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Artigo: Turismo de Natureza e desenvolvimento

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Artigo publicado na Revista Aventura e Ação, na coluna Pensar Global, Agir Local.

Com o potencial de distribuir renda, promover valorização e melhorar a qualidade de vida das comunidades, o setor de turismo de natureza dá uma lição de como usufruir dos benefícios do meio ambiente de forma saudável e inteligente.

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Artigo: Turismo de Natureza e desenvolvimento

  1. 1. meio ambiente 122 | Aventura & Ação Turismo de natureza e desenvolvimento Com o potencial de distribuir renda, promover valorização cultural e melhorar a qualidade de vida das comunidades, o setor de turismo de natureza dá uma lição de como usufruir dos benefícios do meio ambiente de forma saudável e inteligente C onheço vários governos, mu-nicipais e estaduais, que criam diversas políticas de incentivo e atração de atividades industriais para suas regiões, inclusive através da isenção de impostos. Fico me pergun-tando por que não temos os mesmos subsídios, confetes e festas para o se-tor de serviços, com atividades como o turismo ou, melhor ainda, o turis-mo de natureza? O turismo é uma das atividades que mais distribui renda do mundo, envolvendo diferentes empresas, guias locais e grupos comunitários voltados para a gastronomia, arte e cultura. Além disso, estimula iniciati-vas de ONGs que atuam na preserva-ção ambiental ou na valorização das tradições, beneficiando muito mais pessoas de uma forma mais interes-sante do que em outras atividades econômicas. Mas é preciso lembrar que a ime-diata geração de empregos na indús-tria é um grande chamariz eleitoreiro. Li no twitter de um político importan-te a frase: “saneamento básico é obra invisível, mas melhora de forma espe-tacular a qualidade de vida, derruba a mortalidade infantil e recupera o meio ambiente”. Penso que o mesmo raciocínio talvez se aplique ao turismo. Poderí-amos trocar a frase, mantendo a es-sência da ideia. “Turismo de natureza é investimento invisível, mas melhora de forma espetacular a qualidade de vida, combate o desemprego e pre-serva o meio ambiente”. turismo de natureza Como a proposta dessa coluna é tra-zer dicas de como traduzir a sustenta-bilidade nas nossas interações e esco-lhas diárias, inclusive nos momentos de lazer e viagem, ressalto alguns bons motivos para privilegiar destinos e passeios em paisagens naturais. O primeiro deles é o fato de que o turismo de natureza (que envolve o ecoturismo, turismo rural, turismo de aventura, etc) propicia experiências singulares. A interação com a nature-za, seja descendo um rio num rafting, pendurado numa corda descendo uma cachoeira, ou simplesmente ca-minhando, promove uma vivência in-descritível e única em cada paisagem que você escolher. O segundo é que, além de se diver- Pensar Global, Agir Local Texto: Marianne Costa Chapada Diamantina Atividade da empresa Chapada Adventure, que preza pela interação local e mínimo impacto em suas operações Foto divulgação
  2. 2. Aventura & Ação | 123 tir, você pode colaborar com o desen-volvimento sustentável de um municí-pio, contribuindo para uma atividade que promove: • Alternativa de geração de emprego: a valorização da mão-de-obra jovem diminui o êxodo rural e cria opor-tunidades em proximidade com o ambiente familiar. • Desenvolvimento local: além da melhoria da qualidade de vida da população, da escolaridade e da formalidade, com aumento da ar-recadação de impostos, a atividade estimula a qualificação profissional diante das novas oportunidades. • Conservação ambiental: o turismo de natureza utiliza o meio ambiente como meio de trabalho, o que exige sua conservação como condição de sobrevivência. Assim, transforma-se em uma ferramenta de sensibiliza-ção ambiental, não só para aqueles que trabalham como para os que estão usufruindo do serviço: os tu-ristas. • Mão-de-obra local: a maioria dos roteiros envolve interação com o meio ambiente, cultura e comuni-dade, valorizando o conhecimento “nativo” dos habitantes. Ao mesmo tempo, exige mão-de-obra qualifi-cada e atualizada, promovendo o desenvolvimento intelectual e pro-fissional destes moradores. • Reconhecimento e oportunidade: os negócios nesse segmento pos-suem uma estrutura horizontal e pouca hierarquia, favorecendo o trabalho em equipe e promovendo a autoestima dos envolvidos, inclu-sive fomentando o empreendedo-rismo social. • Menos impacto: roteiros realizados com pequenos grupos de turistas geram menos impacto ambiental, melhorando a vivência coletiva e a interação entre os indivíduos. • Valorização local: o turismo de na-tureza promove outros segmentos econômicos e sociais através da va-lorização da culinária típica, da arte e do artesanato local, das manifes-tações culturais, da história e dos hábitos da comunidade. Desenvolvimento local Para perceber todos estes benefícios de forma mais prática, a minha dica é que você escolha um dos diversos destinos deslumbrantes que o Brasil oferece nas mais diferentes regiões em parques, florestas, praias, ilhas etc. sempre privilegiando as iniciativas locais. Mas antes disso, vale citar um exemplo de como os resultados do turismo de natureza não são tão “in-visíveis” assim. Depende dos olhos de quem vê. Operando os mais variados roteiros para os atrativos da Chapada Diaman-tina, desde 2007, a Chapada Adventu-re está sob a gestão de Daniel e Mábia Matos. Daniel, 25 anos, desde os 10 é guia local. Nascido e criado na cidade de Lençóis (principal município da Chapa-da), concluiu o ensino médio e trabalha-va com o antigo dono da empresa, que em 2007 decidiu vendê-la, dando a Da-niel a oportunidade de empreender jun-to à Mábia, 24 anos, sua companheira, o próprio negócio. Como um exemplo de persistência e busca pela melhoria contínua, os dois fo-ram, aos poucos, conquistando seu lugar entre as diversas agências do município. Desde 2007, a equipe da Chapada Ad-venture não perde um curso ou oficina oferecidos na região, seja pelo Programa Aventura Segura (iniciativa da ABETA, Ministério do Turismo e SEBRAE Nacional), seja de programas como o Clube da Excelência em Turismo, do SEBRAE-BA, pois acredita na qualifi-cação constante como o caminho para o empreendedor se desenvolver, sendo fundamental para a qualidade dos pro-dutos e o bom atendimento ao cliente. Mábia explica que o turismo é a prin-cipal fonte econômica do município e que existem muitas oportunidades, como a que tiveram, para iniciativas empreendedoras e crescimento pro-fissional. “O turismo é muito positivo para quem quer se qualificar e trabalhar bem; o que não faltam são oportunida-des aqui, principalmente para as pes-soas da região”, reforça. A empresária conta que muitos locais pensam que ela é de São Paulo, ao que ela responde: “eu sou de uma cidadezinha a 150 km daqui de Lençóis. É quase roça, sabe? O que nós conseguimos até hoje foi fru-to do nosso trabalho mesmo, a questão é abraçar as oportunidades”. Hoje, com dois filhos, a família está crescendo e a equipe também. A Chapada Adventure já conta com Jordélio, irmão mais novo de Daniel, e mais dois guias para os passeios. Com relação à conservação ambien-tal, entre outras iniciativas, a empresa dá prioridade ao uso de embalagens retornáveis nos lanches dos grupos, feitos com produtos adquiridos no comércio local. Segundo Mábia, “há muita dificuldade de se destinar os re-síduos adequadamente na cidade, por isso é preciso reduzi-los ao máximo para minimizar o impacto das opera-ções, hoje realizadas com grupos redu-zidos”. Além disso, a Chapada Adven-ture participa ativamente da brigada de incêndio local, mobilizando apoio e participando do processo de conscien-tização que, na última “seca”, já fez cair bastante a incidência do fogo. No intuito de contribuir para a inte-gração dos empresários locais, Daniel e Mábia participam da coordenação da Comissão ABETA Chapada Dia-mantina, que reúne os empresários de turismo de natureza, além de inte-grar o Conventions & Visitors Bureau e da Associação dos Empresários de Turismo, a ASSET. Conhecer e divulgar histórias como a de Daniel e Mábia é importante para mostrar que o turismo de natureza é, sim, um investimento visível, que mo-biliza pessoas, estimula o empreende-dorismo, gera conhecimento e contri-bui para a preservação ambiental. “Turismo de natureza é investimento invisível, mas melhora de forma espetacular a qualidade de vida, combate o desemprego e preserva o meio ambiente” Sobre a autora Marianne Costa, empreendedora social, turismóloga e gestora de projetos em associativismo, terceiro setor, turismo e desenvolvimento local. e-mail: marianne@raizes.tur.br

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