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Ele não foi totalmente sério, para começar, mas não estava disposto a discutir co...
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— Ainda se recuperando em nossa enfermaria. — O abuso físico de Kellan Archer foi...
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Desligou o interfone e saiu de seus aposentos. A batida de suas botas de combate ...
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— Não é nada. — Corinne Bishop afundou mais em seu cardigan cinza pálido e balanç...
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Darkhaven. As outras fêmeas foram recolhidas em abrigos ou arrancadas de existênc...
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Não que parecesse que Chase estava preocupado com sua condição.
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Hunter ignorou o comentário de seu parceiro de patrulha, enquanto mantinha o olha...
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Chase zombou.
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Chase estava sentado no escuro sozinho, agachado sobre as pernas num canto sombri...
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Pelo menos já não tinha que lidar com esse desejo indesejado.
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— Fomos uma família, uma vez, — ela o lembrou gentilmente. — Pensei que éramos am...
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Amanhã, estaria em casa com sua família.
Amanhã, sua vida começaria de novo e ser...
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— Isso é certo. Alex e Jenna estavam lá, junto com Dylan e Renata. Se Tess não es...
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Hunter pareceu duro naquela noite. Com seus traços cinzelados, e quase dois metro...
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Nos poucos momentos que conversou com ela, algo passou por seu rosto outra vez il...
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Fora das janelas bem fechadas que bloqueavam a escassa luz do meio-dia, uma tempe...
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Descartou a Subordinada com um movimento frouxo de seu pulso.
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Seu nome era Dragos, e logo cada homem, mulher e criança — da Raça e humanos
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irmã mais nova adotada, Charlotte, costumavam brincar no calor do verão, quando a...
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  1. 1. TWKliek Lara Adrian Midnight Breed 09 1 Mais Profundo que a Meia-Noite Lara Adrian Midnight Breed 09 Com dezoito anos, Corinne Bishop era uma beldade, uma espirituosa jovem mulher vivendo uma vida de privilégios como a filha adotada de uma promissora família. Mas, seu mundo mudou num instante quando foi raptada e feita prisioneira pelo maldoso vampiro Dragos. Após muitos anos cativa e atormentada, Corinne é resgatada pela Ordem, um grupo de Vampiros guerreiros envolvidos numa guerra contra Dragos e seus seguidores. Com sua inocência roubada, Corinne também perdeu parte de seu coração, bem como a única coisa que lhe deu esperança durante sua prisão, e a única coisa que importa a ela agora, é que estava livre. Designado para vigiar Corinne em sua viagem para casa, está um formidável espécime da Raça, de olhos dourados, chamado Hunter. Antes, o mais mortal assassino de Dragos, Hunter agora trabalha para a Ordem e está decidido a fazer Dragos pagar por seus muitos pecados. Ligado a Corinne pelo desejo mútuo, Hunter terá que decidir quão longe irá para acabar com o reinado do mal de Dragos — mesmo que o cumprimento de sua missão quebre o coração de Corinne no caminho. Traduzido e Revisado do Inglês Envio do arquivo: Gisa Revisão Inicial: Sandra Maia Revisão Final: Kimie Formatação: Gisa e Kimie Capa: Elica Leal TWKliek
  2. 2. TWKliek Lara Adrian Midnight Breed 09 2 Comentário da Revisora Sandra Maia: É um livro de ligação. Pareceu um prólogo para a história do Chase e para o ápice da guerra contra Dragos. Mas amei a maneira como o Hunter e a Corinne se envolveram. Amei a forma delicada como a autora tratou os traumas dos dois, e como eles se entenderam e apoiaram. Tem boas surpresas, mas agora estou de novo na espera do próximo livro para saber mais.... Comentário da Revisora Kimie: É uma história densa, com suspense e reviravoltas. Mostra que a Paixão e o Amor podem até mesmo "amolecer" um durão como Hunter, torná-lo capaz de amar. E a força e determinação de uma mãe que não esmorece diante das adversidades. Narra também um pouco dos outros personagens, principalmente o Chase, deixando em suspense a sequência da série. Capítulo 1 O clube era privado, muito fora do caminho, e por uma maldita boa razão. Localizado no fim de um beco estreito, incrustado no distrito do Bairro Chinês de Boston, o lugar atendia a um exclusivo e discriminado público. Os únicos humanos permitidos dentro do velho edifício de tijolo eram as fixas jovens atraentes — e alguns bonitos homens — mantidos à mão para satisfazer cada ânsia da clientela noturna. Escondida dentro das sombras de um vestíbulo arcado ao nível da rua, a porta metálica desmarcada não dava nenhuma indicação do que estava atrás dela, não que algum morador ou turista em seu perfeito juízo fizesse uma pausa para olhar. A placa grossa de aço estava protegida por uma alta grade de ferro. Fora da entrada, um grande guarda parecia uma gárgula com um boné tricotado e couro preto. O macho era Raça, como eram os dois guerreiros que emergiram da escuridão do corredor. Ao som das suas botas triturando a neve e a sujeira congelada no pavimento, o guarda de plantão levantou sua cabeça. Sob um nariz grosso, bulboso, lábios finos mostravam dentes torcidos e as pontas agudas das presas de vampiro. Os olhos se estreitaram nos recém-chegados não convidados, e soltou um rosnado baixo, sua respiração quente emitindo vapor das suas narinas como plumas no ar da noite frágil de Dezembro. Hunter registrou uma corrente de tensão em movimento no seu parceiro de patrulha quando os dois se aproximaram do vampiro de guarda. Sterling Chase estava nervoso depois que deixaram o complexo da Ordem para a missão desta noite. Agora, andava num passo agressivo, tomando a dianteira, seus dedos flexionando e contraindo enquanto descansava a mão na pistola semiautomática presa no seu cinto de armas. O guarda veio para frente, também, ficando bem no seu caminho. As grandes coxas se estenderam, as botas plantadas no pavimento quando a grande cabeça do vampiro abaixou. Os olhos que antes estavam estreitados, agora ficaram mais apertados com o reconhecimento de Chase.
  3. 3. TWKliek Lara Adrian Midnight Breed 09 3 — Você está brincando comigo. O que quer aí fora no gramado da Agência de Execução, guerreiro? — Taggart. — Disse Chase, mais rosnando que saudando. — Vejo que sua carreira não teve nenhum perigo de melhorar desde que deixei a Agência. Reduzido a porteiro que brinca de sip- and-strip1 , né? O que vem depois — segurança de Shopping? O agente enrugou seus lábios numa maldição madura. — Requer muita coragem mostrar sua cara, principalmente aqui. A risada de resposta de Chase não foi nem ameaçadora nem divertida. — Tente olhar num espelho algum dia, logo conversaremos sobre quem tem coragem mostrando sua cara em público. — Este lugar pertence à Agência de Execução. — Disse o guarda, cruzando os braços carnudos no peito musculoso. Um tórax cruzado por uma larga cinta de couro com um coldre de armas, e ainda mais equipamento em volta da cintura. — A Ordem não tem nenhum negócio aqui. — Sim? — Chase grunhiu. — Diga isto a Lucan Thorne. Ele é quem terá sua bunda se não sair do nosso caminho. Assumindo que nós dois ficaremos aqui esfriando nossos pés sem nenhuma boa razão para não decidirmos retirá-lo nós mesmos. A boca do Agente Taggart se apertou com a menção de Lucan, o líder da Ordem era um dos mais antigos e mais formidáveis da nação de Raças. Agora, o olhar fixo cuidadoso girou de Chase para Hunter, que estava atrás do seu colega guerreiro em silêncio. Hunter não tinha nenhuma disputa com Taggart, mas já tinha calculado pelo menos cinco modos diferentes de inutilizá-lo — matá-lo rápido e seguro, direto onde estava — caso a necessidade surgisse. Era o que Hunter foi treinado para fazer. Nascido e criado para ser uma arma empunhada pela mão impiedosa do principal adversário da Ordem, estava há muito tempo acostumado a observar o mundo em termos lógicos, impassíveis. Ele já não servia o vilão chamado Dragos, mas suas habilidades mortais permaneciam no núcleo de quem, e o que ele era. Hunter era letal — infalivelmente assim — e na conexão instantânea do seu olhar fixo com Taggart, ele viu a compreensão severa refletindo nos olhos do outro macho. O Agente Taggart pestanejou, logo recuou, desviando do olhar de Hunter e abrindo caminho à porta do clube. — Achei que estaria disposto a reconsiderar. — Chase disse, quando ele e Hunter foram a passos largos para a grade de ferro e entraram no estabelecimento da Agência de Execução. A porta devia ser à prova de som. Dentro do clube escuro, a música barulhenta chocava com luzes multicores, girando e iluminando uma parte central feita de vidro espelhado. Os únicos bailarinos eram um grupo de três humanos semi nus que rodavam juntos na frente de um público de vampiros, com olhar quente, sentados em cabines e mesas no andar abaixo do palco. Hunter olhou a loira de cabelos longos no centro subindo num poste metálico que ia até o teto. Girando seus quadris, ergueu um de seus enormes seios, artificialmente redondos até encontrarem sua língua parecida a uma cobra. Enquanto brincava com o mamilo furado, os outros 1 Jogo onde se joga uma moeda, o perdedor ou tira uma peça de roupa ou toma um drinque, o ganhador escolhe outro para fazer em seu lugar.
  4. 4. TWKliek Lara Adrian Midnight Breed 09 4 bailarinos, uma mulher tatuada com o cabelo roxo espetado e um jovem de olhos escuros que mal cabia dentro da sunga de vinil vermelha brilhante em volta dos seus quadris, se moveram, pelo lado oposto do palco e começaram suas próprias rotinas de solo. O clube emitia um cheiro forte de perfume envelhecido e suor, mas o cheiro penetrante mofado não podia mascarar o odor de traços de sangue humano fresco. Hunter seguiu o rastro olfativo com seu olhar fixo. Levou-o a uma cabine de canto distante, onde um vampiro da Agência de Execução no terno padrão escuro e camisa branca se alimentava judiciosamente da garganta pálida de uma mulher nua, que gemia se espreguiçando através do seu colo. Mais alguns machos da Raça bebiam de outros Anfitriões de sangue humanos, enquanto outros no estabelecimento pareciam mais atentos na satisfação de necessidades mais carnais. Junto dele perto da porta, Chase estava como uma pedra. Um rosnado baixo estrondava do fundo da sua garganta. Hunter observou a alimentação e o espetáculo teatral dentro do lugar com um pouco mais que um relance de avaliação, mas o olhar fixo de Chase estava fixo e faminto, tão saliente como o de outros machos da Raça reunidos ali. Possivelmente até mais. Hunter estava muito mais interessado num punhado de cabeças que agora se viravam dentro da multidão de Agentes Executores. Sua chegada foi notada, e as olhares ferviam lentamente de cada par de olhos que pousavam neles, o que dizia que a situação podia ficar feia muito rapidamente. Mal tinha registrado a possibilidade, quando um dos vampiros que os fitavam se reclinou num sofá próximo e levantou para confrontá-los. O macho era grande, como eram seus dois companheiros que levantaram com ele, abrindo caminho pela multidão. Todos os três estavam visivelmente armados sob seus ternos escuros finamente cortados. — Bem, bem. Olhem só quem chegou. — O Agente na liderança falou pausadamente, um sotaque do Sul nas suas palavras lentamente medidas e nos seus refinados, quase delicados, traços. — Quantas décadas de serviço com a Agência, mas nunca se juntou a algum de nós em um lugar como este. A boca de Chase se curvou, mal escondendo suas presas alongadas. — Você soa desapontado, Murdock. Esta merda nunca foi minha praia. — Não, você sempre se manteve acima da tentação. — Respondeu o vampiro, seu olhar fixo tão perspicaz como seu sorriso. — Tão cuidadoso. Tão rigidamente disciplinado, até nos seus apetites. Mas as coisas mudaram. A gente muda, não é, Chase? Se vir algo que goste aqui, só tem que dizer. Em nome do passado, se por nada mais, hum? — Viemos obter informação sobre um Agente chamado Freyne. — Hunter interpôs quando a resposta de Chase pareceu demorar mais que o necessário. — Assim que tivermos o que precisamos, partiremos. — É isso mesmo? — Murdock o observou com uma curiosa inclinação de cabeça. Hunter viu o olhar do vampiro correr sutilmente por seu rosto para observar os dermaglifos que riscavam o lado do seu pescoço e em volta da sua nuca. Levou apenas um momento para o macho discernir o padrão complicado de Hunter, as marcas de pele indicando que era Gen-Um, uma raridade entre a Raça. Hunter não chegava perto das idades dos seus colegas guerreiros Gen-Um, Lucan ou Tegan,
  5. 5. TWKliek Lara Adrian Midnight Breed 09 5 contudo, nascido de um dos Anciões, seu sangue tinha cada gota pura. Como seus irmãos Gen- Um, sua força e poder eram maiores que dez vampiros de geração posterior. Foi criado para o exército pessoal de assassinos de Dragos — uma criação secreta conhecida só pela Ordem — que o fazia muito mais letal que Murdock e essa dúzia de Agentes no clube juntos. Chase pareceu sair da sua distração finalmente. — O que pode nos dizer sobre Freyne? Murdock encolheu os ombros. — Está morto. Mas acho que isso já sabem. Freyne e sua unidade foram todos mortos na semana passada numa missão para recuperar um jovem raptado de um Darkhaven. — Deu uma sacudidela lenta de cabeça. — Bastante penoso. Não só a Agência perdeu vários bons homens, mas seu objetivo na missão resultou menos que satisfatório também. — Menos que satisfatório. — Chase ridicularizou. — Sim, pode dizer isto. Pelo que a Ordem entende, a missão para resgatar Kellan Archer foi fodida de seis maneiras diferentes no domingo. O menino, seu pai e avô — inferno, a maldita família Archer inteira — todos apagados uma única noite. Hunter não disse nada, deixando Chase jogar a isca como quisesse. A maior parte do que dizia era verdade. A noite da tentativa de resgate foi embebida por sangue e terminou com muita morte, o pior reservado aos membros da família de Kellan Archer. Mas ao contrário da afirmação de Chase, houve sobreviventes. Dois, para ser exato. Ambos foram levados para longe da carnificina daquela noite e estavam seguros agora sob a custódia protetora da Ordem em seu complexo privado. — Não discordo que as coisas podiam ter terminado melhor, tanto para a Agência como para os civis que perderam suas vidas também. Os erros, embora lamentáveis, acontecem. Infelizmente, nunca teremos certeza de onde colocar a culpa do drama da semana passada. Chase riu sob sua respiração. — Não esteja tão certo. Conheço-o e Freyne deu para trás. Inferno, metade dos homens neste clube venderam favores a ele regularmente. Freyne era um idiota, mas sabia reconhecer uma oportunidade quando a via. Seu maior problema era sua boca. Se estava envolvido em algo ligado ao rapto de Kellan Archer ou ao ataque que deixou o Darkhaven de Archer em escombros — e só para argumentar, digamos que estava implicado — então as chances são muito boas que tenha dito a alguém. Estou disposto a apostar que se vangloriou a pelo menos um perdedor sentado nesta merda de clube. A expressão de Murdock foi se apertando a cada segundo que Chase falava, seus olhos começaram a se transformar com fúria, as íris escuras reluzindo com a luz ambarina a cada decibel que a voz de Chase aumentava na multidão. Agora metade da sala fez uma pausa para olhar na sua direção. Vários machos se levantaram dos seus assentos, Anfitriões de sangue humanos e os bailarinos meio-drogados nos colos foram empurrados rudemente à parte quando uma horda crescente de Agentes ofendidos começou a convergir para Chase e Hunter. Chase não esperou que a multidão atacasse. Com um rosnado cru, pulou no bando de vampiros, apenas um relâmpago de punhos
  6. 6. TWKliek Lara Adrian Midnight Breed 09 6 balançando, e dentes e presas rangendo. Hunter não teve nenhuma escolha a não ser se juntar à rixa. Passou com dificuldade pela multidão violenta, seu foco no seu parceiro e na intenção de tirá-lo disto inteiro. Ele se desfez de cada um que chegava com esforço mínimo, perturbado pela maneira feroz com que Chase lutava. Seu rosto estava esticado e selvagem enquanto lançava soco após soco nos corpos que o pressionavam por todos os lados. Suas presas estavam enormes, enchendo sua boca. Seus olhos queimavam como carvão na sua face. — Chase! — Hunter gritou, xingando quando sangue Raça espirrou transportado pelo ar — do seu parceiro ou de outro macho, não podia estar seguro. Nem tinha muita possibilidade de descobrir. Um borrão de movimento do outro lado do clube chamou a atenção de Hunter. Ele desviou seu olhar na direção e encontrou Murdock fitando-o, um celular apertado na sua orelha. Um pânico inconfundível cobriu suas feições quando seus olhares se encontraram por cima da multidão barulhenta. Sua culpa era óbvia agora, escrita na tensão que branqueava em volta da sua boca e nas gotas de transpiração que apareciam na sua testa brilhando nas luzes giratórias do palco vazio. O Agente falava rápido no telefone agora, seus pés o transportando em um ímpeto ansioso em direção ao fundo do lugar. Na fração de um segundo que Hunter levou para se livrar de um agente, Murdock desapareceu de vista. — Filho da puta. — Hunter se arqueou para além da briga, abandonando Chase para perseguir o que sabia ser o líder que esperava encontrar esta noite. Estalou numa corrida, confiando em sua velocidade de Gen-Um para levá-lo aos fundos do clube, por uma porta que ainda estava entreaberta, balançando para o corredor de tijolo estreito por onde Murdock fugiu. Não havia nenhum sinal dele no corredor, mas o eco agudo de passos correndo em uma rua do lado adjacente seguia a brisa frígida. Hunter decolou atrás dele, virando a esquina quando um grande sedan preto freava no meio fio. A porta de trás foi aberta. Murdock pulou, fechou-a com um barulho atrás dele quando o motor do carro rugiu mais uma vez. Hunter já ia em direção a ele quando os pneus cantaram no gelo e asfalto, então, com um salto de metal gritando, o veículo se lançou na rua como um demônio na noite. Hunter não perdeu um minuto. Pulando para o lado do edifício mais próximo, se agarrou na escada de incêndio enferrujada e quase se catapultou para o telhado. Correu, as botas estraçalhando as telhas quando pulou de um telhado ao outro, mantendo uma pista visual no veículo que fugia evitando o tráfego noturno na rua embaixo. Quando o carro girou por uma esquina para um beco escuro vazio, imediatamente Hunter se lançou no ar. Desceu no teto do sedan com um choque dissonante de osso. A dor do impacto foi registrada, mas por menos de um segundo. Ele se agarrou, sentindo apenas calma determinação quando o motorista tentou se livrar dele fazendo zigue-zague com as rodas. O carro se moveu aos arrancos e desviou, mas Hunter ficou onde estava. A mão aberta no teto, os dedos de uma mão agarrados na borda superior do para-brisa, enquanto balançava sua outra mão e liberava sua 9 mm do coldre nas costas. O motorista tentou outra rodada de zigue-
  7. 7. TWKliek Lara Adrian Midnight Breed 09 7 zagues na rua, quase batendo num caminhão de entrega estacionado em sua tentativa de se livrar do passageiro indesejado. Com a semiautomática na mão, Hunter se levantou numa sacudidela felina do teto para o capô do sedan que corria. Deitado, mirou no motorista, o dedo friamente no gatilho, pronto para explodir o bastardo atrás do volante e pôr suas mãos em Murdock, e tirar do bastardo traidor todos os seus segredos. No momento em que reduziu a velocidade, um instante — somente a menor centelha de tempo — a surpresa o tomou. O motorista usava um colar preto grosso em volta do pescoço. Sua cabeça estava raspada, a maior parte do seu couro cabeludo coberto com uma rede entrelaçada de dermaglifos. Ele era um dos assassinos de Dragos. Um Caçador, como ele. Um Gen Um, nascido e criado para matar, como ele. A surpresa de Hunter foi prontamente eclipsada pelo dever. Estava mais que disposto a exterminar o macho. Foi sua promessa à Ordem quando se uniu — seu voto pessoal para apagar até a última das máquinas assassinas do jardim de Dragos. Antes que Dragos tivesse a chance de soltar toda sua maldade no mundo. Os tendões no dedo de Hunter se contraíram no segundo que levou para realinhar sua Beretta2 no centro da testa do assassino. Começou a apertar o gatilho, quando sentiu o carro apertando debaixo dele quando o motorista apertou o freio. Borracha e metal fumegaram em protesto, mas o sedan parou de repente. O corpo de Hunter continuou a se mover, voando pelo ar e pousando várias dezenas de metros adiante no pavimento frio. Ele rolou na queda e ficou de pé como se nada acontecesse, a pistola levantada e disparando ao redor do carro imóvel. Viu Murdock deslizar do assento traseiro e empreender sua fuga por um beco sombrio, mas não houve nenhum tempo para lidar com ele antes que o Gen Um saísse do carro também, o cano de uma pistola de grande calibre travada e carregada, mirando em Hunter. Eles se enfrentaram, a arma do assassino erguida para matar, os olhos frios com a mesma determinação sem emoções que centrava Hunter na sua posição sobre o gelo no asfalto. Balas explodiram das duas armas ao mesmo tempo. Hunter se esquivou do perigo como se estivesse em câmera lenta. Sabia que seu oponente faria o mesmo quando Hunter corresse na direção dele. Outra saraivada de tiros explodiu, uma chuva de balas desta vez, quando os dois vampiros descarregaram seus pentes um no outro. Nenhum deles teve mais que golpes superficiais. Eram muito parecidos, treinados pelos mesmos métodos. Ambos difíceis de matar, prontos para lutar até sua última respiração. Num borrão e com intenção letal, o par jogou suas armas de fogo vazias e partiu para a batalha corpo a corpo. Hunter desviou dos socos violentos e rápidos do assassino quando rugiu para cima dele. 2 Beretta é o nome genérico atribuído à fábrica de armas de fogo italiana Fabbrica d'Armi Pietro Beretta S.p.A. e às armas por esta fabricadas.
  8. 8. TWKliek Lara Adrian Midnight Breed 09 8 Desviou de um chute que poderia ter acertado seu maxilar, não fosse por uma inclinação de sua cabeça, então outro ataque visando sua virilha, mas desviado quando Hunter agarrou a bota do assassino e o torceu em uma volta no ar. O assassino recuperou seu apoio sem muita dificuldade, vindo direto para mais. Ele lançou um soco e Hunter agarrou seu punho, os ossos esmagados quando apertou, então usou seu corpo como alavanca enquanto puxava o braço esticado para trás no cotovelo. A articulação partiu com um estalo agudo, mas o assassino simplesmente resmungou, a única indicação que sentiu certa dor. O braço danificado pendia inútil ao lado quando virou para lançar outro soco no rosto de Hunter. O soco acertou, rasgando a pele somente acima do olho direito e atingindo tão forte que a visão de Hunter ficou cheia de estrelas. Ele se livrou da ofuscação momentânea, ainda a tempo de interceptar um segundo ataque — punho e pé vindo para ele juntos. Para trás e para frente, os dois machos respirando com muito esforço, ambos sangrando em vários lugares onde o outro tinha conseguido vantagem. Nenhum pediria clemência, não importava quanto tempo ou quão sangrento fosse o combate. A clemência era um conceito estranho para eles, o contrário da compaixão. Duas coisas que foram banidas no curto tempo em que foram crianças. A única coisa pior que clemência ou compaixão era o fracasso, e quando Hunter pegou o braço quebrado de seu oponente, e jogou o grande macho na terra com seu joelho plantado no meio da espinha do assassino, viu o reconhecimento do fracasso iminente cintilando como uma chama escura nos olhos frios do Gen Um. Ele perdeu esta batalha. Sabia, tanto quanto Hunter sabia, quando um lampejo brilhou no grosso colar preto, em volta do pescoço do assassino, no instante seguinte. Hunter estendeu a mão livre para pegar uma das pistolas jogadas no asfalto. Ele a sacudiu em volta da sua mão, manejando a coronha metálica como um martelo, logo abaixou no colar que rodeava o pescoço do assassino. Novamente, e mais forte agora, um soco amassando o material impenetrável que alojava um dispositivo diabólico. Um dispositivo feito por Dragos e seu laboratório com um único objetivo: assegurar a lealdade e obediência do exército mortal que produziu para servi-lo. Hunter ouviu um pequeno zumbido quando a cobertura temperada provocou a detonação próxima. O assassino de Dragos se ergueu com sua mão boa — se para parar a ameaça ou tentar pará-la, Hunter nunca teria certeza. Ele rolou longe... Em seguida os raios ultravioletas foram liberados de dentro do colar. Houve um relâmpago de luz cegante — veio e foi num instante — quando o raio letal separou a cabeça do assassino num movimento limpo. Quando a rua mergulhou na escuridão, Hunter fitou o cadáver queimando sem chama do macho que tinha sido como ele de tantos modos. Um irmão, embora não houvesse nenhum parentesco entre nenhum dos assassinos no exército pessoal de Dragos. Ele não sentiu nenhum remorso pelo morto diante dele, só um sentido vago da satisfação por ter um assassino a menos para executar os esquemas distorcidos de Dragos. Não descansaria até que não houvesse ninguém.
  9. 9. TWKliek Lara Adrian Midnight Breed 09 9 Capítulo 2 Como fundador e líder da Ordem — inferno, como macho Gen Um da Raça com pelo menos 900 anos de vida e, mais alguns — Lucan Thorne não estava acostumado a levar bronca de ninguém. No entanto, ouvia em silêncio ardente enquanto um agente de Agência de Execução de alto escalão de nome Mathias Rowan o enchia sobre o que aconteceu um par de horas antes, num dos redutos privados da Agência, em Chinatown. O clube para onde enviou dois guerreiros da Ordem, Chase e Hunter, em patrulha naquela noite. Mal podia fingir surpresa ao ouvir que as coisas saíram do controle, ou que houve uma fodida tempestade de violência e Chase terminou no meio dela. Ou melhor, no início, meio e fim de tudo, de acordo com Rowan. Em circunstâncias normais, Lucan, nem pessoalmente nem pela Ordem, daria a mínima aos ânimos dentro da Agência. Durante o tempo que existiam, a Ordem e a Agência de Execução operavam em seus próprios termos, por suas próprias leis. Lucan fundou a Ordem baseado na justiça e ação; o credo da Agência era mergulhado na política e na construção de um império desde o início. Isso não significa que não havia bons homens, de confiança, nas suas fileiras — Mathias Rowan era uma dessas exceções notáveis. Sterling Chase era outra. Não muito mais que um ano atrás, Chase era parte da elite da Agência de Execução, um bem-educado, bem conectado, bem- educado menino de ouro cuja carreira poderia não ter conhecido limites. E agora? A boca de Lucan se apertou em consideração sombria, enquanto andava sozinho na sala privada que ele e sua companheira, Gabrielle, compartilhavam na sede subterrânea da Ordem. Não podia descartar que Chase era um trunfo valioso para a Ordem desde que trocou suas engomadas camisas brancas e ternos da Agência pelo uniforme básico de combate preto e os métodos sem piedade de um guerreiro. Veio a bordo totalmente comprometido com os objetivos da Ordem e suas missões. Fez um estudo rápido sobre patrulhas e cobriu mais de uma das bundas dos guerreiros no calor de suas batalhas. Mas Lucan também não podia negar que nos últimos meses Chase estava patinando em um gelo fino danado. Ele vinha perdendo sua vantagem, às vezes, seu foco. A raiva de Lucan oscilava perigosamente perto do “está-fora”, enquanto ouvia o resumo de Mathias Rowan do combate completo, que teve lugar no centro da cidade. —Tenho relatos de três agentes espancados a uma triz de perderem suas vidas e outro que se parece com alguém que foi enviado a uma máquina trituradora, — disse Rowan na outra extremidade da chamada. —Isso sem contar os feridos caminhando ou os que ainda estão desaparecidos também. Para os homens, estão todos dizendo que seus guerreiros entraram no lugar procurando uma desculpa para começar o problema. Chase, em particular.
  10. 10. TWKliek Lara Adrian Midnight Breed 09 10 Lucan sussurrou uma maldição baixa. Teve um mau pressentimento sobre colocar Chase na patrulha desta noite em Chinatown. Foi a razão porque mandou Hunter junto — a cabeça mais fria na Ordem para acompanhar o canhão mais solto. O fato que nenhum deles ligou para se reportar, na última hora, não estava fazendo-o se sentir melhor sobre essa decisão. —Olha, — disse Rowan, então exalou um suspiro desolado. — Considero Chase um amigo, e por um longo tempo. Ele é a razão pela qual concordei em ajudar quando se aproximou de mim para ser os olhos e os ouvidos da Ordem dentro da Agência. Quanto ao que está acontecendo com ele pessoalmente, não posso dizer onde vai parar, mas para seu próprio bem — talvez para o bem de todos — é melhor ele começar a perceber isso. E longe de mim te dizer como administrar as coisas dentro de sua operação, Lucan... —Sim, — ele interrompeu, curto e direto no ponto. — Longe disso, Agente Rowan. O silêncio durou mais que um momento do outro lado. Lucan sentiu uma mudança no ar em torno dele e olhou para cima enquanto Gabrielle entrava na sala. Pôs Rowan em espera com apenas uma palavra de advertência, simplesmente porque queria ver sua bela companheira se movendo. Ela trazia uma bandeja de chá vazia de sua biblioteca e silenciosamente a colocou na cozinha. A bandeja foi preparada para duas: Gabrielle e outra fêmea que chegou ao complexo mais cedo naquela noite. Apenas uma das xícaras foi esvaziada. Apenas um dos pratos de porcelana limpo de seu pequeno bolo de chocolate e diversos outros confeitos. Lucan não tinha que adivinhar qual das mulheres comeu. Um pouquinho de chocolate em pó sujava o arco exuberante da boca perfeita de sua companheira de cabelos castanhos. Ele lambeu os próprios lábios, enquanto observava Gabrielle, faminto, como sempre, pelo gosto dela. Se não fosse pelo negócio perturbador à mão, sem falar do pequeno dilema que esperava sua decisão no outro quarto, Lucan poderia ter dispensado todas as demandas sobre ele, exceto a que o deixava nu, com sua mulher, no menor tempo possível. A rápida olhada que ela deu a ele, disse que sabia a direção de seus pensamentos. É claro, a verdade provavelmente estava escrita por todo seu rosto. Levou apenas um arranhão de sua língua para sentir a borda afiada de suas presas emergentes, e pela forma como sua visão ficou nítida, adivinhou que seus olhos estavam mais âmbar que cinza agora, seu desejo o transformando à sua verdadeira natureza quase da mesma maneira que faria a sede de sangue. Um sorriso lento se estendeu sobre os lábios de Gabrielle enquanto caminhava em direção a ele. Seus grandes olhos castanhos eram profundos e suaves, os dedos sensíveis e convidativos quando tocou seu rosto tenso. Seu toque o acalmou, como sempre, e seu rugido soou mais como um ronronar enquanto ela enfiava os dedos em seus cabelos escuros. Com Mathias Rowan na linha parada, Lucan afastou o telefone enquanto inclinava a cabeça para baixo em direção a boca de Gabrielle. Roçou os lábios através dela, sua língua varrendo levemente todo o traço de pó de chocolate que dava sabor ao seu beijo. — Delicioso, — ele sussurrou, vendo o brilho faminto de sua íris refletido nas profundezas insondáveis dos dela. Gabrielle colocou os braços ao redor dele, mas estava franzindo a testa enquanto prendia seu olhar. Manteve a voz baixa, mas articulou as palavras. — Está tudo bem com Hunter e Chase?
  11. 11. TWKliek Lara Adrian Midnight Breed 09 11 Ele balançou a cabeça, pressionando um beijo em sua testa. Era estranho dispensar sua preocupação. No ano e meio que estava ligado pelo sangue a Gabrielle, tinham compartilhado tudo. Confiava nela mais que já confiou em alguém, em todos seus consideráveis anos de vida. Era sua companheira, sua parceira, sua amada. Como sua confidente mais preciosa, merecia saber o que sentia como homem. O que temia em seu coração e alma, como líder deste complexo, que em algum momento, começou a parecer mais como uma casa para ele do que o centro nervoso estratégico das missões da Ordem. Enquanto seus guerreiros lutavam diariamente com seus próprios demônios pessoais, enquanto a Ordem tomava alguns golpes, algumas perdas graves, mas também alguns triunfos tão necessários — enquanto a população do complexo aumentava para quase o dobro do que era a dois anos atrás, quando vários guerreiros se apaixonaram e encontraram suas companheiras — um fato perturbador permanecia. Ainda não foram capazes de parar Dragos e sua loucura. Dragos ainda respirava, ainda era capaz de causar derramamento de sangue e destruição como a que orquestrou na semana passada com o rapto de um jovem do Darkhaven de uma poderosa família Raça, e a subsequente demolição de sua residência matando todos dentro, era um fracasso que Lucan tomava como muito pessoal. Era uma realidade que feriu seus sentimentos. Mas isso era algo que não podia compartilhar com Gabrielle, não agora. Não podia suportar fazê-la sentir o mesmo pavor que o perseguia. Assumia muitos de seus encargos, tantos quanto possível, para si mesmo. Até que tivesse todas as respostas, até que seus planos estivessem no lugar e prontos para serem postos em prática, o resto era seu para suportar. — Não se preocupe, amor. Tudo está sob controle. — Ele deu outro beijo carinhoso em sua testa. — Como vão as coisas no outro quarto? Gabrielle deu de ombros e balançou a cabeça. — Ela não fala muito, mas não é de admirar, considerando tudo que passou. Tudo que quer é ir para a casa de sua família. Também é compreensível, é claro. Lucan grunhiu, em total acordo. Não queria nada mais que pôr sua convidada a caminho. Simpático à situação da mulher ou não, a última coisa que precisava era de outro civil no complexo nos próximos dias. — Imagino que não conseguimos qualquer palavra sobre sua saída daqui, não é? — Nada na última hora. Brock disse que, ele ou Jenna, chamariam assim que o tempo limpasse o suficiente em Fairbanks para deixá-los partir. Lucan amaldiçoou. — Mesmo que a nevasca pare agora, facilmente passarão um dia inteiro longe ainda. Vou ter que mandar alguém em seu lugar. Talvez seja uma boa maneira de tirar Chase dos meus cabelos por um tempo. Diabos, depois do que acabei de ouvir esta noite, pode ser a única coisa que me impeça de matá-lo. Gabrielle estreitou seu olhar sobre ele, toda profissional agora. — De jeito nenhum vai mandar esta pobre mulher para Detroit, com Chase como acompanhante. Não vai acontecer, Lucan. Vou levá-la eu mesma antes de deixar isso acontecer.
  12. 12. TWKliek Lara Adrian Midnight Breed 09 12 Ele não foi totalmente sério, para começar, mas não estava disposto a discutir com ela. Não quando seu queixo se erguia naquele ângulo teimoso, que dizia que absolutamente não tinha intenção de recuar. — Certo, esqueça o que eu disse. Você ganhou.— Agarrando seu braço próximo, ele deixou sua mão vaguear até a curva de seu cotovelo. — Como sempre ganha? — Porque sabe que estou certa. — Ela se moveu mais perto, levantando-se na ponta dos pés até sua boca roçar a dele. — E porque — admita, vampiro — não me teria de outra maneira. Arqueamento sua testa esbelta, mordiscou seu lábio inferior, em seguida, deslizou fora do seu abraço antes que ele pudesse aceitar seu desafio. Não que já não estivesse aceitando. Gabrielle sorriu, plenamente consciente de sua condição quando girou ao redor e começou a voltar para a biblioteca e para sua convidada à espera. Lucan parou até que ela estava fora da sala, trabalhando para reagrupar seus pensamentos. Pigarreando, tirou Rowan da espera e colocou o telefone de volta no ouvido. Deixou o Agente pendurado no silêncio por tempo suficiente. — Mathias, — disse ele. — Quero que saiba que a Ordem aprecia tudo que fez para nos ajudar até agora. Quanto ao que aconteceu esta noite no clube, asseguro que não foi minha intenção. Percebo que sendo diretor da Agência na região, isso o coloca numa posição desconfortável. Era o mais próximo de um pedido de desculpas que pôde reunir. Há muito tempo, embora não escrita, a política entre os guerreiros de Lucan e os membros da Agência era se abster da melhor forma que podiam, cagando um no outro a metros de distância, mas ultimamente as circunstâncias mudaram. Como tudo mudou, e drasticamente. — Não estou preocupado comigo mesmo, — respondeu Rowan. — E não me arrependo da minha decisão de ajudá-lo. Quero Dragos preso, o que for preciso. Mesmo que isso signifique fazer alguns inimigos próprios dentro da Agência. Lucan grunhiu em reconhecimento pelo voto. — Você é um bom homem, Mathias. — Depois de tudo que o bastardo fez, especialmente o terror da semana passada, como não poderia querer que ele acabasse tão mal como você e seus guerreiros puderem? — A voz de Rowan estava afiada com uma paixão que Lucan entendia muito bem. — Não me choca que haja corrupção no seio da Agência, ainda menos que um Neandertal como Freyne se alie com um louco retorcido como Dragos. Eu só queria ter visto essa possibilidade antes que explodisse na minha cara na noite do resgate de Kellan Archer. — Não está sozinho nesse lamento, — respondeu Lucan, sóbrio com o pensamento. Enviou vários guerreiros nessa missão também, assegurando que o jovem do Darkhaven fosse resgatado em segurança de seus raptores — um trio de Gen Um assassinos que levou o menino por ordem de Dragos. O principal objetivo foi alcançado, mas não sem um monte de danos colaterais e perguntas perturbadoras subindo em seu rastro. — Como está o menino? — Rowan perguntou.
  13. 13. TWKliek Lara Adrian Midnight Breed 09 13 — Ainda se recuperando em nossa enfermaria. — O abuso físico de Kellan Archer foi grave, mas foi a angústia mental que sofreu durante e após seu rapto que deixou Lucan ainda mais preocupado pelo jovem macho Raça a longo prazo. — E seu avô? Lucan pensou em Archer, o macho mais velho, em silêncio por um momento sombrio. Lazaro Archer era um dos poucos Gen Um restantes na população da Raça, e um idoso por aqui. Quase mil anos de idade, viveu uma vida estritamente pacífica, no último par de séculos na Nova Inglaterra como chefe do Darkhaven da família. Teve filhos fortes, que tiveram seus próprios filhos — Lucan não tinha certeza de quantos filhos Lazaro e sua Companheira de Raça ao longo da vida tinham. Não que isso importasse. Não mais. Numa noite simplesmente encharcada de sangue, a Companheira de Raça de Lazaro e todos os seus parentes em sua casa, no Darkhaven de Boston, foram exterminados. Um dos filhos de Lazaro, o pai do menino, Christophe, foi assassinado à queima-roupa por Freyne, o traidor que fazia parte do resgate de Kellan pela Agência de Execução. Lazaro e Kellan eram tudo que restava da linhagem Archer, embora sua sobrevivência ainda não fosse pública. — Tanto o menino como seu avô estão tão bem como se pode esperar, — respondeu Lucan. —Até que eu possa determinar por que foram alvejados por Dragos, não estarão seguros em qualquer outro lugar, além daqui, no complexo. — É claro, — respondeu Rowan. Houve uma pausa do outro lado, em seguida, uma inalação de sua respiração. — Conhecendo Chase, tenho certeza que se culpa por parte do que aconteceu durante a missão de resgate... Lucan sentiu as sobrancelhas apertarem com a lembrança de mais um dos problemas recentes de Chase, enquanto em serviço. — Deixe-me preocupar com meus homens, Mathias. Você mantenha um olho nos seus. — Certamente, — respondeu ele, em tom profissional. — Vou lidar com qualquer sequela do incidente na noite do clube. Se alguma coisa interessante aparecer, entretanto, sobre Freyne ou sua conexão com Dragos, tenha certeza que vou estar em contato. Lucan murmurou seus agradecimentos. Se Rowan não tivesse feito uma carreira tão sólida para si mesmo dentro das fileiras superiores da Agência poderia muito bem ser um guerreiro em seu lugar. Deus sabia que a Ordem poderia usar mais mãos e cabeças de nível, se as coisas ficassem pior em sua guerra com Dragos. Ou se as coisas continuassem afundando com um determinado membro de sua equipe atual. Tão logo o pensamento provocou uma dura ruga na mandíbula de Lucan, a linha interna do complexo tocou com uma chamada do laboratório de tecnologia. Terminou sua conversa com Rowan, então apertou o botão do alto-falante no interfone. — Estão aqui, — Gideon anunciou antes que Lucan tivesse chance soltar um Olá. — Só os vi entrando pelos portões da propriedade. Os vejo nas câmeras de vigilância enquanto falamos. Estão se dirigindo para o estacionamento agora. — Porra, já era tempo, — rosnou Lucan.
  14. 14. TWKliek Lara Adrian Midnight Breed 09 14 Desligou o interfone e saiu de seus aposentos. A batida de suas botas de combate pretas ecoaram nos longos e serpenteantes corredores de mármore branco que corriam como um sistema nervoso central através do coração do complexo subterrâneo. Contornou a esquina e comeu a distância em direção ao laboratório tecnológico, onde Gideon passava praticamente 24 h/7dias nesses dias. À frente dele, sua audição aguda pegou o lamento sussurrado do hidráulico do elevador garantindo sua descida da garagem localizada um nível acima do complexo cem pés abaixo do solo. Quando chegou ao laboratório tecnológico, Gideon saiu para encontrá-lo no corredor. O guerreiro britânico, e gênio residente no complexo estavam deixando sua excentricidade interior ter sua liberdade esta noite, vestido de jeans cinza desleixado, tênis verde Chuck Taylor3 e uma camiseta amarela Hellboy. Seu cabelo loiro estava mais despenteado que o habitual, como se tivesse passado as mãos sobre o couro cabeludo mais de uma vez durante a espera por notícias de Hunter e Chase. — Faz muito tempo desde que vi essa carranca assassina, — disse Gideon, seu olhar azul afiado sobre as lentes claras sem aro. — Parece que está prestes a mastigar esses caras e cuspi- los. — Cheiro que alguém já fez isso por mim, — rosnou Lucan, as narinas flamejando com o cheiro de sangue Raça recém-derramado antes mesmo que as portas de aço polido do elevador se abrissem para deixar sair o par de guerreiros errantes. Capítulo 3 — Tem certeza que não quer algo para comer ou beber? Gabrielle voltou para a biblioteca, as bochechas coradas, os olhos castanhos parecendo de alguma forma mais brilhantes do que quando saiu com a bandeja de chá há poucos minutos. Seu olhar à deriva por um momento, a companheira de Lucan Thorne levou as pontas dos dedos aos lábios num gesto ausente que não chegou a esconder o sorriso, pequeno e privado, que curvava sua boca. Ela piscou um instante depois e caminhou para retomar seu lugar no sofá. — Sinto muito mantê-la esperando. Lucan e eu ficamos presos numa pequena negociação, — disse ela, de modo hospitaleiro como faria um velho amigo, apesar do fato que eram estranhas, até poucas horas antes naquela noite. — Está muito frio para você aqui? Olhe para você, está tremendo. 3 Inventor de várias marcas do famoso tênis All Star. Foi Taylor quem implantou novidades, melhorou o perfil do tênis e ainda acrescentou o remendo no tornozelo. No início, supostamente, os remendos serviam para dar apoio e proteger os tornozelos dos jogadores de basquete e permitir que corressem com mais velocidade.
  15. 15. TWKliek Lara Adrian Midnight Breed 09 15 — Não é nada. — Corinne Bishop afundou mais em seu cardigan cinza pálido e balançou a cabeça, até mesmo quando um tremor sacudiu mais profundamente dentro de seus ossos. — Estou bem, realmente. Seu desconforto não tinha nada a ver com a temperatura dentro do complexo da Ordem. Luxo e hospitalidade a cercavam aqui, gostos que mal podia compreender. Ficou maravilhada com a sede subterrânea surpreendentemente grande, desde o momento em que chegou, e certamente a biblioteca elegante, onde estava sentada agora com Gabrielle era a sala mais requintada em que esteve já há algum tempo. Sua casa nos últimos anos era pouco melhor que um túmulo. Desde o momento de seu sequestro quando tinha apenas dezoito anos, Corinne foi mantida prisioneira, juntamente com uma série de outras jovens fêmeas, todas levadas cativas por um louco chamado Dragos, pelo simples fato que cada uma das mulheres nasceu Companheira de Raça. Com as mãos cruzadas no colo, Corinne olhou abaixo e de braços cruzados correu o polegar pelo lado da pequena marca de nascença vermelha na parte traseira de sua mão direita — a pequena marca de nascença que cada Companheira de Raça tinha em algum lugar de sua pele. Foi essa marca de lágrima e lua crescente, que a fez ser parte de um mundo extraordinário — o mundo secreto, eterno da raça. Foi a razão pela qual foi tirada da pobreza e negligência certas quando criança, depois que foi abandonada na porta de trás de um hospital em Detroit, poucas horas após seu nascimento. Aquela diminuta marca de nascença vermelho-sangue foi seu ingresso na vida de Victor e Regina Bishop, seus pais adotivos. O casal com laços de sangue com seu próprio filho Raça abriu sua mansão suntuosa no Darkhaven, tanto para Corinne como para sua irmã adotada mais nova, Charlotte, dando às duas indesejadas, meninas não reclamadas, um lar amoroso e tudo de melhor que a vida tinha para oferecer. Se apenas fosse adulta o suficiente para apreciar todas as bênçãos que tinha. Se tivesse a chance de dizer para sua família mais uma vez que os amava... antes que um vilão chamado Dragos a arrancasse e a jogasse longe no que parecia um inferno interminável. Foi o pequeno sinal vermelho de nascença nas costas de sua mão que causou tanta dor e desgosto. Foi torturada e abusada, mantida viva contra sua vontade e suportou coisas que mal conseguia pensar, muito menos falar, agora que estava livre dos horrores. Tanto ela como as outras cativas de Dragos — próximas de vinte, conseguiram sobreviver ao tormento e experimentos por tempo suficiente para serem resgatadas pelos membros guerreiro da Ordem e suas incrivelmente corajosas Companheira de Raças. Nos últimos dias desde seu resgate, Corinne e as outras reféns libertadas ficaram em Rhode Island, no Darkhaven de outro casal, cuja generosidade e carinho foi uma dádiva de Deus. Amigos de confiança da Ordem, Andreas Reichen e sua companheira Claire proveram todas as libertadas com roupas, abrigos — qualquer coisa que pudessem possivelmente precisar para ajudar a recuperar algum sentido de normalidade quando a vida começasse de novo, fora do alcance de Dragos. A única coisa que Corinne precisava era de sua família. Ficou surpresa ao saber que, de todas as Companheira de Raças capturadas e presas por Dragos, era a única levada de uma família
  16. 16. TWKliek Lara Adrian Midnight Breed 09 16 Darkhaven. As outras fêmeas foram recolhidas em abrigos ou arrancadas de existências solitárias, sem saber que eram especiais de alguma maneira, até que a maldade de Dragos arrancasse a venda de seus olhos. Mas Corinne sabia o que era. Tinha uma família que a amava, que com certeza sentiu sua falta e, eventualmente, lamentou quando se passaram décadas, sem seu retorno. Era diferente das outras vítimas de Dragos. No entanto, sofreu o mesmo que elas — talvez mais, pois pensar em seus pais e irmãos angustiados a tornava desafiadora face ao seu captor. A urgência de estar de volta onde pertencia, de volta entre as pessoas que poderiam ajudá- la a se curar — talvez as únicas pessoas capazes de ajudá-la a recuperar tudo o que perdeu durante seu tempo em cativeiro — era uma necessidade que a consumia, mais e mais enquanto os dias e horas passavam, custando um tempo precioso. Só podia esperar que a recebessem dentro de seu lar, mais uma vez. Só podia rezar para que durante os longos anos em que esteve fora, não tivessem se esquecido dela. Só podia desejar de todo coração que ainda pudessem amá-la. Olhou para cima e encontrou o olhar preocupado de Gabrielle. — Quando Brock acha que estará de volta a Boston? Gabrielle exalou um suspiro suave quando balançou a cabeça lentamente. — Provavelmente não em um dia ou mais. Poderá ser mais que isso, se a neve não parar em Fairbanks muito em breve. Corinne mal podia esconder sua decepção. Saindo de seu cativeiro, descobriu que seu guarda-costas de infância de Detroit era um dos seus salvadores, e teve o primeiro sabor verdadeiro de esperança. Brock se tornou um membro da Ordem desde seu desaparecimento. Também se apaixonou recentemente. Foi esse amor que o levou para o Alasca há alguns dias, mas deu sua palavra a Corinne, que logo que ele e sua companheira, Jenna, voltassem, eles pessoalmente, a levariam em segurança para sua casa em Detroit. Corinne precisava do apoio de Brock. Sempre foi seu confidente, um amigo de verdade. Enquanto era jovem, confiou nele para mantê-la segura. Ela precisava saber que estava segura agora, e ter certeza que nenhum perigo poderia tocá-la enquanto fazia sua viagem de volta. Uma parte de seu medo era a preocupação que não pudesse ter força para bater na porta da frente de sua família, sem alguém como Brock, alguém que pudesse confiar completamente, em pé ao seu lado. — Soube por Claire e Andreas que não entrou em contato com sua família, — disse Gabrielle suavemente, invadindo seus pensamentos. — Eles não têm ideia que esteja viva? — Não, — respondeu Corinne. — Não gostaria de ligar para eles? Tenho certeza que gostariam de saber que está aqui, que está sã e salva, e voltando para a casa deles em breve. Ela balançou a cabeça. — Foi há tanto tempo. Lembro da nossa central telefônica antiga, mas nem saberia como alcançá-los... — Isso não é problema, você sabe. — Gabrielle fez um gesto na direção de uma caixa branca e plana que repousava sobre a mesa próxima da biblioteca. — Não seria preciso mais que um ou
  17. 17. TWKliek Lara Adrian Midnight Breed 09 17 dois minutos para encontrá-los no computador. Poderia chamá-los agora. Se quiser, pode até mesmo falar com eles em vídeo. — Obrigada, mas não. — Os termos e conceitos eram muito novos para Corinne, quase tão avassaladores como a ideia de falar com qualquer um dos seus pais sem estar lá em pessoa para tocá-los, sentir seus braços em volta dela mais uma vez. — É justo que eu... Eu não saberia o que dizer a eles após todo esse tempo. Não saberia dizer... Gabrielle deu um aceno compreensão. — É preciso estar lá em pessoa para fazer isso. — Sim. Só preciso ir para casa. — É claro, — disse Gabrielle. — Não se preocupe. Vamos ter certeza que chegue lá o mais rapidamente possível. As duas olharam para cima quando uma batida soou tranquila no batente da porta do corredor fora da biblioteca. Uma loira bonita com pálidos olhos lavanda abriu a porta do corredor e espiou o quarto. — Estou interrompendo? — Não, Elise. Entre. — Gabrielle se levantou e fez sinal para a outra mulher entrar. — Corinne e eu estávamos conversando enquanto esperamos por uma palavra de Brock e Jenna. Elise entrou e deu um sorriso caloroso para Corinne. — Pensei em descer e me sentar com as duas por um tempo até que todos cheguem das patrulhas. Corinne foi apresentada a algumas das mulheres da Ordem quando chegou mais cedo naquela noite. Elise, lembrou, era a Companheira de Raça de um guerreiro chamado Tegan. Disseram que ele e a maioria dos outros membros da Ordem estavam em missões em outros lugares na cidade, todos focados no único objetivo de caçar Dragos e todos aqueles leais a ele. O pensamento lhe deu uma grande dose de confiança. Certamente com um grupo extraordinário como este, determinado a pegá-lo, Dragos ficaria sem chance de escapar. E ainda assim o fazia. Uma e outra vez, como Corinne entendeu, conseguia ficar um passo à frente da Ordem. Eram uma força poderosa, mas Corinne sabia em primeira mão que Dragos não estava sem seu próprio poder. Ele tinha seus próprios soldados, sua própria tática terrível. E era louco — perigosamente. Corinne sabia disso em primeira mão, e as memórias terríveis do que sabia incharam sobre ela como uma onda de escuridão, antes que pudesse detê-las. Ela cambaleou sob o peso de suas lembranças torturadas quando se levantou do sofá para ficar ao lado de Gabrielle e Elise. A ansiedade veio rápido desta vez, mais rápido que antes. Quando Gabrielle a deixou sozinha na biblioteca, Corinne, de alguma forma conseguiu ficar de novo sob controle. Mas não desta vez. As estantes do chão ao teto vacilaram em sua mente enquanto as paredes da biblioteca pareciam espremer, fechando por todos os lados. Na parede em frente a ela, uma grande tapeçaria, bordada descrevia um cavaleiro escuro que olhava furiosamente num cavalo preto,
  18. 18. TWKliek Lara Adrian Midnight Breed 09 18 parecia agora se torcer e distorcer, as feições do homem e seu bonito cavalo se transformando em algo demoníaco e zombador. Ela fechou os olhos, mas a escuridão não melhorou as coisas. De repente, estava de volta nas celas da prisão de Dragos. De volta às covas sem luz, nua e tremendo. Sozinha num vazio úmido, esperando a morte. Orando por ela, como seu único meio de escapar ao horror. Corinne puxou um bocado de ar, mas sentiu apenas o menor suspiro de oxigênio entrando em seus pulmões quando o espaço ao seu redor fechou em direção ao nada. — Corinne? — Gabrielle e Elise, ambas, disseram o nome dela, ao mesmo tempo. As duas mulheres estenderam a mão para segurá-la, mantê-la estável. Corinne se ouviu sem ar. — Preciso sair desta cela... — Pode andar? — Elise perguntou, a voz urgente, mas no controle. — Segure-se em nós, Corinne. Vai ficar bem. Ela conseguiu um aceno de cabeça à medida que a ajudavam a sair para o corredor. Mármore branco fresco se espalhava em ambas as direções. A passagem era longa e sem fim, de imediato, calmante. Ela deixou o brilho das pálidas paredes imaculadas preencherem sua visão quando respirou fundo e sentiu um pouco da constrição em seus pulmões começar a deslizar. Sim, graças a Deus. Já estava melhor. Gabrielle estendeu a mão para tirar algumas mechas de cabelo escuro de Corinne de seus olhos. — Está bem agora? Corinne assentiu, ainda respirando com dificuldade, mas sentindo que o pior de sua ansiedade desapareceu. — Às vezes eu apenas... Às vezes sinto como se ainda estivesse lá. Continuo trancada naquele lugar horrível, — ela sussurrou. — Sinto muito. Estou tão envergonhada. — Não. — O sorriso de Gabrielle era simpático, sem ser compassivo. — Não tem que se desculpar ou se envergonhar. Não entre amigos. — Vamos lá, — disse Elise. — Vamos levá-la até a mansão. Podemos dar um pequeno passeio em torno das terras lá fora até se sentir melhor. Quando o elevador do complexo vindo da garagem subterrânea fez uma parada amortecida, Hunter olhou para seu parceiro de patrulha ferido, avaliando-o em silêncio. Cabeça baixa em seus ombros, o cabelo castanho dourado coberto de sujeira caído sobre a testa, Sterling Chase estava encostado na parede oposta do elevador, sua respiração serrando através dos dentes. Seu uniforme preto estava rasgado e encharcado de sangue, lacerações, contusões e inchaço fazendo uma bagunça no maltratado rosto. Seu nariz estava quebrado, certamente, o lábio superior dividido aberto e sangrando em seu queixo. Mais que provavelmente, sua mandíbula estava fraturada também. As lesões no guerreiro pela briga na cidade eram numerosas, mas nada que não cicatrizasse com o tempo e uma alimentação decente.
  19. 19. TWKliek Lara Adrian Midnight Breed 09 19 Não que parecesse que Chase estava preocupado com sua condição. As portas do elevador se abriram e ele saiu para o corredor na frente de Hunter, a arrogância em cada passo. Lucan bloqueou seu caminho, poucos passos para fora. Colocou a palma da mão no centro do peito de Chase para detê-lo fisicamente, quando o outro homem pareceu inclinado a fazer uma pausa. — Teve uma boa noite em Chinatown? Chase grunhiu, seu lábio cortado abrindo mais quando deu um sorriso escuro para Lucan. — Presumo que Mathias Rowan entrou em contato com você. — Isso mesmo. Mais que eu posso dizer de qualquer um de vocês, — respondeu laconicamente Lucan, seu olhar furioso viajando brevemente da aparência gasta de batalha de Chase para Hunter, cujo uniforme estava manchado por sua própria quota de sangue derramado pelos agentes da Agência de Execução. — Rowan me contou tudo sobre a merda que caiu. Diz que tem agentes mortos e feridos e todos com quem falou colocaram a culpa pela agressão não provocada diretamente sobre você, Chase. Ele zombou em resposta. — Não provocada, minha bunda. Cada um dos agentes no lugar estava procurando um motivo para me irritar. — E não podia esperar para obrigá-los, é isso? — A resposta de Chase foi um olhar furioso, e Lucan balançou a cabeça. — O que está fazendo é imprudente, cara. Esta noite de merda é apenas mais uma bagunça que deixou para alguém tratar. Tem sido um padrão com você ultimamente, e não gosto. Nem um fodido pedacinho. — Me mandou fazer um trabalho, — Chase revidou sombriamente. — Às vezes as coisas se complicam. Os olhos de Lucan se estreitaram, a raiva irradiando de seu corpo agora, um calor palpável que Hunter podia sentir de onde estava, a poucos passos de distância com Gideon. — Não tenho certeza que sabe qual é seu trabalho mais, Chase. Se soubesse, não estaria voltando aqui de mãos vazias, cheirando a sangue derramado e atitude. Até onde sei, não conseguiu nada lá fora esta noite. Quanta informação reuniu sobre Freyne? Estamos mesmo a uma porra de centímetro mais perto de conseguir bloquear Dragos ou qualquer um de seus outros possíveis associados? — Talvez estejamos,— Hunter interveio. Agora Lucan virou sua cara feia para ele. — Explique. — Um agente chamado Murdock, — Hunter respondeu. — Se aproximou de mim e Chase quando chegamos ao clube. Trocamos algumas palavras, mas não apresentou qualquer informação útil. Uma vez que a briga começou, pareceu notavelmente ansioso. Eu o vi dar um telefonema para alguém antes que escapasse em meio ao caos. — Esta é uma vantagem? — Chase murmurou com desdém. — É claro que Murdock correria. Conheço esse cara. É um covarde que prefere enfiar uma faca em suas costas do que enfrentar uma luta de frente.
  20. 20. TWKliek Lara Adrian Midnight Breed 09 20 Hunter ignorou o comentário de seu parceiro de patrulha, enquanto mantinha o olhar apurado do líder da Ordem. — Murdock fugiu para o beco atrás do lugar. Um carro já estava chegando lá para pegá-lo. O motorista era um assassino Gen Um. — Bom Cristo, — observou Gideon ao lado de Hunter, empurrando sua mão através dos espetados e curtos cabelos loiros. A face de Lucan endureceu, enquanto Chase ficava totalmente silencioso onde estava, ouvindo atentamente os outros agora. — Eu persegui o veículo a pé, — Hunter continuou. — O assassino foi neutralizado. Alcançou a parte traseira de seu uniforme e tirou o colar detonado que removeu do assassino. Gideon pegou o anel de polímero preto carbonizado de sua mão. — Mais um para adicionar à sua coleção, hein? Está acumulando uma pontuação bastante alta. Bom trabalho. Hunter apenas piscou pelo elogio desnecessário. — Onde está Murdock? — Lucan perguntou. — Se foi, — Hunter respondeu. — Fugiu do local, enquanto eu estava inutilizando o motorista. Aí precisei escolher entre rastreá-lo ou voltar para dentro do clube para recuperar meu parceiro de patrulha. A decisão de ajudar seu companheiro guerreiro o fez parar por um momento. A lógica e a formação como um dos soldados de Dragos exigiam que realizasse suas missões como uma única entidade: eficiente, impessoal, e totalmente independente. Murdock era uma meta quantificada. Interrogá-lo, certamente, proporcionar informação valiosa; sua captura era imprescindível para o sucesso da patrulha da noite. Para Hunter, capturar o agente que escapou parecia um objetivo bastante lógico. Mas a Ordem operava sob um princípio diferente, que se comprometeu a seguir quando se juntou a eles, não importava como contrastava com o mundo que conhecia. Os guerreiros tinham um código entre eles para cada missão, um entendimento que, se uma equipe saía junta, voltaria junta, e nenhum homem jamais foi deixado para trás. Nem mesmo se isso significasse perder um inimigo ativo. — Eu conheço Murdock, — disse Chase, levando o dorso da mão ao queixo para enxugar um pouco de sangue que escorria por sua pele. — Sei onde vive, conheço os lugares que é susceptível de sair. Não vai demorar muito tempo para encontrá-lo... — Você não está fazendo a merda, — Lucan interrompeu. — Estou tirando-o desta missão. Até que eu diga o contrário, todo e qualquer contato com a Agência passa por mim. Gideon pode desenterrar tudo que precisamos das propriedades de Murdock e hábitos pessoais. Se acha que tem algo mais útil para adicionar, passe para Gideon e eu decido como e quando — e decido quem é melhor para ir atrás do bastardo do Murdock — Que seja. — Os olhos azuis de Chase brilhavam escuros sob as sobrancelhas abaixadas. Começou a se afastar. A cabeça de Lucan virou só um pouco, sua voz tão baixa como o trovão distante. — Não disse que acabamos.
  21. 21. TWKliek Lara Adrian Midnight Breed 09 21 Chase zombou. — Me parece que tem tudo sob controle, então para que precisa de mim? — Isso é algo que venho me perguntando a noite toda, — respondeu Lucan uniformemente. —Que porra é essa de que preciso de você? Chase murmurou algo baixo e mal-humorado em resposta. Deu outro passo e, de repente Lucan estava bem na frente dele, tendo se movido tão rapidamente que foi difícil até mesmo para Hunter localizá-lo. Empurrou Chase com uma dose dura de força Gen Um, um golpe frontal que enviou o guerreiro voando pela parede do corredor. Chase se endireitou com uma maldição assobiada. Os olhos brilhantes como brasas brilhantes, se adiantou com um rosnado que mostrava as presas. Desta vez foi Hunter que se moveu mais rápido. Interceptando a ameaça ao líder da Ordem — seu líder — se colocou entre os dois vampiros, com a mão presa na garganta de Chase. — Quieto, guerreiro, — ele aconselhou seu irmão de armas. Era a única advertência que Hunter permitiria a ele. Se Chase se encolhesse para mais agressão, Hunter teria pouca escolha além de esmagar a luta dele. Dentes e presas apertadas, os lábios abertos mostrando suas gengivas, Chase manteve seu olhar fixo numa frouxa, silenciosa resposta. Hunter sentiu uma mudança de movimento no espaço do corredor atrás dele. Ouviu um suspiro feminino — apenas um puxar macio de ar através dos lábios entreabertos. O olhar de Chase parou naquela direção e um pouco da fúria que o esticava o abandonou. Quando relaxou, Hunter o deixou ir e se afastou do confronto. — O que está acontecendo aqui fora, Lucan? Hunter virou junto com os outros machos no corredor e se encontrou diante da Companheira de Raça de Lucan, Gabrielle, de pé atrás deles com duas outras mulheres. Hunter conhecia a loira de ossatura fina com olhos pálidos de lavanda. Era Elise — Companheira de Raça de Tegan — quem ofegou, sua mão ainda erguida na direção da sua boca. — Estou fora daqui, — murmurou Chase, notavelmente subjugado quando empurrou Hunter para passar pelos outros e saiu pelo corredor em direção aos seus aposentos. Hunter dificilmente notaria a partida do guerreiro. Sua atenção estava voltada para a terceira fêmea no corredor agora. Pequena e de pele clara por trás da cortina de cabelos de ébano que parcialmente escondiam o rosto de sua visão, ela se mantinha totalmente paralisada naquele momento. Ele não conseguia desviar o olhar dos grandes olhos azuis esverdeados que puxavam delicadamente em seus cantos externos. Era perda de tempo tentar descobrir sua cor específica, então não tentou, em vez disso tentou determinar por que achava sua presença tão marcante. — Está tudo bem? — Gabrielle perguntou, se movendo com preocupação óbvia para Lucan. — Sim, — respondeu ele. — Está tudo bem agora. Hunter se aproximou da mulher não identificada, notando que seus pés estavam se movendo até ficar de pé diretamente diante dela. Ela olhou para ele, então, levantou o ovalado
  22. 22. TWKliek Lara Adrian Midnight Breed 09 22 rosto perfeito dela, até que seu olhar viajasse além das manchas de sangue nele e seus olhos ficassem presos um no outro. Ela era uma estranha para ele, mas ainda assim, estranhamente familiar também. Ele inclinou a cabeça, tentando decifrar a sensação peculiar de que a viu em algum lugar antes. Deixou escapar o pensamento que estava batendo em torno de seu cérebro. — Eu conheço você...? Gabrielle limpou a garganta e se aproximou como se pretendesse proteger a mulher dele. — Corinne, este é Hunter. É um membro da Ordem. Diga Olá, Hunter. Ele resmungou a saudação, ainda olhando para ela. — Vi você na noite do resgate, — disse ela calmamente. — Foi um dos guerreiros que levou a mim e as outras para o Darkhaven de Claire e Andreas. Então, ela estava entre as cativas que Dragos mantinha. Supunha que fazia sentido. Deu um aceno vago, sua curiosidade pouco satisfeita com seu lembrete. Mas não a viu em Rhode Island, estava quase certo disso. Tinha certeza de que se lembraria dessa face, daqueles olhos luminescentes. — Receio que ainda não tenho um ETA4 de Brock e Jenna, — disse Gideon para a beleza de cabelos escuros. — A previsão do tempo no Alasca não parece boa por mais três dias, no mínimo. — Mais três dias? — A testa lisa de Corinne enrugou com uma pequena carranca. — Realmente preciso ir para casa. Preciso da minha família agora. Lucan soltou um suspiro. — Entendido. Já que Brock está a alguns milhares de quilômetros e um par de nevascas longe de Boston, no momento, alguém terá que... — Vou levá-la. — Hunter sentiu o olhar de Lucan aterrar sobre ele no instante em que as palavras saíram de sua boca. Ele encontrou o olhar do outro Gen Um e deu um aceno decisivo. — Farei com que chegue em casa em segurança para sua família. Parecia uma tarefa simples o suficiente para gerenciar, mas todos nas imediações caíram num silêncio repentino, demorado. A mais atingida de todos parecia ser a própria Corinne. Ela olhou para ele em silêncio, e por um segundo se perguntou se iria recusar sua oferta. — Isso levará cerca de 14 horas de carro, — disse Gideon. — Isso é um par de dias no total, já que estamos falando sobre viagens apenas à noite. Se saísse agora, poderia avançar cerca de uma centena de quilômetros antes do sol começar a subir. Ou posso ter um dos nossos aviões corporativos abastecido e pronto para sair ao entardecer. Um par de horas de voo e estará lá. Lucan olhou fixamente para ele, então, deu um aceno de cabeça. — Quanto mais rápido, melhor. Vou precisar de você de volta na patrulha amanhã à noite. — Considere feito, — respondeu Hunter. Capítulo 4 4 ETA – Estimated Time of Arrival, Hora Estimada de Chegada.
  23. 23. TWKliek Lara Adrian Midnight Breed 09 23 Chase estava sentado no escuro sozinho, agachado sobre as pernas num canto sombrio da pequena capela do complexo. Não sabia por que suas botas o levaram ali, ao santuário, tranquilo à luz de velas, em vez de seus aposentos pessoais mais abaixo pelo corredor. Nunca foi de procurar conselho ou perdão de um poder superior, e Deus sabia que provavelmente estava muito longe da oração de qualquer maneira. Com certeza não tinha nenhuma esperança de absolvição. Nem de cima, e nem de Lucan ou seus outros irmãos da Ordem também. Nem mesmo de si mesmo. Ao contrário, cultivava sua fúria. Saudava a agonia de suas feridas, o beijo ardente da profunda dor que o fazia se sentir vivo. Quase a única coisa que podia lhe dar algum sentimento. E, como um drogado, perseguia esse sentimento com abandono imprudente e desesperado. Melhor que a alternativa. Dor era alta, escura e ímpia, e que o impedia de procurar a outra amante, mais perigosa. Sem dor, tudo que teria seria a fome. Sabia onde acabaria, claro. Seu intelecto não estava tão perdido quanto seu corpo ou sua alma; a razão dizia que um dia esta coceira feia iria matá-lo. Havia algumas noites — cada vez mais, ultimamente — que simplesmente não se importava mais. "Sterling, está aqui?" A voz feminina fez sua cabeça levantar, concentrando toda sua atenção da mesma forma que fez no corredor na saída do elevador, há poucos minutos. Ele levantou a cabeça e ouviu seus movimentos, mesmo que o viciado nele preferisse o isolamento das sombras que o escondiam de sua visão. Ele atraiu aquelas sombras, puxando-as profundamente de seu talento pessoal Raça, para reunir a escuridão ao seu redor. Era uma luta chamar seu dom; mais difícil ainda mantê-lo no lugar. O soltou por um momento, pouco depois assoviando uma maldição áspera, quando até mesmo as sombras o abandonaram. — Sterling? — Elise chamou suavemente na capela. Seus passos eram cuidadosos quando entrou, como se não se sentisse totalmente segura com ele. Mulher inteligente. Mas, ainda assim, ela não parou para se afastar e o deixar como ele gostaria. — Fui aos seus aposentos, então sei que não foi para lá. — Ela exalou, o suspiro soando confuso e um pouco triste. — Pode se esconder dos meus olhos, mas sinto sua presença aqui. Porque não responde? — Porque não tenho nada a dizer. Palavras duras. E totalmente imerecidas, principalmente pela fêmea que era Companheira de Raça de Tegan desde o ano passado, e, muito antes disso, a viúva do próprio irmão de Chase. Quentin Chase foi abençoado incomensuravelmente quando Elise o escolheu para seu companheiro — e não tinha ideia que seu irmão mais novo abrigava um segredo, uma luxúria vergonhosa pela felicidade que Quent e Elise conheciam.
  24. 24. TWKliek Lara Adrian Midnight Breed 09 24 Pelo menos já não tinha que lidar com esse desejo indesejado. Pelo menos se livrou de sua fixação. Havia uma nobreza manchada nele que queria acreditar que foi capaz de sentir o querer por Elise ir, porque ela deu seu coração a outro de seus irmãos — um irmão de armas que mataria por ela, morreria por ela, como ela faria por ele. O amor de Tegan e Elise era inquebrável, e embora Chase nunca tivesse testado, a verdade era mais simples, sua sede pela dor substituiu Elise como objeto principal de sua obsessão. No entanto, ainda se encontrava prendendo a respiração enquanto ela entrava mais na capela e o encontrava curvado no canto de trás, sua espinha encaixada no ângulo das paredes de pedra. Silenciosa, caminhou a curta distância entre as duas colunas de bancos de madeira. No mais próximo de onde ele estava agachado no chão, ela se sentou na borda e apenas olhou para ele. Ele não tinha que olhar para saber que seu rosto bonito estaria marcado com a decepção. Provavelmente, piedade também. — Talvez não tenha me entendido, — disse ele, pouco mais que um grunhido. — Não quero falar com você, Elise. Deve sair agora. — Por quê? — ela perguntou, ficando exatamente onde estava. — Assim, pode ficar de mau humor em privado? Quentin estaria chocado ao ver você assim. Teria ficado envergonhado. Chase grunhiu. — Meu irmão está morto. — Sim, Sterling. Morto no cumprimento do dever para a Agência de Execução. Morreu com nobreza, fazendo o seu melhor para tornar este mundo um lugar mais seguro. Pode honestamente dizer que é o que você está fazendo? — Eu não sou Quent. — Não, — ela disse. — Você não é. Ele era um homem extraordinário, um homem corajoso. Você poderia ser ainda melhor que ele, Sterling. Poderia ser muito mais do que aquilo que vejo diante de mim agora. Sabe, já ouvi como você está em missões recentemente. Vi você voltar muitas vezes, rasgado e volátil. Tão cheio de raiva. Chase levantou e se afastou dela alguns passos, mais que pronto para terminar com a conversa. — O que faço é da minha conta. Não é sua preocupação, nem eu sou. — Sei, — ela respondeu. Ela levantou do banco para se aproximar dele. Ela fez uma careta, os braços cruzados sobre o corpo esguio à sua frente. — Prefere que todos que se preocupam com você simplesmente o deixem sangrar sozinho, é isso? Quer que eu e todos os outros apenas permitam que se sente num canto escuro em algum lugar e sinta pena de si mesmo. Ele zombou e girou um olhar duro sobre ela. — Eu pareço estar sentindo pena de mim mesmo? — Parece um animal, — ela respondeu, sua voz calma, mas não tanto que ele pudesse confundir com medo. — Está agindo como um animal, Sterling. Olho para você ultimamente, e sinto como se não o conhecesse mais. Ele prendeu seu olhar confuso. — Nunca me conheceu, Elise.
  25. 25. TWKliek Lara Adrian Midnight Breed 09 25 — Fomos uma família, uma vez, — ela o lembrou gentilmente. — Pensei que éramos amigos. — Não era amizade o que eu queria de você, — ele respondeu sem rodeios, deixando-a absorver a admissão franca que só teve coragem de dançar ao redor, educadamente, agora. Quando ela deu um passo cauteloso de volta ao corredor aberto, ele riu, auto satisfeito. — Sinta- se livre para fugir agora, Elise. Ela não fugiu. O passo para trás foi tudo que se permitiu. A Companheira de Raça de Tegan já não era a criança abandonada que Chase prometeu a Quentin proteger. Era uma mulher forte, que fez sua própria viagem ao inferno e voltou, e não tinha quebrado. Não estava prestes a quebrar por Chase agora, não importa com que força tentasse empurrá-la para fora de sua vida. Como se para provar a si mesmo, ele diminuiu a distância entre eles. Estava sujo de sangue e sujeira, mesmo ele mal podia suportar o mau cheiro em si mesmo. Mas, apesar das poucas polegadas que o separavam da beleza pristina de Elise, ela não se afastou. Sua expressão era de tristeza e expectativa, antes mesmo que ele abrisse a boca para dizer as palavras que iriam libertá-lo desta última corda frágil no seu passado. — A única coisa que eu sempre quis de você, Elise, era abrir suas pernas e... Ela lhe deu um tapa forte no rosto, um sólido estalo que ecoou no silêncio da capela. Seus pálidos olhos ametista brilhavam à luz das velas, com as lágrimas não derramadas. Nem uma única caiu, não por ele. Provavelmente nunca, pelo olhar aflito com que segurou o dele. Chase se afastou, um passo cambaleante para trás, a mordida do toque de sua mão ainda quente em sua pele. Ele ergueu os dedos para tocar sua bochecha ardendo. Então, sem outra palavra ou pensamento para o que poderia estar na frente dele, desapareceu sob o olhar condenatório de Elise — e fugiu até a escadaria da capela, para a noite de inverno — usando toda a velocidade que a genética Raça podia oferecer a ele. Corinne estava à beira de um amplo pátio de mármore que dava para o pátio traseiro cheio de neve da propriedade da Ordem, ao nível do solo. Sozinha por um momento, enquanto Gabrielle buscava casacos para elas dentro da mansão, inclinou a cabeça para trás sobre seus ombros para puxar um longo suspiro do ar frio de dezembro. O céu de inverno estava escuro e sem nuvens acima dela, um mar insondável de meia-noite azul salpicado com brilhantes estrelas cintilantes. Quanto tempo se passou desde que cheirou o revigorante aroma levemente enfumaçado da brisa de inverno? Quanto tempo desde que sentiu o ar fresco contra seu rosto? As décadas de sua prisão se arrastaram lentamente no início, nos dias em que estava determinada a marcar o tempo, lutando a cada segundo como se pudesse ser o último. Depois de um tempo, percebeu que não era a morte que seu raptor queria. Para seus propósitos, precisava dela viva, mesmo que mal. Foi então que parou de contar, deixou de lutar, e sua noção de tempo borrou numa única noite, sem fim. E agora estava livre.
  26. 26. TWKliek Lara Adrian Midnight Breed 09 26 Amanhã, estaria em casa com sua família. Amanhã, sua vida começaria de novo e seria uma nova pessoa. Ela sobreviveu, mas em seu coração, se perguntava se poderia estar inteira novamente. Tanto foi tirado dela. Algumas coisas que nunca poderiam ser reconquistadas. E outras... Teria tempo depois para chorar todas as coisas que perdeu para o mal de Dragos. Fechando os olhos, respirou fundo outra baforada de ar limpo da noite. Quando soltou, o som do riso de uma criança a assustou com uma sacudida. No começo, achava que era apenas um truque de sua mente, um dos muitos jogos cruéis que a escuridão gostava de jogar durante o tempo no cativeiro. Mas então a risada encantada voltou, trazendo a brisa além de algum lugar no pátio do vasto jardim. Era o riso de uma menina — uma criança de talvez oito ou nove anos, Corinne divagou, vendo como a menina corria alegremente através da branca neve, agasalhada como um boneco de neve num casaco rosa grosso e calças combinando. Atrás dela, a apenas alguns passos, vinha um par de cães, decididamente incompatíveis, soltos, as línguas para fora da boca, alegres, enquanto a perseguiam. Corinne não pôde deixar de sorrir para o terrier marrom que tentava desesperadamente chegar na frente do cão maior, mais elegante. Para cada passo do célere e belo animal, um lobo cinzento e branco, o vira-lata latia desconexo, lutando na sua esteira, finalmente se jogando direto através das longas pernas de seu companheiro, a fim de ser o primeiro a chegar na menina. Ela gritou quando o pequeno cão correu em seus tornozelos e a abordou, latindo alegremente quando o segundo cão chegou até eles com seu abanar de cauda grossa e começou a lamber o rosto da criança. — Ok, ok! — a menina deu uma risadinha. — Luna, Harvard — ok, vocês ganharam. Eu me rendo! Quando os dois cães a deixaram para lutar e rosnar um com o outro em vez disso, duas mulheres já atravessam o gramado nevado de outra parte do jardim. Uma delas estava claramente grávida por seu tamanho, sob seu casaco, andando num ritmo cuidadoso ao lado de uma mulher alta, de aspecto desportivo que segurava o par de coleiras em sua mão enluvada. — Jogue limpo, Luna, — ela gritou para o maior dos dois cães. Ele respondeu de imediato, abandonando seu companheiro canino e fazendo um círculo em torno de sua óbvia feliz proprietária. — Essa é Alex, — disse Gabrielle, dando a volta para a borda do terraço, onde Corinne estava. Vestia um casaco de lã escura, e trazia outro para Corinne. Carregava a menor fragrância de cedro, e parecia tão confortável como um cobertor quente quando Corinne entrou nele. — Alex é companheira de Kade, — Gabrielle continuou. — Estava com ele quando você chegou mais cedo esta noite, assim não teve chance de conhecê-la. — Lembro-me dela, no entanto, — Corinne respondeu, seus pensamentos voltando à véspera de seu resgate. — Ela e algumas outras mulheres nos ajudaram a sair daquelas gaiolas na adega. Foram quem nos encontraram. Gabrielle assentiu.
  27. 27. TWKliek Lara Adrian Midnight Breed 09 27 — Isso é certo. Alex e Jenna estavam lá, junto com Dylan e Renata. Se Tess não estivesse prestes a estalar a qualquer momento com o bebê de Dante, acho que estaria lá com elas também. Corinne olhou de volta para o pátio enquanto as duas mulheres as avistavam e cada uma levantava a mão em saudação. A menina caiu em mais uma rodada de risos, girando nas proximidades, com os dois cães ansiosamente a perseguindo. — A adorável encrenqueira ali é Mira, — Gabrielle disse, balançando a cabeça com as travessuras da criança. — Renata cuidava dela quando as duas viviam em Montreal. Quando ela e Nikolai se apaixonaram no verão passado, trouxeram Mira ao complexo com eles para viverem juntos como uma família. — A companheira de Lucan estava radiante quando olhou para Corinne. — Não sei quanto a você, mas adoro um final feliz. — O mundo poderia ter muito mais deles, — murmurou Corinne, aquecida pela sorte de Mira, mesmo enquanto uma espécie de frio dolorido abria uma fissura mínima no centro de seu ser. Empurrou o vazio longe quando Alex e Tess caminharam juntas, até os degraus de mármore do grande pátio terraço. A respiração de Gabrielle fez uma nuvem na escuridão. — Não está muito frio para você aqui fora, Tess? — Está maravilhoso, — respondeu a beleza grávida enquanto rebolava ao lado de Alex. Suas bochechas estavam avermelhadas dentro do capuz profundo de seu casaco. — Juro, se Dante tentar me manter enfiada dentro do complexo por mais um dia, pode não viver para ver o nascimento de seu filho. — A ameaça estava difundida por completo nos olhos marejados e no sorriso radiante. Ela estendeu a mão coberta pela luva. — Oi, sou Tess. Corinne rapidamente apertou o punhado de lã quente e deu um pequeno aceno de cabeça de saudação. — Prazer em conhecê-la. — Alex, — disse a outra Companheira de Raça, oferecendo a mão e um sorriso de boas vindas também. —Não posso nem dizer que é um alívio saber que você e as outras levadas por Dragos estão seguras agora, Corinne. Ela assentiu com a cabeça em resposta. — Sou grata a todas vocês, muito mais que palavras podem dizer. — E amanhã à noite, Corinne está indo para casa, — acrescentou Gabrielle. — Amanhã? — Alex olhou interrogativa. — Isso significa que Brock e Jenna voltarão do Alasca agora? — Ainda estão atrasados pelas tempestades de neve, — Gabrielle respondeu. — Mas Hunter se ofereceu para acompanhar Corinne até Detroit no lugar de Brock. No silêncio longo que pareceu cair sobre as mulheres da Ordem, Corinne reviveu o momento em que o guerreiro, estranhamente imenso e ilegível fez sua oferta para levá-la para casa. Não esperava isso dele, certamente. Não parecia o tipo caridoso, nem mesmo na noite de seu resgate, quando ele e alguns outros guerreiros da Ordem levaram as cativas libertadas de Dragos ao Darkhaven em Rhode Island.
  28. 28. TWKliek Lara Adrian Midnight Breed 09 28 Hunter pareceu duro naquela noite. Com seus traços cinzelados, e quase dois metros de músculos volumosos, era o tipo de homem que dominava toda a sala que entrava, sem sequer tentar. Enquanto as horas após o resgate foram preenchidas com emoção para todos os envolvidos, Hunter era o único tranquilo, o único que se manteve de lado e apenas cumpriu sua missão com eficiência estoica. Mais tarde naquela noite, uma das outras mulheres sussurrou o que ouviu Andreas e Claire falando em privado sobre Hunter. Disse que soava como se ele — não muito tempo atrás — fosse aliado de alguma forma com Dragos. Corinne não poderia fingir que não reconheceu o ar de perigo que cercava o misterioso guerreiro. Não podia negar que o pensamento de estar perto dele a enervou então, e agora. Não demorou muito para imaginá-lo chegando ao complexo há pouco tempo, com suas roupas manchadas de sangue e combate, o terrível arsenal de armas que usava em torno de sua cintura fina. Levou muito menos esforço recordar a cor chamativa de ouro de seus olhos e seu olhar de falcão se fixando no seu, no instante que a viu. Por que chamou sua atenção, não podia começar a adivinhar. Tudo que sabia era que se sentia presa por seu olhar penetrante, analisada de uma forma que a fez se sentir tanto animada quanto exposta. Mesmo agora, sua pele arrepiava só de lembrar dele. Ela estremeceu com a sensação, embora seu corpo não estivesse nem perto do frio, dentro das dobras isolantes de seu casaco. No entanto, tentou afastar a sensação, passando as mãos para cima e para baixo nos braços para afastar a formigação peculiar que aquecia suas terminações nervosas. — Hunter! — Sem aviso, Mira pouco pulou do seu jogo na neve e se lançou numa precipitada corrida pelo quintal. — Hunter, sai com a gente! Corinne moveu a cabeça junto com as outras mulheres, seguindo Mira até o conjunto de portas francesas que dava para o terreno da mansão atrás delas. Hunter estava dentro daquelas portas de vidro. Já não estava vestido para combate — coberto da cabeça aos pés de negro — mas, recentemente, tomou banho, vestiu calças largas e uma camisa branca fora da calça que mostrava o padrão elaborado de dermaglifos que cobriam o peito e o tronco. Seus grandes pés estavam descalços, apesar da época do ano, e as pontas curtas e úmidas de seu cabelo louro pendiam caídas sobre a testa. E a estava estudando novamente... a estudando ainda. Quanto tempo estava parado ali? Corinne tentou desviar o olhar dele, mas seus penetrantes olhos dourados não a liberavam. Seu olhar não deixou Corinne para reconhecer a criança se aproximando até o último momento, quando Mira se jogou em seus braços fortes. Ele a ergueu sem esforço e a segurou no ar na dobra do cotovelo esquerdo, ouvindo enquanto a menina conversava animadamente sobre todas as suas aventuras do dia. Corinne mal pôde ouvir o que ele disse, mas era óbvio que gostava da criança, mantendo sua voz baixa e indulgente.
  29. 29. TWKliek Lara Adrian Midnight Breed 09 29 Nos poucos momentos que conversou com ela, algo passou por seu rosto outra vez ilegível. Algo que o fez ficar ainda mais sério. Enviou mais um olhar na direção de Corinne — um olhar persistente que parecia furar através dela — antes de lentamente descer a criança até o chão. Então se afastou, de volta ao coração do complexo. Mesmo depois que saiu, mesmo depois de Mira correr de volta para brincar com os cães no quintal cheio de neve e as outras Companheira de Raças retomarem sua própria conversa, Corinne ainda podia sentir o calor inquietante dos olhos de Hunter nela. Ele viu o rosto de Corinne Bishop em algum lugar antes. Não durante seu resgate das celas da prisão de Dragos. Não no Darkhaven em Rhode Island, onde ela e as outras reféns libertadas foram levadas para abrigo e proteção. Não, ele viu essa mulher meses antes disso, estava certo agora. A percepção o atingiu como um golpe físico quando pegou a pequena Mira em seus braços alguns instantes atrás. Tudo que precisou para lembrá-lo foi um vislumbre do rosto inocente da criança — nos olhos da jovem Companheira de Raça, que tinha o poder de refletir o futuro. Embora as lentes de contato especialmente criadas normalmente silenciassem o dom de Mira, como faziam esta noite, houve um tempo, meses atrás, quando Hunter inadvertidamente olhou em seus olhos parecidos com espelho e viu uma mulher pedindo por sua misericórdia, implorando para não ser o assassino que nasceu para ser. Na visão, a mulher tentava alcançar sua mão, pedindo desesperadamente que poupasse esta vida — apenas esta, apenas por ela. Deixe-o ir, Hunter... Por favor, estou implorando... Não faça isso! Você não consegue entender? Eu o amo! Ele é tudo para mim... Apenas deixe-o ir... tem que deixá-lo viver! Na visão, a expressão da mulher era de derrota quando ela percebeu que ele não cederia, nem mesmo por ela. Na visão, a mulher gritava com a angústia de um coração partido um instante mais tarde, quando Hunter puxou o braço fora de seu alcance e desferiu o golpe final. Aquela mulher era Corinne Bishop. Capítulo 5 Seu nome era Dragos, como seu pai antes dele, embora somente alguns o conhecessem como tal. Apenas um punhado de associados necessários, seus tenentes nesta sua guerra própria, estavam a par de seu verdadeiro nome e origem. Claro, sabia que seus inimigos agora também sabiam. Lucan Thorne e seus guerreiros da Ordem o expuseram, conduzindo-o ao chão mais de uma vez. Mas ainda não venceram. Nem iriam, se assegurou enquanto estudava as linhas amadeiradas de sua propriedade privada.
  30. 30. TWKliek Lara Adrian Midnight Breed 09 30 Fora das janelas bem fechadas que bloqueavam a escassa luz do meio-dia, uma tempestade de inverno uivava. Rajadas de vento e neve vinham do Atlântico, batendo no vidro e sacudindo as telhas enquanto açoitavam acima das rochas escarpadas de seu covil na ilha. As altas árvores verdes em torno de sua grande propriedade assobiavam e gemiam enquanto o vendaval batia para o oeste, em direção ao continente, apenas a alguns quilômetros de distância do rochedo isolado que agora chamava de lar. Dragos apreciou a fúria da tempestade que se alastrava lá fora. Sentia uma tempestade semelhante se agitando dentro dele toda vez que pensava na Ordem e nos ataques que fizeram contra seu funcionamento. Queria que sentissem o chicote da sua ira, que soubessem que quando viesse coletar sua vingança — muito em breve — estaria encharcada de sangue e completa. Sem perdão, sem conceder nenhuma piedade. Ainda estava ruminando sobre os planos que tinha para Lucan e os seus — até então impenetrável e secreto complexo em Boston — quando uma batida soou educada nas portas fechadas do seu estúdio. — O que é? — Ele vociferou, seu temperamento tão curto quanto sua paciência era fina. Um de seus Subordinados abriu a porta. Era bonita e jovem, com seus cabelos loiros orvalhados de morango, a face pêssego e creme. Ele a viu esperando numa vila de pescadores de Podunk, um par de semanas atrás e decidiu que podia se revelar divertida para ele de volta ao seu covil. E assim ela foi. Dragos se alimentou dela atrás de uma lixeira do restaurante que cheirava a tripas de peixe e água salgada. Ela lutou no início, arranhando seu rosto e o chutando momentos antes que sua mordida tomasse totalmente sua garganta delicada. Ela soltou um grito curto e tentou acertar o joelho em suas bolas. Ele a estuprou, brutalmente, repetidamente, e com prazer. Então a esvaziou quase ao ponto da morte e fez dela o que era agora: sua Subordinada, abnegada, dedicada, totalmente escravizada a ele. Ela não resistia a qualquer coisa que exigisse dela, não importa o quão depravada fosse. A garota entrou em seu estúdio com uma inclinação recatada de cabeça. — Tenho a correspondência desta manhã de sua caixa postal no continente, Mestre. — Excelente — ele murmurou sombrio, quando ela entrou com um punhado de envelopes e os colocou sobre sua mesa grande no centro da grande sala. Quando ela girou para enfrentá-lo, sua expressão era branda, mas receptiva, o olhar típico de um Subordinado aguardando o próximo comando de seu mestre. Se dissesse para ajoelhar e chupá-lo ali e agora, faria isso sem a menor hesitação. Responderia com obediência igual se dissesse a ela para pegar o abridor de cartas de prata e cortar sua própria garganta. Dragos inclinou a cabeça e a estudou, se perguntando qual dos dois cenários o divertiria mais. Estava prestes a resolver, quando seus olhos se desviaram para um grande envelope branco apergaminhado assentado em cima do resto de sua correspondência recebida sobre a mesa. O endereço do remetente era de Boston e a caligrafia manuscrita na frente do convite capturou sua atenção.
  31. 31. TWKliek Lara Adrian Midnight Breed 09 31 Descartou a Subordinada com um movimento frouxo de seu pulso. Sentando nas almofadas de couro grossa de sua cadeira enquanto a menina saia calmamente do estúdio, ele pegou o envelope branco e sorriu, passando os dedos pela cuidadosa escrita à mão com letras que enunciavam o último pseudônimo que usava nos círculos humanos. Dragos assumiu tantas identidades falsas ao longo dos séculos de sua existência, tanto entre os da Raça como com os humanos, que quase não se preocupava em acompanhar mais. Já não importava; seu tempo de esconder quem era, e do que era capaz, estava quase chegando ao fim. Estava tão perto agora. Não importava a interferência recente da Ordem. Seus esforços para frustrá-lo eram insignificantes, e já era tarde demais também. O anúncio da festa de feriado em sua mão era apenas mais um passo no seu caminho para o triunfo. Esteve cortejando o jovem senador de Massachusetts na maior parte do ano, seguindo o político jovem e ambicioso a cada movimento e garantindo que os cofres da campanha do senador permanecessem mais que amplamente cheios. O humano acreditava que estava destinado à grandeza, e Dragos estava fazendo tudo que podia para que subisse tão alto e tão rápido quanto possível. Todo o caminho até a Casa Branca, se tinha algo a dizer sobre isso. Dragos abriu o envelope e leu os detalhes do convite. Seria um evento exclusivo, um jantar de alto valor e arrecadação de fundos dos amigos do senador, para não mencionar seu mais influente e mais generoso contribuinte de campanha. Não perderia essa festa por nada no mundo. Na verdade, mal podia suportar a espera. Em apenas algumas noites mais, inclinaria a mesa a seu favor, e ninguém seria capaz de impedi-lo de ver sua visão se realizar. Certamente não os humanos. Estariam ignorantes até o fim, assim como pretendia. A Ordem não seria capaz de detê-lo também. Estava se certificando, agora mesmo, depois de enviar um dos seus peões Subordinados para recuperar as armas especializadas que precisava para combater Lucan e seus guerreiros neste novo tipo de guerra, e para garantir que ninguém, na Ordem, estaria de pé para ficar em seu caminho novamente. Quando pôs o convite do senador de volta sobre a mesa, seu laptop tocou com uma mensagem de e-mail recebido de um serviço gratuito não determinável. No horário certo, Dragos pensou, enquanto clicava para abrir o relatório de seu Subordinado no campo. A mensagem era simples e sucinta, o que esperaria de um recruta ex-militar. Ativos localizados. Contato inicial com sucesso. Avançar com a recuperação como planejado. Não havia necessidade de resposta. O Subordinado conhecia os objetivos de sua missão, e para fins de segurança, o endereço de e-mail já estaria desativado na outra extremidade. Dragos excluiu a mensagem de sua caixa e se recostou na cadeira. Lá fora, a tempestade de inverno continuou ventando. Se recostou e fechou os olhos, ouvindo sua fúria num estado de calma satisfeita, sabendo que todas as peças de seu grande plano estavam finalmente caindo no lugar.
  32. 32. TWKliek Lara Adrian Midnight Breed 09 32 Seu nome era Dragos, e logo cada homem, mulher e criança — da Raça e humanos igualmente — se curvariam a ele como seu senhor e rei. Tudo mudava. Que era o pensamento que repercutia na cabeça de Corinne desde o momento em que ela e Hunter chegaram em Detroit na noite seguinte. Décadas de prisão nos laboratórios de Dragos a deixaram lutando para se adaptar às inúmeras novas mudanças e avanços no mundo que conhecia, desde o modo como as pessoas conversavam e se vestiam, até a forma como viviam, trabalhavam e viajavam. Desde o momento da sua libertação, Corinne sentiu como se estivesse de alguma forma pairando em outro plano da realidade, uma estranha perdida num estranho mundo do futuro. Mas nada a atingiu tão fundo como a sensação que teve quando ela e Hunter deixaram o aeroporto num carro fornecido pela Ordem e se puseram a caminho da cidade para o Darkhaven de seus pais. O centro da cidade vibrante não era mais o que lembrava. Ao longo do rio, a terra com espaços abertos agora estava cheia de prédios, alguns lisamente modernos, luzes brilhantes dos prédios de escritórios; outras estruturas parecendo muito vagas, abandonadas e quebradas. Apenas um punhado de pessoas caminhava pelas ruas, se misturando rapidamente ao longo da avenida principal, passando pelos corredores negligentemente sem luz. Mesmo no escuro, a dualidade da paisagem de Detroit era chocante, inacreditável. Quadra por quadra, parecia que o progresso sorria para um lote de terra, enquanto cuspia em outro. Ela não sabia o quanto estava preocupada até Hunter parar o grande sedan preto em frente à propriedade Darkhaven iluminada pela lua, que uma vez chamou de casa. — Meu Deus, — ela sussurrou de seu assento ao lado dele no carro quando alívio a invadiu. — Ainda é aqui. Estou finalmente em casa... Mas mesmo o Darkhaven parecia diferente do que se lembrava. Corinne se atrapalhou ao desafivelar o cinto de segurança, ansiosa agora, e mais que pronta para ficar livre das restrições desconfortáveis que Hunter insistiu que usasse durante a viagem. Ela se inclinou para frente, olhando pela janela do passageiro escurecida. Sua respiração saiu num suspiro preso enquanto olhava além do pesado portão de ferro na entrada e a cerca pelo perímetro, nenhum dos quais estava lá quando morou lá antes. Era apenas um sinal dos tempos perigosos para toda a cidade, ou seu desaparecimento fez seu indomável pai se sentir tão vulnerável que emparedou a si mesmo e ao resto de sua família atrás de uma prisão em seu próprio país? Seja qual for a causa, culpa e tristeza apertaram seu coração ao ver a barreira rodeando antes terras pacíficas. Além da entrada parecendo uma fortaleza estava a mansão de tijolos vermelhos, cujas majestosas janelas com muitas cortinas brilhavam com luz suave, no final do longo passeio de paralelepípedos. Os carvalhos altos que ladeavam a calçada tinham amadurecido e espessado em sua ausência, seus ramos nus do inverno atingindo uns aos outros pelo alto sobre o pavimento, como um dossel de braços protetores. À frente, a meio caminho da relva que se espalhava pela frente da grande casa em arquitetura grega, o chafariz de pedra calcária e a piscina onde ela e sua
  33. 33. TWKliek Lara Adrian Midnight Breed 09 33 irmã mais nova adotada, Charlotte, costumavam brincar no calor do verão, quando as meninas tinham algum tempo foi substituído por pedras decorativas e uma coleção de árvores decorativas. Como o terreno parecia vasto quando era a criança que vivia aqui. Como parecia mágico este mundo privado, especial para ela na época. Como levou tudo isso terrivelmente apenas alguns anos mais tarde, como uma jovem obstinada que não conseguia ficar longe o suficiente e rápido o bastante. Agora o queria de volta com uma necessidade que era nada menos que desesperada. Corinne levou seus dedos até a boca, um soluço pequeno saindo da parte de trás de sua garganta. — Não posso acreditar que realmente estou aqui. Não posso acreditar que estou em casa. Teve o impulso de agarrar a maçaneta da porta, ignorando o rosnado baixo de seu estoico companheiro ao lado no assento do motorista. Corinne saiu do veículo e caminhou alguns passos até o caminho privativo em direção ao portão de ferro. Uma rajada de vento frio soprou através da paisagem de neve na frente dela, esfriando seu rosto e fazendo-a se entocar um pouco mais em seu casaco de lã grossa. Às suas costas, sentiu um súbito calor que emanava em direção a ela e soube que Hunter estava lá agora. Ela nem sequer o ouviu sair do carro para segui-la, se movia tão furtivamente. Sua voz atrás dela era baixa e profunda. — Deveria permanecer no carro até que esteja com segurança entregue à porta. Corinne se afastou dele e caminhou até tocar as barras pretas altas do portão fechado. — Sabe há quanto tempo fui embora? — Ela murmurou. Hunter não respondeu, apenas ficou em silêncio atrás dela. Ela fechou os dedos ao redor do ferro frio, exalando um sopro curto de vapor em seu riso, sem humor. — No verão passado, seriam 75 anos. Pode imaginar? Isso é o quanto da minha vida foi roubado de mim. Minha família em casa... todos pensando que estava morta. Doía pensar na dor de seus pais e irmãos pelo seu completo desaparecimento. Por algum tempo depois que foi levada, Corinne se preocupou como sua família estava passando. Por muito tempo depois do seu sequestro, se agarrou à esperança de que procurariam por ela, que nunca parariam de procurar até que fosse encontrada, especialmente seu pai. Afinal, Victor Bishop era um homem poderoso na sociedade Raça. Mesmo naquela época, era rico e bem relacionado. Tinha todos os meios à sua disposição, então porque não rasgou sua cidade e cada um entre aqui e sua prisão até que sua filha fosse encontrada e trazida para casa? Era uma pergunta que a roeu a cada hora de seu cativeiro. O que não sabia era que, em seguida, seu sequestrador numa continuação doentia convenceu sua família e todos que a conheciam que já não estava viva. Brock, que era seu guarda-costas desde a infância, muito antes de se tornar um guerreiro da Ordem, a puxou de lado depois do seu resgate, e explicou tudo que sabia de seu desaparecimento. Embora fosse gentil com os fatos, não tinha como suavizar os detalhes horríveis que Brock revelou a ela. — Poucos meses depois que foi levada, o corpo de uma fêmea foi retirado do rio, não muito longe daqui, — disse a Hunter em silêncio, sentindo repulsa por aquilo que descobriu. — Tinha a

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