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01 sentimentos e emoções no comportamento humano

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01 sentimentos e emoções no comportamento humano

  1. 1. SENTIMENTOS E EMOÇÕES NO COMPORTAMENTO HUMANO Maria das Graças Teles Martins* RESUMO O presente artigo tem o objetivo de descrever sobre as emoções e os sentimentos. Apontamos alguns conceitos, classificações, teorias e funções das emoções e dos sentimentos no comportamento humano. As emoções podem ser vistas como um conjunto de reações fisiológicas e psicológicas, provocadas por estímulos internos-pensamentos ou recordações ou provocadas por estímulos externos-vindos do ambiente. Palavras-Chave: Emoções, sentimentos, psicologia. Introdução “Não temos por que esconder nossas emoções. Elas são nossa própria vida, uma espécie de linguagem na qual expressamos percepções internas... são fortes, intensas, mas não imutáveis” (Bock, 2002). As emoções tem sido fonte de muitas pesquisas ao longo dos últimos anos por se tratar de um tema presente e marcante na vida humana. Os cientistas definem emoção como um sistema que envolve variáveis subjetivas, fisiológicas, expressivas e comportamentais. A psicologia aponta
  2. 2. que o ser humano traz ao nascer algumas emoções básicas como o medo, a tristeza, a raiva e a alegria que geram inúmeros sentimentos. Todos eles têm uma função importante em nossas vidas. As emoções são reações psicofisiológicas, que representam modos eficazes de adaptação face às mudanças ambientais, contextuais e/ou situacionais. Em termos psicológicos, as emoções e os sentimentos alteram a atenção e elevam o nível de determinados comportamentos na hierarquia de respostas do indivíduo em seu ambiente. Não é fácil lidar com as emoções e sentimentos, pois elas estão presentes com muita frequência em nossa vida, quer sejam positivas ou negativas. A maioria dos seres humanos ainda tem dificuldade de canalizar as emoções de forma inteligente, principalmente as negativas. Para a psicologia, os sentimentos desempenham um papel muito importante, porque são eles que acionam todos os pensamentos e a materialização das ações. A força criativa não é acionada diretamente pelo pensamento, pois toda ação criativa é decorrente de um sentimento. Já o comportamento humano é orientado, basicamente, para a busca do prazer ou para o afastamento da dor e nossas emoções e sentimentos fazem com que busquemos algo satisfatório, ou então fazem com que evitemos a insatisfação. Neste caso, temos dois tipos de emoção: aquelas que nos impulsionam e aquelas que nos retraem. Assim, sentimentos e emoções influenciam nosso comportamento, pois nossa relação com o mundo não é só cognitiva é também emocional. Quando abordamos os processos emocionais surge o conceito de afeto, que é expresso através das emoções e dos sentimentos. Os Sentimentos “os sentimentos são a essência viva da alma” (Goethe). Os sentimentos são informações que os seres biológicos são capazes de sentir nas diferentes situações que vivenciam. Por exemplo, medo é uma informação de que há risco, ameaça ou perigo direto para o próprio ser ou para interesses correlatos (Wikipédia, 2013).
  3. 3. Todo ser humano é dotado de sentimentos e eles são diferentes entre si. A parte do cérebro que processa os sentimentos e emoções é denominada a de sistema límbico. Sendo alvo do estudo da medicina, biologia, filosofia e psicologia. O termo sentimento é muito usado para designar uma disposição mental ou algum propósito de uma pessoa para outra. Sendo assim, os sentimentos seriam ações decorrentes de uma decisão, além das sensações físicas que são sentidas como consequência de amar, por exemplo. As Emoções “Se chorei ou se sorri. O importante é que emoções eu vivi” (Emoções-Roberto Carlos). Emoção é uma experiência subjetiva, associada ao temperamento, personalidade e motivação. A palavra é originária do latim emovere, onde o e- (variante de ex-) significa 'fora' e movere significa 'movimento'. As emoções podem dividir-se ou ramificar-se em forma de atitudes que as distinguem. Assim, [...] A emoção é uma experiência subjetiva que envolve a pessoa toda, a mente e o corpo. É uma reação complexa desencadeada por um estímulo ou pensamento e envolve reações orgânicas e sensações pessoais. É uma resposta que envolve diferentes componentes, nomeadamente uma reação observável, uma excitação fisiológica, uma interpretação cognitiva e uma experiência subjetiva (Pinto, 2001). Emoções são conhecidas por serem relacionadas com atividade cerebral em áreas relacionadas com a atenção, motivação do comportamento, e determina o que é relevante para os seres humanos. Uma emoção propriamente dita é uma série de respostas químicas e neurais que formam um padrão diferente (DAMÁSIO, 2000). Damásio (2000) estabeleceu uma relação entre a racionalidade e as emoções. Para ele, as emoções não conseguem ser reproduzidas por uma máquina, pois esta não tem a competência de racionalidade. A emoção juntamente com a razão ajuda-nos a tomar a melhor decisão. Uma abordagem neurológica, descrita em Bud Craig (2003), distingue entre duas classes de emoção: "Emoções clássicas", que incluem luxúria, raiva e medo, e eles são sentimentos evocados
  4. 4. por um estímulo ambiental, cada um motivado por nós (como, por exemplo, respectivamente, sexo/luta/fuga); "Emoções homeostáticas humanas” que são sentimentos evocados por estados internos corporais, cada um modulando nosso comportamento. Nesse sentido, a sede, fome, sentido de calor ou frio, sentimento de sono, desejo de sal e ar, são exemplos de emoções homeostáticas. Magalhães (2009) e Klaus Scherer (2005) expõem a emoção como uma categoria mais geral de “estados afetivos”. Para eles, os estados afetivos podem também incluir fenômenos relacionados, como o prazer e a dor, estados motivacionais (fome e curiosidade), temperamentos, disposições e peculiaridades do indivíduo. Alguns autores afirmam que o comportamento humano muda com as emoções e que durante a emoção, o comportamento pode ser: • Imediato: caracterizado por reações imediatas de curta duração como surpresa, vergonha e outros. • Secundário: caracterizado pela preparação da adaptação de circunstâncias como tranquilidade ao receber uma notícia, abatimento e outros. • Permanente: no qual o organismo exprime somente sentimentos bons e paixões, anulando os desagradáveis. Classificação das emoções Não existe uma classificação precisa para emoções e sentimentos, mas há consenso entre os profissionais da psicologia que consideram alegria, tristeza, medo e raiva como emoções fundamentais. A característica e intensidade da emoção depende do objeto que a desencadeia e, mesmo que as reações orgânicas que aparecem pareadas a uma emoção forem induzidas por injeção de hormônios ou outras drogas, por exemplo, a emoção sentida frente a um objeto ameaçador será distinta da induzida artificialmente. Na classificação das emoções, Damásio (2000) as divide em primárias e secundárias. As primárias são inatas, evolutivas e partilhadas por todos, enquanto as secundárias são sociais e resultam da aprendizagem. Emoções Primárias:
  5. 5. As emoções primárias (o medo, a raiva, a tristeza e a alegria) são inatas e estão ligadas à vida instintiva, à sobrevivência. Haverá concomitante contração generalizada dos músculos flexores, sendo possível adotar-se uma atitude regressiva fetal, vasoconstricção periférica, palidez da face e esfriamento das extremidades, com brevíssima parada dos movimentos respiratórios e dos batimentos cardíacos (BALLONE, 2005). As emoções primárias podem ser adaptativas ou desadaptativas. Emoções Primárias Adaptativas são: raiva, tristeza e medo. Tais emoções possuem uma relação com a sobrevivência e ao bem-estar psicológico. São aquelas rápidas quando aparecem e mais velozes ainda quando partem. As Emoções Primárias Desadaptativas, são as emoções das quais as pessoas lamentam tê- las expressado de maneira tão intensa ou equivocada e frequentemente se arrependem (ABREU, 2005). Emoções secundárias: São estados afetivos de estrutura e conteúdos mais complexos que as primárias. Na realidade as emoções secundárias, embora levem o nome de "emoções", já se constituem em Sentimentos sensoriais. [...] As emoções secundárias são aquelas que, ao atingirem a amídala e produzirem uma emoção, sofrem a influência e o possível domínio do córtex cerebral, mudando sua natureza primária. Neste sentido, estas emoções tornam-se respostas ou evitações (intelectualizadas) às emoções primárias (ABREU, 2005). Abreu faz notar que as emoções secundárias tornam-se então uma categoria de emoções usadas pelo indivíduo para se proteger das primárias que muitas vezes são vergonhosas, ameaçadoras, embaraçosas ou dolorosas por natureza. Assim, [...] uma pessoa pode estar se sentindo deprimida, mas sua depressão pode estar encobrindo um sentimento primário de raiva. Aparecem frequentemente quando ocorrem as tentativas (fracassadas) de controle ou julgamento das emoções primárias – ou seja, quando se procura evitar ou negar aquilo que se está sentido, acaba-se por sentir-se mais mal ainda. É assim que se tornam desadaptativas, pois levam o indivíduo a se autodesorganizar (ABREU, 2005).
  6. 6. Outros autores apontam que há dois tipos de emoção: Emoção-choque: caracterizada por um curto período, relacionada a um imprevisto; Emoção-sentimento: caracterizada por períodos duradouros e intensos, designados apenas por sentimentos. Esclarecem que as emoções estão presentes em todas as formas de arte (na literatura, no cinema, no teatro, na dança, etc.). A emoção acontece quando o córtex cerebral recebe informações fisiológicas. Ao término desses recebimentos, o organismo continua reagindo emocionalmente durante algum período, fazendo com que se acredite no envolvimento de outros fatores relacionados à emoção. As emoções afetam toda a vida do ser humano : os pensamentos, os sonhos, as relações humanas, as decisões, as escolhas, etc. Invadem a alma, o intelecto, o corpo. Atiçam a imaginação e servem de tema e energia aos sonhos. Teorias das emoções “Estamos emocionados porque nosso corpo se emociona” (William James-Fisiologista). As emoções constituem um aspecto complexo presente no ser humano e são objetos de várias interpretações que se organizam em várias perspectivas. Diferentes teóricos buscam justificar as emoções com diferentes hipóteses. As teorias cognitivistas afirmam que os processos cognitivos, como as percepções, recordações e aprendizagens, são fundamentais para se perceberem as emoções. Determinada situação provoca uma reação fisiológica e procuramos identificar a razão (compreender) dessa excitação fisiológica de modo a nomear a emoção que lhe corresponde. Para Epiceto “estamos emocionados porque pensamos” (hipótese cognitivista). Pereira, na perspectiva Culturalista, esclarece que as emoções são comportamentos apreendidos no processo de socialização e que cada cultura possui diferentes formas de exprimir as diferentes emoções. Para ele, as emoções são uma construção social que exige aprendizagem e que, por essa razão, dependem da cultura em que o indivíduo está inserido. Para Margareth Mead “estamos emocionados porque é cultural” (hipótese culturalista), uma emoção é um papel social aprendida em sociedade, mas com diferentes significados nas culturas. O tipo de emoções que se manifesta em cada situação, a forma como são demonstradas, e o conjunto de regras que cada cultura explicita, é própria em cada e para cada uma delas. Assim
  7. 7. como há uma linguagem da emoção específica que é reconhecida por todos aqueles que nela estão inseridos. Casanova et alli, (2009) afirma que para os partidários da abordagem culturalista, a emoção é um papel social que aprendemos num certo tipo de sociedade, o que supõe que outras pessoas criadas em outros lugares sentirão e expressarão emoções diferentes. O psicólogo e filósofo William James esclarece que “a emoção é a sensação”. Para ele trememos porque temos medo e choramos porque estamos tristes. Assim, as funções das emoções em nossa vida são de fundamental importância porque podem fornecer o equilíbrio ao organismo. Entre as funções das emoções podemos citar: Prepara-nos e motiva-nos para ações; possibilita avaliarmos os estímulos do ambiente de maneira extremamente rápida, ajuda no controle das relações sociais; são formas de expressão típicas que indicam aos outros as próprias intenções (quando alguém sorri para nós, automaticamente supomos que tem uma postura amigável (NEWEN, 2009). Essas emoções também são capazes de mobilizar o sistema nervoso autônomo (SNA), órgãos e sistemas. Influenciam a saúde não apenas em decorrência da psico-neuro-fisiologia, mas também através de suas propriedades motivacionais, de condutas saudáveis, tais como os exercícios físicos, a dieta equilibrada, etc. (BALLONE, 2007). Outros autores, entre eles, Vaz Serra (2007) realça que as emoções são extremamente importantes numa perspectiva biológica, psicológica e social. Sob o ponto de vista biológico induzem modificações corporais. Quando ocorrem, alteram o traçado eletroencefalográfico, a tensão dos músculos, a ativação do sistema nervoso vegetativo e certas secreções hormonais, nomeadamente da adrenalina, da insulina, dos corticosteroides e da tiroxina. Numa perspectiva psicológica modificam características intelectuais, entre as quais se contam a percepção, o pensamento, a memória, a atenção, a capacidade de concentração, a consciência crítica ou as fantasias. No ponto de vista social, desempenham um papel muito significativo na motivação humana e podem influenciar aspectos variados que vão desde a personalidade, às relações sociais, ao maior ou menor empenho num curso profissional, à vida sexual, à ascensão numa carreira ou à própria maneira de viver. As emoções e sentimentos no comportamento humano
  8. 8. Existe uma distinção entre a emoção e os resultados da emoção, principalmente os comportamentos gerados e as expressões emocionais. As pessoas frequentemente se comportam de certo modo como um resultado direto de seus estados emocionais, como chorando, lutando ou fugindo. As emoções e sentimentos aqui descritos são alguns exemplos do que ocorre no nosso cérebro quando são revestidos de certas emoções: -Raiva: Quando alguém se sente enraivecido toma atitudes violentas como, por exemplo, disparar um tiro sobre alguém. A adrenalina entre outras hormonas é segregada pelos fortes batimentos cardíacos que levam o indivíduo a estas atitudes violentas; -Medo: o sangue nesta situação corre para todos os músculos mais rapidamente permitindo a fuga e movimentos rápidos. No entanto, o corpo imobiliza-se ainda que por um espaço de tempo muito breve, talvez para permitir ao indivíduo a possibilidade de pensar em agir ou fugir. O corpo fica pronto para agir em alerta permanente. -Amor: os sentimentos de afeição e satisfação sexual implicam estimulação parassimpática, que, ao contrário dos outros exemplos provoca um estado geral de calma e satisfação, facilitando a cooperatividade em vez de fugir ou defender-se; -Felicidade: inibe o aparecimento de sentimentos negativos e favorece o aumento da energia existente. No entanto não ocorre nenhuma mudança particular na fisiologia, a não ser uma tranquilidade que faz com que o corpo se recupere rapidamente do estímulo causado por emoções perturbadoras. Este estado de tranquilidade dá ao indivíduo uma predisposição para executar com entusiasmo e motivação qualquer tarefa que surja. -Tristeza: surge aquando de uma grande perda como a morte de alguém ou decepção significativa. A tristeza acarreta uma perda de energia e de entusiasmo pelas atividades da vida, em particular por diversões e prazeres. Quando a tristeza é profunda aproxima-se de depressão, a velocidade metabólica do corpo fica reduzida. Esse retraimento introspectivo cria a oportunidade para que surja lentamente uma perda ou frustração. Outros autores afirmam que a mente subconsciente é a sede de todas as emoções, de todos os sentimentos. A mente consciente é apenas uma área mental onde são registrados as emoções e os sentimentos já experimentados. Esta é a razão porque as emoções e os sentimentos gravados na mente subconsciente se manifestam com tanta força.
  9. 9. A raiva, por exemplo, é um estado que resulta de uma quantidade excessiva de adrenalina na corrente sanguínea. Para Susan Andrews, psicóloga e autora do livro “Stress a seu favor”, quanto mais o individuo repete este estado, e reprime-o, mais propenso ficará a ter hipertensão, insônia e enfraquecimento do sistema imunológico. Já o medo, é uma resposta psicofisiológica a situações ameaçadoras, e quanto mais se repete este estado, mais o hormônio adrenocorticotrófico será produzido no organismo, preparando o individuo para “fuga”, ou “luta”. Abraham Maslow (Harvard) referindo-se a valores inatos, faz notar que todos os seres humanos nascem com um senso de valores pessoais positivos e negativos, sendo atraídos por tais valores. Os valores positivos são: honestidade, justiça, verdade, beleza, vigor, poder, ordem, inteligência e o humor. Os valores negativos são: morbidez, falsidade, caos, engano, fraqueza etc. Em outras palavras, sentimentos bem entendidos formam a capacidade interior com a qual nascemos para chegar ao que pensamos ser bom/mau e certo/errado. Assim, é importante se diferenciar emoções de sentimentos, pois existe muita confusão sobre seus significados. António Damásio, Português, radicado nos Estados Unidos desde a década de 70, e professor da University of Southern California, em Los Angeles, onde dirige o Instituto do Cérebro e da Criatividade é um dos maiores nomes da neurociência na atualidade. Entrevistado pela revista veja (2013) fala sobre “Qual a diferença entre emoção e sentimento”, ele afirma que a emoção é um conjunto de todas as respostas motoras que o cérebro faz aparecer no corpo em resposta a algum evento. É um programa de movimentos como a aceleração ou desaceleração do batimento do coração, tensão ou relaxamento dos músculos e assim por diante. Segundo este estudioso, existe um programa para o medo, um para a raiva, outro para a compaixão etc. Damásio afirma, ainda, que o sentimento é a forma como a mente vai interpretar todo esse conjunto de movimentos. Ele é a experiência mental daquilo tudo. Alguns sentimentos não têm a ver com a emoção, mas sempre têm a ver os movimentos do corpo. Por exemplo, quando você sente fome, isso é uma interpretação da mente de que o nível de glicose no sangue está baixando e você precisa se alimentar. O que as pessoas denominam como sentimentos e emoções? Buscamos algumas interpretações colhidas por meio da entrevista com diferentes pessoas de diferentes idades (aqui denominadas com nomes fictícios de flores) e, em suas narrativas surgem uma sucessão de representações. Vejamos em seguida, alguns trechos.
  10. 10. Narrativas sobre sentimentos e emoções: “O que a boca expressa com palavras, o coração manifesta com sentimentos e emoções” (Macedo, A.L.). 1) O que são sentimentos para você? R - 1 “é expressar o que está lá dentro de mim”; “Expressar o que sinto nunca foi fácil. Sempre aprendi a reprimir meus sentimentos, guardando-os somente pra mim... Talvez seja o meu silêncio, a minha tristeza, a minha depressão... estou sempre bloqueada” (Tulipa). R-2 “Fui despedida. Eu não senti raiva em momento nenhum, senti tristeza, mágoa... isto é sentimento para mim”;“ Não é fácil ficar sem recordar o sofrimento por ter perdido o emprego, ter que trancar os estudos... enfim, meus sentimentos são de medo “(Margarida). R-3 “sentimento é uma dor. É a dor da perda, o luto, o choro. Expressar esta perda de alguém cujo sinônimo é saudade, dói na alma... o sentimento é esse e sinto que é inexplicável... vivenciamos muitas emoções que não sabemos definir.” (Rosa vermelha). R-4 “sentimento é o sorriso. Quando sinto emoções positivas, geralmente, fico alegre e expresso com sorrisos, gargalhadas, gritos” (Dália). R-5 “Emoção para mim é, por exemplo, o choro. O choro é uma das formas que temos de expressar nossos sentimentos ou de tristeza ou de alegria. Choro até com cenas de TV, nas novelas”. (Girassol) R-6 “Chorar para mim é sentimento. Acho que é um dos mais eficazes meios que temos para restabelecer nosso equilíbrio interior, depois do choro vem um alívio. Tenho sido, ultimamente, abalada pela tristeza, dor, ira, e até, pela alegria e amor, mas quantas vezes depois que choramos nos sentimos mais leves?”. (Rosa branca) R-7 “Carinho, afeto, amor para mim são sentimentos. Percebo isso quando cuido de meus alunos pequeninos. Eles chegam carentes e se sentem alegres e animados quando estão comigo”. (Orquídea). R-8 “O ciúme é um sentimento inerente ao ser humano. Quando exagerado ele magoa, fere, destrói e até mata, ainda dizem que isto é amor" (amor-perfeito).
  11. 11. Diferença entre sentimento e emoção Geralmente, confundem-se sentimentos com emoções, mas de certa forma são bem diferentes. Os sentimentos são duradouros e fáceis de esconder. Já as emoções espontâneas têm uma parte corporal (mãos suadas, agitação, choro, riso, melancolia…). As emoções são necessárias para comunicar, para nos adaptarmos com sucesso a nossa sociedade e assim conseguir sobreviver. Quando estamos surpresos diante de alguém ou de alguma coisa, nosso ser fica paralisado, sentimos um frio na barriga, o coração batendo mais forte. A emoção é uma forma de manifestar o afeto e o que a caracteriza são as reações intensas e breves do nosso organismo, em resposta a um acontecimento inesperado ou a um acontecimento muito aguardado (BOCK, 2002). Emoção é considerada um impulso neural que move um organismo para a ação. A emoção se diferencia do sentimento, porque, conforme observado, é um estado neuropsicofisiológico (FREITAS-MAGALHÃES, 2007). Descrevemos algumas diferenciações entre sentimento e emoção: Alegria é um sentimento. Euforia é emoção = A alegria é espontânea, na maioria das vezes não depende de um motivo ou causa, ela simplesmente acontece e transborda. Ela é calma e contagiante. A euforia atropela, é inadequada, incomoda e é pouco diplomática. Normalmente, após a euforia seguem quadros de frustração, depressão e apatia. Tristeza é um sentimento. Depressão é emoção = A tristeza é inevitável em algumas situações da vida, mas ela pode ser vivenciada juntamente com a paz, porque acontece a compreensão de que tudo é passageiro e transitório, como também aprendizado. Medo é um sentimento. Pânico é emoção = Os medos são muitos e até servem como autoproteção, autopreservação ou alerta. Mas o medo constante, sem motivo aparente ou real, que paralisa, revela falta de lucidez e confiança. Coragem (coração + ação) é fazer com medo. Raiva é um sentimento. Ódio é emoção = É humano expressamos o sentimento de raiva, até como um posicionamento, um discernimento. Mas este sentimento deve ser rápido, passageiro, o tempo de aprender como transformá-lo em atitudes realizadoras, oportunidades do exercício da paciência, tolerância e compreensão. Jamais deixe que a raiva se transforme em mágoa, rancor ou ódio, pois este é o caminho da autodestruição.
  12. 12. Amor é um sentimento. Paixão é emoção = O Amor anima e liberta. Junto com a paixão vêm de brinde o ciúme, a dor, insegurança e a possessividade. Com relação aos sentimentos, alguns autores apontam que existem três tipos de sentimentos: Agradáveis, Desagradáveis e Neutros. Quando temos um sentimento desagradável, desejamos evitá-lo. O ideal é voltar à respiração consciente, que vai oxigenar, trazer clareza e apenas observá-lo, identificando-o em silêncio. Na relação emoção / sentimento, entendemos que apesar de alguns sentimentos estarem relacionados com as emoções, existem muitas que não estão. Assim, todas as emoções originam sentimentos, mas nem todos os sentimentos provêm de emoções. Notas finais Os sentimentos e emoções afetam todo nosso organismo e orientam nosso comportamento. Como não é algo que podemos visualizar, é abstrato, muitas vezes temos dificuldade em identificá-los ou entendê-los e assim, organizá-los. Sentimos angústia, cansaço, uma grande confusão que nos impede até de pensar e, fugimos. Não queremos pensar e muito menos enfrentar, ainda que inconscientemente. O que distingue essencialmente sentimento de emoção é: enquanto o primeiro é orientado para o interior, o segundo é eminentemente exterior. Isto significa dizer que o indivíduo experimenta a emoção, da qual surge um “efeito” interno, o sentimento. Por outro lado, os sentimentos são gerados por emoções e sentir emoções significa ter sentimentos. Sentimentos e emoções caminham muito perto um do outro e fazem parte de nossa vida, regulam nosso estado interior na busca do equilíbrio (homeostase). NOTAS: Maria das Graças Teles Martins é professora, psicóloga clínica e hospitalar, Mestre em educação- ULHT/Portugal- Lisboa, Mestre em Ciências Humanas (Saúde Coletiva)-UNIFESP, especialização em: Psicologia cognitivo comportamental-FIP/PB, Psicologia do Desenvolvimento e Hospitalização-UFRN. FONTE DE IMAGEM: Pública na internet. Em “Lágrimas de amor- Cérebromasculino.com”. Disponível em www.google.com.br. Referencias
  13. 13. A. D. (Bud). Handbook of Emotion. 3 Ed. New York: The Guildford Press, 2008. 272-288 p. BOCK, Ana Mercês Bahia. Psicologias: uma introdução ao estudo de Psicologia. 13. Ed. São Paulo: Saraiva, 2002. BRASIL ESCOLA (2006). Sentimentos e emoções: O que são sentimentos. Brasil Escola/Psicologia. DAMÁSIO, A. Em Busca de Espinosa: prazer e dor na ciência dos sentimentos. DAMÁSIO, António, O Sentimento de Si, Publicações Europa-América, Lisboa, 1999. DAMÁSIO, António. Sentimentos e emoções. Revista Veja, 2013. Disponível em: http://veja.abril.com.br/noticia/ciencia/os-sentimentos-sao-fundamentais-para-a-sociedade-diz- antonio-damasio. Acesso, julho 2013. FRANÇOIS Lelord; Christopher André. A força das emoções. FREITAS-MAGALHAES, A. (2007). A Psicologia das Emoções - O Fascínio do Rosto Humano. Porto: Edições Universidade Fernando Pessoa. MONTEIRO, Manuela e Pedro Tavares, Ser humano, Psicologia B, Porto Editora, 2ª parte ROBERTO Lent. Neurociência da Mente e do Comportamento, RODERICK Hindery. Critical Thought and Feeling (Capítulo 6); Indoctrination and Self-deception or Free and Critical Thought?, Mellen Press, 2006. TRUCON, C. Os sentimentos e as emoções. Site de sutoconhecimento. www.Somostodosum. Sites Wikipéia, a enciclopédia livre: Emoção. Disponível em www.pt.wikipéia.org.

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