Os Lusíadas Ilha dos Amores - Canto X

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  • Os Lusíadas Ilha dos Amores - Canto X

    1. 1. <ul><li>1ª A - 2009 </li></ul>
    2. 3. <ul><li>Nasceu por volta de 1524 em local desconhecido. </li></ul><ul><li>Morreu em 10 de julho de 1580 Lisboa, Portugal </li></ul><ul><li>Nacionalidade: Português </li></ul><ul><li>Ocupação: Poeta </li></ul><ul><li>Escola/Tradição: Classicismo </li></ul><ul><li>Desconhece-se a data e o local onde terá nascido Camões. Admite-se que nasceu entre 1517 e 1525 </li></ul><ul><li>“ [...]/Criou-me Portugal na verde e cara/pátria minha Alenquer[...]” </li></ul>
    3. 4. <ul><li>O pai de Camões foi Simão Vaz de Camões e sua mão Ana de Sá e Macedo. Por via paterna, Camões seria trineto do trovador Vasco Pires da Gama. </li></ul><ul><li>Entre 1542 e 1545, viveu em Lisboa, trocando os estudos pelo ambiente da corte de D. João II, conquistando fama de poeta e feitio altivo. </li></ul><ul><li>Em 1556 partiu para Macau, onde continuou os seus escritos. Viveu numa gruta, hoje, com o seu nome, e aí terá escrito boa parte d’Os Lusíadas. Naufragou na faz do rio Mekong... </li></ul>
    4. 5. <ul><li>onde conservou de forma heróica o manuscrito da obra, então já adiantada. No desastre teria morrido a sua companheira chinesa Dinamene, celebrada em série de sonetos. É possível que datem igualmente dessa época ou tenham nascido dessa dolorosa experiência as redondilhas “Sôbolos rios”. </li></ul><ul><li>Aprisionado Por Dívidas </li></ul><ul><li>Aprisionado por dívidas, dirigiu súplicas em verso ao novo vice-rei D. Francisco Coutinho, conde do Redondo para ser liberto. </li></ul>
    5. 6. <ul><li>Faleceu numa casa de Santana, em Lisboa, sendo enterrado numa campa rasa numa das igrejas das proximidades. Os seus restos encontram-se atualmente no Mosteiro dos Jerónimos. </li></ul><ul><li>O Estilo </li></ul><ul><li>Obras </li></ul><ul><li>1572 – Os Lusíadas </li></ul><ul><li>Lírica </li></ul><ul><li>1595 – Amor é fogo que arde sem se ver </li></ul><ul><li>1595 – Eu cantarei o amor tão docente </li></ul>
    6. 7. <ul><li>1595 – Verdes são os campos </li></ul><ul><li>1595 – Que me quereis, perpétuas saudades? </li></ul><ul><li>1595 – Sôbolos rios que vão </li></ul><ul><li>1595 – Quem diz que o amor é falso ou enganoso </li></ul><ul><li>1595 – Sete anos de pastor Jacob servia </li></ul><ul><li>1587 – El-Rei Saleuco </li></ul><ul><li>1587 – Auto de Filodemo </li></ul><ul><li>1587 - Anfitriões </li></ul><ul><li>Outras </li></ul><ul><li>???? – A morte de D. Inês </li></ul>
    7. 8. <ul><li>Partiram de Lisboa, com 4 navios e 148 homens. </li></ul><ul><li>Passaram por Calecut, com 3 navios, o de Gonçalo Nunes teve de ser queimado. </li></ul><ul><li>Passaram por Melinde, onde teve de ser queimado o navio de Paulo Da Gama, pois não apresentava condições de navegar. </li></ul><ul><li>Contornaram o Cabo da Tormentas, os 2 navios se perderam. </li></ul><ul><li>Na Ilha Terceira o irmão de Vasco faleceu. </li></ul><ul><li>Auxiliado por uma caravela, Vasco da Gama atingiu Lisboa. </li></ul><ul><li>Retornou apenas 55 dos 148 homens que partiram </li></ul><ul><li>Dos 4 navios, somente 1 retornou </li></ul>
    8. 9. <ul><li>16 “Contar-te longamente as perigosas </li></ul><ul><li>Coisas do mar, que os homens não entendem </li></ul><ul><li>Súbitas trovoadas temerosas </li></ul><ul><li>Relâmpagos que o ar em fogo acendem </li></ul><ul><li>Negros chuveiros, noites tenebrosas, Bramidos de trovões que o mundo fendem, Não menos é trabalho que grande erro, Ainda que tivesse a vos de ferro.” </li></ul>
    9. 10. <ul><li>Fora o valor histórico da viagem de Vasco da Gama,a Ilha dos Amores representa um prêmio essencial pelo esforço que eles tal prestaram a essa jornada. Simboliza o reconhecimento dos que escolhem o caminho da utopia como forma de realização </li></ul><ul><li>Vênus que providencia com que a Ilha fictícia, flutue no mar no caminho em que os portugueses estão fazendo de volta para Lisboa. Vênus quer que os viajantes sejam bem acolhidos pelas ninfas que lhe oferecem relações sexuais comida e conhecimentos </li></ul>
    10. 11. <ul><li>Ilha dos Amores ocupa cerca de 20% de Os Lusíadas. </li></ul><ul><li>Inicia-se na estrofe 18, do nono canto e termina na estrofe 95. </li></ul><ul><li>No canto décimo começa desde o 1ª, e vai até a estrofe143 </li></ul><ul><li>É a maior narrativa </li></ul><ul><li>O micro episódio constitui-se no erotismo entre os navegantes e as Ninfas </li></ul><ul><li>Fantástica festa dos sentidos:cores,perfume, flores,animais, colinas verdejantes,ondulações das águas, árvores (frutos e Flores), música dos pássaros, dança dos ventos, discursos amorosos, sedução: Carregado por ardentes gemidos de prazer e de gozo limitado . </li></ul>
    11. 12. <ul><li>1ª parte ( descrição física ) </li></ul><ul><li>Ocupa dez estrofes. Essa longa descrição confunde-se com uma pintura que fala, o que é próprio das descrições poéticas que dão a ver o objeto que retratam. Isso porque foi aplicado o procedimento clássico do ut pictura poesis ( a poesia é como a pintura). Apesar que Camões adotou a tradição clássica dos gregos e latinos. </li></ul><ul><li>2ª parte (descrição amor) </li></ul><ul><li>Ao desembarcarem os Nautas começam a doida corrida atrás das Ninfas, que fazem fugas delicadas, sem deixar de mostrar o desejo. Aos poucos elas se rendem.Menos Erife. </li></ul><ul><li>A perseguição de Lionardo ocupa a parte central do micro episódio. É o ponto alto da expressão renascentista do erotismo triunfal e pagão. </li></ul>
    12. 13. <ul><li>Descrição do lugar: </li></ul><ul><li>54 “Três fermosos outeiros se mostravam, Erguidos com soberba graciosa, Que de gramíneo esmalte se adornavam, Na fermosa Ilha, alegre e deleitosa. Claras fontes e límpidas manavam Do cume, que a verdura tem viçosa; Por entre pedras alvas se deriva A sonora linfa fugitiva” </li></ul><ul><li>Descrição dos amores: </li></ul><ul><li>83 “ Oh! Que famintos beijos na floresta, E que mimoso choro que soava! Que afagos tão suaves, que ira honesta, Que em risinhos alegres se tornava! O que mais passam manhã e na sesta, Que Vênus com prazeres inflamava, Melhor é experimentá-lo que julgá-lo; Mas julgue-o quem não pode experimentá-lo” </li></ul>
    13. 14. <ul><li>Vasco é avisado que é muito perigoso ficar mais tempo em alto mar. Mas mesmo assim parte viagem com a missão cumprida. </li></ul><ul><li>16 “Apartas assi da ardente costa As venturosas Naus, levando a proa Pera onde a Natureza tinha posta A meta austrina da Esperança Boa, Levando alegres novas e resposta Da parte oriental pera Lisboa, Outra vez comentendo os duros medos Do mar incerto, tímidos e ledos” </li></ul><ul><li>Vênus vê o cansaço da frota, resolve premiá-los. Nasce a idéia da Ilha flutuante. Antes de colocá-la no caminho dos nautas, sobe até aos Montes Idálicos, na Ilha de Chipre, morada de Cupido, pedindo auxílio ao filho. </li></ul><ul><li>Enquanto isso, Cupido estava em uma guerra contra a humanidade, preparando-se para desferir contra todos... </li></ul>
    14. 15. <ul><li>os humanos as flechas do verdadeiro amor. Quando de repente,Vênus chega em seu aéreo carro, conduzido por cisnes e por pombas, e então Cupido vai recebê-la: </li></ul><ul><li>30 “Muitos destes meninos voadores Estão em várias obras trabalhando: Uns amolando ferros passadores, Outros hásteas de setas delgaçando. Trabalhando, cantando estão de amores, Vários casos em verso modulando Melodia... </li></ul><ul><li>sonora e concertada, Suave a letra, angélica a soada” </li></ul><ul><li>Vênus informa que deverá flechar os corações das ninfas, para levá-las até a Ilha. Atendendo Vênus, Cupido convoca o auxílio da Fama e põe-se a disparar mil setas contra as Ninfas do oceano, provocando em todas súbito anseio de amor. </li></ul>
    15. 16. <ul><li>47 “Despede nisto o fero moço as setas, Uma pós outra: geme o mar cos tiros; Direitas pelas ondas inquietas Algumas vão e alguma fazem giros; Caem as Ninfas, lançam das secretas Entranhas ardentíssimos suspiros; Cai qualquer, sem ver o vulto que ama, Que tanto como a vista pode a fama.” </li></ul><ul><li>Depois de flechadas, Vênus conduz as Ninfas para a ilha flutuante, não sem antes a instruir: quando os portugueses </li></ul><ul><li>desembarcarem, em busca de água e de comida, todas deveriam simular indiferença ou repulsa por eles. Quanto aos anseios incontroláveis jamais expressa-los com franqueza. A entrega triunfal dos corpos dar-se-ia somente após por longas pelejas. </li></ul><ul><li>Enquanto Vênus preparava a festa, os nautas singravam... </li></ul>
    16. 17. <ul><li>os mares, rumo a longe Pátria, quando se deparam com a Ilha. </li></ul><ul><li>51 “Cortando vão as naus a larga via Do mar ingente pera a pátria amada, Desejando prover-se prolongada, Quando, juntas, com súbita alegria, Houveram vista da Ilha namorada, Rompendo pelo céu a mãe fermosa De Menônio, suave e deleitosa.” </li></ul>
    17. 18. <ul><li>Findo o encontro dos corpos, o narrados conclui o canto nono como um epifonema sobre a ética e a moralidade na vida cortesã e religiosa, sugerindo que nesses setores da vida social, a integridade e a justiça foram substituídas pelo interesse pessoal, pela cobiça e pela preguiça. Uma bela estrofe por espígrafe: </li></ul><ul><li>“ E ponde na cobiça um freio duro, E na ambição também, que indignamente Tomais mil vezes e no torpe e escuro Vício da tirania infame e urgente; Porque essas honras vãs, esse ouro puro, Verdadeiro valor não dão à gente: Melhor é merecê-los sem os ter, Que possuí-los sem os merecer.” </li></ul><ul><li>Essa voz épica dirigi-se aos que desejam os prêmios da Ilha dos Amores. Para se obter o reconhecimento... </li></ul>
    18. 19. <ul><li>de Vênus, as pessoas devem se entregar ao exercício do espírito e ao aperfeiçoamento do caráter. Devem preferir as essências em detrimento das aparências. Esse é um dos sentidos alegóricos do episódio da Ilha de Vênus, desde que se considerem os prazeres do sexo como conquista essencial do homem. </li></ul><ul><li>Como se sabe, na lírica camoniana a visão sensual do amor seria predominantemente substituída pela visão platônica. Como as rimas de Camões foram publicadas após a morte do autor, não se sabe até que ponto platonismo delas corresponde aos manuscritos do poeta, destruídos para sempre pelas mãos do tempo. </li></ul>
    19. 20. <ul><li>Téthys prepara um banquete aos navegantes, e durante a ceia uma outra ninfa presenteia os convidados com um canto profético, em qual se propiciam conhecimentos de futuras ações portuguesas no mundo </li></ul><ul><li>Depois Téthys os conduz a um monte, de onde apresenta a eles a Máquina do Mundo, que nada mais é do que os planetas em sua organização cósmica. Assim principia sua descrição do cosmos, ante os olhos atônitos do Gama: </li></ul>
    20. 21. <ul><li>80 “Vês aqui a grande Máquina do Mundo, Etérea e elemental, que fabricada Assi foi do Saber, alto e profundo, Que é sem princípio e meta limitada. Quem cerca em derredor este rotundo Globo e sua superfície tão limada, É Deus: mas o que é Deus, ninguém o entende, Que a tanto o engenho humano não se entende.” </li></ul>
    21. 22. <ul><li>A concepção cósmica de OS Lusíadas é geocêntrica (ptolomaica) A teoria heliocêntrica só foi posta em circulação quando se editou o célebre tratado do astrônomo polonês. A teoria heliocêntrica só se tornaria corrente depois da invenção da luneta. Até então era matéria controversa, mesmo entre os sábios. Camões jamais poderia conhecer a teoria heliocêntrica. </li></ul><ul><li>Mesmo porque boa parte de Os Lusíadas foi escrita no Extremo Oriente. A doutrina astronômica adotada nos centros civilizados da Europa achava-se sistematizada no livro Sphera, obra de reconhecido valor em seu tempo. Essa foi a última palavra em astronomia durante o século XVI em Portugal. Foi daí que Camões extraiu as noções astronômicas de Os Lusíadas. </li></ul>
    22. 23. <ul><li>Dizem que Camões, conhecendo a teoria heliocêntrica, a teria evitado para burlar a Santa Inquisição, com o propósito de ver seu poema editado. Tal informação não procede, pois Camões julgava estar não só de acordo com os padrões da Santa Inquisição, mas também em dia com as verdades científicas do tempo . Depois da descrição da Máquina do Mundo, Thétys se encarrega de explicar o sentido fabuloso dos Deuses, revelando que... </li></ul><ul><li>a verdadeira divindade é uma e invisível. Revela também que todos as coisa mitológicas, inclusive ela, eram para os ornatos da poesia, sem possuírem real existência. Depois dos prazeres do amor, os Nautas, alçados à condição dos Deuses, retomam o perigoso caminho das ondas, rumo a Pátria, onde os esperava D. Manuel, com mais recompensas, fundadas em outra espécie de reconhecimento. </li></ul>
    23. 24. <ul><li>A epopeia termina com um epílogo (estrofes 145 a 156), em que o poeta lamenta mais uma vez as injustiças que o Reino lhe terá cometido. Reforça a dedicatória da obra ao jovem rei D. Sebastião e aproveita, como homem experiente da vida e dos conhecimentos, para lhe dar alguns conselhos: que se aconselhe com os </li></ul><ul><li>melhores, governe com justiça, premeie apenas e sempre quem merece, lute com bravura e inteligência para expandir Portugal e a fé cristã. Deste modo, tal como Aquiles foi cantado por Homero, Camões cantará o seu rei. </li></ul>
    24. 25. <ul><li>“ Nô mais, Musa, nô mais, que a Lira tenho Destemperada e a voz enrouquecida, E não do canto, mas de ver que venho Cantar a gente surda e endurecida.” </li></ul>
    25. 30. Fim

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