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Direitos de aprendizagem leitura

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Direitos de aprendizagem leitura

  1. 1. DIREITOS DE APRENDIZAGEM - LEITURA 1- Ler textos não-verbais, em diferentes suportes Para se comunicar, o ser humano utilizaa palavra (oral ou escrita), mas também outrossignos que servem ao propósito de produzir textos e disseminar ideias. Assim, o texto não-verbal é todoaquele que utiliza outros códigos que não sejam apalavra na emissão demensagens, cabendo ao leitor a produção de sentido para imagens, sons, cheiros, gestos,expressões faciais, símbolos, sinais de trânsito, fotografias, ilustrações, mapas, gráficos, etc.Para ler as mensagens presentes nesse tipo de texto é necessário considerar a cor, a forma, omovimento, a organização dos códigos, etc. As atividades para o ensino deste tipo de leitura devem estar inseridas no dia-a- dia daescola. Para tanto, poderão ser realizadas leituras diversas:1) ler expressões faciais nos “emotions”, identificando as emoções - alegria, dúvida, tristeza,surpresa, sono, choro, raiva, etc. Como a imagem tem poucos traços é importante chamar aatenção das crianças para a forma e posição da boca, dos olhos e sobrancelhas. As criançaspodem ser convidadas a produzir os seus “emotions” e a experimentar essa forma delinguagem que tem sido muito utilizada nos ambientes virtuais e em mensagens de texto nocelular. Abaixo, a figura mostra a utilização de sinais de pontuação para produzir signos ecomunicar ideias e sentimentos.FONTE: http://images.br.sftcdn.net/blog/br/2011/07/Emoticons-Populares.png;https://encrypted-tbn1.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcTMcZeh3oawTUxre88CIKz7lvFrvS7EOiwu_DIeHsdWhJ79x1gG
  2. 2. Na sociedade em que vivemos devemos estar atentos às múltiplas possibilidades decomunicação, que se ampliam a cada dia, em especial a partir das novas tecnologias decomunicação e informação, que nos oferecem um amplo repertório de signos. 2) ler as imagens que ilustram os textos nos livros didáticos ou nas obras literárias,explorando as cores, as formas, as figuras, os traços produzidos pelo ilustrador. Aprender afazer a leitura de imagens é importante no processo de compreensão do texto, pois possibilitaantecipar ideias, elaborar hipóteses sobre o seu conteúdo e ampliar os sentidos produzidos apartir das palavras. 3) ler os sinais de trânsito e compreender o que significam os signos, as cores e formasutilizadas nesse sistema de representação. 2 - Compreender textos lidos por outras pessoas, de diferentesgêneros e com diferentes propósitos Ouvir a leitura de textos é uma atividade essencial para a aprendizagem de habilidadesde leitura e compreensão dos textos, que não tem sido adequadamente contemplada pelaescola. Ouvir a leitura dos textos é importante para as crianças em fase de alfabetização, emespecial para aquelas que ainda não sabem fazer leitura autônoma e independente. Ao ouvir otexto lido pela professora a criança lê com os ouvidos experimenta a interlocuçãocom odiscurso escrito e adquire familiaridade com a linguagem escrita, que é diferente da fala.Como afirma Brito,“quando alguém estuda um texto escritoenunciado em voz alta, ele estálendo o texto,mesmo que para isso utilize outro sentido (aaudição)” (BRITO, 2007, p. 18).Para as crianças que ainda não sabem ler de forma convencional e autônoma, ler com osouvidos é tão importante quanto lercom os olhos.3- Antecipar sentidos e ativar conhecimentos prévios relativos aos textos a serem lidos pelo professor ou pelas crianças. Antes de ler ou propor a leitura de um texto, é importante realizar atividades de preparação ede motivação das crianças. Dentre estas atividades é essencialaantecipação de sentidos, elaboraçãode hipóteses, a ativação ou atualização de conhecimentos prévios, adefinição de objetivospara ler. Antecipar sentidos se constitui como uma etapa em que o professor constrói situaçõespara que as crianças possam pensar sobre o texto antes de fazer a sua leitura, de forma
  3. 3. elaborar hipóteses sobre os possíveis sentidos inscritos no texto que será lido. Odesenvolvimento desta habilidade pode ser trabalhado a partir da exploração de elementosdiversos, colocando-se um jogo as informações já conhecidas pelos alunos, ativando os seusconhecimentos prévios, a partir de pistas relativas ao conteúdo do texto proposto. Oconhecimento prévio refere-se a conhecimento sobre o assunto, mas também o conhecimentosobre o gênero textual, sobre o portador onde o texto foi publicado o texto (jornal, revista,livro, panfleto, folheto, livro, etc.). O conhecimento prévio também se refere ao que a criançasabe sobre o autor do texto ou mesmo sobre a época em que foi publicado. Em sala de aula, as atividades poderão se constituir como situações coletivas paraexploração da superestrutura do texto, com análise das ilustrações da capa dos livros literáriosou das ilustrações nos livros didáticos; exploração do título, dos subtítulos, dos sublinhados,em um processo em que os alunos procuram adivinhar os sentidos das histórias e dos textos, apartir das informações presentes nesses elementos. Também podem ser explorados o nome doautor e do ilustrador, a dedicatória e outros elementos pré-textuais que compõem o projetográfico da obra literária a ser lida. Exemplo: Observando as imagens da capa, qual deve ser oassunto tratado no texto? Considerando que o título do texto é “Como se fosse dinheiro”,qual o assunto você acha que o texto abordará? Você acha que será uma história, uma notícia,um poema? Sabendo que a autora é Ruth Rocha, você mantém suas respostas anteriores ou asmodifica? Por quê? Ao construir respostas para essas questões as crianças elaboram hipóteses, antecipamsentidos possíveis para o texto, sentidos que podem ou não ser confirmadas com a leitura.Além de contribuir para que as crianças compreendam melhor os textos, essa antecipação desentidos serve para despertar o interesse e desejo de ler. As atividades de antecipação desentido também servem ao processo de ativação de conhecimentos prévios dos alunos. Issoporque, ao tentar adivinhar o conteúdo do texto, o aluno colocaem jogo as informações jáconhecidas, explicitam elementos que ainda não conhecem e também aprendem com asopiniões e informações apresentadas pelos colegas. Vale lembrar que ter conhecimento sobre o conteúdo dos textos a serem lidos éessencial para a compreensão. Quando os textos não fazem parte do universo cultural dascrianças elas encontram dificuldades de compreensão. Nesse sentido, ao discutir ideias, antesde ler o texto, são construídas condições para a aprendizagem. No processo de leitura, osalunos devem contar com a ajuda do professor para esclarecer dúvidas, dando-lhes suportepara a construção de respostas para as hipóteses inicialmente elaboradas.Conhecer de antemãoo conteúdo do texto que irá ler contribui para a compreensão do texto a ser lido pelo aluno.
  4. 4. Pode ser que o aluno não possua conhecimentos prévios exigidos para abordar o texto, podeacontecer que o título do texto não permita inferir o seu conteúdo antes da leitura, podetambém ocorrer que o leitor elabore interpretações que não coincidam com as intençõespretendidas pelo autor. 4 - Reconhecer finalidades de textos lidos pelo professor ou pelas crianças. É importante que a escola se abra aos diferentes textos em circulação social,favorecendo a interação rica e produtiva dos alunos com os diferentes textos que circulamsocialmente e integram o universo da cultura escrita. Os diferentes textos apresentam estruturae organização da linguagem adequadas às funções sociais às quais se destinam, sendo que osgêneros textuais englobam todos os textos produzidos por usuários de uma língua.Assim, atas,avisos, programas de auditórios, telegrama, cartas, cartazes, poemas, contos de fadas,crônicas, editoriais, ensaios, entrevistas, contratos, decretos, discursos políticos, histórias,instruções de uso, letras de música, leis, mensagens, notícias, etc, podem ser consideradosexemplos de gêneros textuais. Ao propor a leitura de textos na escola, o professor deve discutir com os alunos asfunções e finalidades destes textos: 1) anúncios - finalidade de divulgar um produto ou ideia;2) textos publicitários e de propaganda - finalidade de convencer o consumidor a adquirir(comprar) um produto ou uma ideia; 3) convites - finalidade de convidar uma pessoa para umevento, uma festa, uma reunião, etc; 4) bulas de remédio - finalidade de informar sobre acomposição e utilidade de um medicamento e orientar o paciente; 5) texto jornalístico - textoque tem um compromisso com a verdade e tem a finalidade de informar o leitor sobre fatosocorridos; 6) literatura - são textos que, ao contrário dos textos jornalísticos, os textosliterários não têm compromisso com a verdade, sendo que a sua finalidade é deentretenimento, lazer e fruição estética. 5- Ler em voz alta, com fluência, em diferentes situações. Quando falamos em leitura com fluência referimo-nos à habilidade da criança fazer aleitura em voz alta com velocidade e expressividade adequadas, sendo esta uma habilidadecorrelacionada com a compreensão na leitura.Quando a criança faz uma leitura muitopausada, sílaba por sílaba, ou palavra por palavra, essa lentidão dificulta a compreensão. Daíser importante que o professor trabalhe com a fluência na leitura, desde o primeiro ano de
  5. 5. escolaridade, de forma que aa crianças possam ler sem esforço de decodificação,desenvolvendo a capacidade de reconhecer as palavras rapidamente e com precisão,organizando-as em unidades de significação. As atividades voltadas para o desenvolvimento da fluência na leitura podem se situarem duas formas básicas de abordagem: 1) atividades que envolvem a apresentação de ummodelo, ou seja, em que o professor lê o texto, mostrando a forma correta de se fazer a leitura,com ritmo e entonação adequados ao gênero textual; 2) atividades quevisam melhor adecifração e treinar a leitura rápida e precisa das palavras presentes no texto. Como sugestão de atividades de fluência na leitura, sugerimos que o professor realizeuma primeira leitura do texto; ao ouvir o texto a criança se familiariza com as palavras, ovocabulário, a pontuação, a entonação que pode ser dada às frases. As leituras repetidas têmse mostrado uma medida eficiente para promover a fluência, pois aumentam a precisão e avelocidade no processamento das palavras, promovendouma melhor compreensão na leitura.O professor também precisa selecionar textos mais curtos, que contribuam com a velocidadeda leitura, como é o caso de parlendas, poemas, letras de música, trovinhas, cantigas ou outrostextos que as crianças sabem de cor e podem ler mais rapidamente, porque não precisamdecifrar as palavras uma a uma. Outra estratégia que contribui com a fluência das crianças éfamiliarizar-se como vocabulário e o conteúdo do texto por meio da leitura silenciosa, ou seja,fazer leitura silenciosa e treinar a leitura antes de ler oralmente o texto. 6 e 7 -Localizar informações explícitas em textos de diferentes gêneros,temáticas, lidos pelo professor ou outro leitor experiente ou com lidos com autonomia pela própria criança. Para desenvolver habilidades de leitura é importante que o professor crieoportunidades para ler textos diversos e de interesse das crianças. Na etapa inicial do 1º anode escolaridade, quando as crianças ainda não sabem ler com autonomia, a leitura será feitapelo professor ou outro leitor experiente. Na medida em que desenvolve habilidades, a criançapoderá ler com autonomia, sem a mediação de outros leitores. Em todas as situações de leitura, as crianças deverão ser desafiadas a identificar asinformações explícitas no corpo do texto.Nos textos narrativos, o professor fará a leitura oraldo texto, apresentando questionamentos que levem o aluno a identificar: onde ocorreram osfatos,quemfez,o que fez, quando,como epor quê. Nos textos argumentativos os
  6. 6. questionamentos devem levar o aluno a identificar o assunto abordado, a posição que o autordefende,os argumentos apresentados para convencer o leitor, a conclusão a que chega o autor. 8 e 9- Realizar inferências em textos de diferentes gêneros e temáticas,lidos pelo professor ou outro leitor experiente ou com lidos com autonomia pela própria criança. O ensino da leitura na escola deve considerar que a compreensão dos textos não éorientada apenas pela decifração das marcas gráficas (letras, pontuação, etc), mas, sobretudopelo que estas marcas têm a dizer e pelo modo como o leitor apreende e interpreta a intençãodo autor. Isso implica dizer que, além de identificar informações explícitas no texto, ascrianças precisam realizar inferências. As inferências podem ser compreendidas as informações que o leitor adiciona aotextopara construirnovos sentidos a partir das informações explícitas que encontrou. Ou seja,são as informações não ditas, mas que estão nas entrelinhas e são reconstruídas pelo leitor apartir de suas vivências e conhecimentos prévios. Assim, as atividades em sala de aula devemlevar o aluno a construir o sentido global do global e estabelecer conclusões e deduções. Vejao exemplo abaixo, extraído do Caderno 05 do Ceale (SEEMG-UFMG, 2003), em que acriança, para responder a questão proposta, precisa estabelecer inferência, posto que ainformação relativa à cor do camaleão na grama não está explícita no texto, precisa serdeduzida a partir das informações dadas.QUESTÃO 22 - LEIA O TEXTO ABAIXO: MUDANDO DE COR O camaleão assume a cor do lugar em que se encontra. Ele também muda de cor emvárias situações. Ele pode mudar deCor quando está com medo, quando está zangado equando está apaixonado.(Adaptado de CIBOUL, Adèle. As cores. São Paulo: Moderna, 2003;ColeçãoCriança curiosa)RESPONDA: Qual a cor do camaleão quando ele está na grama? 10 e 11- Estabelecer relações lógicas entre partes de textos de diferentesgêneros e temáticas, lidos pelo professor ou outro leitor experiente ou com lidos com autonomia pela própria criança.
  7. 7. A habilidade para estabelecer relações lógicas entre as partes de um texto precisa sertrabalhada desde o 1º ano de escolaridade, a partir de situações em que o professor faz aleitura oral de textos, mas, aos poucos, as crianças vão construindo a capacidade de ler deforma autônoma. Para compreender os textos, as crianças precisam perceber asrelaçõesconstruídas pelo autor, identificando palavras estão sendo substituídas e/ou repetidaspara facilitar acontinuidade do texto e a compreensão do sentido. No poema, “A foca”, o autor utiliza algumas expressões para evitar repetições, estabelecendo relações entre partes do texto. No 4º verso, o pronome “seu” refere-se à foca. No 7º e no 11º versos, a expressão “ela” também se refere à foca. Essas expressões estabelecem relações de coesão e coerência no texto, sendo necessário que a criança compreenda a sua utilização para que possa entender o texto e adequadamente produzir significações. 12 e 13 - Apreender assuntos/temas tratados em textos de diferentes gêneros, lidos pelo professor ou outro leitor experiente ou com lidos com autonomia pela própria criança. Apreender assuntos e temas tratados em textos de diferentes gêneros é uma habilidadede leitura básica no Ciclo de Alfabetização e deve ser trabalhada cotidianamente peloprofessor. Inicialmente, quando a criança ainda não dominar o sistema de escrita, o professorpoderá fazer leitura oral compartilhada e, na medida em que a criança for dominando a leitura,poderá ler com autonomia. Assim, em sala de aula, o professor e as crianças poderão ler ecompartilhar textos literários ou poéticos e apreciar o prazer e o encantamento proporcionadospelos textos ficcionais; poderão ler uma notícia veiculada num jornal ou revista, para que osalunos não fiquem alheios ao que está acontecendo; ler um bilhete que irão encaminhar aospais; ler textos instrucionais - receitas que farão na aula de culinária, as instruções de um jogonovo, etc. Em todas essas situações de leitura deverão ser levantadas questões que levem osalunos a identificar as temáticas abordadas nos textos.
  8. 8. 14 e 15- Interpretar frases e expressões em textos de diferentes gêneros e temáticas, lidos pelo professor ou outro leitor experiente ou com lidos com autonomia pela própria criança. Para interpretar frases e expressões é necessário que as crianças compreendam aintenção da frase (afirmação, pergunta, dúvida, exclamação, ordem, etc). É preciso que ascrianças aprendam a analisar a frase - a frase pode solicitar uma açãoou lhe dar uma ordem(Leia este livro!); a frasepode expressar uma dúvida e lhe fazer uma pergunta (Você leu olivro?).Para interpretar frases é também importante compreender os sentidos das palavras,sem conhecer o significado das palavras não é possível saber o que está sendo dito. A partir do conhecimento das intenções e dos sentidos das palavras o aluno deveráidentificar a ideia principal das frases. Inicialmente, as crianças irão ouvir a leitura feita peloprofessor para poder interpretar as frases e expressões. No entanto, na medida em quepuderem ler com autonomia, as crianças não dependerão da mediação do professor para teracesso ao texto escrito. Para trabalhar com a leitura e interpretação de frase, o professor poderá utilizaralgumas atividades simples, como: 1)Brincadeira “macaco disse”, em que o professor lê uma frase e as crianças imitamcom gestos (O menino plantou sementes bem pequeninas;O garoto tomou o do suco delaranja, mas não gostou do sabor; Vá até a janela, mas não corra; A professora leu o livro e omenino adorou a história). Após a brincadeira, a professora poderá discutir com as crianças adificuldade em realizar os gestos representativos das frases. Também poderá discutir ossignificados de algumas palavras, como “mas”, que indica contraposição de ideias. Oprofessor também poderá discutir a diferença de significados entre as expressões gostou eadorou (que revelam a satisfação com alguma coisa, mas a intensidade é diferente, posto queadorar é um sentimento mais intenso do que gostar). 2) Analisar algumas frases extraídas das histórias lidas para as crianças. A professorairá escrever as frases no quadro e analisar com as crianças. Por exemplo: “Era uma vez, umamenina tão doce e meiga que todos gostavam dela. A avó aadorava e não sabia mais quepresente dar à criança para agradá-la. Um dia ela presenteou-acom um chapeuzinho de veludovermelho”. Nesse trecho, extraído da história “Chapeuzinho Vermelho”, dos Irmãos Grimm,poderão ser exploradas alguns aspectos: 1) O que significa a palavra “doce” na frase “Era umavez, uma menina tão doce e meiga que todos gostavam dela.”; 2) Explorar o uso de pronomes.
  9. 9. No trecho “A avó a adorava”, pode-se perguntar “quem era adorado pela avó?”, sendoessencial que a criança compreenda que o “a” refere-se à Chapeuzinho Vermelho. No trecho“e não sabia mais que presente dar à criança para agradá-la”, pode-se perguntar “quem a avóqueria agradar?”, sendo importante compreender que a expressão “criança” refere-se àChapeuzinho Vermelho. Na frase, “Um dia ela presenteou-acom um chapeuzinho de veludovermelho”, pode ser explorado aspectos de compreensão relativos a “qual” presente ganhou aChapeuzinho Vermelho, “quem” deu o presente, sendo importante compreender as relaçõesde referência, em que “ela” refere-se à avó e “a” refere-se à Chapeuzinho Vermelho. Em síntese, ao ouvirmos ou lermos as histórias ou outros textos não encontramosdificuldade de compreensão, pois os textos parecem simples. Mas, ao analisarmos asconstruções textuais percebemos que a linguagem escrita não é tão simples, e que aconstrução das frases podem se constituir como elementos dificultadores da compreensãopara as crianças. Daí a necessidade de ensinar a leitura, discutir os textos, explorar partes dostextos, analisar a linguagem. Mas, é ainda mais importante, ler sempre em sala de aula, paraque as crianças se familiarizem com a linguagem escrita. 16 - Estabelecer relações de intertextualidade entre textos Intertextualidade pode ser compreendida como um diálogo entre textos - o que implicadizer que, ao produzir um novo texto, o autor faz uma relação com outros textos já existentes.Este é um fenômeno muito comum nos textos literários, mas também ocorre em diversas áreas doconhecimento, em diferentes gêneros textuais. A percepção da intertextualidade depende dosconhecimentos de mundo e do conhecimento sobre outros textos.Na escola, o professor deve estimular a criança a perceber essa relação entre textos. Na históriaChapeuzinho Amarelo, de Chico Buarque de Holanda, é clara a relação intertextual com o contoclássico Chapeuzinho Vermelho. O próprio título da obra estabelece essa rede de relações, que éreafirmada na presença do lobo mau e da menina (a Chapeuzinho Amarelo) e em outros elementosda história. Na frase que se segue é possível perceber uma destas relações intertextuais: “UmLOBO que nunca se via, que morava lá pra longe, do outo lado da montanha, num buraco daAlemanha”. Para perceber as relações com o conto clássico presente nessa frase, a criança precisasaber que uma das versões da história da Chapeuzinho Vermelho foi escrita pelos Irmãos Grimm,que nasceram na Alemanha.
  10. 10. O texto que se segue, denominado de “Ave Alegria”, é um poema de Sylvia Orthof, querevela o diálogo com uma oração muito conhecida dos católicos, a “Ave Maria”. Avealegria,/Cheia de graça,/ o amor é contigo,/ bendita é a risada/ e a gargalhada!/ Salve a justiça/ e aliberdade!/ Salve a delicadeza/ e o pão sobre a mesa!/ Abaixo a tristeza!/ Ave a alegria! 17- Relacionar textos verbais e não-verbais, construindo sentidos. Nos processos de interlocução cotidianos são utilizados recursos de linguagem verbal(palavra falada ou escrita) e não-verbal (gestos, imagens, fotos, expressões ou qualquer outrorecurso que não seja a palavra,etc), senso mais comum a utilização da linguagem verbal. Mas osprocessos cotidianos também utilizam a linguagem não-verbal. A placa que indica que é proibidofumar utiliza linguagem não-verbal. O semáforo também é uma forma de linguagem não-verbal eindica ações que os motoristas e pedestres devem assumir no trânsito. Utilizando-se de cores, osemáforo indica a necessidade de ter atenção (amarelo), indica se é permitido avançar (verde), ouse é proibido seguir em frente (vermelho). Alguns textos são construídos pela integração da linguagem verbal e da linguagem nãoverbal, como é o caso de cartuns, charges, histórias em quadrinhos, que precisam ser exploradosna escola, para que as crianças aprendem a ler e compreender estes textos e construir sentidos.Nesses textos, a imagem não é um recurso meramente ilustrativo, mas contribuem de formadecisiva na construção dos sentidos. Na charge abaixo, lendo apenas as palavras “eu odeio estes pneus” e “eu adoro essespneus”, sendo uma leitura das imagens não é possível entender o texto. Daí que a escola deveselecionar textos adequados ao público infantil, de forma que aprendam a ler estas linguagens e aproduzir significações para diferentes textos.
  11. 11. Fonte:http://recadoface.com.br/imagens/imagens-charges-engracadas-para-orkut-e0d697.jpg18- Saber procurar no dicionário os significados das palavras e aacepção mais adequada ao contexto de uso. Para consultar o dicionário é necessário que as crianças conheçam a ordem alfabética queaparecem organizadas nessa ordem, assim como a lista telefônica e as enciclopédias. Além deaprender a fazer uso social do conhecimento do alfabeto para localizar as palavras para as quaisdeseja encontrar uma significação, é necessário orientar-se pelos sentidos para poder selecionar overbete mais adequado para a palavra procurada. No livro “Dicionários na sala de aula”, publicado pelo Ministério da Educação, em 2006,disponível em http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/Avalmat/polleidicio.pdf, é possívelencontrar uma série de orientações e sugestões para a utilização dos dicionários.

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