CINZAS DO  NORTE MILTON HATOUN
MILTON HATOUN
Relato sobre a vida de Mundo, nascidoem Manaus, cujo sonho era ser pintor.Brigas entre Trajano (Jano) Mattoso e eufilho Mu...
FOCO NARRATIVO
 Tipologia de Friedman , o narrador de Cinzas do Norte é um Narrador- Testemunha (narração homodiegética, de  acordo com ...
“O que eu lembrava do primeiro encontro: o cinturão, grosso, cinza-escuro, quase da cor dos olhos.” (HATOUM 2005, p.20, gr...
“ Mundo repetia que queria dormir; depoisperguntava por um amigo do internato, o Cará.Na cama, continuou falando dele. Esf...
Paralelamente à narrativa de Lavo, há a cartade Tio Ran para Mundo, em que há a rememoraçãode um passado anterior ao iníci...
“A notícia do casamento de sua mãe atraiu jornalistas e fotógrafos para um lugar esquecido: o Jardim dos Barés. Eles chega...
MUNDO (Raimundo)“um jovem artista visual que nasce e cresce na Amazônia e dela partepara Alemanha e Inglaterra, mais para ...
LAVO (Olavo)Órfão, criado por sua tia Ramira e seu tio Ran, é umadvogado acomodado que sabe que nunca vai deixar suacidade...
TIA RAMIRAÉ uma costureira resignada, apaixonada por Jano.“Alicia falou antes de mim: „Ramira sempre foi cobra na cozinha ...
JANO (Trajano)“Era a segunda vez que o via de muito perto, os olhosmiúdos acinzentados e a testa enrugada como se estivess...
ARANAArtista e espécie de “guru” de Mundo que faz arte com“causa social”, objetos lindos como “peçasmarajoaras”que vende a...
MACAU “Macau, que as vezes aparecia de paletóbranco, também era respeitado. Poucasclientes da costureira tinham chofer,......
Tempo da história ≠ tempo do discursoInício da história: década de 60Fim da história: começo da década de 80Livro de m...
 “[...] mas eu não quis saber a data nem     a hora: detalhes que não interessam”     (HATUOM, 2005, p.9)    Algumas dat...
Narrativa de Lavo: linear,com alguns momentos derememoração (passadocontado por tia Ramira, tioRan, Alícia, Jano) e alguma...
 “No início de 1961, quando nos mudamos para o centro, o Morro da Catita ainda era formado de chácaras e casinhas esparsa...
“Foi só um sopro, pois 1973 acaboucom um acúmulo de infortúnios euma despedida” (HATOUM, 2005,p.169)“Quando o Electra prat...
“Foi só um sopro, pois 1973 acabou com um acúmulo de infortúnios e uma despedida” (HATOUM, 2005, p.69)“Quando o Electra pr...
A carta de tio Ran não é linear, ocorrem analepses nas quais há a narração da origem de Alícia, o relato de fatos ocorrid...
“No oitavo mês de gravidez, tua mãe pediu a Jano que adiasse uma viagem à Vila Amazônia” (HATOUM, 2005, p. 215)“Lembro daq...
 Nos capítulos 16 e 20 (epílogo), em que há a narração feita por Mundo, há a apresentação de fatos recentes, porém todos ...
“Se soubesse que o herdeiro da VilaAmazônia virou um biscateiro...Lembro que Ranulfo me dizia pararecusar trabalhos tedios...
“O tempo, que se atirava ferozmentecontra mim, dava a ela um ultimato. Eu eminha mãe, reféns um do outro, nós doisreféns d...
“Ele me mostrou as telas...estava empolgado, orgulhoso; eu implorei pra ele tirar aquele ódio da alma. Disse que não ia ti...
“Antes de mais uma viagem a rio Negro, ele me entregou o manuscrito, dizendo com ansiedade: “Publica logo o relato que esc...
Manaus na década de 1960
Região Central de Manaus em 1964
Colégio Pedro II em Manaus
 Temas recorrentes na obra: Revolta Trabalho versus Sonho Afeto versus Sangue Loucura Medo
BRAIT, Beth. A personagem. 7ª ed. São Paulo: EditoraÁtica, 1999. CANDIDO, Antonio, et. al. A personagem de ficção. 9ªed. S...
LEITE, Ligia Chiappini Moraes. O foco Narrativo. 9ªedição. São Paulo: Ática, 1999. (Série Princípios, 4) RIBEIRO, Milton. ...
http://www.youtube.com/watch?v=q9pvFKwtel8
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Cinzas do norte

  1. 1. CINZAS DO NORTE MILTON HATOUN
  2. 2. MILTON HATOUN
  3. 3. Relato sobre a vida de Mundo, nascidoem Manaus, cujo sonho era ser pintor.Brigas entre Trajano (Jano) Mattoso e eufilho Mundo.História de Alícia e seu envolvimentocom a família de Lavo.Amizade de Lavo e Mundo.
  4. 4. FOCO NARRATIVO
  5. 5.  Tipologia de Friedman , o narrador de Cinzas do Norte é um Narrador- Testemunha (narração homodiegética, de acordo com Gerard Genette). Narrador do romance é Lavo, no entanto, no cap. 16 e no epílogo, quem narra é Mundo, portanto, o narrador passa a ser homodiegético, de acorodo com Genette. Hatoum parte da testemunha para tentar dizer ao leitor que sua narrativa é real, que ela de fato ocorreu.
  6. 6. “O que eu lembrava do primeiro encontro: o cinturão, grosso, cinza-escuro, quase da cor dos olhos.” (HATOUM 2005, p.20, grifos nossos)“ „Já és um rapaz, Lavo. Nossa conversa vai ser entre homens.‟[...] Então me fez jurar que não contaria nada aos meus tios” (idem, p.35)“Falava com entusiasmo de artistas famosos e de anônimos, e parecia embriagado pelas imagens. ” (idem, p.20, grifos nossos)
  7. 7. “ Mundo repetia que queria dormir; depoisperguntava por um amigo do internato, o Cará.Na cama, continuou falando dele. Esfaqueavaum porco-do-mato, mordia um pedaço defígado cru e estendia as mãos sangrentas para osoficiais. [...] Mundo começou a rir e tossir, e osolhos de sua mãe cresceram, me interrogando:que doideira era aquela? O que tinham feitocom seu filho? Eu não sabia de nada, que fosseperguntar ao diretor do colégio. (HATOUM,2005, p.132, grifos nossos)
  8. 8. Paralelamente à narrativa de Lavo, há a cartade Tio Ran para Mundo, em que há a rememoraçãode um passado anterior ao início da história narrada. Tal carta é diferenciada, graficamente, doscapítulos de Lavo. Além disso, não há a numeraçãode capítulos. A narrativa de tio Ranulfo é intercalada aoscapítulos escritos por Lavo. Neste caso, o narrador também é testemunha
  9. 9. “A notícia do casamento de sua mãe atraiu jornalistas e fotógrafos para um lugar esquecido: o Jardim dos Barés. Eles chegaram de canoa e subiram o barranco por uma escadinha de madeira;[...]” (HATOUM, 2005, p.111)“Lembro daquela noite de setembro o céu estava apagado, o aguaceiro do dia deixara a mata e a terra molhadas, e eu me escondi para ver quem ia sair de casa, se algum homem...” (idem, p.51)
  10. 10. MUNDO (Raimundo)“um jovem artista visual que nasce e cresce na Amazônia e dela partepara Alemanha e Inglaterra, mais para perder o mundo do que paraganhá-lo”. (CRISTO,2007 p.357) “Antes de conviver com Mundo no ginásio Pedro II, eu o vi uma vezno centro da praça São Sebastião: magricelo, cabeça quase raspada,sentado nas pedras que desenhavam ondas pretas ebrancas.[...];olhava o barco do monumento e desenhava com umacara de espanto, mordendo os lábios e movendo a cabeça commeneios rápidos como os de uma pássaro.”(HATOUM, 2005, p.12)“O narrador, de forma discreta, vai criando um clima de empatia,apresentando a personagem principal de maneira convincente elevando o leitor a enxergar, por um prisma ao mesmo tempo discretoe fascinado, a figura do protagonista.” (BRAIT, 1999,p .6 4)Como podemos observar no trecho acima.
  11. 11. LAVO (Olavo)Órfão, criado por sua tia Ramira e seu tio Ran, é umadvogado acomodado que sabe que nunca vai deixar suacidade.Amigo de Mundo desde a infância, Lavo o conhece nocolégio Pedro II e passa a freqüentar sua casa.TIO RAN (Ranulfo)“Lembro que, em plena tarde, de um dia de semana, Ramirao encontrou lendo e fazendo anotações a lápis numa tira depapel de seda branco. Perguntou por que ele lia e escrevi emvez de ir atrás de trabalho.„Estou trabalhando, mana‟, disse tio Ran. „Trabalho com aimaginação dos outros e com a minha.‟”(HATOUM, 2005p. 24)
  12. 12. TIA RAMIRAÉ uma costureira resignada, apaixonada por Jano.“Alicia falou antes de mim: „Ramira sempre foi cobra na cozinha e nacostura. Cobra em tudo o que faz. Aliás, bem diferente da tua mãe.Levantou com o copo na mão e continuou: “[...] Ramira sempre foiesquisita, morria de ciúme da tua mãe, de todos...” (HATOUM, 2005, p.31)ALICIA“... a mulher reapareceu, sozinha, o cabelo ondulado úmido; a blusa deseda, molhada, provocou assobios dos veteranos. A morena de cerca detrinta anos desceu com pressa a escadaria; na calçada abriu a sombrinha eaproximou o rosto das grades de ferro. Viu-me encostado a uma coluna eme chamou: era um absurdo não ir visitá-la, mas de agora em diante eunão teria mais desculpas, seu filho ia estudar no Pedro II.Concordei com um gesto tímido, e ela ainda disse: “Penso na tua mãecomo se estivesse viva”. Era Alicia, a mãe de Mundo.”(idem, p.13)
  13. 13. JANO (Trajano)“Era a segunda vez que o via de muito perto, os olhosmiúdos acinzentados e a testa enrugada como se estivessesempre franzida. Em poucos anos a doença o envelheceramas a pose era a mesma. A camisa de linha engomada, azulcom botões de madrepérola; a calça branca, larga. O queeu lembrava do primeiro encontro: o cinturão, grosso,cinza-escuro, quase da cor dos olhos.” (HATOUM, 2005,p. 20)FOGO: Cachorro de Jano.“O cachorro tinha na pelagem umas manchas amareladasque o menino detestava porque um dia o pai dissera:„Manchas que brilham que nem ouro. Aliás, Fogo é umdos meus tesouros.‟”( idem, p. 11)
  14. 14. ARANAArtista e espécie de “guru” de Mundo que faz arte com“causa social”, objetos lindos como “peçasmarajoaras”que vende a preço de ouro aosestrangeiros. Com quem Mundo também sedecepciona. (CRISTO, 2007, p. 359)“Um assobio mais nítido, e então surgiu um homemalto e descabelado, feições arredondadas, olhosmiúdos. Descalço, só de bermuda, mãos amareladasde serragem. Abriu os braços num gesto exagerado,me abraçou e disse com voz grave: „Deves ser o amigode Mundo, não é? Vamos entrar. Mais um jovem noateliê do Arana.‟” (HATOUM, 2005, p. 41)
  15. 15. MACAU “Macau, que as vezes aparecia de paletóbranco, também era respeitado. Poucasclientes da costureira tinham chofer,...”(HATOUM, 2005, p. 38)NAIÁ“Ela (Alícia) riu e me encarou: „Não queresprovar a sobremesa de Naiá? A Naiá faztudo. E ainda tem tempo para mimar meufilho‟.”(idem, p. 31)
  16. 16. Tempo da história ≠ tempo do discursoInício da história: década de 60Fim da história: começo da década de 80Livro de mémorias, como Relato de um certo Oriente (1989)
  17. 17.  “[...] mas eu não quis saber a data nem a hora: detalhes que não interessam” (HATUOM, 2005, p.9) Algumas datas:1. 1961: mudança de Lavo e sua família para a Vila Olímpia;2. 1964: quando Lavo e Mundo começam a estudar juntos no colégio Pedro II;3. 1973(8): Morte de Jano;4. Agosto de 1980: morte de Mundo.
  18. 18. Narrativa de Lavo: linear,com alguns momentos derememoração (passadocontado por tia Ramira, tioRan, Alícia, Jano) e algumasprolepses.
  19. 19.  “No início de 1961, quando nos mudamos para o centro, o Morro da Catita ainda era formado de chácaras e casinhas esparsas” (HATOUM, 2005, p.23) “Cresci ouvindo meus tios brigarem por causa e Alícia” (idem, p. 24) “ „De qualquer forma‟, disse ele anos mais tarde” (idem, p.27)
  20. 20. “Foi só um sopro, pois 1973 acaboucom um acúmulo de infortúnios euma despedida” (HATOUM, 2005,p.169)“Quando o Electra prateado decolou,fiquei pensando na promessa deAlícia: depois da morte de Jano, elanunca mais viria a Manaus...Mas euainda tinha esperança de reverMundo” (idem, p.214)
  21. 21. “Foi só um sopro, pois 1973 acabou com um acúmulo de infortúnios e uma despedida” (HATOUM, 2005, p.69)“Quando o Electra prateado decolou, fiquei pensano na promessa de Alícia: depois da morte de Jano, ela nunca mais viria a Manaus...Mas eu ainda tinha esperança de rever Mundo” (idem, p.214)
  22. 22. A carta de tio Ran não é linear, ocorrem analepses nas quais há a narração da origem de Alícia, o relato de fatos ocorridos na infância de Mundo, além da vida e do passado do próprio Tio Ran.
  23. 23. “No oitavo mês de gravidez, tua mãe pediu a Jano que adiasse uma viagem à Vila Amazônia” (HATOUM, 2005, p. 215)“Lembro daquela noite de setembro o céu estava apagado, o aguaceiro do dia deixara a mata e a terra molhadas, e eu me escondi para ver quem ia sair de casa, se algum homem...” (idem, 2005, p.51)
  24. 24.  Nos capítulos 16 e 20 (epílogo), em que há a narração feita por Mundo, há a apresentação de fatos recentes, porém todos eles são relacionados a momentos e sensações da personagem vivida no passado. A última carta apresenta, em meio aos devaneios, fatos do passado, lembranças esparsas, além da narração de Alícia sobre a origem de Mundo (passado anterior à narrativa)
  25. 25. “Se soubesse que o herdeiro da VilaAmazônia virou um biscateiro...Lembro que Ranulfo me dizia pararecusar trabalhos tediosos e malremunerados.” (HATOUM, 2005,p.245)“Lembro de meus amigos fazendouma encenação maluca perto daRemnant Street”(idem, p.307)
  26. 26. “O tempo, que se atirava ferozmentecontra mim, dava a ela um ultimato. Eu eminha mãe, reféns um do outro, nós doisreféns do tempo” (HATOUM, 2005,p.308)“Pensei em reescrever minha vida de tráspara frente, de ponta-cabeça, mas nãoposso, mal consigo rabiscar, as palavrassão manchas no papel, e escrever é quaseum milagre...” (idem, p.9 e p.331)
  27. 27. “Ele me mostrou as telas...estava empolgado, orgulhoso; eu implorei pra ele tirar aquele ódio da alma. Disse que não ia tirar o que sobrara da vida... „Memórias‟, ele disse.” (HATOUM, 2005, p.293)
  28. 28. “Antes de mais uma viagem a rio Negro, ele me entregou o manuscrito, dizendo com ansiedade: “Publica logo o relato que escrevi. Publica com todas as letras...em homenagem à memória de Alícia e de Mundo. Atendi ao pedido do meu tio, mas não com a urgência exigida por ele – esperei muito tempo. Como epílogo, acrescentei a carta que Mundo me escreveu, antes do fim” (HATOUM, 2005, p.303)
  29. 29. Manaus na década de 1960
  30. 30. Região Central de Manaus em 1964
  31. 31. Colégio Pedro II em Manaus
  32. 32.  Temas recorrentes na obra: Revolta Trabalho versus Sonho Afeto versus Sangue Loucura Medo
  33. 33. BRAIT, Beth. A personagem. 7ª ed. São Paulo: EditoraÁtica, 1999. CANDIDO, Antonio, et. al. A personagem de ficção. 9ªed. São Paulo: Editora Perspectiva, 1998.CRISTO, Maria da Luz Pinheiro de (Org.). Arquitetura daMemória: ensaios sobre os romances Dois Irmãos, Relatode um Certo Oriente e Cinzas do Norte de MiltonHatoum. Manaus: Editora da Universidade Federal doAmazonas, 2007, p. 356-360.HATOUM, Milton. Cinzas do Norte. São Paulo:Companhia das Letras, 2005.
  34. 34. LEITE, Ligia Chiappini Moraes. O foco Narrativo. 9ªedição. São Paulo: Ática, 1999. (Série Princípios, 4) RIBEIRO, Milton. Cinzas do Norte, de Milton Hatoum.2009. Disponível em:http://miltonribeiro.opsblog.org/2009/03/30/cinzas-do-norte-de-milton-hatoum/. Acesso em: 16/06/10 SÉRGIO, Ricardo. A Personagem na Narrativa. Disponívelem:http://recantodasletras.uol.com.br/teorialiteraria/420168.Acesso em: 16/06/10TELAROLLI, Sylvia. O Norte da Memória. Revista deLinguagem, Cultura e Discurso. ano 4, n. 7, julho-dezembro2007. Disponível em:http://www.unincor.br/recorte/artigos/edicao7/7_artigo_sylviatelarolli.htm. Acesso em: 16/06/10.
  35. 35. http://www.youtube.com/watch?v=q9pvFKwtel8

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