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Artigo 2

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Artigo 2

  1. 1. A SUSTENTABILIDADE DO AÇO Helena Gervásio 1 e Luís Simões da Silva 2 RESUMO O Desenvolvimento Sustentável é uma questão essencial hoje em dia com implicaçõesem todos os sectores da nossa sociedade. A indústria da construção desempenha um papelfundamental nos objectivos do Desenvolvimento Sustentável, não só pela sua contribuiçãopara a economia global como também pelos seus impactos significativos tanto em termosambientais como em termos sociais. A indústria do aço tem tentado tomar a liderança no quediz respeito à minimização de impactos ambientais associados à produção do aço. Com efeito,as grandes produtoras mundiais de aço têm empreendido, nos últimos anos, numerososesforços no sentido de reduzir as emissões de gases nocivos ao meio ambiente. Neste artigo éfeita uma análise comparativa entre os dois processos de produção do aço mais comuns emtermos de impactos ambientais ao longo de todo o processo de produção, desde a extracçãodas matérias primas, até à produção de uma tonelada de aço pronta para ser transportada parafora da siderurgia. A evidência nos diferentes desempenhos ambientais de ambos os processosde produção do aço é realçada nos resultados de um caso prático onde se fez uma análisecomparativa entre os materiais aço e betão, correspondendo a duas soluções estruturaisalternativas para uma ponte rodoviária. Finalmente são apresentadas algumas das estratégiasimplementadas em algumas das mais importantes produtoras de aço para a minimização dosimpactos ambientais inerentes ao processo de produção.1. INTRODUÇÃO Actualmente, os recursos naturais disponíveis são consumidos a uma escalainsustentável pelos países industrializados, particularmente no que diz respeito ao recurso acombustíveis fósseis não renováveis. Na União Europeia (UE) metade de todas as matérias-primas retiradas da superfície da terra são utilizadas na construção e mais de ¼ de todos osresíduos sólidos produzidos são provenientes da construção civil [1]. A Construção Sustentável foi definida pela primeira vez em 1994 por Charles Kibert,1 Mestre em Engenharia de Estruturas, GIPAMB Ltd., Lisboa.2 Professor Catedrático, Departamento de Engenharia Civil, Universidade de Coimbra, Coimbra.
  2. 2. II-720 V Congresso de Construção Metálica e Mistadurante a Conferência Internacional sobre Construção Sustentável que teve lugar em Tampa,como “a criação e o planeamento responsável de um ambiente construído saudável com basena optimização dos recursos naturais disponíveis e em princípios ecológicos”. Habitualmente a Sustentabilidade é definida em três dimensões: ecológica, económicae sócio-cultural. A sustentabilidade ecológica tem três objectivos principais: protecção dosrecursos (optimização e eficácia na utilização dos recursos materiais, energia, solos ereciclagem), protecção do ecossistema (gestão dos resíduos, emissões, poluentes e utilizaçãoda terra) e a protecção da saúde e do bem-estar humano (toxicidade nos seres humanosprovocada pelos materiais construtivos). O principal objectivo da sustentabilidade económicaé a minimização dos custos relativos ao completo ciclo de vida do sistema construtivo, tendoem consideração todos os requisitos de segurança e qualidade do proprietário. Os aspectossócio-culturais, tais como bem-estar, saúde, segurança e conforto, são de natureza muito maissubjectiva e consequentemente são muito mais difíceis de quantificar e ter em consideração.Contudo, estes aspectos são cruciais e muitas vezes impõem soluções que contradizem assoluções mais eficazes em termos ambientais e/ou económicos. Uma metodologia para a avaliação da sustentabilidade de um sistema construtivo deveconsiderar as três dimensões da sustentabilidade referidas nos parágrafos anteriores (ver Fig.1). A Construção Sustentável implica a adopção dos princípios do DesenvolvimentoSustentável ao ciclo global da construção, desde a extracção de matérias primas até à suademolição e destino final dos resíduos resultantes – análise do berço à cova – e é um processoholístico que visa estabelecer um equilíbrio entre o ambiente natural e o ambiente construído. Fig. 1 – As dimensões da sustentabilidade Neste artigo os aspectos económico e social não serão abordados por limitações deespaço, sendo o ênfase dado aos aspectos ambientais. A indústria da construção, sendo um dos principais responsáveis pela escassez dosrecursos naturais e pela produção de resíduos, desempenha um papel fundamental noDesenvolvimento Sustentável global. Desta forma, para ser considerada uma indústriasustentável tem pela frente um grande desafio, talvez maior do que em qualquer outro sectorindustrial. A nível da União Europeia, a Comissão Europeia tem desenvolvido grandes esforçosno sentido de desenvolver e promover estratégias para minimizar os impactos ambientaisprovocados pela actividade da indústria da construção e pelo ambiente construído, esimultaneamente melhorar as condições para a competitividade da indústria da construção. No contexto da Comunicação da Comissão Europeia sobre a competitividade daindústria da construção [2], os principais aspectos da sustentabilidade que afectam a indústriada construção foram identificados como sendo os seguintes: i) Materiais de construção amigos do ambiente - Aproximadamente 50% de todos os materiais extraídos da crosta terrestre são transformados em materiais e produtos para a construção. Quando instalados em edifícios, e incluindo a energia durante a sua utilização, representam 40% de toda a energia utilizada.
  3. 3. Estudos e Produtos Especiais II-721 Além do mais, esses mesmos materiais quando transformados em resíduos sólidos, contabilizam cerca de 50% de todos os resíduos produzidos antes da reciclagem ou reutilização; ii) Eficiência energética em edifícios – A construção, operação e consequente demolição de edifícios contabiliza aproximadamente 40% de toda a produção de energia e contribui para uma percentagem semelhante de emissões de gases com efeito de estufa. O potencial para a redução da emissão de gases com efeito de estufa, em edifícios existentes ou novos, é maior do que em qualquer outro sector, representando consequentemente uma fatia considerável na redução de emissões de forma a atingirem-se os objectivos definidos no Protocolo de Kyoto; iii) Gestão de desperdícios da construção e/ou demolição – Os desperdícios da construção e demolição constituem a maior fonte de resíduos sólidos por peso da União Europeia. O armazenamento destes resíduos representa cada vez mais dificuldades em muitos países da Europa. É necessário reforçar a ideia da minimização dos resíduos sólidos e da reciclagem. A necessidade de promover práticas e técnicas eco-eficientes na indústria e de tornarmais eficiente a utilização e gestão dos recursos e dos resíduos, são assim requisitosfundamentais do Desenvolvimento Sustentável, e a indústria do aço desenvolve um papel deextrema importância neste sentido.2. A SUSTENTABILIDADE DO AÇO O aço é normalmente identificado como um material “amigo do ambiente” devidoessencialmente ao seu potencial de reciclagem. No entanto, a percentagem de materialreciclado utilizado na produção de aço depende do respectivo processo de produção. Nasalíneas seguintes esta questão será abordada, bem como serão analisados e comparados osdiversos impactos produzidos pelos dois processos tradicionais de produção do aço: aprodução em alto-forno (Basic Oxygen Furnace) e a produção em forno de arco eléctrico(Electric Arc Furnace).2.1 Produção do aço O aço é constituído por uma liga de ferro e carbono, contendo menos de 2% decarbono e 1% de manganésio e pequenas percentagens de silício, fósforo, enxofre e oxigénio.A invenção do aço é geralmente atribuída a um inventor inglês, Henry Bessemer, em 1856.Henry Bessemer fundou a Bessemer Steel Company em Sheffield, Inglaterra, sendo o açoproduzido através da passagem de um caudal de ar através de uma carga de ferro fundido, deforma a oxidar o material e separar as impurezas, o qual ficou conhecido como o processoBessemer. Ainda hoje o aço é produzido com tecnologia baseada neste processo. Actualmente o aço é produzido através de dois processos básicos – a partir dematérias-primas (minério de ferro, calcário e coque) em alto-forno ou a partir de sucata emforno eléctrico de arco. Cerca de 60% do aço produzido actualmente é feito pelo primeiroprocesso, também conhecido por processo integrado. A produção do aço em alto-forno utilizaentre 25% a 35% de aço reciclado enquanto que na produção do aço em forno de arcoeléctrico essa percentagem é aproximadamente de 95%. Na Fig. 2 está representado umesquema da produção do aço por ambos os processos. O processo da produção do aço tem início com a conversão das matérias-primas –tanto minério de ferro como sucata – em aço líquido.
  4. 4. II-722 V Congresso de Construção Metálica e Mista Na produção em alto-forno a primeira parte do processo tem lugar na instalação desinterização, onde os minérios de ferro são preparados. O resultado final do processo desinterização, o qual consiste num aglomerado de partículas sólidas – sínter, é conduzido ao alto-forno, onde é adicionado ao coque em camadas alternativas. O coque, por sua vez, é umasubstância combustível que resulta da destilação de carvão no forno de coque. Esta substância ébasicamente um composto de carbono, com elevada resistência mecânica e alto ponto de fusãoque, uma vez no alto-forno, fornece os gases necessários para a fundição dos minérios de ferro.Assim, no alto-forno o ferro é extraído dos minérios de ferro. Enquanto que os minérios sólidos eo coque são introduzidos no forno pelo topo, uma corrente de ar muito quente (1200°C) éintroduzida pela parte de baixo provocando a combustão do coque. Desta combustão resulta oóxido de carbono, o qual reduz o óxido de ferro, separando o ferro e libertando dióxido decarbono (CO + F2O3 → Fe + CO2). O calor criado pela combustão funde o ferro e os minérios,dando origem a um material líquido designado “ferro gusa”. Deste processo resulta um resíduo -a escória, que pode, posteriormente, ser utilizada em outras aplicações industriais (por ex. naconstrução de estradas e na produção de cimento). Depois o ferro gusa em estado líquido évertido sobre uma camada de sucata de ferro. As substâncias não desejáveis, tais como o carbonoe outros resíduos, são queimados através da injecção de oxigénio puro, produzindo assim o açobruto, o qual será posteriormente refinado e graduado. Na produção de aço em forno de arco eléctrico a matéria-prima é a sucata provenientede desperdícios de aço, materiais de construção, maquinaria, veículos ou aço recuperado doprocesso de produção. A sucata é fundida num forno de arco eléctrico. Neste forno a fundiçãoda matéria-prima é obtida pelo calor fornecido pelo arco voltaico que se forma entre os trêseléctrodos verticais, geralmente de grafite. Durante este processo é comum a injecção deoxigénio de forma a acelerar a fundição e a queimar o carbono. O aço líquido assimproduzido passa posteriormente pelas mesmas fases de refinação e graduação que no processoanterior.
  5. 5. Estudos e Produtos Especiais II-723 Fig. 2 – Esquema da produção do aço O processo de refinação consiste na inclusão de aditivos químicos de forma a ajustar acomposição química do aço e produzir as diversas classes de graduação do aço. Finalmente oaço será transformado nos produtos finais (aço laminado).2.2 Impactos ambientais provocados pela produção do aço Das alíneas anteriores pode-se depreender que a indústria siderúrgica é uma indústriamuito intensiva, tanto em termos de materiais como de energia. Mais de metade da grandequantidade de materiais e energia que entra no processo resulta na produção de efluentesgasosos e de resíduos sólidos/subprodutos. As emissões mais relevantes são as emissões paraa atmosfera, principalmente no que respeita à emissão de CO2 e outros gases com efeito deestufa. Facilmente se entende que os diferentes processos de produção de aço conduzem aconsumos de energia bastante diferenciados. Enquanto que o consumo de energia na produçãoem alto-forno é de aproximadamente 29 GJ por tonelada de aço, na produção em forno dearco eléctrico esse consumo é de cerca de 10 GJ (ver Fig. 3) [3]. Em consequência das diferentes percentagens de aço reciclado utilizadas nosprocessos de produção de aço descritos anteriormente, facilmente se poderá constatar que ascorrespondentes emissões de carbono e de outras partículas são também consideravelmenteinferiores para o forno de arco eléctrico, tornando este um processo mais eficiente em termosambientais. Em cada tonelada de aço reciclado são poupados 1.25 toneladas de minério deferro, 630 kg de carvão e 54 kg de calcário [4]. Além do mais, o processo de reciclagem requermenos energia, cria menos resíduos e provoca a emissão de menos quantidades de partículaspoluentes do que a produção da mesma quantidade de aço a partir de matérias-primas. Fig. 3 – Energia consumida por processo de produção de aço De entre as emissões de partículas poluentes destacam-se as emissão de CO2 e outrosgases com efeito de estufa. Neste caso, a produção de 1kg de aço em forno de arco eléctricoproduz cerca de 462 gr de equivalentes de CO2, enquanto que em alto forno a produção deigual quantidade de aço produz cerca de 2494 gr de equivalentes de CO2. No gráfico da figuraseguinte estão representados alguns dos principais impactos ambientais provocados pelaprodução de uma tonelada de aço de acordo com cada um dos processos descritos
  6. 6. II-724 V Congresso de Construção Metálica e Mistaanteriormente [3]. Neste gráfico é possível comparar, em termos percentuais, os impactosambientais gerados por cada um dos processos, donde facilmente se verifica o melhordesempenho ambiental da produção em forno de arco eléctrico. Fig. 4 – Impactos ambientais correspondentes aos dois processos de produção de aço3. ANÁLISE COMPARATIVA AÇO-BETÃO – APLICAÇÃO A UM CASO PRÁTICO Como se constata do item anterior, a utilização de aços provenientes de processos deprodução diferentes conduz a impactes ambientais muito diferenciados. Para avaliar asdiferenças em termos de impactes ambientais foi realizado um caso prático [5]. Neste estudofoi feita uma análise comparativa entre duas soluções estruturais alternativas para uma obrade arte, cujo desenvolvimento em planta e em alçado se encontram representados na Fig. 5. Oviaduto, com uma extensão total de 364.5 m, faz parte a nova autoestrada entre Mira eAveiro. Embora a obra completa compreenda 19 vãos de 6@17 m + 27.2 m + 35 m + 27.2 m+ 10 @17 m, apenas a parte central da estrutura (27.2 m + 35 m + 27.2 m), por uma questãode simplicidade, foi considerada na análise. Transversalmente a estrutura é composta por doistabuleiros, cada tabuleiro com 14.9 m de largura, e com duas vias de tráfego em cadadirecção. Na Fig. 6 está representado apenas um dos tabuleiros. A solução preconizada pelo projectista original consistia numa solução em betão pré-fabricado, com dupla viga em caixão. A solução alternativa foi definida por uma soluçãomista, composta por duas vigas metálicas alma cheia e uma laje em betão solidarizada com asvigas e funcionando em conjunto. Ambas as soluções se encontram representadas na Fig. 6.Em ambos os casos as soluções satisfazem os requisitos dos Eurocódigos relevantes em cadacaso, e foi assumida uma vida de serviço de 50 anos. A performance ambiental de ambas as soluções foi avaliada com base numa análise deciclo de vida, com base nas normas internacionais ISO, série 14040 [6,7,8,9], e com recurso aoprograma de análise BEES [10].
  7. 7. Estudos e Produtos Especiais II-725 Fig. 5 – Planta e alçado da ponte Fig. 6a – Solução em betão Fig. 6b – Solução mista aço-betão Na análise de inventários foram quantificados todos os inputs (quantidade de matériasprimas, quantidades de água e energia) e outputs (emissões de partículas para a atmosfera,terra e água) correspondentes a todas as fases de produção, desde a extracção de matérias-primas até ao produto final, pronto para ser transportado do local de fabrico. As fasesseguintes não foram consideradas na análise por não haver, na literatura disponível, dadossuficientes e credíveis para a sua quantificação. Todos os dados relativos aos diversosmateriais construtivos, com excepção do aço estrutural, foram obtidos da base de dados doprograma BEES. No caso do aço, os dados foram obtidos do International Iron and SteelInstitute [3]. A avaliação de impactos foi efectuada com base na metodologia desenvolvida pelaSociety for Environmental Toxicology and Chemistry (SETAC) [10]. Desta análise resultaram
  8. 8. II-726 V Congresso de Construção Metálica e Mistaonze índices, os quais estão representados no gráfico da Fig. 7, para cada uma das soluçõesestruturais. Fig. 7 – Resultado da performance ambiental No gráfico anterior estão representados, para além dos resultados obtidos para asolução inicial em betão, os resultados obtidos para a solução mista admitindo três cenáriosdiferentes para a origem do aço estrutural. Assim, no primeiro cenário considerou-se que oaço utilizado seria inteiramente produzido em alto-forno, no segundo cenário a produção seriaintegralmente em forno de arco eléctrico, e finalmente no terceiro cenário considerou-se umasituação em que 50% do aço fornecido seria produzido pelo primeiro processo enquanto queos outros 50% seriam produzidos pelo segundo processo. Desta forma, na primeira colunaestá representado o resultado ambiental total obtido para a solução em betão. Comparandoeste resultado com o resultado obtido para a solução mista, assumindo-se a origem integral doaço do forno eléctrico, representado na terceira coluna, observa-se que a solução mistaapresenta claramente um resultado ambiental muito superior à primeira (- 31%). Os resultadospara a solução mista assumindo a produção integral em alto-forno (pior caso possível)agravam em cerca de 23% os resultados obtidos para a solução em betão. Finalmente, naquarta coluna está representado o resultado obtido para o cenário composto por 50% de cadaprocesso de produção, e que seria o caso mais realista no caso de haver incertezarelativamente à origem do aço. Neste caso o resultado é superior à solução em betão emapenas - 4%.4. ESTRATÉGIAS PARA A PRESERVAÇÃO AMBIENTAL Com o objectivo de tornar o aço num material mais ecológico e “amigo do ambiente”,as grandes siderurgias mundiais têm vindo a implementar várias medidas no sentido dapreservação ambiental. Os aspectos de maior preocupação são a diminuição do consumo deenergia e a redução da emissão de gases com efeito de estufa, nomeadamente de dióxido decarbono. Neste sentido, em 2003 o International Iron and Steel Institute (IISI) [11] definiu umasérie de 11 indicadores de sustentabilidade, os quais podem ser utilizados para medir odesempenho da indústria mundial do aço, a nível económico, ambiental e social. Nestesindicadores destacam-se os indicadores que medem o desempenho ambiental e que são os
  9. 9. Estudos e Produtos Especiais II-727seguintes: emissão de gases com efeito de estufa, eficiência dos materiais, intensidadeenergética, reciclagem do aço e sistemas de gestão ambiental. Na tabela 1 são indicados osíndices obtidos com base nas médias dos valores apresentados por 42 indústrias produtoras deaço, valores correspondentes ao ano fiscal de 2003, e que representam 33% da produçãomundial do aço. Tabela 1 – Índices ambientais do IISI [12] Indicador Unidades Valor Emissão de gases c/ efeito Toneladas de CO2/Ton. de aço bruto produzido 1.6 estufa Eficiência material % 96.8 Intensidade energética GJ/ Tonelada de aço bruto produzido 19.0 Reciclagem do aço % de aço bruto produzido 42.3 Sistemas de gestão ambiental % de companhias certificadas 85.0 Nas siderurgias a emissão de dióxido de carbono, gás que contribui para o efeito deestufa, é o factor mais preocupante. De acordo com a tabela 1, a média obtida para o índicecorrespondente foi de 1.6 toneladas de CO2 por cada tonelada de aço produzida, considerandotanto a produção em alto forno como a produção em forno de arco eléctrico. No entanto, aindustria de produção do aço está determinada em reduzir a emissão destes gases e em tornarmais eficientes os seus processos de produção. Com este objectivo têm sido desenvolvidosdiversos programas de investigação em todo o mundo. Um destes programas é o programaeuropeu ULCOS (Ultra Low CO2 Steelmaking), que tem como objectivo principal odesenvolvimento de novas formas de produção de aço com reduzidas emissões de gases comefeito de estufa. Outras medidas têm sido investigadas tais como tecnologias com recurso apercentagens mínimas de carbono (carbon-light) combinadas com a captação earmazenamento de CO2, e recurso a energias alternativas tais como gás natural, hidrogénio,biomassa e electricidade. O indicador relativo à eficiência material mede a forma como indústria optimiza o usodas matérias primas, minimizando simultaneamente a produção de resíduos. Em 2003, o valordeste índice foi de 97%, indicando claramente a eficiência das siderurgias na utilização dematérias primas e na produção de resíduos. Com efeito, a Thyssenkrupp Stahl, na Alemanha,desenvolveu a OxiCup Shaft Furnance que consiste num forno para a produção de ferro apartir dos resíduos produzidos nos outros fornos (principalmente óleos, sucata e escória). Oferro proveniente da OXICUP teria alternativamente de ser produzido em alto-forno clássico,reduzindo desta forma as emissões de CO2 em cerca de 20000 toneladas por ano. Um outro exemplo é a Qatar Steel onde desenvolvimentos recentes conduziram àsubstituição parcial do carvão nos seus fornos de arco eléctrico por pneus (que de outra formaseriam depositados em aterros). Por cada tonelada de aço são reciclados 5 kg de pneus e maisde 3600 toneladas são recicladas por ano, o que faz com a Qatar poupe anualmente270000$US na compra de matéria-prima. O índice da intensidade energética reflecte a relação entre a energia consumida e aprodução do aço, sendo a média dos valores apresentados pelas diversas companhias de 19 GJde energia por tonelada de aço produzida. Entre as medidas relativas à eficiência energéticadestaca-se a China Steel Corporation (CSC) que em 1993 iniciou a construção de uma redeintegrada de energia em cooperação com uma área industrial vizinha. Através desta rede aCSC fornece energia à área industrial (vapor, oxigénio, nitrogénio). Actualmente a CSCvende cerca de 610000 ton. de vapor anuais à área industrial, substituindo cerca de 49000
  10. 10. II-728 V Congresso de Construção Metálica e Mistalitros de combustível que a área industrial normalmente utilizaria. As emissões de CO2 naárea reduziram cerca de 142000 ton./por ano. O aço é reconhecidamente um material 100% reciclável. Sendo um materialfacilmente separável de outros materiais, a taxa de reciclagem do aço é geralmente elevadaem várias regiões do mundo. A indústria do aço recicla uma enorme quantidade de aço emcada ano. De acordo com as estatísticas do IISI, em 2002 foram recicladas 383 milhões detoneladas, perfazendo um total de 42.3% da produção mundial do aço nesse ano. Um sistema de gestão ambiental consiste numa série de processos e práticas quepermitem a uma organização a avaliação e o melhoramento contínuo do seu desempenhoambiental e o aumento da sua eficiência operacional. Cada organização estabelece o seupróprio sistema pelo desenvolvimento da sua política ambiental, implementando a formação eo controle das operações, monitorizando o progresso e tomando as devidas acções correctivasquando necessário. De acordo com este índice em 2003, 85% de todos os empregadostrabalhando na produção do aço trabalham em companhias registradas através de normasinternacionais de gestão ambiental tais como a EMAS (Eco-Management and Audit Scheme)e a ISO14001. A CORUS reconheceu o mérito do estabelecimento de um Sistema de GestãoAmbiental e actualmente mais de 80% de todas as indústrias de produção associadas sãocertificadas de acordo com a norma ISO 14001, prevendo ainda que essa percentagem atinja,em meados de 2006, os 95%. De entre as grandes siderurgias mundiais com a preocupação de tornar o seu processode produção mais eficiente do ponto de vista ambiental, destaca-se a companhia JaponesaNippon Steel. Entre outras estratégias para a promoção da eficiência ambiental em todo o seuprocesso de produção, a Nippon Steel tem vindo a implementar medidas que visam apoupança de energia, a redução da emissão de substâncias poluentes e a diminuição daprodução de resíduos, as quais estão esquematicamente representadas na figura seguinte. Fig. 8 – Principais medidas de controlo ambiental na produção de ferro e aço na Nippon Steel (Japão)
  11. 11. Estudos e Produtos Especiais II-7295. OBSERVAÇÕES FINAIS A indústria da construção é responsável, directa ou indirectamente, por uma proporçãode impactos ambientais bastante significativa, os quais podem comprometer, a médio oulongo prazo, o futuro das gerações futuras. Portanto, uma das prioridades do sector daconstrução deve ser o de desenvolver e fornecer soluções inovadoras com vista à minimizaçãodeste problema. As siderurgias, de forma a contribuir para um Desenvolvimento Sustentável,têm vindo a realizar um grande esforço no sentido de minimizar os impactos ambientaisassociados à produção do aço, principalmente no que diz respeito ao consumo de energia e àsemissões de CO2 e outros gases com efeito de estufa, e no gráfico seguinte são já bem visíveisos resultados alcançados pela industria de produção do aço, na União Europeia, entre 1970 e2000. 120 100 80 60 Energia consumida por ton de aço produzida 40 Emissões de CO2 por ton de 20 aço produzida 0 1977 1980 1985 1990 1995 2000 Fig. 9 – Indústria europeia do aço (fonte: Eurofer, Eurostat)6. REFERÊNCIAS[1] Maydl P., “Sustainable Engineering: State-of-the-art and Prospects”, Structural Engi- neering International, Volume 14, 3, p. 176-180, 2004.[2] Communication from the European Commission: “The Competitiviness of the Con- struction Industry” COM (97)539, 1997.[3] International Iron and Steel Institute (IISI), “World Steel Life Cycle Inventory – Methodology Report 1999/2000”, Committee on Environmental Affairs, 2002.[4] de Spot, M., “The application of structural steel to single-family residential construc- tion”, Node Engineering Corp., Surrey, B.C., 2002.[5] Gervásio, H. e Simões da Silva, L., “Sustainability and life-cycle assessment of steel- concrete composite plate girder bridges: A case study”, Proceedings of the 4th Euro- pean Conference on Steel an Composite Structures, Maastricht, The Netherlands, pp. 4.6-61 a 4.6-69, 2005.[6] International Standard 14040, “Environmental Management – LCA – Principles and Framework”, 1997.
  12. 12. II-730 V Congresso de Construção Metálica e Mista[7] International Standard 14041, “Environmental Management – LCA – Goal and Scope Definition and Inventory Analysis”, 1998.[8] International Standard 14042, ”Environmental Management – LCA – Life Cycle Im- pact Assessment”, 2000.[9] International Standard 14043, “Environmental Management – LCA – Life Cycle In- terpretation”, 2000.[10] Lippiatt, B., “BEES 3.0 Building for Environmental and Economic Sustainability Technical Manual and User Guide”, NISTIR 6916, Gaithersburg, MD: National Insti- tute of Standards and Technology, 2002.[11] International Iron and Steel Institute, “The measure of our sustainability – Report of the world steel industry 2004”, 2004.

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