar.Para Landheer, Aristóteles foi sem dúvida o primeiro teórico a reconhecereste valor didático. A metáfora possibilita a transferência de nossosconhecimentos de um domínio relativamente conhecido para um domíniorelativamente desconhecido, ela funciona como um catalisador dacompreensão.No que se refere à linguagem computacional, termos que eventualmentefazem parte de um domínio conhecido como o de um escritório, porexemplo, passam a integrar este novo contexto: arquivos, pastas,documentos etc...A função didática
  22. 22. GRUPO DE ESTUDOS EM METÁFORAS EANALOGIAS NA TECNOLOGIA, NA EDUCAÇÃO E NACIÊNCIAFinalmente, a metáfora pode também ter uma função teórica ou mesmo heurística.São metáforas que constituem uma parte integrante e insubstituível de uma teoria oude uma disciplina, como no caso da Lingüística Gerativa que é inimaginável sem suasestruturas arborescentes, com seus diferentes galhos, suas ramificações.« Selon le philosophe allemand Nietzsche, l’évolution de la connaissance humainen’est même rien d’autre que l’échange d’anciennes métaphores contre desmétaphores nouvelles. »Não é portanto surpreendente ver que uma nova corrente de pensamentos ou umnovo modelo teórico, tenha o hábito de criticar ou de condenar os conceitosmetafóricos de seus predecessores.(A Árvore da vida de Darwin é um exemplo de função teórica da metáfora Marcelos- 2006)A função teórica
  23. 23. GRUPO DE ESTUDOS EM METÁFORAS EANALOGIAS NA TECNOLOGIA, NA EDUCAÇÃO E NACIÊNCIARonald Landheer conclui seu artigo afirmando que o que acaba dedescrever representa na verdade, um resumo das diversas características funcionaisda metáfora e que estas funções não são mutuamente exclusivas, ao contrário,combinam entre si.A função estética combina frequentemente com uma função expressiva, assim comoa função teórica se desdobra facilmente em uma função cognitiva. Na verdade ametáfora constitui a ancoragem de todo discurso teórico e ela afeta mesmo aessência e a coerência de qualquer disciplina:« Si, pour conclure, on m’incitait à indiquer les principales fonctions de lamétaphorisation dans le métalangage scientifique, je n’hésiterais pas à poserque ce sont surtout les trois dernières fonctions qui en sont responsables : lafonction cognitive, la fonction didactique et la fonction théorique. »CONCLUSÕES
  24. 24. GRUPO DE ESTUDOS EM METÁFORAS EANALOGIAS NA TECNOLOGIA, NA EDUCAÇÃO E NACIÊNCIAA função cognitiva nos torna conscientes das novas idéias e intuições, afunção teórica nos permite criar, a partir destas idéias, um sistemacoerente, a função didática nos permite falar de um novo e complexoproblema com a ajuda de analogias que nos são familiares.São também estas três funções que tornam a metáfora indispensável comoferramenta de descrição dos fatos da língua, qualquer que seja a ótica sob aqual se observa estes fatos ou qualquer que seja a perspectiva adotada para adescrição dos mesmos.
  25. 25. GRUPO DE ESTUDOS EM METÁFORAS EANALOGIAS NA TECNOLOGIA, NA EDUCAÇÃO E NACIÊNCIA
  26. 26. GRUPO DE ESTUDOS EM METÁFORAS EANALOGIAS NA TECNOLOGIA, NA EDUCAÇÃO E NACIÊNCIA“Uma vez criadas, as metáforaspassam pouco a pouco do estado denovas para convencionais. Quantomais são utilizadas, mais elas setornam convencionais.”Anne-Sophie Collard (2003)
  27. 27. GRUPO DE ESTUDOS EM METÁFORAS EANALOGIAS NA TECNOLOGIA, NA EDUCAÇÃO E NACIÊNCIAObrigada!
  28. 28. GRUPO DE ESTUDOS EM METÁFORAS EANALOGIAS NA TECNOLOGIA, NA EDUCAÇÃO E NACIÊNCIA• COLLARD Anne-Sophie, « Portraits de métaphores : réflexions autour des enjeuxcommunicationnels des métaphores dans l’hypermédia », in Communication, vol.23(2), automne/hiver 2005 – Bélgica• COLLARD Anne-Sophie, «La métaphore dans l’hypermédia–Approche théorique etcognitive de la définition de la métaphore dans l’hypermédia », in Communication,vol.23(2), automne/hiver 2005• GLYKOS, Allain - Approche communicationnelle du Dialogue Artiste / Scientifique -Université Diderot - Paris 7- 1999• LANDHEER Ronald – « Le rôle de la métaphorisation dans le métalangagelinguistique » Université de Leiden - Pays Bas, 2002, Ed. Nelly Flaux : 283-294• RICOEUR, Paul – « A metáfora viva » São Paulo, Edições Loyola -2000Referências

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