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Intertextualidade em Monte Castelo: como os sentidos são construídos na composição

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Artigo apresentado à disciplina de Produção de Texto, do primeiro ano do Curso de Letras Português da Universidade Estadual de Londrina, Londrina, 2018.

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Intertextualidade em Monte Castelo: como os sentidos são construídos na composição

  1. 1. 1 Intertextualidade em Monte Castelo: como os sentidos são construídos na composição1 Mayara Vellardi Pinheiro2 RESUMO: Este artigo tem como objetivo compreender de que forma o recurso da intertextualidade é utilizado na letra da música Monte Castelo, analisando como se dá a construção de sentidos na canção, levando-se em conta o fenômeno da intertextualidade em suas diferentes possibilidades de utilização. É válido, também, verificar quais as relações intertextuais utilizadas pelo autor e os sentidos construídos nesse jogo de significados. Além disso, são estudados os recursos estilísticos empregados na obra para entendê-la melhor. Ao longo desta pesquisa também são apresentados alguns aspectos relacionados ao autor e às suas referências com o intuito de auxiliar na percepção da mensagem transmitida na construção da letra da música. Desta forma, ao realizar a análise da composição musical em estudo, nota-se que seu objeto central é o amor, uma das mais importantes paixões humanas. Além disso, observa-se que essas paixões estão presentes mesmo em diferentes épocas, portanto uma carta ou um soneto escritos outrora podem reverberar seu sentido por séculos ou milênios, como é o caso do objeto em estudo, a composição Monte Castelo. Palavras-chave: Intertextualidade. Construção de sentidos. Monte Castelo. Renato Russo. Camões. 0 INTRODUÇÃO O tema desenvolvido neste artigo é a intertextualidade presente na letra da música Monte Castelo, de Renato Russo. Essa questão já foi trabalhada em diversos artigos, porém, além de retomar os estudos já existentes, a intenção é analisar a obra sob uma nova ótica, procurando entender como e quais sentidos são construídos e, principalmente, por que ainda são partilhados socialmente, mesmo tendo sido composta em 1989. A letra traz o amor como assunto principal, mostrando o quanto esse assunto é importante para a humanidade. Além disso, aproveita para revelar duas faces diferentes dessa emoção, que pode ser contraditória em alguns momentos e que não se limita às paixões carnais, é algo que vai além disso, demonstrando que o sentimento pode aparecer de forma mais abrangente na sociedade. 1 Artigo apresentado à disciplina de Produção de Texto, do primeiro ano do Curso de Letras Português da Universidade Estadual de Londrina, Londrina, 2018. Orientadora: Profa. Dra. Isabel Cristiane Jerônimo. 2 Graduanda em Letras Português pela Universidade Estadual de Londrina – UEL. Graduada em Jornalismo pela Universidade São Judas Tadeu – USJT. Pós-graduada em Técnicas da Estrutura Gramatical e Textual da Língua Portuguesa - Universidade Nove de Julho - UNINOVE.
  2. 2. 2 O trabalho será estruturado da seguinte forma: primeiramente, serão apresentados os pressupostos teóricos – fatores linguísticos e sintáticos – a fim de se discutir o conceito de intertextualidade, de explorar os aspectos estilísticos e compreender como podem ser aplicados; posteriormente, será estudada brevemente a biografia de Renato Russo, associando-a ao momento de sua vida em que compôs a música; em seguida, será feita a análise da canção, buscando-se os elementos de intertextualidade presentes e procurando atribuir-lhes os efeitos de sentido esperados pelo autor; após esta etapa, serão estudadas as paixões humanas e como elas se mantém mesmo com o passar do tempo, para, então, chegar-se aos resultados da análise, seguidos das considerações finais. 1 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 1.1 INTERTEXTUALIDADE: DEFINIÇÃO E TIPOS Compreender o que é e quais são os tipos de intertextualidade, como e onde ela pode ser utilizada, são fatores primordiais para iniciar a discussão sobre o tema deste trabalho. De acordo com Castro (2002, p.11), devemos levar em conta que: Nenhum discurso é autônomo – todos os discursos resultam da combinação de outros discursos, proferidos por outras vozes, em um processo conhecido como intertextualidade (um texto contido em outro texto, o qual, por sua vez, deriva de outro texto, em uma sucessão de textos que se sobrepõem). A intertextualidade é bastante utilizada como recurso em diversos meios de comunicação, obras de arte, publicidade, filmes, músicas, entre outros. Ela pode ser temática, estilística, explícita ou implícita. Segundo Koch, Bentes e Cavalcante (2008), a intertextualidade temática costuma estar presente em textos científicos da mesma área do saber, em correntes de pensamentos com temas em comum, ou ainda, na mídia em geral, principalmente em certos períodos que um determinado assunto é o foco das notícias. A intertextualidade estilística ocorre em situações em que o produtor do texto repete, imita, parodia estilos ou variedades linguísticas, como a reprodução da linguagem bíblica, jargão profissional ou até mesmo dialetos. Ainda segundo as mesmas autoras, na intertextualidade explícita é
  3. 3. 3 inserida uma atribuição ao texto ou fragmento utilizado, como as citações, referências, menções, resumos, resenhas e traduções, por exemplo. Já intertextualidade implícita espera que o leitor/ouvinte seja capaz de reconhecer a presença do intertexto, por isso, não utiliza menção das fontes utilizadas, conforme afirmam Koch, Bentes e Cavalcante (2008, p.30): Tem-se a intertextualidade implítica quando se introduz, no próprio texto, intertexto alheio, sem qualquer menção explícita da fonte, com o objetivo quer de seguir-lhe a orientação argumetativa, quer de contraditá-lo, colocá-lo em questão, de ridicularizá-lo ou argumentar em sentido contrário. O texto traz consigo marcas pessoais do autor, revelando suas escolhas e suas preferências. De acordo com Linhares (2010, p.96) “Entendemos que a escolha das formas de expressão da intertextualidade resulta do trabalho do autor, e revela o jogo entre seu estilo pessoal, suas escolhas, e o estilo do gênero.” Existe intertextualidade em muitas composições, incluindo Monte Castelo, devido ao fato de que elementos trazidos por outros autores podem auxiliar no processo da elucidação das ideias. Em Samoyault (2008, p.20) encontra-se o esclarecimento para essa questão: A noção de alteridade é decisiva para estabelecer esse movimento dos textos, esse movimento da linguagem que carrega outras palavras, as palavras dos outros. É, segundo Bakhtin, o próprio movimento da vida e da consciência [...] A consciência é constantemente preenchida de elementos exteriores a ela, ingredientes trazidos por outrem e necessários à sua realização [...] Para compreender mais amplamente a construção de sentidos na composição, é importante explorar os fatores linguísticos e sintáticos além da intertextualidade. 1.2 A ESTILÍSTICA DA COMPOSIÇÃO A estilística possui uma série de sentidos de acordo com diversos contextos, como o estilo de um escritor, de um músico, de um humorista, entre outros. Portanto, o termo acaba sendo bastante abrangente, mas o estudo será afixado no estilo relacionado ao uso da linguagem para fins literários, conforme explica Monteiro (2005, p.44):
  4. 4. 4 Esse traço de individualidade é assinado por diversos autores: O estilo deve ser entendido como resultado da expressão de uma subjetividade (Reis, 1981:151); Compreendemos por estilo o caráter individual e unificante de uma obra realizada intencionalmente (Mathesius, ap. Vachek, 1970); O estilo é a definição de uma personalidade em termos linguísticos (Câmara Jr., 1977: 13); O estilo é o aspecto do enunciado que resulta de uma escolha dos meios de expressão, determinada pela natureza e pelas intenções do indivíduo que fala ou escreve (Guiraud, 1954a); O estilo constitui a marca da individualidade do sujeito no discurso (Dubois et al., 1973). Para compreender a natureza da composição em estudo, necessita-se estudar os sentidos denotativos e conotativos. Grosso modo, a denotação é quando emprega-se o sentido literal da palavra e a conotação é quando utiliza-se o sentido figurado. Segundo Moisés (2013, p.85,86): [...] a conotação designa, de modo geral, os vários sentidos que os signos linguísticos, isoladamente ou em frases, adquirem no contato com outros signos ou frases no interior de um texto. Por contiguidade, o sentido primitivo ou literal (denotativo), sofre alteração e amplia-se, tornando-se plural ou multívoco. Ao mesmo tempo, por associação mental, encadeiam-se imagens ou alusões, que remetem para significados extratextuais, sem contar o impacto da subjetividade presente no ato de assimilar os múltiplos sentidos das palavras e dos períodos. A letra de Monte Castelo possui, como será visto em análise posterior, muito da poesia de Camões em seu conteúdo e, naturalmente, os poemas são considerados conotativos, portanto grande parte da letra da música tem sentidos conotativos. De acordo com Moisés (2013, p.86): [...] a poesia é por natureza conotativa, mas não dispensa o sentido denotativo, que consitui necessariamente um dos seus sentidos, visto que “a conotação pressupõe a denotação”, ou seja, “ as unidades conotativas inscrevem-se na trama da linguagem denotativa” [...] Algumas figuras de linguagem se fazem presentes na canção em estudo, como exemplo pode-se citar: o oxímoro, a metáfora e a personificação. O oxímoro denota ideias antagônicas trazidas juntas em um mesmo texto, no qual elas se contradizem. Segundo Moisés (2013, p.342), [...] consiste na fusão, num só enunciado, de dois pensamentos que se excluem mutuamente. Pode formar- se de palavras, frases ou orações contrastantes ou antônimas [...]. A metáfora realiza a produção de sentidos figurados por meio de
  5. 5. 5 comparações, pode ser um significado a partir de duas ideias confrontadas. Moisés (2013, p.295) afirma que: [...] a metáfora se concentra num sintagma em que aparecem contraditoriamente a identidade de dois significantes e a não identidade de dois significados correspondentes. E como os termos “identidade”, “equivalência” e “analogia” lhes saltam necessariamente da pena em consequência da tarefa descritiva, acrescentam que “não têm por objetivo senão designar aproximativamente o nível relativo da classe-limite em relação àquelas onde os dois temas figuram como indivíduos”. Para concluir que a metáfora “se baseia numa identidade real manifesta pela intersecção de dois termos para afirmar a identidade dos termos na sua totalidade. Estende à reunião dos dois termos uma propriedade que somente pertence à sua intersecção”. A personificação ou prosopopeia confere vida a seres inanimados, segundo Moisés (2013, p.385): [...] consiste em atribuir vida, ou qualidades humanas, a seres inanimados, irracionais, ausentes, mortos ou abstratos. Espécie de humanização ou animismo, pode dar-se de vários modos, a saber: quando se conferem qualificativos próprios do ser humano a objetos inanimados e a abstrações [...] Outro recurso a ser estudado para auxiliar na compreensão da construção de sentidos na composição é a questão das orações subordinadas concessivas, para isso, faz-se necessário entender o que é subordinação e o quais são as conjunções concessivas, como se vê em Martins (2000, p.139,140): A oração subordinada é um termo da oração subordinante, equivalendo a um substantivo, ou adjetivo, ou advérbio.Todos os falantes empregam os diversos casos de subordinação; entretanto a construção de um período mais longo, em que predomine a subordinação, em que as ideias apareçam adequadamente relacionadas, requer maior domínio da língua, maior trabalho de raciocínio. Ainda segundo Martins (2000, p.141) “Por subordinação, temos as orações chamadas concessivas, que podem ter formulação bastante variada, com diferentes graus de intensidade e índice de ocorrência.” A conjunção concessiva inicia a oração expressando uma ideia oposta à principal, mas mesmo assim não impede sua realização. Seguem alguns exemplos de acordo com Martins (2000, p. 141) “[...] com a conjunção embora ou equivalentes (ainda que, mesmo que, se bem que, posto (que), apesar de que). [...]”
  6. 6. 6 Após pesquisar os pressupostos teóricos – o conceito de intertextualidade e os aspectos estilísticos – e compreender como podem ser aplicados, chega o momento de estudar brevemente a biografia de Renato Russo e suas referências. 1.3 CONSIDERAÇÕES SOBRE O AUTOR E SUAS REFERÊNCIAS Associar o momento que Renato Russo estava passando em sua vida na época em que compôs a música pode auxiliar na compreensão sobre suas escolhas intertextuais – trecho da Carta aos Coríntios e trechos do soneto de Camões – e na compreensão do porquê a letra ainda é partilhada socialmente, mesmo tendo sido escrita em 1989. O cantor era homossexual e sofria preconceito devido a sua orientação sexual. Esse pode ter sido um dos motivos pelos quais ele quis retratar em sua música o amor universal. Sua mãe, Carminha Manfredini, relatou o que Renato Russo dissera, uma vez, a respeito de sua sexualidade: Por Dona Carminha Manfredini, mãe de Renato Russo: Era um dia de semana qualquer, sem nada de especial, no final dos anos 80. Me lembro que eles lançavam o disco As Quatro Estações [1989]. Estávamos na cozinha de casa, apenas nós dois, preparando o almoço. O Júnior veio, me deu um beijo e falou: ‘Mãe, preciso conversar com a senhora’. Fiquei tão feliz – pensei que ele finalmente anunciaria seu noivado com uma namorada que ele tinha já havia muito tempo. Mas ele afirmou: ‘Não vou me casar com ela. Vou me assumir. Quero me relacionar com homens e mulheres’. (DEURSEN, 2017) Em 1989, Russo conheceu um rapaz e se envolveu emocional e fisicamente com ele, esse fato também pode ter influenciado suas composições musicais na época. Seu relacionamento mais longo, porém, durou apenas seis meses e foi como um rapaz chamado Robert Scott Hickmon. Os dois se conheceram em Nova York, em novembro de 1989, e chegaram a morar juntos durante pouco tempo em 1990.3 A intertextualidade presente na música do roqueiro começa desde o título. 3 CONTEÚDO, Estadão. Isto é. 20 anos sem Renato Russo: veja 12 curiosidades sobre vocalista da Legião Urbana. 2016. Disponível em: <https://istoe.com.br/20-anos-sem-renato-russo-veja-12- curiosidades-sobre-vocalista-da-legiao-urbana/> Acesso em: 13 nov. 2017.
  7. 7. 7 O nome dado à composição é um local na Itália em que os militares brasileiros operaram durante a Segunda Guerra Mundial: O título faz referência a uma região ao norte da Itália, onde militares brasileiros e estadunidenses guerrearam já no final da segunda Guerra mundial. Pegando por base esta referencia podemos dizer que a intertextualidade não está tão evidente como no restante da música por se tratar de um fato que às vezes nem é tão lembrado ou conhecido por esta nova geração. (ANDRADE, 2014, p.2) A atuação dos militares brasileiros foi realizada com louvor, mesmo enfrentando inúmeras dificuldades, eles obtiveram sucesso ao final de sua jornada. A conquista do Monte Castelo na cordilheira apenina, no norte da Itália, foi uma atuação heroica dos soldados brasileiros. Mesmo mal treinados, com equipamento inadequado e enfrentando um frio de até 15 ºC negativos, eles conseguiram derrotar as forças alemãs que estavam entrincheiradas no alto do monte Castelo. O resultado das operações conjuntas com outras forças na batalha foi a expulsão dos alemães dos montes Apeninos, permitindo uma ofensiva dos aliados no norte da Itália que marcaria o fim dos confrontos no país. (NAVARRO, 2005 apud ANDRADE, 2014, p.2) Ainda sobre o título da canção, na década em que foi escrita, o Brasil estava passando por intensos movimentos políticos e o amor à pátria foi ressaltado, como se vê em Andrade: Renato Russo escreveu esta música na década de 80, exatamente onde os movimentos da juventude estudantil saiam paras ruas pedindo “diretas já”, sendo um período caracterizado pela conturbação e repressão. Onde muitas ações foram efetuadas em nome do amor a pátria e contra qualquer exploração econômica, política ou moral. (2014, p.3) De certa forma, a música resgata o quanto o país já foi prejudicado pelas guerras e pela falta de amor. Conforme Andrade (2014, p.3) “Pode-se dizer que o eu-lírico trata-se da pátria brasileira pedindo socorro, recorrendo ao amor como porto seguro. A mensagem é de ruptura com a situação caótica e repressiva do país.” Prosseguindo o trabalho, para dar sentido a este artigo é essencial entender o porquê a letra ainda continua sendo compartilhada socialmente mesmo tendo sido escrita em 1989 e tendo utilizado elementos tão antigos, como o tão conhecido soneto de Camões sobre o amor e a carta aos Coríntios presente na Bíblia.
  8. 8. 8 O soneto de Camões não tem registro de data, mas para se ter uma noção da época em que foi escrito, será utilizada como referência a data de seu nascimento e de sua morte. De acordo com Frazão (2017) não se sabe o ano exato do nascimento de Luís de Camões, supõe-se que foi em 1524, já o ano de sua morte foi registrado em 1580. Por abordar um tema tão relevante para a humanidade, o poema influenciou diversos escritores ao longo dos séculos, inclusive Renato Russo. [...] este soneto conseguiu influenciar tantos outros escritores que vieram depois dele, e ainda continua a inspirar como é o caso do cantor e compositor Renato Russo da banda Legião Urbana, que canta “Monte Castelo” [...] (FIGUEIREDO, 2011, p.8) Ao estudar a obra de Camões, nota-se em seu poema a transmissão da ideia de que o amor deve ser vivenciado e não apenas explicado para que as experiências possam acontecer e o sentimento venha a florescer. [...] a forte influência que Platão exerceu sobre as poesias de Camões, primordialmente no que diz respeito a Beleza e ao Amor, pois Camões comunga dos mesmos ideais platônicos, que o amor não pode ser apenas cantado. No entanto precisa-se racionalizar o sentimento e para que isso aconteça tem-se que vivê-lo. (FIGUEIREDO, 2011, p.5) Ao escrever o soneto, o autor tenta explicar esse sentimento tão controverso que é o amor, demonstrando ao longo de suas estrofes que essa emoção possui mais de uma face, chegando a ser contraditória, por vezes. Este soneto é uma tentativa de definir o amor. A impossibilidade desta definição é apresentada pelas contradições existentes entre os termos positivos e negativos. Este jogo estrutural realizado por paradoxos causa o efeito de complexidade do amor, um tema tratado por tantos outros textos, mas não mostrado na sua dualidade. A definição do amor o tornaria algo objetivo. Sua falta de definição o coloca no lugar de subjetividade e complexidade: ele pode ser tudo ou nada, bom ou ruim, positivo ou negativo, material ou espiritual. Na realidade, o soneto trata da impossibilidade de definir o amor e das incertezas e contrariedades deste sentimento. Há uma tentativa de definição no começo do soneto “Amor é...”, porém, todas as definições são impossibilitadas ao finalizar o soneto por um sinal de interrogação, demonstrando a dúvida e criando incertezas de tudo aquilo que foi definido anteriormente. (BORGES, 2010, p. 476) Da mesma forma que o soneto de Camões foi utilizado na letra da música, a Carta aos Coríntios também é relevante para esclarecer a essência da
  9. 9. 9 mensagem e para compreender o fato de ter sido escolhida como intertexto. A carta aos Coríntios provavelmente foi escrita no ano 55 da era comum. “1 e 2 Cor, Gl e Rm são as quatro grandes cartas e trazem as linhas teológicas principais de Paulo. Datam provavelmente do período da terceira viagem missionária, em torno do ano 57.” (BÍBLIA, 2014, p.1367) O apóstolo Paulo escreveu a carta com o intuito de transmitir uma mensagem ao povo de Corinto, para que mudassem suas atitudes dentro da igreja e também perante aos seus semelhantes, melhorando o convívio entre eles e diminuindo a rebeldia. “Coríntios foi escrita para, principalmente, combater a rebeldia, as divisões e a falta de amor que tinham sido causadas pelo orgulho e pela presunção na igreja de Corinto.” (DEUSDETE, 2015, p.1) O amor em sua forma mais pura é exaltado na carta do apóstolo para incentivar seus leitores a seguirem o caminho da paz e se reconciliarem entre si, diminuindo os conflitos gerados pela possível escassez deste sentimento naquela sociedade. Paulo ao saber das intrigas que se passavam na igreja de corintos escreveu lhes exortativamente sobre o amor divino puro e verdadeiro, que vence as barreiras de todas as relações interpessoais. Seu propósito era conclamar o povo de Corinto a vivencia da essência do amor, sem o qual qualquer outra ação seria em vão. (ANDRADE, 2014, p.3) Quando Paulo trata do amor, não aborda somente o amor carnal, entre homem e mulher, ele cita diversos aspectos do amor mais puro que existe, aquele que tudo suporta, que tudo crê, um sentimento divino. O elogio ao amor fala por si. Trata-se do ‘caminho bem melhor’, anunciado em 12, 31, com relação aos demais carismas. Compreende o amor cristão entre irmãos e irmãs, também traduzido como ‘caridade’, em grego ágape. Proclama-se a superioridade do amor sobre os demais dons. (vv. 1-3). Em seguida, quinze qualidades do amor (vv. 4-7), que é imperecível (vv. 8-13). (BÍBLIA, 2014, p.1400) Além das referências utilizadas e do estilo empregado pelo autor em sua composição, há mais uma questão relevante a ser estudada: as paixões humanas e como elas se mantém ao longo do tempo.
  10. 10. 10 1.4 AS PAIXÕES HUMANAS As paixões humanas são como leis naturais imutáveis. Pode-se mudar de país, de cultura, de época, mas o amor, a paixão, o ódio, enfim, os sentimentos, permanecem os mesmos. Isso auxilia no entendimento do porquê algumas obras continuam com sentidos tão contemporâneos e ainda compartilhados socialmente, mesmo tendo sido criadas há tanto tempo. O fragmento abaixo da obra de Geertz esclarece bem essa questão: [...] existem leis; parte da sua imutabilidade talvez seja obscurecida pelas armadilhas da moda local, mas ela é imutável. Uma citação que faz Lovejoy (cuja análise magistral estou seguindo aqui) transcrevendo um historiador iluminista, Mascou, apresenta a posição com a rudeza útil que muitas vezes se encontra num autor menor: O cenário (em períodos e locais diferentes) é alterado, de fato, os atores mudam sua indumentária e aparência; mas seus movimentos internos surgem dos mesmos desejos e paixões dos homens e produzem seus efeitos nas vicissitudes dos reinos e dos povos. [...] A enorme e ampla variedade de diferenças entre os homens, em crenças e valores, em costumes e instituições, tanto no tempo como de lugar para lugar, é essencialmente sem significado ao definir sua natureza. Consiste em meros acréscimos, até mesmo distorções, sobrepondo e obscurecendo o que é verdadeiramente humano — o constante, o geral, o universal — no homem. (GEERTZ, 2008, p.25, 26) Para entender quais são as paixões humanas, Descartes (1998, p.255) explica que há seis tipos de paixões primitivas: a admiração, o amor, o ódio, o desejo, a alegria e a tristeza. As demais paixões derivam de algumas dessas seis. A manifestação das paixões ocorre por meio de experiências vivenciadas no âmbito emocional que se tornam perceptíveis ao corpo físico devido à sua intensidade, como afirma Pinheiro (2005, p.10): Assim, para que uma paixão se manifeste, é preciso que o corpo provoque algo na alma, bem como é necessário que o espírito perceba, sinta que foi atingido. Sensações como o frio e o calor, apetites como a fome e a sede, sentimentos como o amor e o ódio são considerados paixões para o cartesianismo, visto que não podem acontecer sem um corpo, ou algo diferente da mente, e um espírito que tenha consciência desta experiência. Desta forma, é válido salientar que a paixão não é uma afecção do corpo, uma experiência física ou fisiológica. É um acontecimento que se passa no espírito, é uma percepção, e, como toda percepção, ela acontece na alma e não no corpo. Além das paixões humanas, entende-se que os assuntos tratados em
  11. 11. 11 sociedade, àqueles comuns aos homens, não são inteiramente novos, eles repassam por questões históricas, portanto, retomar textos de épocas remotas como séculos ou milênios passados, pode fazer sentido e continuar sendo compartilhado socialmente mesmo na contemporaneidade. Entende-se que os diálogos sociais não se repetem de maneira absoluta, mas não são completamente novos, reiteram marcas históricas e sociais, que caracterizam uma dada cultura, uma dada sociedade. (BRAIT, 2006, p.118) Para a captação das informações necessárias à efetivação deste artigo foram necessárias realizações de pesquisas e levantamento de dados históricos que serão explicados no decorrer da metodologia. 2 METODOLOGIA Para compreender a intertextualidade utilizada na música Monte Castelo de Renato Russo, o tipo de pesquisa utilizado foi o descritivo. Segundo Gil (2008, p.28) “Algumas pesquisas descritivas vão além da simples identificação da existência de relações entre variáveis, pretendendo determinar a natureza dessa relação.” Foram empregados os seguintes procedimentos: pesquisa histórica e bibliográfica, nas quais foram utilizados livros, artigos, materiais da internet e de outros meios de comunicação. “São inúmeros os problemas que podem ser pesquisados a partir de dados fornecidos por documentos de comunicação de massa. Para as pesquisas de natureza histórica, a importância dessas fontes é evidente.” (GIL, 2008, p.152) Como instrumento da coleta de dados foram realizadas pesquisas documentais, por serem confiáveis em relação ao período que se deseja estudar. De acordo com Gil, (2008, p.153) “[...] os dados documentais, por terem sido elaborados no período que se pretende estudar, são capazes de oferecer um conhecimento mais objetivo da realidade.” A abordagem escolhida para interpretar e analisar as informações sobre os elementos envolvidos na criação do autor foi a qualitativa. A natureza deste estudo é básica, pois visa compreender verdades e interesses universais sem
  12. 12. 12 aplicação prática prevista. Para interpretar os resultados, o pesquisador precisa ir além da leitura dos dados, com vistas a integrá-los num universo mais amplo em que poderão ter algum sentido. Esse universo é o dos fundamentos teóricos da pesquisa e o dos conhecimentos já acumulados em torno das questões abordadas. (GIL, 2008, p.178) Após estudar as características linguísticas e sintáticas, pesquisar sobre o autor e suas referências e vislumbrar o tema paixões humanas, chega o momento de seguir adiante no trabalho e analisar tudo o que foi visto, fazendo o cruzamento das informações adquiridas. 3 ANÁLISE Ao analisar os dados trazidos para este artigo pode-se dizer que o tipo de intertextualidade utilizado por Renato Russo em sua composição musical é a implícita, pois ele insere na letra da música Monte Castelo, um trecho da carta aos Coríntios e também da poesia de Camões sem mencionar as fontes, mas deixa clara sua intenção de seguir a orientação argumentativa sobre o amor. Ao estudar a estilística do texto, foram encontradas três figuras de linguagem: o oxímoro trazendo ideias opostas; a metáfora demonstrando os sentidos denotativo e conotativo da palavra fogo relacionada ao amor; e a personificação, tratando o amor como se fosse uma pessoa com sentimentos. Essas figuras de linguagem contribuem para dar o sentido esperado pelo autor na canção, demonstrando as diferentes faces do amor e realizando a junção de diferentes intertextos. O corpus traz, em grande parte, o oxímoro como recurso, como exemplo, pode-se citar alguns trechos que demonstram ideias contrárias em relação ao amor, em que o sentimento representa algo que é e que não é ao mesmo tempo : [...] É ferida que dói e não se sente É um contentamento descontente É dor que desatina sem doer [...] [...] É um não querer mais que bem querer É solitário andar por entre a gente É um não contentar-se de contente É cuidar que se ganha em se perder É um estar-se preso por vontade É servir a quem vence, o vencedor
  13. 13. 13 É um ter com quem nos mata a lealdade Tão contrário a si é o mesmo amor [...] O trecho: O amor é o fogo que arde sem se ver [...] presente na composição Monte Castelo é um exemplo de metáfora, pois o termo fogo possui dois significados, seu sentido denotativo (fonte de calor e luz, resultado da combustão de materiais inflamáveis) e possui também o sentido conotativo, figurados (paixão, excitação). A utilização da personificação no objeto em estudo pode ser exemplificada pelo seguinte trecho da música, que traz consigo a ideia de que o amor age como uma pessoa que conhece a verdade, que não quer o mal e que não sente inveja, nem vaidade: [...] É só o amor, é só o amor Que conhece o que é verdade O amor é bom, não quer o mal Não sente inveja ou se envaidece [...] Outro recurso notado na obra Monte Castelo é a utilização das orações subordinadas concessivas, cuja ideia está relacionada ao contraste. Como exemplo, pode-se citar os momentos em que Russo utiliza no início de suas frases a conjunção: ainda que. “Ainda que eu falasse a língua dos homens e falasse a língua dos anjos sem amor, eu nada seria [...]” Entende-se que Russo, ao inserir o título Monte Castelo e falar sobre o amor, abordou o sentimento de diversas formas. Trouxe para a composição o que estava acontecendo com seu país historicamente, fazendo uma ligação entre a guerra que os militares brasileiros participaram obtendo um resultado heróico e também o momento de revoluções (como Diretas Já na década de 80). O amor e suas faces contraditórias são trazidos para a composição por meio do soneto de Camões para demonstrar o quão complexo é esse sentimento. De certa forma, há uma possibilidade do autor ter abordado o que estava sentindo em sua vida pessoal na época em que escreveu a música, pois estava envolvido em um romance homoafetivo. A divindade do amor aparece nos trechos em que o autor utilizou como referência a Carta aos Coríntios, colocando o sentimento acima dos problemas
  14. 14. 14 humanos e agindo como um instrumento capaz de resolvê-los. [...] é só o amor Que conhece o que é verdade O amor é bom, não quer o mal Não sente inveja ou se envaidece E para compreender o porquê da utilização do soneto de Camões escrito há séculos e a carta do apóstolo Paulo escrita há milênios ainda fazerem tanto sentido e serem partilhadas socialmente, inclusive na composição Monte Castelo, nota-se que as paixões humanas são as mesmas daquelas épocas. Além disso, entende-se que os assuntos comuns aos homens, tratados em sociedade, não são inteiramente novos, eles continuam fazendo sentido mesmo na contemporaneidade. 4 CONSIDERAÇÕES FINAIS Inicialmente, as principais finalidades deste artigo eram compreender de que forma o recurso da intertextualidade é utilizado na letra da música Monte Castelo e analisar como se dá a construção de sentidos na canção. Para alcançar os objetivos, foram estudados os tipos de intertextualidade, as figuras de linguagem, o estilo empregado na composição, as referências utilizadas pelo autor e as paixões humanas. A comparação e a análise de todos esses elementos nortearam o sentido do trabalho, fazendo com que se chegasse ao resultado esperado. Ao utilizar trechos da Carta aos Coríntios, do Soneto de Camões e intitular sua composição com o nome da cidade da Itália na qual os soldados brasileiros obtiveram resultados heróicos, Renato Russo consagrou sua música utilizando um dos temas das paixões humanas mais importantes para a sociedade: o amor e suas contraditórias faces. O autor fez uma mescla de acontecimentos na política e na história de sua pátria, para isso, empregou a intertextualidade implícita como recurso, não citando suas fontes diretamente, esperando assim, que seus interlocutores entendessem seu trabalho com a linguagem. Como grande parte dos problemas enfrentados pelos homens (aqueles que despertam as grandes paixões) são comuns mesmo em diferentes épocas, conteúdos produzidos há séculos ou até mesmo milênios podem continuar fazendo
  15. 15. 15 sentido mesmo na atualidade, como é o caso dos intertextos utilizados na composição Monte Castelo, objeto deste estudo. REFERÊNCIAS ANDRADE, Paulo Marcos Ferreira. Análise Literária: Intertextualidade na música Monte Castelo - Legião Urbana. Cuiabá: Universidade Federal de Mato Grosso, Curso de Letras/Espanhol, 2014. Disponível em: <http://www.webartigos.comstorageappuploadspublic5884ce45c5884ce45c4401164 291583.pdf> Acesso em: 10 nov. 2017. BORGES, Ellen Valotta Elias. O texto literário como objeto de comunicação social: a intertextualidade presente na música “Monte Castelo”, de Renato Russo, por meio de textos literários. II Colóquio da Pós-graduação em Letras, Assis – SP: UNESP, 2010. Disponível em: <http://www.assis.unesp.br/Home/PosGraduacao/Letras/ColoquioLetras/ellenvalotta. pdf> Acesso em: 10 nov. 2017. BRAIT, Beth. Bakhtin: outros conceitos-chave. São Paulo: Contexto, 2006. CASTRO, Rita de Cássia Marques Lima de. O poder da comunicação e a intertextualidade. São Paulo: Fundação Getúlio Vargas, 2002. Disponível em: <http://www.bocc.ubi.pt/pag/castro-rita-o-poder-da-comunicacaoe-a- intertextualidade.pdf> Acesso em: 10 nov. 2017. DESCARTES, René. As paixões da alma. São Paulo, Martins Fontes, 1998. DEUSDETE, Daniel. Estudo sobre a I Carta de São Paulo aos Coríntios. 2015. Disponível em: <http://www.jamaisdesista.com.br/2015/12/i-corintios-13-1-13-o- amor-nas-maos-de.html> Acesso em: 13 nov. 2017. DEURSEN, Felipe Van. Mundo Estranho. 7 histórias pouco conhecidas de Renato Russo. 2017. Disponível em: < https://mundoestranho.abril.com.br/cultura/7- historias-pouco-conhecidas-de-renato-russo/> Acesso em: 03 jan. 2018. FRAZÃO, Dilva. Ebiografia. Luiz de Camões. 2017. Disponível em: <https://www.ebiografia.com/luis_camoes/> Acesso em: 06 jan. 2018. FIGUEIREDO, Maria Jucineide de Farias. As faces da lírica Camoniana. Guarabira – PB: Universidade Estadual da Paraíba, 2011. Disponível em: <http://dspace.bc.uepb.edu.br/jspui/bitstream/123456789/1426/1/PDF%20- %20Maria%20Jucineide%20de%20Farias%20Figueiredo.pdf> Acesso em: 10 nov. 2017. GEERTZ, Clifford. A interpretação das culturas. 1 ed. Rio de Janeiro: LTC, 2008. GIL, Antônio Carlos. Métodos e técnicas da pesquisa social. 6 ed. São Paulo: Atlas, 2008. KOCH, Ingedore G. Vilhaça; BENTES, Anna Christina; CAVALCANTE, Mônica Magalhães. Intertextualidade: diálogos possíveis. São Paulo: Cortez, 2008.
  16. 16. 16 LINHARES, Allan de Andrade. Intertextualidade e produçao de efeitos de sentido em artigos de opinião. Revista do Gelne, Piauí: Universidade Federal do Piauí, v.12, n.1/2, 2010. Disponível em: <https://periodicos.ufrn.br/gelne/article/viewFile/11440/8050> Acesso em: 11 nov. 2017. MARTINS, Nilce Sant´Anna. Introdução à estilística: a expressividade na Língua Portuguesa. São Paulo: T.A. Queiroz, 2000. MOISÉS, Massaud. Dicionário de termos literários. São Paulo: Cultrix, 2013. MONTEIRO, José Lemos. A Estilística: manual de análise e criação do estilo literário. Petrópolis, RJ: Vozes, 2005. PASTORAL, Nova Bíblia. Português. Coríntios, cap. 13, versículos 1 a 13, p.1400; Cartas do apóstolo Paulo, p.1367. Tradução por: FRIZZO, Antonio Carlos; SCARDELAI, Donizete; KAEFER, José Ademar; PRADO, Luiz Gonzaga do; BAZAGLIA, Paulo; VASCONCELLOS, Pedro Lima. São Paulo: Paulus, 2014. PINHEIRO, Juliana da Silveira. As paixões segundo Descartes: obscuras e irrecusáveis experiências. Controvérsia, Fortaleza, v. 3 n° 1, Jan-Jun 2007. Disponível em: < http://revistas.unisinos.br/index.php/controversia/article/view/7039> Acesso em: 12 jan. 2018. SAMOYAULT, Tiphaine. A Intertextualidade. São Paulo: Aderaldo & Rothschild, 2008.
  17. 17. 17 ANEXOS Monte Castelo Banda: Legião Urbana Compositor: Renato Russo Ainda que eu falasse a língua dos homens E falasse a língua dos anjos Sem amor, eu nada seria É só o amor, é só o amor Que conhece o que é verdade O amor é bom, não quer o mal Não sente inveja ou se envaidece O amor é o fogo que arde sem se ver É ferida que dói e não se sente É um contentamento descontente É dor que desatina sem doer Ainda que eu falasse a língua dos homens E falasse a língua dos anjos Sem amor, eu nada seria É um não querer mais que bem querer É solitário andar por entre a gente É um não contentar-se de contente É cuidar que se ganha em se perder É um estar-se preso por vontade É servir a quem vence, o vencedor É um ter com quem nos mata a lealdade Tão contrário a si é o mesmo amor
  18. 18. 18 Estou acordado e todos dormem Todos dormem, todos dormem Agora vejo em parte Mas então veremos face a face É só o amor, é só o amor Que conhece o que é verdade Ainda que eu falasse a língua dos homens E falasse a língua dos anjos Sem amor, eu nada seria Fonte: VAGALUME. Monte Castelo. Disponível em: <https://www.vagalume.com.br/legiao-urbana/monte-castelo.html> Acesso em: 11 nov. 2017.
  19. 19. 19 ANEXO 2 Carta aos Coríntios 13 - 1:13 Apóstolo Paulo ¹ Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos, se eu não tenho amor, sou como sino ruidoso ou como címbalo estridente. ² Ainda que eu tenha o dom de profecia, o conhecimento de todos os mistérios e de toda a ciência, ainda que eu tenha toda a fé, a ponto de mover montanhas, se eu não tenho o amor, eu nada sou. ³ Ainda que eu reparta todos os meus bens, ainda que eu entregue meu corpo às chamas se eu não tenho amor, nada disso me adianta. 4 O amor é paciente, prestativo é o amor, não é invejoso, não se vangloria, não se incha de orgulho. 5 Não falta com o respeito, não é interesseiro, não se irrita, não planeja o mal. 6 Não se alegra com a injustiça, se alegra com a verdade. 7 Tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. 8 O amor nunca acabará. As profecias desaparecerão, as línguas cessarão, o conhecimento desaparecerá. 9 Pois conhecemos em parte e profetizamos em parte. 10 Mas, quando chegar a perfeição, o que é parcial desaparecerá. 11 Quando eu era criança, falava como criança, pensava como criança, raciocinava como criança. Quando me tornei adulto, abandonei as coisas de criança. 12 Pois agora vemos por reflexo em espelho, mas depois veremos face a face. Agora conheço em parte mas depois conhecerei tal como sou conhecido. 13 Agora permanecem a fé, a esperança e o amor, essas três coisas. A maior delas é o amor. Fonte: PASTORAL, Nova Bíblia. 2014. Coríntios, cap. 13, versículos 1 a 13, p.1400.
  20. 20. 20 ANEXO 3 Soneto: Amor é fogo que arde sem se ver Luís Vaz de Camões Amor é fogo que arde sem se ver; É ferida que dói, e não se sente; É um contentamento descontente; É dor que desatina sem doer. É um não querer mais que bem querer; É um andar solitário entre a gente; É nunca contentar-se de contente; É um cuidar que se ganha em se perder. É querer estar preso por vontade; É servir a quem vence, o vencedor; É ter com quem nos mata, lealdade. Mas como causar pode seu favor Nos corações humanos amizade, Se tão contrário a si é o mesmo Amor? Fonte: PENSADOR. Amor é fogo que arde sem se ver. Disponível em: <https://www.pensador.com/amor_e_fogo_que_arde_sem_se_ver/> Acesso em: 03 jan. 2018.

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