Expo conv esp santo 01 maria joao franco desdobravel

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CATÁLOGO DA EXPOSIÇÃO /// NA LINHA DA VIDA /// GALERIA DE ARTE DO CONVENTO DO ESPÍRITO SANTO em Loulé

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Expo conv esp santo 01 maria joao franco desdobravel

  1. 1. Intimidade,2006 Técnicamista(óleo,betumejudaico,pasteldeóleo)
  2. 2. MARIA JOÃO FRANCO Na Linha da Vida 27 JANEIRO A 11 MARÇO 2017 GALERIA DE ARTE DO CONVENTO DO ESPÍRITO SANTO - LOULÉ
  3. 3. No começo do ano de 2017, apresentamos na Galeria do Convento Espírito Santo em Loulé, a obra desta pintora cujo trabalho de itinerário é fundamental no âmbito da Arte Contemporânea Portuguesa. A sua poderosa pintura, no seu silêncio, variando quase numa monocromia táctil linear, pelo modo como trabalha, no véu da tela a luminosidade e intensidade que surge como um grito abafado expressionista. A sua pintura varre o vazio da palavra, paradoxo do dizer, no dizer que não tende a necessidade de afirmar. A pintura é isso na sua essência, a palavra que vem depois, e que no tempo permanece na angústia. A lágrima dança num carnaval de luto e a cor percorre em castanhos ocres cinzentos, ópio de numa viagem interior, a sua relação com o que exprime permite viver um tempo de ausência nessa Sinais que chegam ao céu João Moniz Curador melancolia que a faz sonhar, fazer ser, a meditação que se torna dilúvio, a angústia predomina, foge, e reaparece desenhada num tempo passado vivido no presente, eis a poesia feita na pintura, somos o que vemos, num além próximo, num próximo além. Sentir e contemplar a sua obra, relaciona-nos com a sua peregrinação na verdade em absoluto, no que realiza fora e longe de modas de modernismos, com relacionamentos íntegros vindo e indo ao essencial, tornando visível, o mistério que está por detrás da tela, pintando quase no vazio recheado de sentimentos, ausências, a metáfora trágica de uma anatomia e invenção sagrada de amar, peregrinação constante, morrer sim mas devagar… eis a paixão feita em pintura, ser, fazer, e continuar, paralelo da sua persistência solitária. O meu nome desaparece na areia, ficou a sua subtileza de um sonho assumido, memória fugitiva num tempo, tempo esse que percorre, a permanência fugitiva do ser, na dádiva chegamos ao céu.
  4. 4. Escolhi, numa espécie de acaso, três pinturas de Maria João Franco, de entre um conjunto que vai ser exposto em Loulé. Vejo, com tenho visto antes, noutras horas de dor e desejo. Concentro o olhar naquele corpo ao alto, braços abertos a perder-se no escuro, um tronco poderoso que se abre à hibridez, escondendo o género na soturna zona do púbis. A pele emerge do escuro, está certamente morna, molhada de si mesma, do suor, da água ter salpicado o salto, um mergulho de pés sobre a lama apenas pressentida quando este ser (de nós) se repete olhando para cima, certamente sem ver nada na crise deste nosso interior como túnel do subsolo de qualquer grande cidade. O ventre distende-se, apetece espalmar ali a nossa mão, deslizando na liquidez híbrida da carne e da força. Sabemos que tudo não passa de uma certa vontade alucinada, um corpo que nos visita porque nunca fomos capazes de o perder. Como naquele close-up do nosso olhar, partida do apelo e do ver, ainda e de Por dentro de nós, suor e lama novo num tempo sem luz solar, a massa de outro nu sem nome, enquadrado por cortes, mais visível à esquerda do que à direita, em agonia, fios de sangue escorrendo sobre a pele macerada ou de alguém que já não respira desde há muito, no mundo pesado e absurdo da globalização. Estas formas, afinal ainda passando por nós num milhar de anos depois de um milhão. A escolha leva-nos, no enjoo dos cheiros da morte e dos destroços, ao que, bem perto dos olhos ardentes, nos aparece como um rosto plasticamente estilhaçado, em contraste de escuro, ainda que não passe dos glúteos de certa luz bruxa atrás, água escorrendo pelos cabelos, suor ainda, chuva a lembrar o Blade Runer, nenhuma partida entretanto possível, há apenas quatro anos para viver e para morrer, fechando devagar os olhos entre o néon, o negrume em volta dos mercados, um olho à venda como o último sopro inimaginável de Deus. Tudo se parece com tudo mas Deus já não vê. Rocha de Sousa 2016
  5. 5. Mulher de Vermelho, 1990 Acrílico
  6. 6. Femina, 1997 Técnica Mista (óleo, betume judaico, pastel de óleo, pastel seco, aguarrás)
  7. 7. Cristo para o Séc. XXI, 1997 Óleo sobre tela
  8. 8. Registo de Mulher, 2002 Técnica mista (óleo, grafite, carvão, pastel de óleo)

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