Indicadores_cjferreira08jun

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Indicadores_cjferreira08jun

  1. 1. 1 APLICAÇÃO DE GEOINDICADORES NA GESTÃO DE ÁREAS DEGRADADAS E NA GESTÃO DE BACIAS HIDROGRÁFICASDr CLAUDIO JOSÉ FERREIRAPesquisador Científico do Núcleo de Geologia de Engenharia e Ambiental, Instituto GeológicoAv. Miguel Stéfano, 3900, Água Funda, São Paulo, SP, CEP: 04301-903e-mail: cferreira@igeologico.sp.gov.brRESUMO Indicadores ambientais permitem abordar situações complexas de uma formasistemática, baseada em critérios claramente definidos, reprodutíveis e replicáveis. O modeloForça-motriz-Pressão-Estado-Impacto-Resposta está sendo utilizado para a gestão de baciashidrográficas do Estado de São Paulo por meio do acompanhamento de 142parâmetros/indicadores, dentre os quais Solo Exposto e Traços Erosivos Lineares foramquantificados para as 34 sub-bacias do Litoral Norte. Outro método que utiliza um modelosistêmico causal e indicadores é o Planejamento Estratégico Situacional aplicado naapreciação das questões das áreas degradadas pela extração de saibro em Ubatuba e danos eprejuízos relacionados a desastres naturais no Estado de São Paulo.Palavras-chave Solo exposto, traços erosivos, planejamento estratégico situacionalABSTRACT Environmental indicators are tools to obtain a state-of-the-environmentassessment in a systematic way, based in clearly stated criteria and providing replicable andreprodutible outputs. The model Driving-forces-Pressure-State-Impacts-Response was adoptedfor the watershed management in the State of São Paulo. Among the 142 indicators/parametersmonitored, the indicators Exposed Soil and Linear Erosions were quantified for the NorthCoastal Zone. Another approach based in a sistemic causal model and indicators is theStrategic-Situational Planning, which was applied for describing the problems relatively todereliction by residual soil extraction at Ubatuba and deaths, injuries and economic lossesrelated to natural disasters in the State of São Paulo.keywords Expose soil, linear erosion, strategic-situational planning1 INTRODUÇÃOIndicadores ambientais são parâmetros, ou funções derivadas, que tem a capacidade dedescrever um estado ou uma resposta aos fenômenos que ocorrem em um meio (Santos2004). O desenvolvimento do conceito e a utilização de indicadores na área ambiental origina-se em grande parte, da avaliação da Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente eDesenvolvimento – Rio 92 que em seu documento Agenda 21, capítulo sobre Informação paraa Tomada de Decisões (Brasil, 2010) afirma:Os métodos de avaliação das interações entre diferentes parâmetros setoriais ambientais,demográficos, sociais e de desenvolvimento não estão suficientemente desenvolvidos ouaplicados. É preciso desenvolver indicadores do desenvolvimento sustentável que sirvam de
  2. 2. 2base sólida para a tomada de decisões em todos os níveis e que contribuam para umasustentabilidade auto-regulada dos sistemas integrados de meio ambiente e desenvolvimento.A partir desse momento, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA)adotou a iniciativa GEO (Global Environment Outlook - Perspectiva do Meio Ambiente Global),orientados à avaliação do estado do meio ambiente em todo o mundo, em diferentes escalasterritoriais, dentre os quais destaca-se o projeto Geo-Cidades. Esse projeto tem como objetivopadronizar um método para o desenvolvimento de avaliações mais precisas sobre o estado domeio ambiente em áreas urbanizadas. Ele adotou o modelo FPEIR – Força-motriz, Pressão,Estado, Impacto e Resposta, oriundo das propostas da Organização para a CooperaçãoEconômica e Desenvolvimento (OECD, 2003) que tem como base relações de causalidade dosindicadores. As dinâmicas sociais – forças motrizes, produzem pressões no meio ambiente, asquais afetam seu estado, o qual, por sua vez, acarreta impactos na saúde humana e nosecossistemas, levando à sociedade a emitir respostas que procuram deter, reverter mitigar ouprevenir os impactos negativos do sistema.Outra abordagem que utiliza indicadores em um contexto de causalidades é o PlanejamentoEstratégico Situacional (Huertas, 1996; Matus 1996). Voltado para o planejamento estratégicopúblico, trata-se de ferramenta, ainda pouco utilizada na gestão ambiental e de bacias, porémtem grande potencial de aplicação (Ferreira et al., 2005), pois trabalha com a análise deproblemas, suas causas (nós-críticos) e indicadores (placar do jogo).Tavares et al. (2007) revisam o conceito e a aplicação de geoindicadores, relatando a criaçãopela International Union of Geological Sciences IUGS em 1992, de grupo de pesquisa emindicadores geológicos que culminou com a publicação do livro Geoindicators: Assessing RapidEnvironmental Changes in Earth Systems, editado por Antony R. Berger e William J. Iams. Otrabalho do grupo continuou formalmente até 2005 por meio da Iniciativa em Geoindicadores,da IUGS, e atualmente trata-se de iniciativa não-governamental denominada GEOIN,consolidada no endereço eletrônico www.lgt.lt/geoin/index.php, abrigado pelo ServiçoGeológico da Lituânia. Na sua definição atual, geoindicadores são medidas (magnitudes,frequências, taxas, tendências) de fenômenos ou processos geológicos que ocorrem na oupróximos à superfície da Terra que está sujeita a mudanças que são significantes para oentendimento das variações ambientais em período menores que 100 anos.A vantagem do uso de indicadores para se avaliar as condições ambientais (Berger, 1997;Chaves & Alipaz 2007) consiste na sua capacidade de mostrar de uma maneira sistemática,baseada em critérios claramente definidos e passíveis de replicação e reprodução, umamedida do estado do meio ambiente, ainda que os resultados não reflitam de uma formaabsoluta, as condições ambientais (Cendrero et al. 2004, Revenga 2005). Trata-se de uminstrumento que permite o estudo de uma situação complexa, resultante da combinação demuitas variáveis, em grande parte difíceis de definir, subjetivas e condicionadas pela percepçãosocial.O objetivo do trabalho é discutir a definição e aplicação de indicadores/geoindicadores nagestão de áreas degradadas e de bacias hidrográficas com especial referência ao Litoral Nortedo Estado de São Paulo (Figura 1).2 O MODELO FPEIR APLICADO A GESTÃO DE BACIASHIDROGRÁFICASO Relatório de Situação dos Recursos Hídricos é um instrumento de gestão cujo principalobjetivo é a avaliação da eficácia do Plano Estadual de Recursos Hídricos e dos Planos deBacias Hidrográficas. A Lei Estadual 7.663/91, em seu Artigo 19, define que os relatórios
  3. 3. 3deverão conter no mínimo a avaliação da qualidade das águas e o balanço entredisponibilidade e demanda, e que devem contemplar também a avaliação do cumprimento dosprogramas previstos nos Planos de Bacias Hidrográficas e de Recursos Hídricos, e aproposição de eventuais ajustes dos programas. Figura 1- A bacia hidrográfica do Litoral Norte e suas 34 sub-bacias. Os limites entre as planícies litorâneas e as encostas estão representados pelas linhas finas.A metodologia adotada para elaboração dos Relatórios de Situação 2008 e 2009 dos 21Comitês de Bacia do Estado de São Paulo seguiu o modelo FPEIR discutido e definido emsetembro de 2007 em oficina de gestão dos comitês de bacias. O Quadro 1 mostra o modelo eindicadores adotados, dentre os quais destacam-se como geoindicadores presentes na relaçãode Berger (1997) a qualidade das águas superficiais e subterrâneas e a erosão de solos esedimentos. Em relação a este tema, o Relatório de Situação identifica os indicadores área desolo exposto e quantidade de feições lineares erosivas, além da quantidade de sedimentosproduzidos.Ferreira et al. 2008a quantificam a degradação ambiental em áreas de exploração de saibro emUbatuba utilizando, entre outros os indicadores solo exposto e traços erosivos lineares. Essetrabalho foi estendido para os demais municípios do Litoral Norte, assim como ampliado seuescopo, para analisar as encostas das 34 sub-bacias hidrográficas que formam a área deabrangência do Comitê de Bacias do Litoral Norte (Figura 1).
  4. 4. 4Quadro 1- Indicadores dos Relatórios de Situação dos Comitês de Bacias do Estado de São Paulo.
  5. 5. 52.1 A evolução do indicador solo exposto na UGRHI 3 – Litoral Norte.O principal instrumento de organização, tratamento e análise dos dados foi o pacote SIGSPRING versão 5.04 (Câmara et al. 1996). Nos bancos de dados criados, foram incluídosplanos de informação contendo os limites administrativos da região, as curvas de nível, asimagens digitais orto-retificadas de 2001 com resolução de 1m, os limites das sub-baciashidrográficas e de seus setores de encostas. Esses limites foram redigitalizados para a escala1:10.000, escala adotada para o trabalho, com base nos limites estabelecidos no Plano deBacia do Comitê do Litoral Norte (IPT 2001).Para a caracterização da evolução do indicador solo exposto utilizou-se fotografias aéreas não-ortorretificadas em papel dos anos de 1966, escala 1:60.000, 1973, escala 1:45.000, 1977,escala 1:45.000 e ortofotos digitais de 2001, resolução 1m. As fotografias aéreas em papelpassaram por: 1) scaneamento em formato TIFF na resolução de 600 dpi e modomonocromático; 2) transformação para o formato nativo do SPRING por meio do móduloIMPIMA, 3) Georreferenciamento com base nas ortofotos digitais de 2001. A quantificação doindicador solo exposto incluiu as etapas de: a) recorte inicial da imagem, b) segmentação, c)treinamento, d) classificação, e) mapeamento de classes para imagem temática e f) medidasde classes para mapa temático matricial (Figura 2).Figura 2- Principais etapas no processamento de imagem para obtenção dos indicadores Solo Exposto e Vegetação Herbácea-Arbustiva. A, B, C: recortes iniciais; D: segmentação; E: classificação; F: medidas de classes.O estudo tomou como unidade de análise, na escala 1:10.000, prioritariamente, apenas asencostas das 34 sub-bacias hidrográficas que compõem o Litoral Norte, postergando oentendimento do indicador solo exposto para as planícies litorâneas para o futuro,considerando a alta complexidade de sua ocupação. Essa opção leva em conta que odesmatamento e a exposição do solo nas encostas, não se coadunam com a função social da
  6. 6. 6região, de preservação integral da natureza e do turismo costeiro e ecológico, onde ascaracterísticas naturais têm grande valor.O recorte inicial da imagem teve como objetivo limitar as operações subsequentes aos limitesdas sub-bacias, além de agilizar o tempo de processamento. Deve-se salientar que apenas asáreas abandonadas ou negligenciadas quanto à um uso específico foram consideradas nasanálises, ou seja, ocupações humanas, tais como residências, estradas, plantios e grandesequipamento situados nas encostas foram excluídas.As áreas obtidas no final do processo representam a soma dos pixels classificados emapeados nas classes Solo Exposto. Os valores foram obtidos pela ferramenta “Medidas declasse” e exportados para planilha eletrônica. Na segmentação aplicou-se o método decrescimento de regiões e foram utilizados limiares de similaridade e de área de 20 e 80respectivamente. Para a classificação da imagem segmentada, optou-se pela uso do algoritmoBhattacharya com limiar de aceitação de 99,9%. Esse método requer a realização da etapa de“treinamento”, ou seja a obtenção prévia de amostras das classes para o algoritmo. Obteve-seao mesmo tempo, as áreas de vegetação herbácea-arbustiva que também são indicativas dadegradação ambiental, considerando que a a região é constituída por áreas de conservaçãointegral de mata Atlântica.A indisponibilidade de fotografias aéreas atingiu parcialmente ou totalmente algumas sub-bacias, principalmente em relação às fotografias do ano de 1966. Esse fato prejudica a análiseda variação do valor global absoluto das áreas degradadas por ano, no entanto oscomportamentos evolutivos relativos podem ser feitos comparando os diferentes conjuntos deamostragem como mostra a Tabela 1.Tabela 1. Evolução global dos indicadores Solo Exposto e Vegetação Herbácea-Arbustiva emrelação aos diferentes conjuntos de amostragem. N° de sub-bacias Vegetação Herbácea- Período Solo Exposto Total amostradas Arbustiva1966-2001 15 -79,26% -55,11% -60,95%1966-1977 15 -4,06% +13,43% +9,20%1966-1973 14 +52,21% +7,26% +17,08%1973-2001 29 -76,84% -49,41% -55,94%1973-1977 29 +26,86% +2,69% +8,45%1977-2001 33 -79,34% -41,78% -52,60%Em termos globais, nos diversos períodos analisados (1966-2001, 1973-2001, 1977-2001),independentemente do número de sub-bacias amostradas, verifica-se uma recuperaçãoambiental das encostas do Litoral Norte com a diminuição das áreas de solo exposto e davegetação herbácea em favor do ressurgimento de matas ou em proporção reduzida ainstalação de equipamentos urbanos ou de circulação (residências, ruas, estradas, etc). Adiminuição do solo exposto variou entre -76,84 a -79,34%, dependendo da amostragem, avegetação herbácea variou entre -41,78% a -55,11% e valores totais entre -52,60 a -60,95%.No entanto, essa tendência não é constante, pois observa-se um aumento de 52,1% do soloexposto entre 1966 e 1973 no conjunto de 14 sub-bacias analisadas e de 26,86% no parâmetrosolo exposto, no período entre 1973 e 1977 quando analisa-se um conjunto de 29 sub-bacias.A Figura 3 mostra a variação dos valores individuais da área de solo exposto para cada sub-bacia. Observa-se que todas elas mostram diminuição do solo exposto para o ano de 2001, no
  7. 7. 7entanto ocorrem variações importantes nos padrões evolutivos. Para o período 1966-1973,observa-se para as 14 sub-bacias amostradas, no geral um aumento da relação soloexposto/área do setor de encosta, ainda que a intensidade, dada pela inclinação da reta, sejamdiversas. No entanto, um padrão oposto é apresentado pelas sub-bacias da extremidade sul deSão Sebastião, 23 Rio Camburi, 24 Rio Barra do Saí, 25 Rio Juquei e 26 Rio Una. Quando seanalisa o período entre 1973 e 1977, observa-se que sub-bacias com alto índice de soloexposto em 1973 mostram quedas acentuadas, exceto a sub-bacia 8 Perequê-Mirim, emUbatuba, que mantém o índice praticamente constante, mas por outro lado, a maioria das sub-bacias (14 entre 29) mostra um aumento do índice solo exposto, principalmente às de SãoSebastião. Figura 3- Variação do indicador Solo Exposto normalizado pela área do setor de encosta para cada sub-bacia do Litoral Norte. Para localização das sub-bacias ver Figura 1.2.2 Quantificação do indicador traços erosivos na UGRHI 3 – LitoralNorte.Para a quantificação do indicador traços erosivos foi utilizada a mesma organização de bancode dados descrita anteriormente. Utilizou-se como base para a interpretação, ortofotos digitaisde 2001, de resolução 1m. Não foi possível a obtenção de informações para as fotografiasaéreas de 1966, 1973 e 1977 devido a baixa resolução.O estudo tomou como unidade de análise, na escala 1:3.000, prioritariamente, as 321 áreascadastradas de extração de saibro e rocha dos setores de encosta do Litoral Norte (Ferreira2006, Ferreira et al. 2008a,b; Ferreira et al. 2006, Ferreira e Guedes, 2009), por considerá-lasrepresentativas da situação geral das sub-bacias hidrográficas quanto aos processos erosivos.Processos erosivos lineares e formação de vossorocas ocorrem frequentemente nos sítios
  8. 8. 8minerados, causados pela combinação de situações de solo exposto, taludes irregulares eíngremes e chuvas de forte intensidade. O dado foi obtido pela digitação de linhas com basenas imagens, sem diferenciação quanto a largura e profundidade. A quantificação do indicadorfoi calculada pela soma de todos os conjuntos de linha presentes em cada polígono da sub-bacia pela ferramenta Operações Métricas do SIG SPRING (Figura 4). Figura 4- Principais etapas na obtenção do indicador traços erosivos lineares. A: imagem inicial; B: Digitalização dos traços erosivos; C: medidas de classes.A Figura 5 mostra os resultados obtidos. A grande maioria das sub-bacias apresenta oindicador traços erosivos, normalizado pela área da encosta, menor que 20m/km 2, enquantoapenas seis delas atingem valores entre 80 e 200m/km 2, com destaque para as sub-bacias 17São Francisco e 29 Ilhabela/Cachoeira. Figura 5- Variação do indicador Traços erosivos entre as sub-bacias hidrográficas da UGRHI Litoral Norte. Para localização das sub-bacias ver Figura 1.
  9. 9. 93 O PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO SITUACIONAL (PES) APLICADOA PROBLEMAS GEOAMBIENTAISO Planejamento Estratégico Situacional aplica-se ao planejamento estratégico público e seutema são os problemas públicos. Ele trata a realidade como a ação de vários atores em umjogo de conflito e cooperação em um ambiente de recursos escassos (econômicos, políticos,cognitivos e organizativos) e de fortes incertezas (Matus, 1991, 1996; Huertas, 1996).O desenvolvimento de um plano por meio do método PES tem como base quatro momentos: 1) Momento Explicativo: foi, é, tende a ser; etapa de construção de explicações para fundamentar a própria ação e inferir e compreender a ação dos oponentes; a apreciação situacional conduz aos objetivos, e estes à seleção de problemas; 2) Momento Normativo ou Prescritivo: deve ser; fase da seleção das operações e ações necessárias para atingir os objetivos; reconhece a existência de incertezas e surpresas, trabalhando com cenários e planos de contingência; 3) Momento Estratégico: pode ser do deve ser; etapa de construção da viabilidade do plano; explora os diversos modo de jogar, considerando os oponentes e os aliados criando condições para o sucesso do plano; 4) Momento Tático-Operacional: fazer e recalcular; etapa da ação e adaptação do plano às circunstâncias; como agir de forma planejada, reduzindo a improvização e evitar planejar o que não se faz e fazer o que não se planeja.Em relação ao momento Explicativo, o método exige a construção de um modelo qualitativo doproblema abordado de forma gráfica, denominado fluxograma situacional (Quadro 2) quediferencia e relaciona causas e os indicadores do problema. Quadro 2- Modelo de fluxograma situacional de um problema segundo o método PES.
  10. 10. 103.1 Indicadores da degradação ambiental devido à extração de saibroem UbatubaFerreira et al. (2005) apresentam o fluxograma situacional para o problema da degradação dapaisagem e dos recursos naturais devido à extração de saibro em Ubatuba como representadono Quadro 3. O problema é apresentado com base em três vertentes: degradação ambiental,perigos geológicos e situações de risco e produção do bem mineral suficiente para atender ademanda local. Os indicadores escolhidos que dão o placar do jogo, foram, número de áreasdegradadas, número de acidentes relacionados a movimentos de massa e produção de saibro.As causas foram identificadas e classificadas como regras, acumulações e fluxos comdestaque para o despreparo do poder público municipal para realizar a gestão da atividade demineração de bens de uso exclusivo para a construção civil e a complexidade do licenciamentoambiental em uma região voltado à conservação ecológica integral.Ferreira et al. (2008) refinam o diagnóstico da degradação ambiental por meio de suaquantificação. Os indicadores da degradação escolhidos foram área solo exposto, área devegetação herbácea-arbustiva, traços erosivos lineares e traços de quebra da encosta,representativos da irregularidade do terreno. Os indicadores relacionam-se ao modelo deextração de saibro, caracterizado pelo desmatamento, escavação da encosta e retirada dematerial, construção de bermas e taludes e desenvolvimento de processos erosivos,concomitantemente ou após o abandono das atividades. Desse estudo, resultou ahierarquização de 22 áreas classificadas com muito alto índice de degradação, consideradasprioritárias para a recuperação.Ferreira e Fernandes-da-Silva (2008) abordam a questão do potencial mineral e definem umíndice de aproveitamento mineral para as 116 áreas degradadas cadastradas, no qual leva-seem conta, além do volume de saibro disponível, função basicamente de variáveis topográficas,também variáveis relativas a restrições legais e de uso e ocupação do solo.Ferreira et al. (2009) apontam diretrizes para a recuperação sócio-ambiental de áreasdegradadas pela extração mineral, Ubatuba, levando em conta os índices de degradação e deaproveitamento mineral, assim como a análise de risco efetuada para cada um dos sítios(dados inéditos). Definiu-se um índice de criticidade para cada sítio que foi entãocorrelacionada a oito classes de uso do solo. As diretrizes de recuperação para as áreasmineradas foram reunidas em 10 tipos de recomendações, envolvendo entre outros, aimplementação de pequenos projetos de instalação de facilidades e instalações públicas ouprivadas, restauração da mata nativa, medidas de cuidados simples, rotineiros, deconservação, limpeza, implementação de pequenas melhorias, revegetação com gramíneas,conclusão de obras já iniciadas e controle das águas superficiais associadas com melhoria dainfra-estrutura urbana em áreas de muito baixa criticidade, implantação de projetosparticipativos, obras de redução de riscos, uso para agricultura, aproveitamento do potencialmineral, grandes projetos e implementação das medidas de recuperação já em andamento.3.2 Indicadores de desastres naturais no Estado de São PauloO quadro 4 mostra o fluxograma situacional da questão dos desastres naturais no Estado deSão Paulo. Os indicadores selecionados foram número de ocorrências, número de óbitos,número de pessoas afetadas e prejuízos materiais. As causas imediatas indicadas são asocupações irregulares de áreas perigosas, inadequação técnica de ocupações, deficiência nossistemas de alerta e falta de percepção do risco, oriundas de acumulações e regras, quemostram a deficiência do planejamento territorial e das estruturas institucionais.
  11. 11. 11Quadro 3- Fluxograma situacional aplicado à questão das áreas degradadas pela extração de saibro em Ubatuba. Modificado de Ferreira et al. (2005).
  12. 12. 12Quadro 4- Fluxograma situacional aplicado à questão dos desastres naturais no Estado de São Paulo.
  13. 13. 13A questão dos indicadores de desastres naturais foi apresentada por Brollo e Ferreira (2009) eFerreira et al. (2010) que revelam que não há um registro histórico sistemático das ocorrênciasde desastres no Estado de São Paulo, que retratem a extensão dos problemas e suasconsequências, permitindo a eficaz gestão deste tipo de situação. No entanto, foi possívelcaracterizar o tema quanto ao número de acidentes, óbitos e pessoas afetadas.Para o período de 2000 a 2008, foram registrados 1.861 acidentes relacionados a vários tiposde desastres: 367 escorregamentos, 944 inundações (e processos similares de enchentes,transbordamentos, alagamentos), 65 raios, 485 acidentes diversos (chuvas fortes, vendavais,desabamentos de casas e muros, etc). Os óbitos atingiram 225 registros e o número depessoas afetadas 50.347 registros, dentre desabrigados e desalojados. A UGRHI Alto Tietêdetém, para este período, o maior número de acidentes, 567 e de óbitos, 77. Quanto aonúmero de pessoas afetadas, a UGRHI Ribeira de Iguape/Litoral Sul envolveu 18.327 pessoas,grande parte em consequência de inundações. Não foi possível quantificar os prejuízosmateriais no período.4 DISCUSSÃOO uso de indicadores na gestão ambiental, incluindo a gestão de bacias hidrográficas e deáreas degradadas, assume importância cada vez maior por sua capacidade de medirmudanças e condições do meio ambiente e sintetizar entendimentos técnicos, políticos, sociaisdiversos.Os comitês de bacias hidrográficas do Estado de São Paulo utilizam há dois anos consecutivos(2008-2009) o modelo FPEIR de indicadores para elaboração do Relatório de Situação Anual.O processo ainda está em desenvolvimento, porém uma crítica já se faz, para o número muitogrande de indicadores analisados, que atinge 142, distribuídos nos diversos campos causais. Ofluxograma situacional do método PES tem estrutura causal comparável, mas propõe a seleçãode poucos indicadores que consigam demonstrar efetivamente a situação que se quer mudar, oplacar do jogo. Esta pode ser uma alternativa na gestão das bacias hidrográficas,economizando assim recursos consideráveis para a obtenção, organização e análise dedezenas de indicadores, e permitindo a concentração de esforços em indicadores de impacto.Os geoindicadores propostos por Berger (1997), ainda que representem mais temas do queparâmetros claramente definidos, norteiam a seleção destes e vêm sendo incorporados aosinstrumentos de gestão ambiental, como por exemplo, os relatórios de situação dos comitês debacias hidrográficas que incluem o tema Erosão do Solo e de Sedimentos e Qualidade dasÁguas Superficiais e Subterrâneas. As próprias cartas geológico-geotécnicas vêm adquirindoum novo conceito com o uso de geoindicadores para medir a evolução de unidades geo-ambientais (Cendrero et al. 2004, Zuquete et al. 2007).Os dados de solo exposto e traços erosivos obtidos para o Litoral Norte foram capazes dedefinir as sub-bacias hidrográficas críticas e de promover o entendimento da evolução dosprocessos degradadores de suas encostas no período 1966-2001, tendo como destaque atendência geral de diminuição da degradação, que pode ser creditada sem dúvida à criação doParque Estadual da Serra do Mar, em 1977, e a sub-tendência de aumento para os anos de1973 e 1977, marcados pela construção e modernização dos principais acessos da região(rodovia BR-101).Dentre os indicadores dos desastres naturais no Estado de São Paulo, carece de pesquisa, olevantamento dos prejuízos materiais decorrentes das dezenas de acidentes anuaisrelacionados a eventos de escorregamentos, inundações e temporais.
  14. 14. 145 CONCLUSÕESIndicadores/geoindicadores são utilizados para avaliar e monitorar as condições ambientais emdiversos modelos sistêmicos causais, dentre os quais, o método FPEIR e o método PES. Elespodem tornarem-se ainda importantes aliados da carta geotécnica ao permitir acompanhar aevolução de unidades geoambientais mapeadas. O problema do grande número de parâmetrosindicadores exigidos pelo método FPEIR na gestão de bacias hidrográficas, áreas degradadase de risco pode ter como alternativa viável a adoção de indicadores de impacto, o placar dojogo, como proposto pelo método PES, em seu fluxograma situacional. A quantificação deindicadores da degradação do Litoral Norte e de desastres naturais no Estado de São Paulomostram, respectivamente, a importância da instalação do Parque Estadual da Serra do Mar narecuperação e preservação ambiental da região e como a questão dos desastres naturais noEstado de São Paulo, assumiu um caráter de problema estratégico, a ser enfrentadoadequadamente pela sociedade.Agradecimentos A FAPESP pelo apoio financeiro a projeto de pesquisa em políticaspúblicas (processo 03/07182-5) e bolsa de pós-doutorado no exterior (processo 07/03009-8).6 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICASBERGER, A.R. Assessing rapid environmental change using geoindicators. EnvironmentalGeology, 32:36-44, 1997.BRASIL. Ministério do Meio Ambiente. Agenda 21 global. 2010. Disponível em:<www.mma.gov.br/sitio/index.php?ido=conteudo.monta&idEstrutura=18&idConteudo=883>.Acesso em: 01 jun. 2010.BROLLO, M.J. & FERREIRA, C.J. Indicadores de desastres naturais no Estado de São Paulo.In: SIMPÓSIO DE GEOLOGIA DO SUDESTE, XI, Águas de São Pedro, SP, 2009. Anais. SãoPaulo: Sociedade Brasileira de Geologia. 2009. p. 125.CÂMARA, G.; SOUZA, R.C.M.; GARRIDO, J. SPRING: Integrating remote sensing and GIS byobject-oriented data modelling. Computers & Graphics,20:395-403, 1996.CENDRERO, A., FRANCES, A., DEL CORRAL, D. Environmental quality indices: a tool forassessing and monitoring geoenvironmental map units. In: SIMPÓSIO BRASILEIRO DECARTOGRAFIA GEOTÉCNICA, 5, 2004, São Carlos, Anais. São Paulo: Associação Brasileirade Geologia de Engenharia e Ambiental, 2004, p. 525 –564.CHAVES, H.M.L.; ALIPAZ, S. An Integrated Indicator Based on Basin Hydrology, Environment,Life, and Policy: The Watershed Sustainability Index. Water Resour Manage, 21:883–895,2007.FERREIRA, C.J. Hazards related to small mining of minerals for use in construction (sand,stone and residual soil) in the North Coast of State of Sao Paulo, Brazil. In: INTERNATIONALDISASTER REDUCTION CONFERENCE, 2006, Davos. Proceedings. Birmensdorf and Davos:Swiss Federal Research Institute WSL, 2006. v. 1. p. 250-250.FERREIRA, C.J.; FERNANDES-DA-SILVA, P.C. O uso de sistema de informações geográficasna priorização de áreas para aproveitamento mineral de saibro em áreas degradadas. Revistado Instituto Geológico, 29 (1/2): 19-31, 2008.
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