Faculdade e Escola Técnica Egídio José da Silva                  FATEGÍDIOAPOSTILA DE ANATOMIA E  FISIOLOGIA HUMANAS      ...
3Organizador:Prof. MSc. RODRIGO ANTONIO MONTEZANO VALINTIN LACERDAColaboradores:Prof. Esp. ADRÉ LUIS VELANOProf. Esp. FABI...
4Aos alunos:        O mestre disse a um dos seus alunos: Yu,                  queres saber em que consiste o              ...
5                                               SUMÁRIO1 - INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA ANATOMIA .................................
6                  1 - INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA ANATOMIA1.1 - CONCEITO DE ANATOMIA         No seu conceito mais amplo, a An...
7         Como toda ciência, a Anatomia tem sua linguagem própria. Ao conjunto de termosempregados para designar e descrev...
8sangüíneos calibrosos responsáveis pela irrigação da cabeça. As lesões do pescoço de maiorgravidade são as fraturas da co...
9outros termos de posição e direção são relativos, pois baseiam-se na comparação da posição deuma estrutura em relação a p...
10  A identificação do tipo morfológico é importante devido às diferentes técnicas de abordagemsemiológica, avaliação das ...
11                    2 – SISTEMAS DE SUSTENTAÇÃO                           2.1 - SISTEMA ESQUELÉTICO                     ...
12      Observações:      Primeiro - no osso esfenóide      existe     uma depressão denominada de sela turca onde se enco...
132- Esqueleto apendicular2-1- Membros e cinturas articulares      Cada membro superior é composto de braço, antebraço, pu...
144 - Ligamentos       Os ossos de uma articulação mantêm-se no lugar por meio dos ligamentos,  cordões resistentes consti...
15 como depósito de lipídeos, e, no restante, é vermelha e gelatinosa, constituindo o local de formação das células do san...
16  •   Osteoblastos: os osteoblastos sintetizam a      parte orgânica da matriz óssea, composta por      colágeno     tip...
17de Havers e por lamelas concêntricas é denominado sistema de Havers ousistema haversiano. Os canais de Volkmann não apre...
18      No recém-nascido, toda a medula óssea é vermelha. Já no adulto, a medula vermelha fica restrita aos ossos chatos d...
19 cavidades articulares. Em alguns casos, vasos sanguíneos atravessam as cartilagens, indo nutrir outros tecidos. O tecid...
20       Pericôndrio: a cartilagem hialina geralmente é circundada por um tecido conjuntivo firmemente aderido, chamado pe...
21 no pavilhão da orelha, nas paredes do canal auditivo externo, na tuba auditiva e na laringe. Em todos estes locais há p...
22 sinoviais. O critério para esta divisão é o da natureza do elemento que se interpõe às peças que se articulam.2.1 - CLA...
23       No crânio do feto e recém-nascido, onde a ossificação ainda é incompleta, aquantidade de tecido conjuntivo fibros...
24de cor esbranquiçada. A cartilagem articular é avascular e não possui tambéminervação. Sua nutrição, portanto, principal...
25movimentos da adução e abdução desenvolvem-se em plano frontal e seu eixo demovimento é ântero-posterior.     rotação qu...
26vários ossos articulados permitem apreciável variedade e amplitude de movimento.É isto que ocorre, por exemplo, nas arti...
27       As articulações sinoviais são muito inervadas. Os nervos são derivados dosque suprem a pele adjacente ou os múscu...
28Estriado esquelético                    Estriado cardíaco                 Liso                                          ...
29      Os músculos esqueléticos estão revestidos por uma lâmina delgada de tecidoconjuntivo, o perimísio, que manda septo...
30                                               1- Bandas escuras (anisotrópicas –                                       ...
31 responsável pela contração uniforme de cada fibra muscular estriada esquelética, não ocorrendo nas fibras lisas e sendo...
32     3. A energia liberada provoca o deslizamento da actina entre os filamentos de miosina, caracterizando o encurtament...
33     A contração muscular segue praticamente os mesmos passos da contração no  músculo estriado esquelético , com alguma...
34    A contração muscular segue praticamente os mesmos passos da contração no músculo estriado esquelético , com algumas ...
352.3.9 - ORIGEM E INSERÇÃO           Origem (ponto fixo) é a extremidade do músculo que fica presa à peça óssea que nãose...
362.3.10 - Ação Muscular         A analise do movimento é extremamente complexa, normalmente a ação envolve aação de vário...
37outras. A resposta emitida pelos neurônios assemelha-se a uma corrente elétricatransmitida ao longo de um fio condutor: ...
38O impulso nervoso                                                     A membrana plasmática do neurônio                 ...
39Imagem: www.epub.org.br/cm/n10/fundamentos/animation.html                       pela bomba de sódio e                   ...
40     Para transferir informação de umponto para outro no sistema nervoso, énecessário que o potencial de ação, umavez ge...
41 nervoso. Nas regiões dos nódulos de Ranvier, a onda de despolarização "salta" diretamente de um nódulo para outro, não ...
Apostila de anatomia humana
Apostila de anatomia humana
Apostila de anatomia humana
Apostila de anatomia humana
Apostila de anatomia humana
Apostila de anatomia humana
Apostila de anatomia humana
Apostila de anatomia humana
Apostila de anatomia humana
Apostila de anatomia humana
Apostila de anatomia humana
Apostila de anatomia humana
Apostila de anatomia humana
Apostila de anatomia humana
Apostila de anatomia humana
Apostila de anatomia humana
Apostila de anatomia humana
Apostila de anatomia humana
Apostila de anatomia humana
Apostila de anatomia humana
Apostila de anatomia humana
Apostila de anatomia humana
Apostila de anatomia humana
Apostila de anatomia humana
Apostila de anatomia humana
Apostila de anatomia humana
Apostila de anatomia humana
Apostila de anatomia humana
Apostila de anatomia humana
Apostila de anatomia humana
Apostila de anatomia humana
Apostila de anatomia humana
Apostila de anatomia humana
Apostila de anatomia humana
Apostila de anatomia humana
Apostila de anatomia humana
Apostila de anatomia humana
Apostila de anatomia humana
Apostila de anatomia humana
Apostila de anatomia humana
Apostila de anatomia humana
Apostila de anatomia humana
Apostila de anatomia humana
Apostila de anatomia humana
Apostila de anatomia humana
Apostila de anatomia humana
Apostila de anatomia humana
Apostila de anatomia humana
Apostila de anatomia humana
Apostila de anatomia humana
Apostila de anatomia humana
Apostila de anatomia humana
Apostila de anatomia humana
Apostila de anatomia humana
Apostila de anatomia humana
Apostila de anatomia humana
Apostila de anatomia humana
Apostila de anatomia humana
Apostila de anatomia humana
Apostila de anatomia humana
Apostila de anatomia humana
Apostila de anatomia humana
Apostila de anatomia humana
Apostila de anatomia humana
Apostila de anatomia humana
Apostila de anatomia humana
Apostila de anatomia humana
Apostila de anatomia humana
Apostila de anatomia humana
Apostila de anatomia humana
Apostila de anatomia humana
Apostila de anatomia humana
Upcoming SlideShare
Loading in …5
×

Apostila de anatomia humana

5,374 views

Published on

Published in: Health & Medicine
0 Comments
2 Likes
Statistics
Notes
  • Be the first to comment

No Downloads
Views
Total views
5,374
On SlideShare
0
From Embeds
0
Number of Embeds
2
Actions
Shares
0
Downloads
159
Comments
0
Likes
2
Embeds 0
No embeds

No notes for slide

Apostila de anatomia humana

  1. 1. Faculdade e Escola Técnica Egídio José da Silva FATEGÍDIOAPOSTILA DE ANATOMIA E FISIOLOGIA HUMANAS MAIO/2009
  2. 2. 3Organizador:Prof. MSc. RODRIGO ANTONIO MONTEZANO VALINTIN LACERDAColaboradores:Prof. Esp. ADRÉ LUIS VELANOProf. Esp. FABIANA PARO PEREIRAProf. Esp. FABRICIO BRITO MUNIZProf. Esp. LEONARDO FIGUEIREDO SANTOSCapa:Prof. MSc. RODRIGO ANTONIO MONTEZANO VALINTIN LACERDA eSecretário SERGIO TELESCitações:Esta Apostila foi baseada em texto da Professora MSc. Maria Luisa Miranda Vilela,Licenciada em Ciências Biológicas pela PUC/MG, tem especialização nos cursos de Biologiados Vertebrados pela PUC/MG e Genética Humana pela UnB e mestrado em Microbiologiapela UFMG (defesa de dissertação em genética molecular de Leishmania). Atualmente édoutoranda no Curso de Pós-Graduação em Biologia Animal da UnB, pelo Dept° de Genéticae Morfologia, Laboratório de Genética.Lecionou Ciências no Ensino Fundamental, Biologia noEnsino Médio e Citologia nas Faculdades Metodistas Isabela Hendrix, em Belo Horizonte/MG.Em Brasília/DF, leciona biologia no ensino médio, desde 1994: em 1994 e 1995, nos CentrosEducacionais La Salle e Sagrada Família; de 1996 até agora, no Centro EducacionalLeonardo da Vinci. Cursos de atualização: Genética e Sociedade (UnB); Bioquímica, Nutriçãoe Saúde (UnB); Ecologia e Gestão Ambiental (UFMG).
  3. 3. 4Aos alunos: O mestre disse a um dos seus alunos: Yu, queres saber em que consiste o conhecimento? Consiste em ter consciência tanto de conhecer uma coisa quanto de não a conhecer. Este é o conhecimento..
  4. 4. 5 SUMÁRIO1 - INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA ANATOMIA ................................................. 61.1 - CONCEITO DE ANATOMIA ...................................................................... 61.2 - NORMAL E VARIAÇÃO ANATÔMICA ...................................................... 61.3 - NOMENCLATURA ANATÔMICA ...............................................................61.4 - POSIÇÃO ANATÔMICA .............................................................................71.5 - DIVISÃO DO CORPO HUMANO.................................................................71.6 - PLANOS DE DELIMITAÇÃO E SECÇÃO DO CORPO HUMANO..............81.7 - TERMOS DE POSIÇÃO E DIREÇÃO.........................................................81.8 - MÉTODOS DE ESTUDO ............................................................................91.9 - VARIAÇÕES ANATÔMICAS NORMAI ...................................................... 91.10 - PLANOS ANATÔMICO ..........................................................................101.11 - TERMOS DE RELAÇÃO ANATÔMICA ..................................................102 – SISTEMAS DE SUSTENTAÇÃO............................................................... 112.1 - SISTEMA ESQUELÉTICO............................................................................... 112.2 - SISTEMA ARTICULAR ....................................................................................212.3 - SISTEMA MUSCULAR ............................................................................273 - SISTEMA NERVOSO ..................................................................................364 - SISTEMA CIRCULATÓRIO ........................................................................575 - SISTEMA RESPIRATÓRIO ........................................................................666 - O SISTEMA DIGESTÓRIO ........................................................................727 - SISTEMA URINÁRIO/EXCRETOR .............................................................798 - SISTEMA REPRODUTOR MASCULINO ...................................................839 - SISTEMA REPRODUTOR FEMININO ........................................................8510 - SISTEMA ENDÓCRINO ............................................................................9511 – SISTEMA SENSORIAL ............................................................................9912 - SISTEMA TEGUMENTAR ......................................................................110
  5. 5. 6 1 - INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA ANATOMIA1.1 - CONCEITO DE ANATOMIA No seu conceito mais amplo, a Anatomia é a ciência que estuda, macro emicroscopicamente, a constituição e o desenvolvimento dos seres organizados. Um excelente e amplo conceito de Anatomia foi proposto em 1981 pela AmericanAssociation of Anatomists: anatomia é a análise da estrutura biológica, sua correlação com afunção e com as modulações de estrutura em resposta a fatores temporais, genéticos eambientais. Tem como metas principais a compreensão dos princípios arquitetônicos daconstrução dos organismos vivos, a descoberta da base estrutural do funcionamento das váriaspartes e a compreensão dos mecanismos formativos envolvidos no desenvolvimento destas. Aamplitude da anatomia compreende, em termos temporais, desde o estudo das mudanças a longoprazo da estrutura, no curso de evolução, passando pelas das mudanças de duração intermediáriaem desenvolvimento, crescimento e envelhecimento; até as mudanças de curto prazo, associadascom fases diferentes de atividade funcional normal. Em termos do tamanho da estruturaestudada vai desde todo um sistema biológico, passando por organismos inteiros e/ou seusórgãos até as organelas celulares e macromoléculas. A palavra Anatomia é derivada do grego anatome (ana = através de; tome = corte).Dissecação deriva do latim (dis = separar; secare = cortar) e é equivalente etimologicamente aanatomia. Contudo, atualmente, Anatomia é a ciência, enquanto dissecar é um dos métodosdesta ciência. Seu estudo tem uma longa e interessante história, desde os primórdios da civilizaçãohumana. Inicialmente limitada ao observável a olho nu e pela manipulação dos corpos,expandiu-se, ao longo do tempo, graças a aquisição de tecnologias inovadoras. Atualmente, a Anatomia pode ser subdividida em três grandes grupos: Anatomiamacroscópica, Anatomia microscópica e Anatomia do desenvolvimento. A Anatomia Macroscópica é o estudo das estruturas observáveis a olho nu, utilizandoou não recursos tecnológicos os mais variáveis possíveis, enquanto a Anatomia Microscópica éaquela relacionada com as estruturas corporais invisíveis a olho nu e requer o uso deinstrumental para ampliação, como lupas, microscópios ópticos e eletrônicos. Este grupo édividido em Citologia (estudo da célula) e Histologia (estudo dos tecidos e de como estes seorganizam para a formação de órgãos). A Anatomia do desenvolvimento estuda o desenvolvimento do indivíduo a partir do ovofertilizado até a forma adulta. Ela engloba a Embriologia que é o estudo do desenvolvimento atéo nascimento. Embora não sejam estanques, a complexidade destes grupos torna necessária aexistência de estudos específicos.1.2 - NORMAL E VARIAÇÃO ANATÔMICA Normal, para o anatomista, é o estatisticamente mais comum, ou seja, o que éencontrado na maioria dos casos. Variação anatômica é qualquer fuga do padrão sem prejuízoda função. Assim, a artéria braquial mais comumente divide-se na fossa cubital. Este é o padrão.Entretanto, em alguns indivíduos esta divisão ocorre ao nível da axila. Como não existe perdafuncional esta é uma variação. Quando ocorre prejuízo funcional trata-se de uma anomalia e não de uma variação. Se aanomalia for tão acentuada que deforme profundamente a construção do corpo, sendo, em geral,incompatível com a vida, é uma monstruosidade.1.3 - NOMENCLATURA ANATÔMICA
  6. 6. 7 Como toda ciência, a Anatomia tem sua linguagem própria. Ao conjunto de termosempregados para designar e descrever o organismo ou suas partes dá-se o nome deNomenclatura Anatômica. Com o extraordinário acúmulo de conhecimentos no final do séculopassado, graças aos trabalhos de importantes “escolas anatômicas” (sobretudo na Itália, França,Inglaterra e Alemanha), as mesmas estruturas do corpo humano recebiam denominaçõesdiferentes nestes centros de estudos e pesquisas. Em razão desta falta de metodologia e deinevitáveis arbitrariedades, mais de 20 000 termos anatômicos chegaram a ser consignados (hojereduzidos a poucos mais de 5 000). A primeira tentativa de uniformizar e criar umanomenclatura anatômica internacional ocorreu em 1895. Em sucessivos congressos deAnatomia em 1933, 1936 e 1950 foram feitas revisões e finalmente em 1955, em Paris, foiaprovada oficialmente a Nomenclatura Anatômica, conhecida sob a sigla de P.N.A. (ParisNomina Anatomica). Revisões subseqüentes foram feitas em 1960, 1965 e 1970, visto que anomenclatura anatômica tem caráter dinâmico, podendo ser sempre criticada e modificada,desde que haja razões suficientes para as modificações e que estas sejam aprovadas emCongressos Internacionais de Anatomia . A língua oficialmente adotada é o latim (por ser“língua morta”), porém cada país pode traduzi-la para seu próprio vernáculo. Ao designar umaestrutura do organismo, a nomenclatura procura utilizar termos que não sejam apenas sinais paraa memória, mas tragam também alguma informação ou descrição sobre a referida estrutura.Dentro deste princípio, foram abolidos os epônimos (nome de pessoas para designar coisas) e ostermos indicam: a forma (músculo trapézio); a sua posição ou situação (nervo mediano); o seutrajeto (artéria circunflexa da escápula); as suas conexões ou inter-relações (ligamentosacroilíaco); a sua relação com o esqueleto (artéria radial); sua função (m. levantador daescápula); critério misto (m. flexor superficial dos dedos – função e situação). Entretanto, hánomes impróprios ou não muito lógicos que foram conservados, porque estão consagrados pelouso.1.4 - POSIÇÃO ANATÔMICA Para evitar o uso de termos diferentes nas descrições anatômicas, considerando-se que aposição pode ser variável, optou-se por uma posição padrão, denominada posição de descriçãoanatômica (posição anatômica). Deste modo, os anatomistas, quando escrevem seus textos,referem-se ao objeto de descrição considerando o indivíduo como se estivesse sempre naposição padronizada. Nela o indivíduo está em posição ereta (em pé, posição ortostática oubípede), com a face voltada para a frente, o olhar dirigido para o horizonte, membros superioresestendidos, aplicados ao tronco e com as palmas voltadas para frente, membros inferioresunidos, com as pontas dos pés dirigidas para frente.1.5 - DIVISÃO DO CORPO HUMANO O corpo humano divide-se em cabeça, tronco e membros. 2.1. Cabeça A cabeça é dividida em duas partes: crânio e face. Uma linha imaginária passando pelotopo das orelhas e dos olhos é o limite aproximada entre estas duas regiões. O crânio contém oencéfalo no seu interior, na chamada cavidade craniana. As lesões crânioencefálicas são ascausas mais freqüentes de óbito nas vitimas de trauma. A face é a sede dos órgãos dos sentidosda visão, audição, olfato e paladar. Abriga as aberturas externas do aparelho respiratório edigestivo. As lesões da face podem ameaçar a vida devido ao sangramento e obstrução das viasaéreas. 2.2. Tronco O tronco é dividido em pescoço, tórax, abdome e pelve. 2.2.1. Pescoço Contém varias estruturas importantes. É suportado pela coluna cervical que abriga noseu interior a porção cervical da medula espinhal. As porções superiores do trato respiratório edigestivo passam pelo pescoço em direção ao tórax e abdome. Contém também vasos
  7. 7. 8sangüíneos calibrosos responsáveis pela irrigação da cabeça. As lesões do pescoço de maiorgravidade são as fraturas da coluna cervical com ou sem lesão medular, as lesões do tratorespiratório e as lesões de grandes vasos com hemorragia severa.2.2.2. Tórax Contém no seu interior, na chamada cavidade torácica, a parte inferior do tratorespiratório (vias aéreas inferiores), os pulmões, o esôfago, o coração e os grandes vasossangüíneos que chegam ou saem do coração. É sustentado por uma estrutura óssea da qualfazem parte a coluna vertebral torácica, as costelas, o esterno, as clavículas e a escápula. Aslesões do tórax são a segunda causa mais freqüente de morte nas vítimas de trauma.1.6 - PLANOS DE DELIMITAÇÃO E SECÇÃO DO CORPO HUMANO Na posição anatômica o corpo humano pode ser delimitado por planos tangentes à suasuperfície, os quais, com suas intersecções, determinam a formação de um sólido geométrico,um paralelepípedo. Tem-se assim, para as faces desse sólido, os seguintes planos correspondentes: doisplanos verticais, um tangente ao ventre – plano ventral ou anterior – e outro ao dorso – planodorsal ou posterior. Estes e outros a eles paralelos são também designados como planosfrontais, por serem paralelos à “fronte”; dois planos verticais tangentes aos lados do corpo –planos laterais direito e esquerdo e, finalmente, dois planos horizontais, um tangente à cabeça –plano cranial ou superior – e outro à planta dos pés – plano podálico – (de podos = pé) ou inferior. O tronco isolado é limitado, inferiormente, pelo plano horizontal que tangencia o vérticedo cóccix, ou seja, o osso que no homem é o vestígio da cauda de outros animais. Por estarazão, este plano é denominado caudal. Os planos descritos são de delimitação. É possível traçar também planos de secção: oplano que divide o corpo humano em metades direita e esquerda é denominado mediano. Todasecção do corpo feita por planos paralelos ao mediano é uma secção sagital (corte sagital) e osplanos de secção são também chamados sagitais; os planos de secção que são paralelos aosplanos ventral e dorsal são ditos frontais e a secção é também denominada frontal (cortefrontal); os planos de secção que são paralelos aos planos cranial, podálico e caudal sãohorizontais. A secção é denominada transversal.1.7 - TERMOS DE POSIÇÃO E DIREÇÃO A situação e a posição das estruturas anatômicas são indicadas em função dos planos dedelimitação e secção. Assim, duas estruturas dispostas em um plano frontal serão chamadas de medial elateral conforme estejam, respectivamente, mais próxima ou mais distante do plano mediano docorpo. Duas estruturas localizadas em um plano sagital serão chamadas de anterior (ou ventral)e posterior (ou dorsal) conforme estejam, respectivamente, mais próxima ou mais distante doplano anterior. Para estruturas dispostas longitudinalmente, os termos são superior (ou cranial) para amais próxima ao plano cranial e inferior (ou caudal) para a mais distante deste plano. Para estruturas dispostas longitudinalmente nos membros emprega-se, comumente, ostermos proximal e distal referindo-se às estruturas respectivamente mais próxima e mais distanteda raiz do membro. Para o tubo digestivo emprega-se os termos oral e aboral, referindo-se àsestruturas respectivamente mais próxima e mais distante da boca. Uma terceira estrutura situada entre uma lateral e outra medial é chamada de intermédia.Nos outros casos (terceira estrutura situada entre uma anterior e outra posterior, ou entre umasuperior e outra inferior, ou entre uma proximal e outra distal ou ainda uma oral e outra aboral)é denominada de média. Estruturas situadas ao longo do plano mediano são denominadas de medianas, sendoeste um conceito absoluto, ou seja, uma estrutura mediana será sempre mediana, enquanto os
  8. 8. 9outros termos de posição e direção são relativos, pois baseiam-se na comparação da posição deuma estrutura em relação a posição de outra A anatomia é o estudo da forma e da constituição do corpo, pré-requisito indispensávelpara o estudo da fisiologia dos órgãos. Seu estudo compreende tanto a evolução do indivíduodesde a fase de zigoto até a velhice (ontogenia), como o desenvolvimento de uma estrutura noreino animal (filogenia). A anatomia macroscópica pode ser estudada de duas formas: (1) anatomia sistemática oudescritiva, que estuda os vários sistemas separadamente e (2) anatomia topográfica ou cirúrgica,que estuda todas as estruturas de uma região e suas relações entre si. ORIGEM EMBRIOLÓGICA Quanto à origem, os órgãos podem ser classificados em homólogos ou análogos. Diz-se quedois órgãos são homólogos quando possuem a mesma origem embriológica mas diferentesfunções, como, por exemplo, os membros superiores do homem e as asas dos pássaros. Aanalogia, por sua vez, acontece quando dois órgãos tem funções semelhantes e diferentesorigens embriológicas, como ocorre com os pulmões humanos e as guelras dos peixes.1.8 - MÉTODOS DE ESTUDO 1. inspeção: analisando através da visão. A análise pode ser de órgãos externos (ectoscopia) ouinternos (endoscopia);2. palpação: analisando através do tato é possível verificar a pulsação, os tendões musculares eas saliências ósseas, dentre outras coisas;3. percussão: através de batimentos digitais na superfície corporal podemos produzir sonsaudíveis, que ajudam a determinar a composição de órgãos ou estruturas (gases, líquidos ousólidos);4. ausculta: ouvindo determinados órgãos em funcionamento (Ex.: coração, pulmão, intestino);5. mensuração: permite a avaliação da simetria corporal e de eventuais megalias;6. dissecção: consiste na separação minuciosa dos diferentes órgãos para uma melhorvisualização;7. métodos de estudo por imagem: inclui o raioX, ecografia, ressonância nuclear magnética etomografia computadorizada.1.9 - VARIAÇÕES ANATÔMICAS NORMAIS Existem algumas circunstâncias que determinam variações anatômicas normais e que devemser descritas:1. idade: os testículos no feto estão situados na cavidade abdominal, migrando para a bolsaescrotal e nela se localizando durante a vida adulta;2. sexo: no homem a gordura subcutânea se deposita principalmente na região tricipital,enquanto na mulher o depósito se dá preferencialmente na região abdominal;3. raça: nos brancos a medula espinhal termina entre a primeira e segunda vértebra lombar,enquanto que nos negros ela termina um pouco mais abaixo, entre a segunda e a terceiravértebra lombar;4. tipo morfológico constitucional: é o principal fator das diferenças morfológicas. Os principaistipos são:4.a- longilíneo: indivíduo alto e esguio, com pescoço, tórax e membros longos. Nessas pessoaso estômagogeralmente é mais alongado e as vísceras dispostas mais verticalmente;4.b- brevilíneo: indivíduo baixo com pescoço, tórax e membros curtos. Aqui as víscerascostumam estardispostas mais horizontalmente;4.c- mediolíneo: características intermediárias.
  9. 9. 10 A identificação do tipo morfológico é importante devido às diferentes técnicas de abordagemsemiológica, avaliação das variações da normalidade e até mesmo maior incidência de doenças,como por exemplo a hipertensão, que é sabidamente mais comum em brevilíneos.1.10 - PLANOS ANATÔMICOS O corpo humano é dividido por três eixos imaginários:1. o eixo vertical ou longitudinal, que une a cabeça aos pés, classificado como heteropolar;2. o eixo de profundidade ou ântero-posterior, que une o ventre ao dorso, classificado comoheteropolar;3. o eixo de largura ou transversal, que une o lado direito ao lado esquerdo, classificado comohomopolar. No momento em que projetamos um eixo sobre outro temos um plano. Existem quatroplanos principais:1. o plano sagital, formado pelo deslocamento do eixo ântero-posterior ao longo do eixolongitudinal;2. o plano sagital mediano, formado pelo deslocamento do eixo ântero-posterior ao longo doeixo longitudinal na linha mediana, dividindo o corpo em duas metades aparentementesimétricas, denominadas antímeros;3. o plano transversal ou horizontal, formado pelo deslocamento do eixo de largura ao longo doeixo ântero-posterior. Uma série sucessiva de planos transversais divide o corpo em segmentosdenominados metâmeros;4. o plano frontal ou coronal, formado pelo deslocamento do eixo de largura ao longo do eixolongitudinal, dividindo o corpo em porções chamadas de paquímeros.1.11 - TERMOS DE RELAÇÃO ANATÔMICAInferior ou caudal: mais próximo dos pés;Superior ou cranial: mais próximo da cabeça;Anterior ou ventral: mais próximo do ventre;Posterior ou dorsal: mais próximo do dorso;Proximal: mais próximo do ponto de origem;Distal: mais afastado do ponto de origem;Medial: mais próximo do plano sagital mediano;Lateral: mais afastado do plano sagital mediano;Superficial: mais próximo da pele;Profundo: mais afastado da pele;Homolateral ou ipsilateral: do mesmo lado do corpo;Contra-lateral: do lado oposto do corpo;Holotopia: localização geral de um órgão no organismo. Ex.: o fígado está localizado noabdômen;Sintopia: relação de vizinhança. Ex.: o estômago está abaixo do diafragma, a direita do baço e aesquerda do fígado;Esqueletopia: relação com esqueleto. Ex.: coração atrás do esterno e da terceira, quarta e quintacostelas;Idiotopia: relação entre as partes de um mesmo órgão. Ex.: ventrículo esquerdo adiante e abaixodo átrio esquerdo.
  10. 10. 11 2 – SISTEMAS DE SUSTENTAÇÃO 2.1 - SISTEMA ESQUELÉTICO Além de dar sustentação ao corpo, o esqueleto protege os órgãos internos e fornece pontos de apoio para a fixação dos músculos. Ele constitui-se de peças ósseas (ao todo 208 ossos no indivíduo adulto) e cartilaginosas articuladas, que formam um sistema de alavancas movimentadas pelos músculos. O esqueleto humano pode ser dividido em duas partes: 1-Esqueleto axial: formado pela caixa craniana, coluna vertebral caixa torácica. 2-Esqueleto apendicular: compreende a cintura escapular, formada pelas escápulas e clavículas; cintura pélvica, formada pelos ossos ilíacos (da bacia) e o esqueleto dos membros (superiores ou anteriores e inferiores ou posteriores).Imagem: AVANCINI & FAVARETTO. Biologia – Uma abordagemevolutiva e ecológica. Vol. 2. São Paulo, Ed. Moderna, 1997.1-Esqueleto axial1.1-Caixa craniana Possui os seguintes ossos importantes: frontal, parietais, temporais, occipital, esfenóide, nasal, lacrimais, malares ("maçãs do rosto" ou zigomático), maxilar superior e mandíbula (maxilar inferior).Imagem: AVANCINI & FAVARETTO. Biologia – Uma abordagem evolutiva e ecológica. Vol. 2. São Paulo, Ed.Moderna, 1997.
  11. 11. 12 Observações: Primeiro - no osso esfenóide existe uma depressão denominada de sela turca onde se encontra uma das menores e mais importantes glândulas do corpo humano - a hipófise, no centro geométrico do crânio. Segundo - Fontanela ou moleira é o nome dado à região alta e mediana, da cabeça da criança, que facilita a passagem da mesma no canal do parto; após o nascimento, será substituída por osso.1.2-Coluna vertebral É uma coluna de vértebras que apresentam cada uma um buraco, que se sobrepõem constituindo um canal que aloja a medula nervosa ou espinhal; é dividida em regiões típicas que são: coluna cervical (região do pescoço), coluna torácica, coluna lombar, coluna sacral, coluna cocciciana (coccix).1.3-Caixa torácica É formada pela região torácica de coluna vertebral, osso esterno e costelas, que são em número de 12 de cada lado, sendo as 7 primeiras verdadeiras (se inserem diretamente no esterno), 3 falsas (se reúnem e depois se unem ao esterno), e 2 flutuantes (com extremidades anteriores livres, não se fixando ao esterno).
  12. 12. 132- Esqueleto apendicular2-1- Membros e cinturas articulares Cada membro superior é composto de braço, antebraço, pulso e mão. O osso do braço – úmero – articula-se no cotovelo com os ossos do antebraço: rádio e ulna. O pulso constitui-se de ossos pequenos e maciços, os carpos. A palma da mão é formada pelos metacarpos e os dedos, pelas falanges. Cada membro inferior compõe-se de coxa, perna, tornozelo e pé. O osso da coxa é o fêmur, o mais longo do corpo. No joelho, ele se articula com os dois ossos da perna: a tíbia e a fíbula. A região frontal do joelho está protegida por um pequeno osso circular: a rótula. Ossos pequenos e maciços, chamados tarsos, formam o tornozelo. A planta do pé é constituída pelos metatarsos e os dedos dos pés (artelhos), pelas falanges. Os membros estão unidos ao corpo mediante um sistema ósseo que toma o nome de cintura ou de cinta. A cintura superior se chama cintura torácica ou escapular (formada pela clavícula e pela escápula ou omoplata); a inferior se chama cintura pélvica, popularmente conhecida como bacia (constituída pelo sacro - osso volumoso resultante da fusão de cinco vértebras, por um par de ossos ilíacos e pelo cóccix, formado por quatro a seis vértebras rudimentares fundidas). A primeira sustenta o úmero e com ele todo o braço; a segunda dá apoio ao fêmur e a toda a perna.3 - Juntas e articulações Junta é o local de junção entre dois ou mais ossos. Algumas juntas, como as do crânio, são fixas; nelas os ossos estão firmemente unidos entre si. Em outras juntas, denominadas articulações, os ossos são móveis e permitem ao esqueleto realizar movimentos.
  13. 13. 144 - Ligamentos Os ossos de uma articulação mantêm-se no lugar por meio dos ligamentos, cordões resistentes constituídos por tecido conjuntivo fibroso. Os ligamentos estão firmemente unidos às membranas que revestem os ossos.5 - Classificação dos ossos Os ossos são classificados de acordo com a sua forma em: A - Longos: têm duas extremidades ou epífises; o corpo do osso é a diáfise; entre a diáfise e cada epífise fica a metáfise. A diáfise é formada por tecido ósseo compacto, enquanto a epífise e a metáfise, por tecido ósseo esponjoso. Exemplos: fêmur, úmero.Imagem: AVANCINI & FAVARETTO. Biologia – Uma abordagemevolutiva e ecológica. Vol. 2. São Paulo, Ed. Moderna, 1997, comadaptações B- Curtos: têm as três extremidades praticamente equivalentes e são encontrados nas mãos e nos pés. São constituídos por tecido ósseo esponjoso. Exemplos: calcâneo, tarsos, carpos. C - Planos ou Chatos: são formados por duas camadas de tecido ósseo compacto, tendo entre elas uma camada de tecido ósseo esponjoso e de medula óssea Exemplos: esterno, ossos do crânio, ossos da bacia, escápula. Revestindo o osso compacto na diáfise, existe uma delicada membrana - o periósteo - responsável pelo crescimento em espessura do osso e também pela consolidação dos ossos após fraturas (calo ósseo). As superfícies articulares são revestidas por cartilagem. Entre as epífises e a diáfise encontra-se um disco ou placa de cartilagem nos ossos em crescimento, tal disco é chamado de disco metafisário (ou epifisário) e é responsável pelo crescimento longitudinal do osso. O interior dos ossos é preenchido pela medula óssea, que, em parte é amarela, funcionando
  14. 14. 15 como depósito de lipídeos, e, no restante, é vermelha e gelatinosa, constituindo o local de formação das células do sangue, ou seja, de hematopoiese. O tecido hemopoiético é popularmente conhecido por "tutano". As maiores quantidades de tecido hematopoético estão nos ossos da bacia e no esterno. Nos ossos longos, a medula óssea vermelha é encontrada principalmente nas epífises.Diferenças entre os ossos do esqueleto masculino e feminino:6 - TECIDOS QUE FORMAM O ESQUELETO6.1 - O TECIDO ÓSSEO O tecido ósseo possui um alto grau de rigidez e resistência à pressão. Por isso, suas principais funções estão relacionadas à proteção e à sustentação. Também funciona como alavanca e apoio para os músculos, aumentando a coordenação e a força do movimento proporcionado pela contração do tecido muscular. Os ossos ainda são grandes armazenadores de substâncias, sobretudo de íons de cálcio e fosfato. Com o envelhecimento, o tecido adiposo também vai se acumulando dentro dos ossos longos, substituindo a medula vermelha que ali existia previamente. A extrema rigidez do tecido ósseo é resultado da interação entre o componente orgânico e o componente mineral da matriz. A nutrição das células que se localizam dentro da matriz é feita por canais. No tecido ósseo, destacam-se os seguintes tipos celulares típicos: • Osteócitos: os osteócitos estão localizados em cavidades ou lacunas dentro da matriz óssea. Destas lacunas formam-se canalículos que se dirigem para outras lacunas, tornando assim a difusão de nutrientes possível graças à comunicação entre os osteócitos. Os osteócitos têm um papel fundamental na manutenção da integridade da matriz óssea.
  15. 15. 16 • Osteoblastos: os osteoblastos sintetizam a parte orgânica da matriz óssea, composta por colágeno tipo I, glicoproteínas e proteoglicanas. Também concentram fosfato de cálcio, participando da mineralização da matriz. Durante a alta atividade sintética, os osteoblastos destacam-se por apresentar muita basofilia (afinidade por corantes básicos). Possuem sistema de comunicação intercelular semelhante ao existente entre os osteócitos. Os osteócitos inclusive originam-se de osteoblastos, quando estes são envolvidos completamente por matriz óssea. Então, sua síntese protéica diminui e o seu citoplasma torna-se menos basófilo. • Osteoclastos: os osteoclastos participam dos processos de absorção e remodelação do tecido ósseo. São células gigantes e multinucleadas, extensamente ramificadas, derivadas de monócitos que atravessam os capilares sangüíneos. Nos osteoclastos jovens, o citoplasma apresenta uma leve basofilia que vai progressivamente diminuindo com o amadurecimento da célula, até que o citoplasma finalmente se torna acidófilo (com afinidade por corantes ácidos). Dilatações dos osteoclastos, através da sua ação enzimática, escavam a matriz óssea, formando depressões conhecidas como lacunas de Howship. • Matriz óssea: a matriz óssea é composta por uma parte orgânica (já mencionada anteriormente) e uma parte inorgânica cuja composição é dada basicamente por íons fosfato e cálcio formando cristais de hidroxiapatita. A matriz orgânica, quando o osso se apresenta descalcificado, cora-se com os corantes específicos do colágeno (pois ela é composta por 95% de colágeno tipo I). A classificação baseada no critério histológico admite apenas duas variantesde tecido ósseo: o tecido ósseo compacto ou denso e o tecido ósseo esponjoso oulacunar ou reticulado. Essas variedades apresentam o mesmo tipo de célula e desubstância intercelular, diferindo entre si apenas na disposição de seus elementos ena quantidade de espaços medulares. O tecido ósseo esponjoso apresentaespaços medulares mais amplos, sendo formado por várias trabéculas, que dãoaspecto poroso ao tecido. O tecido ósseo compacto praticamente não apresentaespaços medulares, existindo, no entanto, além dos canalículos, um conjunto decanais que são percorridos por nervos e vasos sangüíneos: canais de Volkmann ecanais de Havers. Por ser uma estrutura inervada e irrigada, os ossos apresentamgrande sensibilidade e capacidade de regeneração. Os canais de Volkmann partem da superfície do osso (interna ou externa),possuindo uma trajetória perpendicular em relação ao eixo maior do osso. Essescanais comunicam-se com os canais de Havers, que percorrem o ossolongitudinalmente e que podem comunicar-se por projeções laterais. Ao redor decada canal de Havers, pode-se observar várias lamelas concêntricas de substânciaintercelular e de células ósseas. Cada conjunto deste, formado pelo canal central
  16. 16. 17de Havers e por lamelas concêntricas é denominado sistema de Havers ousistema haversiano. Os canais de Volkmann não apresentam lamelasconcêntricas. Tecido ósseo compacto Tecido ósseo esponjoso Os tecidos ósseos descritos são os tecidos mais abundantes dos ossos(órgãos): externamente temos uma camada de tecido ósseo compacto einternamente, de tecido ósseo esponjoso. Os ossos são revestidos externa einternamente por membranas denominadas periósteo e endósteo, respectivamente.Ambas as membranas são vascularizadas e suas células transformam-se emosteoblastos. Portanto, são importantes na nutrição e oxigenação das células dotecido ósseo e como fonte de osteoblastos para o crescimento dos ossos ereparação das fraturas. Além disto, nas regiões articulares encontramos ascartilagens fibrosas. Por ser uma estrutura inervada e irrigada, os ossosapresentam grande sensibilidade e capacidade de regeneração.No interior dos ossos está a medula óssea, que pode ser: vermelha: formadora de células do sangue e plaquetas (tecido reticular ouhematopoiético): constituída por células reticulares associadas a fibras reticulares. amarela: constituída por tecido adiposo (não produz células do sangue).
  17. 17. 18 No recém-nascido, toda a medula óssea é vermelha. Já no adulto, a medula vermelha fica restrita aos ossos chatos do corpo (esterno, costelas, ossos do crânio), às vértebras e às epífises do fêmur e do úmero (ossos longos). Com o passar dos anos, a medula óssea vermelha presente no fêmur e no úmero transforma-se em amarela.6.2 - O TECIDO CARTILAGINOSO O tecido cartilaginoso é uma forma especializada de tecido conjuntivo de consistência rígida. Desempenha a função de suporte de tecidos moles, reveste superfícies articulares onde absorve choques, facilita os deslizamentos e é essencial para a formação e crescimento dos ossos longos. A cartilagem é um tipo de tecido conjuntivo composto exclusivamente de células chamadas condrócitos e de uma matriz extracelular altamente especializada. É um tecido avascular, não possui vasos sanguíneos, sendo nutrido pelos capilares do conjuntivo envolvente (pericôndrio) ou através do líquido sinovial das
  18. 18. 19 cavidades articulares. Em alguns casos, vasos sanguíneos atravessam as cartilagens, indo nutrir outros tecidos. O tecido cartilaginoso também é desprovido de vasos linfáticos e de nervos. Dessa forma, a matriz extracelular serve de trajeto para a difusão de substâncias entre os vasos sangüíneos do tecido conjuntivo circundante e os condrócitos. As cavidades da matriz, ocupadas pelos condrócitos, são chamadas lacunas; uma lacuna pode conter um ou mais condrócitos. A matriz extracelular da cartilagem é sólida e firme, embora com alguma flexibilidade, sendo responsável pelas suas propriedades elásticas. As propriedades do tecido cartilaginoso, relacionadas ao seu papel fisiológico, dependem da estrutura da matriz, que é constituída por colágeno ou colágeno mais elastina, em associação com macromoléculas de proteoglicanas (proteína + glicosaminoglicanas). Como o colágeno e a elastina são flexíveis, a consistência firme das cartilagens se deve às ligações eletrostáticas entre as glicosaminoglicanas das proteoglicanas e o colágeno, e à grande quantidade de moléculas de água presas a estas glicosaminoglicanas (água de solvatação) que conferem turgidez à matriz. As cartilagens (exceto as articulares e as peças de cartilagem fibrosa) são envolvidas por uma bainha conjuntiva que recebe o nome de pericôndrio, o qual continua gradualmente com a cartilagem por uma face e com o conjuntivo adjacente pela outra. As cartilagens basicamente se dividem em três tipos distintos: 1) cartilagem hialina; 2) fibrocartilagem ou cartilagem fibrosa; 3) cartilagem elástica.6.2.1 - Cartilagem hialina Distingue-se pela presença de uma matriz vítrea, homogênea e amorfa (figura ao lado). Por toda cartilagem há espaços, chamados lacunas, no interior das lacunas encontram-se condrócitos. Essas lacunas são circundadas pela matriz, a qual tem dois componentes: fibrilas de colágeno e matriz fundamental Essa cartilagem forma o esqueleto inicial do feto; é a precursora dos ossos que se desenvolverão a partir do processo de ossificação endocondral. Durante o desenvolvimento ósseo endocondral, a cartilagem hialina funciona como placa de crescimento epifisário e essa placa continua funcional enquanto o osso estiver crescendo em comprimento. No osso longo do adulto, a cartilagem hialina está presente somente na superfície articular. No adulto, também está presente como unidade esquelética na traquéia, nos brônquios, na laringe, no nariz e nas extremidades das costelas (cartilagens costais).
  19. 19. 20 Pericôndrio: a cartilagem hialina geralmente é circundada por um tecido conjuntivo firmemente aderido, chamado pericôndrio. O pericôndrio não está presente nos locais em que a cartilagem forma uma superfície livre, como nas cavidades articulares e nos locais em que ela entra em contato direto com o osso. Sua função não é apenas a de ser uma cápsula de cobertura; tem também a função de nutrição, oxigenação, além de ser fonte de novas células cartilaginosas. É rico em fibras de colágeno na parte mais superficial, porém, à medida que se aproxima da cartilagem, é mais rico em células. Calcificação: a calcificação consiste na deposição de fosfato de cálcio sob a forma de cristais de hidroxiapatita, precedida por um aumento de volume e morte das células. A matriz da cartilagem hialina sofre calcificação regularmente em três situações bem definidas: 1) a porção da cartilagem articular que está em contato com o osso é calcificada; 2) a calcificação sempre ocorre nas cartilagens que estão para ser substituídas por osso durante o período de crescimento do indivíduo; 3) a cartilagem hialina de todo o corpo se calcifica como parte do processo de envelhecimento. Regeneração: a cartilagem que sofre lesão regenera-se com dificuldade e, freqüentemente, de modo incompleto, salvo em crianças de pouca idade. No adulto, a regeneração se dá pela atividade do pericôndrio. Havendo fratura de uma peça cartilaginosa, células derivadas do pericôndrio invadem a área da fratura e dão origem a tecido cartilaginoso que repara a lesão. Quando a área destruída é extensa, ou mesmo, algumas vezes, em lesões pequenas, o pericôndrio, em vez de formar novo tecido cartilaginoso, forma uma cicatriz de tecido conjuntivo denso.6.2.2 - Cartilagem elástica Esta é uma cartilagem na qual a matriz contém fibras elásticas e lâminas de material elástico, além das fibrilas de colágeno e da substância fundamental. O material elástico confere maior elasticidade à cartilagem, como a que se pode ver no pavilhão da orelha. A presença desse material elástico (elastina) confere a esse tipo de cartilagem uma cor amarelada, quando examinado a fresco. A cartilagem elástica pode estar presente isoladamente ou formar uma peça cartilaginosa junto com a cartilagem hialina. Como a cartilagem hialina, a elástica possui pericôndrio e cresce principalmente por aposição. A cartilagem elástica é menos sujeita a processos degenerativos do que a hialina. Ela pode ser encontrada
  20. 20. 21 no pavilhão da orelha, nas paredes do canal auditivo externo, na tuba auditiva e na laringe. Em todos estes locais há pericôndrio circundante. Diferentemente da cartilagem hialina, a cartilagem elástica não se calcifica.6.2.3 - Fibrocartilagem ou Cartilagem fibrosa A cartilagem fibrosa ou fibrocartilagem é um tecido com características intermediárias entre o conjuntivo denso e a cartilagem hialina. É uma forma de cartilagem na qual a matriz contém feixes evidentes de espessas fibras colágenas. Na cartilagem fibrosa, as numerosas fibras colágenas constituem feixes, que seguem uma orientação aparentemente irregular entre os condrócitos ou um arranjo paralelo ao longo dos condrócitos em fileiras. Essa orientação depende das forças que atuam sobre a fibrocartilagem. Os feixes colágenos colocam-se paralelamente às trações exercidas sobre eles. Na fibrocartilagem não existe pericôndrio. A fibrocartilagem está caracteristicamente presente nos discos intervertebrais, na sínfise púbica, nos discos articulares das articulações dos joelhos e em certos locais onde os tendões se ligam aos ossos. Geralmente, a presença de fibrocartilagem indica que naquele local o tecido precisa resistir à compressão e ao desgaste.6.3 - Crescimento A cartilagem possui dois tipos de crescimento: aposicional e intersticial. Crescimento aposicional é a formação de cartilagem sobre a superfície de uma cartilagem já existente. As células empenhadas nesse tipo de crescimento derivam do pericôndrio. O crescimento intersticial ocorre no interior da massa cartilaginosa. Isso é possível porque os condrócitos ainda são capazes de se dividir e porque a matriz é distensível. Embora as células-filhas ocupem temporariamente a mesma lacuna, separam-se quando secretam nova matriz extracelular. Quando parte desta última matriz é secretada, forma-se uma divisão entre as células e, neste ponto, cada célula ocupa sua própria lacuna. Com a continuidade da secreção da matriz, as células ficam ainda mais separadas entre si. Na cartilagem do adulto, os condrócitos freqüentemente estão situados em grupos compactos ou podem estar alinhados em fileiras. Esses grupos de condrócitos são formados como conseqüência de várias divisões sucessivas durante a última fase de desenvolvimento. Há pouca produção de matriz adicional e os condrócitos permanecem em íntima aposição. Tais grupos são chamados de grupos isógenos. 2.2 - SISTEMA ARTICULAR Articulação ou juntura é a conexão entre duas ou mais peças esqueléticas (ossos ou cartilagens). Essas uniões não só colocam as peças do esqueleto em contato, como também permitem que o crescimento ósseo ocorra e que certas partes do esqueleto mudem de forma durante o parto. Além disto, capacitam que partes do corpo se movimentem em resposta a contração muscular. Embora apresentem consideráveis variações entre elas, as articulações possuem certos aspectos estruturais e funcionais em comum que permitem classificá-las em três grandes grupos: fibrosas, cartilaginosas e
  21. 21. 22 sinoviais. O critério para esta divisão é o da natureza do elemento que se interpõe às peças que se articulam.2.1 - CLASSIFICAÇÃO DAS ARTICULAÇÕES a- Quanto a duração; b- Quanto a maneira de fixação aos ossos; c- Quanto a natureza do tecido interposto; d- Quanto ao número de eixos. e- Quanto ao número de ossos. 2.1.A - QUANTO A DURAÇÃO -Temporárias (Ex. Linha epifisiária) -Permanentes (Ex. Articulação do ombro 2.1.B - QUANTO A MANEIRA DE FIXAÇÃO AOS OSSOS -Continuidade (Ex. Disco intervertebral) -Contigüidade (Ex. Articulação do cotovelo) 2.1.C - QUANTO A NATUREZA DO TECIDO INTERPOSTO - Fibrosas (IMÓVEIS) - Cartilaginosas ou cartilagíneas (SEMI-MÓVEIS) - Sinoviais (MÓVEIS) Articulações fibrosas (móveis) As articulações nas quais o elemento que se interpõe às peças que se articulam é o tecido conjuntivo fibroso são ditas fibrosas (ou sinartroses). O grau de mobilidade delas, sempre pequeno, depende do comprimento das fibras interpostas. Existem três tipos de articulações fibrosas: sutura, sindesmose e gonfose. As suturas, que são encontradas somente entre os ossos do crânio, são formadas por várias camadas fibrosas, sendo a união suficientemente íntima de modo a limitar intensamente os movimentos, embora confiram uma certa elasticidade ao crânio. A maneira pela qual as bordas dos ossos articulados entram em contato é variável, reconhecendo-se suturas planas (união linear retilínea ou aproximadamente retilínea), suturas escamosas (união em bisel) e suturas serreadas (união em linha “denteada”). No crânio, a articulação entre os ossos nasais é uma sutura plana; entre os parietais, sutura denteada; entre o parietal e o temporal, escamosa.
  22. 22. 23 No crânio do feto e recém-nascido, onde a ossificação ainda é incompleta, aquantidade de tecido conjuntivo fibroso interposto é muito maior, explicando agrande separação entre os ossos e uma maior mobilidade. Estas áreas fibrosas sãodenominadas fontículos (ou fontanelas). São elas que permitem, no momento doparto, uma redução bastante apreciável do volume da cabeça fetal pelasobreposição dos ossos do crânio. Esta redução de volume facilita a expulsão dofeto para o meio exterior. Na idade avançada pode ocorrer ossificação do tecido interposto (sinostose),fazendo com que as suturas, pouco a pouco, desapareçam e, com elas, aelasticidade do crânio. Nas sindesmoses os ossos estão unidos por uma faixa de tecido fibroso,relativamente longa, formando ou um ligamento interósseo ou uma membranainteróssea, nos casos, respectivamente de menor ou maior comprimento das fibras,o que condiciona um menor ou maior grau de movimentação. Exemplos típicos sãoa sindesmose tíbio-fibular e a membrana interóssea radio-ulnar. Gonfose é a articulação específica entre os dentes e seus receptáculos, osalvéolos dentários. O tecido fibroso do ligamento periodontal segura firmemente odente no seu alvéolo. A presença de movimentos nesta articulação significa umacondição patológica. CLASSIFICAÇÃO DAS ARTICULAÇÕES CARTILAGÍNEAS (semi-móveis) SINCONDROSE SÍNFISE - Cartilagem Hialina - Fribro-cartilagem Nas articulações cartilaginosas o tecido que se interpõe é a cartilagem.Quando se trata de cartilagem hialina, temos as sincondroses; nas sínfises acartilagem é fibrosa. Em ambas a mobilidade é reduzida. As sincondroses são rarase o exemplo mais típico é a sincondrose esfeno-occipital que pode ser visualizadana base do crânio. Exemplo de sínfise é a união, no plano mediano, entre asporções púbicas dos ossos do quadril, constituindo a sínfise púbica. Também asarticulações que se fazem entre os corpos das vértebras podem ser consideradascomo sínfise, uma vez que se interpõe entre eles um disco de fibrocartilagem - odisco intervertebral. Articulações sinoviais CLASSIFICAÇÃO DAS ARTICULAÇÕES SINOVIAIS PLANA GÍNGLIMO TROCÓIDE CONDILAR SELAR ESFERÓIDE A mobilidade exige livre deslizamento de uma superfície óssea contra outra eisto é impossível quando entre elas interpõe-se um meio de ligação, seja fibroso oucartilagíneo. Para que haja o grau desejável de movimento, em muitas articulações,o elemento que se interpõe às peças que se articulam é um líquido denominadosinóvia, ou líquido sinovial. Além da presença deste líquido, as articulações sinoviais possuem três outrascaracterísticas básicas: cartilagem articular, cápsula articular e cavidade articular. a cartilagem articular é a cartilagem do tipo hialino que reveste as superfíciesem contato numa determinada articulação (superfícies articulares), ou seja, acartilagem articular é a porção do osso que não foi invadida pela ossificação. Emvirtude deste revestimento as superfícies articulares se apresentam lisas, polidas e
  23. 23. 24de cor esbranquiçada. A cartilagem articular é avascular e não possui tambéminervação. Sua nutrição, portanto, principalmente nas áreas mais centrais, éprecária, o que torna a regeneração, em caso de lesões, mais difícil e lenta. a cápsula articular é uma membrana conjuntiva que envolve a articulaçãosinovial como um manguito. Apresenta-se com duas camadas: a membrana fibrosa(externa) e a membrana sinovial (interna). A primeira é mais resistente e pode estarreforçada, em alguns pontos, por ligamentos , destinados a aumentar suaresistência. Em muitas articulações sinoviais, todavia, existem ligamentosindependentes da cápsula articular e em algumas, como na do joelho, aparecemtambém ligamentos intra-articulares. cavidade articular é o espaço existente entre as superfícies articulares, estandopreenchido pelo líquido sinovial Ligamentos e cápsula articular têm por finalidade manter a união entre osossos, mas além disto, impedem o movimento em planos indesejáveis e limitam aamplitude dos movimentos considerados normais. A membrana sinovial é a mais interna das camadas da cápsula articular. Éabundantemente vascularizada e inervada, sendo encarregada da produção dasinóvia (líquido sinovial), o qual tem consistência similar a clara do ovo e tem porfunções lubrificar e nutrir as cartilagens articulares. O volume de líquido sinovialpresente em uma articulação é mínimo, somente o suficiente para revestirdelgadamente as superfícies articulares e localiza-se na cavidade articular. Além destas características, que são comuns a todas articulações sinoviais,em várias delas encontram-se formações fibrocartilagíneas, interpostas àssuperfícies articulares, os discos e meniscos, de função discutida: serviriam àmelhor adaptação das superfícies que se articulam (tornando-as congruentes) ouseriam estruturas destinadas a receber violentas pressões, agindo comoamortecedores. Meniscos, com sua característica forma de meia lua, sãoencontrados na articulação do joelho. Discos são encontrados nas articulaçõesesternoclavicular e temporomandibular. movimentos das articulações sinoviais As articulações fibrosas e cartilagíneas tem um mínimo grau de mobilidade.Assim, a verdadeira mobilidade articular é dada pelas articulações sinoviais. Estesmovimentos ocorrem, obrigatoriamente, em torno de um eixo, denominado eixo demovimento. A direção destes eixos é ântero-posterior, látero-lateral e longitudinal.Na análise do movimento realizado, a determinação do eixo de movimento é feitaobedecendo a regra, segundo a qual, a direção do eixo de movimento é sempreperpendicular ao plano no qual se realiza o movimento em questão. Assim, todomovimento é realizado em um plano determinado e o seu eixo de movimento éperpendicular àquele plano. Os movimentos executados pelos segmentos do corporecebem nomes específicos e aqui serão definidos, a seguir, apenas os maiscomuns: flexão e extensão são movimentos angulares, ou seja, neles ocorre umadiminuição ou um aumento do ângulo existente entre o segmento que se desloca eaquele que permanece fixo. Quando ocorre a diminuição do ângulo diz-se que háflexão; quando ocorre o aumento, realizou-se a extensão, exceto para o pé. Nestecaso, não se usa a expressão extensão do pé: os movimentos são definidos comoflexão dorsal e flexão plantar do pé. Os movimentos angulares de flexão e extensãoocorrem em plano sagital e, seguindo a regra, o eixo desses movimentos é látero-lateral. adução e abdução que são movimentos nos quais o segmento é deslocado,respectivamente, em direção ao plano mediano ou em direção oposta, isto é,afastando-se dele. Para os dedos prevalece o plano mediano do membro. Os
  24. 24. 25movimentos da adução e abdução desenvolvem-se em plano frontal e seu eixo demovimento é ântero-posterior. rotação que é o movimento em que o segmento gira em torno de um eixolongitudinal (vertical). Assim, nos membros, pode-se reconhecer uma rotaçãomedial, quando a face anterior do membro gira em direção ao plano mediano docorpo, e uma rotação lateral, no movimento oposto. A rotação é feita em planohorizontal e o eixo de movimento, perpendicular a este plano é vertical. circundução, é o resultado do movimento combinatório que inclui a adução,extensão, abdução, flexão e rotação. Neste tipo de movimento, a extremidade distaldo segmento descreve um círculo e o corpo do segmento, um cone, cujo vértice érepresentado pela articulação que se movimenta. 2.1.D - CLASSIFICAÇÃO QUANTO AO NÚMERO DE EIXOS -NÃO AXIAL - Planas (deslizamento) -UNI-AXIAL - Gínglimo (flexão/extensão) (EIXO TRANSVERSAL) - Trocóide (rotação medila/lateral) (EIXO LONGITUDINAL) - BI-AXIAL - Condilar (flexão/extensão; adução/abdução) (EIXOS TRANSVERSALe SAGITAL). - Selar (flexão/extensão; adução/abdução) (EIXOS TRANSVERSAL eSAGITAL). -TRI-AXIAL - Esferóide (Circundução) (TODOS OS EIXOS) (FLEXÃO/EXTENSÃO;ADUÇÃO/ABDUÇÃO; ROTAÇÃO MEDILA/LATERAL) O movimento nas articulações depende, essencialmente, da forma dassuperfícies que entram em contato e dos meios de união que podem limitá-lo. Nadependência destes fatores as articulações podem realizar movimentos em tornode um, dois ou três eixos. Este é o critério adotado para classificá-lasfuncionalmente. Quando uma articulação realiza movimentos apenas em torno deum eixo, diz-se que é mono-axial ou que possui um só grau de liberdade; será bi-axial a que os realiza em torno de dois eixos (dois graus de liberdade); e tri-axial seeles forem realizados em torno de três eixos (três graus de liberdade). Assim, asarticulações que só permitem a flexão e extensão, como a do cotovelo, são uni-axiais; aquelas que realizam extensão, flexão, adução e abdução, como a radio-cárpica (articulação do punho), são bi-axiais; finalmente, as que além de flexão,extensão, abdução e adução, permitem também a rotação, são ditas tri-axiais, cujosexemplos típicos são as articulações do ombro e do quadril. Classificação morfológica das articulações sinoviais O critério de base para a classificação morfológica das articulações sinoviaisé a forma das superfícies articulares. Contudo, às vezes é difícil fazer estacorrelação. Além disto, existem divergências entre anatomistas quanto não só aclassificação de determinadas articulações, mas também quanto à denominaçãodos tipos. De acordo com a nomenclatura anatômica, os tipos morfológicos dearticulações sinoviais são: plana, na qual as superfícies articulares são planas ou ligeiramente curvas,permitindo deslizamento de uma superfície sobre a outra em qualquer direção. Aarticulação acromioclavicular (entre o acrômio da escápula e a clavícula) é umexemplo. Deslizamento existe em todas as articulações sinoviais mas nasarticulações planas ele é discreto, fazendo com que a amplitude do movimento sejabastante reduzida. Entretanto, deve-se ressaltar que pequenos deslizamentos entre
  25. 25. 26vários ossos articulados permitem apreciável variedade e amplitude de movimento.É isto que ocorre, por exemplo, nas articulações entre os ossos curtos do carpo, dotarso e entre os corpos das vértebras. gínglimo, ou dobradiça, sendo que os nomes referem-se muito mais aomovimento (flexão e extensão) que elas realizam do que à forma das superfíciesarticulares. A articulação do cotovelo é um bom exemplo de gínglimo e a simplesobservação mostra como a superfície articular do úmero, que entra em contato coma ulna, apresenta-se em forma de carretel. Todavia, as articulações entre asfalanges também são do tipo gínglimo e nelas a forma das superfícies articularesnão se assemelha a um carretel. Este é um caso concreto em que o critériomorfológico não foi rigorosamente obedecido. Realizando apenas flexão eextensão, as articulações sinoviais do tipo gínglimo são mono-axiais. trocóide, na qual, as superfícies articulares são segmentos de cilindro e, poresta razão, cilindróides talvez fosse um termo mais apropriado para designá-las.Estas articulações permitem rotação e seu eixo de movimento, único, é vertical: sãomono-axiais. Um exemplo típico é a articulação radio-ulnar proximal (entre o rádio ea ulna) responsável pelos movimentos de pronação e supinação do antebraço. Napronação ocorre uma rotação medial do rádio e, na supinação, rotação lateral. Naposição de descrição anatômica o antebraço está em supinação. condilar, cujas superfícies articulares são de forma elíptica e elipsóide seriatalvez um termo mais adequado. Estas articulações permitem flexão, extensão,abdução e adução, mas não a rotação. Possuem dois eixos de movimento, sendoportanto bi-axiais. A articulação radio-cárpica (ou do punho) é um exemplo. Outrossão a articulação temporomandibular e as articulações metacarpofalângicas. selar, na qual a superfície articular de uma peça esquelética tem a forma desela, apresentando concavidade num sentido e convexidade em outro, e se encaixanuma segunda peça onde convexidade e concavidade apresentam-se no sentidoinverso da primeira. A articulação carpo-metacárpica do polegar é exemplo típico. Éinteressante notar que esta articulação permite flexão, extensão, abdução, aduçãoe rotação (conseqüentemente, também circundução) mas é classificada como bi-axial. O fato é justificado porque a rotação isolada não pode ser realizadaativamente pelo polegar sendo só possível com a combinação dos outrosmovimentos. esferóide, que apresenta superfícies articulares que são segmentos de esferase se encaixam em receptáculos ocos. O suporte de uma caneta de mesa, que podeser movimentado em qualquer direção, é um exemplo não anatômico de umaarticulação esferóide. Este tipo de articulação permite movimentos em torno de trêseixos, sendo portanto, tri-axial. Assim, a articulação do ombro (entre o úmero e aescápula) e a do quadril (entre o osso do quadril e o fêmur) permitem movimentosde flexão, extensão, adução, abdução, rotação e circundução. 2.1.E – CLASSIFICAÇÃO QUANTO AO NÚMERO DE ELEMENTOSARTICULADOS (OSSOS) - SIMPLES 2 ossos - COMPOSTA (ou complexa) 3 ou mais ossosComplexidade de organização Quando apenas dois ossos entram em contato numa articulação sinovial diz-se que ela é simples (por exemplo, a articulação do ombro); quando três ou maisossos participam da articulação ela é denominada composta (a articulação docotovelo envolve três ossos: úmero, ulna e rádio). Inervação
  26. 26. 27 As articulações sinoviais são muito inervadas. Os nervos são derivados dosque suprem a pele adjacente ou os músculos que movem as articulações. Asterminações nervosas sensíveis a dor são numerosas na membrana fibrosa dacápsula e nos ligamentos e são sensíveis ao estiramento e à torção destasestruturas. Contudo, o principal tipo de sensibilidade é a propriocepção. Dasterminações proprioceptoras da cápsula – fusos neurotendinosos – partemimpulsos que interpretados no sistema nervoso central informam sobre a posiçãorelativa dos ossos da articulação, do grau e direção de movimento. As vezes, essasinformações são inconscientes, e atuam em nível de medula espinhal para controledos músculos que agem sobre a articulação. 2.3 - SISTEMA MUSCULAR O tecido muscular é de origem mesodérmica, sendo caracterizado pelapropriedade de contração e distensão de suas células, o que determina amovimentação dos membros e das vísceras. Há basicamente três tipos de tecidomuscular: liso, estriado esquelético e estriado cardíaco. Músculo liso: o músculo involuntário localiza-se na pele, órgãos internos, aparelho reprodutor, grandes vasos sangüíneos e aparelho excretor. O estímulo para a contração dos músculos lisos é mediado pelo sistema nervoso vegetativo. Músculo estriado esquelético: é inervado pelo sistema nervoso central e, como este se encontra em parte sob controle consciente, chama-se músculo voluntário. As contrações do músculo esquelético permitem os movimentos dos diversos ossos e cartilagens do esqueleto. Músculo cardíaco: este tipo de tecido muscular forma a maior parte do coração dos vertebrados. O músculo cardíaco carece de controle voluntário. É inervado pelo sistema nervoso vegetati
  27. 27. 28Estriado esquelético Estriado cardíaco Liso Miócitos alongados,Miócitos longos, multinucleados Miócitos estriados com um ou dois mononucleados e sem estrias(núcleos periféricos). núcleos centrais. transversais.Miofilamentos organizam-se em Células alongadas, irregularmente Contração involuntária e lenta.estrias longitudinais e transversais. ramificadas, que se unem porContração rápida e voluntária estruturas especiais: discos intercalares. Contração involuntária, vigorosa e rítmica.2.3.1 - Musculatura Esquelética O sistema muscular esquelético constitui a maior parte da musculatura do corpo, formando o que se chama popularmente de carne. Essa musculatura recobre totalmente o esqueleto e está presa aos ossos, sendo responsável pela movimentação corporal.
  28. 28. 29 Os músculos esqueléticos estão revestidos por uma lâmina delgada de tecidoconjuntivo, o perimísio, que manda septos para o interior do músculo, septos dosquais se derivam divisões sempre mais delgadas. O músculo fica assim dividido emfeixes (primários, secundários, terciários). O revestimento dos feixes menores(primários), chamado endomísio, manda para o interior do músculo membranasdelgadíssimas que envolvem cada uma das fibras musculares. A fibra muscular éuma célula cilíndrica ou prismática, longa, de 3 a 12 centímetros; o seu diâmetro éinfinitamente menor, variando de 20 a 100 mícrons (milésimos de milímetro), tendoum aspecto de filamento fusiforme. No seu interior notam-se muitos núcleos, demodo que se tem a idéia de ser a fibra constituída por várias células que perderamos seus limites, fundindo-se umas com as outras. Dessa forma, podemos dizer queum músculo esquelético é um pacote formado por longas fibras, que percorrem omúsculo de ponta a ponta. No citoplasma da fibra muscular esquelética há muitas miofibrilas contráteis,constituídas por filamentos compostos por dois tipos principais de proteínas – aactina e a miosina. Filamentos de actina e miosina dispostos regularmente originam um padrão bem definido de estrias (faixas) transversais alternadas, claras e escuras. Essa estrutura existe somente nas fibras que constituem os músculos esqueléticos, os quais são por isso chamados músculos estriados. Em torno do conjunto de miofibrilas de uma fibra muscular esquelética situa-se o retículo sarcoplasmático (retículo endoplasmático liso), especializado no armazenamento de íons cálcio. As miofibrilas são constituídas por unidades que se repetem ao longo de seucomprimento, denominadas sarcômeros. A distribuição dos filamentos de actina emiosina varia ao longo do sarcômero. As faixas mais extremas e mais claras dosarcômero, chamadas banda I, contêm apenas filamentos de actina. Dentro dabanda I existe uma linha que se cora mais intensamente, denominada linha Z, quecorresponde a várias uniões entre dois filamentos de actina. A faixa central, maisescura, é chamada banda A, cujas extremidades são formadas por filamentos deactina e miosina sobrepostos. Dentro da banda A existe uma região mediana maisclara – a banda H – que contém apenas miosina. Um sarcômero compreende osegmento entre duas linhas Z consecutivas e é a unidade contrátil da fibramuscular, pois é a menor porção da fibra muscular com capacidade de contração edistensão.
  29. 29. 30 1- Bandas escuras (anisotrópicas – banda A). 2- Faixas claras (isotrópicas – banda I, com linha Z central). 3- Núcleos periféricos.2.3.2 - Contração Ocorre pelo deslizamento dos filamentos de actina sobre os de miosina c sarcômero diminui devido à aproximação das duas linhas Z, e a zona H chega a desaparecer. A contração do músculo esquelético é voluntária e ocorre pelo deslizamento dos filamentos de actina sobre os de miosina. Nas pontas dos filamentos de miosina existem pequenas projeções, capazes de formar ligações com certos sítios dos filamentos de actina, quando o músculo é estimulado. Essas projeções de miosina puxam os filamentos de actina, forçando-os a deslizar sobre os filamentos de miosina. Isso leva ao encurtamento das miofibrilas e à contração muscular. Durante a contração muscular, o sarcômero diminui devido à aproximação das duas linhas Z, e a zona H chega a desaparecer. Constatou-se, através de microscopia eletrônica, que o sarcolema (membrana plasmática) da fibra muscular sofre invaginações, formando túbulos anastomosados que envolvem cada conjunto de miofibrilas. Essa rede foi denominada sistema T, pois as invaginações são perpendiculares as miofibrilas. Esse sistema é
  30. 30. 31 responsável pela contração uniforme de cada fibra muscular estriada esquelética, não ocorrendo nas fibras lisas e sendo reduzido nas fibras cardíacas.2.3.3 - A química da contração muscular O estímulo para a contração muscular é geralmente um impulso nervoso, que chega à fibra muscular através de um nervo. O impulso nervoso propaga-se pela membrana das fibras musculares (sarcolema) e atinge o retículo sarcoplasmático, fazendo com que o cálcio ali armazenado seja liberado no hialoplasma. Ao entrar em contato com as miofibrilas, o cálcio desbloqueia os sítios de ligação da actina e permite que esta se ligue à miosina, iniciando a contração muscular. Assim que cessa o estímulo, o cálcio é imediatamente rebombeado para o interior do retículo sarcoplasmático, o que faz cessar a contração. A energia para a contração muscular é suprida por moléculas de ATP produzidas durante a respiração celular. O ATP atua tanto na ligação da miosina à actina quanto em sua separação, que ocorre durante o relaxamento muscular. Quando falta ATP, a miosina mantém-se unida à actina, causando enrijecimento muscular. É o que acontece após a morte, produzindo-se o estado de rigidez cadavérica (rigor mortis). A quantidade de ATP presente na célula muscular é suficiente para suprir apenas alguns segundos de atividade muscular intensa. A principal reserva de energia nas células musculares é uma substância denominada fosfato de creatina (fosfocreatina ou creatina-fosfato). Dessa forma, podemos resumir que a energia é inicialmente fornecida pela respiração celular é armazenada como fosfocreatina (principalmente) e na forma de ATP. Quando a fibra muscular necessita de energia para manter a contração, grupos fosfatos ricos em energia são transferidos da fosfocreatina para o ADP, que se transforma em ATP. Quando o trabalho muscular é intenso, as células musculares repõem seus estoques de ATP e de fosfocreatina pela intensificação da respiração celular. Para isso utilizam o glicogênio armazenado no citoplasma das fibras musculares como combustível. Uma teoria simplificada admite que, ao receber um estímulo nervoso, a fibra muscular mostra, em seqüência, os seguintes eventos: 1. O retículo sarcoplasmático e o sistema T liberam íons Ca++ e Mg++ para o citoplasma. 2. Em presença desses dois íons, a miosina adquire uma propriedade ATP ásica, isto é, desdobra o ATP, liberando a energia de um radical fosfato:
  31. 31. 32 3. A energia liberada provoca o deslizamento da actina entre os filamentos de miosina, caracterizando o encurtamento das miofibrilas.2.3.4 - Musculatura Lisa A estriação não existe nos músculos viscerais, que se chamam, portanto, músculos lisos. Os músculos viscerais são também constituídos de fibras fusiformes, mas muito mais curtas do que as fibras musculares esqueléticas: têm, na verdade, um tamanho que varia de 30 a 450 mícrons. Têm, além disso, um só núcleo e não são comandados pela vontade, ou seja, sua contração é involuntária, além de lenta. As fibras lisas recebem, também, vasos e nervos sensitivos e motores provenientes do sistema nervoso autônomo. Embora a contração do músculo liso também seja regulada pela concentração intracelular de íons cálcio, a resposta da célula é diferente da dos músculos estriados. Quando há uma excitação da membrana, os íons cálcio armazenados no retículo sarcoplasmático são então liberados para o citoplasma e se ligam a uma proteína, a calmodulina. Esse complexo ativa uma enzima que fosforila a miosina e permite que ela se ligue à actina. A actina e a miosina interagem então praticamente da mesma forma que nos músculos estriados, resultando então na contração muscular.2.3.5 - Musculatura Cardíaca O tecido muscular cardíaco forma o músculo do coração (miocárdio). Apesar de apresentar estrias transversais, suas fibras contraem-se independentemente da nossa vontade, de forma rápida e rítmica, características estas, intermediárias entre os dois outros tipos de tecido muscular As fibras que formam o tecido muscular estriado cardíaco dispõem-se em feixes bem compactos, dando a impressão, ao microscópio óptico comum, de que não há limite entre as fibras. Entretanto, ao microscópio eletrônico podemos notar que suas fibras são alongadas e unidas entre si através de delgadas membranas celulares, formando os chamados discos intercalares, típicos da musculatura cardíaca.
  32. 32. 33 A contração muscular segue praticamente os mesmos passos da contração no músculo estriado esquelético , com algumas diferenças : • os túbulos T são mais largos que os do músculo esquelético; • retículo sarcoplasmático menor; • as células musculares cardíacas possuem reservas intracelulares de íons cálcio mais limitada; • tanto o cálcio intracelular quanto o extracelular estão envolvidos na contração cardíaca: o influxo de cálcio externo age como desencadeador da liberação do cálcio armazenado na luz do retículo sarcoplasmático, provocando a contração ao atingir as miofibrilas e levando ao relaxamento ao serem bombeados de volta para o retículo.Características Lisa Estriada Esquelética Estriada Cardíaca Filamentar ramificadaForma Fusiforme Filamentar (anastomosada) Diâmetro: 7mmTamanho (valores médios) 30mm centímetros 15mm 100mm Comprimento: 100mmEstrias transversais Não há Há HáNúcleo 1 central Muitos periféricos (sincício) 1 centralDiscos intercalares Não há Não há HáContração Lenta, involuntária Rápida, voluntária Rápida, voluntária Formam pacotes bem Formam camadas Formam as paredes doApresentação definidos, os músculos envolvendo órgãos coração (miocárdio) esqueléticos2.3.6 - Musculatura Cardíaca O tecido muscular cardíaco forma o músculo do coração (miocárdio). Apesar de apresentar estrias transversais, suas fibras contraem-se independentemente da nossa vontade, de forma rápida e rítmica, características estas, intermediárias entre os dois outros tipos de tecido muscular As fibras que formam o tecido muscular estriado cardíaco dispõem-se em feixes bem compactos, dando a impressão, ao microscópio óptico comum, de que não há limite entre as fibras. Entretanto, ao microscópio eletrônico podemos notar que suas fibras são alongadas e unidas entre si através de delgadas membranas celulares, formando os chamados discos intercalares, típicos da musculatura cardíaca.
  33. 33. 34 A contração muscular segue praticamente os mesmos passos da contração no músculo estriado esquelético , com algumas diferenças : • os túbulos T são mais largos que os do músculo esquelético; • retículo sarcoplasmático menor; • as células musculares cardíacas possuem reservas intracelulares de íons cálcio mais limitada; • tanto o cálcio intracelular quanto o extracelular estão envolvidos na contração cardíaca: o influxo de cálcio externo age como desencadeador da liberação do cálcio armazenado na luz do retículo sarcoplasmático, provocando a contração ao atingir as miofibrilas e levando ao relaxamento ao serem bombeados de volta para o retículo.2.3.7 - Característica do Tecido Muscular O Tecido Muscular possui quatro características principais que são importantes nacompreensão de suas funções: Excitabilidade – capacidade do tecido muscular de receber e responder a estímulos; Contratilidade - capacidade de encurta-se e espessar; Extensibilidade – capacidade do tecido de distender-se; Elasticidade – capacidade do tecido de voltar a sua forma após uma contração ouextensão.1.3.8 – TIPOS DE MÚSCULOS
  34. 34. 352.3.9 - ORIGEM E INSERÇÃO Origem (ponto fixo) é a extremidade do músculo que fica presa à peça óssea que nãose desloca. Inserção (ponto móvel) é a extremidade do músculo presa à peça óssea que sedesloca.Nos membros, geralmente a origem de um músculo é proximal e a inserção distal. Porémexistem situações em que o músculo pode alterar seus pontos de origem e inserção. Exemplo:quando um atleta eleva seu corpo numa barra, é o braço que se flete sobre o antebraço e apeça óssea em deslocamento é o úmero. Considerando –se a ação do músculo braquial, agorasua extremidade ulnar será a origem e a extremidade umeral será a inserção, quandonormalmente o músculo braquial prende-se na face anterior do úmero e da ulna atravessandoa articulação do cotovelo, ao contrair-se executa a flexão do antebraço e consideramos suaextremidade umeral como origem e sua extremidade ulnar como inserção. Origem: quando os músculos se originam por mais de um tendão, diz-se que apresentammais de uma cabeça de origem. São então classificados como músculos bíceps, tríceps ouquadríceps, conforme apresentam 2, 3 ou 4 cabeças de origem. Exemplos clássicosencontramos na musculatura dos membros e a nomenclatura acompanha a classificação.Exemplo: músculo bíceps braquial, músculo tríceps da perna, músculo quadríceps da coxa. Inserção: do mesmo modo os músculos podem inserir-se por mais de um tendão. Quandohá dois tendões são bicaudados, quando possuem três ou mais policaudados. Exemplo:músculo flexor longo dos dedos do pé, músculos flexores e extensores dos dedos da mão. Ação: dependendo da ação principal resultante da contração do músculo ele pode ser classificado como flexor, extensor, adutor, abdutor, rotador medial, rotador lateral, pronador, supinador, flexor plantar flexor dorsal etc.
  35. 35. 362.3.10 - Ação Muscular A analise do movimento é extremamente complexa, normalmente a ação envolve aação de vários músculos e a ação em conjunto desses músculos damos o nome decoordenação motora. Estudamos os grupamentos musculares normalmente de acordo com asua distribuição e respectivas funções: os músculos da região Ântero-medial do antebraço sãoflexores da mão ou dos dedos e pronadores, ao passo que os da região póstero-lateral sãoextensores da mão ou dos dedos e supinadores. No movimento voluntário há um grandenumero de ações musculares que são automáticas e semi-automáticas. Exemplo: os músculosacionados para manter a estabilidade quando nos abaixamos para pegarmos algum objeto, omovimento principal e dos dedos da mão só que para que o objeto seja pego é necessário quevários outros músculos sejam solicitados a fim de realizar a função. Quando o músculo é o principal na execução de um movimento ele é chamado deagonista e quando ele se opõe ao trabalho muscular de agonista (seja para regular a rapidezou a potencia de ação deste agonista) é chamado de antagonista, porém quando o músculotrabalha a fim de eliminar algum movimento indesejado que poderia ser produzido peloagonista ele passa a se chamar sinergista. Exemplo: o músculo braquial quando se contrai é oagente ativo na flexão do antebraço sendo um agonista. Quando o músculo tríceps braquial secontrai para fazer a extensão do antebraço, o músculo braquial se opõe a este movimentoretardando-o para que ele não execute bruscamente atuando como antagonista. Na flexão dosdedos, os músculos flexores dos dedos são os agonistas, como os tendões de inserção destesmúsculos cruzam a articulação do punho, a tendência natural é provocar também a flexão damão, tal fato não ocorre porque outros músculos, como os extensores do carpo, se contraem edesta forma estabilizam a articulação do punho, impedindo assim aquele movimentoindesejado sendo o sinergista. 3 - SISTEMA NERVOSO O sistema nervoso, juntamente com o sistema endócrino, capacitam o organismo a perceber as variações do meio (interno e externo), a difundir as modificações que essas variações produzem e a executar as respostas adequadas para que seja mantido o equilíbrio interno do corpo (homeostase). São os sistemas envolvidos na coordenação e regulação das funções corporais. No sistema nervoso diferenciam-se duas linhagens celulares: os neurônios e as células da glia (ou da neuróglia). Os neurônios são as células responsáveis pela recepção e transmissão dos estímulos do meio (interno e externo), possibilitando ao organismo a execução de respostas adequadas para a manutenção da homeostase. Para exercerem tais funções, contam com duas propriedades fundamentais: a irritabilidade (também denominada excitabilidade ou responsividade) e a condutibilidade. Irritabilidade é a capacidade que permite a uma célula responder a estímulos, sejam eles internos ou externos. Portanto, irritabilidade não é uma resposta, mas a propriedade que torna a célula apta a responder. Essa propriedade é inerente aos vários tipos celulares do organismo. No entanto, as respostas emitidas pelos tipos celulares distintos também diferem umas das
  36. 36. 37outras. A resposta emitida pelos neurônios assemelha-se a uma corrente elétricatransmitida ao longo de um fio condutor: uma vez excitados pelos estímulos, os neurôniostransmitem essa onda de excitação - chamada de impulso nervoso - por toda a suaextensão em grande velocidade e em um curto espaço de tempo. Esse fenômeno deve-se àpropriedade de condutibilidade. Para compreendermos melhor as funções de coordenação e regulação exercidas pelosistema nervoso, precisamos primeiro conhecer a estrutura básica de um neurônio e como amensagem nervosa é transmitida. Um neurônio é uma célula composta de um corpo celular (onde está o núcleo, ocitoplasma e o citoesqueleto), e de finos prolongamentos celulares denominados neuritos,que podem ser subdivididos em dendritos e axônios. Os dendritos são prolongamentos geralmente muito ramificados e que atuam comoreceptores de estímulos, funcionando portanto, como "antenas" para o neurônio. Os axôniossão prolongamentos longos que atuam como condutores dos impulsos nervosos. Osaxônios podem se ramificar e essas ramificações são chamadas de colaterais. Todos osaxônios têm um início (cone de implantação), um meio (o axônio propriamente dito) e umfim (terminal axonal ou botão terminal). O terminal axonal é o local onde o axônio entra emcontato com outros neurônios e/ou outras células e passa a informação (impulso nervoso)para eles. A região de passagem do impulso nervoso de um neurônio para a célulaadjacente chama-se sinapse. Às vezes os axônios têm muitas ramificações em suas regiõesterminais e cada ramificação forma uma sinapse com outros dendritos ou corpos celulares.Estas ramificações são chamadas coletivamente de arborização terminal. Os corpos celulares dos neurônios são geralmente encontrados em áreas restritas dosistema nervoso, que formam o Sistema Nervoso Central (SNC), ou nos gânglios nervosos,localizados próximo da coluna vertebral. Do sistema nervoso central partem os prolongamentos dos neurônios, formando feixeschamados nervos, que constituem o Sistema Nervoso Periférico (SNP). O axônio está envolvido por um dos tipos celulares seguintes: célula de Schwann(encontrada apenas no SNP) ou oligodendrócito (encontrado apenas no SNC) Em muitosaxônios, esses tipos celulares determinam a formação da bainha de mielina - invólucroprincipalmente lipídico (também possui como constituinte a chamada proteína básica damielina) que atua como isolante térmico e facilita a transmissão do impulso nervoso. Emaxônios mielinizados existem regiões de descontinuidade da bainha de mielina, queacarretam a existência de uma constrição (estrangulamento) denominada nódulo deRanvier. No caso dos axônios mielinizados envolvidos pelas células de Schwann, a partecelular da bainha de mielina, onde estão o citoplasma e o núcleo desta célula, constitui ochamado neurilema.
  37. 37. 38O impulso nervoso A membrana plasmática do neurônio transporta alguns íons ativamente, do líquido extracelular para o interior da fibra, e outros, do interior, de volta ao líquido extracelular. Assim funciona a bomba de sódio e potássio, que bombeia ativamente o sódio para fora, enquanto o potássio é bombeado ativamente para dentro.Porém esse bombeamento não é eqüitativo: para cada três íons sódio bombeados para o líquido extracelular, apenas dois íons potássio são bombeados para o líquido intracelular.Imagem: www.octopus.furg.br/ensino/anima/atpase/NaKATPase.html Somando-se a esse fato, em repouso a membrana da célula nervosa é praticamente impermeável ao sódio, impedindo que esse íon se mova a favor de seu gradiente de concentração (de fora para dentro); porém, é muito permeável ao potássio, que, favorecido pelo gradiente de concentração e pela permeabilidade da membrana, se difunde livremente para o meio extracelular. Em repouso: canais de sódio fechados. Membrana é praticamente impermeável ao sódio, impedindo sua difusão a favor do gradiente de concentração. Sódio é bombeado ativamente para fora
  38. 38. 39Imagem: www.epub.org.br/cm/n10/fundamentos/animation.html pela bomba de sódio e potássio. Como a saída de sódio não é acompanhada pela entrada de potássio na mesma proporção, estabelece-se uma diferença de cargas elétricas entre os meios intra e extracelular: há déficit de cargas positivas dentro da célula e as faces da membrana mantêm-se eletricamente carregadas. O potencial eletronegativo criado no interior da fibra nervosa devido à bomba de sódio e potássio é chamado potencial de repouso da membrana, ficando o exterior da membrana positivo e o interior negativo. Dizemos, então, que a membrana está polarizada. Ao ser estimulada, uma pequena região da membrana torna-se permeável ao sódio (abertura dos canais de sódio). Como a concentração desse íon é maior fora do que dentro da célula, o sódio atravessa a membrana no sentido do interior da célula. A entrada de sódio é acompanhada pela pequena saída de potássio. Esta inversão vai sendo transmitida ao longo do axônio, e todo esse processo é denominado onda de despolarização. Os impulsos nervosos ou potenciais de ação são causados pela despolarização da membrana além de um limiar (nível crítico de despolarização que deve ser alcançado para disparar o potencial de ação). Os potenciais de ação assemelham-se em tamanho e duração e não diminuem à medida em que são conduzidos ao longo do axônio, ou seja, são de tamanho e duração fixos. A aplicação de uma despolarização crescente a um neurônio não tem qualquer efeito até que se cruze o limiar e, então, surja o potencial de ação. Por esta razão, diz-se que os potenciais de ação obedecem à "lei do tudo ou nada". Imagem: geocities.yahoo.com.br/jcc5001pt/museuelectrofisiologia.htm#impulsos Imediatamente após a onda de despolarização ter-se propagado ao longo da fibra nervosa, o interior da fibra torna-se carregado positivamente, porque um grande número de íons sódio se difundiu para o interior. Essa positividade determina a parada do fluxo de íons sódio para o interior da fibra, fazendo com que a membrana se torne novamente impermeável a esses íons. Por outro lado, a membrana torna-se ainda mais permeável ao potássio, que migra para o meio interno. Devido à alta concentração desse íon no interior, muitos íons se difundem, então, para o lado de fora. Isso cria novamente eletronegatividade no interior da membrana e positividade no exterior – processo chamado repolarização, pelo qual se reestabelece a polaridade normal da membrana. A repolarização normalmente se inicia no mesmo ponto onde se originou a despolarização, propagando-se ao longo da fibra. Após a repolarização, a bomba de sódio bombeia novamente os íons sódio para o exterior da membrana, criando um déficit extra de cargas positivas no interior da membrana, que se torna temporariamente mais negativo do que o normal. A eletronegatividade excessiva no interior atrai íons potássio de volta para o interior (por difusão e por transporte ativo). Assim, o processo traz as diferenças iônicas de volta aos seus níveis originais.
  39. 39. 40 Para transferir informação de umponto para outro no sistema nervoso, énecessário que o potencial de ação, umavez gerado, seja conduzido ao longo doaxônio. Um potencial de ação iniciadoem uma extremidade de um axônioapenas se propaga em uma direção, nãoretornando pelo caminho já percorrido.Conseqüentemente, os potenciais deação são unidirecionais - ao quechamamos condução ortodrômica.Uma vez que a membrana axonal éexcitável ao longo de toda sua extensão,o potencial de ação se propagará semdecaimento. A velocidade com a qual opotencial de ação se propaga ao longodo axônio depende de quão longe adespolarização é projetada à frente dopotencial de ação, o que, por sua vez,depende de certas características físicasdo axônio: a velocidade de condução dopotencial de ação aumenta com odiâmetro axonal. Axônios com menordiâmetro necessitam de uma maiordespolarização para alcançar o limiar dopotencial de ação. Nesses de axônios,presença de bainha de mielina acelera avelocidade da condução do impulso
  40. 40. 41 nervoso. Nas regiões dos nódulos de Ranvier, a onda de despolarização "salta" diretamente de um nódulo para outro, não acontecendo em toda a extensão da região mielinizada (a mielina é isolante). Fala-se em condução saltatória e com isso há um considerável aumento da velocidade do impulso nervoso. O percurso do impulso nervoso no neurônio é sempre no sentido dendrito corpo celular axônio. O SNC recebe, analisa e integra informações. É o local onde ocorre a tomada de decisões e o envio de ordens. O SNP carrega informações dos órgãos sensoriais para o sistema nervoso central e do sistema nervoso central para os órgãos efetores (músculos e glândulas). 3.1 - DIVISÃO DO SISTEMA NERVOSO:3.1.1 - O Sistema Nervoso Central O SNC divide-se em encéfalo e medula. O encéfalo corresponde ao telencéfalo (hemisférios cerebrais), diencéfalo (tálamo e hipotálamo), cerebelo, e tronco cefálico, que se divide em: BULBO, situado caudalmente; MESENCÉFALO, situado cranialmente; e PONTE, situada entre ambos.

×