Fobia especifica

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Fobia especifica

  1. 1. CONGREGAÇÃO DE SANTA DOROTÉIA DO BRASIL FACULDADE FRASSINETTI DO RECIFE – FAFIRE DEPARTAMENTO DE PSICOLOGIA PÓS-GRADUAÇÃO EM TERAPIA COGNITIVO-COMPORTAMENTAL TERAPIA COGNITIVO-COMPORTAMENTAL E OS TRANSTORNOSDE ANSIEDADE. RECIFE/2011
  2. 2. JOSIVÂNIA GONÇALVES FRANÇA LUCIA HELENA CAVALCANTI TOSCANO BARRETO MARIA INÊS FEIJÓ MACHADO TAVARES MARTA REGINA REGUEIRA SOARES TERAPIA COGNITIVO-COMPORTAMENTAL E OSTRANSTORNOS DE ANSIEDADE.. Trabalho apresentada ao Programa de Pós- Graduação em Terapia Cognitivo- Comportamental, da Faculdade Frassinetti do Recife – FAFIRE, como parte do requisito necessário à obtenção da nota a disciplina de TCC e transtornos de ansiedade, regido pela Profa. Benéria Yace Donato. RECIFE, 2011.
  3. 3. HISTÓRIA CLÍNICA DA PACIENTE A.NIdentificação da pacienteNome: A.NSexo: FemininoIdade: 26 anosProfissão: Secretaria executivaEstado Civil: SolteiraGrau de instrução: Universitária (2º ano de Direito)História de vida: Paciente procurou terapia pelo fato de há oito meses está sentindo um medointenso de sapos. Menciona, ao ser questionado de com isso surgiu, que no começo sótinha medo de sapos pequenos, mas agora tem medo de qualquer tamanho. Atualmentetem sentido dificuldade de dormir, demorando a adormecer, fica sempre com receio deencontrar sapos por onde anda,está sentindo tristeza, vontade de ficar em casa quieta einquietação física e mental. Tem percebido que fica o tempo todo pensando em sapos eolhando ao seu redor. Desde pequena (nove anos) tinha “certo receio de sapos” (SIC),evitava alguns lugares que pudesse encontrar sapos, mas isso não lhe causava problemase tinha uma vida normal, mesmo sem frequentar ou ficar em alguns lugares, como afazenda do seu avô. Procurou a vida toda enfrentar isso, sair a noite, inclusive forçoupara estudar a noite e estava muito feliz com sua coragem. O fato mais recente quelembra foi de uma festa na casa de amigos em Aldeia, onde ao entrar no banheiro pisouem um sapo e viu a presença de mais uns três no mesmo banheiro. Isso a deixoudesesperada, com nojo e bastante medo. Nesse dia ela não conseguiu mais relaxar, curtir a festa, andar pelacasa,conversar com os amigos, a cena não saia da cabeça e sempre olhava em volta paranão deixar que outros sapos chegassem perto, mesmo sem conseguir ver mais nenhumsapo. Após umas 2 horas de ter ido ao banheiro teve uma crise de choro e pediu queuma amiga a levasse em casa. Desde desse dia passou a ter medo de andar em várioslugares e passou a observar muitas vezes o chão da rua e os locais onde vai sentar. Está atualmente sem frequentar vários lugares sendo o que mais a preocupa énão ir a faculdade à noite. Está sem frequentar à faculdade há dois meses e sempre quepensa em ir se sente muito ansiosa. Tem pensado muito na possibilidade de encontrarsapos em vários locais e isso tem ocupado muito seu tempo, deixando-a triste epreocupada, pois está se prejudicando cada dia mais no trabalho e na faculdade. Temuma boa relação no trabalho, é comunicativa e muito dedicada as responsabilidades dasua vida, tem alguns bons amigos que sabem o que está acontecendo e tem a ajudadoquando não consegue ir trabalhar. Diz muito ao longo da sessão que teme onde isso vaiparar e que lamenta não está mais conseguindo enfrentar como sempre enfrentou, dizque isso a deixa insegura, como se a vida tivesse perdido o controle.
  4. 4. DIAGRAMA DE CONCEITUALIZAÇÃO COGNITIVANome do Paciente: A.N. Data: 25/07/2011Diagnóstico: Eixo I: Fobia Especifica F40.2+ Depressão? Eixo II:_________________ DADOS RELEVANTES DA INFÂNCIADesde pequena (± 9 anos) tinha receios de sapos e já evitava alguns lugares quepudesse ter sapos. CRENÇA CENTRAL“Sou inadequada”. “Sou vulnerável”. “Sou um fracasso” PRESSUPOSTOS / REGRAS / CRENÇAS CONDICIONAIS“Se evitar sair à noite ninguém vai perceber que tenho medo de sapos”.“Se eu não for à casa de meu avô não encontrarei sapos, e ninguém perceberá quetenho medo deles”. ESTRATÉGIA (S) COMPENSATÓRIA (S)Fuga, esquiva. SITUAÇÃO 1 SITUAÇÃO 2 SITUAÇÃO 3Casa do Avô Em Aldeia PA PA PA “Será que alguém“Tenho que estudar por isso percebeu que tenho medonão posso ir p/ caso de de sapos?”vovô.”SIGNIFICADO DO PA SIGNIFICADO DO PA SIGNIFICADO DO PA“Sou frágil, perco o “Sou inadequada”controle” EMOÇÃO EMOÇÃO EMOÇÃOMedo Medo Intenso, Apavorada. COMPORTAMENTO COMPORTAMENTO COMPORTAMENTOEsquiva, evitação. Tensa, Descontrole , Hipervigilância.
  5. 5. A. QUAL O DIAGNÓSTICO E/ OU COMORBIDADES (SE ACHAREM QUETEM) E COMO EXPLICARIAM O SURGIMENTO E MANUTENÇÃO DASQUEIXAS DO PACIENTE DE ACORDO COM AS AULAS E A LITERATURASOBRE O TEMA? Baseado nos dados observados na história clínica e utilizando os critériosdiagnóstico do DSM-IV, a senhora A. N apresenta os sintomas de Fobia EspecíficaF40.2 (Ranidafobia) medo de sapo.Critérios diagnósticos de Fobia Específica DSM-IV a) Medo acentuado persistente que é excessivo ou irracional, desencadeado pelapresença ou antecipação de um objeto ou situação específico; b) A exposição ao estimulo fóbico provoca quase invariavelmente uma respostaimediata de ansiedade, que pode tomar a forma de uma crise de angústia (ataque depânico) situacional ou mais ou menos relacionada com uma situação determinada;c) A pessoa reconhece que este medo é excessivo ou irracional;d) A (s) situação (ões) fóbica (s) se evitam ou se suportam a custa de uma intensaansiedade ou mal-estar; e) Os comportamentos de evitação, a antecipação ansiosa ou o mal-estar provocadopela (s) situação (ões) temidas (s) interferem notoriamente com a rotina normal dapessoa, com as relações laborais (ou acadêmicas) ou sociais, ou ainda provocam ummal-estar clinicamente significativo;f) Em menores de 18 anos a duração destes sintomas devem ter sido de 6(seis) meses nomínimo; g) A ansiedade, as crises de angustia ou os comportamentos de evitação fóbicaassociados aos objetos ou situações específicos não podem explicar-se melhor pelapresença de outro transtorno mental, por exemplo, um transtorno obsessivo compulsivo,fobia social, agorafobia, etc.Surgimento e manutenção das queixas O medo é uma emoção produzida pela percepção de um perigo iminente. Dentrodo parâmetro “normal” é saudável, pois é um alerta, leva o organismo a evitar ameaçase tem um valor na sobrevivência humana. Ele faz parte da vida humana e, é um atributosaudável que protege a pessoa dos perigos. Quando a intensidade ou a frequência atingeum nível alto chegando a atrapalhar e/ou interferindo no curso da vida da pessoa, entãoele torna-se patológico. O medo normal visa gerar energia à evitação ou afastamento deestimulação nociva ao ser. O medo tem papel fundamental na adaptação humana, masalguns tipos de medo são de grande magnitude para as situações desencadeantes e estessão chamados de fobias. A fobia é vista como uma forma especial de medo; elaapresenta as seguintes características: 1) desproporção entre a emoção e a situação que aprovoca; 2) medo sem explicação razoável; 3) ausência de controle voluntário; 4)tendência à evitação dessa situação
  6. 6. O medo que a Sra. A.N desenvolveu em relação a sapo teve início na infância e,a manutenção da situação, pode estar atrelada ao fato da evitação a locais onde elapudesse encontrá-los. Embora existisse a opção de levar uma “vida normal” como,estudar e sair à noite na tentativa para superar o problema, ela evitava alguns lugaresque pudesse encontrá-los, como a fazenda do seu avô. No momento que ela se deparoucom a presença do animal, como ocorreu na casa de amigos em Aldeia, o medo seintensificou. A evitação pode diminuir a ansiedade momentaneamente, porém não resolve aproblemática. É uma estratégia que escamoteia e mantém o problema, pois no percursoda sua vida encontraria situações que ativariam o medo, como ocorreu na casa dosamigos em Aldeia. É possível observar um ciclo vicioso que é acionado, em que oschamados comportamentos de busca de segurança – evitação, fuga, controle excessivo,monitoramento permanente, alerta, neutralização etc. – os quais, o indivíduo recorre emresposta a sua avaliação catastrófica do estímulo inicial, impedem a desconfirmação daatribuição exagerada de ameaça ou perigo ao estímulo, e concorrem para a manutençãodo quadro de ansiedade. A etiologia da fobia, que o caso de A.N. sugere, baseia-se emum condicionamento clássico ou Pavloviano, que é um tipo de aprendizado no qual umestímulo adquire a capacidade de evocar uma resposta que era originalmente evocadapor um outro estímulo. O condicionamento clássico, se associa a um estímuloincondicionado e a um estímulo neutro. Este pode adquirir propriedades do primeiro,transformando-se num estímulo condicionado. Medos são aprendidos porcondicionamento e modelação. Podem se desenvolver gradualmente, quando adquiridosna infância. Já a manutenção do transtorno, se dá pela evitação e pelo condicionamentooperante onde há a perpetuação dos comportamentos de esquiva fóbica, ou seja, oscomportamentos de evitação ao objeto fóbico. No condicionamento operante aaprendizagem ocorre porque as respostas são influenciadas pelas conseqüências que asseguem. Assim, o condicionamento operante é uma forma de aprendizagem em que asrespostas voluntárias são controladas por suas conseqüências. As respostas de esquivatambém são reforçadas se forem capazes de eliminar a presença do estímulo aversivo,proporcionando alívio quando existe a segurança que este não irá ocorrer. As crenças que A.N. desenvolveu também reforçam, ou seja, mantém seucomportamento evitativo. Geralmente, pessoas com fobia específica, desenvolvemcrenças irracionais de que temos sempre que ter um desempenho perfeito emdeterminada situação para mostrarmos o nosso valor como pessoa. Como conseqüência,as pessoas que mantêm estes tipos de crença tendem a se cobrar demais, querendosempre ter um desempenho perfeito, sem erros, chegando a uma tentativa extrema deperfeição. Este alto grau de exigência leva a um alto nível de ansiedade na execução docomportamento e de frustração quando algo não sai como planejado pelo indivíduo.
  7. 7. B) QUE QUEIXAS PRIORIZARIAM E QUAIS METAS CONSTRUIRIAMCOLABORATIVAMENTE PARA A TERAPIA DA REFERIDA PACIENTE?Queixas:  Medo intenso de sapos;  Dificuldade de dormir;  Medo de encontro com sapos;  Vontade de ficar em casa quieta;  Inquietação física e mental;  Desde criança tinha receio de sapos (fato que não atrapalhava tanto);  Medo de andar em vários lugares – tem dois meses que não vai à faculdade;  Observa muitas vezes o chão da rua e os locais onde vai sentar;  Tem pensado muito na possibilidade de encontrar sapos em vários locais e isso tem ocupado muito seu tempo deixando-a triste e preocupada;  Os seus frequentes pensamentos sobre sapos estão atrapalhando o seu trabalho e faculdade.A literatura sugeri que as metas sejam definidas pela dupla terapêutica (paciente e opsicoterapeuta), podendo fazer um comparativo entre a situação atual e as metas que sedeseja alcançar, vale salientar que essas metas podem ser alteradas ao longo do processoterapêutico, tanto pelo paciente como pelo terapeuta. Tais metas descreveremos aseguir: SITUAÇÃO ATUAL SITUAÇÃO DESEJADA-METAS Passar a dormir mais tranquilamente e Dificuldades para dormir; relaxada; Aumento do repertório de atividades Vontade de ficar em casa quieta; sociais, como sair com os amigos deixando de lado os medos e receios; Redução da ansiedade, buscando junto com Inquietação física e mental; o paciente uma maneira mais adaptativa de lidar com seus temores; Junto com a redução de ansiedade ajudar o Pensa em sapos o tempo todo; paciente a se distrair, reduzindo a quantidade de vezes que ela pensa em sapo;
  8. 8. Medo de andar em vários lugares e Normalização dos deslocamentos, observa muitas vezes o chão da rua e os reduzindo os medos e a vigilância locais onde vai sentar; Não vai a faculdade há dois meses; Passar a frequentar as aulas normalmente; Está se prejudicando cada dia mais no Melhora da atividade profissional e na trabalho e na faculdade por pensar faculdade minimizando o impacto dos seus pensamentos disfuncionais; frequentemente em sapos;C) QUE INTERVENÇÕES/TÉCNICAS UTILIZARIAM? CONSTRUAM UMMINI MODELO DE UM PLANO DE TRATAMENTO INSPIRADO NOARTIGO QUE MENCIONEI COMO UM PONTO DE PARTIDA. Baseado nas discussões em sala de aula, e análise do estudo do artigo que nos foidado para as respostas dos questionamentos postos, observamos que: A história clinica da paciente, com a riqueza de detalhes que estão bem postas nocaso em pauta, sugere que os dados foram obtidos num ambiente empático. Sugeretambém, que a aliança terapêutica foi construída e fortalecida através de uma condutaflexível e criativa do terapeuta. Essa aliança está embasada na segurança profissional ehumana que envolveu a cliente na esperança de aliviar e possivelmente resignificar asua vida, buscando a resiliência. Freqüentemente, o paciente que vivencia algum tipo de Fobia, pode desenvolverum quadro de depressão por não dar conta da situação estressora que é acometido. Assim é de bom alvitre que a avaliação da paciente, seja realizada através daentrevista clinica, DSM-IV e aplicação do inventário de depressão e ansiedade de Becke, se necessário, o de ideação suicida e Desesperança. O uso do Inventário de Ansiedadede Beck, também é uma medida importante para verificar o nível de ansiedade docliente.Dentro desta perspectiva as intervenções/técnicas seriam: Conceituação Cognitiva; Psicoeducação; Biblioterapia; Identificação dos PA catastróficos e questioná-los; Modelação;
  9. 9.  Reestruturação cognitiva; Treino relaxamento muscular progressivo e treino respiratório; Modelação;Dessensibilização sistemática, Exposição imaginária e/ou virtual; Técnica da distração; Automonitorização; Inundação; Parada do pensamento; Treino de auto-afirmação; Treino de assertividade; Exposição gradual in vivo Treino de habilidades sociais; Intenção paradoxal; Prevenção de recaídas. Nas sessões finais, utilizamos técnicas para promover a generalização dasestratégias adquiridas durante o processo clínico e das novas formas de perceber eresponder ao real, reforçando-se o novo sistema de esquemas e crenças, em umatentativa de se prevenir recaídas e garantir a preservação continuada de uma estruturacognitiva funcional.D) USEM A CRIATIVIDADE E CRIEM UMA HIERARQUIA PARA SERUTILIZADA EM UMA EXPOSIÇÃO GRADUAL COM A REFERIDAPACIENTE, MENCIONEM AO FINAL QUE ASPECTOS DESTACARIAMPARA MAXIMIZAR OS EFEITOS POSITIVOS DESSA EXPOSIÇÃO?Explicações e orientações gerais para a paciente: De forma tranquila e acolhedora, explicar para a paciente quea Evitação neutraliza, momentaneamente, a aflição e o desconforto, sem, entretanto,extingui-la para sempre. Portanto, será feito a Exposição ao objeto fóbico. No início,esta exposição será feita em conjunto com o terapeuta nas sessões (o tempo daexposição será analisado em conjunto, dependendo das reações da paciente e doterapeuta, que já deve estar preparado para o evento). Posteriormente, será analisadacom a paciente a possibilidade dela (paciente) realizar sozinha. Informar que a exposição será feita de forma gradual e que tem como objetivoa habituação. Esta consiste no desaparecimento das reações de medo ou desconforto queocorrem sempre que se entra em contato com o objeto ou com situações que provocamtais reações. Informar também que nos primeiros contatos a ansiedade pode chegar a umnível muito alto, causando desconforto, mas apenas isto. Não trarão nenhumperigo. Com a continuidade das exposições vai diminuindo a intensidade dodesconforto, podendo chegar à extinção deste. Após serem realizadas as exposições descritas abaixo, os aspectos destacadospara maximizar os efeitos positivos dessa exposição iriam depender das reações dapaciente durante o processo. Porém, os conteúdos assinalados nas mesmas, oferecem
  10. 10. inúmeras possibilidades de atenuar ou extinguir o desconforto vivenciado pela paciente,porque, nos diversos contatos com o objeto fóbico, ela vai percebendo que em nenhumadas situações que ela foi exposta houve a situação de “perigo”, e sim de desconforto,que foram diminuindo após cada nova exposição. Vai perceber, portanto, que a Evitaçãoe a fuga não resolvem a problemática, apenas aliviam a ansiedade momentaneamente,reforçando seu medo.EXPOSIÇÃO GRADUAL (explicar os procedimentos da exposição) Hierarquia de exposição para uma fobia de saposVer a figura de um sapo (via virtual) 20%Assistir com a paciente o vídeo 30%Olhar de longe para a imagem de um sapo 40%Olhar de perto para a imagem de um sapo 45%Ver um filme de um sapo em movimento 45%Escutar o coaxar de um sapo (via virtual) 50%Pegar num sapo de plástico 60%Ver um sapo vivo dentro recipiente de vidro, aproximando-se gradual 70%Tocar num recipiente que contém um sapo vivo 80%Passar a mão num sapo vivo 100%Segurar um sapo em suas mãos. 100%Vídeo montado em cima da história “Cidade das flores” (a história contém imagens de sapos e explicações acerca da utilidade da espécie no equilíbrio das plantações), podendo ser utilizados na Psicoeducação sobre sapos. Historia em anexo.EXPOSIÇÃO POR MEIO DA IMAGINAÇÃO Explicar para a paciente que ela irá penetrar (viajar) no mundo da imaginação.Irá dar o inicio ao processo de visualização, na qual, ela vai visualizar cenas bemsuaves que (lhe proporcionarão) não afetarão, sobremaneira, seu bem estar. Dandocontinuidade, porém irá visualizar algumas cenas que poderão lhe trazer desconforto,mas apenas isto não trará nenhum perigo. É importante, portanto, salientar para nãolutar contra os pensamentos que surgirem, mas conquistá-los com paciência,verificando paulatinamente as evidências dos pensamentos que chegarem a sua mente.Colocar uma música suave e começar o processo de relaxamento. Sugestão damúsica : Canone - Pachelbel.Encontre uma postura que lhe seja cômoda, feche os olhos suavemente.Inspire suavemente, retenha o oxigênio nos pulmões e logo após expire suavemente,sem qualquer pressa. Você irá relaxando bem devagar. Comece o relaxamento pelaface, o pescoço, os ombros, os braços e as mãos que podem estar apoiadas nas suascoxas. Depois relaxe o tórax, o ventre, as coxas, as pernas e os pés. Respire bemsuavemente, observe a própria respiração, sinta o ar penetrando nos seus pulmões.Respire mais uma vez. Visualize mentalmente este panorama que vamos descrever:
  11. 11. Imagine neste momento que você vai assistir a uma competição de animais. Todos já seencontram na posição de largada para a grande corrida. O coordenador da competiçãodá o sinal de largada, e os participantes saem com o objetivo de chegar na reta final.Os animais que estão na plateia estão eufóricos e fazem as suas considerações acercados participantes, cada um torcendo de seu modo. Pouco a pouco, os animais vãoficando pelo caminho. O rato é o primeiro a parar, depois vem o gato, posteriormente araposa, e finalmente o cachorro.(quando o coordenador da competição disser o nome do vencedor, visualize a suafigura, e os pensamentos que vierem na sua cabeça neste momento, não fuja deles,enfrente-os, conquiste-os)O coordenador se aproxima do vencedor, e o parabeniza. Depois, anuncia: Senhoras esenhores, o vencedor desta competição é o Sr. Sapo.Todos ficaram perplexos, porque aparentemente o sapo era o que tinha menos condiçõesde ganhar a competição.Diante do fato, os peritos em competição foram verificar o que tinha acontecido, eperguntaram ao rato o motivo dele que é mais veloz do que o sapo ter ficado para trás.O rato prontamente respondeu que tinha ouvido a plateia gritar que ele seria devoradopelo gato, então sentiu medo e foi diminuindo o ritmo, e não conseguiu ir adiante.O mesmo aconteceu com o gato com medo do cachorro, e com o cachorro com medo daraposa. A raposa também ficou incomodada com a censura da plateia que lhe chamavade desonesta, dissimulada. O cachorro, por sua vez, ficou também incomodado com acensura da plateia, pois lhe estavam acusando de matador, que saia para caçar animaisindefesos.Intrigados com o que ouviram os técnicos pensaram: devem ter falado também sobre osapo, e porque ele não parou? Ao contrário, venceu a competição.Aí vem a grande surpresa para os técnicos da competição: Eles foram informados que osapo vencedor da competição era surdo, portanto mesmo competindo com outrosanimais mais velozes, não tinha escutado os comentários dos torcedores da plateia. (Adaptação do texto a corrida dos sapos)(Solicitar à paciente que vá abrindo os olhos lentamente...)Na Exposição Imaginária durante o processo de visualização o terapeuta vai observandoas reações do paciente, principalmente no momento do contato mental com o objetofóbico. Após a visualização o terapeuta junto com o paciente, trabalha ospensamentos, as emoções, as sensações, o grau de aflição, o nível de ansiedade, emquais momentos o desconforto foi maior; enfim, anota tudo que surgiu durante oprocesso e faz uma lista hierarquizada que vai ser analisada e trabalhada posteriormente.E) QUE PONTOS FORTES DA PACIENTE OU DA SUA VIDA O GRUPOUTILIZARIA EM FAVOR DO BOM RESULTADO DA TERAPIA E COMOPERCEBERIAM O MOMENTO DE PREPARÁ-LA PARA A ALTA? É importante frisar para a paciente que sua procura para realizar processoterapêutico não só se constituiu um fato de extrema relevância, como também um pontapé inicial para retomar ou mesmo criar novas e atualizadas formas de agir no mundo,que momentos antes se descortinava como inóspito e angustiante. Que tal fato já mostrasua capacidade de não só acreditar-se capaz de mudar, como também, forte o suficientede encarar as situações de sua vida com mais clareza e confiança num futuro melhor. A
  12. 12. ajuda que a terapia exerce num primeiro momento, serviria apenas de um novo ponto departida para que ela pudesse fortalecer-se e seguir adiante na sua vida. Outro fato importante a ser colocado é como ela quis enfrentar seu medo desapos escolhendo o turno da noite para estudar, significando um grande passo emdireção ao seu bem estar, como também uma força interior que desde já buscava dentrode si para enfrentar o problema. Frisar que essa força já existia dentro dela e que aterapia ajudou a elevar e fortalecer o que já havia nela mesma. O fato de ser uma pessoa responsável na sua vida e no trabalho, também precisaser lembrado como fortalecedor, pois pode servir de analogia para que se sintaresponsável pelo seu bem estar. O momento da alta se daria através da observação de que a paciente já sesentisse em condições de enfrentar seu medo de forma mais adaptativa, sem a presençade tanto esforço ou resposta ansiogênica no enfrentamento deste. Todos esses aspectos devem ser levados em consideração no momento depreparar a paciente para a alta, pois servirão de apoio em situações que possa se depararna vida, daí em diante e, em possíveis recaídas.AnexoA CIDADE DAS FLORES(Este texto pode ser usado na Terapia Cognitivo-Comportamental, com pacientesque tenham fobia específica-medo de sapo.Pode ser aplicado na Psicoeducação ou na técnica de exposição por meio daimaginação).Numa bela noite de lua cheia a Cidade das Flores está em festa, os animaishabitantes da cidade festejavam mais uma vez, a colheita que forapromissora.O nome da cidade é devido ao solo fértil, as plantas e hortas viçosas.Em todas as casas as hortas são belíssimas, nas quais a alface, o repolho, acouve e todas as hortaliças se desenvolvem com todo vigor. Todos quechegam ficam admirados com tanta fartura e beleza. Tem também muitasrosas, cravos, enfim uma variedade de flores que encantam qualquervisitante.Os bairros possuem nomes singulares. “Couvelândia” Alfacelândia”,“cravolândia””Acelgolândia” “Roseiral” “lírio branco”, enfim os bairros foramsendo denominados em função das belezas das hortas e dos jardins queflorescem em abundância.Os animais por sua vez, sentem-se gratificados por viverem num local ondeexiste equilíbrio nas plantações.
  13. 13. Certa feita chega à Cidade das flores um belo visitante, esbelto, com suaspenas multicoloridas e, admirando a beleza das plantações, perguntou a umdos habitantes:Bom dia senhor, sou visitante nesta cidade e me encantei com a sua beleza,porém fiquei intrigado com um dos bairros que conheci.O animal residente da cidade, muito educado lhe respondeuBom dia Sr Pavão, a que devemos tão honrosa visita?Pois é, disse-lhe o pavão, eu venho visitar esta cidade atraída pela sua fama,que chegou a outras localidades. Todos falam da beleza, do equilíbrio queexiste nas plantações e vim até aqui para conhecê-la, e pelo que estou vendo,a fama condiz com a realidade. Porém senhor, senhor... como é mesmo o seu nome?Ah senhor pavão desculpe esqueci-me de me apresentarEu sou o Sr. Sapo jardineiro, resido nesta cidade com minha família e tenhomuitos amigos da minha espécie, mas também convivo bem com os outrosanimais da cidade.Pois é Sr sapo Jardineiro sem querer ser descortês com o senhor, porém devodizer-lhe que fiquei surpreso.Estava observando a beleza desta cidade. Os nomes dos bairros bemsugestivos e condizentes com a sua beleza. Porém me surpreendeu que entreos nomes dos bairros encontrei um que se chama “Sapolândia”.E qual a causa de tanta surpresa senhor pavão?Retrucou o sapoBem é que, bem é que... bem senhor sapo vou logo direto no assunto:Pelo que pude ver esta cidade é belíssima, o seu nome, Cidade das Flores foipor conta das hortas, dos jardins que aqui florescem em abundancia, poréma sua espécie tem uma aparência feia, desconcertante, por isso não aprovoesta decisão. Um bairro com o nome “Sapolândia!” É demais!Nesta cidade poderia ter um bairro com o nome de “Pavolândia”, afinal comopavão, sei o quanto eu e minha espécie somos valorosos. Nossas penas sãobelíssimas, quem nos vir não foge da nossa presença, ao contrário ficamaravilhado, se aproximam desejando pegar nas nossas penas, enquantoque os da sua espécie são feios, animais insignificantes que juntos enfeiamqualquer cidade.O velho sapo permaneceu em silêncio ouvindo o pavão na sua vaidade.Este por sua vez estava tão empolgado falando da sua beleza que nãopercebeu os mosquitos que chegavam aos seus pés, porém pouco a pouco, foificando inquieto, tentando defender-se de algo que lhe importunava.
  14. 14. O sapo foi chegando mais perto do pavão e comeu os mosquitos e a lesmaque já estavam subindo pelas suas pernas.O pavão aliviado exclamou:Ah! Sr sapo muito lhe agradeço por me livrar desta lesma e destesmosquitos importunosQue horror!O sapo bem tranquilo exclamou:Pois é Sr Pavão cada um de nós tem a sua importância na natureza. Nós ossapos somos de aparência feia, porém nesta cidade as hortas, os jardinstornam-se mais bonitos e viçosos porque nós damos a nossa contribuição.Alimentamos-nos de pernilongos, formigas, besouros, moscas, e de lesmas.Imagine Sr pavão se nós os sapos, não existíssemos. As lemas semultiplicariam e devorariam todas as folhas dos alfaces, das couves, enfiamdestruiriam as hortas, outros insetos danificariam as roseiras, os cravos ,nósportanto Sr pavão controlamos a população de insetos e de outrosinvertebrados que causam grandes prejuízos para a plantação e quetransmitem doenças.Portanto Sr Pavão, os de sua espécie são belos, e atraem as pessoas, porémSr Pavão curve-se um pouco e olhe para os seus pés.Eles são feios como nós os sapos, porém o senhor só pode se locomover com oauxilio deles.O pavão ficou calado e pensativo e mentalmente exclamou:È este sapo tem razão eu preciso de vez em quando me curvar para olhar osmeus pés e compreender a beleza da utilidade do que é “feio” na natureza. Texto Escrito por Maria Inês Machado.

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