A atuaçao do orientador educacional

50,644 views

Published on

A atuaçao do orientador educacional

  1. 1. SumárioPrefácio à 5 a Edição ................................................................................ V I IPrefácio da 4a Edição ................................................................................ I XIntrodução ................................................................................................... X IParte I A ATUAÇÃO DO ORIENTADOR EDUCACIONAL1 Atribuições do Orientador Educacional .......................................... 32 Princípios éticos na atuação do Orientador Educacional .................. 11Parte II O PLANEJAMENTO ESCOLAR E A ELABORAÇÃO DO PLANO DE ORIENTAÇÃO EDUCACIONAL3 A participação do Orientador Educacional no planejamento e na elaboração do projeto pedagógico da escola e do plano escolar...........194 Itens do plano de Orientação Educacional ....................................... 215 Subsídios para a elaboração do plano do Serviço de Orientação Educacional .................................................................................... 25 Caracterização da escola e da comunidade ................................... 25 Formulação de objetivos em Orientação Educacional ...................... 27 Estratégias usadas em Orientação Educacional ................................... 34 Elaboração de cronograma para o Serviço de Orientação Educacional .............................................................................................. 39 Avaliação da atuação do Serviço de Orientação Educacional ........... 41Parte III ORGANIZAÇÃO DO SERVIÇO DE ORIENTAÇÃO EDUCACIONAL6 Recursos do Serviço de Orientação Educacional: instalações e equipamentos ................................................................................ 457 Informações necessárias à organização do Serviço de Orientação Educacional e sugestões de instrumentos ........................................ 51
  2. 2. VI ORIENTAÇÃO EDUCACIONAL NA PRÁTICAParte IV ÁREAS DE ATUAÇÃO DO ORIENTADOR EDUCACIONAL8 A Orientação Educacional e a família do aluno ................................ 639 A participação do Orientador Educacional em relação ao aproveitamento escolar do aluno .................................................. 7710 A Orientação Educacional e a integração do aluno à escola e à sociedade ....................................................................................... 9711 A Orientação Educacional e os aspectos morais, cívicos e religiosos da educação do aluno .................................................................... 10512 A Orientação Educacional e o desenvolvimento físico e emocional12 do aluno ............................................................................................ 11113 A Orientação Educacional e o lazer do aluno ................................... 11914 A atuação do Orientador Educacional em relação à Orientação Vocacional do aluno .............................................................................12515 O estágio supervisionado em Orientação Educacional ...........................13516 Acompanhamento pós-escolar (APE) ................................................143Parte V O EMPREGO DE TÉCNICAS DE MEDIDA E DE AVALIAÇÃO EM ORIENTAÇÃO EDUCACIONAL17 Técnicas de medidas e de avaliação mais empregadas em Orientação Educacional ........................................................................15518 A Orientação Educacional e a avaliação da personalidade .......................16119 O Orientador Educacional e a medida da inteligência ......................17120 A técnica sociométrica e seu emprego pelo Orientador Educacional ............................................................................... 175Anexo – Código de Ética dos Orientadores Educacionais ........................ 183Exercícios propostos para análise e discussão de cada capítulo ............189Referências Bibliográficas ....................................................................... 199
  3. 3. Prefácio à 5a edição Decorridos já onze anos desde a primeira e a caminho de sua quintaedição, pode-se afirmar que o livro “Orientação Educacional na Prática”,grosso modo, continua cumprindo a contento sua missão, apesar danecessidade de algumas alterações. Na edição anterior, as autoras viram-se obrigadas a proceder àprimeira revisão, atendendo a três ordens de necessidades prementes,motivadas, respectivamente: (1) pela nova Lei de Diretrizes e Bases daEducação Nacional, Lei 9394/96 promulgada em 20/12/96 que, entre outrascoisas, alterou a nomenclatura dos níveis de ensino; (2) pelas solicitações deprofessores de OE de diferentes universidades para que fossem sugeridosexercícios para cada capítulo e, finalmente, (3) pelo fato de o livro tersobrevivido ao final do século, cujas datas começavam com 19... Procurando, por razões de ordem econômica, mexer o mínimopossível no texto, as autoras ativeram-se apenas a essas pequenas questõesformais. Isto não quer dizer que o livro em questão, como todos os demais,não necessitasse também de revisão em seu conteúdo, seja por causa detransformações ocorridas na escola, seja por eventuais incorreções quepodem ocorrer em todo livro pioneiro em determinado tratamento de umtema. Somando-se à percepção das autoras sobre a necessidade de altera-ções também no conteúdo, leitores cuidadosos e usuários do livro tambémapontaram alguns pontos para revisão. Embora os ideais que nortearam a Orientação Educacional e a obraem questão tenham permanecido os mesmos, a prática da OrientaçãoEducacional enfrenta hoje novos desafios. Ao mesmo tempo em que muitona escola certamente tenha se modificado para melhor, esta vem seafastando, cada vez mais, dos tempos em que era chamada de “risonha efranca”. O Orientador Educacional passa, portanto, a somar às suas jáinúmeras, difíceis e importantíssimas atribuições esmiuçadas neste livro,outras tantas de mais complicado tratamento. Problemas como uso e tráfico de drogas, violência, gravidez precoce,falta de respeito, desinteresse e alienação em relação à escola, além de
  4. 4. VIII ORIENTAÇÃO EDUCACIONAL NA PRÁTICAnovas exigências no mundo do trabalho, entre outros, que eram apenaspontuais na escola, hoje são encontrados em profusão alarmante, vindorequerer a atenção e um preparo ainda maior do Orientador Educacional. Por esses motivos, embora avessas a modificações que venham aacarretar aumento de custos, as autoras não poderiam deixar passar oensejo determinado pela necessidade de reimpressão do livro, de modifi-car também seu conteúdo. Elas agradecem as manifestações de apoio à suaobra, bem como indicações de modificações necessárias ao seu melhoraproveitamento.
  5. 5. Prefácio da 4a edição O livro Orientação Educacional na Prática, em curto espaço de tempo,chega à sua 4a edição. Tal desempenho, sem dúvida, pode ser atribuído à indiscutível importânciaque as atividades de Orientação Educacional assumem no dia-a-dia da escola,quer nos diferentes níveis do ensino básico – principalmente no ensino fundamen-tal e no ensino médio – quer no ensino superior, como ocorre em outros países. Acreditamos que tenham também contribuído para o sucesso deste livroa nossa intenção e empenho em procurar preencher uma lacuna existente naliteratura pedagógica em relação a publicações que oferecessem um trata-mento prático e ao mesmo tempo bem fundamentado teoricamente daOrientação Educacional. Temos notícia de que a aplicabilidade dos conteúdos tratados, à área deeducação em geral, tem propiciado o uso do livro por muitos profissionais –técnicos ou docentes – que atuam nas escolas. Tendo se esgotado a 3a edição do livro e com a perspectiva de uma novareimpressão do mesmo, julgamos necessário proceder à sua revisão, emprimeiro lugar, atualizando-o face à nova legislação em vigor. A nova Lei deDiretrizes e Bases da Educação Nacional Lei n o 9394 promulgada em 20de dezembro de 1996, entre tantas outras modificações, alterou as designa-ções dos diferentes níveis de ensino no Brasil. Por outro lado, as observaçõesexpressas por professores e alunos que usam o livro nos Cursos de Pedagogia– habilitação em Orientação Educacional – indicaram-nos a conveniência decomplementar cada capítulo com exercícios que fossem úteis para melhoraproveitamento e aprofundamento dos conteúdos, por parte dos alunos. Elaboramos, assim, um conjunto de exercícios para cada capítulo. Osexercícios, incluídos no final do livro, foram propostos de forma a possibilitaro trabalho individual. Recomenda-se, entretanto, se possível, a sua realizaçãoem grupos de alunos, ensejando, também, amplas discussões em classe sobreos temas tratados. Há também exercícios nos quais solicita-se que os alunos relacionemconteúdos de dois ou mais capítulos, visando a integração do conhecimento. Aproveitamos a oportunidade para agradecer a todos que expressaramsua apreciação sobre o livro e reiteramos os anseios manifestados no final daIntrodução.
  6. 6. Introdução Em virtude de mudanças socioeconômicas e culturais ocorridas nasociedade brasileira, a escola teve de reformular suas funções tradicionais,redefinir o seu papel e criar novos serviços, aumentando-se, assim, onúmero de pessoas envolvidas no processo educativo, bem como o nívelde complexidade dessa instituição. Assim, acabou por assumir,gradativamente, a responsabilidade pelo desenvolvimento integral doeducando, em seus múltiplos aspectos: físico, intelectual, escolar, social,emocional, moral, vocacional, profissional, enfim, os aspectos em relaçãoaos quais a criança e o adolescente se desenvolvem, enquanto nelapermanecem. Sendo um ser em formação, o aluno necessita de orientação dediferentes instituições, desde a família até a igreja ou o clube que eventual-mente possa freqüentar. Entretanto, nem sempre, e cada vez menos, elastêm conseguido executar, a contento, a parcela que lhes cabe na educação. No que se refere à família — a principal instituição educativa —deve-se lembrar que o despreparo dos pais e a possibilidade cada vezmaior de que a mulher se ausente de casa a fim de trabalhar contribuempara que os genitores ou responsáve is tenham menores condições edisponibilidade na orientação dos filhos. Por outro lado, como o aluno passa, quase sempre, um grandenúmero de horas na escola, e como esta é a instituição mais bem aparelhadapara exercer influência sistemática e científica na educação dos jovens,espera-se dela, hoje, bem mais do que a transmissão de conhecimentos.Entretanto, algumas características do nosso sistema educacional — baixorendimento da aprendizagem e, conseqüentemente, altos índices derepetência e de evasão — revelam que a mesma não está sequer realizando,a contento, a sua tarefa precípua, que é o ensino. Dada a complexidadedessa problemática e considerando que são numerosos e diversificados osfatores que causam o fracasso escolar, conclui-se que a educação não podese esgotar unicamente na relação professor-aluno. Outra função, comple-mentar ao processo ensino-aprendizagem — a Orientação Educacional —
  7. 7. XII ORIENTAÇÃO EDUCACIONAL NA PRÁTICAatualmente concebida, por especialistas, como um processo sistemático econtínuo que se caracteriza por ser uma assistência profissional realizadapor meio de métodos e técnicas pedagógicas e/ou psicológicas, exercidadireta ou indiretamente sobre os alunos, levando-os ao conhecimento desuas características pessoais e do ambiente sociocultural, a fim de quepossam tomar decisões apropriadas às melhores perspectivas de seudesenvolvimento pessoal e social, torna-se cada vez mais necessária. Considerada uma ação importante na melhoria dos padrões educa-cionais em países nos quais se destinam recursos significantes à educação,impõe-se, entre nós, não como um recurso adicional para o aprimoramentoda escola, mas, sim, como uma necessidade urgente para responder àsdemandas do desenvolvimento pessoal e social do aluno. Dadas a necessidade e a importância que a Orientação Educacionalassume nas escolas brasileiras, é preciso pensar no preparo adequado dosrecursos humanos destinados a essa área, preparo esse que deve incluir,necessariamente, o domínio dos fundamentos teóricos da ação e o conhe-cimento da parte prática correspondente ao exercício das atividadesprofissionais do Orientador Educacional. É indispensável, pois, o conhe-cimento da realidade escolar brasileira a fim de que possam ser colocados,de modo eficiente, na prática, esses princípios. Conhecendo suas atribuições legais privativas e não privativas ealertado sobre os princípios éticos que devem reger o seu comportamentoprofissional, ao iniciar o exercício de suas funções, o Orientador Educa-cional, conforme a época e as condições de trabalho, depara com as tarefasdo período de planejamento e com a elaboração do plano da escola e doplano do Serviço de Orientação Educacional, necessitando, para tanto,conhecer: as características da escola e da comunidade; os fundamentospara a formulação de objetivos em educação; estratégias adequadas à suaatuação, bem como instrumentos e técnicas úteis para essas tarefas. Nestelivro, ele encontrará subsídios para a realização dessas tarefas. Como nem sempre existe um Serviço de Orientação Educacionalimplantado nas escolas, são necessárias informações sobre instalações,equipamentos, organização do serviço, bem como sobre a elaboração deinstrumentos imprescindíveis às várias finalidades, informações essastambém incluídas nesta obra. Para um desempenho eficiente e de abrangência de suas funções, oOrientador Educacional necessita ainda: conhecer e manter contato com asfamílias dos alunos; colaborar para o bom aproveitamento escolar da
  8. 8. INTRODUÇÃO XIIIclientela; integrar-se com a equipe técnica e docente para atuar em relaçãoaos aspectos morais, cívicos e religiosos, bem como nas áreas do desen-volvimento físico, emocional e vocacional dos educandos. Explicações einstrumentos importantes para essas finalidades são encontradas no corpodeste livro. À medida que o trabalho se desenvolve e o Serviço de OrientaçãoEducacional se organiza, o Orientador Educacional pode incluir nas suasatividades a supervisão de alunos estagiários e o acompanhamento pós-escolar, duas atribuições importantes para a formação do OrientadorEducacional, dos alunos e para a própria Orientação Educacional. As técnicas de medidas e de avaliação mais empregadas em Orien-tação Educacional e, em particular, a técnica sociométrica também devemser de amplo domínio deste profissional e foram, por este motivo, incluídasna parte final deste livro. Espera-se que os conteúdos desenvolvidos venham favorecer aformação e a atuação do Orientador Educacional; contribuir para a proje-ção de uma imagem mais positiva deste profissional, além de sensibilizaras autoridades competentes para que se implante a Orientação Educacionalnas escolas públicas, como preceitua a legislação vigente, assim como jáocorre nas melhores escolas particulares.NOTAS Em relação à especificidade de cada obra, torna-se necessáriotomar decisões relativas não só ao conteúdo como também à forma. Asnotas que se seguem referem-se às decisões adotadas pelas Autoras, nestelivro. Embora a Orientação Educacional possa e deva ser exercida emtodos os níveis de ensino — da educação infantil à pós-graduação —no Brasil ela se exerce predominantemente no ensino fundamental e noensino médio. Daí, o fato de termos nos voltado mais para estes níveis deensino.
  9. 9. XIV ORIENTAÇÃO EDUCACIONAL NA PRÁTICA Dadas também as freqüentes referências à Orientação Educacionale ao Orientador Educacional, para simplificar, foram usadas as abrevia-turas O. E. e Or. E., exceto no prefácio, introdução, título e subtítulos. O termo Orientador Educacional foi empregado no masculino, embo-ra se constate que as pessoas que trabalham em educação sejam em maiornúmero do sexo feminino. A intenção foi usar a expressão em sentidogenérico sem precisar especificar, a todo instante, nas inúmeras vezes emque o termo ocorre no texto, o orientador ou a orientadora educacional.
  10. 10. 1 Atribuições do Orientador Educacional A equipe técnica-pedagógica que trabalha nas escolas é constituídapelos especialistas em educação, egressos das diferentes habilitações doCurso de Pedagogia. O fato de terem formação acadêmica semelhante, deatuarem no mesmo espaço físico e de visarem objetivos comuns torna não sódifícil, como sobretudo necessária, a delimitação clara das atribuições decada profissional, contribuindo para a melhor compreensão dos respectivospapéis, maior facilidade na execução, controle e avaliação das tarefas emelhor integração da equipe técnica. Em contrapartida, o desconhecimentodas atribuições e de seus limites claros pode gerar expectativas infundadasquanto ao desempenho de cada especialista. Dadas a necessidade e a importância da explicitação das atribuições dosprofissionais da área de educação, os sistemas públicos de ensino, por meiode decretos que estatuem o regimento interno para as escolas de cada rede —federal, estadual ou municipal — definem o rol das atribuições de cadaprofissional em educação. Já os estabelecimentos particulares de ensino têm autonomia paraincluir, em seus regimentos internos, as atribuições que pretendem conferir,a cada um, na respectiva escola. É importante ressaltar que, tanto numasituação, como na outra, é necessário que seja observado o decreto queregulamenta a profissão do Or. E. e que estabelece, entre outras coisas, asatribuições privativas, isto é, as que competem a ele coordenar e aquelas dasquais deve participar, juntamente com os demais membros da equipe escolar.Isso não significa que o Or. E. deva cumprir todas as atribuições mencionadasno decreto, obrigatoriamente, o tempo todo, quaisquer que sejam as circuns-tâncias. Dessa forma, conhecendo o conteúdo da lei que regulamentou suaprofissão, dentro dos limites impostos pela mesma e de acordo com arealidade na qual esteja atuando, o Or. E. poderá selecionar e hierarquizar oque será realizado a cada ano.
  11. 11. 4 ORIENTAÇÃO EDUCACIONAL NA PRÁTICA Durante o planejamento ele deverá ter disponível a legislação específicaque, como vimos, ao regulamentar a profissão, delimitou suas atribuições.Trata-se da Lei n.º 5564, de 21.12.1968, regulamentada pelo Decreto n.º72846, de 26.09.1973. Os artigos 8.º e 9.º, do referido decreto, definem maisespecificamente, em âmbito nacional, as atribuições do Or. E. Dada aimportância de seu conhecimento, esses dois artigos são transcritos, a seguir. “Artigo 8.º — São atribuições privativas do Orientador Educacional: a) Planejar e coordenar a implantação e funcionamento do Serviço de Orientação Educacional em nível de: 1 — Escola 2 — Comunidade. b) Planejar e coordenar a implantação e funcionamento do Serviço de Orientação Educacional dos órgãos do Serviço Público Federal, Estadual, Municipal e Autárquico; das Socie- dades de Economia Mista, Empresas Estatais, Paraestatais e Privadas. c) Coordenar a orientação vocacional do educando, incorporando-a no processo educativo global. d) Coordenar o processo de sondagem de interesses, aptidões e habilidades do educando. e) Coordenar o processo de informação educacional e profissio- nal com vistas à orientação vocacional. f) Sistematizar o processo de intercâmbio das informações neces- sárias ao conhecimento global do educando. g) Sistematizar o processo de acompanhamento dos alunos, enca- minhando a outros especialistas aqueles que exigirem assistên- cia especial. h) Coordenar o acompanhamento pós-escolar. i) Ministrar disciplinas de Teoria e Prática da Orientação Educa- cional, satisfeitas as exigências da legislação específica do ensino. j) Supervisionar estágios na área da Orientação Educacional. k) Emitir pareceres sobre matéria concernente à Orientação Educacional.
  12. 12. capítulo 1 • A TRIBUIÇÕES DO O RIENTADOR E DUCACIONAL 5 Artigo 9.º — Compete, ainda, ao Orientador Educacional as seguintes atribuições: a) Participar no processo de identificação das características bási- cas da comunidade; b) Participar no processo de caracterização da clientela escolar; c) Participar no processo de elaboração do currículo pleno da escola; d) Participar na composição, caracterização e acompanhamento de turmas e grupos; e) Participar do processo de avaliação e recuperação dos alunos; f) Participar no processo de encaminhamento dos alunos estagiários; g) Participar no processo de integração escola-família-comunidade; h) Realizar estudos e pesquisas na área da Orientação Educacional.” Ao dividir as atribuições em “privativas” e “participativas”, pretendeuo legislador, por meio de tal distinção, assegurar ao Or. E. a especificidadede suas funções, principalmente no que se refere ao SOE, ao processo deOrientação Vocacional e ao acompanhamento pós-escolar, caracterizando-os como funções de coordenação. Desse modo, não só está previsto que o Or. E.execute tais tarefas como também que as coordene. Ao fazê-lo, entretanto,deverá envolver os demais elementos da escola, a família e a comunidade narealização das mesmas, pois seria impraticável e provavelmente ineficaztentar realizá-las sozinho, em toda a sua extensão. Em contrapartida, prevê o artigo 9.º que ele participe das demaisatividades escolares, colaborando para a sua boa execução. Tais atividades,entretanto, pressupõe-se, devem ser coordenadas por outros profissionais —Diretor, Assistente de Direção, Coordenador Pedagógico, Coordenadores deáreas, de séries etc. Por atuar como coordenador das atividades que lhe são privativas ecomo participante de inúmeras outras tarefas desenvolvidas na escola, seumas e outras não forem delimitadas com clareza, a atuação do Or. E. podese tornar confusa e complicada e o seu relacionamento com os demaisprofissionais ficar prejudicado. Por esse motivo, serão discutidos, a seguir,problemas usuais de relacionamento com diferentes especialistas quetrabalham nas escolas, principalmente aqueles que, normalmente, o fazem
  13. 13. 6 ORIENTAÇÃO EDUCACIONAL NA PRÁTICAde modo mais integrado com o Or. E. Evidentemente, é importante, também,que as atribuições de cada um sejam do conhecimento de todos. O Or. E. deve ter presente, também, o código de ética que norteia aatuação da categoria e que se encontra na página 183 deste livro. O Or. E., como os demais funcionários, está subordinado, hierarquica-mente, ao diretor, que é, portanto, a autoridade máxima na escola. Como jávimos, ambos são pedagogos ainda que tenham concluído habilitações espe-cíficas diferentes — Administração Escolar e Orientação Educacional,respectivamente. Não obstante, entre eles pode haver tanto identidade comodiferenças ou até antagonismos em relação a concepções, pontos de vista eestratégias educacionais, além de níveis diferentes de conhecimentos e deexperiência bem como características compatíveis ou não de personalidade. Quanto ao estilo administrativo, cada diretor poderá se situar emqualquer ponto entre os extremos de máxima centralização ou de máximadelegação, ou, ainda, em um desses extremos. Evidentemente, as posiçõesradicais e extremadas acabam por prejudicar o desempenho das atribuiçõesdo Or. E., pois, nesses casos, não haveria respeito pelo espaço próprio paraque ele assumisse as tarefas que lhe são pertinentes. Por sua vez, este poderádescumprir ou questionar indevidamente determinações da direção, gerandoatritos entre ambos. Embora não haja diferença hierárquica entre as funções do Or. E. e doCoordenador Pedagógico, a proximidade entre tais funções também costumagerar dificuldades no relacionamento entre ambos e confusão quanto àsatribuições de cada um, perante a comunidade escolar. Contribui para essaconfusão o fato de que, mesmo sendo contra-indicado, quando em uma escolanão há Coordenador Pedagógico, é tido como ponto pacífico que as funçõesque deveriam ser exercidas pelo mesmo o sejam pelo Or. E. e vice-versa.Entretanto, na situação ideal, em que ambos estão presentes na escola, oOr. E. deve procurar estabelecer, em conjunto com o Coordenador Pedagógi-co, os limites de atuação de cada um para que não ocorram conflitos ousuperposições de atribuições, em detrimento do trabalho de todos. Se, ainda, não houver um entendimento entre eles, a melhor ocasião paraque isso aconteça — a menos que situações emergenciais tornem urgente quese o faça em qualquer momento — é na semana que antecede o planejamento.Como ambos estão no estabelecimento nesse período e como se trata de umaépoca relativamente calma nas escolas, eles podem discutir e preparar, emconjunto, os respectivos planos prévios de atuação.
  14. 14. capítulo 1 • A TRIBUIÇÕES DO O RIENTADOR E DUCACIONAL 7 Se esses dois profissionais e, eventualmente, seus respectivos auxiliaresou estagiários, conseguirem trabalhar em harmonia — cada qual atuando noslimites de suas atribuições e participando das do outro — a escola e, o que émais importante, os alunos terão muito a ganhar. Da mesma forma, a relação do Or. E. com o corpo docente poderá serfácil, harmoniosa e agradável, ou vir a ser dificultada e até hostilizada pelosprofessores. Às vezes, a equipe docente tem certas características quefacilitam ou dificultam o relacionamento com o Or. E., e, conseqüentemente,influem positiva ou negativamente no trabalho dele. Há, por exemplo, escolascujo corpo docente é mais antigo, experiente e “fechado” e nas quais, há muitotempo, não existia um Or. E. A chegada desse profissional, principalmente seele for jovem, inexperiente e inseguro, poderá ser recebida com certasreservas e até antagonismo. Tal situação se agravará se ele não der aconhecer, com clareza, suas atribuições e se começar a interferir,indevidamente, no trabalho docente, introduzindo inovações, mudanças radi-cais e tarefas adicionais para os professores, sem que estes percebam suautilidade. Desse modo, muito provavelmente, eles não só não aceitarão talinterferência, como também poderão tentar obstruir o trabalho do Or. E.,sonegando informações essenciais, atrasando a entrega de dados, descumprindosolicitações ou determinações do SOE, enfim, chegando, às vezes, até à faltade respeito profissional e pessoal. Por outro lado, pode ocorrer que professores mais jovens ou insegurosacatem com demasiado entusiasmo suas solicitações, passando a esperar, emtroca, que o mesmo resolva todos os problemas que enfrentam na escola e, àsvezes, até na própria vida particular. Nos dois casos, o Or. E. deve se conduzir com muita cautela, diplomaciae habilidade, e é claro que a definição de suas atribuições e a elaboração de umbom plano o ajudarão muito no estabelecimento de seus limites de atuação. As relações profissionais entre o Or. E. e o psicólogo devem, do mesmomodo, ser esclarecidas e respeitadas. O Or. E. não é, normalmente, psicólogo enem se exige que o seja. Ainda que, eventualmente, pudesse ter cursadoPsicologia e obtido registro de psicólogo, na escola ele deve atuar no estritoâmbito de seu cargo. Assim, não cabe a ele realizar terapias com os alunose nem investigações que levem ao diagnóstico de distúrbios de personalidadeou de comportamento, nem mesmo quando se julgar habilitado para tal.Também não cabe ao psicólogo, ainda que atue no âmbito escolar, exercer asatribuições privativas do Or. E.
  15. 15. 8 ORIENTAÇÃO EDUCACIONAL NA PRÁTICA Sempre que necessário, o SOE deverá manter contato com psicólogos ecom outros profissionais da área de saúde, como médicos, dentistas e enfermei-ros e fazer encaminhamentos de alunos que necessitam de cuidados especiais.Entretanto, deve ficar claro que o Or. E. não deve exercer essas funções e nemdeve, em nenhum momento, substituir esses profissionais, pois não temformação para isso, e em suas atribuições não estão previstas atividades decompetência desses profissionais, cujo exercício é vedado a leigos. Essasadvertências são muito procedentes porque, na escola, pelo fato de haversempre muitos alunos, não são raras as ocorrências de acidentes ou problemasde saúde. Dado o caráter assistencial de sua atuação profissional, o Or. E. podeser solicitado e/ou sentir-se no dever de prestar algum tipo de atendimento aesses alunos. Ora, sabe-se, por exemplo, que existem sérios riscos emadministrar qualquer medicamento, pois nunca se tem certeza se haverá ou nãoalguma reação alérgica ou de outra natureza. É importante, também, esclarecer que é incompatível com o exercícioda função de O. E.: proceder à chamada de alunos; recolher, carimbar e/ouentregar cadernetas escolares ou de passes; cuidar da disciplina em salas deaula, nos corredores ou nos recreios; cobrir sistematicamente as ausências dodiretor (a não ser que seja afastado de seu cargo e designado para assumir adireção), do secretário ou de qualquer outro profissional que atue na escola. Igualmente, não se espera que o Or. E. seja o responsável único pelaorganização de festas ou campanhas, embora deva participar de sua realiza-ção e possa beneficiar-se dessas oportunidades para atingir seus objetivos. Convém, ainda, registrar um alerta para que o SOE não se transforme emrefúgio de alunos que cabulam aula ou são tirados da classe por problemascom os professores, como indisciplina e falta de lição de casa ou de material. Para melhor exercer suas atribuições no que se refere a atividades aserem realizadas em salas de aula, o Or. E. necessitaria de um espaço fixonos horários das diversas classes. Entretanto, nem sempre isso é fácil obter.É comum, nesses casos, que ele solicite o uso das faltas dos profissionais paraessa finalidade. Essa prática tem alguns inconvenientes. O Or. E. poderá serconsiderado um substituto eventual de professores, o que contribuirá para oestabelecimento de confusões de funções, comprometendo, inclusive, a suaimagem. Em algumas escolas, há a prática de “subir” aulas, quando faltaalgum professor, e a interferência do Or. E. acarretaria não só má vontade dosalunos na execução das tarefas por ele propostas, como também indisposiçãopor parte dos professores que, nessas circunstâncias, perderiam a possibili-dade de sair mais cedo. Além disso, como não é costume os professores
  16. 16. capítulo 1 • A TRIBUIÇÕES DO O RIENTADOR E DUCACIONAL 9avisarem, com antecedência, quando irão faltar, ele não teria condições deplanejar, devidamente, o uso desses espaços abertos. Tal prática poderiaainda se complicar bastante, em escolas grandes, quando faltarem váriosprofessores ao mesmo tempo. Esse é um assunto que deve ser pensado e discutido com todas as partesenvolvidas (Direção, Or. E., Coordenador Pedagógico e professores), porocasião do planejamento. Se o Or. E. optar por usar tais espaços, é preciso quefique bem claro quando, como e com qual finalidade o fará, avisando aosalunos, no início do ano letivo, para que o relacionamento entre todos, nessasocasiões, seja o melhor possível. Cabe, ainda, um alerta para o fato de que o SOE não deve ser transfor-mado em sala de visitas de alunos, pais ou de outras pessoas e, muito menos,em sala de punições. O Or. E. também não deve dar ensejo a que se incorpore à sua imagemo papel de “bonzinho”, “da tia”, do “protetor de alunos” ou, por outro lado,de “dedo-duro”, de “disciplinador”, bem como o de “controlador” e “dela-tor” de professores, de funcionários ou de alunos. No que se refere à sua atuação em relação ao problema da disciplina naescola, cabe lembrar que a mesma deve ser antes preventiva que remediativa.De modo geral, na prática, não existe, nas escolas, como seria desejável,preocupação com o planejamento de condições favoráveis à ocorrência decomportamentos satisfatórios. O mais comum é a aplicação de punições emconseqüência de atos de indisciplina. Nesse contexto, é também usual queocorrências de indisciplina sejam indiscriminadamente encaminhadas para oSOE. Deve ficar claro, nesses casos, que o Or. E. não é um aplicador desanções ou punições. Se o fosse, provavelmente isso iria interferir de modonegativo no seu relacionamento com os alunos. Ele deve, sim, colaborar coma disciplina da escola, analisando juntamente com a equipe os problemassurgidos, sugerindo soluções cabíveis, não se esquecendo, entretanto, de que,antes de tudo, sua atuação deverá ser preventiva. Se procurado por alunospunidos, não deve assumir o papel de advogado dos mesmos, desautorizandoo responsável pela punição. É importante que leve o aluno a refletir sobre asituação de modo a aprender com ela. Pelas informações, dados e implicações analisados neste capítulo,depreende-se que as atribuições do Or. E. são numerosas, complexas edifíceis de ser delimitadas com precisão. Por este motivo, ele precisa estarconsciente de que tem um plano a executar e de que deve desempenhar suasfunções precípuas, não assumindo tarefas que não sejam de sua competênciae/ou alçada. Assim procedendo, estará contribuindo para que seu papel sejapercebido cada vez mais claramente.

×