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suicidio Portugal 2013

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suicidio Portugal 2013

  1. 1. Público 10­09­2013 Periodicidade: Diário Temática: Saúde Classe: Informação Geral Dimensão: 646 Âmbito: Nacional Imagem: S/Cor Tiragem: 51453 Página (s): 12 Suicídios em Portugal devem se mais a envelhecimento do que a desemprego Análise ao suicídio em Portugal entre 1902 e 2010 conclui que a relação directa com o desemprego é fraca Metade das mortes auto infligidas ocorre entre os inactivos com 65 ou mais anos Crise NatáliaFaria tam em ambos os sentidos O que resultou expressivo foi a constatação de que a incidência do O suicídio em Portugal fica muito mais a dever se ao envelhecimento da população do que ao desempre go A conclusão está contida no es tudo Epidemiologia do Suicídio em Portugal 1902 2010 da autoria do investigador Carlos Pinhão Rama lheira segundo o qual não se pode estabelecer uma relação directa en tre suicídio e desemprego apesar de taxas elevadas de desemprego tenderem a coexistir no tempo com taxas elevadas de suicídio Depois de ter analisado o suicí dio em Portugal de 1902 a 2010 no âmbito do seu mestrado integrado em Medicina Carlos Ramalheira concluiu que entre 1960 e 2010 o aumento de um ponto percentual na taxa de desemprego se associou a taxas de suicídio 3 5 mais eleva das O que o autor não encontrou foi associações estatisticamente significativas de dependências de curto prazo entre os dois fenóme nos Se fizer um estudo de asso ciação entre o cantar do galo e o meu despertador vou ter uma as sociação temporal estatisticamente significativa Isto não me permite afirmar que o galo canta porque o meu despertador toca ou que o meu despertador toca porque o ga lo canta ilustra Ramalheira para vincar a ideia de que a associação temporal não implica causalidade ou determinismo Apesar de os números oficiais do suicídio em Portugal não oferece rem grande confiança por todos concordarem que estão aquém da realidade razões de ordem religio sa estigma ou para contornar pro blemas com seguros muitos surgem como mortes por causa indetermi nada o autor do estudo diz que o facto de esse erro de registo ter sido sistemático e consistente no tempo permite alguma segurança nas conclusões E uma delas é que não se está a observar em Portugal uma magna epidemia de suicídios como muitas vezes tem sido ante cipado Para sustentar esta tese o médico recorda que o suicídio em Portugal desceu constantemente nos últimos cem anos No período mais recente a haver aumentos os mesmos são modestíssimos e não sos em comparação com os jovens Este efeito nos idosos foi extraor dinariamente consistente em toda a suicídio é 57 vezes superior nos ido janela temporal analisada sublinha Carlos Ramalheira para afirmar ca tegoricamente O envelhecimento populacional por si mesmo repre senta uma pressão extraordinaria mente superior para o aumento dos suicídios do que o desemprego Em 1941 os suicídios nos idosos correspondiam a cerca de 20 do total de mortes registadas por esta causa enquanto em 2010 tinham um peso de cerca de 50 ou seja metade dos suicídios que ocorrem em Portugal envolve pessoas com 65 ou mais anos que na sua maioria até já não estão em idade activa Porque assim é e porque os Censos de 2011 já indicavam a existência de mais de dois milhões de idosos em Portugal perfazendo estes 19 da população contra os 16 de 2001 Carlos Pinhão Ramalheira lamenta que o Plano Nacional de Prevenção do Suicídio ver caixa não dedique mais atenção a este grupo Apoioaosdesempregadosemenosálcool Hoje é Dia Mundial da Prevenção do Suicídio As conclusões do estudo Epidemiologia do Suicídio em Portugal 1902 2010 vão ser apresentadas esta tarde no colóquio Estigma Saúde Mental e Prevenção do Suicídio que a Sociedade Portuguesa de Suicidologia promove na Escola Superior de Educação de Castelo Branco para assinalar o Dia Mundial da Prevenção do Suicídio Além da intervenção de Carlos Ramalheira o programa destaca se por contemplar a apresentação do Plano Nacional de Prevenção do Suicídio conforme o PÚBLICO noticiou ontem Durante a sessão o director do Programa Nacional de Saúde Mental Álvaro de Carvalho vai enumerar algumas das propostas delineadas para prevenir um fenómeno que segundo os números oficiais esteve por detrás de 1012 mortes em 2011 e 1098 em 2010 da criação de barreiras protectoras em locais identificados como propícios à prática de actos suicidas como as pontes ao reforço da protecção social dos desempregados incluindo programas activos de trabalho e de apoio à família e habitação entre outros As restrições ao consumo de álcool aumento do preço e definição de um preço mínimo e à prescrição de psicofármacos surgem também no rol de recomendações a par do aumento do horário de atendimento das linhas SOS e da cobertura nacional das consultas de saúde mental pode sequer ser afastada a hipóte se de que não passem de artefactos devidos a mudanças frequentes de metodologias de registo De resto a análise evidenciou que os suicídios entre os empregados foram supe riores aos verificados entre os de sempregados Aos estudos internacionais que apontaram recentemente um au mento dos suicídios nalguns dos países mais afectados pela crise Grécia incluída Carlos Ramalheira contrapõe com outros estudos que admitem o contrário Se uma pes soa empresário ou trabalhador en trar em falência ou ficar desempre gada num período de prosperidade o desespero pode ser muito maior a pressão social e a vergonha podem ser maiores porque a pessoa está a falhar quando todos estão a melho rar Já num período de crise há uma atribuição externa da culpa para um monstro abstracto que é a crise eco nómica e social em que toda a gente está a entrar em falência No pla no conceptual ambas as variações se podem verificar e há evidências científicas internacionais que apon O docu mento peca por alguma falta de ade rência à realidade epidemiológica portuguesa Por exemplo a questão do suicídio nos adolescentes é um problema praticamente inexistente do ponto de vista da mortalidade em Portugal precisa referindo se ao facto de o plano dar prioridade a acções de prevenção em várias escolas do país O plano sublinha do mesmo modo a necessidade de reforçar o apoio social aos desem pregados como forma de prevenir o suicídio quando segundo Carlos Ramalheira não se pode dizer que os desempregados têm um risco su perior de suicídio Porque os idosos são um grupo em que se potencia o efeito de preciativo da crise traduzido por exemplo nos cortes nas pensões o médico defende a adopção de me didas que atendam aos problemas de isolamento deste grupo etário o reforço da sua protecção social e das políticas de envelhecimento activo

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