Jornal Campus - Edição 330

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Jornal Campus - Edição 330

  1. 1. CAMPUS Jornal-laboratório da Faculdade de Comunicação, Universidade de Brasília. cultura cidades Ano 38 Edição 330, de 3 a 18 de outubro de 2008 esporte http://www.fac.unb.br/campusonline Rádios locais ignoram produção Filosofia sai da sala de aula e Mesmo sem tradição no futebol, musical brasiliense chega aos consultórios DF é referência na arbitragem Página 8 Página 9 Página 10 Flávio Silva Novo reitor critica professores José Geraldo afirma ao Campus que vai combater a “hegemonia” dos docentes na universidade. Sem o sistema paritário, Márcio Pimentel ganharia com 56% dos votos Páginas 3 e 5 parênteses reforma ortográfica
  2. 2. 2 editorial Campus - Edição 330 - De 3 a 18 de outubro de 2008 Carta do editor Memória -Expediente- Registro de mudanças Campus Jornal Laboratório da Faculdade de Comunicação da Universidade de Brasília Findada a consulta eleitoral, a do país. E a forma de tratar os pro- Editora-chefe contagem de votos e a distribuição blemas pessoais trocou o divã dos Marina de Sá de santinhos, percebe-se a veraci- psicólogos pela Filosofia Clínica. Secretária de Redação dade da informação no Campus. O suplemento Parênteses traz Ana Luisa Soares Os resultados corresponderam as alterações que a nova reforma ortográfica provocará na língua Diretor de Arte ao que a pesquisa apresentou. Max Melo Agora que mais um reitor terá a portuguesa. Não é só conseqüên- foto na Galeria de Reitores, espe- cia que perde o trema, mas edi- Editores Caroline Aguiar (Parênteses) ramos mudanças. toras, revisores, alfabetizadores, Yvna Sousa (Universidade) Aliás, esta edição é feita de ex- escritores e o nosso próprio voca- Felipe Néri (Cidades) Fernanda Ros (Esporte e Cultura) periências novas. Começamos pe- bulário são atingidos. Com a manchete “A aventura de re- Gabriela Abreu (Opinião) los pesos por segmento, que valo- As mudanças são várias e não construir a UnB”, a edição n° 77 do Fernanda Patrocínio (Botafora) rizaram o voto do estudante. Como acabam. Uma nova gestão prome- Campus da segunda quinzena de Flávio Silva (Fotografia) mostra a matéria Participação te diálogo igual a todos os segmen- 1985 apresentou uma entrevista com Fotógrafos mediana de alunos, a mobilização tos, e os estudanes mostram como o então novo reitor, Cristóvam Buar- Francisco Brasileiro, Mariana Curi, ainda não é total, houve até campa- influenciam nos resultados. Nós, que. Intitulando-se o “reitor da demo- Flávio Silva nha pelo voto nulo. alunos do Campus, registramos cracia”, Buarque enfrentaria desafios: Repórteres lutar pela melhoria do salário dos Personagens do futebol bra- tudo isso, pois é com mudanças Amanda Sales, Ana Rita Cunha, professores, repensar a criação cien- Bruno Lacerda, Camila Cortopassi, siliense aparecem de cara nova. que acabamos com a rotina. Cristiano Zaia, Daniela Martins, tífica e ainda criar um debate franco e Apesar da má fama no esporte, a honesto com a comunidade. Gisele Novais, Luanne Batista, Max Melo, Nathália Mendes capital tem os melhores árbitros Marina de Sá, editora-chefe Diagramação Alex Lima, Fernanda Patrocínio, Flávio Silva, Gabriela Abreu, Max Melo, Nádia Medeiros Ombudsman* Projeto Gráfico Amanda Sales, Ana Luisa Soares, Flávio Silva, Marina de Sá Pesquisa incômoda Erramos Ilustradores Henrique Eira, Iúri Lopes, Mariana Capelo, Sharmaine Caixeta, Teo Horta A 329ª edição do Campus ço à comunidade. Triguei- mesmos mecanismos, fosse Diferentemente do que Professores Responsáveis gerou polêmica na UnB. O ro enviou e-mail à redação conduzida por uma grande informou a reportagem Márcia Marques, Rosa Pecorelli e motivo foi a publicação da do Campus exigindo a pu- empresa, me pergunto se “Mais semelhantes que Solano Nascimento pesquisa de intenção de vo- blicação, como direito de seria tão questionada.” diferentes”, publicada na Técnico de Fotografia tos para reitor realizada em resposta, de uma sondagem Num momento eleitoral, página 4 da última edição, Luiz Gustavo Prado parceria com as empresas realizada em uma comuni- a mídia pode interferir no o candidato José Geraldo era apoiado pelo Recons- Secretário da Redação juniores Strategos e Estat. dade do Orkut. A mensagem, resultado e, dessa maneira, José Luiz Silva truindo o Cotidiano. O Apesar de ter acertado replicada no Campus Online, precisa ter cuidado com a grupo Nada Será Como Endereço o resultado do 1º turno da informa: “faço isso em apreço publicação dos dados. Por Antes não declarou apoio Campus Darcy Ribeiro consulta, considerando-se à verdade e com o intuito da isso é tão importante que os a candidato algum. Faculdade de Comunicação ICC Ala Norte a margem de erro, a pes- defesa ética e da democracia alunos do Campus utilizem Caixa Postal: 04660 quisa provocou descon- em nossa instituição”. a disciplina como espaço de CEP: 70910-900 Casa Brasil é um pro- tentamento em candidatos Para a editora da última experimentação e respon- jeto do Governo Federal Contato e eleitores. edição, responsável pela sabilidade social. e não do GDF, como pu- (61) 3307.2464 - campus@unb.br O candidato Michelân- publicação da pesquisa, Na- blicado na matéria “Me- Tiragem gelo Trigueiro afirmou que thália Mendes, “se a mes- Jairo Faria é aluno do didas Provisórias”. 4 mil exemplares a pesquisa foi um desservi- ma pesquisa, utilizando os 7º semestre de Jornalismo *A missão do Ombudsman é criticar o jornal com a participação dos leitores. Envie sua crítica para campus@unb.br.
  3. 3. 3 Campus - Edição 330 - De 3 a 18 de outubro de 2008 universidade Com paridade, a história é outra Apoio de estudantes a José Geraldo garante sua escolha como próximo reitor. Sem o peso igual dos segmentos, Márcio Pimentel ganharia com 56% dos votos Flávio Silva gualdade entre a força dos votos Ana Rita Cunha de professores e estudantes foi Nathália Mendes suavizada. Sem a paridade, um voto de professor correspondia Com a adoção da paridade nas ao voto de 33 alunos; com ela, a últimas eleições, o apoio dos proporção ficou de um para 16. estudantes foi decisivo para a Mesmo derrotado pela paridade, vitória de José Geraldo, com Márcio Pimentel não reclama do 51,61% dos votos. Se a consulta sistema. “Quando me inscrevi mantivesse o antigo sistema de para concorrer às eleições, sa- pesos diferenciados (70% para bia que elas seriam paritárias. A professores, 15% para alunos e paridade é uma realidade. Não 15% para servidores), quem as- adianta lamentar os resultados”, sumiria o cargo seria o candidato analisa. Ele não acha que a vitó- derrotado, Márcio Pimentel. Ele ria que obteve entre os professo- venceria com 56% dos votos vá- res significará dificuldades para lidos, enquanto José Geraldo so- José Geraldo. “Somos todos adul- maria apenas 44%. tos e não vamos levar disputas O novo reitor foi escolhido eleitorais para a administração por 5.646 alunos e 792 servido- da reitoria”, afirma. res, enquanto Pimentel conquis- Flávio Botelho, presidente da tou apenas 2.406 votos do corpo Associação de Docentes da Uni- discente e 666 dos funcionários. versidade de Brasília (AdUnB), Entre os professores, o movi- concorda com Pimentel, mas mento foi inverso: 465 optaram lembra que o sistema de pesos por José Geraldo e 661 votaram iguais não teve o endosso formal em Márcio Pimentel. Como os dos professores. “A paridade foi A participação de alunos como docentes possuíam peso maior votada sem apoio da maioria dos mento fosse, invariavelmente, de Luísa Corrêa, no sistema antigo, a diferença de representantes dos professores um terço. No entanto, na parida- 1º semestre de apenas 196 votos garantiria a vi- no Consuni [Conselho Univer- de adotada nestas eleições, ape- Economia, decidiu a eleição tória de Pimentel. sitário]”, assinala. O órgão, que sar de o um terço funcionar na Apesar de também terem segue o sistema 70-15-15 na re- teoria, na prática o cálculo final preferido José Geraldo, os servi- presentação dos três segmentos, leva em conta a relação entre o dores não deram ao novo reitor é responsável por formular a lis- número de pessoas aptas a votar José Geraldo - 51,61% uma diferença de votos que, sozi- ta tríplice que será encaminhada em cada segmento e o total dos Estudantes - 70,1% nha, fosse suficiente para anular para o Ministério da Educação e que efetivamente votaram. Ou Servidores - 54,4% Professores - 41,3% a vantagem obtida por Pimentel Cultura (MEC). Posteriormente, o seja, quanto menor a participa- entre os professores. Assim, a presidente da República nomeará ção de um segmento, menor o Márcio Pimentel - 48,39% vitória do eleito saiu mesmo da o reitor. Além dos nomes de José peso dele na consulta. Professores - 58,7% cota dos estudantes. “Eu fui elei- Geraldo e Pimentel, a lista inclui- “O sistema atual só permi- Servidores - 45,6% Estudantes - 29,9% to pelo segmento majoritário que rá o de Volnei Garrafa, o terceiro te a paridade real caso todos os optou pela ruptura e entro de colocado no primeiro turno das eleitores votem”, esclarece Fá- uma maneira a me sentir com- eleições. É tradição o presidente bio Félix. “É muito mais difícil pletamente legitimado, inclusive nomear o primeiro da lista. para os representantes de alu- pelo voto dos docentes”, afirma nos, que têm de mobilizar qua- José Geraldo. Diferença maior ainda se 25 mil pessoas”, argumenta. Ainda que, na paridade, cada Da forma como foi imple- Se a paridade total tivesse sido uma das três categorias tenha um mentado, o sistema paritário não aceita conforme o modelo pro- peso de 33,33%, o potencial indi- correspondeu às primeiras pro- posto, haveria uma diferença vidual dos votos varia por causa postas de paridade na UnB. Uma ligeiramente maior entre os da diferença entre o número de comissão designada para propor candidatos. José Geraldo te- alunos, professores e servidores. as regras das eleições ao Consuni ria conquistado 54% dos votos, Iúri Lopes Nas eleições deste ano, a desi- sugeriu que o peso de cada seg- contra 46% de Pimentel.
  4. 4. w 4 universidade Campus - Edição 330 - De 3 a 18 de outubro de 2008 Participação mediana de alunos Total de votos dos estudantes foi quatro vezes maior que em 2005, mas não superou outras federais que adotam a paridade e registram mobilização acima de 50% Já a Universidade Fede- tendo por que muitos que Daniela Martins ral do Rio de Janeiro (UFRJ) lutaram durante a ocupa- registrou a menor participa- ção não votaram. Votei ago- Índices de votantes Depois de 15 anos sem elei- ção, com apenas 9,55% de ra para ver melhora e ter Veja como estudantes de 20 instituições de ensino ções paritárias para reitor, alunos votantes. Carolina como cobrar”, revela. Félix superior do país se envolveram nas últimas eleições paritárias a consulta que elegeu José Barreto, membro do DCE da diz que muitos alunos ainda Geraldo de Sousa Júnior foi UFRJ, afirma que não houve não vêem a importância da marcada pela expressiva integração do segmento às escolha do reitor. “Alguns Universidades Participação votação dos estudantes. Os propostas do único candida- separam a participação na Federais dos alunos 8.052 alunos - equivalente a to. “Isso fez com que os alu- eleição do reitor do resto São João del Rei (UFSJ) 55% 33,23% do total - que foram nos não se sentissem partici- da vida acadêmica.” às urnas este ano supera- pantes do processo”, analisa. ram em mais de quatro ve- Movimentos fracassam Piauí (UFPI) 50,5% zes os votos do último plei- Abstenção alta No segundo turno, sim- to, realizado em 2005. No Entre os dois terços do patizantes de Jorge Antu- Viçosa (UFV) 49,7% entanto, o ín d i c e d e p a r - segmento discente (66,77%) nes, candidato derrotado ticipação não se destaca que não participaram do na primeira etapa, iniciou Goiás (UFG) 48% quando comparado com processo eleitoral na UnB, um movimento de estímulo os de outras universida- estava Davi Magalhães, es- ao voto nulo. Em carta dis- des federais. tudante do 5° semestre de tribuída pela UnB, o grupo Grande Dourados (UFGD) 44,8% O Campus levantou os Desenho Industrial. Para afirmava que o “mais coe- dados da participação estu- ele, os horários variados das rente” era anular o voto, já Uberlândia (UFU) 41,4% dantil em 21 das 31 univer- aulas dificultam a votação. que as candidaturas de José sidades federais que têm “Faço estágio, tenho muitas Geraldo e Pimentel expres- Rural da Amazônia (UFRA) 41% eleições paritárias para rei- aulas e preciso sempre cor- sariam “a mesma política tor. No ranking, a Universi- rer. Nessa falta de tempo, para a universidade”. Rafa- Mato Grosso (UFMT) 38,8% dade de Brasília encontra- simplesmente me esqueci el Siqueira, aluno do 2° se- se na décima colocação, de votar”, assume. mestre de Filosofia, foi um Fundação Universidade do praticamente Já o aluno dos que assinaram o mani- 38,4% “Não tínhamos Daniel Ramos, festo. “Era uma forma de Rio Grande (FURG) na metade da lista. De acor- cultura de participa- do 6° semestre chamar a universidade para Brasília (UnB) 33,2% do com o coor- de Ciências So- um debate”, disse . O n ú m e - ção política na UnB”, Federal do Estado do Rio de denador-geral ciais, realizava ro de votos nulos cresceu 31,6% do Diretório Fábio Félix, do DCE atividades aca- de 22, no primeiro turno, Janeiro (Unirio) Central dos dêmicas fora para 110, no segundo, mas do campus e também não isso não teve impacto no Alagoas (UFAL) 30,8% Estudantes (DCE), Fábio Félix, o resultado pode ser votou. Ele acredita que hou- resultado da eleição. melhorado no futuro. “Não ve pouco tempo para conhe- A chapa de Márcio Pi- Paraíba (UFPB) 30,7% tínhamos cultura de par- cer os candidatos. “Não tive mentel encabeçou um movi- ticipação política na UnB. como pesquisar as propostas mento pró-voto em cédula. Lavras (UFLA) 29,3% Foi uma vitória gigantesca, dos candidatos. Se estivesse O candidato disse haver sus- mas a tendência é aumen- na UnB nos dias da consul- peitas sobre a inviolabilida- São Carlos (UFSCar) 28,7% tar. Podemos chegar a 60% ta, preferiria o voto nulo”, de do sigilo do voto eletrôni- de votos”, aposta. conta. Fábio Félix, do DCE, co. “Muitos dos funcionários Nas universidades pes- aponta outros fatores que acreditavam que poderiam Fluminense (UFF) 27,8% quisadas, duas tiveram mais dificultaram a participação ser identificados”, afirmou de 50% de comparecimento dos estudantes. “A falta de Pimentel. “O movimento não Rio Grande do Norte (UFRN) 27,7% estudantil. Na Universidade sinalização dos locais de vo- funcionou”, comemorou o pre- Federal de São João del-Rei tação e o número de urnas sidente da Comissão Organi- Pernambuco (UFPE) 26,7% (UFSJ), em Minas Gerais, atrapalharam bastante”, diz. zadora da Consulta (COC), 55% dos alunos votaram. “A Entre os alunos que su- David Fleisher. O número Espírito Santo (UFES) 24,6% participação política é uma peraram as dificuldades e de votos em cédula caiu de tradição na cidade e isso se ajudaram a escolher o novo 1.333, no primeiro turno, reflete na posição dos estu- reitor, estava Laune As- para 1.183 no segundo. Paraná (UFPR) 19,5% dantes, mesmo sendo eleição sumpção, 22 anos, do 5° se- com chapa única”, explica mestre de Pedagogia. Para Colaboraram Ana Rita Rio de Janeiro (UFRJ) 9,5% Cibele Moraes, assessora de ela, é imprescindível que Cunha, Luanne Batista e Comunicação da UFSJ. todos participem. “Não en- Nathália Mendes
  5. 5. 5 universidade Campus - Edição 330 - De 3 a 18 de outubro de 2008 Ataque à “hegemonia” docente entrevista Flávio Silva No jardim da FA (Faculdade de Estudos Sociais Aplicados), com voz moderada e entre um cumprimento e outro de es- tudantes, José Geraldo expôs ao Cam- pus as linhas da sua gestão. O próximo reitor criticou a postura dos professo- res: “Eu acho que (eles) se acostuma- ram a uma hegemonia”, explicou. “Isso pode ter gerado a não-necessidade de eles se justificarem ou aprofundarem as discussões.” José Geraldo promete apostar no diálogo entre os segmen- tos, garantindo o espaço dos alunos, e adianta que não tentará se reeleger. Luanne Batista Yvna Sousa Campus: O senhor foi eleito O reitor eleito com um número expressi- pretende resgatar o vo de votos dos estudantes. projeto original da universidade, reafi- Quais são suas propostas mando seu compro- para responder a esse apoio? misso social José Geraldo: Isso é uma tre- menda responsabilidade, já que os estudantes perceberam a possibilidade de serem ouvi- Campus: O senhor já conseguiu parar para os debates, não basta cesso que tem como princípio investimento, mas que tem um hori- dos. Minha proposta é manter avaliar por que teve menos se apresentar neles com o peso a transparência e o controle. As zonte social. Ele aponta para uma esse diálogo aberto e criar con- votos dos docentes? presumido da hegemonia. O Fundações têm autonomia, mas demanda de um ensino público de dições para que ele se realize. JG: Durante a campanha, houve diálogo é exigente, pressupõe podem ser controladas previa- qualidade, inclusive incorpora muito A primeira medida é instalar uma preocupação de que eu tivesse bons argumentos. Esse diá- mente. Isso poderia ser feito es- do projeto de inclusão. o congresso universitário pa- uma candidatura muito politizada. logo significa reconhecer no treitando os vínculos com órgãos ritário, que funcionaria como Para alguns professores, talvez isso outro uma pessoa igualmente externos como o Ministério Pú- Campus: Mas alguns dos cursos um fórum formado por alunos, seja um fator que imobilize a ges- capaz de ter opinião sobre as blico e Tribunal de Contas. Além oferecidos nos campi da Ceilândia servidores e professores para tão. Mas a minha intenção é mos- questões universitárias. disso, dentro da própria UnB, a e do Gama não têm ainda, por ex- debates e exposição de pro- trar que é possível existir um pro- fiscalização pode ser feita pelos emplo, o currículo fechado ou labo- postas para a Universidade. cesso democrático, com debates de Campus: Então podemos espe- colegiados e pelo Decanato de ratórios. Além disso, garantir também onde se extraem ações concretas. rar para a próxima gestão uma Administração e Finanças. JG: As primeiras aulas que foram da- os espaços que os alunos têm quebra de hegemonia... das neste campus (Plano Piloto) sequer nos colegiados superiores da Campus: Será que o “medo” da JG: Fortalecendo os consensos e Campus: O senhor afirma que tinham salas. E elas iam ao encontro Universidade. sua política universitária não se- garantindo que as ações não se pretende resgatar o projeto das utopias para esta Universidade. ria um receio dos professores de frustrem adiante. Mas em outros original da UnB. Em que sen- Trata-se de uma construção por eta- Campus: O senhor teve me- uma maior participação dos alu- pontos, eu não vejo grandes di- tido isso aconteceria? pas: discussão do projeto pedagógico, nos votos de professores em nos na gestão? vergências com os professores. JG: Significa trazer novamente trabalhar com os alunos e com a di- relação ao candidato Már- JG: Talvez. Eu acho que os profes- Discutimos muito a qualidade a idéia de que a Universidade mensão da realidade que dá os meios cio Pimentel. Há estratégias sores se acostumaram a uma hege- acadêmica e os valores que sus- tem compromisso com valores, para que se tenha uma estrutura. para que sua gestão conquis- monia deles, na medida em que a tentam a Academia. Meu obje- resgatar a utopia em relação ao te esse segmento? proporção no processo deliberativo tivo é identificar com a comu- conhecimento, para que ele sirva Campus: O senhor pensa em se JG: O principio básico da ges- lhes dá um peso maior. Isso pode nidade quais são os fins que a ao desenvolvimento do país. candidatar à reeleição? tão é o compartilhamento. Isso ter gerado a não-necessidade de Universidade persegue. JG: De jeito nenhum, acho isso um significa que todos os segmen- eles se justificarem, sustentarem Campus: E o senhor pensa que fracasso do dirigente. Se ele não foi tos poderão participar das de- seus argumentos ou aprofunda- Campus: Tendo em vista a cri- esse projeto dialoga com o Reu- capaz de fazer aflorar novos quadros cisões deliberativas. Na minha rem as discussões. Esse segmento se pela qual passou a Universi- ni (Programa de Apoio a Planos em um momento em que eles são tão gestão, eles poderão se mani- precisa fudamentar suas decisões, dade, qual é seu plano para fis- de Reestruturação e Expansão abundantes... Não digo que esse deve festar em relação àquilo que sua tomada de posição. Isso signi- calizar as fundações de apoio? das Universidades Federais)? ser o modelo, mas para mim é um fa- os levou a não votar em mim. fica que as pessoas devem se pre- JG: Elas devem entrar no pro- JG: O Reuni é um programa de tor de fracasso.
  6. 6. w 6 universidade Apoio feminino à Constituição Estudo de pesquisadora da UnB analisa o discurso das mulheres nas cartas enviadas aos parlamentares membros da Assembléia Constituinte de 1988 de cartas e fez um estudo base- durante a Constituinte e foi um Gisele Novais ado na linguagem e estilo das dos parlamentares que integrou propostas femininas. “Toda luta a Comissão de Soberania e dos social se faz mediante a lingua- Direitos e Garantias do Homem e Duas décadas atrás, a então gem e é através dela que é pos- da Mulher. Para ela, a contribui- estudante de pedagogia da UnB sível analisar o contexto no qual ção das mulheres foi essencial Telma América Venturelli parti- a mulher estava”, explica Izabel. para a ampliação e consolidação cipou do processo de elaboração O resultado do trabalho foi pu- dos seus direitos. “A maior par- da nova Constituição do país, blicado no livro A Constituição te dessas propostas foi acolhida, promulgada em 1988. Ela foi uma desejada (Senado Federal, Cen- ao menos parcialmente”, diz. das mulheres que enviaram car- tro Gráfico, 1991). Para a senadora, ainda é preciso tas aos parlamentares da Assem- avançar nesta área. “Talvez mais bléia Constituinte com sugestões Discurso emancipatório importante que sua enumeração do que deveria ser contemplado A partir de dados referentes a [dos direitos da mulher] são os pela “Constituição Cidadã”. sexo, renda, grau de instrução e mecanismos que previnem sua Hoje, Telma tem 48 anos e é faixa etária, 284 sugestões foram violação”, defende. funcionária pública. Mesmo de- selecionadas como amostra da A sugestão de Telma Ventu- pois de tanto tempo, ela lembra pesquisa. Entre os temas mais relli não se referia aos direitos da que a vontade de participar da- recorrentes, estão os direitos da mulher. Tratava, como a de ou- quele momento histórico foi o mulher nas áreas da política tra- tros missivistas e de representan- motivo para enviar sua colabora- balhista, da organização social e tes de trabalhadores, da “neces- ção. “Aquela época era rodeada da política educacional. sidade de se dar aos servidores por uma comoção muito grande, A professora concluiu que a públicos o direito de terem asso- um clima completamente ati- linguagem das cartas indicava ciações representativas e sindi- vista, do qual todos nós quería- o surgimento de um discurso catos por classe funcional”. Ela mos participar”, conta. Ao todo, emancipatório. “Foi possível se orgulha. “Sou apaixonada por foram enviadas 72.719 cartas, identificar a construção de uma essa constituição. Por quê? Por- sendo que mais de 23 mil foram identidade cultural feminina li- que eu ajudei a fazer”, revela. escritas por mulheres. gada ao contexto tradicional e O Senado distribuiu milhões Diante desse expressivo nú- outra que começava a aparecer de formulários às agências de mero, a professora Izabel Ma- e propor mudanças na situação correio de todo o país. Os docu- Congresso galhães, à época pertencente ao em vigor”, explica Izabel. mentos foram arquivados e po- recebeu mais de 72 mil sugestões Departamento de Lingüística, A senadora Lúcia Vânia (PS- dem ser acessados pelo site do de mudanças na Português e Línguas Clássica DB-GO) era deputada federal Senado (www.senado.gov.br). legislação (LIP) da UnB, analisou o acervo Encontro reúne empresas juniores toria Política, da Ciência Política; boa aceitação da empresa é fruto ção nesses encontros nos torna workshops, mesas redondas e Entre os dias 24 e 28 de setem- e a Práxis, da Psicologia. A AD&M de um trabalho diferenciado. “Em conhecidos e respeitados, além cases empresarias representam bro, Brasília sediou o XVI Enej - apresentou três cases – experi- alguns trabalhos nos focamos na de garantir parcerias e fortaleci- somente parte dos benefícios Encontro Nacional de Empresas ências bem sucedidas vividas em área de desenvolvimento de pes- mento da nossa empresa”, disse proporcionados pelo encontro. Juniores. Com o tema “O impacto trabalhos e projetos – e ainda ga- soas, pouco explorado no meio Max Stabile, um dos integrantes “O Enej é importante, sobretudo, da inovação na mudança do Bra- nhou o prêmio Top of Mind, dado empresarial. Esse foi o nosso trun- da equipe. A Práxis apresentou pelo momento de integração, tro- sil”, o evento ocorreu no Bay Park à empresa júnior mais lembrada. fo: criar algo único”, explicou. um trabalho feito em escolas pú- ca de experiência e capacitação e reuniu mil empresas juniores “Era o que mais esperávamos, A Strategos expôs um painel de blicas com o objetivo de aproxi- dos participantes”, afirmou das mais diversas áreas. já que no encontro do ano passa- uma pesquisa de opinião realiza- mar a universidade da realidade Carolina. (G.N.) Da UnB, três empresas apre- do ficamos em 3° lugar”, conta da no Congresso Nacional, acerca dos estudantes. sentaram trabalhos: a AD&M Marina Mergulhão, líder de pro- das especulações sobre possíveis Segundo a coordenadora Consultoria Empresarial, da Ad- jetos da equipe. Para o presidente candidatos para as eleições pre- de relações externas do even- ministração; a Strategos, Consul- da AD&M, Guilherme Junger, a sidenciais de 2010. “A participa- to, Carolina Varão, as palestras,
  7. 7. Suplemento do Jornal Campus Edição 330-A De 4 a 18 outubro de 2008 parênteses “Chega mais perto e contempla as palavras” Carlos Drummond de Andrade
  8. 8. Unificação cultural é uma das metas mais perseguidas por países de raiz comum. A unificação do espanhol aproxi- mou a Espanha e a América Espanhola. A Nova Reforma Ortográfica da Língua Portuguesa não foge a esse desejo. Esta edição do Parênteses é toda escrita conforme a refor- ma. Conheça por quais mudanças os países lusófonos irão passar e as consequências trazidas pelo acordo. Acordo unifica a língua, mas divide linguistas O Brasil assinou o decreto para a implantação da nova reforma do português a partir de janeiro do próximo ano. Mudança polêmica tem o apoio de oito países e busca padrão entre as nações lusófonas com o português de Portugal é mera impressão”, afirma o professor Godo- Camila fredo de Oliveira. Cortopassi Apesar do impasse, o presidente da República de Portugal, Aníbal Ca- vaco Silva, ratificou o documento no dia 21 de julho de 2008. O prazo de O adaptação da sociedade portugue- Novo Acordo Ortográ- de Letras (ABL), a reforma foi assi- sa às novas regras é de seis anos. fico é uma reforma que nada no dia 16 de dezembro de 1990. Em Angola, na Guiné-Bissau, Timor- entra em vigor depois de Dos oito países de língua portugue- Leste e Moçambique o acordo ainda 18 anos de negociação e sa, sete concordaram com as mu- não foi ratificado. proposição de critérios que unifiquem danças: Angola, Brasil, Cabo Verde, O professor Antônio Augusto, do a língua portuguesa. A reforma acom- Guiné-Bissau, Moçambique, Portu- departamento de Linguística, Portu- panha o preceito da globalização, que gal e São Tomé e Príncipe. O Timor- guês e Linguagem Clássica da Uni- é interligar o mundo. Neste caso, a Leste só assinou o acordo em 2004, versidade de Brasília (UnB), partici- relação entre os países lusófonos quando se tornou independente. pou da primeira leva de professores sairia fortalecida e a cultura dos fa- A unificação da escrita do espa- alfabetizadores no Timor Leste. Ele lantes da língua portuguesa ficaria nhol entre a Espanha e a América Es- conta que no Timor havia profes- mais unificada. panhola serviu de inspiração para os sores de português de Portugal e A reforma é um tratado que tem acadêmicos de língua portuguesa. professores de português do Brasil. por objetivo criar uma ortografia única Mas o tratado só entraria realmente “A unificação ortográfica irá facilitar para todos os países de língua portu- em vigor quando pelo menos três muito o ensino”, afirma. guesa. Para o presidente da Comissão países o ratificassem, o que aconte- Cabo Verde ratificou o documen- de Língua Portuguesa (Colip), Godo- ceu em 2006 com a ratificação de São to em abril de 2005 e São T omé e fredo de Oliveira, “o anseio é que o Tomé e Príncipe. Príncipe em novembro de 2006. Para português se torne a terceira língua Unificar uma língua, como a por- a professora de Políticas de Idiomas de maior importância nos fóruns inter- tuguesa, com diferenças ortográficas e chefe do departamento de Linguís- nacionais, com a ambição de ser uma peculiares nos países que a escre- tica, Línguas Clássicas e Português das línguas oficiais da Organização vem, resulta em perdas. Em Portugal, da UnB, Enilde F aulstich, “a reforma das Nações Unidas (ONU)”. A Colip é 1,6% das palavras sofreram modi- é positiva quando consideramos a o órgão designado pelo Ministério da ficações, enquanto no Brasil 0,5% precariedade do ensino da língua Cultura (MEC) para tratar de assuntos do vocabulário mudou. Em Portugal portuguesa em alguns países afri- referentes à reforma. espalhou-se uma corrente de e-mails canos. Um acordo que simplifica a Após dez anos de negociação pedindo a não-ratificação do acordo, língua facilita o ensino”. 2 entre a Academia de Ciências de já que os critérios propostos se asse- Lisboa (ACL) e a Academia Brasileira melhavam ao português do Brasil, e O que muda aqui não ao de Portugal. No Brasil, as alterações consis- “O acordo foi proposto pela Co- tem na eliminação de alguns acen- munidade de Países de Língua Portu- tos, no acréscimo das letras k, y e guesa, então dizer que o português w ao alfabeto e na modificação das sugerido pelo acordo se parece mais regras de aplicação do hífen. Outra com o português do Brasil do que mudança é a completa eliminação
  9. 9. do trema em palavras formadas por qu e gu em que o u é pronun- ciado, como em tranquilo. O membro da Academia Brasi- liense de Letras, autor de mais de 20 livros e também professor de portu- “Minha pátria é a língua guês, Anderson Braga Horta, afirma que a particular eliminação do trema deve gerar confusão entre os falan- portuguesa” tes. “Em espanhol, pronuncia-se tranquilo sem o som do u também. Fernando Pessoa Ao retirar o trema, está se fazendo um convite para que um erro de pronúncia se generalize”, diz. será a grande mobilidade das publi- Para o autor, não existe unifica- cações que poderão circular entre ção ortográfica em alguns pontos os países lusófonos. do acordo. “Os caminhos encontra- Para Enilde Faulstich, professora dos para a simplificação da língua da UnB e especialista em política do nem sempre foram bons. A reforma idioma, o maior ganho é a economia Confira a nova escrita Hífens de 1971, por exemplo, foi muito boa com a “tradução” de um português ü porque eliminou o acento diferencial. para outro. Mas para o estudante de Com ele era preciso decorar várias ensino médio e fundamental, qual palavras. Mas comparada com a de será a grande mudança no primeiro Não se usa o hífen 71, esta reforma não tem utilidade”, contato com essa reforma? quando a primeira pala- O trema desaparece: tranquilo, conta Horta. Oficialmente, o Sindicato dos vra termina com uma ae aguentar, linguiça Na reforma de 71, em Portugal, Professores do Distrito Federal (Sin- letra diferente da qual éi desapareceu o acento agudo dos pro-DF) não recebeu nenhuma in- começa a segunda: pa- ditongos abertos –ei, de ideia. No formação do MEC nem do Governo raquedas, coautoria, Brasil, baniu-se a dupla grafia de do Distrito Federal sobre o cumpri- autoestrada, infraes- algumas palavras como “facto” e mento de políticas educacionais que trutura. O “h” é a ex- Os ditongos ei e oi deixam de ceção: sub-humano, “amnistia”. Mas o diferencial da re- consolidem o projeto da reforma. ser acentuados nas paroxítonas: pré-histórico forma foi a completa eliminação do Concluído o processo de ratifi- acento diferencial. Essa reforma ti- cação e de acordos, passa-se para o ideia, paranoico, Coreia do Sul ôo nha o objetivo de simplificar alguns período da implementação das polí- critérios que entraram em vigor no ticas de execução, que recebem um Sistema Ortográfico de 1943. prazo de dois anos para se adapta- Usa-se o hífen quando a primeira palavra ter- oo As modificações de 1971 faziam rem à nova reforma. A Coordenado- mina com a mesma parte da primeira proposta de unifi- ra da Secretaria de Assuntos Educa- Cai o acento de palavras ter- letra da qual começa a cação da língua portuguesa que se cionais do Sinpro, Valesca Rodrigues minadas em oo e eem: creem, segunda: micro-ondas, deu entre Portugal e Brasil. A abo- Leão, prevê prejuízos para os alunos leem, voo micro-ônibus, arqui- iú lição do trema aconteceu em algu- a curto prazo. inimigo, semi-interno mas palavras, como “saüdar”. O Como alfabetizadora, Valesca acento circunf lexo foi eliminado de acredita que a perda de acentos fun- termos como “instantâneamente” e damentais utilizados para discernir Cai o acento das paroxítonas “bebêzinho”. Em Portugal desapa- algumas palavras, como pelo e cujas vogais i e u são precedidas receram as consoantes mudas c e p pelo, dificultará o ensino da leitu- Quando a primeira pa- de ditongo decrescente: feiura, lavra termina em vogal das palavras, quando não pronun- ra. “Eu me lembro da minha época ss boiuna, baiuca, bocaiuva e a segunda começa á ciadas: baptismo, inspector, entre de escola em que acentuação me com “r” ou “s”, o hífen outras alterações. ajudava na interpretação de texto”, desaparece e as conso- “A única desvantagem é que a revela Valesca. antes são duplicadas: reforma poderia ter avançado mais Entre novas normas, discor- antissemita, ultrassom, As palavras para, pelo, pera e polo per- em alguns aspectos, ter simplifi- dância e resistência, o Acordo Or- antirrábica, megarrápi- dem o acento diferencial: Eu fui ao Polo cado mais alguns critérios. Mas tográfico entrará em vigor a partir do, contrarreforma Norte. Ele não para no semáforo. Este nenhuma reforma é completa”, afir- de janeiro de 2009. A mudança da cachorro tem pelo dourado ma o presidente da Comissão de ortografia vai exigir a adaptação de Língua Portuguesa, Godofredo de professores, revisores, jornalistas e Oliveira. Para ele, a maior vantagem editores de livros. 3 “O silêncio não tem fisionomia, mas as palavras sim, muitas faces” Machado de Assis
  10. 10. Economia e educação também sofrem os reflexos Ministério da Educação, editoras e profissionais da educação já começam a adotar as novas regras ortográficas Cristiano Zaia “A S e nos próximos anos você comungam dos ensinamentos de An- esbarrar em algum cartaz escrito “Estreia hoje nova tônio Houaiss, um dos idealizadores da Reforma Ortográfica de 1990. palavra montagem de Morte e Vida “A reformulação dos nossos di- Severina”, não se assuste. A divul- gação não estará errada, pois o Novo cionários é só mais uma alteração. Mas é significante, se você contar é meu Acordo Ortográfico da Língua Por- que cada palavra se repete inúme- tuguesa estará em vigor. Em meio às mudanças e opiniões distintas sobre ras vezes ao longo do dicionário”, aponta Mauro Villar, coautor do Mini domínio imagens retiradas de bancos da internet Todas as fotos são montagens à partir de a aceitação da nova norma, muitos Houaiss e diretor do Instituto Antô- profissionais, empresas e órgãos pú- blicos já estão tratando de cumprir nio Houaiss. Ele acrescenta que não houve custo adicional de reformula- sobre o as novas regras da escrita. ção dessa publicação e que todos No Brasil, uma atitude sensata do Ministério da Educação (MEC) os dicionários Houaiss estão sendo revisados. Segundo ele, a edição do mundo” visou a impedir que alunos da rede Grande Houaiss reformulado ficará pública dos ensinos fundamental e pronta apenas em 2010. médio fossem prejudicados pela ob- A Editora Thesaurus, de Brasília, solescência dos livros didáticos. A publica obras de escritores brasi- Clarice Lispector resolução nº 1 de sete de maio de 7, leiros e portugueses há 30 anos e 2008, estipulou o prazo de adequa- mostra rapidez na adesão ao acor- ção para o ano de 201 1. do. A obra Bichos, de Ânderson Bra- A coordenadora do Plano Nacio- ticas novas e aguarda o lançamento do a reformulação dos títulos que já es- O MEC prevê que a partir de ja- ga Horta, já está na fase de impres- nal do Livro Didático (PNLD), Sônia manual explicativo Corrija-se, de Luís tavam editados e não mais podiam neiro de 2009 todas as publicações são e a previsão de lançamento é Schwartz, explica que em 2010 as Antônio Saconni. Estão previstos para esperar a adaptação. Segundo o oficiais e comerciais obrigatoria- para outubro. editoras serão obrigadas a entre- dezembro deste ano um minidicionário supervisor de divulgação da FTD mente estejam adaptadas ao novo O presidente da editora The- gar os livros com as modificações, e outro para 2009. A editora Elaine Raya Brasília, Eliude Lacerda, o material acordo. Já neste ano, alguns mini- saurus, o português Victor Ale- exceto os títulos para as turmas de conta que a Nova Geração teve que re- não reformulado, editado em 2006 e dicionários de língua portuguesa gria, afirma, no entanto, que a re- 1º ao 5º ano. “O MEC decidiu que visar três títulos, acarretando um custo 2007, receberá um suplemento adi- trazem edições reformuladas com forma implicará mudanças apenas os livros das séries iniciais do ensi- adicional de 40% à produção. cional de seis páginas contendo as as novas alterações ortográficas. É o para as editoras de livros didáti- no fundamental ainda não poderão Estão sendo utilizados de cinco novas regras ortográficas. caso do Houaiss, Aurélio e Michae- cos, que trabalham com grandes estar reformulados em 2009, pois a dez revisores contratados para “A adequação às novas normas lis. E também de gramáticas que já re-edições. Victor considera ser entende que alunos em processo este trabalho de reformulação das não implica custo adicional, mas o ensinam as novas mudanças. mais vantajoso para as pequenas inicial de escrita teriam dificuldade obras. “A nomenclatura gramatical trabalho autoral (adequação do texto), A nova edição do Minidicionário editoras exigirem que os revisores de adaptação”, explica. vai ser alterada, mas há lacunas no revisão e impressão são complexos Houaiss, após sete meses de reali- reciclem o conhecimento ao invés São 1 editoras contratadas pelo 6 acordo ortográfico. Cada editora se e demoram”, afirma Eliude. A editora zação, está disponível nacionalmen- de fazer mais contratações. PNLD que, só para o ano de 2008, guiou de uma forma com seus au- fornece cerca de 1 milhões de livros 30 te desde o início do mês de agosto. recebeu um orçamento de R$ 840 mi- tores”, ressalta. Eliane ainda consi- para séries escolares de 1º a 5º anos. Com mais de 30 mil verbetes, a pu- O governo exige lhões para comprar livros didáticos de dera que a Academia Brasileira de Os lançamentos editoriais da FTD ou 4 blicação traz o fato curioso de ter sido Responsável por cobrar das Biologia, Física, Matemática, Português Letras (ABL) deve agir em conjunto os títulos reformados, que incluem desenvolvida por lexicógrafos que editoras de livros didáticos a ade- e Geografia, beneficiando 7,2 milhões com as outras academias de letras gramática e livros de português, serão quação à nova reforma ortográfi- de alunos do ensino médio. “A reforma dos países lusófonos para o acor- lançados este mês. ca da língua portuguesa e com- não teve custo adicional para o PNLD”, do corroborar suas intenções de Para o Distrito Federal, a medida prador de 103 milhões de livros reitera Sônia, lembrando que as prin- integração. “O acordo gerou uma parece demorar a chegar. A Subse- apenas em 2008, o Fundo Nacional cipais editoras já estão providenciando polêmica, pois há contradições de cretaria de Ensino Básico da Secre- de Desenvolvimento da Educação o lançamento dos livros até o próximo regras ortográficas”, completa. taria de Educação do DF informa que (FNDE) comunica que até o pró- ano, com o selo da reforma. Já a Editora FTD, uma das prin- será formada uma comissão para ximo ano esses livros poderão ou É o caso da Editora Nova Geração, cipais do país, revela que não pre- avaliar a adoção de livros didáticos não estar readequados. de São Paulo, que lançou duas gramá- cisou contratar novos revisores para adequados às novas normas.
  11. 11. 7 Campus - Edição 330 - De 3 a 18 de outubro de 2008 cultura Tesouros nas prateleiras Bibliotecas de Brasília disponibilizam coleções de excelência ao público, muitas delas compostas por itens raros que servem de referência para pesquisadores Max Melo sadores podem estudar a evolu- então conhecidas, uma das obras tram-se 240 mil obras de Direito. ção Pública. A biblioteca tam- ção da obra, já que em diferentes mais antigas do acervo. A diretora da biblioteca, Simone bém abriga documentos histó- Não é novidade que Brasília edições algumas partes foram Para Fernando Silva, do Ser- Bastos, acredita que a importân- ricos, leis, códigos e livros que possui grandes bibliotecas. As três alteradas”, conta Raphael Gree- viço de Desenvolvimento de Co- cia do acervo ultrapassa as pare- contam a história do Brasil des- principais, localizadas na Univer- nhalgh, um dos bibliotecários leções da BCE, “acervos como des. “O principal objetivo é auxi- de o período colonial. sidade de Brasília (UnB), Câmara responsáveis pelo setor de obras estes têm objetivo de preservar o liar os parlamentares durante a Natanael Lopes, aluno do 7º dos Deputados e Senado Federal raras da BCE. patrimônio histó- elaboração das leis”, afirma. semestre de Ciência Política da “Só de Os Lusíadas possuem juntas quase 1,5 milhão A coleção do rico-cultural, prin- Engana-se quem pensa que UnB, é um dos usuários da biblio- de volumes, entre livros, mapas, romancista por- possuímos 17 edições cipalmente da lín- a coleção do Senado é limitada teca da Câmara. Ele destaca que periódicos e obras raras. Alguns tuguês Camilo muito raras” gua portuguesa”. à Legislação. “Possuímos uma a principal vantagem é a atuali- desses acervos são de qualidade Castelo Branco Fernando também base de excelência de jornais e zação constante do material. “A Rafael Greenhalgh, superior, por sua variedade, atua- também chama lembra que tais de obras acadêmicas e científicas coleção é muito boa, principal- lização ou valor histórico. atenção. São 198 bibliotecário da UnB coleções, quando que possam apoiar o parlamen- mente porque tem livros recen- Nos mais de 800 mil títulos da obras, a maioria acessíveis em uma tar. Ele precisa compreender o tes e edições atuais. É bastante Biblioteca Central (BCE) da UnB, do século XIX. Entre elas, uma universidade, fomentam pesqui- mundo para guiar o país”, com- comum o pessoal do meu curso algumas coleções são mais que cópia feita a partir do original de sas e que, por isso, o acervo da pleta Simone. A biblioteca tem, estudar lá”, conta. especiais. Três delas destacam- A Infanta Capelista, que, a pedi- UnB é mais aberto que o de ou- ainda, uma coleção de livros his- Mesmo fechada para reformas se como de excelência mundial. do de D. Pedro I, foi destruída por tras bibliotecas. “Em outros luga- tóricos e de literatura, como os até 2010, a biblioteca permanece Guardadas no setor de obras raras, citar um membro da família real. res, como na Biblioteca Nacional, exemplares da primeira constitui- viva. Segundo a diretora da institui- as coletâneas de Luís de Camões, Atualmente, restam somente três é preciso fazer uma solicitação e ção imperial e antigas edições dos ção, Patrícia Milani, apesar da sus- Camilo Castelo Branco e Hipócra- originais da obra no mundo. aguardar a autorização para con- romances de Machado de Assis. pensão do atendimento externo, tes são as mais importantes. Outra coletânea notável é a de sultar obras raras”, explica. A Biblioteca Pedro Aleixo, na outras formas de acesso ao acervo Com cerca de 100 volumes, a Hipócrates, considerado pai da Câmara dos Deputados, é espe- estão disponíveis. “Mantemos o coleção do português Luís de Ca- Medicina. São livros editados en- Leis nas prateleiras cializada em Ciências Sociais. atendimento interno para os parla- mões é referência para pesqui- tre os séculos XVI e XVIII. O mais Com quase 400 mil volumes, a A maior parte dos 200 mil volu- mentares e funcionários da Câma- sadores. “Só de Os Lusíadas pos- importante é Opera Omnia, Biblioteca do Senado Federal tem mes é sobre Direito. O restante ra, o serviço de comutação biblio- suímos 17 edições muito raras, de 1535, tratado sobre as mais o segundo maior acervo aberto é, principalmente, sobre Ciência gráfica com outras bibliotecas e a do século XVI ao XVIII. Pesqui- diferentes doenças humanas até do DF. Nessa coleção, concen- Política, Economia e Administra- consulta telefônica”, garante. Francisco Brasileiro Serviço BCE Aberta de segunda a sexta- feira das 7h às 23h45 e finais de semana e feriados das 8h às 17h45. Telefone: (61) 3307-2417 e 3307-2403 Biblioteca do Senado Federal Aberta para o usuário exter- no de segunda à sexta-feira das 9h às 14h. Telefone: (61) 3311-4141 Biblioteca da Câmara dos Deputados Na BCE, encontra-se O a t e n dime n t o a o u s u á rio uma edição de e x t e rn o está suspenso até Os Lusíadas, 2010, por motivo de reforma. impressa no séc. Telefone: (61) 3216-5650 XIX em comemora- ção aos 300 anos de Camões.
  12. 12. 8 cultura Campus - Edição 330 - De 3 a 18 de outubro de 2008 “Nós só tocamos sucesso” A maioria das rádios de Brasília não valoriza músicos locais de renome nacional, preferindo os pacotes padronizados de outras cidades aos talentos regionais Francisco Brasileiro Ana Rita Cunha Das 14 rádios de Brasília, oito não prestigiam a produção da cidade. Essa foi a constatação do Campus após conversar com produtores de todas as rádios com programação musical. En- quanto a maioria afirma não ser economicamente viável tocar música local, existem artistas brasilienses de repercussão na- cional sem espaço. Há três perfis de rádio em Brasília: repetidoras, locais e pú- blicas. As repetidoras são filiais de uma matriz de outra cidade. No DF, há quatro dessas rádios, sendo que a maioria toca um pa- cote de conteúdo fechado e defi- nido na sede. A Transamérica é Fernanda e Phil, que formam a a única exceção. Com o projeto dupla Lucy and Recreio, a emissora vai às esco- the Popsonics, desistiram da las da cidade, seleciona bandas e rádio como as insere na programação. espaço de Fora isso, o coordenador mu- divulgação sical da Transamérica em Bra- sília, Jonnhy Luna, diz que há procurando gente daqui”, justi- tocar bandas como Raimundos e rinha são alguns dos exemplos e, no fim, nosso sucesso maior outras formas de os músicos che- fica Lins, repetindo o discurso Natiruts. Entre 2000 e 2005, por de bandas e músicos da cidade é fora daqui”, conta Fernando garem às rádios. “O músico pode da maioria dos programadores questões políticas, seguiu o for- que saíram em importantes re- Brasil, vocalista do Phonopop. mandar o material. Se for de boa musicais brasilienses. mato próximo ao das rádios lo- vistas nacionais. Boa parte deles Goiânia segue em direção qualidade e compatível com o es- Na contramão da tendência, cais e perdeu o público e o status é requisitada em festivais por contrária às rádios brasilienses. A tilo, é capaz que entre”, afirma. estão as rádios públicas. As qua- de grande divulgadora da produ- todo o país e já tocou no exte- Interativa, campeã de audiência De acordo com Luna, no entanto, tro existentes têm espaço para ção regional. Desde 2006, tenta rior. Todas as qualidades não entre os jovens, conforme dados existem condi- música de Brasí- recuperar esse título. “Quere- lhes valeu espaço nas rádios do Ibope, no primeiro semestre ções que podem Apesar da qualidade, lia. A rádio Verde mos criar no público o costume locais. “Nem mandamos mais de 2008, abriu espaço para mú- simplificar a en- bandas brasilienses Oliva, do Exército, de ouvir música daqui”, afirma material porque sabemos que sica local. “É preciso trazer novi- trada. “Se o cara insere essa músi- Marcos Pinheiro, diretor da rá- não vai tocar”, afirma Fernanda dades para o ouvinte, e os músi- ficam excluídas da envia material ca e criou, no ano dio. “Não precisamos olhar só Popsonic, do Lucy and the Pop- cos daqui têm identificação com para a gente fa- programação passado, o Prêmio para o próprio umbigo, mas as sonics, banda que apareceu na o público”, garante José Araújo, zer promoção, aí Verde Oliva de rádios têm que parar de ignorar revista Rolling Stone. diretor artístico da Interativa. toca mais fácil”, revela. Música Brasiliense. De acordo a música local”, polemiza. Cláudia Daibert, vocalista do “As rádios de Brasília não Nas rádios locais comer- com a assessoria de imprensa Casa de Farinha, vencedor do representam mais a criação ciais, o cenário contrasta mais. da rádio, a recepção do público Voz às bandas Prêmio Tim de Música na cate- musical local”, afirma Fernando Só uma das seis transmite mú- é muito boa. O órgão informa Conhecida pela produção goria grupo regional em 2005, Rosa, produtor musical e apre- sica de Brasília. A justificativa que é comum os ouvintes liga- musical relevante, Brasília sem- conta que o conjunto divulgou-se sentador do programa semanal de Arthur Lins, coordenador rem para saber de onde são as pre foi berço de grandes músi- principalmente nos shows. Sem Senhor F, na Rádio Câmara. musical da rádio Clube, antiga produções novas. cos. Hoje, a capital tem muitos abertura nas rádios, as bandas Rosa diz que a lógica é tocar 105 FM, é “nós só tocamos su- Na rádio Cultura, um terço nomes com reconhecimento se voltam para o público externo apenas um padrão. “As rádios cesso”. Para Lins, não é viável da programação é de música nacional. Móveis Coloniais de mesmo fazendo sucesso interna- da cidade perderam a capaci- uma rádio da cidade olhar para brasiliense. Criada em 1988, foi Acaju, Phonopop, Lucy and the mente. “A primeira resenha que dade de perceber as novidades a região. “Não perdemos tempo a primeira, na década de 1990, a Popsonics, Beto Só e Casa de Fa- fizeram sobre nós foi em Minas musicais”, lamenta.
  13. 13. 9 cidades Campus - Edição 330 - De 3 a 18 de outubro de 2008 cidades Refletir é o melhor remédio Reservada tradicionalmente a intelectuais, a Filosofia agora ganha espaço como prática terapêutica e compete com psicoterapias mais conhecidas Amanda Sales lise no tratamento de pessoas por outras pessoas e com as coisas. que não precisa existir reco- que respeitamos os modos meio de intervenções mentais Queremos que o partilhante nhecimento por parte da Psi- criados para cada estrutura de Dificuldade para fazer escolhas, clínicas. Isso gera controvérsias tenha qualidade de vida”, con- cologia em relação à Filosofia pensamento”, diz. tomar decisões ou manter um por envolver a legitimidade da ta Barbosa. Clínica, uma vez que são cam- A jornalista Denize Guedes, bom relacionamento com fa- Filosofia como uma terapia. Dentro do mercado de tra- pos diferentes. “O Conselho só 29 anos, é paciente de Olga Hack miliares, amigos e colegas de O professor do Departamento balho, a Filosofia Clínica pare- fiscaliza psicólogos. Se houver há dois meses. Ela passou mais trabalho. A busca de solução de Filosofia da Universidade de ce querer tirar o espaço antes um psicólogo fazendo esse tipo de cinco anos se submetendo para problemas como esses, Brasília Agnaldo Portugal acre- reservado à Psicologia. Mesmo de abordagem, o Conselho se a psicoterapias tradicionais, que sempre foi feita no divã dos dita que o trabalho da Filosofia assim, Enrique Maia, do Insti- pronunciará”, avisa. “Como mas diz só ter conseguido com psicólogos, agora também está Clínica envolve riscos muito se trata de filósofos, não há a Filosofia Clínica lidar com as sendo realizada em outra frente. sérios. “Quem estuda Filosofia “Quem estuda Filosofia como intervir.” dificuldades para as quais bus- Trata-se da chamada Filosofia não tem preparo para cuidar não tem preparo para cou terapia. “O tratamento não Clínica, que consiste no atendi- da saúde mental dos outros. O Diferença metodológica vai lá atrás para tentar explicar cuidar da saúde mental mento baseado na reflexão filo- filósofo não tem e nem deve ter Para Olga Hack, professo- o motivo de um problema que sófica acerca das questões que como propósito o tratamento te- dos outros” ra do Instituto Packter e única me incomoda hoje. Ela parte inquietam a existência humana. rapêutico, e nem tem base para Agnaldo Portugal, filósofa clínica que atende no do que eu estou vivendo agora, Na prática, essa corrente traba- isso”, explica. Distrito Federal, há diferen- tentando entender o mundo e o professor da UnB lha em um campo de atuação Já o professor Gilson Barbo- ças entre a terapia filosófica e cotidiano vivido por mim e atra- terapêutica em que a filosofia sa, membro da Associação Goia- tuto de Psicologia Aplicada, não as psicoterapias, principalmente vés da minha história”, conta acadêmica lhe serve de embasa- na de Filosofia Clínica, afirma vê a atuação dos filósofos como em relação à metodologia. Olga Denize. “Você passa a perceber mento, fundamentação, suporte que a especialidade não busca uma ameaça. “Todas as práticas conta que o principal é ter que determinadas coisas na vida e aprofundamento no auxílio de a cura do partilhante, como fa- terapêuticas concorrem entre si, fundamentação em preceitos acontecem porque foi aquilo que quem procura o filósofo clínico. zem outras psicoterapias com pois há grande diversidade de filosóficos. “Não trabalhamos você quis, e assim você entra Iniciada no Brasil nos anos os pacientes, nem trata de do- propostas”, afirma. “A Filosofia com conceitos de experiências em paz com questões que antes 1990, a Filosofia Clínica par- enças. “O filósofo clínico não Clínica pode vir a contribuir, anteriores. Quem se apresen- eram incômodas”. tiu de estudos do psicanalista trabalha em cima de patologia mas não se equipara ao trabalho ta à Filosofia Clínica é único Uma sessão de Filosofia e filósofo Lúcio Packter, no Rio e sadio. Nós trabalhamos com psicológico e nem o substitui.” em sua forma de ser”, afirma. Clínica pode custar de R$ 40 a Grande do Sul. No entanto, até dificuldades existenciais, pro- A fiscal do Conselho Regio- “Com isso, não nos permitimos R$ 200. O profissional tem que hoje não é muito conhecida nem curamos a melhoria da relação nal de Psicologia do Distrito fazer analogias entre norma- ser graduado em Filosofia por aceita pelos acadêmicos. Atual- da pessoa com ela mesma, com Federal Eliana Amorim explica lidades e patologias, uma vez uma faculdade reconhecida pelo mente existem cerca de 5 mil Ministério da Educação (MEC) Henrique Eira especialistas na área em todo o e ter se especializado na área, país. Desses, somente em torno cujos cursos são vinculados ao de cem cuidam de partilhantes Instituto Packter, do Rio Grande (termo usado para designar o do Sul. Na formação, os profis- paciente), enquanto os demais sionais estudam metodologias se dedicam à pesquisa ou não filosóficas para compreender e atuam na área. No Distrito Fe- auxiliar o partilhante. deral, o curso de formação em O curso tem duração de dois Filosofia Clínica existe há oito anos, com 18 meses de aulas anos, mas dos 25 especialistas teóricas e seis de estágio. Nes- existentes somente um trabalha sa segunda etapa da formação atualmente no ramo. profissional, a partir do 18º mês Vista por alguns como perigo de curso, o aluno inicia um es- à saúde pública e por outros como tágio supervisionado e é avalia- um novo mercado para o filóso- do diretamente por dois profis- fo, o tratamento atua em terreno sionais. O curso teórico custa fértil em polêmicas. Ao abarcar R$ 3.600, divididos em parcelas o campo da saúde mental, esse mensais de R$ 200. As aulas segmento se coloca ao lado da ocorrem uma vez por mês, aos Psicologia, Psiquiatria e Psicaná- fins de semana.

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