Brasil Retratos Poéticos 2

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Brasil Retratos Poéticos 2

  1. 1. ....... brasilretratospoéticos 2
  2. 2. . brasil retratos poéticos 2 fotos edson sato fábio colombinimaurício simonetti walter firmo textos/poemasraimundo gadenha escrituras editora são paulo, 2001
  3. 3. Tenho grande admiração pela fina sensibilidade dos fotógrafos brasileiros. Participo dos que julgam que o olho do fotógrafo é aquele que possui maior força noregistro dos componentes das paisagens. É o único com sensibilidade de captar a beleza e a significância dosdetalhes das cenas e cenários ocorrentes no cotidiano de nosso mundo. Na diversidade e bizarria das minúcias escondem-se ensinamentos, hábitos tradicionais,luminosidades impensadas. Muitas vezes pode-se sentir, através dos flashes do mundo real retratado, a própria dinâmica de sua atuação. Aziz Ab´Saber
  4. 4. Para onde será levado o pensamento ao se lavar coloridas vestes em tão calma paisagem?
  5. 5. Sobre o chão, sombras são tentáculos tentando tudo alcançar O gato, impassível... Os olhos do menino, Impossível saber onde vão dar.
  6. 6. Hoje, a roda é um círculo de saudadeHá muito já não range o velho carro-de-boi Nas paredes, em lenta agonia, as evidências da passagem do tempo.
  7. 7. Na água que transparece, a alma aparece no sorriso e no brilho do olhar.
  8. 8. Das brancas nuvens não vemnenhum sinal de onde elas vêm... Parece que as brancas nuvens apenas brandamente brincamde, pelo denso e fixo azul, passar.
  9. 9. Na pequena casa, longínquo interior, o simples ato de abrir a portatransforma-se em uma intensa viagemà bela e verdadeiramente rica paisagem.
  10. 10. Estendem-se em perfeita simetriafinos fios vindos de galhos tortos...Natureza em constante harmonia.
  11. 11. O barco, casa sobre as águas, segue num ritmo modorrento O pequeno motor é canção de ninar Algumas tantas crianças já sonhamA natureza, lentamente, vai apagando as luzes.
  12. 12. Em busca de novos destinos o homem arrisca-se riscando a natureza.
  13. 13. Foram tantos os mares navegados... Mas hoje, sob sol e lua,O navio é só âncora, triste imobilidade!
  14. 14. Com natural enlevo,Plantas rompem a terra e elevam-se...Verdume, velas agitam-se no espaçoEspalhando ao vento suave perfume.
  15. 15. Longe, o rio Tietê se veste de dourado.O sol, brando, brinca de apagar identidades Sonhos sobram das sombras.
  16. 16. A natureza, grandiosa e bela,sem ressentimentos incorpora à sua paisagem velhos – e hoje silenciosos – canhões.
  17. 17. Um vento passou soprando diferenteQue novas sementes ao tempo terá espalhado? No intento de descobrir, a árvore tenta o vento acompanhar.
  18. 18. O sólido rochedo abre-se em fenda e lágrimas cristalinas jorram... Estupenda paisagem que a lua,antecipando sua passagem, contempla.
  19. 19. Onde as ferramentas? Onde o cinzel que, neste céu,esculpiu estes rochedos revestidos de verde?...
  20. 20. Diante dos naturais adereços a introspecção a tudo aderiuEndereços, memória, saudade...Tudo passando lento como o rio.
  21. 21. A beleza do Rio transborda e prédios e cores invadem a lagoaSolene, o coqueiro se curva ao espetáculo.
  22. 22. Numa aquarela de sonhos equilibram-se confiantes a jovem sobre saltos altose o rapaz de flores amarelas.
  23. 23. Escamas coloridas brilham sobre o dorso negro do meninoDoce sorriso por, naturalmente,extrair do mar alegria e sustento.
  24. 24. Em que solo pisarão e que rastros vão deixarestas cores hoje suspensas no ar?
  25. 25. Festa, fé, tradições...Cores oscilam sobre coresO vento murmura orações.
  26. 26. SATO, Edson, GADELHA, Raimundo et al. BRASIL: RETRATOSPOÉTICOS 2. São Paulo: Escrituras, 2001.

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