A história e os caminhos da gestão escolar

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A história e os caminhos da gestão escolar

  1. 1. A HISTÓRIA E OS CAMINHOS DA GESTÃOESCOLAR Ao se instalar o processo Constituinte na década de 1980, os educadoresorganizados compreenderam que era importante influenciar o CongressoNacional para uma ação de melhoria contínua do processo educativo em nossopaís. O Fórum Nacional em Defesa da Escola Pública, assume neste sentido umimportante papel de incluir na Constituição Nacional de 1988, a GestãoDemocrática como um princípio de Ensino público, o que posteriormente seriaconcretizado pela Lei 9394/1996 (Lei de Diretrizes e Bases da EducaçãoNacional –LDB) e no Plano Nacional de Educação em 2001. Neste contexto, a gestão democrática surge para que os estudantesaprendam mais e se realizem enquanto pessoas e cidadãos conscientes. Paratanto, se faz necessário ampliar os investimentos em educação, sobretudo nestaera de globalização, que trás a educação como o coração da sociedade,caracterizando a sociedade do conhecimento, o que faz surgir então anecessidade de uma escola de qualidade e acima de tudo democrática. Diante desta tênue linha histórica da Democratização da gestão no Brasil,a Unesco, constata a necessidade de onze a doze anos de escolaridade para seinserir este processo de globalização; neste sentido chega-se a triste conclusãode que o nosso país está longe de alcançar este patamar, necessitando-se, então,de uma política de Estado permanente com mais recursos e de uma escola comgestão democrática, de qualidade e inclusiva, capaz de fazer do aluno umverdadeiro cidadão. Nos anos oitenta, três coisas se destacaram nas lutas por uma educaçãode qualidade: descentralização, democratização e inclusão. O grande desafiotorna-se acolher os alunos e fazer com que eles realmente aprendam. Para isso,o processo de gestão democrática precisa está pautado no Projeto PolíticoPedagógica, para assim ser possível acolher a todos e fazer com que estes sejamportadores de direitos e saberes. Finalmente, conclui-se que falar de Gestão Democrática é antes de maisnada uma atitude de acolhimento daqueles que sempre foram excluídos. Tendoa visão de que o grande desafio da escola é ter alunos que se destaquem emtodas as áreas do conhecimento.A HISTÓRIA E OS CAMINHOS DA GESTÃO ESCOLARApesar de ter estudado toda a parte da História da Educação no Brasil, o temos que entender que aindaprecisamos fazer muito pela educação, apesar de toda a luta, desde os anos trinta, com o Manifesto dosPioneiros da Educação ( na Era Vargas) , passando pela luta para ser elaborada a LDB, concretizada econsolidada na década de sessenta e, quando o educador Paulo Freire se torna um dos baluartes daeducação libertadora, entretanto, continuamos vendo aquele sonho dos Pioneiros que precisa serefetivado.
  2. 2. No processo da Gestão escolar a figura do diretor e a questão da construção do PPP são fundamentosimportantes para afirmar a escola pública em seu compromisso com a educação integral do ser humano.É preciso defender o papel da democracia na escola, ou seja, a Gestão Democrática, para que a escolapública possa dar um novo salto na educação, principalmente sabendo acolher todos. Infelizmentepersiste em nosso país a teoria da exclusão e, a escola precisa existir não só para trazer conhecimentoao ser humano, mas ajudá-lo a melhorar sua expectativa de vida. Uma dos interlocutores afirmava que osmais excluídos são os pobres e os filhos de trabalhadores. Parece que a escola não foi feita para eles(isso sim nós precisamos pensar).A UNESCO defende que “o ser humano para acompanhar o mundo globalizado, precisar ter onze/dozeanos de escolaridade, caso contrário será excluído do processo e, no Brasil estamos longe disso”.De fato, esse bandeira de luta da UNESCO nos levam refletir quanto a gestão da escola pública devemelhorar, especialmente o papel dos diretores que se comprometer com a gestão democrática. E, o papeldesse gestor deve ser a busca constante da descentralização, do sabe ouvir, do incentivo de todaa equipe para formar o ser humano em todas as dimensões. Não podemos pensar apenas na formaçãopara o mercado de trabalho, mas, contribuir na formação para a vida, cidadania e a vivência democrática.Leia mais em: http://www.webartigos.com/artigos/a-historia-e-os-caminhos-da-gestao-escolar/85300/#ixzz25vZbGGf1Os caminhos da gestão escolar: discutindo as atribuições e a prática docoordenador pedagógicoAlexandra Silva dos Santos Furquim[*]Etiane Fagundes Braga**Silvania Regina Pellenz Irgang***publicado em 02/02/2009Introdução A escola, os sujeitos que nela estão inseridos e as relações que entre si seestabelecem têm sido campo de pesquisa sobre a gestão educacional, formaçãode professores e (re)significação de maneiras de ser e estar na profissão docente.Nesse espaço formativo encontram-se sujeitos singulares que constroem parte desua história no coletivo. Dentre os saberes e os fazeres dos professores, buscou-se nesse estudo conhecer a gestão escolar pelo olhar de três coordenadoraspedagógicas de uma Escola Estadual do município de Santa Maria (RS) e comisso, refletir sobre a sua prática gestora. Entende-se que o coordenador pedagógico, ao mesmo tempo que atua nocoletivo, de forma a alcançar objetivos estabelecidos com a participação de todos,também está em processo permanente de desenvolvimento profissional, pois
  3. 3. reconstrói seus saberes e seus fazeres permanentemente. O presente estudo baseou-se na abordagem qualitativa de pesquisa,constituindo-se em um estudo de caso (TRIVINÕS, 1987; STAKE, 1999; YIN,2005). Cada coordenadora pedagógica representou um caso. Para que o objetivodessa pesquisa fosse atingido, elegeu-se como instrumento de coleta de dados aentrevista semi-estruturada. Para a organização dessa, foi elaborado um roteirocom base em três categorias intituladas trajetória docente, atribuições docoordenador pedagógico e prática de gestão do coordenador pedagógico.Trajetória, atribuições e prática do coordenador pedagógico A gestão escolar na perspectiva da administração individual, dahierarquia e da fragmentação de tarefas vem perdendo seu espaço para a gestãodemocrática, entendida como compartilhamento de responsabilidades no contextoescolar. No entanto, sua inserção na organização e funcionamento das escolasconfigura-se como um grande desafio para os gestores que necessitam, namaioria das vezes, reconstruírem suas concepções e práticas de gestão. Nessa perspectiva, a gestão escolar passa a ser concebida sob o prisma dereconhecer a importância da participação de todos na organização e noplanejamento do trabalho escolar, uma vez que o conceito de gestão estáassociado ao fortalecimento da democratização no processo pedagógico, àparticipação de todos nas decisões necessárias e na sua efetivação mediantecompromisso coletivo. Entende-se que o coordenador pedagógico constitui-se em um sujeito queassume o papel de coordenador de ações voltadas para objetivos coletivamenteestabelecidos. Ou seja, aquele gestor que por sua articulação e integraçãodesempenha juntamente com os demais gestores o trabalho pedagógico-curricular. Torna-se importante, assim, refletir como a trajetória docente repercute naprática desse profissional, não mais chamado de especialista em educação, mas
  4. 4. de gestor escolar. Acredita-se que há, inevitavelmente, influência dasexperiências pessoais e, concomitantemente, da formação inicial e continuada naprática gestora desenvolvida no cotidiano escolar. Esse fato não poderia serdiferente com relação ao coordenador pedagógico: gestor, imbuído pelo eupessoal e profissional. Nesse estudo, a memória apresenta-se como âmago dessas relações,entendida não apenas como reminiscências do passado, mas, principalmente,conforme Benjamim apud Kenski (1992, p. 146) como “[...] um movimentopermanente de reconstrução, determinado pelas condições concretas eemocionais do sujeito, no momento presente”. Assim, ao se reportarem à trajetória profissional, aos caminhos percorridosna escolarização, as coordenadoras relembraram marcas positivas e negativas,perfis de professores que fizeram com que elas repensassem sua prática. A partirdo exposto, percebe-se que não há como negar a indissociabilidade entre o eupessoal e o eu profissional, ou seja, um está presente no outro. Dessa forma, épreciso exercitar o conhecimento de si, do seu “processo identitário” (NÓVOA,1995), como pessoa e profissional, de seus desejos, angústias e escolhas, pois“[...] a identidade é um lugar de lutas e de conflitos, é um espaço de construçãode maneiras de ser e de estar na profissão [...], a maneira como cada um sesente e se diz professor” (ibid, p. 16). Sob essa perspectiva, quando se propõe a conhecer a trajetória doprofessor, também se pretende dar voz a ele, a sua vida, a tudo aquilo que fazparte de sua história, do seu processo formativo como pessoa, como aluno que foie professor que é. Segundo Goodson (1995, p. 75), [...] os estudos referentes às vidas dos professores podem ajudar-nos a ver o indivíduo em relação com a história do
  5. 5. seu tempo, permitindo-nos encarar a intersecção da história de vida com a história da sociedade, esclarecendo, assim, as escolhas, contingências e opções que se deparam ao indivíduo. Em vista disso, percebe-se que conhecer a vida do professor é de sumaimportância para entender sua formação e prática profissional. No entanto, esseprocesso não é estanque, ele se modifica no cotidiano das relações, dos conflitose das decisões tomadas no decorrer da carreira. Nessas vivências, outrasaprendizagens, reflexões e (re)significações acerca da profissão são possíveis. Nessa perspectiva, muitas foram as razões que determinaram as escolhasprofissionais das coordenadoras entrevistadas. Segundo elas, os fatores queinfluenciaram suas escolhas passaram pela interferência da família, do trabalhocom a área das ciências humanas, com o conhecimento, o saber e o fazer naeducação como necessidade de formação. De acordo com Cunha (1996), “[...] oprofessor nasceu numa época, num local, numa circunstância que interferem noseu modo de ser e agir. Suas experiências e sua história são fatoresdeterminantes do seu comportamento cotidiano”. Por isso, conhecer a trajetória da formação profissional dos professorespermite adentrar no campo dos sentidos e significados que a profissão representapara cada um. Nesse caso, destaca-se a importância da formação continuada,ressaltada pelas coordenadoras, como processo de autoformação crítico-reflexivada e na prática docente. Percebe-se, pois, que a continuidade da formação é indispensável para aprofissionalização no atual contexto educacional e que esse processo se constrói
  6. 6. durante toda a carreira profissional. A formação permanente se faz necessáriapela própria natureza dos saberes e dos fazeres humanos como práticas que setransformam constantemente. Nesse sentido, os coordenadores pedagógicos,anteriormente chamados de supervisores escolares, possuíam um papelassociado, principalmente, ao controle das práticas docentes. A partir dasmudanças no processo de organização da escola, o coordenador pedagógicopassou a ser considerado, também, um professor e seu foco passou a ser,prioritariamente, o processo de ensino e aprendizagem. Desse modo, os saberesteóricos e práticos oriundos da trajetória docente passaram a compor, juntamentecom os saberes para o desenvolvimento das atividades administrativas, osconhecimentos necessários para o trabalho na coordenação. Quanto às atribuições como coordenador pedagógico, as colaboradorasapontaram que seu trabalho reside, prioritariamente, no desenvolvimento dasquestões burocráticas, postas pela legislação vigente, e no seu trabalho com aequipe docente. Ou seja, o coordenador é o mediador das práticas do professor,uma vez que sua ação está diretamente ligada à educação, aos aspectospedagógicos do ambiente escolar. Corroborando com o exposto, Libâneo, Toschi eOliveira (2005, p. 373) destacam que “[...] a coordenação pedagógica [...]responde pela viabilização do trabalho pedagógico-didático e por sua integração earticulação com os professores, em função da qualidade do ensino”. Dessa forma, o trabalho desenvolvido pelo coordenador pedagógicoconstitui-se em uma prática mediadora no sentido de visar o comprometimentocom o corpo docente e o processo de ensino-aprendizagem dos alunos. A partirdisso, percebe-se que o coordenador pedagógico é o gestor responsável por: [...] coordenar, acompanhar, acessorar, apoiar e avaliar as atividades pedagógico-curriculares. Sua atribuição prioritária é prestar assistência pedagógico-didática aos professores em suas respectivas disciplinas, no que diz respeito ao trabalho interativo com os alunos. (LIBÂNEO, OLIVEIRA E TOSCHI, 2005, p. 373) Entende-se que a trajetória construtiva desse profissional necessita ser
  7. 7. visualizada com um olhar reflexivo, no sentido de se poder identificar as possíveisinterferências que venham a determinar a sua prática gestora. Percebe-se que, namaioria das vezes, o gestor escolar direciona a sua prática a partir dasconcepções de gestão internalizadas ao longo de sua trajetória. Nessaperspectiva, Mizukami et al. (2002, p. 48) apontam que “[...] os conhecimentos,as crenças e as metas são elementos fundamentais na determinação do quefazem e de por que o fazem”. Assim, a gestão escolar assume diferentesperspectivas conforme a concepção que os gestores têm das finalidades sociais epolíticas da educação em relação à sociedade e à formação discente. Libâneo, Oliveira e Toschi (2005) apresentam quatro concepções de gestãoescolar que aqui serão expostas de maneira sucinta. A primeira diz respeito aconcepção técnico-científica que se baseia na hierarquia de cargos e de funções,nas regras e nos procedimentos administrativos, para a racionalização do trabalhoe a eficiência dos serviços escolares. A autogestionária baseia-se naresponsabilidade coletiva, na ausência de direção centralizada e na acentuação daparticipação direta e por igual de todos os membros da instituição. Ainterpretativa considera como elemento prioritário na análise dos processos deorganização e gestão os significados subjetivos, as intenções e a interação daspessoas. A concepção democrático-participativa baseia-se na relação orgânicaentre a direção e a participação dos membros da equipe, onde as decisões sãotomadas coletivamente. Essas concepções são decorrentes da perspectiva degestão sociocrítica, que propõe: [...] de um lado, a organização como uma construção social envolvendo a experiência subjetiva e cultural das pessoas; de outro, essa construção não como um processo livre e voluntário, mas mediatizado pela realidade sociocultural e política mais ampla, incluindo a influência de forças externas e internas marcadas por interesses de grupos sociais sempre contraditórios e, às vezes, conflituosos. Tal visão busca relações solidárias, formas participativas, mas também valoriza os elementos internos do processo organizacional – o planejamento, a organização, a gestão, a direção, a avaliação, as responsabilidades individuais dos membros da equipe e a ação organizacional coordenada e supervisionada [...]. (LIBÂNEO, 2001, p. 222-223)
  8. 8. Na escola tais processos de gestão, muitas vezes, não são percebidos demaneira clara, ora por estarem imbricados uns nos outros, ora pela gestãotécnico-científica ainda predominar. Nesse sentido, ao ser feita a análise da faladas entrevistadas, foi possível verificar as categorizações “concepção de gestão:enfoque sociocrítico (no sentido de agregar pessoas, considerar as interaçõessociais e formas democráticas de tomada de decisões)”, comotambém “coordenação: trabalho burocrático x trabalho pedagógico”, quando asentrevistadas ao serem questionadas sobre a concepção de gestão escolar quefundamenta a prática e prática desenvolvida como gestor apontaram que: [...] eu procuro me pautar na gestão democrática, agora isso é difícil. De vez em quando a gente tem que quase impor algumas resoluções, inclusive pra não burlar a questão legal que a gente tem que zelar bastante. (COORDENADORA DO TURNO DA TARDE) [...] talvez eu tenha me centrado mais na parte burocrática: diário de classe, planos de curso, na época. Agora com o tempo mudou muito. Eu vejo que a minha prática, como coordenação, mudou muito. Porque isso precisa ser feito. São documentos, mas que não é a preocupação maior que tu precisas ter. Tu precisas ter um olhar do professor, auxiliando, ouvindo, ajudando na atividade pedagógica. (COORDENADORA DO TURNO DA NOITE) [...] como gestão eu considero que, faz dois anos que se está tentando trabalhar na escola. Porque até então era: tu és o coordenador, tu és o administrador, tu és o supervisor e cada um o dono do seu espaço. Ninguém palpitava na vida do outro. Não é essa a visão de gestão, do processo e nem de professor gestor da sala de aula. Tem escolas que aderiu da teoria a prática é bem um termo assim, diretiva, que eu acho que não deve se usar mais. (COORDENADORA DO TURNO DA MANHÃ) Verifica-se que as três coordenadoras elegeram a perspectiva sociocrítica
  9. 9. como a forma de gestão que possibilita o trabalho coerente e vislumbra osobjetivos educacionais almejados. Por outro lado, pode-se identificar umobstáculo em trabalhar de maneira coletiva, quando os colegas e até mesmo elassão oriundas de uma organização em que prevalece o trabalho compartimentado. Assim, foi possível perceber que as posições aqui colocadas refletem amesma posição política sobre o papel da escola. No entanto, o que está instituídona estrutura organizacional da escola, por meio da fragmentação do trabalhopedagógico e desarticulação com o papel social, acabam impossibilitando umtrabalho visando o coletivo escolar.Considerações finais Acredita-se que essa pesquisa contribuiu com uma reflexão sobre a práticagestora do coordenador pedagógico, entendido como sujeito que participa doprocesso de mediação e articulação de saberes e fazeres, que busca construir,progressivamente, processos de democracia e participação coletiva através dediscussões, reflexões, ações e avaliações constantes. Entende-se que os saberes, as experiências e as vivências decorrentes desua trajetória profissional interferem no modo como concebem, organizam edesenvolvem a prática de gestão. No entanto, as coordenadoras entrevistadasdeixaram claro que o processo de gestão participativa e democrática ainda não seefetivou na escola. As reflexões e ações são lentas e dependem do envolvimentoe comprometimento de todos. Em suma, pode-se destacar do trabalho dascoordenadoras a tentativa de gestão democrática-participativa, a qual implicadeveres e responsabilidades de todos os envolvidos e o comprometimento com aeducação de qualidade.ReferênciasCUNHA, M. I. da. O bom professor e sua prática. 6. ed. Campinas, São Paulo:
  10. 10. Papirus, 1996.GOODSON, I. Dar voz ao professor: a história de vida dos professores e seudesenvolvimento profissional. In: NÓVOA, A. (Org.). Vidas de profesores. 2.ed. Portugal: Porto, 1995.KENSKI, V. Memória e ensino. São Paulo: Papirus, 1992.LIBÂNEO, J. C. Organização e gestão da escola: teoria e prática. 4. ed.Goiânia, Goiás: Alternativa, 2001.LIBÂNEO, J. C.; OLIVEIRA, J. F.; TOSCHI, M. S. Educação escolar: políticas,estrutura e organização. 2. ed. São Paulo: Cortez, 2005.LÜCK, H. Concepções e processos democráticos de gestão educacional.Petrópolis, Rio de Janeiro: Vozes, 2006.MIZUKAMI, M. G. N., et al. Escola e aprendizagem da docência: processos deinvestigação e formação. São Carlos: UFSCar, 2002.NÓVOA, A. (Org.). Vidas de profesores. 2. ed. Portugal: Porto, 1995.STAKE, R. E. Investigación con estudio de casos. 2. ed. Madrid: Ediciones Morata S. L,1999.TRIVIÑOS, A. N. S. Introdução à pesquisa em ciências sociais: a pesquisaqualitativa em educação. São Paulo: Atlas, 1987.
  11. 11. YIN, R. K. Estudo de caso: planejamento e métodos. 3. ed. Porto Alegre: Bookman, 2005.[*] Licenciada em Pedagogia, Especialista em Gestão Educacional e Mestranda em Educaçãopela Universidade Federal de Santa Maria/RS. E-mail: alexandrafurquim@hotmail.comO papel dos colegiados na GestãoEscolarPrograma de TV: Fazendo Escola Tomando com exemplo a escola José Monteiro Limada cidade de São Bernardo GO, o programa de TV: Fazendo Escola, relata emaproximadamente 55 minutos de reportagem e entrevistas, o perfil educacional dessacidade, destacando o papel dos colegiados na gestão escolar. Para isso, o programa contacom vários especialistas da área educacional, como: a professora Ilma Passos (Faculdadede EducaçãoUnB), o professor Erasto Fortes Mendonça (Diretor da Faculdade deEducaçãoUnB), a professora Regina Vinhais Gracindo (Faculdade de EducaçãoUnB), aMaria da Gloria Gohn (professora titular da Faculdade de EducaçãoUnicamp e Uninove) ea professora Márcia Ângela Aguiar do Centro de EducaçãoUFPE. A princípio destacamoso que significa a missão escolar para esses especialistas, significa mais do nunca, garantiros serviços educacionais de qualidade, garantindo a permanecia do aluno na escola, como objetivo de formar cidadãos críticos conscientes para enfrentar o mundo moderno. Este éum conceito que indubitavelmente precisa do processo da Gestão Democrática paracolocá-lo em práxis. Já que este processo, prever que não apenas o Diretor decida sobreas questões da escola, mas que todos os envolvidos precisam participar seja: setoradministrativo, pedagógico e comunidade local, em fim, em todos os sentidos. De acordocom o vídeo, observamos que existe uma grande união para quer a escola alcance umamelhora em seu ensino, independente do nível a ser estudado, uma gestão em busca doentendimento, para passar um conhecimento mais qualificado a cada aluno da escola. Eisto, surgiu quando se deu a criação do conselho escolar, que procura dentro do possíveladequar uma conjuntura com participação do gestor, conselho escolar, grêmio estudantil,
  12. 12. associação dos pais de alunos, para encontrar uma melhor solução em busca dodesenvolvimento do ensino na escola, principalmente a escola pública. Ale disso, esteconselho procurar em suas reuniões encontrar soluções para problemas diretamenterelacionados aos alunos e setor pedagógico, criando projeto para manter o aluno naescola, entre vários projetos destacados, que podem serrem aplicados ao aluno, citamos,por exemplos horta na escola que procura mostrar e viabilizar o aluno com o objetivo deproduzir uma parte de seu alimento no dia a dia na escola, outra muito importante é oprojeto do aluno monitor, que o aluno passa a ensinar o outro aluno, com o objetivo de quetodos alcancem seus propósitos, e a escola se destaque diante dessa atividade. A gestãoescolar faz toda esta mobilização entre todos os integrantes do conselho escolar, com aparticipação do gestor, pais, aluno e funcionários desta instituição escolar de formademocrática, onde este processo democrático funciona de forma integral com todos estescomponentes, além de toda uma cooperação do colegiado que procura sugerir juntamentecom o conselho escolar, mudanças naquilo que for para uma melhora do ensino dentro daescola pública, pois o colegiado tem uma participação maior integral com o aluno na salade aula, além de procura compreender de forma mais coerente, a forma de convivênciadesta comunidade o qual a escola está situada, e buscar entender alguns fatos inerentes aesta localidade e procurar contar com a cooperação desta comunidade dentro daquilo quea escola precisa, de forma democrática e social, de acordo com a realidade presente.Quando todo este aparato caminha junto, fortalece toda uma estrutura e forma umaconjuntura coletiva em torno do corpo administrativo da escola, pois a educação é um todoe tem por objetivo integra o aluno a escola. O colegiado tem uma preocupação com oprojeto pedagógico do ensino público, no qual este aluno vai participar diretamente na salade aula deste projeto que foi idealizado pelo colegiado e, é aprovado pelo conselho escolarem reuniões, a participação efetiva neste processo pedagógico do conselho escolar, estávoltado para seguinte objetivo: ensino de qualidade dentro da escola pública. Estaconjuntura educacional vem melhorando desde a criação dos conselhos. Por ter umaparticipação integral de um corpo formando por várias instâncias, com o objetivo deencontrar um caminho mais viável para o ensino público de qualidade, de forma que cadavez mais esta gestão seja participativa de todo este corpo que nós referimosanteriormente, dentro do ensino fundamental e médio principalmente, onde encontramosas maiores dificuldades na prática destes objetivos incorporados dentro de uma processoeducativo com forma participativa e democrática no ensino público em geral. Todavia, seprocuramos ouvi todos os meios legais, vamos sempre encontrar algo para ser modificadocom objetivo de uma melhoria no ensino público, com certeza nos últimos anos houve umavanço muito grande no ensino público, claro que esta melhora não chegou a todas as
  13. 13. partes do pais. Para isto, deve-se ter uma forma de gestão democrática e participativa noprocesso educacional do país. A professora Regina V. G. ver a participação dessesenvolvidos como condição da Gestão Democrática. O grêmio estudantil, por exemplo, éum tipo de colegiado que não somente trata do interesse do aluno em si, mas de projetosque possam ser desenvolvidos na escola, pois como deixou claro o presidente do grêmio,“o sucesso da escola não depende apenas da direção e da coordenação, mas sim dopróprio aluno”. E isto, é Gestão Democrática. Uma pergunta que surge nesse tipo deGestão a seguinte – Por que dividir a administração com outras pessoas? E o Diretordesta escola responde: “a palavra que deve prevalecer na escola não é o eu, mas sim onós.” Segundo o professor Erasto F. M., o conselho escolar que reúne professores,diretores, alunos, funcionário e pais de alunos, tem uma qualidade diferenciada noprocesso de gestão da escola. Portanto, dividir responsabilidade é um importante começopara melhorar o desempenho escolar. Para Ilma P., este processo deve ter como foco odesenvolvimento da cidadania, e viver a cidadania na escola significa poder ter voz e terrepresentação na instancia dos colegiados. Projetos como: horta na escola, esporte naescola e meio ambiente, representam formas da comunidade escolar e representantes dacomunidade civil organizada se interagirem numa perspectiva de aprimoramento dacidadania. Além disso, por meio da interdisciplinaridade, que segundo a coordenadorapedagógica da escola Dalka Maria Pinheiro, foi a pedra fundamental na mudança daescola, que por meio da interação de diversos disciplina, a comunidade escolar podesocializar os conhecimentos. Apesar de vários tipos de colegiados como: grupos dealunos, associação de pais e conselho escolar, a função primordial do colegiado é aformulação do projeto político pedagógico, que visa a construção da cidadania. Então,dividir com todos as responsabilidades é compartilhar cada passo e caminharacompanhado. Porque estamos formandos pessoas pra dizer sim, não, pra argumentar epara brigar pelos seus direitos. Como afirma Maria da G. G. gestão compartilhada implicaem comunidade educativa, coloca a escola no centro da sociedade, que em contra partida,pode fornecer uma nova cultura política. Para Márcia A. A., a escola é o lócus de formaçãohumana, ou seja, é o espaço para a formação da cidadania. A escola não existe parareproduzir conhecimentos, mas sim como construção de conhecimentos, sejamconhecimentos acumulados historicamente ou como se diz conhecimento da culturapopular. Um dos grandes desafios das escolas brasileiras de um modo geral é criarmecanismos de sustentação de uma estrutura educacional que seja produtiva ecumpridora do papel central da instituição que é o processo de formação dos alunos emcidadãos esclarecidos e comprometidos com a realidade social em que estão inseridos.Devido a grande precariedade estrutural da realidade educacional brasileira onde o
  14. 14. aparato material é extremamente restrito para subsidiar as contingências de alunos eprofessores em sua trajetória educacional formas alternativas de gestão educacionaldevem ser criadas para que, de acordo com a realidade local, se possam criar cenáriosfavoráveis à constituição de espaços de referência no contexto da educação. Assim, aescola em questão encontrou na gestão democrática, o caminho para, através do conselhoescolar, discutir coletivamente as demandas institucionais para, coletivamente, resolver osproblemas gerais. Os conselhos são criados para atender conjuntamente os anseios detodos os envolvidos no processo educacional de modo que pais, alunos, professores,diretores e funcionários têm voz e passam a fazer parte do processo se envolvendo aponto de assumirem para si a responsabilidade de melhorar o ambiente escolar. Dessaforma todas as instâncias são contempladas nos planos de melhorias da escola. O diretoragindo sozinho, trazendo as tarefas prontas para serem executadas pelos participantesdificilmente conseguiria ter clareza para perceber todas as necessidades da escola eprovavelmente não conseguiria a participação efetiva de todos os envolvidos. Váriosprojetos são criados em decorrência das decisões do conselho e acabam virando umaprática de grande importância no curso das atividades escolares. A vida na escola passa aser marcada não mais pela simples freqüência das aulas mais o aluno vive a escola emtodos os seus aspectos participando e se sentindo agente importante na composição dainstituição. Os projetos extrapolam os muros da escola e ganham as ruas da cidade demaneira que a sociedade absorve as práticas criadas na escola trazendo a tona um sensode responsabilidade social que perpassa uma comunidade inteira alterando para melhor aconvivência social numa abrangência bastante considerável. Cria-se uma relaçãoconstante com a interdisciplinaridade, ou melhor, com uma “transdisciplinaridade”, queengloba todos os conhecimentos do aluno num processo contínuo que o inclina a ser umhospedeiro de bons atos e o leva a ser um disseminador de qualidade de vida para ele epara aqueles que lhe estão próximos. É possível, com medidas relativamente simples,contornar os problemas impostos pela precariedade do ensino no país. O vídeo comprovaque aquilo que se busca como ideal de educação é factível e está ao alcance de qualquercomunidade. As possibilidades de desenvolvimento do ensino vão, inclusive, além dagrade curricular e do progresso puramente pedagógico, e é capaz de atingir o indivíduo emsua essência, tornado este, não só um aluno como também um cidadão completo capazde modificar o meio em que vive trazendo assim mais harmonia e progresso para a suacomunidade.
  15. 15. O Papel do ProfessorO professor é o grande agente do processo educacional, diz o Dr. Gabriel Chalita, autor do livro"Educação - a solução está no afeto". E ele prossegue: "A alma de qualquer instituição deensino é o professor. Por mais que se invista na equipagem das escolas, em laboratórios,bibliotecas, anfiteatros, quadras esportivas, piscinas, campos de futebol - sem negar aimportância de todo esse instrumental -, tudo isso não se configura mais do que aspectosmateriais se comparados ao papel e à importância do professor."Mas, professor Gabriel, perguntamos, há quem afirme que o computador irá substituir oprofessor, e que nesta era em que a informação chega de muitas maneiras, o professor perdeusua importância. Ele responde, com serenidade: "O computador nunca substituirá o professor.Por mais evoluída que seja a máquina, por mais que a robótica profetize evoluções fantásticas,há um dado que não pode ser desconsiderado: a máquina reflete e não é capaz de dar afeto,de passar emoção, de vibrar com a conquista de cada aluno. Isso é um privilégio humano."Deste ponto em diante, deixaremos que a entrevista siga como monólogo, porque quem temouvidos de ouvir, que ouça."Pode-se ter todos os poemas, romances ou dados no computador, como há nos livros, nasbibliotecas; pode até haver a possibilidade de buscar informações pela Internet, cruzar dadosnum toque de teclas, mas falta a emoção humana, o olhar atento do professor, suagesticulação, a fala, a interrupção do aluno, a construção coletiva do conhecimento, a interaçãocom a dificuldade ou facilidade da aprendizagem.Os temores de que a máquina possa vir a substituir o professor só atingem aqueles que nãotêm verdadeiramente a vocação do magistério, os que são meros informadores desprovidos deemoção. Professor é muito mais do que isso. Professor tem luz própria e caminha com péspróprios. Não é possível que ele pregue a autonomia sem ser autônomo; que fale de liberdadesem experimentar a conquista da independência que é o saber; que ele queira que seu alunoseja feliz sem demonstrar afeto. E para que possa transmitir afeto é preciso que sinta afeto,que viva o afeto. Ninguém dá o que não tem. O copo transborda quando está cheio; o mestretem de transbordar afeto, cumplicidade, participação no sucesso, na conquista de seueducando; o mestre tem de ser o referencial, o líder, o interventor seguro, capaz de auxiliar oaluno em seus sonhos, seus projetos.A formação é um fator fundamental para o professor. Não apenas a graduação universitária oua pós-graduação, mas a formação continuada, ampla, as atualizações e os aperfeiçoamentos.Não basta que um professor de matemática conheça profundamente a matéria, ele precisaentender de psicologia, pedagogia, linguagem, sexualidade, infância, adolescência, sonho,afeto, vida. Não basta que o professor de geografia conheça bem sua área e consiga dialogarcom áreas afins como história; ele precisa entender de ética, política, amor, projetos, família.Não se pode compartimentar o conhecimento e contentar-se com bons especialistas em cadauma das áreas.Para que um professor desempenhe com maestria a aula na matéria de sua especialidade, eleprecisa conhecer as demais matérias, os temas transversais que devem perpassar todas elase, acima de tudo, conhecer o aluno. Tudo o que diz respeito ao aluno deve ser de interesse doprofessor. Ninguém ama o que não conhece, e o aluno precisa ser amado! E o professor écapaz de fazer isso. Para quem teve uma formação rígida, é difícil expressar os sentimentos;há pessoas que não conseguem elogiar, que não conseguem abraçar, que não conseguemsorrir. O professor tem de quebrar essas barreiras e trabalhar suas limitações e as dos alunos.Não há como separar o ser humano profissional do ser humano pessoal. Certamente oprofessor, como qualquer pessoa, terá seus problemas pessoais, chegará à escola mais sisudoque o habitual e terá mais dificuldade em desempenhar seu trabalho em sala de aula. Osalunos notarão a diferença e a eventual impaciência do professor nesse dia, mas eles nãosabem os motivos da sisudez do mestre e podem interpretar erroneamente. Exatamente porisso é preciso cuidar para que contrariedades pessoais não venham à tona, causando mágoase ressentimentos.Ao enfrentar problemas de ordem pessoal o professor deve procurar o melhor meio para sairdo estado de espírito sombrio e poder desempenhar seu trabalho com serenidade. A leiturados clássicos, o contato com a arte, com a natureza, uma boa terapia, uma reflexão mais
  16. 16. profunda sobre a contrariedade por que se está passando pode ajudar muito. Ninguém é mauem essência, como já dissemos, mas um professor descontrolado deve rever seucomportamento sob pena de ser mal interpretado por seus alunos.Sabe-se que a dificuldade financeira é um obstáculo para a maior parte dos professores destepaís, mas não pode servir de desculpa: há numerosos programas culturais gratuitos, hábibliotecas públicas, a natureza está aí e não cobra nada para ser contemplada. Não se tratade ignorar a lamentável situação em que se encontram os professores no que diz respeito aospatamares salariais. Essa classe vem sendo tratada com desrespeito pela grande maioria dosadministradores públicos do país. Para obras de cimento e cal sempre há dinheiro, para umsalário digno de quem forma o cidadão brasileiro não há verbas. Entretanto, isso não pode serdesculpa para a acomodação, para a negligência ou para a impaciência. O professor tem odireito constitucional de fazer greve e ninguém pode deixar de respeitá-lo por isso, mas nãotem o direito de ser negligente, incompetente, displicente, porque o aluno não tem culpa. Se oproblema é com os administradores, eles é que devem ser enfrentados. É melhor entrar emgreve, com todos os problemas decorrentes disso, do que dar uma aula sem alma apenasporque não se ganha o suficiente.Desde os primórdios da cultura grega, o professor se encontrar em uma posição deimportância vital para o amadurecimento da sociedade e a difusão da cultura. As escolas deSócrates, Platão e Aristóteles demonstram a habilidade que tinham os pensadores para discutiros elementos mais fundamentais da natureza humana. Não perdiam tempo com conteúdosengessados. Discutiam o que era essencial. Sabiam o que era essencial porque viviam dareflexão, e a aula era o resultado de um profundo processo de preparação. Assim foi a escolade Abelardo, com os alunos quase extasiados pelo carisma do professor e pela formaenvolvente e sedutora como eram tratados os temas. Sócrates andava com seus alunos eironizava a sociedade da época com o objetivo de fazê-los pensar, de provocar-lhes a reflexão,o senso crítico. Não se conformava com a passividade de quem acha que nada sabe e nuncaconseguirá sabem nem com a arrogância de quem acredita que tudo sabe e, portanto, nadamais há que mereça ser estudado ou refletido.Jesus Cristo, o maior de todos os mestres da humanidade, contava histórias, parábolas ereunia multidões ao seu redor, fazendo uso da pedagogia do amor. Quem era esse pregadorque falava de forma tão convincente, ensinava sobre um novo reino e olhava nos olhos com adoçura e a autoridade de um verdadeiro mestre? A multidão vinha de longe para ouvi-lo falar,para aprender sobre esse novo reino e sobre o que seria preciso fazer para alcançar afelicidade. O grande mestre não precisava registrar as matérias, não se desesperava com oconteúdo a ser ministrado nem com a forma de avaliação, se havia muitos discípulos ou não.Jesus sabia o que queria: construir a civilização do amor. E assim navegava em águastranqüilas, na maré correta, com a autoridade de quem tem conhecimento, de quem tem amore de quem acredita na própria missão.Sócrates e Cristo foram educadores, formaram pessoas melhores. Não há como negar que osnumerosos profetas ou os simples contadores de história conseguiram tocar e educar muitomais do que qualquer professor que saiba de cor todo o plano curricular e tudo o que o alunodeve decorar para ser promovido. Ninguém foi obrigado a seguir a Cristo, não havia lista depresença nem chamada, e mesmo assim a multidão se encantava com seus ensinamentos -ele tinha o que dizer e acreditava no que dizia, por isso foi tão marcante.O professor precisa acreditar no que diz, ter convicção em seus ensinamentos para que osalunos também acreditem e se sintam envolvidos. Precisa de preparo para ir no rumo certo ealcançar os objetivos que almeja.O professor que não prepara as aulas desrespeita os alunos e o próprio ofício. É como ummédico que entra no centro cirúrgico sem saber o que vai fazer e sem instrumentaçãoadequada. Tudo na vida exige uma preparação. Uma aula preparada, organizada, com oconteúdo refletido muito provavelmente será bem sucedida. Aula previamente preparada nãosignifica aula engessada: não lhe dará o direito de falar compulsivamente, sem permitirintervenção do aluno, não dialogar com a vida, não dar ensejo a dúvidas; o professor nãodeixará de discutir outros temas que surgirem apenas porque tem que cumprir o roteiro de aulaque preparou. Pode até ocorrer que ele dê uma aula diferente daquela que planejou, mas issoé enriquecedor.Preparação é planejamento. Muitos professores fazem o planejamento do início do ano dequalquer maneira, apenas para cumprir exigências formais. É lamentável. Se o professorinvestir tempo refletindo cada item de seu planejamento, sem dúvida terá muito menos trabalhodurante o ano para o cumprimento de seus objetivos porque planejou, sabe onde quer chegar,
  17. 17. sabe o tipo de habilidade que precisa ser trabalhada e como avaliar o processo do aluno.A partir da minha experiência por meio de contatos no Brasil e fora daqui, passo agora acompor um quadro com os tipos mais comuns de professor que se pode encontrar. Como todoo respeito que merece a categoria como um todo, nota-se freqüentemente a recorrência dosmesmos gêneros de atuação em sala.PROFESSOR ARROGANTEEle se acha o detentor do conhecimento. Fala de si o tempo todo e coloca os alunos em umpatamar de inferioridade. Ao menor questionamento, pergunta quantas faculdades já fez oaluno, se já escreveu algum livro, se já defendeu teses, para se mostrar superior. Gosta deparecer um mito; teima em propalar, às vezes inventando, os elogios que recebe em todos oscongressos dos quais participa; conta histórias a respeito de si mesmo para mostrar quanto écompetente e querido. Não gosta de ser interrompido, não presta atenção quando algum alunoquer lhe contar um feito seu. Só ele interessa; só ele se basta.O que se pode dizer é que o professor arrogante tem uma rejeição a si mesmo e não acreditaem quase nada do que diz. Como sofre, possivelmente, de complexo de inferioridade, precisade auto-afirmar usando a platéia cativa de que dispõe: os alunos.PROFESSOR INSEGUROTem medo dos alunos; teme ser rejeitado, não conseguir dar aula, não ser ouvido porque achaque sua voz não é tão boa. Não sabe como passar a matéria apesar de ter preparado tudo;acha que talvez fosse melhor usar outro método; teme que os alunos não gostem de sua formade avaliação. Começa a aula várias vezes e se desculpa, e pede ainda que esqueçam tudo, erecomeça. Tem receio de que os pais dos alunos não gostem de sua forma de relacionamentocom eles, receia também a direção da escola, os outros professores e se vê paralisado, comseu potencial de educador inutilizado.O medo de fato paralisa e dificulta o crescimento profissional. Apesar de ser um sentimentonormal e freqüente, é preciso que seja trabalhado. Um ator quando entra em cena geralmenteestá tenso, nervoso, mas seu talento consiste em não transmitir essa sensação para a platéia.Ele precisa confiar no que está fazendo e superar a insegurança. Se o professor não acreditarno que diz, será ainda mais difícil ao aluno fazê-lo.PROFESSOR LAMURIANTEO professor lamuriante reclama de tudo o tempo todo. Reclama da situação atual do país, daescola, da falta de participação dos alunos, da falta de material para dar um bom curso, docurrículo, das poucas aulas que tem para ministrar sua matéria. Passa sempre a impressão deque está arrasado e não encontrar prazer no que faz. Às vezes se aproveita da condição deprofessor e usa a turma para fazer terapia. Fala do filho, da filha, da empregada, da cozinheira,da ingratidão de amigos etc. Mais uma vez, se trata do abuso da platéia cativa.A dignidade de um profissional é requisito básico para uma relação de trabalho. No magistério,essa norma é um mandamento, na medida em que o professor trata com pessoas emformação, que não são seus iguais em nenhuma hipótese.PROFESSOR DITADORÉ aquele que não respeita a autonomia do aluno. Trabalha como se fosse um comandante embatalha; exige disciplina a todo o custo. Grita e ameaça. Não quer um pio, zela pela sala comose fosse um presídio; ninguém pode entrar atrasado nem sair mais cedo; ninguém pode ir aobanheiro, é preciso disciplinar também as necessidades fisiológicas. Dia de prova parecetambém dia de glória: investiga aluno por aluno, proíbe empréstimo de material, ameaça quemolhar para o lado. Tem acessos de inspetoria higiênica, investiga as unhas das mãos e oscabelos. Grita exigindo silêncio quando o silêncio já reinava desolado na sala.O professor ditador está perdido na necessidade de poder. Poder e respeito não se impõem, seconquistam. Há determinadas práticas que se perpetuam sem razão; são contraproducentes emuito danosas para o aluno mas, principalmente, fazem muito mal ao professor que as revive.PROFESSOR BONZINHODiferentemente do ditador, o bonzinho tenta forçar amizade com o aluno. Gosta de dizerquanto gosta dos alunos. Traz presentes, dá notas altas indiscriminadamente. Seus alunosdecidem se querem a prova com ou sem consulta, em grupo ou individualmente, depois
  18. 18. propala sua generosidade. Às vezes ainda tem a audácia de se comparar aos colegas,afirmando que os outros professores não fariam isso. Durante a prova responde as questõespara os alunos, para que não fiquem tristes, para que não tirem nota baixa. Concede outrachance e dá outra prova para quem foi mal, idêntica à anterior só para tirar uma nota bem boa.Pede desculpa quando a matéria é muito difícil e só falta pedir desculpa por ter nascido.A amizade também é um processo de conquista e esse professor acaba sendo motivo dechacota entre os alunos. Tudo o que vem dele parece forçado porque procede de uma carênciade atenção e de uma necessidade infantil de aceitação.PROFESSOR DESORGANIZADOEsse aparece em aula sem a menor idéia do que vai tratar. Não lê, não prepara as aulas, nãosabe a matéria e se transforma em um tremendo enrolador. Sua desorganização é aparente:como não faz planejamento, não sabe o tipo de tarefa que vai propor, então inventa na hora ena aula seguinte não se lembra de cobrar os alunos nem comenta sobre o que havia pedido.Como não sabe o que vai ministrar, põe-se a conversar com os alunos e a discutir banalidades.De repente, para dinamizar a aula, resolve promover um debate: o grupo A defende a pena demorte, o grupo B será contrário à pena de morte, sem nenhum preparo anterior, nenhumsubsídio contra ou a favor.O profissional precisa ter método. A organização é prova do compromisso que ele tem paracom os alunos. A improvisação, muitas vezes necessária e enriquecedora, não prescinde doplanejamento, como já dissemos.PROFESSOR OBA-OBATudo é festa! Esse tipo adora as dinâmicas em sala. Projeta muitos filmes, leva algumasreportagens; faz com que os alunos saiam da sala para observar algum fenômeno na rua ou nocéu, fala em quebra de paradigmas, tudo conforme pregam os chamados consultores deempresas, mas sem amarração, sem objetividade. A dinâmica pode ser ótima, mas é precisoque o aluno entenda por que ele está fazendo parte daquela atividade. O filme pode serfantástico, mas se cada dia vier um filme diferente e não houver discussão, aprofundamento,perde-se o sentido. Há aquele professor que gosta de levar música para a sala de aula,comentar uma letra da MPB ou explicar As quatro estações, de Vivaldi. É interessante, desdeque não se faça isso sempre, porque os alunos sentem falta do nexo com a matéria que devemaprender. E o que deveria ser um elemento agradavelmente surpreendente se transforma emmotivo de chacota.Esse professor é bem intencionado, não há dúvida. Mas falta-lhe estabelecer com os alunos arelação desses jogos de sensibilização com o conteúdo da matéria que cabe a ele ministrar.PROFESSOR LIVRESCOAo contrário do oba-oba, o professor livresco tem uma vasta cultura. Possui um profundoconhecimento da matéria, mas não consegue relacioná-la com a vida. Ele entende de livros,não do cotidiano. Além disso, não utiliza dinâmica alguma, não muda a tonalidade da voz,permanece o tempo todo em apenas um dos cantos da sala e suas ações são absolutamenteprevisíveis. Todos sabem de antemão como vai começar e como vai terminar a aula; quantotempo será dedicado para a exposição da matéria, quanto tempo para eventuaisquestionamentos. Não importa se o aluno está acompanhando ou não seu raciocínio, ele querdizer tudo o que preparou para ser dito.Apesar de ter embasamento, dominar o conteúdo, é necessário aprimorar a forma, trabalharcom a habilidade da didática. Ensaiar mudança na metodologia. Às vezes, o professor livrescopiora quando resolve inovar: leva umretroprojetor para a sala, e as lâminas contêm, transcrito,tudo o que vai ler em voz alta. E aquela aula se torna interminável e cansativa.PROFESSOR "TÔ FORA"Ele não se compromete com a comunidade acadêmica. Não quer saber de reunião, depreparação de projetos comuns, de vida comunitária. Nem festa junina, nem gincana culturalou esportiva, nem festa de final de ano. Ele dá sua aula e vai embora. Muitas vezes é até bomprofessor, mas não evolui sua relação social nem o conteúdo interdisciplinar porque não estápresente. Alguns são arrogantes a ponto de achar que não têm o que aprender, que estãoacima dos outros professores e portanto não vão ficar discutindo bobagens. Outros estãopreocupados com as lutas do dia-a-dia pela sobrevivência e como não estão ganhando paratrabalhar em festas juninas, por exemplo, se negam a participar.
  19. 19. O processo educativo é comunitário. O bom ambiente escolar depende da participação detodos. A mudança dos paradigmas ocorre quando cada um dá sua parcela de contribuição e écapaz de permitir que o outro também opine, também participe. Ninguém é uma ilha deexcelência que prescinda de troca de experiências.PROFESSOR DEZ QUESTÕESPara sua própria segurança, o professor "dez questões" reduz tudo o que ministrou num sóbimestre a um determinado número de questões: dez, nove, 15, não importa. Ele geralmentepassa toda a matéria no quadro-negro ou em forma de ditado. Quando há livro, pede que osalunos leiam o que está ali e façam resumo ou respondam às questões. Corrige, se necessário,questão por questão. Geralmente as questões não são relacionais, não são críticas. No campodas ciências exatas, o aluno deve decorar as fórmulas para a solução dos problemas. E no fimdo bimestre o professor apresenta algumas questões que os alunos devem decorar para aprova. Em sua "generosidade" avisa que dessas dez questões vai usar apenas cinco na prova.Ou alunos decoram ou, se forem mais astutos, colam; acabada a prova, joga-se fora a cola oujoga-se fora da memória aquilo que foi decorado. No outro bimestre, como o ponto é outro,haverá outras dez questões para ser decoradas e assim sucessivamente: a aprendizagem nãosignificou nada a não ser algumas técnicas de memorização e de burla.É inadmissível que com tantos recursos à disposição um professor se sirva de técnicasantiquadas e sem sentido. Exigir que um aluno decore coisas cujo sentido ele nem percebe,que nem mesmo tornarão a ser mencionadas no decorrer dos estudos, constitui um absurdoque será antes de mais nada constatado pelo próprio aluno.PROFESSOR TIOZINHO"Tiozinho", no sentido depreciativo, é aquele professor que gasta aulas e mais aulas dandoconselhos aos alunos. Trata-os como se fossem seus sobrinhos, quer saber tudo sobre a vidadeles, o que fazem depois da escola, aonde vão, os lugares que freqüentam e emite opiniõesem assuntos de cunho privado que absolutamente não competem a ele. Oprofessor tiozinho de sente um pouco psicólogo também, e maus psicólogo, é claro. Começadesde logo a diagnosticar os problemas dos alunos e se acha qualificado para isso.Geralmente conselho não funciona com aluno. O espaço que o professor dá é aquele quepermite ao aluno sentir-se à vontade para conversar, nunca para que se sinta obrigado a exporsua vida privada em sala porque o professor quer ser um "tio" bom. E isso não mudacomportamento; a amizade e a confiança não podem ser forçadas, nascem de um movimentonatural de convivência saudável.PROFESSOR EDUCADORO professor que se busca construir é aquele que consiga de verdade ser um educador, queconheça o universo do educando, que tenha bom senso, que permita e proporcione odesenvolvimento da autonomia de seus alunos. Que tenha entusiasmo, paixão; que vibre comas conquistas de cada um de seus alunos, não descrimine ninguém, não se mostre maispróximo de alguns, deixando os outros à deriva. Que seja politicamente participativo, que suasopiniões possam ter sentido para os alunos, sabendo sempre que ele é um líder que tem nasmãos a responsabilidade de conduzir um processo de crescimento humano, de formação decidadãos, de fomento de novos líderes.Ninguém se torna um professor perfeito, aliás aquele que se acha perfeito, e portanto nadamais tem a aprender, acaba de transformando num grande risco para a comunidade educativa.No conhecimento não existe o ponto estático - ou se está em crescimento, ou em queda.Aquele que se considera perfeito está em queda livre porque é incapaz de rever seus métodos,de ouvir outras idéias, de tentar ser melhor.A grande responsabilidade para a construção de uma educação cidadã está nas mãos doprofessor. Por mais que o diretor ou o coordenador pedagógico tenham boa intenção, nenhumprojeto será eficiente se não for aceito, abraçado pelos professores porque é com eles que osalunos têm maior contato.O artigo 13 da LDB sobre a função dos professores:Artigo 13 - Os docentes incumbir-se-ão de:I. participar da elaboração da proposta pedagógica do estabelecimento de ensino;
  20. 20. II. elaborar e cumprir plano de trabalho, segundo a proposta pedagógica do estabelecimento deensino;III. zelar pela aprendizagem dos alunos;IV. estabelecer estratégias de recuperação dos alunos de menor rendimento;V. ministrar os dias letivos e horas-aula estabelecidos, além de participar integralmente dosperíodos dedicados ao planejamento, à avaliação e ao desenvolvimento profissional;VI. colaborar com as atividades de articulação da escola com as famílias e a comunidade.Nota-se que o papel do professor, segundo a LDB, está muito além da simples transmissão deinformações. Dentro do conceito de uma gestão democrática, ele participa da elaboração daproposta pedagógica do estabelecimento de ensino, isto é, decide solidariamente com acomunidade educativa o perfil de aluno que se quer formar, os objetivos a seguir, as metas aalcançar. E isso não apenas no tocante a sua matéria mas toda a proposta pedagógica.A LDB discorre sobre a elaboração e o cumprimento do plano de trabalho, trazendo à tona aorganização do professor e a objetividade no exercício de sua função. No tocante àaprendizagem dos alunos, fala em zelo no sentido de acompanhamento dessa aprendizagem,que se dá de forma heterogênea, individual. Zelar é mais do que avaliar, é preocupar-se,comprometer-se, buscar as causas que dificultam o processo de aprendizagem e insistir emoutros mecanismos que possam recuperar os alunos que apresentem alguma espécie debloqueio para o aprendizado.O professor só conseguirá fazer com que o aluno aprenda se ele próprio continuar a aprender.A aprendizagem do aluno é, indiscutivelmente, diretamente proporcional à capacidade deaprendizado dos professores. Essa mudança de paradigma faz com que o professor não seja orepassador de conhecimento, mas orientador, aquele que zela pelo desenvolvimento dashabilidades de seus alunos. Não se admite mais um professor mal formado ou que pare deestudar.O artigo termina falando da colaboração do professor nas atividades de articulação da escola,com as famílias e a comunidade. Aliás, para que o processo de aprendizagem seja eficiente, osatores sociais precisam participar e essa articulação é imprescindível. A parceria escola/família,escola/comunidade é vital para o sucesso do educando. Sem ela a já difícil compreensão domundo por parte do aluno se torna cada vez mais complexa. Juntas, sem denegarresponsabilidades, a família, a escola, a comunidade podem significar um avanço efetivo nessenovo conceito educacional: a formação do cidadão.""Para ser grande, sê inteiro: nada teu exagera ou exclui.Sê todo em cada coisa. Põe quanto és no mínimos que fazes.Assim em cada lago a lua toda brilha, porque alta vive.”· (Ricardo Reis)··(Esse trecho faz parte do livro Educação - A solução está no afeto, deGabriel Chalita, Editora Gente)”. http://www2.catho.com.br/jcs/inputer_view.phtml?id=2424Projeto Político Pedagógico26 de novembro de 2010definir tamanho aA aA
  21. 21. O Projeto Político Pedagógico – PPP é uma ferramenta gerencial que auxiliaa escola em definir suas prioridades estratégicas; a converter as prioridades em metaseducacionais e outras concretas; a decidir o que fazer para alcançar as metas deaprendizagem; a medir se os resultados foram atingidos e a avaliar o própriodesempenho. Inicia-se a partir de um ideal e caminha, passo- a- passo, atétransformar-se em realidade. O Projeto Político Pedagógico vê a escola como um todo em sua perspectivaestratégica, não apenas em sua dimensão pedagógica. É diferente de planejamentopedagógico e do plano de ensino, pois o mesmo é muito mais abrangente. É umconjunto de princípios que norteiam a elaboração e a execução dos planejamentos,por isso, envolvem diretrizes mais permanentes. Todo Projeto Político Pedagógico deve ter uma disposição, uma ordem desuas partes. Quanto a sua formatação, ele deve obedecer aos seguintes passos: 1. Apresentação do projeto; 2. Histórico da escola - identificação; 3. Apresentação da visão, da missão e dos objetivos da escola; 4. Fundamentos ético - políticos (regimento e valores); 5. Fundamentos epistemológicos (conhecimento); 6. Fundamentos didático-pedagógicos (relações); 7. Considerações finais; 8. Projetos setoriais, disciplinares e miniprojetos;
  22. 22. 9. Anexos (planejamento pedagógico). A elaboração de uma proposta pedagógica envolve dois momentos principais:um diagnóstico dos problemas e das expectativas e o plano de ações para atingir seusobjetivos. O P.P.P. possibilita a condução de processos concomitantes dedemocratização da sociedade, pois esta idéia aflora e frutifica nos indivíduos desde aauto-organização dos estudantes. Ele é pedagógico porque compreende asconcepções de educação e de mundo que a escola vai elaborar sistematizar esocializar. É toda parte constitutiva, faz parte do “ser”, da “identidade” das escolas. Para saber mais sobre o projeto político pedagógico inscreva – se no cursoProjeto Político Pedagógico: A Identidade da Escola em www.portaleducacao.com.brFonte: PORTAL EDUCAÇÃO - Cursos Online : Mais de 900 cursos online com certificadohttp://www.portaleducacao.com.br/pedagogia/artigos/9924/projeto-politico-pedagogico#ixzz25vzEECdO
  23. 23. Projeto político-pedagógicoO que é o Projeto Político-pedagógico ?É um documento que detalha objetivos, diretrizes e ações do processo educativo a serdesenvolvido na escola, expressando as exigências legais do sistema educacional, bemcomo as necessidades, propósitos e expectativas da comunidade escolar. Revela os modosde pensar e agir dos atores que participam da sua elaboração, expressa a cultura da escolae, ao mesmo tempo, contribui para transformá-la.Características fundamentais do projeto político-pedagógico1. considerar o que já está instituído (legislação, currículos, métodos, conteúdos, climaorganizacional, etc);2. e, ao mesmo tempo, instituir, estabelecer e criar objetivos, procedimentos,instrumentos, modos de agir, estruturas, hábitos e valores, ressignificando a própriacultura escolar. ” O projeto político-pedagógico pode ser comparado, de forma análoga, a uma árvore. Ou seja, plantamos uma semente que brota, cria e fortalece suas raízes, produz sombra, flores e frutos que dão origem a outras árvores, frutos... Mas, para mantê-la viva, não basta regá-la, adubá-la e podá-la apenas uma vez.” Libâneo (2004, p. 152)
  24. 24. ReflitaEm que medida essa concepçãode projeto político-pedagógicoestá presente na prática de sua escola?
  25. 25. Saiba mais sobre planejamentoO Planejamento é processo e, como tal, irá gerar um produtoou produtos, que podem ser planos de trabalho ou planos deação com temporalidade definida e áreas específicas para asua aplicação. Os produtos gerados a partir do planejamentosão instrumentos flexíveis, que auxiliam o desenvolvimento dotrabalho da escola nas dimensões pedagógica, política eadministrativo-financeira. O processo de planejamento exigeuma atenção permanente ao projeto político-pedagógico daescola e, por isso mesmo, permite acompanhá-lo e avaliá-lo.Os produtos gerados pelo processo de planejamento deverãoassegurar a operacionalização do projeto político-pedagógico,garantindo aquelas características citadas anteriormente, ouseja, a de manutenção do instituído e instituição do novo.Bem, aqui buscamos pontuar alguns aspectos essenciais àdiscussão sobre o planejamento escolar. Obviamente nãoesgotamos essa discussão, até porque, ela é, além de rica,extremamente complexa. Também, não é essa a intençãopretendida aqui.
  26. 26. LembreteNo planejamento é preciso ter clareza sobre:• A definição de planejamento• A importância do planejamento• O planejamento e gestão democrática da escola• O planejamento e organização escolar• O planejamento e projeto político-pedagógico. Pense O que deve ser planejado e avaliado na escola?
  27. 27. A função social da escolaO que a escola precisa fazer para cumprir sua função social?Deve assegurar a realização de dois grupos de atividades básicas:as atividades-fim e atividades-meio. As atividades-fim possuem relação direta com todos os aspectos que envolvem a tarefa maior da escola: o processo de ensino e aprendizagem. As atividades-meio não possuem uma relação direta com o processo educativo, mas concorrem para torná-lo efetivo, propiciando as condições básicas para que ele se realize.Esses dois grupos de atividades, desenvolvidas de forma integrada earticulada, irão possibilitar que a organização e a gestão sejamrealizadas com vistas ao cumprimento da missão maior daescola: propiciar uma educação de qualidade para todos.Essas atividades podem ser consideradas o próprio objeto doplanejamento e da avaliação escolar. A ação deplanejamento deverá ser desenvolvida no sentido de prever aexecução dessas atividades, ou seja, o planejamento da escoladeverá prever como, quando e com quem essas atividades serãorealizadas. Por sua vez, a avaliação irá se constituir num processoindispensável ao próprio ato de planejar, uma vez que permitiráresponder se as atividades planejadas foram realizadas a contento,ou seja, se os resultados previstos no planejamento foramalcançados e em que medida. As atividades-meio eas atividades-fim a serem planejadas e avaliadas podem seridentificadas a partir dos diferentes processos que se desenvolvemno interior da escola e que correspondem a três grandes dimensões:
  28. 28. A função social da escolaIdentificando as atividades-meio e atividades- fim na escola através da:• dimensão pedagógica. Essa dimensão diz respeito às ações e procedimentosdiretamente associados à aprendizagem dos alunos: gestão do currículo, tempopedagógico, equipes docentes, formação continuada, recursos didáticos e desenvolvimentode projetos educativos.• dimensão política. Os processos políticos englobam a formulação de mecanismos departicipação da comunidade local e escolar na construção e consolidação de um projetopolítico pedagógico, bem como a implementação das relações da escola com o sistema deensino e com a sociedade.• dimensão administrativo-financeira. Os processos administrativos tratam dodesenvolvimento das condições para a concretização da proposta educativa da escola,envolvendo a gestão financeira e do patrimônio da escola, manutenção e conservação doespaço físico e administração de pessoal (docentes e funcionários) da escola.
  29. 29. A função social da escolaNo cotidiano da escola, tais processos não ocorrem de forma isolada e independente, masse desenvolvem de forma interligada. Essa classificação é feita apenas no sentido de secompreender, com maior clareza, a natureza das atividades que se constituem objeto doplanejamento e da avaliação. Ao gestor ou diretor da escola, cabe planejar,coordenar, controlar e avaliar os processos e atividades que se desenvolvem naescola, verificando os resultados alcançados. Para tanto, é necessário ter a habilidade deintegrar e motivar toda a equipe para garantir o êxito de tais processos. Isso significa quea liderança exercida pelo gestor irá influenciar na condução dos processos de trabalho e,conseqüentemente, nos resultados esperados para a escola.Por fim, é imprescindível não esquecer que o planejamento e a avaliação devem serrealizados em fina sintonia com os preceitos da gestão democrática. Para tanto, éprimordial que se conheça a cultura organizacional da unidade escolar, constituída doconjunto de valores, princípios, crenças e símbolos sobre os quais todo o trabalhoeducativo está assentado. Somente conhecendo as formas como a escola “pensa e reage”será possível consolidar o processo de planejamento. Reflita Na sua prática de gestão, o que ocupa mais o seu tempo: atividades-meio ou atividades- fim?
  30. 30. A função social da escolaAlguns autores destacam a importância de o gestor coordenar o trabalho da escola a partirde duas instâncias ou dimensões fundamentais para as quais se dirige o seu trabalho –uma interna e outra externa. Nesse sentido, os processos de planejamento e deavaliação deverão contemplar a escola em seu contexto. Ou seja, é preciso considerar aescola como instituição que desenvolve uma cultura própria, que influencia e é influenciadapela cultura geral. Assim, as duas dimensões mencionadas deverão ser cuidadosamenteanalisadas no momento de realização do planejamento e da avaliação escolar.A dimensão externa tem relação com a função social da escola de propiciar umaeducação de qualidade que permita a socialização de um saber historicamente produzido,preparando para o exercício da cidadania. Nesse sentido, o gestor deve procurar conhecerbem a comunidade em que a escola está inserida, suas condições, necessidades easpirações. Deve ainda estimular a comunidade a apropriar-se da escola como um bempúblico, participando das suas atividades, colaborando no que for possível para que ainstituição escolar possa cumprir bem o seu papel. Para isso, deve manter uma relação deconhecimento e diálogo com as famílias dos alunos, com as lideranças comunitárias, com ocomércio local, com outras escolas e instituições, de modo a criar um contexto deapropriação da escola como um equipamento comunitário de alta relevância. Nessesentido, é fundamental cultivar, a transparência da gestão com a divulgação de ações,projetos, custos e necessidades.Outro nível de sua atuação na dimensão externa está na forma como se estabelece àrelação com o órgão gestor da educação do município, a secretaria de educação ouequivalente, com os conselhos sociais da área de educação e com as instânciaseducacionais do estado presente no município. Essas relações devem ser conduzidas deforma a propiciar fluxos de informações e colaborações que tornem a escola umainstituição viva, presente no seu espaço. Esses níveis de atuação da dimensão externadevem ser contemplados tanto no planejamento como na avaliação da organização egestão da escola.A dimensão interna, por sua vez, refere-se à organização e à gestão dos espaços e dasatividades escolares propriamente ditas, de modo que os vários segmentos (Funcionários,alunos, professores, corpo técnico pedagógico e colegiados escolares) da escola possam tercondições iguais de expressar suas opiniões, questionando, analisando, avaliando edecidindo. Em suma: participando democraticamente da gestão.Nesse sentido, é importante que se instale, na escola, a cultura de avaliação permanentede suas atividades, ou auto-avaliação, com o diagnóstico das principais causas dosresultados satisfatórios ou insatisfatórios do trabalho realizado, o que deverá fundamentaro planejamento dos objetivos e das metas a serem alcançadas. Esse processo ajudará aescola a enfrentar problemas como:
  31. 31. A função social da escolaA avaliação ou a auto-avaliação possibilita detectar osseguintes problemas:• falta de participação da comunidade escolar nas ações propostas;• ausência de um plano de gestão que revele propostassuficientemente coordenadas e articuladas;• baixo nível de conscientização dos vários segmentos sobre aimportância e papel social da escola;• problemas de indisciplina;• desmobilização e insatisfação dos profissionais nela lotados;• insuficiente clareza de orientações pedagógicas que contribuampara lidar com dificuldades decorrentes de problemas sociais gravesque afetam a clientela da escola;• fatores que influenciam a credibilidade da escola e os percentuaisde evasão e repetência.
  32. 32. A função social da escolaÉ importante que se tenha como horizonte no processo de planejamento e avaliação daorganização e gestão escolar, o acesso e a permanência dos alunos em uma escola dequalidade social para todos. Nesse sentido, a escola deve avaliar como têm sidodesenvolvidas as suas práticas nas dimensões interna e externa e, de que forma tais práticastêm contribuído de maneira efetiva para aquilo que de fato importa para o aluno e para asociedade, ou seja, sua aprendizagem. Não se deve esquecer, ainda, que é fundamentalassegurar a participação efetiva da comunidade escolar nos projetos desenvolvidos na e pelaescola, de forma que seja possível verificar os resultados e benefícios alcançados através doesforço coletivo.
  33. 33. Analise Quais dimensões do trabalho da escola devem ser consideradas noplanejamento e na avaliação?
  34. 34. ReflitaNa sua escola, como essas duas dimensões – a externa e a interna – se realizam?
  35. 35. Organização e gestão escolar: o que e por que avaliar?Nos últimos anos percebemos uma grande preocupação do governocom a avaliação dos sistemas de ensino e da escola. Dos esforçosempreendidos pelo poder público nessa direção, dois aspectosimportantes merecem ser destacados. O primeiro diz respeito àspressões exercidas pelos organismos internacionais (Banco Mundial,UNESCO, FMI e outras agências de regulação internacional) que,com base nas análises sobre as relações entre educação edesenvolvimento econômico, passam a definir e a orientar oplanejamento e as políticas públicas educacionais, exigindo maiorcontrole dos resultados, ajustando-as ao consumo e à produção. Osegundo aspecto – mesmo sofrendo influência do primeiro – estárelacionado à luta pela qualidade da escola pública, daqueles quepensam e fazem educação. Nas reivindicações da sociedade civilorganizada, no debate acadêmico e no discurso oficial dos governosmais progressistas, a construção de uma escola pública comqualidade social implica em instituir processos mais participativos nagestão escolar, principalmente no que diz respeito aoacompanhamento e a avaliação do que a escola faz e deve fazerpara cumprir sua função social.Tem se tornado imperativo o movimento de avaliação interna eexterna dos sistemas escolares e da escola, tendo em vista anecessidade de verificar sua eficiência e eficácia. A avaliaçãorealizada se desdobra em duas modalidades: a avaliaçãoinstitucional e a avaliação acadêmica.Avaliação institucional e a avaliação acadêmica• A avaliação institucional ou administrativa visa à obtenção dedados quantitativos e qualitativos sobre alunos, professores,estrutura organizacional, recursos físicos, materiais e didáticos, aspráticas de gestão, dentre outros aspectos.• A avaliação acadêmica tem por objetivo produzir informaçõessobre os resultados da aprendizagem, em função doacompanhamento e revisão das políticas educacionaisimplementadas, com vistas à formulação de indicadores dequalidade dos resultados do ensino.
  36. 36. Organização e gestão escolar: o que e por que avaliar?É essencial que se tenha clareza de que os grandes sistemas de avaliação contribuem paraum diagnóstico amplo do sistema e da escola, possibilitando aos professores a utilização dosresultados apresentados. Os professores precisam se familiarizar com as avaliações feitaspelo Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica - SAEB (*) e o Exame Nacional doEnsino Médio - ENEM (**), que verificam o aproveitamento escolar, para poder tirar proveitodos seus resultados. Essa discussão interessa pelo fato de que a escola será sempre objetode avaliação externa do poder público. Entretanto, o que importa mesmo é saber: O que significa avaliar? O que deve ser avaliado? Qual a importância da avaliação para garantir a qualidade social da escola? E o que tem a ver avaliação com a organização e gestão da escola?(*) Criado em 1988, o Saeb é uma ação do Governo Brasileiro, desenvolvido pelo Instituto Nacional de Estudos
  37. 37. e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira – Inep , na sua Diretoria de Avaliação da Educação Básica – Daeb ,sendo um dos mais amplos esforços empreendidos em nosso País no sentido coletar dados sobre alunos,professores, diretores de escolas públicas e privadas em todo o Brasil. O INEP também é responsávelpela Prova Brasil. Caso seja do seu interesse visite: www.inep.gov.br/basica/saeb(**) Coordenado também pelo Inep , o ENEM visa, dentre outras coisas: estruturar uma avaliação ao final daeducação básica, que sirva como modalidade alternativa ou complementar aos processos de seleção nosdiferentes setores do mercado de trabalho; estruturar uma avaliação ao final da educação básica que sirvacomo modalidade alternativa ou complementar aos exames de acesso aos cursos profissionalizantes pós-médios e à Educação Superior.http://www.inep.gov.br/basica/enem Organização e gestão escolar: o que e por que avaliar?É necessário que a escola desenvolva uma cultura de avaliação das suas atividades eprocessos, como já foi colocado anteriormente, que é algo que se diferencia da avaliação daaprendizagem que ela já realiza. Mas qual a diferença entre avaliação da aprendizagem eavaliação da escola? Apesar de parecer obvio, essa é uma questão que ainda não foi bemassimilada no processo de organização e gestão da escola, haja vista que a avaliação é umapreocupação relativamente recente tanto no âmbito dos sistemas como da própria escola. Separarmos para refletir, iremos perceber que a própria avaliação da aprendizagem, uma daspráticas escolares tão antigas quanto o próprio ensino, nunca foi vista como um processoque avalia também e, principalmente, o professor. A avaliação da aprendizagem nem semprefoi encarada como processo que revela o resultado do trabalho do professor e da escola.Muito pelo contrário, a avaliação da aprendizagem, em muitos contextos, sempre foi muitomal empregada, até mesmo para avaliar os alunos.
  38. 38. Organização e gestão escolar: o que e por que avaliar?A avaliação da aprendizagemSão as formas e os instrumentos de mensuração do rendimento escolar dos alunos, quandobem elaborados e aplicados, permitem a identificação de problemas e dificuldades emdeterminadas disciplinas ou no trabalho desenvolvido por determinados professores,favorecendo uma intervenção mais efetiva. Entretanto, só isso não basta: a escola precisarealizar um processo que permita ao corpo técnico-pedagógico e aos professores discutireme avaliarem o trabalho da escola, em função do aprimoramento do projeto político-pedagógico e da qualidade do ensino. É preciso considerar não só o resultado dodesempenho como também o conjunto de fatores que o influenciam. Nesse sentido, deve-selevar em consideração, no processo de avaliação da escola, os elementos que determinam aqualidade da oferta de serviços de ensino e o sucesso escolar dos alunos. Alguns desseselementos estão presentes – ou deveriam estar – na escola e concorrem para odesenvolvimento efetivo do trabalho pedagógico.Organização e gestão escolar: o que e por que avaliar?Elementos que influenciam no desenvolvimento efetivo do trabalho pedagógico. características dos alunos (necessidades educacionais especiais, gênero, etnia, classe social, dentre outras); rendimento escolar por classe; composição do corpo docente (tempo de trabalho, idade, currículo profissional); condições de trabalho e motivação dos professores; recursos físicos e materiais; materiais didáticos e recursos informacionais.Além desses elementos, é preciso que a escola avalie outras variáveis da
  39. 39. organização e da gestão escolar, tais como: dados estatísticos e informações sobre a população escolar como: reprovação, abandono, defasagem entre idade e série, situação sócio-econômica da família; clima organizacional da escola, que inclui: tipo de organização; tipo de direção (acolhedora, hostil, democrática, autoritária, etc); relações humanas; envolvimento dos diversos segmentos da comunidade escolar com os objetivos e as ações propostas pela escola; rendimento escolar dos alunos por turma, série e nas disciplinas consideradas críticas (Língua Portuguesa e Matemática); execução do projeto político-pedagógico em seu conjunto: currículo, processos de ensino e de aprendizagem, regimento escolar, estrutura e atuação da coordenação pedagógica, relações interpessoais, etc; desempenho dos professores (qualidade das relações que estabelecem com os alunos, conhecimento dos conteúdos da disciplina, domínio dos métodos e procedimentos de ensino e de avaliação, compreensão do processo de aprendizagem, etc).
  40. 40. Organização e gestão escolar: o que e por que avaliar?A avaliação da aprendizagemAcreditamos que até aqui ficou claro que a avaliação não ocorre de forma estanque. Aocontrário disso, constitui-se numa importante etapa do processo de planejamento. Tambémacreditamos que já deu para entender a importância da avaliação - com o envolvimento dosvários segmentos -, para que a escola possa perceber, com mais clareza, os aspectos queprecisam ser tratados com especial atenção. A análise cuidadosa de tais aspectos iráfornecer elementos para que, no ato do planejamento, sejam definidas novas prioridades,possam ser estabelecidas metas e delimitados prazos e responsabilidades, para avançar nosaspectos merecedores de maior atenção. Nessa direção, a escola pode reconhecer como aavaliação contribui para a melhoria da qualidade da educação oferecida à comunidade.
  41. 41. Organização e gestão escolar: o que e por que avaliar?
  42. 42. A avaliação da aprendizagemAcreditamos que até aqui ficou claro que a avaliação não ocorre de forma estanque.Ao contrário disso, constitui-se numa importante etapa do processo deplanejamento. Também acreditamos que já deu para entender a importância daavaliação - com o envolvimento dos vários segmentos -, para que a escola possaperceber, com mais clareza, os aspectos que precisam ser tratados com especialatenção. A análise cuidadosa de tais aspectos irá fornecer elementos para que, noato do planejamento, sejam definidas novas prioridades, possam ser estabelecidasmetas e delimitados prazos e responsabilidades, para avançar nos aspectosmerecedores de maior atenção. Nessa direção, a escola pode reconhecer como aavaliação contribui para a melhoria da qualidade da educação oferecida àcomunidade.
  43. 43. ReflitaQue dificuldades o gestorgeralmente enfrenta para desenvolver a avaliação institucional?
  44. 44. PenseRelembre de que forma o planejamento escolar se materializa PenseRelembre de que forma o planejamento escolar se materializa
  45. 45. Os produtos do processo de planejamentoUma vez reconhecida a importância do processo de avaliação da escola, agora é omomento de saber quais os produtos a serem gerados no processo de planejamento. Ouseja, os instrumentos que a escola deve elaborar para concretizar ou materializar oprocesso de planejamento. Para começarmos a delinear o produto que resultará doprocesso de planejamento, é preciso obedecer uma lógica que é comum a toda atividadede planejamento: 1. Construção do diagnóstico da escola, ou seja, coleta de informações sobre a realidade ou situação que se quer transformar, ou problemas que precisam ser superados. 2. Com base nos objetivos traçados no projeto político- pedagógico da escola, as informações e os dados coletados são analisados e interpretados. 3. Diante do panorama traçado, são identificadas as prioridades para que se possa tomar as decisões, traçar as metas, definir as ações e as estratégias mais eficazes para produzir as mudanças necessárias ou desejadas. 4. Por fim, elabora-se um plano de ação, projeto ou plano de trabalho, que irá materializar o processo de planejamento realizado pela escola e que reflete o seu projeto político-pedagógico. Ou seja, o instrumento gerado nesse processo irá operacionalizar aquilo que foi instituído e está consolidado no projeto político-pedagógico da escola.Em geral, perde-se muito tempo durante a “ semana pedagógica” com atividades que,apesar de serem importantes para a escola e comunidade escolar, não contemplam acontento as atividades de planejamento. Por conta disso, a escola, muitas vezes, iniciao ano letivo sem avaliar os resultados obtidos no ano anterior e sem conseguir construirum plano de trabalho que irá nortear as suas ações no âmbito político, pedagógico eadministrativo-financeiro. Isso, porém, não significa que a escola não possa desenvolverestratégias para dar início às suas atividades de forma mais ou menos planejada – umplano emergencial – enquanto se elabora um plano mais consistente e mais detalhado. O
  46. 46. importante é que a escola exercite permanentemente as atividades de planejamento eavaliação, para que não se perca de vista as suas reais necessidades e o potencial dosseus atores seja subutilizado.Via de regra, o produto gerado a partir do planejamento é o plano anual de trabalho. Oplano não deve ser encarado como um instrumento que a escola faz para cumprir asexigências do sistema ao qual está integrada, arquivando-o logo após concluí-lo. Esseinstrumento deve ser fonte de consulta e inspiração para que se possa construir outrosinstrumentos de apoio ao desenvolvimento do trabalho escolar, como: plano de ação doprofessor ; plano de ação da coordenação pedagógica ; plano de ação dos funcionários daescola ; e o plano de ação da direção . Todos esses instrumentos devem garantir que aorganização e a gestão escolar sejam orientadas numa perspectiva sistêmica, ou seja,cada segmento da escola se reconheça e reconheça o seu trabalho como parte de umaproposta global, construída de forma coletiva e com base em objetivos comuns. Principais passos do planejamentoNa literatura sobre planejamento, gestão, organização escolar, etc.são encontrados modelos diversos de planos e projetos. Muitasvezes, os roteiros apresentados pelos autores recebem nomesvariados e, em muitos casos, geram certa confusão para aquelesque buscam orientações para elaborar esse instrumento.Independentemente do autor ou de como ele denomina o plano,existem elementos da sua estrutura que são invariáveis, ou seja,estarão sempre presentes e terão sempre a mesma definição,mesmo que ditos e apresentados de formas diferentes. Por isso,apresentamos, a seguir, um roteiro simplificado de um plano detrabalho, com os elementos comuns a qualquer tipo de instrumentode planejamento, comentando os principais passos para a suaelaboração. 1º passo – Descrição do contexto escolar 2º Passo – Identificação dos desafios e problemas
  47. 47. 3º Passo – Definição dos objetivos, estratégias e metas 1º passo – Descrição do contexto escolarDiagnóstico das principais características da organização e da gestão escolar. O diagnósticoconsiste no levantamento de dados e informações que irá possibilitar uma visão global dasnecessidades e problemas enfrentados pela escola. Deve ser elaborado de tal forma, quefavoreça, com base no conhecimento das características da comunidade escolar, suasexpectativas e necessidades em relação ao processo de ensino e de aprendizagem, aescolha de alternativas de solução para os problemas identificados. Os dados a seremlevantados são de natureza qualitativa (como o professor de matemática está ensinando;de que forma a comunidade tem participado das atividades da escola); e quantitativa (qualo percentual de alunos aprovados e reprovados em matemática; qual o número deatividades realizadas pela escola e qual o percentual de participação da comunidade). Aseguir, são indicados alguns aspectos imprescindíveis ao diagnóstico do plano de trabalhoda escola:Caracterização sócio, política, econômica e cultural da comunidade onde a escola seinsere e da comunidade escolar.Estrutura física , mobiliário e material: prédio escolar; salas de aula; sanitários; áreas delazer, esporte e recreação; laboratórios; bibliotecas; bebedouros; carteiras; mesas;utensílios de cozinha; computadores; televisor; vídeo; cartazes; mapas; e outros recursosdidático-pedagógicos.
  48. 48. Recursos financeiros: verbas de que a escola dispõe; formas de efetuar as despesas ede controle.Pessoal: número de professores, funcionários e especialistas.Organização geral da escola: organograma, atribuições e funcionamento dos setores,distribuição de horários, enturmação, número de alunos por sala, aspectos administrativosgerais.Secretaria escolar: organização e funcionamento, registros, documentação dos alunos,etc.Relacionamento com o órgão central da educação.Participação da comunidade e das famílias: conselho escolar, Associação de Pais eMestres, reunião de pais; relacionamento da escola com órgãos, instituições, ONGs, etc.Sistemática de produção e organização de dados e de estatísticas educacionais.Convivência na escola.Instrumentos de gestão e de organização do trabalho pedagógico (regimento, PDE,projeto político-pedagógico, planos de aula).O desempenho dos alunos: aprovação, evasão, distorção entre idade e série, etc.Participação dos alunos na gestão escolar.Além desses, muitos outros aspectos podem ser levantados e analisados para que se tenhaum “ retrato fiel” do que é a escola. Um diagnóstico preciso e consistente permitirá àequipe gestora saber onde está pisando para poder traçar os caminhos para onde querchegar.
  49. 49. 1º passo – Descrição do contexto escolarDiagnóstico das principais características da organização e da gestão escolar. O diagnósticoconsiste no levantamento de dados e informações que irá possibilitar uma visão global dasnecessidades e problemas enfrentados pela escola. Deve ser elaborado de tal forma, quefavoreça, com base no conhecimento das características da comunidade escolar, suasexpectativas e necessidades em relação ao processo de ensino e de aprendizagem, aescolha de alternativas de solução para os problemas identificados. Os dados a seremlevantados são de natureza qualitativa (como o professor de matemática está ensinando;de que forma a comunidade tem participado das atividades da escola); e quantitativa (qualo percentual de alunos aprovados e reprovados em matemática; qual o número deatividades realizadas pela escola e qual o percentual de participação da comunidade). Aseguir, são indicados alguns aspectos imprescindíveis ao diagnóstico do plano de trabalhoda escola:Caracterização sócio, política, econômica e cultural da comunidade onde a escola seinsere e da comunidade escolar.Estrutura física , mobiliário e material: prédio escolar; salas de aula; sanitários; áreas delazer, esporte e recreação; laboratórios; bibliotecas; bebedouros; carteiras; mesas;utensílios de cozinha; computadores; televisor; vídeo; cartazes; mapas; e outros recursosdidático-pedagógicos.Recursos financeiros: verbas de que a escola dispõe; formas de efetuar as despesas ede controle.Pessoal: número de professores, funcionários e especialistas.Organização geral da escola: organograma, atribuições e funcionamento dos setores,distribuição de horários, enturmação, número de alunos por sala, aspectos administrativosgerais.Secretaria escolar: organização e funcionamento, registros, documentação dos alunos,etc.Relacionamento com o órgão central da educação.Participação da comunidade e das famílias: conselho escolar, Associação de Pais eMestres, reunião de pais; relacionamento da escola com órgãos, instituições, ONGs, etc.Sistemática de produção e organização de dados e de estatísticas educacionais.Convivência na escola.Instrumentos de gestão e de organização do trabalho pedagógico (regimento, PDE,
  50. 50. projeto político-pedagógico, planos de aula).O desempenho dos alunos: aprovação, evasão, distorção entre idade e série, etc.Participação dos alunos na gestão escolar.Além desses, muitos outros aspectos podem ser levantados e analisados para que se tenhaum “ retrato fiel” do que é a escola. Um diagnóstico preciso e consistente permitirá àequipe gestora saber onde está pisando para poder traçar os caminhos para onde querchegar. 2º passo – Identificação dos desafios e problemasA partir do diagnóstico, do retrato da realidade da escola, traçado apartir das características levantadas no item anterior, deve-sebuscar identificar os principais desafios e problemas que o contextoescolar revela. Os desafios e problemas consistem em situações quese constituem em entraves para o pleno funcionamento da escola,que levam a buscar uma situação mais satisfatória. A depender donúmero de problemas que a escola enfrenta, é preciso estabelecerprioridades. Nesse sentido, tornam-se prioridades os problemas cujanatureza e desdobramentos influenciam mais diretamente nosresultados da aprendizagem do aluno.
  51. 51. 3º passo – Definição dos objetivos, estratégias e metasUma vez que se conhece a realidade que se quer transformar e os desafios ou problemasa serem superados, resta, então, traçar os objetivos, estratégias e metas para aoperacionalização do plano de trabalho. De maneira simples, esses elementos podem serdefinidos da seguinte forma: Os objetivos são indicações da situação ideal a ser atingida para superação de problemas identificados, elaborados, cuja formulação deve utilizar verbos que expressam ação (exemplo : reduzir os altos índices de reprovação nas séries iniciais, atualizar o regimento escolar, elaborar uma sistemática de informações educacionais, etc ). As estratégias necessárias para se atingir cada um dos objetivos estabelecidos. As estratégias são formas de intervenção a serem utilizadas durante a execução de um plano, ou seja, são as alternativas de solução criadas em coerência com os desafios e problemas identificados. (exemplo:criação de grupos de atendimento a alunos com dificuldades de aprendizagem no contra-turno escolar ). As metas indicarão se os objetivos traçados foram atingidos ou não. As metas são os resultados a serem obtidos, considerando a quantidade e o tempo. (Exemplo: Elevação do desempenho acadêmico dos alunos das séries iniciais em 70%, até o final da 3ª unidade pedagógica ).

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